A DEMONSTRAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA COMO ?· 2013, trata da Demonstração de Fluxo de Caixa - DFC como…

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  • UNIVERSIDADE CNDIDO MENDES

    INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

    PS-GRADUAO LATO SENSU

    A DEMONSTRAO DO FLUXO DE CAIXA COMO

    IMPORTANTE INSTRUMENTO DE AVALIAO DA

    GESTO PBLICA

    REGIANE ALMEIDA CAMPOS

    Prof. Mario Luiz Trindade Rocha

    ALPERCATA

    2014

  • UNIVERSIDADE CNDIDO MENDES

    INSTITUTO A VEZ DO MESTRE

    PS-GRADUAO LATO SENSU

    A DEMONSTRAO DO FLUXO DE CAIXA COMO

    IMPORTANTE INSTRUMENTO DE AVALIAO DA

    GESTO PBLICA

    REGIANE ALMEIDA CAMPOS

    Monografia apresentada ao Instituto A Vez

    do Mestre como requisito parcial para

    obteno do ttulo de especialista em Gesto

    Pblica.

    Orientador: Prof. Mario Luiz Trindade Rocha

    ALPERCATA

    2014

  • AGRADECIMENTOS

    Agradeo primeiramente a

    Deus que me permitiu com suas

    benos conseguir concluir o curso

    do Ps Graduao, a meus dois

    filhos Guilherme e Alexandre, pelo

    carinho, pacincia e apoio e de

    modo especial, a meus pais Elza e

    Ado que com seus esforos

    procuraram me educar da melhor

    forma possvel e me fizeram chegar

    a quem sou hoje.

  • DEDICATRIA

    meus filhos Guilherme e

    Alexandre, por serem os motivos

    principais de todos os meus esforos

    dirios.

  • EPGRAFE

    Posso, Tudo posso Naquele que me

    fortalece (Celina Borges)

  • RESUMO

    Este estudo trata da anlise da NBC T 16.6 Demonstraes Contbeis, no que tange a obrigatoriedade de elaborao e divulgao pelas entidades do setor pblico da Demonstrao do Fluxo de Caixa, no somente como forma de padronizar os procedimentos perante as normas internacionais de contabilidade, mas como importante ferramenta de xito a ser utilizada pelos gestores, no controle, acompanhamento e avaliao da execuo oramentria. Portanto, o objetivo primordial demonstrar a importncia desta demonstrao que se bem elaborada e projetada, permitir o conhecimento da origem dos recursos, sua possvel destinao, contribuindo para a transparncia da gesto pblica, e com o equilbrio fiscal exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (Lei 101/2000).

  • METODOLOGIA

    O presente estudo foi desenvolvido tendo como base, procedimentos

    metodolgicos de pesquisa bibliogrfica em livros cujos autores analisam e

    dissertam sobre as Demonstraes de Fluxo de Caixa aplicadas ao Setor

    Pblico. Contar tambm, com a apresentao da Demonstrao de Fluxos de

    Caixa de 02 (duas) prefeituras da regio Leste de Minas Gerais, que tiveram

    como critrio de escolha a populao com menos de 50 mil habitantes e

    ndices de arrecadao de mesmo percentual de repasse do Fundo de

    Participao dos Municpios FPM (que a maior receita repassada pelo

    Governo Federal aos municpios), objetivando analisar sua situao financeira

    no aspecto ora apresentado durante este trabalho monogrfico, comparando

    seus fluxos no decorrer do exerccio de 2013 e comprovando como a falta de

    controle favorece o desequilbrio entre receitas e despesas.

  • SUMRIO

    INTRODUO...................................................................................................08

    CAPTULO I A obrigatoriedade da Demonstrao de Fluxos de Caixa nas

    Entidades Pblicas..........................................................................................11

    CAPTULO II Alguns conceitos bsicos relacionados ao Fluxo de

    Caixa.................................................................................................................18

    CAPTULO III A estruturao da Demonstrao de Fluxo de Caixa no

    mbito pblico.................................................................................................25

    3.1 Comentrios sobre sua estruturao e elaborao...........................29

    3.2 Aplicabilidade da Demonstrao de Fluxo de Caixa no Setor

    Pblico..............................................................................................................31

    CONCLUSO....................................................................................................38

    REFERNCIAS.................................................................................................39

  • 8

    INTRODUO

    Com a aprovao das Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicada ao

    Setor Pblico NBCASP o Conselho Federal de Contabilidade d inicio a

    uma verdadeira revoluo na Contabilidade Governamental Brasileira, que at

    ento, regida pela Lei n 4.320/64 (que estatui normas de Direito Financeiro

    para elaborao e controle dos Oramentos e elaborao dos balanos da

    Unio, dos Estados, dos Municpios e do Distrito Federal) obrigava apenas a

    elaborao de quatro demonstrativos: Balano Oramentrio, Balano

    Financeiro, Balano Patrimonial e Demonstrao das Variaes Patrimoniais.

    A partir da NBCASP 16.6 Demonstraes Contbeis, instituda pela

    Resoluo 1.133/08, do Conselho Federal de Contabilidade CFC, houve a

    obrigatoriedade de elaborao e divulgao, alm dos demais acima, da

    Demonstrao de Fluxo de Caixa e do Resultado Econmico, saindo de um

    foco oramentrio para um critrio financeiro, j previsto pela Lei 101/2000 (Lei

    de Responsabilidade Fiscal), equilibrando as receitas e despesas como pilar de

    uma gesto fiscal verdadeiramente responsvel.

    O art. 1, 1 da LRF trata:

    A responsabilidade na gesto fiscal pressupe a ao

    planejada e transparente, em que se previnem riscos e

    corrigem desvios capazes de afetar o equilbrio das contas

    pblicas, mediante o cumprimento de metas de resultados

    entre receitas e despesas e a obedincia a limites e

    condies no que tange a renncia de receita, gerao de

    despesas com pessoal, da seguridade social e outras, dvidas

    consolidadas e mobilirias, operaes de crdito, inclusive

    por antecipao de receita, concesso de garantia e inscrio

    em Restos a Pagar.

    A Lei 131/2009, de 27 de maio de 2009, determinou a disponibilizao

    de informaes pormenorizadas sobre a execuo oramentria e financeira

    dos entes da Federao, atravs de meios eletrnicos de acesso pblico em

  • 9

    tempo real, com vistas ao pleno conhecimento e acompanhamento da

    sociedade.

