BOA VONTADE 199

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    06-Jun-2015

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<p>BOA VONTADEA REVISTA DA ESPIRITUALIDADE ECUMNICA ANO XXIII N 199 MARO DE 2005 R$ 7,90</p> <p>Jornalista Paiva Netto apresenta: A Mulher no conSerto das Naes!</p> <p>Especial</p> <p>Todos marchando com a Paz!</p> <p>II Frum Internacional dos Soldadinhos de Deus da LBV no Terceiro Milnio:</p> <p>A criana educa o Homem</p> <p>Hora da Boa Vontade: a semente da LBV completa 56 anos.</p> <p>2</p> <p>Maro de 2005</p> <p>Maro de 2005</p> <p>3</p> <p>[Editorial]</p> <p>A MulherPJos de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor, Presidente das Instituies da Boa Vontade.</p> <p>das Naesrezadas leitoras e leitores, antes de tudo preciso esclarecer-lhes sobre a palavra conserto que grafei com a letra sse*1 no ttulo desta pgina. No se trata de erro ou distrao: conserto mesmo, porquanto, da forma que se encontra o mundo a pr-abrasar-se com o aquecimento global, melhor que os sexos confraternizem, unam foras e realizem o conserto urgente, porque, do contrrio, poderemos acabar cozidos numa panela fenomenal: o Planeta que habitamos. Nesta edio de maro da revista BOA VONTADE, daria seqncia transcrio de trechos de palestras que proferi na proximidade do novo milnio, no Rio Grande do Sul principalmente, nas quais sugeria uma imparcial e profunda reflexo sobre a natureza do Criador. Denominei-as Ecce Deus (Eis Deus). Peo-lhes, contudo, licena para prestar uma justa homenagem s Mulheres de todos os segmentos da sociedade, entre eles, tnicos, religiosos, cientficos, polticos, enfim, culturais: quelas que so a base das Naes, quando integradas em Deus e/ou nos mais elevados sentimentos que honram a Raa Humana. Bem a propsito, Danilo Parmegiani, representante da Legio da Boa Vontade, diretamente dos Estados Unidos, informa que: Neste ms, a LBV, que possui status consultivo geral no Conselho Econmico e Social das Naes Unidas (ONU), participou da 49a Sesso da Comisso do Status da Mulher, ocorrida de 28 de fevereiro a 11 de maro deste ano, na sede do referido rgo, em Nova York. Na ocasio, a LBV apresentou, num documento em seis idiomas, sua ampla experincia na propagao da igualdade de gneros e na valorizao da Mulher. Na Amrica Latina, na Europa, nos Estados Unidos ou onde quer que a LBV se faa presente, so desenvolvidas diversas atividades para garantir a ela, em todas as idades, o espao que merece no convvio social. Os programas Cidado-Beb, Grupo de Mes, Grupo de Mulheres so referncias no resgate da auto-estima e na promoo da autonomia dela, nos mbitos prossional, intelectual, emocional e espiritual. Num conjunto de aes integradas com a famlia, o objetivo melhorar a qualidade de vida das que se encontram em situao de vulnerabilidade social, incentivando seminrios educativos, cursos prossionalizantes, orientaes nas reas de sade, direito, alm de suporte psicolgico e social.</p> <p>no con ertoCentro de Memria da Medicina de Minas Gerais</p> <p>s</p> <p>4</p> <p>io urie, Prm a: Pierre C mio Nobel ara a direit Pr rda p , arie Curie, Da esque ne Curie a (1903); M a (1911); Ir r. Curie, el em Fsic Nob e Qumic (1903 ) 935); e o D em Fsica Qumica (1 ta fotograa foi Nobel em ente, es Prmio tor RepreCuriosam ento Dire oids et de Pierre. pai uillaume, P Ch. E. G tional des tirada por Prmio au Interna ganhou o te do Bure sentan tambm IPM), que Mesures (B ica (1920). Fs Nobel emMaro de 2005</p> <p>Marie Curie no Brasil Em 1926, no dia 17 de agosto, aps longa viagem de trem do Rio de Janeiro para Minas Gerais, o Dr. Sandro Fenelon e Sidney de Souza Almeida registraram: Marie Curie e sua lha, Irne Curie, visitaram o Instituto do Radium em Belo Horizonte. Posteriormente, chamado Instituto Borges da Costa, foi o primeiro centro destinado luta contra o cncer no Brasil. Na foto, Marie Curie e Irne aparecem no centro da fotograa (roupa preta) sentadas sob a rvore. direita, o diretor do Instituto Prof. Borges da Costa (de bigode e gravata borboleta) e Carlos Pinheiro Chagas (mo no queixo). esquerda, Prof. Baeta Vianna (terno escuro e culos) e o Prof. Adelmo Lodi (avental branco).