SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA: .SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTARIA: RESPONSAVEL

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  • SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAO TRIBUTARIA:

    RESPONSAVEL EM SENTIDO ESTRITO

    Luiz Fernando Barboza dos Santos*

    Resumo: o presente artigo visa a abordar alguns tpicos atinentes sujeio passiva tributria, mais especificamente responsabilidade tributria em sentindo estrito,

    trazendo a lhume a opinio de renomados doutrinadores e analisando criticamente

    antigas e novas polmicas que norteam a matria.

    Sumrio: 1. Introduo. 2. Responsabilidade tributria. 2.1. Conceito. Limites. Causas. 2.2. Natureza jurdica. Autonomia da relao jurdica de responsabilidade tributria. 2.3.

    Distino e debate acerca da classificao entre sujeito passivo direto e sujeito passivo

    indireto. Classificao. 3. A reponsabilidade de terceiros: abordagem doutrinria e

    jurisprundencial do artigo 135, III, do CTN. 3.1. O artigo 135, III, do CTN. Elementos

    caracterizadores. 3.1.1. Sujeitos. 3.1.2. Necessidade do dolo. 3.1.3. Pressuposots

    fticos. 3.2. Da forma de constituio da responsabilidade do administrador. Natureza.

    3.4. Evoluo jurisprudencial acerca da matria. 4. Concluso. 5. Referncias

    bibliogrficas.

    1 INTRODUO

    O presente trabalho tem por escopo abordar a sujeio passiva em

    matria tributria, mais especificamente a responsabilidade tributria em sentido

    estrito.

    O tema restou divido em duas partes. Na primeira, aborda-se as noes

    gerais acerca da responsabilidade tributria, estudando-se o conceito do instituto,

    sua natureza jurdica, bem como a distino entre as figuras do contribuinte e do

    ____________________

    * Procurador do Estado do Rio Grande do Sul. Mestrando em Direito pela Universidade Federal do Estado do Rio Grande do Sul UFRGS.

  • responsvel. Esta parte versa, ainda, sobre a autonomia da relao jurdica

    ensejadora da responsabilidade tributria, assim como, em breve sntese, acerca

    das espcies de responsabilidade previstas no ordenamento jurdico ptrio.

    A segunda parte restringe-se ao estudo da responsabilidade dos scios-

    gerentes e administradores de pessoas jurdicas, prevista no artigo 135, III, do CTN.

    Aqui, busca-se detalhar o referido dispositivo legal, analisando-se as possibilidades

    e causas da referida responsabilidade de terceiros, fazendo-se uma abordagem

    sobre a evoluo da jurisprudncia acerca do tema, bem como introduzindo-se

    novas questes para o debate.

    Ressalte-se, por fim, a importncia e necessidade da discusso do tema,

    o qual, muitas vezes, recebe valorao aqum do que representa no contexto do

    direito tributrio. No se olvide que a sistematizao e compreenso terica da

    matria so imprescindveis soluo de diversos casos prticos envolvendo aes

    ordinrias que questionam a figura do substituto tributrio, bem como execues

    fiscais que busquem obteno do crdito tributrio por meio da responsabilizao

    dos scios-gerentes.

    2 RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA 2.1 Conceito. Limites. Causas

    O conceito de responsabilidade tributria deve ser desvelado a partir do

    artigo 1211 do CTN.

    Nos termos deste dispositivo legal, verifica-se que o gnero sujeio

    passiva tributria comporta duas espcies: contribuinte e responsvel. Contribuinte

    aquele que tem ligao pessoal e direta com o fato gerador, ou seja, aquele que

    pratica a conduta eleita pelo legislador ordinrio como reveladora de capacidade 1 Art. 121. Sujeito passivo da obrigao principal a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniria. Pargrafo nico. O sujeito passivo da obrigao principal diz-se: I - contribuinte, quando tenha relao pessoal e direta com a situao que constitua o respectivo fato gerador;

  • contributiva. O responsvel, por sua vez, a terceira pessoa a quem a lei determina

    a obrigao de pagar o tributo.

    Na doutrina no se logra encontrar uma definio especfica acerca da

    responsabilidade tributria, diferentemente do que ocorre com o conceito de

    contribuinte. Os doutrinadores dissecam o instituto a partir da idia exposta no CTN,

    no sentido de que o responsvel o terceiro designado por lei para o pagamento do

    tributo.

    A partir desta idia conceitual, pode-se trabalhar com os limites e causas

    da responsabilidade tributria,

    Com relao aos limites, afigura-se necessrio, em um primeiro

    momento, verificar se a escolha do terceiro pode se dar de forma aleatria ou se,

    ao contrrio, deve guardar alguma pertinncia com o fato gerador ou com a pessoa

    do contribuinte.

