Religi£o, violncia e suas interfaces S£o Paulo Editora Paulinas

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    IRENE DIAS DE OLIVEIRA

    CLVIS ECCO

    (ORGANIZADORES)

    Religio, violncia e suas interfaces

    So Paulo

    Editora Paulinas 2012

    ISBN: 978.85.356.3268-2

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    Sumrio

    Qual a fronteira entre religio e violncia? Apresentao 3

    Clvis Ecco e Irene Dias de Oliveira

    Religio, etnicidade e violncia: relaes e legitimaes 7

    Irene Dias de Oliveira

    O medo do outro e o fundamentalismo religioso 17

    Paulo Srgio Soares

    Fundamentalismo religioso e violncia 31

    Clvis Ecco

    A violncia no discurso homiltico 42

    Antnio Lopes Ribeiro, Jos Alves Santos e Sandra Clia Coelho Gomes da Silva

    A alteridade em confronto: medo e dominao 58

    Azize Maria Yared de Medeiros

    Exlio e violncia: uma leitura a partir dos Quatro Cantos do Servo de YHWH 68

    Rosemary Francisca Neves Silva

    Alm do corpo machucado: uma anlise da Lei Maria da Penha 83

    Danielle Ventura Bandeira de Lima

    Idosos: preconceitos, violncia e espiritualidade 94

    Erika Pereira Machado

    Intolerncia religiosa e violncia simblica: uma anlise do caso Me Gilda 103

    Cilma Laurinda Freitas e Silva

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    Qual a fronteira entre religio e violncia?

    Apresentao

    Pode a religio ser a causa da violncia? So as pessoas violentas por natureza? Pode

    algum utilizar o nome de Deus para matar? Essas e outras questes foram abordadas

    durante um Colquio oferecido pelo Programa de Ps-Graduao Stricto Sensu em

    Cincias da Religio da Pontifcia Universidade Catlica de Gois no primeiro semestre de

    2011. O Colquio foi conduzido pela professora Irene Dias de Oliveira, que, junto com

    outros pesquisadores e pesquisadoras, debruou-se sobre o tema buscando entender se

    existe uma relao entre religio e violncia.

    Aqui o leitor e a leitora encontraro o resultado das pesquisas realizadas por jovens

    pesquisadores que refletiram sobre o tema. Cada um, a partir de suas diferentes reas de

    investigao, procurou debater, discutir e encontrar algumas respostas pergunta que se

    tornou o eixo central deste livro: existe uma fronteira entre religio e violncia? Se sim,

    como isso acontece?

    Acreditamos que o tema pertinente nos dias de hoje, uma vez que estamos inseridos

    em um contexto em que a intolerncia e a violncia fsica e simblica entre indivduos e

    grupos fazem-se cada vez mais perceptveis. Teria a religio mecanismos para legitimar

    essas atitudes? Estaria ela por trs do fundamentalismo, do fanatismo e das limpezas

    tnicas?

    A partir de uma anlise superficial, fcil afirmar que o aumento da violncia estaria

    relacionado com a religio e que esta fomentaria a ideia de que outras religies, outros

    deuses, o diferente, no teriam o mesmo direito de coexistir e por isso devem ser

    segregados e/ou eliminados por meio de atitudes nem sempre pacficas. De outro lado, no

    podemos negar que a violncia permeia a histria da humanidade desde tempos longnquos,

    apresenta-se multifacetada e com diferentes matizes e muitas vezes as religies

    promoveram a violncia. Por isso necessrio entender como a violncia pode ser

    legitimada pela religio e, ao mesmo tempo, como o estudo do fenmeno religioso pode

    contribuir para melhor entender as relaes socioculturais e polticas nos dias atuais.

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    Os artigos aqui apresentados tm como objetivo contribuir para uma maior

    compreenso do lugar da religio na sociedade contempornea e globalizada, tanto pela sua

    importncia no desenvolvimento de lgicas de ao socioculturais, ticas, polticas e

    econmicas como pela diversidade de suas formas de expresso e configurao.

    Nesse contexto colocam-se trs questes fundamentais a serem debatidas ao longo da

    obra: Como as crenas e as prticas religiosas de um determinado grupo tnico poderiam

    construir e legitimar prticas violentas? Quais as relaes entre a religio, a violncia e a

    globalizao? E, sobretudo, h uma relao entre a religio e a violncia ou a violncia

    prpria da natureza humana? Para responder a essas questes, cada pesquisador se ocupou

    com uma das formas em que a relao entre religio e violncia pode ser vislumbrada na

    sociedade atual. Sendo assim, o presente livro compe-se dos captulos que apresentaremos

    a seguir.