    Para que no haja incoerncias nas esferas pblicas e descumprimento

    da legislao fiscal, que este trabalho torna-se necessrio, ao tratar o fluxo

    de caixa como importante instrumento de avaliao da gesto, capaz de

    conduzir aos gestores a observao das finanas, alertando a possveis

    ajustes, de forma que as receitas no sejam superestimadas, nem haja

    acumulo excessivo de passivos financeiros, possibilitando projeo de

    cenrios, inferindo em decises de alocaes de recursos, investimentos e

    financiamentos, de forma a prevenir insolvncia futura.

    Sendo este, um assunto recente, relevante conhecer sua estruturao

    para o ambiente pblico, analisando seus benefcios, para os diversos usurios

    que controlam e acompanham as aes e polticas pblicas, justificando-se

    ainda, por representar:

    - instrumento de gerenciamento,

    - avaliao de investimentos,

    - controle da execuo oramentria,

    - equilbrio da projeo e programao oramentrio-financeira,

    - acompanhamento do desempenho da entidade.

    Explicitada a relevncia e justificativas deste estudo, dividimos sua a

    apresentao em trs captulos, em que o Captulo I A obrigatoriedade da

    Demonstrao de Fluxos de Caixas nas Entidades Pblicas menciona sua

    implantao como novo demonstrativo contbil e o embasamento legal de tal

    exigncia; no Captulo II Alguns conceitos bsicos relacionados ao Fluxo de

    Caixa, apresenta conceitos importantes, para compreender a estruturao

    deste demonstrativo; e, por ltimo no Captulo III A estruturao da

    Demonstrao de Fluxo de Caixa no mbito pblico, destacamos os benefcios

  • 10

    quando este devidamente elaborado como ferramenta de controle de gesto,

    comentando sua elaborao e estrutura baseada em receitas e despesas, e

    sua aplicabilidade mediante exemplos e anlise de 02 municpios. Para finalizar

    expomos as concluses obtidas e os referenciais utilizados.

  • 11

    CAPTULO I

    A OBRIGATORIEDADE DA DEMONSTRAO DE

    FLUXOS DE CAIXA NAS ENTIDADES PBLICAS

    O fluxo de caixa segundo Zdanowicz (1998) pode ser compreendido

    como instrumento que permite ao administrador financeiro planejar, organizar,

    coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros, para um determinado

    perodo ou ainda um instrumento que relaciona o conjunto de ingressos e

    desembolsos de recursos financeiros pela empresa em determinado perodo.

    Segundo Silva (2001, p. 420) o fluxo de caixa considerado por muitos

    analistas um dos principais instrumentos de anlise, propiciando-lhes identificar

    o processo de circulao do dinheiro, por meio da variao das

    disponibilidades mais as aplicaes financeiras.

    Com a introduo das normas internacionais de contabilidade e com a

    exigncia legal da gesto fiscal, necessrio conhecer os recursos disponveis

    ou a ingressar nos cofres pblicos, alm de definir o impacto oramentrio-

    financeiro de cada despesa, partindo do planejamento, e, sobretudo, de uma

    possibilidade de controle sobre o futuro.

    Tornando-se de fundamental importncia para empresas e entidades

    pblicas, e como trata Assaf Neto & Silva (1997, p. 35) constituindo-se numa

    indispensvel sinalizao dos rumos financeiros dos negcios.

    A Secretaria do Tesouro Nacional (STN), em seu Manual de

    Contabilidade Aplicado ao Setor Pblico (MCASP) vlido para o exerccio de

    2013, trata da Demonstrao de Fluxo de Caixa - DFC como demonstrao

    contbil que visa o desempenho do setor pblico e sua importncia como

    instrumento da avaliao da gesto pblica.

    Permitindo inferir as decises de alocaes de recursos, na prestao

    de servios pblicos, em investimentos e financiamentos, alm de permitir a

    verificao de como a administrao influenciou a liquidez da entidade, de

    forma a prevenir insolvncia futura.

  • 12

    Nota-se que muitos municpios, utilizam-se das ferramentas da LRF

    apenas para cumprimento legal, no utilizando como, por exemplo, do

    demonstrativo de metas bimestrais de arrecadao e cronograma de

    desembolso financeiro, para fins gerenciais, carentes de metodologia de

    gerenciamento dos recursos disponveis.

    Este instrumento contribui no planejamento, no controle e na

    transparncia da administrao e aprimora as questes que envolvem o Plano

    Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO) e a Lei

    Oramentria Anual (LOA), para as entidades pblicas, este um momento

    particularmente importante, pois um ano efetivo de planejamento e definio

    de aes compactuadas no Plano Plurianual (PPA).

    A integrao do PPA, a LDO e a LOA um valioso instrumento para a

    gesto, pois difunde as polticas pblicas e garante a informao sobre a

    origem das receitas e sua destinao.

    Ao mencionar o equilbrio que deve haver nas contas pblicas,

    Nascimento (2006, p. 178 e 179) expe que diferente do equilbrio

    oramentrio, este j previsto na Lei 4.320/64, a LRF trata disto nas chamadas

    contas primrias, traduzidas no Resultado Primrio Equilibrado, um equilbrio

    considerado autossustentvel, que prescinde de operaes de despesas

    planejadas, e sem aumento catastrficos da dvida pblica.

    Albuquerque (1998, p. 98) afirma que:

    Com a LRF a programao anual da execuo oramentria e dos desembolsos financeiros passou a ter por finalidade no s evitar os dficits de caixa mas, principalmente prevenir a ocorrncia de dficits que possam acarretar a acumulao de restos a pagar e consequentemente comprometimento de receitas futuras.

    O Sistema Oramentrio Brasileiro composto por cada instrumento

    acima descrito, que deve ser elaborado de forma gerencial planejando-se as

    aes governamentais tanto pelo lado estratgico quanto poltico.

    Para iniciar, o entendimento destes dispositivos legais, a base deve ser

    o PPA que no deve ser elaborado de forma genrica, tendo por objetivo,

  • 13

    apenas, atender aos dispositivos constitucionais, mas quantificar os objetivos e

    as metas fsicas eleitas, transformando-se em instrumento gerencial, que

    servir de referncia bsica para a elaborao dos demais instrumentos que

    integram o sistema oramentrio da rea pblica.

