AÇÃO REVISIONAL CONTRATO CEF FINANCIMAMENTO MODELO

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EXCELENTSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA ___VARA CVEL DA COMARCA DE BLUMENAU/SC

FULANDO DE TAL, brasileiro, desempregado, maior, inscrito no CPF sob n. XXXXXXXXXXXXXX e RG sob n. XXXXXXXX, residente e domiciliado na rua XXXXXXXX, n. XXXX, - bairro XXXXXX, CEP XXXXXXX na cidade de Blumenau/SC vem, por sua procuradora presena deste MM. Juzo, com o costumado e profuso respeito e o devido acatamento, promover a presente AO REVISIONAL DE CONTRATO DE FINANCIAMENTO C/C PEDIDO LIMINAR E CONSIGNAO EM PAGAMENTO em desfavor de XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX, pessoa jurdica de direito privado, com filial na rua XXXXXXXXXXXXXXX, n. XXXXXXX, na cidade de Blumenau/SC, passando, para tanto, a expor e requerer o seguinte: PRELIMINARMENTE: ISENO PROVISRIA DE CUSTAS PROCESSUAIS

O Autor informa e declara a este d. Juzo que necessita MOMENTANEAMENTE da benesse relativa a iseno de custas e/ou despesas processuais iniciais, pois no dispe, repita-se, MOMENTANEAMENTE de recursos econmicos suficientes para fazer frente a essas despesas sem prejudicar o seu prprio sustento material e de seus filhos. Mrito: DOS FATOS

O Autor firmou CONTRATO DE FINANCIAMENTO com a Requerida pagando, para tanto, 36 (trinta e seis) parcelas no valor de R$ 240,65 (duzentos e quarenta reais e sessenta e cinco centavos); O autor atualmente tem quitado at a parcela de n. 23/36, e pretende quitar as demais parcelas, dentro de seus vencimentos, porm devido a embaraos financeiros o Autor corre o risco de ver suas parcelas restantes em atraso.

No entanto, em que pese continuao do contrato, pretende o Autor corrigir algumas ilegalidades que vm sendo exigidas pelo Requerido, que se aproveita da diferena prpria das relaes de consumo e dos poderes conferidos pelos instrumentos de adeso, para com isso se enriquecer ilicitamente, causando prejuzo de montante considervel ao Autor. DA COMPETNCIA

sabido que a lei 8.078/90, conhecido como Cdigo de Defesa do Consumidor, garante um maior equilbrio entre as partes conhecidas como fornecedor e consumidor, sendo que aquela hipossuficiente, no caso o consumidor, vem se manter em um padro de equidade graas aos dispositivos contidos na lei supra citada. Desta feita, cumpre explicitar a orientao dada pelo CDC acerca da competncia para ajuizamento da ao, verbis: Art. 101. Na ao de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e servios, sem prejuzo do disposto nos Captulos I e II deste ttulo, sero observadas as seguintes normas: I a ao pode ser proposta no domiclio do autor.

Com isto, procede-se o pedido do Autor em que a ao seja postulada no seu prprio domiclio; DA APLICAO ABUSIVIDADE DO CDC AOS CONTRATOS DE ADESAO E A CONTRATUAL

A doutrina e a jurisprudncia, em unssono, atribuem aos negcios celebrados entre o Autor e a R o carter de contrato de adeso por excelncia. Disciplina o art. 54 do C.D.C., acerca do que contrato de adeso, verbis: Art. 54. Contrato de adeso aquele cujas clusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou servios, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu contedo. Nos contratos de adeso, a supresso da autonomia da vontade

inconteste. Assim o sustenta o eminente magistrado ARNALDO RIZZARDO, em sua obra Contratos de Crdito Bancrio, Ed. RT 2a ed. Pag. 18, que to bem interpretou a posio desfavorvel em que se encontram aqueles que, como o Autor, celebraram contratos de adeso junto ao banco, verbis: Os instrumentos so impressos e uniformes para todos os clientes, deixando apenas alguns claros para o preenchimento, destinados ao nome, fixao do prazo, do valor mutuado, dos juros, das comisses e penalidades. Assim, tais contratos contm inmeras clusulas redigidas prvia e antecipadamente, com nenhuma percepo e entendimento delas por parte do aderente. Efetivamente do conhecimento geral das pessoas de qualidade mdia que os contratos bancrios no representam natureza sinalagmtico, porquanto no h vlida manifestao ou livre consentimento por parte do aderente com relao ao suposto contedo jurdico, pretensamente, convencionado com o credor. Em verdade, no se reserva espao ao aderente para sequer manifestar a vontade. O banco se v no direito de cobrar o devedor. Se no adimplir a obrigao, dentro dos padres impostos, ser esmagado economicamente. No se tem, por parte da instituio financeira, nenhum tipo de possibilidade de manifestao de vontade por parte do aderente, que verdadeiramente s se faz presente para a assinatura do contrato, tendo, assim, que se sujeitar a todo tipo de infortnio e explorao econmica que se facilmente observa, pois a qualidade de aderente s tem uma condio: Se no assinar, nas condies estipuladas pela instituio financeira, no h liberao do crdito. Nessa perspectiva, o bom intrprete no abdica de pensar e, logo, no teme reavaliar suas opinies; prefere os riscos da transformao cmoda inoperncia que conserva a iniqidade. E assim se compreende a inteno do Autor, que nada mais do que pagar aquilo que devido, com os valores corrigidos, seguindo os padres da funo social e da boa-f nas relaes contratuais. Ensina Edilson Pereira Nobre Jnior, em sua obra intitulada A proteo contratual no Cdigo do Consumidor e o mbito de sua aplicao. Revista de Direito do Consumidor, So Paulo, v. 27, p. 59, jul./set. 1998, verbis:

manifestao do consentimento e sua fora vinculativa seja agregado o objetivo do equilbrio das partes, atravs da interferncia da ordem pblica e da boa-f. Ao contrato, instrumento outrora de feio individualista, outorgada tambm uma funo social" 4.4_ "Timbra em exigir que as partes se pautem pelo caminho da lealdade, fazendo com que os contratos, antes de servirem de meio de enriquecimento pelo contratante mais forte, prestem-se como veculo de harmonizao dos interesses de ambos os pactuantes" (p. 62). E continua seu brilhante ensinamento:

"No campo contratual, a tutela desfechada pelo CDC se sustm basicamente em quatro princpios cardeais, atuando na formao e no cumprimento da avena, quais sejam a transparncia, a boa-f, a eqidade contratual e a confiana" (p. 76). Cludia Lima Marques, atenta ao surgimento de um novo modelo contratual, propala haver "uma revalorizao da palavra empregada e do risco profissional, aliada a uma grande censura intervencionista do Estado quanto ao contedo do contrato, um acompanhar mais atento para o desenvolvimento da prestao, um valorizar da informao e da confiana despertada. Alguns denominam de renascimento da autonomia da vontade protegida. O esforo deve ser agora para garantir uma proteo da vontade dos mais fracos, como os consumidores. Garantir uma autonomia real da vontade do contratante mais fraco, uma vontade protegida pelo direito." (Contratos bancrios em tempos psmodernos - primeiras reflexes. Revista de Direito do Consumidor, So Paulo, v. 25, p. 26, jan./mar., 1998). (grifo nosso). O Estatuto do Consumidor acoima de nulidade as clusulas que estabeleam obrigaes inquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou sejam incompatveis com a boa-f e reprime, genericamente, as desconformes com o sistema protetivo do Codex, seno vejamos: Art. 51. So nulas de pleno direito, entre outras, as clusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e servios que: IV. Estabeleam obrigaes consideradas inquas, abusivas, que coloquem o consumidor desvantagem exagerada, ou sejam incompatveis com a boa f ou a eqidade; XV - estejam em desacordo com o sistema de proteo ao consumidor;

