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UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS GABRIELA NOVAK FRAZZETTO A CONTRIBUIÇÃO DA CONTABILIDADE GERENCIAL PARA AS TOMADAS DE DECISÕES DE UMA EMPRESA DO SETOR METALÚRGICO DA REGIÃO DE CRICIÚMA/SC CRICIÚMA, JULHO DE 2011

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  • UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC

    CURSO DE GRADUAO EM CINCIAS CONTBEIS

    GABRIELA NOVAK FRAZZETTO

    A CONTRIBUIO DA CONTABILIDADE GERENCIAL PARA AS

    TOMADAS DE DECISES DE UMA EMPRESA DO SETOR

    METALRGICO DA REGIO DE CRICIMA/SC

    CRICIMA, JULHO DE 2011

  • GABRIELA NOVAK FRAZZETTO

    A CONTRIBUIO DA CONTABILIDADE GERENCIAL PARA AS

    TOMADAS DE DECISES DE UMA EMPRESA DO SETOR

    METALRGICO DA REGIO DE CRICIMA/SC

    Trabalho de Concluso de Curso, apresentado para obteno do grau de bacharel no curso de Cincias Contbeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC.

    Orientador: Prof. Esp. Ademir Borges.

    CRICIMA, JULHO DE 2011

  • GABRIELA NOVAK FRAZZETTO

    A CONTRIBUIO DA CONTABILIDADE GERENCIAL PARA AS TOMADAS DE

    DECISES DE UMA EMPRESA DO SETOR METALRGICO DA REGIO DE

    CRICIMA/SC

    Trabalho de Concluso de Curso, apresentado para obteno do grau de bacharel no curso de Cincias Contbeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com linha de pesquisa em Contabilidade Gerencial.

    Cricima, 06 de julho de 2011.

    BANCA EXAMINADORA

    _______________________________________________Prof. Esp. Ademir Borges - Orientador

    _______________________________________________Prof. Esp. Jos Luiz Possolli - Examinador

    _______________________________________________Prof. Esp. Fernando Marcos Garcia - Examinador

  • Dedico este trabalho primeiramente a Deus, pelo

    Dom da Vida,

    Aos meus pais, pelos quais sem eles eu no

    estaria aqui,

    Aos meus irmos, por todo amor e carinho,

    Ao meu namorado, por todo apoio e auxlio,

    Aos meus amigos, por todas as horas felizes,

    E ao meu orientador, por toda a ateno

    dedicada a mim e a esse trabalho.

  • AGRADECIMENTOS

    Agradeo em primeiro lugar a Deus, por todas as graas alcanadas e

    por todas as vitrias conquistadas.

    Agradeo aos meus pais, Joo e Salete, pois deles vieram toda a

    educao, o respeito, a integridade que conheci, foi com eles que aprendi que sem a

    base familiar no somos nada.

    Agradeo aos meus irmos, Marcos Paulo e Bruno Henrique, por todos

    os momentos felizes que passamos e certamente ainda passaremos juntos.

    Agradeo ao meu namorado Rauflin, por toda compreenso que teve

    comigo todo esse tempo, me auxiliando e dando foras para que eu no desistisse

    de lutar pelos meus objetivos.

    Agradeo aos meus amigos, em especial Daiane, Telma e Samuel, por

    serem to companheiros, a ponto de consider-los meus irmos.

    Agradeo tambm a todos os meus amigos que de forma direta ou

    indireta contriburam para que meus dias fossem mais felizes.

    Agradeo em especial ao professor Edson Cichella, pois no momento em

    que mais precisei de algum, Deus o colocou em meu caminho para me dar foras.

    Agradeo, tambm especialmente, meu orientador professor Ademir

    Borges, pela calma, pacincia e dedicao com que me auxiliou nesse trabalho de

    concluso de curso.

    Enfim, agradeo a todos os colegas, amigos e familiares que se fizeram

    presentes no decorrer do curso, e aos que, de uma forma ou de outra, colaboraram

    na elaborao deste trabalho.

  • O primeiro passo para levantar a

    percepo da queda.

    Padre Marcelo Rossi

  • RESUMO

    FRAZZETTO, Gabriela Novak. A contribuio da contabilidade gerencial para as tomadas de decises de uma empresa do setor metalrgico da regio de Cricima/SC. 2011. 65 p. Orientador: Ademir Borges. Trabalho de Concluso do Curso de Cincias Contbeis. Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC. Cricima SC.

    Com o avano da tecnologia e a competio acirrada no mercado, as empresas necessitam manter-se estveis e desenvolver tcnicas administrativas que venham de encontro ao planejamento presente e futuro para atingir o sucesso. Com isso, a contabilidade gerencial est se tornando cada vez mais importante dentro das organizaes, em virtude de oferecer ferramentas que auxiliam no processo de tomada de decises. A contabilidade gerencial tem por objetivo fornecer dados reais que aperfeioem o processo decisional almejando o planejamento e a prosperidade das organizaes. Por meio das anlises dos demonstrativos contbeis e dos relatrios gerenciais, as empresas posicionam sua situao em tempo real visando melhorias para a realizao dos lucros. O objetivo geral desse estudo mostrar a importncia da contabilidade gerencial, bem como seus demonstrativos contbeis, relatrios gerenciais e anlises destes. O estudo de caso mostrar a importncia dessa ferramenta na administrao das empresas trazendo excelentes benefcios na execuo de planejamentos e estratgias visando no somente o lucro, mas tambm a viso no mercado concorrente.

    Palavras-chave: Contabilidade gerencial, demonstrativos contbeis, relatrios gerenciais.

  • LISTA DE QUADROS

    Quadro 01 Comparao entre a Contabilidade Financeira e a Contabilidade

    Gerencial....................................................................................................................22

    Quadro 02 - Balano Patrimonial...............................................................................48

    Quadro 03 Demonstrativo do Resultado do Exerccio............................................50

    Quadro 04 Demonstrativo do Fluxo de Caixa Modelo Indireto............................51

    Quadro 05 Controle de Contas a Pagar.................................................................54

    Quadro 06 Controle de Contas a Receber.............................................................55

    Quadro 07 Relatrio de Giro de Estoques.............................................................56

    Quadro 08 Relatrio de Anlise das Demonstraes Contbeis...........................57

  • LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

    AC Ativo Circulante

    AP Ativo Permanente

    ARLP Ativo Realizvel a Longo Prazo

    BP Balano Patrimonial

    CFC Conselho Federal de Contabilidade

    CMV Custo da Mercadoria Vendida

    CPV Custo do Produto Vendido

    CUT Central nica dos Trabalhadores

    DFC Demonstrativo do Fluxo de Caixa

    DOAR Demonstrativo das Origens e Aplicao dos Recursos

    DRE Demonstrativo do Resultado do Exerccio

    EM Estoque Mdio

    FASB Financial Accounting Standards Board

    GE Giro do Estoque

    IPL Imobilizao do Patrimnio Lquido

    LC Liquidez Corrente

    LG Liquidez Geral

    LI Liquidez Imediata

    LS Liquidez Seca

    LTDA - Limitada

    MB Margem Bruta

    MG Minas Gerais

    ML Margem Lquida

    MO Margem Operacional

    PC Passivo Circulante

    PCT Participao de Capital de Terceiros

    PELP Passivo Exigvel a Longo Prazo

    PL Patrimnio Lquido

    PMC Prazo Mdio de Compras

    PME Prazo Mdio de Estoques

    PMPC Prazo Mdio de Pagamento de Compras

    PMR Prazo Mdio de Recebimento

  • S.A Sociedade Annima

    SC Santa Catarina

    SEC - Securities and Exchange Commission

    SP - So Paulo

  • SUMRIO

    1 INTRODUO ........................................................................................................ 13

    1.1 Tema e Problema ................................................................................................. 13

    1.2 Objetivos .............................................................................................................. 14

    1.3 Justificativa .......................................................................................................... 15

    1.4 Metodologia ........................................................................................................ 16

    2 FUNDAMENTAO TERICA ............................................................................... 19

    2.1 Contabilidade Gerencial e Contabilidade Financeira ...................................... 19

    2.2 A Evoluo da Contabilidade Gerencial ........................................................... 22

    2.3 Demonstraes Contbeis ................................................................................ 25

    2.3.1 Balano Patrimonial (BP) ................................................................................ 25

    2.3.2 Demonstrativo do Resultado do Exerccio (DRE) ........................................ 27

    2.3.3 Demonstrativo do Fluxo de Caixa (DFC) ....................................................... 27

    2.4 Relatrios Gerenciais ......................................................................................... 29

    2.4.1 Relatrio de Contas a Pagar ........................................................................... 30

    2.4.2 Relatrio de Contas a Receber ....................................................................... 30

    2.4.3 Relatrio de Giro de Estoque .......................................................................... 31

    2.4.4 ndices .............................................................................................................. 32

    2.4.4.1 ndices de Liquidez ....................................................................................... 32

    2.4.4.2 ndices de Endividamento ............................................................................ 34

    2.4.4.3 ndices de Rentabilidade .............................................................................. 35

    2.4.4.4 ndices de Prazo Mdio ou Rotao ............................................................ 37

    2.4.4.5 ndices de Estrutura ...................................................................................... 39

    2.5 Setor Metalrgico ................................................................................................ 40

    2.5.1 A Origem da Metalurgia ................................................................................... 40

    2.5.2 Histria do Setor Metalrgico no Brasil ........................................................ 41

    2.5.3 Setor Metalrgico no Sul de Santa Catarina ................................................. 43

    3 ESTUDO DE CASO ................................................................................................. 45

    3.1 Caracterizao da Empresa ............................................................................... 46

    3.2 Demonstraes Contbeis da Metalrgica Santa Cruz Ltda. ......................... 47

    3.2.1 O Balano Patrimonial da Metalrgica Santa Cruz Ltda. ............................ 47

  • 3.2.2 Demonstrativo do Resultado do Exerccio da Metalrgica Santa Cruz Ltda.

