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1 ADVOCACIA & CONSULTORIA José Wellington Coutinho Campelo – OAB/CE 6.441 Francisco Osmidio Brigido Bezerra de Lima – OAB/CE 5.091 EXMO(A) SR(A) DR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA.......VARA CÍVEL DE FORTALEZA (CE). NESTA PEÇA NÃO SE DISCUTE A QUESTÃO DA LIMITAÇÃO DOS JUROS EM 12% AO ANO (Emenda 40) SABEMOS QUE O DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL FOI REVOGADO. JOSE LEVY DE PAULA MORAES, brasileiro, solteiro, estudante, inscrito no CPF com o nº 625.284.753-49 e RG nº 97002324086 SSP- CE, residente e domiciliado na Rua: Teodomiro de Castro, nº 6588 Bairro: Álvaro Wayne, Fortaleza- CE, CEP: 60.336-010, através de seus procuradores signatários, com endereço constante no rodapé desta, à presença de V. Exa., propor AÇÃO DE NULIDADE DE CLÁUSULAS CONTRATUAIS ABUSIVAS COM Avenida da Universidade, 2365 – Benfica – Fortaleza (CE) – CEP: 60.020-180 Fone: 85-3032-7672 e 3023-7975

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ADVOCACIA & CONSULTORIA Jos Wellington Coutinho Campelo OAB/CE 6.441 Francisco Osmidio Brigido Bezerra de Lima OAB/CE 5.091

EXMO(A) SR(A) DR(A) JUIZ(A) DE DIREITO DA.......VARA CVEL DE FORTALEZA (CE).

NESTA PEA NO SE DISCUTE A QUESTO DA LIMITAO DOS JUROS EM 12% AO ANO (Emenda 40) SABEMOS QUE O DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL FOI REVOGADO.

JOSE LEVY DE PAULA MORAES, brasileiro, solteiro, estudante, inscrito no CPF com o n 625.284.753-49 e RG n 97002324086 SSP-CE, residente e domiciliado na Rua: Teodomiro de Castro, n 6588 Bairro: lvaro Wayne, Fortaleza-CE, CEP: 60.336-010, atravs de seus procuradores signatrios, com endereo constante no rodap desta, presena de V. Exa., propor AO DE NULIDADE DE CLUSULAS CONTRATUAIS ABUSIVAS COM PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA INAUDITA ALTERA PARS, com pedidos sucessivos (declaratrios, constitutivos/ desconstitutivos e condenatrios) pelo rito ordinrio, com pedido de tutela antecipada, em desfavor do BANCO BRADESCO FINANCIAMENTO S.A. pessoa jurdica de direito privado, com sede principal na Cidade de Osasco/SP, Nuc Cidade de Deus, 4 andar Pred Prata Vila Yara, CEP: 06.029-900, inscrito no CNPJ 07.207.996/0001-50, pelos motivos que passamos a aduzir:

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DA JUSTIA GRATUITA A Constituio Federal, em seu art. 5., inciso LXXIV, determina que o Estado prestar assistncia jurdica integral e gratuita aos que comprovarem insuficincia de recursos. A Carta Magna veda, assim, que o acesso do cidado justia seja cerceado por motivo de no suficincia de recursos. Em nosso ordenamento, o diploma legal que regula a assistncia jurdica aos necessitados a Lei n. 1.060, de 5 de fevereiro de 1950 Lei da Justia Gratuita. Nas formas do seu art. 2., pargrafo nico,

considera-se necessitado, para os fins legais, todo aquele cuja situao econmica no lhe permita pagar custa do processo e os honorrios de advogado, sem prejuzo do sustento prprio ou da famlia. E o art. 4. do mesmo diploma legal determina que, paragozar dos benefcios da justia gratuita, basta simples afirmao, na prpria inicial, de que no est em condies de arcar com a custa judicial sem que isso prejudique o sustento de sua famlia, presumindo-se jris tantum a veracidade de tal declarao.

Como se observar no decorrer dessa vestibular, a situao financeira do requerente imerso em dvidas sufocantes oriundas de contratos abusivas expressas notoriamente no poder o mesmo arcar com as custas processuais e os honorrios advocatcios sem que seu sustento e de sua famlia fique prejudicado. exatamente essa afirmao que o autor faz na presente, declarando-se necessitado na forma da Lei 1.060/50 e pleiteando, assim, a justia gratuita. O suplicante, estudante, em razo de fato por cujas consequncias a instituio r responsvel, e, no tendo como arcar com as custas e despesas relativas ao processo sem o comprometimento do seu sustento e famlia. Requer, pois, lhe seja concedido, o benefcio da assistncia judiciria gratuita, para cujo exerccio, como lhe faculta o art. 2 da Lei 1060 de 05/02/1950, indica o advogado Dr. Jos Wellington Coutinho Campelo, inscrito na OAB/CE sob o n. 6.441, o qual assinando a presente, declara aceitar o "munus" em apreo. De plausvel, seno vejamos: standard, Predita splica assaz

Ementa: CIVIL E PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. GRATUIDADE JUDICIRIA. - Para a obteno do benefcio da gratuidade judiciria, necessrio apenas,

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3em princpio, que a parte declare nos autos que no est em condies de arcar com as custas processuais, sendo dispensada a comprovao do estado de pobreza at prova em contrrio. Havendo prova de que a parte no dispe de meios para fazer face s despesas do processo sem prejuzo prprio ou de sua famlia, impe se a concesso do benefcio da Justia gratuita. - Agravo conhecido e provido (AGRAVO DE INSTRUMENTO COM PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO 2003.0004.5630-1/0 , 2 CMARA CVEL, Relator(a).: Des. ADEMAR MENDES BEZERRA, DJ EM 06-10-2009) gn

