Resumo de Epistemologia

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    10-Sep-2015

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Epistemologia

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<ul><li><p>1EPISTEMOLOGIA: CONSTRUO DO CONHECIMENTO</p><p>episteme + logia = epistemologia </p><p> cincia + estudo = estudo da cincia</p><p> RESUMO DA AULA 01</p><p> CONCEITO DE EPISTEMOLOGIA</p><p>De acordo com a etimologia (origem), a palavra epistemologia signifi ca:</p><p>A epistemologia o estudo fi losfi co da origem, natureza e limites do conhecimento. Tambm conhecida como teoria do conhecimento, que estuda: estrutura, mtodos, validade e as possibilidades do ser humano alcanar esse conhecimento.</p><p>Tem duas vertentes: uma empirista, que diz que o conhecimento deve ser baseado em tudo o que for apreendido durante toda a vida; e a racionalista, que diz que a fonte do conhecimento se encontra na razo e no na experincia.</p><p>A epistemologia surgiu com as ideias de Plato, fi lsofo grego que fundou a Academia e que foi discpulo de Scrates e mestre de Aristteles.</p><p>Na teoria de Plato o conhecimento o conjunto de todas as informaes que descrevem e explicam o mundo. Para chegar a isso, o fi lsofo grego trabalha com a oposio de ideias entre a crena, que diz respeito a um ponto de vista subjetivo, e o conhecimento, que deve representar uma crena verdadeira e justifi cada.</p><p>As condies para a construo do conhecimento so:</p><p>Para Plato, quando estamos perante as trs condies necessrias - crena, verdade e justifi cao - que podemos afi rmar estar de posse de um efetivo conhecimento. Consideradas isoladamente, nenhuma condio sufi ciente para que haja conhecimento. </p><p>Para entender esse conceito precisamos compreender o processo pelo qual construmos o conhecimento. Exemplo: Existe a crena de que uma determinada planta possa curar uma certa doena, ento elabora-se uma receita. Por muito tempo as pessoas a usam, aparentemente com sucesso, at que algum resolve estudar os efeitos dessa planta. Quando os efeitos so comprovados cientifi camente chegamos ao conhecimento verdadeiro.</p><p>CRENA Primeira condio necessria para o conhecimento;</p><p> Pode ser verdadeira ou falsa;</p><p> Uma crena falsa no poder conduzir a um conhecimento.</p><p>Exemplo: Olha-se para o cu e acredita-se que ele azul.</p><p>VERDADE Segunda condio: para que haja conhecimento, necessrio que uma pessoa acredite em algo que seja verdadeiro;</p><p> Nem sempre uma crena verdadeira se trata de um conhecimento.</p><p>Exemplo: Se voc perguntar as pessoas qual a cor do cu, muitas respondero que ele azul pois o esto vendo azul.</p><p>JUSTIFICAO Terceira condio necessria para que acontea o conhecimento;</p><p> Consiste na razo que suporta a verdade da crena;</p><p> S podemos conhecer aquilo que se pode justifi car.</p><p>Exemplo: A luz branca formada por vrias cores, cada uma com um comprimento de onda diferente. Isso o que nos permite enxergar as cores quando a luz entra em contato com a atmosfera. O azul possui um menor comprimento de onda, o que faz com que ela se espalhe em todas as direes e d ao cu essa tonalidade.</p></li><li><p>2EPISTEMOLOGIA: CONSTRUO DO CONHECIMENTO</p><p> TIPOS DE EPISTEMOLOGIA</p><p>EPISTEMOLOGIA GLOBAL: trata do saber de forma geral; dos conhecimentos multidisciplinares, sejam especulativos ou cientfi cos, considerando os problemas do conjunto de sua organizao.</p><p>Vamos pensar no aumento da temperatura na Terra de forma geral. Podemos abordar vrios aspectos relacionados a esse tema e sobre as consequncias que este aumento de temperatura causa ao planeta.</p><p>EPISTEMOLOGIA ESPECFICA: trata dos conhecimentos especfi cos de uma disciplina, aprofundando seus estudos e considerando as possveis relaes que mantm com as demais disciplinas.