GESTAÇÃO NA ADOLESCÊNCIA: A VIVÊNCIA DE UMA GRAVIDEZ ...· A gravidez na adolescência está intimamente

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ESCOLA SUPERIOR DE CINCIAS DA SANTA CASA DE MISERICRDIA DE

VITRIA - EMESCAM

ADRIELY CAPELINI CURCIO

PRISCILA SCHIMIDT BORGES

GESTAO NA ADOLESCNCIA: A VIVNCIA DE UMA GRAVIDEZ PRECOCE

VITRIA/ES

2018

ADRIELY CAPELINI CURCIO

PRISCILA SCHIMIDT BORGES

GESTAO NA ADOLESCNCIA: A VIVNCIA DE UMA GRAVIDEZ PRECOCE

Trabalho de concluso de curso apresentado a

Escola Superior de Cincias da Santa Casa de

Misericrdia de Vitria em cumprimento parcial s

exigncias do Curso de Graduao em

Enfermagem.

Orientadora: Dra. Italla Maria Pinheiro Bezerra

VITRIA/ES

2018

TERMO DE APROVAO

ADRIELY CAPELINI CURCIO

PRISCILA SCHIMIDT BORGES

GESTAO NA ADOLESCNCIA: A VIVNCIA DE UMA GRAVIDEZ PRECOCE

Trabalho de concluso de curso apresentado a

Escola Superior de Cincias da Santa Casa de

Misericrdia de Vitria em cumprimento parcial s

exigncias do Curso de Graduao em

Enfermagem.

___________________________________________

Orientadora: Dra. Italla Maria Pinheiro Bezerras

Coordenadora do Curso de Enfermagem EMESCAM

___________________________________________

Prof. Aldirene Libano Maestrini Dalvi

Preceptora de Estgio Supervisionado EMESCAM

1 Banca Avaliadora

__________________________________________

Prof. Ms. Patrcia Correa de Oliveira Saldanha

Professora do curso de Enfermagem EMESCAM

2 Banca Avaliadora

VITRIA/ES

2018

O que for a profundeza do teu ser, assim ser teu desejo.

O que for o teu desejo, assim ser tua vontade.

O que for a tua vontade, assim sero teus atos.

O que forem teus atos, assim ser teu destino.

Brihadaranyaka Upanishad

RESUMO

A gravidez na adolescncia est intimamente ligada s mudanas socioculturais que ocorreram

no decorrer dos sculos. A insero da mulher no mercado de trabalho a ajudou a conquistar a

prpria independncia, porm, em sua maioria, no lhe deu condies para dividir as

responsabilidades entre a vida pessoal, familiar e empregatcia. Atualmente a adolescncia

vista como a passagem da infncia para a vida adulta, marcada por profundas transformaes e

fragilidades, dentre elas as mudanas hormonais, comportamentais e morais. A falta de dilogo

dentro do mbito familiar, a influncia da mdia, o acesso sem superviso internet, e os

namoros cada vez mais precoces, so alguns dos motivos estudados que levam o adolescente

ao interesse em se descobrir sexualmente. As consequncias disso esto nos altos ndices

encontrados de gravidez na adolescncia e na contrao de infeces sexualmente

transmissveis. O presente estudo teve como objetivo analisar a percepo de mulheres que

engravidaram na adolescncia em relao as suas vivncias nesse perodo de tempo, bem como

identificar os fatores considerados por elas como condicionantes para esse ato precoce, as

mudanas ocorridas e descrever o papel da famlia e/ou parceiro antes, durante e aps a

gestao. Tratou-se de uma pesquisa do tipo descritiva, desenvolvida a partir de abordagem

qualitativa, no municpio de Vitria/ES. Para a realizao desse estudo foi utilizado o sistema

conhecido como bola de neve. A partir dos dados coletados evidenciou-se que as mulheres,

em sua maioria, no planejaram ter filhos com a idade que os tiveram, e relataram que foi um

momento de pouca maturidade e muita irresponsabilidade. Depreendeu-se atravs das

entrevistas que a falta de planejamento, educao em sade sexual, despreocupao e

imaturidade da idade so fatores determinantes no nmero de meninas nessa condio, tratando-

se de um problema de sade pblica.