FATOS JURIDICAMENTE RELEVANTES A instituio r firmou com o autor Contrato de Financiamento Direto ao Consumidor, para aquisio de um veculo automotor, Marca VW/GOL 1.0, PLACA NUQ-9779-CE, ANO 2011/2011, COR CINZA, CHASSI 9BWAA05U0BT222946, RENAVAM 283022817, da importncia de R$ 34.900,00 em 60 prestaes de R$ 937,97 perfazendo o total absurdo de R$ 56.278,20 Ocorre Excelncia que, referida avena, ressumbra eivada de clusulas abusivas, desde a taxa anual de juros cobrada, assim como a forma de clculo capitalizada, consoante se v da Planilha Financeira em anexo, atestando cobrana de juros anuais discrepante do pactuado ao ms, ou seja, ao invs de se aplicar a taxa anual de 22,08% (juros simples) vem o Banco de aplicar a taxa anual de 24,45% (juros sobre juros/anatocismo), causando ponderveis prejuzos, aumentando consideravelmente o seu saldo devedor. Vejamos como abordou tema idntico o sbio desembargador FERNANDO LUIZ XIMENES ROCHA, nos autos da apelao n. 97985-80.2007.8.06.0001/1: Sucede que os flios no comprovam a existncia de clusula especfica prevendo a cobrana do encargo financeiro em tela (fls. 50- 50v), muito embora esta se verifique na prtica, porquanto taxa de juros mensais de 2,06% no corresponde a taxa anual de 24,72% (resultado da multiplicao da taxa mensal por 12 meses), mas sim percentual superior, equivalente a 27,72% ao ano (fl. 20).gn

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Outra, a cumulao da comisso de permanncia com correo monetria, juros remuneratrios e de mora, multa, honorrios e demais encargos moratrios previstos no contrato (clusula 7) so abusivos e ilegais, vedados pelo ordenamento jurdico ptrio. Todavia, a interpretao do aludido Contrato deve ser feita luz do Direito moderno, encontrando-se a soluo no atual Cdigo de Defesa do Consumidor, que assim dispe: "Captulo VI - Da proteo contratual SEO II - Das clusulas abusivas 1 Presume-se exagerada, entre outros casos, a vontade que: I - ofende os princpios fundamentais do sistema jurdico a que pertence; II - restringe direito ou obrigaes fundamentais inerentes natureza do contrato, de tal modo a ameaar seu objeto ou equilbrio contratual; III - se mostra excessivamente onerosa para o consumidor, considerando-se a natureza e contedo do contrato, o interesse das partes e outras circunstncias peculiares ao caso. 2 A nulidade de uma clusula contratual abusiva no invalida o contrato, exceto quando de sua ausncia, apesar dos esforos de integrao, decorrer nus excessivo a qualquer das partes. (sublinhei) De igual forma, j preceitua o Novo Cdigo Civil Ptrio em seu art. 122, in verbis: "So lcitas, em geral, todas as condies, no contrrias a lei, a ordem publica ou aos bons costumes. Entre as condies defesas se incluem as que privarem de todo o efeito o negcio jurdico, ou o sujeitarem ao arbtrio de uma das partes." Apontadas s normas legais que serviro de fundamento para a anulao de clusulas consideradas abusivas, desnecessria se torna a anlise dos contratos firmados serem de adeso, uma vez que para invocar a proteo contratual que a lei outorga basta a ocorrncia de "nus excessivo a qualquer das partes", no havendo no Cdigo de Defesa do Consumidor exigncia quanto ao tipo de contrato celebrado.

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Insurgimos em relao aos seguintes aspectos contratuais: cobrana abusiva e capitalizao de juros; cobrana abusiva de multa contratual; utilizao de expresses com falta de clareza nos contratos ferindo o disposto no art. 46 do CDC. Aderiram em tais contratos, taxas de juros capitalizados a cada perodo de trinta dias, alm de acrescidos em caso de mora, de juros moratrios de 1% a.m. e da famigerada comisso de permanncia "a taxa do mercado do dia do pagamento. (em aberto) No previu o contrato qualquer ndice de cobrana de encargos, para o caso de inadimplemento, deixando em aberto e de FORMA UNILATERAL o percentual a ser cobrado. Tpico, portanto, o contrato como sendo de adeso, sujeito, assim s regras bsicas do CDC, bem como a moderna doutrina da relatividade dos contratos, que afasta a dureza do princpio do pacta sunt servanda, dando lugar a formao da teoria da boa-f objetiva e da preservao da comutatividade dos laos contratuais. Diante de tais arbitrariedades, alarmou-se ao analisar a evoluo do respectivo financiamento, defrontando-se com os seguintes aspectos, assim escalonados: a) capitalizao com periodicidade mensal de juros; b) correo monetria cumulada com comisso de permanncia; c) juros moratrios e remuneratrios sem previso contratual Tais ilegalidades so consequncias exclusivas da conduta prfida e abusiva do requerido, conforme se constata. Todavia, infrutferas foram as tentativas para que se efetuasse a reviso dos valores, bem como o modo pelo qual cobrado a Correo Monetria cumulada com Comisso de Permanncia, sendo que tal reviso deveria ser feita desde o incio do financiamento.

