Balanco Social O Desafio Da Transparência 2008

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    BALANO SOCIALO DESAFIO DA TRANSPARNCIA

    Uma publicao do Ibase

    Rio de Janeiro, agosto de 2008

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    2 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 3BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Sumrio

    Apresentao 6

    Balano social, uma experincia exitosa 8Empresas: o imperativo da responsabilidade 10

    Captulo 1 A histria do balano social 16Captulo 2 A consolidao do modelo 24Captulo 3 Anlise dos balanos 32Captulo 4 O selo 60

    Concluses 68

    Anexos 73

    DIRETORIA EXECUTIVA

    Cndido GrzybowskiDulce PandolfiFrancisco MenezesJoo Sucupira

    EQUIPE RESPONSVEL

    Ciro Torres (coordenao)Cludia Mansur (pesquisadora)Ana Xavier (secretaria)Sheila Oliveira (apoio)

    EDIO

    Jamile Chequer

    REVISO

    Ana Bittencourt

    TEXTOS

    Ciro TorresCludia Mansur

    PRODUO

    Geni Macedo

    PROJETO GRFICO E DIAGRAMAO

    Dotzdesign

    TIRAGEM

    1.00 exemplares

    Distrubuio dirigida. Pedidos de exemplares:

    Ibase

    Av. Rio Branco, n 124, 8 andarCentro Rio de JaneiroCEP 20040-916Telefone: (21) 2178-9400

    Esta publicao est disponvel em:

    Os textos desta publicao podem ser reproduzidos desde que citada a fonte e informado ao Ibase.

    BALANO SOCIAL DEZ ANOSO DESAFIO DA TRANSPARNCIA

    Uma publicao do Instituto Brasileiro de Anlises Sociais e Econmicas (Ibase)

    B144Balano social, dez anos : o desafio da transparncia / [Ciro Torres (coordenao)]. - Rio de Janeiro : IBASE, 2008.

    ISBN 978-85-89447-17-1

    1. Responsabilidade social da empresa - Brasil. 2. Contabilidade social - Brasil. I. Torres, Ciro. II. Instituto Brasileiro de AnlisesSociais e Econmicas.

    08-2768. CDD: 658.408 CDU: 65.012.28

    04.07.08 08.07.08 007529

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    Dedicamos este livro ao incansvelguerreiro Herbet de Souza (Betinho),responsvel inicial por tudo isso...

    Dedicamos, tambm, aos homens e smulheres que trabalham de maneiratica e responsvel em empresas,organizaes sociais ou governos para tornar este mundo mais justo,humano e sustentvel.

    Realizar oBalano Social

    significauma grande

    contribuiopara consolidaode uma sociedade

    verdadeiramentedemocrtica

    Betinho

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    6 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 7BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    A presente publicao consolida uma srie de informaes sobre os balan-os sociais de empresas que atuam no Brasil e utilizam o modelo Ibase comoparmetro. Os dados ora publicados mostram a evoluo os avanos e retro-cessos dos discursos e das prticas empresariais e diversas informaessociais, financeiras e ambientais divulgadas por meio dessa importante eestratgica ferramenta da responsabilidade social corporativa que come-ou a ser utilizada, de maneira ainda incipiente, durante os anos de 1997e 1998. O nosso modelo chega a 2008 como o instrumento mais utilizadopelas empresas que buscam demonstrar publicamente suas informaessocioambientais e aceitaram o desafio da transparncia.

    Passando por algumas remodelaes e ajustes nestes ltimos dez anos,esse modelo de balano social uma bandeira de luta pela transparncia epelo controle cidado lanada pelo Ibase, junto com alguns de seus parcei-ros, que se consolidou como uma das principais referncias no tema. Nadamais atual e ainda muito desafiador para empresas e organizaes da socie-dade civil. Conhea este belo instrumento de controle social.

    Ciro Torres e Cludia Mansur

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    8 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 9BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Outro aspecto essencial que muito nos orgulha neste momento que,depois de dez anos de experincia com balano social, podemos dizer que oinstrumento foi importante para pautar as discusses de acesso ao mundodo trabalho para pessoas com deficincia, para repensar a insero dosnegros e das negras no universo empresarial.

    Foi a partir da publicao do balano social que diversas organizaes sin-dicais puderam fazer denncias sobre a explorao de trabalhadores e traba-lhadoras em situaes anlogas escravido. E o movimento em defesa dos

    direitos das mulheres utiliza, cada vez mais, os dados dessa ferramenta paradenunciar a injustia que esse segmento sofre no ambiente corporativo.

    Num pas onde a desigualdade social continua como um dos principaisproblemas, e onde a riqueza ostensiva dos conglomerados nacionais e mul-tinacionais divide espao com a pobreza degradante, exigir das empresasuma postura tica e responsvel com prticas efetivas e no apenas comdiscurso passa, necessariamente, pela presso da sociedade.

    Tal objetivo se constitui uma tarefa complexa, principalmente porqueesse tema ainda encontra resistncia em vrios setores da sociedade civilorganizada. Apesar de tudo isso, tem sido estimulante promover o debatepblico a partir das anlises dos balanos sociais das empresas. Para oIbase, no se trata apenas de denunciar, mas de questionar, incluir o temasob outra perspectiva. Esse o nosso desafio.

    Joo Sucupira Economista, diretor do Ibase

    T ransparncia. Essa tem sido a tnica da campanha pela divulgao dobalano social das empresas nos seus dez anos de vida. Mesmo semse valer de campanhas publicitrias para ressaltar suas caractersticas,aos poucos, o modelo Ibase de balano social conquistou o reconhecimentodas empresas que, de forma voluntria, viram nele uma forma efetiva dedemonstrar suas aes no campo da responsabilidade social. Nesse perodo,consolidou-se como instrumento conhecido e utilizado para a divulgaodas informaes sobre a responsabilidade social das empresas.

    Em torno da idia de que o modelo Ibase de balano social revela valo-res ticos, como a participao, a igualdade, a diversidade de gnero e raa,a incluso de pessoas com deficincia, entre outros, o Ibase vem a pblicoprestar contas da real situao das empresas que publicaram o balanosocial nessa ltima dcada.

    Esta publicao apresenta uma consolidao indita desses dados einformaes. O esprito deste documento trazer para o debate pblico osnmeros, as informaes e anlises, a partir de dados publicados pelas pr-prias empresas. O objetivo simples: queremos ressaltar em quais pontos asempresas avanaram e em que ritmo; em quais questes necessitam melho-rar e quais os desafios ticos a serem enfrentados nos prximos anos.

    Costuma-se dizer que, no Brasil, o movimento pela responsabilidadesocial avanou rapidamente. O tema ganhou espao na mdia e seminriosso promovidos com grande freqncia. As empresas, quase sempre, fazemreferncia, nas suas mensagens publicitrias, ao discurso da responsabili-dade social, mas pouco s e discute sobre a efetividade de todas as iniciativas.Qual o percentual do gasto em ao social privada sobre o ganho das empre-

    sas? Essa participao vem crescendo? Como tem sido a evoluo da inclu-so de mulheres e negros no mercado de trabalho e quais posies essaspessoas ocupam na hierarquia das organizaes? At que ponto os nmerosdo balano social confirmam essa evoluo tica to propagada?

    Balano social, uma experincia exitosa

    QUEREMOS RESSALTAR EM QUAIS PONTOS AS EMPRESAS AVANARAM EEM QUE RITMO; EM QUAIS QUESTES NECESSITAM MELHORAR E QUAISOS DESAFIOS TICOS A SEREM ENFRENTADOS NOS PRXIMOS ANOS

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    10 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 11BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    um compromisso que buscamos entre as empresas e delas cobramostotal responsabilidade sobre o seu papel na sociedade brasileira. Chegara esse ponto implicou grande esforo do prprio Ibase, de seus idealiza-dores, como o Betinho, de seus atuais dirigentes e das equipes internasde ativistas e analistas sociais. Sabemos que rompemos com uma eternadesconfiana em relao s empresas, que ainda existe em nosso meio deorganizaes civis, e buscamos criar um novo patamar de disputa pol-tica. Sim, queremos deixar bem claro que o Ibase tambm disputa com as

    empresas o conceito e o sentido do que ser uma organizao empresarialresponsvel.

    Perspectiva de ao

    As e mpresas so um tipo de organizao social cuja fi nalidade primeirae razo fundamental de existncia prover produzir e comercializar bens, produtos e servios sociedade. Para isto, elas tm acesso a pessoase usam bens e recursos que pertencem sociedade como um todo, antesde serem bens privados. Ou seja, a sociedade que concede s empresas odireito de acesso e uso privado dos recursos, desde que atendam s finali-dades ltimas de seu uso. Esse elemento o direito privado muitas vezesobscurece e, normalmente, inverte o prprio sentido e a razo de ser dasempresas entre ns. Para ser claro, evidente que as sociedades concedems empresas o direito do lucro a apropriao dos excedentes desde queelas satisfaam responsavelmente o fim para que lhes foi concedido tal

    direito: produzir bens, produtos e servios para a satisfao das neces-sidades de todos os membros da sociedade. Mas, concretamente, qual aempresa em nosso meio que no estabelece como objetivo primeiro o seulucro a qualquer custo?

    Para uma organizao de cidadania ativa, como o Ibase, enfrentar a ques-to da responsabilidade social empresarial representa um enorme desa-fio poltico e de anlise. O Ibase se pauta pela edificao de uma democraciaincludente, poltica e, ao mesmo tempo, social, na qual todas as relaes eprocessos devem ser democrticos, justos e sustentveis. Ou seja, nos orien-tamos por uma perspectiva de sociedade em que todos os direitos humanossejam garantidos a todos os membros desta sociedade, no respeito diversi-dade, sem discriminaes ou desigualdades.

    Claro que, para tanto, fundamental que se instaure, no corao da prpriasociedade, uma cultura radicalmente democrtica, de direitos e responsabili-dades de todas e todos, fundamentada nos princpios ticos da liberdade, igual-dade, diversidade, solidariedade e participao. A cidadania ativa a garantiaprimeira e constituinte das sociedades democrticas. Mudanas democrticase sustentveis dependem, porm, necessariamente, da institucionalidade deum Estado de direitos para o conjunto da cidadania, e de uma economia tambmdemocrtica, que esteja a servio dos cidados e das cidads; provendo bens eservios fundamentais vida. Nesta perspectiva, at avanamos no Brasil emalgumas direes, mas, definitivamente, no temos uma democracia social.