    ..................................................................................................................................... 49

    3.2.3 Demonstrativo do Fluxo de Caixa da Metalrgica Santa Cruz Ltda. ......... 51

    3.3 Relatrios Gerenciais da Metalrgica Santa Cruz Ltda. ................................. 52

    3.3.1 Relatrio de Contas a Pagar da Metalrgica Santa Cruz Ltda. .................. 53

    3.3.2 Relatrio de Contas a Receber da Metalrgica Santa Cruz Ltda. .............. 55

    3.3.3 Relatrio de Giro de Estoque da Metalrgica Santa Cruz Ltda. ................ 56

    3.3.4 Anlise dos ndices da Metalrgica Santa Cruz Ltda. ................................. 57

    3.3.5 Anlise do Estudo ............................................................................................ 59

    4 CONSIDERAES FINAIS ..................................................................................... 62

    REFERNCIAS ........................................................................................................... 63

  • 13

    1 INTRODUO

    Este trabalho tem como objetivo evidenciar a importncia da contabilidade

    gerencial como ferramenta de gesto. Diante dos avanos tecnolgicos e das

    mudanas na economia, as empresas esto necessitando cada vez mais de

    tcnicas que as auxiliem nos processos decisrios. No s no Brasil, mas a nvel

    mundial, essas organizaes necessitam se adequar s novas regras para se

    manter no mercado, por meio de tcnicas que possibilitem a competitividade

    saudvel entre elas.

    A contabilidade gerencial vem ao encontro a essas necessidades

    existentes nos dias atuais. Essa ferramenta de gesto, quando utilizada de forma

    correta e precisa, pode conduzir a organizao ao sucesso no mundo dos negcios.

    O mercado nacional e internacional est cada vez mais exigente, sendo

    assim, as empresas devem se apresentar slidas e fortalecidas financeiramente. A

    contabilidade gerencial colabora muito nesse fortalecimento, pois relatrios

    gerenciais auxiliares, alm das demonstraes j conhecidas pela contabilidade, do

    base para as empresas planejarem o presente e o futuro por meio de informaes

    reais e em tempo real.

    1.1 Tema e Problema

    At pouco tempo o papel do contador era basicamente o de realizar

    registros contbeis com o objetivo de atender as exigncias fiscais. Porm, com o

    desenvolvimento da tecnologia, da economia e o crescimento das empresas, no

    cabe mais a este profissional atuar somente em funo. Faz-se necessrio

    desenvolver outros trabalhos, focados e especializados s empresas, tais como os

    relatrios gerenciais.

    Dessa forma, os gestores necessitam cada vez mais desse profissional,

    visando mant-los informados sobre a situao real das empresas e orientando para

    o bom funcionamento dos negcios, pois o levantamento real da situao financeira

  • 14

    e econmica das organizaes auxilia os gestores nas tomadas de decises

    importantes e possibilita que os investidores acompanhem o desenvolvimento dos

    seus negcios.

    Tais informaes so geradas pela contabilidade gerencial, por meio de

    relatrios que espelham a realidade da empresa e as auxiliam, dessa forma, nas

    decises. Alm disso, visa atender a administrao das empresas, fazendo-se por

    meio de informaes especficas para cada setor, a fim de oferecer dados reais e

    necessrios para o sucesso nas tomadas de decises.

    A contabilidade gerencial de extrema importncia para o planejamento a

    longo ou a curto prazo de qualquer organizao, com ou sem fins lucrativos,

    inclusive s empresas do setor metalrgico, pois fatores como a atual

    competitividade no mundo dos negcios e o movimento da economia, exigem um

    gerenciamento cada vez maior dos recursos e tambm dos custos. Dispondo e

    utilizando-se de uma boa gesto, com o auxlio dos relatrios gerenciais, as

    organizaes estaro garantindo sua sade financeira por mais tempo.

    Entre as diversas ferramentas disponibilizadas pela contabilidade

    gerencial, tm-se a anlise das demonstraes contbeis, que permite o clculo e

    interpretao de ndices de desempenho de uma organizao; a anlise dos

    relatrios auxiliares como os relatrios de contas a pagar e contas a receber;

    relatrios de giro de estoque e o fluxo de caixa, que corresponde s estimativas de

    entradas e sadas de caixa em determinado perodo.

    Diante desse contexto, levanta-se a seguinte problemtica: qual a

    contribuio da contabilidade gerencial para as tomadas de decises de uma

    empresa do setor metalrgico da regio de Cricima/SC?

    1.2 Objetivos

    O objetivo geral desse trabalho consiste em identificar qual a contribuio

    da contabilidade gerencial para as tomadas de decises de uma empresa do setor

    metalrgico da regio de Cricima/SC.

    Para atingir o objetivo geral, tm-se como objetivos especficos:

  • 15

    Diferenciar contabilidade gerencial de contabilidade financeira;

    Conceituar contabilidade gerencial, seus demonstrativos contbeis

    e relatrios gerenciais;

    Caracterizar o setor metalrgico;

    Pesquisar a contribuio da contabilidade gerencial para as

    tomadas de deciso junto a uma empresa do setor metalrgico;

    Descrever a contribuio da contabilidade gerencial na gesto.

    1.3 Justificativa

    Com o crescimento da economia e o desenvolvimento da tecnologia, as

    empresas precisam se atualizar para se manter no mercado. Para suprir tal

    necessidade preciso que as decises sejam tomadas de forma concisa, coerente

    com a realidade da empresa e em tempo real. Esse papel cabe contabilidade

    gerencial, que fornece, alm de relatrios contbeis conhecidos, relatrios auxiliares

    que ajudam os gestores a tomarem as decises.

    Salienta-se, tambm, que para a empresa garantir timos resultados, ela

    depende de decises a serem tomadas pelos gestores, que devem ser baseadas em

    informaes que a contabilidade gerencial dever fornecer por meio de seus

    relatrios e anlises. Esse resultado pode ser positivo ou negativo, dependendo da

    forma que os administradores tomam as decises embasadas nessa ferramenta

    gerencial. Com bons resultados se garante a progresso saudvel da empresa,

    contribuindo para o seu sucesso.

    A contabilidade gerencial disponibiliza relatrios gerenciais e tambm as

    anlises destes, o que possibilita que as empresas verifiquem sua real situao.

    Com a veracidade dos resultados, existe uma maior facilidade por parte dos

    gestores em tomarem decises acertadas.

    O setor metalrgico muito importante na regio de Cricima/SC, bem

    como em todo o pas e no mundo, pois muitas pessoas sobrevivem dessa atividade.

    Esse setor gera um grande nmero de empregos e possibilita o sustento de vrias

    famlias. O setor tambm muito importante no cenrio econmico do pas, tendo

  • 16

    movimentado US$ 54 bilhes no ano de 2009, segundo o relatrio do Ministrio de

    Minas e Energia (2009, p. 21). J para o sul catarinense, esses valores econmicos

    representam R$ 1,5 bilhes por ano de faturamento, sendo um dos principais

    setores da regio sul de Santa Catarina. (A TRIBUNA, 20/04/2011, p. 05).

    A contabilidade gerencial para as tomadas de decises das empresas do

    setor metalrgico, torna-se necessria para o melhor conhecimento da empresa e de

    seu funcionamento. A pesquisa literria da contabilidade gerencial tem muito a contribuir com o setor. Com o levantamento de informaes de uma empresa

    atuante nesse segmento, o presente trabalho contribui positivamente com a cincia

    contbil, demonstrando a importncia de seus relatrios contbeis e gerenciais para

    a garantia de resultados saudveis da empresa.

    Com a utilizao da contabilidade gerencial e seus relatrios, no s as

    empresas tendem a evoluir, mas, tambm, todos os inseridos nela, sendo que essa

    ferramenta de gesto oferece empresa, seus colaboradores, fornecedores e

    clientes, menores riscos nos seus planejamentos econmicos e financeiros. Dessa

    forma, uma vez que as empresas caminham a passos seguros, a sociedade tambm

    se beneficia, com a gerao de empregos e maior arrecadao e distribuio dos

    tributos.

    1.4 Metodologia

    Para a elaborao desse estudo so necessrios procedimentos

    metodolgicos, que visam dar apoio e base a todos os argumentos e anlises da

    monografia. Segundo Oliveira (2003 apud SANTOS; NORONHA, 2005, p. 56),

    A metodologia engloba todos os passos realizados para construo do trabalho cientfico, que vai desde a escolha do procedimento para obteno de dados, perpassam a identificao dos mtodos, tcnicas, materiais, instrumentos de pesquisas e definio dos mtodos de amostra/universo, at a categorizao e anlise dos dados coletados.

    A metodologia desse estudo, quanto aos objetivos, ser descritiva, pois

    se busca descrever quais as demonstraes contbeis e gerenciais utilizadas por

    uma empresa do setor metalrgico da regio de Cricima/SC e de que forma essas

  • 17

    demonstraes influenciam no processo de tomada de deciso.

    Para Appolinrio (2006, p. 62) quando uma pesquisa busca descrever

    uma realidade, sem nela interferir, damos a ela o nome de pesquisa descritiva.

    A finalidade da pesquisa descritiva mostrar a realidade, narrando o que

    realmente acontece, sem manipulaes dos dados que se deseja transmitir.

    Quanto aos procedimentos, as tipologias que sero utilizadas so a

    bibliogrfica e o estudo de caso. A pesquisa bibliogrfica ser realizada por meio de

    consulta a livros, captulos de livros, artigos cientficos, revistas e sites

    especializados no assunto em questo.

    Segundo Ruiz (2008, p. 58) a pesquisa bibliogrfica consiste no exame

    desse manancial, para levantamento e anlise do que j se produziu sobre

    determinado assunto que assumimos como tema de pesquisa cientfica.

    Para o autor, a pesquisa bibliogrfica nada mais que a busca de

    explicaes para determinado assunto que est sendo levantado.

    Comentando a necessidade da pesquisa bibliogrfica em um trabalho

    cientfico diz ainda Ruiz (2008, p. 57) que,

    Qualquer espcie de pesquisa, em qualquer rea, supe e exige pesquisa bibliogrfica prvia, quer maneira de atividade exploratria, quer para o estabelecimento do status quaestionis, quer para justificar os objetivos e contribuies da prpria pesquisa.

    A pesquisa bibliogrfica tem como finalidade proporcionar uma viso mais

    profunda sobre o assunto e servir de embasamento na elaborao da

    fundamentao terica.

    Ser apresentado neste trabalho, tambm, o estudo de caso, com a

    finalidade de apontar a contribuio da contabilidade gerencial para as tomadas de

    decises por parte dos gestores em uma empresa do setor metalrgico da regio de

    Cricima/SC.

