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[email protected] @jornallona lona.up.com.br O único jornal-laboratório DIÁRIO do Brasil Ano XII - Número 631 Jornal-Laboratório do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo O cotidiano dos malabaristas, cus- pidores de fogo, es- tátuas vivas e pin- tores curitibanos Pág. 4 e 5 Coluna Especial Estudantes de Jornalismo da UP visitam o Clarín em Buenos Aires Zaclis Veiga A moda e o dia em que o mundo parou para ver o casamento real inglês “O Vestido Azul”, de Cintia Aleixo, e “De Volta Pra Curitiba”, de Sofia Ricciardi Pág. 7 Literatura Nesta última quinta-feira (12), estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Positivo via- jaram para Buenos Aires a fi m de conhecer a comunicação na Argentina. Durante a visita, que durou quatro dias, os estudantes visitaram a Universidade de Buenos Aires (UBA) e a redação do Grupo Clarín, maior grupo de informação do país. O embate entre o Grupo Clarín e o go- verno Kirchener foi a tônica dos debates. Pág. 03 O novo filme da saga Piratas do Caribe Pág. 6 Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

LONA 631-18.05.2011

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Jornal laboratório diário do Curso de Jornalismo da Universidade Positivo.

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  • Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

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    O nico jornal-laboratrio

    DIRIOdo Brasil

    Ano XII - Nmero 631Jornal-Laboratrio do Curso de

    Jornalismo da Universidade Positivo

    O cotidiano dos malabaristas, cus-pidores de fogo, es-ttuas vivas e pin-tores curitibanos

    Pg. 4 e 5

    Coluna

    Especial

    Estudantes de Jornalismo da UP visitam o Clarn em Buenos Aires

    Zaclis Veiga

    A moda e o dia em que o mundo parou para ver o casamento real ingls

    O Vestido Azul, de Cintia Aleixo, e De Volta Pra Curitiba, de Sofi a Ricciardi

    Pg. 7

    LiteraturaNesta ltima quinta-feira (12), estudantes do curso de Jornalismo da Universidade Positivo via-jaram para Buenos Aires a fi m de conhecer a comunicao na Argentina. Durante a visita, que durou quatro dias, os estudantes visitaram a Universidade de Buenos Aires (UBA) e a redao do Grupo Clarn, maior grupo de informao do pas. O embate entre o Grupo Clarn e o go-verno Kirchener foi a tnica dos debates.

    Pg. 03

    O novo fi lme da saga Piratas do Caribe

    Pg. 6

    Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

  • Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011 2

    Expediente

    Editorial

    Reitor Jos Pio Martins

    Vice-Reitor e Pr-Reitor de Administrao Arno Gnoatto

    Pr-Reitora de Graduao Marcia Sebastiani

    Pr-Reitor de Ps-Graduao e Pesquisa Bruno Fernandes

    Coordenao dos Cursos de Comunicao SocialAndr Tezza Consentino

    Coordenadora do Curso de Jornalismo Maria Zaclis Veiga Ferreira

    Professores-orientadores Elza Aparecida de Oliveira Filha e Marcelo Lima

    Editores-chefes Daniel Zanella, Laura Bordin, Priscila Schip

    O LONA o jornal-laboratrio do Curso de Jornalismo da Universi-dade Positivo. Rua Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300 -

    Conectora 5. Campo Comprido. Curitiba -PR CEP 81280-30

    Fone: (41) 3317-3044.

    Opinio

    Interesse pessoal versus interesse do povoGislaine Silva

    Manobras jurdicas e uso da casa do povo para defender as-suntos pessoais. assim a rotina dos vereadores da Cmara Muni-cipal de Campo Largo nas ltimas semanas. Aps uma agresso do vereador Nelson Silva de Souza (PMDB) ao tambm vereador Wilson Andrade (PSB) ao tr-mino de uma sesso ordinria no ms de maro, outros assun-tos que deveriam ser discutidos pelo Legislativo local em prol da populao perderam espao no plenrio. Agora, as atenes esto voltadas para um processo que pede a cassao do peemedebis-ta Nelson, acusado de quebra de decoro parlamentar. E o processo segue do plenrio para a Comis-so de tica, da comisso para o plenrio e assim por diante.

    O vereador deve sim ser puni-do por suas atitudes que afetam a imagem e a dignidade da Cmara como um espao de debate e in-teresse pblico. No entanto, pre-ciso levantar as causas das agres-ses pessoais entre os vereadores. Ser que Nelson ou Wilson so os nicos culpados? Ser que se os

    vereadores se ativessem a debater somente os projetos de lei e reque-rimentos que beneficiam a popu-lao, essa violncia existiria? Por que eles insistem em utilizar a tri-buna livre para colocar em discus-so assuntos que so de interesse pessoal? Por que os vereadores no resolvem seus problemas em espaos fora da instituio C-mara? Se a agresso no tivesse ocorrido, a imagem do Legislati-vo Municipal permaneceria pre-servada e certamente outras ma-trias teriam espao no plenrio.

    As agresses dos vereadores Nelson Silva de Souza (PMDB) e Wilson Andrade (PSB) no so novas. Um acusa o outro de tentar denegrir a imagem do companheiro, de utilizar a im-prensa tendenciosamente para manchar o trabalho dos demais vereadores e de seus assessores.

    Muitos parlamentares apre-sentam projetos de lei ou re-querimentos que interessam a pequenos grupos de pessoas. O objetivo deles agradar o eleitor, j que 2012 ano eleitoral. A cr-tica aqui no vai apenas para os

    vereadores, mas tambm para a populao. Em dias de sesso or-dinria, da para contar no dedo quantas pessoas acompanham a tramitao de matrias e fisca-lizam o trabalho dos polticos.

    Na Cmara de Curitiba, a situao um pouco parecida. No se trata de agresses ou quebra de decoro parlamentar, mas sim o tempo gasto dos ve-readores com projetos de lei que denominam bens pblicos e ruas da cidade. No que esse tipo de proposio no seja importan-te. O problema que muitos parlamentares tornam isso uma festa e deixam de apresen-tar outras propostas que visem melhoria na condio de vida e garantam os direitos dos curiti-banos. Felizmente, um projeto de lei apresentado pelo vereador Juliano Borghetti (PP) pretende limitar por vereador a quanti-dade de proposies que no-meiam bens pblicos da cidade.