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Das tentativas de acordo extrajudiciais o requerente conseguiu obter apenas respostas dbias e evasivas da parte adversa, em nada surtindo efeito, acarretando ao mesmo uma verdadeira penalidade, visto que, atualmente, encontra-se impossibilitada de saldar a dvida caracterizando-se como inadimplente; razo nica, que o levou a atrasar o pagamento do encargo mensal, cujos valores vinham desembolsando ilimitadamente. Efetuado Recalculo (de acordo com planilha elaborada) constatou o autor da presente que, os valores devidos, se revisados consoante os parmetros legais, que probem a ABUSIVIDADE DE CERTAS CLAUSULAS CONTRATUAIS, perfazem a quantia de R$ 20.051,45 (Vinte mil, cinquenta e um reais e quarenta e cinco centavos) em vez de R$ 35.642,86 (Trinta e cinco mil, seiscentos e quarenta e dois reais e oitenta e seis centavos) como pretendido pelo Banco Requerido. Logo, nada mais resta ao postulante, seno bater s portas do Poder Judicirio, para consignar em pagamento as prestaes obrigacionais (consignatrio, pelo rito especial, conexa), de forma revisionada, consoante os critrios apresentados nos autos desta Ao Revisional, respaldada em parmetros legais, objetivando a continuidade do pagamento do dbito e consequentemente decreto de extino da mora. Requer a Manuteno de Posse, pois, se os veculos no forem mantido na posse e junto ao patrimnio laborativo do autor imediatamente, a atividade desenvolvida, bem como a sua funo social, estaro seriamente comprometidas, podendo at mesmo manifestar-se um estado de insolvncia!, vista disso, invoca-se a tutela jurisdicional, face ao perigo iminente de leso ao seu patrimnio, que se no suprido "in oportune tempore", tornar-se- ineficaz a prestao jurisdicional, ferindo, desse modo, o princpio da boa-f, somando-se mcula da nulidade absoluta do contrato. DOS PRECEITOS LEGAIS AUTORIZADORES DA REVISO JUDICIAL DO CONTRATO ORA EM EXAME.

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que;

Preceitua o Cdigo Civil em seu artigo 421

A liberdade de contratar ser exercida em razo e nos limites da funo social do contratoComo Funo Social clausula geral, o juiz poder preencher os claros do que significa funo social, com valores jurdicos, sociais, econmicos e morais. A soluo ser dada diante do que se apresentar, no caso concreto, ao juiz. Neste contrato em espcie, manifesta-se uma unilateralidade no estabelecimento dos percentuais de encargos de mora, pois no existe previso no bojo destes limites nem valores especificados, no desarrazoada a pretenso de ver incidir a norma do art. 122 do Cdigo Civil. Na hiptese vertente h plena incidncia da regra estatuda no art. 122 do Cdigo Civil brasileiro: "So lcitas, em geral, todas as condies no contrrias lei, ordem publica ou aos bons costumes; entre as condies defesas se incluem as que privarem de todo efeito o negocio jurdico, ou o sujeitarem ao puro arbtrio de uma das partes". Logo, por tratar-se de ato ilcito, existem clusulas contratuais nulas de pleno direito e, outras, anulveis. Do cotejo das quaestio facti com as alegaes jurdicas ora expendidas que ir transparecer a ilegalidade, objeto de irresignao do postulante. DA LESO AO CONTRATO DE CUNHO ADESIVO Os dois grandes princpios embasadores do CDC so os do equilbrio entre as partes (no igualdade) e o da boa-f. Para a manuteno do equilbrio temos dispositivos que vedam a existncia de clusulas abusivas, por exemplo, o art. 51, IV, que veda a criao de obrigaes que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada. A definio de vantagem exagerada esta inserta no 1 do artigo supramencionado.

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Esta excessiva onerosidade, tratada no inc. III, diz respeito a uma verdadeira desproporo momentnea formao do contrato, como ocorre na clssica figura da leso, especialmente porque mencionado, no texto do CDC, a considerao s circunstncias peculiares ao caso (2). Dentro deste parmetro, a leso uma espcie da qual o gnero so as clusulas abusivas. Espcie to complexa que individualmente capaz de ensejar a reviso dos contratos. A clusula abusiva considerada nula, justamente por isto que no podemos falar em sua sanao, caracterstica da anulabilidade, devendo ser do contrato retirada. Aplica-se nesta situao o brocardo utile per inutile non vitiatur, o qual permite que se mantenha sadio o contrato em tudo aquilo que restar. A abusividade de uma clusula pode ser decretada pelo juiz ex officio, pois se trata de interesse de ordem pblica, no sendo suscetvel de prescrio. A disposio do art. 51 do CDC no deixa dvidas quando cominao de nulidade (de pleno direito), s clusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e servios que: (...) IV - estabeleam obrigaes consideradas

inquas, abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, ou sejam incompatveis com a boa-f ou a equidade; (...).Na mesma linha segue o esclio do sempre preciso PONTESDE MIRANDA: "No sistema jurdico do CPC/73, tal como antes, h distino que est base da teoria das nulidades: nulidades cominadas, isto nulidades derivadas da incidncia de regra jurdica em que se disse, explicitamente, que, ocorrendo a infrao da regra jurdica processual, a sano seria a nulidade (...) Nulidade cominada, pois, vem a ser aquela decorrente de infrao regra, onde, expressamente foi prevista como consequncia.

A abusividade de uma clusula detectada pela anlise do contedo contratual, luz da boa-f, sob o ponto de vista objetivo. Vale transcrever os ensinamentos de CLUDIA LIMA MARQUES: "Na viso tradicional, a fora obrigatria do contrato teria seu fundamento na vontade das partes... A nova concepo de contrato destaca, ao contrrio, o papel da lei... Aos juzes agora permitido um controle do contedo do contrato. (...) Assim tambmAvenida da Universidade, 2365 Benfica Fortaleza (CE) CEP: 60.020-180 Fone: 85-3032-7672 e 3023-7975

