NO REVELAR DA INFÂNCIA,DO LIVRO DA VIDA AO ?· fraquezas humanas, oportunizando a participação do…

  • Published on
    03-Dec-2018

  • View
    213

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

  • NO REVELAR DA INFNCIA,DO LIVRO DA VIDA AO JORNAL MAGALI KRAMER DOS SANTOS (CENTRO DE EDUCAO INFANTIL EMLIA PISKE).

    Revelar, desvelar, um jeito uma maneira de observar, apurar o olhar, registrar momentos, vida. Se o foco a criana, no significa romantizar, mas lembrar sempre do foco, para conseguirmos visualizar essa criana, nos apropriamos de instrumentos que registrem esse olhar e suas aes no tempo e no espao da infncia. Nossa inquietao em refletir sobre a prtica, voltando no passado para planejar o presente, nos fez documentar nossas aes dirias no livro da vida. Quando tomamos coragem, no nos contentamos em mostrar a nossa prtica, a nossa histria s para as famlias do Centro de Educao Infantil.Queremos contaminar, atingir, encantar a comunidade inteira com os nossos registros fotogrficos que ainda o autor principal para as famlias. Ele comparado com uma ilustrao de um livro literrio, ao olhar os rostos dos pais vendo a foto do filho em determinada situao (ligada ao projeto de turma), d energia para transformar a nossa escrita to ou quase melhor que a imagem. A aventura continua, fazer um jornal! Desejos no brilhar do olho, daqueles apaixonados por um jeito diferente de olhar para a criana, ou mais, das pessoas que no conhecem o trabalho do Centro de Educao Infantil, mostrar os nossos avanos, as nossas dvidas, os medos, os sonhos, divulgar os projetos. Dar indicaes de obras literrias de qualidade, msicas de qualidade, deixar clara a nossa concepo de infncia e de educao. Um jornal que tenha impresso os nossos sentimentos, que o leitor consiga situarse e entender a caminhada.

    Resumo

    Infancia, Livro da vida, Jornal. Palavras-chave:

    NO REVELAR DA INFNCIA, DO LIVRO DA VIDA AO JORNAL

    Um olhar, vrios olhares, para todos verem e se tornar histria, preciso revelar para o mundo. Pensando nesta criana real, o que estamos fazendo? Qual o nosso objetivo? Quando olhamos para cada criana o que vemos? O que infncia? O que ser criana? Que infncia que estamos vivendo? Respondendo cada uma destas perguntas conclumos que uma criana precisa de ateno, ser ouvida ser pensando o espao para ela e com ela, que o adulto seja capaz de entender e sensibilizar-se com os problemas que elas trazem e fazem. Chegar sem sol e sair sem sol muito tempo para uma criana ficar em um nico espao sem as suas coisas, sem os seus segredinhos, sem os familiares, sem sentir os cheiros da sua casa.

    Neste mundo capitalista onde pai e me sofrem para conseguir trazer o mnimo para o sustento da famlia, cada vez mais veremos crianas institucionalizadas, o que fazer? Ser mini escolas, ou lugares onde elas sero apenas olhadas (cuidadas), temos que achar um meio termo para isto, o cuidar e o educar parece que d conta, mas na prtica o que isso? Quantas dvidas, qual o nosso objetivo enquanto espao de Educao Infantil?

    Com o olhar voltado para a criana, qual o sentimento de estar neste espao de Educao Infantil? O que elas ampliam de descobertas nestes locais? Quanto tempo elas esperam? Quanto tempo elas atuam? O que elas experimentam? O que vem e o que escutam? O que tem de igual e de diferente da casa delas? Como a

  • afetividade? O movimento? Como a rotina? Onde esto as suas linguagens? Onde registrada a sua experincia?

    Revelar, desvelar, um jeito uma maneira de observar, apurar o olhar, registrar momentos, movimentos, vida. Se o foco a criana, no significa romantizar, mas lembrar sempre do foco, para conseguirmos visualizar esta criana, nos apropriamos de instrumentos que registrem este olhar e suas aes no tempo e no espao da infncia.

