of 84/84
CEI - DPU 2ª RODADA 03/08/2014 www.cursocei.com facebook.com/cursocei Página - 1 2ª RODADA CEI - DPU PREPARATÓRIO PARA A DEFENSORIA PÚBLICA DA UNIÃO 03/08/2014 Círculo de Estudos pela Internet www.cursocei.com facebook.com/cursocei

CEI - DPUª-Rodada-CEI-DPU.pdf · Página - 2 CEI - DPU 2 RODADA 03/08/2014 acebook.com/cursocei CORPO DOCENTE 1. Caio Paiva – mediador das matérias Direito Penal, Direito

  • View
    215

  • Download
    0

Embed Size (px)

Text of CEI - DPUª-Rodada-CEI-DPU.pdf · Página - 2 CEI - DPU 2 RODADA 03/08/2014 acebook.com/cursocei...

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 1

    2 RODADA

    CEI - DPUPREPARATRIO PARA A

    DEFENSORIA PBLICA DA UNIO

    03/08/2014

    Crculo de Estudos pela Internetwww.cursocei.com

    facebook.com/cursocei

  • Pgina - 2

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    CORPO DOCENTE

    1. Caio Paiva mediador das matrias Direito Penal, Direito Processual Penal, Direitos Humanos e Princpios Institucionais da Defensoria Pblica.Defensor Pblico Federal, titular do 2 Ofcio Criminal da DPU/Manaus, unidade em que Chefe-Substituto. Membro do GT Grupo de Trabalho da DPU sobre presos. Especialista em Cincias Criminais. Exerceu o cargo de assessor de juiz de direito (2010-2013). Fundador do CEI. Editor do site www.oprocesso.com.

    2. Alexandre Cabral mediador das matrias Direito do Trabalho, Direito Processual do Trabalho e Direito Administrativo.

    Defensor Pblico Federal desde 2010; bacharel em Comunicao Social e em Direito, especialista em Direito Pblico e em Segurana Pblica. Foi Presidente da Comisso de Prerrogativas da Defensoria Pblica Geral da Unio (DPGU) e membro do projeto piloto de atuao na rea trabalhista perante o TRT 10 na DPU/DF de Segunda Categoria, de 2010 a 2013.

    3. Pedro Wagner mediador das matrias Direito Civil e Direito do Consumidor.

    Defensor Pblico Federal em Roraima. Ex-chefe do Ncleo da Defensoria Pblica da Unio em Roraima. Titular do 4 Ofcio da Defensoria Pblica da Unio em Roraima. Titular nomeando do Conselho Penitencirio do Estado de Roraima. Aprovado nos concursos da Defensoria Pblica do Estado de Alagoas e da Defensoria Pblica do Estado da Bahia.

    4. Edilson Santana mediador das matrias Direito Internacional e Direito Constitucional.

    Defensor Pblico Federal, titular do Ofcio de Direitos Humanos e Tutela Coletiva da DPU/Manaus, unidade em que exerce a funo de Defensor Pblico Chefe. Membro do GT (Grupo de Trabalho) da DPU sobre Quilombolas e do GT Estrangeiros (voltado ao atendimento de estrangeiros). Membro do Conselho Penitencirio do Amazonas. Foi Defensor Pblico do Estado do Maranho. Especialista em Direito Processual.

    5. Hendrikus Garcia mediador das matrias Direito Eleitoral, Direito Tributrio e Direito Empresarial.

    Defensor Pblico Chefe da unidade de Cceres/MT.

    6. Alexandre Mendes mediador das matrias Direito Previdencirio e Direito Processual Civil.

    Defensor Pblico Federal desde 2009. Foi servidor do Ministrio Pblico da Unio (Tcnico Administrativo e Analista Processual) lotado no MPF. Foi Procurador da Fazenda Nacional. titular do 7 Ofcio Cvel da DPU/DF de 2 categoria. Foi titular do 5 Ofcio Previdencirio da DPU/DF. Foi Diretor da Escola Superior da Defensoria Pblica da Unio ESDPU de 08/01/2013 a 14/07/2014.

    7. Ricardo Giuliani - mediador das matrias Direito Penal Militar e Processo Penal Militar.

    Defensor Pblico Federal, titular de Ofcio Criminal na DPU/Porto Alegre, Especialista em Cincias Penais e Mestre em Cincias Criminais pela PUCRS, e autor dos livros Direito Penal Militar e Processo Penal Militar (publicadas pela Editora Verbo Jurdico).

    8. Flaubert Mesquita mediador das matrias Filosofia do Direito, Sociologia Jurdica e Noes de Cincia Poltica.

    Doutor em Sociologia pela UFRN e Socilogo da DPU/DF.

    COORDENAO CEI

    CAIO PAIVA - [email protected]

    Defensor Pblico Federal, titular do 2 Ofcio Criminal da DPU/Manaus, unidade em que Chefe-Substituto. Membro do GT Grupo de Trabalho da DPU sobre presos. Especialista em Cincias Criminais. Exerceu o cargo de assessor de juiz de direito (2010-2013). Fundador do CEI. Editor do site www.oprocesso.com.

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 3

    INSTRUES GERAIS:

    1. O objetivo principal do CEI promover uma simulao mxima da prova real, mas, para que isso acontea, precisamos da colaborao de vocs. A principal instruo, aqui, para que quando forem redigir as respostas das questes dissertativas ou elaborar a pea judicial, fiquem vontade para pesquisar o quanto puderem/quiserem sobre os temas tratados. Porm, no momento de redigir a resposta/pea, estejam a ss com a legislao seca. Por essa razo, evitem citar nmero de decises, transcrever trecho de doutrina etc.

    2. Todos os alunos do Curso recebem o Espelho de Correo (material que contm o gabarito comentado das questes dissertativas e da pea judicial + as melhores respostas/peas dos alunos), inclusive aqueles que optarem por no participarem ativamente submetendo suas respostas/peas para correo individualizada.

    3. Para que o Curso seja dinmico e possamos, todos, nos organizar, no iremos tolerar (salvo casos excepcionais) atraso no envio das respostas/peas para correo individualizada. Atentem-se para identificar perfeitamente qual o e-mail do mediador responsvel pelo questionamento!

    4. O funcionamento do Curso compreende, conforme divulgado no site do CEI (www.cursocei.com), basicamente, rodadas de 10 em 10 dias, de modo que, a partir do dia em que receber o material, o aluno tem 10 dias para enviar as suas respostas/peas para correo. Exemplo: o material da primeira rodada enviado no dia 24/07, tendo o aluno, portanto, at o dia 03/08 para submeter ao mediador as suas respostas/peas para a correo individualizada.

    Estarei sempre disposio para dvidas e questionamentos.Caio Paiva Coordenador Geral do CEI

    E-mail: [email protected]

  • Pgina - 4

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    QUESTES OBJETIVAS SEM O GABARITO COMENTADO

    Treine os seus conhecimentos e depois, a frente, confira o seu desempenho lendo os comentrios dos mediadores sobre os enunciados.

    GRUPO 1: Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Consumidor, Direito Proces-sual Civil e Direito Tributrio.

    DIREITO ADMINISTRATIVO

    1. O prazo prescricional para ao contra governador de estado por ato de improbidade comea a ser contado do fim do mandato eletivo. Eventual reeleio do agente poltico no interrompe nem suspende a contagem, que segue tendo como termo inicial o fim do primeiro mandato.

    2. Segundo o STF j decidiu, para a desapropriao rural com fins de reforma agrria devem ser especificamente computadas no clculo para enquadramento da extenso da propriedade em pequena, mdia ou grande, apenas as partes teis e possivelmente produtivas do imvel, no se incluindo, por exemplo, as reas de preservao ambiental insuscetveis de proveito econmico.

    3. Em que pese a previso constitucional do direito de greve, com fulcro na funo ostensiva exercida e natureza militar da atividade, o STF vem decidindo que aos policiais militares vedado o movimento grevista. A Suprema Corte excepcionou de tal entendimento os policiais civis, j que integrantes de rgo sem funo de patrulhamento das vias pblicas e de carter no militar.

    DIREITO CIVIL

    4. Segundo doutrina de escol, as pretenses protetivas dos direitos da personalidade so imprescritveis.

    5. Em relao a todas as formas de cesso de crdito, o Cdigo Civil exige, para terem validade em relao a terceiros, que sejam realizadas atravs de instrumento pblico, ou instrumento particular, devendo este conter a indicao do lugar onde foi passado, a qualificao do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designao e a extenso dos poderes conferidos.

    6 . CAIO, casado sob o regime legal de bens, donatrio de um imvel, inexistente a clusula de incomunicabilidade, enquanto MARIA, sua esposa, no figura tambm como donatria. No caso de extino do matrimnio e consequente diviso dos bens do casal, o referido imvel dever integrar o rol de bens para a efetivao da meao.

    7 . Segundo a Corte Cidad, em entendimento jurisprudencial sumulado, cabe ao monitria para haver saldo remanescente oriundo de venda extrajudicial de bem alienado fiduciariamente em garantia.

    8. O esplio de determinado de cujus dotado de personalidade jurdica, sendo considerado uma pessoa jurdica, representante da universalidade dos herdeiros.

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 5

    DIREITO EMPRESARIAL

    9 . Na sociedade limitada, aos scios assegurada a faculdade de se apropriarem da quota do scio remisso, por no integraliz-la, podendo, inclusive, transferi-la a terceiros, mas devendo ressarcir o valor que tiver sido pago.

    10. A sociedade annima, ou por aes, ou companhia, aquela cujo capital se divide em pequenas fraes denominadas quotas, as quais servem para estabelecer a titularidade e o grau de responsabilidade dos membros ou das pessoas que formam a sociedade, enquanto no integralizadas, ou na pendncia do ingresso do valor que representam.

    DIREITO DO CONSUMIDOR

    11. ALEXANDRE, conhecido apreciador de refrigerante, dirige-se a um mercadinho prximo de sua humilde residncia, e adquire um litro de refrigerante de determinada marca. J em sua residncia, ALEXANDRE prepara uma pizza para receber sua namorada. A chegada da namorada coincide com o fim do preparo da referida pizza. ALEXANDRE, ento, busca a pizza, que j est pronta, e o citado refrigerante, para dividir com sua amada. Servida a pizza, ao dirigir-se para abrir o refrigerante, ambos, ALEXANDRE e sua namorada, visualizaram no interior da garrafa do mencionado lquido, pequenos objetos slidos, que aps foram identificados como veneno para matar ratos e baratas. Eles no consumiram o produto. Assim, em tais casos, os consumidores detm o direto reparao por danos morais, segundo precedente do Superior Tribunal de Justia.

    12. PEDRO, proprietrio de vrios imveis, situados na Avenida Vieira Souto, na Zona Sul carioca, utiliza-se dos servios da IMOBILIRIA MILIONRIA, para que esta administre seus contratos de locao. Neste caso, segundo o STJ, possvel a aplicao do Cdigo de Defesa do Consumidor referida relao, diante da vulnerabilidade de PEDRO.

    13. A inverso do nus da prova direito bsico do consumidor, todavia, no absoluto, que s ser a este concedido quando o juiz verificar sua hipossuficincia ou a verossimilhana de suas alegaes.

    PROCESSO CIVIL

    14. Em 24/07/2014 a Caixa Econmica Federal props ao monitria contra Joo pretendendo conden-lo ao pagamento de cheque por ele emitido em 15/06/2009 e devolvido ao banco por falta de fundos em 29/03/2010. Nessa hiptese, considerando que o cheque ttulo de crdito que constitui prova escrita para fins de ao monitria, deve o juzo determinar a expedio de mandado de pagamento no prazo de 15 dias, no qual se oferecidos embargos, tero o condo de suspender a eficcia do mandado inicial, seguindo o feito o rito ordinrio.