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a vontade das partes no mais a nica fonte de interpretao que possuem os juzes para interpretar um instrumento contratual. A evoluo doutrinria do direito dos contratos j pleiteava uma interpretao teleolgica do contrato, um respeito maior pelos interesses sociais envolvidos, pelas expectativas legtimas das partes, especialmente das partes que s tiveram a liberdade de aderir ou no aos termos pr-elaborados. A atuao do juiz nesta situao deve seguir o disposto no art. 51, 2, do CDC, ou seja, ele dever procurar utilizar-se de uma interpretao integradora da parte saudvel do contrato. Tal exegese ser norteada pelo princpio da boa-f como norma de conduta. Aqui no existe uma vinculao, ou uma busca, da vontade das partes, e, sim, objetivamente, procura-se aquilo que se pode esperar como ideal dentro de um ajuste similar. O EQUILBRIO CONTRATUAL, QUE DEVER SER ASSEGURADO ATRAVS DO PRESENTE PEDIDO DE TUTELA JURISDICIONAL (REVISO). A concepo de contrato, modernamente, uma concepo social, em que avultam em importncia os efeitos do contrato na sociedade e onde so levadas em considerao mais as condies sociais e econmicas das pessoas nele envolvidas do que o momento da manifestao de vontades. procura do equilbrio contratual, a vontade manifestada pelos contratantes perde sua condio de elemento fundamental do ajuste para dar lugar a um elemento estranho s partes, mas bsico para a sociedade como um todo: o interesse social. Merece destaque a reflexo feita pelo Exmo. Sr. Min. MARCO AURLIO, do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao relatar a AOE 13-0-DF, publicada na ADV JUR 1993, p. 290: "Como julgador, a primeira coisa que fao, ao defrontar-me com uma controvrsia, idealizar a soluo mais justa de acordo com a minha formao humanstica, para o caso concreto. Somente aps recorro legislao, ordem jurdica, objetivando encontrar o indispensvel apoio". Como j asseverado amplamente na exordial, trata-se de contrato de adeso com clusulas leoninas,

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mais a caracterizao de usura e anatocismo. Logo, para o restabelecimento do equilbrio contratual, deve sofrer o pacto a reviso judicial, inclusive, para que se tenha certeza jurdica, quanto s efetivas prestaes obrigacionais, se que existentes e diga-se mais, se que o suposto dbito no inverso. DAS CLUSULAS NULAS E ABUSIVAS IMPOSTAS AO AUTORCONSUMIDOR NO CONTRATO DE ADESO.DA VEDAO DA CUMULAO DA COMISSO DE PERMANENCIA COM JUROS MORATRIOS OU MULTA CONTRATUAL; ESTIPTLUAO EM ABERTO. cedio em nosso ordenamento que em face dos dispositivos contidos nos arts. 6 e 51 do CDC as clusulas contratuais no podem se constituir como prestaes desproporcionais, que estabeleam obrigaes inquas, de modo a se tornarem excessivamente onerosas ao devedor, impondo a sua nulidade. No contrato objeto da lide, est previsto a cumulao da comisso de permanncia, acrescida com juros de mora estipulados em aberto e multa de 2% (dois por cento) sobre o montante. Com efeito, tal cumulao no permitida em razo do veto contido na Resoluo n 1.129/86 - BACEN, que editou deciso do Conselho Monetrio Nacional, proferida com suporte na Lei n 4.595/64. O tema j foi pacificado pelo col. STJ, verbis:

"PROCESSUAL

CIVIL E COMERCIAL. AGRAVO NO AGRAVO DE INSTRUMENTO.COMISSO DE PERMANNCIA.CUMULAO. NO VLIDA COMISSO DE PERMANNCIA QUANDO CUMULADA COM CORREO MONETRIA, JUROS MORATRIOS OU MULTA CONTRATUAL. PRECEDENTES. (AGRG NO AGI N 436.301-RS,TERCEIRA TURMA, REL. MINISTRA NANCY ANDRIGHI, UNNIME)"Em suma, referida clusula contratual deve ser anulada por sua ilicitude, ensejando a excluso da comisso de permanncia, quando prevista concomitantemente com juros de mora e multa (Resp 400984-RS, Quarta Turma, Rel. Min. Aldir Passarinho, unnime).

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Como se no bastasse, previu que o pacto, em outras palavras, que a comisso de permanncia ser calculada dia a dia com base na taxa de juros que a instituio estiver praticando. Ou seja, imps a chamada "taxa em aberto", sendo manifestamente ilegal, uma vez que se apresenta como condio potestativa, ao que prescreve o art.115 do Cdigo Civil, ipsis litteris:

"Art.115. So lcitas, em geral, todas as condies, que a lei no vedar expressamente. Entre as condies defesas se incluem as que privarem de todo efeito o ato, ou sujeitarem ao arbtrio de uma das partes."EMENTA - DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AO MONITRIA. CONTRATO DE ABERTURA DE CRDITO EM CONTA CORRENTE. COMISSO DE PERMANNCIA ESTIPULADA EM ABERTO. ARBITRARIEDADE E ABUSIVIDADE. AFRONTA AO ART. 115 DO CC. FIXAO DE HONORRIOS. APLICAO DO ART. 20, pargrafo 4, DO CPC. POSSIBILIDADE. 1 - pacfica a jurisprudncia no sentido de que no possvel a previso da referida comisso de permanncia com taxa em aberto, a ser definida pelo mercado financeiro, como na hiptese em julgamento, uma vez que tal estipulao traduz uma condio potestativa, vedada por nosso ordenamento jurdico, conforme o disposto no art. 115, do Cdigo Civil, que preleciona serem defesas todas as condies que privarem de todo efeito o ato, ou o sujeitarem ao arbtrio de uma das partes. 2 - perfeitamente possvel a aplicao do art. 20, pargrafo 4, do CPC, no rito especial monitrio, se acolhidos os embargos, ainda que parcialmente, eis que sua natureza no condenatria. (APC 7752/2000-DF, 3 Turma Cvel, rel. Des. VASQUEZ CRUXN, unnime)

Por consequncia, a regra potestativa imposta na clusula tambm deve ser declarada nula. O pacto no previu a cumulao de comisso de permanncia com a correo monetria, o que tambm vedado pela Smula 30 do STJ.DA VEDAO DO ANATOCISMO

Verifica-se tambm que no contrato NO EST EXPRESSAMENTE PREVISTA a contagem de juros sobre juros, caso em que no pode ser aplicada a famigerada MP 1.963-

