Mapas conceituais teoria subjacent - Novak

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Texto sobre mapas conceituais e teoria subjacente, de

Text of Mapas conceituais teoria subjacent - Novak

  • 1. Doi: http://dx.doi.org/10.5212/PraxEduc.v.5i1.009029A TEORIA SUBJACENTE AOS MAPAS CONCEITUAIS ECOMO ELABOR-LOS E US-LOS*THE THEORY UNDERLYING CONCEPT MAPS AND HOW TOCONSTRUCT AND USE THEMJoseph D. Novak**Alberto J. Caas***ResumoEste texto apresenta a origem da ferramenta de mapas conceituais e descreve brevemente o incio do seu desen-volvimento.Apresentam-se algumas das ideias da Teoria da Assimilao de Ausubel (1963, 1968) que serviramcomo base para a criao dos mapas conceituais, destacando-se a importncia da assimilao de novos conceitose proposies na estrutura cognitiva prvia do aprendiz para a construo de signifi cados. Apresentam-se aindaas bases epistemolgicas dessa teoria de aprendizagem cognitiva, incluindo-se a ideia de que a produo criativade um novo conhecimento pode ser entendida como um nvel bastante avanado de aprendizagem signifi cativa,processo que pode ser facilitado pela utilizao de mapas conceituais. Busca-se ilustrar a larga variedade das ferra-mentasdisponveis no programa gratuito CmapTools, cujas vrias aplicaes incluem o auxlio ao desenvolvimentoda aprendizagem signifi cativa e do currculo, a captura e reteno de conhecimento especializado tcito e explcitoe o fortalecimento da produo criativa. O uso do programa CmapTools, de fontes da internet e de outros recursosdigitais prepara um poderoso Novo Modelo de Educao, levando criao de portflios de conhecimento indivi-dual,capazes de registrar a aprendizagem signifi cativa e embasar qualquer futura aprendizagem afi m. O programaCmapTools oferece ainda amplo suporte para colaborao, bem como para a publicao e compartilhamento demodelos de conhecimento.Palavras-chave: Mapa conceitual. Aprendizagem signifi cativa. Programa Cmaptools.AbstractThis text presents the origin of the concept map tool and some of the early history in the development of this tool.Some of the ideas from Ausubels (1963; 1968) assimilation theory of cognitive learning that served as a foundationfor concept mapping are presented, including the important role that assimilating new concepts and propositions intoa learners existing cognitive framework plays in meaning making. Epistemological foundations are also presentedincluding the idea that creative production of new knowledge can be seen as a very high level of meaningful learning,and concept mapping can facilitate the process. The wide range of tools available in free CmapTools softwareand some applications are illustrated, including application for facilitating meaningful learning, better curriculumdevelopment, capturing and archiving tacit and explicit expert knowledge, and enhancing creative production. UsingCmapTools, WWW resources, and other digital resources provide for a powerful New Model for Education leadingto the creation of individual knowledge portfolios that can document signifi cant learning and serve as a foundationfor future related learning. CmapTools also provides extensive support for collaboration, publishing and sharing ofknowledge models.Keywords: Concept Mapping. Meaningful learning. CmapTools.* Traduo de The theory underlying concept maps and how to construct and use them, disponvel em: . Traduzido com a autorizao dos autores. Traduo de Luis Fernando Cerri(PPGE/UEPG), com reviso tcnica de Fabiano Morais.** Professor Emeritus - Cornell University and Senior Research Scientist Florida Institute for Human and Machine Cognition (IHMC).E-mail: jnovak@ihmc.us*** Associate Director - Florida Institute for Human and Machine Cognition (IHMC). E-mail: acanas@ihmc.usPrxis Educativa, Ponta Grossa, v.5, n.1, p. 9-29 , jan.-jun. 2010. Disponvel em