    Novamente: os eleitores esto atentos ao trabalho desempe-nhado por aqueles que escolhe-ram como seus representantes?

    Metalinguagem da metalinguagemGiulia Lacerda

    J usual da Globo transfor-mar aqueles que para ela traba-lham em estrelas para alcanar mais audincia, mas essa ttica no de sua exclusividade, j foi usada anteriormente nas telonas. No incio do cinema brasileiro havia duas companhias mais famosas: Atlntida e Vera Cruz. Por alguns anos a primeira deti-nha o mercado cinematogrfico e se preocupava pouco com a qua-lidade das produes. Em 1949, no entanto, surge a primeira con-corrente, em meio a efervecncia cultural em So Paulo, com um ritmo intenso de produo com padro internacional. A alternati-va da Atlntida, entre outras, foi utilizar-se de um sistema de es-trelato para atrair o pblico. Tal-vez no por conta do filme, mas para ver o ator ou atriz X.

    Esse mesmo sistema cla-ramente observado h muito tempo na Rede Globo. Para programas de entretenimento at considervel, o problema quando apresentadores, reprte-res, jornalistas entram em cena. Nesse caso, a notcia deixa de ser o ator principal. Torna-se algo secundrio, perdendo assim seu carter relevante. Um exemplo

    ntido a conversa que existe en-tre o pblico e o casal que tem tri-gmeos, que apresentam um pro-grama em sintonia e do boa noite todos os dias a quem os assiste. A emissora criou uma imagem para os apresentadores do telejornal di-rio mais visto no pas para que a ateno fosse para eles e no neces-sariamente para o que est sendo dito. Como eles j fazem parte da famlia brasileira, cria uma credibi-lidade e um pblico fiel.

    Mas o assunto da vez no o casal William e Ftima. o mais novo casal do Fantstico: Zeca Camargo e Renata Ceribelli. O que se discute domingo agora : ser que eles vo conseguir ema-grecer em trs meses? A princpio no quis criticar, levei como uma forma do programa de informar e at de mostrar que as estrelas da TV no brilham tanto assim. Po-rm, nos ltimos domingos ficou claro que o objetivo fazer uma espcie de novela dentro do pro-grama. Quantos quilos o Zeca j perdeu? Descubra domingo que vem so algumas frases que demonstram isso, fora os comen-trios fora de hora de Zeca e Pa-trcia a respeito do tal desafio da balana.

    Parece-me que o jornalismo contemporneo tem se utilizado de uma metalinguagem exacerba-da. Em quase tudo se d um jei-to de transformar o jornalista no centro da ateno. Est certo que o Fantstico no pode ser conside-rado um programa 100% jornals-tico, mas a proposta tambm no apenas entreter. Levando isso em considerao, a meu ver, no caberia um quadro como o que est sendo veiculado: tendo como foco principal dois dos apresenta-dores do programa e utilizando parte considervel da programa-o. Se o objetivo principal fosse informar como melhorar a sade e o estilo de vida usando os apre-sentadores em um papel secund-rio, talvez at fosse interessante e mais construtivo, pensando que a sade do brasileiro tem piorado e que o sobrepeso atinge quase 50% da populao, segundo dados da pesquisa Vigilncia de Fatores de Risco e Proteo para Doenas Crnicas por Inqurito Telefnico divulgados esse ano. O que tenho visto, no entanto, a exposio da rotina de vida dos participantes do chamado Desafio Fantstico de uma maneira que tira a aten-o do problema maior: a sade.

    A recente viagem de alunos do curso de Jor-nalismo da Universidade Positivo at Buenos Aires para conhecer a redao do Clarn, maior grupo de comunicao da Argen-tina, pode ser utilizada como parmetro no en-tendimento do intrinca-do papel do jornalista na sociedade em que presta servios.

    Pas envolvido em grande discusso acerca dos limites, deveres e di-reitos da Comunicao, a Argentina assiste - de modo ativo - o embate entre o Clarn e o gover-no Kirchner. As dispu-tas envolvem direitos de transmisso, rescaldos da ditadura, alegaes de censura e poder.

    Como diz o professor de Comunicao da Uni-versidade de Buenos Ai-res Washington Uranga, em matria especial da nossa pgina 3, preci-so desconfiar de todas as verses. O Clarn alega que o governo mente. O governo alega que o

    Clarn que mente. pos-svel especular que os dois lados esto corretos no quesito mentira, diz.

    Correspondente lo-cal da influncia e base tentcular que a Orga-nizaes Globo tem no Brasil, o Clarn tambm um exemplo de inovao e adequao aos novos tempos informativos.

    O Grupo considera-do o primeiro a conse-guir estabelecer a con-vergncia informativa em todos os seus setores de fabricao da infor-mao. O jornalista, para trabalhar no Clarn, se-gundo seus editores, pre-cisa entender que no h mais como dizer que no gosta de determinada funo dentro da cadeia de produo.

    A discusso e o real surgimento de uma nova forma de fazer jornalsti-co conhecida de nosso cotidiano universitrio e revela o quanto o desafio de ingressar no mercado de trabalho ser rduo e extenuante.

  • Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

    COMUNICAO

    A Universidade Positivo en-viou para Buenos Aires, Argenti-na, nesta ltima quinta-feira (12), um grupo de 20 estudantes do curso de Jornalismo para o Projeto de Extenso Clarn e Multimdia. O objetivo foi visitar a redao do jornal Clarn e entender um pouco mais do processo de con-vergncia miditica que o grupo atravessa. O grupo foi monitora-do pelas professoras Zaclis Veiga, Elza Oliveira e Ana Paula Mira.

    Para entender a importncia do Clarn no cotidiano portenho, preciso conhecer um pouco de sua cidade. Buenos Aires, em si, uma capital sem cachorros soltos e com problemas crni-cos de lixo nas ruas. Os taxistas dirigem sem cinto de seguran-a e nunca sinalizam quando mudam de faixa, as avenidas so amplas e a cada esquina h uma banca de jornais, que os portenhos chamam de kiosco. Leem-se muitos jornais impres-sos na capital e so muitos os obcecados por futebol e poltica.

    A metrpole de concretos fa-miliares impressiona pela quan-tidade de pichaes nos muros e paredes, quase todas com conota-o ideolgica: a poltica permeia a dinmica da cidade e tambm a palestra de Washington Uran-ga, professor de Jornalismo da Universidade de Buenos Aires, (UBA) a maior do pas, e edito-rialista do impresso Pgina 12, quarto jornal mais vendido da Argentina, com tiragem de, em mdia, 60 mil exemplares por dia.