    15. Segundo o STJ, caracterizam-se como protelatrios os embargos de declarao que visam rediscutir matria j apreciada e decidida pela Corte de origem em conformidade com smula do STJ ou STF ou, ainda, precedente julgado pelo rito dos artigos 543-C do CPC, mesmo que opostos

  • Pgina - 6

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    com o propsito de prequestionar a matria.

    16. Para fins de cabimento de recurso de ndole extraordinria, diferentemente do STJ, o STF admite o prequestionamento na modalidade ficta, consoante interpretao a contrario sensu de sua smula n. 356.

    17. Segundo o STJ, a Defensoria Pblica carece de legitimidade extraordinria para buscar a tutela coletiva de idosos consumidores de planos de sade que tenham sofrido reajustes abusivos em seus contratos em razo da mudana na faixa etria.

    DIREITO TRIBUTRIO

    18. Admite-se a incidncia do Imposto sobre a propriedade Territorial Rural ITR sobre imvel situado em zona urbana de Municpio.

    19. As contribuies para o INCRA so verdadeiras contribuies de interveno no domnio econmico que tm por escopo a arrecadao de recursos para a atuao direta do Estado na estrutura fundiria, por meio, precipuamente, da desapropriao para fins de reforma agrria, implantando o programa nacional de reforma agrria, sempre tendo como objetivo ltimo a efetiva observncia da funo social da propriedade.

    20. defeso, ao Judicirio, na via estreita do mandamus, a convalidao da compensao tributria realizada por iniciativa exclusiva do contribuinte, porquanto necessria a dilao probatria.

    21. A prescrio, causa extintiva do crdito tributrio, no passvel de ser veiculada em exceo de pr-executividade, uma vez que demanda dilao probatria.

    GRUPO 2: Direito Penal, Processo Penal, Direito Penal Militar, Direito Processual Penal Militar e Direito Eleitoral.

    DIREITO PENAL

    22. A constituio definitiva do crdito tributrio condio necessria para o ajuizamento da ao penal que verse sobre o crime de sonegao fiscal. J a pendncia de ao anulatria na esfera cvel, quando muito, constitui questo prejudicial heterognea facultativa que, a teor do artigo 93 do CPP, poder ocasionar a suspenso do curso do processo, a critrio do juiz natural da causa.

    23. correto afirmar que a consumao do crime de associao para fins de trfico pressupe (i) a estabilidade do vnculo entre trs ou mais pessoas, (ii) a finalidade de cometer uma srie indeterminada de crimes e (iii) a prtica dos delitos para os quais os agentes se associaram, sendo que, logrado xito no cometimento do crime de trfico de drogas, verificar-se-, na hiptese, a ocorrncia de um concurso formal de crimes.

    24. A prescrio, depois da sentena condenatria com trnsito em julgado para a acusao ou depois de improvido seu recurso, regula-se pela pena aplicada, no podendo, em nenhuma

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 7

    hiptese, ter por termo inicial data anterior a do recebimento da denncia ou queixa.

    PROCESSO PENAL

    Acerca do tema interceptao telefnica, julgue os dois itens a seguir.

    25. correto afirmar que a Lei 9296/96, embora mencione apenas a expresso interceptao telefnica, aplica-se tambm aos demais meios de captao da comunicao alheia.

    26. A Lei 9296/96 no exige que os dilogos interceptados sejam periciados a fim de que se ateste quem so as pessoas envolvidas.

    27. No se aplicam segunda instncia os institutos da emendatio libelli e mutatio libelli, sob pena de supresso do primeiro grau de jurisdio.

    DIREITO PENAL MILITAR

    28. Diferente do que ocorre no Direito Penal comum, em que a extraterritorialidade exceo, no Direito Penal Militar, ela regra geral, punindo o agente de qualquer nacionalidade onde quer que ele tenha praticado o crime militar, desde que esse crime tipifique uma das condutas delitivas descritas no art. 9 do Cdigo Penal Militar.

    29. O Cdigo Penal Militar e Cdigo Penal Comum aplicam de forma expressa, apenas a teoria da ubiquidade em relao ao lugar do crime.

    PROCESSO PENAL MILITAR

    30. O Cdigo de Processo Militar e o Cdigo de Processo Penal comum autorizam o incio do inqurito policial mediante requisio da autoridade judiciria.

    31. O art. 17 do Cdigo de Processo Penal determina que: O encarregado do inqurito poder manter incomunicvel o indiciado, que estiver legalmente preso, por trs dias no mximo. Esse regramento continua sendo aplicado, devido a sujeio dos servidores militares a um regramento especial que tem como princpios norteadores, a disciplina e hierarquia.

    DIREITO ELEITORAL

    32. O Tribunal Superior Eleitoral entende que a transao penal tem natureza condenatria gerando o trnsito em julgado material e, por conseguinte, suspende os direitos polticos nos termos do art. 15, III, da CF/88.

    33. Na acusao da prtica de corrupo eleitoral (Cdigo Eleitoral, art. 299), desnecessrio que a pea acusatria indique qual ou quais eleitores teriam sido beneficiados ou aliciados, uma vez que podero ser identificados durante a instruo processual, assegurando-se, portanto, a ampla defesa.

  • Pgina - 8

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    GRUPO 3 - Direito do Trabalho, Processo do Trabalho, Direito Previdencirio e Princpios Institucionais da Defensoria Pblica.

    DIREITO DO TRABALHO

    34. Considerando a jurisprudncia do TST possvel afirmar que eventual pleito de equiparao salarial entre dois obreiros contratados por uma Autarquia Federal com fundamento na CLT juridicamente impossvel, j que a CF/88 veda a possibilidade em virtude do seu art. 37, XIII, que determina: XIII - vedada a vinculao ou equiparao de quaisquer espcies remuneratrias para o efeito de remunerao de pessoal do servio pblico;.

    35. Embora haja discusso doutrinria sobre os efeitos e o alcance da solidariedade nas obrigaes trabalhistas impostas aos chamados grupos econmicos, pode-se afirmar que quando se reconhece a tese do empregador nico, como j fez o TST em sua jurisprudncia, est a se admitir a solidariedade dual.

    36. Segundo o TST tambm se caracteriza como horas in itinere o tempo de espera do trabalhador pela conduo fornecida pelo empregador ao local de trabalho de difcil acesso ou no atendido pelo transporte pblico, porm, essa espera deve superar prazo razovel para seu cmputo jornada de trabalho, ou seja, um perodo superior a 10 (dez) minutos.

    PROCESSO DO TRABALHO

    37. Conforme entendimento sumulado pelo TST, salvo em demanda referente ao emprego domstico ou contra pequeno ou micro empresrio, em regra o preposto da Reclamada deve necessariamente seu empregado. Assim, no se admite que seja preposto de uma reclamada o empregado de outra empresa, ainda que integrante do mesmo grupo econmico.

    38. Para a oposio de embargos execuo no processo do trabalho, diferentemente da regra dos embargos execuo no processo civil, necessria a garantia do juzo ou que tenha ocorrido a penhora de bens do devedor. O prazo para opor os embargos de apenas 05 (cinco) dias.

    DIREITO PREVIDENCIRIO

    39. Maria, nascida em 08/10/1937 e filiada ao RGPS desde 1962, requereu perante o INSS o benefcio de aposentadoria por idade urbana em 2011, ocasio em que completou 98 meses de contribuio. A autarquia previdenciria indeferiu o pedido, entendendo no preenchido o requisito de carncia previsto no art. 142 da Lei n. 8.213/91. Asseverou que para a definio de carncia, no se leva em conta o ano em que o segurado cumpriu a idade exigida para a aposentadoria, mas o ano em que ele cumpre ambos os requisitos (idade mnima e carncia). Assim, concluiu que Maria no tinha direito aposentadoria por idade, eis que no completadas 180 contribuies em 2011, como exigido na tabela do art. 142 da Lei n. 8.213/91. Nessa hiptese, o INSS agiu acertadamente.

    40. Wanjomar, com 61 anos, exerceu a profisso de trabalhador porturio avulso. Sem tempo de

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 9

    contribuio suficiente para obter a aposentadoria, bem como de condies de prover o sustento, requereu ao INSS o benefcio de amparo assistencial. Nessa situao, o pedido no deve ser deferido, pois a lei de regncia exige a idade mnima de 65 anos.

    41. Como consequncia da solidariedade social, no necessrio que o contribuinte guarde relao com os fins prprios das contribuies sociais para a seguridade social, no sendo exigvel a referibilidade.

    42. Conforme entendimento do STJ, a aposentadoria rural por idade dispensa o recolhimento de contribuies previdencirias, mas a prvia percepo de penso por morte estatutria federal impede a aquisio do direito, pois descaracteriza o regime de economia familiar exigvel para deferimento do benefcio.

    PRINCPIOS INSTITUCIONAIS DA DEFENSORIA PBLICA

    43. A Constituio Federal de 1988 assegura a autonomia legislativa da Defensoria Pblica, permitindo que a instituio proponha diretamente ao Poder Legislativo pleitos relativos, por exemplo, criao e a extino de cargos, assim como fixao do subsdio dos seus membros.

    44. A Defensoria Pblica da Unio tem por chefe o Defensor Pblico-Geral Federal, nomeado pelo Presidente da Repblica, dentre membros da Categoria Especial da carreira e maiores de 35 (trinta e cinco) anos, escolhidos em lista trplice formada pelo voto direto, secreto, plurinominal e obrigatrio de seus membros, aps a aprovao de seu nome pela maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, para mandato de 2 (dois) anos, permitida uma reconduo, precedida de nova apreciao do Congresso Nacional.

    GRUPO 4 - Direito Constitucional, Direito Internacional, Direitos Humanos e Humanstica (filosofia, sociologia jurdica e noes de cincia poltica).

    DIREITO CONSTITUCIONAL

    45. Todos os julgamentos dos rgos do Poder Judicirio sero pblicos, e fundamentadas todas as decises, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presena, em determinados atos, s prprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservao do direito intimidade do interessado no sigilo no prejudique o interesse pblico informao. Alm disso, as decises administrativas dos tribunais sero motivadas e em sesso pblica, sendo as disciplinares tomadas pelo voto da maioria absoluta de seus membros.

    46. A regra da Reserva de Plenrio, prevista no artigo 97 da Constituio Federal de 1988, deve ser observada quando do afastamento de norma pr-constitucional.

    47. A clusula de reserva de plenrio (full bench) aplicvel as Turmas Recursais dos Juizados Especiais.

    48. No ofende a Constituio Federal de 1988 a cobrana de anuidade relativa alimentao por parte de instituio pblica de ensino profissionalizante.

  • Pgina - 10

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    49. A competncia do Senado, prevista no artigo 52, X, da CRFB/1988, para suspender a execuo de lei declarada inconstitucional por deciso definitiva do Supremo Tribunal Federal, aplicvel s leis federais, mas no se estende s leis estaduais ou municipais, para os quais a competncia do poder legislativo do respectivo ente.

    DIREITO INTERNACIONAL

    50. O estrangeiro deportado dever sair do Brasil e partir para seu Estado de nacionalidade, para o lugar de procedncia ou para qualquer pas cujos requisitos de entrada permitam seu ingresso.

    51. A concesso de vistos brasileiros para pessoas que tenham sido anteriormente deportadas do Brasil possvel, bem como a entrada destes em territrio nacional.

    52. A doutrina clssica aponta como sujeitos de direito internacional os Estados, as organizaes internacionais e os indivduos.

    DIREITOS HUMANOS

    53. O STF, ao julgar, no ano de 2003, o Caso Ellwanger, decidiu que a prtica do racismo no est estritamente vinculada ao conceito de raa, prestigiando, desta forma, um conceito mais amplo de discriminao racial, o qual contemplado tambm na Conveno Internacional sobre a Eliminao de Todas as Formas de Discriminao Racial.

