DFC E DVA[1]

  • Published on
    18-Jul-2015

  • View
    358

  • Download
    0

Embed Size (px)

Transcript

<p>CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO</p> <p>Cmara de Pesquisa e Desenvolvimento ProfissionalHome page: www.crc.org.br - E-mail: cursos@crcrj.org.br</p> <p>DEMONSTRAO DOS FLUXOS DE CAIXA E DEMONSTRAO DO VALOR ADICIONADO</p> <p>Armando M. Borelyarmando.borely@globo.com 02 de janeiro de 2011</p> <p>2 SUMRIO 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. I. II. III. 1 PARTE: FLUXO DE CAIXA Introduo Definio Demonstraes Contbeis e o Fluxo de Caixa Finalidade Apresentao Outras Questes Relacionadas Apresentao da DFC Consideraes gerais Comparao entre as prticas contbeis 2 PARTE: DEMONSTRAO DO VALOR ADICIONADO - DVA Introduo Utilizao Modelo de DVA CONCLUSO BIBLIOGRAFIA EXERCCIOS PROPOSTOS</p> <p>3</p> <p>1 PARTE: FLUXO DE CAIXA1. INTRODUO O fluxo de caixa uma ferramenta que auxilia o administrador financeiro na tomada de decises, pois, reflete e prev o que ocorrer com as finanas da empresa em determinado perodo. Na implantao do fluxo de caixa o administrador financeiro levar em considerao a capacidade financeira da empresa e que perodo pretende abranger. Tanto mais precisas e exatas as informaes, maior contribuio agregaro ao correto funcionamento do fluxo de caixa. De posse de informaes geradas pelo fluxo de caixa, o administrador financeiro poder planejar e controlar as finanas da empresa, desde a compra da matria-prima at a projeo das vendas, fazendo com que haja uma sincronizao de caixa, buscando o equilbrio entre os prazos de compra e venda, maximizando, desta forma, os recursos financeiros. 2. DEFINIO A Demonstrao do Fluxo de Caixa, a DFC, evidencia a variao lquida do saldo contbil do caixa, bancos e equivalentes, no perodo reportado, evidenciando os recebimentos e os pagamentos que causaram esta variao. ATIVO ATIVO CIRCULANTE Caixa e Bancos 1.000 700 300 31/12/2003 31/12/2002 VARIAO</p> <p>Recebimentos e pagamentos que geraram esta variao do caixa de $300: o Recebimento de clientes o Pagamentos a fornecedores o Compra de equipamentos o Pagamentos de emprstimos (=) Aumento lquido no caixa 600 (200) (60) (40) 300</p> <p>4 A DFC demonstra esses recebimentos e pagamentos organizados em trs grupos denominados Grupos de Atividades: Operacional Investimento Financiamento Essa demonstrao de fundamental importncia para os usurios, juntamente com o Balano Patrimonial, Demonstrao de Resultados do Exerccio, Demonstraes das Mutaes do Patrimnio Lquido (ou Demonstraes dos Resultados Acumulados), alm das notas explicativas. A lei 11.638 (28/12/2007) determina a substituio da Demonstrao de Origens e Aplicaes de Recursos (DOAR) pelo Fluxo de Caixa. A companhia fechada com patrimnio lquido, na data do balano patrimonial, inferior a R$ 2.000.000,00 (Dois milhes de reais) no est obrigada elaborao e publicao da DFC (art. 1 da lei 11.638/07). As empresas de capital aberto j estavam obrigadas a divulgar esta demonstrao desde 2006, com base na Deliberao - CVM n 488 (out/2005). O Conselho Federal de Contabilidade (Res. 1.296/10), o Comit de Pronunciamentos Contbeis (CPC n 03 R3), baseado no IAS 07 do IASB, aprovaram normas que tratam da Demonstrao do Fluxo de Caixa e, que foi referendado pela CVM (Comisso de Valores Imobilirios). As normas internacionais de contabilidade obrigam a essa demonstrao atravs da IAS 7. A DFC tambm exigida pelo Financing Accounting standard Board FASB, atravs do Statement of Financing Accounting Standard SFAS 95, para as empresas que preparam demonstraes financeiras com base no USGAAP. A DFC deve ser publicada anualmente pelas empresas como parte das demonstraes financeiras que, em conjunto com outras informaes e compem o Annual Report enviado a Security Exchange Comission-SEC para uso pblico. So isentos de preparar a DFC: alguns Fundos de Penso e Fundos de Investimentos com determinadas caractersticas operacionais e de formao jurdica, conforme definidas no SFAS 95.