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Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina ACÓRDÃO N. 31151 PETIÇÃO N. 77-12.2015.6.24.0000 - CLASSE 24 - AÇÃO DE PERDA DE CARGO ELETIVO POR DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA - CONCÓRDIA (LINDÓIA DO SUL) Relator: Juiz João Batista Lazzari Requerente: Rodinei Lóss Requeridos: Lindomar Pedroso; Partido da República (PR) de Santa Catarina; Partido da República (PR) de Lindóia do Sul - AÇÃO DE DECRETAÇÃO DE PERDA DE MANDATO ELETIVO POR DESFILIAÇÃO PARTIDÁRIA - VEREADOR. - PRELIMINARES DE ILEGITIMIDADE ATIVA E PASSIVA E DE PRESCRIÇÃO - REJEITADAS. - Respeitadas as regras relativas à formação de coligações e ao pleito proporcional que constam da legislação eleitoral, a legitimidade para ingressar com a ação de decretação de perda de mandato eletivo é do suplente da coligação que, nos termos do disposto no § 2 o do art. 1 o da Resolução TSE n. 22.610/2007, possui interesse jurídico para a propositura da ação, pois deverá assumir o cargo porventura declarado vago. - De acordo com a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral, os órgãos de direção municipal e estadual dos partidos políticos possuem legitimidade concorrente nas ações de decretação de perda de mandato eletivo, razão pela qual não se há falar em ilegitimidade passiva do diretório estadual da agremiação. - De acordo com o entendimento dos Tribunais Eleitorais, o prazo previsto no § 2 o do art. 1 o da Resolução TSE n. 22.610/2007 possui natureza decadencial, razão pela qual rejeito a preliminar de prescrição. - DECADÊNCIA - APRECIAÇÃO DE OFÍCIO - NÃO FORMULAÇÃO DE REQUERIMENTO PARA A CITAÇÃO DO LITISCONSORTE PASSIVO NECESSÁRIO NO PRAZO PREVISTO NO § 2 o DO ART. 1 o DA RESOLUÇÃO TSE N. 22.610/2007 - CONFIGURAÇÃO - EXTINÇÃO DO PROCESSO COM RESOLUÇÃO DE MÉRITO - ART. 269, IV, DO CPC. /

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  • Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina ACRDO N. 3 1 1 5 1

    PETIO N. 77-12.2015.6.24.0000 - CLASSE 24 - AO DE PERDA DE CARGO ELETIVO POR DESFILIAO PARTIDRIA - CONCRDIA (LINDIA DO SUL) Relator: Juiz Joo Batista Lazzari Requerente: Rodinei Lss Requeridos: Lindomar Pedroso; Partido da Repblica (PR) de Santa Catarina;

    Partido da Repblica (PR) de Lindia do Sul

    - AO DE DECRETAO DE PERDA DE MANDATO ELETIVO POR DESFILIAO PARTIDRIA - VEREADOR.

    - PRELIMINARES DE ILEGITIMIDADE ATIVA E PASSIVA E DE PRESCRIO - REJEITADAS.

    - Respeitadas as regras relativas formao de coligaes e ao pleito proporcional que constam da legislao eleitoral, a legitimidade para ingressar com a ao de decretao de perda de mandato eletivo do suplente da coligao que, nos termos do disposto no 2o do art. 1o da Resoluo TSE n. 22.610/2007, possui interesse jurdico para a propositura da ao, pois dever assumir o cargo porventura declarado vago.

    - De acordo com a jurisprudncia do Tribunal Superior Eleitoral, os rgos de direo municipal e estadual dos partidos polticos possuem legitimidade concorrente nas aes de decretao de perda de mandato eletivo, razo pela qual no se h falar em ilegitimidade passiva do diretrio estadual da agremiao.

    - De acordo com o entendimento dos Tribunais Eleitorais, o prazo previsto no 2o do art. 1o da Resoluo TSE n. 22.610/2007 possui natureza decadencial, razo pela qual rejeito a preliminar de prescrio.