    O sistema empresarial est na base do modelo de economia que possumose seu grande motor. Por isso mesmo, impossvel no associar atuaodas empresas os problemas estruturais de excluso social, pobreza, desigual-dade e destruio ambiental; s para lembrar as mazelas mais evidentes dessemodelo de economia. Os problemas, porm, no acabam a: o princpio organi-zador dos negcios em uma economia de mercado no foi e no a responsa-bilidade socioambiental. Agora, a apropriao e o uso do conceito distorcido,

    no importa de responsabilidade social empresarial pode ser um bom motepara a boa imagem pblica e conquista de fatias de mercado para as empre-sas. Os exemplos so muitos. Ento por que o Ibase se mete no meio de talquesto de alto risco?

    justamente por assumir sua responsabilidade como organizao decidadania ativa que o Ibase uma pulga em relao ao mundo empresarial enfrenta o desafio e o risco de estabelecer um dilogo crtico, uma vigiln-cia cidad e uma presso para que empresas sejam responsveis e, por meiode suas organizaes e prticas correntes, se constituam em produtoras,tambm, de uma sociedade democrtica, justa e sustentvel.

    Empresas: o imperativo da responsabilidade

    PARA NS, DO IBASE, AS EMPRESAS NO TM ESCOLHA EM SER OU NOSER RESPONSVEIS. O QUE ELAS PODEM E DEVEM ESCOLHER O MODODE EXERCER A SUA NECESSRIA RESPONSABILIDADE

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    12 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 13BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    dizer, a questo da informao. O negcio intramuros precisa no temerem se abrir para a sociedade, para a cidadania. Ou, melhor dito, um deverdas empresas prestar contas de seus negcios. Ser transparentes. A respon-sabilidade social empresarial no acaba na legalidade, no cumprimento dasleis. Muito do negcio legal totalmente ilegtimo e indigno do ponto de

    vista democrtico e ambiental, do ponto de vista da vida.Por isso, fundamental considerar como exerccio de responsabilidade

    empresarial o fornecimento de informao relevante, acessvel e exigvelpor trabalhadores e trabalhadoras, comunidade onde atua, investidorese governo. Nesse simples compromisso reside a atitude fundamental quedemarca o terreno entre responsabilidade e irresponsabilidade no comandodos negcios de uma empresa. difcil? Sem dvida! Mas como ter direitossem uma contrapartida de responsabilidades? Como ser tico sem ter trans-

    parncia e participao?Sabemos que as questes levantadas e os dados apresentados neste livro

    so apenas um esboo da complexidade e dos problemas que ainda tere-mos que resolver nas pontes e dilogos que o Ibase sempre estabeleceu eseguir estabelecendo com as empresas, particularmente com um grupomais aberto de empresrios, suas organizaes representativas e pessoascom poder de influir no rumo das companhias privadas e estatais.

    Acreditamos verdadeiramente que no avanaremos se no pusermosas cartas na mesa e enfrentarmos, com coragem, nossas diferenas e atnossas divergncias. Afinal, temos a certeza de que a organizao que seabre a tal dilogo difcil e arriscado tanto no meio empresarial comono seio da sociedade civil organizada porque se orienta por uma ticacomum, de trabalho conjunto por uma sociedade mais democrtica, justae sustentvel. At aqui a aventura, do ponto de vista do Ibase, apesar dascrticas, est valendo a pena nestes 10 anos.

    Cndido Grzybowski Socilogo, diretor do Ibase

    O problema da responsabilidade social das empresas comea a mesmo,na prioridade acordada produo de bens e servios ou aos lucros. Porexemplo, pode ser responsvel uma empresa que produz tabaco ou armas? Ouainda, ser que merece ser responsvel a empresa que, em busca somente delucro, produz bens de qualidade duvidosa, adulterados ou explorando crian-as? Mas tem mais. No d, de maneira nenhuma, para considerar respon-svel a empresa que mantm relaes de trabalho degradante em seu seio.Nem responsvel a empresa que discrimina racialmente, que no busca aeqidade de gnero, que no se esfora para o bem viver de todas e todos que,pelo seu trabalho, lhe do vida como organizao social. Ser responsvela empresa que corrompe? E como tratar a empresa que considera o patri-mnio natural uma externalidade, algo a explorar e destruir, sem ser suaresponsabilidade? Enfim, a irresponsabilidade uma caracterstica mais

    abrangente do que o seu contrrio. Basta abrir os olhos e ver. Basta verificaros dados e informaes desta publicao. O problema da excluso social, dadesigualdade, da destruio ambiental e muitos outros tm razes profun-das nas prtica empresariais que conhecemos.

    Para ns, do Ibase, as empresas no tm escolha em ser ou no ser res-ponsveis. O que elas podem e devem escolher o modo de exercer a suanecessria responsabilidade. E isso est longe das boas ae s maquiadorasde cunho filantrpico. A filantropia no responsabilidade social empre-sarial, apenas uma boa e louvvel ao, muitas vezes necessria em umasociedade de emergncias como a que vivemos.

    Responsabilidade empresarial reconhecer o carter de patrimnio insubs-tituvel das empresas como base da economia de uma sociedade que busca serdemocrtica, que valoriza sua cidadania e usa de forma sustentvel a natu-reza, sem comprometer geraes futuras. O saber fazer empresarial orga-nizar e fazer funcionar uma empresa supe enorme criatividade, ousadia ebase cientfica e tcnica, no desperdiando recursos humanos, materiais eeconmicos, para no levar destruio da prpria empresa como organiza-

    o da sociedade um enorme bem social. Que tal empresa seja capitalista,tambm, no desculpa para praticar a irresponsabilidade.

    Reafirmamos e repetimos: as empresas, para gozarem de direitos, devemser responsveis produtoras e distribuidoras de bens, produtos e s ervios deque necessitam a sociedade. No d para fugir desse parmetro. Somos lou-cos e sonhadores? Talvez sim, mas como constituir uma economia a servioda democracia social, da sustentabilidade e de todos os homens e todas asmulheres do planeta?

    Um ponto especial na prtica da responsabilidade empresarial, na suapublicizao (tornar pblico no necessariamente estatizar) por assim

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    A histria doBalano Social

    CAP TULO 1

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    16 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 17BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Banespa publicou o seu em 1992, compondo a lista das empresas precurso-ras em BS no Brasil.

    A dcada de 1990 marcou o perodo do surgimento e da consolidao dediversas organizaes que se institucionalizaram para promover o tema da

    responsabilidade social empresarial. Foi quando o amadurecimento da idiade responsabilidade social das empresas e da necessidade de realizao epublicao de balano social anual na cultura das organizaes empresa-riais brasileiras sofreu diversas influncias nacionais e internacionais.

    Entre os principais fatores que contriburam para sua consolidaoesto: a presso por parte das agncias internacionais; as campanhas de

    vrias instituies de preservao da natureza para que as empresas priva-das e pblicas reduzissem o impacto ambiental; a Constituio de 1988 querepresentou um grande avano tanto em questes sociais como ambientais ;o exemplo de programas educacionais, esportivos e de apoio cultural reali-zados por grandes empresas multinacionais; e, por ltimo, mas no menosimportante, a atuao de grandes empresas pblicas nacionais.

    Nessa poca, houve, tambm, uma conjuno de interesses pessoais dealguns empresrios, Estado e sociedade em virtude da crescente cobranapor parte da sociedade civil organizada e de grandes investidores e forne-cedores, que buscavam novas prticas corporativas globais. H uma grandedisputa por novos modelos de desenvolvimento, produo e consumo; pres-

    so pela sada do Estado de setores tradicionais de atuao e regulao; ereafirmao dos valores liberais e de mercado.

    Como resposta, diversas empresas passaram a divulgar seus chama-dos relatrios ou balanos sociais anuais alguns contendo descriespuramente meritrias sobre as aes realizadas para a comunidade, meioambiente e em relao aos funcionrios e s funcionrias. Inicialmente, osrelatrios aparecem sob a forma de documentos internos e, em um segundomomento, so divulgados nos meios de comunicao e na prpria publici-dade corporativa. Todavia, ainda no existia nenhuma forma de padroniza-o ou modelo mnimo comum adotado pelas empresas no Brasil.

    Desde o incio do sculo XX registram-se manifestaes a favor de aessociais por parte de empresas. Contudo, foi somente a partir da dcada de1960, nos Estados Unidos da Amrica, e no incio da dcada de 1970, na Europa particularmente na Frana, Alemanha e Inglaterra , que a sociedade iniciou

    uma cobrana por maior responsabilidade social das empresas e consolidou-sea prpria necessidade de divulgao de relatrios e balanos sociais anuais.

    A idia de responsabilidade social das empresas popularizou-se, nadcada de 1970, na Europa. E foi a partir desta idia que, em 1971, a compa-nhia alem Steag produziu uma espcie de relatrio social, um balano desuas atividades sociais. Porm, o que pode ser classificado como um marcona histria dos balanos sociais propriamente dito surgiu na Frana, em1972: foi o ano em que a empresa Singer fez o, assim chamado, primeirobalano social da histria das empresas.

    No Brasil, os ventos dessa mudana de mentalidade empresarial so nota-dos na Carta de Princpios do Dirigente Cristo de Empresas desde a suapublicao, em 1965, pela Associao de Dirigentes Cristos de Empresasdo Brasil (ADCE Brasil) e, no fim da dcada de 1970, percebemos as primei-ras sementes da discusso sobre a ao social de empresas e a utilizao debalano social. Era um momento da histria brasileira, em plena ditaduramilitar, em que falar sobre transparncia e participao suscitava maismedo e rejeio do que adeses no meio empresarial.

    Na dcada de 1980, a Fundao Instituto de Desenvolvimento Empresa-rial e Social (Fides) chegou a elaborar um modelo. Porm, s a partir do in-cio da dcada de 1990 algumas poucas empresas passaram a levar a srioesta questo e divulgar, sistematicamente, em balanos e relatrios sociais,as aes realizadas em relao comunidade, ao meio ambiente e ao seuprprio corpo de funcionrios(as).

    O balano social da Nitrofrtil, empresa estatal situada na Bahia, rea-lizado em 1984, considerado o primeiro documento brasileiro do gnero,que assume o nome de Balano Social. No mesmo perodo, estava sendorealizado o BS do Sistema Telebrs, publicado em meados dessa dcada. O

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    18 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 19BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Nasce o modelo

    Desde a dcada de 1980, o socilogo Herbet de Souza (Betinho) comea ater contato com empresrios(as) dispostos(as) a fazer doaes e apoiar cam-panhas sociais, como a luta contra a Aids e aes em favor de crianas eadolescentes. So bons exemplos dessa interao a criao da AssociaoBrasileira Interdisciplinar de Aids (Abia, fundada em 1987) e a campanha SeEssa Rua Fosse Minha, lanada em 1991.

    Contudo, no primeiro momento, a participao desses(as) empresrios(as)envolvia um carter muito mais filantrpico do que propriamente um ques-tionamento sobre as prticas internas e externas e os princpios das empre-sas que s e aventuravam nestas discusses e iniciativas.

    A partir de 1993, aAo da Cidadania contra a Misria e pela Vida conhe-

    cida como Campanha contra a Fome , criada por Betinho e desenvolvidapelo Ibase, tornou-se uma referncia nacional. Essa ao foi determinantepara o nascimento do modelo de balano social, pois promoveu, alm de par-ceria e dilogo, a aproximao de parte do setor empresarial de um relevantee urgente problema social brasileiro: a fome.