    Segundo Fachin (2001, p. 42):

    Estudo de caso: consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento. Caracterizado por ser um estudo intensivo. levada em considerao, principalmente, a compreenso, como um todo, do assunto investigado. Todos os aspectos do caso so investigados. Quando o estudo intensivo podem at aparecer relaes que de outra forma no seriam descobertas.

  • 18

    No estudo de caso, tm-se o estudo aprofundado de um tema levantado

    em questo, o qual nos mostra que o objetivo desenvolver uma anlise minuciosa

    dessa determinada situao.

    Quanto abordagem do problema, a metodologia de estudo aplicada ser

    a qualitativa, pois caracteriza uma empresa do setor metalrgico e suas informaes

    contbeis e gerenciais.

    Appolinrio (2006, p. 61) destaca que,

    A pesquisa preponderantemente qualitativa seria, ento, a que normalmente prev a coleta dos dados a partir de interaes sociais do pesquisador com o fenmeno pesquisado. Alm disso, a anlise desses dados se dar a partir da hermenutica do prprio pesquisador.

    Sero apresentadas nesse estudo de caso as caractersticas de uma

    empresa do setor metalrgico, bem como os relatrios e informaes contbeis e

    gerenciais que ela utiliza para gerir seus negcios.

  • 19

    2 FUNDAMENTAO TERICA

    A fundamentao terica consiste na apresentao dos conceitos que se

    fazem indispensveis para a realizao do estudo. Este captulo trata do conceito e

    histrico da contabilidade gerencial, bem como as demonstraes contbeis e os

    relatrios gerenciais utilizados pelas empresas e a importncia dessa ferramenta de

    suporte informacional para o processo decisrio na organizao.

    2.1 Contabilidade Gerencial e Contabilidade Financeira

    No contexto competitivo atual, com o avano tecnolgico e a evoluo da

    economia, se torna indispensvel a utilizao da contabilidade nas empresas, sem

    ela no se pode garantir o sucesso de uma organizao. A contabilidade dispe de

    diversas ferramentas que auxiliam na boa gesto, ferramentas como a contabilidade

    financeira e a contabilidade gerencial.

    O foco desse estudo demonstrar a contribuio da contabilidade

    gerencial como ferramenta de gesto e o que ela oferece para o sucesso de uma

    organizao, para tanto se far um comparativo entre contabilidade gerencial e

    financeira.

    A contabilidade gerencial difere-se da contabilidade financeira

    especialmente em relao aos seus usurios. A informao da contabilidade

    gerencial destinada aos usurios internos, enquanto as informaes da

    contabilidade financeira destinam-se aos usurios externos.

    De acordo com Warren et. al (2008, p. 3):

    As informaes da contabilidade financeira so relatadas em demonstrativos financeiros teis para pessoas ou instituies de fora ou externas empresa. Exemplos de tais usurios incluem acionistas, credores, instituies governamentais e pblico em geral.

    De acordo com o autor, a contabilidade financeira voltada

    especialmente ao pblico externo empresa.

  • 20

    J Atkinson et al. (2000, p. 37) destaca que,

    Contabilidade Financeira lida com a elaborao e a comunicao de informaes econmicas de uma empresa dirigidas a uma clientela externa: acionistas, credores (bancos, debenturistas e fornecedores), entidades reguladoras e autoridades governamentais tributrias. A informao contbil financeira comunica aos agentes externos as conseqncias das decises e das melhorias dos processos executadas por administradores e funcionrios.

    O autor, alm de mencionar que a contabilidade financeira voltada ao

    pblico externo, tambm frisa a importncia e a responsabilidade dos

    administradores e funcionrios na elaborao dessas informaes econmicas,

    demonstrando a transparncia e a realidade da empresa em tempo real.

    J a contabilidade gerencial, o ramo da contabilidade que tem o objetivo

    de fornecer informaes aos gestores das empresas, que os auxiliem nas tomadas

    de decises. Para Atkinson et al. (2000, p. 36) contabilidade gerencial o processo

    de identificar, mensurar, reportar e analisar informaes sobre os eventos

    econmicos das empresas.

    Na concepo de Iudcibus (1998, p. 21):

    A contabilidade gerencial, num sentido mais profundo, est voltada nica e exclusivamente para a administrao da empresa, procurando suprir informaes que se encaixem de maneira vlida e efetiva no modelo decisrio do administrador.

    Como os clientes esto cada vez mais exigentes e o mercado cada vez

    mais competitivo, as empresas necessitam adequar-se a essas necessidades, e

    uma das melhores formas de garantir o sucesso utilizando-se da contabilidade

    gerencial, que uma ferramenta de gesto que oferece muitos benefcios no

    processo de deciso.

    Tais decises no podem ser tomadas de qualquer forma, mas sim

    depois de muitas anlises, questionamentos e procedimentos observados. Dessa

    maneira, garante-se um processo decisional condizente e prximo da realidade da

    empresa.

    De acordo com Souza (2008, p. 28):

  • 21

    Um modelo de deciso um conjunto de procedimentos, que se forem observados, facilitaro a deciso. Por outras palavras, um modelo de deciso um mtodo de fazer uma escolha, cujas alternativas envolvem informaes quantitativas e qualitativas. Na verdade um modelo decisrio funciona como uma rotina.

    A contabilidade gerencial um conjunto de ferramentas que possibilita

    aos gestores das empresas uma viso mais espelhada das rotinas dirias da

    mesma, fornecendo informaes de extrema relevncia e que auxiliam de maneira

    muito expressiva nas tomadas de decises.

    Ao contrrio da contabilidade financeira, a contabilidade gerencial visa

    atender as necessidades internas da empresa, por meio de relatrios auxiliares que

    ajudam a espelhar a situao da organizao em tempo real em um determinado

    perodo. Esses relatrios devem ser gerados com o mximo de cuidado, sendo

    antes conciliados e analisados para que no haja qualquer tipo de incoerncia, pois

    os resultados dos relatrios so base para as tomadas de decises. Caso esses

    relatrios tragam informaes distorcidas a respeito da situao, as decises por

    parte dos gestores sero tomadas de forma errnea, podendo ocasionar muitos

    prejuzos empresa e para quem est inserido nela.

    Segundo Pizzolato (2000, p. 195):

    (...) a Contabilidade Gerencial produz informao til para a administrao, a qual exige informaes para vrios produtos tais como: auxlio no planejamento; na medio e avaliao da performance; na fixao de preos de venda e na anlise de aes alternativas.

    Essa ferramenta de gesto oferece informaes importantes para o

    processo decisional, tais como planejamentos, formao de preo de venda, e

    permite a anlise de muitas alternativas de melhorias nos vrios setores de uma

    organizao. Sendo bem utilizada, essa ferramenta pode auxiliar muito no processo

    de deciso trazendo vrios benefcios, porm, cabe aos gestores terem

    discernimento para utilizar corretamente essas informaes e no pr em risco a

    sade da empresa.

    A tabela a seguir explica bem essa diferena entre a contabilidade

    financeira e a contabilidade gerencial.

  • 22

    Contabilidade Financeira Contabilidade GerencialClientela Externa: Acionistas, credores,

    autoridades tributrias

    Interna: Funcionrios,

    administradores, executivosPropsito Reportar o desempenho

    passando as partes externas,

    contratos com proprietrios e

    credores

    Informar decises internas

    tomadas pelos funcionrios e

    gerentes: feedback e controle

    sobre desempenho operacional;

    contratos com proprietrios e

    credoresData Histrica, atrasada Atual, orientada para o futuro

    Restries Regulamentada: dirigida por

    regras e princpios

    fundamentais da contabilidade

    e por autoridades

    governamentais

    Desregulamentada: sistemas e

    informaes determinadas pela

    administrao para satisfazer

    necessidades estratgicas e

    operacionaisTipo de Informao Somente para mensurao

    financeira

    Mensurao fsica e

    operacional dos processos,

    tecnologia, fornecedores e

    competidoresNatureza da Informao Objetiva, auditvel, confivel,

    consistente, precisa

    Mais subjetiva e sujeita a juzo

    de valor, vlida, relevante,

    acuradaEscopo Muito agregada; reporta toda a

    empresa

    Desagregada; informa as

    decises e aes locaisQuadro 1: Comparao entre a Contabilidade Financeira e a Contabilidade GerencialFonte: Atkinson et al. (2000 p. 38)

    Fazendo um comparativo, visvel a importncia dessas duas

    ferramentas nas organizaes. Por meio da contabilidade financeira podem-se

    atender todos os clientes externos, como os acionistas, as instituies financeiras e

    as autoridades tributrias, fazendo-se por meio dos demonstrativos contbeis. Com

    a contabilidade gerencial, possvel atender os clientes internos, como os gestores,

    administradores, diretores, por meio dos relatrios gerenciais, que servem de base

    para as decises.

  • 23

    2.2 A Evoluo da Contabilidade Gerencial

    A contabilidade gerencial surgiu para que os gestores possam ter

    informaes precisas que alicercem suas decises em relao organizao.

    A contabilidade sempre foi utilizada basicamente para fins fiscais e no

    gerenciais, porm, com o aumento das regulamentaes exigidas pelos usurios

    externos, essas informaes passaram a se tornar inadequadas para esse fim.

    Atkinson et al. (2000, p. 39) explicam essa situao:

    Durante o sculo passado, a contabilidade para a clientela externa tornou-se uma exigncia total por causa do crescimento das regulamentaes e da quantidade de relatrios externos padronizados (da FASB e SEC, por exemplo, nos Estados Unidos). As exigncias dessa clientela externa levaram muitas empresas a colocarem mais nfase no desenvolvimento de informao para demonstraes financeiras do que para tomada de deciso e controle gerencial interno. Como resultado, o sistema de contabilidade gerencial, na maioria das empresas comprovou-se inadequado para condies de mudanas e de desafios competitivos, tecnolgicos e mercadolgicos.

    Nota-se que com a grande exigncia da clientela externa com relao aos

    relatrios a elas direcionados, as empresas passaram a no ter como preocupao

    primordial a gesto dos controles internos para tomadas de decises. Com isso, os

    sistemas de contabilidade gerenciais passaram a se tornar inadequados e

    ultrapassados em relao ao mercado e ao avano da tecnologia, tornando a

    competitividade mais frgil em relao s outras empresas.