    Nossa inquietao em refletir sobre a prtica, voltando no passado para planejar o presente, nos fez documentar nossas aes dirias no livro da vida, segundo o autor ( Sampaio, 1989):

    [...] o "Livro da Vida". Nele ficavam gravados os momentos mais vivos e as anotaes podiam ser feitas por quem o quisesse, inclusive por Freinet. As crianas ilustravam-no com desenhos, colavam folhas impressas, coloriam... Era uma festa! Tambm discutiam sobre o que era mais importante escrever e, assim, seguiam colecionando pginas de vida.[...] e ele constitui um documento vivo que pode e deve ser lido por todos os que esto diretamente ligados s crianas: pais, amigos, colegas e visitas (p 23-24).

    Visualizando diferentes possibilidades de vivncias, acreditamos que as crianas sejam mais felizes, ampliando o seu repertrio cultural, que se lembrem dos seus momentos no Centro de Educao Infantil, com saudade e no com alvio. Vivendo a infncia intensamente, montando, colando, desenhando, subindo, descendo, se sujando, conhecendo histrias, dramatizando, cantando, rindo, tendo contato com a natureza, ampliando seus conhecimentos a respeito do mundo... .

    Segundo o autor (Buitoni, 2006):

    Um espao no qual o corpo vivido, nas delicadezas, nas durezas, nas asperezas, nas sutilezas dos toques, dos sons, dos cheiros, dos olhares, dos gostos. Cinco sentidos, sete sentidos, quantos mais houver, para viver e sentir: terra, plantas, comida, bichos, gente grande gente pequena, gua e fogo. Msica. Tambores e cantos (p. 40 e 41).

    Que as experincias vividas sejam ampliadas para fora dos muros deste espao, onde as famlias participem, se integrem e ns pedagogos consigamos mostrar a nossa prtica no dia-a-dia no apenas em datas ditas como especiais para sociedade. A nossa escuta vai e volta, pois escrevemos e refletimos diariamente com os problemas estruturais do espao, com os medos, os choros, as birras, com a falta de vaga.

    "Documentar um projeto significa acompanhar e registrar as vrias fases de um processo, de modo que a experincia possa ser compartilhada." (Rabitti, 1999, p.161).

    Compartilhar, palavra forte que d medo, nos apresenta para o mundo, oportunidade de conhecimento da caminhada, expondo as concepes, as

  • fraquezas humanas, oportunizando a participao do outro na construo desta histria.

    Segundo o autor (Gandini, 2000):

    A documentao constitui uma ferramenta indispensvel para que os educadores possam construir experincias positivas para as crianas, facilitando o crescimento profissional e a comunicao entre adultos. A documentao serve para confirmar algo que ns consideramos relevante: da prova disso e comunic-lo. Na educao infantil quando documentamos algo, estamos deliberadamente optando por observar e registrar os acontecimentos em nosso ambiente a fim de pensar e comunicar as surpreendentes descobertas do cotidiano das crianas e os extraordinrios acontecimentos que ocorrem nos lugares em que elas so educadas. [...] vista como uma observao aguada e uma escuta atenta, registrada atravs de uma variedade de formas pelos educadores que esto contribuindo conscientemente com sua perspectiva pessoal (p. 150-151).

    Quando pensamos em dar visibilidade para a prtica, nos percebemos olhando para o passado, passado este, recente, h poucos minutos atrs, como congelar aquele momento para repens-lo a diante? Pois a cada minuto que passa, estamos diferentes, como saber se esta diferena nos faz melhores educadores, no sabemos, somente quando nos damos o direito de reviver aquele momento. Muitos ensaios foram feitos para nos possibilitar este olhar, escritas rpidas em tpicos, fotos. Quando percebemos que as fotos ficavam em gavetas, as escritas em cadernos pessoais e a observao da criana em itens restritos na entrega aos pais, em um espao de tempo pr-determinado, neste momento as indagaes: pra quem eu registro? Por que eu registro?O que eu registro?Fragmentos de escritas e histrias. Quando levamos o grupo para a aventura do registro enquanto livro da vida, a surpresa! Todos decidiram se aventurar se dar o direito de se mostrar atravs da suas observaes, escrever para o outro ler, difcil, nos desnuda.

    Descobrir-se autor, Luciana Ostteto, nas suas escritas fala, da importncia da autoria, ver o grupo fazendo histria, fazer histria junto, sabendo das dificuldades humanas nas escritas, no jogo das palavras, ser desbravador dos seus medos e repensar os seus atos, deu maturidade para o grupo. Maturidade esta, que a cada ano, amplia este registro. Comeou como registro dirio das observaes das crianas nos projetos de turma, os anos passando e mais riquezas aparecendo nestes registros, hoje ele contempla os planejamentos semanais, as observaes dirias das crianas com os projetos de turma, as observaes individualizadas das crianas, em cada momento deste, existe um registro fotogrfico que ajuda no entendimento da escrita, neste livro tem tambm o registro semanal das famlias, (sendo que toda sexta-feira uma criana leva o livro para casa).

