Laudo pericial de acidente de trânsito - 2

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Text of Laudo pericial de acidente de trânsito - 2

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Relatrio de Percia TcnicaEmpresa solicitante

RPT 3923-06Data 09/06/2006

Revista Quatro RodasVeculo analisado

VW Fox Ano/modelo - 2003/2004

Objetivo da avaliao tcnica

Esta anlise objetivou avaliar a reclamao de um proprietrio de um VW Fox, que teve seu dedo decepado quando da operao de rebatimento do banco traseiro. A verificao teve dois objetivos bem especficos: a) Avaliar se houve impercia por parte deste proprietrio. b) Avaliar se o procedimento recomendado pela Volkswagen em seu manual oferece algum risco na sua operao.

Responsvel Tcnico

Mrcio Montesani

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1. Qualificao do responsvel tcnicoEngenheiro Mecnico graduado pela FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) Pesquisador da Universidade Estadual de Campinas no segmento de Acidentes de Trnsito e Segurana Viria Professor do curso de extenso em Reconstituio de Acidentes de Trnsito e do curso de Investigao de Acidentes de Trnsito Bsico e Avanado ministrados na UNICAMP Professor do Curso de Especializao em Percias de Acidentes de Trnsito (UFMT Universidade Federal do Mato Grosso) Professor do Curso de Capacitao em Percias Mdicas (FAMERP Faculdade de Medicina de So Jos do Rio Preto) Perito especializado em Reconstituio de Acidentes de Trnsito Curso de Especializao de Reconstituio de Acidentes de Trnsito em vila (Espanha) Estgio de pesquisa de colises de veculos no AllianzZentrum em Ismanig (Alemanha) Estgio de estudos em Trobble Shotting Methods na Formel D em Frankfurt (Alemanha) Estgio em linhas de inspees veiculares no TUH em Darmstadt (Alemanha) Estgio no departamento de Reconstituio de Acidentes do Centro de Experimentacion y Seguridad Vial em Pilar (Argentina).

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2. Caractersticas do veculo analisado

Veculo

Ano / Modelo

VW Fox 1.6 Sportline Total Flex

2003/2004

A placa foi encoberta visando no expor os dados do veculo analisado.

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3. Detalhamento do problema apresentadoNa primeira fase desta avaliao pedimos ao proprietrio deste veculo que explicasse de forma seqencial a cronologia dos fatos. Abaixo seguem suas explicaes:

Visando aumentar o espao no porta-malas o proprietrio deste veculo realizou as operaes necessrias de destravamento. Destravou inicialmente o encosto. Posteriormente destravou o assento do banco. No processo de levantamento do conjunto encosto/banco houve o desequilbrio e este conjunto caiu. Como sua mo estava posicionada no assoalho do porta-malas visando um melhor posicionamento para realizao desta operao, este conjunto encosto/banco caiu sobre sua mo e por conseqncia decepou a ponta de um dedo da mo direita.

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4. Leso apresentada

Houve decepamento da ponta de um dedo da mo direita.

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5. Linhas de anlise deste caso

Na anlise deste caso focamos duas frentes de verificao: a) Anlise ergonmica e comportamental da operao de rebatimento do banco b) Anlise das informaes apresentadas por meio da etiqueta fixada atrs do banco e no manual do proprietrio.

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6. Conceitos usados nesta anliseConceituao Ergonomia Montmollin, M. A Ergonomia a tecnologia das comunicaes homem-mquina (1971). Wisner A Ergonomia um conjunto de conhecimentos cientficos relativos ao homem e necessrios concepo de instrumentos, mquinas e dispositivos que possam ser utilizados com o mximo de conforto e eficcia (1972).

Antropometria: Cincia que trata das medidas fsicas do corpo humano tem uma importncia especial, pois devido ao surgimento de sistemas complexos de operaes o conhecimento das dimenses fsicas do homem com exatido, muito importante. Uma das aplicaes das medidas antropomtricas na ergonomia o dimensionamento do espao de trabalho (operao a ser executada).

Objetivos da Ergonomia Para a realizao de seus objetivos a ergonomia estuda uma diversidade de fatores que so: o homem e suas caractersticas fsicas, fisiolgicas e psicolgicas; a mquina que constituem todas as ferramentas, mobilirio, equipamento e instalaes; o ambiente que contempla temperatura, rudos, vibraes, luz, cores, etc; a informao que se refere ao sistema de transmisso das informaes; a organizao que constitui todos os elementos citados nestas operaes e as questes relacionadas com erros e acidentes.

Mtodos diretos utilizados na anlise da operao Observao: o mtodo mais utilizado em Ergonomia, pois permite abordar de maneira global a atividade na operao. A partir da estruturao das grandes classes de problemas a serem observados, o Ergonomista dirige suas observaes e faz uma filtragem seletiva das informaes disponveis.