</p><p>Pensemos agora sobre as causas do aumento da temperatura da Terra. Ao nos delimitarmos a esse assunto, tratamos de conhecimento especfi co. Digamos que uma das causas o acumulo de lixo produzido pelas pessoas. Passamos a estudar a reduo necessria da produo de lixo para amenizar o aumento da temperatura, mas precisamos do auxlio de vrias disciplinas para analisar os dados da pesquisa.</p><p>Realize uma pesquisa sobre os tipos de epistemologia. Voc encontrar a Epistemologia Particular, da qual no tratamos, mas interessante conhecer.</p><p> EPISTEMOLOGIA NAS ORGANIZAES</p><p>O conceito de epistemologia foi criado h muitos anos e at hoje utilizado em diversos segmentos da sociedade, principalmente nas organizaes. </p><p>Estabelea agora uma relao entre o que foi visto at aqui e o que diz Riche e Monte Alto (2001, p. 37):</p><p>As organizaes que aprendem so formadas por pessoas que expandem, </p><p>continuamente, a sua capacidade de criar os resultados que desejam, onde se estimulam </p><p>padres de comportamento novos e abrangentes, a aspirao coletiva ganha liberdade </p><p>e as pessoas exercitam-se, continuamente, em aprender juntas. Essas organizaes </p><p>s podem ser construdas quando entendemos que o mundo no feito de foras </p><p>separadas e que, no mundo de hoje, a capacidade de apender contnua e rapidamente </p><p>a nica vantagem competitiva sustentvel.</p><p>Observem que a ampliao do conhecimento permeia todo o conceito descrito por Riche e Monte Alto. importante lembrar que existem dois tipos de conhecimento: o conhecimento tcito, que se refere ao conhecimento de mundo que cada um tem; e o conhecimento explcito, que o conhecimento cientfi co. Estes conhecimentos se completam e se relacionam. </p><p>O conhecimento construdo ao longo da vida. As pessoas recebem as informaes relacionando-as com outras, construindo um repertrio de saberes. Esse processo acontece de diferentes maneiras de acordo com os interesses pessoais.</p><p>As formas de conhecimento podem se transformar por meio das relaes entre elas, criando conhecimento tambm dentro das organizaes. Essas transformaes podem ocorrer de 4 modos:</p><p>Socializao: conhecimento tcito para conhecimento tcito, por meio do compartilhamento de experincias ou da observao, em encontros e dilogos informais;</p><p>Externalizao: conhecimento tcito para conhecimento explcito. Esse conhecimento cristalizado e pode ser compartilhado por meio de metforas, conceitos, hipteses, diagramas </p></li><li><p>3EPISTEMOLOGIA: CONSTRUO DO CONHECIMENTO</p><p>e modelos;</p><p>Combinao: conhecimento explcito para explcito, onde o compartilhamento se d atravs de documentos, reunies e outras formas de comunicao;</p><p>Internalizao: conhecimento explcito para tcito. o aprender fazendo, o know-how tcnico compartilhado em programas de treinamento, em experimentos e simulaes.</p><p>Conhea a histria do Sr. Sandoval, que demonstra na prtica a valorizao do conhecimento nas organizaes (baseado em Grant, 1996):</p><p>O Sr. Sandoval tem uma fbrica de televisores. De olho no mercado, ele decide ampliar seus negcios e abrir uma linha de monitores para computadores.</p><p>A fbrica j dispe de mo de obra e insumos, mas no tem pessoal especializado para montar os monitores.</p><p>Ento, o Sr. Sandoval tem uma ideia! Ele contrata o Sr. Fujiko, especialista em montagem de monitores.</p><p>O Sr. Fujiko ensina a equipe do Sr. Sandoval a montar os monitores. Com esse aprendizado, a equipe adapta a sua linha de produo e melhora o desempenho da fbrica do Sr. Sandoval.</p><p>A nova linha de montagem agrega novos valores e um sucesso de vendas, graas viso do Sr. Sandoval.</p><p>Com o sucesso desse novo produto, o Sr. Sandoval decide abrir uma fbrica de foguetes, mas essa j uma outra histria...</p></li><li><p>4EPISTEMOLOGIA: CONSTRUO DO CONHECIMENTO</p><p> RESUMO DA AULA 02</p><p> CONCEPO INATISTA</p><p>O inatismo a teoria baseada na crena de que as caractersticas e capacidades bsicas de cada ser humano (personalidade, valores, comportamento, formas de pensar, etc.) so inatas, ou seja, j estariam praticamente prontas no momento do nascimento.