    O prdio da Universidade de Buenos Aires era uma antiga fbrica de alimentos e resguar-da alguns elementos de uma era perdida: em cada ptio h um exaustor enferrujado. Ou-tras caractersticas peculiares da universidade so os banheiros masculinos sem papel higinico e as senhoras que servem caf e croissants gratuitos aos estudan-tes durante o intervalo. Mas a poltica o tensor mais evidente no ambiente universitrio que abri-ga diversos cartazes de contor-nos socialistas nos corredores. preciso dizer que este um pas

    Convergncia miditica, poder e EstadoOs bastidores do embate entre o Clarn, maior grupo de comunicao do pas, e o governo Kirchner

    de tonalidades extremas: ou se branco ou se preto, no h meio termo. difcil encontrar uma voz imparcial e suficientemente dis-tante quando o assunto poltica e os seus bastidores, diz Uranga.

    O professor est a discursar sobre o assunto que mais suscita discusses no pas: a relao con-flituosa do Grupo Clarn, o maior conglomerado de informao da Argentina com o governo de Cris-tina Kirchner. O Clarn o maior grupo miditico do pas, podero-sssimo, um poder paralelo e en-ftico que abriga uma gama varia-da de jornais impressos, revistas, rdios, canais de televiso, portais de internet, editora e parques grficos, complementa Uranga.

    O jornal Clarn vende, na m-dia, 260 mil exemplares por dia. Na dcada de 80 chegou a ser o impresso de maior circulao em lngua espanhola, com tiragens dirias de 600 mil exemplares. As novas tecnologias e a disse-minao de novos impressos di-minuram a circulao do jornal, mas no a sua influncia. Segun-do Uranga, todos os presidentes negociam com o Grupo. Sem o apoio do Clarn, qualquer gover-no fica sem governabilidade.

    O imbrglio do Clarn com o governo comeou quando o go-verno de Cristina Kirchner deci-diu aumentar os impostos do setor de agronegcios setor conserva-dor e detentor de grande parte das aes do Clarn. O governo projetou uma distribuio dife-renciada de impostos e acertou em cheio nos interesses de gente muito poderosa. O Clarn contra-atacou com suas ferramentas e por todos os lados. O impresso, por exemplo, passou a focar na temtica da segurana pblica, j que os ndices de violncia, de fato, aumentaram no pas nos ltimos anos, diz Uranga.

    A crise entre os dois poderes desencadeou uma srie de reta-liaes e reaes extremadas de parte a parte. O governo resol-veu mexer na Lei de Audiovi-sual do pas, reduzir concesses e desbaratar o monoplio de comunicao do Clarn. Cada lado utiliza as armas que tem. O Clarn ataca diariamente o go-verno, o governo cassou recente-mente os direitos de transmisso do Campeonato Argentino de

    Futebol e faz grande alarde do caso dos filhos adotivos de Er-nestina Herrera de Noble, atual proprietria do grupo. Inclusive, abriu processo contra a famlia Noble. A ao trata da denncia de que os filhos adotivos da em-presria seriam dois dos muitos filhos de desaparecidos polticos durante a ditadura militar ar-gentina muitas crianas foram roubadas dos pais nos pores da ditadura e distribudas entre as famlias de aliados do regime.

    As transmisses do Campeo-nato Argentino, que pertenciam ao Grupo e transmitia as partidas atravs de seus canais de televi-so a cabo foi um dos maiores embates pblicos da histria recente do pas. Para retirar o di-reito de exclusividade do Clarn, o governo instituiu uma emen-da de interesse nacional sobre o futebol, levando, assim, as trans-misses para a televiso aberta e legitimando juridicamente suas decises. Deve-se desconfiar de todas as verses, de tudo, com-pleta o professor de Jornalismo.

    O prdio do Clarn no chega a causar grande impresso, mas est alojado em uma das regies mais nobres da cidade: o bairro San Telmo. No permitido tirar fotos na frente do prdio, na Rua Tacuar, 842. Os seguranas so intransigentes e monitoram com certa rispidez a movimentao de cmeras. A guia da visita reda-o, Anabel Atimira, uma moa de sorriso fcil e polidez exemplar.

    O Grupo Clarn considera-do um exemplo de convergncia miditica. A sua extensa redao abriga jornalistas que trabalham em diversos meios e executam servios para mais de um vecu-lo. Daniel Vitar, editor da seo Mundo do impresso, analisa que um dos grandes desafios do Grupo est sendo compreender a dinmica atual da informa-o. Estamos numa experin-cia profunda de adaptao s novas formas de se comunicar. Sempre tivemos uma linha edi-torial padronizada, entretanto, os nossos diversos produtos nem sempre trabalharam em sintonia, separavam-se. A unio de todos os produtores de infor-mao em um s lugar procura o elemento complementar, agre-gador da informao., diz Vitar.

    O Clarn tem 17 mil funcion-rios. Um mural na entrada explica o crescimento do Grupo, fundado em 1945. O Ol, o maior jornal impresso de esportes do pas, lo-caliza-se um andar abaixo da re-dao, num espao prprio. Boca Junior e River Plate, os dois maio-res clubes da cidade, tm sala pr-pria no ambiente. Nas paredes, fotografias em altssima definio ilustram as mais marcantes con-quistas esportivas do pas, como a conquista da Copa Davis de T-nis e o Campeonato Mundial de Basquete. Do Brasil, uma imagem da vitria de Ayrton Senna em Interlagos, em 1991, e um drible de Ronaldinho Gachos sobre

    defensores da seleo da Crocia.O Papel Prensa outro ele-

    mento de discrdia entre o Cla-rn e o governo. O maior parque grfico do pas de propriedade do Grupo e responsvel pela distribuio de todo o papel de jornal do pas. O governo acusa o Clarn de ter pressionado a venda da empresa na poca da ditadura, dizendo ter documentos compro-vatrios de que a empresa foi ven-dido por um preo muito abaixo de mercado e de que seus antigos proprietrios foram vtimas de extorso. O Clarn teve estreita relao com o regime militar.

    Dario Datre, chefe-editor de clarn.com, defende o Grupo e alega que os ataques sistemticos do governo decorrem da posi-o independente adotada pelo veculo. O governo subsidia os meios favorveis, os oficialistas, utiliza todo o aparato do Estado no sentido de apequenar o Cla-rn. uma cenrio preocupante para os jornalistas do pas e para a liberdade de expresso, em si.