    O movimento de combate fome, na fase de maior intensidade (1993 a1995), mobilizou diversas empresas pblicas e privadas em todo o pas. Asprimeiras organizaes empresariais privadas a aproximarem-se de maneirainstitucional daAo da Cidadaniaforam Fundao Abrinq, Servio de Apoios Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e Pensamento Nacional das BasesEmpresariais (PNBE). Desde o seu incio, essa campanha contou com umaampla participao de empresas estatais como Petrobras, Banco do Brasil,Furnas Centrais Eltricas e Caixa Econmica Federal.

    Foi essa experincia do Ibase que gerou e fortaleceu a idia de que umaao social e ambiental mais efetiva por parte das empresas pblicas e, prin-cipalmente, das empresas privadas realizada de maneira independente,mas jamais se opondo s aes do Estado era no s desejvel como deve-

    ria ser incentivada em nossa sociedade.A questo da responsabilidade social das empresas e da publicao anual

    do balano social ganhou destaque na mdia e uma intensa visibilidadenacional quando Betinho escreveu o artigo Empresa pblica e cidad (veranexo), em maro de 1997. Esse texto desencadeou um amplo debate nosprincipais jornais do pas. A partir dessa discusso e da grande repercussonacional do tema, o Ibase lanou, em 16 de junho de 1997, uma campanhapela divulgao anual do balano social das empresas, trazendo a mensa-gem de que esse seria o primeiro passo para uma empresa tornar-se uma

    verdadeira empresa cidad.

    O primeiro modelo de balano social apresentado foi desenvolvido peloIbase, no primeiro semestre de 1997, em parceria com tcnicos(as), pesquisa-dores e pesquisadoras e representantes de instituies pblicas e privadas. Aestratgia adotada por Betinho e a equipe do Ibase foi a de criar um modelobsico, mnimo e inicial, construdo base do consenso e que pudesse ser lan-ado rapidamente.

    QUESTO RACIAL

    O primeiro formulrio do balano social modelo Ibase seguiu para a grficacontendo os itens nmero de negros que trabalham na empresa e "percentualde cargos de chefia ocupados por negros. Foi algo que gerou muita discusso.Quando alguns empresrios envolvidos nas discusses declararam que no uti-lizariam o modelo por conta dessas informaes e suspenderiam o apoio cam-panha, Betinho convenceu o grupo a retirar, ainda que provisoriamente, os itensdo modelo inicial.

    No primeiro momento, a campanha pelo balano social contou tambm como apoio e a recomendao da Comisso de Valores Mobilirios (CVM)1, por meiode uma instruo normativa, segundo a qual as empresas de capital abertodeveriam realizar, anualmente, balano social no modelo sugerido pelo Ibase.

    O lanamento da campanha pela publicao do Balano Social deu-se noCentro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro. O objetivo prin-

    cipal foi chamar a ateno dos empresrios e de toda a sociedade para aimportncia e a necessidade da realizao anual do balano social em ummodelo nico e simples.

    A partir desse momento, o Ibase passou a trabalhar de maneira maisostensiva com temas relacionados ao balano social e responsabilidade etransparncia das empresas; foram realizados seminrios, pesquisas, pales-tras e cursos. Algumas poucas obras acadmicas e livros surgiram durante

    1Autarquia do Ministrio da Fazenda responsvel pela fiscalizao das atividades das empresas nas bolsasde valores.

    A PARTIR DE 1997, A QUESTO DA RESPONSABILIDADE SOCIAL DASEMPRESAS E DA PUBLICAO ANUAL DO BALANO SOCIAL GANHOUDESTAQUE NA MDIA

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    A consolidaodo modelo

    CAP TULO 2

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    24 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 25BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    O modelo do Ibase , essencialmente, um instrumento de prestao decontas e transparncia: a empresa, ao divulg-lo, deve faz-lo como formade apresentar periodicamente sociedade suas aes e sua evoluo no tra-tamento de temas relevantes ao contexto socioambiental brasileiro: educa-

    o, sade, preservao do meio-ambiente, contribuies para a melhoria daqualidade de vida e de trabalho de funcionrios e funcionrias, valorizaoda diversidade, desenvolvimento de projetos comunitrios, combate fomee criao de postos de trabalho.

    O Instituto no sugere protocolos para levantamento de dados e no exigeque as informaes apresentadas sejam auditadas. Os auditores desse docu-mento devem ser a sociedade, o cidado e a cidad que, direta ou indireta-mente, so afetados pela operao da empresa. Neste sentido, a elaboraode forma participativa, a publicao em jornais, revistas e internet e a ampladivulgao entre trabalhadores e trabalhadoras, sindicatos e organizaessociais fazem parte da metodologia e so fundamentais para construir e efe-tivar um controle social sobre as empresas no Brasil.

    A estrutura do modelo

    O balano social da empresa, elaborado segundo a metodologia do Ibase, apre-

    senta dados e informaes de dois exerccios anuais por meio de uma tabelabastante simples e direta, que deve ser publicada e amplamente divulgada. Omodelo atual composto por 43 indicadores quantitativos e oito indicadoresqualitativos, organizados em sete categorias ou partes descritas a seguir.

    1. Base de clculo // Como o prprio nome j diz, so as trs informaes financei-ras receita lqida, resultado operacional e folha de pagamento bruta que ser-

    vem de base de clculo percentual para grande parte das informaes e dos dadosapresentados, informando o impacto dos investimentos nas contas da empresa,alm de permitir a comparao entre empresas e setores ao longo dos anos.

    Nos ltimos anos, o balano social modelo Ibase tornou-se a principalferramenta por meio da qual as empresas so estimuladas a conhecer,sistematizar e apresentar sociedade informaes sobre seus investimen-tos internos e externos em aes, iniciativas e projetos relacionados com o

    social e o ambiental. Em dez anos de existncia, o modelo passou por duasrevises e as alteraes realizadas envolveram dezenas de consultores(as),organizaes sociais, sindicatos, consultores e empresas.

    O objetivo principal de um modelo nico de balano social de somenteuma pgina fazer com que o documento permita comparabilidade etambm no perca suas principais caractersticas: a simplicidade e o fcilentendimento. O modelo Ibase constitui-se de uma planilha composta prio-ritariamente por indicadores quantitativos referentes s informaes e aosdados sobre investimentos financeiros, sociais e ambientais. Significa que aorganizao que adota esse tipo de balano anual passa a ter, em uma nicaferramenta de gesto, um grupo de informaes sistematizadas que sodivulgadas a seus pblicos de interesse e para a sociedade em geral.

    Algumas dessas informaes so facilmente coletveis no sistema cont-bil e de gesto de pessoal da prpria companhia. Outras, como as de diversi-dade ou de estabelecimento de metas, envolvem mudanas nas prticas e nagesto da empresa.

    Dados e informaes mais abrangentes sobre como a empresa gera suas

    aes sociais so solicitados por meio de alguns indicadores qualitativos,que representam a profundidade e o processo em algumas das aes inter-nas e externas. O Ibase recomenda aos(s) usurios(as) do modelo que infor-maes complementares, numricas e/ou descritivas sejam detalhadas noitem Outras informaes.

    DADOS E INFORMAES MAIS ABRANGENTES SOBRE COMO A EMPRESAGERA SUAS AES SOCIAIS SO SOLICITADOS POR MEIO DE ALGUNSINDICADORES QUALITATIVOS

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    26 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 27BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    2. Indicadores sociais internos // Nesta parte do balano so apresentadostodos os investimentos internos, obrigatrios e voluntrios, que a empresarealiza para beneficiar e/ou atender ao corpo funcional (alimentao, encar-gos sociais compulsrios, previdncia privada, sade, segurana e medicinano trabalho, educao, cultura, capacitao e desenvolvimento profissional,creches ou auxlio-creche, participao nos lucros ou resultados e outros).

    3. Indicadores sociais externos //Aqui aparecem os investimentos volunt-rios da empresa, cujo pblico-alvo a sociedade em geral (projetos e inicia-tivas nas reas de educao, cultura, sade e saneamento, esporte, combate fome e segurana alimentar, pagamento de tributos e outros). So as aessociais privadas realizadas por empresas visando sociedade ou algumacomunidade externa relacionada, direta ou indiretamente, com os objetivos

    ou interesses das corporaes.

    4. Indicadores ambientais // So apresentados os investimentos da empresapara mitigar ou compensar seus impactos ambientais e tambm aqueles quepossuem o objetivo de melhorar a qualidade ambiental da produo/opera-o da empresa, seja por meio de inovao tecnolgica, seja por programasinternos de educao ambiental. Tambm so solicitados investimentos emprojetos e aes que no esto relacionadas com a operao da companhia eum indicador qualitativo sobre o estabelecimento e cumprimento de metasanuais de ecoeficincia.

    5. Indicadores do corpo funcional //Nesta parte do balano aparecem as infor-maes que identificam de que forma se d o relacionamento da empresacom seu pblico interno no que concerne criao de postos de trabalho,utilizao do trabalho terceirizado, nmero de estagirios(as), valorizaoda diversidade negros(as), mulheres, faixa etria e pessoas com deficincia e participao de grupos historicamente discriminados no pas em cargos

    de chefia e gerenciamento da empresa (mulheres e negros).

    6. Informaes relevantes quanto ao exerccio da cidadania empresarial // Otermo utilizado nesta parte do modelo cidadania empresarial refere-se auma srie de aes relacionadas aos pblicos que interagem com a empresa,com grande nfase no pblico interno. Em sua maioria, so indicadores qua-litativos que mostram como est a participao interna e a distribuio dosbenefcios. Tambm aparecem nesta parte do balano algumas das diretrizese dos processos desenvolvidos na empresa que esto relacionados s polticase prticas de gesto da responsabilidade social corporativa.

    7. Outras informaes // Este espao reservado e amplamente utilizadopelas empresas para divulgar outras informaes que sejam relevantes paraa compreenso de suas prticas sociais e ambientais. As empresas que soli-citam o Selo Balano Social Ibase/Betinho devem apresentar suas decla-raes de no-utilizao de mo-de-obra infantil ou de trabalho anlogo aoescravo ou degradante; seu no-envolvimento com prostituio ou explora-o sexual infantil ou adolescente; seu no-envolvimento com corrupo; eseu compromisso com a valorizao e o respeito diversidade. Devem, tam-bm, apresentar sua identificao e classificao, informar sua identifica-o razo social e CNPJ , alm de nome, telefone e correio eletrnico dapessoa responsvel pelas informaes.

    OUTROS MODELOSO Ibase oferece outros trs modelos de balano social: para micro e peque-nas empresas, para cooperativas e para instituies de ensino, fundaes eorganizaes sociais, disponveis nosite

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    28 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 29BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Lanamento dacampanha.

