REVISTA ELETR+öNICA DE DIREITO PROCESSUAL. Pg. 125 a 136

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Revista Eletrnica de Direito Processual REDP. Volume IIIPeridico da Ps-Graduao Stricto Sensu em Direito Processual da UERJ. Patrono: Jos Carlos Barbosa Moreira www.redp.com.br ISSN 1982-7636

SUMRIO TUTELA JUDICIAL DO CRDITOPAULO CEZAR PINHEIRO CARNEIRO ................................................................................................... 4

RECURSO

EXTRAORDINRIO.

VIOLAO

INDIRETA

DA

CONSTITUIO.

ILEGITIMIDADE DA ALTERAO PONTUAL E CASUSTICA DA JURISPRUDNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERALLUS ROBERTO BARROSO ..................................................................................................................... 13

OS JUIZADOS ESPECIAIS COMO TUTELA DIFERENCIADALEONARDO GRECO................................................................................................................................. 29

OS JUIZADOS ESPECIAIS CVEIS E O E-PROCESS: O EXAME DAS GARANTIAS PROCESSUAIS NA ESFERA VIRTUALHUMBERTO DALLA BERNARDINA DE PINHO MRCIA MICHELE GARCIA DUARTE ................................................................................................. 48

LA MEDIACIN: MTODO DE RESOLUCIN ALTERNATIVA DE CONFLICTOS EN EL PROCESO CIVIL ESPAOLHELENA SOLETO MUOZ ..................................................................................................................... 66

ANLISE CRTICA DOS PRINCPIOS DO CONTRADITRIO E DA ORALIDADEBIANCA DE OLIVEIRA FARIAS ............................................................................................................ 89

REFLEXES SOBRE A ORALIDADE NO PROCESSO ELETRNICOBRUNO DA COSTA ARONNE ............................................................................................................... 109

INQURITO POLICIAL, DEMOCRACIA E CONSTITUIO MODIFICANDO PARADIGMASBRUNO VINCIUS DA RS BODART .................................................................................................. 125

A RELEITURA DO ENUNCIADO N 33 DA SMULA DO STJELAYNE MARIA SAMPAIO RODRIGUES MAHLER ........................................................................ 137

O PRINCPIO DA IDENTIDADE FSICA DO JUIZ E O JULGAMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAOFLVIA PEREIRA HILL ......................................................................................................................... 154

SENTENA LIMINAR DE IMPROCEDNCIA EM DEMANDAS SERIADASGUILHERME KRONEMBERG HARTMANN....................................................................................... 168

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O TRIBUNAL DO JRI COMO GARANTIA FUNDAMENTAL, E NO COMO MERA REGRA DE COMPETNCIA: UMA PROPOSTA DE REINTERPRETAO DO ART. 5, XXXVIII, DA CONSTITUIO DA REPBLICAIORIO SIQUEIRA DALESSANDRI FORTI .......................................................................................... 178

A JURISPRUDNCIA DOS TRIBUNAIS SUPERIORES E A CAIXA-PRETA DO PREQUESTIONAMENTOISABEL GODOY SEIDL ......................................................................................................................... 197

DISTRIBUIO DE COMPETNCIAS NO PROCESSO EXECUTIVO PORTUGUS REFORMADOLEONARDO FARIA SCHENK ............................................................................................................... 210

ASPECTOS DA ELEIO DE FORO INTERNACIONALRAFAEL BARUD CASQUEIRA PIMENTA .......................................................................................... 224

JUSTIA RESTAURATIVA: UM NOVO CONCEITORAFAEL GONALVES DE PINHO ....................................................................................................... 242

A MEDIAO E O INTERESSE PBLICO AMBIENTALSIDNEY ROSA DA SILVA JUNIOR ...................................................................................................... 269

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TUTELA JUDICIAL DO CRDITO

PAULO CEZAR PINHEIRO CARNEIRO Professor Titular de Teoria Geral do Processo na Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro Uerj. Procurador de Justia (aposentado) do Ministrio Pblico do Estado do Rio de Janeiro. Advogado. Membro do Instituto IberoAmericano de Direito Processual.

