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Segurança e Saúde no Trabalho Clausulado Negociação Coletiva Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho

Segurança e Saúde no Trabalho - Clausulado Negociação Coletivaugt.pt/SST_GuiaClausuladoNegCol.pdf · Segurança e Saúde no Trabalho - Clausulado Negociação Coletiva 3 I - Nota

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Segurana e Sade no Trabalho

Clausulado Negociao Coletiva

Departamento de Segurana e Sade no Trabalho

Segurana e Sade no Trabalho - Clausulado Negociao Coletiva

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ndice

I Nota Introdutria..3 II Clausulado sobre Segurana e Sade no Trabalho......14 III Legislao de Referncia... 21

Segurana e Sade no Trabalho - Clausulado Negociao Coletiva

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I - Nota Introdutria

As questes relativas Segurana e Sade no Trabalho tm vindo,

progressivamente, a ser introduzidas na Regulamentao Colectiva de Trabalho, por

iniciativa sindical e de acordo com a legislao em vigor.

A Segurana e Sade no Trabalho tem sido uma matria prioritria de atuao sindical.

Desde sempre nos batemos por melhores condies de segurana e sade e, desde o

primeiro momento, que reivindicamos que aos trabalhadores e trabalhadoras

seja assegurado o trabalho em condies de segurana e em respeito pela

proteo da sua sade.

A nossa atuao sempre se pautou pela denncia da situao dramtica existente no

nosso pas relativamente sinistralidade laboral e s doenas profissionais e na

exigncia da adoo de medidas que preconizem uma efetiva melhoria das condies

de segurana e sade nos locais de trabalho. No nos eximimos das nossas

responsabilidades nesta matria.

Dispomos de um instrumento fundamental a Negociao Coletiva - que nos

permite a obteno de nveis de proteo superiores aos da legislao que,

necessariamente, apenas estabelece patamares de proteo mnimos. esta a

funo da Negociao Coletiva.

Contudo, importa ressaltar que da anlise das muitas Convenes Coletiva existentes,

no obstante, a maioria consagrar esta temtica, tambm verdade que um nmero

substancial consagra apenas as disposies j constantes em sede de legislao.

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prioritrio o estabelecimento de uma linha de ao, por forma, a promover a

introduo e o alargamento de clusulas de SST, elevando os patamares mnimos de

proteo estabelecidos pela legislao em matrias como:

Clusulas relativas formao geral em SST dirigida a todos os trabalhadores;

Clusulas relativas formao especfica dirigida a trabalhadores/as com

atividades especficas no mbito da SST;

Clusulas relativas preveno do lcool e drogas em meio laboral;

Clusulas relativas medicina no trabalho;

Clusulas relativas ao alargamento das competncias e da participao dos

Representantes dos Trabalhadores para a SST (RTs SST) e do crdito de

horas;

Entre outras questes, igualmente, fundamentais para a Negociao Colectiva.

primordial a integrao de disposies que ampliem o crdito horrio de que os

RTs SST dispem para o exerccio das suas funes de representao e

participao, aspeto que algumas Convenes j evidenciam.

Outra matria que consideramos fundamental na preveno de riscos profissionais a

formao, no entanto, constatamos, pela anlise do clausulado existente, que esta

questo continua a revestir-se de um carcter geral que espelha o disposto na

legislao respeitante ao direito formao, avanando pouco na concretizao da

garantia desse direito.

Com efeito, a maioria do clausulado preconiza o direito formao dos trabalhadores e

trabalhadoras, em tpicos especficos, no entanto, no avanam com a fixao de

contedos que efetivem esse direito, como sendo, a carga horria, a obrigatoriedade

dos planos de formao preverem a integrao de mdulos de SST, a formao

suplementar, entre outros, apenas se limitando a transpor o art. n. 20., da Lei n.

102/ 20091 com as alteraes conferidas pela Lei n. 3/2014, de 28 de janeiro, relativo

ao direito formao.

1Lei n. 102/ 2009, de 10 de setembro Regime jurdico da Promoo da Segurana e Sade no Trabalho com as

alteraes conferidas pela Lei n. 3/2014, de 28 de janeiro.

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No nosso entender, reveste-se, igualmente, de grande importncia, a integrao de

disposies que confiram horas de formao aos trabalhadores/as e aos RTs SST,

salvaguardando o exerccio do direito formao.

Importar, igualmente, conferir especial ateno consolidao e ampliao dos

direitos de consulta, de participao e de informao dos trabalhadores.