O novo enfoque da boa-f vista como princpio geral de direito, "permite a concreo de normas impondo que os sujeitos de uma relao se conduzam de forma honesta, leal e correta" (Maria Cristina Cereser Pezzella. O princpio da boa-f objetiva no direito privado alemo e brasileiro. Revista de Direito do Consumidor, So Paulo, v. 23/4, p. 199, jul./set., 1997). No aspecto objetivo, a bona fides incompatvel com as clusulas abusivas, opressoras ou excessivamente onerosas, e abrange um controle jurdico corretivo da relao negocial (v. Luis Renato Ferreira da Silva. Clusulas abusivas: natureza do vcio e decretao de ofcio. Revista de Direito do Consumidor. So Paulo, v. 23/4, p. 128, 1997). A teor do disposto no art. 3, 2, da Lei n. 8.078 de 11.09.1990, considera-se a atividade bancria alcanada pelas normas do Cdigo de Defesa de Consumidor, includa a entidade bancria ou instituio financeira no conceito de "fornecedor" e o aderente no de "consumidor". E para que no reste dvida acerca da aplicao do CDC basta a citao da Smula 297 do Superior Tribunal de Justia, que assim dispe: Smula 297. "O Cdigo de Defesa do Consumidor aplicvel s instituies financeiras." Com efeito, sendo aplicado o Cdigo de Defesa do Consumidor ao presente contrato, tambm passa a ser possvel a modificao ou reviso das clusulas contratuais onerosas, com base no art. 6, inc. V, do mesmo codex, que estabelece: Art. 6. So direitos bsicos do consumidor:

V. A modificao das clusulas contratuais que estabeleam prestaes desproporcionais ou sua reviso em razo de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. Acerca das possibilidades de modificao dos contratos excessivamente onerosos no mbito das relaes de consumo, NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY, p. 1352, anotam: "Modificao das clusulas contratuais. A norma garante o direito de modificao das clusulas contratuais ou de sua reviso, configurando hiptese de aplicao do princpio da conservao dos contratos de consumo. O direito de modificao das clusulas existir quando o

contrato estabelecer prestaes desproporcionais em detrimento do consumidor. Quando houver onerosidade excessiva por fatos supervenientes data da celebrao do contrato, o consumidor tem o direito de reviso do contrato, que pode ser feita por aditivo contratual, administrativamente ou pela via judicial". "Manuteno do contrato. O CDC garante ao consumidor a manuteno do contrato, alterando as regras pretorianas e doutrinrias do direito civil tradicional, que prevem a resoluo do contrato quando houver onerosidade excessiva ou prestaes desproporcionais". "Onerosidade excessiva. Para que o consumidor tenha direito reviso do contrato, basta que haja onerosidade excessiva para ele, em decorrncia de fato superveniente. No h necessidade de que esses fatos sejam extraordinrios nem que sejam imprevisveis. A teoria da impreviso, com o perfil que a ela dado pelo CC italiano 1467 e pelo Projeto n. 634-B/75 de CC brasileiro 477, no se aplica s relaes de consumo. Pela teoria da impreviso, somente os fatos extraordinrios e imprevisveis pelas partes por ocasio da formao do contrato que autorizariam, no sua reviso, mas sua resoluo. A norma sob comentrio no exige nem a extraordinariedade nem a imprevisibilidade dos fatos supervenientes para conferir, ao consumidor, o direito de reviso efetiva do contrato; no sua resoluo". NELSON ABRO em Direito bancrio, 6. ed. rev. atual. ampl.. So Paulo: Saraiva, 2000, p. 339, esclarece: "Reputam-se abusivas ou onerosas as clusulas que impedem uma discusso mais detalhada do seu contedo, reforando seu carter unilateral, apresentando desvantagem de uma parte, e total privilegiamento d'outra, sendo certo que a reanlise imprescindvel na reviso desta anormalidade, sedimentando uma operao bancria pautada pela justeza de sua funo e o bem social que deve, ainda que de maneira indireta, trilhar o empresrio do setor." Portanto, admite-se a reviso das clusulas do contrato em discusso com a conseqente nulidade daquelas tidas como abusivas, a teor do disposto no art. 6, inc. V, do Cdigo de Defesa do Consumidor, no se cogitando de prevalncia do princpio do pacta sunt servanda. DA ABUSIVIDADE DA TAXA DE JUROS

Somente possvel descobrir a taxa de juros utilizada no contrato ora discutido com uma calculadora financeira nas mos e com o

conhecimento prvio do valor inicial da dvida, da quantidade de parcelas e do valor das parcelas. Entretanto, obvio que os consumidores em geral, inclusive o Autor da presente demanda, no tem como hbito o transporte de calculadoras financeiras consigo, e muito menos o conhecimento prvio da operao de tal equipamento, o que certamente prejudica o conhecimento da taxa utilizada. Alm do mais, na prtica se verifica que os contratos de financiamento, como o presente, so assinados em branco e posteriormente encaminhados para o preenchimento dos valores. Com efeito, a Lei 8.078/90 clara ao desobrigar o Autor ao cumprimento de contratos confusos, e principalmente se expressa previso das obrigaes, sempre interpretando as disposies de forma mais favorvel ao consumidor, neste sentido: Art. 46. Os contratos que regulam as relaes de consumo no obrigam os consumidores, se no lhe for dada oportunidade de conhecimento prvio de seu contedo, ou se os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreenso de seu sentido e alcance. Art. 47. As clusulas contratuais sero interpretadas de maneira mais favorvel ao consumidor. Desta feita, tem-se que a taxa de juros convencionadas no foi aplicada dentro da conformidade com o que a Lei prev; cedio que as Instituies financeiras podem cobrar juros acima de 1%. No entanto, devem se ater aos juros aplicados no mercado ocasio da assinatura do instrumento de adeso, o que no caso em voga no ocorreu, chegando a incrveis 4,95% a. m., o que no final acarreta somente de juros MAIS DO QUE O VALOR FINANCIADO, conforme corrobora planilha em anexo; Isto sem falar em demais cominaes que acarretam cobranas excessivas, tomando como exemplo uma simples folha de papel A4 feita pelo autor que comprova a cobrana exagerada de R$ 104,38 (cento e quatro reais e trinta e oito centavos) apenas pelo atraso no pagamento, que foi de s e to somente 21 (vinte e um) dias; Fora o restante das cobranas de carter abusivo, que esto sendo detalhadamente demonstradas em anexo; DOS JUROS CAPITALIZADOS E DA COMISSO DE PERMANNCIA

A Smula n. 121 do STF, estabelece que: " vedada capitalizao de juros, ainda que expressamente convencionada". Infelizmente a Medida Provisria 1.963 trouxe algumas consideraes acerca da capitalizao de juros, a saber: Art. 5. Nas operaes realizadas pelas instituies integrantes do Sistema Financeiro Nacional, admissvel a capitalizao de juros com periodicidade inferior a 1 ano; Todavia, o eminente jurista PAULO BROSSARD em artigo intitulado Juros com Arroz, d uma verdadeira aula do que efetivamente vem ocorrendo com esta atitude adotada pelo governo, abaixo: "Enquanto isso, a generosidade oficial para com as instituies financeiras continua sem limite. Ao serem divulgados os resultados dos bancos no ano passado, quando a nao inteira sofreu duros efeitos da recesso, viu-se que atingiram ndices jamais vistos, chegando a mais de 500% em certos casos. Pois exatamente agora, o impagvel governo do reeleito, invocando relevncia e urgncia, editou mais uma medida provisria oficializando o anatocismo, que o velho Cdigo Comercial, o cdigo de 1850, j vedava de maneira exemplar, e que a nossa tradio jurdica condenou ao longo de geraes. Alis, na linha da lei de usura, de 1933, a jurisprudncia do Supremo Tribunal Federal, cristalizada na Smula 121, segundo a qual vedada a capitalizao de juros, ainda que expressamente convencionada. Sabe o leitor a fundamentao da medida urgente e relevante? que a cobrana de juros sobre juros vinha sendo praticada pelos bancos. Em vez de condenar o abuso, pressurosamente, o governo homologou o abuso mediante medida provisria. um escrnio. A medida apareceu na 17 edio da MP n 1.963; na calada da noite foi gerada." Esta "generosidade oficial para com as instituies financeiras" vem de h muito tempo, desde a edio da Medida Provisria n 1.367 reeditada sob o n 1.410 (isto j em 1996) que pretendia aniquilar com as regras legais j consagradas pela doutrina e pelo Poder Judicirio, liberando a capitalizao de juros ao ms, semestre ou ano, alm de outras barbaridades. Ocorre que esta Medida Provisria, que s vem a ajudar as instituies financeiras, afronta diretamente os ditames da Lei de Usura e a Smula 121 do STF, agredindo moral e economicamente uma sociedade que vem durante anos tentando se recuperar de problemas financeiros, tais como: inflao, desvalorizao de moeda, estagnao econmica, entre

outras

coisas;

Apesar desta atitude adotada pelo governo num primeiro momento vir a prejudicar e muito a sociedade, deve-se levar em considerao os comentrios e a hermenutica que deve envolver o Cdigo de Defesa do Consumidor; O CDC, em seu art. 46 disciplina:

