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  • ARMAZM DA MEMRIA NACIONAL

    4

    www.almanaquebrasil.com.br

    Auto-estima a reputao que adquirimos de ns mesmos.

    Nathaniel Branden, psicoterapeuta canadense.

    Diretor editorial Elifas AndreatoDiretor executivo Bento Huzak AndreatoEditor Joo Rocha RodriguesEditor de arte Dennis VecchioneEditora de imagens Laura Huzak AndreatoEditor contribuinte Mylton SeverianoRedatores Bruno Hoffmann e Natlia Pesciotta Revisora Liliane BenettiDesigners Guilherme Resende, Rodrigo Terra Vargas, Soledad Cifuentes e Juliana Cavalhieri (estagiria)Gerente administrativa Eliana FreitasAssistentes administrativas Viviane Silva e Geisa Lima Assessoria jurdica Cesnik, Quintino e Salinas AdvogadosJornalista responsvel Joo Rocha Rodrigues (MTb 45265/SP)Impresso Grfica Oceano

    PUBLICIDADEFernanda Santiago (11) 3873-9115E-mail: [email protected]

    Nos caminhos da poesia

    Elifas Andreato

    a juventude, quando iniciava a minha jornada como desenhista e j engajado na perigosa luta pela redemocratizao do Pas, ouvi um disco intitulado A Nova Cano do Povo Espanhol. A venda era destinada aos movimentos que se opu-

    nham ditadura do general Franco. Um verso me chamou ateno: Caminhante no h caminho / Se faz o caminho andando, de uma cano de Joan Manuel Serrat com versos do poeta Antonio Machado.

    Foram estes versos do poeta espanhol a inspirao para superar as dificuldades que en-frentei trabalhando em pequenos estdios de arte e agncias de publicidade. Raramente ganhava algum dinheiro e era perversamente explorado por seus donos e diretores de arte.

    Nada do que passei me afastou dos ensinamentos poticos de Antonio Machado. J tinha a certeza de que abriria meu prprio caminho e assim tem sido at os dias de hoje. H ainda muitos a serem desbravados. Eu os encaro destemidamente porque tenho um longo cami-nho j percorrido que no me permite desanimar para o que ainda h a percorrer. As dores e dissabores do passado hoje so boas lembranas do meu aprendizado. Lembranas de um tempo pelo qual todos passam de um jeito ou de outro.

    Jamais esqueci os versos inspiradores da minha perseverana. Fiz e fao o meu caminho sem esquecer que, nesta longa caminhada, nunca estive sozinho. Neste espao, pratico o que aconselha um velho ditado francs: A gratido o corao da memria. Por acreditar que nenhuma obrigao mais urgente que a gratido, recorro sempre memria para agradecer queles que generosamente tornaram possvel o meu caminhar. A memria guarda uma enorma lista de benfeitores.

    Um deles Attilio Baschera, que no fim da dcada de 1960 se deparou com um desenho meu feito para um outdoor, anunciando a programao da Rdio Piratininga. Gostou do que viu e mandou seu assistente me procurar. Levou-me da pequena agncia de publicida-de na qual trabalhava para ser estagirio da editora Abril.

    Um novo e auspicioso caminho que, em pouqussimo tempo, transformou a minha vida. Na Abril aprendi meu ofcio e encontrei os grandes mestres que, com suas lies e exem-plos, deram minha vida e trabalho o nobre significado da solidariedade.

    Sou grato a todos. No posso deixar de agradecer ao assistente de Attilio Baschera que me trouxe o bilhete premiado. E seu nome, vejam s, era Salvador!

    O Almanaque est sob licena Creative Commons. A cpia e a reproduo de seu contedo so autori-

    zadas para uso no comercial, desde que dado o devido crdito publicao e aos autores. No esto includas nessa licena obras de terceiros. Para reprodu-o com outros fins, entre em contato com a Andreato Comunicao & Cultura. Leia a ntegra da licena no site do Almanaque.

    N

    Distribuio em voos nacionais e internacionais

    [email protected] www.almanaquebrasil.com.br twitter.com/almanaquebrasil

    O Almanaque uma publicao da Andreato Comunicao & Cultura.Rua Dr. Franco da Rocha, 137 - 11 andar Perdizes. So Paulo-SP CEP 05015-040 Fone: (11) 3873-9115

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    Parceria

    ndice 5 cARtA ENiGMticA

    6 voc SABiA?

    13 PAPo-cABEA

    16 iLUStRES BRASiLEiRoS

    20 ESPEciAL

    24 BRASiL NA tv

    26 JoGoS E BRiNcADEiRAS

    27 o tEco-tEco

    28 vivA o BRASiL

    32 EM SE PLANtANDo, tUDo D

    34 BoM HUMoR

    Ruy ohtake

    A alma do negcio

    Paulo Machado de carvalho oliva parte 2

    Ptio do colgio

    capa Rodrigo Terra Vargas cANtoS E LEtRAS

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    Maro 2012

    Essa garota ainda est muito crua, errou Tom Jobim ao recusar Elis Regina para um musical nos anos 1960. Diferente da previso do maestro, a gacha recm-chegada ao Rio de Janeiro logo mostrou a que veio. A foto da poca faz jus ao apelido que recebeu no comeo da carreira: Hlice Regina. Companheiro dela no programa O Fino da Bossa, Jair Rodrigues tenta acompanhar a coreografia frentica. O movimento expressivo de balanos e giros com os braos a acompanharia carreira afora.

    RepRoduo

    vida parecia que levaria Mauro Faccio Gonalves para a Arquitetura. O rapaz nascido na mineira Sete Lagoas chegou a se matricular na Faculdade de Belas Artes de Belo Horizonte

    na dcada de 1950. Mas a sua real paixo apesar da timidez era outra. Decidiu ento largar os estudos para se dedicar aos tablados e ao rdio. Anos depois, e com outro nome, se transformou em um dos humoristas mais conhecidos do Pas.

    A trajetria foi rpida. Primeiro entrou em um grupo de teatro, ao mesmo tempo em que fazia esquetes de humor na rdio Inconfidncia de Belo Horizonte. Em 1963, chegaria tev, na pele do desastrado garom Moranguinho, num programa da TV Excelsior do Rio. No sairia mais da telinha.

    Na dcada de 1970, foi convidado por trs humoristas para fazer parte de um outro programa. Para criar o personagem, inspirou-se num sujeito simples com quem havia convivido

    na infncia. E, para batiz-lo, usou o nome de um galo que criava em seu quintal em Sete Lagoas.

    Era considerado o melhor ator do grupo at porque seu per-sonagem era o mais diferente de sua personalidade real. Afinal, definia-se como um sujeito careca, baixinho e barrigudo, sem graa alguma. Mas quando dava vida ao personagem, surgia um rapaz ingnuo, doce e divertido.

    Alm da tev, tambm participou de dezenas de filmes ao lado do grupo. As crianas adoravam imitar seus trejei-tos e, principalmente, sua risada caracterstica. Uma infeco pulmonar lhe tirou a vida em 18 de maro de 1990. Tinha apenas 56 anos. Um de seus companheiros de programa, s lgrimas, o definiu: Era como se ele no tivesse crescido. Era um sonhador, sem maldade nem malcia. Vai fazer uma falta tremenda. (BH)

    SOLUO NA P. 26

    - cangac

    + min

    - ida

    + o - la - vo - p

    - tr - da + hor - o + esOO

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    www.almanaquebrasil.com.br

    M A R O

    26/3/1772 fundAdA PORtO AlegRe,

    AtuAl cAPitAl dO RiO gRAnde dO Sul. O PRiMeiRO nOMe dA cidAde fOi

    fRegueSiA de SO fRAnciScO dO PORtO dOS cASAiS.

    www.almanaquebrasil.com.br

    u sou apenas um rapaz latino-americano sem parentes militares, disse Augusto

    Pontes em sua posse como professor de Comunicao da Universidade de Braslia, no comeo dos anos 1970. Na plateia estava Belchior, que se inspirou no discurso do amigo para criar Apenas Um Rapaz Latino-Americano, um de seus maiores sucessos. Essa apenas uma das contribuies do poeta, compositor e publicitrio para a cultura cearense e nacional.

    No fim dos anos 1960, Pontes ajudou a organizar, ao lado de Belchior, Ednardo, Fagner e outros, um movimento que misturava msica e literatura: o Pessoal do Cear. J no fim dos 1970, foi um dos produtores do histrico Massafeira Livre, evento que novamente colocou a produo cultural cearense em evidncia nacional. Alm disso, comps mais de 500

    Inimigos no teriam chance com Augusto Pontes

    letras de canes, como Carneiro e Lupscnica.

    Mas sua especialidade era a conversa franca em mesas de bar, onde surgiam suas frases curtas e provocativas, como a unio s se faz fora e o comunismo acabou antes de chegar aos pobres. Difcil imagin-lo como professor da UNB. Ele definitivamente estava imune proverbial chatice acadmica, escreveu o poeta Ruy Vasconcelos.

    Quando Pontes morreu, em 2009, o jornalista Augusto Cesar Costa escreveu um tocante texto sobre o amigo, em que

    finalizava: Amou muito, foi amado, teve amigos a perder de vista. No se tem notcias de inimigos. Mesmo porque nunca tiveram a menor chance.

    No site do AlmANAque, leia uma matria sobre o Pessoal do Cear.

    E

    5/3 dia do po

    eta

    cearense

    RepR

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    o

    No site do AlmANAque, confira outras matrias sobre o plantio de rvores nas cidades.

    le ainda nem se entendia por gente, mas j entendia as plantas. Caetano Beccari era

    menino e ajudava o pai na lavoura em Santo Antnio de Posse, interior de So Paulo. Nascido em 1924, aprendeu cedo a tirar o sustento da terra.

    Aos 19 anos, foi procurar seu caminho na

    Aos 87 anos, seu Caetano segue plantando rvores para o futuro

    E(Las duarte)

    cidade grande. Voou bem alto: entrou

    para a Aeronutica. Tornou-se especialista em hidrulica de avies. Passou anos a fio dedicando-se mecnica, cuidando com esmero das aeronaves mandadas para a guerra na Itlia, mas nunca perdeu o hobby da jardinagem.

    De muda em muda, deixava espalhadas as rvores que tanto admira.

    Aos 67 anos, j aposentado, seu Caetano resolveu dar nova cara aos terrenos que a Aeronutica tem na capital paulista. escolhia as sementes, preparava o solo para receber a plantinha, e pronto. At 2009,

    a contabilidade dele somava precisamente 1.023 rvores plantadas, a maioria frutfera. ergueu bosques em seis unidades da Aeronutica, incluindo uma no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Cada tronco registrado segundo a espcie e a localizao em um catlogo. Sua maior plantao fica no aeroporto Campo de marte, no bairro de Santana: mais de 340 unidades.

    escolas, praas, canteiros pblicos e privados tambm receberam as rvores de seu Caetano. Aos 87 anos, ele ainda no pensa em abandonar o ofcio voluntrio. quer continuar semeando vida, regada a muita modstia: eu acho que ainda posso fazer uma coisa boa.

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    (BH)

    29/3/1693 fundAdA cuRitibA, AtuAl

    cAPitAl dO PARAn. O PRiMeiRO nOMe dA cidAde

    fOi nOSSA SenhORA dA luz dOS PinhAiS.

    21/3 dia das flor

    estas

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    Maro 2012

    Inimigos no teriam chance com Augusto Pontes

    construo da usina hidreltrica de Serra da Mesa trouxe grande impacto ambiental e social para a regio norte de Gois. Mas, por conta de seu lago,

    trouxe tambm o turismo, a pesca e fez ressurgir lendas como a do Nego dgua, que pode ser ouvida em todo o Brasil. Em Gois, ela j era contada pelos mais antigos, que juravam ver nos rios, principalmente nas cachoeiras, o bicho danado.

