Referencias para o Desenvolvimento Territorial Sustentavel

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A divisão territorial é muito antiga no mundo e, no Brasil, remonta aos tempos das capitanias hereditárias. No mundo contemporâneo, com o advento de novas tecnologias de comunicação e transporte, com as mudanças de para dig mas econômicos e sociais, também os modelos de divisão territorial tornaram-se obsoletos, ultrapassados.

Text of Referencias para o Desenvolvimento Territorial Sustentavel

  • 1REFERNCIAS PARA O DESENVOLVIMENTO

    TERRITORIAL SUSTENTVEL

    Outubro / 2003

  • PRESIDENTE DA REPBLICALuiz Incio Lula da Silva

    MINISTRIO DO DESENVOLVIMENTO AGRRIO

    Miguel Soldatelli RossettoMinistro de Estado do Desenvolvimento Agrrio - MDA

    Jos Humberto OliveiraSecretrio Nacional de Desenvolvimento Territorial - SDT

    Secretrio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentvel - CONDRAF

    Caio Galvo de FranaCoordenador do Ncleo de Estudos Agrrios e Desenvolvimento Rural - NEAD

    Ficha Catalogrfi ca elaborada por Rossana Coely de Oliveira MouraCRB - 791 3 Regio

    338.92B823r Brasil, Ministrio do Desenvolvimento Agrrio.

    Referncias para o desenvolvimento territorial sustentvel/Ministrio do Desenvolvimento Agrrio; com o apoio tcnico e cooperao do Instituto Interamericano de Cooperao para a Agricultura/IICA - Braslia: Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentvel/Condraf, Ncleo de Estudos Agrrios e Desenvolvimento Rural/NEAD, 2003.36 p.: 29x21cm. (Textos para Discusso, 4).

    1.Desenvolvimento Territorial. 2. Desenvolvimento Sustentvel. I. Ttulo. II. Srie.

  • 3APRESENTAO

    Criando as condies para a valorizao dos territrios

    A diviso territorial muito antiga no mundo e, no Brasil, remonta aos tem pos

    das capitanias hereditrias. No mundo contemporneo, com o advento de novas

    tecnologias de comunicao e transporte, com as mudanas de para dig mas eco-

    nmicos e sociais, tambm os modelos de diviso territorial tornaram-se obsoletos,

    ultrapassados.

    Os territrios so mais do que simples base fsica. Eles tm vida prpria,

    possuem um tecido social, uma teia complexa de laos e de relaes com ra zes

    histricas, polticas e de identidades diversas, que vo muito alm de seus atributos

    naturais, dos custos de transporte e de comunicaes, e que desempenham funo

    ainda pouco conhecida no prprio desenvolvimento econmico. A Cincia Eco-

    nmica conhece bem os aspectos temporais (ciclos econmicos) e setoriais (agro-

    indstria, por exemplo) da arte, mas a questo territorial ou espacial s recentemen-

    te vem sendo alvo de suas preocupaes.

    Ainda utilizando a matriz econmica, cabe aqui uma analogia entre os merca-

    dos e os territrios. Ambos mercados e territrios no so entidades criadas por

    um passe de mgica ou por exclusivo dom da natureza. Mas resultam de formas

    especfi cas de interao social, da capacidade dos indivduos, das em presas, das

    instituies e das organizaes locais em promover ligaes dinmicas, pro pcias a

    valorizar seus conhecimentos, suas tradies e a confi ana que foram ca pazes de

    construir ao longo da histria.

    A construo de marcas territoriais no pode ser vista como simples inteno

    protecionista, mas como parte de um complexo mecanismo institucional de

    transmisso de confi ana entre atores de segmentos sociais e interesses muito

  • 4 APRESENTAO

    diversificados. As experincias bem-sucedidas de desenvolvimento territorial

    caracterizam-se sistematicamente pela ampliao do crculo de relaes sociais nos

    planos poltico, econmico e social.

    Por mais que as condies naturais de solo, relevo e clima sejam importantes

    na determinao do desempenho dos territrios, no so poucos os casos em que

    os limites fsicos foram vencidos pela capacidade organizativa, ou seja, pela cons-

    truo de uma rede de relaes que possibilitou ampliar as possibilidades de va-

    lorizao da produo.

    O desenvolvimento rural deve ser concebido num quadro territorial, muito

    mais que setorial: nosso desafi o ser cada vez menos como integrar o agricultor

    indstria e, cada vez mais, como criar as condies para que uma populao valorize

    um certo territrio num conjunto muito variado de atividades e de mercados.

    O sucesso de certas regies rurais dos pases desenvolvidos na gerao de

    ocupaes produtivas no pode ser atribudo a uma composio setorial favorvel. Os

    bons desempenhos na criao de empregos resultam de uma dinmica territo rial es pe-

    cfi ca que ainda no bem compreendida, mas que comporta provavelmente as pectos

    co mo a identidade regional, um clima favorvel ao esprito empreendedor, a existncia

    de redes pblicas e privadas ou a atrao do meio ambiente cultural e na tural.

    A explorao desta nova dinmica territorial supe polticas pblicas que

    estimulem a formulao descentralizada de projetos capazes de valorizar os atributos

    locais e regionais no processo de desenvolvimento. Estamos falando da construo

    de um novo sujeito coletivo do desenvolvimento, que representa a capacidade de

    articulao entre as foras dinmicas de uma determinada regio.