    Cabe ao PPA realizar em seu perodo de vigncia (4 anos) os objetivos

    estratgicos estabelecidos pela entidade, traduzindo-os em aes concretas.

    Em sntese, o PPA compe-se de dois grandes mdulos: a base

    estratgica e os programas.

    A base estratgica compreende a anlise da situao econmica e

    social, a diretrizes, objetivos e metas estabelecidas pelo Chefe do Poder

    Executivo, a previso dos recursos oramentrios e sua distribuio entre os

    setores e/ou entre os programas e demais rgos compatveis.

    J os programas, compreendem a definio dos problemas a serem

    solucionados e o conjunto de aes que devero se empreendidas para

    alcanar os objetivos estabelecidos.

    O prazo para envio do projeto de lei que estabelece o Plano Plurianual

    de Aes definido pela Constituio Federal em at 31 de agosto do primeiro

    ano de mandato do Chefe do Poder Executivo ou a definida na Lei Orgnica

    Municipal de cada cidade.

    Em uma posio intermediria entre os dispositivos do PPA e a previso

    de receitas e despesas da LOA, fundamental o balanceamento entre a

    estratgia traada pelo governo e a real possibilidade, surge o dispositivo legal

    denominado de Lei de Diretrizes Oramentrias, que anualmente elaborado

    para execuo no prximo exerccio.

    Este instrumento fixa as prioridade e metas, orienta a elaborao da lei

    oramentria, promove alteraes na legislao tributria, alteraes na

    poltica de pessoal e fixa os limites para elaborao dos oramentos dos

    Poderes.

    Ao contrrio da PPA necessria a quantificao financeira quando se

    elabora na LDO os Anexos de Metas e Riscos Fiscais.

    O prazo para encaminhamento do projeto de lei para aprovao pela

    Cmara Municipal, na representatividade de seus Vereadores at 15 de

  • 14

    maio, de acordo com a Constituio Federal ou prazo estabelecido na Lei

    Orgnica Municipal.

    Como ltimo instrumento do sistema oramentrio da rea pblica,

    surge a Lei Oramentria Anual, que possibilita a realizao das metas e das

    prioridades estabelecidas na LDO. um plano de trabalho que descreve um

    conjunto de aes a serem realizadas para atender a sociedade,

    estabelecendo a previso de todas as receitas e a serem arrecadadas no

    exerccio financeiro e a fixao de todos os gastos que os Poderes e os rgos

    esto autorizados a executar.

    Garantem o gerenciamento anual das origens e aplicaes de recursos,

    definindo os seus montantes e como sero aplicados na administrao pblica.

    Representa a expresso monetria dos recursos que devero ser mobilizados,

    no perodo especfico de vigncia, visando execuo das polticas pblicas e

    do programa de trabalho do governo.

    A Lei Oramentria compreende o oramento fiscal dos rgos ou

    entidades da administrao direta, indireta, inclusive fundaes institudas e

    mantidas pelo poder pblico, bem como seus fundos; o oramento de

    investimento das empresas em que a administrao pblica, direta ou

    indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto; e o

    oramento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e os rgos a

    ela vinculados, da administrao direta ou indireta, bem como os fundos e

    fundaes institudos e mantidos pelo Poder Pblico (CF, 5 do art. 165).

    A Constituio Federal em seu art. 35 estabelece como prazo de envio,

    do projeto de lei desta pea oramentria em at 4 meses antes do

    encerramento do exerccio financeiro e devolvido para sano at o

    encerramento da sesso legislativa.

    Caso os prazos dos dispositivos acima no sejam cumpridos ou no

    haja o posterior envio de tais instrumentos s Cmaras Municipais, haver

    sanes e penalidades aplicadas pelo Ministrio Pblico e Tribunal de Contas.

    no planejamento destas peas oramentrias que se inicia todo um

    processo de determinao da arrecadao, da limitao dos gastos, que

    deveriam ser comparados periodicamente quando da realizao da

    Demonstrao de Fluxo de Caixa. Oramentos pouco realistas, em que a

  • 15

    receita superestimada, causaro posterior no alcance das metas, e

    descontrole nos gastos pblicos que sero executados, confiantes nas

    arrecadaes que no se confirmaro.

    Segundo determina os dispositivos legais, todo aquele que utilize,

    arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores pblicos

    pelos quais o ente responda ou que, em nome desta, assuma obrigaes de

    natureza pecuniria, seja pessoa fsica ou jurdica tem por exigncia prestar

    contas. Surge a, a questo de prestar contas de um descontrole financeiro por

    falta de acompanhamento por parte dos gestores pblico e de um bom

    planejamento dos dispositivos anteriores da execuo oramentria.

    Conjuntamente ao Poder Legislativo Municipal, o Tribunal de Contas do

    Estado a instituio responsvel pelo controle externo das contas dos

    administradores dos rgos e das entidades da administrao direta e indireta

    dos Municpios. Nessa competncia, insere-se a fiscalizao contbil,

    financeira, oramentria, operacional e patrimonial, e o cumprimento dos

    princpios da legalidade, legitimidade, economicidade, todas essas no ciclo da

    execuo receita e despesa pblica.

    Em sua atuao, esta Corte de Contas emite Parecer Prvio sobre as

    contas anuais (favorvel ou desfavorvel) dos prefeitos municipais,

    encaminhando ao respectivo Poder Legislativo, para julgamento.

    Quanto aos demais administradores pblicos, o Tribunal julga,

    decidindo:

    - pela regularidade das contas caso em que no for constatada

    qualquer falha;

    - pela baixa de responsabilidade, com ressalvas quando forem

    constatadas falhas de carter formal; e

    - pela irregularidade das contas no caso de descumprimento de

    normas que ocasionem nus ao errio ou evidenciem indcios de crime ou ato

    de improbidade administrativa.

  • 16

    Cada entidade pblica deve instituir o Controle Interno, segundo

    exigncia da Constituio Federal e Lei Complementar 101/2000 Lei de

    Responsabilidade Fiscal -, garantindo fontes fidedignas de informaes para a

    administrao, capaz de proporcionar um bom acompanhamento da gesto,

    em especial quanto s questes e s exigncias da LRF, do incio ao fim do

    mandato.

