A Linguística na produção de Podcast em Quí ?· 1. Metáfora: pois possui características semelhantes…

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  • Universidade Federal de Pernambuco NEHTE / Programa de Ps Graduao em Letras CCTE / Programa de Ps Graduao em Cincias da Computao

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    A Lingustica na produo de Podcast em Qumica

    Quesia dos Santos Souza1 (FAFIRE) Bruno Silva Leite2 (UFRPE)

    Resumo: Os podcasts so ferramentas da Web 2.0 que tm vindo a ser cada vez mais utilizadas no ensino e na aprendizagem de conhecimentos. Neste trabalho analisamos a lingustica abordada em podcasts de Qumica. O trabalho segue os moldes de uma pesquisa qualitativa, em que os podcasts analisados encontram-se nas linguagens: verbal, no verbal e mista. Observa-se que os podcasts com perfis contextualizados apresentaram uma abordagem acessvel aos usurios, fazendo uso da variao lingustica, contribuindo no processo de ensino e aprendizagem na rede. Palavras-chave: Podcast, lingustica, Qumica.

    Abstract: Podcasts are Web 2.0 tools that have been increasingly used in teaching and learning of knowledge. In this paper we analyze the linguistic addressed in Podcasts of Chemistry. The work follows the lines of a qualitative research, where the podcasts are analyzed in languages: verbal, nonverbal and mixed. Its observed that with contextualized Podcasts profiles showed an affordable approach to users, making use of linguistic variation, contributing in the teaching and learning process in the network. Palavras-chave: Podcast, linguistic, Chemistry.

    Introduo

    Muito se tem falado sobre o paradigma emergente de uma nova sociedade do

    conhecimento (LVY, 1993; MORAN, 2001); porm, o que se tem visto efetivamente

    a construo de uma sociedade da informao. Com o destacado aumento da

    utilizao das ferramentas tecnolgicas nos diversos setores e espaos da

    sociedade, e por sua capacidade de comunicao atravs da linguagem, o homem

    1 Quesia SOUZA. Profa. Esp. Faculdade Frassinetti do Recife (FAFIRE). quesiadss@yahoo.com.br

    2 Bruno LEITE. Prof. Msc. da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). bruno.leite@uast.ufrpe.br

    mailto:quesiadss@yahoo.com.brmailto:bruno.leite@uast.ufrpe.br

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    inventa e reinventa formas de se comunicar, seja atravs da escrita, da oralidade,

    dos gestos, das imagens. Os meios multimdicos, em especial a internet, tem

    disponibilizado uma quantidade extraordinria de informao. Contudo, esta

    informao no tem garantido necessariamente um processo de produo do

    conhecimento (BARTOLOM, 2004). A internet uma ferramenta de comunicao

    prtica presente na vida da maioria das pessoas. O acesso aos contedos

    disponveis nesse meio de comunicao pode ajudar na construo do

    conhecimento, desde que sua utilizao seja direcionado para este propsito.

    Com o advento da utilizao das Tecnologias da Informao e Comunicao

    (TIC) no ensino, pode estar gerando uma expectativa, talvez exagerada, de que

    estes novos ambientes garantiro uma excelncia na aprendizagem. Acreditamos,

    entretanto, que a mera transfigurao de uma roupagem antiga, para a

    utilizao de recursos tecnolgicos de ponta, ter que vir acompanhada de uma

    profunda discusso e anlise das estratgias metodolgicas, que possam ajudar na

    construo de uma aprendizagem significativa. Os computadores e seus aplicativos

    por si s no traro mudanas efetivas, se no vierem acompanhadas de propostas

    metodolgicas que valorizam a construo do conhecimento e de sua importncia

    na realidade social do aluno (LEO, 2011).

    Ser um consumidor crtico da Web passou a ser um requisito de todos. Mas,

    atualmente, navegar no conhecimento disponvel na rede, pressuposto do

    conectivismo, limitar-se perante a dualidade de estar online. importante

    contribuir para a Web: saber ler criticamente mas tambm partilhar o que se sabe,

    contribuindo para a inteligncia coletiva (LVY, 1993). imprescindvel

    ler/escrever na Web (RICHARDSON, 2006).

    A Web 2.0 (termo que faz um trocadilho com o tipo de notao em

    informtica que indica a verso de um software) a segunda gerao de servios

    online e caracteriza-se por potencializar as formas de publicao,

    compartilhamento e organizao de informaes, alm de ampliar os espaos para

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    a interao entre os participantes do processo (LEITE, 2011). O termo Web 2.0, da

    autoria de Tim OReilly (2005), surgiu numa sesso de brainstorming no medialive

    international em outubro de 2004. OReilly fez as seguintes consideraes:

    A Web 2.0 a mudana para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais so usados pelas

    pessoas, aproveitando a inteligncia coletiva (OREILLY, 2005).

