DEFININDO ALGUNS CONCEITOS - .GADOTTI, Moacir. *Educa§£o de jovens e adultos: teoria, ... Muitas

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  • Moacir Gadotti GADOTTI, Moacir. *Educao de jovens e adultos: teoria, prtica e proposta.*So Paulo: Cortez: Instituto Paulo Freire, 2003.

    Material produzido por Vanise dos Santos Gomes

  • Muitas vezes, definimos a educao de adultos por aquilo que ela no . Assim, falamos em educao assistemtica, no-formal e extra-escolar, expresses que valorizam mais o sistmico, o formal e o escolar. A educao no-formal, assim entendida, seria menos do que a educao formal, posto que a primeira concebida como complementar de, supletiva de, que no tem valor em si mesma.

  • EDUCAO DE PESSOAS JOVENS E ADULTAS

    Educao assistemtica,

    No-formal,

    Extra-escolar

    Conceituao, por vezes, baseada em binmios

    Sistmico

    Formal

    Escolar

  • Para responder a essa questo, necessrio comear com uma

    definio de termos!

  • Educao de adultos : referncia a uma rea especializada da educao. O termo vem sendo popularizado especialmente por organizaes internacionais como a UNESCO.

    Educao no-formal : utilizada principalmente nos EUA para referir-se educao de adultos que se desenvolve nos pases do Terceiro Mundo. (Nos EUA, o termo educao de adultos utilizado para designar a educao no formal administrada no prprio pas). Na Amrica Latina, a educao de adultos tem sido, particularmente a partir da segunda guerra mundial, de mbito do estado. Pelo contrrio, a educao no-formal est principalmente vinculada a organizaes no-governamentais partidos polticos, igrejas, etc ...

  • Ope-se educao de adultos impulsionada pela educao estatal e tem ocupado os espaos que a educao de adultos oficial no levou muito a srio.

    Estabelece como um de seus princpios originrios a criao de uma nova epistemologia baseada no respeito pelo senso comum que trazem os setores populares em sua prtica cotidiana

    Problematizao do senso comum

    descobertada teoria presente na prtica popular

    Incorporaro de um raciocnio mais rigoroso e cientfico tal teoria

  • Os jovens e adultos trabalhadores lutam para superar suas condies precrias de vida (moradia, sade, alimentao, transporte, emprego, etc.) que esto na raiz do problema do analfabetismo. O desemprego, os baixos salrios e as pssimas condies de vida comprometem o processo de alfabetizao dos jovens e adultos. Falo jovens e adultos referindo-me educao de adultos porque, na minha experincia, notei que aqueles que frequentam os programas de educao de adultos, so majoritariamente, os jovens trabalhadores (p.31/32).

  • O analfabetismo a expresso da pobreza, consequncia inevitvel de uma estrutura social injusta. Seria ingnuo combat-lo sem combater suas causas.

    Conhecendo as condies de vida do analfabeto, sejam elas as condies objetivas, como o salrio, o emprego, a moradia, sejam as condies subjetivas, como a histria de cada grupo, suas lutas, organizao, conhecimento,, habilidades, enfim, sua cultura. Mas, conhecendo-as na convivncia com ele, e no, apenas, teoricamente. No pode ser conhecimento apenas intelectual, formal. O sucesso de um programa de educao de jovens e adultos facilitado quando o educador do prprio meio.

  • Educador do prprio meio.

    ( estratgia de facilitao da EJA)

    Educadores provenientes, tambm, de outros meios, no

    apenas geogrficos, mas tambm sociais.

    Cidados que respeitam as condies culturais do jovem

    e do adulto.

    Competentes para estabelecer um canal de

    comunicao entre o saber tcnico (erudito) e o

    saber popular.

    Ausncia de ingenuidade

    espontaneismo.

    Possibilitar que, a partir de uma referncia local, possa-se pensar

    o nacional, o regional e o internacional.

    Formar-se na filosofia do dilogo, que inclui um respeito ao pluralismo.

  • At a primeira guerra mundial, no plano internacional, a educao popular era concebida como extenso da educao formal para todos, sobretudo para os habitantes das periferias urbanas e zonas rurais;

    I Conferncia Internacional sobre Educao de adultos realizada na Dinamarca (1949)- educao de adultos concebida como uma espcie de educao moral (formar o homem para a paz);

    II Conferncia Internacional de Educao de Adultos, realizada em Montreal (1963)- aparecem dois enfoques distintos: a educao de adultos concebida como continuao da educao formal, como educao permanente e, de outro lado, a educao de base ou comunitria.

  • III Conferncia Internacional sobre Educao de Adultos, realizada em Tkio (1972)- educao de adultos voltou a ser compreendida como suplncia da educao fundamental (escola formal);

    IV Conferncia Internacional sobre Educao de Adultos, realizada em Paris (1985) - caracterizou-se pela pluralidade de conceitos. Foram discutidos muitos temas, entre eles alfabetizao de adultos, ps-alfabetizao, educao rural, educao familiar, educao da mulher, educao em sade e nutrio, educao cooperativa, educao vocacional, educao tcnica. Dessa forma, a conferncia de Paris implodiu o conceito de educao de adultos;

  • Conferncia Mundial de Educao para Todos, realiza em Jomtiem (Tailndia), em 1990- entendeu que a educao de jovens e adultos seria uma etapa da educao bsica. Ela consagrou, assim, a idia de que a alfabetizao no pode ser separada da ps-alfabetizao, isto , separada das necessidades bsicas de aprendizagem.