    54. A inviolabilidade da liberdade de conscincia e de crena garante ao cidado, segundo entende o STF, o direito de realizar exames e concursos pblicos em data alternativa.

    FILOSOFIA DO DIREITO, NOES DE CINCIA POLTICA E NOES DE SOCIOLOGIA JURDICA

    55 Sobre o tema da discricionariedade do juiz no interior do debate entre Herbert Hart e Ronald Dworkin, correto afirmar que o primeiro entende que perfeitamente possvel que o juiz produza uma lei ad hoc para casos especficos onde h lacunas na lei, enquanto que o segundo se fixa em preceitos morais para dirimir eventuais omisses legais, uma vez que este defende que o juiz no deve ter o poder de legislar e julgar ao mesmo tempo.

    56 Sobre a relao entre o direito e a moral, incorreto afirmar que haja uma relao de necessidade entre os dois tpicos, uma vez que quando uma regra legal estabelecida, mesmo ela sendo algo estranho a alguma prtica social estabelecida, ela modifica e impe certos comportamentos sociais relativamente obedecida, portanto. Mas a sua superao social de certas leis depender necessariamente da revogao das mesmas pelo poder legislativo.

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 11

    QUESTES OBJETIVAS COM O GABARITO COMENTADO

    GRUPO 1: Direito Administrativo, Direito Civil, Direito Empresarial, Direito do Consumidor, Direito Processual Civil e Direito Tributrio.

    MEDIADOR: ALEXANDRE CABRAL

    DIREITO ADMINISTRATIVO

    1. O prazo prescricional para ao contra governador de estado por ato de improbidade comea a ser contado do fim do mandato eletivo. Eventual reeleio do agente poltico no interrompe nem suspende a contagem, que segue tendo como termo inicial o fim do primeiro mandato.

    Ponto 6. Improbidade administrativa.

    COMENTRIO

    O tema improbidade administrativa vem sendo cobrado repetidamente pelas bancas, com destaque para os certames de Defensor Pblico.

    , portanto, de leitura obrigatria a norma de regncia (Lei 8.429/92). Em seu artigo 23, ela assim dispe:

    Art. 23. As aes destinadas a levar a efeitos as sanes previstas nesta lei podem ser propostas:

    I - AT CINCO ANOS APS O TRMINO DO EXERCCIO DE MANDATO, de cargo em comisso ou de funo de confiana;

    II - dentro do prazo prescricional previsto em lei especfica para faltas disciplinares punveis com demisso a bem do servio pblico, nos casos de exerccio de cargo efetivo ou emprego.

    Veja-se, assim, que o prazo prescricional (regra geral, cinco anos) comea a correr do fim do mandato eleitoral do governador.

    CONTUDO, NA HIPTESE DE REELEIO, A CONTAGEM SE INICIAR A PARTIR DO TRMINO DO LTIMO (SEGUNDO) MANDATO.

    Nesse sentido, confira-se a posio paradigmtica da segunda turma do STJ (REsp 1107833 / SP, julgado em 08.09.2009) grifamos especialmente os itens 4, 5 e 7 do julgado, que devem ser conferidos com ateno:

    PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. AO CIVIL PBLICA. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. ART. 142 DA LEI N. 8.112/91. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. ART. 23 DA LEI N. 8.429/92 (LEI DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA LIA). PRAZO PRESCRICIONAL. EX-PREFEITO. REELEIO.

    TERMO A QUO. TRMINO DO SEGUNDO MANDATO. MORALIDADE ADMINISTRATIVA: PARMETRO DE CONDUTA DO ADMINISTRADOR E REQUISITO DE VALIDADE DO

  • Pgina - 12

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    ATO ADMINISTRATIVO. HERMENUTICA. MTODO TELEOLGICO. PROTEO DESSA MORALIDADE ADMINISTRATIVA. MTODO HISTRICO. APROVAO DA LIA ANTES DA EMENDA CONSTITUCIONAL N. 16/97, QUE POSSIBILITOU O SEGUNDO MANDATO. ART. 23, I, DA LIA. INCIO DA CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL ASSOCIADO AO TRMINO DE VNCULO TEMPORRIO. A REELEIO, EMBORA NO PRORROGUE SIMPLESMENTE O MANDATO, IMPORTA EM FATOR DE CONTINUIDADE DA GESTO ADMINISTRATIVA, ESTABILIZAO DA ESTRUTURA ESTATAL E PREVISO DE PROGRAMAS DE EXECUO DURADOURA.

    RESPONSABILIDADE DO ADMINISTRADOR PERANTE O TITULAR DA RES PUBLICA POR TODOS OS ATOS PRATICADOS DURANTE OS OITO ANOS DE ADMINISTRAO, INDEPENDENTE DA DATA DE SUA REALIZAO. RESSARCIMENTO AO ERRIO. IMPRESCRITIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE CONHECIDO E, NESSA PARTE, PROVIDO (ART. 557, 1-A, CPC).

    1. O colegiado de origem no tratou da questo relativa alegada violao ao art. 142 da Lei n. 8.112/91 e, apesar disso, a parte interessada no aviou embargos de declarao. Assim, ausente o indispensvel prequestionamento, aplica-se o teor das Smulas 282 e 356 da Corte Suprema, por analogia.

    2. O postulado constitucional da moralidade administrativa princpio basilar da atividade administrativa e decorre, diretamente, do almejado combate corrupo e impunidade no setor

    pblico. Em razo disso, exerce dupla funo: parmetro de conduta do administrador e requisito de validade do ato administrativo.

    3. Interpretao da Lei n. 8.429/92. Mtodo teleolgico. Verifica-se claramente que a mens legis proteger a moralidade administrativa e todos seus consectrios por meio de aes contra o enriquecimento ilcito de agentes pblicos em detrimento do errio e em atentado aos princpios da administrao pblica. Nesse sentido deve ser lido o art. 23, que trata dos prazos prescricionais.

    4. Mtodo histrico de interpretao. A LIA, promulgada antes da Emenda Constitucional n. 16, de 4 DE JUNHO DE 1997, QUE DEU NOVA REDAO AO 5 DO ART. 14, DA CONSTITUIO FEDERAL, CONSIDEROU COMO TERMO INICIAL DA PRESCRIO EXATAMENTE O FINAL DE MANDATO. NO ENTANTO, A EC N. 16/97 POSSIBILITOU A REELEIO DOS CHEFES DO PODER EXECUTIVO EM TODAS AS ESFERAS ADMINISTRATIVAS, COM O EXPRESSO OBJETIVO DE CONSTITUIR CORPOS ADMINISTRATIVOS ESTVEIS E CUMPRIR METAS GOVERNAMENTAIS DE MDIO PRAZO, PARA O AMADURECIMENTO DO PROCESSO DEMOCRTICO.

    5. A LEI DE IMPROBIDADE ASSOCIA, NO ART. 23, I, O INCIO DA CONTAGEM DO PRAZO PRESCRICIONAL AO TRMINO DE VNCULO TEMPORRIO, ENTRE OS QUAIS, O EXERCCIO DE MANDATO ELETIVO. DE ACORDO COM A JUSTIFICATIVA DA PEC DE QUE RESULTOU A EMENDA N. 16/97, A REELEIO, EMBORA NO PRORROGUE SIMPLESMENTE O MANDATO, IMPORTA EM FATOR DE CONTINUIDADE DA GESTO ADMINISTRATIVA. PORTANTO, O VNCULO COM

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 13

    A ADMINISTRAO, SOB PONTO DE VISTA MATERIAL, EM CASO DE REELEIO, NO SE DESFAZ NO DIA 31 DE DEZEMBRO DO LTIMO ANO DO PRIMEIRO MANDATO PARA SE REFAZER NO DIA 1 DE JANEIRO DO ANO INICIAL DO SEGUNDO MANDATO. EM RAZO DISSO, O PRAZO PRESCRICIONAL DEVE SER CONTADO A PARTIR DO FIM DO SEGUNDO MANDATO.

    6. O administrador, alm de detentor do dever de consecuo do interesse pblico, guiado pela moralidade e por ela limitado , o responsvel, perante o povo, pelos atos que, em sua gesto, em um ou dois mandatos, extrapolem tais parmetros.

    7. A ESTABILIDADE DA ESTRUTURA ADMINISTRATIVA E A PREVISO DE PROGRAMAS DE EXECUO DURADOURA POSSIBILITAM, COM A REELEIO, A SATISFAO, DE FORMA MAIS CONCISA E EFICIENTE, DO INTERESSE PBLICO.

    NO ENTANTO, O BEM PBLICO DE TITULARIDADE DO POVO, A QUEM O ADMINISTRADOR DEVE PRESTAR CONTAS. E SE, POR DOIS MANDATOS SEGUIDOS, PDE USUFRUIR DE UMA ESTRUTURA MAIS BEM PLANEJADA E DE PROGRAMAS DE GOVERNO MAIS CONSISTENTES, COLHENDO FRUTOS AO LONGO DOS DOIS MANDATOS PRINCIPALMENTE, NO DECORRER DO SEGUNDO, QUANDO OS RESULTADOS CONCRETOS REALMENTE APARECEM DEVE RESPONDER INEXORAVELMENTE PERANTE O TITULAR DA RES PUBLICA POR TODOS OS ATOS PRATICADOS DURANTE OS OITO ANOS DE ADMINISTRAO, INDEPENDENTE DA DATA DE SUA REALIZAO.

    8. No que concerne ao civil pblica em que se busca a condenao por danos ao errio e o respectivo ressarcimento, esta Corte considera que tal pretenso imprescritvel, com base no que dispe o artigo 37, 5, da Constituio da Repblica. Precedentes de ambas as Turmas da Primeira Seo 9. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido.

    Frisemos que a posio permanece atual, como confirma o recente julgamento (em 03/04/2014) do AgRg no AREsp 161420 / TO, onde se consignou:

    ADMINISTRATIVO. IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA. PRESCRIO. ART. 23, I,

    DA LEI 8.429/1992. REELEIO. TERMO INICIAL ENCERRAMENTO DO SEGUNDO

    MANDATO. ATO MPROBO. ELEMENTO SUBJETIVO CULPA CARACTERIZADA.

    PRECEDENTES. SMULA 83/STJ.

    1. A jurisprudncia deste Superior Tribunal assente em estabelecer que o termo inicial do PRAZO PRESCRICIONAL DA AO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA, NO CASO DE REELEIO DE PREFEITO, SE APERFEIOA APS O TRMINO DO SEGUNDO MANDATO. [...].

    GABARITO: ERRADA

    2. Segundo o STF j decidiu, para a desapropriao rural com fins de reforma agrria devem ser

  • Pgina - 14

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    especificamente computadas no clculo para enquadramento da extenso da propriedade em pequena, mdia ou grande, apenas as partes teis e possivelmente produtivas do imvel, no se incluindo, por exemplo, as reas de preservao ambiental insuscetveis de proveito econmico.

    Ponto 10. Desapropriao.

    COMENTRIO

    Forma mais gravosa de interveno na propriedade a Desapropriao encontra previso constitucional e legal.

    Na Lei Maior Republicana temos sua ocorrncia nos artigos: art. 5, XXIV (desapropriao por necessidade pblica ou interesse social regra geral); art. 182, 2, III (desapropriao urbanstica); arts. 184 a 186 (desapropriao rural para reforma agrria) e por fim a chamada desapropriao confiscatria (sem indenizao alguma) do art. 243, que incide sobre glebas onde identificada cultura de substncias psicotrpicas.