A legislao obriga a que os trabalhadores/as e seus representantes sejam consultados

sobre um leque variado de matrias, que vo desde as medidas de preveno e

proteo a adotar pelo empregador at aos programas de formao, no domnio da

SST.2

Consideramos que o processo consultivo pode e deve ser extensivo a outras atividades

mais diretamente ligadas ao sistema de gesto da SST. Exemplo disso ser a

participao na elaborao do relatrio de atividades do servio de SST, no plano de

emergncia interno da empresa.

Importa, pois, no nosso entender conferir um grau de participao cada vez mais

alargado, inclusive no que toca aos servios de sade ocupacional.

No que concerne s comisses de SST, matria que objeto de um nmero

significativo de Convenes, importar verter para a Negociao Coletiva, a sua

regulamentao com clausulado relativo frequncia de reunies e atribuies

especficas, alargando a sua esfera de atuao.

Outra questo que nos parece fundamental a relativa ao aumento do crdito de

horas mensal dos RTs SST. Consideramos que esta uma matria que dever,

obrigatoriamente, ser levada para as mesas de negociao. A negociao de

disposies que ampliem o crdito horrio de que os RTs SST dispem para o

exerccio das suas atividades dever ser encarada como uma das metas a atingir pela

Negociao Coletiva no mbito desta matria especfica.

2 Artigo 18. da Lei n. 102/2009, de 10 de setembro, com as alteraes conferidas pela Lei n. 3/2014, de 28 de

janeiro.

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Estas so, pois, apenas algumas questes a ressaltar, no se encontrando subjacente

a esta referncia qualquer tipo de valorao relativamente a outros temas especficos

considerados, igualmente, fundamentais na Negociao Coletiva.

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II Clausulado sobre Segurana e Sade no Trabalho

Clusula

Princpios Gerais

1 Todos os trabalhadores/as, independentemente do vnculo laboral que

tenham celebrado com o empregador, tm direito prestao de trabalho

em condies de Segurana e Sade no Trabalho.

2 O empregador obrigado a assegurar aos trabalhadores/as condies

de segurana e sade em todos os aspetos relacionados com o trabalho,

devendo para isso organizar todas as atividades de segurana e sade que

visem a preveno dos riscos profissionais e a promoo da sade dos

trabalhadores/as.

3 Para efeitos do nmero anterior, o empregador aplicar todas as

medidas necessrias, tendo em conta as polticas, os princpios e as

tcnicas previstos na legislao.

4 Para a aplicao das medidas necessrias, o empregador dever

assegurar o funcionamento de um servio de segurana e sade dotado de

pessoal certificado e de meios adequados e eficazes, tendo em conta os

riscos profissionais existentes nos locais de trabalho.

Clusula

Aes de Sensibilizao, Informao e Preveno de Riscos Profissionais

1 - A empresa, com a participao dos Sindicatos do setor, dever

desenvolver aes de sensibilizao, informao e preveno dirigidas a

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riscos profissionais especficos, a incidir nomeadamente sobre os riscos

psicossociais - incluindo o stresse no trabalho, o assdio moral e o uso de

substncias psicoativas - os riscos qumicos, as doenas profissionais -

incluindo a preveno das perturbaes msculo-esquelticas.

2 O desenvolvimento das aes referidas no nmero 1 dever ter em

conta as especificidades de trabalhadores/as concretos, como sendo, os

trabalhadores mais jovens, os trabalhadores mais velhos, as mulheres e os

trabalhadores com deficincia.

3 - A empresa deve proceder avaliao de riscos, quer fsicos, qumicos e

biolgicos mas e, tambm psicossociais, relativos s condies de trabalho

que podero potenciar a ocorrncia dos riscos acima referidos.

Clusula

Direitos dos Representantes dos Trabalhadores para a Segurana e

Sade no Trabalho

1 Os Representantes dos Trabalhadores para a Segurana e Sade no

Trabalho tm direito:

a) A um crdito de dez horas por ms, sem perda de remunerao, para o

exerccio das suas funes;

b) A formao adequada e permanente ao exerccio das suas funes;

c) A receber toda a informao necessria ao exerccio pleno das suas

funes;

d) Faltas justificadas alm do crdito de oito horas mensais.

2 No conta para o crdito de horas referido na alnea a) o tempo gasto

nas reunies com a entidade patronal ou seus representantes, legalmente

consagradas.

