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Apostila Citologia 2011 Copy

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Prefcio Citologia a cincia que estuda clulas esfoliadas, naturalmente ou arti-ficialmente,comointudodefornecerinformaessobreahigidezouestado patolgico de um rgo ou tecido. No nosso caso o enfoque principal o colo uterino. Segundo o Ministrio da Sade, o exame citolgico deve ser realizado em mulheres de 25 a 60 anos de idade, uma vez por ano e, aps dois examesa-nuais consecutivos negativos, a cada trs anos (Caderno de Ateno Bsica ControledosCnceresdoColodoteroedaMama,MinistriodaSade, 2006) Estatsticas recentes demonstram que o cncer de colo a neoplasia ma-ligna que mais incide no sexo feminino em vrias regies do Brasil e pesquisas realizadas pelo IBOPE - INCA (2004), mostram que cerca de 31 % das mulhe-resnaregiosudestejamaissubmeteram-seaexamedecitologiacervical. Este nmero alcana 42% das mulheres na regio nordeste. Nmeros realmen-teassustadores,que colocamnossopasentreas maioresincidnciadocn-cer de colo do tero. Diante desse quadro, polticas pblicas que visam a sade da mulher vm sendo desenvolvidas a fim de facilitar o acesso aos examesde citologia cervi-cal e o Farmacutico especialista em Citopatologia pea fundamental para o auxilio diagnstico de tais enfermidades. CAPTULO ANATOMIA E HISTOLOGIA GENITAL FEMININO O tero um rgo fibromuscular, mpar, oco, em forma de pra invertida, localizado no plano sagital mediano da cavidade plvica. Anexo ao tero locali-zam-se as tubas uterinas na regio mais abaulada (cranial) e continua-se, infe-riormente, com a vagina. Apresenta paredes espessas, formadas principalmen-teporfibrasmusculareslisas(miomtrio),sendoaparteinternarevestidapor mucosa (endomtrio) e a externa pelo peritnio (Figura 1.1). Aaberturadoterona vagina chamada de stio do tero.Aregioemformade cpuladocorpouterinoacima eentreosstiostubrioso fundodotero.Acavidade uterinatemcomprimentode6 a7cm.Abaixo,acavidade uterina se estreita na regio do istmoealarga-seligeiramente juntoaocolodotero. Figura 1.1 Anatomia Genital Femino O corpo do tero tem uma cavidade virtual (cavidade do tero), de forma triangular,queseafunilagradualmentemedidaqueseaproximadoistmo. Em seco sagital dessa cavidade observa-se o estreitamento dessa regio em virtudedasparedesuterinasanterioreposteriorestaremquaseemcontato. O istmo do tero, uma poro estreita que tem cerca de 1 cm ou menos de comprimento. Essa pequena regio mal delimitada e se situa entre o colo e o corpo do tero. O colo do tero estende-se pstero-inferiormente e apresenta formacilndrica,com comprimentovarivelentre2,5 e3cm. Em suaextremi-dadesuperiortemcontinuidadecomoistmodotero.Aextremidadeinferior, cnica,termina fazendoprotrusonaporosuperiordavagina(porovagi-nal do colo). A superfcie interna do canal cervical (endocrvice) revestida por epitlio cilndrico simples (colunar), que contm pequenas glndulas responsveis pela secreodomucocervical.umepitliodelgadoesensvelaagressesex- CAP 1 ternas. J a superfcie externa do colo uterino (ectocervice) revestida por epi-tliopavimentosoestratificadonoqueratinizado(escamoso),sendomaisre-sistente s agresses e idntico ao epitlio que forma a mucosa vaginal. Pos-sui quatro camadas: basal, parabasal, intermediria e superficial.A juno escamo-colunar (JEC) a unio entre o epitlio cilndrico sim-ples endocervical