    Na hiptese tratada pela assertiva proposta, a desapropriao para fins de reforma agrria, vejam-se os artigos pertinentes (grifamos):

    Art. 184. Compete Unio desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrria, o IMVEL RURAL QUE NO ESTEJA CUMPRINDO SUA FUNO SOCIAL, MEDIANTE PRVIA E JUSTA INDENIZAO EM TTULOS DA DVIDA AGRRIA, com clusula de preservao do valor real, RESGATVEIS NO PRAZO DE AT VINTE ANOS, a partir do segundo ano de sua emisso, e cuja utilizao ser definida em lei.

    1 - AS BENFEITORIAS TEIS E NECESSRIAS SERO INDENIZADAS EM DINHEIRO.

    2 - O decreto que declarar o imvel como de interesse social, para fins de reforma agrria, autoriza a Unio a propor a ao de desapropriao.

    3 - Cabe lei complementar estabelecer procedimento contraditrio especial, de rito sumrio, para o processo judicial de desapropriao.

    4 - O oramento fixar anualmente o volume total de ttulos da dvida agrria, assim como o montante de recursos para atender ao programa de reforma agrria no exerccio.

    5 - So isentas de impostos federais, estaduais e municipais as operaes de transferncia de imveis desapropriados para fins de reforma agrria.

    ART. 185. SO INSUSCETVEIS DE DESAPROPRIAO PARA FINS DE REFORMA AGRRIA:

    I - A PEQUENA E MDIA PROPRIEDADE RURAL, ASSIM DEFINIDA EM LEI, DESDE QUE SEU PROPRIETRIO NO POSSUA OUTRA;

    II - A PROPRIEDADE PRODUTIVA.

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 15

    Pargrafo nico. A lei garantir tratamento especial propriedade produtiva e fixar normas para o cumprimento dos requisitos relativos a sua funo social.

    Art. 186. A funo social cumprida quando a propriedade rural atende, simultaneamente, segundo critrios e graus de exigncia estabelecidos em lei, aos seguintes requisitos:

    I - aproveitamento racional e adequado;

    II - utilizao adequada dos recursos naturais disponveis e preservao do meio ambiente;

    III - observncia das disposies que regulam as relaes de trabalho;

    IV - explorao que favorea o bem-estar dos proprietrios e dos trabalhadores.

    O atento candidato tambm ler a legislao infraconstitucional aplicvel, notadamente Decreto-Lei 3.365/41 (Lei geral da desapropriao); Lei 4.132 (desapropriao por interesse social), Lei 8.629/93 e Lei Complementar 76/93 (desapropriao rural/reforma agrria).

    Assim, h dois requisitos negativos para que seja permitida a desapropriao do imvel rural para tal destino: que no seja ele pequena ou mdia propriedade (e nica possuda pelo dono) bem como no seja ela produtiva.

    A questo em comento busca confundir o candidato com a jurisprudncia sobre cada um desses requisitos.

    Destarte, para aferio do requisito da PRODUTIVIDADE do imvel rural, por lgica, devem ser consideradas apenas as parcelas capazes de produo agrria, ou seja, para esse requisito no se contabilizam as reas que no possam ser cultivadas ou de outra forma exploradas economicamente, como so boa parte das reas de proteo ambiental.

    AO CONTRRIO, j para mensurar o tamanho da propriedade (enquadrando-a como pequena, mdia ou grande), deve se considerar a rea total do imvel, INCLUSIVE reas de reserva.

    Leia-se ilustrativo MS 25.066/DF, rel. Min Luiz Fux ( julgado em 14.12.2011):

    1.MANDADO DE SEGURANA. ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAO PARA FINS DE REFORMA AGRRIA. CLCULO DA EXTENSO DA PROPRIEDADE RURAL. REAS INSUSCETVEIS DE APROVEITAMENTO ECONMICO. IMPOSSIBILIDADE DE SUA DESCONSIDERAO.

    2. A EXCLUSO DA REA INAPROVEITVEL ECONOMICAMENTE RESTRINGE-SE AO CLCULO DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE (ART. 50, 3 E 4, DA LEI N 4.504).

    3. A PROPRIEDADE RURAL NO QUE CONCERNE SUA DIMENSO TERRITORIAL, COM O OBJETIVO DE VIABILIZAR A DESAPROPRIAO PARA FINS DE REFORMA AGRRIA, RECLAMA DEVAM SER COMPUTADAS AS REAS INSUSCETVEIS DE APROVEITAMENTO ECONMICO. O DIMENSIONAMENTO DO IMVEL PARA OS

  • Pgina - 16

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    FINS DA LEI N 8.629/93 DEVE CONSIDERAR A SUA REA GLOBAL. PRECEDENTE DO STF (MS N 24.924, REL. MIN. EROS GRAU).

    4. SEGURANA DENEGADA.

    Por derradeiro, vale recordar que no mbito do STJ j se decidiu que para a subtrao (no incluso) da rea de reserva ambiental do clculo da produtividade da propriedade a citada rea deve estar averbada no registro imobilirio devido. Veja-se:

    ADMINISTRATIVO. DESAPROPRIAO. RESERVA LEGAL. FALTA DE AVERBAO.

    A averbao da reserva legal no Ofcio Imobilirio indispensvel subtrao da respectiva rea no clculo de produtividade do imvel, nada importando exista ela de fato.

    Recurso especial conhecido, mas desprovido.

    (REsp 1376203 / GO Min. Ari Pargendler. DJe 08/05/2014).

    GABARITO: ERRADA

    3. Em que pese a previso constitucional do direito de greve, com fulcro na funo ostensiva exercida e natureza militar da atividade, o STF vem decidindo que aos policiais militares vedado o movimento grevista. A Suprema Corte excepcionou de tal entendimento os policiais civis, j que integrantes de rgo sem funo de patrulhamento das vias pblicas e de carter no militar.

    Ponto 5. Funo pblica. 5.5. Direito de greve.

    COMENTRIO

    A questo maldosamente busca confundir o candidato distinguindo entre as atividades militares ou no das polcias e seus servidores.

    O direito de greve do servidor pblico, norma constitucional de eficcia limitada, dependente de lei infraconstitucional integrativa para sua efetividade plena, e era prevista no art. 37, VII da CRFB/88:

    Art. 37. A administrao pblica direta e indireta de qualquer dos poderes da Unio, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municpios obedecer aos princpios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficincia e tambm, ao seguinte:

    [...]

    VII - o direito de greve ser exercido nos termos e nos limites definidos em lei especfica;.

    O tema foi questionado perante o STF, que decidiu (Mandados de Injuno ns 670, 708 e 712) ante a inrcia legislativa por prazo dilatado, ser aplicvel ao servio pblico, enquanto no for disciplinada pelo Legislativo, A LEI DE GREVE DO SETOR PRIVADO, QUAL SEJA, A LEI N 7.783/1989 - aplicando para

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 17

    soluo da omisso a chamada posio concretista geral.

    Em seu voto, o Ministro Celso de Mello assim julgou:

    [...] viabilizar, desde logo, nos termos e com as ressalvas e temperamentos preconizados por Suas Excelncias, o exerccio, pelos servidores pblicos civis, do direito de greve, at que seja colmatada, pelo Congresso Nacional, a lacuna normativa decorrente da inconstitucional falta de edio da lei especial a que se refere o inciso VII do art. 37 da Constituio da Repblica.

    Ocorre que aos policiais, sejam eles civis ou militares, a Suprema Corte h anos vem negando tal direito ao fundamento no da natureza militar ou civil da atividade, mas da ininterruptibilidade do servio de segurana pblica bem como com fundamento na natureza de corporao armada das polcias, sejam elas militares ou no. O pretrio Excelso, portanto, declarou serem as atividades policiais ANLOGAS para fins de extenso da vedao greve prevista aos militares no art. 142, 3, IV da CRFB/88.

    Vejam-se as decises:

    De 2009 (notadamente itens 2 e 3, nos grifos):

    EMENTA: RECLAMAO. SERVIDOR PBLICO. POLICIAIS CIVIS. DISSDIO COLETIVO DE GREVE. SERVIOS OU ATIVIDADES PBLICAS ESSENCIAIS. COMPETNCIA PARA CONHECER E JULGAR O DISSDIO. ARTIGO 114, INCISO I, DA CONSTITUIO DO BRASIL. DIREITO DE GREVE. ARTIGO 37, INCISO VII, DA CONSTITUIO DO BRASIL. LEI N. 7.783/89. INAPLICABILIDADE AOS SERVIDORES PBLICOS. DIREITO NO ABSOLUTO. RELATIVIZAO DO DIREITO DE GREVE EM RAZO DA NDOLE DE DETERMINADAS ATIVIDADES PBLICAS. AMPLITUDE DA DECISO PROFERIDA NO JULGAMENTO DO MANDADO DE INJUNO N. 712. ART. 142, 3, INCISO IV, DA CONSTITUIO DO BRASIL. INTERPRETAO DA CONSTITUIO. AFRONTA AO DECIDIDO NA ADI 3.395. INCOMPETNCIA DA JUSTIA DO TRABALHO PARA DIRIMIR CONFLITOS ENTRE SERVIDORES PBLICOS E ENTES DA ADMINISTRAO S QUAIS ESTO VINCULADOS. RECLAMAO JULGADA PROCEDENTE.

    1. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o MI n. 712, afirmou entendimento no sentido de que a Lei n. 7.783/89, que dispe sobre o exerccio do direito de greve dos trabalhadores em geral, ato normativo de incio inaplicvel aos servidores pblicos civis, mas ao Poder Judicirio dar concreo ao artigo 37, inciso VII, da Constituio do Brasil, suprindo omisses do Poder Legislativo.

    2. Servidores pblicos que exercem atividades relacionadas manuteno da ordem pblica e segurana pblica, administrao da Justia --- a os integrados nas chamadas carreiras de Estado, que exercem atividades indelegveis, inclusive as de exao tributria --- e sade pblica. A CONSERVAO DO BEM COMUM EXIGE QUE CERTAS CATEGORIAS DE SERVIDORES PBLICOS SEJAM PRIVADAS DO EXERCCIO DO DIREITO DE GREVE. Defesa dessa conservao e efetiva proteo de outros direitos igualmente salvaguardados pela Constituio do Brasil.

    3. Doutrina do duplo efeito, segundo Toms de Aquino, na Suma Teolgica (II Seo

  • Pgina - 18

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    da II Parte, Questo 64, Artigo 7). No h dvida quanto a serem, os servidores pblicos, titulares do direito de greve. Porm, tal e qual lcito matar a outrem em vista do bem comum, no ser ilcita a recusa do direito de greve a tais e quais servidores pblicos em benefcio do bem comum. No h mesmo dvida quanto a serem eles titulares do direito de greve. A Constituio , contudo, uma totalidade. No um conjunto de enunciados que se possa ler palavra por palavra, em experincia de leitura bem comportada ou esteticamente ordenada. Dela so extrados, pelo intrprete, sentidos normativos, outras coisas que no somente textos. A fora normativa da Constituio desprendida da totalidade, totalidade normativa, que a Constituio . Os servidores pblicos so, seguramente, titulares do direito de greve. Essa a regra. Ocorre, contudo, que entre os servios pblicos h alguns que a coeso social impe sejam prestados plenamente, em sua totalidade. ATIVIDADES DAS QUAIS DEPENDAM A MANUTENO DA ORDEM PBLICA E A SEGURANA PBLICA, A ADMINISTRAO DA JUSTIA --- ONDE AS CARREIRAS DE ESTADO, CUJOS MEMBROS EXERCEM ATIVIDADES INDELEGVEIS, INCLUSIVE AS DE EXAO TRIBUTRIA --- E A SADE PBLICA NO ESTO INSERIDOS NO ELENCO DOS SERVIDORES ALCANADOS POR ESSE DIREITO. SERVIOS PBLICOS DESENVOLVIDOS POR GRUPOS ARMADOS: AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA POLCIA CIVIL SO ANLOGAS, PARA ESSE EFEITO, S DOS MILITARES, EM RELAO AOS QUAIS A CONSTITUIO EXPRESSAMENTE PROBE A GREVE [ART. 142, 3, IV].