    Ricardino (2005, p. 19), expe trs teorias sobre o surgimento da

    contabilidade gerencial. Na primeira teoria, Ricardino diz que a contabilidade

    gerencial surgiu quando a contabilidade comeou fornecer, para fins gerenciais,

    informaes estatsticas para propsito de planejamento, deciso e controle. Na

    segunda teoria, Ricardino (2005) baseia-se na obra de Johnson e Kaplan (1987), e

    segundo os autores, o surgimento da contabilidade gerencial foi na revoluo

    industrial. A contabilidade gerencial surgiu pela primeira vez nos Estados Unidos,

    quando as organizaes comerciais, em vez de depender dos mercados externos

    para trocas econmicas diretas, passaram a conduzir trocas econmicas internas. E

    de acordo com o autor, as primeiras organizaes comerciais americanas a

    desenvolver sistemas de contabilidade gerencial foram as tecelagens de algodo

  • 24

    mecanizadas e integradas, surgidas aps 1812. Na terceira teoria, Ricardino (2005,

    p. 20) relata o surgimento da contabilidade gerencial na Inglaterra no sculo XII,

    onde eram utilizadas informaes com fins gerenciais, na administrao das

    propriedades agrcolas.

    A contabilidade gerencial, desde o seu surgimento, sempre teve como

    objetivo fornecer aos seus usurios informaes que pudessem ser utilizadas no

    gerenciamento das atividades das organizaes.

    O papel desse ramo da contabilidade intensamente importante, pois

    dos relatrios gerados por essa ferramenta pode-se verificar a boa progresso da

    empresa contribuindo pra seu sucesso.

    Com o passar do tempo, as organizaes comearam a sentir a

    necessidade de utilizar ferramentas que atendiam no somente ao fisco, mas

    tambm aos usurios internos, externos e suas exigncias. Dessa forma, essa

    ferramenta de gesto comeou a ser cada vez mais trabalhada para suprir as

    necessidades de informaes.

    No Brasil, a contabilidade gerencial teve seu incio nos anos 70, com a

    publicao de algumas obras de Robert Newton Anthony, Harold Bierman Jr., entre

    outros, voltadas para a controladoria gerencial, gerncia financeira, controle

    oramentrio, oramento empresarial e controle de gesto.

    Pereira et al. (2005, p. 278), destaca que:

    Controladoria o termo aplicado dentro das empresas ao rgo administrativo encarregado de observar e realizar o controle das decises e deliberaes acordadas pelos gestores por ocasio do planejamento, o que acaba se materializando em oramentos e anlises de desempenho, com o estabelecimento de estimativas de receitas, padres de custos e anlises de variaes.

    Segundo (PEREIRA 2005), foi o professor Tung o pioneiro a ministrar

    cursos de controladoria no Brasil, publicando a obra Controladoria Financeira nas

    Empresas, em 1972. Tambm destaca que outro pioneiro a trazer a contabilidade

    gerencial em forma de controladoria para o Brasil foi o professor Kanitz, ministrando

    cursos de controladoria e vindo a publicar, em 1976, a obra Controladoria: teorias e

    estudos de caso.

  • 25

    Pereira (2005) tambm destaca a importncia de outros autores para a

    contribuio do surgimento da contabilidade gerencial no Brasil, entre eles, o

    professor Rolf Mario Treuherz e o professor Catelli.

    A contabilidade gerencial vem ganhando espao na gesto das

    empresas, trazendo muitas informaes auxiliares e de extrema importncia no

    processo decisional, acompanhando a evoluo do ambiente empresarial, e

    trazendo benefcios sociedade em geral.

    2.3 Demonstraes Contbeis

    Qualquer empresa, independente de seu porte ou natureza jurdica,

    necessita atender ao fisco por meio das demonstraes contbeis, que tambm

    podem ser utilizadas para o gerenciamento dos seus negcios.

    Cruz et al. (2009, p. 35) ressalta que a principal funo da contabilidade,

    ao contrrio do que muitas pessoas acreditam, no se restringe apurao de

    impostos e informao fiscal.

    Nos dias atuais no cabe mais ao contador apenas se ater s

    informaes fiscais, alm dessa obrigao, surge o papel de orientar para um

    planejamento adequado nas empresas, verificando a veracidade e a preciso das

    informaes que auxiliam no processo para as tomadas de decises por parte dos

    gestores. Cabe ao contador orientar com os demonstrativos contbeis, visando o

    progresso dessas organizaes.

    Marion (2009, p. 41), afirma que:

    Relatrio contbil a exposio resumida e ordenada de dados colhidos pela contabilidade. Objetiva relatar s pessoas que se utilizam da contabilidade (usurios da contabilidade) os principais fatos registrados pela contabilidade em determinado perodo.

    A contabilidade uma cincia rica em possibilidades, sendo possvel

    extrair uma infinidade de informaes que auxiliam no gerenciamento das empresas,

    por meio de suas demonstraes contbeis.

  • 26

    2.3.1 Balano Patrimonial (BP)

    O balano patrimonial uma das demonstraes exigidas em lei, e visa

    demonstrar a situao patrimonial e financeira da empresa em um determinado

    perodo.

    Cruz et al. (2009, p. 36) destaca que,

    O balano patrimonial um dos mais importantes relatrios contbeis. Atravs dele possvel se perceber a situao patrimonial e financeira de uma entidade. Trata-se de uma demonstrao esttica. Seus nmeros refletem a situao de uma entidade em um momento especfico

    Marion (2009, p. 44) ressalta que o balano patrimonial a principal

    demonstrao contbil. Reflete a posio financeira em determinado momento,

    normalmente no fim do ano ou de um perodo prefixado. Como se fosse a fotografia

    de uma empresa onde se v de uma s vez todos os bens, valores a receber e

    valores pagar em determinada data.

    O balano patrimonial reflete a situao financeira da empresa e

    constitudo do ativo, passivo e patrimnio lquido. Sendo que o ativo compreende as

    aplicaes de recursos representadas pelos bens e direitos, o passivo apresenta as

    origens de recursos representadas por obrigaes e o patrimnio lquido

    compreende os recursos prprios da empresa.

    O balano patrimonial a demonstrao contbil destinada a evidenciar,

    quantitativa e qualitativamente, em determinada data, a posio patrimonial e

    financeira da entidade. (CFC, 2002).

    A estruturao das contas do balano deve obedecer ao estabelecido na

    legislao, como forma de obter uma homogeneidade das informaes e

    proporcionar a seus usurios um melhor entendimento.

    Sobre a classificao das contas no balano patrimonial, Iudcibus,

    Martins e Gelbeck (2000, p. 26), expem que importante que as contas sejam

    classificadas no balano de forma ordenada e uniforme, para permitir aos usurios

    uma adequada anlise e interpretao da situao patrimonial e financeira.

  • 27

    Nas atividades de gerenciamento das empresas, o balano patrimonial

    permite, tambm, analisar questes referentes liquidez e o endividamento da

    empresa.

    O balano patrimonial um documento exigido com bastante freqncia

    pelas instituies financeiras, pelos fornecedores e outros usurios. Esse

    demonstrativo um dos mais importantes de uma empresa, pois por meio dele

    que se pode identificar a capacidade da mesma em honrar os seus compromissos

    com os terceiros, avaliar a estrutura do capital da empresa, dentre outras

    informaes.

    2.3.2 Demonstrativo do Resultado do Exerccio (DRE)

    A demonstrao do resultado do exerccio apresenta o resultado do

    perodo e os fatores determinantes para obt-los. Nesse demonstrativo possvel

    visualizar as informaes de faturamento, custos dos produtos, mercadorias ou

    servios, as despesas do perodo e seu resultado.

    Cruz et al. (2009, p. 83) destaca que a demonstrao do resultado do

    exerccio um demonstrativo contbil de carter obrigatrio que relaciona as contas

    de resultado, diminuindo as despesas das receitas, chegando ao lucro do exerccio.

    O demonstrativo do resultado do exerccio deve observar o perodo de

    competncia, evidenciando a formao dos resultados mediante confronto de

    receitas, custos e despesas.

    Trata-se, portanto, de um resumo das receitas e despesas no final de um

    determinado perodo, que geralmente de 12 (doze) meses.

    A forma de apresentao da demonstrao do resultado do exerccio

    vertical, isto , subtrai-se e soma-se. Antigamente (1976), essa demonstrao era

    feita de forma horizontal, apresentando receita num lado e despesa/custo no outro.

    (MARION, 2009, p. 119).

    Ao analisar um DRE se obtm um total de receitas de um determinado

    perodo e o confronto das mesmas com os custos e as despesas do mesmo perodo,

    obtendo, dessa forma, um lucro ou um prejuzo. Por meio dessas informaes pode-

  • 28

    se verificar quais os custos e as despesas que devero ser gerenciados para a

    realizao dos lucros.

    2.3.3 Demonstrativo do Fluxo de Caixa (DFC)

    A demonstrao do fluxo de caixa est sendo muito utilizada pelas

    empresas devido ao seu poder informativo. [...] o fluxo de caixa pode ser elaborado

    por consulta e reacumulao de dados das contas representativas das

    disponibilidades, bancos e aplicaes financeiras. (PADOVEZE, 2000, p. 71).

    Iudcibus, Martins e Gelbeck (2000) especificam, ainda, que o objetivo da

    demonstrao do fluxo de caixa prover informaes relevantes sobre os

    pagamentos e recebimentos, em dinheiro, de uma empresa, ocorridos durante um

    determinado perodo.

    H duas formas de apresentao de fluxo de caixa, as quais so: a

    demonstrao de fluxo de caixa pelo mtodo direto, dividido em atividades

    operacionais, atividades de investimento e atividades de financiamento.

    Santos (2009, p. 20) ressalta que,

    No mtodo direto, todas as entradas e sadas do caixa relativas s atividades operacionais so apuradas e apresentadas por classe de transaes; total recebido dos clientes e de outras atividades operacionais, total pago aos fornecedores e funcionrios, impostos [...].

    O mtodo direto demonstra o fluxo de caixa das atividades operacionais

    em termos de caixa bruto, no distinguindo entre o lucro do perodo corrente e as

    mudanas do capital de giro. (BRAGA, 2006, p. 119).

    O outro mtodo de apresentao de fluxo de caixa pelo mtodo indireto,

    que tambm dividido em atividades operacionais, de investimento e de

    financiamento, onde os valores so obtidos a partir da ltima demonstrao de

    resultado do perodo e dos dois ltimos balanos patrimoniais.

