Modelo Revisional

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EXMA

EXMA. SR. DR. JUZA DE DIREITO DA VARA CVEL DA COMARCA DE ..............Distribuio por dependncia Execuo n. ....

........................, inscrita no C.G.C. sob o n......, empresa estabelecida nesta cidade e Comarca de, na Avenida, nesta ato representada pelo Sr. ............. e sua mulher ..... (qualificao), residentes e domiciliados nesta cidade de, na Rua, por seu advogado ao final assinado (doc. 01), vem, respeitosamente, presena de V. Ex., pelo rito estabelecido nos artigos 282, incisos e ss. do Cdigo de Processo Civil, promover a presenteAO ORDINRIA REVISIONAL, CUMULADA COM REPETIO DE INDBITOE PEDIDO DE ANTECIPAO DE TUTELA (ITEM II.5)contra Banco ..., com sede na cidade de, Rua, n., inscrito no CGCMF n., pelas razes de fato e de direito que passamos a expor:I. OS FATOSI.1 - A OPERAOOs Autores mantinham relacionamento negocial com o Banco-Ru, materializado pela abertura da Conta Corrente n... da agncia de..., conta esta utilizada pela instituio financeira como conta para lanamento dos valores (dbito e crdito) de operaes de financiamento realizadas junto ao Banco-Ru, conforme comprovam os extratos ora juntados (docs. 10 a 36).Em 24 de novembro de 1995 o primeiro dos Autores emitiu com o aval dos demais, a favor do Banco-Ru, por intermdio de sua agncia n...., uma Cdula de Crdito Comercial de n. ..., no valor nominal de R$ 33.860,00 (trinta e trs mil, oitocentos e sessenta reais), pagvel em 11 (onze) parcelas mensais, vencendo-se a primeira em 24.12.95 e a ltima com vencimento previsto para 24 de outubro de 1996 (doc. 02). Em penhor cedular foi dada uma mquina de teste e regulagem de bombas e bicos injetores avaliada em R$ 54.176,00, mquina esta essencial ao funcionamento da empresa (doc. 02-A).O produto do emprstimo creditado ao Autor pelo Banco-Ru em 24.11.95, no montante bruto de R$ 33.860,00, foi utilizado para liquidar emprstimo anterior debitado no mesmo dia na conta corrente do autor e que somava R$ 33.863,79 (soma dos valores marcados no documento 03). Tal emprstimo liquidado levava o nmero 1.388, conforme se observa do extrato ora juntado.As operaes acima se sucederam de forma que a incapacidade de giro para quitar a anterior, foi a causa da abertura da posterior, como se depreende facilmente se observado o extrato anexo (doc. 03). O intuito do banco nunca foi financiar capital de giro da empresa como deveria ser os financiamentos por ele efetivados. A cdula foi celebrada como ilegal forma deprorrogarposies anteriores, fugindo ao seu objetivo primordial estabelecido no prprio instrumento contratual.E vale lembrar que os autores firmaram o contrato padro que lhes foi apresentado, documento este obscuro, de difcil interpretao para o homem comum, a ele aderindo e se submetendo, sendo de forma obtusa impedidos de questionarem a substncia de suas clusulas, mesmo porque no lhes seria dada oportunidade de question-las, o que sempre acontece nas contrataes levadas a efeito com as instituies financeiras.

''Bancos so instituies que pedem seu relgio emprestado para lhe dizer as horas.Alguns no o devolvem.'' Mark Twain,escritor americano

I.2 - A EXECUOAps o pagamento de 07 das 11 parcelas do financiamento, e em virtude dos altos valores das prestaes cobradas pela instituio financeira e da conjuntura econmica nacional, principalmente da poltica de juros para a manuteno do Plano Real, os Autores viram-se impossibilitados, financeiramente, de solverem a totalidade das obrigaes s quais aderiram quase que compulsoriamente com o Banco-Ru por intermdio da Cdula de Crdito Comercial, o que resultou no vencimento antecipado do dbito remanescente a partir da 8parcela, ou seja, 04 parcelas de valor igual a R$ 3.618.96 cada, mais variao da TR desde a emisso at a data do vencimento antecipado.Em 30.04.97 o Banco-Ru promoveu a cobrana judicial do ttulo objeto da avena, apresentando planilha do saldo devedor montando em R$ 31.311,67 at aquela data (doc. 04/04-D).Citados os Autores em 02.06.97 (doc. 05 - fls. 22-v da Execuo), iniciaram-se tratativas para acordo amigvel dentro do prazo destinado para apresentao de defesa, o qual foi formalizado em 06.06.97 (doc. 06 - fls. 27 da Execuo).Dessa forma, decorreuin albiso prazo para oferecimento de embargos, j que os Autores imbudos da boa-f e com a pretenso de solverem seu dbito da melhor e mais clere maneira dentro do acordo formalizado, e mais, inexperientes que so no mbito do judicirio, deixaram de constituir advogado, o que diretamente prejudicou-os nas negociaes.Novamente impossibilitados financeiramente ao cumprimento integral das exigncias do acordo, foi dada continuidade Execuo que por fim teve determinada a avaliao e arrematao do bem penhorado e a atualizao do dbito. A avaliao alcanou o valor de R$ 20.000,00 e a mquina foi arrematada pelo prprio banco em segundo leilo por R$ 13.000,00 em 13.05.99 (doc. 07).O mandado de adjudicao est na iminncia de seu cumprimento, o que nos leva a frisar que o bem dado em penhor e arrematado a mquina fundamental para que a empresa opere. Sem ela no haveria sentido que a empresa operasse.Quanto atualizao do dbito nos autos, foi apresentada planilha que resultou num valor inacreditvel e absurdo de R$ 191.756,81 (doc. 08), cujo montante foi alcanado com a aplicao de taxas mximas que so de completo desconhecimento dos consumidores do servio bancrio, capitalizao mensal destas taxas, multa, juros de mora ilegais mais tarifas.Dessa forma, o bem penhorado e arrematado por R$ 13.000,00, que fora avaliado por R$ 54.176,00 pela prpria instituio financeira na formalizao da operao (doc. 02-A, campo 06), no representou nem 7 % (sete por cento) do valor da monstruosa conta apresentada (R$ 191.756,81).Tal fato causou perplexidade, aflorando fundadas dvidas em relao metodologia de clculo aplicada pelo Banco-Ru,considerando-se que, mesmo aps o pagamento de diversas parcelas (includos os R$ 13.000,00 do bem arrematado) que somadas resultam em R$ 56.775,61 (aproximadamente 170 % do valor financiado), ainda remanescia dbito pendente que representava mais de 500% (quinhentos por cento) daquele mesmo valor, conforme demonstramos abaixo:Valores pagos, segundo a instituio financeira, conforme se pode observar dos valores marcados nos documentos de n. 04-C e 08 em anexo:

R$ 3.668,21R$ 3.708,19R$ 3.754,06R$ 3.989,66R$ 4.486,61R$ 4.600,00R$ 4.977,69R$11.700,00 (j descontados R$ 1.300,00 referentes a honorrios advocatcios.)R$ 613,28R$ 525,41R$ 537,28R$ 603,45R$ 611,77R$13.000,00(bem dado em garantia e arrematado - doc. 07)Total R$ 56.775,61 (aproximadamente 170 % do valor financiado)Saldo remanescente apresentado pelo Banco (doc. 08)R$ 191.756,81R$ 13.000,00(-) bem arrematado (doc. 07)Saldo devedor aproximado R$ 178.756,81 (representando quase 530 % do valor financiado)

Sendo assim, evidencia-se claramente a onerosidade excessiva do contrato em apreo, aflorando a existncia de vrias irregularidades na metodologia de clculo praticada pelo Banco-Ru.I.3 - A AUDITORIA FINANCEIRASentindo-se prejudicados pela metodologia de clculo aplicada pelo Banco-Ru, e sem condies tcnicas de refazer e fiscalizar ditos valores, em razo da complexidade da matria, os Autores buscaram auxlio de auditoria financeira externa, objetivando verificar a exatido e legalidade dos valores j cobrados e futuros.Confirmando suas suspeitas, a auditoria externa constatou que o Banco-Ru desobedecia no s a legislao aplicvel ao caso em tela, como tambm os princpios bsicos que comandam nosso ordenamento jurdico e o prprio contrato por ele minuciosamente elaborado, situao que, supostamente, lhe permitia exigir valores muito acima daqueles efetivamente devidos.A auditoria financeira apontou diversas ilegalidades praticadas atravs da metodologia de clculo utilizada pelo Banco-ru, tais como a prtica do Anatocismo (cobrana de juros sobre juros), utilizao de metodologia de clculo que prestigia a capitalizao mensal de juros, abusividade das taxas aplicadas, resultando, dessa forma, grande onerosidade ao saldo devedor.O relatrio de auditoria financeira (doc. 09) que faz parte integrante da presente pea processual, evidencia tal fato, demonstrando de forma didtica, clara e inequvoca que o mtodo de clculo utilizado pelo banco contraria expressamente os dispositivos legais citados ao longo dos itens abaixo explanados.Para o reclculo do saldo da operao a consultoria financeira utilizou as planilhas de acompanhamento da evoluo do saldo devedor fornecida pelo prprio Banco-Ru (docs. 04-A a 04-D e DOC. 08), extratos da conta corrente de contrapartida dos lanamentos da operao (docs. 10 a 36), analisando-os em todos os aspectos, ou seja, metodologia de clculo de juros, amortizaes e pagamentos das parcelas e liberao do crdito.A conta corrente foi utilizada como ponto nevrlgico de todo o relacionamento negocial havido entre os Autores e o Banco-ru, sendo que, necessariamente, teve duas partidas: a) lanamento a crdito dos valores na medida em que fossem liberados com o financiamento; e b) lanamento a dbito, na medida em que fossem vencendo as parcelas.De acordo com o magistrio de J. X. CARVALHO DE MENDONA,in Contratos e Obrigaes Comerciais', tem-se como definio legal de conta-corrente, negcio bilateral, consensual, oneroso e de execuo continuada, como sendo o contrato pelo qual duas pessoas convencionam reunir em uma massa homognea, alguns ou todos os negcios, mediante recprocas remessas, que, anotadas na conta, se transformam em partidas de dbitos e crditos, verificando-se, por ocasio do seu encerramento, ou perodo de tempo convencionado, ou ainda quando cessado o prazo de resgate dos contratos de financiamento que dela se utilizou para surtirem os fins desejados pelas partes, o saldo devedor que deve ser pago por aquele que se mostrar devedor.Com fulcro na definio jurdica de conta corrente, verifica-se que o conjunto de operaes continuamente avenadas entre os Autores e o Banco-Ru, deve ser analisado sob a tica da unidade. As operaes efetivadas pelas partes foram aladas em parcelas, atravs de operaes que foram formalizadas, todas, no mbito da conta-corrente dos Autores.Da auditoria realizada, levando-se em considerao os lanamentos levados a efeito na conta de contrapartida, corporificada no relatrio anexo, resultou a verificao da inverso do saldo devedor de R$ 191.756,81 para o saldo credor aos Autores de R$ 18.508,34.Evidentemente que, de acordo com o resultado da auditoria externa realizada, os autores no podem continuar submetendo-se s absurdas exigncias do Banco-Ru, que implicam visvel afronta a seu direito e ao ordenamento jurdico como um todo.Isto posto, verificada a onerosidade excessiva do contrato, em razo das inmeras ilegalidades e abusos praticados pelo Banco-Ru, e a constatao de valor pago a maior, no resta outra sada ao Autor, a no ser a adoo da presente ao para resguardar seu direito.II. O DIREITOII.1 - DA POSSIBILIDADE DA REVISO JUDICIAL DOS CONTRATOS.De incio, cumpre verificar acerca da possibilidade de reviso judicial de contratos bancrios, uma vez que se perceba o desequilbrio na relao contratual, tendo em considerao a idia de clusula abusiva no momento de formao do contrato, a vantagem exagerada de uma das partes e a leso subjetiva (ou o chamado dolo de aproveitamento). Para elucidao do ttulo, tomamos a liberdade de trazer presente, parte do brilhante acrdo proferido na Apelao Cvel n. 196130710 - PASSO FUNDO, tendo como relator HENRIQUE OSVALDO POETA ROENICK:

"H que se analisar, primeiramente, se o princpio dopacta sunt servanda- que indubitavelmente vlido (a nvel genrico) e necessrio ao trfico jurdico - deve ser encarado como tal, ou seja, como princpio, ou se, ao contrrio, algum dogma que no pode jamais ser colocado em questo. Para tanto, h que se fazer alguma digresso sobre a evoluo das idias sobre a teoria geral do contrato.Sabe-se que a teoria geral clssica do contrato tem sua origem nos sc. XVIII e XIX, poca em que na filosofia vigorava o individualismo de base Kantiana (em que a pessoa humana, como ente de razo, posta no centro do universo, sendo sua vontade a verdadeira fonte do direito); na economia explodia o liberalismo (com olaissez-faireprenunciador do capitalismo, em que se defende a liberdade para a circulao das riquezas, apostando-se nas livres foras do mercado para regular a economia. A "mo invisvel", vislumbrada por Adam Smith, providenciaria na adequao entre a oferta e a demanda) e na poltica desenvolviam-se as idias de abstencionismo, recomendando-se ao Estado que no se imiscusse nas atividades privadas e nas relaes negociais entre particulares.O reflexo dessas idias no direito contratual foi a consagrao do VOLUNTARISMO JURDICO como base de todo o direito obrigacional, ou seja, toda a construo jurdica nessa rea teve como base a autonomia da vontade e a liberdade contratual. As normas jurdicas que disciplinam as relaes privadas so praticamente todas de carter dispositivo e supletivo, ou seja, so poucas as normas cogentes e imperativas, atuando elas apenas na falta de regulamentao em sentido contrrio pelas prprias partes interessadas. Alis, o prprio Estado surgiria de uma livre conveno entre os cidados, que abdicariam de parte de sua liberdade, para que pudessem viver livre e organizadamente em sociedade (segundo a teoria do contrato social, de Rosseau). De certa forma, o prprio Estado, assim retiraria sua autoridade de um contrato...O pressuposto de tais concepes consiste na idia de que todos os homens so livres e iguais em direito. Assim sendo, a liberdade natural do homem s seria limitada pela sua prpria vontade, ao assumir obrigaes livremente pactuadas. Como tambm existiria igualdade entre os cidados, o regime de absoluta liberdade entre eles faria com que atravs de livres negociaes chegassem eles a um equilbrio contratual, pactuando clusulas que fossem de interesse de ambos os contratantes. Da o mote francs, de todos conhecido -qui dit contractuelle, dit juste.Como corolrio natural do princpio da liberdade contratual (pelo qual as partes so livres para contratar ou no contratar, para escolher o contedo do contrato, para escolher o parceiro contratante, para criar os tipos contratuais que bem entendessem, etc. - tanto assim que BETTI divulgou a idia do contrato como forma de auto-regulamentao dos interesses das partes), foi desenvolvido o princpio da fora obrigatria dos contratos (pacta sunt servanda), segundo o qual o contrato faz lei entre as partes (conforme a conhecida frmula do "Code Napoleon").So caractersticas desse princpio a coercibilidade do que foi avenado (com a possibilidade de movimentar a mquina judiciria para fazer observar o que fora contratado) e a irrevogabilidade unilateral das clusulas contratuais. Somente o caso fortuito ou de fora maior pode liberar a parte contratante de cumprir a avena. Ao Judicirio restaria apenas o controle formal do contrato, sendo-lhe defesa a anlise das questes relativas justia contratual. Alis, isso tambm explica o enorme desenvolvimento da teoria dos vcios do consentimento, praticamente a nica forma de se invalidar um contrato, dentro da teoria clssica (j que ento no se estaria diante de uma vontade livre e autenticamente expressa).Nesse sistema, fundado na mais ampla liberdade de contratar, no havia lugar para a questo da intrnseca igualdade, da justia substancial das operaes econmicas (...).Considerava-se e afirmava-se, de fato, que a justia da relao era automaticamente assegurada pelo fato de que o contedo deste corresponder vontade livre dos contraentes, que espontnea e conscientemente, o determinavam em conformidade com os seus interesses, e, sobretudo, o determinavam num plano de recproca igualdade jurdica (grifado no original) (dado que as revolues burguesas, e as sociedades liberais nascidas destas, tinham abolido os privilgios e as discriminaes legais que caracterizavam os ordenamentos em muitos aspectos semifeudais do 'antigo regime', afirmando a paridade de todos os cidados perante a lei): justamente nesta igualdade de posies jurdico-formais entre os contraentes consistia a garantia de que as trocas, no viciadas na origem pela presena de disparidades nos poderes, nas prerrogativas, nas capacidades legais atribudas a cada um deles, respeitavam plenamente os cnones da justia comutativa.Liberdade de contratar e igualdade formal das partes eram portanto os pilares - que se completavam reciprocamente - sobre os quais se formava a assero peremptria, segundo a qual dizer 'contratual' eqivale a dizer 'justo'.' (in ENZO ROPPO, "O Contrato", Almedina, Coimbra, 1988, p. 35).Tal concepo jurdica (do voluntarismo contratual) atingiu seu apogeu no sculo passado, por influncia do Cdigo Civil francs, e entrou em franco declnio no sculo presente, diante da constatao de que a igualdade entre as partes contratantes era apenas terica e formal, chocando-se com uma desigualdade material entre os indivduos. E quando as partes esto desigualadas materialmente, e se lhes concede liberdade para estabelecerem as clusulas contratuais, a inexorvel conseqncia a explorao da parte mais necessitada pela parte economicamente mais avantajada. O liberalismo contratual mostrou, assim, toda a sua insuficincia, diante da ausncia de uma efetiva vontade contratual. Havia necessidade de uma funo social do direito privado, como pregava VON IHERING, prenunciando uma tendncia publicizao do direito privado.Os desajustes econmicos que acompanharam as crises blicas da primeira metade desse sculo fizeram com que a preocupao com a segurana e estabilidade das relaes jurdicas cedesse espao para a preocupao com a justia e a eqidade contratual.Uma nova realidade contratual se manifesta nos nossos dias, tornando necessria a vinculao da teoria do contrato com a base econmica geral. Percebe-se nitidamente o declnio dos chamados contratos paritrios e surgem os contratos de massa, por absoluta necessidade de trfico jurdico. H uma ntidaestandardizaodos contratos, que so previamente definidos atravs de clusulas contratuais gerais, elaboradas por uma das partes contratantes e impostas aceitao da outra parte, que normalmente no tem alternativa seno aceitar, em bloco, tais clusulas. No h mais as negociaes preliminares para acertamento dos interesses conflitantes. O comrcio jurdico torna-se despersonalizado. A liberdade contratual torna-se apenas um ideal - inexiste na prtica. cada vez mais reduzida a liberdade de dispor sobre os contratos.Diante de tal panorama, que indica a existncia de uma realidade francamente diversa daquela que se supunha existir quando da construo dos postulados doutrinrios da teoria geral clssica dos contratos, no mais se pode aplicar, de forma automtica e mecnica, os ideais do voluntarismo jurdico e da obrigatoriedade das convenes. No h como permanecer apegados a uma construo jurdica que estava ligada a uma determinada realidade histrica. Alterada esta realidade, impe-se a substituio dos princpios que j no mais servem aos nossos tempos. Como disse LOUIS JOSSERAND, '...los juristas, por fieles que sean a la tradicin, deben, en las horas en que vivimos, mirar em su derredor ms bien que hacia atrs; deben vivir com su poca, si no quierem que sta viva sin ellos' (in "Derecho Civil", t. II, vol., I, p. 449, Buenos Aires, EJEA, 1950).Trata-se da aplicao do princpio da relatividade do contrato, segundo o qual o 'o contrato muda a sua disciplina, as suas funes, a sua prpria estrutura, segundo o contexto econmico-social em que est inserido' de acordo com o j citado ENZO ROPPO (op., cit., p. 24).Esta mudana reflete uma necessidade geral de eticizao do direito. Retira-se a cincia jurdica do abstracionismo a que a alara a Escola das Pandectas e liga-se novamente realidade e s necessidades sociais. Desmistificam-se os conceitos de liberdade e de igualdade, meramente formais e sem contedo prtico para a maioria da populao, buscando-se a concretizao desses conceitos.Continua-se reconhecendo a importncia fundamental do contrato, diante do seu papel elementar para a circulao das riquezas, mas busca-se assegurar realmente o equilbrio contratual. Relativa-se o dogma da vontade. Ampliam-se as conseqncias do princpio da boa-f, consagrado no 242 do BGB (Cdigo Civil Alemo) e acolhido pela doutrina obrigacional universalmente, o qual veio a ser expressamente albergado como princpio bsico do Cdigo de Defesa do Consumidor ptrio (art. 4, inc. III, da Lei 8.078/90). Garante-se a proteo da confiana e da lealdade recprocas entre os contratantes. Protege-se, tambm, as legtimas expectativas das partes e exige-se a proporcionalidade das prestaes, para que se chegue justia contratual - nova deusa do direito obrigacional, que desbancou o dogmapacta sunt servanda.Como conseqncia necessria desse movimento de idias, possibilita-se ao judicirio o controle da comutatividade contratual e no s das formas extrnsecas.Definido, assim, que possvel a reviso do contrato em vigor entre as partes, cumpre ver se h clusulas abusivas no mesmo. Percebe-se que sim, pois dentre outras clusulas abusivas, os juros foram fixados em patamar superior ao teto constitucional.''

