Evolucao conceito qualidade

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  • 7/25/2019 Evolucao conceito qualidade

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    INSTITUTO POLITCNICO DO CVADO E DO AVEESCOLA SUPERIOR DE GESTO

    Unidade Curricular Gesto da Qualidade

    2009/2010

    Docente Baptista da Costa

    Evoluo do conceito da qualidade

    ndice

    Introduo................................................................................................................... 1

    1 - A qualidade ao longo da histria ........................................................................... 3

    2 - A Opinio dos mestres da qualidade..................................................................... 9

    2.1 - Edwards Deming............................................................................................11

    2.2 - Joseph Juran .................................................................................................14

    2.3 - Philip Crosby..................................................................................................15

    2.4 - Comparao dos pioneiros da qualidade.......................................................17

    2.5 - Armand Feigenbaum .....................................................................................20

    2.6 - Kaoru Ishikawa ..............................................................................................21

    2.7 - Genichi Taguchi.............................................................................................22

    3 - Sistemas de Gesto da Qualidade - ISO 9000.....................................................23

    4 - Modelos de excelncia.........................................................................................26

    4.1 - The Demming Award .....................................................................................29

    4.2 - Malcolm Baldrige National Quality Award......................................................30

    4.3 - European Quality Award................................................................................31

    Bibliografia.................................................................................................................33

    Introduo

    Para a Direco Geral III, Indstria, da Comisso Europeia, as organizaes

    europeias vm a gesto da qualidade como a qualidade da gesto. A qualidade no nem um trabalho do "departamento da qualidade" nem do "projecto". A qualidade

    parte integrante das actividades dirias e construda nas responsabilidades de todos

    os gestores e empregados.

    Gerir a qualidade desenvolver, conceber e fabricar produtos mais econmicos,

    mais teis e que satisfaam melhor o cliente. Esta definio de Ishikawa (1984)

    integra o conceito de que no basta produzir de acordo com as especificaes mas

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    garantir que satisfaa, tambm, as exigncias do consumidor. A produo no um

    fim, mas o incio da introduo de um produto no mercado e a qualidade no se

    esgota no produto mas diz tambm respeito ao trabalho, servio, informao,

    procedimento industrial, pessoal, organizao da empresa, poltica industrial e

    comercial, etc.

    A qualidade comea com a identificao das necessidades e expectativas do

    consumidor e as consequncias econmicas de decises menos adequadas nas

    fases iniciais so de tal modo importantes que afectam definitivamente o custo do

    ciclo de vida.

    A gesto da qualidade deve integrar ainda, segundo Ishikawa (1984), o preo de

    venda, o benefcio e o preo de custo e se verdade que o sculo XX trouxe muita

    turbulncia e mudana ao mundo da qualidade, os historiadores futuros registaro,

    segundo Juran (1994), o sculo XX como o sculo da produtividade, contudo, a

    qualidade e a produtividade entrelaam-se e a viso do mundo da qualidade deve

    considerar os factos relacionados com o mundo da produtividade.

    A qualidade a conformidade em relao a especificaes e parmetros definidos,

    conhecidos por todos na empresa e estabelecidos pelos clientes, em permanente

    reviso para que se encontrem em cada momento dinamicamente ajustadas s suas

    reais necessidades, pelo que os procedimentos da certificao do produto no sedevem focalizar exclusivamente em caractersticas tcnicas de um artigo quando sai

    da fbrica. Devem tambm estender-se garantia de qualidade durante e depois de

    os materiais serem instalados.

    A globalizao dos mercados, associada reduo do ciclo de vida no mercado,

    redefiniu a arena competitiva e a nova envolvente competitiva requer esforos

    constantes na direco do desenvolvimento em muitas frentes que incluem

    produtividade, custos e qualidade. Tais desenvolvimentos so vistos como a

    direco para satisfazer clientes crescentemente sofisticados.

    A qualidade transformou-se num desgnio prioritrio no advento da procura de valor,

    de consumidores informados, do aumento da competio global e da

    desregulamentao em muitas indstrias que est a forar as empresas a virarem-

    se para a qualidade a fim de sobreviver.

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    A vantagem competitiva de uma empresa tem origem nas actividades executadas

    por esta para conceber, produzir, comercializar, entregar e sustentar o seu produto.