Art. 46. Os contratos que regulam as relaes de consumo no obrigaro os consumidores se no lhes for dada a oportunidade de tomar conhecimento prvio de seu contedo, ou se os respectivos instrumentos forem redigidos de modo a dificultar a compreenso de seu sentido e alcance. (grifo nosso) Conforme o que se disciplina acima, os contratos de adeso, aonde a capitalizao de juros informada, devem explicitar O PRVIO CONHECIMENTO DE SEU CONTEDO; Fcil de entender o que ocorre nos contratos firmados com as instituies financeiras. Em uma simples olhadela em qualquer contrato de adeso observa-se uma clusula dizendo: capitalizao de juros, MENSAL; No entanto, as clusulas contratuais neste tipo de obrigao devem, facilmente, explicar ao Aderente o que significa a capitalizao de juros, pois a legislao prev que qualquer homem mdio deveria ter como entender esta situao; Ocorre que apesar de a lei ser bastante objetiva, as instituies financeiras no se do ao luxo de adequar seus contratos a esta situao; Neste momento oportuno questionar: Quantos sabem o que capitalizar juros? Poucos atualmente sabem o que significa capitalizar juros mensalmente, pois a nica coisa a que lhe dado conhecimento no momento da contratao a quantidade de parcelas e o valor de cada prestao; Neste enfoque, claro e cristalino que empresas como a Requerida no tentam de forma alguma esclarecer aos seus clientes as reais situaes de seus contratos, o que garante um enriquecimento ainda maior por parte deste tipo de empresa, que se aproveita da diferena na relao

de consumo para a cada dia obter mais e mais valores econmicos aos seus cofres; Razes pelas quais, no pode o Autor ser obrigado a arcar com um valor calculado de forma ilegal, devendo ser recalculado os valores, mediante a aplicao da taxa de juros contratada de forma simples. DA INCONSTITUCIONALIDADE DA MEDIDA PROVISRIA N. 1.963/2000 E DA MEDIDA PROVISRIA N. 2.170-36/2001 A Medida Provisria n. 1.963, de 30 de maro de 2000, inovou ao autorizar a capitalizao de juros em periodicidade inferior a um ano, bem como a edio da nova Medida Provisria, de n. 2.170-36, de 23 de agosto de 2001, cujo artigo 5 manteve a possibilidade de capitalizao de juros em perodo inferior a um ano, dispositivo esse que ainda estaria em vigor em razo do disposto na Emenda Constitucional n. 32/01. No entanto, o MINISTRO SYDNEI SANCHES proferiu voto favorvel suspenso dos efeitos do artigo 5 da Medida Provisria n 2.170-36/01 nos autos da ADIN 2316-1, em trmite perante o EGRGIO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Basta uma rpida consulta pgina do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no endereo http://www.stf.gov.br, para que se observe na ntegra a deciso que transcrevo abaixo, grifando a parte que entendo mais importante, seno vejamos: ADIN 2316-1, DECISO DA LIMINAR:

Aps o voto do Senhor Ministro Sydney Sanches, Relator, suspendendo a eficcia do artigo 5, cabea e pargrafo nico da Medida Provisria n 2170 36, de 23 de agosto de 2001, pediu vista o Senhor Ministro Carlos Velloso. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Maurcio Corra. Presidncia do Senhor Ministro Marco Aurlio. Plenrio, 03.04.2002. E realmente, so vrias as inconstitucionalidades em torno do dispositivo. Primeiro porque no atendem aos requisitos de urgncia e relevncia descritos no artigo 62, "caput", da Constituio Federal. Com efeito, no se pode reputar urgente uma disposio que trate de matria h muito discutida na jurisprudncia nacional que, por sua vez, manifesta entendimento francamente contrrio a essa possibilidade.

Logo, deveria haver a anlise do Poder Legislativo e a implementao dos debates necessrios em razo dos reflexos que a medida leva sociedade como um todo. Ademais, a inexistncia de urgncia e relevncia tambm se reflete no fato de que a capitalizao de juros mencionada no dispositivo est restrita s instituies financeiras. Quer dizer que a urgncia s se verifica para os prprios beneficiados da norma (Bancos), j que, para todos os demais, representa verdadeiro descompasso entre a prestao e a contraprestao, alm de onerar um contrato que por natureza desiguala os contratantes (de adeso). Num segundo momento tambm temos a inconstitucionalidade da referida Medida Provisria, porque a matria tratada de competncia do Congresso Nacional, segundo o inciso XII, do artigo 48 da Constituio Federal, que se refere a matria financeira, cambial e monetria, instituies financeiras e suas operaes. No sendo possvel o Presidente da Repblica, como se fosse um Ditador, baixar seu Decreto, estabelecendo a sua vontade, como quer e de qualquer matria, ao menos num Estado Democrtico de Direito como o nosso, onde o ordenamento jurdico e a Constituio devem ser respeitados. Neste sentido os Tribunais vem declarando a inconstitucionalidade do artigo 5 da Medida Provisria 2.170/01, que teria autorizado capitalizao de juros em perodos inferiores a um ano, a exemplo do primeiro caso (lder case) julgado pela 3 TURMA DO TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4 REGIO, nos autos da APELAO CVEL n. 2001.71.00.004856-0, com Relatrio do DESEMBARGADOR FEDERAL LUIZ CARLOS DE CASTRO LUGON, publicado do DJU 11 de fevereiro de 2004, s pginas 386/387. No mesmo sentido lder case acompanham outros julgados:

1600127567 - EMBARGOS DE DECLARAO - AUSNCIA DE OMISSO MP 2170/90 - A deciso afastou a capitalizao dos juros em perodo inferior a um ano, autorizando a capitalizao anual. Especificamente quanto Medida Provisria n 1.963, houve manifestao expressa j que "a Corte Especial do TRF da 4 Regio acolheu, por maioria, o incidente de inconstitucionalidade da MP n 2.170-63, de 23/08/2001 (ltima edio da MP n 1.963-17, publicada em 31/03/2000)". (TRF 4

R. - EDcl 2002.71.04.008019-6 - 3 T. - Rel Juza Fed. Vnia Hack de Almeida DJU 03.08.2005 p. 635) Seguindo o mesmo entendimento: (TRF 4 R. EDcl 2002.71.00.028168-3 3 T. Rel Juza Fed. Vnia Hack de Almeida DJU 15.06.2005 p. 725) E inmeros outros julgados da mesma Corte Federal. Razo pela qual, mesmo aps a publicao as fatdicas Medidas Provisrias, ainda no possvel aplicao da forma capitalizada de juros no presente contrato, devendo ser declarada a inconstitucionalidade do artigo 5 do citado Remdio Provisrio, sendo mantido o entendimento clssico dos Tribunais brasileiros, no sentido de continuar proibindo os abusos das instituies financeiras, em capitalizar os juros cobrados. Sob a tica do Cdigo de Defesa do Consumidor, os contratos com a natureza adesiva so contratos pr-formulados, aonde a nica manifestao de vontade do agente adquirente a assinatura, sob forma de coao, haja vista o mesmo s tem duas possibilidades: ou assina, e sai com o bem; ou no assina, e sai sem o bem. Desta forma, a adesividade do contrato fica claramente demonstrada, pois o consumidor que pretende adquirir determinada coisa ou valor tem como nica e exclusiva atribuio a fazer a assinatura do contrato. Neste sentido, deve-se entender que mesmo convencionada, a aplicabilidade da capitalizao de juros tambm faz parte das clusulas contratuais abusivas, e deve se operar sua nulidade de pleno direito, pois o consumidor de forma alguma pode optar ou discutir a incidncia deste encargo dentro da relao fornecedor/consumidor. por demais oneroso garantir a instituio financeira o direito de efetuar a cobrana dos valores referentes capitalizao de juros, pois o consumidor conforme j narrado acima, somente tem a obrigao de duas coisas quando contrata com um banco. Assinar e pagar o que l est inserido. No preciso nem analisar o contrato realizado para saber que ocorreu a aplicao dos juros de forma capitalizada, prtica esta reiterada pelas instituies financeiras, apesar da constante proibio da legislao e dos Tribunais brasileiros. Alm da prtica de juros abusivos, existe ainda a cumulao de

comisso de permanncia juntamente com outros encargos, o que sabido ser proibido inclusive com decises pacificadas a respeito desta matria. DA PRETENSO LIMINAR

