PÊNFIGO FOLIÁCEO EM CÃO: RELATO E ESTUDO DE CASO .Gabriela Silva Cesca Pênfigo foliáceo em cão:

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  • CENTRO UNIVERSITRIO CESMAC

    GABRIELA SILVA CESCA

    PNFIGO FOLICEO EM CO:

    RELATO E ESTUDO DE CASO

    Curitiba/PR

    2016

  • Gabriela Silva Cesca

    Pnfigo foliceo em co:

    Relato e estudo de caso

    Curitiba/PR

    2016

    Monografia apresentada como requisito para

    concluso da Ps-Graduao em Clnica Mdica

    e Cirrgica de Pequenos Animais, do Centro

    Universitrio CESMAC, sob a orientao do Prof.

    M.Sc. Dheywid Karlos Mattos Silva.

  • Gabriela Silva Cesca

    Pnfigo foliceo em co:

    Relato e estudo de caso

    Curitiba, PR 20 de janeiro de 2016

    Orientador

    Curitiba, PR

    2016

    Monografia apresentada como requisito para

    concluso da Ps-Graduao em Clnica Mdica

    e Cirrgica de Pequenos Animais, do Centro

    Universitrio CESMAC, sob a orientao do Prof.

    M.Sc. Dheywid Karlos Mattos Silva.

  • RESUMO

    O pnfigo foliceo a doena autoimune mais comum em ces dentro do complexo

    pnfigo. O tratamento de escolha para as doenas autoimunes uso de glicocorticoides

    associado ou no a azatioprina, dependendo da gravidade e da evoluo dos sinais clnicos,

    sendo prescritos tambm antibiticos sistmicos e tratamentos tpicos sempre que

    necessrios. Em decorrncia da alta taxa de efeitos adversos com o uso de imunossupressores,

    muitos ces evoluem mal clinicamente com o aparecimento de sinais sistmicos graves,

    necessitando de outras terapias de suporte, internamento, e muitas vezes essas alteraes

    diminuem significantemente a qualidade de vida dos ces ou levam seus responsveis a

    optarem pela eutansia. de grande importncia que no momento do diagnstico seja

    esclarecido aos proprietrios que a doena depende da participao dos responsveis para que

    se tenha um sucesso no tratamento, tanto em relao administrao correta dos

    medicamentos quanto rotina de retornos e realizao de exames de acompanhamento. A

    paciente do relato foi diagnosticada com pnfigo foliceo atravs de exame histopatolgico e

    tratada com associao de glicocorticoide e azatioprina, respondeu bem inicialmente terapia,

    mas evoluiu mal decorrente dos efeitos colaterais das medicaes, evoluindo para bito.

    Palavras chaves: doena autoimune, glicocorticoide, azatioprina.

  • LISTA DE ABREVIATURAS

    ALT Alanina aminotransferase

    BID Bis in die (leia-se duas vezes ao dia)

    DNA cido desoxirribonucleico

    IV Intravenoso

    Kg Quilogramas

    L Litros

    Mg Miligramas

    Mm Milmetros

    Mmol Milimolar

    RNA cido ribonucleico

    SID Semel in die (leia-se uma vez ao dia)

    TID Ter in die (leia-se trs vezes ao dia)

    UI Unidades internacionais

    VO Via oral

    C Graus Celsius

    % Porcentagem

    > Acima de

  • SUMRIO

    1 INTRODUO 5

    2 REVISO DE LITERAURA 6

    2.1 Epiderme 6

    2.1.1 Camada basal 6

    2.1.2 Camada espinhosa 7

    2.1.3 Camada granular 7

    2.1.4 Extrato crneo 7

    2.2 Terapia com Corticides 7

    2.2.1 Classificao 8

    2.2.2 Mecanismo de ao 8

    2.2.3 Importncia do fgado na terapia com glicocorticoides 9

    2.2.4 Efeitos imunossupressores 9

    2.2.5 O uso de glicocorticoides na terapia de doenas autoimunes 9

    2.2.6 Efeitos colaterais 10

    2.3 Terapia com azatioprina 10

    2.4 Pnfigo Foliceo 10

    2.4.1 Etiopatogenia 10

    2.4.2 Sinais clnicos 11

    2.4.3 Diagnstico 12

    2.4.4 Tratamento 13

    3 RELATO DE CASO 15

    4 DISCUSSO 17

  • 5 CONCLUSO 20

    REFERENCIAS 21

  • 5

    INTRODUO

    O pnfigo foliceo a doena autoimune do complexo pnfigo mais comum em

    medicina veterinria (CRAIG, 2013). O primeiro relato em ces desta enfermidade ocorreu

    em 1977 (GOMEZ et al, 2004). A doena caracterizada por leses em epiderme,

    principalmente acometendo os desmossomos, estruturas de adeso da pele (MILLER et al,

    2013). Este trabalho visa realizar uma reviso bibliogrfica sobre o pnfigo foliceo canino,

    enfatizando as caractersticas clnicas, o tratamento e o prognstico. Alm disso, realizado

    um relato de caso de um co diagnosticado com pnfigo, seguido de uma discusso sobre as

    dificuldades encontradas no tratamento deste paciente.

  • 6

    2 REVISO DE LITERATURA

    2.1 Epiderme

    A pele o maior rgo conhecido em mamferos e possui vrias funes como formar

    uma barreira protetora, manter forma, auxlio no movimento, produo glandular anexa,

    termorregulao, estoque (eletrlitos, gua, vitaminas, gordura, carboidratos, protenas e

    outros), percepo sensorial, proteo imunolgica, secreo, excreo e produo de

    vitamina D (MILLER et al, 2013).

