Direitos Reais. aquisição da propriedade. usucapião

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Direitos Reais. aquisição da propriedade. usucapião

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  • 1. Direito Civil IV Aquisio da Propriedade Guido Cavalcanti

2. O Cdigo Civil especificou a aquisio da propriedade imvel em Usucapio, o registro do ttulo e a acesso. Observe que o direito hereditrio tambm forma de aquisio, mas isso s estudado no direito das sucesses. Quanto procedencia da aquisio, ela pode ser originria ou derivada. A primeira no h transmisso de um sujeito ao outro, como ocorre na acesso ou usucapio. derivada quando resulta de alguma negociao. 3. Se modo originrio, a propriedade passa ao patrimnio livre de qualquer limitao ou vcio. Se derivada, ela passa com os mesmos atributos do dono anterior. A aquisio tambm pode ser a ttulo singular, quando tem por objeto bens individualizado, ou a ttulo universal, quando a transmisso recai num patrimnio. 4. Usucapio Tambm chamado de prescrio aquisitiva Est fundada em uma utilidade pblica, j que a negligncia do proprietrio se contrape sua utilidade social. Observe que a palavra aparece tradicionalmente no feminino, em funo da palavra latina Capio (tomada) Usu (uso), mas no absurdo tambm usar no gnero masculino. Observe que a usucapio no corre para todos, j que no se verifica entre cnjuges, na constncia do casamento, entre ascendentes e descendentes, durante o poder familiar, tambm no correndo contra os absolutamente incapazes. 5. Espcies: Pode ser objeto tanto bens mveis quanto imveis. Temos a extraordinria, ordinria e a especial ou constitucional. (esta ultima em rural e urbana). Ainda uma modalidade especial no estatuto indgena. Extraordinria: Art. 1.238. Aquele que, por quinze anos, sem interrupo, nem oposio, possuir como seu um imvel, adquire-lhe a propriedade, independentemente de ttulo e boa-f; podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentena, a qual servir de ttulo para o registro no Cartrio de Registro de Imveis. Pargrafo nico. O prazo estabelecido neste artigo reduzir-se- a dez anos se o possuidor houver estabelecido no imvel a sua moradia habitual, ou nele realizado obras ou servios de carter produtivo. 6. Basta o nimo de dono e a continuidade e tranquilidade da posse por quinze anos. No necessita dejusto ttulo nem de boa-f. Observe que a usucapio segue para o novo proprietrio com todos atributos da propriedade, como p.ex., servido que h sobre a terra. 7. Usucapio Ordinria Art. 1.242. Adquire tambm a propriedade do imvel aquele que, contnua e incontestadamente, com justo ttulo e boa-f, o possuir por dez anos. Pargrafo nico. Ser de cinco anos o prazo previsto neste artigo se o imvel houver sido adquirido, onerosamente, com base no registro constante do respectivo cartrio, cancelada posteriormente, desde que os possuidores nele tiverem estabelecido a sua moradia, ou realizado investimentos de interesse social e econmico. 8. Usucapio espcial Rural Art. 1.239. Aquele que, no sendo proprietrio de imvel rural ou urbano, possua como sua, por cinco anos ininterruptos, sem oposio, rea de terra em zona rural no superior a cinqenta hectares, tornando-a produtiva por seu trabalho ou de sua famlia, tendo nela sua moradia, adquirir-lhe- a propriedade. Observe que para este assunto tambm utilizamos o Estatuto da Terra, da lei 6969/81 que possui uma regulamantao mais detalhada. Observe que aqui exigimos ocupao produtiva, devendo morar e trabalhar. 9. Nesse sentido, pessoas jurdicas no podem requerer essa modalidade de usucapio. O benefcio instituido em favor da famlia. Urbana Constitui inovao trazido pela Constituio de 88. Art. 183. Aquele que possuir como sua rea urbana de at duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposio, utilizando-a para sua moradia ou de sua famlia, adquirir-lhe- o domnio, desde que no seja proprietrio de outro imvel urbano ou rural. 10. Deve ser um imvel urbano com construo. No necessita de justo ttulo ou boa f. Observar que imveis pblicos no sofrem usucapio. Pode ser conferido ao homem ou a mulher, ou a ambos, independente do estado civil. Art. 1.240. Aquele que possuir, como sua, rea urbana de at duzentos e cinqenta metros quadrados, por cinco anos ininterruptamente e sem oposio, utilizando-a para sua moradia ou de sua famlia, adquirir-lhe- o domnio, desde que no seja proprietrio de outro imvel urbano ou rural. 11. 1o O ttulo de domnio e a concesso de uso sero conferidos ao homem ou mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil. 2o O direito previsto no pargrafo antecedente no ser reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. Art. 1.240-A. Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposio, posse direta, com exclusividade, sobre imvel urbano de at 250m (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cnjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua famlia, adquirir-lhe- o domnio integral, desde que no seja proprietrio de outro imvel urbano ou rural. (Includo pela Lei n 12.424, de 2011) 1o O direito previsto no caput no ser reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez. 2o (VETADO). (Includo pela Lei n 12.424, de 2011) 12. Em resumo, poderamos observar que para o usucapio temos que ter: Coisa hbil (res habilis) coisa suscetvel de usucapio. Observe que bens fora do comrcio e bens pblicos no sofrem usucapio. Obs. Observe que tambm no corre prescrio contra bens de incapazes. (no corre nem prescrio aquisitiva nem extintiva art. 197 e 198) Posse (possessio) deve ter um nimo de dono de um lado e uma atitude passiva do proprietrio do outro. aquele que tem o imvel como seu sem oposio. Tambm deve ser contnua e initerrupta. 13. Decurso de tempo (tempus) Justo Ttulo (titulus) todo ato formalmente adequado a transferir o domnio ou direito real de que trata, mas que deixa de produzir tal efeito em virtude de no ser o transmitente senhor da coisa. aquele ttulo que provoca uma crena de que se tornou dono. Boa-f (fides) a posse daquele que ignora o vcio ou o obstculo que lhe impede a aquisio da coisa. Essa ignorncia deve ser desculpvel. Boa f e justo ttulo costumam estar atrelados, apesar de serem coisas diferentes. Inclusive o artigo 1.201, pargrafo nico, corrobora tal ideia. 14. Pargrafo nico. O possuidor com justo ttulo tem por si a presuno de boa-f, salvo prova em contrrio, ou quando a lei expressamente no admite esta presuno. Os trs primeiros so indispensveis e exigidos em todas as espcies de usucapio. O Justo ttulo e a boa- f somente so reclamados na usucapio ordinria. Sempre lembrar que a ao de usucapio tem natureza meramente declaratria, pois na sentena, o julgador limita-se a declarar uma situao jurdica preexistente. 15. A ao ser proposta no foro do imvel e devero ser citados aquele em cujo o nome estiver registrado o imvel ou certido negativa da falta desse registro; os confinantes (mesmo que por edital) e intimados a fazenda pblica, representantes do Estado e municpios. 16. AQUISIO POR ACESSO Acesso , pois, modo de aquisio da propriedade, criado por lei, em virtude do auql tudo o que se incorpora a um bem fica pertencendo ao seu proprietrio. Duas coisas que antes estavam separadas e agora uma se tornou acessrio da outra. Observe que a lei confere ao proprietrio desfalcado o percebimento de uma indenizao. A acesso pode dar-se pela formao de ilhar, aluvio, avulso, abandono de lveo e plantaoes 17. Seo III Da Aquisio por Acesso Art. 1.248. A acesso pode dar-se: I - por formao de ilhas; II - por aluvio; III - por avulso; IV - por abandono de lveo; V - por plantaes ou construes. 18. Ilhas Observe que s interessam ao direito civil as ilhas e ilhotas surgidas nos rios no navegveis, por pertencerem ao domnio particular, visto que as ilhas que por acaso surjam nos lveos das correntes pblicas tambm pblicas sero. As ilhas que se formam no meio do rio distribuem-se na proporo das testadas dos terrenos at a linha que dividir o lveo ou leito do rio em duas partes iguais. 19. Art. 1.249. As ilhas que se formarem em correntes comuns ou particulares pertencem aos proprietrios ribeirinhos fronteiros, observadas as regras seguintes: I - as que se formarem no meio do rio consideram-se acrscimos sobrevindos aos terrenos ribeirinhos fronteiros de ambas as margens, na proporo de suas testadas, at a linha que dividir o lveo em duas partes iguais; II - as que se formarem entre a referida linha e uma das margens consideram-se acrscimos aos terrenos ribeirinhos fronteiros desse mesmo lado; III - as que se formarem pelo desdobramento de um novo brao do rio continuam a pertencer aos proprietrios dos terrenos custa dos quais se constituram. 20. Aluvio o aumento insiesvel que o rio anexa s terras, to vagarosamete que seria impossvel, em dado momento, apreciar a quantidade acrescida. Da Aluvio Art. 1.250. Os acrscimos formados, sucessiva e imperceptivelmente, por depsitos e aterros naturais ao longo das margens das correntes, ou pelo desvio das guas destas, pertencem aos donos dos terrenos marginais, sem indenizao. Pargrafo nico. O terreno aluvial, que se formar em frente de prdios de proprietrios diferentes, dividir-se- entre eles, na proporo da testada de cada um sobre a antiga margem. 21. Avulso Quando a fora subita da corrente arranca uma parte considervel de um prdio, arrojando-a sobre outro. A avulso d-se no s pela fora de corrente como ainda por qualquer fora natural violenta. Da Avulso Art. 1.251. Quando, por fora natural violenta, uma poro de terra se destacar de um prdio e se juntar a outro, o dono deste adquirir a propriedade do acrscimo, se indenizar o dono do primeiro ou, sem indenizao, se, em um ano, ningum houver reclamado. Pargrafo nico. Recusando-se ao pagamento de indenizao, o dono do prdio a que se juntou a poro de terra dever aquiescer a que se remova a parte acrescida. 22. Alveo abandonado Do lveo Abandonado Art. 1.252. O lveo abandonado de corrente pertence aos proprietrios ribeirinhos das duas margens, sem que tenham indenizao os donos dos terrenos por onde as g