Teoria Geral Das Penas Np 2

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TEORIA GERAL DAS PENAS PROFESSOR FERNANDO FLVIO EFEITOS DA CONDENAO PENAL - Ao condenar algum pela prtica de um delito, o Estado-Juiz impe-lhe a sano penal que a lei prev. Todavia, essa sano, que pode ser pena de recluso, restritiva de direitos, priso simples,deteno e ou multa, no a nica conseqncia da condenao penal. A condenao penal tem outros efeitos, tanto de natureza penal ( chamados efeitos penais secundrios) como de natureza extra penal (efeitos civis, administrativos, etc). EFEITOS DE NATUREZA PENAL Passada em julgado a condenao, ela: I Pode revogar, facultativamente ou obrigatoriamente, o sursis ou o livramento condicional (artigos 81 e 86 do Cd. Penal); Revogao obrigatria do sursis Art. 81 - A suspenso ser revogada se, no curso do prazo, o beneficirio: I - condenado, em sentena irrecorrvel, por crime doloso; Revogao do livramento Art. 86 - Revoga-se o livramento, se o liberado vem a ser condenado a pena privativa de liberdade, em sentena irrecorrvel: II Impede a substituio da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos, se a condenao anterior tiver sido por crime doloso (art.44, II do Cd.Penal); Art. 44. As penas restritivas de direitos so autnomas e substituem as privativas de liberdade, quando: II - o ru no for reincidente em crime doloso;

III pressupostos para eventual reincidncia futura (art.63 do Cd.Penal); Reincidncia Art. 63 - Verifica-se a reincidncia quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentena que, no Pas ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. IV Revoga a reabilitao, se condenado como reincidente (art.95 do Cd.Penal); OBS: REABILITAO PREVISTO NO ART.94 CP um benefcio que tem por FINALIDADE RESTITUIR O CONDENADO situao anterior condenao, retirando as anotaes de seu boletim de antecedentes criminais. CABIMENTO s cabe a reabilitao em existindo sentena condenatria com trnsito em julgado, cuja pena tenha sido executada ou esteja extinta.

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CONSEQUNCIAS / REABILITAO

A. sigilo sobre o processo e a condenao (os registros criminais emsigilo no ser mais objeto de folhas de antecedentes)

B. - SUSPENSO dos efeitos EXTRAPENAIS especficos suspensa aperda do cargo ou funo pblica, a incapacidade para o exerccio do ptrio poder, tutela ou curatela e habilitao para dirigir. PRESSUPOSTOS / REABILITAO A) decurso de 2 anos da extino da pena, ou da Audincia admonitria, no caso de sursis ou livramento condicional; B) bom comportamento pblico e privado durante esses 2 anos; C) domiclio no Pas durante 2 anos; D) reparao do dano, salvo absoluta impossibilidade de faz-lo ou renncia comprovada da vitima. V Aumenta e interrompe o prazo de prescrio da chamada pretenso executria, se reincidente (artigos 110, caput, e 117, VI do Cd. Penal); VI Impede o reconhecimento de certos privilgios (artigos 155, 2, 170, 171, 1, e 180, 3 c/c 5); VII Faculta a argio de exceo da verdade na calnia (art.138,3,I e III); VIII elementar na contraveno de posse de instrumento de furto (art.25 da LCP); IX Impede a transao penal e a suspenso condicional do processo ( Lei n 0.099/95, artigos 76,2,I, e 89, caput) Existem, porm efeitos que se apresentam fora da esfera penal, estes so chamados de efeitos Extra- penais. Os Efeitos Extra- penais, por sua vez, podem ser genricos ou especficos. Os efeitos genricos so automticos, ou seja, no precisam ser abordados pelo juiz na sentena. Estes so aplicveis a qualquer crime e esto listados no artigo 91 do Cdigo Penal Brasileiro. Efeitos genricos e especficos (so automticos) Art. 91 - So efeitos da condenao: (GENRICOS) I - tornar certa a obrigao de indenizar o dano causado pelo crime; (1 efeito) Ateno: Dentre os efeitos, o que tem maior importncia para a vtima, diz respeito ao inciso I do referido artigo, que torna certa a obrigao de indenizar o dano pelo agente causador do crime. Portanto, a condenao penal, a partir do momento em que se torna irrecorrvel, faz coisa julgada no cvel, para fins de reparao do dano. Tem natureza de ttulo executrio, permitindo ao ofendido reclamar em juzo a indenizao civil sem que o condenado pelo delito possa discutir a existncia do crime ou a sua responsabilidade por ele.