    A existncia deste Controle Interno beneficia aos gestores, pois, onde

    so frgeis os procedimentos de controle, ocorrem, frequentemente, erros

    involuntrios, desperdcios e at fraudes revelia do conhecimento do

    administrador.

    Este Controle Interno, tambm atua no acompanhamento da execuo

    das receitas e despesas no exerccio emitindo pareceres que daro o

    conhecimento prvio da situao de existncia de supervit ou dficit

    financeiro, e nada melhor que o fluxo de caixa para confirmar o posicionamento

    da entidade pblica.

    O fato que as entidades pblicas possuem controle interno, mas nem

    todos esto adequados sua realidade.

    O controle interno consiste em verificar e controlar os procedimentos

    adotados na execuo de tarefas no mbito interno das organizaes a fim de

    se obter resultados favorveis, visando melhor aproveitamento e emprego dos

    recursos financeiros.

    Cada entidade pblica, deve organizar os procedimentos e mtodos de

    controle conforme sua realidade e necessidade, mantendo um constante

    acompanhamento das operaes a fim de detectar se esto sendo obedecidos

    todos os procedimentos adequados ao registro de informaes, garantindo a

    confiabilidade e transparncia dos atos pblicos.

    Muitos dficits pblicos poderiam ser evitados, caso o sistema de

    controle interno exercesse fidedignamente sua funo efetiva no

    acompanhamento do sistema de controle financeiro da entidade, utilizando-se

    do fluxo de caixa para verificar as entradas e sadas, gerenciando mais

    eficazmente os recursos de cada entidade e alertando em caso de distores e

    desequilbrios.

  • 17

    Portanto, o controle interno de cada entidade faz parte da elaborao do

    fluxo de caixa, pois se no houver controle sobre o saldo disponvel,

    dificilmente o fluxo de caixa ter os saldos corretos com as programaes de

    pagamentos e recebimentos.

    O ponto crucial da administrao financeira pblica o fluxo de caixa.

    Este demonstrativo deve buscar evidenciar a atividade de cada fluxo e seus

    efeitos na gesto financeira. Para uma boa anlise do fluxo de caixa da receita

    e despesa, necessrio que os gestores e controladores internos conheam

    todas as operaes das empresas e seu resultado final, permite extrair

    informaes importantssimas sobre o comportamento financeiro no perodo

    analisado e a tomada de decises para o futuro da entidade.

  • 18

    CAPTULO II

    ALGUNS CONCEITOS BSICOS RELACIONADOS AO

    FLUXO DE CAIXA

    Quando se pensa em planejamento no mbito pblico, temos que

    inicialmente planejar a poltica oramentria que tem seus objetivos

    subdivididos da seguinte forma:

    - Objetivos fundamentais da Poltica Oramentria:

    a) ampliar a renda

    b) reduzir as desigualdades sociais

    - Objetivos especficos da Poltica Oramentria:

    a) corrigir as imperfeies do mercado ou atenuar seus efeitos

    b) manter uma estabilidade econmica e social

    c) fomentar o crescimento econmico

    d) melhorar a distribuio de renda

    e) universalizar o acesso aos bens e servios pblicos produzidos pelo

    prprio setor pblico ou pelo setor privado

    f) assegurar o cumprimento das funes elementares de uma entidade

    pblica.

    Mesmo sendo uma atividade recente na histria pblica e das

    organizaes em geral, o planejamento a nica via possvel de se utilizar

    para alcance destes objetivos.

    O ato de se planejar tem dimenses abrangentes, compreende todo o

    processo de gesto, inicia-se pela definio da misso da instituio, da viso,

    da avaliao de desempenho e dos resultados pretendidos e alcanados nos

    perodos.

  • 19

    Uma das maiores dificuldades enfrentadas pelos rgos pblicos

    justamente causado por esta falta de planejamento, e diante do processo de

    convergncia da contabilidade pblica brasileira que teve incio com a

    publicao das primeiras Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicada ao

    Setor Pblico (Nbcasp), do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e

    concretizada com a publicao pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN) do

    Manual de Contabilidade Aplicado ao Setor Pblico (Mcasp), que prepara as

    implementaes de procedimentos patrimoniais, sem planejamento os

    municpios e demais rgos pblicos no tero suas contas pblicas aprovadas

    e o desequilbrio financeiro ser algo inevitvel.

    Neste contexto de mudanas e adequaes as novas exigncias, uma

    nova demonstrao contbil passa a ser exigida: a Demonstrao de Fluxo de

    Caixa, que tem como objetivo contribuir para avaliar a capacidade de o

    Municpio gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como as suas necessidade

    de liquidez.

    Para melhor entendermos o funcionamento do fluxo de caixa,

    importante apresentar inicialmente alguns conceitos que permitiro aos

    usurios de informao uma clareza de forma abrangente sobre este tema:

    - Oramento Pblico: um instrumento de planejamento e execuo de

    finanas, contendo as estimativas das receitas e autorizao de despesas da

    administrao pblica direta e indireta em um determinando exerccio (ano

    civil), que para ser executada depende de aprovao prvia pelo Legislativo

    Municipal de sua lei.

    - Receita Pblica: a soma dos ingressos, impostos, taxas,

    contribuies, e outras fontes de recursos, arrecadados para atender s

    despesas pblicas.

    - Despesa Pblica: conjunto de dispndios do Estado ou de outra

    pessoa de direito pblico, para o funcionamento dos servios pblicos. Em

    outras palavras, no oramento pblico formam o complexo da distribuio e

    emprego das receitas para custeio dos diversos setores da administrao.

  • 20

    - Receitas Primrias (I): correspondem ao total das receitas

    oramentrias deduzidas as operaes de crdito, as provenientes de

    rendimentos de aplicaes financeiras e retorno de operaes de crdito (juros

    e amortizaes), o recebimento de recursos oriundos de emprstimos

    concedidos e as receitas de privatizaes.

    - Despesas Primrias (II): correspondem ao total das despesas

    oramentrias deduzidas as despesas com juros e amortizao da dvida

    interna e externa, com a aquisio de ttulos de capital integralizado e as

    despesas com concesso de emprstimos com retorno garantido.

    - Resultado Primrio (III) = (I II): indica o equilbrio das contas

    primrias, ou seja, se os gastos oramentrios dos entes federativos so

    compatveis com a sua arrecadao, ou seja, se as receitas primrias so

    capazes de suportar as despesas primrias.