    Antes da construo da hidreltrica, existia no rio Maranho a cachoeira do Machadinho. Segundo moradores mais antigos, ela surgiu a partir de um grande paredo de pedras construdo por escravos para garimpar ouro no fundo do rio. Quando o paredo no resistiu, a gua levou escravos e o ouro, formando a cachoeira. L os pescadores diziam ouvir gritos e at uivos: seriam os gemidos dos escravos mortos com o desabamento que, revoltados, apareciam como Negos dgua, assombrando as pessoas.

    Seu Pedro, um dos moradores da regio, afirma com certeza que foi vtima da assombrao: No gosto nem de lembrar. A canoa comeou a balanar forte, peguei o faco e fiquei procurando. De repente, vi uma mo preta com os dedos tortos sacudindo a canoa. Desci o faco! Nem sei se o grito foi meu ou do bicho!. Depois, tratou de juntar os dedinhos despedaados em uma latinha.

    A a histria cresceu, tomou estrada e o fantasma continuou aparecendo em vrias partes do lago. Os assustados que o veem s ainda no notaram se o mesmo Nego dgua de seu Pedro, sem os dedos da mo.

    203 candidatos disputaram a presidncia em 1894

    (BH)

    No site do AlmANAque, leia sobre outras passagens do mandato de Prudente de morais.

    Nego dgua volta a assombrar o norte de Gois

    A

    A

    (Sivaline, de uruau-Go oVeRMuNdo)

    SAIBA MAIS leia outros textos sobre lendas brasileiras em www.overmundo.com.br.

    RepR

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    ps a proclamao da Repblica, tivemos dois presidentes escolhidos por acordos

    polticos: Deodoro da Fonseca, em 1889, e Floriano Peixoto, em 1891. eleies diretas s aconteceram em 1894. Apenas homens alfabetizados e de posse, acima de 21 anos, alm de militares e religiosos, puderam ir s urnas decidir o futuro poltico do Pas.

    Duzentos e trs cidados lanaram candidatura para o posto mais importante da Nao. entre eles, figuras famosas, como Prudente de morais, Afonso Pena e Rui Barbosa.

    No dia do pleito, em 1 de maro de 1894, 356 mil pessoas compareceram s urnas o voto no era obrigatrio e apenas 35% dos eleitores estiverem presentes. O escolhido foi o paulista Prudente de morais, com avassaladora vitria: 88% dos votos. J Rui Barbosa, um dos intelectuais mais importantes da histria do Pas, terminou as eleies apenas em quarto lugar, com menos de 1% dos votos.

    enigma figurado

    RepR

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    u

    o

    R.: confira a resposta na pgina 26

    O pequerrucho da foto, nascido em Fortaleza em 8 de maro de 1962, sempre teve jeito para o humor, principal

    mente para as imitaes.

    Seu primeiro emprego, no entanto, foi como revisor de texto em

    um jornal. Aos 20 e poucos anos, chegou a apresentar um telejornal

    regional da Globo, mas queria mesmo era estar nos palcos. Com o

    apadrinhamento de Chico Anysio, tornou-se um dos humoristas mais

    conhecidos do Pas, vivendo um personagem que abusava do lcool.

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    21/3 dia mundia

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    da gua

    Prudente de morais, o primeiro presidente eleito por voto direto.

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    www.almanaquebrasil.com.br

    Com poema de Bilac, Ceclia ops Brasil e Alemanha

    u no sou sorvete para ser dissolvido, ironizou o treinador Joo Saldanha. mas

    no dia 17 de maro de 1970, s vsperas da Copa do mundo, a Confederao Brasileira de Desportos resolveu dissolver a vitoriosa comisso tcnica da seleo verde e amarelo.

    Na definio do cronista Nelson Rodrigues, o comandante de Pel, Tosto e companhia era capaz de explodir na presena de um fsforo aceso. Semanas antes da demisso, teria perdido a pacincia ao ser pressionado pelo presidente mdici, responsvel por algumas das maiores barbaridades da ditadura militar brasileira, a escalar um jogador que admirava. Ao ser perguntado por um reprter se no colocaria em campo o centroavante Dad maravilha, Saldanha disparou: me entendo bem com o presidente. Nem eu escalo ministrio, nem ele escala seleo.

    Saldanha perdeu o cargo, Zagallo assumiu o comando e Dad vestiu a camisa canarinho. Como sequer entrou em campo na Copa, pode-se dizer que no contribuiu para o tricampeonato mundial conquistado no mxico. Tampouco Zagallo mudou muito a forma de a seleo jogar, uma vez que o time j estava astuciosamente organizado.

    Para o pesquisador Carlos Ferreira Vilarinho, autor de Quem Derrubou Joo Saldanha, a declarao foi apenas a gota d`gua em uma relao j estremecida. em 1969, o treinador no medira palavras sobre os crimes cometidos s escuras pelo regime, depois que seu amigo, o guerrilheiro Carlos marighella, fora assassinado. era inadmissvel para os militares no poder que um desafeto do regime conquistasse a maior glria do futebol nacional.

    SAIBA MAIS Quem Derrubou Joo Saldanha, de Carlos Ferreira Vilarinho (livros de Futebol, 2010).

    E

    (Np)

    eclia Meireles era s uma garota de 11 anos quando recebeu do poeta Olavo Bilac uma medalha

    de ouro. Ainda nenhuma relao com versos o prmio destacava distino e louvor da jovem estudante durante o curso primrio. Quem diria que algumas sries adiante a estudante dedicada fosse punida por questes de disciplina? Com uma coincidncia: Bilac estava de novo na histria.

    Era um poema dele que a menina declamava no intervalo das aulas em uma sala vazia, aos 13 anos. O diretor recm-empossado da Escola Normal do Rio de Janeiro passava pelo corredor e, ao ouvir Ceclia, tratou de acabar com o recital. Proibiu que as futuras professoras continuassem declamando um autor to imoral. As normalistas se inflamaram. Um movimento de insubordinao ao diretor chegou at aos jornais e algumas alunas foram convocadas a depor em altas instncias da educao.

    A aluna Ceclia Benevides Meireles, que vai ser inquerida pela alta administrao da prefeitura, rf de pai e me e filha da falecida professora pblica Mathilde Meireles. Foi assim que o nome da adolescente apareceu na imprensa pela primeira vez, em 1915. No fundo, tudo estava ligado ao posicionamento do Brasil contra a Alemanha durante a Primeira Guerra Mundial. O diretor era alemo; e Bilac, um defensor da aliana contra os alemes.

    No fim do incidente, Ceclia ganhou uma advertncia formal. Mas no demorou para que o caso terminasse de vez com o afastamento de Hans Heilborn da direo da escola.

    SAIBA MAIS Pensamento e Lirismo Puro na Obra de Ceclia Meireles, de leila V. B. Gouva (edusp, 2008).

    C

    (Np)

    ARQ

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    LAu

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    A

    16/3 dia da normalista

    Joo Saldanha no queria

    ditadores escalando

    a seleoconfira a respos

    ta na pgina 26

    de quem so estes olhos?

    Nascida na paulista Taubat em 8 d

    e maro de 1929, a dona destes olh

    os lanou-se

    na vida artstica como integrante da

    dupla caipira Rosalinda e Florisbela.

    Depois,

    a moa apareceu nas primeiras tran

    smisses da TV Tupi, em 1950, e des

    de ento

    est presente na telinha. Considera

    da a rainha da tev brasileira, at ho

    je

    comanda um famoso programa de

    variedades. Ficou fcil, no?

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    Maro 2012

    O que se colhe em MARO

    estao colheita

    Goiaba, limo, tomate, caqui, pera, repolho, tangerina, figo.

    o ba do Baro

    Nossa homenagem a Aparcio Torelly, o Baro de Itarar.

    ela primeira vez no Brasil, o carnaval gravado em filme com todos os seus

    rudos, anunciavam os cartazes pelas ruas do Rio de Janeiro. em 6 de maro de 1933, estreava A Voz do Carnaval, primeiro longa-metragem brasileiro produzido com o processo movietone, em que os sons eram gravados na pelcula. At ento, na hora de exibir um filme, o projecionista tinha que se desdobrar para sincronizar as imagens com discos de 78 rotaes por minuto. A Voz do Carnaval marcou tambm a estreia de Carmen miranda como protagonista.

    O filme-revista carnavalesco, dirigido por Adhemar Gonzaga e Humberto mauro, misturava realidade e fico. Comeava com a chegada do Rei momo ao porto do Rio. quem dava vida ao gorducho era o verdadeiro inspirador do surgimento do Rei momo, o jornalista moraes Cardoso.

    Na estreia de Carmen, Rei Momo fugiu para ver o carnaval

    (BH)

    P

    m 6 de maro de 1817 eclodiu no Recife a Revoluo Pernambucana. entre os ideais dos rebeldes estavam a independncia do

    Brasil e a instaurao do regime republicano. um dos entusiastas do movimento era Jos Igncio Ribeiro de Abreu e lima, conhecido como Padre Roma, que no era padre, mas advogado o fato de ter frequentado um convento e morado na Itlia lhe rendeu o apelido.

    Os revolucionrios conseguiram depor o governador da provncia e tomar Pernambuco. Padre Roma foi ento incumbido de estender os ideais Bahia. Ao chegar l, porm, foi preso e executado, em 29 de maro de 1817.

    Os baianos pr-monarquia exaltaram a atitude. At versinhos foram feitos: Foi preso o padre e os seus / O que for justo direi / Por se levantar contra o rei / Nosso senhor / Ento justia destroa / Dos falsos pernambucanos / Que sempre sero dos baianos / Inimigos.

    As foras portuguesas derrotariam a Revoluo Pernambucana dois meses depois, adiando em cinco anos a independncia do Brasil e por mais de sete dcadas o fim da monarquia.

    E

    (BH)

    SAIBA MAIS Carmen, de Ruy Castro (Companhia das letras, 2005).

    marotambm tem

    1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 3031

    Dia do Turismo Ecolgico

    Dia da Luta contra a Censura no Brasil

    Dia Nacional do Meteorologista

    Dia das Sociedades de Amigos de Bairro

    Dia do Filatelista Brasileiro

    Dia da Padroeira dos Pescadores

    Dia Mundial da Orao

    Dia Internacional da Mulher

    Dia da Padroeira dos Pintores

    Dia do Sogro

    Dia Estadual do Motociclista (SP)

    Dia Mundial do Caf

    Dia do Conservacionismo

    Dia do Careca

    Dia Mundial do Consumidor

    Dia da Era Espacial

    Dia Internacional da Marinha

    Dia da Chuva

    Dia Mundial do Arteso

    Dia do Gari Goianense

    Dia Mundial da Poesia

    Dia Mundial da frica

    Dia Mundial da Meteorologia

    Dia da Unio dos Povos Latino-Americanos

    Dia do Especialista em Aeronutica

    Dia do Mercosul

    Dia do Acupuntor

    Dia do Revisor

    Dia da Central do Brasil

    Dia do Futebol de Salo

    Dia da Integrao Nacional

    No site do AlmANAque, leia sobre a atuao de Jos Incio de Abreu e lima, filho de Padre Roma, na independncia da Amrica espanhola.

    Revoluo Pernambucana no atravessou fronteira com a Bahia

    O soberano teria que cumprir uma agenda oficial, mas no quis saber de formalidades. quebrou o protocolo e foi curtir o carnaval pelas ruas cariocas. Carmen miranda entrava em cena entoando canes como Fita Amarela, de Noel Rosa, e moreninha da Praia, de Braguinha.

    Depois da estreia carioca, o filme foi apresentado em outras cidades pelo Brasil e at em Paris. A Voz do Carnaval tornou-se uma srie, filmada a cada carnaval at os anos 1940. Do filme inaugural, entretanto, no sobrou uma cpia para ilustrar a histria.

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    cIN

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    RA H

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    Quando uma estrela de Hollywood se v obrigada a usar o mesmo marido durante dois anos sinal evidente de que est em grande decadncia.

