O uso da técnica de facilitação neuromuscular ... ?· 1 O uso da técnica de facilitação neuromuscular…

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    O uso da tcnica de facilitao neuromuscular proprioceptiva para

    ativao do msculo tibial anterior na promoo de marcha funcional

    em pacientes com dficits decorrentes de acidente vascular enceflico

    Messias Augusto das Neves Neto

    1

    e-mail: lordnetinhus@hotmail.com

    Dayana Priscila Maia Mejia

    Ps- graduao em Neurofuncional Faculdade vila

    Resumo

    O Acidente Vascular Enceflico resulta na restrio de irrigao sangunea ao crebro,

    causando leso celular e danos na funo neurolgica. As causas mais comuns so: os

    trombos, o embolismo e a hemorragia. Dependendo da rea acometida exibe sinais e

    sintomas especficos. Dentre essas manifestaes clinicas temos a hemiplegia, cuja disfuno

    motora reflete no ato da deambulao por afetar o msculo tibial anterior, importante

    dorsiflexor do tornozelo durante a marcha, e assim, gerar o p cado. Diversos mtodos

    fisioteraputicos tm sido utilizados para a reabilitao motora e fortalecimento dos

    membros inferiores, sendo um desses a Facilitao Neuromuscular Proprioceptiva, a qual

    promove ganho da funcionalidade atravs dos seus diversos efeitos fisiolgicos. Esta reviso

    de literatura tem por finalidade demonstrar os possveis efeitos que a Facilitao

    Neuromuscular Proprioceptiva desencadeia no msculo tibial anterior e como isso influencia

    na melhora da marcha destes indivduos. Portanto, a utilizao desta tcnica promove

    melhores respostas do sistema musculoesqueltico, diminuindo a espasticidade, ajudando no

    controle neural e restabelecendo a funcionalidade do tibial anterior. Porm, foram

    encontrados poucos estudos referentes utilizao da Facilitao Neuromuscular

    Proprioceptiva associado estimulao do msculo tibial anterior, necessitando, portanto,

    do desenvolvimento de pesquisas no s qualitativas, mas quantitativas sobre o tema exposto.

    Palavras chave: Acidente vascular enceflico; Marcha; Msculo tibial anterior.

    1. Introduo

    O acidente vascular enceflico (AVE) o surgimento agudo de uma disfuno neurolgica

    devido a uma anormalidade na circulao cerebral, tendo como resultado sinais e sintomas

    que correspondem ao comprometimento de reas focais do crebro (OSULLIVAN e

    SCHMTZ, 2004). As doenas circulatrias ou vasculares do sistema nervoso central (SNC)

    constituem a terceira causa de morte nos pases desenvolvidos, sendo responsveis por 9-15%

    dos bitos na populao acima de 30-40 anos. Alm disso, sua incidncia aumenta com o

    avanar da idade, de 100/ 100.000 indivduos com idade entre 45-54 anos para mais de 1800/

    100.000 naqueles com idade superior a 85 anos. As alteraes circulatrias podem resultar em

    hipxia, isquemia ou hemorragia (BRASILEIRO FILHO, 2006).

    As manifestaes clnicas do AVE so altamente variveis em virtude da anatomia complexa

    do encfalo e sua vasculatura (FAUCI et. A, 2006). Segundo OSullivan e Schmtz (2004) e

    Romero et al (2008), h uma srie de dficits possveis, como alteraes no nvel de

    conscincia e comprometimentos nas funes de sentidos, motricidade, cognio, percepo,

    linguagem e sensitiva.

    1 Ps-graduando em Neurofuncional

    Orientadora

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    Lianza (2001), diz que o paciente acometido por um AVE apresenta hemiplegia, esta uma

    sndrome caracterizada pela perda da motilidade voluntria em uma metade do corpo

    (hemicorpo), a perda parcial da mobilidade, em qualquer nvel, conhecida como

    hemiparesia. A hemiplegia pode instalar-se subitamente, ser progressiva ou precedida de

    prdromos. O tempo de evoluo das formas progressivas extremamente variado, podendo

    ser de horas e meses ou mesmo anos, em certas doenas degenerativas. Esses fatores esto

    ligados a etiologia da doena que desencadeia afeco.

    A disfuno motora um dos problemas frequentemente encontrados nesse distrbio que

    refletir em uma marcha cujos parmetros mensurveis, tais como, velocidade, cadncia,

    simetrias, tempo e comprimento de passo e passada, sero deficitrias. Essas alteraes no

    so apenas devido fraqueza muscular, mas tambm a anormalidades complexas no controle

    motor (SCHUSTER, SANT e DALBOSCO, 2007).

    A marcha em sua definio mais simples pode ser conceituada como a maneira ou o estilo de

    andar, ou ainda, como um mtodo de locomoo (SMITH et al, 1997; SCHUSTER et

    at,2007). Representa o nvel final e de mais alta funcionalidade em um indivduo, e sua

    restaurao desempenha um papel primordial na reabilitao do paciente hemiplgico

    (OSULLIVAN e SCHMTZ 2004; DAVIES, 1996).