Com base nas ilegalidades argidas e demonstradas no contrato que acompanha, fica claro que o Autor tem o direito de ver reduzido s parcelas que lhe so exigidas mensalmente. Num segundo momento tambm se percebe o perigo na demora, pois com os abusos do Requerido dificulta a quitao total do emprstimo, o que pode acarretar o atraso no pagamento e a inscrio do nome do Autor nos cadastros negativistas. Mesmo porque, a devoluo dos valores indevidamente exigidos muito demorada, o que importaria em excessiva vantagem ao Ru, em detrimento da hipossuficiencia natural do Autor; Alm do mais, o Autor pretende fazer o pagamento dos valores que entende devido em juzo (mediante a taxa de juros correta e a aplicao de forma simples), evitando desta forma o enriquecimento ilcito do Requerente, com base nas suas prticas abusivas (utilizando taxa maior do que a contratada e ainda de forma capitalizada). DEMAIS ILEGALIDADES

No presente caso existe ainda a ilegalidade das taxas exigidas para emisso dos boletos e da anlise de crdito, o que continua sendo exigido pelas instituies financeiras. Tais tarifas apresentam-se manifestamente abusivas ao consumidor, pois tanto a anlise necessria concesso do crdito como os gastos com a emisso dos boletos de pagamento traduzem despesas administrativas da instituio financeira com a outorga do crdito, no se tratando de servios prestados em prol do consumidor. At porque questiona-se como seria se por um acaso o crdito no fosse autorizado, seria o valor administrativo cobrado? O que objetivamente no ocorre, sendo este valor atribudo apenas queles a quem o crdito permitido, o que claramente errado ser feito. Ademais, os juros remuneratrios j correspondem aos lucros da operao de crdito, no podendo a instituio financeira impor ao consumidor as despesas inerentes a sua prpria atividade sem qualquer

contrapartida. Desse modo, nos termos do art. 51, inciso IV, do Diploma Consumerista, tem-se que a cobrana de tais tarifas caracteriza vantagem exagerada da instituio financeira e, portanto, nulas as clusulas que as estabelecem. Nesse diapaso:

COBRANA DE TARIFA E/OU TAXA NA CONCESSO DO FINANCIAMENTO. ABUSIVIDADE. Encargo contratual abusivo, porque evidencia vantagem exagerada da instituio financeira, visando acobertar as despesas de financiamento inerentes operao de outorga de crdito. Inteligncia do art. 51, IV do CDC. Disposio de ofcio (...) (TJRS, Apelao Cvel n. 70012679429, rel. Desa. Angela Terezinha de Oliveira Brito, julgado em 06.04.2006). Logo, no h o que se falar em cobrana de tarifas que objetivam concesso ou manuteno da conta, uma vez que se transformam em vantagens excessivas ao fornecedor, consoante demonstrado acima. ANTE O EXPOSTO, REQUER EM TUTELA ANTECIPADA:

A) Seja concedido ao Autor o direito a SUSPENSO do pagamento das parcelas restantes at a apresentao do contrato de financiamento firmado entre as partes pelo banco ru, pois o mesmo no ato do financiamento j deveria ter entregue uma cpia ao Autor e no o fez, dificultando o acesso ao questionamento do contrato judicialmente, num claro ato que trar maior demora por parte do poder judicirio, com fulcro, ainda, nos artigos 46, 47 e 74 (por interpretao) do Cdigo de Defesa do Consumidor; B) Em caso de V. Exa., entender por no suspender o pagamento, requer-se que seja concedido ao Autor o direito a depsito judicial do valor apurado como sendo o correto para o presente contrato, aplicando os juros da taxa SELIC, conforme disposto pelo Banco Central, em cima do valor financiado, conforme planilha em anexo, com fulcro, ainda, no Princpio Geral de Cautela (CPC, artigo 798), posto que ressabido que Da mihi facto dabo tibi jus (d-me os fatos e te darei o direito). Quem vem a juzo tem, em princpio, o direito de uma prestao judiciria quanto ao mrito. Assim toda nfase deve ser posta em tal sentido, evitando-se, tanto quanto possvel, destruir o processo com questes prejudiciais e nulidades que destroem a seiva que d vida ao processo, com prejuzo para as partes e desprestgio para o Judicirio

(AC 53.895, TARJ, Relator Severo da Costa, RF 254/288) Compndio Jurdico Marcus Cludio Aquaviva, Editora Jurdica Brasileira, fl. 409 grifamos. C) Em caso de negativa da suspenso do pagamento e do dposito judicial a menor, requer-se ALTERNATIVAMENTE o pedido de DEPSITO JUDICIAL do valor integral das parcelas, no montante de R$ 240,65 (duzentos e quarenta reais e sessenta e cinco centavos), iniciando o depsito dos valores a partir da citao da parte r, sem acarretar juros at a data de incio do depsito, a serem depositados mensalmente na conta a ser aberta no poder judicirio, valor este atualmente cobrado pelo Requerido como parcela do financiamento, conforme cpia de folha do carn em anexo; D) Conforme pedido acima exposto, pede-se que seja a Requerida citada, na pessoa de seu representante legal, sobre o depsito do valor judicial, impedindo o mesmo de negativar o nome do Autor nos rgos de crdito SPC/SERASA, bem como impedindo o Requerido de exigir outro valor a ttulo de pagamento das parcelas do contrato ora em contenda, ambos os pedidos sob pena de multa diria a ser arbitrada pelo juzo. E) Requer tambm que na citao seja o Requerido IMPEDIDO de envio de correspondncias ou qualquer outro tipo de meio coercitivo para tentar, FOROSAMENTE, fazer com que o autor desista de seu direito ou pague o valor devido que no atravs de depsito judicial, pois este ato configura um ASSDIO MORAL desnecessrio por parte do Requerido; F) Requer ainda que no momento da citao do Requerido para apresentao do contrato de financiamento celebrado entre as partes, seja citado o mesmo no sentido IMPEDITIVO de ajuizamento de ao acautelatria de BUSCA E APREENSO, ou qualquer outra que tenha por objetivo a remoo do bem, o que configura claramente LITIGNCIA DE M F, pois o Autor est depositando os valores em juzo, no pedindo que seja eximido desta responsabilidade e haja vista a presente ao estar trazendo em seu bojo exatamente a discusso acerca do contrato referente ao bem mvel financiado; REQUER AINDA:

A) Em caso de negativa do direito a tutela antecipada, requer-se que tenha o Autor o direito a manter o pagamento via depsito judicial, do valor integral das parcelas, at o trnsito em julgado da presente ao;

B) A citao do Requerido, na pessoa de seu representante legal para, querendo, contestar a presente, dentro do prazo processual permitido, sob pena de confesso quanto a matria de fato e de direito. C) Seja julgada totalmente procedente a presente demanda, para a reviso integral da relao contratual, e declarar a nulidade das clusulas abusivas, bem como a consignao, com o conseqente expurgo dos encargos que se considerarem onerosos, tudo calculado na forma simples e sem capitalizao mensal. D) Seja aplicado a inverso do nus da prova, consoante art. 6, VIII do CDC, obrigando o Requerido a apresentar o original do financiamento, assinado pelo Autor, bem como a provar em juzo que deu ao Autor o direito de conhecer o que capitalizao de juros, bem como explicaes ao Autor referente a outras clusulas de carter adesivo, como antecipao de vencimento, comisso de permanncia, TAC, TEC; E) Protesta pela prova documental que acompanha e as demais que se fizerem necessrias no decorrer da instruo processual; todas em direito admitidas, sem a excluso de nenhuma, pericial caso houver necessidade devendo ser esta arcada pelo Requerido. F) A condenao do Requerido a rever a taxa de juros e a forma de aplicao dos juros, bem como o expurgo da cobrana de juros sobre a TAC e a eliminao da prpria TAC, e demais encargos de administrao (emisso de carn, etc), recalculando o valor das parcelas fixas, devolvendo os valores indevidamente exigidos, devidamente atualizados (INPC), mais os juros moratrios (taxa selic) e os devidos honorrios advocatcios, estes ltimos conforme de praxe. F) Caso no seja deferida a TUTELA ANTECIPADA, em sendo exigidos valores indevidos, combatidos nesta actio, o Requerido, tambm deve ser condenado devoluo dos valores exigidos e pagos em dobro, atualizados e com juros. G) Requer seja concedido o benefcio da justia gratuita em favor Autor, por se tratar de pessoa sem condies de arcar com custas processuais, sem prejuzo de seu sustento e de seus filhos, consoante declarao de insuficincia financeira que a esta acompanha (doc. Anexo); em caso de negativa do pedido supra, ento que se conceda o perodo de 06 (seis) meses, para que se possa fazer o pagamento das custas processuais, sem prejuzo de julgamento. H) seja condenado o Requerido ao pagamento das custas processuais e

honorrios advocatcios na base legal de 20% (vinte por cento) do valor da condenao, bem como os honorrios de sucumbncia, aps o trnsito em julgado. D-se a causa o valor de (coloque o valor final do contrato, pois se colocar a menor o juiz ir, ex officio, corrigir);

Nestes Pede Blumenau, 22 de outubro de 2008.