Aps magnfica lio transcrita acima cumpre acrescentar que certo que a ''autonomia da vontade'', fundada na liberdade de os contratantes estipularem livremente o que melhor lhes convier, tambm prevalece como princpio norteador dos contratos. Entretanto, essa autonomia tem como limite o sistema jurdico e o interesse geral, que no podem ser contrariados. o dirigismo contratual, que possibilita a interveno estatal, atravs do Poder Judicirio, na economia do negcio jurdico contratual. ''O Estado intervm no contrato, no s mediante a aplicao de normas de ordem pblica (RT 516:150), mas tambm com a adoo de reviso judicial dos contratos, alterando-os, estabelecendo-lhes condies de execuo, ou mesmo exonerando a parte lesada, conforme as circunstncias, fundando-se em princpios de boa f e de supremacia do interesse coletivo, no amparo do fraco contra o forte, hiptese em que a vontade estatal substitui a vontade dos contratantes, valendo a sentena como se fosse declarao volitiva do interessado.''(Maria Helena Diniz, Curso de Direito Civil Brasileiro, 3v., Teoria das Obrigaes Contratuais e Extracontratuais, 9ed. 1994, ed. Saraiva, p. 29)E a par dos elementos essenciais gerais dos negcios jurdicos de que trata o artigo 82 do Cdigo Civil, contam eles com pressupostos, fenmenos exteriores que os aliceram e preservam, na pujana de sua eficcia, perante o direito. E dentre estes destacam-se o sentido social e a lei.O direito , antes de tudo, um fenmeno social. Por isso, os atos jurdicos, por mais particulares ou privados que sejam, no podem afastar-se de um certo sentido social, que inspira e justifica a atuao do Estado, sempre que preciso ou conveniente, para controlar e limitar a liberdade de contratar, corolrio daquele majestoso princpio da autonomia da vontade, que, durante tanto tempo, dominou a doutrina contratualista.As obrigaes no podem formar-se de revs para uma teleologia sensvel ao interesse superior do grupo social, que h de influenciar tanto na sua existncia quanto no seu exerccio.A lei a pedra angular de todas as construes e elaboraes jurdicas positivas, estando ao mesmo tempo na base, na substncia e na estrutura orgnica de todos os atos humanos.Das lies de IHERING esta passagem: "A noo de direito comporta dois elementos: um conjunto de fins e um sistema de realizao desses fins."O vetusto princpiopacta sunt servanda, edificado, a partir do Cdigo Napolenico, sobre o primado da autonomia da vontade, no comporta em nossos dias aquele carter absolutista e individualista daqueles tempos. So exatamente o interesse social e a utilidade social que mitigam, limitam, tornam relativo o seu alcance.Na espcie em tela, no aceitvel, frente aos modernos postulados e evoluo do direito, invocar-se obedincia cega ao princpiopacta sunt servandapara subjugar a parte contratante mais fraca aos efeitos de clusulas que contm, realmente, onerosidade to excessiva que chega a desequilibrar o sinalgma do negcio jurdico.No se pode deixar ao arbtrio de uma das partes estipulao de obrigaes, sob pena de se tolher a liberdade contratual. Como dizer que h tal liberdade se o outro contratante sequer tem a possibilidade de discutir as clusulas ? A presso econmica, ou a necessidade do dinheiro, de tal tamanho que os Autores no teriam escolha seno acolher a srie de clusulas que, na verdade, constituem nada mais que uma armadilha para o desastre ou a derrocada econmica do contratante.Por todas essas razes, a presente ao para possibilitar a reviso contratual, reduzindo-se os encargos ou os expungindo, evitando-se, assim, a onerosidade excessiva, para declarar o que pode e deve ser cobrado.II.2 - O CDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDORTodos os contratos celebrados a partir do advento da Lei n. 8.078, de 11.09.90, desde que se refiram s relaes de consumo, no podem passar ao largo de suas preceituaes, ainda que celebrados sob a gide da lei civil comum. E cumpre deixar claro que o CDC tambm se aplica s operaes financeiras e bancrias. claro que nessa rea aplicam-se tambm as regras do Banco Central, mas estas no podem prevalecer sobre uma lei que de ordem pblica e de interesse social, como se v do art. 1do CDC.As normas de ordem pblica tutelam interesses maiores, que prevalecem sobre os interesses individuais das partes e no podem por estas serem afastadas. Visam, em muitos casos, a proteger a parte mais fraca na relao contratual, como o caso do consumidor. E claro que a uma instituio financeira se aplica o CDC, pois neste caso o consumidor sempre a parte mais fraca, necessitando de proteo legal.Tendo em vista que a maioria dos contratos bancrios concluda atravs da utilizao de condies gerais dos contratos e de contratos de adeso, decorre que estes mtodos de contratao de massa servem como indcio da vulnerabilidade ftica do co-contratante. Este economicamente inferior instituio financeira.Esta, pela lei, enquadra-se no conceito de fornecedor, a fim de que possamos aplicar o Cdigo de Defesa do Consumidor no caso em tela.O artigo 3, pargrafo 2, considera servio ''a atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remunerao, inclusive as de natureza bancria...''. gritante a lei ao considerar as atividades bancrias, entre elas os contratos bancrios, como nada mais que o fornecimento ao mercado de consumo, mediante remunerao, de dinheiro destinado aos mais diversos fins. O banco o fornece aos que dele necessitam, mediante remunerao, no se justificando que, diante da expressa meno atividade de natureza bancria, fique afastado das disposies que vieram regular as relaes de consumo.No mesmo sentido, citamos a lio do mestre JOS GERALDO BRITO FILOMENO, no sentido de concluir que os contratos bancrios geradores de crdito ao consumidor esto abrangidos pelo Cdigo de Defesa do Consumidor:

"...as atividades desempenhadas pelas instituies financeiras, quer na prestao de servios aos seus clientes (por exemplo, cobrana de luz, gua, e outros servios, ou ento expedio de extratos, etc.), quer na concesso de mtuos ou financiamentos para a aquisio de bens, inserem-se igualmente no conceito amplo de servios.Alis, o Cdigo fala expressamente ematividadede naturezabancria, financeira,decrdito...'' (Cdigo Brasileiro de Defesa do Consumidor - Comentado pelos autores do Anteprojeto - Ed. Forense Universitria - 5ed. Pg. 41)

O prprio Cdigo Comercial, em seu artigo 119, dispe expressamente ser a atividade bancria como de comrcio. Tambm o artigo 2da Lei das Sociedades Annimas e 2da Lei 4.595/64 consideram os bancos como fornecedores porque exercem comrcio, subsumindo-se na atividade designada nocaputdo artigo 3do CDC.Prova maior da abrangncia dos contratos bancrios pelo Cdigo do Consumidor ocaputdo artigo 52, onde est textualmente mencionado que se cuida de fornecimento de servios os que envolvem ''outorga de crdito ou concesso de financiamento ao consumidor''.Uma vez caracterizadas as instituies bancrias como fornecedores frente ao CDC e a relao entre banco e cliente como relao consumerista, o disposto no artigo 29 deste cdigo vem espancar toda e qualquer dvida ao sustentar que :''Para os fins deste Captulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determinveis ou no,expostas s prticas nele previstas''. (sublinhamos)Conclumos que o CDC aplicvel operao realizada entre os Autores e o Banco-Ru, o que permitir a reviso das clusulas que colidirem com as disposies contidas em seu texto.No caso em tela, julgamos abusivas as clusulas estipuladas pelo Banco-fornecedor, capazes de desequilibrar as prestaes bilaterais, impondo aos Autores onerosidade to desmedida e injustificvel que os levou impossibilidade de cumprir a obrigao assumida. o chamado contrato de muitos direitos e prerrogativas, e quase nenhum dever, para a instituio financeira. Essa contingncia reflete-se na validade do negcio jurdico sinalagmtico, quebrando-lhe a comutatividade e comprometendo a sua obrigatoriedade.Tal ocorre em relao s clusulas que fixam a taxa de juros e indexador monetrio (clusula 2), que permitem ao Banco-Ru-Fornecedor alterar unilateralmente as taxas de encargos e datas de vencimento das obrigaes de pagamento (clusula 15da Cdula), que determinam o modo de cmputo dos encargos (clusula 17), que estabelecem os encargos de inadimplncia (clusula 19) e as clusulas mandato (clusulas 21, 22e 23) .Clusulas desse teor so consideradas abusivas e nulas, nos termos dos artigos 39, IV, V, X, XI, 51, incisos IV, VIII, X, XIII, XV, pargrafo 1, II e III, 52, incisos II, III, V do Cdigo de Defesa do Consumidor - Lei 8.078/90, cuja nulidade textual, que ao julgador incumbe declarar, implicar no efeito de repor as partes nostatus quo ante.E o artigo 52, II do CDC, deixa evidenciada a abusividade se no houve prvia e adequada informao sobre ''o montante dos juros de mora e da taxa efetiva anual de juros''.Ademais, nos termos do art. 51, X, do mesmo Cdigo, so abusivas as clusulas contratuais que ''permitam ao fornecedor, direta ou indiretamente, variao do preo de maneira unilateral''.Com o avano da cidadania e das normas protetoras de seu desenvolvimento e implementao, principalmente com a edio do Cdigo de Defesa do Consumidor - Lei n. 8.078/90, que tornou efetivo o direito fixado pelo legislador constituinte - qual seja, promover igualdade no tratamento das partes nas relaes de consumo -, resultaram alteradas muitas condies no sentido de se afastar a supremacia de uma parte sobre a outra nas relaes de consumo, que traduz-se no comportamento abusivo ou preponderante de uma das partes, o que fere a necessria igualdade de relao, pouco importando a condio das partes (fortes ou frgeis), determinando a lei, efetivamente, todos iguais no tocante aos compromissos firmados.E o Cdigo de Defesa do Consumidor reputa como absolutamente nulos todos os documentos que, preenchidos unilateralmente, ou de forma abusiva, desrespeitem os princpios que legitimam a legislao protetiva ao consumidor.Vale ressaltar que os valores foram apurados pelo Banco-Ru, sem qualquer participao do Autor, afastando-lhe a efetiva participao, em igualdade de condies, para a apurao doquantumdevido. Dessa forma, sobrepondo-se uma parte sobre a outra, nos limites da legislao das relaes de consumo, surge inaceitvel a prtica de tal expediente.Para se exigir valores, mister o prvio pacto delineando claramente em seus termos oqu, como, quando e quantoser cobrado, sem o que haver desconhecimento explcito das verbas devidas, ficando o consumidor sem o prprio controle da cobrana.Portanto, no observadas as condies de equivalncia das obrigaes, nos termos da Lei 8.078/90, com valores apurados de forma unilateral, em arredio Lei , dizemos que o Cdigo de Defesa do Consumidor lei de ordem pblica e cogente, sobrepondo-se, destarte, liberdade de contratar, reduzindo a esfera de atuao da autonomia da vontade, em face do interesse maior.De todo exposto, e fundamentadamente, ante a possibilidade de reviso do contrato, nos termos do artigo 6, V do CDC, alm de resguardado nos Princpios Gerais do Direito a fim de que se evite o locupletamento indevido de uma das partes, passaremos a relacionar as clusulas abusivas e irregularidades do mesmo, nos termos do CDC, requerendo-se ao final.II.3 - CLUSULAS ABUSIVASII.3.a - OS JUROS REMUNERATRIOS E O INDEXADOR MONETRIO (Clusula 2da Cdula).- DA OBRIGATORIEDADE DE APLICAO DO LIMITE LEGAL DE 12 % AO ANOA operao objeto da presente lide foi contratada com a fixao de juros remuneratrios nos seguintes termos: juros ps-fixados taxa efetiva de 2,80 % a.m. mais a incidncia da base de remunerao TR. As parcelas foram calculadas pelo sistema daTabela Price, tendo sido utilizada a taxa efetiva acima citada mais o indexador monetrio, como se depreende do prprio ttulo em seu campo 10 e 11 e da clusula 2.Inicialmente, consigna-se que os juros remuneratrios a incidirem na operao em tela esto limitados a 12 % ao ano, por fora do Decreto 22.626/33 (Lei da Usura) c/c 1.062 do Cdigo Civil; seja pelo entendimento de que o art. 192 pargrafo 3 auto-aplicvel; seja pelo entendimento de que a CF (arts. 22, 48, 68, par. 1e 25 do ADCT) revogou a legislao anterior que permitia o Conselho Monetrio Nacional, via Banco Central, dispor sobre a matria; seja pelo entendimento de que a lei 4.595/64 conferiu poderes ao CMN paralimitaras taxas de juros e no paraliber-las,ou, seja, derradeiramente, espancadas todas as teses anteriores ou somando-se a elas, pela omisso do CMN na fixao dos juros a serem praticados pelos bancos nas operaes formalizadas sob o imprio da Lei 413/69 c/c 6.840/80, como se demonstrar a seguir:1) Auto aplicabilidade do Artigo 192, pargrafo 3da CF 88.

''Art. 192 ...pargrafo 3- As taxas de juros reais, nelas includas as comisses e quaisquer outras remuneraes direta ou indiretamente referidas concesso de crdito, no podero ser superiores a doze por cento ao ano; a cobrana acima deste limite ser conceituada como crime de usura, punido, em todas a suas modalidades, nos termos que a lei determinar.''