    Este grande rgo dividido em 3 camadas: a epiderme, a derme e o subcutneo ou

    hipoderme. Ser realizada uma breve reviso sobre a estrutura da epiderme, j que esta a

    camada mais acometida no pnfigo foliceo.

    A epiderme a camada mais externa da pele e composta por vrias camadas de

    clulas, agrupadas segundo sua morfologia, forma, polaridade e estado de diferenciao dos

    queratincitos (MILLER et al, 2013).

    As camadas da epiderme so divididas, da regio mais interna para mais externa, em:

    camada basal, camada espinhosa, camada granular e estrato crneo. A epiderme, em ces e

    gatos, fina, possuindo entre 2 a 3 camadas de clulas nucleadas, sem contar o extrato

    crneo. A epiderme possui de 0,1 a 0,5 mm de espessura na maior parte da cobertura drmica,

    entretanto, existem regies mais espessas como os coxins e o plano nasal, que podem chegar a

    uma espessura de 1,5 mm (MILLER et al, 2013).

    Existem 4 tipos celulares predominantes na epiderme. Os ceratincitos, praticamente

    as clulas constituintes da epiderme, perfazendo 85% do total de clulas desta camada da

    pele; os melancitos, clulas pigmentares sintetizadoras de tirosina; clulas de Langerhans,

    grupo de clulas dendrticas com funo imunolgica local; e clulas de Merkel, localizadas

    na camada basal, possuem tenofilamentos de ceratina e desmossomos, sua principal funo

    sensorial (MILLER et al, 2013).

    2.1.1 Camada Basal

    a camada mais prxima da derme. Essa regio composta por uma nica linha de

    clulas em forma de coluna ou cubo. A maior parte dessas clulas so ceratinticos em

    constante proliferao, empurrando as clulas mais velhas no sentido externo, substituindo as

    clulas mortas da pele.

    As clulas so mantidas ligadas por filamentos de queratina K5 e K14 atravs de

    desmossomos, alm disso, hemidesmossomos mantm a unio entre a epiderme e a derme

    (MILLER et al, 2013).

    Os desmossomos so o principal componente de ligao na epiderme, composto por

    duas partes, uma delas na membrana de uma das clulas e a outra, na membrana da clula

    vizinha (MILLER et al, 2013). Os componentes dos desmossomos so estruturados em duas

    placas circulares de protenas, as placoglobinas e as desmoplaquinas, uma em cada clula.

    Das placas so emitidos filamentos de ligao constitudos por desmoglenas e desmocolinas,

    formando assim um complexo adesivo entre as clulas (BREIKREUTZ et al, 2009;

    SONNENBERG et al, 2007).

  • 7

    Os hemidesmossomos tem por funo manter a unio entre a derme e a epiderme. So

    complexos juncionais distribudos ao longo da face interna dos ceratincitos (PRIESTLEY,

    1993). A unio entre os ceratincitos da epiderme e as clulas da derme realizada por vrios

    componentes como as plaquenas, antgeno penfigide bolhoso tipo 1 e as plaquetinas. Alm

    dessas, fazem parte da estrutura molculas do grupo das integrinas (LEIGH et al, 1994).

    2.1.2 Camada Espinhosa

    a camada imediatamente acima da camada basal, composta pelas clulas filhas

    desta ltima camada (SCHWARZ et al, 1979). A camada espinhosa fina e composta,

    geralmente, por duas linhas de clulas na maior parte da epiderme, mas torna-se muito mais

    espessa em regies de coxins e plano nasal, podendo chegar at 20 linhas de clulas

    (MILLER et al, 2013).

    A adeso entre as clulas da camada espinhosa realizada por quatro componentes

    aderentes: os desmossomos, hemidesmossomos, junes adesivas e adeses focais (SUTTER

    et al, 1997).

    2.1.3 Camada Granular

    Essa camada tem presena variada na epiderme, normalmente contendo at duas linhas

    de clulas, mas pode chegar at 8 linhas de clulas em regies sem pelo ou no infundbulo

    piloso do pelo (PRIESTLEY, 1993).

    As clulas dessa camada so achatadas e basoflicas, possuem um ncleo em forma de

    estrela e vrios grnulos de ceratohialina basoflica no citoplasma (MILLER et al, 2013). Essa

    camada tem uma grande capacidade de filtrar os raios ultravioleta.

    2.1.4 Extrato Crneo

    A camada mais externa da epiderme o extrato crneo. Nesta camada existem clulas

    anucledas, achatadas e eosinoflicas denominadas cornecitos, essas so o ponto final da

    queratinizao, sendo constitudas por filamentos de ceratina, protena matriz e membrana

    plasmtica reforada com protena com lipdeos de superfcie associados (FREEDBERG et al,

    2003). A principal funo do extrato crneo protetora, formando uma barreira biolgica

    (MILLER et al, 2013)

    2.2 Terapia com corticides

    Os glicocorticides sintticos so tambm denominados anti-inflamatrios esteroidais,

    j mencionando um dos seus principais efeitos farmacolgicos, o controle do processo

    inflamatrio, local e sistmico. Alm desta utilizao, os glicocorticides so muito

    empregados no controle da atuao do sistema imunolgico, dado seu potencial