Termos, deferimento.

Excelentssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da Vara Cvel da Comarca de Brusque, SC

DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS LUSSOLI LTDA, pessoa jurdica de direito privado, CGC 80.455.710/0001-45, estabelecida rua Augusto Klapoth, n 456, municpio de Brusque, atravs de seu advogado subscritor, vem respeitosamente Vossa Senhoria propor a presente AO REVISIONAL DE CLUSULAS PARA O EQUILBRIO CONTRATUAL COM REPETIO DE INDBITO, CONSIGNAO INCIDENTE e PEDIDO LIMINAR contra BAMERINDUS LEASING ARRENDAMENTO MERCANTIL S/A, pessoa jurdica de direito privado, CGC 44.847.374/0001-12, com sede no municpio de Barueri, Estado de So Paulo, Alameda Rio Negro, 433, prdio 2, salas 1 e 2, Alphaville, pelo que a seguir expe:

OS FATOS 1. A autora firmou com a r contrato de arrendamento mercantil, em 20 de junho de 1994, sob o nmero 0729-068585-7 (documento anexo), cujo valor importava em CR$ 108.663.181,57 (cento e oito milhes seiscentos e sessenta e trs mil cento e oitenta e um cruzeiros reais e cinqenta e sete centavos). 2. Em razo da instituio do Real como nova moeda, dez dias depois da assinatura do contrato, o valor de CR$ 108.663.181,57 corresponde, em valores da poca, a R$ 39.513,88 (trinta e nove mil quinhentos e treze reais e oitenta e oito centavos), assim compostos: DESCRIO Bem Seguro do Bem TOTAL Valor CR$ 72.861.120,00 7.038.278,21 108.663.181,57 Valor R$ 26.494,95 2.559,37 10.459,56 39.513,88

Valor Residual Garantido 28.763.783,36

3. importante observar que ao valor do bem (um caminho tipo "Mercedinha") mais o valor do seguro, foi acrescentado um valor a ttulo de Valor Residual Garantido, uma espcie de taxa bancria cobrada no valor de 36% alm do valor do bem. No h razes para o acrscimo deste valor sobre o valor do bom que j devidamente corrigido e sobre o qual incide taxa de juros - que so a remunerao do capital, o lucro da financiadora. Ento, alm de corrigir o valor e de lucrar com ele, o banco ainda cobra um plus, com o que vem a se beneficiar ainda mais. 4. Como garantia do contrato a requerente foi obrigada a emitir, em favor da requerida, uma Nota Promissria no valor de CR$ 138.132.316,90 (cento e trinta e oito milhes, cento e trinta e dois mil trezentos e dezesseis cruzeiros reais e noventa centavos), o que corresponde - na data - a R$ 50.229,93 (cinqenta mil duzentos e vinte nove reais e noventa e trs centavos). Ou seja, 27,12% acima do valor garantido. 5. Inobstante o valor do bem (seguro incluso) ser de R$ 29.054,33 e de sua diviso por 36 parcelas resultasse em prestaes de R$ 807,06, a primeira de trinta e seis parcelas pactuadas foi estipulada em CR$ 3.038.014,82 (em Reais, 1.104,73), como consta do contrato, com data inicial prevista para 16 de julho de 1994. A prestao efetiva, contudo, foi exigida no valor de R$ 1.356,88 - 68,13% a mais. 6. J o Valor Residual Garantido, correspondente a 36% do valor total do bem (seguro incluso), que tambm foi parcelado em trinta e seis vezes, tinha um valor inicial de R$ 290,54. O primeiro pagamento, todavia, foi cobrado no valor de R$ 352,40 - um acrscimo de 21,29%.

Estes pagamentos esto registrados na cpia da Ficha Financeira das Operaes emitida pela requerida, que vai anexa presente. 7. O requerente pde suportar regularmente o pagamento das primeiras dezessete parcelas, cujo valor subia vertiginosamente: de R$ 1.104,73 na assinatura do contrato, j estava em R$ 1.787,66 (dcima stima parcela, em 16/11/95). Um acrscimo de 61,82% em dezessete meses! 8. Note-se que ainda no se est tratando de multas ou juros de mora, Excelncia, mas apenas de correo monetria, j que at a dcima stima prestao no houve qualquer inadimplncia. 9. Quanto aos juros de financiamento, estes j vieram embutidos no preo final, como se observa pela diferena entre a simples diviso do valor total pelo nmero de parcelas e o valor arbitrado para as parcelas: VALOR DO BEM R$ 807,06 36 PARCELAS VALOR DA PARCELA NO CONTRATO R$ 1.104,73 DIFERENA R$ 297,67 (36,88%)

10. Assim, j se constata, nas primeiras dezessete parcelas, a aplicao de juros na ordem de 36,88% e correo monetria em 61,82%, quando se sabe que os juros contratuais no leoninos giram normalmente, no mundo dos negcios honestos, a 1% por ms, enquanto a correo monetria no ultrapassa o ndice inflacionrio, altura mdia de 1% mensal. Isto sem considerar o valor residual garantido. Um disparate. 11. Como qualquer pequena empresa brasileira, no teve a requerente condies de resistir ao desproporcional avano das prestaes. Por ocasio da 18 parcela no foi mais possvel arcar com a carestia, situao que perdurou at o vencimento da 19, em janeiro de 1996. 12. No dia 22 de janeiro de 1996 arrendante e arrendatria renegociaram os valores vencidos e vincendos, atravs do Aditivo de Renegociao de Operao do Contrato de Arrendamento Mercantil 0729-068585-7. Pelo referido instrumento, foi pactuado que o saldo devedor seria parcelado em vinte parcelas, includo o valor relativo parcela vencida e no paga. Deste modo, o pagamento destas vinte novas parcelas quitaria por completo o contrato. O valor inicial da primeira foi estipulado em R$ 1.801,09, e do Valor Residual Garantido em R$ 402,20. 13. No referido aditivo a arrendante-requerida calcula como saldo devedor total (atrasada + vincendas) o valor de R$ 34.242,52. Isto porque a requerente j quitara dezessete parcelas, o equivalente a R$ 31.624,18. Ou seja, de um valor total do bem na ordem de R$ 29.054,33 com juros e correo legais correspondiam a R$ 41.570,02 na data de 16 de janeiro de 1996 -

o requerente j havia pago 76,07%, e ainda estava devendo - segundo a requerida - R$ 34.242,52 (82,37%). Isto representa um total de 158,44%, sem considerar os ulteriores acrscimos que viriam a ser provocados pela arrendante-requerida a ttulo de juros e "correo". 14. Mesmo com dificuldades a requerente honrou suas obrigaes contratuais at a sexta prestao do novo parcelamento, quando ento no conseguiu mais suportar o reiterado encarecimento das parcelas. 15. Diante da incmoda situao de inadimplncia, a requerente pleiteou mais uma vez a renegociao da dvida, sem contudo lograr xito, e a conduta da requerida face ao sabido carter imoral do contrato revelou-se claramente quando da solicitao de informaes por escrito sobre a atual situao do negcio. A requerida negou-se a prestar imediatamente informaes documentadas, e limitou-se a dizer verbalmente o que foi anotado pelo representante da autora e que a seguir se transcreve: Novo Contrato 6 parcelas pagas (de 01 a 06) 8 parcelas vencidas (de 07 a 14) 6 a vencer (15 a 20) R$ 34.000,00 p/ quitar o contrato. 16. A valorao aqui apresentada fica portanto prejudicada diante da sonegao de informaes da r, que passou a demonstrar uma ntida conduta de imoralidade para com a outra parte do contrato, e s veio a prestar alguma informao bem mais tarde, mediante a apresentao da Ficha Financeira das Operaes que ora se junta.

SOBRE A RELAO DE CONSUMO 66. Ante a possibilidade - sempre presente - de que a requerida venha a alegar que no ela uma fornecedora, que o requerente no um consumidor, e que o contrato em litgio no se regula pelas regras do Cdigo de Defesa do Consumidor, vale registrar o que diz a lei simplesmente a lei - pura e suficientemente clara:LEI 8.078/90 - CDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR "Art.2 Consumidor toda pessoa fsica ou jurdica que adquire ou utiliza produto ou servio como destinatrio final."