    - DECADNCIA - APRECIAO DE OFCIO - NO FORMULAO DE REQUERIMENTO PARA A CITAO DO LITISCONSORTE PASSIVO NECESSRIO NO PRAZO PREVISTO NO 2o DO ART. 1o DA RESOLUO TSE N. 22.610/2007 -CONFIGURAO - EXTINO DO PROCESSO COM RESOLUO DE MRITO - ART. 269, IV, DO CPC.

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  • Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina PETIO N. 77-12.2015.6.24.0000 - CLASSE 24 - AO DE PERDA DE CARGO ELETIVO POR DESFILIAO PARTIDRIA - CONCRDIA (LINDIA DO SUL)

    "Decorrido o prazo estipulado na Res.-TSE n 22.610/2007, sem a citao do partido, que detm a condio de litisconsorte passivo necessrio, deve o processo ser julgado extinto, em virtude da decadncia" (Agravo Regimental em Recurso Ordinrio n 102074, Relator(a) Min. Arnaldo Versiani Leite Soares, Publicao: DJE -Dirio de justia eletrnico, Data 23/10/2012, Pgina 7-8).

    Vistos etc.,

    A C O R D A M os Juzes do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina, unanimidade, em rejeitar as preliminares e, de ofcio, extinguir o processo com resoluo de mrito, em razo da decadncia (art. 269, IV, do CPC), nos termos do voto do Relator, que fica fazendo parte integrante da deciso.

    Sala de Sesses do Tribunal Regional Eleitoral.

    Florianpolis, 22 de janeiro de 204$.

    Juiz JOO BATISTA LAZZARI Relator

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  • Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina PETIO N. 77-12.2015.6.24.0000 - CLASSE 24 - AO DE PERDA DE CARGO ELETIVO POR DESFILIAO PARTIDRIA - CONCRDIA (LINDIA DO SUL)

    R E L A T R I O

    Rodinei Lss, primeiro suplente da Coligao "Unio, Continuidade e Desenvolvimento" (PP/PT/PSD), que disputou a eleio proporcional em 2012 em Lindia do Sul, props Ao de Decretao de Perda de Mandato Eletivo por Desfiliao Partidria em face de Lindomar Pedroso, vereador eleito pela mesma coligao, e dos diretrios estadual e municipal do Partido da Repblica - PR, agremiao qual ele se filiou aps deixar o partido que viabilizou sua candidatura.

    Sustentou que em 08/04/2015 o requerido informou Justia Eleitoral sua desfiliao do Partido dos Trabalhadores (PT), sem expor justificativa, no existindo "qualquer fato que possa subsumir-se a uma das hipteses de desfiliao por justa causa" descritas na legislao. Asseverou estar, assim, evidenciada a prtica de infidelidade partidria, requerendo seja o pedido julgado procedente, decretando-se a perda do mandato eletivo do Vereador Lindomar Pedroso e oficiando-se Cmara de Vereadores de Lindia do Sul, a fim de que emposse o primeiro suplente (fls. 2-7). Apresentou os documentos das fls. 8-12.

