Modelo - monografia

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    09-Jul-2015

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<p>INSTITUTO DE PESQUISA ECONMICA APLICADA- IPEA CAIXA ECONMICA FEDERAL PRMIO IPEA - CAIXA 2005 ORGANIZAO ESCOLA DE ADMINISTRAO FAZENDRIA ESAF TEMA 2: Emprego e Informalidade. TTULODAMONOGRAFIA:POLTICASDEREDUODA INFORMALIDADENOBRASIL:UMAANLISEDOSISTEMA TRIBUTRIO E DO MERCADO DE CRDITO. Palavras-chave: Informalidade; Modelo de Equilbrio Geral Computvel; Tributao; Taxa de Juros; Acesso ao Crdito. JEL: C68, E51, H20, J21. SETEMBRO/2005 2 SUMRIO RESUMO........................................................................................................................................3 ABSTRACT...................................................................................................................................4 1. INTRODUO..........................................................................................................................5 2. ECONOMIA INFORMAL.........................................................................................................8 2.1 DEFINIES DEINFORMALIDADE .....................................................................................................8 2.2 RAZES PARA A EXISTNCIA DA INFORMALIDADE............................................................................. 10 2.3 COMO MEDIR A INFORMALIDADE.................................................................................................... 11 2.4 EFEITOS DO SETORINFORMAL SOBRE OFORMAL............................................................................. 11 2.5 INFORMALIDADE NO BRASIL .......................................................................................................... 12 3. MODELO................................................................................................................................ 15 3.1 FAMLIAS................................................................................................................................... 16 3.2 FIRMAS..................................................................................................................................... 18 3.3 GOVERNO ................................ ................................ ................................ ................................ . 22 3.4. DESCRIO DO EQUILBRIO ................................ ................................ ................................ ......... 22 3.5. SOLUO DO MODELO................................................................................................................ 24 4. CALIBRAGEM....................................................................................................................... 26 4.1CONTAS NACIONAIS................................ ................................ ................................ ................. 26 4.2SALRIO ................................................................................................................................ 26 4.3PARTICIPAO DOCAPITAL E DOTRABALHO NA RENDA ................................ ................................ . 27 4.4TAXA DEJUROS, SPREADE OFERTA DE CRDITO....................................................................... 27 4.5MULTAS POR INFRAES FISCAIS .............................................................................................. 28 4.6PARMETRO PARA OCUSTO DA INFORMALIDADE PARA AS EMPRESAS INFORMAIS .............................. 28 4.7VARIVEISINFORMAIS .............................................................................................................. 29 4.8VARIVEIS FORMAIS ETRIBUTAO............................................................................................ 29 4.9HORAS DETRABALHO EESTOQUE DE CAPITAL TOTAL................................................................... 33 4.10PERCENTUAL DOCAPITAL TOTAL USADO PARA O FORNECIMENTO DECRDITO................................ 33 4.11PRODUTIVIDADE DAS EMPRESAS FORMAIS ................................ ................................ ................. 33 4.12LUCROS DAS FIRMAS.............................................................................................................. 34 4.13TAXA DEDESCONTOINTERTEMPORAL, PESO DO CONSUMONA FUNO UTILIDADE EDEPRECIAO. . 34 4.14TRANSFERNCIAS E DESPESAS GOVERNAMENTAIS...................................................................... 35 5. PROPOSTAS......................................................................................................................... 35 6. DISCUSSO DOS RESULTADOS.................................................................................... 38 6.1PRODUTO............................................................................................................................... 38 6.2EMPREGO .............................................................................................................................. 