"Art.3 Fornecedor toda a pessoa fsica ou jurdica, pblica ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividades de produo, montagem, criao, construo, transformao, importao, exportao, distribuio ou comercializao de produtos ou prestaes de servios. 1 - Produto qualquer bem, mvel ou imvel, material ou imaterial." 2 - Servio qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remunerao, inclusive as de natureza bancria, financeira, de crdito e securitria, salvo as decorrentes das relaes de carter trabalhista." (grifo nosso).

67. Est mais do que ntida, portanto, a relao de consumo e aplicabilidade plena do Cdigo de Defesa do Consumidor. A COBRANA INDEVIDA 68. Tendo recebido e postulado contnua cobrana sobre valores em verdade indevidos, a requerida infringiu mais uma vez disposio do Cdigo de Defesa do Consumidor; agora, no pargrafo nico do artigo 42. 69. Diz o tal pargrafo:"O consumidor cobrado em quantia indevida tem direito repetio do indbito, por valor igual ao dobro do que pagou em excesso, acrescido de correo monetria e juros legais, salvo hiptese de engano justificvel." Cdigo de Defesa do Consumidor, Lei 8.078, de 11 de setembro de 1990; artigo 42, pargrafo nico. (grifo nosso)

70. A prpria Lei da Usura, alis, em seu artigo 11, prescreve a repetio do indbito:"O contrato celebrado com infrao desta lei nulo de pleno direito, ficando assegurado ao devedor a repetio do que houver pago a mais." Lei da Usura, Decreto 22.626/33, artigo 11. (grifo nosso)

. Em razo da situao conturbada no contrato, a requerente pretende contribuir no mximo possvel para a breve soluo do litgio. Por isso mesmo, e inconformada com os valores cobrados, vai ao final oferecer depsito como continuidade de pagamento, apenas para evitar a possibilidade de mora, que pode ainda ser argida.

105. Ento sero oferecidos - em juzo - os valores correspondentes s seis ltimas parcelas que diz a arrendante-requerida estarem por vencer. O valor das parcelas ser to-somente o valor do bem dividido por 36 (29.054,33 36 ), que resulta em 807,06, acrescido de juros e correo legais -1% cada - o que vai totalizar, hoje, R$ 1.201,60. A primeira parcela a que vai depositada junto a este petitrio, e as demais, se deferidas, subseqentemente a cada ms. 106. O depsito admitido claramente na legislao brasileira, embora possa haver confuso entre conceitos diversos. H duas modalidades previstas, quais sejam - no ensinamento de Humberto Theodoro Jnior, in Curso de Direito Processual Civil, 13 ed., Forense, Rio, 1996 - a principal e a incidente. 107. Consignao principal aquela cujo fim est na extino da dvida, mediante quitao total do saldo devedor. Seu procedimento est regulado nos artigos 890 e 900 do Cdigo de Processo Civil, sob a denominao de Ao de Consignao em Pagamento. 108. J o depsito incidente no tem previso expressa, mas decorrente da permissividade do artigo 292 do mesmo diploma legal. Segundo o renomado processualista, perfeitamente cabvel cumular o pedido consignatrio com outros, num mesmo processo, desde que, verificada a unidade de competncia, seja desprezado o rito especial do artigo 800 e seguintes, se adote o procedimento ordinrio. 109. Assim, no h restries quanto ao pedido de depsito, e isto se j diz para prevenir infundadas contestaes da requerida. Mesmo porque no s a doutrina como tambm a jurisprudncia brasileira tm tradicionalmente entendido assim a nossa lei. 110. Novamente emprestamos do respeitadssimo Desembargador Pedro Manoel Abreu, do nosso Tribunal de Justia de Santa Catarina, os ensinamentos extrados do Agravo de Instrumento 96003846-9, de Balnerio Cambori, onde foi relator:" possvel, em sede de ao revisional de contrato, promover o devedor o depsito por consignao incidente, desprezado o rito especial da ao de consignao em pagamento, verificada a unidade de competncia e observado o procedimento ordinrio. Inteligncia do artigo 292 do Cdigo de Processo Civil. O pedido de depsito incidente tem carter acessrio e secundrio. Ser pelo julgamento do pedido principal,

cumulado ao de depsito, que se definir a sorte e a eficcia da consignao. Rejeitado o primeiro, no tem condies de subsistir o depsito por si s. Expungida a mora por depsito incidente de valor razovel, consideradas as peculiaridades do caso concreto, possvel obstar-se a inscrio do nome do devedor em banco de dados de consumo (SPC, SERASA), assim como mant-lo na posse do bem objeto do arrendamento mercantil, ainda que aforado interdito de reintegrao, at o julgamento da ao revisional do contrato" (grifo nosso)

111. Resta, pois, que a requerente deseja depositar quantia que corresponda a uma parcela do saldo devedor alegado pela requerida. Em razo de o saldo e tudo o mais estar sendo discutido neste contrato, tomar-se- por base um parcelamento de seis prestaes, j que, segundo a requerida, era este o nmero de prestaes vincendas. 112. Destarte, a prestao importar em seis parcelas de R$ 1.201,60, atualizadas mensalmente com base na correo monetria legal e remuneradas em 1% ttulo de juros legais por ms. Vale frisar, mais uma vez, que este valor no corresponde realidade da dvida, j que a requerente tem, em verdade, a receber, e no a pagar; o depsito simples preveno contra possibilidade de constituio em mora, j que o contrato est sub judice.

A POSSIBILIDADE CAUTELAR 113. Segundo o princpio da Economia Processual, e de acordo com a legislao vigente, garantido o direito a medidas cautelares inominadas, a critrio judicial, com a finalidade de prevenir prejuzo irreversvel parte ameaada deste. A prescrio est no artigo 798 do Cdigo de Processo Civil:"Alm dos procedimentos cautelares especficos, que este Cdigo regula no Captulo II deste Livro, poder o juiz determinar as medidas provisrias que julgar adequadas, quando houver fundado receio de que uma parte, antes do julgamento da lide, cause ao direito da outra leso grave e de difcil reparao." Cdigo de Processo Civil; artigo 798.

114. o caso, pois, desta lide, vez que presentes com certeza as duas figuras jurdicas necessrias manifestao preventiva do Juiz: o fumus bonis juris e o periculum in mora.

115. A primeira porque est a requerente em situao j exaustivamente explanada de inferioridade, de apequenamento, diante do evidente poder econmico da requerida e de sua m-f demonstrada pela abusividade contratual j tratada. 116. A segunda pelo que se j disse em funo do risco que corre a requerente em perder seu crdito - por conseqncia a idoneidade comercial e o equilbrio moral - ante a inscrio em cadastros de consumo (SPC, SERASA, etc); e tambm pelo irreversvel dano que certamente advm da privao do uso do bem objeto do contrato em litgio, tanto pelo decrscimo patrimonial quanto pela inatividade fatal da empresa, o que contrrio, inclusive, ao interesse econmico social e ao direito ao trabalho, no caso de que o bem no seja depositado requerente. 117. Nossos Tribunais, por outro lado, tm decidido pela concesso de liminares j no pedido inicial, visando a economia e a simplificao processual, para os casos em que haveria necessidade de ao cautelar. Entre diversos, destaque-se os seguintes julgados: RJTJESP 95/291; JTA 861/159; RT 597/125. 118. Do Agravo de Instrumento 96000486-6, da Capital, relator o Desembargador Pedro Manoel Abreu, se extrai:"Conforme tem entendido esta Cmara, a deciso que defere ou indefere liminares compete ao prudente arbtrio do magistrado, cabendo ao rgo ad quem reform-las somente quando forem flagrantemente ilegais ou teratolgicas." (grifo nosso)