    Cada uma dessas actividades pode contribuir para a posio dos custos relativos da

    empresa, alm de criar uma base para a diferenciao. A anlise da Cadeia de Valor

    realizada com o estudo de todas as actividades executadas pela empresa e o

    modo como elas interagem, de forma a identificar as fontes de vantagem competitiva

    para a empresa. Uma empresa ganha vantagem competitiva executando as

    actividades estrategicamente importantes de uma forma mais barata ou melhor que

    a concorrncia.

    Quase todos os pases do mundo esto a tentar encontrar o caminho que os

    conduza forma mais eficiente e produtiva de aumentar os negcios e os critrios

    mais importantes so a manuteno da vantagem competitiva, aumento daprodutividade, aumento da qualidade dos produtos e servios, reduo de custos e

    standardizao dos processos do trabalho. O conceito de standardizao dos

    processos de trabalho conduz-nos International Organization for Standardization

    (ISO), que representa a norma internacionalmente aceite para a qualidade nos

    negcios.

    A adopo das ISO 9000 por muitas empresas europeias e o seu subsequente uso

    para a certificao da qualidade, conduziu a um crescimento notvel do nmero de

    empresas certificadas. Tambm em Portugal, como na Europa em geral, a tendncia

    para a certificao foi a principal fora por detrs de muitos esforos srios de

    desenvolvimento de programas da qualidade em muitas empresas.

    1 - A qualidade ao longo da histria

    A gesto da qualidade tem uma longa e fascinante histria. As preocupaes com a

    qualidade podem encontrar-se nos mais remotos princpios da produo de

    ferramentas para uso prprio.

    O primeiro cdigo de leis civis de que h conhecimento o "Cdigo de Hammurabi",

    rei dos Sumrios, que consolidou o imprio Babilnico (1728 a 1686 a.C.), que

    estabelecia que "se um construtor erguer uma casa para algum e o seu trabalho

    no for slido, e a casa desabar e matar o morador, o construtor dever ser

    imolado". Nesta mesma poca, inspectores fencios eliminavam quaisquer violaes

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    reincidentes de padres de qualidade amputando a mo do fabricante de produto

    defeituoso e no Egipto inspectores conferiam a forma de blocos de pedra com uma

    corda, enquanto o cortador observava. Durante o sculo XII, surgiram as

    corporaes de artesos e negociantes, e desenvolveu-se a formao profissional

    baseada no ensino de ofcios a aprendizes (Pires 1993). Os artesos eram

    produtores, formadores e inspectores e orgulhavam-se do seu ofcio e de treinar

    outros para fazer um trabalho de qualidade.

    Ao longo dos tempos, e com a evoluo das sociedades, foram aparecendo cdigos

    cada vez mais elaborados que reflectiam as preocupaes da sociedade em relao

    ao problema da qualidade.

    Mas, se o conceito de qualidade existe desde tempos quase imemoriais em que a

    qualidade era assegurada pelos prprios artesos, no incio do sculo XX que se

    formaliza como conceito de gesto.

    Todas as pessoas so a favor da qualidade. Ningum gosta de fazer um mau

    trabalho, nem que os produtos que adquire no se comportem conforme as suas

    expectativas. Contudo, isso acontece.

    As consequncias da falta de qualidade podem, segundo Pires (1993), ser

    resumidas em 3 grupos: econmicas, segurana e regulamentao e

    responsabilidade civil.

    No incio do sculo XX, os mtodos de controlo da qualidade inclinavam-se para a

    informalidade, mas a organizao formal da qualidade poderia ser encontrada nas

    grandes fbricas. Nelas, os gestores e os supervisores de produo eram

    responsveis por definir as especificaes da qualidade. Os artesos hbeis

    estavam geralmente numa situao de autocontrole e davam a garantia da

    qualidade relativa inspeco do seu prprio trabalho. Os supervisores e os

    artesos foram utilizados para treinar trabalhadores inbeis e verificar o seu

    trabalho. Esta verificao foi substituda por inspectores a tempo inteiro.

    Nas pequenas empresas, o proprietrio era tipicamente um mestre arteso que

    planeava como o trabalho devia ser feito, incluindo o planeamento da qualidade,

    treinando os trabalhadores e ver