Direo do olhar: A posio da cabea e a orientao dos olhos do indivduo permitem inferir para onde ele est olhando.

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O registro da direo do olhar amplamente utilizado em Ergonomia para apreciao das fontes de informaes utilizadas pelos que esto realizando as operaes. As observaes da direo do olhar podem ser utilizadas como indicador da solicitao visual da tarefa.

Comunicaes: A troca de informaes entre o indivduo e a operao a ser realizada podem ocorrer de diversas formas: sonora, documental, visual. O contedo das informaes trocadas tem se revelado como grande fonte entre os operadores, esclarecedora da aprendizagem da operao, da competncia das pessoas, da importncia e a facilitao no processo de transmisso da informao e com isso tem se evitado muitos incidentes.

Postura: As posturas constituem um reflexo de uma srie de imposies da atividade a ser realizada. A postura um suporte atividade gestual da operao e um suporte s informaes obtidas visualmente. A postura influenciada pelas caractersticas antropomtricas do operador e caractersticas formais e dimensionais dos locais da operao.

Princpios bsicos do projeto

Uso Eqitativo: o projeto utilizvel por pessoas com habilidades diversas. Uso flexvel: O projeto acomoda uma ampla faixa de preferncias e habilidades. Uso simples e intuitivo: O projeto fcil de ser compreendido e independe da experincia, conhecimento, habilidades de linguagem, ou nvel de concentrao do usurio. Informao de fcil percepo: O projeto comunica a informao necessria para o usurio, independente de suas habilidades ou das condies do ambiente. Tolerncia ao erro: O projeto minimiza riscos e conseqncias adversas de aes acidentais ou no intencionais. Baixo esforo fsico: O projeto pode ser usado eficientemente, confortavelmente e com o mnimo de fadiga/esforo. Dimenso e espao para aproximao e uso: Prover dimenso e espao apropriados para o acesso, o alcance, a manipulao e o uso independente do tamanho do corpo, da postura ou mobilidade do usurio.

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7. Anlise do banco traseiro

A

B

Nas fotos acima identificamos os dois pontos de acionamento:

A Por meio de uma ala acondicionada em uma alavanca o encosto do banco destravado. B O destravamento do assento feito por meio desta ala que est acoplada em cada uma das duas travas existentes na parte inferior do assento. Tanto a seta amarela (Fig A) quanto as setas azuis (Fig B) esto posicionadas na direo do destravamento.

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8. Destravamento do encosto do banco traseiro1

2 Fig A

1

2

Para o destravamento do encosto do banco necessrio acionar a trava em destaque (Fig A). Feito o destravamento o encosto do banco se move conforme indicam as fotos e figuras esquemticas indicadas pelos nmeros 1 e 2.

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9. Elevao assento do banco traseiro

B

B

Fig. B

Fig. C

1

2

3

Para o destravamento do assento do banco utilizamos a cinta (Fig C) em destaque na Fig B. A foto indica os pontos (B) com as travas do assento. As figuras esquemticas acima indicam como o assento deslocado em conjunto com o encosto j previamente abaixado.

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10. Anlise de risco na operao

A

Fig A B

A

B

Quando a ultima operao realizada, conforme orientao da etiqueta acondicionada atrs do encosto do banco, ou seja, todo o rebatimento do banco feito pelo acesso ao porta-malas, colocamos o proprietrio deste veculo numa condio de extremo risco. Acima destacamos o sistema de travamento do assento composto pelo mecanismo de travamento (A) e o engate da trava no assoalho do porta-malas (B). Conforme anlise anterior em que detalhamos a seqncia necessria para realizar a operao e nos utilizando das recomendaes desta etiqueta (Fig A) , em que estaremos detalhando posteriormente, toda a operao feita pelo acesso ao porta-malas e diante disso colocamos esta pessoa numa condio ergonomicamente falando desconfortvel, pois quando o encosto se junta ao assento e temos que elevar este conjunto, temos um peso relativamente elevado para esta operao. Para iniciar o processo de elevao utilizada a cinta de destravamento e, portanto um sistema totalmente desconfortvel e

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inseguro para esta operao, pois diante do peso elevado deste conjunto, ocorre um apoio natural desta pessoa no assoalho do porta-malas para poder elevar este conjunto, e este apoio ocorre justamente numa regio de risco, pois temos o sistema de travamento do banco. No existe nenhuma informao indicativa de que esta pessoa est correndo srios riscos em apoiar sua mo no assoalho, pois em caso queda do conjunto certamente cair sobre sua mo e como no caso avaliado, este sistema de travamento decepou o dedo deste proprietrio.

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11. Anlise da etiqueta do encosto do banco traseiro

Acima podemos observar a seqncia de operaes apresentada numa etiqueta colocada na parte traseira do encosto do banco traseiro. Destacamos pelas setas brancas duas figuras que deixam evidentes que a operao est sendo efetuada pelo porta-malas do ve