119. Eis que cabvel a concesso de medida liminar inaudita altera pars.

REQUERIMENTO FINAL Vem a autora Vossa Excelncia, respeitosamente, requerer: a) EM LIMINAR: a1) CONSIGNAO INCIDENTE. O recebimento e subseqente depsito do valor de R$ 1.201,60 (mil duzentos e um reais e sessenta centavos), correspondente primeira de seis parcelas sucessivas mensais necessrias quitao do saldo devedor, sujeitas desde j apurao pericial;

a2) DEMANDAS CONEXAS. A determinao ao Cartrio Cvel desta Comarca para que seja comunicada a este Juzo qualquer demanda ajuizada pela r contra a autora, no intuito de que, no caso de serem admitidos ulteriores pleitos, possa reunir-se as aes para simultneo julgamento, com sobrestamento dos feitos intentados pela requerida; tudo com fulcro no artigo 265, IV, alnea "a" do Cdigo de Processo Civil, com entendimento pacificado pelo nosso Egrgio Tribunal de Justia, sempre enftico quanto a desconsiderao da mora para devedores em contratos sub judice, como no Agravo de Instrumento 96004332-2, de Tijucas, DJSC 9519, de 12/7/96, Relator Desembargador Carlos Prudncio; a3) DEPSITO DO BEM. A nomeao da autora como depositria do veculo caminho Mercedes Benz, tipo 709/37, ano 1994, cores branca, cinza e prata, chassi nmero 9BM688102RB021035, cdigo RENAVAM 310101, que objeto do Contrato de Arrendamento Mercantil 0729-068585-7, motivo do presente litgio, com o fim de evitar maiores prejuzos com eventual Ao de Busca e Apreenso, embasado em diversos entendimentos jurisprudenciais excertos de agravos supra-mencionados; a4) PROTESTOS EM CARTRIO. A determinao aos competentes cartrios de registro de ttulos e documentos para que se abstenham de efetuar o apontamento a protesto de ttulos cambirios vinculados a contratos firmados entre os presentes litigantes; a5) BANCO DE DADOS DE CONSUMO. A determinao s entidades provedoras ou mantenedoras de bancos de dados ou cadastros de crdito e consumo, como o SPC, o SERASA e similares, para que se abstenham de inscrever ou registrar quaisquer restries de carter comercial/creditcio com relao ao que aqui se discute e, havendo j o referido registro, que sejam excludos ou suspensos at o julgamento final desta lide. b) FORO DE ELEIO. A declarao de nulidade da clusula abusiva de eleio de foro, pelo que j argido, com a conseqente acolhida da presente. c) CITAO. A citao da requerida, na pessoa de seu representante legal, atravs de carta registrada AR (Cdigo de Processo Civil, 221 e seguintes), no endereo indicado no prembulo para que, querendo, apresente contestao, no prazo legal, sob pena de revelia e confisso. d) PROCEDNCIA DA AO. A procedncia da presente ao, com a reviso judicial do contrato, partindo-se dos valores iniciais originais e observados: d1) a aplicao dos devidos encargos legais;

d2)a vedao capitalizao de juros, os juros excessivos e a correo monetria baseada em indexadores de especulao financeira como a TR ou similar, excluda a multa pela inadimplncia recproca; d3)a apurao pericial tcnico-contbil que restaure, num plano contnuo e concorde legislao, a evoluo da dvida litigada, enquanto comparado escala progressiva de pagamentos efetuados; d4)a verificao e a apurao minuciosa dos excessos contratuais; d5) a declarao de nulidade das clusulas abusivas e excessivamente onerosas cuja existncia restar comprovada; d6) a limitao constitucional dos juros ao patamar de 12% ao ano, e a correo monetria ao ndice legal (IGP-M), calculados sem cumulao do tipo capitalizao de juros; d7) o restabelecimento do equilbrio contratual; d8) a condenao da r ao nus da sucumbncia, com as cominaes de praxe. e) COBRANA INDEVIDA. A declarao de cobrana indevida sobre os valores reputados como multa contratual, comisso de permanncia, encargos moratrios e juros compensatrios, alm da cumulao irregular do valor residual, a fim de serem descontados dos valores em mora os cobrados a mais. f) REPETIO DO INDBITO. A repetio do indbito, nos termos do artigo 42, pargrafo nico, da Lei 8.078/90, Cdigo de Defesa do Consumidor, condenada a r a ressarcir em dobro o que efetivamente tiver cobrado indevidamente, acrescidos os juros legais, conforme o quantum debeatur apurado em percia, recaindo este ressarcimento dobrado na condio de abatimento do saldo devedor. g) AO PENAL. A providncia para que seja noticiado ao Ministrio Pblico a conduta criminosa por parte de representantes da requerida no caso da aplicao de juros ilegais, a fim de que seja instaurado o competente inqurito e respectiva ao penal, com fundamento na Lei 8.137/90, artigo 7, inciso V e legislao pertinente. h) PROVAS. A produo de provas, nos seguintes termos: h1) INVERSO DO NUS. a inverso do nus probante, de acordo com o artigo 6 do Cdigo de Defesa do Consumidor;

h2) APRESENTAO DE DOCUMENTOS. a intimao da requerida a apresentar nos autos todos os extratos referentes aos dbitos originados do contrato em questo, constantes obrigatoriamente todas as frmulas, tabelas e sistemas de clculo, controle, registro, reajuste, capitalizao por encargos, incidncia de taxas, comisses e remunerao do capital relativos s obrigaes oriundas do referido contrato; h3) PERCIA. a percia tcnico-contbil e financeira visando apurar os resultados objetivados na alnea "d" supra; h4) OUTRAS. a juntada de documentos, o depoimento das partes e, invocado o princpio legal, quaisquer outras provas que se fizerem necessrias. D-se causa o valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Nestes termos, pede deferimento.

Excelentssimo Senhor Doutor Juiz Federal da Vara Cvel da Seo Judiciria do Distrito Federal.

(XXX), brasileiro, casado, militar, CI n. (XXX), inscrito no CPF sob o n. (XXX), residente e domiciliado em Valparaso, GO, no setor C, quadra 27, casa 08, vem mui respeitosamente digna e ilustre presena de Vossa Excelncia, via de seu advogado que esta subscreve promover AO DE REVISO CONTRATUAL

em face da CAIXA ECONMICA FEDERAL , instituio financeira de direito pblico, com sede e foro nesta Capital Federal sito ao SBS, quadras 3/4, lote 34, onde dever ser CITADA na pessoa de quem de direito, para os termos da

presente; o que faz pelos seguintes fatos e fundamentos de direito: Da Smula Ftica:

1. O Requerente pelo incluso instrumento particular de cesso de direitos, vantagens, obrigaes e responsabilidades (doc.03) aderiu por sub-rogao aos direitos e obrigaes frente ao CONTRATO DE FINANCIAMENTO habitacional (doc. 02) com pacto adjeto de Hipoteca, firmado em 29.11.1990 junto a Caixa Econmica Federal, destinado aquisio do imvel constitudo da casa 08, edificada na Quadra 27, do Setor "C" da cidade de Valparaso,GO, o financiamento no valor de Cr$1.567.821,93, moeda da poca, correspondente a 97%% do valor do imvel; 2. Informando que, desde a aquisio deste imvel em 29.11.1990, portanto h mais de 10(dez) anos, data em que vinham processando normalmente a amortizao do valor do financiamento, e cumpriam integralmente o valor pactuado e estipulado unilateralmente pela Requerida, consoante a clusula quinta, at ento sem qualquer oposio; mas, diante da situao em que se foi elevando o valor da prestao e o aumento acentuado do saldo devedor; nesse sentido no tem outra alternativa seno o ingresso da presente ao para que possa apurar com exatido o valor da prestao que for devida e a sistemtica de correo do saldo, e com isto cumprir o contrato em questo; 3. Ocorrendo MM. JUIZ, que, dentro dos parmetros legais, como ser demonstrado, vislumbra-se sem qualquer dvida que, o mtuo em questo contrape as normas inerentes ao Sistema Financeiro Habitacional, e mesmo o contrato, colocando o muturio em total desvantagem e desigualdade de condies de discutir a questo em procedimento administrativo, diante da ausncia de entendimento por parte da Requerida em pretender uma anlise com maior profundidade do CONTRATO firmado, levando-o at ento a aceitar as obrigaes que assim lhes eram impostas, acreditando na sua veracidade e norteamento como legtimo; 4. Nesse sentido, aps melhor reexame e anlise do mtuo ali ajustado, constata-se que o mesmo est em confronto com inmeros dispositivos legais, citados abaixo, afrontando o direito do Autor, colocando-o em total desvantagem conforme foi salientado acima, frente s clusulas contratuais que lhes foram impostas unilateralmente, formuladas pela Requerida e que foram aceitas na forma com que foram emitidas, pois, no restava outra opo ao muturio naquela oportunidade; 5. Mais que, como pblico e notrio, os contratos de financiamentos so todos, sem exceo, redigidos (quando no impressos) unilateralmente pelas instituies financeiras, sem que haja a ingerncia ou a participao do financiado (muturio) na sua redao, na razo de que os mesmos j esto elaborados por ocasio da sua assinatura. Restringindo, assim, a sua participao em aceita-los ou no. No passando estes de meros contratos de ADESO, os quais, podendo

se afirmar de serem em sua maioria ILEGTIMOS, por no observarem as normas pertinentes. 6. Vistos, estes contratos geram em conseqncia, na sua redao, clusulas abusivas e ilegais, que colocam o financiado em condio inferior em seu direito de manifestao. Sendo assim, contratos impostos, onde o financiado no tem como insurgir, aceitando-o na forma com que j se encontra formulado. Dentro desse entendimento, temos a suscitar que:

