92243-If - RECIFE - Patologias Em Recife

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    X Congreso Latinoamericano de Patologa y XII Congreso de Calidad en la Construccin.CONPAT 2009. Valparaso-Chile.29 de Septiembre al 2 de Octubre

    Anlise das patologias em estruturas de concreto na zona litornea da cidadedo Recife-PE

    J. M. F. Mota1, R. B. Pontes1, J. A. Candeias Neto1, M. F. Oliveira1, H. T. Almeida1, A. M. P. Carneiro1

    1Departamento de Engenharia Civil e Programa de Ps-graduao em Engenharia Civil, Centro de Tecnologia eGeocincia, Universidade Federal de Pernambuco, joao@vieiramota.com.br

    RESUMO

    A inevitvel agresso em estruturas de concreto localizadas em zonas costeiras remete a

    necessidade imperativa de manutenes preventivas, tendo em vista que a nvoa salina apresenta-

    se como um elemento veicular operante de ataque por transportar cloretos, fundamentalmente,

    em peas de concreto armado aparente. Portanto, equipamentos com estrutura de concreto

    armado situados na orla martima do Recife, tais como, observatrio, chuveiro, bancos, poste de

    iluminao e aparelhos para exerccios, encontram-se visualmente num estgio avanado dedeteriorao. Este trabalho tem o objetivo de analisar as patologias em peas de concreto de uma

    Regio litornea do Recife-PE. Foi realizada in loco uma ampla inspeo visual com acervo

    fotogrfico e ensaio de carbonatao, bem como se coletou diversas amostras do concreto para

    verificar o teor do cloreto em laboratrio. Os resultados indicaram que, segundo a anlise do

    nvel de deteriorao estabelecido pelo boletim 162 do CEB (1983), as maiorias das peas

    precisam de intervenes imediatas e que, o nvel de cloretos encontrados em todas as amostras,

    eram superiores aos nveis aceitveis e prescritos na NBR 6118 (2004) e em outras normas

    internacionais.

    Palavras chave:Concreto, atmosfera marinha, corroso de armadura.

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    1. INTRODUO

    A concreta agressividade imposta pela nvoa salina em estruturas de concreto armado, situadasem Regies litorneas, apresenta-se como uma forma peremptria para o surgimento de

    patologias. Pontes et al. (2007) corrobora dizendo que um dos agentes mais agressivos ao

    concreto armado o on cloreto oriundo da atmosfera marinha (fundamentalmente, quando o

    elemento de concreto encontra-se a at 400 m do mar), que so transportados pelo ar, onde esse

    on ataca a camada passiva da armadura, ocasionando uma corroso pontual conhecida como pite.

    No estudo realizado na cidade do Recife por Pontes et al. (2007), foi apresentado a deposio

    mdia de cloretos nas distncias em relao ao mar de 7 m, 100 m, 160 m, 230 m e 320 m, de tal

    forma que, se concluiu, respectivamente, 586,27 (mg/m2.dia), 297,10 (mg/m2.dia), 119,32

    (mg/m2.dia), 35,85 (mg/m2.dia) e 35,87 (mg/m2.dia).

    Sabe-se que desde a entrada da obra em servio, o planejamento para a manuteno das estruturas

    de concreto no pode ser negligenciada, tendo em vista que conforme a lei dos cinco de Sitter

    (1984 apud Carneiro, 2007 e Helene 2005), cada unidade monetria deixada de ser aplicada na

    etapa da manuteno preventiva poder corresponder cerca de 25 vezes mais, para o caso de uma

    manuteno corretiva.

    Diversas manifestaes patolgicas so encontradas no territrio nacional com relao sestruturas de concreto armado, onde a corroso de armadura responsvel por quase 20% dentre

    todas (Helene, 1992). Em diferentes regies no Brasil, a exemplo, no Estado do Rio Grande do

    Sul, observa-se que a incidncia de corroso das armaduras da ordem de 30% (Galvo, 2004), e

    que um ndice dessa mesma ordem foi encontrado na cidade de Braslia (Selmo et al., 2000). Na

    cidade do Recife foi detectado um ndice preocupante e mais elevado devido possivelmente a sua

    posio geogrfica, um valor prximo de 65% (Andrade, 1997).

    A corroso de armadura em concreto armado funo basicamente de aspectos fsicos (barreira -

    cobrimento da armadura) e qumicos (alcanilidade do concreto). Os agentes agressivos como

    sulfatos, cidos, reao lcali-agregado podem levar a deteriorao do cobrimento, propiciando

    as condies necessrias para a despassivao da armadura devido ao ataque de materiais

    deletrios como CO2 e ons cloreto (Helene, 1997). Por conseguinte, a ltima reviso da

    NBR 6118 (2004) estabeleceu valores considerveis no quesito cobrimento das armaduras.

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    A pesquisa justificada, uma vez que a cidade do Recife apresenta-se com uma considervel

    densidade de construes prximas ao litoral, bem como mostra uma elevada agressividade

    advinda do transporte de ons cloreto atravs das nvoas salinas.

    Nesse contexto, este trabalho objetiva analisar as patologias em peas de concreto armado de uma

    delimitada Regio litornea, mais precisamente, do Bairro de Boa Viagem, Recife-PE.