    Iudcibus, Martins e Gelbeck (2000) destacam que o mtodo indireto faz

    a conciliao entre o lucro lquido e o caixa gerado pelas operaes, por isso

    tambm chamado de mtodo da reconciliao.

  • 29

    Um demonstrativo de fluxo de caixa deve conter detalhamentos que

    permitam a adequada anlise das informaes, para que os usurios dessa

    demonstrao possam ter um entendimento e uma anlise adequada quanto

    liquidez.

    A Lei n 11.638/07 que altera a Lei 6.404/76 tornou obrigatria a partir

    de 01 de janeiro de 2008 a elaborao da demonstrao do fluxo de caixa (DFC) no

    lugar da demonstrao das origens e aplicaes de recursos (DOAR). O que ainda

    no ficou definido pela lei se a demonstrao de fluxo de caixa deve ser

    apresentada de forma direta ou indireta, mas independentemente do mtodo

    utilizado, o saldo final ser o mesmo.

    Apurada pelo mtodo direto ou pelo mtodo indireto, os saldos das

    demonstraes dos fluxos de caixa sero sempre idnticos. A diferena est no

    alcance dos resultados da anlise da demonstrao. (FACTOR, 2008).

    Essa demonstrao alm de ser muito importante na gesto das

    empresas, passa ter sua elaborao obrigatria no final de cada exerccio social

    para atender a legislao vigente.

    2.4 Relatrios Gerenciais

    Com a velocidade dos acontecimentos, a ajuda do profissional contbil

    torna-se cada vez mais necessria s empresas. A colaborao desse profissional

    faz-se por meio de relatrios gerenciais gerados pelos sistemas de informaes. Os

    relatrios gerenciais, ao contrrio das demonstraes contbeis, servem apenas

    para transmitir informaes que no so oferecidas pelas mesmas.

    Esses relatrios so de suma importncia para a administrao das

    empresas, pois so eles que vo identificar os ndices, mensurar os custos e apontar

    as falhas e dificuldades que a organizao est encontrando. Esses apontamentos

    que os relatrios gerenciais permitem analisar colaboram para melhorias interna e

    externa da empresa e para a realizao dos lucros. Vale ressaltar, ainda, que os

    relatrios gerenciais devem conter dados precisos, reais e atuais, para que as

    decises sejam tomadas conforme a realidade apresentada neles.

  • 30

    Contudo, os relatrios gerenciais servem para traar planos e metas para

    o presente e principalmente para o futuro, o que faz com que a empresa caminhe a

    passos seguros em busca do seu sucesso no mercado.

    2.4.1 Relatrio de Contas a Pagar

    O relatrio de contas a pagar um controle financeiro utilizado pelas

    empresas para controlar o quanto elas tem de obrigaes com seus terceiros. Esses

    compromissos surgem de despesas incorridas na empresa para o funcionamento da

    mesma, tais como despesas de aluguis, telefone, energia eltrica, os fornecedores,

    os quais so, alm de muito importante, vitais para o funcionamento da organizao,

    entre outros servios solicitados pela empresa.

    O Conselho Federal de Contabilidade (2002, p. 48) define que a funo

    das contas a pagar registrar e controlar as obrigaes decorrentes das demais

    contas a pagar a terceiros, tais como: servios ou honorrios de terceiros a pagar,

    etc.

    Segundo o CFC, o relatrio de contas a pagar utilizado para controlar as

    despesas incorridas em um perodo. Esse controle de suma importncia para

    qualquer administrao de empresa, pois sem esse relatrio no se pode controlar o

    quanto a mesma tem de valores em aberto com seus terceiros. Porm, as contas a

    pagar no se resumem apenas aos terceiros, mas tambm aos fornecedores, que,

    por sua vez, alimentam os estoques para originar o giro de capital da organizao.

    Conforme Silva (2001, p. 28) os relatrios de contas a pagar tambm

    decorrem do volume de compras e da expectativa de vendas da empresa.

    O autor tambm menciona a expectativa de recebimento, pois se a

    mesma no for a esperada, a empresa deve contrair o volume de contas a pagar.

    Esse volume de recebimento significa o montante de giro que a empresa tem para

    saldar suas dvidas.

    O relatrio de contas a pagar um relatrio gerencial, que permite aos

    gestores uma boa administrao dos pagamentos aos seus fornecedores e aos

  • 31

    terceiros. um dos relatrios que fazem parte da base para as tomadas de decises

    por parte da administrao das empresas.

    2.4.2 Relatrio de Contas a Receber

    Os relatrios de contas a receber so utilizados pelas empresas com a

    finalidade de controlar o ndice de inadimplncia por parte de seus clientes. um

    relatrio muito importante e necessrio para que a organizao saiba e visualize o

    valor que ainda tem por receber. Dessa forma, entrando com medidas de cobranas

    aos clientes e planejando o seu futuro por meio dos valores que sero recebidos.

    Segundo o Conselho Federal de Contabilidade (2002, p. 42) a funo do

    relatrio de contas a receber controlar os valores a receber da empresa, gerados

    pelas vendas de produtos, mercadorias ou servios. Esse controle realizado para

    que se possam tomar medidas de cobrana dos valores vendidos aos clientes e

    tomadores dos servios.

    Para Silva (2001, p. 36), a cobrana a principal funo operacional de

    contas a receber. A formulao da poltica de crdito e o acompanhamento de seus

    resultados so as funes tpicas de planejamento e controle de contas a receber.

    De acordo com o autor, a poltica de crdito e o planejamento do controle

    dos valores a receber fazem toda a diferena no capital de giro de uma empresa.

    Quanto mais controle houver no momento da venda, mais certeza a empresa ter de

    que receber o valor, mantendo, assim, seu giro de capital e sua sustentabilidade no

    mercado.

    2.4.3 Relatrio de Giro de Estoque

    O relatrio de giro de estoque utilizado para verificar quantas vezes o

    estoque gira em um determinado perodo. Por meio desse relatrio, consegue-se

    identificar quais os produtos mais solicitados pelos clientes em geral, facilitando a

  • 32

    programao de compra de matria-prima e a fabricao dos produtos. Esse

    indicador calculado com base na relao do volume de vendas em um perodo

    (ms, ano) dividido pelo saldo do estoque no final do perodo em anlise.

    (BERTAGLIA, 2003).

    A frmula para se calcular o giro do estoque se apresenta a seguir:

    GE = vendas mdias mensais ou anuais ($) / Saldo mdio do estoque mensal ou anual ($) ouGE = vendas mdias mensais ou anuais ($) / Saldo mdio do estoque mensal ou anual (Qt)

    O clculo desse ndice importante para que a empresa possa observar

    quantas vezes em um determinado perodo ocorreu o giro nos estoques. Quanto

    maior for o ndice melhor para a empresa, pois significa dizer que a rotatividade dos

    produtos ou mercadorias maior e o tempo de estocagem menor.

    2.4.4 ndices

    A anlise das demonstraes contbeis e dos relatrios gerenciais

    consiste em fazer comparaes de valores em determinados perodos, de modo que

    se possa ter uma viso do passado a fim de se projetar o futuro. Existem vrias

    frmulas que permitem ao contador gerencial e aos gestores, analisar os

    patrimnios sob aspectos econmicos, financeiros, de retorno de capital, entre

    outros. Dentre essas frmulas se encontram os ndices de liquidez, de

    endividamento, de rentabilidade, de prazo mdio ou rotao e ndices de estrutura.

    2.4.4.1 ndices de Liquidez

    Os ndices de liquidez indicam a capacidade financeira da empresa em

    honrar seus compromissos com terceiros nos seus respectivos vencimentos,

    comparando-se os valores a curto ou a longo prazo. Dentre os ndices de liquidez se

  • 33

    encontra o ndice de liquidez geral, que reflete a situao financeira da empresa,

    servindo para avaliar a capacidade de pagamento a curto e longo prazo.

    Para Neto (2002, p. 173) este indicador revela a liquidez, tanto a curto

    como a longo prazo. De cada R$ 1 que a empresa tem de dvida, o quanto existe de

    direitos e haveres no ativo circulante e realizvel a longo prazo. 1

    O ndice de liquidez geral tambm pode ser utilizado como medida de

    segurana financeira para saldar dvidas futuras.

    Frmula para o clculo do ndice de liquidez geral:

    LG = AC + ARPL

    PC + PELP

    Outro ndice o de liquidez corrente, que nos indica quantos reais a

    empresa dispe para honrar as dvidas contradas a curto prazo.

    Santos (2001, p. 23), destaca que:

    O ndice de liquidez corrente indica a capacidade da empresa para liquidar seus compromissos financeiros de curto prazo. Como ele estabelece a relao entre ativo circulante e passivo circulante, quanto maior for o ndice, melhor ser a situao financeira da empresa.

    Esse ndice considera tambm os estoques como valores em dinheiro,

    no os diferenciando dos outros ativos.

    Frmula para o clculo do ndice de liquidez corrente:

    LC = AC

    PC

    J o ndice de liquidez imediata permite calcular a porcentagem de

    dvidas que a empresa possui a curto prazo, com a finalidade de serem sanadas

    imediatamente.

    1 Com a Lei n 11.638/07, o Ativo Realizvel a Longo Prazo passou a integrar o grupo do Ativo No Circulante.

  • 34

    Esse quociente normalmente baixo pelo pouco interesse das empresas

    em manter recursos monetrios em caixa, ativo operacionalmente de reduzida

    rentabilidade. (NETO, 2002, p. 172).

    Frmula para o clculo do ndice de liquidez imediata:

    LI = DISPONIBILIDADES

    PASSIVO CIRCULANTE

    E por ltimo, temos o ndice de liquidez seca, o qual elimina os estoques

    do grupo ativo circulante, apresentando uma certeza maior da liquidez da empresa.

    Segundo Silva (2001, p. 272) a liquidez seca,

    Indica quanto a empresa possui em disponibilidades (dinheiro, depsitos bancrios a vista e aplicaes financeiras de liquidez imediata) aplicaes financeiras a curto prazo e duplicatas a receber, para fazer face ao seu passivo circulante.