43 6.3ARRECADAO ....................................................................................................................... 47 6.4CONSOLIDAO DOSRESULTADOS............................................................................................. 49 7. CONCLUSES...................................................................................................................... 50 8. BIBLIOGRAFIA..................................................................................................................... 52 APNDICE -DISTRIBUIO DA CARGA FISCAL EM 2002......................................... 58 3 RESUMO A reduo da informalidade constitui tema significativo para as polticas social e econmica que visem ao desenvolvimento e superao das desigualdades no Brasil. Assim,estimaroimpactoqueaadoodecertaspolticastemsobreomercado informaltorna-sedeextremaimportncia.Amaioriadosestudosquetratamdotema, no entanto,consistememanlisesdeequilbrioparcial,quelevamemconsiderao algunspoucosmecanismosdetransmissodosefeitosdessaspolticas.Ha necessidade, portanto, de uma anlise mais ampla, que considere os impactos diretos e indiretosdestas.Nestecontexto,optou-sepelautilizaodeummodelodeequilbrio geralcomputvel(MEGC)dinmicoque,aorepresentarocomportamentodediversos agentes,permitequesejamanalisadastodasasimplicaesdapolticaadotadaea suaevoluotemporal.Osresultadosmostraramque:seoobjetivodedeterminada polticaeconmicareduzirainformalidade,medidascomoreduesdealquotas tributrias e diminuio do custo do crdito tm impactos significativos, sem, entretanto, reduziraarrecadao.Istoporquetaismedidasrepresentamumaumentonouniverso decontribuintesquecontrabalanamaeventualreduodasalquotasnominais.Uma reduo de 10% nas alquotas tributrias efetivas sobre o consumo, a renda do trabalho ou a renda do capital ou, ento, a diminuio no mesmo percentual do custo do crdito jseriacapazdediminuirotamanhodosetorinformalemmaisde13%eoemprego informalemmaisde15%,trazendoograudeinformalidadebrasileiroparavalores prximos ao da Itlia e da Grcia, por exemplo.Palavras-chave:Informalidade;ModelodeEquilbrioGeralComputvel;Tributao; Taxa de Juros; Acesso ao Crdito. 4 ABSTRACT The combat to the unofficial economy constitutes significant subject for the social andeconomicpoliticsthattheyaimattotheovercomingoftheinequalitiesand development in Brazil. Thus, estimate the impact that the adoption of certain politics has onthelevelsoftheinformaleconomybecomesofextremeimportance.Themajorityof thestudiesthatdealwiththesubject,however,consistsofanalysesofpartial equilibrium,thattakeinconsiderationsomefewmechanismsoftransmissionofthe effectofthesepolicies.Itsnecessary,therefore,anampleranalysisthanitconsiders the direct and indirect impacts of these. In this context, it was opted to use a computable generalequilibriummodel(CGEM)that,whenrepresentingthebehaviorofdiverse agents,allowsisanalyzedalltheimplicationsoftheadoptedpolitics.Theresultshad shown that, if the objective of determined social policy is to reduce the unofficial sector, reductionatthetaxratesandonthecostofthecredithavesignificantimpactswithout reducing public sector revenues. This happens because of the increase in the numberof taxpayersthatbalancethereductionsinthetaxrates.Atenpercentlowertaxratesat some of the taxation bases (consumption, labor income or capital income) or a reduction ofthesamesizeatthecostofcreditwillbeabletodecreasethesizeofthe informal economy in more than 13% and of the unofficial employment in more than 15%. This will bringthesizeoftheBrazilianinformalsectortolevelsclosetoItalyandGreecefor example. Keywords:ComputableGeneralEquilibriumModel;Poverty;IncomeInequality; Negative Income Tax; Elimination of Consuption Taxes. JEL: C68, E51, H20, J21. 5 1. Introduo Aeconomiainformalestpresenteemtodoomundoe,segundoSchneider (2000),sofortesasevidnciasdequeelaestejacrescendo.Muitospases preferem tentarcontrolarestasatividadespormecanismosvariadosdepunio,aoinvsde reformas tributrias ou previdencirias, que poderiam melhorar inclusive a dinmica da economia oficial. No Brasil, o setor informal responde por algo entre 30-40% do PIB1, sendo que nomercadodetrabalhoqueainformalidadeassumecaractersticasmaisdramticas. SegundoRamos(2004),nadamenosdoque52,6%dosempregossoinformais.A existnciadeumsetorinformaldessamagnitudetemimpactossignificativossobre diferentesaspectosdaeconomia.Peloladofiscal,umelevadograudeinformalidade significaumelevadograudesonegaoeperdadebasetributria.Almdisso,a informalidade tambm pode ter efeitos prejudiciais sobre a produo, afetando o nvel e aqualidadedosempregosgeradose,conseqentemente,aprodutividadeeo crescimento da economia. Diantedeumquadrotopreocupante,umaquestorelevanteparaapoltica econmicasaberoquedeterminaessabaixataxadeformalizaoequemedidas adotarparaelev-la.SegundoFernandesetalli(2004),umdosargumentosmais recorrentesparaexplicaressefatoestrelacionadoestruturatributriadopas.A cargatributria,comoproporodoPIB,aumentouconsideravelmentenadcadade 1990,passandode25,2%em1991para34,88%em2003,sendoconsiderada demasiadamenteelevadaparaonveldedesenvolvimentoeconmicodopas.No 1 Schneider (2002), Loayza (1997), Carneiro (1997) e Sheperd e Holden (1993), por exemplo. 