    4. No julgamento da ADI 3.395, o Supremo Tribunal Federal, dando interpretao conforme ao artigo 114, inciso I, da Constituio do Brasil, na redao a ele conferida pela EC 45/04, afastou a competncia da Justia do Trabalho para dirimir os conflitos decorrentes das relaes travadas entre servidores pblicos e entes da Administrao qual esto vinculados. Pedido julgado procedente.

    (Rcl 6568 / SP. Min. Eros Grau. Julgamento: 21/05/2009).

    De 2014:

    Agravo regimental na reclamao. Ausncia de ataque especfico aos fundamentos da deciso agravada. Reclamao como sucedneo recursal. Direito de greve. POLICIAL CIVIL. ATIVIDADE ANLOGA A DE POLICIAL MILITAR. Agravo regimental a que se nega provimento.

    1. No subsiste o agravo regimental quando no h ataque especfico aos fundamentos da deciso impugnada (art. 317, RISTF).

    2. Necessidade de aderncia estrita do objeto do ato reclamado ao contedo das decises paradigmticas do STF para que seja admitido o manejo da reclamatria constitucional.

    3. AS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELAS POLCIAS CIVIS SO ANLOGAS, PARA EFEITO DO EXERCCIO DO DIREITO DE GREVE, S DOS MILITARES, EM RELAO AOS QUAIS A CONSTITUIO EXPRESSAMENTE PROBE A GREVE (ART. 142, 3,

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 19

    IV). PRECEDENTE: RCL N 6.568/SP, RELATOR O MINISTRO EROS GRAU, TRIBUNAL PLENO, DJE DE 25/9/09. 4. AGRAVO REGIMENTAL NO PROVIDO.

    (Rcl 11246 AgR / BA BAHIA. Min Dias Toffoli. 27.02.2014).

    Agravo regimental em mandado de injuno. 2. Omisso legislativa do exerccio do direito de greve por funcionrios pblicos civis. Aplicao do regime dos trabalhadores em geral. Precedentes. 3. AS ATIVIDADES EXERCIDAS POR POLICIAIS CIVIS CONSTITUEM SERVIOS PBLICOS ESSENCIAIS DESENVOLVIDOS POR GRUPOS ARMADOS, CONSIDERADAS, PARA ESSE EFEITO, ANLOGAS S DOS MILITARES. AUSNCIA DE DIREITO SUBJETIVO GREVE. Precedentes. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.

    (MI 774 AgR / DF. Min Gilmar Mendes. 28/05/2014).

    Destarte o STF consignou em diferentes oportunidades que aos policiais, sejam eles civis ou militares, no se lhes garante o direito constitucional greve em virtude da funo essencial, armada e similar que exercem na manuteno da ordem pblica.

    GABARITO: ERRADA

    MEDIADOR: PEDRO WAGNER

    DIREITO CIVIL

    4. Segundo doutrina de escol, as pretenses protetivas dos direitos da personalidade so imprescritveis.

    Ponto 4.3 Da prescrio.

    COMENTRIO

    O CESPE tem cobrado bastante o tema da prescrio em suas provas e no podemos deixar de exigir dos nossos valorosos alunos. A questo doutrinria, sim. Sabemos que a regra no tema a prescritibilidade, sendo a exceo a imprescritibilidade. No se esqueam disso. Porm, no caso em tela, a resposta afigura-se correta. Vou colacionar aqui uma lista mencionada por Carlos Roberto Gonalves. Assim, no prescrevem (as pretenses):

    a) as que protegem os direitos da personalidade, como o direito vida, honra, liberdade, integridade fsica ou moral, imagem, ao nome, s obras literrias, artsticas ou cientficas etc.;

    b) as que se prendem ao estado das pessoas (estado de filiao, a qualidade de cidadania, a condio conjugal). No prescrevem, assim, as aes de separao judicial, de interdio, de investigao de paternidade etc.;

    c) as de exerccio facultativo (ou protestativo), em que no existe direito violado, como as destinadas a extinguir o condomnio (ao de diviso ou de venda da coisa

  • Pgina - 20

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    comum CC, art. 1.320), a de pedir meao do muro vizinho (CC, arts. 1.297 e 1.327) etc.;

    d) as referentes a bens pblicos de qualquer natureza, que so imprescritveis;

    e) as que protegem o direito de propriedade, que perptuo (reivindicatria);

    f) as pretenses de reaver bens confiados guarda de outrem, a ttulo de depsito, penhor ou mandato. O depositrio, o credor pignoratcio e o mandatrio, no tendo posse com nimo de dono, no podem alegar usucapio;

    g) as destinadas a anular inscrio do nome empresarial feita com violao de lei ou do contrato (CC, art. 1.167).

    (GONALVES, Carlos Roberto. Direito Civil: parte geral. 12. Ed. - So Paulo: Saraiva, 2014, p. 514).

    Importante que o aluno esteja familiarizado com referidas pretenses imprescritveis, para que no seja surpreendido no momento da realizao da prova. No h necessidade da famosa decoreba, bastando observar que os exemplos, que no so taxativos, traduzem pretenses facultativas, despidas de qualquer vnculo com violao de seus institutos. Assim, ao responder questo da prova, temos que indagar o tipo de pretenso que est sendo cobrado, ok?

    GABARITO: CERTA

    5. Em relao a todas as formas de cesso de crdito, o Cdigo Civil exige, para terem validade em relao a terceiros, que sejam realizadas atravs de instrumento pblico, ou instrumento particular, devendo este conter a indicao do lugar onde foi passado, a qualificao do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designao e a extenso dos poderes conferidos.

    Ponto 8.2 - Da cesso de crdito.

    COMENTRIO

    A lei responde a questo, porm o candidato deve ficar atento e grifar a expresso todas as formas. J alertamos, em edies anteriores, para o perigo de sempre, todas, nunca etc. Temos que ter muita ateno, eis que, no item a ser julgado aqui, por exemplo, h uma mistura entre dispositivos legais (um misto mesmo), que d a sensao de correo, detonando vocs, os melhores candidatos. Na verdade o contedo do texto encontra-se correto, sendo, repita-se, um misto dos artigos 288 e 654, 1, ambos do Diploma Civil. Dispe os dispositivos:

    Art. 288. ineficaz, em relao a terceiros, a transmisso de um crdito, se no celebrar-se mediante instrumento pblico, ou instrumento particular revestido das solenidades do 1o do art. 654.

    Art. 654. Todas as pessoas capazes so aptas para dar procurao mediante instrumento particular, que valer desde que tenha a assinatura do outorgante.

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 21

    1o O instrumento particular deve conter a indicao do lugar onde foi passado, a qualificao do outorgante e do outorgado, a data e o objetivo da outorga com a designao e a extenso dos poderes conferidos..

    De incio, ao lermos o art. 288 do Cdigo Civil, j notamos que a exigncia do art.564, 1, do diploma civilista, aplica-se aos casos de cesso de crdito convencional (se no celebrar-se...), restando de fora da referida exigncia formal as cesses de crdito legal e judicial, por bvio. Porm, o bvio, no momento de responder a questo, na presso do concurso, no to ululante. Assim, muita ateno mesmo, e continuemos grifando o caderno de prova, porque este seu. Eis um exemplo de como nem sempre a questo retirada da letra fria da lei pode significar a necessidade de resposta decorada.

    GABARITO: ERRADA

    6 . CAIO, casado sob o regime legal de bens, donatrio de um imvel, inexistente a clusula de incomunicabilidade, enquanto MARIA, sua esposa, no figura tambm como donatria. No caso de extino do matrimnio e consequente diviso dos bens do casal, o referido imvel dever integrar o rol de bens para a efetivao da meao.

    Ponto 9.3. Da doao.

    COMENTRIO

    O candidato pode sair da prova j com o pensamento em anular a questo porque o casamento e os efeitos de sua extino no esto presentes no contedo programtico do edital (na Resoluo do 5 Concurso no consta). Uns iro at o Frum CW depois da prova, com celeridade, para fomentar grande nmero de recursos para anulao da questo. Recursos que restaro infrutferos. Por que este mediador est dizendo isto? Trazemos colao a questo para demonstrar que a cobrana de determinados temas no precisa estar presente diretamente no edital. Aqui, por exemplo, o item cobrado seria fundamentado no item 9.3, que trata da doao. Voltando questo, crucial entender que, para que haja comunicabilidade entre bens, na hora de efetivar-se a meao, estes sejam frutos de esforo comum. A doao, mesmo sem a clusula de incomunicabilidade, afasta o direito meao, no caso de regime legal (regime da comunho parcial de bens), haja vista que evidente a falta de esforo comum, que aqui no h como ser presumido, como seria no caso de prmio lotrico, pelo simples motivo de que o imvel foi adquirido primeiro por terceiro, para s depois ser transmitido ao donatrio. Cumpre salientar que, no caso de regime de comunho universal de bens, os bens doados acabam se comunicando. Ento, aquele candidato que se desconcentrou na hora da prova, ao invs de se debater com a questo, tivesse raciocinado juridicamente, chegaria concluso de que para o caso h Informativo do Superior Tribunal de Justia (n. 523):

    No regime de comunho parcial de bens, no integra a meao o valor recebido por doao na constncia do casamento ainda que inexistente clusula de incomunicabilidade e utilizado para a quitao de imvel adquirido sem a contribuio do cnjuge no donatrio. De incio, cumpre

  • Pgina - 22

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    observar que, na relao conjugal em que h opo pelo regime de comunho parcial, os cnjuges reconhecem que o fruto do esforo comum deve ser compartilhado pelo casal, no o patrimnio anterior, nem tampouco aquele que no advenha direta ou indiretamente do labor do casal. Ademais, sob o citado regime, a doao realizada a um dos cnjuges somente ser comunicvel quando o doador expressamente se manifestar nesse sentido e, no silncio, presume-se feita apenas donatria. Por fim, no h que aplicar norma atinente ao regime de comunho universal, qual seja, a necessidade de clusula de incomunicabilidade para excluir bens doados, quando h expressa regulao da matria em relao ao regime da comunho parcial de bens (arts. 1.659, I, 1.660, III, e 1.661 do CC). REsp 1.318.599-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 23/4/2013.

    GABARITO: ERRADA

    7 . Segundo a Corte Cidad, em entendimento jurisprudencial sumulado, cabe ao monitria para haver saldo remanescente oriundo de venda extrajudicial de bem alienado fiduciariamente em garantia.

    Ponto 9.10 - Da alienao fiduciria.

    COMENTRIO

    J alertamos para a necessidade de estudarmos as famosas smulas de jurisprudncia dos tribunais superiores, tendo em vista que so sempre tambm cobradas em provas do CESPE. No presente caso, buscamos a questo em smula editada em 2009, pois o instituto cobra, inclusive, esses entendimentos de jurisprudncia sumulados mais antigos. o famoso banco de questes. Devemos saber que no correto afirmar o que muitos o fazem, que a possibilidade de smula ser interpretada. Ora, a smula nada mais do que a condensao de vrias interpretaes jurisprudenciais. Assim, smula no interpretada e sim aplicada, dependendo do caso concreto. Voltando questo posta, devemos identificar qual a Corte mencionada, haja vista a possibilidade de divergncia entre os tribunais superiores. No caso vertente, a questo se amolda corretamente ao entendimento sumulado do Superior Tribula de Justia, a Corte Cidad, segundo seu enunciado de jurisprudncia de n. 384, in verbis:

    Cabe ao monitria para haver saldo remanescente oriundo de venda extrajudicial de bem alienado fiduciariamente em garantia..

