resumo av1 penal

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Resumo de direito penal

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    Concursos de Crimes

    1. Definio:

    Ocorre quando um ou mais agentes, por meio de uma ou mais aes ou omisses

    prtica dois ou mais delitos, sejam eles idnticos ou no.

    1.1. Conceito

    Concurso de crimes o instituto que se verifica quando o agente, mediante uma

    ou vrias condutas, pratica duas ou mais infraes penais. Pode haver, portanto, unidade ou

    pluralidade de condutas. Sempre sero cometidas, contudo, duas ou mais infraes penais.

    1.2. Espcies

    O concurso de crimes pode se manifestar sob trs formas: concurso material,

    concurso formal e crime continuado.

    1.3. Sistemas de Aplicao da Pena no Concurso de Crimes

    Destacam-se, no Brasil, trs sistemas de aplicao da pena no concurso de

    infraes penais: cmulo material, exasperao e absoro. Passemos anlise de cada um

    deles.

    1.3.1. Sistema do cmulo material (ou acumulao material)

    Aplica-se ao ru o somatrio das penas de cada uma das infraes penais pelas

    quais foi condenado. Esse sistema foi adotado em relao ao concurso material (art. 69), ao

    concurso formal imperfeito ou imprprio (art. 70, caput, 2 parte), e, pelo texto da lei, ao

    concurso das penas de multa (art. 72). O concurso material vale-se do sistema da cumulao

    material para a fixao da pena ao agente que, tendo praticado mais de uma ao ou omisso,

    cometeu dois ou mais crimes. Entretanto, o sistema que impe a acumulao (soma) de penas

    tambm est presente em outras hipteses, quando expressamente recomendada a sua

    utilizao pela lei.

    o que ocorre nos casos dos tipos penais prevendo a aplicao de determinada

    pena, alm de outra, advinda da violncia praticada em conjunto. Por exemplo, o disposto no

    art. 344 do CP (coao no curso do processo), estipulando a pena de 1 a 4 anos de recluso, e

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    multa, alm da pena correspondente violncia. O juiz utiliza a regra do concurso material

    (soma das penas), ainda que tenha havido uma nica ao.

    Coao no curso do processo

    Art. 344 Usar de violncia ou grave ameaa, com o fim de favorecer interesse

    prprio ou alheio, contra autoridade, parte, ou qualquer outra pessoa que funciona ou

    chamada a intervir em processo judicial, policial ou administrativo, ou em juzo arbitral:

    Pena recluso, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, alm da pena correspondente

    violncia.

    Outro exemplo pode ser encontrado nos delitos previstos no art. 161 (alterao de

    limites, usurpao de guas e esbulho possessrio invaso de bem imvel alheio), conforme

    prev o 2 (se o agente usa de violncia, incorre tambm na pena a esta cominada).

    Alterao de limites

    Art. 161. Suprimir ou deslocar tapume, marco ou qualquer outro sinal indicativo de linha

    divisria, para apropriar-se, no todo ou em parte, de coisa imvel alheia.

    Pena deteno, de 1 (um) a 6 (seis) meses, e multa.

    1. Na mesma pena incorre quem:

    Usurpao de gua

    I desvia ou represa, em proveito prprio ou de outrem, guas alheias;

    Esbulho possessrio

    II invade com violncia a pessoa ou grave ameaa, ou mediante concurso de mais de duas

    pessoas, terreno ou edifcio alheio, para o fim de esbulho possessrio.

    2. Se o agente usa de violncia, incorre tambm na pena a esta cominada.

    Assim, o concurso material ocorre quando o agente mediante mais de uma

    conduta (ao ou omisso) pratica dois ou mais crimes idnticos ou no. Exemplo: Fulano,

    armado com um revolver, atira em Cicrano e depois atira em Beltrano, ambos morrem. Neste

    exemplo, h duas condutas e dois resultados idnticos. Quando os resultados so idnticos,

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    utiliza-se o termo homogneo e quando os resultados so diversos utiliza-se o

    termo heterogneo. No concurso material, o agente deve ser punido pela soma das penas

    privativas de liberdade.

    Guilherme Nucci explica quanto ao critrio para a aplicao da pena torna-se

    imprescindvel que o juiz, para proceder soma das penas, individualize, antes cada uma. Ex.:

    trs tentativas de homicdio em concurso material. O magistrado deve, em primeiro lugar,

    aplicar a pena para cada uma delas e, no final, efetuar a adio

    Obs.: Importante observar que se houver a soma das penas antes da individualizao ocorrer

    inobservncia do princpio da individualizao da pena, e consequentemente a anulao da

    sentena.