    Mas o desenvolvimento rural no acontecer espontaneamente como resulta-

    do da dinmica das foras polticas, econmicas, sociais e culturais que atuam no

    territrio. preciso que, na elaborao das polticas capazes de promov-lo, se

    transforme as expectativas que as elites brasileiras tm a respeito de seu meio rural,

    cujo esvaziamento social, cultural e demogrfico visto quase sempre como

    indicadores do prprio desenvolvimento. Muitos ainda no se deram conta de que

    as funes positivas que o meio rural pode desempenhar para a sociedade brasileira

    fundamentam-se no processo de descentralizao do crescimento econmico e no

    fortalecimento das cidades mdias.

    Nos ltimos anos, algumas estratgias governamentais brasileiras emergentes

    j incluem formas de controle social e de participao de agentes sociais na defi nio

  • 5APRESENTAO

    de atividades produtivas, com metodologias participativas de gesto social, tendo

    como enfoque principal o local do produtor/empreendedor. Tambm os bancos e

    organizaes internacionais e no-governamentais passaram a aprimorar aes

    nesse sentido no pas e no mundo.

    No Brasil, o Ministrio do Desenvolvimento Agrrio, por intermdio da Secreta-

    ria de Desenvolvimento Territorial, incorpora e assume este novo padro proposto

    de desenvolvimento com base local, buscando solues de susten tabilidade vista

    sob essa nova tica. Para que as polticas pblicas, sejam elas estatais ou no-

    estatais, materializem-se em aes que devero modifi car o territrio, redesenhando

    as caractersticas da vida coletiva, ampliando o quadro de oportunidades e agregan-

    do valor produo dos diversos segmentos sociais, atores do referido territrio.

    Humberto OliveiraSecretrio de Desenvolvimento Territorial

    do Ministrio do Desenvolvimento Agrrio

  • 7REFERNCIAS PARA O DESENVOLVIMENTO

    TERRITORIAL SUSTENTVEL

    1. Introduo 9Antecedentes 9Justifi cativas 9

    2. Os desafi os atuais para o desenvolvimento rural sustentvel 12

    3. Principais difi culdades a serem vencidas 16Capital humano, capital social e capital natura 16

    Estrutura fundiria e acesso terra 17

    Desenvolvimento territorial ou setorial? 18Recursos fi nanceiros para investimentos pblicos 19

    4. Uma proposta estratgica para o Ministrio do Desenvolvimento Agrrio 21

    5. O enfoque territorial no desenvolvimento rural sustentvel 26 Coeso social e territorial 26Algumas caractersticas dos territrios rurais e

    conseqncias para a formulao de polticas pblicas 26O territrio como objeto de polticas pblicas contextualizadas 28Uma proposta poltica centrada nas pessoas 31

    6. Referncias para a implantao da abordagem territorial 33Ordenamento e desenvolvimento 33Territrio 34Territrio rural 34Caracterizao das microrregies rurais 34

    Sumrio

  • 9REFERNCIAS PARA O DESENVOLVIMENTO

    TERRITORIAL SUSTENTVEL

    1 Introduo

    1.1 AntecedentesA deciso do governo brasileiro em propor uma poltica nacional que apoiasse

    o desenvolvimento sustentvel dos territrios rurais foi resultado de um processo

    de acmulos e de reivindicaes de setores pblicos e organizaes da sociedade

    civil, que avaliaram como sendo necessria a articulao de polticas nacionais com

    iniciativas locais, segundo uma abordagem inovadora.

    Esta deciso teve como resultado a proposta de criao da Secretaria de

    Desenvolvimento Territorial (SDT), no mbito do Ministrio do Desenvolvimento

    Agrrio (MDA), e a formulao do programa apresentado, e acolhido, no mbito do

    Plano Plurianual do Brasil, 2004-2007, ora em tramitao no Congresso Nacional.

    Esse programa, a prpria SDT, a Rede de Organismos Colegiados para o Desen-

    volvimento Rural Sustentvel, os demais rgos da administrao pblica federal

    com aes confl uentes no desenvolvimento sustentvel, os governos estaduais e

    municipais, e um vasto nmero de organizaes da sociedade civil e movimentos

    so ciais, alm das prprias populaes dos territrios rurais constituem a base po-

    ltica, institucional e humana desta proposta.

    1.2 Justifi cativasAnlises fundamentadas apontam para um fato: as polticas pblicas im-

    plementadas nas ltimas dcadas para promoo do desenvolvimento rural no Brasil

    ou foram insufi cientes, ou no foram efetivamente focadas no objetivo de generalizar

    melhorias substanciais na qualidade de vida e nas oportunidades de prosperidade

    das populaes que habitavam o interior brasileiro.

  • 10 TEXTOS PARA DISCUSSO

    A maior evidncia o aumento da pobreza1 a persistncia das desigualdades

    regionais, setoriais, sociais e econmicas. Mesmo com avanos em espaos

    conquistados pelos movimentos sociais, os efeitos conseguidos ainda esto muito

    aqum das necessidades. Alguns poucos resultados ainda podem ser considerados

    restritos a determinadas regies ou setores. As assimetrias quanto s oportunidades

    de desenvolvimento ainda