3 No decorrer da alnea b) os Representantes dos Trabalhadores para a

SST devem, dentro do possvel, frequentar anualmente cursos de

especializao e atualizao em SST, sem perda de remunerao, ou

quaisquer outras garantias, desde que os cursos no ultrapassem ___dias.

Pode a entidade patronal autorizar a frequncia de cursos com durao

superior.

4 Os Representantes dos Trabalhadores para a SST, para efeitos de uma

participao mais efetiva na melhoria das condies de SST, devem ser

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consultados por escrito, pelo menos 1 vez por ano, previamente ou em

tempo til, ou sempre que existam alteraes significativas relativamente

ltima consulta.

Clausula

Participao dos Trabalhadores e seus Representantes

1 - Os Representantes dos Trabalhadores para a SST devem ser

consultados sobre os contedos de Segurana e Sade constantes do Plano

Anual de Formao.

2 - Os Representantes dos Trabalhadores para a SST devem participar na

elaborao do Plano de Emergncia Interno.

3 - Aos Representantes dos Trabalhadores para a SST deve ser entregue

exemplar do plano referido no nmero anterior e todas as atualizaes e

revises a que possa estar sujeito aps promulgao do mesmo.

4 - Os Representantes dos Trabalhadores para a SST devem ser

consultados no processo de elaborao do relatrio anual de atividade do

servio de segurana e sade no trabalho.

5 - Aos Representantes dos Trabalhadores para a SST deve ser entregue

cpia do relatrio anual final entregue s entidades competentes.

6 - Aos Representantes dos Trabalhadores para a SST deve ser facultada

cpia de qualquer relatrio de acidente de trabalho, logo que concludo.

Clusula

Formao dos Trabalhadores em Segurana e Sade no Trabalho

1. A formao em Segurana e Sade no Trabalho compreende a realizao

de aes ou cursos especficos, sempre que possvel, realizados dentro do

horrio normal.

2. O plano de formao da empresa deve prever a integrao de mdulos

de Segurana e Sade do Trabalho, em todas as aes de formao com

durao superior a 20 horas, com durao no inferior a 10% ou a um

mnimo de 10 horas, para cursos de durao superior a 100 horas.

3. Para o exerccio do direito formao em SST, o empregador deve

promover formao suplementar formao prevista no nmero anterior, a

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qual deve ter uma durao no inferior a 40% do total das horas de

formao em Segurana e Sade do Trabalho que forem ministradas aos

trabalhadores da empresa, aos seguintes trabalhadores:

a) Trabalhadores/as com atividades de risco elevado, cujos contedos

devem incidir sobre os riscos especficos a que esto expostos e sua

preveno;

b)Trabalhadores/as responsveis pelas atividades de 1s socorros, combate

a incndios e evacuao de trabalhadores;

c) Representantes dos Trabalhadores para a SST.

4. A formao promovida pelo empregador deve ser obrigatoriamente

ministrada por Tcnicos de Segurana no Trabalho detentores de CAP ou

por formadores reconhecidos pela ACT.

Clusula

Exames de sade

1- Previamente admisso de um trabalhador/a ou, em caso de urgncia

da admisso, dentro dos 10 dias seguintes, a empresa obriga-se a

assegurar a realizao de um exame de admisso, sem qualquer encargo

para o candidato ao emprego.

2- Pelo menos duas vezes por ano, com intervalo de seis meses, a empresa

assegurar a inspeo mdica de todos os trabalhadores/as menores de 18

anos e dos que trabalhem em ambientes mais sujeitos a risco de doena

profissional, sem qualquer encargo econmico para os trabalhadores/as

abrangidos.

3- A inspeo a que se refere o nmero anterior (exames peridicos) ser

efetuada uma vez por ano para os restantes trabalhadores/as e tambm

sem qualquer encargo para estes.

4- A definio das situaes consideradas mais sujeitas a risco de doenas

profissionais ser feita por acordo entre a entidade patronal e os rgos

representativos dos trabalhadores na empresa, mediante proposta dos

respetivos servios de medicina no trabalho.

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Clausula

Comisso de Segurana e Sade no Trabalho

1 - Com o objetivo de criar um espao de dilogo e concertao social, na

empresa para as questes de segurana e sade nos locais de trabalho,

criada uma Comisso de Segurana e Sade no Trabalho, de composio

paritria, observando-se a regra da proporcionalidade quanto aos resultados

do ato de eleio dos Representantes dos Trabalhadores para a SST.