    Frmula para o clculo do ndice de liquidez seca:

    LS = AC - ESTOQUES

    PC

    Esses so os ndices de liquidez que auxiliam os gestores para as

    tomadas de decises. Por meio desses indicadores, pode-se obter a capacidade

    financeira da empresa, vislumbrando a possibilidade da mesma honrar seus

    compromissos com terceiros. Essas formas de anlise demonstram a situao real

    lquida da organizao.

    2.4.4.2 ndices de Endividamento

    Existem tambm os ndices de endividamento, que de forma inversa aos

    ndices de liquidez, expem a posio relativa do capital da empresa. Quanto mais

  • 35

    prximo de 1,0 o quociente estiver, mais preocupaes os gestores devem ter com

    relao empresa, pois significa que o endividamento dela est comprometido.

    Dentre os ndices de endividamento se encontram o ndice de

    endividamento geral e solvncia geral, que demonstram a capacidade total de

    quitao das obrigaes da empresa.

    Utilizando-se desses indicadores, a empresa conseguir a informao da

    quitao em relao s obrigaes por ela obtidas. Nesse caso, quanto maior for o

    ndice, maior tambm o cuidado que a organizao deve tomar, pois significa que

    a situao lquida da empresa poder ficar negativa, acarretando uma srie de

    problemas.

    A frmula para o clculo do ndice de endividamento geral a que segue:

    PC + PELP

    ATIVO

    Outro ndice de endividamento o ndice de solvncia geral, mostrando a

    capacidade de pagamento da empresa, tomando como base seu ativo total, quanto

    maior seu ndice, menores riscos a empresa estar correndo com relao aos seus

    pagamentos.

    Frmula para o clculo do ndice de solvncia geral:

    ATIVO TOTAL

    PC + PELP

    De acordo com Marion (2010, p. 258) o ndice de solvncia geral

    representa a participao dos recursos financeiros por terceiros. um bom

    indicador de risco da empresa.

    Por meio desse indicador a empresa consegue detectar qual o percentual

    de financiamentos obtidos por meio de terceiros, conseguindo, dessa forma, tomar

    medidas de prevenes para que no venha a ocorrer um futuro endividamento.

  • 36

    2.4.4.3 ndices de Rentabilidade

    Ainda em relao aos ndices, temos o ndice de rentabilidade, que

    expressa a lucratividade obtida em determinado perodo. Dentre eles temos a

    margem operacional, conhecida tambm como margem de lucro sobre vendas, onde

    indica o percentual de lucro obtido sobre o volume de receitas em determinado

    perodo. (...) este quociente compara o lucro com as vendas lquidas, de

    preferncia. (IUDCIBUS, 2008).

    Frmula para o clculo da margem operacional:

    MO = LUCRO LQUIDO OPERACIONAL

    VENDAS LQUIDAS

    Para este indicador, quanto maior for o ndice, melhor para a empresa,

    pois significa o lucro que a mesma teve depois de pagos os custos e as despesas

    operacionais.

    Outro ndice a margem bruta, representada pela frmula:

    MB = LUCRO OPERACIONAL BRUTO

    VENDAS LQUIDAS

    Para Schrickel (1999, p. 287), a margem bruta indica qual a

    rentabilidade primria (bruta) das operaes sociais, isto , apenas considerando os

    custos industriais, as depreciaes e os impostos faturados como deduo das

    Vendas Lquidas.

    Junior e Begalli (2002, p. 239) salientam, ainda, que a margem bruta seja

    aplicada na diferenciao de produto, estabelecimento, departamento ou na poltica

    de formao de preos.

    Para este indicador, quanto maior seu ndice melhor para a empresa, pois

    ele representa o lucro bruto para cada real vendido.

  • 37

    Ainda em relao aos ndices de endividamento, temos a margem lquida,

    que representa o resultado obtido pela empresa em relao ao seu faturamento.

    Segue a frmula para o clculo da margem lquida:

    ML = LUCRO LQUIDO DO EXERCCIO

    VENDAS LQUIDAS

    Essa medida leva em conta inclusive o resultado no operacional e

    representa o que sobra da atividade da empresa no final do perodo.

    Tradicionalmente, mais usada e do interesse do scio da empresa. Junior e

    Begalli (2002, p. 240).

    Schrickel (1999, p. 291) explica melhor sobre a margem lquida e diz que

    ela indica qual a rentabilidade da empresa aps consideradas as Despesas

    Financeiras (pagas e no pagas), as Variaes Monetrias e as Despesas e receitas

    No-operacionais.

    Esse ndice indica se a empresa trabalha com instituies financeiras por

    meio de financiamentos, demonstrando os resultados do seu negcio, deduzindo as

    despesas financeiras dos emprstimos as quais financiaram suas operaes durante

    o ano.

    2.4.4.4 ndices de Prazo Mdio ou Rotao

    Esses ndices contribuem muito para a interpretao da liquidez e

    rentabilidade da empresa. Seu resultado obtido pelo confronto entre os dados do

    DRE com os dados do Balano Patrimonial.

    Dentre esses ndices temos o ndice de prazo mdio de rotao dos

    estoques, o qual mostra empresa a movimentao das sadas, pelas vendas, e

    das entradas, pelas compras, dos estoques.

    De acordo com Junior e Begalli (2002, p. 242), o prazo mdio de

    renovao dos estoques representa na empresa comercial o tempo mdio de

  • 38

    estocagem de mercadorias; na empresa industrial, o tempo de produo e

    estocagem.

    O clculo do ndice faz-se pela seguinte frmula:

    PME = CMV

    EM

    A principal funo para calcular-se a rotao dos estoques dar auxlio

    para a administrao prever quando e quanto comprar para repor o estoque.

    O prazo mdio de recebimento de vendas outro ndice que pode ser

    calculado para verificar o tempo que a empresa leva para receber suas vendas

    efetuadas aos clientes.

    Ainda para Junior e Begalli (2002, p. 242) o prazo mdio de recebimentos

    expressa o tempo decorrido entre vendas e recebimento.

    Significa dizer que quanto maior for o ndice calculado, mais valor a

    empresa tem para receber de seus clientes.

    A frmula para calcular o prazo mdio de recebimento de vendas :

    PMR = CLIENTES

    RECEITA DE VENDAS

    Outro clculo que tambm pode ser feito para encontrar o prazo de

    pagamento dos ttulos que a empresa tem a pagar referente s compras de

    fornecedores. A esse ndice chamamos de prazo mdio de pagamento de compra,

    que tem como frmula:

    PMC = FORNECEDOR

    MDIA DE COMPRAS

    Junior e Begalli (2002, p. 242) explicam que o prazo mdio de compras:

    (...) mede o nmero de dias, semanas ou meses que a empresa leva para pagar seus fornecedores. As empresas tm procurado expandir esses

  • 39

    prazos para que esse valor financie seus investimentos em ativo circulante. Geralmente, quando o PMPC superior quele concedido pelo fornecedor, significa que a empresa est com problemas de liquidez.

    Quanto maior for o ndice calculado nesse caso, melhor para a empresa,

    pois significa dizer que ela est comprando estoques dos seus fornecedores com um

    prazo de pagamento mais esticado, fazendo com que os valores do ativo circulante

    girem dentro da prpria empresa por mais tempo, no necessitando dessa forma de

    investimento por meio de financiamento junto a instituies financeiras.

    2.4.4.5 ndices de Estrutura

    Os ndices de estrutura evidenciam o confronto entre capital prprio e

    capital de terceiros, oferecendo condies de saber quem investiu mais na empresa,

    se foram os proprietrios ou os terceiros. Com relao esses ndices, encontra-se o

    quociente de participao de capital de terceiros, que revela a proporo de capital

    prprio e capital de terceiros existente na organizao, ou seja, o quanto de capital

    de terceiros est sendo utilizado para cada real de capital prprio. Braga (1999, p.

    152) explica:

    Esses quocientes servem para indicar o grau de utilizao dos capitais obtidos pela empresa. Praticamente, o uso de um deles elimina a necessidade de se recorrer ao outro. Por exemplo, se o grau de participao de Capitais Prprios apresenta um ndice de 0,40 (40%), significa que 60% dos investimentos esto sendo financiados com Capitais de Terceiros (ou de Alheios), se, por outro lado, o grau de participao de Capitais de Terceiros apresenta um quociente de 0,65 (65%), significa que os recursos prprios concorrem com 35% do financiamento do investimento total (Ativo Total).

    Segue abaixo a frmula para se calcular o ndice:

    PCT = PC + PELP

    PL

  • 40

    Segundo Iudcibus (2008, p. 95) este quociente um dos mais utilizados

    para retratar o posicionamento das empresas com relao aos capitais de terceiros.

    Quanto menor esse quociente for para a empresa, significa dizer que a

    mesma possui mais capital prprio aplicado e menos dvidas com financiamentos.

    Outro ndice de estrutura a imobilizao do patrimnio lquido, que

    indicam at que ponto os capitais prprios esto imobilizados.

    De acordo com Braga (1999, p. 137):

    Sendo o Ativo Permanente um tipo de aplicao a longo prazo, de lenta recuperao (quotas de depreciao, amortizao, exausto, dividendos, etc.), importante que seja financiado por fontes adequadas de recursos. No caso, portanto, seria indicada a utilizao de recursos prprios para garantir tais aplicaes. Na hiptese de insuficincia de recursos prprios, recomendvel o uso de recursos de terceiros a longo prazo.

    Segue a frmula para se calcular a imobilizao do patrimnio lquido:

    IPL = AP

    PL

    Quanto menor for esse ndice melhor, pois indicar que os recursos que

    esto sendo utilizados so prprios e no financiados. Esse quociente quanto mais

    prximo de 1,0 significa dizer que a empresa tem mais dvidas de financiamentos

    com terceiros.

    2.5 Setor Metalrgico

    Neste tpico ser apresentada a origem da metalurgia, a histria do setor

    metalrgico no Brasil e, consequentemente, sua repercusso na regio sul

    catarinense, mais especialmente na cidade de Cricima. Destaca-se por ser um

    setor de grande importncia tanto para a economia brasileira como para a economia

    da regio do sul de Santa Catarina.

  • 41

    2.5.1 A Origem da Metalurgia

    A origem da metalurgia se deu no Oriente Mdio, h seis mil anos,

    quando metais como o cobre, a prata e o bronze eram martelados para se produzir

    pequenos utenslios domsticos. Com o passar do tempo, o bronze, devido seu alto

    custo, passou a ser substitudo pelo ferro que tinha um custo menor na poca. (A

    TRIBUNA, 20/04/2011).