    O Partido da Repblica do Estado de Santa Catarina, o rgo de direo da agremiao no Municpio de Lindia do Sul e Lindomar Pedroso apresentaram suas contestaes, acompanhadas de documentos, respectivamente, s fls. 44-70, 71-92 e 93-114. Alegaram, em peties quase idnticas, as seguintes preliminares: a) ilegitimidade ativa do requerente, suplente da coligao, pois o mandato pertence ao partido; b) ilegitimidade passiva do Diretrio Estadual do Partido da Repblica; c) prescrio, pois o ajuizamento da demanda ultrapassou o prazo estabelecido na Resoluo TSE n. 22.610/2007. No mrito, sustentaram que o PT de Lindia do Sul no vinha observando os ideais partidrios, presenciando o vereador requerido "vrias situaes que acarretam desrespeito com os compromissos assumidos pela sigla perante a populao". Afirmaram que o vereador comeou a questionar o partido, o que culminou com o incio da discriminao sofrida, e que encaminhou documento ao vice-presidente da grei partidria em Lindia do Sul, demonstrando sua insatisfao com os rumos da sigla, no possuindo condies de permanecer no partido, gerando a situao insustentvel que compeliu o mandatrio a migrar para outra agremiao. Aduziram que, apesar de o vereador ocupar a presidncia do PT de Lindia do Sul, passou a sofrer grave discriminao pessoal de parte das lideranas do partido, que minaram o seu espao interno, "o que ensejou instransponveis dificuldades de se avanar com projetos e ideais polticos junto mencionada legenda". Asseveraram que o parlamentar foi excludo das reunies deliberativas do diretrio municipal e no era mais convocado para quaisquer tratativas, inexistindo possibilidade de convivncia poltica entre ele e o PT de Lindia do Sul. Narraram que um grupo de filiados do PT cometeu vrios atos de discriminao contra o mandatrio, que se viu obrigado a deixar o partido.

    Foi realizada, no Juzo da 90a Zona Eleitoral, audincia para a oitiva,,. das testemunhas arroladas pela defesa (fls. 139-141). / ^

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    Em seguida, o requerente e os requeridos apresentaram alegaes finais (PR de Lindia do Sul - fls. 149-157; PR de SC - fls. 158-167; Lindomar Cardoso-f ls. 168-177; Rodinei Lss-f ls . 179-191).

    Com vista dos autos, o Procurador Regional Eleitoral opinou pela rejeio das preliminares e, no mrito, pela procedncia do pedido (fls. 193-202).

    o relatrio.

    V O T O

    O SENHOR JUIZ JOO BATISTA LAZZARI (Relator):

    Inicio pelas preliminares suscitadas pelos requeridos.

    1. Ilegitimidade ativa do requerente, por ser suplente da coligao, e no do partido.

    Aduzem os requeridos que o TSE assentou que os mandatos pertencem aos partidos polticos e, portanto, o suplente da coligao no possuiria legitimidade para propor ao de decretao de perda de mandato eletivo, pois, em caso de procedncia da ao, ser o suplente do partido que assumir a vaga.

    Estabelece a Resoluo TSE n. 22.610/2007:

    Art. 1o O partido poltico interessado pode pedir, perante a Justia Eleitoral, a decretao da perda de cargo eletivo em decorrncia de desfiliao partidria sem justa causa.

    (...)

    2o Quando o partido poltico no formular o pedido dentro de 30 (trinta) dias da desfiliao, pode faz-lo, em nome prprio, nos 30 (trinta) subsequentes, quem tenha interesse jurdico ou o Ministrio Pblico Eleitoral.

    (...)

    Portanto, na resoluo foi conferida legitimidade ativa quele que possua interesse jurdico.

    Apesar de nos julgamentos que originaram o entendimento de que a infidelidade partidria enseja a perda do mandato eletivo ter sido veiculado que os mandatos pertencem aos partidos polticos, com o exame dos casos concretos submetidos a julgamento, este Tribunal concluiu que, em caso de perda de cargo eletivo por infidelidade partidria tambm h necessidade de se observar a ordem de suplncia estabelecida no Cdigo Eleitoral (arts. 105 a 113), respeitando as

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    coligaes formadas, de sorte que o suplente que deve assumir o cargo vago o da coligao, que pode ou no pertencer ao mesmo partido do desfiliado.