  • At os anos 40- educao de adultos concebida como extenso da escola formal, principalmente para a zona rural. Entendida como democratizao da escola rural.

    Dcada de 50- duas tendncias mais significativas na educao de adultos: (1) educao de adultos entendida como educao libertadora, como conscientizao (Paulo Freire); (2) educao de adultos entendida como educao funcional (profissional), isto , treinamento de mo-de-obra mais produtiva, til ao projeto de desenvolvimento nacional dependente.

  • Dcada de 70- duas correntes anteriores continuam. A primeira entendida basicamente como educao no-formal, alternativa escola, e a segunda como suplncia da educao formal. No Brasil, desenvolve se nessa corrente o sistema MOBRAL (movimento Brasileiro de Alfabetizao), com princpios opostos ao de Paulo Freire.

  • TRS PERODOS

    1) de 1946 A 1958- realizao de grandes campanhas nacionais de iniciativa oficial, chamadas de cruzadas, sobretudo para erradicar o analfabetismo, entendido como uma chaga, uma doena como a malria. Por isso, falava-se em zonas negras de analfabetismo.

  • 2) de 1958 a 1964. Em 1958, foi realizado o 2 Congresso Nacional de Educao de Adultos, que contou com a participao de Paulo Freire. Partiu da a idia de um programa permanente de enfrentamento do problema da alfabetizao que desembocou no Plano Nacional de Alfabetizao de Adultos, dirigido por Paulo Freire e extinto pelo Golpe de Estado de 1964, depois de um ano de funcionamento. A educao de adultos era entendida a partir de uma viso das causas do analfabetismo, como educao de base, articulada com as reformas de base, defendidas pelo governo popular/populista de Joo Goulart.

  • 3) O governo militar insistia em campanhas como a Cruzada do ABC (Ao Bsica Crist) e posteriormente, com o MOBRAL.

    MOBRAL: concebido como um sistema que visava basicamente o controle da populao (sobretudo a rural);

    criada a Fundao Educar, com objetivo mais democrticos, mas sem os recursos de que o MOBRAL dispunha.

  • A educao de jovens e adultos foi, assim, enterrada pela Nova Repblica e o auto- denominado Brasil Novos (1990) do primeiro presidente eleito depois de 1961, criou o PNAC (Plano Nacional de Alfabetizao e Cidadania), apresentado com grande pompa publicitria em 1990 e extinto no ano seguinte sem qualquer explicao para a sociedade civil que o havia apoiado. Em 1989, com a finalidade de preparar o Ano Internacional da Alfabetizao (1990), foi criada no Brasil a Comisso Nacional de Alfabetizao

  • 1- Tendncia Maquinesta- no admite o Estado como parceiro da educao popular. Para essa tendncia, o Estado visa sempre manipulao e cooptao ao passo que a educao popular visa sempre participao e emancipao. Por isso, elas seriam inconciliveis; 2- Tendncia integracionista- prope a colaborao entre Estado, igreja, empresariado, sociedade civil, etc. Essa tendncia divide-se em duas vertentes. A vertente que defende a simples extenso da escola das elites para toda a populao (Paiva, 1970, p.39) e outra que defende uma nova qualidade de escola pblica, com carter popular (Duarte, 1992).

  • -Alfabetizar no uma coisa intrinsecamente neutra ou boa; depende do contexto. A alfabetizao na cidade e no campo tem conseqncias diferentes para os alfabetizandos. A alfabetizao por si s no liberta. um fator somado a outros fatores. E o alfabetizando que aprende a ler e escrever, mas no tem como exercitar-se na leitura e na escrita, regride ao analfabetismo (p.38). - Na verdade, ningum alfabetiza ningum. O alfabetizador no alfabetiza o aluno. Ele o mediador entre o aprendiz e a escrita, entre o sujeito e o objetivo desse processo de apropriao do conhecimento [...] (p.39).

  • - O aluno adulto no pode ser tratado como uma criana cuja histria de vida apenas comea. Ele quer ver a aplicao imediata do que est aprendendo. Ao mesmo tempo, apresenta-se temeroso, sente-se ameaado, precisa ser estimulado, criar auto-estima pois a sua ignorncia lhe traz tenso, angstia, complexo de inferioridade. Muitas vezes, ele tem vergonha de falar de si, de sua moradia, de sua experincia frustrada da infncia, principalmente em relao escola. preciso que tudo isso seja verbalizado e analisado. O primeiro direito do alfabetizando o direito de se expressar (p.39).

  • Eliminar o analfabetismo em sua origem exige que o sistema pblico de ensino seja capaz de reter o