    O clarn.com, segundo Da-tre, tem, na mdia, 13 milhes de acessos nicos por ms. um mercado que estamos co-nhecendo. O que sabemos que o perfil do jornalista mo-derno mudou. No h mais periodista que possa dizer que no gosta dessa ou daquela funo, tem que saber fazer um pouco de tudo, completa.

    A profisso de jornalista no regulamentada no pas.

    Daniel ZanellaLaura Beal Bordin

    Especial de Buenos Aires

    3

    Estudantes da UP tiveram a oportunidade de conhecer mais sobre o Grupo Clarn e o seu processo de convergncia

    Arquivo LONA

  • Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011 4

    O Brasil registrou a criao de 272.225 novas vagas de emprego com carteira assinada em abril de 2011, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados pelo Ministrio do Trabalho e Emprego. Em relao a maro, houve uma expanso de 0,75% no nmero de trabalhadores empregados.

    Segundo o Ministrio, o desempenho de abril foi possibilitado pela expanso generalizada do emprego em todos os setores. Servios e Comrcio tiveram um saldo recorde para o ms, com 114.434 e 41.587 novos postos, respectivamente. Entre os 25 sub-setores pesquisados pelo Caged, seis obtiveram saldo recorde para o ms, enquanto quatro registraram seu segundo melhor saldo.

    Brasil est gerando mais empregos Setores em Expanso

    ESPECIAL

    Holofotes verdes, amarelos e vermelhos

    Malabaristas, cuspidores de fogo, esttuas vivas e pintores tm como palco o asfalto da cidade

    Abaixo da luz vermelha do semforo e do amarelo cinzento do sol curitibano, um garoto faz malabarismo com bolas de tnis encardi-das. Duas quadras adiante, um homem e uma mulher, ambos peruanos, lanam para o alto objetos que se assemelham a pinos de bo-liche. Em uma rua paralela um jovem manipula com ha-bilidade pequenas tochas em chamas, cuspindo fogo no ar frio de Curitiba. Sua pla-teia: um conjunto de carros, motocicletas e nibus, cujos condutores e passageiros lanam alternadamente olha-res de interesse e indiferen-a, curiosidade e desprezo.

    Por manterem um ofcio irregular e, quase sempre, no oficializado pelo gover-no, no h estimativas oficiais do nmero de artistas de rua presentes em Curitiba. Mas de conhecimento popular que no se pode caminhar ou dirigir pelo centro da cida-de por mais de dez minutos sem encontrar ao menos um cuspidor de fogo, um dana-rino de break ou um compo-sitor de msicas alternativas expondo sua arte diante da maior quantidade possvel de pessoas. Geralmente tra-balhando em condies pre-crias, necessrio que estes artistas faam da criatividade seu instrumento de traba-lho, das caladas seu palco e dos pedestres seus clientes.

    As ramificaes artsti-cas presentes no cenrio ur-bano so extensas: da esttua humana e sua pele prateada ao compositor barbado de

    sandlias. Dos pintores que fazem da rua seu portflio aos hippies de longas tranas vendendo seus artesanatos. Os palhaos e mmicos nas praas, os artistas circenses nas esqui-nas, os mgicos e seus truques apresentados diante dos bares no Largo da Ordem; todos eles demonstram por meio de seu individualismo a coleti-vidade da expresso artstica.

    Contudo, a beleza potica de suas performances e traba-lho contrasta fortemente com as dificuldades encontradas pela profisso. Gustavo Hele-no Xavier, conhecido artisti-camente como Tuta, apresen-ta seu malabarismo nas ruas prximas ao Teatro Guara, regio que, segundo ele, pode ser considerada maravilhosa e horrvel para os artistas de rua. Com o dinheiro que tiro aqui, consigo sobreviver e ainda aju-dar minha me que mora no interior do Paran, afirma. O problema que tem muita dis-puta de territrio entre a gente, j fui impedido vrias vezes de ficar nesse ou naquele sinalei-ro, porque no queriam dividir o espao. Existem lugares e ho-rrios especficos onde eu pos-so ficar. Gustavo diz trabalhar cerca de trs horas por dia, al-ternando seu local de apresen-tao entre trs ruas principais. Fao isso porque no tenho um local fixo onde possa mos-trar meu trabalho, justifica.

    Uma situao similar j ocorreu com Ediara Delgado, de 25 anos. Nascida em Crici-ma, Santa Catarina, ela faz de-monstraes performticas nos semforos de Curitiba utilizan-do-se do swing poi, espcie de bastes com fitas coloridas que criam belos efeitos visuais ao serem manejados. Traba-lho na rua faz seis anos, conta.

    Mas estou em Curitiba h um ano. J fui para Foz do Iguau, So Paulo, Belo Horizonte, fi-quei um tempo na Bolvia e na Argentina. Ela diz que costuma viajar com amigos que mantm a mesma ocupao artistas de rua, malabaristas ou msicos em geral. No gosto de ficar mui-to tempo em um mesmo lugar, gosto de conhecer novas cultu-ras e outras cidades.

    Quando questionada sobre a dificuldade em relao ao es-pao de trabalho, ela diz: Hoje eu me apresento junto com ami-gos e conhecidos, por isso rola muito companheirismo entre ns. Mas quando comecei a me apresentar era bem mais difcil. J briguei com um grupo de ar-tistas em So Paulo porque no me deixavam ficar na mesma praa que eles, diziam que eu

    estava atrapalhando. Ela revela que, nestes casos, a soluo ten-tar dialogar com os artistas que esto no local h mais tempo. Se a conversa no funcionar, o jeito sair dali e procurar um lu-gar menos movimentado. Tem sempre muito preconceito com os artistas mais novos, que ainda esto procurando seu espao.