    Transcrevo ementa de julgado desta Corte que exemplifica o posicionamento:

    - AO DE DECRETAO DE PERDA DE MANDATO ELETIVO POR INFIDELIDADE PARTIDRIA - TERCEIRO SUPLENTE DE VEREADOR PERTENCENTE MESMA COLIGAO DO TITULAR DO CARGO, MAS A PARTIDO DIVERSO - PRELIMINAR DE FALTA DE INTERESSE PROCESSUAL E ILEGITIMIDADE ATIVA, EM RAZO DA EXISTNCIA DE SUPLENTES DE OUTRO PARTIDO EM POSIO ANTERIOR DO REQUERENTE NA LISTA DE CANDIDATOS ELEITOS - SITUAO PECULIAR: PRIMEIRO SUPLENTE QUE J ASSUMIU A TITULARIDADE DE OUTRO CARGO DE VEREADOR - SEGUNDO SUPLENTE QUE TAMBM SE DESFILIOU DA LEGENDA PELA QUAL FOI ELEITO, DEIXANDO TRANSCORRER IN ALBIS O PRAZO PARA EVENTUAL AO DECLARATRIA DE JUSTA CAUSA - VAGA QUE PERTENCE COLIGAO - PRECEDENTE (ACRDO TRESC N. 22.007/2008) -SEGUNDO SUPLENTE CHAMADO A INTEGRAR A LIDE, J QUE, EM SENDO PROCEDENTE O PEDIDO DE CASSAO DO TITULAR DO CARGO, DEVE SER-LHE GARANTIDA A POSSIBILIDADE DE PROVAR EVENTUAL JUSTA CAUSA PARA A MUDANA DE LEGENDA, POIS TAMBM INTERESSADO NO CARGO - INTERESSE PROCESSUAL E LEGITIMIDADE AD CAUSAM CONFIGURADOS - PRELIMINAR DE PRESCRIO E DE FALTA DE INTERESSE JURDICO POR HAVER-SE O REQUERENTE MUDADO DO MUNICPIO: REJEIO - GRAVE DISCRIMINAO PESSOAL E MUDANA SUBSTANCIAL DO PROGRAMA PARTIDRIO NO COMPROVADAS - ENFRAQUECIMENTO DO PARTIDO EM MBITO MUNICIPAL EM RAZO DA DESFILIAO DE LIDERANAS -QUEIXAS DE FALTA DE RECONHECIMENTO DENTRO DO PARTIDO, APESAR DA BOA VOTAO RECEBIDA NAS ELEIES - PRESSO DO PARTIDO PARA ADOTAR POSTURA DIVERSA DA PREVISTA NO ESTATUTO - FALTA DE PROVA - JUSTA CAUSA NO CONFIGURADA -PEDIDO PROCEDENTE.

    (MATRIA ADMINISTRATIVA n 487, Acrdo n 22361 de 05/08/2008, Relator(a) Juiz ODSON CARDOSO FILHO, Publicao: DJE - Dirio de JE, Tomo 149, Data 14/08/2008).

    certo que o TSE possua entendimento contrrio, como o caso do Agravo Regimental em Petio n 26864, Acrdo de 11/02/2010, Relator(a) Min. MARCELO HENRIQUES RIBEIRO DE OLIVEIRA, Publicao: DJE - Dirio da Justia Eletrnico, Tomo 47, Data 10/3/2010, Pgina 12.

    Porm, mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal proferiu deciso em que entendeu que, celebrada aliana para disputar o pleito, a ordem de' f

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    suplncia a ser respeitada a estabelecida considerando-se a formao da coligao. Eis o teor da ementa do referido acrdo:

    EMENTA: MANDADO DE SEGURANA PREVENTIVO. CONSTITUCIONAL. SUPLENTES DE DEPUTADO FEDERAL. ORDEM DE SUBSTITUIO FIXADA SEGUNDO A ORDEM DA COLIGAO. REJEIO DAS PRELIMINARES DE ILEGITIMIDADE ATIVA E DE PERDA DO OBJETO DA AO. AUSNCIA DE DIREITO LQUIDO E CERTO. SEGURANA DENEGADA. 1. A legitimidade ativa para a impetrao do mandado de segurana de quem, asseverando ter direito lquido e certo, titulariza-o, pedindo proteo judicial. A possibilidade de validao da tese segundo a qual o mandato pertence ao partido poltico e no coligao legitima a ao do Impetrante. 2. Mandado de segurana preventivo. A circunstncia de a ameaa de leso ao direito pretensamente titularizado pelo Impetrante ter-se convolado em dano concreto no acarreta perda de objeto da ao 3. As coligaes so conformaes polticas decorrentes da aliana partidria formalizada entre dois ou mais partidos polticos para concorrerem, de forma unitria, s eleies proporcionais ou majoritrias. Distinguem-se dos partidos polticos que a compem e a eles se sobrepe, temporariamente, adquirindo capacidade jurdica para represent-los. 4. A figura jurdica derivada dessa coalizo transitria no se exaure no dia do pleito ou, menos ainda, apaga os vestgios de sua existncia quando esgotada a finalidade que motivou a convergncia de vetores polticos: eleger candidatos. Seus efeitos projetam-se na definio da ordem para ocupao dos cargos e para o exerccio dos mandatos conquistados. 5. A coligao assume perante os demais partidos e coligaes, os rgos da Justia Eleitoral e, tambm, os eleitores, natureza de superpartido; ela formaliza sua composio, registra seus candidatos, apresenta-se nas peas publicitrias e nos horrios eleitorais e, a partir dos votos, forma quociente prprio, que no pode ser assumido isoladamente pelos partidos que a compunham nem pode ser por eles apropriado. 6. O quociente partidrio para o preenchimento de cargos vagos definido em funo da coligao, contemplando seus candidatos mais votados, independentemente dos partidos aos quais so filiados. Regra que deve ser mantida para a convocao dos suplentes, pois eles, como os eleitos, formam lista nica de votaes nominais que, em ordem decrescente, representa a vontade do eleitorado. 7. A sistemtica estabelecida no ordenamento jurdico eleitoral para o preenchimento dos cargos disputados no sistema de eleies proporcionais declarada no momento da diplomao, quando so ordenados os candidatos eleitos e a ordem de sucesso pelos candidatos suplentes. A mudana dessa ordem atenta contra o ato jurdico perfeito e desvirtua o sentido e a razo de ser das coligaes. 8. Ao se coligarem, os partidos polticos aquiescem com a possibilidade de distribuio e rodzio no exerccio do poder buscado em conjunto no processo eleitoral. 9. Segurana denegada.

    (MS 30260, Relator(a): Min. CRMEN LCIA, Tribunal Pleno, julgado ep

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    27/04/2011, PROCESSO ELETRNICO DJe-166 DIVULG 29-08-2011 PUBLIC 30-08-2011 RTJ VOL-00220- PP-00278 - original sem grifos).

    No mesmo sentido, ARE 728180 AgR, Relator(a): Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 18/06/2013, ACRDO ELETRNICO DJe-160 DIVULG 15-08-2013 PUBLIC 16-08-2013.

    Assim, o interesse jurdico e, portanto, a legitimidade para a propositura da ao, do suplente que viria a ocupar a vaga em caso de procedncia do pedido, que, de acordo com as normas eleitorais, o suplente da coligao.

    Por essas razes deve ser rejeitada a prefaciai.

    2. O Diretrio Estadual do Partido da Repblica (PR) arguiu sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da ao.

    Afirma que a jurisprudncia reconhece a legitimidade das instncias municipais para propor a ao, que so as interessadas imediatas.

    De fato, enquanto o art. 11, pargrafo nico, da Lei n. 9.096/1995 estabelece que os partidos podem ser representados nos Tribunais Regionais Eleitorais pelos delegados credenciados pelos rgos de direo estadual e nacional - excluindo, assim, os rgos de direo municipais - os Tribunais Eleitorais vm reconhecendo a legitimidade dos diretrios municipais para propor as aes que tratam da infidelidade partidria.