    Cena de A voz do Carnaval, primeiro longa de Carmen miranda.

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    www.almanaquebrasil.com.br

    Fases da Lua1 . 2 . 3 . 4 . 5 . 6 . 7 . 8 . 9 . 10 . 11 . 12 . 13 . 14 . 15 . 16 . 17 . 18 . 19 . 20 . 21 . 22 . 23 . 24 . 25 . 26 . 27 . 28 . 29 . 30 . 31

    cheia novacrescente crescenteminguante

    oc um ndio offline? Torne-se um ndio online. assim que o portal ndios Online convida os povos indgenas a trocarem experincias pela

    rede mundial de computadores. O projeto de reunir em um mesmo site as diferentes caras indgenas do Brasil surgiu em 2005 e hoje administrado pelo ponto de cultura Thydws. Desde ento, o portal integra comunidades de Alagoas, Bahia, Paraba, esprito Santo, mato Grosso e pretende alcanar todas as regies do Pas.

    A proposta que o espao seja um local no qual as comunidades se comuniquem, troquem informaes e promovam suas tradies. Seja por meio de textos, fotos ou vdeos. Por dia, h mais de 1.500 acessos. um dos primeiros entusiastas da novidade foi o ndio Nhenety, da tribo Kariri-xoc. Ao conhecer o site, ele tornou-se um dos incentivadores de um projeto paralelo, o livro Arco Digital, com textos e trocas de informaes de diversas etnias. Hoje, o computador tambm pode ser usado pelos ndios como um instrumento de defesa e caa, afirma Nhenety.

    O portal tambm muito usado para denncias. em uma postagem recente, o cacique Sumakrir, da comunidade mato-grossense de Guajajaras, alerta para a perseguio de fazendeiros da regio. Noutro texto, ndios Patax Hhhe, da Bahia, pedem ao governador que se empenhe no julgamento sobre a validade de seu territrio.

    Aos poucos, os indgenas vo percebendo que o sinal de internet pode ser bem mais eficaz que os sinais de fumaa que utilizavam alguns de seus antepassados.

    Sinal de fumaa coisa do passado na era da internet

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    onhea o mundo. As palavras de um cartaz afixado em um nibus de Belm do Par

    chamaram a ateno de Hildelene Lobato Bahia. Ela prestou ateno no anncio sobre a abertura de vagas na escola da Marinha Mercante no porque estivesse interessada em cruzar os mares. A dica era para o irmo, que sonhava em fazer parte da corporao. Foi o acaso que a levou a desbancar a exclusividade masculina e ser a primeira mulher a frente de um petroleiro, aos 35 anos.

    A ento estudante de contabilidade s se inscreveu no teste para estimular o irmo. Em 1997, pela primeira vez o centro de instruo abriu vagas tambm para o sexo feminino. Com dois empregos, Hildelene nem imaginava que seria a nica dos dois Lobato Bahia a passar da primeira fase. Enfrentou at a ltima etapa da seleo, uma prova de natao em que garantiu o primeiro lugar. Detalhe: aprendeu a nadar 15 dias antes.

    A promessa do cartaz no nibus se cumpriu: Hildelene conheceu o mundo, em viagens Europa, frica e Oceania. E no s. Em 2009, ao tornar-se a primeira mulher a assumir o comando de um navio-tanque brasileiro, afirmou: A bordo dos navios, conheci o mundo que era quase totalmente masculino. E ajudei a construir um novo mundo, onde a equidade de gneros um fato.

    Hildelene pegou um nibus e cruzou os oceanos

    C

    (Np) (BH)

    No site do AlmANAque, confira uma matria sobre mulheres pioneiras.

    SAIBA MAIS Site do portal ndios Online: www.indiosonline.net.

    Origem da expresso

    Fazer um biscate Os portugueses chamavam de bis

    catos as migalhas de

    alimentos que as aves levavam a seus filhotes.

    Por associao, tornou-se o nome dado

    a pequenas gratificaes que os funcionrios p

    blicos davam a seus protegidos. A

    expresso, o mesmo que fazer um bico, pass

    ou ento a ser usada para definir quem

    realiza trabalhos rpidos, a fim de levantar um

    dinheirinho a mais.

    17/3 dia internacional da marinha

    31/3dia da incluso digital

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    Maro 2012

    1 domingo Odilo2 segunda Macrio de Alexandria 3 tera Genoveva4 quarta Elisabete Seton5 quinta Joo Nepomuceno6 sexta Reis Magos7 sbado Raimundo de Peafort8 domingo Torfino9 segunda Constantino 10 tera Gonalo11 quarta Baltazar12 quinta Tatiana13 sexta Hilrio de Poitiers14 sbado Barbsimas15 domingo Mauro16 segunda Marcelo17 tera Anto18 quarta Ctedra19 quinta Mrio20 sexta Sebastio21 sbado Ins22 domingo Vicente da Espanha23 segunda Joo, o Esmoler24 tera Francisco de Sales25 quarta Paulo26 quinta Paula27 sexta ngela de Brscia28 sbado Toms de Aquino29 domingo Gildas30 segunda Bertila31 tera Joo Bosco

    riesO ariano acima de tudo algum que luta pelos ideais em que acredita. covardia de situaes arriscadas e medo da opinio alheia no esto no vocabulrio deste signo regido por marte. extrovertido e espontneo, costuma ser lder nas empreitadas das quais faz parte. compra brigas, mas sempre em busca do que considera justo. como no podia deixar de ser, o elemento que acompanha o ariano o fogo.

    21-3 a 20-4

    e terno e gravata, Tony Tornado foi muito elogiado pelo papel de Gregrio Fortunato,

    em 1993. A carreira de ator em humorsticos, filmes e novelas ganhou prestgio com o papel de brao direito de Getlio Vargas em uma minissrie. Antes de encarar a atuao como profisso, porm, Antonio Viana Gomes j tinha dado muito assunto para a opinio pblica em situaes bem diferentes.

    lenos extravagantes, sapato plataforma e cala boca de sino: Tony acompanhava elis Regina na cano Black is Beatiful, no Festival Internacional da Cano de 1971. quando a frase eu quero um homem de cor soou no estdio do maracanzinho lotado, ele deixou o protocolo: levantou o brao com o punho fechado, assim como faziam os panteras negras americanos. Sa de l algemado, lembra. O engajamento do artista pela causa lhe custaria a sada do Pas, em tempos de ditadura militar. J conhecia o exterior: tinha sido l que tomara conscincia do movimento.

    Paraquedista da turma de Silvio Santos no exrcito, Tony chegou at a servir ao Brasil no egito. mas a viagem que mais marcou sua vida foi quando desistiu de tudo para arriscar a sorte nos estados unidos. Ao voltar para o Rio de Janeiro com um enorme cabelo black power e sotaque nova-iorquino do Harlem, no agradou em nada os militares que haviam tomado o poder quatro anos antes.

    Alm da dana la James Brown que o apelidou, no bairro negro de Nova Iorque Tony tinha aprendido tambm a lutar contra a discriminao racial. Jogou-se na carreira de cantor entoando versos como Sou negro e ningum vai rir de mim e Quando duas mos se encontram / Jogam no cho a sombra da mesma cor. entre vrios suingues de soul abrasileirado e letras polticas, teve o compacto Deus Negro censurado. Voc teria por ele esse mesmo amor/ Se Jesus fosse um homem de cor?, indagava a faixa.

    enquanto fingia ser uma atrao estrangeira em boates cariocas, Tony no incomodava muito. O problema foi quando o articulador do movimento musical Black Rio venceu um Festival Internacional da Cano em escala nacional de televiso, ao interpretar BR-3, em 1970. Ter um caso amoroso com uma apresentadora branca tambm no ajudava a salvar sua ficha. Inventaram at que a dramtica BR-3 fazia apologia ao uso de cocana.

    Paguei muito caro por comandar o movimento Black Rio. Acharam que estvamos incitando o racismo e me chamavam de crioulo comunista, comenta ele. Os militares temiam que na agitao cultural de msica black nascesse uma espcie de panteras negras tupiniquim.

    No fim, Tony precisou viver anos exilado no uruguai, na Tchecoslovquia e em Cuba. mas quando avalia o perodo, s guarda orgulho: O saldo do movimento black foi acima do que estvamos esperando. Sobre o exlio, tambm no tem mgoas: No tem problema, no, dom. Voltei mais brasileiro que nunca.

    D

    Tony Tornado pagou caro por defender sua cor 21/3 dia para

    eliminao da discriminao racial

    (Np)

    RepR

    od

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    o

    No site do AlmANAque, confira msicas de Tony Tornado dos anos 1970.

    So Constantino

    Rei de uma regio onde hoje a esccia,

    cometeu uma srie de pecados, inclusive assassinatos, em

    nome do poder. mais tarde arrependeu-se dos atos e decidiu seguir o caminho de Deus. Renunciou ao trono e se isolou em um mosteiro durante sete anos. Ao voltar a sua terra, j era

    um homem simples e espiritualizado, dedicado a evangelizar a populao.

  • Quem so esses brasileiros?Tambm conhecida como Classe C, a Nova Classe Mdia Brasileira (NCM), representada por famlias com renda domiciliar mdia de R$ 2.374,00, dita as atuais regras do mercado brasileiro. Se h 10 anos era considerada um nicho, hoje abrange 53,9% dos brasileiros. Estamos falando de quase 100 milhes de pessoas que juntas respondem por mais de R$ 1 trilho do poder de compra no Pas. A NCM , sem dvida nenhuma, a engrenagem de consumo no Brasil.

    Como chegaram l?Com a melhora do quadro econmico do Pas e, principalmente, com o fim da hiperinflao, os integrantes da NCM conquistaram enfim a estabilidade na carreira profissional. Tendo acesso a empregos formais, obtiveram o direito de usufruir de linhas de crdito, o que lhes permitiu a realizao de boa parte dos sonhos de consumo. Agora, alm de adquirir eletrodomsticos e mveis, a Nova Classe Mdia Brasileira viaja de avio, planeja a compra de imveis e faz planos para o futuro.

    Quais espaos ocuparam?A Nova Classe Mdia Brasileira est presente em diversos espaos de consumo. Os seus integrantes acessaram lugares onde nunca haviam imaginado estar. Por exemplo, a NCM maioria entre os consumidores do Pas que faz refeies fora de casa. Tambm conquistaram o poder para, alm de adquirir bens de consumo, pagar por servios diversos. Algo que faz desse pessoal presena constante nos shopping centers, cinemas, aeroportos, cruzeiros martimos e universidades.

    Rua Haddock Lobo, 337 3 andar - Cerqueira CsarSo Paulo - SP CEP 01414-001 Tel: (11) 3218-2222 e-mail: [email protected] Twitter: @DataPopularRM

    Quer saber mais? Ligue pra gente:

    De onde so? Esto espalhados por todo Pas, mas, ao contrrio do que a grande maioria pensa, no esto concentrados na regio Nordeste, que na verdade um reduto da Classe D. A Nova Classe Mdia Brasileira tem maior presena proporcional em relao s demais classes na regio Sul do pas.

    Curiosidades Florianpolis a capital mais Classe C do Brasil. Sete em cada dez cartes esto nas mos da NCM ou das classes D e E. Metade dos veculos novos vendida para pessoas das classes C, D e E.

    Renato Meirelles Scio diretor do Data Popular

    Ol, leitor de Almanaque Brasil.Voc que j est acostumado aos

    diversificados assuntos trazidos mensalmente por esta publicao, ter neste e nos prximos meses um espao exclusivo para ns, do Data Popular, revelarmos as curiosidades da Nova Classe Mdia Brasileira (NCM).

    Alm de temas relacionados cultura popular,

    Nova Classe Mdia o retrato do Brasil de verdade

    de pessoas que acessaram definitivamente o mercado consumidor no Pas, traremos resultados de recentes pesquisas desenvolvidas por nossa equipe de especialistas.

