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    Foi lanado, em Maro deste ano,o n 1 da Murphy, Revista de Histria eTeoria da Arquitectura e do Urbanismo,dirigida por Paulo Varela Gomes e edi-tada pela Imprensa da Universidadede Coimbra

    Esta ocasio que coincidiu coma preparao deste n 2 da Revista deHistria da Arte a oportunidadepara recordar a oferta acadmica nes-te domnio, fundamental para a esti-mular a investigao e disseminar acomunicao.

    Ao que sei, est por fazer umlevantamento e estudo conjunto daspublicaes portuguesas no mbitoda Histria da Arte, de iniciativa aca-dmica ou de outra provenincia. Tal

    lacuna no pode ser preenchida comesta breve notcia que se cinge apublicaes recentes e em curso, eapenas acadmicas; mesmo assim,admito desde j eventuais falhas que,se existirem, colmatarei no n 3 danossa Revista. Outra preveno: aHistria da Arte articula-se perma-nentemente com os vrios territriosda investigao histrica e, por isso, elaest, felizmente, muitas vezes presenteem revistas que, no sendo da espe-cialidade, procuram e promovem asua indispensvel colaborao. Tam-bm no terei em conta esse domniovastssimo.

    A mais antiga das novas revistasde Histria da Arte a Arte e Teoria,oriunda do Mestrado em Teorias daArte da Faculdade de Belas-Artes deLisboa (FBAL), com direco doProfessor Jos Fernandes Pereira. Deperiodicidade anual, temos em moso seu n 7, referente a 2005, que trata,com notvel amplitude, a Arquitec-tura, sobretudo no domnio da teoriamas tambm, em algumas situaesconcretas. As colaboraes so diver-sas, de docentes, mestres e mestran-dos da FBAL, bem como de outrosinvestigadores reconhecidos e docen-tes de diversas escolas. No sendo omeu objectivo fazer uma recensocrtica da Revista, destacarei, no en-

    A arte em revistas.

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    Austeramente ilustrada a preto ebranco, utilizando a imagem sobre-tudo como material documental davasta seco Estudos, a Revista com-preende ainda uma seco Crnica,com contributos das vrias seces ea utilssima listagem das dissertaesde Mestrado e Doutoramento realiz-adas no respectivo ano.

    Regressando Murphy queesteve na origem desta notcia eladistingue-se, das congneres, por duasordens de razes: a primeira, o seuobjecto que a Histria da Arquitec-tura e no a Histria da Arte emgeral. Sendo uma opo assumida elegtima, considerando o seu lugar deorigem (um Departamento de Arqui-tectura), creio que o futuro talvez de-termine algum alargamento do cam-po disciplinar, porque muitas situaesh em que a arquitectura faz corpono s com o territrio, as engenha-rias e a histria do urbanismo e dascidades, mas tambm com outrasartes que, se no a determinam, ailuminam ou so por ela iluminadas.Quanto s matrizes tericas, estticase simblicas, hoje, como no passado,continua a haver questes cruciais emcomum entre as designadas artesvisuais e a arquitectura.

    Mas a grande novidade da Murphy a opo do bilinguismo (portugus

    e ingls), com o objectivo ambiciosode fazer circular e reconhecer interna-cionalmente a produo portuguesaneste mbito. Trata-se de um desafioeditorial corajoso e, se for bem suced-ido, absolutamente fundador. Por isso,merece destaque, elogio e votos desucesso.

    Registo finalmente, tambm emconsequncia da complexidade criadapela verso inglesa de todos os arti-gos, a qualidade editorial e grfica darevista que, deve dizer-se, superior atodas as que antes referi (e tambm da Revista de Histria da Arte), em-bora no isenta de algumas dificul-dades de leitura que, certamente,sero corrigidas.

    Balano geral: num pas em que oensino universitrio da Histria daArte s se especializou na dcada de1980 (h pouco mais de 20 anos), aexistncia das revistas citadas revela arobustez deste domnio do saber,tanto em termos da quantidade equalidade das investigaes, como dodesejo e capacidade de as divulgar,no s inter pares, mas para pblicosmais amplos, embora predominante-mente universitrios.

    Raquel Henriques da Silva

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    tanto, a densidade da informao, comcontributos originais, e a qualidade grfica com uso abundante de imagens,nomeadamente de fotografias a cor.Pessoalmente, sinto falta de um edito-rial que apresentasse o tema ou ostemas, tratados em cada nmero, bemcomo as opes editoriais com elesrelacionados. Haveria menos impesso-alidade, em relao comunidade dosleitores, e a introduo de uma marcado tempo de origem que, como sesabe, sempre condio da Histria.

    Artis, Revista do Instituto de His-tria da Arte da Faculdade de Letrasde Lisboa, dirigida pelo Prof. VtorSerro, publicou, em 2005, o seu n 4,como todos, densssimo de infor-mao de largo espectro, em grandeparte (mas no na totalidade) oriundadas investigaes que decorreram oudecorrem no mbito das actividadesdo Instituto. Precisamente, o Editorialdo n 4 afirma que ele encerra umciclo de publicao que, de futuro, seabrir a colaboraes livres, bemcomo alargar o nmero e amplitudede notcias relacionadas com asprticas da Histria da Arte, nacionaise internacionais. Na minha opinio,anuncia-se assim um enriquecimentoda revista que, na verdade, sempre otem prosseguido, nomeadamente emtermos da presena crescente deimagens que eram escassas nos pri-meiros nmeros.