    - Metas bimestrais de arrecadao: a LRF determina que aps a

    publicao do oramento, as receitas previstas sero desdobradas em metas

    bimestrais de expectativa de arrecadao pelo Poder Executivo.

    - Cronograma de desembolso financeiro: a programao mensal da

    despesa, como ferramenta que ir permitir o acompanhamento, avaliao e

    ajuste desta programao com a disponibilidade financeira.

    - Fluxo de Caixa: a mensurao da movimentao dos recursos

    financeiros, sejam eles entradas ou sadas, que ocorrem durante um

    determinado perodo.

    Para Ross (1985, p. 42 e 43) determinar o fluxo de caixa ajuda o

    administrador financeiro a tomar decises melhores.

    Para Andrade (2002, p. 128):

  • 21

    O processo de planejamento econmico e financeiro das

    entidades pblicas passa invariavelmente pela gesto das

    contas Caixa e Bancos. notrio que essas duas contas tm

    evidentes provas de liquidez, estando por isso no rol das mais

    importantes para a entidade pblica, figurando inclusive, no

    pice do plano de contas governamental.

    Monteiro (1997, p.66) complementa ainda que:

    Na anlise da funo econmico-financeira deve-se procurar

    responder questes relativas a: qual a composio da receita?

    E das despesas?

    De acordo com a publicao da Lei 4.320/64, a contabilidade pblica

    vem adotando o regime misto, contabilizando como receita do exerccio os

    valores efetivamente arrecadados e como despesa do exerccio os valores

    empenhados.

    Pela nova contabilidade, as receitas oramentrias e as despesas

    oramentrias continuam sendo registradas, respectivamente, no momento de

    arrecadao e do empenho. Mas os fatos geradores dessas receitas e

    despesas passam a ser reconhecidas no efetivo momento de sua ocorrncia,

    conhecido na nova contabilidade como regime de competncia.

    Com a adoo do regime de competncia, surgiro muitos

    questionamentos quanto ao reconhecimento das receitas pblicas, pois estas

    sempre foram registradas conforme o regime de caixa, e seus efeitos s

    refletiam no patrimnio aps seu reconhecimento.

    A partir de agora, o gestor deve ficar atento sobre as informaes

    geradas em sua contabilidade, pois o fato de ter sido registrado um direito a

    receber (conta de ativo) no representa uma disponibilidade imediata, uma vez

    que, dependendo, por exemplo, do tributo, o prazo de arrecadao diludo em

    alguns meses como o imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana

    (IPTU).

    De outro modo, o gestor pode programar melhor o seu fluxo de caixa,

    pois ter a disposio a informao de todos os valores que o Municpio (ou

  • 22

    entidade pblica) ter a receber ao longo do ano, uma vez que esses tributos

    sero registrados no momento do lanamento de seus boletos.

    Constatando que a DFC est ligada diretamente a gesto fiscal,

    ajudando o administrador financeiro a tomar as melhores decises, devemos

    destacar segundo o MCAPS Parte V que:

    a) Fluxo de Caixa das Operaes: compreende os ingressos, inclusive

    decorrentes de receitas originrias e derivadas, e os desembolsos

    relacionados com a ao pblica e os demais fluxos que no se

    qualificam como de investimento ou financiamento.

    b) Fluxo de caixa dos investimentos: inclui os recursos relacionados

    aquisio e alienao de ativo no circulante, bem como

    recebimentos em dinheiro por liquidao de adiantamentos ou

    amortizao de emprstimos concedidos e outras operaes da

    mesma natureza.

    c) Fluxo de Caixa dos financiamentos: inclui os recursos relacionados

    captao e amortizao de emprstimos e financiamentos.

    Assim, fica possvel projetar cenrios de fluxos futuros de caixa, Cruz e

    Glock (2003, p. 20) relatam que:

    Enquanto na iniciativa privada tudo pode ser feito desde que

    no caracterize descumprimento lei, na administrao

    pblica, deve ser feito tudo o que a lei determina, exigindo-se,

    neste caso, a implementao de controles mais rigorosos e

    sofisticados.

    Quando constatado um cenrio desfavorvel na parte financeira das

    entidades pblicas, algumas providncias devem ser tomadas imediatamente,

    evitando que a crise cresa com o passar dos meses, no caso de Municpios,

  • 23

    por exemplo, tem que haver todo um processo de melhorar a arrecadao de

    receitas prprias tais como:

    - atualizao do cadastro imobilirio e da planta genrica de valores,

    assim como a reviso de isenes tributrias (caso haja);

    - no caso dos Impostos sobre Servios (ISS): utilizao de estimativas,

    fiscalizaes mais efetivas, adoo de alquotas diferenciadas para cada tipo

    de servio;

    - quanto as taxas, reviso de seus valores, de modo a cobrir o real custo

    dos servios municipais;

    - a Contribuio de Melhoria instituio deste tributo principalmente as

    classes mais favorecidas financeiramente;

    - intensificao da cobrana amigvel, visando negociao do dbito

    inscrito em Dvida Ativa.

    Alm do aprimoramento da arrecadao necessrio tambm a reduo

    das despesas oramentrias, como:

    - realizao de um novo planejamento de caixa;

    - renegociao de contratos em andamento;

    - remanejamento de pessoal, freando novas admisses;

    - reviso da folha de pagamento, evitando vantagens indevidas;

    - fixao de padres de consumo de materiais nos diversos setores;

    - utilizao de procedimentos licitatrios para compras.

  • 24

    A Contabilidade Pblica tem caractersticas prprias e exigem mtodos

    que aliem o planejamento financeiro execuo do oramento, a DFC surge

    como ferramenta que ir auxiliar e apresentar solues para o dficit pblico,

    prevenindo se utilizada de forma correta, sintomas de desequilbrio financeiro.

  • 25

    CAPTULO III

    A ESTRUTURAO DA DEMONSTRAO DE FLUXO

    DE CAIXA NO MBITO PBLICO

    Atualmente, com a edio da Lei de Responsabilidade Fiscal, a questo

    do equilbrio oramentrio, j acolhido anteriormente pela Lei 4.320/64,

    readquiriu uma importncia calcada na premissa bsica de equilbrio das

    contas pblicas, evitando que as entidades pblicas gastem mais do que se

    arrecada.

