Radio Escola

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    19-Jun-2015

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MiniCurso Rdio Escola

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<p>NCLEO DE TECNOLOGIA EDUCACIONAL</p> <p>Por: Francis Aires (Bolsista NTE BELM)</p> <p>TUTORIAL: RDIO ESCOLA.</p> <p>Manual do formador</p> <p>Dicas para Comunicadores Populares</p> <p>BELEM-PA 2010</p> <p>Introduo:Apresentao De Guerreiro a Amigo A Histria do Rdio Captulo 1 Rdio e cidadania Captulo 2 Linguagem Captulo 3 Como falar no Rdio Captulo 4 Gneros e formatos Captulo 5 - Comentrio Captulo 6 - Entrevista Captulo 7 - Enquete Captulo 8 - Notcia Captulo 9 Spot Captulo 10 Vinheta Captulo 11- Rdio-revista Captulo 12 - Dinmicas Captulo 13 Avaliao Anexos: Dicas de leitura Bibliografia</p> <p>Apresentao de casa!? Tem algum a? Ah, que bom que voc est a, porque ns, da Rede de Comunicadores Solidrios Criana, estamos chegando para ficar com voc nas prximas pginas e em todas as ondas que levam vida, alegria e esperana no futuro. O que ? Esta cartilha quer ser como o rdio: uma companhia constante; um instrumento de trabalho, como a enxada, que ajuda o agricultor a trabalhar a terra; como a pororoca, que destri e renova tudo. Como utilizar? Alm de servir para auxiliar o seu trabalho, esta cartilha um convite para que voc se torne um multiplicador. Por isso, cada captulo traz dicas de como capacitar e, no final, voc encontrar sugestes de livros que podero ajud-lo nesta misso. Mas a melhor forma de voc utilizar esta cartilha renovando-a a cada dia de trabalho, tornando-a viva, dialogando com ela, acrescentando seu saber e experincia. Afinal, como j dissemos, ela quer ser uma companheira nesta viagem pelas ondas do rdio e no uma esttua de pedra. Boa leitura e bom trabalho!</p> <p>De Guerreiro a AmigoA Histria do Rdio Voc escuta rdio? Quando escuta? Onde voc escuta? E por que voc escuta rdio? A essa altura, se juntarmos as respostas de todos os que esto lendo ou j leram esta cartilha, vamos concluir, junto com o IBGE (Fundao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica), que o rdio o meio de comunicao de maior abrangncia no Brasil. Enquanto a TV est na casa de 81% dos brasileiros, o rdio est em quase 89%. E na zona rural esta diferena aumenta ainda mais: 48% possuem TV e mais de 80% possuem rdio. O rdio , assim, o companheiro de todas as horas; o amigo que aconselha, desperta e faz dormir; serve de cupido: promove amores e amizades; o mensageiro para os lugares onde o correio no chega e para quem as letras no fazem sentido; ele diverte, emociona, faz rir e chorar, vira palanque e cabo eleitoral, informa e desinforma, liberta e aliena... Mas, ser que foi sempre assim? O rdio quando foi criado, no final do sculo XIX, foi confinado ao ambiente militar. Por ser considerado arma de guerra, at 1919, as emisses particulares eram proibidas em toda parte. A 1 Guerra Mundial (1914-1917) foi o primeiro laboratrio de utilizao do rdio para fins militares. Para se ter uma idia, foi a radiocomunicao que garantiu o sucesso das operaes navais da Inglaterra. Naquele perodo, era a Inglaterra que praticamente dominava a tecnologia da comunicao sem fio, fazendo transmisses de mensagens que cruzavam o Oceano Atlntico atravs das ondas do rdio. Isto fez com que os EUA, aps a Guerra, reunissem esforos junto com grandes companhias do pas, para investirem, maciamente, na nova tecnologia. Depois que saiu de sua fase experimental e as emisses particulares foram liberadas, os anos 20 receberam o rdio com grande entusiasmo. No mundo inteiro acreditava-se que ele serviria para elevar o nvel cultural de toda a populao. O professor Roquette Pinto um exemplo desse otimismo no Brasil. Junto com Henry Morize, fundou a Rdio Sociedade do Rio de Janeiro, em 20 de abril de 