    Lanamento do"Selo BalanoSocial Ibase/Betinho".

    Lanamento do site

    Criao do banco dedados no site< www.balancosocial.org.br>,disponibilizando todos osbalanos sociais publicadospara consulta.

    Segunda reviso. Res-pondendo a demandasde organizaes parcei-ras, foram includos itenssobre:i)estabelecimento demetas para reduo dosimpactos ambientais;ii)n de estagirios(as);

    iii)n de reclamaesde clientes e percentualsolucionado; eiv)valor adicionado esua distribuio.Estabelecimento dosprimeiros critrios pararecebimento do "SeloBalano Social/IbaseBetinho".

    1997

    1998

    1999

    2002 2004

    Primeira reviso. O modelo traz maissubitens sobre os indicadores sociaisinternos e externos, separa os indicado-res ambientais e reinsere as questespolmicas nos indicadores do corpo fun-cional: n de negros(as) que trabalhamna empresa e percentual de cargos dechefia ocupados por negros(as). A revi-so inclui ao modelo o item 6 informa-

    es relevantes quanto ao exerccio dacidadania empresarial.

    2000

    2001 2003 2005

    2006

    Pela primeriavez, as empresassolicitantes do seloso submetidas aocrivo da sociedadecivil por meio deconsulta pblica.

    2007

    Estabelecimento decota mnima paraPCDs. Por causa

    disso, houve redu-o do nmero deselos conferidos.

    LINHA DO TEMPO

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    Anlise dosbalanos

    CAP TULO 3

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    32 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 33BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    ram seus balanos durante o ano de 1997, contudo outras cinco empresaspublicaram balanos com informaes retroativas no ano seguinte ao lan-amento do modelo.

    OIbase criou uma base de dados para armazenar e disponibilizar as infor-maes dos balanos sociais publicados pelas empresas que elaboramseus relatrios socioambientais no modelo sugerido pela instituio.

    Os balanos sociais so disponibilizados integralmente por meio dosite

    e podem ser acessados por nome de empresae ano. Os dados coletados e armazenados pelo Ibase nos ltimos anos sode utilidade pblica e esto disponveis para o conhecimento e a utilizaopor parte da sociedade.

    Professores(as), pesquisadores(as), analistas de mercado, representantesde empresas, organizaes sociais e estudantes consultam regularmenteessesitee a base de dados, que contm, atualmente, 1.288 balanos de 345empresas. A lista nominal completa de todas as companhias que compem abase de dados e, tambm, representa o universo das informaes aqui apre-sentadas, est disponvel nos anexos desta publicao.

    Com o intuito de acompanhar as informaes dos balanos sociais, oIbase desenvolveu o Sistema de Indicadores Socioambientais do BalanoSocial (SIS/BS), que utiliza essa mesma base de dados. Nesse sistema, sogerados indicadores com o objetivo de apoiar as anlises, publicaes, cam-panhas e aes polticas estratgicas realizadas pelo Ibase relacionadas discusso sobre tica, transparncia, responsabilidade e controle socialsobre as empresas que atuam em nosso pas.

    Contudo, cabe ressaltar que essa relao bastante dinmica e contacom atualizaes e acrsci mos regulares. A partir deste primeiro livro con-tendo informaes inditas sobre o tema, a equipe Ibase far atualizaesregulares desta publicao. Nossa proposta gerar uma srie histricade dados, informaes e anlises que possam servir de fonte para toda asociedade acompanhar, anualmente, os avanos ou retrocessos dos inves-timentos sociais privados, das aes internas e dos impactos das empre-sas que atuam no Brasil e prestam informaes sociais e ambientais.

    O nmero de balanos sociais publicados vem se ampliando ano a ano,como nos mostra o grfico 1. De fato, somente quatro empresas publica-

    Grfico 1 Balanos Sociais publicados por ano de publicao

    Fonte: Sistema de Indicadores do Balano Social Ibase SIS/BS Ibase 2007. 1

    2003200220012000199919981997 2004

    227235

    195

    176

    124

    60

    3821

    9

    2005

    A expanso do nmero de empresas com balano social nos ltimos anos um dos indicadores da relevncia do tema e da ampliao do interesse notema e nos apresenta, tambm, o aumento da prtica anual das companhiasem publicar e disponibilizar seus dados e informaes por meio desse ins-trumento. J a variao do nmero de selos concedidos anualmente deve serentendida sob outra lgica, como veremos no Captulo 4.

    1 Todas os grficos apresentados tm como fonte o Si stema de Indicadores Socioambientai s do Balano SocialIbase (SIS/BS) Ibase 2007 e mostram os dados referentes aos anos de publicao.

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    34 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 35BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    O intervalo entre a realizao dos balanos, sua publicao e a verifica-o e sistematizao dos dados e das anlises por parte do Ibase deve-se aalguns motivos importantes e necessrios para a correta leitura das infor-maes contidas nesta publicao.

    Os balanos revelam informaes de dois exerccios anuais anteriores.Durante 2007, por exemplo, foram realizados e publicados os balanos cominformaes ano-base 2006/2005. Ao longo de 2008, muitas empresas aindarealizavam seus BSs ano-base 2007/2006. Como esses balanos que sopublicados ao longo de todo o ano, sem nenhuma obrigatoriedade ou regu-laridade de data interferem no resultado final de todos os nossos clculose estatsticas, faz-se sempre necessrio um intervalo mnimo de dois anospara a anlise de dados j consolidados. Assim sendo, uma parte deste tra-balho utiliza os balanos publicados desde 1997 at 2005. Porm, em outras,

    nosso pblico leitor somente encontrar informaes de balanos publica-dos no perodo de 2001 a 2005 (ano-base 2000/2004) para o clculo dos valo-res, das mdias e dos percentuais apresentados, que embasam nossas anli-ses e concluses s obre nmeros que no mais sofrero alteraes.

    1. Tamanho e representatividade das empresas que utilizam omodelo Ibase

    O total das receitas lqidas por ano nmero que serve de base de clculopercentual para grande parte das informaes e dos dados aqui apresentados nos permite avaliar o crescimento anual da representatividade e importn-cia econmica das empresas que utilizam nosso modelo de balano social.Os grficos a s eguir nos fornecem uma viso desse crescimento.

    As receitas totais apresentam tambm uma tendncia de pouca alteraonos dois ltimos perodos assim como o nmero de balanos publicados ,o que poderia sinalizar uma certa estabilizao no chamado movimento

    pela publicao de balanos sociais. Certamente, os prximos perodossero determinantes para apontar mais claramente os reais sinais e a con-solidao ou no dessa tendncia.

    O UNIVERSO DAS EMPRESAS QUE FAZEM O BALANO SOCIAL MODELOIBASE TEM UM TOTAL DE RECEITAS DA ORDEM DE R$ 667 MILHES GERA1,7 MILHO DE POSTOS DE TRABALHO.

    Grfico 2 Receitas totais lqidas por ano de publicao (em bilhes de reais)

    2003200220012000199919981997 2004

    663653

    569

    492

    345

    261

    215

    12558

    2005

    O crescimento anual da folha de pagamento e o total de pessoas emprega-das confirmam a relevncia socioeconmica e a capilaridade das empresasque utilizam o modelo Ibase.

    Estes nmeros podem ser conferidos a seguir, no grfico 3.

    Grfico 3 Total das folhas de pagamento brutas por ano de publicao (em bilhes de reais)

    2003200220012000199919981997 2004

    6864

    5450

    37

    27

    32

    20

    8

    2005

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    36 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 37BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    O total de postos de trabalho nas empresas que publicam balano socialanualmente tambm confirma a importncia desses playersno cenrio pol-tico e econmico nacional. Esse nmero passou de 112 mil, em 1997, para 1milho 706 mil pessoas empregadas, segundo os dados dos balanos publi-cados em 2005.

    Grfico 4 Total de pessoas empregadas por ano de publicao (em milhares de postos de

    trabalho)

    2003200220012000199919981997 2004

    1.7061.605

    1.340

    1.080

    776

    381351

    192112

    2005

    Somente para ilustrar e balizar os nmeros ora apresentados ao arrepiode qualquer metodologia dos clculos macroeconmicos e de gerao deemprego e renda , cabe lembrar que o Produto Interno Bruto (PIB) brasi-leiro de R$ 2,3 trilhes (IBGE, 2007). Tambm devemos ter em mente osnmeros do Cadastro Central de Empresas do IBGE, segundo o qual o totalde pessoas assalariadas em nosso pas era de 32,5 milhes em 2001.

    Se considerarmos esses nmeros como referncia e parmetro de gran-deza para pensar o universo de empresas com balano social no Brasil (con-junto que no abrange as micro e pequenas empresas, que so as principaisempregadoras brasileiras), podemos perceber que um total de receitas daordem de R$ 667 milhes advindas de empresas que geram 1,7 milho depostos de trabalhos que somados aos cerca de 700 mil terceirizados, perfa-zem 2,4 milhes de pessoas realmente no so nem um pouco desprezveis.Esses valores nos do a dimenso de poder, influncia e impactos possveise concretos, tanto positivos como negativos, que as companhias aqui anali-sadas possuem sobre a vida, a economia e o meio-ambiente em nosso pas.

    2. Aes sociais e investimentos voltados para as pessoas quetrabalham nas empresas

    Nos indicadores sociais internos dos balanos publicados so apresenta-dos todos os investimentos voltados para a prpria empresa, tanto aqueles

    voluntrios como os obrigatrios. A partir da anlises do conjunto dessasinformaes, podemos obter alguns indcios de como so tratadas e valori-zadas (ou no) as pessoas dentro das companhias que utilizam a ferramentado Ibase.

    O grfico 5apresenta os investimentos realizados em benefcio dos fun-cionrios e das funcionrias ao longo dos ltimos anos. Ainda que sejam

    valores mdios, que agregam diversos tipos de investimentos anuais porpessoa num intervalo que pode variar de R$ 1.000 at R$ 80.000, nitida-

    mente percebe-se uma tendncia de ampliao desses investimentos inter-nos nos ltimos anos.

    Grfico 5 Investimentos sociais internos por empregado(a) excluindo encargos sociais

    (em milhes de reais)

    2003200220012000199919981997 2004

    3.940

    3.623

    2.777

    2.254

    1.822

    772647249125

    2005

    A partir de um olhar sobre ogrfico 5, observamos que os valores mdiosdos investimentos sociais internos anuais por empregado(a) em reais e em

    valores atualizados , excludos todos os encargos sociais compulsrios, tmaumentado significativamente nos ltimos anos. Cabe destacar, tambm,que, com pequenas variaes ano a ano, as empresas concentram suas aessociais internas em alimentao (cerca de 25% dos investimentos internos)

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    38 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 39BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    e sade (20%). Investir na alimentao e sade de funcionrios e funcion-rias uma iniciativa importante e louvvel. Todavia, configura-se um tantobsico afirmar, at mesmo por conta de garantias legais nacionais e inter-nacionais, que as empresas que publicam BS no Brasil proporcionam uma

    vida minimamente saudvel para seu corpo funcional. No deveria mesmoser diferente.