A inoperncia das normas constitucionais se traduz na resistncia dos setores econmicos e politicamente influentes. Os grupos conservadores sofrem aparente derrota quando da elaborao legislativa, mas impedem, na prtica, no jogo poltico do poder e da influncia, a consecuo dos avanos sociais. o que ocorre quanto auto-aplicabilidade do art. 192. A tese de que ocaputdo art. 192, da Constituio Federal, remete lei complementar merece o mais consentneo rechao. Seja qual for o teor da lei complementar futura, jamais poder ela contrariar o que j inserido no sistema positivo pelo constituinte, o qual, sensvel a idia de que os juros no podem asfixiar a iniciativa honesta, viu por bem limit-los a 12% ao ano.A norma, tanto que posta pelo poder originrio, merece a mais restrita aplicao, salvo hipteses expressamente ressalvadas por ele prprio.Tambm procedncia no merece a tese da insuficincia dos elementos normativos que compem a regra. Como na conceituao de juros, o que no controvertido. Trata-se de rendimento do capital, em cujo contedo se integram duas idias: a de remunerao pelo uso da quantia pelo devedor e a de cobertura do risco que sofre o credor. Devem ser considerados juros reais tudo aquilo que exceder a inflao e for pago a ttulo compensatrio ou moratrio, excetuadas as multas moratrias.At o advento da Constituio de 1988, a questo da taxa de juros sujeitava-se a regime dplice. Era vedada a todas as pessoas a estipulao em contrato de juros superiores a 12% (doze por cento), por fora do Decreto 22.626/33, que, todavia, no se aplicava s instituies do Sistema Financeiro. Hoje, sob o imprio da nova ordem constitucional, cuida-se to-somente de fazer aplicar a todos, inclusive aos bancos e instituies afins, as regras que j vigoravam h muitas dcadas para quase todos. Juridicamente no h qualquer dificuldade nisso, muito embora, deve-se reconhecer, no tenham faltado pareceristas procurando cri-las.O 3 do art. 192 no norma programtica. Ela define um direito prontamente utilizvel por todas as pessoas, que podem invocar a tutela jurisdicional para ver declarada a invalidade de qualquer obrigao que v de encontro ao texto constitucional.Cumpre dizer que toda e qualquer interpretao constitucional h que primar pela defesa da eficcia das disposies constitucionais, que no devem ser tidas como meras peas de retrica, como simples recomendaes, como normas de natureza mais moral do que jurdica.Na concepo moderna, a norma constitucional outra coisa no seno a tentativa de transformar em direito escrito os supremos valores' (in "O controle judicial de constitucionalidade das leis no direito comparado", FABRIS, Porto Alegre, 1984, pginas 129 e 130).Mas que valor supremo seria esse de que se est falando? Trata-se do esforo multissecular de limitar a usura, seja ela pecuniria ou real, esforo esse que ao longo dos sculos esteve ligado criao e ao desenvolvimento de institutos tais como a teoria da leso (que remonta ao direito romano), ao princpio da boa-f objetiva, no campo dos contratos, vedao medieval da cobrana de juros, por influncia do direito cannico, at a legislao dos estados contemporneos, inclusive a brasileira, que h vrias dcadas contm preceito limitador da estipulao de juros.Se o legislador constituinte entendeu que tal aspecto era to relevante a ponto de consagr-lo em texto constitucional, como defender a interpretao que redunda no completo esvaziamento do mesmo?Sabem-se as razes que levaram o constituinte a consagrar o limite dos juros. O Brasil era na poca, e ainda o hoje, o pas onde se cobram as mais elevadas taxas de juros. De acordo com o relatrio denominado 'The World Competitiveness Report' (publicado pelo 'International Mangement Institute, de Genebra, Sua), citado pelo jornal Gazeta mercantil, edio de 26.06.90, as taxas de juros de curto prazo, em termos reais (isto , descontada a inflao), foram em mdia de 42,73% em 1989, no Brasil. Em segundo lugar, ficou a Indonsia, com 14,36%, quase trs vezes menos do que as taxas brasileiras. Enquanto isso, em Hong Kong, o dinheiro de curto prazo custou apenas 0,95% ao ano. No Japo, em 1984, as taxas de juros anuais eram de apenas 3,32% ao ano, segundo se noticia na elucidativa obra coletiva 'A luta contra a usura', coordenada por Fernando Gasparian (ed. Graal, s/d, p. 5).Todos se queixam dos juros elevados. A poltica de juros elevados, como forma de restrio do crdito, tambm no goza do consenso unnime dos economistas. Trata-se, apenas, de fazer cumprir a constituio, qual tambm o governo est sujeito. E se essa carta bsica define o limite de juros - e ao faz-lo se percebe que no o faz de forma aberrante do sistema financeiro imperante nas demais naes desenvolvidas e em desenvolvimento, nem tampouco irrealista, comparativamente ao mercado financeiro internacional - no h porque se negar vigncia a uma norma to clara.E por ocasio do julgamento da ao declaratria de inconstitucionalidade em que o STF firmou a posio de que os juros constitucionais dependiam de regulamentao por lei ordinria (Adin n. 4), a Constituio estava em vigor h pouco tempo. Poderia ser plausvel, poca, que o Congresso fosse regulamentar o dispositivo constitucional em curto espao de tempo. Todavia, tal no somente no ocorreu, como tambm quando, sete anos depois, o Senado Federal buscou tal regulamentao, o Governo Federal conseguiu refrear tal iniciativa na Cmara de Deputados. Assim, patente que regulamentao nunca ser feita. Destarte, ou se d eficcia ao dispositivo constitucional, atravs do Judicirio, ou se ter um caso manifesto em que a omisso do legislador ordinrio (poder constitudo) vale mais do que a afirmao clara do poder constituinte.Sendo assim, se o onipotente legislador ordinrio no atender aos desgnios do mais onipotente ainda legislador constituinte, cabe ao Poder Judicirio, como Poder de Estado, dar eficcia ao comando constitucional, sob pena de se permitir que o no fazer do ente criado (legislatura ordinria) valha mais do que o j feito pelo ente criador (legislador constituinte).Por outro lado, defendemos tratar-se o pargrafo 3do art. 192 de norma autnoma, de aplicabilidade imediata, no subordinada lei prevista nocaputdo artigo. Para elucidao da matria, tomamos a liberdade de transcrever lio de JOS AFONSO DA SILVA, em seu CURSO DE DIREITO CONSTITUCIONAL POSITIVO, 13edio revista, pg. 758:

''Todo pargrafo, quando tecnicamente bem situado (e este no est, porque contm autonomia de artigo), liga-se ao contedo do artigo, mas tem autonomia normativa. Veja-se, por exemplo, o pargrafo 1do mesmo art. 192. Ele disciplina assunto que consta dos incs. I e II do artigo, mas suas determinaes, por si, so autnomas, pois uma vez outorgada qualquer autorizao, imediatamente ela fica sujeita s limitaes impostas no citado pargrafo.Se o texto, em causa, fosse um inciso do artigo, embora com normatividade formal autnoma, ficaria na dependncia do que viesse a estabelecer a lei complementar. Mas, tendo sido organizado num pargrafo, com normatividade autnoma, sem referir-se a qualquer previso legal ulterior, detm eficcia plena e aplicabilidade imediata. O dispositivo, alis, tem autonomia de artigo, mas a preocupao, muitas e muitas vezes revelada ao longo da elaborao constitucional, no sentido de que a Carta Magna de 1988 no aparecesse com demasiado nmero de artigos, levou a Relatoria do texto a reduzir artigos a pargrafos e uns e outros, no raro, a incisos. Isso, no caso em exame, no prejudica a eficcia do texto.''Juros reais'' os economistas e financistas sabem que so aqueles que constituem valores efetivos, e se constituem sobre toda desvalorizao da moeda. Revelam ganho efetivo e no simples modo de corrigir desvalorizao monetria.As clusulas contratuais que estipularem juros superiores so nulas. A cobrana acima dos limites estabelecidos, diz o texto, ser conceituada como crime de usura, punido, em todas as suas modalidades, nos termos que a lei dispuser. Neste particular, parece-nos que a velha lei de usura (Dec. 22626/33 ainda est em vigor''

Assim, conclumos que a regra constitucional tem de ser cumprida; a economia h de afeioar-se a ela, e no o converso. O judicirio h de aplicar a regra jurdica, corretamente interpretada. O que no deve responder pelos azares do Executivo nem pelos temores de uma sociedade viciada na ciranda financeira.De todo exposto, advogamos no sentido de que seja aplicada operao em tela a taxa de juros legais de 12 % ao ano, em funo de estar, por si s, constitucionalmente positivada, devendo ser considerada nula a clusula que estabelece taxa de juros superior quele teto.Esgotada a argumentao, tomaremos o segundo tpico.2- A CF 88 (artigos 22, 48, 68, par. 1e art. 25 do ADCT) revogou a legislao anterior (leia-se Lei 4.595/64 e resolues) que permitia o Conselho Monetrio Nacional, via Banco Central, dispor sobre a matria, estabelecendo regras diferenciadas, quando se tratasse de instituies financeiras.

''Art. 22 Compete privativamente Unio legislar sobre:...VII - poltica de crdito,......''''Art. 48 Cabe ao Congresso Nacional, com a sano do Presidente da Repblica, ..., dispor sobre todas as matrias de competncia da Unio, especialmente sobre:...XIII - matria financeira, cambial e monetria, instituies financeiras e suas operaes;...''''Art. 68....Pargrafo 1- No sero objeto de delegao os atos de competncia privativa da Cmara dos Deputados ...''''Art. 25 do ADCT - Ficam revogados, a partir de cento e oitenta dias de promulgao da Constituio, sujeito este prazo a prorrogao por lei, todos os dispositivos legais que atribuam ou deleguem a rgo do Poder Executivo competncia assinalada pela Constituio ao Congresso Nacional, especialmente no que tange a:I - ao normativa;...''

A nova Carta em seu art. 22 estabelece a competncia privativa da Unio para legislar sobre poltica de crdito. E mais adiante, no art. 48, XIII, atribui exclusivamente ao Congresso Nacional a competncia para dispor sobre matria financeira, cambial e monetria, instituies financeiras e suas operaes. Inobstante a matria ser suscetvel de regulamentao mediante lei conforme dispe o artigo 48 da carta magna, s o Congresso hoje, como j dito, tem competncia para dispor legislativamente (art. 48), sendo vedada qualquer delegao nesse sentido (art. 68, pargrafo 1).No bastasse isso, que j determinaria a revogao da legislao pretrita, por evidente coliso com o texto, o art. 25 do ADCT expressamente revogou em seis meses aps a promulgao todas as normas produto de delegao ao Executivo.Ante os dispositivos acima referidos, afigura-se clara a concluso de que a CF de 88 revogou as disposies da Lei 4.595/64, que atribuam ao CMN, via Banco Central, poder de legislar em matria financeira, pois, outra coisa no disciplinar taxas de juros, condies de emprstimos, etc.Dessa forma, sendo de competncia exclusiva do legislativo da Unio dispor sobre tais matrias, restou revogada a legislao anterior, por no poder conflitar com a Lei Maior.E o Banco Central, como rgo executor do Conselho Monetrio Nacional, perdeu, depois de seis meses da Carta (Art. 25 do ADCT), o poder de regular a seu critrio as taxas de juros no pas, restando revogadas todas as leis e atos praticados em obedincia delegao tida agora como incompatvel.Revogada a legislao nesse ponto (Lei 4.595/64 e Resolues), para o Conselho Monetrio Nacional voltar a regular os limites das taxas de juros s se tivesse sido encaminhado ao Congresso projeto de lei que viesse a ser aprovado, o que no foi feito. No havendo tal, revogada a delegao ao CMN, cessados os efeitos das resolues do BACEN, s o Congresso, agora, pode fixar os limites.Sem efeito os atos administrativos, continua a viger a legislao existente e no revogada - o Cdigo Civil, artigo 1.062 e a Lei de Usura.Diga-se de passagem que a disposio da CF88, s fez repetir o que aparecia na aludida legislao. Isso implica que nenhuma lei, mesmo a complementar, poder estabelecer juros superiores a 12 % ao ano.Por aplicao assim das normas da Lei de Usura, uma vez que revogaram-se as disposies que permitiam ao CMN limitar os juros, defendemos que estes no podem superar os 12% ao ano, podendo ser elevados de 1% ao ano em caso de mora.Passemos ao seguinte tpico.3- A lei 4.595/64 conferiu poderes ao CMN paralimitaras taxas de juros e no paraliber-las;O inciso IX do artigo 4da Lei 4.595/64 assim dispe:

''4- Compete ao Conselho Monetrio Nacional, segundo diretrizes estabelecidas pelo Presidente da Repblica:...IX - Limitar, sempre que necessrio, as taxas de juros, descontos, comisses....''