Palavras-Chave: Gravidez na Adolescncia; Sexualidade; Sade Pblica;

SUMRIO

1 INTRODUO ..................................................................................................................... 7

2 JUSTIFICATIVA ................................................................................................................ 10

3 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 11

3.1 OBJETIVO GERAL ....................................................................................................... 11

3.2 OBJETIVOS ESPECFICOS ......................................................................................... 11

4 MTODO ............................................................................................................................. 12

4.1 TIPO DE ESTUDO ........................................................................................................ 12

4.2 CENRIO ....................................................................................................................... 12

4.3 POPULAO ALVO .................................................................................................... 12

4.4 COLETA DE DADOS .................................................................................................... 12

5 CONSIDERAES TICAS ............................................................................................ 14

6 RESULTADOS .................................................................................................................... 15

6.1 CARACTERIZAO DAS PARTICIPANTES ........................................................... 15

6.2 TCNICA DE ORGANIZAO DOS DADOS E EVIDNCIAS PERCEBIDAS ..... 15

7 DISCUSSO ........................................................................................................................ 17

8 CONCLUSO ...................................................................................................................... 22

REFERNCIAS .................................................................................................................. 23

APNDICES ........................................................................................................................ 26

APNDICE A ...................................................................................................................... 27

APNDICE B ....................................................................................................................... 28

7

1 INTRODUO

De acordo com Cavasin (2007), um dos fatores mais determinantes para classificar uma

gestao como precoce est no contexto produzido pela prpria sociedade. J houveram pocas

em que gestar uma criana aos 15 (quinze) anos de idade no era motivo para estranheza, mas

visto como algo normal dentro dos padres estabelecidos. importante observar que o modelo

de juventude toma formas diferentes ao longo da histria, variando de local para local.

As diversas mudanas ocorridas no fim do sculo passado, em virtude da Revoluo

Industrial na Europa, e, especialmente, as consequentes I Guerra Mundial, deram

oportunidade as mulheres para se inserirem em diversas reas de trabalho que no estavam

disponveis a elas antes. Contudo, essa jornada de trabalho no veio seguida por polticas que

lhes possibilitassem condies para dividir as responsabilidades entre a vida pessoal/familiar,

com as do emprego. Surgia ento uma nova categoria: A da adolescente que se lanava no

mercado de trabalho. Gestar uma criana nesse perodo ento tornava-se sinnimo de empecilho

para a evoluo profissional (SANTOS; NOGUEIRA, 2009).

A adolescncia uma etapa da vida no qual profundas transformaes ocorrem e que

podem implicar no crescimento e desenvolvimento desses indivduos. uma fase de transio

entre a infncia e a vida adulta, conhecida como um perodo de maturidade do processo

psicolgico, social e maturacional, assim como do crescimento somtico e o desenvolvimento

de habilidades psicomotoras, da atuao intensa dos hormnios levando a mudanas relevantes

de forma e expresso, tais como as mudanas biolgicas, psicossociais, cognitivas, morais e,

at mesmo, espirituais. (SILVA, 2012; LIMA, 2013)

Nessa fase da vida, o adolescente deve ter autonomia e liberdade sobre seu corpo diante

das questes sexuais e reprodutivas, sendo esta a dimenso fundamental da sade, a reproduo

e sexualidade, assegurando o direito de escolha como princpio de cidadania, corroborando com

o conceito de sade reprodutiva definido pela Conferncia de Cairo em 1988 da OMS, em que

estabeleceu ser um estado de completo bem-estar fsico, mental e social, e no de mera ausncia

de doena ou enfermidade, em todos os aspectos relacionados ao sistema reprodutivo, suas

funes e processos (VENTURA, 2009).

Nesse contexto, revela-se que muitas so as fragilidades da fase inicial da adolescncia

at a vida adulta devido as mudanas comportamentais e fsicas. A atual realidade brasileira

mostra que a maioria dos adolescentes encontrados nas periferias no tem uma base familiar

8

estabelecida e a outra parcela que tem este privilgio, muitas vezes no tem acesso a

informaes sobre sexualidade em casa, por conta da dificuldade que alguns pais ainda tem de

tocar no assunto, transformando-o no conhecido Tabu, gerando conse