Igreja Diocesana

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  • de VILA REALIgreja Diocesana

    Boletim Bimestral - Ano VIII, n 44, Setembro / Outubro de 2010

    Director: P. Joo Curralejo

    A poltica tem de ser uma coisa sria

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    1 - A crise econmica e financei-ra em que estamos imersos vem a servir para os partidos polticos discutirem a sua vitria e derrota. Aqui vamos aproveit-la para lem-brar a doutrina Igreja sobre a vida poltica. Em muitos documentos da Igreja, sobretudo nos que foram publicados depois do Conclio, in-siste-se na necessidade de incluir na pregao aos fiis os temas da vida social e da poltica. Diz o Cdigo do Direito Cannico: Os anunciadores da palavra de Deus exponham aos fiis, em primeiro lugar, o que lhe compete crer e praticar para glria de Deus e a salvao dos homens. E exponham tambm a doutrina proposta pelo magistrio da Igreja acerca da dignidade e liberdade da pessoa humana, da unidade e estabilida-de da famlia e das suas funes, das obrigaes respeitantes aos homens reunidos em sociedade, e ainda do modo de dispor as coisas

    temporais segundo a ordem esta-belecida por Deus (c.768).

    As primeiras verdades a pregar so, portanto, as que esto directa-mente ligadas vida eterna; as se-gundas, as verdades sociais. Infe-lizmente, alguns pregadores nunca chegam s segundas; e alguns cris-tos no querem que se fale delas, porque isso poltica.

    Acerca da poltica, diz o Conc-lio: A actividade poltica existe em vista do bem comum. Para impedir que a comunidade se desagregue, requer-se uma autoridade que faa convergir para o bem comum as energias de todos os cidados, e o exerccio da autoridade poltica deve sempre desempenhar-se den-tro dos limites da ordem moral; os partidos polticos devem promover o bem comum e nunca antepor os seus interesses ao bem comum; por sua vez, os cidados evitem conceder autoridade poltica um poder excessivo nem lhe peam de-

    masiadas vantagens e facilidades de modo que diminua a responsa-bilidade das pessoas, das famlias e dos grupos sociais. Por tudo isto, deve atender-se cuidadosamente educao cvica e poltica da po-pulao e sobretudo dos jovens. (Conclio Vaticano II - A Igreja no mundo contemporneo, n.73-75). Vamos, ento, por partes.

    2 - Leiamos devagar estes textos. Neles transparece o alerta sobre o que se passa entre ns. Precisamos de sociedades organizadas, os Es-tados. Somos dependentes uns dos outros. So atitudes erradas alhear-se da vida poltica ou manobr-la a seu jeito. Continua a ideia de que o Estado so os outros, que o Estado pode tudo e tirar ao Estado nem pecado. Ora o Estado so-mos ns, e, porque o Estado pode desagregar-se, necessria a auto-ridade.

    A autoridade pblica destina-

    se a manter a dignidade do Esta-do, defendendo la justia, a ver-dade e o empenhado no bem comum. O bem comum no a mera soma dos bens do pas, que pode ser totalmente fictcia se no tiver em conta os cidados. Cuidar do Bem comum proporcionar a todos os cidados igualdade de oportunidades.

    Para exercer a misso da auto-ridade pblica preciso ter muita cincia, grande capacidade de li-derana, um grande corao e uma robusta conscincia moral, pois so mltiplas as tentaes. Causa aflio ver candidatar-se a tarefas polticas pessoas que mal sabem cuidar da sua vida pessoal, e quan-do se ouve algum dizer que a po-ltica no tem nada com a religio, caso para desconfiar. Isso pode significar que essa pessoa anda procura de emprego e quer exer-cer a poltica sem limites de ordem moral. Se ao separar religio de poltica se quer dizer que a vida

    A Igreja desgnio do Pai, obra do Filho e casa do Esprito e comunho de pessoas, em inter-ajuda e partilha de responsabili-dades. Ela precisa de sacerdotes, como Cristo pede e tem o dever e o direito prprio e exclusivo de formar aqueles que se dedicam ao ministrio sagrado (cn.232). A Formao dos Padres impres-cindvel, na poro do Povo de Deus, confiada ao Bispo, que ele apascenta, com ajuda do Presbi-trio, com o Evangelho e a Euca-ristia, unida ao seu Pastor e por ele congregada, no Esprito Santo, para construir a Igreja particular, em que age a Igreja una, santa, catlica e apostlica (Ch.D.11). A Igreja precisa de Padres, segun-do o corao de Cristo, para glria de Deus e salvao dos homens. A

    O SEMINRIO: corao da Diocesee obra das famlias, das parquias e dos educadores

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  • D O C U M E N T O S

    2 Igreja Diocesana de Vila Real

    FICHA TCNICAIgreja Diocesana de

    VILA REALBoletim oficial da

    Diocese de Vila Real

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    Tel. 259322034 Fax. 259378346

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    ImpressoMinerva Transmontana

    Tipografia L.daR. D. Antnio Valente da

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    Duas teses se debatiam acerca do compromisso poltico dos catlicos: a formao de um partido catlico que fosse alterna-tiva aos j existentes e ro-tativistas, ou a formao de uma unio dos catlicos para lhes dar formao de base e sem formarem um novo partido. Os profis-sionais da poltica conti-nuaram a moer o pas at exausto.