e o epitlio escamoso ectocervical. Nem sempre esta juno histolgicaencontra-secoincidentecomolimiteanatmicoentrearegioen-docervicaleectocervical,podendohavervariaesdependentesdafaixaet-ria,daparidade,dosnveishormonais,detraumatismosedeinfeces.Por exemplo,namenopausa(quandohbaixosnveisdeestrognio)aJECcos-tuma estar dentro do canal cervical; na gestao (com altos nveis hormonais) frequente encontrar-se a juno para fora do limite anatmico do orifcio ex-ternodocolouterino.Emprocessosinflamatrioscervicaiseduranteusode hormnios,tambmencontramosaJEGexteriorizada.Destaforma,entende-mosporqueaectocervicenemsempresinnimodeepitlioescamosoea endocrvice de epitlio colunar. 1.1.EPITLIOPAVIMENTOSOESTRATIFICADODOTIPONOQUERATI-NIZADO A ectocrvix,geralmente est recobertapor um epitlio escamoso estratifi-cadono-queratinizadoricoemglicognio,constitudopormltiplas(15-20) camadas declulas(figura1.2a eb).A arquitetura histolgicadoepitlio es-camoso do colo uterino revela quatro camadas distintas: CAP 1 Zonabasal:Regioconstituda porclulas arredondadascomgrandes ncleos grandes de colorao escura e citoplasma escasso. Essas clu-lasrepresentamaprincipalreadeatividademittica,permitindoare-novao do epitlio a cada 4 dias, em mdia. A membrana basal separa oepitlio doestromasubjacente. Asclulasbasaissedividem ematu-ram para formar as prximas camadas denominadas de clulas paraba-sais. ZonaParabasal:Situada acimadazonabasal,quetambm apresenta clulascomncleosrelativamentegrandesdecoloraoescuraecito-plasma basfilo de colorao azul-esverdeada. Uma maior diferenciao e maturao destas clulas conduz s camadas intermedirias de clu-las. Zonaintermediria:Constitudaporvriascamadasdeclulaspoligo-nais com citoplasma abundante e pequenos ncleos arredondados, que apresentamvolumeprogressivamentemaiormedidaqueseaproxi-mam da superfcie epitelial. Os ncleos so de forma esfrica e apresen-tamcromatinanuclearfinamentegranular.Ocitoplasmabasoflicoe contmglicognio.Sounidaspordesmossomos,descamandodefor-ma agrupada. Zona Superficial: A camada superficial composta por clulas maiores encontradas no final da maturao do epitlio escamoso. Nas camadas mais superficiais o ncleo torna-se condensado (picntico) e possui um pequeno halo claro ao redor, correspondente ao espao antes ocupado peloprprioncleo.Osdesmossomosdeixamdeexistireasclulas passamadescamarisoladas.Asclulasconservamseuncleoeno sofrem nenhuma queratinizao, exceto em situaes patolgicas. Em termos gerais, da camada basal superficial, essas clulas sofrem um aumento de tamanho e reduo do tamanho nuclear. As clulas das camadas intermediria e superficial contm grande quantidade de glicognio em seu ci- CAP 1 toplasma. A glicogenao das camadasintermedirias e superficiais serveco-mo marcador de maturao e desenvolvimento normais do epitlio escamoso. Figura 1.2a e b - Epitlio Pavimentoso Estratificado do tipo no Queratinizado 1.1 EPITLIO CILNDRICO O canal endocervical recoberto pelo epitlio colunar (epitlio glandular). compostoporumanicacamadadeclulasaltascomncleosdecolorao escura, prxima membrana basal (figura 1.3). Por ter uma s camada de c-lulas, tem uma altura menor que o epitlio escamoso estratificado do colo uteri-no.Noseulimite distalousuperior, funde-secomoepitlio doendomtriona parte inferior do corpo uterino. No limite proximal ou inferior, encontra-se com o epitlioescamosonajunoescamocolunar.Recobreumaextensovarivel