    Promontrio, Revista do Departa-mento de Histria, Arqueologia ePatrimnio da Universidade do Algar-ve publicou tambm o seu n 4 em2005, no , como o seu nome indica,especificamente uma Revista de Histria da Arte, cruzando uma plurali-dade de saberes que confluem noestudo histrico, arqueolgico eartstico da regio algarvia. Consi-derei-a nesta breve notcia porquenela tm participado, com artigosrelevantes (em termos de investiga-o e alta divulgao) alguns historia-dores da arte, manifestando quanto oplo algarvio, jovem na ordenaouniversitria portuguesa do ensino daHistria da Arte, um dos seus elosde referncia. Mas, para que a dis-ciplina aprofunde a sua presena noconjunto de reas cientficas da Revista,ser necessrio apostar mais na docu-mentao fotogrfica.

    Na Universidade do Porto, a Re-vista da Faculdade de Letras Cinciase Tcnicas do Patrimnio publicou, em2005, o seu volume IV, sob direcodo Prof. Agostinho Arajo, presidentedo departamento com a mesma desi-gnao, e coordenada pelo Prof. FaustoSanches Martins. Envolvendo vriasseces (Arqueologia, Cincias daInformao, Histria da Arte e Museo-logia), os artigos so assinados por do-centes do departamento, mas tambmmestres e doutorados ali formados.

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    Historica e cronologicamentepassou-se o seguinte:

    1 ponto. O Presidente da CMLdecidiu a demolio por um(a) enge-nheiro(a), sem qualidade cultural parao efeito, embora a tivesse burocrati-camente, repetindo a deciso dopresidente anterior. Este, porm, em28 de Junho de 2005, atendendo aoparecer subsequente da DirecoMunicipal de Conservao e Reabilita-o Urbana, assinado por uma direc-tora de maior habilitao cultural dehistoriadora, s consideraes depareceres contraditrios do IPPAR, aprotesto da Assembleia Municipalcom moes de trs partidos lrepresentados, de duas interpelaesao Governo na Assembleia da Rep-blica, de reclamaes pblicas expres-sas na imprensa e por instituiesculturais e individualidades respons-veis, por um movimento de cidadaniaque reuniu 2300 assinaturas, e ainda oposio da Junta de Freguesia deSanta Isabel resolveu suspender aautorizao de demolio

    2 ponto. A interveno no casodo arq. Manuel Tainha, autor do pro-jecto do imvel de substituio (cujaqualidade artstica no est obvia-mente em causa), partindo da demoli-o da casa de Garrett que assimassumia. este arquitecto credor deuma obra anterior considervel; dadaa sua idade, ele arrisca-se a terminar a

    carreira de uma maneira que a Hist-ria da Arquitectura portuguesa julgar,nas suas vertentes culturais e morais.

    3 ponto. Diz respeito ao pro-motor da obra que, em termos deHistria da Arte, dado da maiorimportncia social, de conhecimentoindispensvel. Trata-se do dr. ManuelPinho, Ministro da Economia emexerccio o que deve ser considera-do circunstncia agravante em termosde tica poltica, a que a histria daArte de qualquer poca deve atender,e pela qual todos os cidados soresponsveis. A menos que seja cir-cunstncia facilitante, como podepensar-se, na anlise do processo. Nofoi ainda pedido inqurito parla-mentar ao dito governante, ou aoSenhor Primeiro Ministro do governoque ele integra, pela responsabilidadepoltica que lhe cabe no compor-tamento dos seus colaboradores; ou Senhora Ministra da Cultura a quemdeve ser exigida aco crtica na suarea de influncia.

    No so, bem entendido, os es-crpulos culturais coisa corrente naactividade de promotor ou especu-lador imobilirio, cujo objectivo obter lucros dentro da economia demercado, aceite ou tolerada desdeque legalizada pelos responsveisoficiais. O prprio Garrett (paralembrar a vtima pstuma do caso)teve, na sua poca, palavras de crtica

    O Caso da Demolio da Casa de Garrett em Lisboa

    Em Dezembro de 2005 o patri-mnio cultural e arquitectnico da ci-dade de Lisboa sofreu grande perdapor deciso ltima do Presidente daCmara Municipal, eng Carmona Ro-drigues e foi esse, provavelmente, ofacto cultural mais importante emPortugal, no ano transacto, com o si-nal negativo que infelizmente lhe cabe.

    Trata-se do palacete datado de1853 em que Almeida Garrett seinstalou e faleceu, pouco depois, emDezembro de 1854, no bairro deSanta Isabel, defronte do muro docemitrio ingls, Estrela. A qualidadedo edifcio, espcime naturalmente

    modesto mas rarssimo da arqui-tectura urbana do Romantismo emLisboa, com o seu rs-do-cho deduas portas de cocheira e primeiroandar de cinco vos, balaustrada nacornija, forro de azulejos de assentoraro, geralmente reconhecida peloshistoriadores habilitados da arquitec-tura nacional. Est ele situado numazona de proteco definida por dis-posio camarria de 1970, determi-nada pelo ento presidente GeneralFrana Borges. qualidade artsticado edifcio, que no teve, infelizmente,em devido tempo, cla