A Lei 4.595/64 concedeu poderes ao Conselho Monetrio Nacional para LIMITAR as taxas de juros praticadas pelos Bancos, e no para LIBERAR ou as FIXAR acima daquele limite previsto na Lei Maior e na Lei da Usura interpretada conjuntamente com o artigo 1.062 do Cdigo Civil, ou seja, 12 % (doze por cento) ao ano.Resolues no podem sobrepor-se a diplomas legais. Apesar do CMN possuir poderes para limitar as taxas de juros, estas no ficaram ao seu livre arbtrio.Acontece que o verbo limitar deste diploma passou a ser tido como se fosse sinnimo de liberar, o que inadmissvel. A interpretao correta de que limitar significa ordenar obedincia a um limite e este o limite previsto na Lei de usura, ou seja, 1 % ao ms.Nesse respeito, tomo a liberdade de transcrever parte do Acrdo do 1TACSP, na apelao n. 418.218-5 - 8Cmara, Relator: Ferraz de Arruda:

''... a Lei n. 4.595/64, Estatutos dos bancos, veio apenas e com propsito declarado de controlar o comrcio bancrio de sorte a estabelecer uma poltica de operaes creditcias uniforme em todo o territrio nacional. Como afirma LAURO MUNIZ BARRETTO, a mercadoria dos banco o dinheiro e est sujeita, como todos os bens econmicos, lei da oferta e da procura, controlados, contudo, por Resolues do Banco Central, ou como diz em tom de crtica,''j agora essa remunerao dos crditos e dos servios est tabelada, por Resoluo do Banco Central''(Questes de Direito Bancrio'', 2ed., vol. 2/436-438). Por a se v que o objetivo da Lei n.4.595, de 1964 era, por meio de um Conselho Monetrio Nacional, ''disciplinar o crdito'', ''limitar as taxas de juros e servios'', ''regulamentar as operaes de redescontos'', etc...(artigo 4, incisos VI, IV, XVIII, respectivamente, mas nunca o de criar novas frmulas de cobrana do capital ou do servio.Os objetivos da Lei n. 4595 de 1964, atualmente esquecidos, eram o de colocar freios no comrcio do dinheiro sabido da sua relevncia como fator de desequilbrio econmico, notadamente em razo de serem os bancos os prprios filtros da circulao monetria. Longe de ser camisa de fora do sistema bancrio, ditada a Lei 4.595 de 1964, em nome dos superiores interesses de ordem pblica econmica, uma poltica governamental de controle dos fluxos monetrios de sorte a no permitir que o acesso ao dinheiro passasse a ser, como hoje em dia, um fim em si mesmo, prejudicando, sem dvida, o regime de produo de bens. Para que estes objetivos fossem alcanados atribuiu-se ao Conselho Monetrio Nacional a tarefa administrativa de maneira uniforme geral para todos os banco. Destarte, apenas um controle de ordem administrativa. S isso.Acontece que este rgo, ousadamente, saiu da esfera de suas atribuies administrativas para, inconstitucionalmente e contra os princpios da prpria Lei n. 4.595 de 1964, passar a legislar por Resolues, impondo sociedade civil deveres e encargos que nunca constaram de texto de lei e certamente no iriam constar, submetidas as questes apreciao parlamentar competente.Cabe aqui assinalar que o Tribunal de Justia de So Paulo j alertara que as Resolues do Conselho Monetrio Nacional ''no tm fora de lei, e, menos ainda, podem infringir disposies legais que bem ou mal continuam vigentes''''.

No h preceito legal algum autorizando o CMN a regulamentar a poltica de juros ultrapassando o limite dos juros legais. Num esforo de interpretao poderamos defender essa tese. Porm, no h que se permitir a prtica descarada da usura de forma excessivamente onerosa aos devedores, muito menos com o aval do Judicirio.E se no h preceito legal que explicitamente permita a fixao da taxa de juros, pelo CMN, acima da taxa legal (o nome j diz, a taxa legal!!!), por que, ento, permitir essa prtica ilegal e desumana de cobrana de dvidas?Em que passagem da lei 4.595 se permite desobedincia aos parmetros do Cdigo Civil (art. 1062), da Lei da Usura e da CF 88 ?Tm-se a impresso de que os devedores de instituies financeiras devam pagar suas dvidas com tudo que tem, e o que no tem, como castigo pela sua incapacidade de superarem todas as intempries poltico-econmicas nacionais e solver as j oneradas parcelas de adimplemento.O que move a lgica do jurista no o dinheiro, mas o direito.Diante disso, mais uma vez, defendemos a aplicao da taxa de juros legais (12% ao ano) ao contrato em tela. Em seguida, discorreremos sobre o derradeiro tpico deste item.4- A omisso do CMN na fixao dos juros a serem praticados pelos bancos nas operaes formalizadas sob o imprio da Lei 413/69 c/c 6.840/80O artigo 5do Decreto-Lei 413/69, que rege operaes desse tipo, confere as Conselho Monetrio Nacional o dever de fixar os juros a serem praticados nas operaes celebradas por meio de Cdulas de Crdito:

''Art. 5- As importncias fornecidas pelo financiador vencero juros e podero sofrer correo monetria s taxas e aos ndices que o Conselho Monetrio Nacional fixar,...''(grifamos)

Nestes termos e ante inexistncia no mundo jurdico de resoluo emitida pelo CMN acerca da expressa fixao numrica da taxa de juros a serem praticados neste tipo de operao, torna-se obrigatria a incidncia da limitao legal de 12 % ao ano (artigo 1do Decreto 22.626/33 c/c 1.062 do CC) no caso em tela.Para ilustrar, trazemos presente cpia de ementrio que trata do tema.

''Recurso Especial. Nota de Crdito Comercial. Limitao de taxa de juros. Capitalizao dos juros. Smula 596/STF. Comisso de permanncia em caso de inadimplemento.

1. O art. 5da Lei 6.840/80 c/c o art. 5do Decreto-lei 413/69, posteriores Lei 4.595/64, conferem ao Conselho Monetrio Nacional o dever de fixar os juros a serem praticados nas cdulas e notas de crdito comercial. Ante a eventual omisso desse rgo governamental, incide a limitao de 12 % ao ano prevista na Lei de Usura (Decreto n. 22.626/33) no alcanando a cdula de crdito comercial o entendimento jurisprudencial consolidado na Smula n. 596/STF.2. ...3. Recurso especial no conhecido

(STJ, REsp n. 183048-RS, 3turma, Rel. Min. CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, un., j. 18.03.99, DJ 31.05.99, p. 145)''Cdula de Crdito Comercial. Juros. Limitao A Cdula de Crdito Comercial no pertinente aos juros, tem a mesma disciplina de cdula de crdito rural, de maneira que lhe aplicvel a jurisprudncia que se firmou no STJ, a propsito de incidir a limitao de 12 % da Lei de Usura, mngua de autorizao do Conselho Monetrio Nacional....Recurso no conhecido.(STJ, REsp n. 172255-RS, 3turma, Rel. Min. COSTA LEITE, un., j. 25.08.98, DJ 13.10.98, p. 103)

CIVIL - EMBARGOS EXECUO - CDULA RURAL PIGNORATCIA - TAXA DE JUROS - LIMITAO - AUTORIZAO CMN - ALTERAO DA TAXA DE JUROS POR INADIMPLNCIA.I - ...II - O Decreto-lei n. 167/67, posterior Lei 4.595/64 e especfico para as cdulas de crdito rural, confere ao Conselho Monetrio Nacional o dever de fixar os juros, a serem praticados nessa modalidade de crdito. Ante a eventual omisso desse rgo governamental, incide a limitao de 12% ao ano, prevista na Lei de Usura (Decreto n. 22.626/33), no alcanando a cdula de crdito rural o entendimento jurisprudencial consolidado na Smula n. 596-STF. Precedentes da Corte.III....IV - Deciso que se harmoniza com a jurisprudncia do STJ. Incidncia da Smula 83.V - Recurso no conhecido.(STJ, REsp n. 184253-RS, 3 Turma, Rel. Min. WALDEMAR ZVEITER, un., j. 17.12.98, DJ 29.03.99, p. 172)

E por analogia, j que a Lei 413/69 praticamente cpia fiel da Lei que rege Cdulas de Crdito Rural:

''CRDITO RURAL. TAXA DE JUROS. LIMITAO. JUROS DE MORA DE 1% A.A. CLUSULA DE MAJORAO. ILEGALIDADE. RECURSO NO CONHECIDO-O Decreto-Lei n. 167/67, art. 5, posterior Lei 4.595/64 e especfico para as cdulas de crdito rural, confere ao Conselho Monetrio Nacional o dever de fixar os juros a serem praticados. Ante a eventual omisso desse rgo governamental, incide a limitao de 12 % ao ano prevista na Lei de Usura (Decreto n. 22.626/33), no alcanando a cdula de crdito rural o entendimento jurisprudencial consolidado na Smula 596-STF''. (REsp n. 111.881-RS, Segunda Seo, Relator o eminente Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, in DJ de 16.02.98)''

A lei clara, ratificada pelas colaes acima. O Conselho Monetrio Nacional deve fixar a taxa de juros a ser praticada. Ante sua omisso, no facultado instituio financeira a fixao da taxa operacional, devendo ser aplicado nas operaes desse tipo taxa de juros que no ultrapassem o limite legal de juros de 12 % ao ano da Lei da Usura c/c 1.062 do Cdigo Civil.De todo exposto nos itens anteriores, verificada a obrigatoriedade de aplicao do limite legal de taxa de juros de 12 % ao ano tambm s instituies financeiras, esta deve ser aplicada para remunerao real do capital financiado nesta operao, nos mesmos termos do trabalho realizado pela assessoria financeira no relatrio que acompanha, declarando-se nula a clusula que estipula taxa de juros superior ao teto legal de 12 % ao ano.DO ANATOCISMO NOS JUROS REMUNERATRIOS E NO INDEXADOR MONETRIOTranscrevemos a clusula 2 do ttulo:

''Clusula 2- Forma de pagamento - O(s) Emitente(s) e/ou Avalista(s) obrigam-se a pagar o emprstimo ora deferido, acrescido dos encargos indicados no campo 10 (prefixados) ou nos campos 10 e 11 (ps-fixados), em prestaes mensais e sucessivas, calculadas pela Tabela Price, j acrescidas da taxa efetiva de juros prevista no campo 10, cujo nmero e valor esto anotados no campo 13, verificando-se o primeiro vencimento na data consignada no campo 14, os demais no mesmo dia dos meses subsequentes e o ltimo na data ajustada no referido campo 14. Tratando-se de encargos ps-fixados (campos 10 e 11), a variao da base de remunerao ou do indexador monetrio avenada(o) no campo 11 incidir sobre os valores das prestaes desde a data da liberao do crdito at a data de vencimento de cada uma das mencionadas prestaes, observado o percentual de variao do referido ndice de 100%, se de outra forma no estiver convencionado no campo 15.''

A cobrana de juros sobre juros, o que se verifica quando a capitalizao destes mensal ( dizer, capitalizao composta de juros), configura o Anatocismo.

''Capitalizao composta aquela em que a taxa de juros incide sobre o capital inicial, acrescidos dos juros acumulados at o perodo anterior. Neste regime de capitalizao a taxa varia exponencialmente em funo do tempo.''SOBRINHO, Jos Dutra V.Matemtica Financeira. So Paulo, Atlas, 1997 6ed., p. 34.

