AÇÃO REVISIONAL CONTRATO CEF FINANCIMAMENTO MODELO

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EXCELENTSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA ___VARA CVEL DA COMARCA DE BLUMENAU/SC

FULANDO DE TAL, brasileiro, desempregado, maior, inscrito no CPF sob n. XXXXXXXXXXXXXX e RG sob n. XXXXXXXX, residente e domiciliado na rua XXXXXXXX, n. XXXX, - bairro XXXXXX, CEP XXXXXXX na cidade de Blumenau/SC vem, por sua procuradora presena deste MM. Juzo, com o costumado e profuso respeito e o devido acatamento, promover a presente AO REVISIONAL DE CONTRATO DE FINANCIAMENTO C/C PEDIDO LIMINAR E CONSIGNAO EM PAGAMENTO em desfavor de XXXXXXXXXXXXXXXXXXXX, pessoa jurdica de direito privado, com filial na rua XXXXXXXXXXXXXXX, n. XXXXXXX, na cidade de Blumenau/SC, passando, para tanto, a expor e requerer o seguinte: PRELIMINARMENTE: ISENO PROVISRIA DE CUSTAS PROCESSUAIS

O Autor informa e declara a este d. Juzo que necessita MOMENTANEAMENTE da benesse relativa a iseno de custas e/ou despesas processuais iniciais, pois no dispe, repita-se, MOMENTANEAMENTE de recursos econmicos suficientes para fazer frente a essas despesas sem prejudicar o seu prprio sustento material e de seus filhos. Mrito: DOS FATOS

O Autor firmou CONTRATO DE FINANCIAMENTO com a Requerida pagando, para tanto, 36 (trinta e seis) parcelas no valor de R$ 240,65 (duzentos e quarenta reais e sessenta e cinco centavos); O autor atualmente tem quitado at a parcela de n. 23/36, e pretende quitar as demais parcelas, dentro de seus vencimentos, porm devido a embaraos financeiros o Autor corre o risco de ver suas parcelas restantes em atraso.

No entanto, em que pese continuao do contrato, pretende o Autor corrigir algumas ilegalidades que vm sendo exigidas pelo Requerido, que se aproveita da diferena prpria das relaes de consumo e dos poderes conferidos pelos instrumentos de adeso, para com isso se enriquecer ilicitamente, causando prejuzo de montante considervel ao Autor. DA COMPETNCIA

sabido que a lei 8.078/90, conhecido como Cdigo de Defesa do Consumidor, garante um maior equilbrio entre as partes conhecidas como fornecedor e consumidor, sendo que aquela hipossuficiente, no caso o consumidor, vem se manter em um padro de equidade graas aos dispositivos contidos na lei supra citada. Desta feita, cumpre explicitar a orientao dada pelo CDC acerca da competncia para ajuizamento da ao, verbis: Art. 101. Na ao de responsabilidade civil do fornecedor de produtos e servios, sem prejuzo do disposto nos Captulos I e II deste ttulo, sero observadas as seguintes normas: I a ao pode ser proposta no domiclio do autor.

Com isto, procede-se o pedido do Autor em que a ao seja postulada no seu prprio domiclio; DA APLICAO ABUSIVIDADE DO CDC AOS CONTRATOS DE ADESAO E A CONTRATUAL

A doutrina e a jurisprudncia, em unssono, atribuem aos negcios celebrados entre o Autor e a R o carter de contrato de adeso por excelncia. Disciplina o art. 54 do C.D.C., acerca do que contrato de adeso, verbis: Art. 54. Contrato de adeso aquele cujas clusulas tenham sido aprovadas pela autoridade competente ou estabelecidas unilateralmente pelo fornecedor de produtos ou servios, sem que o consumidor possa discutir ou modificar substancialmente seu contedo. Nos contratos de adeso, a supresso da autonomia da vontade

inconteste. Assim o sustenta o eminente magistrado ARNALDO RIZZARDO, em sua obra Contratos de Crdito Bancrio, Ed. RT 2a ed. Pag. 18, que to bem interpretou a posio desfavorvel em que se encontram aqueles que, como o Autor, celebraram contratos de adeso junto ao banco, verbis: Os instrumentos so impressos e uniformes para todos os clientes, deixando apenas alguns claros para o preenchimento, destinados ao nome, fixao do prazo, do valor mutuado, dos juros, das comisses e penalidades. Assim, tais contratos contm inmeras clusulas redigidas prvia e antecipadamente, com nenhuma percepo e entendimento delas por parte do aderente. Efetivamente do conhecimento geral das pessoas de qualidade mdia que os contratos bancrios no representam natureza sinalagmtico, porquanto no h vlida manifestao ou livre consentimento por parte do aderente com relao ao suposto contedo jurdico, pretensamente, convencionado com o credor. Em verdade, no se reserva espao ao aderente para sequer manifestar a vontade. O banco se v no direito de cobrar o devedor. Se no adimplir a obrigao, dentro dos padres impostos, ser esmagado economicamente. No se tem, por parte da instituio financeira, nenhum tipo de possibilidade de manifestao de vontade por parte do aderente, que verdadeiramente s se faz presente para a assinatura do contrato, tendo, assim, que se sujeitar a todo tipo de infortnio e explorao econmica que se facilmente observa, pois a qualidade de aderente s tem uma condio: Se no assinar, nas condies estipuladas pela instituio financeira, no h liberao do crdito. Nessa perspectiva, o bom intrprete no abdica de pensar e, logo, no teme reavaliar suas opinies; prefere os riscos da transformao cmoda inoperncia que conserva a iniqidade. E assim se compreende a inteno do Autor, que nada mais do que pagar aquilo que devido, com os valores corrigidos, seguindo os padres da funo social e da boa-f nas relaes contratuais. Ensina Edilson Pereira Nobre Jnior, em sua obra intitulada A proteo contratual no Cdigo do Consumidor e o mbito de sua aplicao. Revista de Direito do Consumidor, So Paulo, v. 27, p. 59, jul./set. 1998, verbis:

manifestao do consentimento e sua fora vinculativa seja agregado o objetivo do equilbrio das partes, atravs da interferncia da ordem pblica e da boa-f. Ao contrato, instrumento outrora de feio individualista, outorgada tambm uma funo social" 4.4_ "Timbra em exigir que as partes se pautem pelo caminho da lealdade, fazendo com que os contratos, antes de servirem de meio de enriquecimento pelo contratante mais forte, prestem-se como veculo de harmonizao dos interesses de ambos os pactuantes" (p. 62). E continua seu brilhante ensinamento:

"No campo contratual, a tutela desfechada pelo CDC se sustm basicamente em quatro princpios cardeais, atuando na formao e no cumprimento da avena, quais sejam a transparncia, a boa-f, a eqidade contratual e a confiana" (p. 76). Cludia Lima Marques, atenta ao surgimento de um novo modelo contratual, propala haver "uma revalorizao da palavra empregada e do risco profissional, aliada a uma grande censura intervencionista do Estado quanto ao contedo do contrato, um acompanhar mais atento para o desenvolvimento da prestao, um valorizar da informao e da confiana despertada. Alguns denominam de renascimento da autonomia da vontade protegida. O esforo deve ser agora para garantir uma proteo da vontade dos mais fracos, como os consumidores. Garantir uma autonomia real da vontade do contratante mais fraco, uma vontade protegida pelo direito." (Contratos bancrios em tempos psmodernos - primeiras reflexes. Revista de Direito do Consumidor, So Paulo, v. 25, p. 26, jan./mar., 1998). (grifo nosso). O Estatuto do Consumidor acoima de nulidade as clusulas que estabeleam obrigaes inquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada ou sejam incompatveis com a boa-f e reprime, genericamente, as desconformes com o sistema protetivo do Codex, seno vejamos: Art. 51. So nulas de pleno direito, entre outras, as clusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e servios que: IV. Estabeleam obrigaes consideradas inquas, abusivas, que coloquem o consumidor desvantagem exagerada, ou sejam incompatveis com a boa f ou a eqidade; XV - estejam em desacordo com o sistema de proteo ao consumidor;

O novo enfoque da boa-f vista como princpio geral de direito, "permite a concreo de normas impondo que os sujeitos de uma relao se conduzam de forma honesta, leal e correta" (Maria Cristina Cereser Pezzella. O princpio da boa-f objetiva no direito privado alemo e brasileiro. Revista de Direito do Consumidor, So Paulo, v. 23/4, p. 199, jul./set., 1997). No aspecto objetivo, a bona fides incompatvel com as clusulas abusivas, opressoras ou excessivamente onerosas, e abrange um controle jurdico corretivo da relao negocial (v. Luis Renato Ferreira da Silva. Clusulas abusivas: natureza do vcio e decretao de ofcio. Revista de Direito do Consumidor. So Paulo, v. 23/4, p. 128, 1997). A teor do disposto no art. 3, 2, da Lei n. 8.078 de 11.09.1990, considera-se a atividade bancria alcanada pelas normas do Cdigo de Defesa de Consumidor, includa a entidade bancria ou instituio financeira no conceito de "fornecedor" e o aderente no de "consumidor". E para que no reste dvida acerca da aplicao do CDC basta a citao da Smula 297 do Superior Tribunal de Justia, que assim dispe: Smula 297. "O Cdigo de Defesa do Consumidor aplicvel s instituies financeiras." Com efeito, sendo aplicado o Cdigo de Defesa do Consumidor ao presente contrato, tambm passa a ser possvel a modificao ou reviso das clusulas contratuais onerosas, com base no art. 6, inc. V, do mesmo codex, que estabelece: Art. 6. So direitos bsicos do consumidor:

V. A modificao das clusulas contratuais que estabeleam prestaes desproporcionais ou sua reviso em razo de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas. Acerca das possibilidades de modificao dos contratos excessivamente onerosos no mbito das relaes de consumo, NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY, p. 1352, anotam: "Modificao das clusulas contratuais. A norma garante o direito de modificao das clusulas contratuais ou de sua reviso, configurando hiptese de aplicao do princpio da conservao dos contratos de consumo. O direito de modificao das clusulas existir quando o

contrato estabelecer prestaes desproporcionais em detrimento do consumidor. Quando houver onerosidade excessiva por fatos supervenientes data da celebrao do contrato, o consumidor tem o direito de reviso do contrato, que pode ser feita por aditivo contratual, administrativamente ou pela via judicial". "Manuteno do contrato. O CDC garante ao consumidor a manuteno do contrato, alterando as regra