    O princpio do equilbrio um principio clssico de finanas pblicas, que

    postula a necessidade de obter equilbrio entre receitas e despesas e durante,

    a execuo financeira, torna-se um pilar da gesto fiscal responsvel tal

    acompanhamento.

    Para isto, a Demonstrao dos Fluxos de Caixa visa anlise do

    desempenho financeiro do setor pblico e permite, segundo o Manual de

    Contabilidade Pblica:

    - ter uma viso da situao das finanas pblicas, possibilitando efetuar

    comparaes entre ingressos e desembolsos por tipos de atividades

    (operacionais, de investimento e de financiamento), e avaliar as decises de

    investimento e financiamento pblico;

    - conhecer a capacidade de expanso das despesas com recursos prprios

    gerados pelas operaes;

    - anlise imediata da disponibilidade e do impacto da mesma nas finanas da

    entidade, quando da insero de nova despesa na programao;

    - avaliar a previso de quando possvel contrair novas despesas sem que

    isso comprometa as finanas pblicas.

  • 26

    Apesar da NBC T 16.6 no item 31 permitir:

    A Demonstrao dos Fluxos de Caixa deve ser elaborada pelo mtodo direto ou indireto e evidenciar as movimentaes havidas no caixa e seus equivalentes, nos seguintes fluxos:

    (a) das operaes;

    (b) dos investimentos; e

    (c) dos financiamentos.

    A estrutura preferencial da demonstrao pelo mtodo direto, segundo

    o MCASP:

    Mtodo direto: o procedimento contbil para elaborao da

    Demonstrao dos Fluxos de Caixa, que evidencia as

    movimentaes de itens de caixa e seus equivalentes, a partir

    das principais classes de recebimentos e pagamentos brutos.

    Cabe destacar, que para que as informaes sejam a mais correta

    possvel e tempestiva, softwares de fluxo de caixa devem ser totalmente

    integrados aos sistemas de informaes gerenciais dos rgos pblicos

    (contabilidade, compras, folha de pagamento, dentre outros). Tal integrao

    permite as simulaes e projees futuras e anlises do impacto oramentrio-

    financeiro, de forma a permitir ajustes de recursos ou a setores.

    Como apresentado no manual contbil, segue abaixo a estrutura

    sugerida pelo mtodo direto para disposio das informaes pelos entes

    pblicos:

  • 27

  • 28

    Tabela 1. Modelo de Fluxo de Caixa

    (Fonte: MCASP 5 Edio)

    Este modelo apresentado permite uma visualizao das aplicaes dos

    recursos pblicos, aplicveis a qualquer entidade que receba recursos oriundos

    do governo estadual e federal, possibilitando a visualizao das aes

    governamentais e permitindo em sua apresentao uma melhor transparncia.

    Seu preenchimento peridico, demonstra uma gesto pblica voltada

    para a responsabilidade fiscal, voltada para o equilbrio oramentrio, ou seja

    entre receitas e despesas.

  • 29

    3.1 Comentrios sobre sua estruturao e elaborao

    A Demonstrao de Fluxo de Caixa DFC, uma das novidades

    trazidas pelas Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Pblico

    NBCASP, tal demonstrao identifica as fontes de gerao dos fluxos de

    entrada de caixa, os itens de consumo de caixa durante todo o perodo coberto

    pelas demonstraes contbeis (ou exerccio financeiro) e o saldo do caixa na

    data das demonstraes contbeis.

    Como a estrutura deste demonstrativo segrega os fluxos por operaes,

    investimentos e financiamentos, ao se elabor-lo pelo mtodo direto, devem-se

    observar os ingressos e desembolsos ocorridos no perodo.

    Segundo orientaes do MCASP, o fluxo de caixa das atividades de

    operaes, os ingressos so decorrentes das receitas realizadas, j os

    desembolsos so as despesas liquidadas e efetivamente pagas. Se o resultado

    dessa atividade for um fluxo de caixa lquido positivo, um bom indicador, pois

    representa que houve mais ingressos que desembolsos decorrentes do

    negcio da entidade.

    Na parte de fluxo de caixa de investimentos, os valores a serem

    lanados devem corresponder a receita oramentria de alienao de ativo no

    circulante ou desembolsos em razo de convnios a ttulo de investimentos.

    Nesse caso, se o fluxo de caixa corresponder a um valor negativo, indica que

    houve mais desembolsos que ingressos decorrentes de investimentos.

    Para o fluxo de caixa de financiamentos, devem ser lanados os

    ingressos de recursos relacionados captao e amortizao de

    emprstimos e financiamentos.

    Finalizando, o demonstrativo apura a gerao lquida de caixa e

    equivalente de caixa representando a soma dos fluxos acima destacados. Este

    valor deve coincidir com a diferena entre o saldo inicial e final da conta

    equivalente de caixa.

    Segundo Andrade (2002), necessrio promover um check list para

    controle deste fluxo, baseando-se em saldos bancrios, estimativas de

    recebimentos (metas de arrecadao) e por ltimo a previso de desembolso

    (cronograma de desembolso), de forma que est analise evite a busca de

  • 30

    recursos de terceiros, ou seja, emprstimos ou mesmo financiamentos a longo

    prazo.

    Segundo um comentrio a nvel empresarial, de Matarazzo (2003 p.

    364), mas que pode ser atribudo a contabilidade pblica, tais vantagens do

    controle financeiro so vistas como possibilidades de:

    Avaliar alternativas para investimento; avaliar e controlar ao

    longo do tempo as decises importantes que so tomadas na

    empresa, com reflexos monetrios; avaliar a situao presente

    e futura do caixa da empresa, posicionando-se para que no

    chegue a situaes de iliquidez; certificar que os excessos

    momentneos de caixa esto sendo devidamente aplicados.

    Os objetivos desta avalio podem ser inmeros, mas principalmente,

    permitem o acompanhamento, a observao, fiscalizao e exame da gesto

    pblica, com a finalidade proteger o patrimnio e promover a maior eficcia,

    eficincia e efetividades nos servios que so prestados, corrigindo possveis

    falhas, alm de promover a honestidade na gesto dos recursos pblicos.