No campo do direito no podemos admitir a cobrana desordenada e desenfreada de juros. Admitindo-se o anatocismo, verificaremos situaes como a dos autos, na qual, mesmo diante de pagamentos que somam aproximadamente 170 % (cento e trinta por cento) do valor creditado ao Autor, apresentado pelo Banco-ru uma absurda conta de liquidao (contabilizadas as amortizaes) que atinge um valor estratosfrico que representa saldo devedor remanescente de mais de 500 % do valor creditado ao Autor.O anatocismo serve simplesmente de simulacro para a insero de aspecto financeiro no emprstimo, onde procura a instituio financeira se assegurar na eventual falta de satisfao da obrigao a ser cumprida.Para pr fim nessa prtica que se difundiu com larga tendncia, os Tribunais comeam a perfilhar o entendimento no sentido da vedao quanto capitalizao, porque se apresenta num efeito cascata, alongando o valor da dvida e se traduzindo num verdadeiro enriquecimento sem causa justificadora.

Adveio, baseado nisso, o preceito insculpido na Smula 121 do Superior Tribunal de Justia, a qual disciplinou em linhas gerais o assunto, proibindo a atitude no diapaso do anatocismo, cujo teor o seguinte:SMULA N 121 do STF'' vedada a capitalizao de juros, ainda que expressamente convencionada.''DA CONSTATAO DO ANATOCISMO NA APLICAO DATABELA PRICENO CLCULO DAS PRESTAESA capitalizao composta comprovada ao se analisar o sistema de clculo das parcelas a serem pagas. O sistema Francs de amortizao, mais conhecido comoSistema Price,caracteriza-se pelas seguintes premissas: pagamentos em prestaes iguais e sucessivas, cada qual composta por um componente decrescente de juros e um componente crescente de amortizao.Ficou apurado pela assessoria financeira (pg. 14) a utilizao desse mtodo de clculo de prestaes (Tabela Price)no emprstimo em tela, utilizando-se da taxa de juros expressa pelo prprio contrato, 2,80 % ao ms.A frmula utilizada neste sistema a seguinte:PrazoPrestao = saldo devedor x(1 + taxa) x taxaPrazo(1+ taxa) - 1Exemplificando a evoluo do financiamento segundo a TabelaPrice -(planilha completa na pgina 15 do relatrio da auditoria):1vencimento - prestao 3.618,96 (947,88 de juros 2.671,08 de principal)2vencimento - prestao 3.618,96 (873,10 de juros 2.745,86 de principal)etc, etc...Tal sistema de amortizaes promove a capitalizao mensal de juros, porque, o conceito de capitalizao de juros compreende realizao - ou pagamento - dos mesmos. Se, conforme explicitado na planilha acima, ao ser efetuada uma parcela de pagamento da dvida, o saldo devedor do financiamento no subtrado na mesma cifra, mas do resultado do valor da prestao diminudo do valor dos juros sobre o saldo devedor, fica claro que, parcela a parcela, o valor dos juros incorporado ao saldo devedor do financiamento, para serem realizados exponencialmente e onerar o saldo devedor do cliente.Fica assim, ento, caracteriza a ocorrncia do anatocismo na aplicao desta frmula de clculo, o que no pode se permitir j que, alm de tal prtica (composio de juros) ser repudiada pelo Tribunais, no est explicitamente contratada na clusula que trata de sua aplicao (clusula 2do contrato), pois a simples meno de clculo pelosistema priceno se faz entender como permitida a capitalizao de juros mensal.Dessa forma, deve-se determinar a nulidade desta clusula 2, uma vez que abusiva e excessivamente onerosa aos Autores, aplicando-se a taxa de juros legais que aquela determinada pela da Lei da Usura (dobro da taxa legal de 6% ao ano).A UTILIZAO DA TR COMO INDEXADOR MONETRIO - O ANATOCISMO E A ONEROSIDADE EXCESSIVA - NULIDADE DA CLUSULAA TR (Taxa Referencial) foi criada no Plano Collor II, com o intuito de ser uma taxa bsica referencial dos juros a serem praticados no ms iniciado e no como um ndice que refletisse a inflao do ms anterior, ou melhor, a variao do poder aquisitivo da moeda naquele perodo.Ela um ndice que reflete as variaes do custo primrio da captao dos depsitos a prazo fixo; ou seja, para o seu clculo, o Banco Central utiliza metodologia que considera a remunerao mensal mdia dos certificados e recibos de depsito bancrio (CDB/RDB), emitidos pelas maiores instituies financeiras do pas, levando em conta:- a taxa mdia de remunerao dos CDB/RDB's;- a taxa mdia ponderada de remunerao; e

- um redutor, fixado por Resoluo do Conselho Monetrio Nacional (CMN), em porcentagem sobre a mdia ponderada, para eliminar os efeitos decorrentes da tributao e da taxa real histrica de juros da economia, o qual pode ser modificado para adequar-se a alteraes na tributao e a eventuais variaes na taxa de juros real da economia.

Dessa forma, a fixao do ndice da TR fica ao arbtrio dos agentes da poltica econmica governamental, tendo em vista o redutor mvel previsto em sua metodologia de clculo, no sendo, destarte, ndice de correo monetria e sim ndice de captao de recursos financeiros, que sofre impactos imprevisveis de ordem econmica, como, por exemplo, a elevao dos juros nas crises de novembro de 1997 e de outubro de 1998 (aproximadamente 50 % a.a.).Pela Resoluo n. 2.097/94, a base de clculo da TR passou a ser o dia de referncia, sendo calculada no dia til posterior. A metodologia de clculo tem como base a taxa mdia mensal ponderada ajustada das maiores instituies financeiras, sendo eliminadas as duas de menor taxa mdia e as duas de maior taxa mdia, calculando-se a TR pelo conjunto das restantes.O redutor aplicado sobre a mdia apurada das taxas dos CDB era fixado com pelo menos trs meses de antecedncia. importante notar que o valor da TR ser sempre influenciado pelo nmero de dias teis considerados no perodo de validade da TR sob clculo.A partir de novembro de 97 o redutor da TR passou a ser varivel e fixado de acordo com a mdia das TBF dos ltimos 5 dias teis do ms anterior. A partir de dezembro de 1997, em funo da crise asitica, a TR passou a ter seu valor determinado por comunicados do Banco Central.Verifica-se, portanto, que a TR uma taxa de juros flutuante que mede a expectativa de juros bancrios, sem acompanhar os parmetros de correo monetria de mercado, ou seja, a flutuao dos juros mais alta que a inflao (desvalorizao da moeda). Embutido na TR est a remunerao de capital e correo monetria.Dessa Forma, novamente ocorre a prtica do anatocismo, pois ao analisarmos a clusula 2 da cdula (doc. grifado), verificamos que a metodologia utilizada pelo Banco-Ru para corrigir monetariamente as prestaes se utiliza da TR - que derivada das taxas mdias de CDB - como indexador monetrio da operao, incidindo esta sobre os valores das prestaes, j acrescidas da taxa efetiva de juros de 2,80 %, calculadas pelo SistemaPrice, que conforme demonstramos acima configura tambm a prtica do Anatocismo. Vale dizer: temos agora juros sobre juros sobre juros (no h erro de digitao). juridicamente inadmissvel a aplicao de dois ndices de juros de natureza diversa para o mesmo perodo do mtuo.No bastasse isso, a estipulao da TR nos contratos clusula leonina que o direito civil e a conscincia jurdica repudiam, pois a operao j contem clusula de remunerao do capital, alm desta clusula de atualizao monetria. E aquela clusula inclui o chamadospread, ou seja, ganho lquido do banqueiro, alm da remunerao pelos recursos que capta (6% a.a., na caderneta de poupana).Dessa forma, utiliza-se o Banco-ru de expediente que camufla a incidncia de duas taxas de juros (juros contratuais e ''indexador monetrio - TR''), caracterizando uma dupla-remunerao do capital mais ospread; e, pior, sobrepostas (Anatocismo), pois na incidncia de uma delas (juros de 2,80 % pela Tabelaprice) j ocorrera a prtica do juros sobre juros.Nota-se, destarte, o desequilbrio econmico financeiro na operao em tela, ressaltando-se que os Autores so pequenos empresrios que, mesmo na mais prspera e lucrativa atividade da empresa, no suportariam bancar a ''tripla"" remunerao do capital pretendida pelo Banco.Diante disso, decorre a impossibilidade de incidncia da TR como indexador monetrio, no s pela aplicao correta e cientfica das Leis do Poder Judicirio, que probe a prtica do Anatocismo, como tambm por se tratar de taxa de remunerao e no ndice de atualizao monetria.Nessa esteira, o Supremo Tribunal Federal, em julgamento da Ao Direta de Inconstitucionalidade n. 493-0/DF, entendeu que a TR no constitui um ndice que reflita a desvalorizao da moeda.Em conseqncia, a aplicao da TR na operao em tela acarreta desequilbrio contratual, onerando excessivamente os Autores e gerando o enriquecimento ilcito da instituio financeira; a uma porque no ndice que reflita a desvalorizao da moeda e a duas porque camufladamente promove a prtica do Anatocismo. E a trs, se se permitisse a capitalizao de juros, esta teria de vir expressa, explcita quando da contratao, o que no ocorre no caso dos autos, j que necessrio o raciocnio acima explanado para constatao do Anatocismo implcito nesta clusula.Dessa forma, torna-se abusiva e excessivamente onerosa a clusula que estipula a TR como ndice de correo monetria do saldo devedor, devendo ser decretada sua nulidade, nos termos do art. 51, IV e pargrafo 1, inciso III, do CDC.Para ilustrar o tema do Anatocismo colacionamos abaixo diversas decises:

''Direito privado. Juros. Anatocismo.A contagem de juros sobre juros proibida no direito brasileiro, salvo exceo dos saldos lquidos em conta-corrente de ano a ano. Inaplicabilidade de Lei de Reforma Bancria (4.595, de 31.12.64). Atualizao da Smula 121 do STF.Recurso Provido'' (Resp-2.293, Sr. Min. Cludio Santos).''Direito Privado. Anatocismo. Vedao incidente tambm sobre instituies financeiras. Exegese do enunciado 121, em face do n. 596, ambos da Smula STF. Precedente na Excelsa Corte.A capitalizao de juros (juros de juros) vedada pelo nosso direito mesmo quando expressamente convencionada, no tendo sido revogada a regra do art. 4 do Dec. 22.626/33 pela Lei 4.595/64. O anatocismo repudiado pelo verbete 121 da Smula do Supremo Tribunal Federal, no guarda relao com o enunciado 596 da mesma smula'' (Resp-1,285, Sr. Min. Slvio de Figueiredo)''Execuo. Direito Privado. Juros. Anatocismo. Lei Especial. Semestralidade. Capitalizao mensal vedada. Recurso no conhecido.I - A capitalizao mensal de juros (juros de juros) vedada pelo nosso direito, mesmo quando expressamente convencionada, no tendo sido revogada a regra do art. 4 do Dec. 22.626/33 pela Lei 4.595/64. O anatocismo, repudiado pelo verbete 121 da Smula do STF, no guarda relao com o Enunciado 596 da mesma Smula.II - Mesmo nas hipteses contempladas em leis especiais, vedada a capitalizao mensal'' (Resp. 4.724-MS, Rel. o Min. Slvio de Figueiredo)''Capitalizao de juros. proibido contar juros dos juros, com exceo dos saldos lquidos em conta corrente de ano a ano (Dec. 22.626/33, art. 4), O princpio aplicvel s instituies financeiras. Smula 121, do STF. Precedentes do STJ: REsp's 1.285 e 2.293. Recurso Especial no conhecido'' (Resp-13.829, Sr. Min. Dias Trindade).''Comercial. Capitalizao de juros. Instituies financeiras. Prevalece a proibio do art. 4 da Lei de Usura (Dec. 22.626/33), ainda em relao s instituies do sistema financeiro nacional'' (Resp-13.829, Sr. Min. Dias Trindade)''