1923, marcando assim a instalao definitiva da radiodifuso no Brasil: Todos os lares espalhados pelo imenso territrio do Brasil recebero, livremente, o conforto moral das cincias e da arte (...). Tudo isso h de ser o milagre das ondas misteriosas que transportam no espao, silenciosamente, as harmonias. (TOTA, 1990:17) Assim, a primeira funo do rdio brasileiro foi, principalmente, educativa. Nesta fase inicial, o rdio ainda era um produto acessvel apenas s elites urbanas, sendo um dos marcos da expanso da sociedade de consumo. Apesar dos</p> <p>esforos de Roquette Pinto por uma programao educativa e cultural popular, o rdio acabava transmitindo mais o que melhor caa no gosto dessas elites: peras, conferncias, palestras, inclusive em outras lnguas. Mas tambm veiculava, alm dos noticirios, aulas de portugus, francs, histria do Brasil, geografia, fsica, qumica, higiene, silvicultura. Passado esse entusiasmo inicial, outros usos do rdio foram aparecendo, como o uso poltico e o uso comercial. Ele passou a ser usado para vender produtos: de ideologias a pasta de dentes. O rdio foi utilizado para propagar ideologias como, por exemplo, o Nazismo, na Alemanha. O Ministro da Informao e Propaganda, Paul Joseph Goebbels, usou o rdio intensamente como estratgia para criar uma imagem de Hitler como um homem poderoso e invencvel. H pesquisadores que afirmam que Hitler no teria sido possvel sem o rdio. No Brasil, o primeiro governante a usar o rdio com o objetivo de doutrinao ideolgica foi Getlio Vargas. Ele criou, em 1937, o programa Hora do Brasil (hoje, A voz do Brasil) que transmitia seus discursos, de segunda a sexta-feira, em cadeia nacional, tornando-se o divulgador oficial do governo. Tanto no uso poltico quanto no comercial, o rdio passou a visar o lucro e o poder para os que o tinham nas mos. Os anos 40 foram decisivos, pois a comunicao popular se firmou no rdio. Enfim, a msica brasileira, os programas humorsticos, as novelas, criaram e aperfeioaram a linguagem do rdio brasileiro. Na dcada de 50, com o aparecimento da TV, o rdio parecia ter entrado em decadncia. Na realidade, ele passou por um longo perodo de transio e busca de nova identidade; resistiu grande crise e retomou, a partir dos anos 60, um pouco do seu esprito inicial. Embora com bem menos entusiasmo, voltou a ser usado para fins educativos e culturais. No Brasil, foram criados os programas de alfabetizao para jovens e adultos, como o Movimento de Educao de Base. O MEB utilizava amplamente o rdio para chegar nos mais distantes recantos do pas e cumprir a misso de alfabetizar todos os brasileiros. Hoje, este uso foi novamente esquecido pela maioria dos que atuam no rdio. O Professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Roberto Salvador, questiona: O hbito de ouvir Rdio caracterstico de 88 por cento da populao brasileira. E isto porque ele est em todos os lugares (...). E a eu pergunto: cad o Rdio na sala de aula? Afinal, se ele do agrado de tantos por que a escola dele no se agradou? Voltando para nossa histria, bom lembrar que os vrios usos do rdio acontecem juntos, s que uns se sobressaem mais do que os outros, de acordo com a poca. E isto que estamos destacando nesta breve histria.</p> <p>A partir da dcada de 70, teve incio o processo de democratizao do rdio: as ondas hertzianas so patrimnio da humanidade, pertencem a todos, portanto, todos tm o direito de emitir opinies, participar da construo das notcias, ser sujeito da comunicao. Neste sentido, o movimento das rdios comunitrias, tambm chamadas livres, participativas ou populares, tem conseguido grande avano no processo de democratizao do rdio e na utilizao do veculo para fins sociais. Assim, o rdio d um passo a mais para cumprir sua misso de no somente levar o ouvinte a escutar, mas lev-lo a falar (Bertolt Brecht). Na perspectiva