    OReilly observava um momento crucial na evoluo da Internet que causava a

    enorme popularidade de uma nova gerao de pginas web. O blog, o podcast, o

    YouTube, Flicker, Twitter, as redes sociais, os wikis, entre outros, so ferramentas

    que surgiram da Web 2.0, que facilitam a publicao online e a interao, ao

    permitirem adicionar comentrios ao que disponibilizado, ao facilitarem a

    pesquisa atravs das tags (marcadores).

    Nesse contexto, a linguagem vem a ser definida como a representao do

    pensamento por sinais que permitem a comunicao e a interao entre as pessoas.

    Assim, na Era Digital existem vrios meios para essa comunicao, um desses meios

    que ser abordado a comunicao na construo do podcast, que um recurso

    utilizado para emisso pblica de arquivos disponveis na rede (LEITE, LEO,

    ANDRADE, 2010). Nos ltimos anos, o podcast tem se destacado sobremaneira na

    tecnologia educacional, permitindo que esta tecnologia possa criar novas

    oportunidades no processo de ensino-aprendizagem.

    Neste sentido, centramo-nos nos podcasts, na sua diversidade e nas suas

    vantagens para o ensino. Descrevemos uma anlise da linguagem utilizada em dez

    podcasts de Qumica disponveis na rede, alm de apresentar as taxonomias dos

    mesmos.

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    Podcast

    O aparecimento dos podcasts remonta a 2004, altura em que Adam Curry (VJ)

    e Dave Winer (programador) emitiram um programa de rdio na Web (RICHARDSON,

    2006). Desde ento, eles (podcasts) rapidamente ganharam popularidade pela

    facilidade em criar e em publicar, comeando a ser usados em diversos meios.

    O termo podcast surgiu como o acrnimo das palavras public on demand e

    broadcast. Esse termo (podcast) pode ser descrito de forma resumida como

    sendo uma emisso pblica segundo uma demanda (COCHRABE, 2006; RICHARDSON,

    2006). O mesmo foi anunciado em 2005, pelo Dicionrio Americano New Oxford,

    como a palavra do ano (WALCH, LAFFERTY, 2006).

    A facilidade de gravar e de publicar os podcasts fizeram com que professores,

    comeassem a gravar as suas aulas e a disponibilizar esses arquivos online.

    Diferentemente, nos ambientes integrados pelas chamadas TIC, a construo do

    conhecimento se d por meio de diversas formas de linguagens simultneas. Os

    podcasts apresentam-se como esses novos ambientes, na qual a construo do

    conhecimento acontece de forma mais aberta, integrada e multissensorial, o que

    torna sem dvida, o processo de ensino e aprendizagem muito mais atraente e

    complexa. A ideia inicial do mesmo era permitir que os utilizadores distribussem

    seus prprios episdios, mas o sistema est sendo usado cada vez mais para outras

    finalidades, como transmisso de notcias e entrevistas, informaes bem como,

    incluindo propsitos educativos. Eles permitem ao professor disponibilizar materiais

    didticos como aulas, documentrios e entrevistas em trs formatos que podem ser

    apreciados a qualquer hora e em diferentes espaos geogrficos.

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    Formato do Podcast

    Os podcasts podem ser em udio (Audiocast), em vdeo (Videocast) e a

    combinao de imagem com locuo (enhanced podcast). Quando o mesmo for

    introduzido em udio, denominado como audiocast (MCLOUGHLIN, LEE, 2007;

    WEBB, CAVANAGH, 2008), no exige ateno visual, um dos tipos mais usados no

    ensino, na qual as aulas podem ser gravadas, agradando quem no podia frequentar

    as mesmas, bem como contribuem para os alunos que desejavam rever as aulas

    para completarem as suas anotaes. Vrios autores tm constatado que os alunos

    gostam de ouvir a voz dos seus professores (CARVALHO et al. 2008, 2009;

    DURBRIDGE, 1984; RICHARDSON, 2006; SALMON et al., 2007). Os audiocasts podem

    tambm ser rentabilizados em alunos com dificuldades visuais. Eles (audiocasts)

    apresentam arquivos menos pesado, em relao aos outros formatos de podcast e

    esse um aspecto a ter em considerao na hora de decidir qual criar.

    O podcast em vdeo designado por Salmon e Edirisingha (2008) como vodcast

    e por Newbutt et al (2008) por vidcast, incluindo ainda a possibilidade de captao

    de tela com locuo, neste caso Carvalho, Aguiar e Maciel (2009) atribuem ao nome

    de screencas