    Registro do Livro da Vida de Agosto de 2005, onde a criana J relata: "Este livro Travadinhas igual ao lugar que a gente foi, igual a isso Dia", (apontando para o cartaz que registrava a imagem e relato do teatro de trava lnguas, que fomos no Teatro Carlos Gomes)

    O que acontece conosco quando lemos as pginas anteriores, percebemos as diversas maneiras que podemos realizar a mesma ao, como modificar a prtica, como ampliar o que foi planejado, as atitudes, os entendimentos, as relaes, o que foi significativo para a criana , o que ampliou de conhecimento, as falas da famlia.

  • [...] "Ficamos felizes quando vocs relatam o que o Vini faz no CEI, e os apelidos carinhosos que se referem a ele" [...] (registro da famlia de 2006 - turma de crianas de 0 a 2 anos).

    Quando tomamos coragem, no nos contentamos em mostrar a nossa prtica, a nossa histria s para as famlias do Centro de Educao Infantil, queremos contaminar, atingir, encantar a comunidade inteira com os nossos registros, que deixam de ser acanhados para serem exibidos. O registro fotogrfico ainda o ator principal para as famlias, ele comparado com uma ilustrao de um livro literrio, ao olhar os rostos dos pais vendo a foto do filho em determinada situao (ligada ao projeto da turma), d energia para transformar a nossa escrita to ou quase melhor que a imagem.

    Segundo o autor (Sampaio, 1989):

    [...] aqueles acontecimentos to vivos, que eram gravados profundamente na alma das crianas, acabavam ali, fechados num armrio. Freinet no se conformava com isso. Para ele, deveria existir alguma forma de modificar a situao, fazer reviver aquele instante de emoo. A idia veio bruscamente: por que no imprimir aqueles textos para que pudessem ser passados de mo em mo, lidos e relidos por outras pessoas?[...] Surge a idia do jornal escolar (p.21).

    A aventura continua; fazer um jornal! Desejos no brilhar do olho, daqueles apaixonados por um jeito diferente de olhar para a criana, ou mais, das pessoas que no conhecem o trabalho de um Centro de Educao infantil, mostrar os nossos avanos, as nossas dvidas, os medos, os sonhos, divulgar os projetos de turma onde o foco a criana sendo eles, os autores e co-autores destes projetos. Dar indicaes de obras literrias de qualidade, msicas de qualidade, deixar clara a nossa concepo de infncia e de educao.

    Um jornal que tenha impresso os nossos sentimentos, que o leitor consiga situar-se e entender a caminhada. Caminhada esta que teve muitas pedras e muita energia para escalar.

    Dificuldades na edio, programa especfico para este fim, conseguimos um parceiro que (tem um entendimento especfico em informtica) o mesmo, percebendo toda a nossa ansiedade sonhou junto, e ajudou no nascimento deste jornal.

    Festa de lanamento, na noite cultural, onde os projetos por turma so apresentados, muita euforia, os sentimentos se misturam, registramos vida, mostramos as crianas, nos mostramos enquanto corajosos e dispostos a ouvir e desvelar a nossa prtica.

    Percebendo os Educadores, observando a reao da comunidade, na leitura do jornal que recebiam, o semblante era de expectativa, de ansiedade dos autores da histria do Centro de Educao Infantil Emlia Piske.

  • REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

    BUITONI, Dulcilia Schroeder. De volta ao quintal mgico

    GANDINI, Lella e Carolyn Edwards.

    : a educao infantil na Te-Arte. So Paulo: Agora, 2006.

    Bambini

    SAMPAIO, Rosa Maria Whitaker Ferreira

    : Abordagem Italiana Educao Infantil. Porto Alegre: Artmed, 2002.

    . Freinet Evoluo Histrica e Atualidades.

    OSTTETO, Luciana E. et al.

    So Paulo: Scipione, 1989.

    Deixando Marcas

    RABITTI, Giordana.

    ... A prtica do registro no cotidiano da educao infantil. Florianpolis: Cidade Futura, 2001.

    A procura da dimenso perdida

    : uma escola de infncia de Reggio Emilia. Porto Alegre: Artemed, 1999.

Recommended

View more >