Estudio Biblico 3

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Estudos sobre Coríntios, Hebreus e Apocalipse José Adriano Filho Diakonia dos pobres: 2 Coríntios 8-9 Estudios Bíblicos Não repelirás quem está na indigência, mas colocarás todas as coisas em comum com teu irmão e não dirás mais serem tuas próprias: pois, se compartilhas um bem imortal, com mais razão os bens mortais! (Didaquê 4,8) CONSEJO LATINOAMERICANO DE IGLESIAS • CLAI 2. Os coríntios devem seguir a prática de Jesus PROGMA FE Y ECONOMÍA SOLIDARIA • FES CONSEJO LATINOAMERICANO DE IGLESIAS • CLAI

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  • Estudos sobreCorntios,Hebreus eApocalipse

    Jos Adriano Filho

  • ESTUDIO1 Diakonia dos pobres:2Corntios 8-9

    Norepelirsquemestna indigncia,mas colocars todas as coisas emcomumcomteuirmoenodirsmais serem tuas prprias: pois, se compartilhas umbem imortal, commais razo os bensmortais! (Didaqu 4,8)

    Na segunda carta de Paulo aos Corntios destacam-se os captulos 8-9, conhecidoscomo a coleta para a comunidade de Jerusalm. Paulo j havia mencionado antesesta coleta em 1 Corntios 16,1-4 e no era a primeira vez que ele se envolvia numaatividade como essa, pois antes o encontramos atuante no envio de um socorro aos irmosque moravam na Judia (Atos 11,27-30). Essa passagem uma indicao de que o socorro fi-nanceiro pelo qual o apstolo tanto se empenhou, no acidental, mas tinha para ele um sen-tido mais profundo. A tradio deu o nome de coleta a essa coleta, mas Paulo refere-se a elacomo servio (diakonia), um servio importante porque est estreitamente ligado ao evan-gelho de Jesus Cristo. Para os corntios participar desse servio mostrar obedincia ao evan-gelho de Cristo e a sinceridade da f. Ajudar aos pobres um dom de Deus que se manifestana ao concreta dos homens. A graa no um dom inerte, no uma riqueza da qual cadaum pudesse gozar egoisticamente: graa participar da partilha dos bens com os irmos(8,1.4.6.7.9; 9,8.13-15).

    Este servio no consiste tambmnuma simples coleta porque a unidade da igreja estava emjogo, j que a abertura da misso para fora de Israel estava sendo alicerada e legitimada comessa coleta. Assim, o servio aos pobres est destinado a expressar, fundamentar e estabelecera estrutura do novo povo de Deus. Paulo estende a solidariedade do povo para alm das fron-teiras da lei. O apelo aos pobres fez surgir a oportunidade para um novo relacionamento como povo de Israel e fazer os corntios entenderem que eram parte de um povo maior. No en-contro de JerusalmPaulo percebeu a oportunidade para provocar umanova formade agir nasigrejas gregas. Era importante tecer relaes entre os de Jerusalm e os gregos, mover bens es-pirituais, pr em movimento a generosidade material, modelar um novo estilo de relaes so-ciais e criar um novo modelo de sociedade. Nesse sentido, a diakonia dos pobres visavafortalecer a unidade da igreja entre judeus e gentlico-cristos.

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  • 1. O exemplo dos macednios2 Corntios 8,1-5 introduz o assunto o servio dos pobres, procurando despertar o interessedos corntios pormeiodeumexemplo: Paulo elogia o comportamentodosmacednios no ser-vio aos pobres. Menciona a generosidade das comunidades da Macednia, cuja fonte agraa de Deus (2 Corntios 8,1-2). A coleta como servio aos pobres de Jerusalm expres-so da prpria graa de Deus. um dom de Deus que assume a forma do dom humano. A ati-tude dos macednios mostra que Deus est ativo neles e opera por meio deles.

    Os macednios eram pobres, mas a sua generosidade era maior. Generosidade, no grego ha-pltes, significa simplicidade, sinceridade, franqueza. Trata-se da generosidade sincera, quevisa o bem estar do prximo, a partir da qual os macednios participaram na arrecadao defundos para os pobres de Jerusalm (2 Corntios 8,3-5). A generosidade e a grande disponi-bilidade dosmacedniosmanifestaram-se de duasmaneiras: participaram comgrande alegriano meio de imensos sofrimentos e, apesar de serem pobres, mostraram grande generosidade.Essa aluso situao particular das pessoas que formavam a comunidade mostra que da ex-trema pobreza nasceu a sua extrema riqueza. Assim, podemos caracterizar a generosidade dosmacednios da seguinte forma: deram segundo as suas possibilidades, alm das suas possibi-lidades, espontaneamente, pediram com insistncia para participar na coleta.

    As comunidades daMacednia, portanto,mesmo sendopobres e passando por perseguies,fizeram a coleta para garantir a construo do reino. Essas igrejas eram to pobres quanto ade Jerusalm, mas a contribuio financeira era fundamental para garantir a continuidade doscristos de Jerusalm na participao na construo do reino: os mais pobres deram mais din-heiro, um sinal de que o reino j est presente.