    Qualquer dvida sobre os assuntos que aqui sero abordados ou querendo conversar com a gente, no hesite em entrar em contato, por e-mail, telefone ou redes sociais.

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    Maro 2012

    Em 2002, o escritrio de Ruy Ohtake recebeu um telefonema inesperado. Do outro lado da linha estava um representante da associao de moradores de Helipolis, uma das reas mais carentes

    de So Paulo. O homem o convidava para ajudar a bolar alguns projetos para a comunidade, principalmente voltados s crianas e adolescentes. Assim o aclamado arquiteto se envolveu em

    uma grande empreitada pela identidade da comunidade. A arquitetura pode contribuir para uma cidade mais igualitria, aprendeu na prtica. Os projetos desenvolvidos em Helipolis so um

    dos grandes orgulhos de Ruy Ohtake, que se notabilizou por construes como o Hotel Unique e o Instituto Tomie Ohtake, em So Paulo, ou a embaixada brasileira em Tquio. Filho da artista plstica Tomie Ohtake e admirador de Oscar Niemeyer, desde os anos 1960 o mais carioca dos

    arquitetos paulistas aposta na extravagncia de cores e curvas. Defende: Quem tem medo de ousar nunca ser de vanguarda. O desafio da arte romper com o senso comum e abrir novos caminhos.

    Ruy sabe que as obras de hoje formaro a arquitetura do nosso tempo. Por isso trabalho acreditando na esttica, buscando inovao, sensao, emoo. E acreditando no Brasil, completa.

    Ruy Ohtake

    Por Bruno hoffmannD

    I PER

    EIRA

    A arquitetura tem que provocar emoo

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    www.almanaquebrasil.com.br

    Sua me tinha um ateli dentro de casa. Isso influenciou sua forma de ver e fazer arquitetura? Influenciou, sim. uma das razes para tanto eu quanto meu irmo sermos arquitetos. No porque ela tenha dito para cursarmos arquitetura. Nunca to-cou no assunto. Foi uma deciso nossa, mas o ambiente de pintura ajudou. Outra influncia dela, que entendi bem de-pois de formado, foi acreditar na intuio. Ela sempre pin-tou acreditando muito nela, apesar de no dizer. Ns fomos percebendo depois. muito importante saber desenvolver a intuio, tanto quanto possuir tcnica.

    Suas obras so ousadas e, por vezes, recebem crticas. Como voc lida com isso? A vanguarda sempre foi polmica. E quem tem medo de polmica nunca ser de vanguarda. Inovar cami-nhar pelo desconhecido, ir um pouco alm do consenso, seja para qual direo for. A intuio diz o caminho que se deve seguir. O desafio da arte romper com o senso comum e abrir novos caminhos. algo que fui amadu-recendo em minha vida. Sempre que viajava, o que eu queria ver era a arquitetura recente de cada local. E ficava imaginando uma conversa minha com o autor da obra, tentando adivi-nhar o que ele tinha pensado para projetar da-quela maneira. A esttica na arquitetura muito importante. Pouca gente vai para o Mu-seu Guggenheim, em Bilbao, ou para o Coli-seu, em Roma, simplesmente pela histria ou pelas exposies. A beleza das construes o que atrai.

    Qual obra contempornea mundial mais lhe im-pressiona? O Museu Guggenheim e o Museu de Arte Contempornea, em Niteri. So obras muito representativas do mundo moderno. S entrar no MAC j um passeio. Sobe-se pela rampa e, antes de entrar, se depara com a baa da Guanabara. Os muselogos convencionais diziam que o espao no serviria para exposi-es porque a viso da Guanabara seria to atraente que o pblico no prestaria ateno nas obras. Eu refutava: Ento que se coloque exposies importantes.

    Sua arquitetura marcada pelas cores. Por que as obras das nossas cidades, pelo contrrio, insistem na neutralidade de bege, cinza e branco? H uma certa influncia europeia de umas dcadas pra c. O Brasil historicamente sempre teve muita cor. Pode pe-gar o exemplo de cidades muito antigas preservadas, como Parati, Ouro Preto ou Salvador. tudo muito bonito e colori-do. E no uma cor pastel, mas cores fortes. Se vermelho, vermelho mesmo. Se azul, azul mesmo. o que chamo de cor de compromisso. O Brasil sempre foi assim, mas, no en-tanto, nos ltimos 80 anos tem deixado um pouco de lado essa identidade. Eu insisto na cor desde o princpio da carreira.

    Suas obras tambm so conhecidas pelas curvas. Por que a opo por formas arredondadas? Eu acredito que a arquitetura sempre

    tem que provocar emoo. As curvas trazem elementos que provocam sensaes diferentes das formas convencionais. No comeo da carreira, por causa da opo pelas curvas, eu passei at a ser chamado de o mais carioca dos arquitetos paulistas, em referncia aos cariocas da poca famosos por esse estilo, como o prprio Oscar Niemeyer.

    O Niemeyer, ento, importante para a criao do seu estilo? , sim. Ele o arquiteto mais significativo no s do Brasil, mas do mun-do. Outro dia disse que ele era o maior do sculo 20 e ele ficou bravo: P, estamos no sculo 21 e eu no morri ainda!. E est trabalhando pra caramba at hoje. Pra mim, o Niemeyer o bra-sileiro mais ilustre desde a chegada de Cabral. Ao mesmo tempo, uma pessoa muito simples, no usa palavreados difceis.

    Qual dos seus novos projetos mais te entusiasma? Um dos que mais gosto o Aqurio do Pantanal, em Campo Grande, que deve

    ser inaugurado em 2013. Sero 27 tanques com os peixes da regio e outros a cu aberto com jacars, ariranhas e todas as outras esp-cies que no podem viver dentro do aqurio. Tudo com uma rea acadmica de pesquisa forte. A inteno que a biblioteca seja uma referncia para universidades brasileiras e es-trangeiras sobre o Pantanal.

    Como voc se envolveu com os projetos em Helipolis, em So Paulo? H 10 anos um representante da associao de moradores me convidou para que eu fosse um dia comunidade com pro-postas para melhor-la. Eu no conhecia nin-gum, nunca tinha estado l. Aceitei. Antes de comear a reunio pedi para caminhar pelas vielas, para sentir melhor as condies do lo-cal. E nesta hora percebi um sentido de comu-nidade muito bonito. Um pedia ajuda ao outro, e sempre tinha algum para cooperar. No pr-dio onde moro no h esse calor humano. Des-de ento uso frequentemente a frase: Acredi-tar na comunidade acreditar no Brasil. uma pequena sntese de vrias reflexes que

    fao sobre o tema. E, um passo adiante disso, so essas refle-xes se transformarem em realizaes.

    No caso de Helipolis, como as realizaes comearam a se concretizar? Eu disse, ao sentar com o pessoal: Eu toparia fazer trabalhos com vocs, ajudar, e pela primeira e ltima vez vou usar a pa-lavra ajudar. No tem essa de ajudar. Temos que fazer juntos, com responsabilidade de todos. Eles responderam que era exatamente o que queriam. Apesar de terem questes muito importantes como de gua, esgoto, eletricidade, essas reivin-dicaes deveriam ser junto ao poder pblico. O que queriam resolver era uma questo que chamei de Identidade Cultural para Helipolis. Envolve desde preocupao com crianas e adolescentes, que tm anseio de cultura, livros, percepo ar-tstica e identidade, at a soluo esttica das casas, constru-das de forma totalmente desorganizada.

    Muitos conjuntos habitacionais so feitos dentro de gabinetes, por

    pessoas que no conhecem as

    comunidades e fazem tudo igual.

    Cada lugar diferente.

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    Maro 2012

    Com esse projeto, que concluses pode-se tirar sobre arquitetura social? Que perfeitamente possvel fazer projetos equivalentes para qualquer nvel social. No podemos ter preconceito antes de fa-zer o projeto. A arquitetura precisa ter dignidade. No porque mais pobre que se vai fazer de qualquer jeito. H alguns con-juntos habitacionais que so feitos praticamente dentro de gabinetes, as pessoas no conhecem como deveriam a comu-nidade e fazem tudo igual. Cada comunidade diferente da outra. Os redondinhos no so apenas um conjunto habita-cional, formam um condomnio. H um parque no meio onde no passa carro. Quem manda no lugar so as crianas. Cada apartamento do prdio de quatro andares tem dois quartos e o tamanho da sala comparvel s de bairros nobres de So Paulo. Na primeira etapa, iniciada em dezembro, mudaram-se 200 famlias. At o fim sero 840 famlias. Muitos esto ainda

    maravilhados, vm me falar: Nunca imaginei morar num lugar assim. Uma moradora do redondinho me contou que viveu durante 28 anos na beira do crrego, numa casa de ape-nas um cmodo, onde os nicos m-veis eram fogo, geladeira e beliche. A privada era apenas um buraco no cho, que dava direto para o crrego. muito bonito ver essa transforma-o. Est errado fazer projetos de qualquer jeito s porque para gente mais pobre. Eu fiz os redondinhos em Helipolis com o mesmo entusiasmo que projetei o (hotel de luxo) Unique. A arquitetura pode contribuir para uma cidade mais igualitria.

    O que a arquitetura pode dizer sobre um povo? A arquitetura de uma cidade constri sua histria. A histria de uma cidade se faz a cada etapa de obras fortes, bonitas, contemporneas. E so uma srie de obras contemporneas de cada poca que formam o conjunto. Essa identida-de das cidades formam a identidade cul-tural e arquitetnica do Pas.

    Com tantos arquitetos brasileiros, com ideias to diferentes, possvel criar uma cara nacional na rea? A iniciativa dos meus projetos individual, mas depois de um tempo, do projeto construdo, vai haver conjugao com o entorno. Sempre foi dito na ar-quitetura que para bolar um projeto preciso levar em consi-derao o entorno. Se bonito, bom que o novo projeto te-nha alguma relao. Agora, se mixuruca, no precisa se pre-ocupar com ele, h de fazer o que se tem na cabea. As obras de hoje formaro o entorno contemporneo e a arquitetura do nosso tempo. Ns todos temos um pouco essa misso. Tenho feito os trabalhos com muito entusiasmo. Acreditando na es-ttica, buscando inovao, sensao, emoo, e acreditando no Pas. H muitos desafios, uma srie de questes que h de resolver, mas eu confio muito no Brasil.

    Diante de tantos problemas, que importncia pode ter a cor e a est-tica de uma casa para a realidade de um lugar carente? A maioria da populao de Helipolis veio de reas rurais, do interior do Nordeste. E no chegou a viver na cidade em si, apesar de atra-vess-la para ir ao trabalho. A cor foi o primeiro passo para vi-verem uma relao de morador com a cidade no seu cotidiano. Pedi que eles escolhessem trs ruas para serem pintadas. Fo-tografamos 278 casas. Eu poderia decidir tudo no escritrio, mas resolvi voltar para Helipolis e propor uma interao me-lhor, que era de cada morador escolher a cor de sua casa. Eles pensariam na prpria casa, eu pensaria no conceito geral. Queria de alguma forma criar plasticamente o conceito de so-lidariedade que vi por l, e isso foi feito com integrao entre as cores. Pouco mais de um ms depois, aps a escolha dos moradores, j havia montado um painel cromtico. Eles vi-ram a proposta e foi uma festa. Alm de proporcionar uma relao saudvel com sua cidade, isso comea a desper-tar o olhar para sensibilidades estti-cas e artsticas. Uma marca de tinta fi-nanciou o projeto e a capacitao de pintores locais. Aos poucos as casas iam se transformando. Nada parecia com a pintura do resto da cidade, pas-saram a parecer muito mais com obras de arte. No meio do trabalho, quatro moradores que inicialmente no quiseram participar mudaram de ideia. As casas ficaram no s mais bo-nitas, como mais saudveis, pela im-permeabilizao.