  • 31

    3.2 Aplicabilidade da Demonstrao de Fluxo de Caixa no Setor

    Pblico

    Aps conceituarmos a DFC como ferramenta primordial de uma gesto

    que busca um planejamento e execuo contbil-financeira eficiente, e

    evidenciarmos suas inmeras vantagens para as entidades pblicas,

    destacamos 02 casos prticos de anlise de relatrios de municpios da regio

    Leste de Minas Gerais, com menos de 50 mil habitantes, com ndices de

    arrecadao de mesmo percentual de repasse do Fundo de Participao dos

    Municpios FPM (maior receita repassada pelo Governo Federal aos

    municpios), apresentando a Demonstrao de Fluxo de Caixa, com base no

    balano financeiro do encerramento do exerccio em 31.12.2013, comparando

    e analisando seus fluxos, denominados para fins deste estudo de Municpios A

    e B.

    Fonte: Prestao de Contas Anual 2013.

  • 32

    O Balano Financeiro do Municpio A, foi construdo por meio de

    informaes extradas da Prestao de Contas do encerramento do exerccio

    de 2013, em que constam os ingressos (receitas) que somadas parte

    oramentria e extra-oramentria, totalizam em R$ 15.040.944,99 e

    dispndios (despesas) que oramentrios e extra-oramentrios so R$

    15.468.154,43. Dessa forma, a ttulo de primeira anlise financeira visvel um

    dficit no que se arrecadou com as sadas de R$ 427.209,44, o que s foi

    compensado pelo saldo disponvel em 31.12.2012.

    Fonte: Prestao de Contas Anual 2013.

  • 33

    O Balano Financeiro do Municpio B, tambm teve os dados

    quantitativos extrados da Prestao de Contas do encerramento do exerccio

    de 2013, com ingressos (receitas) somados parte oramentria e extra-

    oramentria de R$ 14.378.151,43 e dispndios (despesas) que oramentrios

    e extra-oramentrios so R$ 15.038.921,10, que originaram um dficit entre o

    arrecadado menos os gastos de R$ 660.769,67, compensado pelo saldo

    disponvel em 31.12.2012.

    Nota-se que o dficit pblico no Municpio A foi muito maior que o

    Municpio B, e que a falta de controle de fluxos de caixa ntida diante de tal

    fato.

    Na elaborao da Demonstrao dos Fluxos de Caixa, de tais entidades

    iremos verificar a movimentao financeira separadamente em seus fluxos

    operacionais, investimentos e financiamentos.

  • 34

    Fonte: Regiane Almeida Campos (2014)

  • 35

    Fonte: Regiane Almeida Campos (2014)

  • 36

    Analisando os Municpios A e B verificamos que os gestores de tais

    Municpios devero realizar um controle mais efetivo de suas finanas, pois ao

    se ter um fluxo de caixa com saldo negativo um alerta para um desequilbrio

    no exerccio que se encerrou e um risco muito maior, que ao se persistir no

    erro de no acompanhamento das entradas e sadas, possa no existir saldo

    financeiro suficiente para suprir os dficits pblicos.

    Em contrapartida, no se pretende obter um fluxo de caixa com grandes

    sobras de recursos, o que permitiria uma anlise de falta de aes prioritrias

    voltadas para melhorias municipais, como sade, educao, assistncia social,

    obras pblicas, dentre outras.

    O objetivo ao se desenvolver uma demonstrao de fluxo de caixa

    mensal o equilbrio entre os ingressos e desembolsos de caixa e o manter no

    mnimo proporcional as necessidades de cada entidade.

    O ajuste das aes a engrenagem que deve movimentar um

    planejamento mais adequado do caminhar pblico, com base em informaes

    extradas deste novo demonstrativo exigido na contabilidade pblica.

    Porm verificamos que ocorre o inverso na prtica atual, pois ao se

    elaborar as Demonstraes de Fluxos de Caixa A e B, exemplo deste estudo,

    confirma-se a realidade da maioria das entidades pblicas, falta de controle de

    gastos e endividamento crescente.

    Portanto, em ambos os casos a gerao lquida de caixa e equivalente

    de caixa foram negativas o que geram uma grande preocupao em constatar

    alguns pontos, que podem ser resumidos em:

    Ponto 1 No h um acompanhamento mais gerencial e cauteloso quanto ao

    ingresso de receitas e o desembolso em aes e servios pblicos, visto que,

    no Municpio A o fluxo de caixa das atividades das operaes foram de

    resultado negativo em R$ (472.209,44), e na mesma situao encontra-se o

    Municpio B com resultado negativo e alarmante de R$ (660.769,67).

    inadmissvel, que um gestor pblico contraia gastos onerosos ao municpio

    sem planejamento e fontes de recursos que arquem com tais despesas.

    Os crimes de responsabilidade do prefeito esto relacionados no

    Decreto-Lei n 201/1967, cabendo o julgamento das infraes penais ao

  • 37

    Tribunal de Justia e das infraes polticos-administrativas, Cmara de

    Vereadores, em processos autnomos. Com o advento da Lei Complementar

    101/2000, que trata da responsabilidade da gesto fiscal, gerou a produo da

    Lei n 10.028, de 19 de outubro de 2001, e est acrescentou ao Decreto-Lei

    201/1967 incisos no artigo 4 e 5 que, relaciona os crimes de

    responsabilidade dos prefeitos praticados contra as finanas pblicas.

    Nos casos analisados, houve mais desembolsos em 2013 que ingressos

    efetivos de receitas, claramente constatam-se a falta de planejamento e a no

    existncia de acompanhamento das receitas. Deixando-se de realizar ajustes

    no cronograma de desembolso quando se verificou no decorrer dos meses

    uma expectativa menor de arrecadao de receitas e que deveriam ser

    sanados gastos excessivos.

    Ponto 2 No houve a verificao de ingressos decorrentes de investimentos

    no Municpio B, enquanto que no Municpio A promoveu-se a alienao de R$

    45.000,00 a ttulo de fluxo de caixa de investimentos o que amenizou uma

    mnima parte do dficit no fluxo de caixa das operaes.

    Ponto 3 O fluxo de caixa de financiamento zerado em ambos os casos, pode-

    se justificar como primeiro ano de mandato da gesto 2013/2016, motivo este,

    que no foram realizadas operaes de crditos juntos as entidades bancrias

    e posteriores amortizaes da dvida.

  • 38

    CONCLUSO

    Acompanhar o controle financeiro um direito elementar da cidadania e

    um pilar da responsabilidade social, tanto para os gestores quanto para os

    usurios de informao e demais interessados.

