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Sérgio Guimarães é professor colaborador Moacir Gadotti ... · PDF fileExiste uma artimanha por parte de responsáveis de universidades, por exemplo, ou por parte de departamentos

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  • PEDA

    GOGI

    A di

    log

    o e

    conf

    lito

    Como pode ser lido hoje um livro escrito h 30 anos? Por que ele ainda atual? O que ele pode dizer aos que se perguntam hoje sobre educao? Essas foram as questes que me pus ao aceitar o convite para escrever um novo prefcio para esta edio. Eu, Paulo Freire, Srgio Guimares e outros educadores que se associaram a ns nas trs tradues mencionadas no prefcio, cada um no seu contexto, buscamos dialogar sobre perguntas que muitos se fazem ainda hoje. Hoje, como ontem, preciso se perguntar sobre os fins da educao, sobre o sentido da educao. O dilogo se confunde com a prpria educao, na medida em que no encontro com o outro que nos educamos. Dizamos que nossa pretenso era a de escrever um livro como uma iniciao aos estudos pedaggicos, e essa iniciao continua muito necessria. Ns, educadores, antes de nos perguntar sobre o que devemos saber para ensinar, precisamos nos perguntar como devemos ser para ensinar. Da resposta a essa pergunta depende nosso quefazer pedaggico. para nos ajudar a entender essa questo que produzimos este livro.

    Moacir Gadotti

    Gado

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    Fre

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    mar

    es

    PEDAGOGIAdilogo e conflito

    Moacir Gadotti

    Paulo Freire

    Srgio Guimares

    9 edio

    Moacir Gadotti, fundador e atual presidente de honra do Instituto Paulo Freire; doutor em Cincias da Educao pela Universidade de Genebra; doutor Honoris Causa pela UFRRJ; livre-docente pela UNICAMP e professor titular aposentado da USP. autor de uma extensa obra, incluindo: Histria das ideias pedaggicas (1993); Pedagogia da prxis (1994); Paulo Freire, uma biobibliografia (1996); Pedagogia da Terra (2001); Os mestres de Rousseau (2004); Edu-car para um outro mundo possvel (2007), e Boniteza de um sonho: ensinar e aprender com sentido (2008), onde desenvolve uma proposta educacional cujos eixos so a formao crtica do educador e a construo da educao ci-dad numa perspectiva dialtica integradora e orientada pelo paradigma da sustentabilidade.

    Paulo Freire (1921-1997), graduado pela Fa-culdade de Direito de Recife. Professor de Histria e Filosofia da Educao da Univer-sidade do Recife. Lecionou na Universidade de Harvard (EUA), na UNICAMP e PUC-SP. Foi Secretrio de Educao no Municpio de So Paulo (1989). Entre as muitas obras: Educao como prtica da liberdade(1967); Pedagogia do oprimido (1970);Educao e mudana (1979);Pedagogia da esperana(1992);Peda- gogia da autonomia (1997). Pela Cortez Editora destacam-se: A importncia do ato de ler em trs artigos que se completam(1982); Educa-o e atualidade brasileira (2001).

    Srgio Guimares professor colaborador e doutorando da Faculdade de Psicologia da Universidade de Buenos Aires. Formado em Comunicao Social pela Escola de Comuni-caes e Artes da Universidade de So Paulo, trabalhou na ONU, primeiro na Unesco (1978-80: Angola) e depois no Unicef (1985-2011: Moambique, Haiti, Marrocos, Angola, Guin- -Bissau e Honduras). Nesse ltimo, foi tambm coordenador interino do sistema das Naes Unidas e representante do secretrio-geral, Ban Ki-moon (2010-11).Com Paulo Freire fez sete livros dialogados: Sobre educao dilogos, vol. I (1982), reedi-tado como Partir da Infncia (2011); Sobre edu-cao dilogos, vol. II (1984), reeditado como Educar com a mdia (2011); Aprendendo com a prpria histria, vol. I (1987); Aprendendo com a prpria histria, vol. II (2000), reeditado como Dialogando com a prpria histria (2011); A frica ensinando a gente (2003); Sobre educao: lies de casa (2008), reeditado como Lies de casa (2011); e este. Paulista desde 1951. Casado com uma baiana, pai de trs filhos e, desde maio de 2012, av de Gabriel.

    ISBN 978-85-249-2337-1

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    Sumrio

    Prefcio 9 edio: Trinta anos depois ......................................... 9

    Prefcio 4 edio: Dez anos depois ............................................ 21

    Aos Leitores ....................................................................................... 25

    Apresentao Andanas brasileiras ............................................ 31

    CAPTULO I O poltico-pedaggico.............................................. 43

    CAPTULO II Educar: saber, participar e comprometer-se ......... 67

    CAPTULO III Educar e reinventar o poder ................................... 89

    CAPTULO IV Educao e democracia............................................ 119

    CAPTULO V Educar: ler, escrever e contar + ouvir, falar e gritar ........................................................................ 145

    Referncias ........................................................................................ 163

  • 43

    cAPtuLo i

    O poltico-pedaggico

    1. Introduo: a especificidade da educao, uma questo ideolgica

    PAULO Muitas das perguntas que vamos trabalhar j tm, como o Gadotti salientou, a resposta do perguntador, que necessariamente no a nossa. Acho importante esclarecer os provveis leitores deste dilogo que ns trs vamos, honestamente, deixar explcita a nossa posio, que ao mesmo tempo poltica e pedaggica, ao responder s questes que nos foram propostas.