    Que outros planos arquitetnicos, sociais e urbansticos puderam ajudar a mudar a realidade da comunidade? Construmos uma biblioteca com patrocnio de em-presrios e acervo doado, mas com obras de interesse para a comunidade, conforme orientao do crtico liter-rio Antonio Candido. Os bibliotec-rios tambm foram formados l. A bi-blioteca se tornou a semente de um polo educativo e cultural que funcio-na porque a prpria comunidade administra aquilo. Uma rea que antes s tinha mato se transformou num local com duas creches, uma escola tcnica e muitos outros itens de educao e cultura para os moradores. Foram necessrias muitas con-versas com o poder pblico, principalmente com a prefeitura, mas deu certo. Conseguimos at que uma rua que dividia esse terreno fosse desativada. Criou-se uma comisso extraparti-dria para fazer reunies periodicamente e orientar os mora-dores a cuidar da gesto. E est indo bastante bem. a primeira experincia brasileira de gesto da comunidade de uma rea des-te porte e nvel de educao. Por ltimo, entrei na questo da ha-bitao em si, ao projetar um conjunto de prdios ao lado do cr-rego de Helipolis, os chamados redondinhos, financiados pelo poder pblico por meio da Caixa Econmica Federal.

    Os redondinhos, em Helipolis.

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    DE

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    apresenta:

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    Vai um cafezinho?raas a uma paixo o caf chegou ao Brasil e, diferente do que se possa imaginar, foi pela regio Norte do Pas. O sargento-mor Francisco de Mello Palheta, em 1727, despachou-se para Caiena, na Guiana Francesa, com a misso de trazer mudas de Coffea arabica para o nosso Gro Par. A mulher do

    governador se encantou pelo homem e lhe deu umas sementes, clandestinamente.As sementes viraram pomar, que virou cafezal, que rumou para o sul. Invadiu Maranho,

    Bahia, Rio, So Paulo, Paran, Minas e, bem mais tarde, Esprito Santo e Rondnia. Cem anos depois da chegada ao Par, atingiu o Vale do Paraba, em So Paulo; e deu incio a novo ciclo econmico. Enfim, existamos no cenrio internacional. Caf do Brasil, exigiam mundo afora.

    Durante o sculo passado, nossa maior riqueza espalhou-se por vales e montanhas, fundou cidades, ergueu teatros, imponentes palcios e manses. Rasgou ferrovias, promoveu a industrializao; atraiu imigrantes e intensificou a miscigenao. A classe mdia se expandiu. O mercado interno cresceu. Devido ao hbito universal do cafezinho, ficamos mais ricos. Abrimos a cabea para novas ideias, que contaminaram partidos e ativistas polticos, num processo responsvel por abolir a escravido de nosso Pas e derrubar a monarquia. Hoje somos o maior produtor do mundo e o segundo maior consumidor do gro. No toa tantas histrias de almanaque comearam com um cafezinho. Vire a pgina e veja s.

    G

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    Alm de potssio, magnsio, ferro, vitamina B3, o caf contm o alcalide cafena, que nos pe ligados. Mas pesquisadores da Universidade Rutgers, dos Estados Unidos, descobriram: uma xcara durante exerccios protege contra cncer de pele.

    m 1879, o engenheiro Henrique Dumont decidiu apostar na maior riqueza do momento: assumiu uma fazenda em Ribeiro Preto, nordeste paulista. Em pouco tempo, tocava 5 milhes de ps. Construiu ramal particular da estrada de ferro, cerca de 100 quilmetros, ligando cafezais estao de embarque. Virou o rei do caf, mas ficou famoso por causa do filho: Alberto Santos-Dumont. Com apoio do pai, Alberto

    ara patrocinar a seleo brasileira de futebol, em 1979 o Instituto Brasileiro do Caf (IBC) teve uma soluo esperta, j que propagandas na camisa eram proibidas: um singelo raminho de caf, logomarca do IBC, passou a fazer parte do distintivo da seleo! Com a planta no peito, uma das melhores selees da histria disputou a Copa do Mundo da Espanha, em 1982. Garotos-propagandas inesquecveis: Zico, Scrates, Falco, Toninho Cerezo

    A primeira refeio do dia desayuno em espanhol, petit djeuner em francs, breakfast em ingls. S para ns mesmo que o gro entra no termo - mesmo que no bebamos caf, caf da manh.

    Pai da aviao deve ao pai do cafrealizou seu sonho e tornou-se o pai da aviao. Em 1891, Henrique sofreu acidente que o deixou hemiplgico. Viveria s mais um ano. Emancipou o filho e aconselhou: V para Paris; prefiro que no se faa doutor [...] no se esquea que o futuro do mundo est na mecnica. E assim, graas riqueza do caf, o brasileiro fez seu primeiro voo com o 14-Bis em 1906.

    E

    Garotos-propaganda de peso

    os anos 1960, Pel e Garrincha j tinham sido garotos-propaganda do IBC. Bem depois, com a carreira j encerrada, Garrincha voltou a assumir o papel. Ao passar uma temporada na Itlia, o ex-craque do Botafogo tornou-se uma espcie de embaixador brasileiro do caf na Europa. Para honrar o contrato, tinha que marcar presena em eventos, nos quais tomava xcaras de caf sem parar.

    Mais um caf, Garrincha?N

    P

    Santo remdio?Em todas as regies do Brasil, usos nem to comprovados so feitos com o gro. Tem soluo para todos os males. Tentar no custa, no ? Dor de cabea Cruzar trs folhas de caf na testa. Febre Amarrar na testa duas folhas de caf, em cruz. Soluo Colocar trs pingos de caf na testa da criana Clica Beber a flor do caf fervida Bronquite Beber uma xcara de caf com uma colher de manteiga.

    J PENSOU NISSO?

    Caf da manh, s em portugus

    VOC SABIA?

    Contra sono e contra cncer

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    o fim dos anos 1920, reinava ainda a poltica do caf com leite, pela qual paulistas e mineiros revezavam-se na presidncia da Repblica. Washington Lus, no entanto, indicou outro paulista para lhe suceder, Jlio Prestes. Minas se revoltou, e logo recebeu o apoio do Rio Grande do Sul. Tambm conquistou outro aliado decisivo: a Paraba, por meio do governador Joo Pessoa.

    Em 1929, o poltico enviou um telegrama de protesto ao governo federal. Negava qualquer apoio candidatura de Prestes. No foi usada exatamente a expresso nego, mas a palavra ficou como um smbolo do acontecimento. Joo Pessoa morreu naquele ano. Em clima de comoo, a capital foi rebatizada com seu nome. E seus seguidores decidiram registrar o episdio na bandeira do Estado. O verbo nego entrou como um smbolo da rebeldia paraibana contra a poltica do Caf com Leite. E, nas cores da bandeira, pintaram o vermelho de sangue e o preto de luto.

    o corao de Santos, no litoral de So Paulo, o caf tem um palcio inteiro. Hoje Museu do Caf, o imponente edifcio tombado pelo Iphan em 2009 foi inaugurado em 1922 com uma curiosa funo: Bolsa Oficial do Caf. O produto era to fundamental para a economia brasileira, na poca, que os bares dos cafs se reuniam no local como executivos do mercado financeiro frequentam a Bovespa, por exemplo.

    oi entre xcaras que abolicionistas e republicanos discutiram nossos destinos; intelectuais planejaram movimentos como a Semana de Arte Moderna. De inspirador, o caf vira inspirao para msicos, poetas. Gnios como Tarsila do Amaral e Cndido Portinari o tomaram como motivo. E, entre goles de caf, continuamos a trocar ideias, travar relaes, ler, criar, trabalhar.

    De abolicionistas a modernistas: um caf por uma ideia

    Um prdio todo para o gro

    O caf com leite que mudou a bandeira da Paraba

    F

    N

    N

    O JORNALISTA paulista Cassiano Ricardo resumiu o sabor: Sinto o gosto, o aroma, o

    sangue quente de So Paulo nesta pequena noite lquida e cheirosa que a minha xcara de caf.

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    Mil Folhas de Caf e LaranjaIngredientesMassa1 pacote de massa folhada laminada (300g)2 colheres (de sopa) de manteigaRecheio1 lata de leite condensado1 xcara (de ch) de leite Ninho integral1 colher (de sopa) de Nescaf1 colher (de sopa) de amido de milho1 colher (de ch) de raspas da casca de laranja

    Modo de preparoMassa:Em uma superfcie limpa, abra a massa e pincele com a manteiga. Corte-a em quadrados (5 cm x 5 cm) e coloque-os em uma assadeira. Leve ao forno mdio (180C), preaquecido, por cerca de 15 minutos ou at ficarem dourados. Retire do forno e reserve.

    Recheio:Em uma panela, misture o leite condenado com o Leite Ninho, o Nescaf, o amido de milho e as raspas da casca de laranja. Leve ao fogo mdio e cozinhe por cerca de 2 minutos, mexendo sempre, aps iniciar fervura. Deixe esfriar e coloque o recheio em um saco de confeitar com bico de pitanga. Recheie os quadrados de massa, alternando com o creme. Decore com raspas da casca de laranja.

    RECEITA

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    www.almanaquebrasil.com.br

    da primeira vitria, convenceria os jogadores a no se preocupar com supersties? A camisa canarinho havia trazido sucesso; a branca, por outro lado, simbolizava a frustrao da Copa perdida em casa oito anos antes. Ao fechar os olhos e rezar, viu a salvao. Disse aos jogadores que jogariam de azul, protegidos pela cor do manto de Nossa Senhora Aparecida.

    Em time que contava com Pel, Garrincha e Didi, prova-velmente no se deve ao azul a vitria indita. Mas o jogo de cintura, a direo sensata e o profissionalismo de Paulo Machado foram decisivos. Pela primeira vez uma delegao contava com mdico, psiclogo e massagista o principal papel do massagista Mario Amrico, entretanto, foi bordar os nmeros no improvisado uniforme azul e, por ordem de Paulo, roubar a bola da final.

    Unir paixo viso administrativa era o grande mrito do dirigente paulistano. Foi por esse motivo que Joo Havelange o convidou para a misso: Paulo, preciso de uma seleo campe, que faa o povo esquecer a de 1950. Por isso o quero como chefe.

    Ac

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    erto dos 90 anos, Paulo Machado de Carvalho passava o tempo ouvindo notcias de esportes na rdio Jovem Pan, assistindo a partidas de futebol na televiso e

    recebendo visitas. Se o papo fosse bom, o visitante acabava levando um presente de seu pequeno museu particular, que abrigava itens como medalhas da seleo brasileira, trofus dos ureos tempos como dirigente do So Paulo ou cente-nas de fotos histricas de artistas. Em 7 de maro de 1992, quando o empresrio morreu, restavam apenas as duas pe-as mais queridas: o mtico terno marrom que vestiu no comando de todos os jogos do escrete canarinho e a bola usada na conquista da Copa do Mundo de 1958, que o sagrou marechal da vitria.

    No quarto do hotel que recebera a seleo naquela Copa, o chefe da delegao brasileira quase se desesperava. No acreditava na descortesia dos suecos, que, mesmo jogando em casa, exigiam sorteio para ver quem ficaria com a camisa amarela cor dos dois times. Como ele, que s usava nos jogos o mesmo terno

    P

    PAULO MACHADO DE CARVALHO

    Nascido em uma tradicional famlia paulistana, ele largou a advocacia e mudou a histria do rdio, da tev e do futebol brasileiros. Ao trazer a primeira taa mundial da seleo canarinho, em 1958, consagrou-se marechal da vitria.