</p><p>Veja o DNA: uma molcula que existe dentro das clulas de todos os seres vivos, que traz todas as informaes biolgicas de um ser. Assim como no DNA, no inatismo o aprendizado no depende das infl uncias do meio e das interaes, o homem j nasce pronto, com todas as suas faculdades mentais, sua personalidade e seus valores.</p><p> IDEALISMO DE PLATO</p><p>Dentro dessa concepo, mesmo nascendo com algumas caractersticas inatas, nossas experincias infl uenciam nosso aprendizado.</p><p>Plato acreditava que o homem j nascia com os modelos que concebem todas as coisas do mundo, que so os arqutipos necessrios para a compreenso do que real. como se o homem trouxesse gravado na alma esses modelos.</p><p>A construo dos arqutipos se d ao longo das nossas vidas e quando morremos essas informaes fi cam registradas. Ao renascermos levamos essas informaes para a nova vida como lembranas distantes, que precisam ser reativadas.</p><p>Um exemplo que pode ser utilizado para ilustrar a Teoria da Reminiscncia o Mito de Er. Ele nos mostra claramente o que Plato estava tentando explicar: que a alma aprende todas as vezes que se une ao corpo, recebendo informaes do mundo visvel; nas vezes que se separa do corpo, contempla as coisas do mundo inteligvel:</p><p>O Pastor Er, da regio da Panflia, morreu e foi levado para o Reino dos Mortos. Ali chegando encontra a alma de heris gregos, de governantes, de artistas e inclusive de seus antepassados e de amigos.</p><p>Ali as almas contemplam a verdade e possuem o conhecimento verdadeiro. Er fi ca sabendo que todas as almas renascem em outras vidas para se purifi carem de seus erros passados, para permanecerem na eternidade e no mais voltar Terra.</p><p>Antes de voltar ao nosso mundo, as almas podem escolher a nova vida que tero. Algumas escolhem ter a vida de rei, outras de guerreiro, de comerciante rico, de artista ou de sbio.</p><p>No caminho de retorno Terra, as almas atravessam o grande rio do esquecimento e bebem de suas guas.</p><p>As que bebem muito esquecem toda a verdade que conheceram; as que bebem pouco quase no esquecem o que conheceram.</p><p>As almas que escolhem a vida de rei, de guerreiro ou de comerciante, so as que mais bebem das guas do esquecimento.</p><p>As almas que escolhem a sabedoria so as que menos bebem. Assim, na nova vida, as primeiras difi cilmente se lembraro da verdade que conheceram, enquanto as outras sero capazes de se lembrar, sendo sbios e usando a razo.</p></li><li><p>5EPISTEMOLOGIA: CONSTRUO DO CONHECIMENTO</p><p> A CONCEPO REALISTA DE DESCARTES</p><p>Ren foi um grande fi lsofo, alm de fsico e matemtico, e um dos principais representantes do Racionalismo. </p><p>A verso moderna do idealismo de Plato foi apresentada por Descartes no sculo XVII e fi cou conhecida como Racionalismo. Descartes concordava com Plato ao afi rmar que o homem j nascia com as ideias necessrias para aprender, mas para ele essas ideias so o bom senso.</p><p>Como todos sabem, o bom senso nos permite, ou deveria permitir, que faamos nossas escolhas, uma vez que ele est intimamente ligado s noes de sabedoria e razo. Todos os homens so providos de razo e, para Descartes, por meio dela que chegamos ao conhecimento verdadeiro.</p><p>Marcas do racionalismo: considerar a razo como fonte do conhecimento.</p><p>Se todos somos dotados de conhecimento, porque nos equivocamos?</p><p>Para Descartes, quando erramos estamos na verdade aplicando a razo de forma incorreta nas aes do nosso dia a dia.</p><p>O racionalismo de Descartes considera a razo e o pensamento como fonte do conhecimento, assim todos os homens so providos de razo e por meio dela possvel chegar ao conhecimento verdadeiro.</p><p>Para auxiliar as pessoas a evitarem o mau uso da razo, Descartes criou uma metodologia para chegar ao conhecimento:</p><p>dividir o problema em partes menores;</p><p>analisar as partes para resolver o problema;</p><p>concluso do problema.