    Contudo, o que nos chamou muito a ateno foram as variaes paramenos e a pouca importncia dada a alguns investimentos no-obrigat-rios, mas que so recorrentemente valorizados nos discursos da maioria dasempresas. Particularmente, os investimentos em educao (em geral) e emcapacitao (formao para o trabalho) so exemplos bastante ilustrativos.Esses sempre aparecem com destaque quando representantes de empresasfalam sobre a importncia da valorizao das pessoas no ambiente de tra-

    balho. Porm, para alm das palavras, tais gastos representam uma pequenaparte dos investimentos anuais voltados para as empresas analisadas. Alguns

    vm diminuindo nos ltimos anos, como pode ser observado a seguir.

    Grfico 6 Investimentos sociais internos mdia anual por funcionrio(a) a cada R$ 1.000

    investidos

    2003200220012000 2004 2005

    [1] [3] [4][7]

    79

    57

    43

    10

    2724

    17

    40

    4549 50

    45

    35

    20 20

    10

    20

    10

    74

    31

    Investimentos em educao

    Investimentos em capacitao

    Investimentos em creche

    Investimentos em cultura

    Os investimentos em educao nos chamam a ateno pela quedaabrupta nos ltimos anos. Em 2000, de cada R$ 1.000 reais investidosinternamente por funcionrios(as), R$ 79 foram gastos em educao. Jem 2005, esses valores (atualizados) caram para R$ 24. O grfico 6tam-bm nos mostra que os ltimos perodos apresentaram uma queda nosinvestimentos em capacitao direta para o trabalho. Podemos notar queos investimentos em cultura subiram nos ltimos a nos, porm, continuaminexpressivos.

    Outra informao bastante alarmante est relacionada com os investi-mentos em creche. Apesar dos balanos sociais anuais revelarem uma eleva-o no percentual de mulheres no corpo funcional do conjunto de empresasaqui analisadas (ver tpico 5 Indicadores do corpo funcional), os investi-mentos mdios em creche ou auxlio-creche caram pela metade de 2002

    para 2003 e permaneceram no patamar de R$10 per capitanos ltimos per-odos. Esses nmeros nos levam a algumas reflexes: em quais condies detrabalho encontram-se essas mulheres que possuem filhos? E qual ser asituao nas empresas que nem sequer do transparncia e visibilidade ssuas informaes sociais internas?

    3. Investimentos externos e aes para a comunidade

    Nos indicadores sociais externos aparecem os investimentos voluntrios daempresa nos quais a sociedade o pblico-alvo principal. Esses apresentama ao social privada realizada pelas empresas visando s comunidadesexternas. So aes que geralmente relacionam-se, direta ou indiretamente,com os objetivos ou com algum interesse dessas corporaes, no curto,mdio e longo prazos.

    Os valores mdios dos investimentos sociais externos (atualizados peloIPCA2 do IBGE, como todos os valores desta publicao) realizados anual-

    mente por empresas que publicam balano (excluindo-se qualquer formade impostos, taxas ou obrigaes) ampliaram-se consideravelmente nosprimeiros dois anos e, depois, mantiveram-se bastante estveis. Com pou-cas variaes, esses valores no apresentam redues ou ampliaes con-siderveis nos ltimos anos. Podemos observar, como exemplo, que 1999 e2005 apresentam praticamente o mesmo valor mdio de investimento social

    2ndice oficial do governo federal para medio das metas inflacionrias, acordadas com o Fundo MonetrioInternacional, a partir de julho de1999.

    30

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    40 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 41BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    A GRANDE QUESTO A SER RESPONDIDA SE ESSES INVESTIMENTOSSO REPRESENTATIVOS E SE POSSUEM RESULTADOS SOCIAIS POSITIVOSCOMPATVEIS COM O PODER, O IMPACTO E AS RESPONSABILIDADESDESSAS EMPRESAS COM A SOCIEDADE

    externo por empresa: R$ 16 milhes anuais. Nota-se tambm que, de 2001a 2003, os investimentos na casa dos R$ 17 milhes configuram o perodocom maiores investimentos. Os perodos seguintes nos apontaro se estatendncia seguir ou no.

    Grfico 7 Investimentos sociais externos por empresa por ano (em milhes de reais)

    2003200220012000199919981997 2004

    15,915,1

    16,617,117,4

    15,215,8

    7,2

    1,8

    2005

    Quando comparamos o total dos investimentos externos com os resulta-

    dos anuais e as receitas lqidas das empresas aqui analisadas, observamosque, percentualmente, o peso desses investimentos vem caindo em compa-rao aos resultados operacionais (de 5,4% em 2002 para 3% em 2005) epermaneceu praticamente estvel em relao receita lqida, mantendo-seno patamar de 0,5% anual, com alguma variao para mais em 2001/2002 epara menos em 2000.

    Nesse sentido, podemos inferir que dentro desse nosso universo, refern-cia para muitas empresas no Brasil, h uma tendncia de destinar-se 0,5%das receitas lqidas para os investimentos sociais privados, mesmo comindicaes de melhoria nos resultados operacionais anuais. A grande ques-

    to a ser respondida se esses investimentos so significativos, representa-tivos e se possuem resultados sociais positivos compatveis com o poder, oimpacto e as responsabilidades que essas mesmas empresas tm em relao sociedade que lhe outorga o direito de operar e produzir, fornece-lhes mo-de-obra e as financia, via compra de bens, produtos e servios. Outra per-gunta que surge nesse contexto se as empresas estaro dispostas a manteros mesmos patamares de investimentos sociais externos, mesmo quando osresultados no forem to satisfatrios.

    Grfico 8 Investimentos sociais externos sobre receita e resultado (em%)

    2003200220012000 2004 2005

    [1] [3] [4][7]

    3,93

    5,185,39

    % do resultado operacionalpara investimentos externos

    % da receita lqida parainvestimentos externos

    4,33

    3,253,03

    0,340,61 0,59 0,530,56 0,55

    A partir do momento em que desagregamos os investimentos sociaisexternos por tipo de ao mais realizada (educao, cultura, sade, esporte/lazer e combate fome e segurana alimentar), obtemos uma informaomais detalhada sobre quais so os tipos de investimentos que as empresas

    mais disponibilizam para as comunidades externas.No grfico 9, possvel verificar o percentual desses investimentos por

    tipo, e observar que as empresas tm concentrado suas aes externasdurante os ltimos anos em iniciativas e projetos ligados, fundamental-mente, educao e cultura.

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    42 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 43BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Grfico 9 Percentuais dos investimentos externos por tipo e ano (em %)

    2003200220012000 2004 2005

    0

    Educao

    Cultura

    Sade e saneamento

    Esporte

    Combate fome

    0

    1,95,2

    6 65,2

    [9,1]

    10,7

    8,17,5 7,6

    9,710,711,210,610,2

    6,9

    22,621,2

    2222,9

    23,9

    30,2

    27,926,3

    25,6

    23,2 22,5

    19,5

    A educao um valor em nossa sociedade e a crena nos desdobramen-tos positivos desse tipo de iniciativa j confirmada por vrios estudos praticamente inquestionvel. J os investimentos em cultura nos trazemquestionamentos que no so possveis de responder, dada as limitaesdo instrumento balano social quanto ao tipo de informao solicitada. Porexemplo: qual parcela desses investimentos em cultura foi realizada viarenncia fiscal e/ou por meio de leis de incentivo cultura? Qual parcela

    dos investimentos foi realizada com recursos prprios, nos quais empresasabriram mo de parte de seus lucros para investir em cultura e em outrasiniciativas de interesse comum, pblico ou comunitrio? Estas so respos-tas que ainda no temos.

    As aes externas ligadas s reas de sade e de esporte apresentam umapequena evoluo ao longo dos anos analisados. J as aes de combate fomee alimentao realizadas por empresas pblicas e privadas se fazem perce-ber at 2002. Esse crescimento, possivelmente, est relacionado s iniciativasgovernamentais e nfase que o Estado brasileiro tem dado s aes de com-bate fome e de estmulo segurana alimentar nos ltimos anos.

    4. Investimentos, aes e projetos ambientais

    Nos ltimos anos, uma das maiores preocupaes que figuram nas decla-raes de empresrios(as) e gestores pblicos tem sido a de mitigar ou com-pensar os impactos ambientais, minimizar as mudanas climticas e pre-servar a vida no planeta. Algumas iniciativas adotadas possuem o objetivode melhorar a qualidade ambiental, seja por meio de inovao tecnolgicaou de programas internos e externos de controle e educao ambiental. Os

    valores e o peso destes investimentos em meio-ambiente em comparao aodesempenho econmico e financeiro das companhias aparecem de formaclara nos balanos sociais.

    Grfico 10 Investimentos mdios em meio-ambiente por empresa (em milhes de reais)

    2003200220012000 2004

    20

    23

    28

    21

    2523

    2005

    Todavia, quando analisamos as informaes sobre os investimentosambientais que esto relacionados forma de operar e produzir nas empre-sas listadas nesta publicao que representam uma espcie de elite dasempresas brasileiras, uma vez que do transparncia s suas informaes,mesmo quando no so to positivas assim , observamos uma reduo nos

    valores absolutos do total de investimentos ambientais realizados nos lti-mos anos.

    Quando comparados com os resultados e as receitas anuais, essa redu-o torna-se bastante significativa e evidente conforme podemos verificarnogrfico 11. Se levarmos em conta ainda a grande divulgao do tema e o

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    44 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 45BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    nmero de informaes, aliado ao fortalecimento do discurso de proteo epreocupao com o meio-ambiente, a gua, as florestas e at o aquecimentoglobal, esta reduo nos mostra um claro antagonismo entre o discurso e aprtica das empresas contemporneas aqui analisadas.

    Nogrfico 11, podemos verificar e acompanhar tambm uma significa-tiva reduo especificamente nos investimentos ambientais internos. Ouseja, aqueles que esto diretamente relacionados com a forma de operar eproduzir nas empresas.

    Grfico 11 Investimentos ambientais operacionais sobre receita e resultado (em %)

    2003200220012000 2004 2005

    [1] [3] [4][7]

    % da receita lquida em MAO

    % do resultado operacionalem MAO

    1,08 0,96 0,79 0,950,92 0,69

    3,845,88

    9,52

    5,526,16

    12,87

    As empresas tambm realizam, regularmente, projetos e aes que noesto relacionadas diretamente com a operao/produo. So os chamadosinvestimentos ambientais em programas e projetos externos ou para a socie-dade em geral. Esses programas envolvem educao ambiental e campanhas

    preservacionistas que no esto diretamente ligadas ao bem, produto ouservio de determinada companhia, mas que geralmente trazem, direta ouindiretamente, benefcios para as comunidades e tambm para a imagempblica e as marcas de tal empresa.