Ainda que se admitisse a prtica da capitalizao de juros (Anatocismo) que no fosse a anual, esta capitalizao deveria vir expressamente lanada no ttulo em questo em atendimento ao princpio da Boa-f, o que no ocorre no caso, conforme podemos notar da clusula 2 acima transcrita.Pessoas comuns, leigas, que normalmente so os tomadores de financiamentos junto instituies como o Banco-Ru, mesmo num grande esforo intelectual, no poderiam compreender de que tipo de clculo aritmtico trata a clusula. Creio que estariam gabaritados para realizar tal exerccio somente especialistas matemtico-financeiros, que no o caso dos Autores.Ademais, em nenhum vocbulo de dita clusula apresenta-se expressa a incidncia da capitalizao de juros na operao. Algo do tipo''os juros sero capitalizados mensalmente'', por exemplo. Ao contrrio, nota-se uma redao truncada, de difcil compreenso, o que pode ser constatado por V. Ex. da leitura da clusula transcrita acima, que demonstra os artifcios utilizados pelas instituies financeiras desequilibrando a relao jurdica. dizer que, conforme notamos nesta clusula, a simples referncia cobrana das prestaes que sero pagas mensal e sucessivamente ou aplicao do mtodo sistemaPrice, no so suficientes para que se permita a capitalizao mensal dos juros.Do exposto, verificada a prtica do Anatocismo pela utilizao databela Pricee pela metodologia de clculo da TR, bem como a nulidade da clusula que a determina como indexador - tendo em vista sua onerosidade excessiva -, deve ser aplicada a capitalizao anual de juros, conforme aplicada pela assessoria financeira no relatrio que acompanha, nos termos do artigo 4do Decreto 22.626/33, que assim dispe;

''Art. 4- proibido contar juros dos juros; esta proibio no compreende a acumulao de juros vencidos aos saldos lquidos em conta corrente de ano a ano''

E mesmo que se admitisse a capitalizao de juros que no fosse a anual, observada a inexistncia de clusula expressa no ttulo objeto da lide que permita qualquer tipo de capitalizao, esta dever ser anual, pois a legalmente permitida.II.3.c - OS ENCARGOS DE INADIMPLNCIAA ONEROSIDADE EXCESSIVA O PRINCPIO DA BOA-FNo necessrio grande exerccio aritmtico para se perceber a desproporcionalidade entre o elevado valor cobrado pelo Banco-Ru (com suas ''taxas mximas praticadas em operaes de crdito com recursos prprios'' ?!?!) e o valor financiado aos Autores.A operao, aps seu vencimento, foi atualizada atravs da aplicao da maior taxa praticada pelo Banco (Que taxa? Qual oquantum?), o que resultou em valores absurdos e irreais, que representam efetivamente a onerosidade excessiva da clusula em questo.Valores irreais que podem ser constatados se observadas as planilhas anexas (doc. 08) na coluna da taxa efetiva de juros (mensais) que variam de 8,10 % ao ms at 10,20 % ao ms (absurdo), mais 1 % referente mora (?).Mesmo os banqueiros, num pequeno esforo intelectual que levasse em conta o justo e o sensato (!!!), haveriam de reconhecer a abusividade e irrealidade da conta de liquidao que se apresentou nos autos da Execuo. E, mais ainda, seus nobres defensores, pois seguros estamos de que, na maioria dos casos de cobrana judicial movidas pelo Banco, o valor apresentado para cobrana, calculado de acordo com as taxas de inadimplncia (mximas) atingem valores que ultrapassam em quatro, cinco vezes o patrimnio dos devedores, que levam a situaes esdrxulas que vo de encontro aos princpios jurdicos que regem relaes como a dos autos.O que se quer com isso ? Sangrar ltima gota aqueles que decidem honestamente promover o desenvolvimento econmico do pas ?Se assim for, em pouco tempo chegaremos ao extremo do absurdo fenmeno da concentrao de renda em nosso pas, quando os somente os banqueiros retero a riqueza do pas. dizer, a instituio quea priorideveria financiar a produo da riqueza rural, comercial ou industrial, justamente remunerada por isso, tornou-se, em virtude da prtica de taxas de juros irreais no panorama nacional (inacreditveis a nvel mundial) e demais clusulas abusivas, o algoz da classe empresarial produtiva, ao mesmo tempo em que bate recordes de lucratividade.Deve-se observar-se os princpios norteadores dos negcios em geral, tal como o princpio da boa-f, do qual decorre a necessidade de manuteno do equilbrio econmico-financeiro dos contratos e a impossibilidade de adoo de clusulas leoninas, bem como em proteo ao consumidor, que nada tem a ver com as mazelas impingidas ao sistema.Sobre o tema, o jurista Aramy Dornelles da Luz afirma:

''Como a ordem jurdica no pode tutelar os atos ilcitos, mesmo que se encontrem os negcios bancrios sob o imprio - como costumamos dizer - da autonomia da vontade, onde o poder do Estado no deve intervir, pressuposto da validade desses, como de quaisquer outros negcios, a boa-f de ambos os contratantes, que eles assim procedam antes, durante e mesmo depois da celebrao da avena, at sua plena execuo e cabal extino. A quebra do princpio da boa-f representa a contaminao do negcio na situao em que se encontre, atingindo o contrato na parte em que a ruptura do compromisso o alcance com seus efeitos sobre a validade e a eficcia'' (Negcios Jurdicos Bancrios: O Banco Mltiplo e Seus Contratos, So Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1996, p. 48).

A quebra da boa-f ocorreu justamente no momento em que se lanou a assinatura no contrato (de adeso, frise-se), apresentado pelo Banco com aquela simpatia e cordialidade, pois desconhecia, o Autor, por mais instrudo intelectualmente que fosse, do que realmente viria representar em termos quantitativos aquela clusula obscura e ininteligvel, que tomamos a liberdade de transcrever:

Clusula 19 '' Se no vencimento normal deste ttulo ou das obrigaes de pagamento, bem como na hiptese de vencimento antecipado, o(s)Emitente (s)e/ouAvalistas(s)no tiverem liquidado as quantias devidas, passaro a responder, desde as datas dos vencimentos aqui mencionados at o efetivo pagamento, pelos seguintes encargos:

a. juros taxa efetiva anual, pr ou ps-fixada, apurada com parmetro na maior taxa permitida pelo Banco Central do Brasil, para operaes de crdito com recursos prprios que oBanespapraticar durante o perodo de inadimplncia deste ttulo. A taxa de inadimplncia aqui referida ser automtica e sucessivamente reajustada, a qualquer momento, independentemente do perodo decorrido, to logo se alterarem as taxas praticadas peloBanespa, ainda que tal modificao resulte na substituio de taxas prefixadas por ps-fixadas e vice-versa;

a.1) - caso venha a ser aplicada a taxa de juros ps-fixada, o saldo devedor ser atualizado de acordo com a base de remunerao ou o indexador monetrio indicado no campo 11, ou outro ndice que venha a ser estabelecido pelo Governo Federal ou pelo Banco Central do Brasil em sua substituio ou que oBanespaesteja adotando, na ocasio, sendo que os juros sero calculados sobre a dvida, aps realizada a atualizao aqui prevista. Os encargos aqui ajustados em hiptese alguma podero ser inferiores queles praticados durante a vigncia desta operao;b. juros moratrios de 1 % ao ms.; ec. multa de 10 % sobre o montante do dbito.''

Tomamos a liberdade de perguntar: O qu se depreende da leitura da clusula acima ? primeira vista diramos que o Banco imps taxas desconhecidas no momento da celebrao do contrato. E nada mais do que isso, pois o que se nota a imposio de taxas mximas, atualizao de valores, alterao de taxas, alterao de ndices de correo monetria, etc. Tal clusula ilegal e contrria a todos princpios norteadores do direito contratual. Impe vantagem excessiva ao Banco, em detrimento dos Autores.Clusula desse jaez, marcadamente abusiva, por submeter o devedor inteiramente ao arbtrio do credor, a este cometendo, em relao contratual, potestatividade absoluta, cobrando aquilo que o devedor, ao tempo da contratao, no tinha como saber, afronta, levando-se em conta sua adesividade nos termos do artigo 54 do CDC, alm das disposies do mesmo diploma em seus artigos 4, 39, 51, a letra e o esprito do artigo 115 do Cdigo CivilNorteados pelo princpio da boa-f e observada a desproporcionalidade gritante entre as obrigaes das partes, a onerosidade excessiva do saldo devedor cobrado dos Autores, o que implica no enriquecimento sem causa da instituio financeira, consideramos a clusula acima nula de todo direito, disso resultando seu afastamento, como soluo emergente das normas gerais de direito e do Cdigo de Defesa do Consumidor, devendo ser aplicada a majorao da taxa de juros em 1 % ao ano como de lei, o que demonstraremos abaixo.DA VEDAO LEGAL DA CLUSULA DE INADIMPLEMENTONo bastasse o quanto exposto no item anterior, deve ser considerada nula a clusula de inadimplncia por disposio legal, seno vejamos:Em operaes desse tipo, os juros de inadimplncia ficam limitados a 1 % ao ano, contados do vencimento. O pargrafo nico do artigo 5do Dec-Lei n. 413/69 explcito ao dispor que:

''Pargrafo nico. Em caso de mora, a taxa de juros constante da cdula ser elevvel de 1 % (um por cento) ao ano''

Neste ponto, o Decreto 413/69 norma de ordem pblica, por isto inderrogvel pela avena das partes e a clusula que prev juros acima no vigora por ser nula. partir do instante em que no h o cumprimento de uma das exigncias do contrato, opera-se seu vencimento antecipado (nos termos do contrato), estando assim os devedores em mora. Dessa forma, os juros a serem cobrados em caso de inadimplncia s podem ser elevados em 1% ao ano, nos termos do disposto legal.No h porque se aplicar taxa que seja superior aos juros remuneratrios legais da operao mais um por cento ao ano, o que est explcito na lei.E conforme demonstrado acima, os juros no caso de inadimplncia dos Autores devero ser de 12 % ao ano, mais 1% ao ano pela mora.Sendo assim, ilegal a aplicao de qualquer outra taxa, comisso de permanncia ou encargo, tendente a burlar o referido diploma legal, ainda que haja clusula contratual estipulando taxas mais elevadas, pois aquele teto de 1 % ao ano de observncia obrigatria.Em que pesem os sedutores argumentos que certamente sero trazidos defesa pelo Banco-Ru, na tentativa de conduzir o raciocnio do magistrado ao julgamento jurdico que lhes interessam, preservando seus interesses financeiros, no se pode ignorar o que est posto em lei.Para ilustrao transcrevemos abaixo partes de ementas de nossos tribunais:

CIVIL - EMBARGOS EXECUO - CDULA RURAL PIGNORATCIA - TAXA DE JUROS - LIMITAO - AUTORIZAO CMN - ALTERAO DA TAXA DE JUROS POR INADIMPLNCIA.I - ...II - ...III - No se permite a estipulao de juros, por inadimplemento, em crdito rural, superior a 1% ao ano (inteligncia do pargrafo nico, do art. 5, do Decreto-Lei 167/67).IV-...- Deciso que se harmoniza com a jurisprudncia do STJ. Incidncia da Smula 83.V - Recurso no conhecido.(STJ, REsp n. 184253-RS, 3 Turma, Rel. Min. WALDEMAR ZVEITER, un., j. 17.12.98, DJ 29.03.99, p. 172)CRDITO COMERCIAL. JUROS MORATRIOS. LIMITAO. CLUSULA DE MAJORAO DE JUROS POR INADIMPLEMENTO. LEGALIDADE. RECURSO NO CONHECIDO.- Este egrgio Tribunal fixou o entendimento de que clusula acerca de inadimplemento de nota de crdito comercial deve observar o Decreto-Lei n. 413/69, que prev a incidncia, no mximo, de juros moratrios taxa de 1% a.a. (art. 5, nico), sendo ilegal a previso de aplicao de qualquer outra taxa, comisso de permanncia ou encargo, tendente a burlar o referido diploma legal.- Recurso especial no conhecido.(STJ, REsp n. 180.888-SP, 4 Turma, Rel. Min. CESAR ASFOR ROCHA, un., j. 03.09.98, DJ 23.11.98, p. 181)Recurso especial. Nota de crdito comercial. Limitao de taxa de juros. Capitalizao dos juros. Smula n. 596/STF. Comisso de permanncia em caso de inadimplemento.1....2. Em caso de inadimplemento em nota de crdito comercial, o Decreto-Lei n. 413/69 admite apenas que a taxa de juros seja elevada de 1% ao ano e a cobrana de multa de 10%, sendo ilegal a insero no contrato de comisso de permanncia decorrente da mora.3. Recurso especial no conhecido.(STJ, REsp n. 183048-RS, 3 Turma, Rel. Min. CARLOS ALBERTO MENEZES DIREITO, un., j. 18.03.99, DJ 31.05.99, p. 145)

Verificado que ilegal a aplicao de qualquer encargo, tendente a burlar o Decreto 413/69, que no seja aquele que eleva a taxa de 1% ao ano, exporemos abaixo a prtica do Anatocismo tambm no perodo de inadimplncia.DA OCORRNCIA DO ANATOCISMO NO PERODO DE INADIMPLNCIAA cobrana de juros sobre juros, o que se verifica quando a capitalizao destes mensal ( dizer, capitalizao composta de juros), configura o Anatocismo.