</p><p>Se observarmos, usamos o mtodo cartesiano o tempo todo sem nos darmos conta: em decises menores, como escolher o caminho para chegar ao trabalho; ou em grandes decises, como adquirir um imvel. Isto comprova que a metodologia fundamental na construo do conhecimento.</p><p>Descartes acreditava que o que torna o homem um ser pensante a boa conduo da racionalidade, ou seja, quando faz uso da razo. </p><p>As etapas do pensamento descritas pelo fi lsofo so:</p><p>1 Argumentao Cartesiana, que nada mais do que colocar em dvida todas as nossas crenas construdas at hoje.</p><p>2 Duvidar de todos os nossos sentidos, uma vez que nossos sentidos no so confi veis.</p><p>3 Concluso, quando voc esgota todas as possibilidades.</p><p>Para Descartes, pensamos quando refl etimos acerca do nosso conhecimento. Tambm usamos de pensamento quando nos propomos a duvidar de todas as coisas.</p><p>Pensar o fundamento seguro para a construo do conhecimento.</p><p>O pensar um aspecto do raciocnio que confi rma a existncia. A dvida o momento do raciocnio. A ao de raciocinar engloba a dvida e o pensar, por isso o resultado de tudo isso o existir.</p><p>Podemos resumir esse pensamento de Descartes com sua clebre frase: penso logo existo.</p></li><li><p>6EPISTEMOLOGIA: CONSTRUO DO CONHECIMENTO</p><p> RESUMO DA AULA 03</p><p> EMPIRISMO</p><p>Durante sculos os estudiosos tentaram chegar a um consenso a respeito da origem dos princpios racionais, da capacidade para a intuio e de raciocnio do homem. Questionava-se se as pessoas j nascem com potencialidades, dons e aptides que seriam desenvolvidos de acordo com o amadurecimento biolgico ou se tudo isso desenvolvido por meio da experincia com o mundo externo.</p><p>Voc j estudou sobre o inatismo que, resumidamente apresenta o ser humano como um agente esttico, sem a possibilidade de sofrer mudanas. Desta forma, quando o homem nasce, sua personalidade, valores, hbitos, crenas, pensamento, emoes e conduta social j esto defi nidos.</p><p>J para os empiristas, o homem ao nascer uma folha em branco e a nica fonte de conhecimento humano a experincia adquirida em funo do meio fsico, mediada pelos sentidos. Assim, o empirismo destaca a importncia da educao e da instruo na formao do homem.</p><p>O estudo do empirismo e do inatismo importante em razo das muitas questes polmicas que giram em torno destas duas teorias atualmente, como a homossexualidade, a formao de lderes e a superdotao.</p><p> MTODO ARISTOTLICO SOBRE A CONSTRUO DO CONHECIMENTO</p><p>Vrios fi lsofos adotaram a concepo empirista, dentre os quais destacamos Aristteles, um dos mais brilhantes discpulos de Plato. Tinham, porm, ideias divergentes: enquanto o mestre afi rmava haver dois mundos diferentes e separados, Aristteles acreditava que estes dois mundos estavam diretamente relacionados:</p><p>mundo inteligvel: real, imutvel, eterno. </p><p>mundo sensvel: mutvel, ilusrio.</p><p>Aristteles acreditava que podemos conhecer as coisas por meio dos sentidos e das sensaes, que nos oferecem um contato instantneo e direto com a realidade. Entretanto, como os sentidos e as sensaes no nos explica a realidade, o fi lsofo valorizava tambm outros fatores para a aquisio do conhecimento, como:</p><p>MEMRIA: onde fi cam armazenados os dados oferecidos pelas sensaes;</p><p>EXPERINCIA: os diferentes dados e informaes armazenados em nossa memria;</p><p>RACIOCNIO: associaes e concluses a que chegamos por meio das relaes entre todos os dados obtidos pela memria;</p><p>ARTE: o que nos permite conhecer o porqu e a causa de todas as coisas.</p><p>Pode-se observar como cada fator considerado por Aristteles para aquisio do conhecimento esto interligados. A partir do momento que o homem compreende a estreita relao entre o mundo sensvel, que nos permite conhecer um determinado fato; e o mundo inteligvel, que nos permite conhecer o porqu e a causa de todas as coisas, que chegamos a etapa fi nal do processo de conhecer: a cincia...</p></li></ul>