    Em meio s vitrines, res-taurantes, ofertas anunciadas ao microfone e a multido habitual que navega atravs da monocro-mia do calamento, est exposta a arte de Humberto de Olivei-ra Gonzaga, que diz trabalhar como pintor no centro da cidade desde 2002, onde expe seus re-tratos prximo regio da Boca Maldita. Entre suas pinturas e esboos esto artistas famosos, cantores, animais e pessoas co-muns. Meu trabalho aqui no

    fixo, afirma. Exponho minhas obras quatro ou cinco vezes du-rante a semana. s vezes mudo de regio, para conseguir novos clientes. J fiquei por um tempo na feirinha do Largo, mas acabei voltando para c. Humberto revela que mora com as duas filhas e a esposa, e tem orgulho de sua famlia e de seu trabalho. Muitas pessoas passam por aqui, param e ficam olhando para as pinturas. Algumas per-guntam o preo, pedem para fa-zer um retrato ou compram um que j est pronto. Outras ape-nas olham e fazem um elogio. Humberto estima que consiga ganhar em torno de R$150,00 a R$200,00 por dia. s vezes mais, s vezes menos. Depende do dia. O importante mesmo mostrar meu trabalho, o di-nheiro s uma consequncia.

    O aparente desapego eco-nmico de Humberto tambm compartilhado pelo casal Ana Beatriz Romoli, 22, e Samir Vir-glio, 25, que vendem seu artesa-nato no centro da cidade. Samir conta que ambos dividem com amigos uma casa alugada em So Jos dos Pinhais. A gente vm para o centro quase todo dia, s vezes de manh, s ve-zes depois do almoo, diz o ra-paz. Voltamos pra casa s oito, nove da noite, quando dia de semana. Fim de semana a gente fica at o movimento acabar.

    As pessoas que passam no observam as pulseiras, os brincos e colares expostos na calada da praa Oswaldo Cruz. Ana beatriz tenta chamar a ateno de possveis com-pradores, mas ningum parece interessado o suficiente para interromper sua caminhada. difcil vender assim, no fim da tarde, explica ela.

    O relgio marca 18h30m, e todos parecem apressados para

    Tuta, alm de malabarista tambm vendedor de pulseiras

    Monica AmorimYohan B.

    Monica Amorim

    Colaborao: Michelle Silva e Fernanda Grein

  • Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

    O percentual de mulheres que ingressaram no mercado de trabalho foi maior do que o de homens, segundo dados divulgados pelo Ministrio do Trabalho nesta tera-feira. No ano passado, a alta foi de 7,28% para elas, enquanto eles repre-sentaram um crescimento de 6,7%. Eles, porm, ainda so maioria. Enquanto o nmero de trabalhadores passou de 24,13 milhes, em 2009, para 25,75 milhes no ano passado, o de trabalhadoras foi de 17,01 milhes para 18,31 milhes.

    O nmero de mulheres est aumentadoO ministro Carlos Lupi destacou ainda que o crescimento no nmero de em-pregos na faixa etria de 50 a 64 anos e acima dos 65 anos. A criao de postos de trabalho para essas idades teve aumento de 10,28% e 12,77%, respectivamente. Existe uma demanda por mo de obra com experincia, por isso o crescimento no numero de empregos na faixa de 50 a 64 anos. As empresas esto preferindo contratar trabalhadores com mais experincia, portanto, os mais velhos, disse.

    Criao de empregos para a terceira idade

    chegar ao seu destino. Na hora do almoo tem mais movimen-to, mais estudantes, continua Ana. mais fcil vender arte pra gente jovem, eles param e pedem pra ver o artesanato que a gente faz. Samir acres-centa que a polcia dificulta seu trabalho. Os policiais j chegaram aqui e nos obriga-ram a recolher nossas coisas, disseram que precisa ter licenapra fazer comrcio. Ns tivemos que ir embora, porque eles so a lei. Mas no so eles que co-locam comida no nosso prato.

    Heloise Skraba trabalha como vendedora em uma loja de roupas no centro de Curiti-ba. No trajeto que realiza para ir e voltar do trabalho, ela diz j ter observado artistas urbanos, mas nunca deu muita ateno ao que eles mostravam. Ge-ralmente estou com pressa para voltar para casa ou chegar no trabalho, por isso acho meio ir-ritante quando tentam me parar e pedir alguma coisa. Posio similar tomada por Natlia Bresolin, estudante de direito. Acho que artista de rua no uma profisso. Sei que so pes-soas sem condies, mas no gosto que fiquem pedindo di-nheiro em cada sinaleiro fecha-do. Ainda que no sejam bem recebidos por todos, os artistas de rua tm quem os admire.

    o caso de Rmulo Ara-jo de Paula, que trabalha como ilustrador de animaes gr-ficas durante a semana e, aos sbados, rene-se com um gru-po de malabaristas no parque Barigui, fundado por artistas de rua. Comecei a treinar ma-labarismo h um ano. Eu e um amigo amos ao parque Barigui todo fim de semana, e acaba-mos encontrando um pessoal que pratica l h dois anos, afirma Rmulo. A maioria trabalha na rua ou em even-tos fechados, como raves. Para quem trabalha na rua ainda existe preconceito. Fazer apre-sentaes em uma festa visto como uma coisa incrvel, boa de ver, vale a pena at pagar caro. Mas se fizerem a mesma apresentao na rua, ningum vai aplaudir ou dar valor.

    A arte a forma mais

    intensa de individualismo que o mundo conhece, es-creveu Oscar Wilde. Se assim for, talvez seja necessria uma parcela de distanciamento so-cial para que o artista possa produzir sua arte. Eles esto ali, para todos os efeitos, gos-tem deles ou no.

    Com suas preocupaes dirias e fragilidades humanas, fazem valer sua existncia no mundo ao compartilhar com ele seus talentos, suas necessidades e ambies. E vale lembrar que artistas como Van Gogh e Kafka morreram antes de serem reco-nhecidos pela sociedade de sua poca, tendo vivido uma vida de misria e pobreza. Nunca se sabe quando haver um g-nio em uma esquina prxima, exibindo sob um semforo ou sobre a calada a arte que tal-vez um dia seja lembrada por todos. Ou, ao menos, por ns.

    Esttua Prateada

    Caminhando pela Rua das Flores, duas garotas distra-das se assustam ao passar em frente esttua viva conheci-da como Luis Paulo Tondolo. Aos 32 anos, coberto de ma-quiagem prateada, Tondolo permanece imvel sobre uma caixa retangular de madeira, espera de passantes distrados.