    Cito a deciso proferida pelo TSE no AgR-AC - Agravo Regimental em Ao Cautelar n. 45624 Montenegro/RS, Acrdo de 28/06/2012, Relator Min. Henrique Neves da Silva, cuja ementa diz o seguinte:

    AO CAUTELAR. INFIDELIDADE PARTIDRIA. RECURSO ESPECIAL ADMITIDO. PRESSUPOSTOS PARA CONCESSO DA TUTELA DE URGNCIA. PLAUSIBILIDADE. LIMINAR DEFERIDA.

    1. No h plausibilidade em relao preliminar de ilegitimidade ativa. Os partidos polticos so representados pelos Diretrios Estaduais perante o Tribunal Regional Eleitoral (Lei n 9.096, de 1995, art. 11). Isso no impede, contudo, que o Diretrio Municipal tambm possa propor a ao prevista na Res.-TSE n 22.610, de 2007 quando o cargo almejado municipal. Precedentes.

    2. A legitimidade concorrente do Diretrio Municipal e do Diretrio Estadual para requerer o mandato municipal no implica na dobra do prazo previsto no art. 1o da Res.-TSE 22.610, de 2007.

    (...)

    (original sem grifos) n - "

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    Embora o precedente diga respeito legitimao ativa, entendo que aplicvel tambm ao polo passivo da ao de decretao de perda de mandato eletivo.

    Imprescindvel, nessas aes, caso tenha o mandatrio migrado para outra sigla, sua citao, pois h litisconsrcio passivo necessrio entre o parlamentar e a nova agremiao. Todavia, no obrigatria a presena de mais de uma esfera partidria no polo passivo da ao, bastando que agremiao seja garantido o exerccio do direito de defesa, uma vez que a perda do mandato pelo parlamentar tambm a afeta.

    No caso concreto, houve um pedido do autor da ao, deferido pelo Juiz Alcides Vettorazzi, de que fossem citados o rgo estadual e o municipal.

    Tendo em vista a existncia de legitimidade concorrente, segundo entendimento j sedimentado na Justia Eleitoral, no h como declarar o diretrio estadual parte ilegtima para figurar no polo passivo, razo pela qual o pedido foi deferido.

    Ademais, qualquer provimento nesse sentido seria irrelevante para o deslinde da causa, alm de a deciso proferida pelo relator originrio no ter causado qualquer prejuzo aos requeridos, que, pelo contrrio, tiveram oportunidade de defesa ampliada com a possibilidade de participao da esfera partidria superior no feito.

    Dito isso, voto por rejeitar a preliminar.

    3. Prescrio.

    De acordo com os requeridos, como a desfiliao ocorreu no dia 8 de abril de 2015, o interessado teria que propor a ao at o dia 7 de junho de 2015, nos termos do art. 1o, 2o, da Resoluo TSE n. 22.610/2007. No entanto, a inicial foi protocolizada somente no dia 8 de junho, razo pela qual teria ocorrido a prescrio.

    A jurisprudncia eleitoral firmou-se no sentido de que os prazos previstos na Resoluo TSE n. 22.610/2007 para a propositura da ao de decretao de perda de mandato eletivo possuem natureza decadencial (TSE. Consulta n 1503, Resoluo n 22907 de 19/08/2008, Relator(a) Min. MARCELO HENRIQUES RIBEIRO DE OLIVEIRA, Publicao: DJE - Dirio da Justia Eletrnico, Data 10/12/2009, Pgina 12 RJTSE - Revista de jurisprudncia do TSE, Volume 20, Tomo 4, Data 19/8/2008, Pgina 309).

    Por essa razo, rejeito a preliminar de prescrio

    4. Decadncia. t /

    ,r 1,-

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    De outro lado, de ofcio, examino, sob os mesmos argumentos, a configurao da decadncia.