    Em toda esta desorien-tao cultural, teolgica e poltica, actuava em segre-do a maonaria e a carbo-nria, difundidas em lojas das principais cidades e vi-las e que recrutavam recru-tavam gente em todos os meios, incluindo o clero.

    Esteve programado o estudo de a Repblica em Vila Real, mas o orador no apareceu.

    Igreja na implanta-o da repblica

    O segundo dia foi dedi-cado ao estudo da Lei da separao entre o Estado e as Igrejas da autoria de Afonso Costa, publicada em Abril de 1911, tema desenvolvido pelo Doutor Joo Maria Seabra, de Lis-boa.

    Comeou por lembrar que a Repblica fora im-plantada em 5 de Outubro de 1910. Esperava-se que fosse antimonrquica, mas ela revelou-se anti catlica. Esta orientao veio-lhe do vrus manico j reinante no tempo da monarquia, que, depois de ser anti mo-nrquico at morte do rei, se centrou agora no ataque Igreja. O anticlericalismo era o trao de unio de to-dos os republicanos.

    Tal anticlericalismo bem expresso na legislao produzida desde o dia oito de Outubro at Dezem-bro impondo o divrcio, a abolio dos dias santos, a aula religio nas escolas, e o juramento religioso em actos pblicos. verdade que alguns bispos e padres (os que haviam sido pro-

    movidos pela poltica re-galista e liberal) eram afei-oados monarquia, mas a instituio Igreja como tal no tinha saudades da monarquia, havia inclusi-ve grandes defensores do novo regime.

    Foi esse esprito anti-igreja que inspirou a lei da separao, publicada em 1911. Rigorosamente, no uma lei de separao das igrejas e do Estado, mas uma lei de opresso e destruio da igreja catli-ca, disse o orador, apoia-do em historiadores recen-tes de vrios quadrantes, incluindo os pertencentes maonaria. Essa opres-so manifesta-se sobretu-do em trs pontos: no no reconhecimento jurdico da Igreja nem de nenhuma instituio catlica (seja seminrio, seja parquia, seja diocese) e proibio de todo a manifestao p-blica do culto; na institui-o das comisses cultu-ais (das quais no podiam fazer parte os procos) e que administrariam as pa-rquias, sendo os procos meros capeles sujeitos a essas comisses; as pen-ses prometidas pelo go-verno aos procos, seus filhos e vivas, em vir-tude da venda dos passais paroquiais. Para estabele-cer o quantitativo dessas penses exigia-se um jul-gamento pblico dos bens do padre!

    Na prtica, a Igreja deixou de existir juridi-camente, a administrao do culto foi entregue aos ateus (diz o historiador Rui Ramos), e os padres so publicamente humilhados no texto que regula as pen-ses, concluiu o orador.

    Foi esta trplice hu-milhao que despertou o brio de muitos padres adormecidos e provocou a indignao unnime dos bispos, mesmo dos que se haviam mostrado abertos mudana de regime e nada afeioados monarquia.

    Bendita lei, desabafou o orador. A desobedincia frontal e oficial do clero que fez a separao da Igreja do Estado, diz Joo Seabra, pois a lei escrita por Afonso Costa no se-parava nada, mas metia a Igreja debaixo do brao do Estado. Com algum humor, referiu que, ao aparecer em Ftima e mandar construir uma capela e fazer procis-ses sem licena, a Senho-ra desrespeitava a lei da se-parao de Afonso Costa.

    Igreja e Nova Con-cordata de 2004

    Nesse mesmo dia, da parte de tarde, o mesmo orador fez a leitura do tex-to da nova Concordata de 2004 que , na sua opinio um texto pouco feliz, cheio de armadilhas, sendo a pior delas a existncia de trs comisses para a exe-cuo e regulamentao da Concordata que, at hoje, ou no renem ou nem se-quer existem.

    O comentrio mereceu dilogo da assembleia, al-guma preciso e o estudo de casos concretos do fis-co, da assistncia religiosa hospitalar e prisional, e da leccionao das aulas de moral e religio.

    O ltimo dia foi dedica-do ao clericalismo e anti-clericalismo, mormente na sua expresso literria, uma vez que esse filo in-quinou o fim de sc. XIX e o princpio do sc. XX.

    Os rostos do anti clericalismo

    O tema foi desenvolvi-do pelo Doutor Lus Ale-xandre Silva Pereira, de Braga, um leigo casado e pai de filhos, nascido na Rgua e que fizera a escola primria na escola Carva-lho Arajo de Vila Real, uma agradvel surpresa para muitos dos presentes.

    O conferencista percor-reu a histria da literatura portuguesa, distinguindo o anticlericalismo dos cren-tes (queixa de os clrigos no serem fiis sua voca-o), o anticlericalismo tico (queixa nascida de algum desregramento com-portamental dos clrigos ou

    por eles se oporem ao des-regramento moral desses autores), e o anticlerica-lismo filosfico (rejeio do clero por ideologias da descrena, do anarquismo, do absolutismo poltico), que vigorou em Portugal a partir do sc. XVIII e ins-pirou a poltica da poca. Em certo teatro provincia-no ainda se revela algum ant