    O ato de andar quase sempre possvel para a maioria dos pacientes que sofreram AVE, mas

    o regresso ao padro normal raro. A diminuio desta habilidade uma das maiores perdas

    funcionais nos pacientes com sequelas motoras (LAZZARESCHI, 2010).

    A alterao na ativao do msculo Tibial Anterior (T.A.), que tem como funo a

    dorsiflexo do tornozelo durante a marcha, acarretar grande prejuzo para o paciente, como o

    arrastar dos artelhos no solo durante a fase de balano (p cado), ocasionando grande

    dispndio energtico, tornando essa marcha lenta, laboriosa e abrupta (ROMERO et al, 2008;

    SMITH et al,1997).

    Diversos mtodos fisioteraputicos tm sido utilizados para a reabilitao motora e

    fortalecimento dos membros inferiores (MMII). Entre os mtodos mais comumente utilizados,

    pode-se citar a Facilitao Neuromuscular Proprioceptiva (MENINGRONI et al, 2009).

    A Facilitao Neuromuscular Proprioceptiva (FNP) um mtodo de tratamento global, onde

    se acredita que todo ser humano, mesmo aqueles portadores de distrbios limitantes, tenham

    um potencial funcional ainda no explorado (ADLER, 2007).

    O mtodo FNP foi iniciado pelo mdico e neurofisiologista Dr. Herman Kabat na dcada de

    40, que idealizou a utilizao dos princpios de Sherrington, neurofisiologista, para tratamento

    de deficientes especialmente com sequelas de poliomielite, levando em conta essa filosofia a

    tcnica baseia-se na ideia de que todo o ser humano, incluindo aqueles portadores de

    deficincia, tem um potencial existente no explorado. Esse trabalho comeou com a

    fisioterapeuta Margareth Knott, e juntos desenvolveram o mtodo estabelecendo alguns

    princpios como: resistncia mxima, irradiao da fora muscular forte proximal para a fraca

    distal, movimentos em espiral e diagonal, inibio e inervao recproca (MOTA et al,2005).

    De acordo com Adler (2007), o objetivo do FNP promover ganho da funcionalidade por

    meio da facilitao, do fortalecimento e do relaxamento de grupos musculares, utilizando para

    isto, contraes concntricas, excntricas e estticas, somando-se aplicao gradual de

    resistncia e procedimentos facilitatrios, visando atingir as necessidades adequadas a cada

    indivduo.

    O FNP possui diversos efeitos fisiolgicos dentre os quais, efeito ps-descarga, somao

    temporal, somao espacial, irradiao, induo sucessiva e inervao recproca serviro

    como mtodo para recrutamento e reeducao muscular. Essa tcnica visa movimentar ou

    mobilizar nervos e msculos, utilizando os recursos proprioceptivos dos receptores sensrio-

    motores presentes nas articulaes enviando uma mensagem ao SNC, informando a este como

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    deve ser executado o movimento e, ainda, o posicionamento do corpo numa determinada ao

    (propriocepo).

    Esta reviso de literatura tem como objetivo geral mostrar a influencia do uso do mtodo de

    FNP, na ativao da musculatura do Tibial Anterior, tendo como objetivo especfico

    descrever as diagonais mais utilizadas e qual o princpio desencadeado pela mesma.

    2. Fundamentao Terica

    O Acidente Vascular Enceflico uma patologia associada a alteraes nos vasos do crebro.

    Estas alteraes so duas: isqumica e a hemorrgica. O AVC Isqumico implica em uma

    reduo do fluxo sanguneo cerebral. Esse fluxo e importante porque permite transportar para

    o crebro o oxignio e nutrientes essenciais ao funcionamento das clulas que o constituem.

    Se esse fluxo reduzido ou interrompido, as clulas cerebrais deixam de receber esses

    elementos essenciais e acabam por morre. O AVC hemorrgica corresponde a alterao da

    permeabilidade dos vasos sanguneos cerebrais ou mesmo a ruptura do mesmo. Assim, h

    sada de sangue desses vasos provocando a formao de um aglomerado de sangue que

    comprime as estruturas cerebrais, alterando seu funcionamento. A fisiopatologia o tecido

    nervoso depende totalmente do aporte sanguneo para que as clulas nervosas se mantenham

    ativas, uma vez que no possui reservas. A interrupo da irrigao sangunea e consequente

    falta de glicose e oxignio necessrios ao metabolismo provocam uma diminuio ou

    paragem da atividade funcional na rea do crebro afetada . Se a interrupo do aporte sanguneo demorar menos de 3 minutos, a alterao reversvel,

    no entanto, se ultrapassar os 3 minutos, a alterao funcional pode ser irreversvel,

    provocando necrose do tecido nervoso.

    A arteriosclerose produz a formao de placas e progressiva estenose do vaso. As suas

    sequelas so ento a estenose, ulcerao das leses arteriosclerticas e trombos.

    A trombose cerebral refere-se formao ou desenvolvimento de um cogulo de sangue ou

    trombo no interior das artrias cerebrais, ou de seus ramos. Os trombos podem ser deslocados,

    viajando para outro local, sob a forma de um mbolo.

    Os mbolos cerebrais so pequenas pores de matria como trombos, tecido, gordura, ar,

    bactrias, ou outros corpos estranhos, que so libertados na corrente