</p> <p>5</p> <p>3. AS DEMONSTRAES CONTBEIS E O FLUXO DE CAIXA Segundo o Prof. Eliseu Martins, a conexo entre as demonstraes contbeis ntima e fundamental. O balano e a demonstrao do resultado, se elaborados luz do custo histrico puro e na ausncia de inflao, so a distribuio lgica e racional ao longo do tempo do fluxo de caixa da empresa. Um ativo possui, alm das disponibilidades e das aplicaes de caixa efetuadas, direito que sero transformados em caixa e, alm disso, possui bens que esto representando o montante de caixa desembolsado ou a ser desembolsado em funo de sua aquisio. O passivo representa valores a desembolsar futuramente, logo, o balano inteiro, sem exceo, tem ligao com o fluxo de caixa. A demonstrao de resultados possui receitas que foram ou sero recebidas em dinheiro e despesas que foram ou sero pagas da mesma forma. Assim, o lucro transita obrigatoriamente pelo caixa da empresa. Podemos, ento, afirmar que as demonstraes contbeis e o fluxo de caixa so complementares entre si. 4. FINALIDADE Iudcibus (2003, p.399) evidencia que a DFC, em conjunto com outras informaes contidas nas demonstraes contbeis, tem como objetivo principal permitir aos investidores, credores e outros usurios das demonstraes financeiras: Avaliar a capacidade da companhia para gerar fluxos de caixa positivos para: (a) atender suas obrigaes financeiras, (b) pagar dividendos e (c) sua necessidade de financiamento externo. Identificar as razes para a diferena entre o lucro lquido e a evoluo do caixa lquido. Avaliar o efeito, sobre a situao financeira da companhia, das atividades de financiamento e investimento que no geraram entradas e sadas de caixas. Facilitar a anlise e o clculo na seleo de linhas de crdito a serem obtidas junto a instituies financeiras.</p> <p>6 Programar os ingressos e desembolsos de caixa, de forma criteriosa, permitindo determinar o perodo em que dever ocorrer carncia de recursos e o montante, havendo tempo suficiente para as medidas necessrias. A DFC permite alcanar esses objetivos em funo do seguinte: a) Avaliar a capacidade da companhia de gerar fluxos de caixa positivos para atender suas obrigaes financeiras e pagar dividendos, bem como sua necessidade de financiamento externo. b) Identificar as razes para a diferena entre o lucro lquido e a evoluo do seu caixa lquido. As normas nacionais e internacionais determinam que a empresa demonstre na prpria DFC ou em separado, o lucro lquido ajustado (somado e/ou subtrado) das receitas e despesas que no representam entradas e sadas de caixa (depreciao, equivalncia patrimonial, contas a receber, etc...). A reconciliao permite identificar os principais valores dentro do lucro do exerccio que no representaram entradas e sadas de caixas. Com essa informao, a DFC oferece aos usurios das demonstraes financeiras os elementos necessrios para entender porque, em alguns casos, empresas apresentam resultados positivos (lucros), mas ao mesmo tempo apresentam difcil situao de liquidez. c) Avaliar o efeito sobre a situao financeira da companhia, das atividades de financiamento e investimento que no geraram entradas e sadas de caixa. As transaes de financiamento e investimento que no afetaram caixa, mas que afetaram a situao financeira da companhia, devem ser divulgadas parte da DFC ou em forma narrativa. Exemplos de transaes desta natureza: Compra de bens do imobilizado para pagamento a longo prazo. Capitalizao de dvidas. Aumento de capital com entrega de bens e direitos, etc. Aquisio de imobilizado via contrato de arrendamento mercantil.