    2. METODOLOGIA

    A pesquisa foi realizada na Avenida Boa Viagem, prximo ao nmero 7058 / clube da

    Aeronutica, Bairro de Boa Viagem, Recife-PE. Optou-se por examinar algumas peas de

    concreto armado localizadas no calado da orla martima, logo aps a areia da praia (cerca de7 m do mar e com altitude entre 1 m e 4 m, aproximadamente), haja vista que essas estruturas

    sofreram as mais elevadas agresses dos cloretos advindos das nvoas salinas.

    Destaca-se que as peas estudadas representavam diversos outros conjuntos de elementos de

    concreto armado com as mesmas caractersticas, finalidades e patologias, situadas ao longo de

    toda Avenida Litornea - bairro de Boa Viagem, onde desta forma, propicia-se mais um registro

    para servir como um possvel parmetro nesse encadeamento.

    A Figura 1 mostra esquematicamente onde ocorreram os ensaios.

    Figura 1. Regio em que se encontravam as peas de concreto ensaiadas (earth.google.com,2008)

    A Figura 2 apresenta a distribuio em que se encontravam os elementos estruturais (todos de

    concreto armado), sendo assim identificados: 1 Observatrio para salva-vidas; 2 Chuveiro;

    3 Bancos; 4 Prancha para exerccios; 5 Barras para exerccios e 6 Poste de iluminao

    pblica.

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    Figura 2. Distribuio dos elementos de concreto armado

    Ressalta-se que, visualmente, os elementos estruturais mostravam-se em sua maioria

    deteriorados, indicando falta de manutenes preventivas e, ou, intervenes corretivas

    inoperantes. Deve-se salientar que dever da engenharia despertar a ateno da sociedade civil

    para a necessidade cvica de planejar a manuteno e a reabilitao de todo patrimnio edificado,individualmente e coletivamente (Ripper, 2005).

    As Figuras 3 A, B, C, D e E apresentam os elementos de concreto ensaiados.

    (A) Observatrio para salva-vidas (B) Bancos

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    (C) Poste e barras para exerccio (D) Chuveiro

    (E) Prancha para exerccios

    Figura 3 Peas estruturais estudadas (Observatrio para salva-vidas, bancos, poste deiluminao pblica, chuveiro, barras e pranchas para exerccios)

    O planejamento experimental comportou duas fases, a saber:

    a) Em campo - com uma minuciosa inspeo visual que resultou em um rico acervo

    fotogrfico, focou-se na verificao da carbonatao, atravs de asperso contnua da

    soluo de 1% de fenolftalena, 70% de lcool etlico e 29% de gua destilada e no

    acolhimento de amostras do concreto para, em laboratrio, detectar os teores de cloreto;

    b) Em laboratrio analisou-se o nvel de deteriorao a partir do que se encontra

    estabelecido no boletim 162 do Comit International Du Beton CEB (1983) e os nveis de

    cloreto encontrados nas amostras coletadas.

    Relativo carbonatao, observa-se que o intervalo da mudana de cor da soluo de

    fenolftalena situa-se numa faixa de pH entre 8,3 e 10, isto , quando a cor encontrada

    vermelho-carmim o concreto apresenta-se no carbonatado, entretanto, caso fique incolor, de

    fato, o concreto est carbonatado (Basset et al., 1981).

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    No que tange a obteno do teor de cloreto em laboratrio, fez-se com que o p fino gerado da

    moagem da amostra do concreto de cada elemento, fosse adicionado a uma soluo contendo

    HNO3 (cido ntrico) e AgNO3 (nitrato de prata), concluindo ao final do processo do ensaio, o

    percentual em relao ao cimento (Andrade, 1992).

    Concisamente, todas as consideraes acerca das peas estudadas, foram dadas atravs da mdia

    das anlises do conjunto de cada tipo de elemento, ou seja, o resultado mdio das anlises de

    todos os bancos de concreto gerou a concluso tcnica concernentes aos bancos, e assim para os

    demais elementos (peas).

    3. RESULTADOS E DISCUSSES

    As condies ambientais foram caracterizadas pelos dados obtidos atravs do Instituto Nacional

    de Meteorologia INMET, localizado em Recife-PE, conforme mostra a Tabela 1. Postou-se 12

    meses para uma maior representatividade. Evidencia-se que os fatores ambientais, em geral, no

    so relevantes em estruturas internas, entretanto, externamente, o nvel de agressividade ao

    concreto armado torna-se mais aguado (Silva et al., 2003).

    Tabela 1. Dados climatolgicos no perodo de um ano

    Ms/Ano

    Direopredominante

    do vento

    Umidaderelativa

    (%)

    Velocidadedo vento

    (m/s)

    Precipitao(mm)

    Temperatura(C)

    Insolao(h)

    1.a 2.a01/2007 SE E 75 2,2 83,5 27,2 256,702/2007 SE NE 76 2,2 226,7 27,4 196,203/2007 SE S 78 2,1 138,7 27,0 226,304/2007 SE Calmo 82 1,7 347,3 26,3 212,405/2007 SE S 85 1,6