Modelo Revisional

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EXMA

EXMA. SR. DR. JUZA DE DIREITO DA VARA CVEL DA COMARCA DE ..............Distribuio por dependncia Execuo n. ....

........................, inscrita no C.G.C. sob o n......, empresa estabelecida nesta cidade e Comarca de, na Avenida, nesta ato representada pelo Sr. ............. e sua mulher ..... (qualificao), residentes e domiciliados nesta cidade de, na Rua, por seu advogado ao final assinado (doc. 01), vem, respeitosamente, presena de V. Ex., pelo rito estabelecido nos artigos 282, incisos e ss. do Cdigo de Processo Civil, promover a presenteAO ORDINRIA REVISIONAL, CUMULADA COM REPETIO DE INDBITOE PEDIDO DE ANTECIPAO DE TUTELA (ITEM II.5)contra Banco ..., com sede na cidade de, Rua, n., inscrito no CGCMF n., pelas razes de fato e de direito que passamos a expor:I. OS FATOSI.1 - A OPERAOOs Autores mantinham relacionamento negocial com o Banco-Ru, materializado pela abertura da Conta Corrente n... da agncia de..., conta esta utilizada pela instituio financeira como conta para lanamento dos valores (dbito e crdito) de operaes de financiamento realizadas junto ao Banco-Ru, conforme comprovam os extratos ora juntados (docs. 10 a 36).Em 24 de novembro de 1995 o primeiro dos Autores emitiu com o aval dos demais, a favor do Banco-Ru, por intermdio de sua agncia n...., uma Cdula de Crdito Comercial de n. ..., no valor nominal de R$ 33.860,00 (trinta e trs mil, oitocentos e sessenta reais), pagvel em 11 (onze) parcelas mensais, vencendo-se a primeira em 24.12.95 e a ltima com vencimento previsto para 24 de outubro de 1996 (doc. 02). Em penhor cedular foi dada uma mquina de teste e regulagem de bombas e bicos injetores avaliada em R$ 54.176,00, mquina esta essencial ao funcionamento da empresa (doc. 02-A).O produto do emprstimo creditado ao Autor pelo Banco-Ru em 24.11.95, no montante bruto de R$ 33.860,00, foi utilizado para liquidar emprstimo anterior debitado no mesmo dia na conta corrente do autor e que somava R$ 33.863,79 (soma dos valores marcados no documento 03). Tal emprstimo liquidado levava o nmero 1.388, conforme se observa do extrato ora juntado.As operaes acima se sucederam de forma que a incapacidade de giro para quitar a anterior, foi a causa da abertura da posterior, como se depreende facilmente se observado o extrato anexo (doc. 03). O intuito do banco nunca foi financiar capital de giro da empresa como deveria ser os financiamentos por ele efetivados. A cdula foi celebrada como ilegal forma deprorrogarposies anteriores, fugindo ao seu objetivo primordial estabelecido no prprio instrumento contratual.E vale lembrar que os autores firmaram o contrato padro que lhes foi apresentado, documento este obscuro, de difcil interpretao para o homem comum, a ele aderindo e se submetendo, sendo de forma obtusa impedidos de questionarem a substncia de suas clusulas, mesmo porque no lhes seria dada oportunidade de question-las, o que sempre acontece nas contrataes levadas a efeito com as instituies financeiras.

''Bancos so instituies que pedem seu relgio emprestado para lhe dizer as horas.Alguns no o devolvem.'' Mark Twain,escritor americano

I.2 - A EXECUOAps o pagamento de 07 das 11 parcelas do financiamento, e em virtude dos altos valores das prestaes cobradas pela instituio financeira e da conjuntura econmica nacional, principalmente da poltica de juros para a manuteno do Plano Real, os Autores viram-se impossibilitados, financeiramente, de solverem a totalidade das obrigaes s quais aderiram quase que compulsoriamente com o Banco-Ru por intermdio da Cdula de Crdito Comercial, o que resultou no vencimento antecipado do dbito remanescente a partir da 8parcela, ou seja, 04 parcelas de valor igual a R$ 3.618.96 cada, mais variao da TR desde a emisso at a data do vencimento antecipado.Em 30.04.97 o Banco-Ru promoveu a cobrana judicial do ttulo objeto da avena, apresentando planilha do saldo devedor montando em R$ 31.311,67 at aquela data (doc. 04/04-D).Citados os Autores em 02.06.97 (doc. 05 - fls. 22-v da Execuo), iniciaram-se tratativas para acordo amigvel dentro do prazo destinado para apresentao de defesa, o qual foi formalizado em 06.06.97 (doc. 06 - fls. 27 da Execuo).Dessa forma, decorreuin albiso prazo para oferecimento de embargos, j que os Autores imbudos da boa-f e com a pretenso de solverem seu dbito da melhor e mais clere maneira dentro do acordo formalizado, e mais, inexperientes que so no mbito do judicirio, deixaram de constituir advogado, o que diretamente prejudicou-os nas negociaes.Novamente impossibilitados financeiramente ao cumprimento integral das exigncias do acordo, foi dada continuidade Execuo que por fim teve determinada a avaliao e arrematao do bem penhorado e a atualizao do dbito. A avaliao alcanou o valor de R$ 20.000,00 e a mquina foi arrematada pelo prprio banco em segundo leilo por R$ 13.000,00 em 13.05.99 (doc. 07).O mandado de adjudicao est na iminncia de seu cumprimento, o que nos leva a frisar que o bem dado em penhor e arrematado a mquina fundamental para que a empresa opere. Sem ela no haveria sentido que a empresa operasse.Quanto atualizao do dbito nos autos, foi apresentada planilha que resultou num valor inacreditvel e absurdo de R$ 191.756,81 (doc. 08), cujo montante foi alcanado com a aplicao de taxas mximas que so de completo desconhecimento dos consumidores do servio bancrio, capitalizao mensal destas taxas, multa, juros de mora ilegais mais tarifas.Dessa forma, o bem penhorado e arrematado por R$ 13.000,00, que fora avaliado por R$ 54.176,00 pela prpria instituio financeira na formalizao da operao (doc. 02-A, campo 06), no representou nem 7 % (sete por cento) do valor da monstruosa conta apresentada (R$ 191.756,81).Tal fato causou perplexidade, aflorando fundadas dvidas em relao metodologia de clculo aplicada pelo Banco-Ru,considerando-se que, mesmo aps o pagamento de diversas parcelas (includos os R$ 13.000,00 do bem arrematado) que somadas resultam em R$ 56.775,61 (aproximadamente 170 % do valor financiado), ainda remanescia dbito pendente que representava mais de 500% (quinhentos por cento) daquele mesmo valor, conforme demonstramos abaixo:Valores pagos, segundo a instituio financeira, conforme se pode observar dos valores marcados nos documentos de n. 04-C e 08 em anexo:

R$ 3.668,21R$ 3.708,19R$ 3.754,06R$ 3.989,66R$ 4.486,61R$ 4.600,00R$ 4.977,69R$11.700,00 (j descontados R$ 1.300,00 referentes a honorrios advocatcios.)R$ 613,28R$ 525,41R$ 537,28R$ 603,45R$ 611,77R$13.000,00(bem dado em garantia e arrematado - doc. 07)Total R$ 56.775,61 (aproximadamente 170 % do valor financiado)Saldo remanescente apresentado pelo Banco (doc. 08)R$ 191.756,81R$ 13.000,00(-) bem arrematado (doc. 07)Saldo devedor aproximado R$ 178.756,81 (representando quase 530 % do valor financiado)

Sendo assim, evidencia-se claramente a onerosidade excessiva do contrato em apreo, aflorando a existncia de vrias irregularidades na metodologia de clculo praticada pelo Banco-Ru.I.3 - A AUDITORIA FINANCEIRASentindo-se prejudicados pela metodologia de clculo aplicada pelo Banco-Ru, e sem condies tcnicas de refazer e fiscalizar ditos valores, em razo da complexidade da matria, os Autores buscaram auxlio de auditoria financeira externa, objetivando verificar a exatido e legalidade dos valores j cobrados e futuros.Confirmando suas suspeitas, a auditoria externa constatou que o Banco-Ru desobedecia no s a legislao aplicvel ao caso em tela, como tambm os princpios bsicos que comandam nosso ordenamento jurdico e o prprio contrato por ele minuciosamente elaborado, situao que, supostamente, lhe permitia exigir valores muito acima daqueles efetivamente devidos.A auditoria financeira apontou diversas ilegalidades praticadas atravs da metodologia de clculo utilizada pelo Banco-ru, tais como a prtica do Anatocismo (cobrana de juros sobre juros), utilizao de metodologia de clculo que prestigia a capitalizao mensal de juros, abusividade das taxas aplicadas, resultando, dessa forma, grande onerosidade ao saldo devedor.O relatrio de auditoria financeira (doc. 09) que faz parte integrante da presente pea processual, evidencia tal fato, demonstrando de forma didtica, clara e inequvoca que o mtodo de clculo utilizado pelo banco contraria expressamente os dispositivos legais citados ao longo dos itens abaixo explanados.Para o reclculo do saldo da operao a consultoria financeira utilizou as planilhas de acompanhamento da evoluo do saldo devedor fornecida pelo prprio Banco-Ru (docs. 04-A a 04-D e DOC. 08), extratos da conta corrente de contrapartida dos lanamentos da operao (docs. 10 a 36), analisando-os em todos os aspectos, ou seja, metodologia de clculo de juros, amortizaes e pagamentos das parcelas e liberao do crdito.A conta corrente foi utilizada como ponto nevrlgico de todo o relacionamento negocial havido entre os Autores e o Banco-ru, sendo que, necessariamente, teve duas partidas: a) lanamento a crdito dos valores na medida em que fossem liberados com o financiamento; e b) lanamento a dbito, na medida em que fossem vencendo as parcelas.De acordo com o magistrio de J. X. CARVALHO DE MENDONA,in Contratos e Obrigaes Comerciais', tem-se como definio legal de conta-corrente, negcio bilateral, consensual, oneroso e de execuo continuada, como sendo o contrato pelo qual duas pessoas convencionam reunir em uma massa homognea, alguns ou todos os negcios, mediante recprocas remessas, que, anotadas na conta, se transformam em partidas de dbitos e crditos, verificando-se, por ocasio do seu encerramento, ou perodo de tempo convencionado, ou ainda quando cessado o prazo de resgate dos contratos de financiamento que dela se utilizou para surtirem os fins desejados pelas partes, o saldo devedor que deve ser pago por aquele que se mostrar devedor.Com fulcro na definio jurdica de conta corrente, verifica-se que o conjunto de operaes continuamente avenadas entre os Autores e o Banco-Ru, deve ser analisado sob a tica da unidade. As operaes efetivadas pelas partes foram a