    Estabelece a Resoluo TSE n. 22.610/2007:

    Art. 1o - O partido politico interessado pode pedir, perante a Justia Eleitoral, a decretao da perda de cargo eletivo em decorrncia de desfiliao partidria sem justa causa.

    1 o - ( - )

    2o - Quando o partido poltico no formular o pedido dentro de 30 (trinta) dias da desfiliao, pode faz-lo, em nome prprio, nos 30 (trinta) subsequentes, quem tenha interesse jurdico ou o Ministrio Pblico Eleitoral.

    (...)

    Desses dispositivos extrai-se que a ao pode ser proposta pelo partido poltico no prazo de 30 dias, contado da desfiliao, e pelo Ministrio Pblico Eleitoral e pelos que tenham interesse jurdico, nos 30 dias subsequentes.

    A respeito da desfiliao, preconiza o art. 21 da Lei n. 9.096/1995:

    Art. 21. Para desligar-se do partido, o filiado faz comunicao escrita ao rgo de direo municipal e ao Juiz Eleitoral da Zona em que for inscrito.

    Pargrafo nico. Decorridos dois dias da data da entrega da comunicao, o vnculo torna-se extinto, para todos os efeitos.

    No caso em exame, de acordo com os documentos das fls. 12 e 64, a antiga agremiao e a Justia Eleitoral foram comunicadas da desfiliao em 8 de abril de 2015. De acordo com o pargrafo nico do art. 21 antes transcrito, decorridos dois dias o vnculo partidrio tornou-se extinto, ou seja, a desfiliao ocorreu, na verdade, em 10 de abril de 2015. Logo, o Partido dos Trabalhadores poderia propor a ao de decretao da perda do cargo eletivo at o dia 10 de maio daquele ano. Encerrado o prazo para a grei partidria, abriu-se o prazo para a propositura da ao pelo Ministrio Pblico e pelo interessado jurdico, que se encerrou em 9 de junho de 2015.

    A inicial foi protocolizada em 8 de junho de 2015, dentro, portanto, do prazo previsto no 2o do art. 1o da Resoluo TSE n. 22.610/2007.

    Entretanto, a ao foi proposta apenas contra o vereador, no promovendo o autor, na inicial, a citao do partido poltico para o qual o mandatrio migrou, litisconsorte passivo necessrio. Muito embora essa providncia tenha sido / , requerida posteriormente, em cumprimento determinao do Relator, o prazo ;

    y Kr:

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    decadencial j havia escoado, o que impe a extino da ao, nos termos do disposto no art. 269, IV, do CPC.

    Nesse sentido, o entendimento do Tribunal Superior Eleitoral:

    Pedido de perda de cargo eletivo. Infidelidade partidria. Decadncia.

    - Decorrido o prazo estipulado na Res.-TSE n 22.610/2007, sem a citao do partido, que detm a condio de litisconsorte passivo necessrio, deve o processo ser julgado extinto, em virtude da decadncia.

    Agravo regimental no provido.

    (Agravo Regimental em Recurso Ordinrio n 102074, Acrdo de 09/10/2012, Relator(a) Min. ARNALDO VERSIANI LEITE SOARES, Publicao: DJE - Dirio de justia eletrnico, Data 23/10/2012, Pgina 7-8 -original sem grifos).

    Pedido de perda de cargo eletivo. Citao. Partido.

    1. Nos processos de perda de cargo eletivo, o partido - ao qual o parlamentar tenha se filiado - detm a condio de litisconsorte passivo necessrio, em conformidade com o art. 4o da Res.-TSE n 22.610/2007, o qual estabelece que "o mandatrio que se desfiliou e o eventual partido em que esteja inscrito sero citados para responder no prazo de 5 (cinco) dias, contados do ato da citao".

    2. Conforme j decidido no Recurso Ordinrio n 2.204, "decorrido o prazo estipulado na Res.-TSE n 22.610/2007, sem a citao de litisconsorte passivo necessrio, deve o processo ser julgado extinto".