</p> <p>7 A importncia desta informao importante para a situao financeira da empresa, com relao ao aumento ou diminuio de seu endividamento, e no fluxo de caixa futuro da empresa. Por exemplo:</p> <p> A capitalizao de dvidas diminui o grau de endividamento da empresa no curto e longo prazo bem como representa reduo, no futuro, das sadas do caixa. A compra de bens ou de participao societria atravs do financiamento de terceiros, seja qual for a sua natureza, representa pagamentos relevantes no fluxo de caixa futuro da empresa. A integrao de capital com a utilizao de bens e direitos afetam o fluxo de caixa futuro da empresa pelo pagamento de dividendos aos novos acionistas. Concluindo, o motivo destas informaes vai de encontro ao objetivo final das demonstraes financeiras que servir de base para os investidores avaliarem a capacidade da companhia em gerar, no futuro, resultados e recursos suficientes para pagar dividendos e honrar seus compromissos financeiros e de investimentos. Portanto, uma transao com potencial de afetar de forma significativa o fluxo de caixa da companhia no futuro, como as exemplificadas anteriormente, importante para os investidores e devem ser divulgadas. 5. APRESENTAO De acordo com o IBRACON (1999), o CFC e a Lei 11.638/07, a DFC deve apresentar os recebimentos e pagamentos no perodo reportado, separados, no mnimo, em trs diferentes Grupos de Atividades, a saber: Fluxos de Caixa das Atividades Operacionais. Fluxos de Caixa das Atividades de Financiamento. Fluxos de Caixa das Atividades de Investimento.</p> <p>a) Fluxos de Caixa das Atividades Operacionais (FCAO): Nesse grupo devem ser agrupados todos os recebimentos e pagamentos referentes s atividades relacionadas ao objetivo principal da companhia: comprar matria-prima, produzir, vender, financiar seus clientes, prestar servios, recolher os</p> <p>8 impostos e encargos sociais, etc... Os recebimentos e pagamentos agrupados no FCAO esto, na maioria, diretamente relacionada s receitas e despesas que compem a demonstrao do resultado da companhia: receita de vendas, custo de produo, despesas com salrios e encargos, despesas com impostos, despesas de vendas, etc... O FCAO pode ser apurado e apresentado pelos mtodos Direto ou Indireto. Em ambos os mtodos o saldo lquido do caixa do FCAO o mesmo. O que diferencia a sua forma e apurao e apresentao, como seguem:</p> <p>Mtodo Direto No Mtodo Direto todas as entradas e sadas do caixa relativas s atividades operacionais so apuradas e apresentadas por classes de transaes: total recebido dos clientes e de outras atividades operacionais, totais pagos aos fornecedores e funcionrios, impostos, etc... O FASB determina quais so as classes que, no mnimo, devem compor o FCAO, a saber: (+) Recebimento dos clientes por venda de mercadorias, servios, aluguel, etc... (+) juros e dividendos recebidos. (+) Outros recebimentos relacionados s atividades operacionais. (-) Pagamentos a funcionrios e outros fornecedores de mercadorias e servios, incluindo seguros, propaganda e similares. (-) Juros pagos. (-) Imposto de renda pago. (=) fluxo de Caixa Obtido/Aplicado das/nas Atividades Operacionais Pontos de ateno em relao utilizao do Mtodo Direto: 1) A composio mnima dos recebimentos e pagamentos das atividades operacionais pelo Mtodo Direto, conforme acima, a ttulo de sugesto. A companhia deve detalhar essas classes de transaes no nvel que julgar ser mais til para os usurios das suas demonstraes financeiras. 