    O artigo 1282 do CTN determina de forma expressa que o terceiro deve

    ter vinculao com o fato gerador da obrigao tributria.

    Contudo, Maria Rita Ferragut3 amplia a determinao legal:

    Entendemos que o legislador livre para eleger qualquer pessoa

    como responsvel dentre aquelas pertencentes ao conjunto de

    indivduos que estejam (i) diretamente vinculadas ao fato jurdico

    tributrio ou (ii) direta ou indiretamente vinculadas ao sujeito que o

    praticou.

    Esses limites fundamentam-se na Constituio e so aplicveis com

    a finalidade de assegurar que a cobrana do tributo no seja II - responsvel, quando, sem revestir a condio de contribuinte, sua obrigao decorra de disposio expressa de lei. 2 Art. 128. Sem prejuzo do disposto neste captulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crdito tributrio a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigao, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindo-a a este em carter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigao.

  • confiscatria e atenda capacidade contributiva, pois, se qualquer

    pessoa pudesse ser obrigada a pagar tributos por conta de fatos

    praticados por outras, com quem no detivessem qualquer espcie de vnculo (com a pessoa ou com o fato), o tributo teria grandes

    chances de se tornar confiscatrio, j que poderia incidir sobre o

    patrimnio do obrigado e no sobre a manifestao de riqueza nsita

    ao fato constitucionalmente previsto. Se o vnculo existir, torna-se

    possvel a preservao do direito de propriedade e do no-confisco.

    A referida autora alarga a limitao prevista no Cdigo, eis que, a par da

    vinculao indireta ao fato jurdico, admite, ainda, a vinculao ao sujeito que

    realizou o fato (hiptese no contemplada em lei).

    Salvo melhor juzo, parece-nos que a posio da doutrinadora

    perfeitamente sustentvel, por meio do exemplo da responsabilidade do pai pelo

    pagamento do IPTU devido pelo filho menor. A responsabilidade neste caso no

    decorre de qualquer ligao do pai com o fato gerador do imposto, seno do vnculo

    existente com o contribuinte (aquele que realizou o fato gerador).

    Assevere-se, contudo, que tal limitao no se encontrava prevista no

    anteprojeto do Cdigo (1953), cujo artigo 163 assim dispunha:

    Art. 163. Sem prejuzo do disposto no Captulo V do Ttulo IV do

    Livro V, a lei tributria poder atribuir de modo expresso a

    responsabilidade pela obrigao tributria principal a terceira

    pessoa, expressamente definida, com a excluso da

    responsabilidade do sujeito passivo, ou em carter supletivo do

    cumprimento total ou parcial da referida obrigao por parte deste.

    Todavia, como bem relata Sacha Calmon Navarro Coelho4, a ideia de

    responsabilizao do terceiro independentemente de vinculao no logrou xito:

    3 FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributria e o Cdigo Civil de 2002. So Paulo: Noeses, 2009, p. 38. 4 COELHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributrio brasileiro. 6 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p 602..

  • Na Comisso do IBDF, Instituto Brasileiro de Direito Financeiro, hoje

    ABDF (Associao Brasileira de Direito Financeiro), por inspirao

    do notvel tributarista carioca, Dr. Gilberto Ulha Canto, foi formula-

    da uma modificao no corpo do artigo, ao argumento, de que como est redigido no nos parece que possa subsistir. Permitiria a

    transferncia do nus tributrio a qualquer terceiro sem nenhuma

    justificativa, e facultaria a discriminao. mister, para que se torne

    razovel, condicionar-lhe a aplicao aos casos em que o terceiro

    tenha alguma vinculao ao fato gerador ou aos atos, negcios ou

    relaes que lhe do origem. Acrescente-se: desde que seja parte

    interveniente na situao ou ato definidos como fato gerador da

    obrigao.

    ()

    A Emenda proposta, adiante-se foi acolhida pelo governo, embora

    com outra redao (Projeto Osvaldo Aranha, 1954). Passou-se a

    dizer que a responsabilidade seria de terceira pessoa vinculada de

    fato e de direito ao respectivo fato gerador.

    No que pertine s causas que do azo existncia do instituto da

    responsabilidade tributria, pode-se elencar basicamente duas: a) causa

    arrecadatria, que possui duas modalidades: a.1) convenincia (exemplos:

    substituio tributria, em que se verifica ser mais fcil fiscalizar apenas um sujeito,

    do que milhares; obrigao da fonte pagadora recolher o Imposto de Renda sobre

    salrios, caso em que se evidencia uma maior possibilidade de diminuir a

    inadimplncia); a.2) necessidade, tendo em vista que, muitas vezes, o sujeito

    passivo originrio desaparece, como nos caso