    De acordo com jornal A Tribuna (20/04/2011, p. 02) com a revoluo

    industrial, o ao ganhou destaque entre os metais. Nesse perodo, as mquinas

    ganharam espao entre os trabalhadores e dessa forma, os metais passaram a ser

    utilizados para a fabricao das mquinas que ocupavam as fbricas. O metal

    passou a ser utilizado em larga escala, dando origem chamada indstria de base,

    que os transformava para serem aplicados em outras indstrias.

    2.5.2 Histria do Setor Metalrgico no Brasil

    A atividade metalrgica no Brasil teve incio na poca da colonizao,

    quando grupos de portugueses desembarcavam nas capitanias procurando se

    comunicar com os nativos a fim de descobrir ferro, ouro e prata. Com a presena

    das riquezas abundantes no Brasil, fez-se com que o objetivo de colonizao por

    parte dos portugueses se direcionasse para a explorao dessas riquezas.

    Segundo o site Histria da Tcnica e da Tecnologia no Brasil, conforme

    os povoados na colnia iam surgindo, se destacavam tambm alguns trabalhadores

    que conheciam a arte de fundir o ferro, arte essa passada de pai para filho que tinha

    a funo de transformar o ferro em ferramentas e utenslios domsticos. Os

    trabalhos inicialmente desenvolvidos por eles eram de ferreiros, caldeireiros,

    funileiros e latoeiros.

    Ainda, segundo o site com o crescimento da indstria canavieira, o

    fornecimento de caldeiras e moendas passou a se tornar cada vez maior, mas

    mesmo com a demanda, Portugal proibia o Brasil de possuir indstrias, para que

  • 42

    no houvesse concorrncia com os produtos produzidos por Portugal.

    De acordo com a histria da metalurgia, disponvel no site dos Sindicatos

    dos Metalrgicos de Sorocaba e Regio, a primeira fbrica de ferro surgiu em 1590,

    onde fica hoje Sorocaba, no estado de So Paulo. O mrito se deve a Afonso

    Sardinha que descobriu o minrio magntico, e passou a produzir ferro a partir de

    sua reduo, utilizando como redutor o coque. Em 1795, estabelecia-se em So

    Paulo uma fbrica de ferro e ao. Com o crescimento da empresa e sua expanso,

    estabeleceu-se tambm a mesma em Minas Gerais.

    No incio do sculo XIX as indstrias conquistaram a liberdade de operar

    livremente, porm no disponibilizavam de equipamentos adequados, e muitos eram

    importados da Inglaterra a elevados preos. Outro fator que dificultava a operao

    era a falta de mo de obra qualificada. (A TRIBUNA, 20/04/2011)

    Segue abaixo algumas empresas que marcaram essa poca, de acordo

    com o jornal a Tribuna (20/04/2011, p. 04):

    Real Fbrica de Ferro So Joo de Itapema, Sorocaba/SP

    Real Usina de Ferro do Morro do Pilar, em Minas Gerais

    Usina Patritica, Congonhas do Campo/MG

    Fbrica de So Miguel de Piracicaba, Caets/MG

    Fbrica Ponta dAreia, Niteri/RJ

    Usina Esperana, Itabirito/MG

    O grande processo de industrializao ocorrido no Brasil na dcada de 50

    e a inovao tecnolgica na dcada de 70, alavancaram a posio de destaque na

    metalurgia, sendo hoje um dos principais produtores de ao do mundo.

    Com o passar do tempo o setor metalrgico brasileiro ampliou cada vez

    mais seus horizontes, tornando-se um grande setor e unindo nele os seus

    trabalhadores.

    Segundo o site da Central nica dos Trabalhadores (CUT), os

    metalrgicos foram o primeiro setor a organizar-se como categoria no ano de 1988.

    Em 1989, foi fundado o Departamento Nacional dos Metalrgicos, em 1992 criou-se

    a Confederao Nacional dos Metalrgicos, e em julho de 2007 o setor conquistou o

    Contrato Coletivo Nacional de Trabalho, objetivando uma menor desigualdade

  • 43

    econmica, propondo a reduo da jornada de trabalho e a constituio de um piso

    salarial nacional.

    O setor metalrgico um dos setores mais fortes no Brasil, juntamente

    com sua fora sindical, atuando para o bem comum dos trabalhadores, lutando por

    melhorias para os que servem ao setor com garra e dedicao, demonstrando

    sociedade em geral e para a economia o quanto importante para a regio sul

    catarinense.

    2.5.3 Setor Metalrgico no Sul de Santa Catarina

    De acordo com o site Histria da Tcnica e da Tecnologia no Brasil, a

    atividade metalrgica no sul de Santa Catarina tornou-se significativa aps a 2

    guerra mundial (1939-1945) por intermdio do setor de minerao, pois para se

    extrair o carvo naquela poca, as tcnicas eram rudimentares, necessitando do

    auxilio de ps, marretas e de outras ferramentas. Dessa forma, comearam a surgir

    pequenas empresas metalrgicas que fabricavam essas ferramentas para o setor

    carvoeiro.

    O site ainda relata que como o volume de migrao estava em constante

    crescimento, cresciam tambm os setores da minerao e de outras indstrias. Para

    atender a demanda, o setor metalrgico passou a ser cada vez mais importante no

    cenrio econmico da regio. Ele ainda ressalta que com o crescimento dos outros

    setores e de novos produtos, o setor metalrgico teve sua ascenso entre 1950 e

    1980. Esse foi o perodo em que o setor mais cresceu no sul de Santa Catarina,

    servindo de apoio s outras empresas da regio, principalmente as de carvo, que

    de acordo com a tecnologia adquirida ao longo do tempo, necessitava cada vez mais

    de novas ferramentas e novos maquinrios para exercer suas atividades.

    A partir da dcada de 90, iniciou-se a queda da produo carbonfera em

    Santa Catarina, localizada basicamente no sul do estado, gerando uma grande crise

    na economia no s desse setor, mas atingindo todos os setores da regio,

    incluindo-se o setor metalrgico, pois esse mesmo era o que dava base para o

    carbonfero, auxiliando na fabricao das suas ferramentas de trabalho. Dessa

  • 44

    forma, com a queda da produo de carvo, o setor metalrgico teve srios

    prejuzos financeiros, encontrando vrias dificuldades.

    A queda do setor carbonfero resultou em muitas demisses de

    empregados especializados em mecnica e metalurgia, que trabalhavam com

    ferramentas e equipamentos do setor da minerao. Foi nessa poca que

    comearam a surgir dezenas de micro-empresas do setor metal-mecnico na regio

    carbonfera. Com isso dando origem a vrias empresas que at hoje movimentam a

    economia da regio. De acordo com o Sindimetal, o setor metalrgico se divide em

    seis atividades, das quais:

    Estamparia

    Estruturas metlicas

    Forjaria

    Fundio de ao

    Mquinas e equipamentos

    Usinagem

    Algumas indstrias foram pioneiras na metalurgia aqui na regio de

    Cricima/SC, e sobrevivem at hoje fazendo a economia movimentar e gerando

    emprego para uma grande parte da populao. De acordo com o Sindimetal, segue

    abaixo algumas das empresas metalrgicas pioneiras da regio sul catarinense:

    Siderrgica Spillere (Caravggio)

    Mecril - Metalrgica Cricima Ltda. (Cricima)

    Sidesa Coopermetal (Cricima)

    Sical Siderrgica Catarinense Ltda. (Cricima)

    ICON Mquinas e Equipamentos S.A (Cricima)

    Segundo o Sindimetal, abaixo esto elencadas algumas das principais

    empresas metalrgicas da regio de Cricima/SC que atuam hoje no mercado:

    Becker Implementos Rodovirios Ltda. (Cricima)

  • 45

    Brametal Estruturas Metlicas (Cricima)

    ESAF Esquadrias de Alumnio (Urussanga)

    Hipper Freios (Morro Grande)

    ICON Mquinas e Equipamentos S.A (Cricima)

    Librelato (Orleans)

    Mademil (Caravggio)

    MDS (Nova Veneza)

    Milano Estruturas Metlicas Ltda. (Cricima)

    Sical - Siderrgica Catarinense (Cricima)

    Segundo o jornal A Tribuna (20/04/2011, p. 02) hoje, o setor metalrgico

    conta com aproximadamente 1.500 empresas que geram em torno de 8.000

    empregos. O faturamento mdio fica na casa dos R$ 1,5 bilhes de reais ao ano.

    Com isso, percebe-se a importncia desse setor economia da regio sul

    catarinense.

    De acordo com o Sindimetal, o setor abrange os municpios de: Cricima,

    Lauro Muller, Iara, Urussanga, Morro da Fumaa, Cocal do Sul, Sango, Treviso,

    Nova Veneza, Siderpolis, Forquilhinha, Morro Grande, Meleiro, Maracaj,

    Ararangu, Balnerio Arroio do Silva, Balnerio Gaivota, Timb do Sul, Turvo, Ermo,

    Jacinto Machado, Sombrio, Santa Rosa do Sul, Praia Grande, So Joo do Sul e

    Passo de Torres.

    Essas empresas trazem regio sul do estado de Santa Catarina,

    tecnologia de ponta e uma atuao no mercado de extrema importncia para a

    economia da regio, alm de ofertar muitos empregos, garantindo o sustendo de

    inmeras famlias que sobrevivem dessa atividade.

  • 46

    3 ESTUDO DE CASO

    Neste captulo sero apresentados os resultados do estudo de caso

    realizado junto empresa Metalrgica Santa Cruz Ltda. Faz-se nesse momento a

    apresentao do desenvolvimento do caso prtico para demonstrar a contribuio

    da contabilidade gerencial no processo decisional da empresa.

    A elaborao desse estudo de caso mostra que alm da importncia

    dessa ferramenta na gesto das organizaes, tambm ela, pode ser utilizada por

    qualquer empresa, de grande ou pequeno porte, de sociedade limitada ou sociedade

    annima (S.A).

    Para a realizao desse estudo, foram extrados os dados de uma

    empresa que atua no setor metalrgico na regio de Cricima/SC - Metalrgica

    Santa Cruz Ltda. Com base em seus dados, ser representado o que est proposto

    em teoria.