    Agravo regimental a que se nega provimento.

    (Agravo Regimental em Representao n 169852, Acrdo de 18/09/2012, Relator(a) Min. ARNALDO VERSIANI LEITE SOARES, Publicao: DJE -Dirio de justia eletrnico, Tomo 196, Data 09/10/2012, Pgina 16).

    Confirmando esse posicionamento, embora reconhecendo que nas situaes analisadas no havia ocorrido a decadncia, os seguintes julgados mais recentes: Petio n 90023, Acrdo de 19/12/2014, Relator(a) Min. HENRIQUE NEVES DA SILVA, Relator(a) designado(a) Min. JOS ANTNIO DIAS TOFFOLI, Publicao: DJE - Dirio de justia eletrnico, Tomo 45, Data 06/03/2015, Pgina 64/65; e Recurso Especial Eleitoral n 23517, Acrdo de 06/08/2015, Relator(a) Min. LUIZ FUX, Publicao: DJE - Dirio de justia eletrnico, Volume -, Tomo 175, Data 15/09/2015, Pgina 62/63.

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  • Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina PETIO N. 77-12.2015.6.24.0000 - CLASSE 24 - AO DE PERDA DE CARGO ELETIVO POR DESFILIAO PARTIDRIA - CONCRDIA (LINDIA DO SUL)

    Considerando que na hiptese em julgamento, na inicial, o requerente apenas mencionou que haveria notcia de que o vereador teria se filiado ao PR, mas no requereu a citao da agremiao (fls. 2-7), o que veio a fazer apenas em 22 de junho (fl. 16), quando j expirado o prazo previsto no 2o do art. 1o da Resoluo TSE n. 22.610/2015, deve ser reconhecida a decadncia, extinguindo-se a ao com resoluo de mrito, nos termos do disposto no art. 269, IV, do Cdigo de Processo Civil.

    Ante o exposto, voto por extinguir o processo com resoluo de mrito, nos termos do disposto no art. 296, IV, do CPC, em razo de estar configurada a decadncia.

    o voto.

  • Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina

    EXTRATO DE ATA

    PETIO N 77-12.2015.6.24.0000 - AO DE PERDA DE CARGO ELETIVO POR DESFILIAO PARTIDRIA - CARGO - VEREADOR - PEDIDO DE CASSAO/PERDA DE MANDATO ELETIVO - 90a ZONA ELEITORAL - CONCRDIA (LINDIA DO SUL) RELATOR: JUIZ ALCIDES VETTORAZZI

    REQUERENTE(S): RODINEI LSS ADVOGADO(S): GUSTAVO HENRIQUE SERPA REQUERIDO(S): LINDOMAR PEDROSO; PARTIDO DA REPBLICA; PARTIDO DA REPBLICA DE LINDIA DO SUL ADVOGADO(S): GISLAYNE MARIA RUIZ; ARIANA SCARDUELLI; PATRCIA BRAZ GARCIA

    PRESIDENTE DA SESSO: JUIZ ANTONIO DO RGO MONTEIRO ROCHA PROCURADOR REGIONAL ELEITORAL: ANDR STEFANI BERTUOL

    Deciso: unanimidade, rejeitar as preliminares e, de ofcio, extinguir o processo com resoluo de mrito, em razo da decadncia, nos termos do voto do Relator substituto. Foi assinado o Acrdo n. 31151. Presentes os Juzes Antonio do Rgo Monteiro Rocha, Vilson Fontana, Brbara Lebarbenchon Moura Thomaselli, Joo Batista Lazzari, Davidson Jahn Mello e Ana Cristina Ferro Blasi.

    SESSO DE 22.01.2016.

    R E M E S S A

    Aos dias do ms de de 2016 fao a remessa destes autos para a Coordenadoria de Registro e Informaes Processuais - CRIP. Eu,

    , Coordenador de Sesses, lavrei o presente termo.