    De bacharel a marechal Por Natlia Pesciotta

  • O melhor produto do Brasil o brasileiroCMARA CASCUDO

    17

    Maro 2012

    Apagando fogoAo decidir aventurar-se na televiso, Paulo Machado armou-se de supersties. Garantiu presena no canal 7, conseguiu que toda a frota de carros da emissora tivesse o nmero 7 nas placas e planejou entrar no ar em 7 de setembro de 1953. A Record inovou no sistema de programas ao vivo. Depois, quando houve a proibio de se transmitir jogos em tempo real aos domingos, foi pioneira no caminho artstico. Deu chance a Roberto Carlos e incentivou a concorrncia do i-i-i com a bossa nova. Coube a seu filho, Paulinho Machado, abrir caminho para a nova gerao de msicos ao criar os festivais de msica brasileira.

    A emissora fez histria, mas verdade que alguma parte dela se perdeu nos vrios incndios que perseguiram seu fundador. O primeiro deles aconteceu quando estava recm-casado com Maria Luiza sua companheira e conselheira da vida toda. O fogo consumiu o cartrio que havia acabado de comprar. Como no recebeu nada da seguradora, decidiu nunca mais fazer um seguro. No podia imaginar que suas empresas passariam por mais quatro incndios.

    Quando Paulo Machado de Carvalho morreu, em 1992, a TV Record havia sido vendida a um grupo evanglico. Mas seu nome j tinha entrado na histria por revolucionar a gesto das comunicaes e do futebol no Brasil. Realizado, o velho marechal teve tempo de fazer um balano da prpria vida em uma entrevista de rdio: Valeu a pena pela alegria, valeu a pena pelo sofrimento.

    O lateral Djalma Santos disse que, a partir dali, as rela-es mudaram: Com o doutor Paulo havia dilogo, era possvel trocar ideias. Os dirigentes tinham confiana nos jogadores, e ns, neles. O ex-presidente do So Paulo ainda voltaria a repetir a faanha da seleo quatro anos depois, conquistando o bicampeonato mundial.

    Um bacharel fora do ninhoA me Braslia, com toda pompa de uma Machado de Oliveira, bem que tentou persuadir o terceiro dos sete filhos a gostar de costumes europeus requintados como os irmos. Mas, em uma temporada da famlia na Sua, o garoto s conseguia detestar a roupa social e o futebol quadrado dos colegas. Apesar de ser perna-de-pau, sentia saudade dos banhos de ducha no bairro do Pacaembu e de assistir no veldromo as partidas do esporte incipiente no Brasil.

    Tudo que a quatrocentona famlia de bares esperava era que o jovem se formasse logo em Direito para poder ser bacharel. Mas, aos 30 anos, ele resolveu gastar seu dinheiro e tempo em uma rdio decadente do centro de So Paulo. Em uma poca em que as emissoras no tinham muita serventia, Paulo praticamente inventou a programao do rdio brasileira: programa de ginstica, infantil com Monteiro Lobato, notcias esportivas, linguagem descontrada.

    No se faz a revoluo sem o rdio, disse o poeta Menotti del Picchia. Para Paulo Machado, cabia a recproca. A rdio Record deu voz e at trilha para a causa paulista na Revoluo de 1932. Com isso, conseguiu lugar de des-taque no dial.

    O Marechal da Vitria Uma histria de rdio, TV e futebol, de Tom Cardoso e Roberto Rockmann (A Girafa, 2005).

    De bacharel a marechalSob direo do doutor Paulo, pela primeira vez uma delegao brasileira contava com mdico, psiclogo e massagista mesmo que uma das funes fosse roubar a bola na final da Copa como amuleto.

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    uem quiser comprar uma morada de casas de sobrado com frente para Santa Rita, fale com Joaquina da Silva, que

    mora nas mesmas casas. Este anncio publicado na Gazeta do Rio de Janeiro em 1808 histrico. Pode parecer simples, mas essas palavras inauguraram a publicidade brasileira. Desde ento, muita coisa mudou. A inteno, porm, permanece a mesma: fazer as pessoas conhecerem determinado produto. E, claro, se interessarem por ele.

    Ainda durante o sculo 19 passou-se a usar anncios ilustrados. Mas ainda eram peas pouco sofisticadas, sem grandes apelos visuais e de seduo. E boa parte dos comerciantes ainda nem pensava em fazer publicidade. Havia um pensamento de que a necessidade de anunciar um produto era sinnimo de que ele era de m qualidade.

    Essa ideia mudou de vez durante as duas primeiras dcadas do sculo 20. Principal-mente quando, em 1914, foi inaugurada em

    So Paulo A Ecltica, primeira agncia de publicidade do Pas.

    De l para c, a publicidade passou a ir alm de simplesmente ajudar a vender determinado produto. Ela informa, diverte, dita costumes. Entre propaganda, cultura e sociedade h um elo to ntimo que, em determinados momentos, fica difcil distin-guir entre as partes, defende o publicitrio Pyr Marcondes, autor de Uma Histria da Propaganda Brasileira.

    Prova disso que muitas campanhas tambm embrenharam-se na cultura nacional. Apostamos que voc j usou as frases No basta ser pai, tem que participar, H gente que gosta de levar vantagem em tudo ou Bonita camisa, Fernandinho. Todas saram da cabea de publicitrios.

    Neste Especial, conhea boas histrias publicitrias de um pas que considerado referncia mundial no assunto. satisfao garantida ou seu desconhecimento de volta.

    A alma do

    negocioq

    De simples anncios em jornais a ca

    mpanhas televisivas que viraram

    febre, a publicidade influenciou a cu

    ltura brasileira seja com

    msicas, personagens ou slogans ine

    squecveis. Ela informa, diverte,

    dita costumes. E faz a economia gir

    ar. Conhea a seguir histrias

    publicitrias que entraram para a hi

    stria.

    1

    20

    Texto: Bruno Hoffmann A

    rte: Rodrigo Terra Vargas

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    Maro 2012

    At Tom Jobim se dedicou a criar jingles. Um dos mais marcantes foi feito para a linha infantil da Johnson & Johnson, arranjado e cantado pelo prprio Tom. uma obra-prima. Um jingle deslum-brante, uma poesia em estado puro, diz o publicitrio Lula Vieira. Em acordes

    delicados, a cano comea: Venham todos, meus amigos / Vamos todos festejar / O nenm mais bonitinho que acaba de chegar / bem-vinda se Maria / bem-vindo se Joo / Tenho todo o meu amor, meu carinho / Na palma da minha mo.

    O nenm mais bonitinho

    que acaba de chegarOs lana-perfumes s foram proibidos no Brasil em 1965. Antes, corriam soltos nos bailes carnavalescos. Havia at concorrncia entre as marcas, como se pode ver nas imagens acima.

    Em ConvErsa dE BotEquim,

    feita em parceria com Vadico, Noel Rosa soltava a voz: Telefone ao

    menos uma vez / Para trs, quatro, quatro, trs, trs, trs. O sucesso do samba foi tanto que a empresa

    de telefone do Rio registrou o nmero 344333 para ser usado em

    publicidades da companhia.

    Para alavancar o faturamento do Programa Cas, o locutor, compositor e desenhista Antnio Nssara tentou convencer, em

    1932, o dono de uma padaria a anunciar na atrao. Mas nada de o empresrio ceder. Teve ento a ideia de propor um anncio

    gratuito. Apenas se desse resultado positivo assinariam o contrato. Para bolar

    algo diferente e agradar o portugus, resolveu compor uma cano em ritmo de fado. E assim nascia o primeiro jingle

    da histria do Brasil: padeiro desta rua / Tenha sempre na lembrana / No me traga outro po / Que no seja o po Bragana. A padaria Bragana tornou-se

    a mais famosa do Rio, e o dono, antes receoso, assinou contrato por um ano.

    padeiro desta rua

    A primeirA AgenciA de publicidAde do brAsil nasceu em So Paulo. A Ecltica, criada em 1914, abriu caminho para a profissionalizao na publicidade nacional. At os poetas Menotti del Picchia e Guilherme de Almeida criaram textos para os anncios da nova agncia.

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    Tocar na banda, pra ganhar o qu? / Duas mariola e um cigarro Yolanda, cantava Adoniran Barbosa em Tocar Na Banda. Os cigarros Yolanda foram dos mais ven-didos a partir dos anos 1920. O dono da marca inspirou-se na modelo Yolanda DAlencar para lanar o produto. A emba-

    lagem trazia uma sensual imagem da mu-lher seminua. Era normal que um sujeito chegasse no botequim e pedisse: Quero a loira infernal. Na dcada de 1940, o corpo inteiro da modelo foi substitudo pelo rosto de uma loira annima. E as vendas despencaram.

    Uma das marcas mais conhecidas do Brasil a 51. Mas de onde surgiu o nome da cachaa? Uma verso pe o Palmeiras na histria. Em 1951, a equipe paulista conquistou a Taa Rio, uma espcie de mundial interclubes. Um grupo de torce-dores alviverdes lanou logo em seguida a caninha Palmeiras 51 em homenagem ao ttulo. Pouco depois a Indstrias Mller teria comprado a destilaria, mas mantido a marca. Agora sem o Palmeiras, para agradar a todas as torcidas. S em 1978 seria lanado o slogan uma boa ideia.

    Loira infernaL aLavancou a venda de cigarro

    pAlmeirenses se d izem donos de umA boA ideiA

    At o comeo dos anos 1980, era proibido que clubes de futebol brasileiros estam-passem marcas publicitrias em seus uniformes. O Flamengo, campeo mun-dial de 1981, por exemplo, foi obrigado a recusar uma proposta de 1,2 milho de dlares da Toyota para estampar sua marca na camisa rubro-negra. A regra caiu logo em seguida. E os clubes entraram em campo com essas marcas em seus mantos sagrados:Corinthians - Bom Bril (1983) Flamengo - Lubrax (1984) Palmeiras - Aveia Quaker (1984) Grmio - Coca-Cola (1987).Detalhe: o logotipo da marca de refrige-rantes na camisa do Grmio foi impresso sem o tradicional vermelho da corporao, cor do rival Internacional.

    Os mantOs sagradOs

    ganharam nOvOs smbOlOs

    as primEiras transmissEs da tEv BrasilEira

    eram todas ao vivo. Inclusive os comerciais. A TV Tupi resolveu ento contratar belas moas para anunciar os produtos as primeiras garotas-propaganda de que se tem notcia. A

    mais famosa delas foi Neide Aparecida. O pblico ficava na expectativa para a moa olhar para a cmera, abrir um

    sorriso sensual e falar, pausadamente, o nome do patrocinador: To... Ne... Lux!.

    Pel j estrelou comerciais de cartes de crdito, medicamentos, refrigerantes, videogames, loterias

    e de uma infinidade de outros produtos. S dois tipos de propaganda

    o Rei do Futebol se negou a fazer: bebidas alcolicas e cigarros. E no apenas depois de se tornar

    milionrio. Em 1958, uma marca de cachaa ofereceu um bom dinheiro para que o jovem craque batizasse uma nova cachaa como Caninha

    Pel. Seu pai, Dondinho, estava quase fechando o negcio quando

    o garoto de 17 anos ponderou: Pai, propaganda de pinga no pega bem.

    E o negcio foi desfeito.

    PEL NO QUIS SABER DE VIRAR NOME DE CACHA A

    PEL NO QUIS SABER DE VIRAR NOME DE CACHA A

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    O Mug da Sorte era um boneco de uns 20 centmetros que foi sensao entre as celebridades dos anos 1960. Criado para aumentar as vendas de uma marca de roupas de So Paulo, tinha garotos-propaganda como Wilson Simonal, Hebe Camargo, Mauricio de Sousa e Chico Buarque. O compositor de A Banda que desde ento se nega a fazer propagandas costumava subir aos palcos em suas apresentaes com

    o boneco embaixo do brao. Uma das passa-gens mais inusitadas, que soa at como golpe publicitrio, foi quando um jornal anunciou o arrombamento do carro do compositor. Os marginais teriam levado o boneco, um casaco azul e alguns rascunhos de msica. Chico s se lamentou pelo Mug: No sou supersticioso, mas no se pode desprezar essas mensagens. Me afeioei ao boneco e o trazia sempre junto ao pra-brisa.