    GABARITO: CERTA

    8. O esplio de determinado de cujus dotado de personalidade jurdica, sendo considerado uma pessoa jurdica, representante da universalidade dos herdeiros.

    Ponto 2. Das pessoas naturais e jurdicas.

    COMENTRIO

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 23

    Logo de incio, sem dvida, devemos alertar que h entes despersonalizados em nosso ordenamento jurdico, que aparentam ser dotados de personalidade jurdica, confundindo at mesmo o atento candidato, como o caso da famlia, da massa falida, das heranas jacente e vacante, das sociedades de fato, dos condomnios, que se assemelham muito aos entes considerados pessoas jurdicas. No muito diferente ocorre com o esplio. Na verdade, o esplio tambm um ente despersonalizado, que possui funo temporria. Com a abertura da sucesso, aparece essa figura, ou seja, com a saisine, olha o fenmeno a de novo, surge o esplio. Vamos colacionar a seguir a definio de esplio da pena de Carlos Roberto Gonalves:

    d) O esplio o complexo de direitos e obrigaes do falecido, abrangendo bens de toda natureza. Essa massa patrimonial no personificada surge com a abertura da sucesso, sendo representada no inventrio inicialmente, ativa e passivamente, pelo administrador provisrio, at a nomeao do inventariante (CPC, arts. 986 e 12, V), sendo identificada como uma unidade at a partilha, com a atribuio dos quinhes hereditrios aos sucessores (CPC, arts. 991 e 1.027).

    (GONALVES, Carlos Roberto. Direito Civil: parte geral. 12. Ed. - So Paulo: Saraiva, 2014, p. 228).

    GABARITO: ERRADA

    MEDIADOR: HENDRIKUS GARCIA

    DIREITO EMPRESARIAL

    9 . Na sociedade limitada, aos scios assegurada a faculdade de se apropriarem da quota do scio remisso, por no integraliz-la, podendo, inclusive, transferi-la a terceiros, mas devendo ressarcir o valor que tiver sido pago.

    Ponto 2. Sociedades de fato e de direito.

    COMENTRIO

    Scio remisso aquele que no integralizou sua cota no capital social da empresa. O direito dos demais scios assegurado pelo art. 1.058: No integralizada a quota de scio remisso, os outros scios podem, sem prejuzo do disposto no art. 1.004 e seu pargrafo nico, tom-la para si ou transferi-la a terceiros, excluindo o primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pagado, deduzidos os juros da mora, as prestaes estabelecidas no contrato mais as despesas. Para a correta inteligncia, recorda-se que, pelo art. 1.004, os scios so obrigados, na forma e prazo previstos, s contribuies estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de faz-lo, nos 30 (trinta) dias seguintes ao da notificao pela sociedade, responder perante esta pelo dano emergente da mora. O respectivo pargrafo nico d maioria dos demais scios o direito de preferir, ao invs da indenizao, a excluso do scio remisso, ou a reduo da quota no montante j realizado, no que resultar a reduo do capital da sociedade, nos termos do 1 do art. 1.031. Considera-se remisso o scio quando consolidada e certa a dvida, procedida inclusive

  • Pgina - 24

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    a notificao para colocar em dia as prestaes no prazo de trinta dias. No se reclama o procedimento judicial para as providncias de expropriar a quota. Uma vez efetuada a notificao, onde claramente se documenta a dvida, com os acrscimos de encargos e despesas, a prpria assembleia est autorizada a proceder apropriao da quota, ou a transferncia para terceiro, com o repasse do valor das prestaes satisfeitas ao scio, que automaticamente ficar afastado. No se estende o direito de a prpria sociedade adquirir a quota, pois se possibilitaria sociedade especular sobre a participao dos prprios scios. Ficaria afetada a relao social, permitindo que a sociedade fizesse um negcio consigo mesma. Alis, nas sociedades annimas tambm vinga a proibio, estabelecendo o art. 30, caput, da Lei n 6.404, de 1976, que a companhia no poder negociar com as prprias aes. Para evitar o enriquecimento sem causa, cumpre aos scios ou ao terceiro que adquiriram a obrigao de devolver ao scio devedor o quantum utilizado na integralizao, com a deduo de juros de um por cento ao ms a contar do incio da inadimplncia.

    GABARITO: CERTA

    10. A sociedade annima, ou por aes, ou companhia, aquela cujo capital se divide em pequenas fraes denominadas quotas, as quais servem para estabelecer a titularidade e o grau de responsabilidade dos membros ou das pessoas que formam a sociedade, enquanto no integralizadas, ou na pendncia do ingresso do valor que representam.

    Ponto 2. Sociedades de fato e de direito.

    COMENTRIO

    A sociedade annima, ou por aes, ou companhia, aquela cujo capital se divide em pequenas fraes denominadas AES, as quais servem para estabelecer a titularidade e o grau de responsabilidade dos membros ou das pessoas que formam a sociedade, enquanto no integralizadas, ou na pendncia do ingresso do valor que representam. Na sociedade de responsabilidade limitada, o capital se reparte em quotas, ou pores de expresso econmica normalmente maior. Do art. 1 da Lei n 6.404, de 15.12.1976, que rege presentemente este tipo as sociedades por aes, extraem-se os elementos conceituais, e que a distinguem de outras sociedades: A companhia ou sociedade annima ter o capital dividido em aes, e a responsabilidade dos scios ou acionistas ser limitada ao preo de emisso das aes subscritas ou adquiridas.

    GABARITO: ERRADA

    MEDIADOR: PEDRO WAGNER

    DIREITO DO CONSUMIDOR

    11. ALEXANDRE, conhecido apreciador de refrigerante, dirige-se a um mercadinho prximo de sua humilde residncia, e adquire um litro de refrigerante de determinada marca. J em sua residncia, ALEXANDRE prepara uma pizza para receber sua namorada. A chegada da namorada

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 25

    coincide com o fim do preparo da referida pizza. ALEXANDRE, ento, busca a pizza, que j est pronta, e o citado refrigerante, para dividir com sua amada. Servida a pizza, ao dirigir-se para abrir o refrigerante, ambos, ALEXANDRE e sua namorada, visualizaram no interior da garrafa do mencionado lquido, pequenos objetos slidos, que aps foram identificados como veneno para matar ratos e baratas. Eles no consumiram o produto. Assim, em tais casos, os consumidores detm o direto reparao por danos morais, segundo precedente do Superior Tribunal de Justia.

    Ponto 11. Responsabilidade civil do fornecedor.

    COMENTRIO

    questo clara de grave ameaa sade, alis, vida, dos consumidores, no sendo necessrio o consumo de fato do refrigerante em tela, com efeito, para que seja caracterizada a responsabilidade do fornecedor em reparar os danos morais, sendo este o entendimento de nossa Corte Cidad. Aqui, o examinador planta a dvida na mente do candidato, tendo em vista que o casal no chega a consumir o refrigerante, ficando em nosso subconsciente a ideia que, no caso concreto, sem o referido consumo, seria uma espcie de enriquecimento ilcito. O nosso Cdigo de Defesa do Consumidor prev no s a leso, como tambm a ameaa de leso sade, vida etc. S que no! Tal tema cobrado tambm de forma constante em provas de concursos da Defensoria Pblica. Trazemos colao o Informativo do Superior Tribunal de Justia de n. 537, in verbis:

    A aquisio de produto de gnero alimentcio contendo em seu interior corpo estranho, expondo o consumidor a risco concreto de leso sua sade e segurana, ainda que no ocorra a ingesto de seu contedo, d direito compensao por dano moral. A lei consumerista protege o consumidor contra produtos que coloquem em risco sua segurana e, por conseguinte, sua sade, integridade fsica, psquica, etc. Segundo o art. 8 do CDC, os produtos e servios colocados no mercado de consumo no acarretaro riscos sade ou segurana dos consumidores. Tem-se, assim, a existncia de um dever legal, imposto ao fornecedor, de evitar que a sade ou segurana do consumidor sejam colocadas sob risco. Vale dizer, o CDC tutela o dano ainda em sua potencialidade, buscando prevenir sua ocorrncia efetiva (o art. 8 diz no acarretaro riscos, no diz necessariamente danos). Desse dever imposto pela lei, decorre a responsabilidade do fornecedor de reparar o dano causado ao consumidor por defeitos decorrentes de [...] fabricao [...] de seus produtos (art. 12 do CDC). Ainda segundo o art. 12, 1, II, do CDC, o produto defeituoso quando no oferece a segurana que dele legitimamente se espera [...], levando-se em considerao [...] o uso e os riscos razoavelmente esperados. Em outras palavras, h defeito e, portanto, fato do produto quando oferecido risco dele no esperado, segundo o senso comum e sua prpria finalidade. Assim, na hiptese em anlise, caracterizado est o defeito do produto (art. 12 do CDC), o qual expe o consumidor a risco concreto de dano sua sade e segurana, em clara infringncia ao dever legal dirigido ao fornecedor, previsto no art. 8 do CDC. Diante disso, o dano indenizvel decorre do risco a que fora exposto o consumidor. Ainda que, na espcie, a potencialidade lesiva do dano no se equipare

  • Pgina - 26

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    hiptese de ingesto do produto contaminado (diferena que necessariamente repercutir no valor da indenizao), certo que, mesmo reduzida, tambm se faz presente na hiptese de no ter havido ingesto do produto contaminado. Ademais, a priorizao do ser humano pelo ordenamento jurdico nacional exige que todo o Direito deva convergir para sua mxima tutela e proteo. Desse modo, exige-se o pronto repdio a quaisquer violaes dirigidas dignidade da pessoa, bem como a responsabilidade civil quando j perpetrados os danos morais ou extrapatrimoniais. Nessa linha de raciocnio, tem-se que a proteo da segurana e da sade do consumidor tem, inegavelmente, cunho constitucional e de direito fundamental, na medida em que esses valores decorrem da especial proteo conferida dignidade da pessoa humana (art. 1, III, da CF). Cabe ressaltar que o dano moral no mais se restringe dor, tristeza e ao sofrimento, estendendo sua tutela a todos os bens personalssimos. Em outras palavras, no a dor, ainda que se tome esse termo no sentido mais amplo, mas sua origem advinda de um dano injusto que comprova a existncia de um prejuzo moral ou imaterial indenizvel. Logo, uma vez verificada a ocorrncia de defeito no produto, a afastar a incidncia exclusiva do art. 18 do CDC espcie (o qual permite a reparao do prejuzo material experimentado), dever do fornecedor de reparar tambm o dano extrapatrimonial causado ao consumidor, fruto da exposio de sua sade e segurana a risco concreto e da ofensa ao direito fundamental alimentao adequada, corolrio do princpio da dignidade da pessoa humana. REsp 1.424.304-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 11/3/2014.

    GABARITO: CERTA

    12. PEDRO, proprietrio de vrios imveis, situados na Avenida Vieira Souto, na Zona Sul carioca, utiliza-se dos servios da IMOBILIRIA MILIONRIA, para que esta administre seus contratos de locao. Neste caso, segundo o STJ, possvel a aplicao do Cdigo de Defesa do Consumidor referida relao, diante da vulnerabilidade de PEDRO.

    Ponto 2.3. Definio de consumidor e fornecedor.