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17/2000 de 31/3/2000, pois, no est expressamente pactuada a mal fadada cobrana. A Medida Provisria 1.963-17, de 30 de maro de 2000, atualmente reeditada sob o nmero 2.170-36, de 23 de agosto de 2001, em seu artigo 5 (acompanhar Adin 2316), criou uma celeuma a respeito da capitalizao dos juros que, at ento, seguindo a regra geral, somente poderiam ser capitalizados anualmente nas hipteses definidas no artigo 4 do Decreto 22.626/33. Fora dessa situao, apenas se admitia a capitalizao semestral dos juros nos crditos rurais (Decreto-lei 167/67), industriais (Decreto-lei 413/69) e comerciais (Lei 6.840/80). Entretanto, o novo Cdigo Civil, que posterior referida norma, em seu artigo 591, somente permitiu a capitalizao anual dos juros. Assim, seguindo a regra da Lei de Introduo ao Cdigo Civil, de que a lei posterior revoga a anterior quando for com ela incompatvel, de se reconhecer a revogao do artigo 5 da citada MP, no surtindo atualmente qualquer efeito, ressalvados, claro, os crditos rurais, industriais e comerciais que continuam com sua disciplina prpria e especfica. Ressalte-se que o artigo 28, 1, I, da Lei 10.931, de 02 de agosto de 2004, que permite a capitalizao dos juros nas cdulas de crdito bancrio em geral, deve ser interpretado em consonncia com o novo Cdigo Civil, somente se permitindo, nessa hiptese, a capitalizao anual, porquanto referida Lei apenas ressalvou que poder ser contratada a capitalizao de juros e sua periodicidade, sendo certo que a periodicidade j estava regulada na Lei de Usura (Decreto 22.626/33) e, agora, est disciplinada no novo Estatuto Civil (anual, portanto). Por outro lado, ficou um perodo legislativo entre a edio da MP em questo e o advento do novo Cdigo Civil. Ocorre, no entanto, que o artigo 5 da referida Medida Provisria, no perodo em discusso, somente se aplica s operaes realizadas pelas instituies financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional relativas administrao de recursos de caixa (conta nica) do Tesouro Nacional.

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Portanto, o disposto no artigo 5 da Medida Provisria em questo somente permite a capitalizao dos juros nas operaes disciplinadas nessa prpria norma (administrao dos recursos do Tesouro Nacional), sob pena de vir de encontro ao regramento da mencionada Lei Complementar, que veio cumprir um mandamento constitucional. Ao seu turno, mesmo se assim no fora, aps o advento do novo Cdigo Civil, conforme visto, apenas se cogita de capitalizao anual nos mtuos em geral, salvo casos especficos (crditos rurais, industriais e comerciais). DA CORREO MONETRIA No prevendo o contrato expressamente um indexador para o clculo da correo monetria, prevalece o INPC, ndice Nacional de Preos ao Consumidor, por melhor refletir a realidade inflacionria. DA MORA Na hiptese dos autos, visa a parte autora, a reviso de clusulas abusivas, resultando em exigncia excessiva de pagamento, que levar diminuio do valor das prestaes, no estando em mora, segundo o art. 963 do Cdigo Civil:

"Art. 963. No havendo fato ou omisso imputvel ao devedor, no incorre este em mora".decidido, vejamos: O col. Superior Tribunal de Justia assim tem

"(...) 4. A cobrana de valores excessivos nos contratos, segundo

jurisprudncia firmada pela 2 Seo, afasta a mora do devedor, no sendo cobrvel a multa respectiva. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.(Resp 323172/RS, Terceira Turma, rel (. Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, unnime).

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A questo, como citada no v. Acrdo acima, foi pacificada pela 2 Seo, em Embargos de Divergncia em sede de Recurso Especial, cujo voto condutor do eminente Ministro RUY ROSADO DE AGUIAR, relator designado, no ERESP 163884/RS, merece ser transcrito, pois elucidador do tema, remdio e antdoto para os que sofrem de miopia jurdica, verbis:

(...) A mora somente existe, no sistema brasileiro, se houver fato imputvel ao devedor, conforme reza o art. 963 do CCivil, isto , se a falta da prestao puder ser debitada ao devedor. Se o credor exige o pagamento com correo monetria calculada por ndices imprprios, com juros acima do permitido, capitalizao mensal, o devedor pode no ter condies de efetuar o pagamento do que se lhe exige, e fica frustrada a oportunidade de purgar a mora. A exigncia indevida ato do credor, causa da falta de pagamento, que por isso no pode ser imputada ao devedor, nos termos do art. 963 acima citado. Por isso, mantenho o entendimento da egrgia Terceira Turma: 'Se o banco pretendia mais do que tinha direito, essa atitude constitui obstculo ao pagamento. E no estava obrigado o devedor a ajuizar consignatria, que constitui direito seu, mas no dever. A atitude contrria ao direito era do credor'.(...)".No caso em tela, manifesta a capitalizao mensal de juros, a comisso de permanncia em aberto etc. Da porque, no se pode cogitar por ora, em mora do devedor, como obstculo concesso da antecipao dos efeitos da tutela. Assim, se o credor cobra do devedor quantias estratosfricas, por exemplo, no teria direito o devedor, caso quisesse, a consignar parcelas que entende devidas, porque estaria em mora? claro que no. A lio do nobre Ministro serve para muitos assimilarem a interpretao contempornea do dispositivo de direito material. CONCLUSES. Aps a sinttica discriminao dos contornos atuais dos juros, e em sede conclusiva, resta apresentar a