6 apenasonveldacargatributriaconsideradoimportante,mastambmsua composio, que afeta as oportunidades de ocupao do emprego e da produo. Alm daquestodostributos,umsegundopontoconcentraasatenesdodebate:o elevadocustodocrditonoBrasil.bastanteconhecidoofatodequeopaspossui jurosreaiselevadosparaospadresmundiaishmaisdeumadcadaequeo spreadcobradopelosbancosparaemprstimossotambmextremamentealtos.A combinaodestesdoisfatores(juroseimpostoselevados)reduzaspotencialidades da economia formal. Taisidias,entretanto,aindacarecemdeumaanlisemaissistemticae quantitativa. Avaliar os impactos de mudanas na estrutura tributria ou no mercado de crditosobreosetorformaldaeconomia,noentanto,noumexercciosimples. Existem grandes dificuldades, como as apontadas por Fernandesetalli (2004), para a utilizaodeabordagensempricasoueconomtricas.Segundotaisautores,a abordagemempricanorecomendada,poisficariarestritasmudanaspassadas, quepodemnoservirparaanalisaraspropostasatuais.Poroutrolado,ousoda econometria tem suas prprias restries, como a falta de sries suficientemente longas paraautilizaodemodelosdesriestemporaiseproblemasdeidentificaoe endogeneidadeparaocasodemodeloslongitudinais,queacabamporrestringir tambmousodedadosempainel.Almdisso,mudanastributriasnosoto freqentes e, quando ocorrem, tendem a afetar toda a economia no mesmo instante do tempo, acarretando dificuldades de identificao dos parmetros relevantes do modelo. Diante dessas restries, uma alternativa importante (e vivel) implementar um modelo de equilbrio geral computvel. Por meio desta abordagem, na impossibilidade deseavaliaremquantitativamentemudanastributriasqueaindanoocorreram, 7 simulam-setaisalteraesemumaeconomiaartificial,garantindoquetaleconomia possua certas caractersticas, consideradas desejveis, da economia real. Oobjetivodestamonografiajustamenteestimaroimpactoqueaadoode certaspolticastributriasoucreditciastemsobreonveldeinformalidadenoBrasil, por meio de uma abordagem de equilbrio geral em que se incorpora uma vasta gama deefeitosdiretoseindiretos.Esseprocedimentotorna-sepossvelnamedidaemque sefazusodeummodelodeequilbriogeralcomputveldinmico(MEGCD)que,ao representarocomportamentodediversosagentes(famlias,firmasformaiseinformais e o governo), permite que sejam simuladas as respostas das variveis relacionadas aoemprego,produtoearrecadaotributriaamodificaesnapolticatributriaeno mercado de crdito. Osresultadosmostramqueaspropostasdereduodacargatributriaedo custodocrditoindicamocaminhocorretocomoformadecombateinformalidade. Emtodasassimulaesqueenvolveramouareduodacargatributriasobreo consumo, a renda do trabalho e a renda do capital, ou diminuio do spread bancrio, astrajetriasdoprodutoeempregoformalapresentaramexpressivocrescimento,com grande reduo do grau de informalidade na economia. Mais surpreendente ainda foi a resposta da arrecadao tributria, que cresceu mesmo com a reduo de alquotas. Apesar de tratar das principais questes presentes no debate sobre informalidade noBrasil,algunsaspectosnoforamconsiderados.Porexemplo,oscustos administrativosreferentesaocumprimentodalegislaotributrianoforamincludos e,portanto,eventuaisganhosdeeficinciaeformalizaodecorrentesdeuma simplificao no sistema tributrio no foram avaliados. O mesmo argumentovalepara alegislaotrabalhistaqueimpemumasriedeobrigaesacessriassempresas 8 formais.Emfunodesuanaturezaagregada,omodelonoutilizatrabalhadores heterogneos, no sendo possvel verificar os efeitos das modificaes propostas sobre grupos de trabalhadores com caractersticas comuns (sexo, idade, instruo, etc.). Assim,apresentemonografiaestorganizadaemsetepartes,almdesta introduo. A seo dois apresenta uma brevssima reviso das principais definies e aspectosexistentesnaliteraturasobreinformalidade.Naterceiraequartaparte, apresentadoomodelodeequilbriogeraldinmicoparaaeconomiabrasileira,com calibragemeespecificaodecadaumdosseuscomponentes.Naquintaseoso apresentadas as seispropostasdemodificaonaestruturatributriaenapolticade crdito,comoformasdereduzirainformalidade.Nasextaseosodiscutidosos resultados dessas propostas sobre os nveis do produto e emprego, formal e informal, e sobre a arrecadao tributria. A ltima parte apresenta as concluses gerais do estudo e as perspectivas para o futuro. 2. Economia Informal 2.1 Definies de Informalidade Trabalhosqueprocuramanalisarocomportamentodosetorinformaldeparam-se, inicialmente, com a dificuldade em defini-lo. Como apontado por Cacciamali (1991), do ponto de vista terico esta denominao abarca dois conceitos diferentes. De acordo comaautora,oprimeirorefere-seaoconjuntodeatividadeseconmicasnoqualos fatorestrabalhoecapitalseimiscuemdentrodeumdeterminadoprocessoprodutivo geralmente desenvolvido por pequenas unidades de baixa produtividade, sem que seja 9 possvelsepar-losefetivamente2.Asegundainterpretaoserviriaparadenotaras atividadeseconmicasdesenvolvidasforadaesferaregulatria(tributria,trabalhista, etc.)doEstado.justamenteestasegundainterpreta...</p>