    COMENTRIO

    Aqui o examinador tentaria confundir o candidato, passando a ideia de que Pedro pessoa que detm grande patrimnio, no podendo ser considerado vulnervel. Temos que ter em mente, se a pessoa considerada consumidor, conforme leciona Judith Rgis, Defensora Pblica Estadual fluminense, de ser considerada vulnervel. Em suma, o consumidor sempre a parte vulnervel, seja econmica, seja processual etc. O importante reconhecermos se o sujeito ou no o destinatrio ftico e final, com as mitigaes efetivadas, e j comentadas na rodada anterior, pelo STJ. E no outro o entendimento firmado no Informativo da Corte Cidad de n. 523:

    possvel a aplicao do CDC relao entre proprietrio de imvel e a imobiliria contratada por ele para administrar o bem. Isso porque o proprietrio do imvel , de fato, destinatrio final ftico e tambm econmico do servio prestado. Revela-se, ainda, a presuno da sua vulnerabilidade, seja porque o

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 27

    contrato firmado de adeso, seja porque uma atividade complexa e especializada ou, ainda, porque os mercados se comportam de forma diferenciada e especfica em cada lugar e perodo. No cenrio caracterizado pela presena da administradora na atividade de locao imobiliria sobressaem pelo menos duas relaes jurdicas distintas: a de prestao de servios, estabelecida entre o proprietrio de um ou mais imveis e a administradora; e a de locao propriamente dita, em que a imobiliria atua como intermediria de um contrato de locao. Nas duas situaes, evidencia-se a destinao final econmica do servio prestado ao contratante, devendo a relao jurdica estabelecida ser regida pelas disposies do diploma consumerista. REsp 509.304-PR, Rel. Min. Villas Bas Cueva, julgado em 16/5/2013.

    GABARITO: CERTA

    13. A inverso do nus da prova direito bsico do consumidor, todavia, no absoluto, que s ser a este concedido quando o juiz verificar sua hipossuficincia ou a verossimilhana de suas alegaes.

    Ponto 2.2 - o acesso justia e a inverso do nus da prova.

    COMENTRIO

    O que diz o nosso Cdigo de Defesa do Consumidor?

    Art. 6. So direitos bsicos do consumidor:

    (...)

    VIII - a facilitao da defesa de seus direitos, inclusive com a inverso do nus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critrio do juiz, for verossmil a alegao ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinrias de experincias;.

    Questo cobrada em inmeros concursos e com grande volume de erros. A letra da lei tambm fornece subsdios suficientes para responder a questo, mas, no entanto, o erro de muitos ocorre quando, no momento do exame, lembramo-nos das discusses acerca da cumulatividade ou no dos requisitos para a inverso do nus da prova. A temos que grifar o ou bem forte, pois o legislador falou em alternncia e no em cumulatividade. Fiquem atentos conjuno empregada. Sei que muitos j ouviram isto, mas estes muitos continuam errando. de bom alvitre firmar que a inverso do nus da prova ser possvel com a presena da hipossuficincia OU da vulnerabilidade.

    Para a fase objetiva, sem prejuzo de utilizao em outras fases, aconselhamos ao cuidadoso candidato consultar o stio amigo do Curso CEI, Dizer o Direito, que traz excelente resumo e explanao do tema, com interessante evoluo jurisprudencial. Acesse: http://www.dizerodireito.com.br/2012/03/stj-define-que-inversao-do-onus-da.html.

    GABARITO: CERTA

  • Pgina - 28

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    MEDIADOR: ALEXANDRE MENDES

    PROCESSO CIVIL

    14. Em 24/07/2014 a Caixa Econmica Federal props ao monitria contra Joo pretendendo conden-lo ao pagamento de cheque por ele emitido em 15/06/2009 e devolvido ao banco por falta de fundos em 29/03/2010. Nessa hiptese, considerando que o cheque ttulo de crdito que constitui prova escrita para fins de ao monitria, deve o juzo determinar a expedio de mandado de pagamento no prazo de 15 dias, no qual se oferecidos embargos, tero o condo de suspender a eficcia do mandado inicial, seguindo o feito o rito ordinrio.

    Ponto do Regulamento do V Concurso da DPU: 32. Ao monitria.

    COMENTRIO

    Nos termos da recente Smula n. 503 do STJ, O prazo para ajuizamento de ao monitria em face do emitente de cheque sem fora executiva quinquenal, a contar do dia seguinte data de emisso estampada na crtula. No caso em discusso, o prazo prescricional de 5 anos entre a emisso da crtula e o despacho que ordena a citao j foi ultrapassado. Lembre-se, consoante art. 219, 5, do CPC, que o juiz pronunciar de ofcio a prescrio. caso, pois, de indeferimento da petio inicial e extino do feito com resoluo de mrito, nos termos do art. 269, IV, do CPC. Evidentemente que se no for feito de ofcio pelo juzo, caber a provocao em sede de embargos, para os quais no se exige a garantia do juzo (no confundir com embargos com a execuo fiscal).

    Recomenda-se ainda cuidado para no confundir o termo inicial do prazo prescricional de ao monitria para a cobrana de cheque sem fora executiva com o prazo para a cobrana de nota promissria sem eficcia executiva. Ambos os prazos so quinquenais, mas o da nota promissria tem como termo inicial o vencimento do ttulo e no sua emisso. Vide a tambm recente Smula n. 504 do STJ: O prazo para ajuizamento de ao monitria em face do emitente de nota promissria sem fora executiva quinquenal, a contar do dia seguinte ao vencimento do ttulo.

    importante saber que os defensores pblicos federais titulares de ofcios com atuao cvel costumam atuar muito na defesa de necessitados e no exerccio da curadoria especial (art. 9 do CPC c/c art. 4, XVI, Lei Complementar n. 80/94) em aes monitrias, propostas principalmente pela CEF. So monitrias visando as mais variadas cobranas, valendo destacar as verbas decorrentes de contrato de financiamento estudantil (FIES), de financiamento habitacional (SFH, programa minha casa minha vida, etc.), de crdito para construo da residncia (Construcard) e de contratos de crdito em geral (cheque azul, emprstimos etc.). Considerando que h defensores pblicos federais contratados como examinadores do CESPE (no me refiro aqui a Banca Examinadora criada pelo CSDPU), faz todo sentido que algo seja cobrado nesse tema.

    O juiz inicialmente faz a verificao em cognio sumria ( juzo de verossimilhana) da regularidade da inicial, da existncia de prova escrita e determina a citao do ru para o pagamento ou entrega da coisa no prazo de 15 dias. Caso a Defensoria Pblica venha a atuar, o prazo para embargar dever ser contado

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 29

    em dobro (art. 44, I, da Lei Complementar n. 80/94).

    O ru pode:

    a) efetuar o pagamento ou entregar a coisa no prazo (nesse caso, no ser condenado em honorrios de sucumbncia art. 1102-C, 1, CPC);

    b) ficar inerte (nesse caso, ser constitudo contra ele um ttulo executivo judicial, prosseguindo o feito pelo rito do cumprimento de sentena, onde ru s poder oferecer impugnao limitada as matrias do art. 475-L, do CPC)

    c) opor embargos, que suspendem o mandado inicial, seguindo o feito o rito ordinrio de um processo de conhecimento (nesse caso, at admite-se reconveno, Smula n. 292 do STJ).

    Prova escrita sem eficcia de ttulo executivo: aquela que merea f sua autenticidade e eficcia probatria, sem constituir um ttulo executivo ( possvel conjugar vrios documentos para preencher o requisito de prova escrita). aquela que traz em si a probabilidade da existncia da dvida. Qualquer escrito, ainda que no reconhecido (oficial) pode ser utilizado para fins de prova escrita necessria a monitria (Exemplo: e-mails, fax, carta, telegrama, cheque prescrito, duplicata sem aceite, etc.). O juiz faz a verificao (em cognio sumria) da regularidade da inicial, quanto a existncia de prova escrita. Seu recebimento no implica.

    Embora grande parte da doutrina seja contra, o STJ admite a possibilidade de ao monitria contra a Fazenda Pblica (Smula n. 339). Importa saber que o prazo para a Fazenda Pblica opor embargos a monitria de 60 dias, conforme art. 188 do CPC (STJ, Resp n. 845545, DJ 10/09/2010).

    Admite-se, tambm, que a Fazenda Pblica seja autora de ao monitria, mas apenas nos casos em que o crdito que se pretende cobrar no pode s-lo pela via da execuo fiscal, pois a faltaria interesse processual (interesse-adequao).

    GABARITO: ERRADA

    15. Segundo o STJ, caracterizam-se como protelatrios os embargos de declarao que visam rediscutir matria j apreciada e decidida pela Corte de origem em conformidade com smula do STJ ou STF ou, ainda, precedente julgado pelo rito dos artigos 543-C do CPC, mesmo que opostos com o propsito de prequestionar a matria.

    Ponto do Regulamento do V Concurso da DPU: 25.1 Recursos.

    COMENTRIO

    Em recentssima deciso, a 2 Seo do STJ firmou a tese em julgamento de recurso repetitivo (art. 543-C do CPC): Caracterizam-se como protelatrios os embargos de declarao que visam rediscutir matria j apreciada e decidida pela Corte de origem em conformidade com smula do STJ ou STF ou, ainda, precedente julgado pelo rito dos artigos 543-C e 543-B, do CPC.. Note-se que no foi feita qualquer

  • Pgina - 30

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    ressalva quanto a oposio de embargos declaratrios com a finalidade de prequestionamento.

    Pelo que podemos ver do voto condutor do referido julgado, prolatado pelo Ministro Sidnei Beneti, no basta, para afastar o carter protelatrio dos embargos, a alegao do propsito de prequestionar a matria: No tocante multa aplicada na origem aos Embargos de Declarao tidos por protelatrios (CP, art. 538, pargrafo nico), esta subiste, sem afronta jurisprudncia sumulada desta Corte, que a interposio de Embargos Declaratrios, cujo contedo vise a prequestionar a matria no tm carter protelatrio, a teor da Smula 98 desta Corte () O Acrdo embargado no Tribunal de origem era perfeitamente ajustado orientao pacfica deste Tribunal, de modo que, no havendo, a rigor, nenhuma possibilidade de sucesso de recurso nesta Corte, no havia com imaginar vlido efetivo propsito de prequestionamento (Smula STJ n.98) para recurso j manifestamente invivel par esta Corte.

    Outras breves plulas sobre embargos de declarao:

    Smula n. 641 do STF: No se conta em dobro o prazo para recorrer, quando s um dos litisconsortes haja sucumbido. Este enunciado NO SE APLICA aos embargos de declarao porque para sua oposio no se exige sucumbncia.

    O STF no tem admitido embargos de declarao contra deciso monocrtica de ministro, procedendo a converso dos embargos de declarao em agravo regimental (apenas o Min. Marco Aurlio tem ficado vencido). Informativo n. 152: Considerando que no cabem embargos de declarao contra deciso monocrtica, o Tribunal, por maioria, em face do princpio da fungibilidade dos recursos, conheceu dos embargos como agravo regimental (ADIn 1.989-DF, rel. Min. Moreira Alves, 10.6.99. No mesmo sentido, RE n. 748424 ED / RS, 2 Turma, Rel. Min. Gilmar Mendes, unnime, DJe 01/07/2014).

    Quando houver possibilidade de atribuir efeitos modificativos a sua deciso, o juzo deve determinar a prvia intimao da parte contrria para, querendo, oferecer contrarrazes, em respeito ao princpio constitucional do contraditrio (STJ, EEROMs n. 8430, DJ 29/09/200; AgRg no REsp 1278563 / MG, 4 Turma, Rel. Min. Luis Felipe Salomo, unnime, DJe 11/06/2014).

    Os embargos de declarao tm efeito suspensivo? 3 correntes doutrinrias. a) sim, em funo do que dispe o art. 497 do CPC (Marinoni, Barbosa Moreira, Vicente Greco Filho, Srgio Cruz Arenhart); b) depende de prvio requerimento da parte nos prprios embargos fundado da impossibilidade de cumprimento da deciso em razo de seu defeito ou do fumus boni juris quanto ao acolhimento dos embargos (Fernando Gajardoni, Fbio Caldas, Jos Miguel Medina) e c) tero efeito suspensivo somente se o recurso contra a deciso especfica for dotado desse efeito. Exemplo: se tratar-se de uma sentena cuja apelao deve ser recebida no efeito suspensivo, ento os embargos de declarao opostos contra essa sentena tambm tero tal efeito (Fredie Didier Jr. Flvio Cheim Jorge).