    2. Os corntios devem seguir a prtica de JesusA generosidade dos macednios foi a sua disposio de pr os bens materiais a servio dosnecessitados. A solidariedade gera a disponibilidade, a qual gera a comunidade. Por sua vez, acomunidade gera a igualdade. A arrecadao era um servio, um trabalho em favor das comu-nidades pobres de Jerusalm. Paulo pede que o bem estar do pobre valha o nosso investi-mento e que a arrecadao consiga mobilizar tudo o que os cristos tm em disponibilidadepara doar. Dessa forma, ele desenvolve a idia de servio apresentada no texto. No v.4 os ma-cednios pediram a graa de participar da assistncia aos santos e Paulo espera queTito con-siga completar essa graa entre os corntios (v.6) e que eles abundem nesta graa (v.7). Secorntios tinham superabudncia e excelncia em suas virtudes, porque no acrescentar a issoa generosidade na participao do servio aos pobres? Para mobilizar os corntios a participa-rem do servio aos pobres Paulo desenvolve trs argumentos:

    a) O exemplo de Cristo.. Os corntios devem seguir o modelo de Jesus Cristo: Pois con-heceis a graa de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vs se fez pobre, paraque pela sua pobreza fsseis enriquecidos (2 Corntios 8,9). Cristo tornou-se pobre, ou seja,tornou-se humano e abdicou de sua riqueza divina, para enriquecer as pessoas com as ddivasda salvao (Filipenses 2,5-8). Com isto a pobreza, que culmina no sacrifcio de na cruz, tornao marco da misso de Cristo. Isto graa! Essas palavras so importantes pois mostram queum termo teolgico to importante como graa aplicado esfera da economia (das 18 vezesque 2 Corntios usa a palavra graa, 10 esto no contexto da coleta). Paulo usa palavra graa de-signando salvao e coleta. Salvao est ligada ao po nosso de cada dia, os dois esto interli-gados, um depende do outro. Trata-se de uma coleta que na verdade atinge o ser cristo da

    Estudos sobre Corntios, Hebreus e Apocalipse

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    comunidade. a prtica do amor a partir da f que leva salvao, a qual provm da graa deDeus. No fundo a coleta dada a gratido pela graa recebida e que revertida aos cristos deJerusalm.

    b) O til ou convincente. Paulo parte da considerao de bom senso: convm acabar umaobra comeada (2 Corntios 8,10-12). Algo ocorreu e a coleta comeada no ano anterior haviasido interrompida. O que teria acontecido? Com certeza foi a grande crise acontecida, em cujocontexto Paulo escreveu a carta apologtica (2 Corntios 2,14-6,13; 7,2-4), que ficou sem efeito.Ento ele mandou uma segunda carta (10-13), que tambm ficou sem efeito. Houve, ento, asegunda visita de Tito a Corinto e Tito conseguiu a reconciliao (2 Cor 1,1-2,13; 7,5-16).Paulo pede agora que eles continuem o que j havia sido comeado. A carta produziu efeito ePaulo pode reiniciar a coleta. Assim, 2 Corntios 8-9 tem por objetivo reestimular os corntiosa reassumir a coleta parada. A carta deu resultado, pois Romanos 15,25-32 mostra que a coletafoi feita.

    c) A igualdade. Jesus Cristo o exemplo divino para a ao da comunidade junto aos co-ir-mos. Ele no se tornou pobre para que todos ficassem pobres, mas para que todos fossemricos. Dessa forma, em lugar da pobreza, todos tero pelos menos a suficincia, graas redis-tribuio feita pelos ricos. Assim como Cristo, as comunidades crists devem estar dispostas adesprender-se de tudo o que representa suprfluos e coloc-los a servio dos pobres, para quehaja igualdade (2 Corntios 8,13-15; 9,12-14). Assim, Paulo afirma que ser realizada a igual-dade, a qual deve reinar entre os cristos. Este modelo se encontra em xodo 16,18, a prop-sito do man: Nem quem tinha colhido muito tinha de sobra, nem quem recolhera poucolhe faltava. O man no podia ser acumulado, mas colhia-se a cada dia o suficiente para um dia.Isto era feito para garantir a igualdade. Da mesma maneira, coleta feita pela comunidade cristque cr na ressurreio do corpo e esta no admite a fome, pobreza e desigualdade social. A co-leta, que no tem por base a lei, mas sim a graa, feita por amor aos pobres. dessa maneiraque se denuncia a desigualdade social.

    3. A sementeira e a colheita (2 Corntios 9,6-15)Paulo envia uma delegao para resolver o assunto da coleta nas comunidades da Acaia, poisno acredita que possa resolver tudo por carta. 2 Corntios 9,1-5 afirma que o exemplo dosacaios suscitou a imitao de um grande nmero. Os acaios prometeram fazer da coleta um atode generosidade. Assim, 2 Corntos 9,6-14 rene cinco argumentos capazes de convencer osacaios a praticar a mais abundante generosidade. Paulo expressa por meio desses argumentosuma concepo nova das relaes humanas e da constituio da sociedade.

    a) Primeiro argumento.O desafio: Mas digo isto: Aquele que semeia pouco, pouco tam-bm ceifar; e aquele que semeia em abundncia, em abundncia tambm ceifar (2 Corn-tos 9,6) lembra outras passagens da Escritura: Um d liberalmente, e se torna mais rico; outroretm mais do que justo, e se empobrece (Provrbios 11,24); Ento, enquanto temos opor-tunidade, faamos bem a todos, mas principamente aos domsticos da f (Glatas 6,10). A co-leta deve ser uma ddiva, o que significa superar e ultrapassar a si mesmo em direo aoprximo.

    b) Segundo argumento. A generosidade no levar ningum penria: Cada um contri-bua segundo props no seu corao; no com tristeza, nem por constrangimento; porqueDeus ama ao que d com alegria. E Deus poderoso para fazer abundar em vs toda a graa,a fim de que, tendo sempre, em tudo, toda a suficincia, abundei