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importncia de uma correta aplicao do instituto, mxime em se tratando de uma economia potencialmente em estabilizao. Admitir que sejam utilizadas as elevadas taxas que as instituies financeiras esto fazendo incidir sobre os contratos de financiamento, alm de ilegal (face aos preceitos analisados) e anulvel, servir de conduta geradora de ilcito perfeitamente reparvel e com fundamento no art. 1.531 do Cdigo Civil e o CDC (arts. 39 e 51). Est autorizada, at mesmo, a reviso das clusulas pactuadas. Abusivamente, conformando-as realidade pelo desaparecimento das circunstncias objetivas que conferiam suporte relao jurdica de equivalncia (teoria da impreviso). Assim que o Judicirio deve aplicar as regras jurdicas corretamente interpretadas em sua teleologia e no contexto social inserido, alheio aos azares do Poder Executivo e aos temores de uma sociedade viciada na ciranda financeira de usura. As empresas, ao contrrio do que entende o Prof. FBIO KONDER COMPARATO (33) tm uma funo social a cumprir, aliadas produo e seus consectrios de projeo na sociedade. Contudo, a especulao disfarada obliquamente nos juros, defendida por muitos doutrinadores e julgadores, o perfeito reconhecimento de converso do capital produtivo em capital exclusivamente especulativo, causando a quebra da atividade produtiva. DA PREMENTE NECESSIDADE DE ANTECIPAO PARCIAL DOS EFEITOS DA TUTELA JURISDICIONAL. Quais os efeitos do presente pedido de tutela jurisdicional que pretende a autora seja objeto de antecipao parcial? So justamente aqueles inerentes POSSE DOS VECULOS objeto dos contratos ora revisados .

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que a parte adversa poder ingressar com ao especfica, obtendo liminar no sentido da reintegrao de posse ou busca e apreenso do veculo (periculum in mora, ou perigo de supervenincia de danos de dificlima ou impossvel reparao). A verossimilhana do direito invocado, ou fumus boni juris da Teoria Geral das Cautelares, pode ser encontrada no conjunto das alegaes efetuadas pela autora para a reviso do pacto, sobretudo no que pertine existncia de clusulas abusivas, leoninas e inconstitucionais.O fumus boni iuris, so afirmaes feitas pelas partes que possuam fundamentos jurdicos que levam a acreditar serem verdadeiros e, neste caso, decorre dos argumentos expendidos na inicial em conjugando-os com os fundamentos esposados acima e, em especial, a aplicao dos preceitos contidos no Cdigo de Defesa do Consumidor, de carter pblico, possibilidade do hipossuficiente /consumidor discutir reviso do contrato, preveno de danos, facilitao de defesa e a salutar regra nsita no art. 83 do CDC e ainda mais o disposto no art. 5, XXV, da CF/88 "a lei no excluir da apreciao do Poder Judicirio leso ou ameaa a direito." CNDIDO RANGEL DINAMARCO, cuja autoridade como maior cientista do direito processual civil brasileiro ningum pode colocar em dvida, preleciona que: " convencer-se da verossimilhana (fumus boni juris), no poderia significar mais do que imbuir-se do sentimento de que a realidade ftica pode ser como a descreve o autor" (41).

A doutrina hoje pacfica, no sendo mais cambaleante sobre o tema, j deixou externado que "analisa-se situao do autor e exclusivamente ela, para, em razo dos fatores objetivos, se concluir pela necessidade ou no da antecipao e essa necessidade s se verificar quando houver o fundado receio de que os danos ocorrero. Veja, Exa., que inexiste perigo de irreversibilidade da medida, posto que poder a autora ficar como fiel depositria do bem. Tratando-se de tutela antecipatria urgente, deve ser possvel o sacrifcio, ainda que de forma irreversvel, de um direito que parea improvvel em benefcio de outro que parea provvel. Do contrrio, o direito que tem maior probabilidade de ser. Definitivamente reconhecido poder ser irreversivelmente prejudicado. Em resumo, se no h outro modo para evitar um prejuzo irreparvel a um direito que se apresenta como provvel, deve-se admitir que o juiz possa provocar um prejuzo irreparvel ao

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direito que lhe parece improvvel. Nestes casos deve ocorrer a ponderao dos bens jurdicos em jogo, aplicando-se o princpio da proporcionalidade, pois quanto maior for o valor jurdico do bem a ser sacrificado, tanto maior dever ser a probabilidade da existncia do direito que justificar o seu sacrifcio. O juiz poder, a qualquer tempo, revogar ou modificar, em deciso fundamentada, a tutela antecipada. De qualquer modo, haja ou no liminar, prosseguir o feito at final julgamento. DOS BANCOS DE DADO DE CONSUMO Requer, ainda a ttulo de antecipao de tutela, seja deferida liminar, inaudita altera pars, para o fim de obstar a inscrio da empresa requerente, e dos avalistas do contrato, nos rgos de proteo de crdito, ou, acaso j tenha efetuado o cadastro, o retire, sob pena de multa diria. No ofende direito do credor a concesso de liminar obstativa da inscrio do nome da agravante em banco de dados de consumo enquanto pendente demanda que tenham por objeto a definio da existncia do dbito ou seu montante. Sobre a matria, extraia-se da revista eletrnica Juris Plenum ; AO REVISIONAL CONTRATUAL. INSCRIO. RGOS DE PROTEO AO CRDITO. A inscrio do nome dos devedores junto aos rgos de proteo ao crdito causa dano de difcil reparao, por isso que no procedente tal inscrio especialmente quando est em reviso o contrato que a originou. Portanto, presente o risco de dano irreparvel ou de difcil reparao, decorrente da limitao ao crdito e, por via de consequncia um aumento de sua dificuldade de capitalizar-se e manter as suas prprias atividades. J a verossimilhana do direito decorre da grande probabilidade de que