INTRODUO

O crdito se constitui pela transferncia de valores de uma pessoa, aqui em sentido lato, para outra, mediante remunerao, nas condies pactuadas. A remunerao consiste, basicamente, no pagamento de juros que variam de acordo com uma srie de circunstncias e elementos, dentre os quais destacamos, pela sua importncia, o risco de mercado, decorrente da desvalorizao da quantia objeto do crdito, e o risco de crdito, que resulta da possibilidade de o credor no receber o que lhe devido. Em uma economia livre, o crdito representa o corao dos mercados financeiros, os quais dependem fundamentalmente da regulao jurdica, advinda do Direito das Obrigaes, para funcionarem adequadamente, permitindo assim que a economia nacional se desenvolva de forma estruturada. Para que se tenha uma idia da importncia das operaes de crditos realizadas pelo Sistema Financeiro Nacional, pode-se afirmar que praticamente um tero do PIB brasileiro sustentado por estas. Da porque, a necessidade de estabilidade jurdica nas relaes de crdito entre o credor e o devedor. Qualquer desequilbrio em favor de uma destas partes poder acarretar forte abalo na economia nacional. Se a favor do credor, a inadimplncia tender a ficar extremamente elevada, ao mesmo tempo em que a tomada de crdito diminuir sensivelmente. Do outro lado, o favorecimento do devedor implicar na restrio do crdito com o aumento da taxa de juros para compensar eventual desequilbrio. Nenhuma destas situaes interessa para qualquer uma das partes dessa relao jurdica. Pode-se afirmar que a concepo liberal da liberdade contratual vale o que est escrito se encontra de h muito em declnio, com o fim do mito da igualdade formal. Hoje, a preocupao do legislador se volta basicamente para a valorizao e a proteo do consumidor em geral. Neste sentido, em um breve resumo, temos a Constituio Federal a prever: que o Estado promover na forma da lei, a defesa do consumidor (artigo 5, XXXII) e o princpio da ordem econmica (artigo 170). Atendendo ao disposto no Ato das Disposies Constitucionais Transitrias (artigo 48), foi promulgado o Cdigo de Defesa do Consumidor, que, entre tantas outras questes, definiu as prticas abusivas dos fornecedores do mercado de consumo (artigo 39), bem como as clusulas contratuais abusivas (artigo 51), impondo-lhes a sano de nulidade. Tal diploma ainda concede benesses ao consumidor, partindo da premissa de que este representa o

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contratante mais frgil. Assim, prev a restituio do indbito em dobro (artigo 42, pargrafo nico) e o direito de desistir do contrato, no prazo de sete dias, quando a contratao se der fora do estabelecimento comercial (artigo 49). Por fim, dispe sobre o dever de informao ao consumidor, na outorga de crdito ou concesso de financiamento (artigo 52). Pelo mesmo esprito, influenciou-se, inclusive, o novo Cdigo Civil, consagrando o princpio da boa-f nos contratos (artigo 113) e a responsabilidade civil objetiva de quem desenvolva normalmente atividade de risco (artigo 927, pargrafo nico). Alm disso, trouxe do micro-sistema do Direito Consumerista para o Direito Comum positivado o instituto da resoluo contratual por onerosidade excessiva (artigo 478). A conseqncia da mudana do paradigma e aqui no se pretende discutir se as instituies financeiras esto ou no ao abrigo do Cdigo do Consumidor, se as normas de proteo so adequadas ou no representa um aumento vertiginoso de demandas judiciais. A busca desses direitos, relegados no passado e que no mereceram a adequada proteo, resultou na exploso de uma litigiosidade, at ento contida. De certa forma, o favorecimento do credor, economicamente forte, cede lugar, em um primeiro momento, ao consumidor. Atualmente, a jurisprudncia, notadamente dos tribunais superiores, vem procurando encontrar um ponto de equilbrio. Tal balanceamento, de sorte a manter intacta a economia de que antes se falou, depender certamente do Poder Judicirio, especialmente da estabilidade dos julgados dessas milhes de aes que correm no Pas. No caberia neste pequeno trabalho, e nem o seu propsito, discutir teses jurdicas. O que se pretende apontar questes, notadamente de natureza processual, que merecem uma maior reflexo visando alcanar, minimamente que seja, uma maior segurana para as partes nas relaes creditcias. Podemos resumi-las a cinco questes: a primeira, a correta e adequada informao de como funciona o Sistema Financeiro; a segunda, como devem ser formalizados os crditos vis--vis a sua exeqibilidade, com especial ateno para a contratao de operaes financeiras sem o encontro pessoal do credor e do devedor, mediante a transferncia automtica de dados pelo telefone, Internet, caixas automticos, TEDs, etc.; a terceira, o direito probatrio em geral, priorizando o estudo da inverso do nus da prova; a quarta, o problema da tutela coletiva, notadamente em decorrncia da restrio da coisa julgada aos limites territoriais nos quais o juiz da causa exerce o seu ofcio; a quinta, uma proposta de exame do instrumento do conflito de competncia como meio adequado para garantir uma melhor uniformizao das decises, privilegiando a segurana jurdica.

A) INFORMAO DE COMO FUNCIONA O SISTEMA

imensa a dificuldade que tem um operador do direito em geral advogado, promotor de justia, juiz quando no conhece como funciona o sistema onde se encontra inserida sua causa. Nos dias de hoje, em plena