2) Quando o Mtodo Direto o escolhido, obrigatria a apresentao da Reconciliao do Lucro Lquido com o Caixa Lquido Obtido das Atividades</p> <p>9 Operacionais, a qual veremos a seguir com a explicao do FC apurado pelo Mtodo Indireto. A estrutura da DFC atravs do mtodo direto seria a seguinte: DEMONSTRAO DE FLUXO DE CAIXA ANO 1 Atividades Operacionais Recebimentos de clientes Recebimento de juros Duplicatas descontadas Pagamentos o A fornecedores de mercadorias o De impostos o De salrios o De juros o Despesas pagas antecipadamente Caixa Lquido das Atividades Operacionais Atividades de Investimentos Recebimento pela venda de imobilizado Pagamento pela compra de imobilizado 15.000 -20.000 -5.000 -10.000 -2.000 -21.000 -1.000 -2.600 -1.800 29.500 300 5.000</p> <p>Caixa Lquido das Atividades de Investimentos Atividades de Financiamento Aumento de capital Emprstimo de curto prazo Distribuio de dividendos 10.000 10.000 -1.500</p> <p>Caixa Lquido das Atividades de Financiamento Aumento Lquido das Disponibilidades Saldo de Caixa (+ equivalentes) em X0 Saldo de Caixa (+ equivalentes) em X1</p> <p>18.500 11.700 5.600 17.300(Fonte: Idicibus, p.407, op.citada)</p> <p>10 Mtodo Indireto No Mtodo Indireto, os recebimentos e pagamentos do FCAO so representados pelo lucro/prejuzo lquido do exerccio. O lucro/prejuzo lquido deve ser ajustado pela adio e subtrao das seguintes transaes: Receitas e despesas provisionadas no resultado do ano corrente que no foram recebidas e pagas (contas a receber de cliente, salrios a pagar, impostos a pagar, etc...). Receitas e despesas provisionadas no resultado do ano anterior e que foram recebidas e pagas no ano corrente (contas a receber de clientes, salrios a pagar, impostos a pagar, etc...). Outros ajustes efetuados no resultado do ano corrente e que no afetam o caixa (depreciao, amortizao, ganho/perda de equivalncia patrimonial, etc...). Outros pagamentos e recebimentos sem efeito no resultado do ano corrente, mas que possuem caractersticas de atividade operacional: adiantamento a fornecedores, adiantamento de clientes, adiantamentos de salrios, etc... Quando o Mtodo Indireto o escolhido, existem duas formas de reportar o FCAO: Apresentar o FCAO pelo seu caixa lquido, em uma nica linha, e a reconciliao do Lucro Lquido com o Caixa Lquido obtido das Atividades Operacionais em separado do DFC, ou Apresentar o lucro lquido e a reconciliao dentro do demonstrativo do FCAO. Essa a forma mais utilizada pelas empresas de uma forma geral.</p> <p>11 A estrutura da DFC atravs do mtodo indireto seria a seguinte: DEMONSTRAO DO FLUXO DE CAIXA ANO X1 Atividades Operacionais Lucro Lquido o Mais: Depreciao o Menos: Lucro Lquido na venda de imobilizado Aumento em duplicatas a receber Aumento em PCLD Aumento em duplicatas descontadas Aumento em estoques Aumento em despesas pagas antecipadamente Aumento em fornecedores Reduo em proviso para IR Reduo em salrios a pagar 3.900 1.500 -3.000 -10.000 500 5.000 -3.000 -2.000 13.000 -700 -7.000 -1.800</p> <p>Caixa Lquido das Atividades Operacionais Atividades de Investimentos Recebimento pela venda de imobilizado Pagamento pela aquisio de imobilizado 15.000 -20.000</p> <p>Caixa Lquido das Atividades de Investimentos Atividades de Financiamento Aumento de capital Emprstimo de curto prazo Distribuio de dividendos 10.000 10.000 -1.500</p> <p>-5.000</p> <p>Caixa Lquido das Atividades de Financiamento Aumento Lquido nas Disponibilidades Saldo de caixa (+ equivalentes) em X0 Saldo de caixa (+ equivalentes) em X1</p> <p>18.500 11.700 5.600 17.300(Fonte: Iudcibus, p. 407, op.citada)</p> <p>Obs.: importante divulgar em Notas Explicativas o valor dos juros e imposto de renda pagos no perodo, caso seja utilizado o mtodo indireto.</p> <p>12</p> <p>Consideraes na escolha do Mtodo O FASB e o IASB encorajam a empresa a utilizar o mtodo Direto. Esta recomendao em funo do maior detalhamento dos recebimentos e pagamentos que esse mtodo oferece em relao ao Mtodo Indireto. Entretanto, o Mtodo Direto apresenta duas desvantagens para quem prepara a DFC, o que leva a maioria das empresas a escolher o Mtodo Indireto, a saber: Primeira desvantagem O Mtodo Direto muito mais trabalhoso porque os recebimentos e pagamentos...</p>