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a parte autora obtenha sucesso em sua pretenso, o que real, em vista da jurisprudncia predominante em nosso tribunal. Assim, requer, nos termos do art. 273 do CPC, seja deferida liminar, inaudita altera pars, para o fim de impedir parte autora efetue o registro do nome da requerente e dos avalistas nos contratos junto aos rgos de proteo de crdito, ou acaso j o tenha feito cancelo os registros, sob pena de multa diria pelo descumprimento. (1)- possvel a cumulao entre revisional de contrato e consignao em pagamento, uma vez adotado o rito ordinrio pelo autor. Inteligncia do art. 292, 2., do CPC. (2)- Cabvel a tutela antecipatria para fins de determinar o depsito das parcelas contratuais em valor que o demandante entende devido, ainda que inferior ao efetivamente pactuado com a instituio financeira, porquanto a consignao no se reveste de carter liberatrio, no advindo disso qualquer prejuzo ao credor. Se, eventualmente, na sentena, encontrar-se diferena, em favor do credor, este poder execut-la, somando-se lhe juros de mora e correo monetria. (3)- O depsito das parcelas impede a constituio em mora do devedor, bem como o ajuizamento de aes que o compilam devoluo do bem financiado. (4) - Consoante entendimento firmado pelo STJ, nas causas de reviso de contrato, por abusividade de suas clusulas, cabe conceder-se antecipao de tutela ou medida cautelar para impedir a inscrio do nome do devedor no SERASA/SPC, quando o autor deposite o valor relativo ao montante incontroverso, ou preste cauo idnea, ao prudente arbtrio do juiz. (5) - No caso, o prprio automvel sub judice serve de cauo para eventual diferena em favor do credor fiducirio, pois a carta de desalienao somente poder ser entregue ao devedor quando a situao contratual estiver definida por fora do trnsito em julgado da sentena da revisional. julgados, vem Com efeito, o STJ, em seus mais recentes admitindo tal medida condicionando-a ao

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aperfeioamento de alguns requisitos, especificados no precedente abaixo transcrito, in verbis: Ementa: CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAl. AO REVISIONAL DE CLUSULAS CONTRATUAIS. INSCRIO EM CADASTRO DE INADIMPLENTES. PEDIDO DE ANTECIPAO DE TUTELA PARA CANCELAMENTO DE REGISTRO EM CADASTROS DE PROTEO AO CRDITO. ART. 535, II, CPC. INOCORRNCIA DE VIOLAO. SMULAS 282 E 356 DO STF. SMULA 211 DO STJ. INCIDNCIA. 1. omissis. 2. omissis. 3. omissis. 4. Conforme orientao da Segunda Seo desta Corte, nas aes revisionais de clusulas contratuais, no cabe a concesso de tutela antecipada para impedir o registro de inadimplentes nos cadastros de proteo ao crdito, salvo nos casos em que o devedor, demonstrando efetivamente que a contestao do dbito se funda em bom direito, deposite o valor correspondente parte reconhecida do dbito, ou preste cauo idnea, ao prudente arbtrio do magistrado. Precedentes: REsps. 527.618-RS, 557.148-SP, 541.851-SP, Rel. Min. CESAR ASFOR ROCHA; REsp. 610.063-PE, Rel. Min. FERNANDO GONALVES; REsp. 486.064-SP, Rel. Min. HUMBERTO GOMES DE BARROS). 5. omissis. 6. Recurso no conhecido (RESP 522282/SP; Relator(a): Ministro JORGE SCARTEZZINI, rgo Julgador: T4 QUARTA TURMA, Data do Julgamento: 23/11/2004, Data da Publicao/Fonte: DJ 17.12.2004) O depsito das parcelas em quantia ainda que inferior ao efetivamente pactuado entre as partes, j que a importncia definitiva do dbito somente ser conhecida quando da prolao da sentena, alm do que consoante entendimento do STJ -"A insuficincia do depsito permite o reconhecimento de procedncia, em parte, da ao de consignao, liberados os devedores do que foi depositado e reconhecido o crdito do credor, que pode ser executado nos autos (art. 899, 2., do CPC)". (4. T, RESP 194530/SC, Rel Min. Ruy Rosado, DJ 17.12.1999). Assim, mesmo que o valor ofertado em depsito pelo autor na ao revisional, seja menor que o devido, no haver qualquer prejuzo ao credor, posto no revestir aludida prestao carter liberatrio. Seguindo a esteira deste entendimento, o eg. TJDFT assim disps - "HavendoAvenida da Universidade, 2365 Benfica Fortaleza (CE) CEP: 60.020-180 Fone: 85-3032-7672 e 3023-7975

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questionamento sobre o valor das prestaes, nada impede o depsito conforme os clculos apresentados, o que, por si, no importa em quitao, desde que sua exatido com o ajuste ser averiguada na sentena" - (ACRDO: 165745 RGO JULGADOR: 4a Turma Cvel, RELATOR: ESTEVAM MAIA, PUBLICAO: DJ: 11/12/2002). Tribunal, ipsis litteris: Noutro julgado, assim ementou o mesmo

"Admite-se o depsito das parcelas vencidas e vincendas no curso da ao de reviso de clusulas contratuais uma vez que, tramitando sob o rito ordinrio, e constatado que o montante consignado inferior ao valor total da dvida, no ter o depsito fora liberatria, no trazendo, portanto, qualquer prejuzo ao credor. Precedentes do colendo STJ e desta egrgia Corte de Justia". (TJDFT, QUARTA TURMA CVEL - AGI 2005 00 2 0001619,Relator(a) Des.: HUMBERTO ADJUTO ULHOA, j.: 11 de abril de 2005) O prprio STJ j encampou a orientao aqui adotada, como se constata abaixo: "Nas aes em que o autor pretenda revisar o valor da prestao devida, cabvel o pedido de tutela antecipada que tenha por escopo o pagamento ao credor das parcelas vincendas, porque busca antecipar efeito da sentena de procedncia, qual seja, o de autorizar o pagamento ao credor nas condies em que, desde j, o autor se prope a cumprir". (STJ, 3. Turma, RESP 382904/PR, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJ: 21.10.2002) EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRATO DE FINANCIAMENTO PARA AQUISIO DE VECULO. AO REVISIONAL C/C CONSIGNAO EM PAGAMENTO.SERASA/SPC. EXCLUSO DO CADASTRO. (1)- possvel a cumulao entre revisional de contrato e consignao em pagamento, uma vez adotado o rito ordinrio pelo autor. Inteligncia do art. 292, 2., do CPC. (2)- Cabvel a tutela antecipatria para fins de determinar o depsito das parcelas contratuais em valor que o demandante entende devido, ainda que inferior ao efetivamente pactuado com a instituio financeira, porquanto a consignao no