    GADOTTI Em relao sua afirmao de que o nosso trabalho de andana pedaggica dos ltimos anos to pedaggico quanto poltico, gostaria de acrescentar um fato que tem ocorrido com alguma frequncia. Existe uma artimanha por parte de responsveis de universidades, por exemplo, ou por parte de departamentos ou faculdades, que uma artimanha que tenta, de certa forma, destruir uma atividade sob o argumento de que poltica e no pedaggica. Por exemplo, no meu caso, quando chegava a uma determinada

  • 44 GADOTTIFREIREGUIMARES

    faculdade a convite dos alunos e era considerado persona non grata pelos responsveis dessas faculdades, estes tentavam invalidar a atividade que era desenvolvida, dizendo que eu era mais um pol-tico do que um pedagogo. Acho que isso tambm deve ter acontecido com voc.

    PAULO Exato.

    GADOTTI Eu procurava ento esclarecer e fazer compreender tambm que impossvel dissociar da tarefa pedaggica o poltico. Repetia, alis, aquilo que voc j disse em suas obras, que o edu-cador poltico enquanto educador, e que o poltico educador pelo prprio fato de ser poltico.

    Nossa atividade, portanto, j representa uma opo poltica. No fazemos essas conferncias, palestras, debates e conversas apenas para difundir conhecimentos. Trata-se de fazer um tra-balho pedaggico-poltico no sentido de nos conhecermos en-quanto educadores; de avanarmos nas respostas s questes que nos colocamos de Norte a Sul desse pas; de buscarmos para a educao alternativas que no sejam elaboradas em gabinete, que no sejam projetos poltico-pedaggicos dissociados do avano poltico da massa popular. Porque o que ns temos assis-tido, sobretudo nos ltimos vinte anos, que a educao tem sido elaborada, destilada nos corredores burocrticos da ditadu-ra, e imposta massa.

    A educao que propomos, em decorrncia da nossa opo poltica, uma educao que venha a ser construda hoje a partir desse debate amplo, desse caminhar juntos de todos os educado-res que somos, e no s pelos professores, mas tambm pelos pais, alunos, jornalistas, polticos, enfim, por toda a sociedade brasileira se repensando, reaprendendo o Brasil. Hoje estamos num momento histrico em que esse pas est diferente: ns estamos pensando

  • PEDAGOGIA:DILOGOECONFLITO 45

    em escrever, em falar um livro no momento em que esse pas est despertando, passando por cima de partidos polticos, passando por cima de centro, de esquerda, de direita, e tomando a palavra. E ns tambm estamos envolvidos nesse processo. em decor-rncia desse grande processo poltico de massa que hoje poss-vel falar a palavra Brasil, Ptria, com mais fora do que fal-vamos h dez anos atrs, porque tnhamos um certo receio da conatao fascista destas palavras. Hoje no, hoje caminhamos juntos e nessa grande caminhada, nessa andana que fizemos por a pudemos captar esse movimento que est dando seus frutos na unidade da prpria nao e que traz consigo propostas peda-ggicas novas.

    2. A vitria poltica passa pelo convencimento pedaggico

    PAULO Pois , a partir dessas reflexes do Gadotti se percebe claramente que seria uma ingenuidade reduzir todo o poltico ao pedaggico, assim como seria ingnuo fazer o contrrio. Cada um tem a sua especificidade. Mas o que me parece impressionante e dialtico, dinmico, contraditrio, como, mesmo tendo domnios especficos, continua a haver a interpenetrao do poltico no pe-daggico e vice-versa. O que quero dizer com isso que quando se descobre uma certa e possvel especificidade do poltico, percebe-se tambm que essa especificidade no foi suficiente para proibir a presena do pedaggico nela. Quando se descobre por sua vez a especificidade do pedaggico, nota-se que no lhe possvel proibir a entrada do poltico.

    Por exemplo, a recente e maravilhosa campanha pelas Diretas J. bvio que ela no foi feita nos seminrios de Filosofia da

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    Educao, de Cincias Sociais aplicadas educao, dentro da universidade: foi feita no espao da cidade. A praa pblica se abriu para a presena extraordinria no ltimo encontro de So Paulo, por exemplo, de 1 milho e 700 mil pessoas. Foi um ato poltico, mas seria profundamente ingnuo no reconhecer a dimenso al-tamente pedaggico-testemunhal da presena de 1 milho e 700 mil pessoas cantando o Hino Nacional de mos dadas. Ou seja, ningum fez seminrio para discutir as Diretas J, o que houve foi um discurso poltico deste ou daquele lder das oposies bra-sileiras e um envolvimento na prtica. O que realmente houve foi sair de casa e ir para a praa pblica convencido de demandar um direito, o direito de escolher o presidente da Repblica, contra a mania do poder dominante deste pas de dizer que o povo brasi-leiro ainda no sabe eleger. Contra essa farsa a massa foi praa

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