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O VALOR DO DANO apurado no juzo cvel, abrangendo tanto o dano material quanto o moral - Smula 37 do STJ So acumulveis as indenizaes por dano material e dano moral oriundos do mesmo fato. (vide CPP, artigos 63 a 68, e CC, artigo 927 c/c artigos 186 e 187) II - a perda em favor da Unio, ressalvado o direito do lesado ou de terceiro de boa-f: (2 efeito) a) dos instrumentos do crime, desde que consistam em coisas cujo fabrico, alienao, uso, porte ou deteno constitua fato ilcito; ATENO: SO CONSIDERADOS INSTRUMENTOS OS OBJETOS USADOS PARA COMETIMENTO DO DELITO b) do produto do crime ou de qualquer bem ou valor que constitua proveito auferido pelo agente com a prtica do fato criminoso. ATENO: INCLUEM-SE AS COISAS OBTIDAS DIRETAMENTE COM O CRIME OU MESMO INDIRETAMENTE (ALTERADAS, ADQUIRIDAS OU CRIADAS COM ELAS) Vide artigos 118 a 124 do CPP 1o Poder ser decretada a perda de bens ou valores equivalentes ao produto ou proveito do crime quando estes no forem encontrados ou quando se localizarem no exterior. 2o Na hiptese do 1o, as medidas assecuratrias previstas na legislao processual podero abranger bens ou valores equivalentes do investigado ou acusado para posterior decretao de perda. Alm das sanes impostas pelo Cdigo Penal, a Constituio Federal, em seu artigo 15, inciso III, determina como efeito genrico da condenao, a suspenso dos direitos polticos enquanto durar o cumprimento da pena. TRFICO DE DROGAS - O ART. 243 E PARGRAFO NICO, PREV A EXPROPRIAO, SEM INDENIZAO, DE GLEBAS USADAS PARA CULTURAS ILEGAIS DE PLANTAS PSICOTRPICAS E CONFISCO DE BENS APREENDIDOS EM DECORRNCIA DE TRFICO (LEI 8.257/91. E ART. 32 4 DA LEI N 11.343/2006 LEI DE ENTORPECENTE) LAVAGEM DE DINHEIRO ART. 7 DA LEI 9.613/98 PREV ALM DOS PREVISTOS NO CDIGO PENAL A PERDA, EM FAVOR DA UNIO, DOS BENS, DIREITOS E VALORES OBJETO DE CRIME DE LAVAGEM DE DINHEIRO, E A INTERDIO DO EXERCCIO DE CARGO OU FUNO PBLICA DE QUALQUER NATUREZA E DE DIRETOR, MEMBRO DE CONSELHO DE ADMINISTRAO OU DE GERNCIA DAS PESSOAS JURDICAS REFERIDAS NO ART. 9 DA MESMA LEI. PROSTITUIO E EXPLORAO SEXUAL DE CRIANAS OU ADOLESCENTES Estabelece o 2 do artigo 244-A da Lei n 8.069/90 constitui efeito obrigatrio da condenao a cassao da licena de localizao e funcionamento do estabelecimento.