    3.1 Caracterizao da Empresa

    A Metalrgica Santa Cruz Ltda. uma empresa do ramo metalrgico

    situada na regio sul de Santa Catarina, mais precisamente na regio de Cricima,

    produzindo basicamente equipamentos agrcolas.

    A empresa enquadrada socialmente como sociedade limitada, tem

    como forma de tributao o lucro real e possui dois scios. Atua a 20 anos no

    mercado nacional e trabalha com um pblico direcionado.

    A Metalrgica Santa Cruz Ltda. possui sede prpria na regio de

    Cricima/SC, sendo classificada como uma empresa de grande porte. Conta com

    390 colaboradores, dentre os quais 42 so da rea administrativa.

    O faturamento da empresa gira em torno de 58 milhes de reais ao ano

    apresentando-se financeiramente estvel, sendo que todos os seus investimentos

    so de capital prprio.

  • 47

    A metalrgica utiliza, em termos tecnolgicos, um sistema contbil

    gerencial, fornecendo relatrios que expressam informaes em tempo real. Como o

    sistema utilizado trabalha em tempo real, a empresa dispe de uma ferramenta que

    possibilita transparncia e agilidade no momento das tomadas das decises,

    facilitando a gesto.

    A Metalrgica Santa Cruz Ltda. encontra-se em expanso e atua com

    responsabilidade e seriedade, levando a seus clientes qualidade em seus produtos.

    Pretende ampliar seus horizontes na abertura de filiais nos estados da regio sul do

    pas, facilitando dessa forma a logstica.

    3.2 Demonstraes Contbeis da Metalrgica Santa Cruz Ltda.

    Nesse momento se apresentam as demonstraes contbeis utilizadas

    pela empresa, as quais demonstram o espelho da organizao. Sero apresentados

    os dados do balano patrimonial, do demonstrativo do resultado do exerccio e o

    demonstrativo do fluxo de caixa. Esses relatrios, alm de serem exigidos por lei,

    so indispensveis em uma organizao, pois neles se espelham a vida da

    empresa, tambm sendo possvel, por meio deles, tomar decises importantes.

    3.2.1 O Balano Patrimonial da Metalrgica Santa Cruz Ltda.

    O balano patrimonial, alm de ser exigido por lei, serve tambm, como

    instrumento para a tomada de deciso nas empresas. Nesse demonstrativo contbil

    podemos analisar a evoluo das contas patrimoniais da organizao. Por meio dele

    pode-se extrair dados que auxiliam os gestores em suas decises. A anlise de

    ndices e relatrios auxiliares elaborada a partir dos dados encontrados no balano

    patrimonial.

  • 48

    O quadro a seguir, demonstra o balano patrimonial da empresa

    Metalrgica Santa Cruz Ltda., fazendo um comparativo entre os exerccios de 2009

    e 2010.

    31/12/10 31/12/09

    31.113.486 22.501.879

    ATIVO CIRCULANTE 25.210.410 17.545.931Disponibilidades e Aplic. Financeiras 3.134.888 6.815.182

    Clientes Contas a Receber 7.516.072 2.290.302

    8.330.358 3.362.912

    6.229.092 5.077.535

    ATIVO NO CIRCULANTE 5.903.076 4.955.948

    Realizvel a longo Prazo 989.734 896.774989.734 896.774

    Investimentos 9.076 9.076

    Imobilizado 4.904.266 4.050.098

    31.113.486 22.501.879

    PASSIVO CIRCULANTE 22.527.100 13.116.118Fornecedores 11.675.920 5.460.038

    Impostos, Taxas e Contribuies 4.250.426 1.734.408

    Adiantamento de Clientes 6.437.952 5.817.952

    Outras Contas a Pagar 162.802 103.720

    PATRIMNIO LQUIDO 8.586.386 9.385.761Capital Social 760.400 760.400

    196.007 196.007Resultados Acumulados 7.629.979 8.429.354

    Estoques

    Outros

    Outros

    METALRGICA SANTA CRUZ LTDABALANO PATRIMONIAL

    ATIVO

    Exerccios

    ATIVO TOTAL

    PASSIVO

    PASSIVO TOTAL

    Reserva de Lucros

    Quadro 2: Balano PatrimonialFonte: Metalrgica Santa Cruz Ltda.

  • 49

    Com relao ao ativo circulante, pode-se verificar que nas

    disponibilidades a empresa sofreu uma queda em relao ao perodo anterior. Isso

    se deu pelo fato de terem sido realizadas mais despesas no exerccio de 2010.

    Percebe-se no demonstrativo que houve um aumento na conta de clientes

    de um perodo para o outro, significando um crescimento das vendas a prazo.

    percebvel tambm o salto da conta de estoques durante os perodos, devido ao

    crescimento das vendas por encomenda, resultando num aumento da fabricao

    dos produtos. Com maiores vendas, a carga tributria tambm sofreu um aumento

    considervel em relao ao perodo anterior. Com estoques maiores, a empresa

    necessitou de mais matria-prima para produzir seus produtos, resultando numa

    elevao de valores na conta de fornecedores, no perodo de 2010 em relao ao

    perodo de 2009.

    Em suma, o balano patrimonial da empresa mostra-se estvel

    financeiramente, embora as obrigaes de curto prazo crescessem em torno de 5

    (cinco) milhes, a empresa no necessitou de recursos de instituies financeiras.

    3.2.2 Demonstrativo do Resultado do Exerccio da Metalrgica Santa Cruz Ltda.

    O demonstrativo do resultado do exerccio tambm, um demonstrativo

    importante na gesto das empresas. Por meio dele, pode-se verificar o valor da

    receita auferida pela empresa em determinado perodo, suas dedues, custos,

    receitas e despesas que incorreram na empresa em determinado perodo.

    O quadro a seguir demonstra o resultado do exerccio nos perodos de

    2009 e 2010 da empresa Metalrgica Santa Cruz Ltda.

  • 50

    31/12/10 31/12/09

    58.370.288 34.683.084(11.196.556) (5.380.574)47.173.732 29.302.510

    (35.821.182) (24.808.528)

    11.352.550 4.493.982

    (12.151.925) (5.575.512)(2.047.779) (738.802)

    (10.249.840) (4.916.914)5.872 (34.966)

    Receitas Financeiras Despesas 5.872 (34.966)139.822 115.170

    Outras Receitas Operacionais 139.822 115.170

    (799.375) (1.081.530)

    (799.375) (1.081.530)

    (799.375) (1.081.530)

    Receita Lquida de Vendas/Servios

    Custo de Bens e/ou Serv. Vendidos

    Resultado Bruto

    Despesas/Receitas OperacionaisDespesas com Vendas

    Resultado Antes do Imp. Renda e Contrib Social

    METALRGICA SANTA CRUZ LTDADEMONSTRATIVO DO RESULTADO DO EXERCCIO

    Lucro/Prejuzo do Exerccio

    Gerais e AdministrativasReceitas/Financeiras Lquidas

    Outras Receitas/Despesas Operacionais Lquidas

    Resultado Operacional

    Receita Bruta de Vendas/ServiosDedues da Receita Bruta

    Quadro 3: Demonstrativo do Resultado do ExerccioFonte: Metalrgica Santa Cruz Ltda.

    Pode-se perceber, analisando o demonstrativo do resultado, que a receita

    aumentou significativamente de um perodo para o outro, as vendas tiveram um

    aumento por conta de uma poltica adotada no setor comercial. A abertura de filiais

    tambm auxiliou nesse aumento de vendas, pois a empresa pde estar mais

    prxima dos clientes, atuando com mais facilidade no mercado.

    As despesas com vendas em 2010 aumentaram significativamente em

    relao a 2009, devido reestruturao da rea comercial para atender a demanda

    do mercado.

    Outro ponto importante a falta de automatizao no processo fabril da

    empresa. Como a produo cresceu devido o fato da abertura de novas filiais, o

    custo com mo-de-obra tambm se elevou. No exerccio de 2010, parte desse custo

    com salrios foi inserida nas despesas gerais e administrativas, gerando uma

    grande diferena em relao a 2009, mostrando mudanas no critrio do clculo do

    CPV.

  • 51

    3.2.3 Demonstrativo do Fluxo de Caixa da Metalrgica Santa Cruz Ltda.

    Apresenta-se o demonstrativo do fluxo de caixa da empresa pelo mtodo

    indireto. por meio do fluxo de caixa que a empresa verifica as entradas e sadas

    de valores em determinado perodo. Abaixo segue o demonstrativo da Metalrgica

    Santa Cruz Ltda. pelo mtodo indireto referente os perodos de 2009 e 2010.

    DEMONSTRAO DE FLUXO DE CAIXA - MODELO INDIRETO

    2010 2.009

    ATIVIDADES OPERACIONAIS

    Lucro Lquido do Exerccio -799.375 -1.081.538

    (+) Depreciao 1.110.580 932.520

    (=) Lucro que afeta o Caixa 311.205 -149.018

    Variaes no Circulante -3.137.327 5.643.604

    Aumento de Contas a Receber -5.225.770 -381.967

    Reduo de Estoques -4.967.446 2.182.690

    Aumento de Fornecedores 6.215.882 889.199

    Antecipaes de Clientes 620.000 2.138.616

    Outros direitos a receber -2.296.011

    Aumento de Obrigaes Fiscais 2.516.018 815.066

    Caixa Gerado nos Negcios -2.826.122 5.494.586

    ATIVIDADES DE INVESTIMENTOS -854.168 22.274

    Venda de Imobilizado 22.274

    Aquisio de Imobilizado -854.168

    ATIVIDADES DE FINANCIAMENTOS 0 0

    RESULTADO FINAL DO CAIXA -3.680.290 5.516.860

    (+} Saldo existente em 31-12-XX 6.815.178 1.298.318

    Saldo existente em 31-12-X2 3.134.888 6.815.178

    Quadro 4: Demonstrao de Fluxo de Caixa Modelo IndiretoFonte: Metalrgica Santa Cruz Ltda.

    Analisando o demonstrativo do fluxo de caixa relacionando os perodos de

    2009 e 2010, notamos que houve uma reduo significativa no ativo circulante

    financeiro (caixas e bancos), devido aplicao em estoques e ao maior desembolso

    com despesas operacionais.

  • 52

    Constatou-se, tambm, um aumento considervel no contas a receber no

    exerccio de 2010, devido ao aumento das vendas a prazo. O