da ectocrvix, dependendo da idade, estado reprodutivo, hormonal e de meno-pausa da mulher. Oepitliocolunarnoformaumasuperfcieachatadanocanalcervical, masempurradoparadentrodasemmltiplaspregaslongitudinaisquese projetam na luz do canal, formando projees papilares. O epitlio colunar e encontrado principalmente em trs regies: Epitlio Endocervical: composto por camada nica de clulas cilndricas colunaressecretorasdemuco,cujasdimensesecaractersticasvariam CAP 1 conformeaaohormonal.Pos-suem superfcies irregulares e com invaginaes,podendoestarpre-senteseventuaisclulascilndri-casciliadas.Emsuabaseesto asclulasdereserva,envolvidas nos processos de reparo de leses epiteliais e metaplasia (transformao de um epitlio maduro em outro epi-tlio). EpitlioEndometrial:constitudo porclulascilndricascbicaseesto sobre um estroma endometrial, de origem embriolgica semelhante s clu-lasglandulares.Adotadeterminadascaractersticasconformeaidadeeo ciclo menstrual: nas ps-menopausadas e na infncia, o epitlio atrfico e nofuncionante;nafasedevidamenstrualoepitliopr-ovulatriodito proliferativo e o ps-ovulatrio, secretor. Epitlio das Trompas Uterinas: A mucosa tubria constituda por clulas ciliadas e secretoras e os clios so mais numerosos na fase estrognica do ciclo. 1.2 . JUNO ESCAMOCOLUNAR (JEC) Ajunoescamocolunar(figuras1.4)apresenta-secomoumalinhabem definida com um degrau, devido diferena de altura dos epitlios escamoso e colunar. A localizao da juno escamocolunar com relao ao orifcio cervical externo varivel durante a vida da mulher e depende de fatores como idade, estado hormonal, trauma ao nascimento, uso de anticoncepcionais orais e cer-tas condies fisiolgicas como gravidez. Na infncia e perimenarca, a juno escamocolunar original est localizada no, ou muito prxima ao, orifcio cervical externo. Depois da puberdade e durante o perodo reprodutivo, os rgos geni-tais femininos se desenvolvem sob a influncia do estrgeno. Portanto, o colo uterino aumenta de tamanho e se cresce e o canal endocervical se alonga. CAP 1 Figura 1.4 Juno Escamo-Colunar (JEC) A ao tampo do muco que recobre as clulas colunares sofre interfern-cia quando o epitlio colunar evertido no ectrpio fica exposto ao meio vaginal cido. Isto leva destruio e substituio subseqente do epitlio colunar pelo epitlioescamosometaplsicorecm-formado.Metaplasiaaalteraoou substituiodeum tipodeepitlioporoutro.Oprocesso metaplsicocomea principalmentenajunoescamocolunareprosseguecentripetamenteemdi-reo ao orifcio cervical externo ao longo do perodo reprodutivo at a perime-nopausa. Portanto, uma nova juno escamocolunar formada entre o epitlio escamoso metaplsico recm-formado e o epitlio colunar evetido sobre a ec-tocrvix. readocolo naqual oepitlio endocervicalencontrao epitlioestratifica-do,tambmconhecidacomoZonadeTransformao. umaregiodinmi-na,sendoumcampofrtilparaaaodecarcingenos.Teoricamentedeve estarlocalizadanoorifcioexternodacrvice,pormvariaconformeaidade: namulherjovemhabitualmenteencontradonasuperfcieectocervical;na menopausada, geralmente se encontra no interior do canal endocervical. CAP 1 CAPTULO CITOLOGIAGENITAL FEMININO 2.1 CLULAS ESCAMOSAS Como visto no captulo anterior a ectocrvix, geralmente est recoberta por um epitlio escamoso estratificado no-queratinizado rico em glicognio, cons-titudopormltiplas(15-20)camadasdeclulas.Dessemodo,asclulasdo Epi