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se reveste de carter liberatrio, no advindo disso qualquer prejuzo ao credor. Se, eventualmente, na sentena, encontrar-se diferena, em favor do credor, este poder execut-la, somando-selhe juros de mora e correo monetria. (3)- O depsito das parcelas impede a constituio em mora do devedor, bem como o ajuizamento de aes que o compilam devoluo do bem financiado. (4) - Consoante entendimento firmado pelo STJ, nas causas de reviso de contrato, por abusividade de suas clusulas, cabe conceder-se antecipao de tutela ou medida cautelar para impedir a inscrio do nome do devedor no SERASA/SPC, quando o autor deposite o valor relativo ao montante incontroverso, ou preste cauo idnea, ao prudente arbtrio do juiz. (5) - No caso, o prprio automvel sub judice serve de cauo para eventual diferena em favor do credor fiducirio, pois a carta de desalienao somente poder ser entregue ao devedor quando a situao contratual estiver definida por fora do trnsito em julgado da sentena da revisional. DO PEDIDO Ante o exposto e com base na fundamentao legal e jurdica retro expendida, tudo combinado com o art.273 do CPC, requer a Vossa Excelncia o seguinte: a) A citao do ru, na pessoa de seu representante legal, para, querendo, contestar a presente ao, sob pena de lhe serem imputados os efeitos previstos no art. 319 do CPC; b) CONSIGNAO DOS PAGAMENTOS: medida liminar para que o Autor deposite mensalmente em juzo o valor realmente devido de R$ 527,67 (Quinhentos e vinte sete reais e sessenta e sete centavos), nas mesmas datas originalmente pactuadas no contrato, a partir da parcela de n. 23 at a ltima de n. 60. c) Que a R suspenda qualquer ao de busca e apreenso eventualmente proposta em face da parte autora, que tenha por objeto qualquer um dos fundamentos fticos e jurdicos debatidos e combatidos nessa ao, e,

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concomitantemente, seja deferido parte Autoral a Manuteno Judicial da Posse do bem em apreo; d) Oficiar ao Setor de Distribuio deste Frum para distribuir qualquer ao judicial promovida pelo Ru em que figure como acionado o Promovente; e) Que o Banco demandado se abstenha de encaminhar o CPF/MF da parte requerente SERASA, SPC, SCI, CENTRAL DE RISCO DE CRDITO DO BANCO CENTRAL e congnere, em restries comerciais/financeiras, por dbito proveniente do contrato em apreo.

Deferidos os pedidos antecipatrios, requer:f) Que, na forma do art. 461, pargrafo 4 do CPC, seja cominada a pena de multa de R$ 300,00 (trezentos reais) dirios a serem pagos ao requerente em caso de descumprimento da ordem judicial, eventualmente havidos durante a discusso judicial. g) Na hiptese de contestao pelo Requerido da Planilha Financeira anexa, seja determinada, s expensas do Ru, a realizao de todos os clculos, diligncias e percias ex vi legis na inverso do nus probatrio, consoante determina o Art. 6,VIII, do Cdigo de Defesa do Consumidor. h) A condenao do demandado nas custas judicial e honorria advocatcia, estes na base de 20% sobre o valor da causa; i) A admisso dos documentos anexos como meio de prova pr-constituda, assim como protesta por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial a documental, ajuntada posterior de documentos, o depoimento pessoal do representante do ru e quaisquer outras providncias que Vossa Excelncia entender necessrias ao deslinde da presente ao, ficando tudo desde j requerido; procedncia da j) Requerendo ainda ao final, a total presente ao revisional para que sejam

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definitivamente anuladas as clusulas contratuais de todo o contrato que importem em: a) CAPITALIZAO DE JUROS por inexistncia de permisso legal; b) COMISSO DE PERMANNCIA, por ofensa ao sistema protetivo; c) INAPLICABILIDADE CONSUMIDOR; DO CDIGO DE DEFESA DO

d) JUROS REMUNERATRIOS, face se impresso, para conferncia acesse o site nova concepo social do contrato cuja dimenso alberga a institucionalizao da defesa do consumidor, haja vista configurar-se a abusividade e a lesividade no contrato revisando, consoante o disposto no artigo 51, inciso IV, do Cdigo de Defesa do Consumidor; e) que o contrato seja recalculado, passando a observar taxa mensal de juros adotada no contrato em regime DE JUROS SIMPLES, PELO SISTEMA DE AMORTIZAO CONSTANTE. Com atualizao monetria com base da TAXA SELIC, devolvendose tudo o que o ru pagou, em dobro, de acordo com a lei, devendo douto Juzo, na forma do art. 461, pargrafo 1 do CPC, converter a Obrigao de Fazer em Perdas e Danos a serem apuradas na fase instrutria e oportunamente liquidadas a ttulo de repetio de indbito e demais consequncias pelo descumprimento do Contrato de que se trata. f) Protesta pela produo de todos os meios de provas em direito admissveis, principalmente percia tcnica contbil. Dar-se--causa o valor de R$ 34.900,00. Nestes termos, Pede deferimento. Fortaleza (CE), 19 de abril de 2013. Dr. WELLINGTON CAMPELO OAB/CE 6.441

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