    GABARITO: CERTA

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 31

    16. Para fins de cabimento de recurso de ndole extraordinria, diferentemente do STJ, o STF admite o prequestionamento na modalidade ficta, consoante interpretao a contrario sensu de sua smula n. 356.

    Ponto do Regulamento do V Concurso da DPU: 25.1 Recursos.

    COMENTRIO

    O prequestionamento uma etapa no exame do cabimento dos recursos especial e extraordinrio e consiste, em apertada sntese, na exigncia de que a questo federal/constitucional objeto do recurso especial/extraordinrio tenha sido previamente suscitada e enfrentada na instncia inferior. Esse requisito tem origem na interpretao jurisprudencial da expresso causas decididas contida nos arts. 102, III e 105, III, da Constituio Federal. A referida expresso considerada no em sua literalidade, mas entendida como questo/tese federal/constitucional efetivamente decidida/enfrentada pela instncia ad quo.

    A doutrina elenca trs tipos de prequestionamento. a) Expresso: a instncia inferior enfrenta expressamente a questo federal/constitucional suscitada, citando expressamente o dispositivo tido pelo recorrente como violado; b) Implcito: a instncia inferior se pronuncia expressamente sobre a questo federal/constitucional suscitada, porm deixa de citar expressamente o dispositivo legal/constitucional tido como afrontado. Esse tipo de prequestionamento tem sido aceito pelo STJ: (exemplo: AGA 314833, DJ 30/10/2000); c) Ficto: a instncia inferior no se pronuncia expressamente sobre a questo federal/constitucional suscitada pelo recorrente, embora devidamente provocado pela parte interessada atravs de embargos de declarao pugnando pelo saneamento dessa omisso e efetivo enfrentamento da questo federal/constitucional suscitada.

    O prequestionamento expresso evidentemente aceito tanto pelo STJ quanto pelo STF.

    O prequestionamento implcito aceito pelo STJ, mas Somente se poder entender pelo prequestionamento implcito quando a matria tratada no dispositivo legal for apreciada e solucionada pelo Tribunal de origem, de forma que se possa reconhecer qual norma direcionou o decisum objurgado (EDcl no REsp 1437958 / PE, 2 Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, unnime, DJ 19/05/2014).

    Quanto ao prequestionamento ficto, o STJ no o aceita, conforme Smula n. 211: Inadmissvel recurso especial quanto questo que, a despeito da oposio de embargos declaratrios, no foi apreciada pelo tribunal a quo. Caso o tribunal de origem persista na omisso mesmo aps a apreciao dos embargos declaratrios, a parte deve interpor recurso especial sustentando violao ao art. 535 do CPC, pedindo que o acrdo seja cassado em razo da negativa de prestao jurisdicional e seja determinado ao tribunal inferior que se pronuncie expressamente sobre a questo federal suscitada. O STJ, cassar o acrdo ad quo e far a referida determinao. Aps o cumprimento da ordem do STJ pelo tribunal a quo, estar prequestionada a matria, agora sim, para fins de novo recurso especial, se for o caso. A doutrina em peso critica esse entendimento, por afrontar o princpio da celeridade e durao razovel do processo.

    O STF aceitava o prequestionamento ficto em uma interpretao a contrario sensu da Smula n. 356: O

  • Pgina - 32

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    ponto omisso da deciso, sobre o qual no foram opostos embargos declaratrios, no pode ser objeto de recurso extraordinrio, por faltar o requisito do prequestionamento. (Logo, se foram opostos embargos declaratrios sobre o ponto omisso da deciso, est preenchido o requisito do prequestionamento).

    Em precedentes no to antigos, o STF assentou que O que, a teor da Sm. 356, se reputa carente de prequestionamento o ponto que, indevidamente omitido pelo acrdo, no foi objeto de embargos de declarao; mas, opostos esses, se, no obstante, se recusa o Tribunal a suprir a omisso, por entend-la inexistente, nada mais se pode exigir da parte, permitindo-se lhe, de logo, interpor recurso extraordinrio sobre a matria dos embargos de declarao e no sobre a recusa, no julgamento deles, de manifestao sobre ela (AI 648760 AgR / SP, 1 Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, unnime, DJ 30/11/2007. No mesmo sentido, AI 541488 ED / SC, 2 Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa, unnime, DJ 16/02/2007). Esse entendimento aplaudido e defendido pela expressiva maioria da doutrina (Fredie Didier Jr., Daniel Amorim Assumpo Neves, Pimentel Souza, entre outros).

    Porm, recentemente, talvez em razo do grande volume de recursos extraordinrios recebidos nos ltimos anos, a Suprema Corte decidiu rever sua posio anterior o que se denomina overruling - e passou a no mais admitir o prequestionamento nas modalidades implcita e ficta. Esse tipo de postura tem sido denominada pela doutrina como jurisprudncia defensiva, que a exacerbao na anlise dos requisitos de admissibilidade dos recursos.

    Nesse sentido: Esta Corte no tem procedido exegese a contrario sensu da Smula STF 356 e, por consequncia, somente considera prequestionada a questo constitucional quando tenha sido enfrentada, de modo expresso, pelo Tribunal a quo. A mera oposio de embargos declaratrios no basta para tanto. Logo, as modalidades ditas implcita e ficta de prequestionamento no ensejam o conhecimento do apelo extremo. (ARE 707221 AgR / BA, 1 Turma, Rel. Min. Rosa Weber, unnime, DJ 04/09/2013). Na mesma linha: O Supremo Tribunal Federal, em princpio, no admite o prequestionamento ficto da questo constitucional. Precedentes. (AI 689706 AgR-ED / SP, 2 Turma, Rel. Min. Ellen Gracie, unnime, DJ 04/05/2011).

    Quanto ao prequestionamento implcito: No admite a Corte o chamado prequestionamento implcito, sendo certo que, caso a questo constitucional no tenha sido apreciada pelo tribunal de origem, necessria e indispensvel a oposio de embargos de declarao para suprir a omisso. (ARE 795648 AgR / SP, 1 Turma, Rel. Min. Dias Toffoli, unnime, DJ 30/05/2014).

    Assim, de acordo com o atual entendimento do STF, a soluo apontada quando o tribunal a quo se manter omisso mesmo aps a oposio de embargos de declarao, a mesma preconizada pelo STJ: a interposio de recurso especial sustentando violao ao art. 535 do CPC, o qual, provido pela Corte Superior, ordenar a instncia inferior que aprecie expressamente a questo constitucional suscitada, somente aps o que ser possvel interpor recurso extraordinrio para o STF. Porm, atente-se para o seguinte: s ser vivel a alegao de ofensa ao art. 535 do CPC via recurso especial se houver efetiva omisso da instncia inferior, ou seja, se a questo federal/constitucional foi previamente suscitada ao tribunal pelo recorrente e no originariamente em sede de embargos de declarao. Afinal, se a questo

  • CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    Pgina - 33

    s foi dirigida ao tribunal quando da oposio dos embargos declaratrio, no h falar em omisso, mas sim em precluso.

    GABARITO: ERRADA

    17. Segundo o STJ, a Defensoria Pblica carece de legitimidade extraordinria para buscar a tutela coletiva de idosos consumidores de planos de sade que tenham sofrido reajustes abusivos em seus contratos em razo da mudana na faixa etria.

    Ponto do Regulamento do V Concurso da DPU: 44. Da tutela judicial dos direitos coletivos, difusos e individuais homogneos. 44.1. A ao civil pblica.

    COMENTRIO

    De fato, assim decidiu recentemente o STJ: A Defensoria Pblica no possui legitimidade extraordinria para ajuizar ao coletiva em favor de consumidores de determinado plano de sade particular que, em razo da mudana de faixa etria, teriam sofrido reajustes abusivos em seus contratos. (REsp 1.192.577-RS, 4 Turma, Rel. Min. Luis Felipe Salomo, julgado em 15/5/2014). Asseverou a Corte Superior, em sntese, que a Defensoria Pblica tem pertinncia subjetiva para ajuizar aes coletivas em defesa de interesses difusos, coletivos ou individuais homogneos, sendo que, no tocante aos difusos, sua legitimidade ser ampla, bastando, para tanto, que beneficie grupo de pessoas necessitadas, haja vista que o direito tutelado pertencente a pessoas indeterminadas, e, mesmo que indiretamente venham a ser alcanadas pessoas que tenham suficincia de recursos, isso, por si s, no ir elidir essa legitimao. No entanto, em se tratando de interesses coletivos em sentido estrito ou individuais homogneos, diante de grupos determinados de lesados, a legitimao dever ser restrita s pessoas notadamente necessitadas.

    Com a devida vnia, a posio merece crticas na parte em que restringe a legitimidade da Defensoria Pblica para ajuizar aes coletivas em prol dos necessitados quando a demanda versar sobre interesses coletivos em sentido estrito ou individuais homogneos. A uma, porque a Lei Complementar n. 80/94, em seu art. 4, caput, inciso VII, no faz qualquer distino de tratamento entre interesses difusos, coletivos ou individuais homogneos, assentando como funo institucional da Defensoria Pblica promover ao civil pblica e todas as espcies de aes capazes de propiciar a adequada tutela dos direitos difusos, coletivos ou individuais homogneos quando o resultado da demanda puder beneficiar grupo de pessoas hipossuficientes. Nos termos da lei, em todas as espcies de interesses (difusos, coletivos, estrito senso e individuais homogneos) exige-se apenas que o resultado da demanda possa beneficiar um grupo de pessoas hipossuficientes. A duas, porque presumir-se que idosos os quais preferiram espremer escassos recursos na contratao de um plano de sade a morrerem esperando por atendimento digno no SUS no so necessitados uma brincadeira de mau gosto e viola a dignidade humana. No se ignora que dentre a populao idosa existem, sim, muitos consumidores de planos de sade que realmente no ostentam a condio jurdica de necessitados, mas inegvel que tambm existe uma grande outra parcela desses consumidores que ostentam essa condio, como prova o grande nmero de aes individuais ajuizadas por esses consumidores atravs da Defensoria Pblica. A trs, porque a legitimidade

  • Pgina - 34

    CEI - DPU2 RODADA 03/08/2014

    www.cursocei.comfacebook.com/cursocei

    da Defensoria Pblica para o presente tema no afasta a do Ministrio Pblico, que atuar como custos juris no processo e, querendo, poder assumir o polo ativo da demanda. A quatro, porque a recusa da legitimidade da Defensoria Pblica para a demanda coletiva implicar em sobrecarregamento do Poder Judicirio com centenas ou milhares de aes individuais propostas pelos necessitados, sob o patrocnio da Defensoria Pblica, prejudicando no s estes jurisdicionados como os demais, j que o Judicirio demandar maior tempo na apreciao dessas causas.

    Ressalte-se que com a promulgao da Emenda Constitucional n. 80/2014, a legitimidade da Defensoria Pblica ganhou status constitucional, consoante nova redao do art. 134 da CF, de sorte que a matria poder ser apreciada em ltima instncia pelo STF. Acompanhemos o tema na torcida por uma interpretao mais feliz por parte da Suprema Corte.

    GABARITO: CERTA

    MEDIADOR: HENDRIKUS GARCIA

    DIREITO TRIBUTRIO

    18. Admite-se a incidncia do Imposto sobre a propriedade Territorial Rural ITR sobre imvel situado em zona urbana de Municpio.

    Ponto 10. Os tributos da Unio.

    COMENTRIO

    O art. 153, III, da CRFB outorga competncia Unio para a instituio de imposto s