    Quando a dupla passa por ali, ele ergue os braos subita-mente e inclina-se de maneira cordial diante delas. As meni-nas pulam para o lado, assusta-das por um ou dois segundos, depois caem na gargalhada, ob-servam a esttua de olhar spli-ce e afastam-se. Nenhuma de-las deixa moedas ou trocados.

    s segundas, quartas e sextas-feiras Luis Paulo fanta-sia-se como uma esttua grega e permanece por cerca de trs ou quatro horas em cima de seu caixote, tambm utilizado para guardar o dinheiro que recebe. Costumo fazer um intervalo de dez minutos a cada uma hora e meia, revela. s vezes can-sativo, principalmente nos dias em que tem muito sol. Luis afirma que j conseguiu per-manecer imvel por duas horas e que, apesar de movimentar-

    separa saudar transeuntes oca-sionais, normalmente espera receber uma doao antes de se mexer. Uma esttua viva deve ser capaz de transmitir a emoo de seu personagem em silncio, sem movimentos. Le-vei alguns anos para aprender as tcnicas. Muita gente acha que eu apenas coloco uma fan-tasia e fico parado, esperando ganhar dinheiro, mas ser uma esttua exige muito mais que isso. Luis Paulo no revela a origem da tinta de fabricao caseira que utiliza sobre a pele, mas diz que um processo complicado, transmitido a ele por um homem-esttua que conheceu nos Estados Unidos. Levo 40 minutos para aplicar a maquiagem, e meia hora para tir-la, conta. O mais compli-cado fazer com que a tinta no escorra. Uma vez caiu nos meus olhos enquanto eu trabalhava. Fui parar no pronto-socorro.

    Riscos e Perigos

    Riscos sade fazem par-te, em extenses variadas, do

    cotidiano dos artistas de rua. Os perigos podem ser ofereci-dos pelo meio instvel onde se apresentam, pelo clima, pela violncia urbana ou inclusive por seus prprios instrumen-tos de trabalho. o caso de Christiano Gondim, 28, e Fbio Resende, 23, que manipulam o fogo durante suas performan-ces. Fazendo uso, cada um, de trs malabares inflamveis, Christiano e Fbio trabalham juntos nos semforos circun-dantes praa Rui Barbosa. Comeamos a nos apresentar juntos h seis meses, diz Fbio. melhor ter algum por per-to, no s pela companhia, mas porque se algo sair errado, um pode ajudar o outro, completa.

    Christiano afirma j ter sofrido queimaduras leves du-rante as apresentaes, e exibe pequenas manchas no pescoo, provocadas por um acidente. Comecei a fazer malabarismo aos 15 anos. Com 19, comecei a praticar a pirofagia. Estava mui-to confiante e ainda no tinha sofrido nenhum acidente. O ar-tista conta que, logo aps os pri-

    meiros meses de treinamento, decidiu fazer uma apresenta-o para alguns amigos duran-te uma festa. Fui cuspir fogo, achando que j tinha treinado o suficiente e nada ia dar errado. S que o vento mudou de di-reo, e quando cuspi a quero-sene a chama voltou na minha cara. Apesar de no ter sofri-do ferimentos graves, o cuspi-dor de fogo diz que procura se lembrar deste momento com frequncia, para evitar a ocor-rncia de acidentes posteriores.

    A auxiliar de enferma-gem Denise de Quadros faz algumas recomendaes para quem deseja iniciar a prtica do engolimento de fogo. fundamental evitar bebidas cidas antes da apresentao. O leite uma forma eficaz de combater a acidez. Tomar anti-cidos tambm ajuda. Aps a apresentao, ela salienta que o ideal ingerir uma boa fatia de po. comum que um pouco do combustvel utilizado seja ingerido durante a demons-trao, e o po pode auxiliar na absoro desses lquidos.

    Bolovianos se apresentam na Praa Osrio

    Monica Amorim

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  • Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

    Mais ao, menos arte

    Do simples ao clssico,

    o que usar?

    Os filmes da saga Piratas do Caribe nunca foram inovado-res, nem artsticos. O quarto lon-ga da franquia no diferente, e assim foi recebido pelo pblico exigente do Festival de Cannes.

    O novo filme intitulado Piratas do Caribe 4: Navegan-do em guas Misteriosas e es-treou no ltimo sbado, dia 14, em um horrio difcil, s 8h30, no tradicional festival de cinema que acontece no sul da Frana.

    As reaes no fugiram do esperado: a recepo foi fria e os risos baixos. Uma jornalista espanhola chegou a dizer que esse quarto captulo o mais fraco de todos, alm de afirmar que no existe qumica entre Penlope Cruz e Jhonny Depp.

    O novo Piratas do Caribe chega s telas de cinema do mundo todo nesta sexta, dia 20, e conta uma nova histria sobre Jack Sparrow (Johnny Depp), que dessa vez est atrs da fonte da juventude. Pen-lope Cruz aparece na pele de Brbara, a filha do lendrio Barba Negra (Ian McShane), e alia-se ao pirata nessa busca.

    Alm de Penlope, o lon-ga traz outra novidade: as se-reias. Essas criaturas so metade

    Dia 26/04/2011 o mundo pa-rou. Todos queriam ver a pica unio entre o prncipe e a ple-beia. s 7h, horrio de Braslia, Kate Middleton entrou deslum-brante vestindo um Alexander McQueen, por Sarah Burton.

    O tema de hoje dress code* e a ideia mostrar que por mais que parea difcil, vestir-se cor-retamente no to compli-cado assim. Afinal, como dis-se a importante consultora de moda Gloria Kalil em seu livro Chic[rrimo], nada pior do que errar o tom e ir com uma roupa equivocada a uma festa ou ce-rimnia, ou seja, errar o dress code. Voc tem vontade de fi-car invisvel num canto da sala ou se atirar embaixo do tapete.

    Quem, ao se deparar com um convite de uma ocasio es-pecial, nunca se perguntou: e agora, com que roupa eu vou? Esse um dilema que todos j passaram pelo menos uma vez na vida. H basicamente quatro tipos de trajes que geralmente so especificados nos convites formais. So eles: esporte, esporte fino, passeio completo e black-tie.

    O primeiro pede uma roupa informal, porm sem desleixo. Mulheres podem abusar dos vestidos de alcinhas, calas, ca-misetas, sapatilhas, botas, entre outros. J os homens devem for-mar o conjunto cala, camisa e sapato esportivos. Normalmen-te o cdigo de eventos como almoos mais descontrados.