    Grfico 12 Investimentos ambientais externos mdios por empresa (em milhes de reais)

    2003200220012000 2004 2005

    [1] [3] [4] [7]

    3,2

    3,93,7

    1,31,5

    2,1

    Ainda assim, quando observamos os dados publicados at 2005, a tendn-cia tem sido tambm de reduo dos investimentos ambientais externos. Osprximos anos, todavia, daro pistas se essa tendncia continuar ou no, esem dvida, no longo prazo, o prprio planeta nos dar a prova inconteste seas prticas internas e externas das empresas mantiveram-se de acordo coma continuidade da vida no planeta ou somente seguiram focadas no lucro decurto prazo conquistado a qualquer preo.

    Outro importante indicador, que nos ajuda a mensurar a preocupaocom a reduo dos impactos ambientais, est relacionado ao estabeleci-mento e ao cumprimento, ou no, de metas anuais de ecoeficincia. Medir,avaliar e estabelecer metas para mudar as prticas ao longo do tempo umprocesso fundamental nas organizaes e empresas. Nos balanos sociaispublicados em 2002, aparecem, pela primeira vez, questes sobre o esta-

    belecimento de metas para os investimentos em meio-ambiente e tambmsobre os percentuais de cumprimento. Esse indicador entrou no modelopor sugesto de uma das maiores organizaes internacionais de defesado meio-ambiente, antiga parceira do Ibase, que preferiu, por estratgia deao poca, no se configurar formalmente como uma das organizaessociais que apoiavam o modelo.

    No grfico 13 podemos acompanhar a evoluo das metas ambientaisdurante os ltimos anos. Verificamos que cerca de 60% das empresas ana-lisadas estabelecem e cumprem satisfatoriamente suas metas anuais. Toda-

    via, ainda chama muito a nossa ateno que dessas empresas, que em

  • 7/25/2019 Balanco Social O Desafio Da Transparncia 2008

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    46 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 47BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    geral esto na vanguarda da preocupao socioambiental, ainda no pos-suam qualquer tipo de meta anual estabelecida para avaliar, aperfeioar e/ou corrigir seus investimentos e impactos ambientais.

    Grfico 13 Percentuais mdios de estabelecimento e cumprimento de metas

    200320022000 2005

    Cumprem de 76% a 100%

    No possuem metas

    Cumprem de 51% a 75%

    Cumprem de 0% a 50%

    7 9 7 8

    16

    23

    53

    11

    26

    57

    9

    24

    59

    10

    25

    58

    5. Indicadores do pblico interno

    Este grupo de indicadores nos apresenta um raio-x dos colaboradores e dascolaboradoras e permite avaliao da forma pela qual a empresa se relacionacom o seu pblico interno no que diz respeito criao de postos de tra-balho, utilizao de mo-de-obra terceirizada, valorizao da diversidade erelao com grupos historicamente discriminados no Brasil.

    Uma informao que merece especial destaque diz respeito transparn-cia e disponibilizao dos nmeros sobre o corpo funcional. Ao longo des-ses dez anos, percebemos uma grande resistncia das empresas em declararo perfil de seus colaboradores, principalmente quanto raa/etnia, gnero,idade e pessoas com deficincia (PCDs).

    Grfico 14 Percentuais de empresas que divulgaram as informaes do corpo funcional

    por ano (em %) dividido em sete partes

    2003200220012000 2004 2005

    EMPRESAS QUE DIVULGARAM O N DE MULHERES

    78,2

    91,995,2

    71,7

    80,784,6

    2003200220012000 2004 2005

    EMPRESAS QUE DIVULGARAM O % DE CARGOS DE

    CHEFIA OCUPADOS POR MULHERES

    63,3

    69,4

    74,4

    80,588,9

    91,2

    2003200220012000 2004 2005

    33,9

    EMPRESAS QUE DIVULGARAM O N DE NEGROS(AS)

    20

    56,9

    63,8

    75,3

    50,6

    2003200220012000 2004 2005

    EMPRESAS QUE DIVULGARAM O % DE CARGOS DE

    CHEFIA OCUPADOS POR NEGROS(AS)

    15

    25

    40,9

    50,3

    60

    69,6

  • 7/25/2019 Balanco Social O Desafio Da Transparncia 2008

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    48 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 49BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    No incio do processo de realizao de balanos sociais anuais modeloIbase, muitos eram publicados sem o devido preenchimento de algumaslinhas do item 5 Informaes do corpo funcional. Hoje, o percentual mostra-se consideravelmente maior, mas ainda aqum dos 100% desejveis em umasociedade democrtica, onde informao e transparncia so fundamentais.Cabe destacar, como nos mostra o grfico 14, que as informaes mais omiti-das pelas empresas ainda so aquelas relacionadas com raa/etnia. Quantosso e onde esto os negros e as negras dentro das empresas.

    A informao sobre a valorizao da diversidade no corpo funcional geroumomentos de embate e tenso entre as empresas e alguns empresrios desdea criao do modelo, quando a questo sobre o nmero de pessoas negras foiestrategicamente retirada para o lanamento do BS. Tambm houve quedano nmero de selos conferidos no ano em que foi estabelecido um critrio de

    preenchimento integral do documento. At mesmo em 2007, quando o esta-belecimento de cotas para pessoas com deficincia gerou um grande debatenacional, podemos perceber uma drstica reduo no nmero de selos con-feridos (sobre o Selo BS, ver captulo 4).

    Grfico 15 Diversidade no corpo funcional por ano (em %)

    200420032001 2005

    Mulheres

    Pessoas acima de 45 anos

    Negros(as)

    Pessoas com deficincia

    30,6

    30,7

    28,8

    OS DADOS APRESENTADOS NOS MOSTRAM A DISCRIMINAO QUEAINDA PERSISTE NA SOCIEDADE BRASILEIRA E QUE SE REFLETE, DEMLTIPLAS MANEIRAS, EM VELADAS PRTICAS DISCRIMINATRIASNO MUNDO DO TRABALHO

    2002

    31,4

    29,9

    18,6

    18,9 1919,5 19,8

    14,214,3

    1514

    14,9

    22,12,12,32,4

    2003200220012000 2004 2005

    EMPRESAS QUE DIVULGARAM O N DE PESSOAS

    COM DEFICINCIA

    54,8

    77,482,4

    41,7

    64,869,2

    2003200220012000 2004 2005

    53,2

    EMPRESAS QUE DIVULGARAM O N DE PESSOAS

    TERCEIRIZADAS

    31,7

    66,5

    75,977,9

    82,8

    2003200220012000 2004 2005

    EMPRESAS QUE DIVULGARAM O N DE PESSOAS

    ACIMA DE 45 ANOS

    35

    58,1

    76,782,6

    87,7

    90,7

  • 7/25/2019 Balanco Social O Desafio Da Transparncia 2008

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    50 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 51BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Apesar de todo o discurso pela igualdade de direitos e oportunidades, osdados apresentados nos mostram a discriminao que ainda persiste nasociedade brasileira e que se reflete, de mltiplas maneiras, em veladas pr-ticas discriminatrias no mundo do trabalho. A proporo de negros(as) nototal de pessoas empregadas no passa dos 15%, percentual muito abaixo doperfil tnico-racial da populao brasileira em 2000 que, segundo dados doCenso Demogrfico do IBGE, era constituda de 49,5% de negros(as), sendo6,3% de pretos(as) e 43,2% de pardos(as).

    O quadro torna-se mais alarmante ainda quando observamos o percen-tual de cargos de chefia ocupados por pessoas negras: apenas 6,7%. Isso sig-nifica que de cada 100 pessoas que ocupam cargos de chefia nas empresasanalisadas, menos de 7 so negros ou negras.

    A situao das mulheres, ainda que melhor que das pessoas negras, est

    longe de ser a ideal. A proporo de mulheres empregadas passou de 28% em2001 para 30,7% em 2005 e o percentual de cargos de chefia ocupados porelas chegou a 16,7%.

    A realidade feminina nas empresas chama ainda mais a nossa ateno selevarmos em conta que o grau de escolaridade das mulheres tem superado o doshomens nos ltimos anos e que as mulheres, segundo dados do IBGE, represen-tam 43% da populao economicamente ativa (PEA) no mesmo perodo.

    AS EMPRESAS CONTINUAM PREFERINDO HOMENS BRANCOS NA HORA DEESCOLHER QUEM VAI COMANDAR OS SEUS NEGCIOS

    Grfico 11 Percentuais de ocupao dos cargos de chefia por mulheres e negros(as) (em %)

    200320022001 2004

    Cargos de chefia ocupadospor mulheres

    Cargos de chefia ocupadospor negros(as)

    2005

    14,1

    3,5

    14,1

    2,9

    17,1

    4,4

    4,9

    6,7

    15

    16,7

    O conjunto dessas informaes nos leva a inferir, com bastante objeti-vidade, que as empresas continuam preferindo homens brancos na hora deescolher quem vai comandar os seus negcios. O grande desafio nesta ques-to como romper com esse crculo vicioso de preconceito e excluso dentrodo universo empresarial brasileiro.

    Os dados dos balanos sociais tambm nos mostram que as pessoas comdeficincia ainda no encontraram seu espao no mercado de trabalho. Ape-sar da existncia de uma legislao especfica e de todo o debate que temocorrido sobre o tema, bastante insignificante o percentual de postos detrabalho ocupados por pessoas com deficincia (PCDs). Principalmente, selevarmos em conta que a legislao brasileira em vigor determina que, nomnimo, 5% dos postos devem ser ocupados por PCDs nas empresas commais de 1 mil pessoas empregadas. Ainda h muito o que fazer para sensibi-

    lizar e cobrar do empresariado brasileiro que faa a sua parte para revertereste quadro de excluso.

    Grfico 17 Percentuais de pessoas com deficincia sobre o total de empregados(as) por

    ano (em %)

    2003200220012000 2004

    22,12,1

    2,32,4

    1,2

    2005

    Outro dado que merece destaque o aumento significativo na proporodo nmero de pessoas terceirizadas face ao nmero total de empregados(as)diretos. Percebemos uma tendncia das grandes empresas na contratao deterceirizados(as) e quarteirizados(as), mesmo em suas reas fins. E isso ocorre,muitas vezes, sem o comprometimento direto da grande companhia com a

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    52 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 53BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    garantia de direitos fundamentais e o pagamento de encargos e benefcios que ficam a cargo de pequenas e mdias prestadoras de servio, que aparecem,desaparecem e mudam seus nomes com muita facilidade.