    Irene Dias de Oliveira focaliza sua ateno na violncia tnica e as diferentes formas

    de legitimao. Entende a autora que a religio uma referncia de identidade, que ela

    governa a ordem do indivduo e mantm um conjunto de prticas e deveres que do

    significado e nomia existncia das pessoas em nossas sociedades. Ela busca responder

    questo: Como as crenas e as prticas religiosas de um determinado grupo tnico

    poderiam construir e legitimar prticas violentas?

    Paulo Srgio Soares analisa questes a respeito da relao fundamentalismo

    religioso-etnocentrismo-violncia baseando-se em diversos autores que tratam desses

    temas. O ponto de partida do autor a noo de medo do outro, reinante na sociedade atual.

    Ele analisa um caso ocorrido nos EUA em 2010, relacionado ao aniversrio dos ataques

    terroristas de 11 de setembro de 2001 naquele pas. Trata-se da campanha empreendida

    pelo pastor evanglico Terry Jones visando queimar em praa pblica centenas de

    exemplares do Alcoro por considerar que o Isl o Mal.

    Clvis Ecco analisa a respeito da relao entre as diferentes formas de

    fundamentalismo existentes. Para tal tarefa apresenta algumas funes sociais da religio e

    suas relaes com os diferentes fundamentalismos e em seguida destaca algumas situaes

    que evidenciam a presena do fundamentalismo nas relaes sociais e polticas. Por fim, o

    autor destaca a presena do fundamentalismo para alm do universo religioso, que, tecendo

    algumas aes preconceituosas, desencadeia a violncia, tanto fsica quanto simblica.

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    J os autores Antnio Lopes Ribeiro, Sandra Clia Coelho Gomes da Silva e Jos

    Alves Santos falam sobre a violncia no mbito da religio, espao em que pouco se fala a

    respeito da violncia simblica praticada no cotidiano. A investigao se ocupa com a

    prtica da violncia simblica no discurso homiltico, no mbito do Cristianismo, com

    enfoque maior no Catolicismo.

    Azize Maria Yared de Medeiros busca discutir o medo e a dominao relacionados

    com a alteridade. Para a autora, o multiculturalismo caracterstico das sociedades

    globalizadas e o permanente confronto com o novo em um mundo comandado pelo

    chamado livre-comrcio so apresentados como uma das possveis causas da violncia e do

    surgimento de fundamentalismos. A religio e o dilogo inter-religioso surgem como

    formas de assegurar o sentimento de pertencimento e segurana a grupos atemorizados

    diante da possibilidade de perder suas identidades, resultado de um nomadismo forado e

    espalhado por zonas urbanas estranhas s suas origens.

    Rosemary Francisca Neves Silva analisa alguns aspectos do cotidiano do povo que

    estava exilado na Babilnia e que, na convivncia e na lida diria, fez a experincia de

    afirmar sua identidade e sua f. Mesmo diante da idolatria babilnica e da violncia, foram

    capazes de, juntos, na solidariedade de um com o outro, confirmar sua cultura, suas

    crenas, valores e, acima de tudo, acreditar em um Deus nico.

    Danielle Ventura Bandeira de Lima busca compreender como a Lei 11.340/2006,

    mais conhecida como Lei Maria da Penha, ao permitir que as mulheres tenham respaldo

    legal para denunciar a violncia domstica, tem contribudo com a vida de mulheres que

    diariamente sofrem agresses de seus cnjuges, parentes, irmos ou pais. A autora faz uma

    abordagem dos estudos de gnero e a sua relao com a religio para compreender como

    as(os) estudiosas(os) vm construindo esses temas pautados numa anlise das relaes de

    poder.

    rica Pereira Machado debate sobre os preconceitos de que so vtimas as pessoas

    idosas e como a espiritualidade pode auxiliar no enfrentamento desses eventos estressantes,

    propiciando conforto e espao, que do sentido a suas existncias frgeis e vulnerveis.

    Cilma Laurinda Freitas e Silva procura entender como acontecem as demonstraes

    de intolerncia no campo religioso e como tais intolerncias levam demonizao das

    prticas e dos rituais dos cultos afro-brasileiros realizadas em um templo religioso. A autora

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    faz uma anlise sobre como atitudes intolerantes podem causar a morte, como foi o caso de

    uma representante do segmento religioso afro-brasileiro.

    O convite para adentrarmos nessa discusso est feito. Boa leitura!

    CLVIS ECCO

    IRENE DIAS DE OLIVEIRA

  • Religio, etnicidade e violncia:

    relaes e legitimaes

    Irene Dias de Oliveira*

    Introduo Assistimos em nossos dias a um