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SUSPENSO DOS DIREITOS POLTICOS ( DE VOTAR E SER VOTADO) art. 15,III da CF a doutrina entende que um efeito genrico e autoaplicvel de toda condenao criminal DIZ: vedada a cassao dos direitos polticos, cuja perda ou suspenso se dar nos casos de: (...) condenao transitada em julgado, enquanto durarem os seus efeitos, isto do direito de votar (sufrgio) e de ser votado, uma vez satisfeitas as exigncias para concorrer a cargo pblico (ilegibilidade). Art. 92 - So tambm efeitos da condenao: (ESPECFICOS) Ateno : Quanto aos efeitos especficos, estes no so automticos, como nos efeitos genricos, s se aplicam a determinados crimes e em situaes especficas. Incumbe ao juiz mencion-los expressamente na sentena, sob pena de perda de sua eficcia (efeitos). I - a perda de cargo, funo pblica ou mandato eletivo: ATENO: s se aplicam a certas hipteses de determinados crimes a) quando aplicada pena privativa de liberdade por tempo igual ou superior a um ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violao de dever para com a Administrao Pblica; (REQUISITOS) b) quando for aplicada pena privativa de liberdade por tempo superior a 4 (quatro) anos nos demais casos. (REQUISITO- condenao superior 4 anos) II - a incapacidade para o exerccio do ptrio poder, tutela ou curatela, nos crimes dolosos, sujeitos pena de recluso, cometidos contra filho, tutelado ou curatelado; III - a inabilitao para dirigir veculo, quando utilizado como meio para a prtica de crime doloso. Pargrafo nico - Os efeitos de que trata este artigo no so automticos, devendo ser motivadamente declarados na sentena. LIVRAMENTO CONDICIONAL - Durante o cumprimento da pena, o condenado ou apenado poder fazer jus a uma srie de benefcios legais como: EXEMPLO: FRAES PARA BENEFCIOS I - CRIME COMUM - RU PRIMRIO 1/6 PROGRESSO DE REGIME 1/6 SERVIO EXTERNO 1/6- SADA TEMPORRIA

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1/3 LIVRAMENTO CONDICIONAL - O Livramento Condicional a ANTECIPAO PROVISRIA DA LIBERDADE concedida sob certas condies, ao condenado que est cumprindo pena privativa de liberdade: ATENO: O pedido de Livramento Condicional, desde que preenchido os requisitos e condies, torna-se para o apenado de UM DIREITO SUBJETIVO e NO UMA FACULDADE DO JULGADOR. REQUISITOS // LIBRAMENTO CONDICIONAL (UM DOS REQUISITOS) Ru primrio Ru primrio Reincidente/especfica Reincidente crime comum crime hediondo/tortura crime hediondo/tortura crime doloso 1/3 2/3 NO TEM DIREITO 1/2 da pena da pena da pena ATENO: Durao do livramento O tempo de durao corresponde ao restante da pena que estava sendo executada. EXEMPLO/CLCULO: Pessoa condenada 5 anos de recluso, por crime comum, ru primrio, regime Fechado: PROGRESSO = 5 X 1/6 = transforma 5 anos em meses = 60 meses 60m X 1/6 = 10 meses LIBERDADE CONDICIONAL = 5 X 1/3 = transformar 5 anos em meses = 60 meses 60m X 1/3 = 20 meses ou 1 anos e 8 meses OBS: SE FOI CONDENADO 5 ANOS 1 ano e 8 meses (1/3 DE 5ANOS) = A LIBERDADE CONDICIONAL SER DE 3 ANOS e 2 MESES , OU SEJA, O TEMPO DE DURAO CORRESPONDE AO RESTANTE DA PENA QUE ESTAVA SENDO EXECUTADA. REQUISITOS DO LIVRAMENTO CONDICIONAL / OUTROS REQUISITOS Art. 83 - O juiz poder conceder livramento condicional ao condenado a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 (dois) anos, desde que: 1 REQUISITO OBJETIVO - Caput do Art. 83 CP DEVE SER PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE ( RECLUSO, DETENO, PRISO SIMPLES) NO PODE SER PENA RESTRITIVA DE DIREITO A PENA PRECISA SER IGUAL OU SUPERIOR A 2 ANOS - SENDO POSSVEL A SOMA DE PENAS CORRESPONDENTES A OUTR