    J o traje esporte fino, ou passeio, necessita um pouco de formalidade. Vestidos, calas e blusas mais elegantes so per-mitidos; sapatos ou sandlias de

    Cinema Moda

    Jssica Carvalho Camila Tuleski Tebet

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    @jessdiz

    Cursa o 5perodo da noite e publica seus textos no endereo http://jesscarvalho.wordpress.com/

    @Camitebet

    Cursa o 1 perodo da manh.

    real, metade computao grfi-ca, e foram escalados atletas do nado sincronizado para execu-tarem seus difceis movimentos.

    Os trs primeiros filmes foram bons para os cofres dos estdios Disney, rendendo 3 bilhes de dlares. Talvez por esse motivo foram confirmados mais dois fil-mes para a saga algumas sema-nas antes da estria do quarto.

    Johnny Depp permanece no elenco e, feliz, disse que sua per-manncia no tem nada a ver com o dinheiro e que interpreta-r o Capito Jack Sparrow com prazer enquanto se produzirem bons roteiros e o pblico qui-ser v-lo como esse personagem.

    A bela MaryEsse ms o mundo do cine-

    ma perdeu mais uma excelente atriz. Mary Murphy morreu dia 4 de maio em Nova York, aos 80 anos, com problemas no corao.

    Mary foi famosa nos anos 50, quando chegou a interpre-tar Kathie Bleeker, a namora-da de Johnny Strabler (Marlon Brando), em O Selvagem (1953).

    Sua ltima apario no cine-ma foi em 1974, em I Love You... Good Bye, filme de Sam OSteen.

    salto alto junto com acessrios bonitos e discretos ajudam a equi-librar. Se o evento for antes das 18h, os homens devem estar com camisa e cala esportiva junto com blazer. A partir deste horrio deve-se usar terno com gravata.

    Em jantares, coquetis e casamentos geralmente pedido traje passeio completo. Neste caso deve-se optar por vestidos curtos formais, com detalhes como bri-lho, decotes, fendas ou transpa-rncias. Salto alto e maquiagem mais elaborada so essenciais. Os homens devem usar ternos escu-ros com camisa social e gravata, junto com sapatos sociais pretos.

    Por ltimo, e embora menos comum no menos importante, vem o traje black-tie, ou rigor. pedido em eventos mais re-quintados, em noites de gala, bailes ou grandes premiaes. Mulheres devem usar vestidos longos ou curtos muito sofis-ticados, em tecidos mais finos. Nesta ocasio, pretinhos b-sicos no so uma boa ideia. Para os homens, o smoking. Hoje em dia, so permitidas variaes mais modernas, que dispensam a gravata borboleta.

    O casamento real teve o se-guinte dress code: uniforme, somente para membros do exr-cito e Foras Armadas; social completssimo com chapu, que abrange vestido com terninho e, esporte fino. O evento, que contou com grande varieda-de de estilos, relembra que seja qual for o pas ou a situao, importante estar de acordo para estar bem com si mesmo.

    * dress code: cdigo de vestimenta.

    Divulgao

  • Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011 7

    LITERATURA

    Eram exatamente seis e pouco quando ela chegou e sentou ao meu lado no bal-co do bar, olhou pra mim e sorriu, chamou o balconista e pediu um usque com gelo j que o calor estava de ma-tar. Vestia um lindo vestido azul, solto e leve e quando caminhava parecia estar nas nuvens. Fiquei hipnotizado por sua beleza. Logo pergun-tei qual era o nome dela e se costumava frequentar aquele lugar cantadinha velha, mas muitas vezes funciona ela disse me chamo Cludia e ve-nho aqui todas as sextas-feiras para o happy hour. E voc?

    Ah! Essa resposta seguida de uma pergunta fez meu dia ganhar brilho, respondi a ela que ia ao bar umas duas ve-zes na semana, para dar uma relaxada depois do trabalho, e foi assim que a conversa comeou e fluiu durante o resto da tarde e incio de noi-te. L pelas tantas da noite, j havamos tomado todas e mais algumas, j havamos perdido a compostura e a

    nossa conversa de longe se ouvia, todos ao nosso redor sabiam do que estvamos fa-lando, rimos, rimos e rimos muito de qualquer bobeira imaginada. Paguei a conta e a convidei para ir at meu apartamento, ela aceitou.

    No caminho fomos con-versando e nos conhecendo

    melhor, eu me sentia a cada instante mais encantado por aquela bela mulher, como um pssaro que estava preso e ganhou a liberdade. Desce-mos do txi deixei o carro no estacionamento devido embriaguez e seguimos para o prdio onde moro, entramos no elevador e apertei o 15 an-

    dar, l onde moro. Ao sair do elevador, ela ainda indagou.

    Nossa, como esse prdio lin-do! A decora-o uma graa!

    Tirei a chave do meu bolso, mirei a fechadura, mas ela parecia fugir de mim a todo tempo, enfim acertei a chave, gi-rei e abri a porta, ela entrou e eu entrei em seguida, fechei a porta ainda com di-ficuldade (fechadura travessa essa, s quer saber de correr) e me virei de frente a ela, foi quando ela pulou

    em meu pescoo, me agar-rou, me beijou, puxou meus cabelos, como diz uma msi-ca da banda Velhas Virgens:

    Voc mordeu meu pescooEncheu meus ouvidos de salivaComeu a carne e roeu o ossoCaf da manh, jantar, almooNo sobrou nada de mim

    Foi uma loucura total, nos-sa que mulher, que avio... Quando acordei pela manh, suas roupas no estavam mais l, nem ela estava ao meu lado, procurei no banheiro, na cozinha, pela casa toda e nada, ela havia partido, mas deixou um bilhete que dizia:

    A noite foi maravilhosa, voc uma pessoa encantadora e diver-tida, porm no quero me envol-ver, eu matei o meu desejo e voc o seu, agora cada um para um lado, seguindo sua vida. BeijosCludia.

    Fiquei sem entender muito bem, pois sempre escuto que so os homens que fazem este tipo de coisa e porque comi-go tinha que ser o contrrio? No consigo entender, passei muitas sextas-feiras bebendo naquele bar, esperando en-contr-la para mais uma noite de amor, porm ela ainda no apareceu e s me resta a lem-brana daquele lindo vestido azul, bailando sobre a cama em que nos amamos loucamente.