''Capitalizao composta aquela em que a taxa de juros incide sobre o capital inicial, acrescidos dos juros acumulados at o perodo anterior. Neste regime de capitalizao a taxa varia exponencialmente em funo do tempo.''SOBRINHO, Jos Dutra V.Matemtica Financeira. So Paulo, Atlas, 1997 6ed., p. 34.

Ao analisarmos a planilha apresentada pelo Banco-Ru para o perodo de inadimplncia da operao (doc.....), facilmente observaremos a capitalizao mensal dos juros, tornando-os compostos, configurando o Anatocismo. Basta verificar a coluna denominada ''principal'' e''saldo base paraclculo'', nas datas de 31.jan.97, 28.fev.97, 31.mar.97, e assim sucessivamente nos ltimos dias de cada ms para notarmos a aludida capitalizao. O valor dos juros calculados sobre o valor principal anterior incorporado ao principal atual de modo que no ms seguinte incidam os juros sobre este principal j majorado.E se os mesmo so capitalizados ao final do perodo, acabam por onerar excessivamente o dbito e os Autores, o que no admissvel frente aos princpios que regem os contratos (Boa-f, igualdade de partes. equidade) e ao Cdigo de Defesa do Consumidor, art. 39,V, X, XI e 51, IV, X, pargrafo 1, III.Fica assim, ento, caracteriza a ocorrncia do anatocismo na frmula de clculo aplicada pelo Banco-ru no perodo de inadimplncia, o que no pode se permitir j que, alm de tal prtica (composio de juros) ser repudiada pelo Tribunais e pela lei (art. 4do Dec.Lei 22.626/33), no est explicitamente contratada na clusula de inadimplncia (clusula 19do contrato).De fato, ainda que se admitisse a prtica da capitalizao de juros (Anatocismo) que no fosse a anual, esta capitalizao deveria vir expressamente lanada no ttulo em questo em atendimento ao princpio da Boa-f, o que no ocorre no caso, conforme podemos notar da clusula de inadimplncia acima transcrita.Pessoas comuns, leigas, que normalmente so os tomadores de financiamentos junto instituies como o Banco-Ru, no poderiam compreender de que tipo de taxas trata a clusula; se sero capitalizadas, em que perodo, a que taxas, sobre quais valores. Afinal, qual a''maior taxa permitida pelo Banco Central do Brasil, para operaes de crdito com recursos prprios'' e que ser''automatica e sucessivamente reajustada, a qualquer momento''?Ademais, em nenhum vocbulo de dita clusula apresenta-se expressa a incidncia da capitalizao de juros na operao. Algo do tipo''os juros sero capitalizados mensalmente'', por exemplo. Ao contrrio, nota-se uma redao truncada, de difcil compreenso, o que pode ser constatado por V. Ex. da leitura da clusula transcrita acima, que demonstra os artifcios utilizados pelas instituies financeiras desequilibrando a relao jurdica. dizer que, conforme notamos nesta clusula, no h qualquer referncia capitalizao de juros, porm o que notamos na planilha apresentada pelo Banco-Ru.Do exposto, verificada a prtica do Anatocismo,- tendo em vista sua onerosidade excessiva -, deve ser aplicada a capitalizao anual de juros, conforme aplicada pela assessoria financeira no relatrio que acompanha, nos termos do artigo 4do Decreto 22.626/33, que assim dispe;

''Art. 4- proibido contar juros dos juros; esta proibio no compreende a acumulao de juros vencidos aos saldos lquidos em conta corrente de ano a ano''

E mesmo que se admitisse a capitalizao de juros que no fosse a anual, observada a inexistncia de clusula expressa no ttulo objeto da lide que permita qualquer tipo de capitalizao, esta dever ser anual, pois a legalmente permitida.Dessa forma, deve-se determinar a nulidade desta clusula 19, uma vez que abusiva e excessivamente onerosa aos Autores, aplicando-se a taxa de juros legais que aquela determinada pela da Lei da Usura (dobro da taxa legal de 6% ao ano) acrescida de 1% ao que a permitida por pelo Dec.Lei 413/69, art. 5, pargrafo nico.OS JUROS DE MORA DE 1 % AO MSPelos mesmos fundamentos legais trazidos acima, ou seja, do nico do artigo 5, do Decreto-Lei 413/69, deve ser considerada nula a clusula que trata da incidncia de juros de mora de 1 % ao ms, alm dos encargos de inadimplncia (tambm nulos), uma vez que, como j foi dito, de acordo com o citado artigo e pargrafo, em caso de mora (inadimplemento) sero acrescidos aos juros remuneratrios da operao (12 % ao ano) oquantumde 1 % ao ano.Dessa forma, os juros de mora de 1 % ao ms estipulados na letrabclusula 19 constituembis in idem, devendo dessa forma ser declarada nula de pleno direito. O Banco-Ru s pode aplicar, em caso de mora, o disposto no pargrafo nico do artigo 5do Dec.Lei 413/69, ou seja, a majorao da taxa normal de adimplemento em 1% ao ano.A MULTAA multa estipulada na clusula 19 representativa do ressarcimento pelo atraso no cumprimento da operao. Contudo, inobstante esteja autorizada pelo disposto no art. 58 do DL 413, a multa de 10% prevaleceu apenas at a vigncia da Lei n. 9.298 de 02.08.96, que alterou a redao do art. 52, 1 do CDC pois a partir de ento, o ndice da pena passou para 2%.A multa de 10 % traduz, mais uma vez, a onerosidade excessiva da clusulas contratuais impostas pelo Banco-Ru, quando estipula aquelequantumpercentual como ressarcimento pelo atraso no cumprimento da obrigao.Deve ser, dessa forma, considerada abusiva a clusula que estabelece multa de 10% pelo atraso no cumprimento da obrigao, resultando em sua reviso para que seja aplicada a multa legal de 2% nos termos do Cdigo de Defesa do Consumidor.Por outro lado, no se pode admitir a incidncia da multa, qualquer que seja seuquantum, sobre todas as verbas decorrentes do inadimplemento. pois o que se nota quando observamos a planilha de clculo apresentada pelo Banco-Ru (doc.`08), onde percebe-se a incidncia de multa de 10 % sobre o valor da dvida atualizada at a data de apresentao da conta (R$ 158.476,70, resultando em multa de R$ 15.847,67).Por refletirem, a multa e os encargos majorados em razo da mora, obrigaes decorrentes do inadimplemento, no pode aquela incidir sobre estes.No mesmo sentido, nesta matria, a deciso que tomamos liberdade de transcrever abaixo:

EMENTAExecuo. Embargos. Cdula de crdito industrial. CPC, art. 614, inc. II. Liquidez do ttulo. Encargos contratados. Multa. Juros moratrios. Recurso parcialmente provido....A multa representativa do ressarcimento pelo atraso no cumprimento da obrigao e sua imposio est autorizada pelo disposto no art. 58 do DL 413. Contudo, a multa de 10% prevalece apenas at a vigncia da Lei n. 9.298 de 02.08.96, que alterou a redao do art. 52, 1 do CDC pois a partir de ento, o ndice da pena passa para 2%.Admite-se a cumulao de multa com os juros moratrios. Todavia, por refletirem ambos obrigao decorrente de inadimplemento, aquela no incide sobre estes.(TJSC -APELAO CVEL N. 97.002311-1 - CMARA CVEL ESPECIAL - REL: NELSON SCHAEFER MARTINS)

Sendo assim, deve ser declarada nula a imposio de multa de 10 %, devendo esta ser minorada aoquantumde 2 %, e que no dever incidir sobre as demais verbas decorrentes do inadimplemento, pois todas estas verbas decorrem do mesmo evento, ou seja, o inadimplemento da obrigao, incidindo somente sobre o valor apurado na data do vencimento da dvida.II.3.d - DO LUCRO EXCESSIVO DO BANCO RU EM RAZO DAS CLUSULAS ABUSIVAS - PRINCPIO DA LESO ENORMEEm razo das ilegalidades praticadas pela metodologia de clculo aplicada ao contrato objeto da presente demanda, e de suas clusulas, acima descritas, fica evidente a prtica da usura e a abusiva vantagem do banco-ru, em detrimento dos Autores, em total desrespeito legislao aplicvel, abusando da necessidade e inexperincia destes ltimos, para obteno do lucro excessivo.A margem de lucro do banco-ru excessiva, levando-se em considerao a metodologia de clculo ilegal praticada nas operaes. Contudo necessrio ir mais longe para divisar como pode ser entendida tal desproporo e como identificar a abusividade.Diz o artigo 4da Lei de Introduo ao Cdigo Civil:'Art. 4- Quando a lei for omissa, o juiz decidir o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princpios gerais do direito.''Nesse sentido, observadas as ilegalidades contidas na metodologia de clculo, bem como nas clusulas contratuais, que oneram excessivamente o contrato, pode-se, perfeitamente, por analogia, lanar mo do elemento quantitativo disposto na Lei n. 1.521/51, que de carter penal, mas que, em seu artigo 4dispe ser ilcito de usura e abusiva a vantagem ou lucro patrimonial que exceda a um quinto (20 %) do valor patrimonial da coisa envolvida no negcio.Neste caso, pagos 170 % do valor do negcio, ainda restam 500 % (quinhentos por cento) daquele valor a serem pagos pelos Autores ao Banco-ru, de acordo com a planilha do saldo devedor apresentada por este ltimo.Por outro lado, dispe o artigo 145, II do Cdigo Civil que'' nulo o ato jurdico:...II - quando for ilcito, ou impossvel, o seu objeto.''Isto posto, conclui-se que pela aplicao do art. 173, pargrafo 4da CF/88, artigos 39, IV e V e 51, IV e XV do CDC, combinado com o art. 4 da LICC e o artigo 4, ''b'' da Lei 1.521/51, existem dispositivos hbeis a reprimir o aumento arbitrrio dos lucros.Cumpre transcrever trecho do entendimento exarado pelo Ministro do Egrgio Superior Tribunal de Justia, Dr. Ruy Rosado de Aguiar, sobre a matria em questo:

''...O princpio da leso enorme, que outro mestre desta Casa, o insigne Prof. Ruy Cirne Lime, sempre considerou incorporado ao direito Brasileiro, sobrevivia, no plano legislado apenas na hiptese de usura real, assim como definida no art. 4, 'b', da Lei 1.521/51: 'Obter, ou estipular, em qualquer contrato, abusando da premente necessidade, inexperincia ou leviandade da outra parte, lucro patrimonial que exceda o quinto do valor corrente ou justo