    No caso da sentena cumular pena de recluso e deteno, aquela dever ser

    cumprida primeiramente. Em relao ao juiz competente para aplicar a regra do concurso

    material, Fernando Capez explica que se houver conexo entre os delitos com a respectiva

    unidade processual, a regra do concurso material aplicada pelo prprio juiz sentenciante.

    Em no havendo conexo entre os diversos delitos, que so objeto de diversas

    aes penais, a regra do concurso material aplicada pelo juzo da execuo, uma vez que,

    com o trnsito em julgado, todas as condenaes so reunidas na mesma execuo, momento

    em que as penas sero somadas (LEP, art. 66, III, a).

    Art. 66, LEP. Compete ao Juiz da execuo:

    [...]

    III - decidir sobre:

    [...]

    a) soma ou unificao de penas;

    [...]

    1.3.2. Sistema da exasperao

    Aplica-se somente a pena da infrao penal mais grave praticada pelo agente,

    aumentada de determinado percentual (1/6 at metade). o sistema acolhido em relao ao

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    concurso formal prprio ou perfeito (art. 70, caput, 1 parte) e ao crime continuado (art. 71). O

    sistema da exasperao da pena o critrio que permite, quando o agente pratica mais de um

    crime, a fixao de somente uma das penas, mas acrescida de uma cota-parte que sirva para

    representar a punio por todos eles. Trata-se de um sistema benfico ao acusado e adotado,

    no Brasil, nos arts. 70 (concurso formal) e 71 (crime continuado).

    1.3.3. Sistema da absoro

    (obs.: no adotamos este sistema expressamente aqui no Brasil, mas h casos em

    que a jurisprudncia, levando em conta o critrio da consuno (absoro) o autoriza).

    Aplica-se exclusivamente a pena da infrao penal mais grave, dentre as diversas

    praticadas pelo agente, sem qualquer aumento. Esse sistema foi consagrado pela

    jurisprudncia em relao aos crimes falimentares praticados pelo falido, sob a gide do

    Decreto-lei 7.661/1945, em virtude do princpio da unidade dos crimes falimentares. Isso,

    porm, no impedia o concurso material ou formal entre um crime falimentar e outro delito

    comum. Com a entrada em vigor da Lei 11.101/2005 (nova Lei de Falncia), a situao deve

    ser mantida, mas ainda no h jurisprudncia consolidada sobre o assunto. O sistema da

    absoro leva em considerao que, no caso de concurso de crimes, possa haver a fixao da

    pena com base apenas na mais grave, restando absorvidas as demais.

    No adotamos esse sistema expressamente, mas h casos em que a jurisprudncia,

    levando em conta o critrio da consuno (absoro), no conflito aparente de normas, termina

    por determinar que o crime mais grave, normalmente o crime-fim, absorve o menos grave, o

    denominado crime-meio, por exemplo, art. 12 do CP. Evita-se, com isso, a soma de penas.

    Art. 12. A regra geral deste Cdigo aplica-se aos fatos incriminados por lei

    especial, se esta no dispuser de modo diverso.

    Critrio da absoro (consuno): quando o fato previsto por uma lei est previsto

    em outra de maior amplitude, aplica-se somente esta ltima. Em outras palavras, quando a

    infrao prevista na primeira norma constituir simples fase de realizao da segunda infrao,

    prevista em dispositivo diverso, deve-se aplicar apenas a ltima. Trata-se da hiptese do

    crime-meio e do crime-fim.

    Ocorre a consuno quando determinado tipo penal absorve o desvalor de outro,

    excluindo-se este da sua funo punitiva. A consuno provoca o esvaziamento de uma das

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    normas, que desaparece subsumida pela outra. o que se d, por exemplo, no tocante

    violao de domiclio com a finalidade de praticar furto a uma residncia. A violao mera

    fase de execuo do delito patrimonial. O crime de homicdio, por sua vez, absorve o porte

    ilegal de arma, pois essa infrao penal constitui-se simples meio para a eliminao da vtima.

    O estelionato absorve o falso, fase de execuo do primeiro (nesse caso, o disposto na Smula

    17 do Superior Tribunal de Justia: Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais

    potencialidade lesiva, por este absorvida).

    Sob outro ponto de vista: TRF4: luz do princpio da consuno, quando um

    delito apresentar-se como meio para