Os juros que foram pactuados naquele instrumento foram de NOVE vrgula zero cinco mil quinhentos e quarenta e oito milsimos por cento (9,05548%) como taxa efetiva e nominal de 8,7%; mas, como se v da PLANILHA (doc.04) emitida pela Requerida e acostada aos autos, os juros praticados no obedeceram ao que ali foi pactuado, onde se percebe a incidncia de juros de MAIS de 1%, com total afronta ao que est estabelecido no CONTRATO DE FINANCIAMENTO; E que, cumpre salientar que, a COBRANA no prevista no CONTRATO, como se v da inclusa PLANILHA (doc. 04) emitida pela Requerida, referente ao COEFICIENTE DO FUNDO DE COMPENO E VARIAO SALARIAL - FCVS 1,15%, representa na verdade um ENCARGO financeiro suplementar que, nada mais do que juros embutidos, contrariando o disposto na Lei n. 4.380/65. Em decorrncia desse fato ilegtimo, est ocorrendo exacerbada majorao dos encargos financeiros, isto, sem respaldo legal; Diante da forma distorcida de amortizao e diante da aplicao incorreta dos juros o saldo do financiamento est sendo corrigido de forma irregular, eis que, do FINANCIAMENTO ento ajustado, se tivesse sido regularmente pago, como aponta a Requerida, em 30.07.2001, persiste um saldo DEVEDOR de R$15.104,03. Quando na realidade, diante dos pagamentos efetuados, NO EXISTE saldo DEVEDOR em favor da Requerida. Para tanto suficiente o cotejo da PLANILHA anexa (doc.05); Diante desses fatos, coloca o muturio em situao desvantajosa frente a estas formulas de elevao e atualizao do saldo devedor do financiamento, incompatibilizando e tornando onerosa as parcelas mensais. Gerando com essas super atualizaes do saldo devedor do financiamento, no curso das indexaes, um rotineiro abuso, pois, ir evoluindo acentuadamente o saldo devedor, tornando, em decorrncia, invivel o cumprimento das parcelas mensais, diante de seus valores exorbitantes. Diante desses fatos, verifica-se uma substancial majorao dos encargos e conseqentemente do valor do saldo devedor, como iremos demonstrar e isto est se realizando sem qualquer respaldo no contrato e na legislao atinente a espcie ora submissa ao Poder Judicirio.

Eis que, como se v do CONTRATO (doc.02), quando adquiriram o imvel, em 29 de novembro de 1990, do valor do financiamento originrio e diante dos pagamentos feitos de forma distorcida e a maior, presentemente NO EXISTE SALDO DEVEDOR, pelo contrrio, existe um crdito em favor do Autor (R$12.908,71), como resta comprovado pela inclusa PLANILHA FINANCEIRA (doc.05). E como demonstra a PLANILHA DE CLCULO DA PRESTAO (doc.06) o valor da possvel prestao em 30.07.01 seria de R$173,25; quando a Requerida aponta uma prestao de R$623,46; A diferena de clculos de uma e outra, destas planilhas, certamente gritante; no entanto, h que salientar que os clculos efetuados na planilha apresentada pelo muturio primaram pelo emprego dos parmetros estipulados no contrato assinado com o agente financeiro, em estrita conformidade com os dispositivos legais pertinentes e frente realidade econmica do pas; Assim sendo, MM. JUIZ, sem adentrarmos com muita profundidade ao mrito, o caso vertente insinua, no mnimo, a um manifesto desequilbrio entre as partes contratantes, com inegvel desvantagem para os muturios, situao essa que repudiada dentro das diretrizes traadas pelo Cdigo de Defesa do Consumidor; Como perceptvel, os nmeros apresentados pela Requerida, seja quanto ao saldo devedor do financiamento, seja quanto ao reajuste das prestaes, certamente foram elaborados diante de critrios extracontratuais, incompreensveis e abusivos, que resultaram em enorme desvantagem para os muturios; Da decorre a presente ao, onde se pretende apurar os valores que efetivamente esto vinculados ao contrato de financiamento e que deve ser cumprido pelos muturios. Pois, nesse contexto, o Cdigo de Defesa do Consumidor, assinala que: "E vedado ao fornecedor de produtos ou servios, dentre outras prticas abusivas: (art. 39)". V - exigir do consumidor vantagem manifestamente excessiva; " So nulas de pleno direito, entre outras, as clusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e servios que (art.51): IV - estabeleam obrigaes consideradas inquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatveis com a boa f ou a equidade; " Assim sendo, manipulando os reajustes das prestaes e do saldo devedor de maneira obscura e divorciada dos termos contratuais e da lei - o que lhe faz render benefcios extraordinrios, mas, expondo os muturios a excessivos encargos - e sob a tica do Cdigo de Defesa do Consumidor, est a Requerida agindo de forma inqua, abusiva de m-f. Este expediente, que, alis,

indiscriminadamente adotado pelas instituies financeiras deste Pas, atropelam o prprio princpio inspirador da criao do Fundo Nacional da Habitao (Lei n 4.380, de 21.08.64) que era exatamente para atingir um objetivo: o social. Assim, resta claro que uma lei que no passou do papel; Portanto, alheios nobre diretiva governamental de propiciar moradia s classes menos favorecidas da populao, em condies compatveis com a sua renda, as entidades financeiras vinculadas ao SFH, professam, isto sim, o contrrio, espoliando os parcos oramentos dos muturios, pouco ou nada se incomodando com a penria dos mesmos, o que reflete hoje na enxurrada de aes em trmite na Justia, ora propostas pelos devedores hipotecrios na tentativa de reduzir os exacerbados comprometimentos financeiros, ora propostas pelos credores hipotecrios diante da impossibilidade financiados de adimplirem os leoninos contratos; A espcie dos autos, MM. JUIZ apenas mais um daqueles casos em que o comprador de imveis financiado pelo Sistema Financeiro da Habitao vem reclamar a prestao jurisdicional com o objetivo de fazerem valer os seus direitos, certamente, assegurados pelo ordenamento jurdico vigente; Destarte, em linha de princpio, a pretenso do Autor ao proporem a presente ao, estriba-se no inciso V, do art. 6 da Lei n. 8.078/90 ( Lei de proteo do consumidor) que assinala: "So direitos bsicos do consumidor:

V - a modificao das clusulas contratuais que estabeleam prestaes desproporcionais ou sua reviso em razo dos fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas." Assim, diante dos fundamentos retro expendidos, extrai-se a toda evidncia que razo e direito devem assistir ao Autor e nesse sentido, sendo legtimo o propsito de obterem judicialmente a reviso do contrato de financiamento em discusso, no sentido de que o mesmo seja examinado e adequado s condies e s normas que regem a matria expostas acima, assegurando aos muturios os benefcios resultantes dos clculos apresentados na sua PLANILHA FINANCEIRA; os quais certamente havero de ser ratificados atravs de percia contbil deferida por este Juzo; ANTE O EXPOSTO, solicita a Vossa Excelncia :

a) a CITAO da Requerida, na pessoa de quem a representa legalmente em Juzo para, querendo, CONTESTAR a presente ao, sob pena de revelia e confisso;

b) seja compelido a Requerida a refazer os clculos das prestaes e do saldo devedor em conformidade com o contrato originalmente assinado e em consonncia com as normas legais pertinentes e, caso necessrio, se permita a realizao de percia contbil; c) seja afinal, julgada procedente a presente ao nos termos propostos e declarada por sentena a reviso do contrato de financiamento em apreo, com a condenao da Requerida ao pagamento das custas processuais, honorrios advocatcios e demais pronunciaes como de direito; Outrossim, protesta em provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitido, como: juntada de documentos, percia contbil, etc. Nestes termos, dando-se presente o valor de R$ 1.000,00 (mil reais) para efeitos fiscais e legais, pede e espera deferimento Braslia, Leonardo Advogado OAB/DF 15.811 Data de Cadastro: 10/01 DF, 18 de Guimares fevereiro de 2002. Vilela