da Associao Latino-americana de Educao Radiofnica ALER, o papel do rdio nestes novos tempos consiste em formar os cidados para a construo de uma sociedade mais democrtica. Neste sentido, a ALER aponta algumas idias de como podemos usar o rdio para alcanar este objetivo: 1. Dar a palavra ao povo porque a palavra poder. Hoje, s o que aparece nos meios de comunicao existe. Por isso, o rdio deve continuar entregando o poder da palavra aos trabalhadores, s mulheres, s crianas, s instituies da sociedade civil, s pessoas que participam dessas organizaes, ao homem da esquina, sobretudo, aos setores e sujeitos sociais marginalizados. A participao d poder e este poder permite atuar sobre a realidade para transformla. 2. Estar aberto a todos os setores. Todos devem poder falar: os diferentes partidos polticos, os poderes pblicos... O rdio deve estar aberto pluralidade, ou seja, a todos os atores sociais sem distino, nem discriminao. 3. Uma comunicao horizontal. O rdio deve estar conectado com o povo e a sociedade. Deve partir e se nutrir da vida das comunidades, levar em conta a pessoa e sua integridade, suas necessidades, seus afetos, seus gostos e interesses. 4. Promover uma participao educativa. A participao permite ao povo avanar na formao de um saber: quando falamos temos que estruturar nosso pensamento, realizar um processo intelectual que nos ajude a crescer. Esta participao ser til e educativa na medida em que o rdio planeje e estabelea objetivos claros. 5. A produo criativa de espaos e formas participativas. A participao no est somente em oferecer o microfone para que todos falem. Ela passa pela produo de programas criativos e de entretenimento que promovam uma participao de qualidade e que contribua com o cumprimento do projeto de democratizao da comunicao. Assim, o rdio, neste novo milnio, pe todo o seu potencial disposio da cidadania e da solidariedade. A continuao dessa histria s depende de ns, comunicadores solidrios: como estamos usando o rdio? E para qu? Muitos decretaram o fim do rdio, quando a TV surgiu na dcada de 50. Mas ele resistiu e, hoje, mesmo com todo o desenvolvimento de outros meios de comunicao, como a TV a cabo e a internet, ele continua sendo o veculo de massa mais democrtico</p> <p>e o mais eficaz para se fazer uma mobilizao social, pois fala para a comunidade. E, apesar de toda a globalizao, as respostas, as sadas para os problemas da sociedade, com certeza, passam por solues encontradas pela prpria comunidade (desde um problema com a rede de esgotos, uma doao de sangue, at uma cobrana de polticas pblicas mais eficazes). A histria do rdio no terceiro milnio est nas mos de cada um de ns que quer realmente usar e abusar deste veculo para ajudar a formar cidados conscientes e uma sociedade justa e solidria. Por tudo isso, ns, comunicadores solidrios, que fazemos cursos, que produzimos, que queremos democratizar a comunicao, precisamos us-lo sem medo, mas com competncia, seriedade e leveza para que o rdio cumpra seu compromisso social. Isso ainda no est escrito, uma histria que ns vamos escrever juntos. Essa histria no termina Acaba de comear O que vai acontecer ( ou o que vamos escrever) coisa de imaginar!!!(Chico dos Bonecos-Carretel de Invenes/Fundao F e Alegria do Brasil)</p> <p>I - Rdio e cidadaniaO que faz uma rdio ser cidad a capacidade de mobilizar, de se envolver com o cotidiano da comunidade, de ajudar a promover mudanas. Em nosso pas, dezenas de coisas podem ser feitas a partir da rdio: luta por mais vagas nas escolas, por um bom servio de sade, combate discriminao racial, construo de casas em regime de mutiro, incentivo plantao de rvores em praas pblicas, localizao de pessoas desaparecidas, distribuio de cadeiras de rodas para portadores de necessidades especiais, defesa do patrimnio pblico etc. Os radialistas