    Mas para que esta responsabilidade social comece necessrio que

    estejamos abertos a entender e conhecer as mudanas introduzidas pelas

    novas normas que visam adaptar a contabilidade pblica aos padres

    internacionais, e a NBC T 16.6 um exemplo claro, de que o acrscimo da

    Demonstrao de Fluxo de Caixa, s tende a beneficiar os gestores pblicos

    no gerenciamento e controle financeiro.

    Planejamento e equilbrio so palavras de ordem e que iro garantir a

    evoluo de uma gesto eficiente voltada no s para o foco oramentrio,

    mas para o desempenho financeiro, a capacidade de expanso, de

    responsabilizao dos compromissos assumidos, evitando um endividamento e

    um dficit pblico que no permitir o cumprimento das metas e diretrizes

    estabelecidas pelo Plano Plurianual, pela Lei de Diretrizes Oramentrias e

    pelo Oramento Anual, instrumentos balizadores das aes pblicas.

    Inmeras vantagens foram demonstradas ao longo deste estudo sobre a

    utilizao peridica do fluxo de caixa de maneira, e resumidamente pode-se

    entender que empregar da melhor forma possvel os recursos financeiros

    disponveis para as entidades pblicas. No caso prtico ficou claro que no

    existe tal acompanhamento, motivo esse que comprova uma dura realidade

    brasileira, que com o passar dos anos a dvida pblica nas entidades, s

    aumentam devido talvez a uma falta de cultura ou at zelo com a coisa pblica.

    Espera-se com as punies mais severas pela esfera judiciria e por o

    controle externo exercido pelo Poder Legislativo e Tribunais de Contas, tais

    mecanismos sejam vistos como fundamentais na gesto fiscal.

  • 39

    REFERNCIAS

    ABNT. NBR6022: informao e documentao artigo em publicao peridica cientfica impressa apresentao. Rio de Janeiro, 2003. ALBUQUERQUE. Cludio Manoel. Manual Bsico de treinamento para municpios: a execuo oramentria e financeira e o cumprimento das metas. 2.ed. Braslia: MP, BNDES, CEF, 2002. ANDRADE, Nilton de Aquino. Contabilidade pblica na gesto municipal. So Paulo: Atlas, 2002. ASSAF NETO, Alexandre, SILVA, Csar Augusto Tibrcio. Administrao de Capital de Giro. 2.ed. So Paulo: Atlas, 1997. BRASIL. Constituio (1988). Constituio da Repblica Federativa do Brasil. Braslia, DF, Senado, 1988. BRASIL. Congresso Nacional (2000). Lei Complementar n 101, 4 de maio de 2000. LRF LEI de Responsabilidade Fiscal, Braslia, 24 p., maio 2000a. BRASIL. Congresso Nacional (2009). Lei Complementar n 131, 27 de maio de 2009. Lei da Transparncia. Braslia, 2009. BRASIL. Lei, n 4.320, de 17 de maro de 1964. Institui Normas Gerais de Direito Financeiro para Elaborao e Controle dos Oramentos e Balanos da Unio, dos Estados, dos Municpios e do Distrito Federal. Dirio Oficial da Unio, Braslia, DF, 23 mar. 1964. BRASIL. Ministrio da Fazenda. Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Pblico: aplicado Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios: vlido para o exerccio de 2013: portaria STN n 437, de 12 de julho de 2012. Disponvel em: http://www3.tesouro.fazenda.gov.br/legislacao/download/contabilidade/Parte_V_DCASP2012.pdf. Acesso em: 31/01/2014. BRASIL, 2008. Resoluo CFC n 1.133 de 25 de novembro de 2008. Disponvel em: http://www.cfc.org.br/sisweb/sre/docs/RES_1133.doc. Acesso em: 20/01/2014. COSTA QUINTANA, Alexandre, GONALVES MUNHOZ, Cristiane e TEIXEIRA DE AZEVEDO, Sandro. A Demonstrao do Fluxo de Caixa: um comparativo histrico e conceitual: Artigo publicado na Revista Brasileira de Contabilidade Julho/Agosto/2007. CRUZ, Flvio da; GLOCK, Jos Osvaldo. Controle interno nos municpios. So Paulo: Atlas, 2003.

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  • 40

    CUNHA, ValesKa Guimares Rezenda da. Artigo Cientfico: guia, orientao e normatizao. Disponvel em: http://sga.uniube.br /academico /LMS /index Sala.php/dowloand/NORMAS_ARTIGO_07mar2012.pdf. Acesso em: 11/05/2014. MATARAZZO, Dante Carmine. Anlise financeira de balanos, abordagem gerencial. So Paulo: Atlas, 1995. MONTEIRO, Cludio Jorge. O modelo de avaliao do fluxo de caixa lquido da empresa: o caso Telebrs (Dissertao). So Paulo: USP, 1997. NASCIMENTO, Edson Ronaldo. Gesto Pblica: tributao e oramento; lei de responsabilidade fiscal; tpicos em contabilidade pblica; gesto pblica no Brasil, de JK a Lula; administrao financeira e oramentria; finanas pblicas nos trs nveis de governo. So Paulo: Saraiva, 2006. PEDERNEIRAS, M. M. M.; et. al. Uma investigao na complementaridade do Fluxo de Caixa e do Balano Financeiro aps a aprovao da NBCASP 16.6 para o setor pblico. Revista de Administrao, Contabilidade e Sustentabilidade. Pernambuco, v. 3 n.3, p. 99-120. Edio Especial, 2013. Disponvel em: http://150.165.111.246/revistaadmin/index.php/uacc/index/ Downloads/156-783-1-PB .pdf. Acesso em 15 de Abr. 2014. ROSS, Stephen A.; WESTERFIELD, Randolph W.; JAFFE, Jeffrey F. Administrao Financeira. Traduo de Antnio Zorato Sanvicente. So Paulo: Atlas, 1995. SILVA, Daniel Salgueiro da. Guia Contbil da Lei de Responsabilidade Fiscal para aplicao nos Municpios. 3. Ed. Braslia: Conselho Federal de Contabilidade; So Paulo. 2001. TOLEDO Jr., Fbio C. de. Lei de Responsabilidade Fiscal comentada artigo por artigo. So Paulo: NDJ, 2001. ZDANOWICZ. Jos Eduardo. Fluxo de Caixa: uma deciso de planejamento e controle financeiros. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 1998.

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