    O Vestido AzulPor Cintia Aleixo

    De Volta A CuritibaPor Sofia Ricciardi

    Voltei com a sensao de ainda estar olhando para o mar. Dentro da minha cabea reclamei por no ter um ho-rizonte misturado de mar e nada, de infinito e vazio. Lembrei-me de um email que no tinha respondido. Um email com muitas linhas em branco, mas recheado de amor no verso. Sabe, conheci diversas pessoas que escre-vem para se sentirem mais leves. Esse cara, esse cara escreve e sente o mun-do todo pesar na sua conscincia por fazer isso. Desculpa cara, sinto que sou culpada por isso. Mas saiba que l na ponta da ilha, quando me dei conta do meu tamanho perto de tanta areia e oceano, quando senti saudade de uma pessoa que ainda no entrou na minha vida, quando meus olhos marejaram um pouco ao lembrar que ainda no amei e fui amada com a mesma intensidade, quando tudo pareceu distante demais para o meu entendimento, eu pensei em voc.

    Priscila Pacheco

  • Curitiba, quarta-feira, 18 de maio de 2011

    PERFIL

    O ser bailarino

    Quem nunca viu uma me que sonhava ter uma filha delicada, meiga e que fizesse bal? Para desenvolver essa atividade , mais do que leve-za e esforo, preciso muita interpretao, no somente para entrar num persona-gem, mas tambm para com-preender o que ser, de fato, um bailarino profissional.

    A rotina de um bailarino extremamente exaustiva, h que se ter muita fora de vontade. Quando cair, levan-tar; para o medo, coragem e preciso. J com a dor, pacin-cia e muito c u i d a d o . Certo dia estive num ensaio, ob-servando as expresses faciais das m e n i n a s da turma, e cheguei conclu-so de que cada pes-soa encara essa arte de uma

    forma. Algumas faziam cara de dor, de cansao, de medo, enquanto outras buscavam no cansao fora para continu-ar e suportar tudo que fosse preciso em nome de um ob-jetivo: a perfeio na dana.

    Para essa perfeio, tudo vale a pena, as dores, quedas, ensaios, brigas, noites sem sono, dias sem tempo para nada alm da dana, e at a prpria loucura psicolgica.

    O filme Cisne Negro evi-denciou essa confuso psico-lgica que muitos danarinos enfrentam, na tentativa de se-rem perfeitos e estarem den-tro dos padres exigidos no bal profissional. Para tornar

    aquele per-s o n a g e m quase real, vale pra-ticamente tudo. En-carar como uma tor-tura que, alm de necessria, vital para o bailarino. E a tortu-

    ra, no somente fsica, mas

    Mesmo sendo uma arte, o bal masculino ainda encarado com preconceito no Brasil

    Maikon trabalha duro para mostrar que ballet no s para meninas

    Aline Pampuche

    Se at Arnold Schwar-zenegger j fez bal para aperfeioar alongamento,

    expresso corporal e postura, por que garotos

    como Maikon no po-dem?

    psicolgica, pela pres-so, famlia, professores e tudo o que envolve a atividade.

    K a m i l e De Souza faz bal des-de 5 anos de idade, e para ela no h nada me-lhor do que o exerccio fsico para acalmar e dar foras todos os dias. A cal-ma algo

    que predomina nos ensaios dirios, j que na sua opinio, no se pode misturar as coisas: entrou na sala o pensamen-to s de bal. Hoje eu vejo que misturar as coisas o pior erro, nenhum bailarino de ver-dade deixa de viver em fun-o da dana, mas sim a adota como uma profisso e estilo de vida, assim como qualquer outro advogado, professor o u mdico, raciocina Kamile.

    Depois de muito tempo de dana, o bailarino percebe que certas coisas j no importam mais, que o belo no o que achava que era, que a consci-ncia corporal o que h de mais importante nessa moda-lidade. Saber que tudo est ligado, que os msculos fa-lam com o bailarino (alm da fora e da tcnica) , que a fora deve ser aliada da respirao, que todos os membros do cor-po so um s no final, que preciso mentalizar a coreogra-fia, que cada movimento pode comprometer meses de ensaio e dedicao. uma espcie de situao limite, pois a pessoa se encontra com ela mesma, e com tudo que fez e precisa fazer. Se falhar, o problema ser nico e exclusivo seu.

    Quem deve lapidar o ta-

    lento o prprio bailarino, ningum mais. Isso o que acha Patrick Lorenzetti, que faz bal h trs anos. Come-cei muito tarde, acho que sen-ti mais dificul-d a d e do que o nor-m a l . F o i preciso m u i t o m a i s f o r a e dedicao para conseguir danar como hoje, conta ele.

    As aulas somente do o preparo fsico para as apre-sentaes, mas a cabea que vai determinar o su-cesso do danarino. uma vida paralela, nela preciso esquecer tudo e todos, pois as tentaes para no levar to a srio sero muitas.

    A dana exige uma alta dose de concentrao e su-perao. Existe tambm o estmulo ao companheiris-mo, a diviso de espao, o trabalho em grupo, abdica-o do pessoal em favor do coletivo. Afinal, no fcil aceitar ser a ltima da fila de corpo de baile sem estar

    convencido destes valores, enfatiza Dora Soares, dire-tora da escola de dana Studio d1.

    D e l i c a d e -za no exclusi-va para mulheres, homens tambm podem ser deli-cados sem perder a masculinidade. No bal, h um preconceito muito grande em relao aos. homens que praticam a dana

    Se at Arnold Schwarzenegger

    Arquivo Pessoal

    O ser bailarino: desafios para o sucesso

    j fez bal para aperfeio-ar alongamento, expresso corporal e postura, por que garotos como Maikon no podem? Puro preconceito, que no Brasil excessivo.

    A famlia um fator de-terminan-te desse p r o c e s -so, se no h apoio as coisas se com-p l i c a m , e muitas vezes, so-

    nhos morrem por preconcei-to, dificuldades financeiras, alm da prpria preguia. Maikon tem 11 anos e faz bal desde os nove. Vindo de uma famlia humilde e com poucos recursos, ele tem um objetivo de vida, que ser um grande baila-rino. Todos os dias o peque-no garoto vai para as aulas de bal, se esfora e acredita que est chegando cada vez mais perto do xito profis-sional que deseja. Sua av no acredita no bal como projeto de vida do neto, assim como muitas outras pessoas acham besteira.

    J os pais dele apoiam mui-to, lutam todos os dias junto dele contra o preconceito.

    Delicadeza no exclusiva para mulheres, homens tam-bm podem ser delicados sem perder a masculinidade.

    Arquivo Pessoal

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