2. 10 Joseph D. Novak; Alberto J. CaasIntroduoMapas conceituais so ferramentas grfi caspara a organizao e representao do conheci-mento.Eles incluem conceitos, geralmente dentrode crculos ou quadros de alguma espcie, e rela-esentre conceitos, que so indicadas por linhasque os interligam. As palavras sobre essas linhas,que so palavras ou frases de ligao, especifi camos relacionamentos entre dois conceitos. Ns defi -nimos conceito como uma regularidade percebidaem eventos ou objetos, designada por um rtulo. Namaioria dos conceitos, o rtulo uma palavra, em-boraalgumas vezes usemos smbolos como + ou %,e em outras usemos mais de uma palavra. Proposi-esso enunciaes sobre algum objeto ou eventono universo, seja ele natural ou artifi cial. Elas con-tmdois ou mais conceitos conectados por palavrasde ligao ou frases para compor uma afi rmaocom sentido. Por vezes, so chamadas de unidadessemnticas ou unidades de sentido. A Figura 1 mos-traum exemplo de mapa conceitual que descrevea estrutura dos mesmos e ilustra as caractersticasacima.Outra caracterstica dos mapas conceituais que os conceitos so representados de maneira hie-rrquica,com os conceitos mais inclusivos e geraisno topo e os mais especfi cos e menos gerais dispos-toshierarquicamente abaixo. A estrutura hierrquicade uma rea especfi ca de conhecimento tambmdepende do contexto no qual o conhecimento estsendo aplicado ou considerado. Consequentemente,o ideal que mapas conceituais sejam elaboradosa partir de alguma questo particular que procura-mosresponder, o que denominamos questo focal.O mapa conceitual deve se referir a uma situaoou evento que tentamos compreender por meio daorganizao do conhecimento na forma desse mapal, provendo assim o contexto para ele.Outra importante caracterstica a inclusode cross links, ou ligaes cruzadas, que so asrelaes ou ligaes entre conceitos nos diferentessegmentos ou domnios do mapa conceitual. As liga-escruzadas nos auxiliam a ver como um conceitoem um domnio de conhecimento representado nomapa se relaciona a um conceito em outro domnioali mostrado. Na elaborao de conhecimento novo,as ligaes cruzadas muitas vezes representam sal-toscriativos por parte do produtor de conhecimen-to.H duas caractersticas dos mapas conceituaisimportantes na facilitao do pensamento criativo: aestrutura hierrquica que representada num bommapa conceitual e a capacidade de buscar e carac-terizarnovas ligaes cruzadas.Uma ltima caracterstica dos mapas concei-tuaisso os exemplos especfi cos ou objetos queajudam a esclarecer o sentido de um determinadoconceito. Normalmente, eles no esto includos naselipses ou quadros, pois so eventos especfi cos ouobjetos, no representando, portanto, conceitos.Os mapas conceituais foram desenvolvidosem 1972, dentro do programa de pesquisa realiza-dopor Novak na Universidade de Cornell, no qualele buscou acompanhar e entender as mudanas namaneira como as crianas compreendiam a cincia(NOVAK; MUSONDA, 1991). Ao longo desse estu-do,os pesquisadores entrevistaram um grande n-merode crianas e tiveram difi culdade em identifi carmudanas especfi cas na compreenso de concei-toscientfi cos por parte delas apenas examinandoentrevistas transcritas. Esse programa se baseavaPrxis Educativa, Ponta Grossa, v.5, n.1, p. 9-29, jan.-jun. 2010. Disponvel em Figura 1 - Um mapa conceitual mostrando as caractersticas dos mapas conceituais. Mapas conceituais costumam serlidos progressivamente de cima para baixo. 3. A teoria subjacente aos mapas conceituais e como elabor-los11na psicologia da aprendizagem de David Ausubel(1963, 1968; AUSUBEL et al., 1978). A ideia fun-damentalna psicologia cognitiva de Ausubel quea aprendizagem se d por meio da assimilao denovos conceitos e proposies dentro de conceitospreexistentes e sistemas proposicionais j possu-dospelo aprendiz. Essa estrutura de conhecimentode um determinado aprendiz tambm chamada deestrutura cognitiva do indivduo. Diante da necessi-dadede encontrar uma melhor forma de representara compreenso conceitual de crianas, surgiu a ideiade que o conhecimento infantil fosse representadona forma de mapa conceitual. Desse modo, nasceuuma nova ferramenta no apenas para o uso empesquisa, como tambm para muitos outros.Fundamentos psicolgicos dos mapasconceituaisA origem dos nossos primeiros conceitos uma questo que surge com alguma frequncia.Esses so adquiridos pelas crianas no perodo donascimento at os trs anos, quando elas passama reconhecer regularidades no mundo ao seu redore comeam a identifi car rtulos de linguagem ousmbolos para essas regularidades (MACNAMARA,1982). Esse aprendizado inicial essencialmente umprocesso de aprendizado por descoberta, no qual osindivduos discernem padres ou regularidades noseventos ou objetos, reconhecendo-os como as mes-masregularidades rotuladas por pessoas mais velhascom palavras ou smbolos. Essa uma capacidadefenomenal que faz parte da herana evolucionriade todos os seres humanos normais. Aps os trsanos de idade, cada novo conceito e aprendizadoproposicional altamente mediado pela linguageme se d essencialmente por um processo de apren-dizadoreceptivo, no qual os novos signifi cados soobtidos por meio de perguntas e esclarecimentossobre as relaes entre velhos conceitos e propo-siese novos conceitos e proposies. Essa aqui-sio mediada de forma muito importante quandoexperincias ou proposies concretas esto dispo-nveis;da a importncia de atividades interativas noaprendizado de cincias com crianas mais novas,embora isso tambm seja verdade para aprendizesde qualquer idade e qualquer campo disciplinar.Alm da distino entre o processo de apren-dizagempor descoberta (no qual os atributos dosconceitos so identifi cados de forma autnoma peloaprendiz) e o processo de aprendizagem receptiva(no qual os atributos dos conceitos so descritos pormeio da linguagem e transmitidos para o aprendiz),Ausubel faz a importantssima distino entre apren-dizadomecnico e o aprendizado signifi cativo. Oaprendizado signifi cativo requer trs condies:1. O material a ser aprendido deve ser con-ceitualmenteclaro e apresentado com lin-guageme exemplos relacionveis com oconhecimento anterior do aprendiz. Mapasconceituais podem ajudar a cumprir essaexigncia, tanto por identifi car conceitos am-plose gerais possudos pelo aprendiz antesde ele aprender conceitos mais especfi cos,quanto por ajudar no sequenciamento detarefas de apren