2 - A comisso ser constituda por __ representantes dos trabalhadores e

igual nmero de representantes a designar pela empresa __________.

3 - Os representantes dos trabalhadores na Comisso tm um mandato de

trs anos.

4 - Independentemente da atuao da Comisso, aos representantes dos

trabalhadores reconhecida a competncia de, perante uma situao de

risco grave para a segurana dos trabalhadores ou de terceiros, agir

individualmente, contactando de imediato a hierarquia da respetiva rea e

alertando-a para as anomalias detetadas.

5 - O tempo despendido nas reunies da Comisso no contabilizvel para

efeito de crditos de horas dos representantes dos trabalhadores que dela

fazem parte.

6 - Todos os aspetos relacionados com a atividade da Comisso, formas de

funcionamento, de financiamento e local de reunies devero constar de

regulamento interno a acordar entre todos os elementos que a compem na

primeira reunio ordinria.

7 - Na aplicao da matria de segurana e sade no trabalho, a empresa

___________ ter em ateno as recomendaes apresentadas pela

Comisso assim como as apresentadas pelos representantes dos

trabalhadores na Comisso.

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Clusula

Atribuies da Comisso

1. A Comisso ter, nomeadamente, as seguintes atribuies:

a) Colaborar com os responsveis pelos servios competentes da

empresa na promoo da segurana e sade no respeito pelos princpios da

preveno dos riscos profissionais;

b) Apresentar as recomendaes que julgar necessrias;

c) Apreciar e dar parecer sobre os planos de preveno estabelecidos

pela empresa __________, bem como colaborar com os servios tcnicos

na aplicao prtica dos respetivos planos;

d) Tomar conhecimento e pronunciar-se sobre os relatrios de atividade

dos servios tcnicos da empresa da rea de segurana e sade no

trabalho, bem como sobre os relatrios e inquritos relativos a acidentes de

trabalho e a doenas profissionais ocorridos na empresa ___________;

e) Zelar pelo cumprimento das disposies legais, regulamentos

internos, normas e instrues referentes segurana e sade no trabalho;

f) Colaborar com os servios competentes da empresa ___________na

procura de solues no que respeita problemtica de recolocao ou

reconverso de trabalhadores/as incapacitados/as para as funes habituais

devido a acidentes de trabalho ou com restries de sade;

g) Pronunciar-se sobre as sugestes dos trabalhadores/as e as suas

reclamaes relativas segurana e sade no trabalho;

h) Informar periodicamente os trabalhadores/as da empresa

___________ da sua atividade desenvolvida;

i) Deliberar em aes respeitantes ao seu prprio funcionamento.

Clusula

Funcionamento da Comisso:

1 - A Comisso rene, em sesso ordinria, com uma periodicidade mensal.

2 - Podero ser convocadas sesses extraordinrias da Comisso sempre

que a gravidade ou a frequncia dos acidentes o justifique ou metade dos

seus membros o solicitem.

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3 - Deve ser elaborada ata de cada reunio da Comisso sendo escolhido

um relator de entre os seus membros, que depois de aprovada na reunio

seguinte, ser colocada disposio de todos os trabalhadores/as.

4 - A Comisso poder solicitar a comparncia nas respectivas sesses de

um funcionrio da inspeo do trabalho.

Clusula

Assdio Moral

1- Todos os trabalhadores/as tm direito a exercer a sua atividade

profissional de forma efetiva e sem quaisquer constrangimentos, no

respeito integral pela dignidade da pessoa humana.

2- No caso de violao do disposto no n. 1 por parte da entidade

empregadora, esta constitui-se na obrigao de pagar ao trabalhador/a uma

indemnizao de valor nunca inferior ao triplo da retribuio efetivamente

recebida, sem prejuzo de outras indemnizaes por danos patrimoniais ou

no patrimoniais a que houver lugar.

3- Se a violao do n. 1 da presente clusula decorrer de conduta

praticada por superior hierrquico, o trabalhador/a afetado/a pode

denunciar a situao junto dos responsveis da empresa, que tero de agir

em sede disciplinar, sem prejuzo do recurso aos meios legais competentes.

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III Legislao de Referncia

Lei n. 7/ 2009, de 12 de fevereiro Cdigo do Trabalho.

Lei n. 102/2009, de 10 de setembro com a redao conferida pela Lei n. 372004, de

28 de janeiro Regulamenta o regime jurdico da promoo da segurana e sade no

trabalho.

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Maro de 2015

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