    CarlOs mOrenO, O garOtO bOm bril, est no livro dos recordes como o garoto-propaganda que mais vezes gravou comerciais para a mesma empresa. Desde 1978, protagonizou mais de 340 comerciais para a marca que inicialmente era apenas de uma esponja de ao.

    No deixe de conferir os nossos produtos polit icAmente incorretos

    Mug da Sorte foi SenSao entre aS celebridadeS

    chocoLates Pan A partir de 1952, a Pan passou a trazer em uma de suas linhas de chocolates a imagem de um garoto com um chocolate em forma de cigarro na mo, como se estivesse fumando. Por motivos bvios, o garoto parou de dar umas tragadas em 1996. Passou ento a usar a mo direita para fazer um simptico sinal de positivo. Hoje, esse produto da Pan chamado de Chocolpis. Loterias PauLista Ao contrrio do que a indstria da moda propaga atualmente, h algumas dcadas ser gordinho era sinal de distino social. Significava que o sujeito tinha dinheiro para se alimentar bem. Era exatamente a ideia deste anncio da Loteria Paulista de 1945, na qual dois orgulhosos rechonchudos indicam a dois magrinhos que os dias de bonana tambm chegaro a eles. Bastaria apostar na Loteria Paulista. fusca Neste anncio da dcada de 1960, a Volkswagen levou ao extremo o ditado preconceituoso: Mulher ao volante, perigo constante. Na pea, a montadora de automveis exalta o baixo preo das peas do Fusca, afinal, mais cedo ou mais tarde sua esposa vai dirigir. viLa rica Em 1976, o meio-campista Grson apareceu na tev para alardear as vantagens do cigarro Vila Rica, ento um dos mais baratos do mercado. Ele disse ento a famosa frase: Por que pagar mais caro se o Vila me d tudo aquilo que eu quero de um bom cigarro? Gosto de levar vantagem em tudo, certo?. A expresso passou a ser usada em situaes em que algum levava vantagem indevida sobre outra pessoa, conhecida como A Lei de Grson. Tanto o jogador quanto o publicitrio se arrependerem da repercusso negativa do comercial. Foi produzido outro logo em seguida, no qual o locutor anunciava: Levar vantagem no passar ningum para trs, chegar na frente. Mas este caiu logo no esquecimento.

    SAIBA MAIS No site do ALMANAQUE, assista

    a vdeos de campanhas e personagens citados neste Especial.

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    24

    Mal (independente). Neste trabalho, resumimos a influncia e aprendizado que o Centro Oeste nos revelou. como o percussionista Alexandre Lemos e a pifeira Mara Ribeiro apresentam o emocionante CD. A dupla recria instrumentalmente o clima da mato-grossense Vale do Araguaia, onde ambos esto desde 2009 para entender os sons dos pssaros, das guas e dos povos indgenas do lugar.

    Bixiga 70 (independente). A big band paulistana junta jazz, funk e afrobeat para lanar seu primeiro disco. O grupo se inspira no mtico msico nigeriano Fela Kuti para produzir um som surpreendente, ao ritmo de percusso, metais, guitarras e instrumentos de sopro. Todas as msicas so da prpria banda, com exceo de Desengano da Vista, de Pedro Santos.

    Brasileiros de corao - programa 35 Holandeses em So Paulo, judeus na Amaznia, ciganos na Paraba. S podiam ser Coisas Nossas. Ilustre Brasileiro: Caryb, o argentino que retratou a Bahia como ningum. No Papo-Cabea, Olivier Anquier, o francs que botou tempero na comida brasileira. E, no Voc Sabia?, a inusitada amizade entre um embaixador suo e seus sequestradores brasileiros.

    TV Brasil: 9/3, 20h TV Cultura: 18/3, 14h30

    Ouro de Minas - programa 33 Joo Bosco o convidado especial do Cantos do Brasil. No Papo-Cabea, o educador Tio Rocha conta suas aventuras educacionais no Jequitinhonha. L de Minas vem tambm muito fuxico... Estamos falando de artesanato, s! E muitas singularidades no mapa: os mais inusitados municpios brasileiros.

    Rio de encantos mil - programa 34 Vem do Rio a entrevistada do programa, a primeira-dama do teatro brasileiro, Fernanda Montenegro. Com sua voz rouca, Martnlia traz samba e prosa para o Cantos do Brasil. Ronald Biggs, o assaltante ingls que encantou a Cidade Maravilhosa foi parar no Voc Sabia?. E, no Como que se Faz?, o caminho da prancha de surfe antes de pegar as ondas cariocas.

    TV Brasil: 16/3, 20h TV Cultura: 25/3, 14h30

    TV Brasil: 23/3, 20h TV Cultura: 1/4, 14h30

    TV Brasil: 30/3, 20h TV Cultura: 8/4, 14h30

    AlmAnAque nA estrAdA

    Prepare-se: neste ms, cada vez que o caro

    leitor sintonizar a TV Brasil s sextas-feiras

    ou a TV Cultura aos domingos, poder calib

    rar o nvel de brasilidade em um lugar

    diferente. Luciana Mello e o incansvel Alm

    anaquias, personagem de Robson Nunes,

    apresentam curiosidades, talentos e artes d

    e vrios estados do Pas. Pernambuco,

    Minas Gerais, Rio de Janeiro e Par esto no

    roteiro de maro. Antes de comear a

    viagem, confira aqui um pouco do que te es

    pera nesses lugares. E no se esquea de

    acompanhar as novidades do ALMANAquE

    pelo Twitter (@almanaquebrasil)

    e pelo Facebook (pgina do Almanaque Bra

    sil). Venha com a gente!

    Explicadores do Brasil - programa 30 Recordes e estatsticas curiosas que s o Brasil conquistou povoam este programa. Cermica marajoara s no Par. Ento fomos at l descobrir Como que se Faz?. Brasileiro sabe de futebol? No Cincia Domstica, vamos revelar se somos mesmo 190 milhes de especialistas. E no quadro do Ba, a lembrana nostlgica e apimentada das chacretes.

    www.almanaquebrasil.com.br

    TV Brasil: 24/2, 20h TV Cultura: 4/3, 14h30

    Design + Artesanato: O caminho brasileiro, de Adlia Borges (Terceiro Nome). Como aproveitar todo o potencial da produo artesanal do Pas? O livro ilustrado com belas imagens e exemplos mostra o encontro de designers e artesos como alternativa possvel. No mapeamento abrangente, objetos impregnados de afeto, memria e cultura ganham o destaque merecido tanto no cenrio artstico quanto no contexto social e econmico.

    Massafeira 30 anos, organizado por Ednardo (Aura). Cabelos desgrenhados e energia para arriscar o novo. Um movimento de cearenses como Ednardo, Fagner e Belchior deu contribuio inovadora para a cultura brasileira a partir de uma feira em Fortaleza, nos anos 1970. O livro guarda a memria do evento em fotos, cartazes, lembranas e anlises dos participantes. Na capa, a imagem-manifesto que chegou a estampar capa de disco: chifres de um carneiro desenham o smbolo do infinito.

    Com o Par ningum pode - programa 32 Pinduca, o rei do carimb, traz lambada, chego-chego e sirimb para o Cantos do Brasil. No Papo-Cabea, uma entrevista com o mdico Eugnio Scannavino, que vem transformando a realidade de ribeirinhos em Santarm. No Coisas Nossas, o poder das plantas populares, com destaque para as ervas do mercado Ver-o-Peso. E, no Cincia Domstica, tcnicas para domar a mandioca-brava.

    Para se certificar das datas e horrios de exibio, consulte o site das emissoras:

    www.tvbrasil.org.br e www.tvcultura.com.br.

  • A Revista de Cinema parabeniza o escritrio Cesnik, Quintino & Salinas Advogados, seu parceiro desde 2003, pelo reconhecimento como lder na rea de mdia e entretenimento no Brasil pelo Chambers and Partners, principal guia internacional de advocacia.

    Muito alm de conselhos legais, eles tm uma viso estratgica dos negcios.

    Chambers Latin America

    H 8 anoscom os lderes

  • 26

    Pala

    vras

    Cru

    zada

    sO Calculista das Arbias

    Nossa homenagem a Jlio Csar de Mello e Souza, o Malba Tahan

    Em um julgamento em Bagd, o sagaz mercador Sanadique foi condenado por contrabandear mercadorias. No entanto, antes que fosse proferida a sentena, o rei intercedeu, propondo que, caso provasse a sua inteligncia, Sanadique poderia cumprir a pena prestando servios coroa. Um sbio foi chamado para testar o mercador com um desafio. Comeou a indagao: Meu caro, diga-me

    uma afirmao sobre seu destino ao sair daqui. Se for verdade, irs para a priso. Se for mentira, irs para a forca. Confirmando sua esperteza, Sanadique fez uma afirmao que deixou a profecia do sbio sem sada. E assim mostrou que sua inteligncia poderia ter serventia ao reino. Mas o que teria dito Sanadique para livrar-se da morte ou da priso?

    ac

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    Respostas

    CARTA ENIGMTICA O mineiro era tido como o melhor ator dos trapalhes (Zacarias).

    ENIGMA FIGURADO Tom Cavalcante. O QUE O QUE ? Estao.

    SE LIGA NA HISTRIA 1d (Jangada); 2c (Encouraado Minas Gerais);

    3b (Paratii); 4a (Nau Prncipe Real).

    BRASILIMETRO 1b; 2a; 3a; 4a; 5c; 6b; 7c; 8c.

    O CALCULISTA DAS ARBIAS Para escapar, Sanadique proferiu a seguinte frase:

    Eu irei para a forca. Se sua sentena fosse mesmo essa e a afirmao, portanto,

    fosse verdadeira , teria que ir para a priso, tornando a afirmao falsa.

    E, caso sua sentena fosse a priso, deveria ser levado forca, tornando a afirmao

    verdadeira. Desse modo, Sanadique escapou da armadilha do sbio, sendo por fim

    condenado a prestar servios ao reino.

    Hebe Camargo

    DE QUEM SO

    ESTES OLHOS? 3 42

    1

    0

    56

    7

    8Conte um ponto por resposta certa

    valiao

    teste o nvel de sua brasilidade

    1

    2

    3

    4

    ligue os pontos

    cH

    ico

    aU

    di

    a Participou de misses militares e, no fim, serviu de depsito. A maior glria foi trazer da Europa ao Rio de Janeiro uma importante famlia, em 1808.

    b Tem o nome da cidade brasileira de onde saiu rumo a uma aventura de dois anos entre polo Sul e polo Norte. O barco levava o navegador Amyr Klink.

    c Palco da maior revolta brasileira em oceano, a embarcao era considerada modernssima quando levou o almirante negro Joo Cndido.

    d O barco tipicamente brasileiro, to citado no repertrio de Dorival Caymmi, foi usado por um lder cearense apelidado Drago do Mar.

    Nome de Zico, jogador nascido em 3/3/1953:(a) Lus (b) Arthur (c) Jos (d) Zildo

    A Macha da Famlia com Deus pela Liberdade de 19/3/1964, em So Paulo, exigia:(a) Renncia do presidente (b) Novo papa (c) Catequese obrigatria (d) Show do padre Marcelo

    Estado onde aconteceu a Guerra dos Farrapos, que terminou em 1/3/1845:(a) Rio Grande do Sul (b) So Paulo (c) Bahia (d) Pernambuco

    Toada folclrica gravada em 3/3/1947, que ganharia centenas de verses:(a) Asa Branca (b) Baio (c) Assum Preto (d) Cai, Cai, Balo

    Ao do plano Collor, de 16/4/1990:(a) Adoo do real (b) Congelamento de preos (c) Confisco de poupanas (d) Cassao de marajs

    Nome oficial do sambdromo Marqus de Sapuca, inaugurada em 2/3/1984:(a) Oscar Niemeyer (b) Darcy Ribeiro (c) Leonel Brizola (d) Joosinho Trinta

    Presidente eleito pela segunda vez em 1/3/1918, morreu antes de tomar posse:(a) Prudente de Morais (b) Artur Bernardes (c) Rodrigues Alves (d) Tancredo Neves

    Durao da primeira viagem de automvel do Rio de Janeiro a So Paulo, em 6/3/1907:(a) 8 horas (b) 26 horas (c) 33 dias (d) trs meses

  • ilustraes: luc

    iano tasso

    27

    www.lucianotasso.blogspot.com

    Brasileiro inventou o rdio, italiano levou a fama

    A figura que criou a primeira emissora brasileira, a Rdio Sociedade do Rio

    de Janeiro, foi to importante que seu aniversrio virou Dia do Rdio: 25

    de setembro. Ele era mdico e lutou para que o meio de comunicao no

    servisse apenas para aes militares, mas tambm para a educao e cultura.