    Grfico 18 Pessoas terceirizadas sobre o total de empregados(as) por ano (em %)

    2003200220012000 2004

    42,842,841,1

    28,9

    32,4

    20,5

    2005

    Muitas pessoas terceirizadas convivem diariamente com empregados(as)diretos da grande empresa, desempenham funes semelhantes, mas sopreteridas na hora da distribuio de lucros e diversos benefcios e garan-tias legais. Quanto maior a empresa, maior deve ser sua responsabilidadeinterna, externa e com toda a cadeia produtiva. Do contrrio, estamosfalando de discursos vazios e balanos sociais puramente promocionais.

    6. Informaes relevantes quanto ao exerccio da cidadania

    empresarial

    Nesta parte do balano social, encontram-se indicadores qualitativos, em suamaioria de mltipla escolha, que apresentam algumas diretrizes e alguns pro-cessos desenvolvidos na empresa no que diz respeito s polticas e prticas dacompanhia em relao ao social e ao ambiental. So 13 itens que apresentam,prioritariamente, questes da gesto empresarial da responsabilidade social.Elegemos alguns para explicitar nossa anlise nesta publicao. A primeiraquesto abordada trata da diferena entre a maior e a menor remuneraodentro da empresa (salrios + gratificaes). Em um pas onde uma melhor

    distribuio de renda se apresenta como um grande desafio, percebemos umaumento dos percentuais mdios dessa diferena, configurando uma ten-dncia concentrao de renda. Cabe apontar aqui, como exemplo concreto,que as maiores diferenas ultrapassam em muito os 100%, sendo registra-das diferenas salariais de at 236% nas empresas analisadas.

    Grfico 19 Percentuais mdios das diferenas entre a maior e a menor remunerao

    2003200220012000 2004 2005

    [1] [3] [4][7]

    33,4

    26,9

    36,9

    29,2

    38,4

    33,4

    Os acidentes de trabalho so informados em nmeros totais e, quandoconsideramos os investimentos em segurana e medicina no trabalho (apre-sentados no item 2 Indicadores sociais internos), percebemos uma relaoclara e inversamente proporcional com os investimentos em segurana, oque reafirma a grande importncia da preveno de acidentes de trabalhono como um gasto, mas, antes de tudo, como uma forma de proteger e pre-servar a vida e as pessoas dentro das empresas.

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    54 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 55BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    20022000 2004 2005

    CASO 1 EXEMPLO DE INVESTIMENTOS EM SEGU-

    RANA E MEDICINA NO TRABALHO E A RELAO

    COM O NMERO DE ACIDENTES DE TRABALHO

    N DE ACIDENTES

    DE TRABALHO POR

    1.000 EMPREGADOS

    INVESTIMENTO

    EM SEGURANA

    VALOR MDIO/

    EMPREGADO

    CASO 2 EXEMPLO DE REDUO DOS ACIDENTES

    DE TRABALHO EM DECORRNCIA DO AUMENTO DOS

    INVESTIMENTOS EM SEGURANA E MEDICINA NO

    TRABALHO

    15

    2830

    22

    14

    7

    5

    9

    N de acidentes de trabalhopor 1.000 empregados

    Investimento em segurana valor mdio/empregado

    2000

    2001

    Alm dos valores investidos, tambm de fundamental importncia nametodologia de elaborao do balano social a participao do corpo fun-cional nas definies dos padres de se gurana e salubridade no ambientede trabalho. Afinal, so essas pessoas que esto na linha de frente, sujeitasaos acidentes. muito interessante observar o crescimento no percentual

    das decises tomadas com a participao de todos(as) junto com a ComissoInterna de Preveno de Acidentes (Cipa) e tambm nas decises tomadassomente pela direo e gerncia. Essas informaes nos mostram uma ten-dncia formalizao e institucionalizao da questo, que provavelmenteest mais relacionada ao rigor da legislao, do que a uma tomada de cons-cincia no meio empresarial sobre a importncia do tema.

    Grfico 20 Grau de participao dos(as) funcionrios(as) na definio dos padres de segu-

    rana e salubridade no ambiente de trabalho

    2000 2001 2002 2003 2004 2005

    80

    70

    60

    50

    40

    30

    20

    10

    Cuidar do meio-ambiente, fazer uso de recursos naturais e se relacionar com asociedade, sem comprometer as prximas geraes, um imperativo no mundoatual e a participao dos(as) funcionrios(as) nas escolhas dos projetos e dasaes sociais e ambientais demonstra ou no a verdadeira compreenso e com-prometimento da empresa com a sua responsabilidade social interna e externa.

    O grfico 21nos apresenta uma ampliao na institucionalizao do pro-cesso de responsabilidade socioambiental, com maior participao da dire-o e gerncia nos ltimos anos, mas, ao mesmo tempo, com uma forte ten-dncia de diminuio da participao geral no processo. Essa tendnciapode significar, negativamente, a no-incorporao do total de funcionriose funcionrias nas escolhas das aes sociais e ambientais nas empresasanalisadas, gerando assim um no-comprometimento amplo e uma fortepossibilidade de no-continuidade das aes diante de uma simples troca dedireo e gerncia da empresa.

    Grfico 21 Grau de participao dos(as) funcionrios(as) nas decises sobre os projetos

    sociais e ambientais desenvolvidos

    2000 2001 2002 2003 2004 2005

    90

    70

    60

    504030

    2010

    80

    Direo e gerncia Todos os empregados Todos + Cipa

    Dir eo D ir eo e ger nci a Todos os empregados

    20012000 2003 20052002 2004

    165

    304

    340

    298

    331

    441

    4433 36

    20 1527

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    56 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 57BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Um outro ponto importante do item 6 do modelo a questo da liberdadesindical. Apesar da maioria informar que incentiva e segue as Convenesda Organizao Internacional do Trabalho (OIT), o percentual mximo dasempresas que disponibilizaram esta informao no passa dos 65%. Falarsobre democracia interna e dar transparncia a isso ainda um grande tabuno meio empresarial.

    Neste mesmo item, tambm so abordadas outras questes que no foramobjeto de anlise da presente publicao por variados motivos que vo desdenecessidade de foco at limites espaciais desta edio. Contudo, tais temasseguem como de suma importncia para empresas, governos e organizaesda sociedade: previdncia privada; participao nos lucros e resultados; res-ponsabilidade social na cadeia produtiva; trabalho voluntrio; reclamaese processos judiciais de consumidores(as); e a prpria demostrao do valor

    adicionado (DVA).

    7. Outras informaes

    Este um espao livre e em aberto que tem sido amplamente utilizado pelasempresas para divulgar a mais variada gama de informaes relevantes sobrecomo so incorporadas e divulgadas as prticas da responsabilidade socialcorporativa. Todavia, so informaes complementares, no-sistematizadas,que vo desde algumas notas explicativas at tabelas, extensos textos e fotos.

    Assim sendo, o item 7 no foi tambm objeto de anlise deste livro.

    Atualmente, ningum analisa ou indica uma empresa semavaliar o balano social desta companhia. E o modelo Ibase

    facilita bastante est anliseAnalista de mercado, especialista em balano social

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    O seloCAP TULO 4

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    60 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 61BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    que, muitas vezes, essa uma prtica incorreta se pensada em mdio e longoprazos, pois um bom instrumento de divulgao, avaliao e planejamentodeve servir, tambm, para corrigir eventuais desacertos estratgicos, proble-mas internos e externos e a falta de determinada viso em uma empresa ou

    organizao.Buscando corrigir a tendncia em que a forma e a imagem acabam supe-

    rando o contedo e a possibilidade de mudanas concretas nas prticas sociaise ambientais das empresas, o Ibase adotou como estratgia a busca, a cadaano, de critrios mais rigorosos para avaliao de contedo e divulgao dasinformaes que devem constar dos balanos sociais das empresas.

    A partir de 2006, um novo critrio estabelece um processo pioneiro noBrasil. Com o intuito de promover na sociedade um olhar atento sobreas prticas empresariais e o balano social, o Ibase decide promover umaconsulta pblica para que qualquer cidado ou cidad possa se manifestarsobre as empresas que solicitam o selo. Com durao de dois meses, o obje-tivo dessa consulta envolver, de forma mais efetiva, as organizaes dasociedade civil e os sindicatos no acompanhamento dos balanos apresen-tados, buscando a participao e o dilogo mais crtico e construtivo entrea sociedade e as empresas. As informaes divulgadas so analisadas poralgumas organizaes da sociedade civil parceiras do Ibase em diversasreas de atuao (consumidores(as), gnero, raa/etnia e meio-ambiente) e

    ficam disponveis no website do balano social para que qualquer pessoa possa fazer crticas ou comentrios.

    O processo, em seu primeiro ano, levou 54 empresas para a consultapblica, sendo que duas delas no conseguiram obter o selo por causa dedenncias envolvendo ao civil pblica. Recebemos 147 manifestaessobre 23 diferentes empresas.

    Em 2007, segundo ano de realizao da consulta pblica, 60 companhiassolicitaram o "Selo Balano Social Ibase/Betinho". Contudo, somente 17empresas o levaram. Essa grande diferena deu-se pela anlise de conte-do dos balanos. Passou-se a considerar se os indicadores e dados sobre

    Como meio de assegurar a ampla divulgao das informaes e estimu-lar a verificao dos dados por parte da sociedade, desde 1998 o Ibaseoferece s mdias e grandes empresas que publicam balano social no seumodelo a possibilidade de receber o Selo Balano Social Ibase/Betinho.

    Para isso, a empresa deve cumprir uma srie de critrios, estabelecidospelo instituto, visando ampla divulgao do documento, transparnciados nmeros e participao dos diversos pblicos interessados.

    O primeiro passo preencher a tabela de maneira completa. Informaes edados indisponveis ou descritos como no-aplicveis s operaes da empresano so aceitos. A empresa precisa declarar expressamente, em documentoassinado por seu representante legal diretor(a)/presidente(a) , que noutiliza mo-de-obra infantil, trabalho anlogo escravido; no est envol-

    vida, direta ou indiretamente, com prostituio ou explorao sexual infan-til; no se envolve em corrupo; e apresentar um compromisso da empresacom a valorizao e o respeito diversidade. Os compromissos e as declara-es devem ser enviados ao Ibase e devem constar do preenchimento do item7 Outras informaes.

    O balano social deve, obrigatoriamente, ser publicado em jornal ou revistade grande circulao regional ou nacional (de acordo com a abrangncia e atu-ao da empresa) e disponibilizado na pgina webda mesma. Cada funcion-rio e funcionria deve receber um exemplar de forma individualizada e por

    meio de material impresso acompanhado de uma mensagem da presidnciasalientando a importncia do documento para a empresa e estabelecendo umcanal de dilogo com seus colaboradores e suas colaboradoras. As empresasdevem, tambm, enviar e protocolar a entrega do balano social aos sindicatosque representam as categorias profissionais que integram o corpo funcional.