foram, aos poucos, descobrindo que qualquer pessoa pode falar sobre o assunto, no apenas o prefeito ou o secretrio de educao. Os pais, alunos, professores so boas fontes de informao porque, afinal de contas, esto completamente envolvidos com o assunto. E pra falar de educao, no necessrio um programa especial. O tema est no cotidiano das pessoas e, s isso, j motivo suficiente para entrevistas, enquetes, reportagens. Voc j parou pra pensar como anda a educao no seu municpio, a sade, a mortalidade infantil? Todos esses temas, e muitos outros, podem estar nos nossos programas, sejam eles musicais ou jornalsticos. Basta que a gente encontre uma forma agradvel de tratar do assunto. Assim se constri cidadania no rdio, discutindo, trocando idias sobre assuntos que esto muito presentes na nossa vida, mas que, muitas vezes, nem nos damos conta. E podemos fazer isso numa rdio comercial ou comunitria. No importa o canal, o que importa que ns, Comunicadores, temos compromisso com o que estamos dizendo no ar. Afinal, tambm somos Cidados. Uma rdio cidad quando: 1. Conhece bem a realidade dos seus ouvintes e d condies para que as pessoas e a comunidade discutam seus problemas, atravs de uma programao aberta para o dilogo; 2. Valoriza e respeita as diversas manifestaes artsticas e culturais da regio; 3. Abre espao e valoriza as diversas manifestaes artsticas e culturais locais; 4. Diverte, informa, fortalece os laos de amizade entre os membros da comunidade; 5. Usa seus programas musicais e de entretenimento para divulgar informaes de qualidade; 6. Promove debates sobre temas atuais; 7. Os comunicadores estabelecem relaes de confiana com a comunidade; 8. Usa uma linguagem clara, simples, alegre, bem humorada e motivadora; 9. Cria condies para que seus funcionrios comunicadores, operadores de udio, diretores, reprteres - possam sugerir programas, formas de se relacionar com a comunidade; 10. Trabalha com a variedade de gneros e formatos e apresenta programas geis e dinmicos; 11. Entra em rede com outras emissoras e grupos, recebendo, enviando e divulgando informaes. Jos Igncio Lpez Vigil, no livro Manual Urgente para radialistas apasionados, comenta a definio de uma comunicadora canadense, Vinny Mohr, para rdio local e emissora de alcance nacional: A rdio local como um espelho, a nacional, como uma janela. E Jos Igncio complementa:</p> <p>Nas emissoras locais, os cidados se vem refletidos, identificam seus problemas e imaginam solues e se organizam para melhorar sua qualidade de vida. A comunidade se escuta e escutando-se eleva a auto-estima individual e coletiva. Os vizinhos se conhecem mais, se reconhecem melhor. A rdio local constri identidade. As rdios nacionais ou regionais so como janelas para ver o que se passa no pas, para perceber outros mundos. (...) Em nosso territrio coexistem uma variedade de culturas, costumes e crenas. Conhecendo essa diversidade, aumentamos o respeito pelos demais. Geralmente, no se valoriza o que no se conhece. A rdio com alcance nacional nos faz estimar os outros, mesmo que os conheamos somente de ouvido. No somos iguais, mas valemos o mesmo. A rdio nacional constri solidariedade. Esta definio de Vigil ajuda-nos a compreender que a comunicao feita por uma rdio pequena no melhor ou pior do que a feita por uma grande emissora. O tamanho da emissora, na verdade, no importa; o que vai contar mesmo a qualidade da informao e da comunicao. Vamos tentar, daqui para frente, perceber as nossas rdios, ou mesmo os nossos programas, como espelhos onde refletimos a nossa realidade, e como janelas para a construo de solidariedade? Mos obra!</p> <p>II - LinguagemO que ?A arte de falar no rdio consiste precisamente em usar palavras concretas, que transmitem uma imagem, que possam ser vistas, tocadas, sentidas, que tenham peso e medida. Pala...</p>