    Um contrarregra,dois contrarregras,trs contrarregras.

    Trav

    a-Lngua

    pa

    ra ler e repetir e

    m vo

    z al

    ta

    fcil descobrir o nome dele: basta preencher o diagrama abaixo. O nmero de cada quadrinho indica uma letra escondida na linha correspondente do texto l

    de cima. Por exemplo: primeiro quadrinho, linha 1: R. E assim por diante.

    m italiano chamado Guglielmo Marconi entrou para a histria como o inventor do rdio. Mas fique sabendo: quem teve a ideia primeiro mesmo

    foi um padre brasileiro. O gacho Landell de Moura transmitiu sua prpria voz de um lugar para o outro de So Paulo dois anos antes, em 1891. Na poca em que

    ele fazia experimentos, o coitado no era levado muito a srio: o chamavam de maluco e at de bruxo. Tempos depois, o rdio mudou a vida das pessoas. As casas passaram a ter at um cmodo novo: na copa, as famlias ouviam notcias, msicas e novelas. Nada de Fausto ou Luciano Huck. Por muito tempo, os apresentadores mais conhecidos de programas de auditrio sonoros foram Ademar Cas e Ari Barroso, entre outros. Se hoje bastante um canal de tev passar trs ou quatro novelas diariamente, acredite que no ano de 1945 a Rdio Nacional chegou a transmitir 14 radionovelas por dia!Quando os lares comearam a ter aparelhos de televiso, algum disse: Em 10 anos,

    no existir mais o rdio. Errado! S de 2000 a 2010, o nmero de emissoras FM dobrou. So cerca de 2.600 no Pas, e isso sem contar as rdios da internet...

    U

    SOLuO NA P. 26

    104 921 133 75 7 27 5

    Tem no trem,

    tem no ano

    e tem no radio?

    R

    Com o rdio, finalmente era possvel acompanhar partidas de futebol em tempo real sem ir ao estdio. Imagine que o primeiro reprter a transmitir uma partida em 1931 no tinha auxlio de comentarista, anncios ou sonoplastia. Nicolau Tuma ficou conhecido como speaker metralhadora, de to rpido que narrava: 250 palavras por minuto! Isso quer dizer que, nessa velocidade, ele leria todas as palavras do dicionrio em menos de 11 horas. Esta pgina inteirinha, por exemplo, seria lida em menos de trs minutos. Quer tentar?

    J Pensou nisso?Foi Nicolau Tuma quem inventou as palavras em portugus para as posies dos jogadores: goleiro para keeper, beque para back e assim por diante. Depois, cada narrador deu seu toque para as transmisses. Ningum esquece, por exemplo, do ripa na chulipa e pimba na gorduchinha de Osmar Santos. Antes de Rebello Jnior, o homem do gol inconfundvel, nem existia o gooooooool comprido de hoje. Ari Barroso tocava uma gaita sempre que um time marcava. Uma vez o speaker gaitinha foi proibido de entrar no estdio do Vasco. No teve dvida: acompanhou o jogo pelo telhado do vizinho!

    Futebol do telhado

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    H quase cinco sculos, o Pateo do Collegio, como se l nos documentos histricos de 1554, o corao pulsante de

    So Paulo. Em sua singeleza, ele rene marcas de uma longa histria e do grande destino desse arraial que virou metrpole.

    sta terra, a melhor do mundo!, exclamou padre Manuel da Nbrega ao observar o bero de So Paulo. Tambm

    concluiu que no poderia haver nascimento mais adequado do que uma missa rezada diante do primeiro edifcio que ali se erguera: um pequeno colgio. No sabemos de outra cidade no mundo com origem to bela, teria dito o fervoroso sacerdote, unindo a vo-cao missionria beleza natural das terras recm-descobertas.

    Em 1553, Nbrega, superior dos jesutas no Brasil, deixou para trs a quentura de Salvador e aportou na vila de So Vicente, muito mais ao sul do litoral. Seu objetivo era escolher um bom local para fundar mais um colgio jesuta, onde padres educariam a curumin-zada toda. Subiu a Serra do Mar pelas trilhas indgenas e chegou ao Planalto de Piratininga. Ali, topetando o morro, encontrou um extenso campo que os ndios denominavam Inhapuambuu monte que se v de longe, em tupi-guarani.

    O espao lhe pareceu ideal: o relevo facilitaria a defesa, com boa viso do entorno; as terras eram frteis para o plantio e a criao de gado; o clima era agradvel e semelhante ao de sua j saudosa terrinha portuguesa; e havia tambm a fartura de gua dos rios Anhangaba e Tamanduate, que ficavam bem prximos e poderiam ser utilizados para o deslocamento dos jesutas. Sem demora, os padres comearam a erguer uma casa de pau-a-pique, paupercula domus, como definiram em latim a humilde construo.

    At essa altura da histria, todos parecem concordar. No entanto, a certido de nascimento de So Paulo tem, a partir daqui, dife-rentes verses. A mais aceita que o padre Manuel de Paiva teria celebrado a famosa missa no dia 25 de janeiro de 1554, diante da casola, com altar montado no ptio descampado. No arraial, estavam presentes ndios das tribos guaian e tupiniquim, os caciques Tibiri e Caiubi, alm dos religiosos.

    PTIO DO COLGIO

    E

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    O corao de So Paulo

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    Maro 2012

    Essa descrio, de autoria do visconde de Taunay, foi escolhida para ilustrar a renomada pintura de Oscar Pereira da Silva, que hoje decora um dos sales do museu do Ipiranga. O nome So Paulo foi o aclamado pela maioria, pois naquele dia se comemorava a converso do apstolo Paulo. Por fim, Paiva abenoou o local onde ergueriam a futura igreja e a terra onde seria plantada a metrpole de So Paulo.

    A despeito da variedade de verses que se seguiram, daquele momento restam ainda hoje no Ptio do Colgio algumas paredes de pau-a-pique envolvidas por um museu, alm de uma sala de aula e uma capela.

    Glria, po e trabalhoSo Paulo cresceu muito alm dos augrios do mais esperanoso sacerdote. Pensando bem, talvez Paiva tenha derramado uma gamela inteira de gua benta naquele ptio. E no que deu certo? Cresceu por demais da conta! Em pouco tempo, chegariam imigrantes com a fora de seu trabalho: portugueses, italianos, alemes, espanhis, japoneses. Eles foram tambm uma das nossas maiores riquezas e encantos. A diversidade tnica de So Paulo reitera a mestiagem brasileira, afirmou o escritor manauara Milton Hatoum.

    Onde, ento, erguer uma obra para homenage-los que tambm aludisse aos primeiros tempos da vila de So Paulo de Piratininga? Ora, onde mais seno no corao da cidade! O monumento Glria Imortal aos Fundadores de So Paulo, erigido diante do Ptio do Colgio, obra do escultor italiano Amadeu Zani. No topo da coluna de granito, uma figura feminina em bronze representa a cidade. Na mo direita, ela ergue uma tocha, smbolo de amor

    Preste atenoRepare na bela arquitetura dos edifcios que

    abraam o Ptio do Colgio, como o Primeiro Tribunal de Alada Civil e os prdios de nmero 148 e 184, que abrigam a Secretaria de Justia do estado de So Paulo. Todos so projetos do

    escritrio de Ramos de Azevedo.

    eterno. Na outra, um ramo de louros e uma foice, que represen-tam a glria e o trabalho. Em baixo-relevo esto Jos de Anchieta e a primeira missa.

    Os visitantes de hoje, em uma correlao entre passado e pre-sente, podem ler em uma placa a frase: Aqui foi fundada a cidade de So Paulo, em 10 diferentes idiomas. Podem ainda ver como eram as paredes de taipa de pilo; observar a primeira e rsti-ca pia batismal; e, o mais gostoso, saborear um po batizado de po do pateo feito com mandioca e azeite, conforme antiga receita inspirada nas cartas do padre Jos de Anchieta sobre a alimen-tao dos jesutas. desse sacerdote tambm a frase lapidar sobre a cidade de So Paulo: As portas que abriro o futuro do pas Brasil.

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    Onde ficarQuality Jardins Localizao privilegiada, ao lado do MASP, cinemas, teatros, shoppings e da estao de metr Trianon/Masp. Fone: (11) 2182-0400. www.atlanticahotels.com.br.Sofitel So Paulo Prximo ao parque Ibirapuera, oferece servios sofisticados, alm de completo centro fitness. Fone: (11) 3201-0800. www.sofitel.com.br.

    Onde comerCaf do Pateo Localizado no complexo do Ptio do Colgio, a casa oferece lanches como Loyola ou Nbrega e tambm almoo completo. Como sobremesa, prove o Taipa de Pilo, goiabada mineira com mousse de queijo. Fone: (11) 3105-6899.Cervejaria So Jorge Rodeado por uma galeria de fotos com os mais famosos Jorges do mundo, o cliente pode escolher entre grelhados com corte especial ou peixes, acompanhado das cachaas Chiboquinha, Esprito Santo ou a paulistana Birita. Fone: (11) 3107-0123. www.cervejariasaojorge.com.br.

    O Ptio do Colgio tem mais

    Estando no Ptio do Colgio, preciso ver as paulistinhas, pequenas imagens de barro

    com cinco a 25 centmetros de altura, sempre apoiadas em pedestais, que medem um tero do tamanho das figuras. Parte do acervo do Museu Anchieta, elas so consideradas documentos

    de uma cultura material desaparecida.

    Igreja do Beato Jos de AnchietaNo interior do templo, h alguns elementos originais, painis em azulejos de C. Pastro retratando o trabalho dos jesutas e uma relquia encontrada na Faculdade de Cincias de Lisboa: o ba com os ossos e o manto que pertenceram ao padre Jos de Anchieta, enviado de Portugal para o Brasil em 1971.

    Biblioteca Padre Antonio VieiraO acervo da biblioteca especializado na histria de So Paulo e da Companhia de Jesus. Na entrada, l-se uma frase do padre Vieira, registrada em 1652: O livro um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, e no tendo ao em si mesmo, move os nimos e causa grandes efeitos.

    Projeto OcaNas Oficinas Culturais Anchieta, o projeto dirigido aos jovens ensina arte e cidadania. Busca o desenvolvimento da sensibilidade, ao estimular a criatividade por meio da expresso artstica.

    Como chegar A TAM oferece voos dirios para So Paulo, saindo dos principais aeroportos brasileiros. Confira em www.tam.com.br.

    No deixe de conhecer

  • Croch, bordado e motivaomantm Izabel na luta

    A histria de Izabel e seus companheiros, que lutam dia aps dia para amenizar as dificuldades dos pacientes com cncer em Macatuba, faz parte do campo de atuao da Federao Brasileira de Entidades de Combate ao Cncer. Criada em 2008, a Febec dedica-se a apoiar grupos de voluntrios em campanhas de educao, preveno e deteco precoce da doena, alm de contribuir com acessibilidade ao tratamento e assistncia social aos pacientes. Voc tambm pode colaborar com essa luta. Saiba mais em www.febec.org.b