    Se a idia inicial era ampliar o nmero de balanos no Brasil, com o passardos anos, seus contedos nos revelam que algumas empresas no informa-

    vam integralmente todos os nmeros solicitados e que alguns dados eram sis-tematicamente omitidos, uma tentativa de mostrar mais o lado positivo e nodar tanta visibilidade aos dados considerados negativos. Cabe aqui ressaltar

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    62 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 63BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Grfico 22 Selos concedidos por ano

    questes como educao, meio-ambiente e diversidade no corpo funcional,representam, ou no, uma melhoria contnua nas informaes publicadasanualmente.

    Alm disso, com o intuito de chamar a ateno da sociedade e das empresaspara a grave situao que as pessoas com deficincia enfrentam no mercadode trabalho brasileiro, o Ibase decidiu pela adoo de uma cota mnima parapessoas com deficincia.

    Conseguimos uma grande visibilidade pblica do tema, at mesmo como reaparecimento de um amplo debate na mdia nacional a respeito, comdiversas empresas revendo suas prticas internas e externas.

    No grfico 22, esto as informaes sobre o nmero de selos concedidosnos ltimos anos. A discreta queda no nmero de selos em 2002 deveu-se obrigatoriedade do completo preenchimento da tabela, sem omisso delinhas, particularmente s que se referem aos itens nmero de negros epercentual de cargos de chefia ocupados por negros/as. A ampliao dorigor nos critrios para concesso do selo anual se reflete na mudana detendncia a partir de 2006.

    Em 2007, o nmero de empresas que passaram a utilizar o "Selo BalanoSocial Ibase/Betinho" foi o menor desde 2001 e representa uma quedaabrupta em relao a 2006. Esse resultado pode ser explicado, principal-mente, pelo maior rigor nos critrios adotados. A maioria das empresas foidesclassificada por no mostrar publicamente em seus balanos sociaisa garantia de 2% a 5% de seus postos de trabalho para pessoas com defi-cincia um dos critrios fixados este ano, tomando por base o Decreto3.298/99.

    O Ibase no fornece o selo para empresas de armas, bebidas alcoli-cas e cigarro. Tambm reserva-se o direito de no conceder, suspenderou retirar o selo de qualquer empresa envolvida, denunciada ou proces-sada por corrupo, violao de direitos humanos, sociais e ambientaisque estejam relacionados com as declaraes e convenes da Organiza-

    o Internacional do Trabalho (OIT), da Organizao das Naes Unidas(ONU), das Diretrizes da Organizao pela Cooperao e DesenvolvimentoEconmico (OCDE) para Empresas Multinacionais e toda a legislao bra-sileira relativa aos direitos e deveres sociais e ambientais j estabeleci-dos em nosso pas.

    Em decorrncia disso, em 2004, o Ibase suspendeu o Selo Balano SocialIbase/Betinho concedido a uma das maiores empresas na rea de acare lcool por ter sido denunciada pelo Ministrio Pblico por utilizao detrabalho anlogo escravido.

    A concess o do "Selo Balano Social Ibase/B etinho" no tem comoobjetivo certificar ou avaliar se a empresa socialmente responsvel,mas sim garantir que a empresa atendeu a todos os critrios de trans-parncia estabelecidos para preenchimento, publicao e divulgao dobalano social e que s e submeteu, de alguma forma, a receber crticas esugestes da sociedade, fornecendo os prprios subsdios para essa ava-liao externa.

    UM BOM INSTRUMENTO DE DIVULGAO, AVALIAO E PLANEJAMENTO

    DEVE SERVIR, TAMBM, PARA CORRIGIR EVENTUAIS DESACERTOSESTRATGICOS, PROBLEMAS INTERNOS E EXTERNOS E A FALTA DEDETERMINADA VISO NUMA EMPRESA OU ORGANIZAO

    2000

    8

    2001

    25

    2002

    22

    2003

    41

    2004

    59

    2005

    63

    2006

    52

    2007

    17

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    64 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 65BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Como pode o n de empregados negros no BS de 2004 parao de 2005, permanecer inalterado, se houve contratao decerca de 2 mil funcionrios? Como pode o n percentual denegros em cargo de chefia permanecer inalterado se houve

    a criao de dezenas de gerncias por toda a empresa?Manifestao sobre uma empresa em consulta pblica em 2006

    MUDANA NECESSRIA

    Ao estabelecer como critrio a cota de pessoas com deficincia no corpo fun-cional em 2007, vimos o nmero de selos cair drasticamente. Ao longo doano, ouvimos diversas justificativas das empresas: Queremos contratar,mas no h no mercado PCDs qualificados e em nmero suficiente; O queeu fao se no tenho mais vaga? Tiro emprego de quem j est l para cum-prir esta cota de 5%?. Em novembro do mesmo ano, aps todo o processo dobalano social e do selo, o Ibase promoveu um encontro com a presena deONGs que tratam o tema, empresas e poder pblico. J era hora de um debatefrente a frente com as partes interessadas, pessoas qualificadas discutindoa situao atual e o que queremos para o futuro. Um momento rico de reafir-

    mao da necessidade urgente de mudanas nas prticas empresariais decontratao e valorizao da diversidade.

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    ConclusesCAP TULO 5

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    68 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 69BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Lies do processo

    A criao e o aperfeioamento do modelo de balano social Ibase a partirde interao, debate e embates com um setor muito diversificado e carre-

    gado de poder poltico e econmico, como o caso do universo empresarial e a prpria campanha desenvolvida pelo Ibase durante os ltimos dez anosevidenciaram as possibilidades e os limites para a transformao das prti-cas empresariais e a implementao de mudanas sociais concretas.

    Com objetivo bem definido transparncia e responsabilidade no setorempresarial , o primeiro passo do Ibase foi sempre o dilogo, visando ampliao da participao democrtica. O dilogo e as possibilidades deinteraes intersetoriais so e tm sido muito bem-vindas e frutferas paratoda a sociedade, sempre que mantidas a autonomia e a viso crtica detodos os atores sociais envolvidos ao longo do processo.

    Em determinadas situaes, o confronto poltico e de idias, que podegerar denncias e constrangimento pblico da imagem de uma empresa(via imprensa nacional e internacional e/ou via processos judiciais e aao dos ministrios pblicos federal e estaduais), torna-se tambm umbom caminho para barrar algumas formas de vio lao de direitos por partede companhias.

    Os passos se guintes devem ser escolhidos em funo da conjuntura, em

    um processo de melhoria contnua e ampliao constante das exigncias edo rigor metodolgico. A figura de linguagem que utilizamos para ilustraro incio do processo de elaborao do modelo Ibase foi o da pequena cunhade metal sendo utilizada para cortar a imensa rocha. J em relao aos cri-trios para concesso do "Selo Balano Social Ibase/Betinho", a figura foi ado parafuso e a porca. Ano aps ano, sempre dvamos uma volta a mais naporca, como smbolo da ampliao no rigor.

    Uma questo a ser respondida s e os investimentos sociais e ambientaisque vm sendo realizados so verdadeiramente significativos, representati-

    vos e possuem resultados positivos compatveis com o poder, o impacto e as

    AINDA EXISTE UM LONGO CAMINHO A SER ENFRENTADO PELASEMPRESAS PARA, CONCRETA E OBJETIVAMENTE, TRANSFORMAR SUASPRTICAS INTERNAS E EXTERNAS

    responsabilidades que essas mesmas grandes corporaes tm em relao sociedade que lhes outorga o direito de operar e produzir, fornece-lhes mo-de-obra e as financia.

    Analisando o conjunto de dados apresentados nesta publicao, nossa ten-

    dncia responder que ainda no. Pouco mais de uma dcada depois de ini-ciado todo esse movimento pela transparncia e responsabilidade nas empre-sas, ainda existe um longo caminho a ser enfrentado pelas empresas para,concreta e objetivamente, transformar suas prticas internas e externas.

    Um bom exemplo dessa necessidade de mudana, que ainda no saiu dodiscurso mas j comea a aparecer de alguma maneira nos relatrios e napublicidade de algumas companhias est relacionada com a diversidade.Os nmeros sobre as mulheres, as pessoas com deficincia e a populaonegra, no universo das empresas analisadas, mostra que ainda falta muitopara criarmos um ambiente diverso e inclusivo no mundo do trabalho. Outrodado relevante so os escassos investimentos sociais internos: o discurso

    sobre as pessoas como principal valor de uma empresa no encontra res-paldo nos investimentos anuais ora analisados.

    Quando observamos as informaes sobre os investimentos ambientaisdas empresas aqui listadas, observamos uma reduo nos valores absolutosdo total de investimentos ambientais durante os ltimos anos. Comparadoscom os resultados e as receitas anuais, essa reduo torna-se bastante signi-ficativa e evidente. Se, alm disso, levarmos em conta a grande preocupaoe ampliao de informaes sobre meio-ambiente nos ltimos anos (gua,florestas e o aquecimento global), essa reduo nos mostra um claro antago-nismo entre o discurso e a prtica.

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    70 IBASE INSTITUTO BRASILE IRO DE ANL ISES SOCIAIS E ECONMICAS 71BALANO SOCIAL DEZ ANOS

    Os prximos anos, todavia, nos daro pistas se essa tendncia continuaou no, e sem dvida, o futuro nos dar a prova inconteste se as prticasinternas e externas das grandes empresas estavam realmente de acordo coma continuidade da vida no planeta ou somente seguiram focadas no lucro decurto prazo auferido a qualquer preo, maquiado por um discurso vazio depreocupao social e ambiental.

    O futuro do balano social

    O modelo Ibase de BS o mais utilizado por empresas que atuam no Brasile se tornou a principal referncia como modelo para dar transparncia sinformaes sociais e ambientais na esfera corporativa nacional. A expan-

    so do nmero de empresas com balano social nos ltimos anos um dosindicadores da relevncia do tema e nos revelou, tambm, o incremento daprtica anual das companhias em publicar e disponibilizar seus dados esuas informaes socioambientais por meio desse instrumento.

    H dez anos, verdadeiramente acreditvamos e defendamos a volunta-riedade dos mecanismos da chamada responsabilidade social empresariale da utilizao de ferramentas como o balano social. Contudo, uma dcadadepois, estamos convencidos de que a obrigatoriedade dos mecanismos einstrumentos para garantir a transparncia sobre as boas prticas sociaise ambientais das empresas, entre eles o prprio balano social, pode asse-gurar sociedade informaes relevantes e indispensveis para o controlecidado das empresas. O debate que se apresenta agora deve ser sobre a faci-lidade no entendimento e a ampla divulgao dos dados.

    Governos, legisladores e bancos pblicos e de desenvolvimento devemestar atentos a essas regulamentaes e possibilidades de tornar as prti-cas de responsabilidade social e ambiental bem como a publicao anualde balano social como itens obrigatrios para compras, concorrncias e

    concesses de crditos.Uma outra questo que se apresenta para as empresas assumir seu papel

    de impulsionadoras da responsabilidade social em toda a cadeia produtiva,principalmente das maiores empresas em relao s menores. Tomar para sia responsabilidade sobre seu