</p> <p>o BV Reprodu</p> <p>A respeito da devida valorizao das mulheres, quero destacar um trecho de excelente artigo da Doutoranda de Teoria da Literatura da Universidade de Braslia (UnB), Joslia da Silva Almeida, publicado na Tribuna da Imprensa (3/3/2005), uma</p> <p>vez que pouca gente sabe do alado papel da Mulher no progresso, por exemplo, da Cincia, conseqentemente no conserto de que precisa tanto a Humanidade: (...) A frmula da energia relativstica de Einstein, que revolucionou o pensamento losco-cientco, foi comprovada graas ao trabalho investigativo de um grupo de cientistas. Desse grupo se destacaram quatro mulheres: Marie Curie, Du Chastelet, Ceclia Payne e Lise Meitner. A primeira cunhou em 1898 a palavra radioatividade para o ativo jorro de radiao dos minrios. A segunda foi independente o suciente para desaar o consenso de que as estrelas eram compostas de ferro, mudando assim o que Du Chastelet se entendia sobre como as estrelas queimam. A francesa Du Chastelet aprofundou a teoria de Leibniz para Newton, duas colises se cancelavam reciprocamente, mas para Leibniz elas se somavam. E, por m, a austraca Lise Meitner, em 1938, revelou os mecanismos mais profundos da matria, o que nalmente permitiria que a energia prometida pela equao de Einstein emergisse. Todavia, no obstante a inteligncia e talento dessas mulheres, todas sofreram uma srie de restries impostas pelo mecanismo de poder exercido pelos homens. S Ceclia Payne para ilustrar, Payne, dentre outras limitaes sofridas, foi obrigada a negar em sua tese o que havia descoberto sobre a combusto das estrelas. Anos mais tarde, sua teoria sobre as estrelas viria a se conrmar. Evidente que a mulher se destaca em outros domnios e no apenas nos aqui lembrados. Mas fato que nomes femininos no freqentam as pginas da histria com a mesma facilidade e desenvoltura que os homens. Normalmente, sua inteligncia no ressaltada com a mesma nfase que se d sua esttica e outras frivolidades. Das cientistas aqui citadas, com exceo Lise Meitner de Marie Curie, dicilmente ouvem-se os nomes das demais, mesmo no universo acadmico. Falha imperdovel, sobretudo em uma era em que o aumento da escravido da mulher a uma imagem masculina vem empacotada sob o rtulo de liberdade. A prova se encontra impressa nas pginas de semanrios e em telas de cinema e TV, onde so expostas na materialidade de sua carne. Enganadas, nutrem a iluso de serem sujeitas ativas de seu destino, como o so os chefes de Estado, os generais, os diretores de cinema, etc. Estes podem exercer sua transcendentalidade independentemente da carne, livres do fantasma do tempo e da esttica. Para nalizar, vale perguntar: qual a imagem preponderante de mulher vendida como modelo a ser seguido e copiado pelas meninas e adolescentes? As guras televisivas que copiam as louras lipoaspiradas e siliconadas de Hollywood ou as que em p de igualdade com os homens tm condies concretas de inuir no mundo com seu conhecimento e pensamento?. No h o que comentar. por demais atual e esclarecedor.Reproduo BV Reproduo: Aline Portel</p> <p>Fotos: Arquivo</p> <p>BV</p> <p>Reproduo BV</p> <p>Fachada do edifcio da Tr iangle Shirtwaist Com pany durante o trab alho de combate ao in cndio que se alastr ou por suas instala es. Na tragdia, m ais de 140 operr ias e operrios (ent re 13 e 23 anos) mor reram em virtude da s pssimas cond ies de segurana.</p> <p>Reproduo BV</p> <p>Instalaes da fbrica antes do incidente. Os tra obrigados a cu balhadores eram mprir 12 horas de jornada dir salrios. ia e recebiam ba ixos</p> <p>Po e RosasA luta pela emancipao da Mulher antiga. J nos tempos clssicos da Grcia, esse esprito libertrio procurava o seu caminho nos esforos e diculdades de Lisstrata*2, com sua greve do sexo, na qual moveu mulheres de Atenas e de Esparta, para deter a Guerra do Peloponeso, segundo a comdia de Aristfanes.</p> <p>Aristfanes</p> <p>Imagem da de vastao caus ada pelo inc ndioMaro de 2005</p> <p>5</p> <p>[Editorial]Fotos: Arquivo BV</p> <p>Helen Ke</p> <p>ller e sua</p> <p>mentora</p> <p>Anne Sull</p> <p>ivan</p> <p>Socialistas, props a criao do Dia Internacional da Mulher*4. A atitude corajosa delas encontrase perfeitamente enquadrada nesta exclamao da inesquecvel escritora norte-americana Helen Adams Keller*5 (1880-1968):s o, duas grande ousada ou nada! sa Luxemburg in ao lado de Ro Clara Zetk e. ad as da Humanid guras feminin palmar que a famosa ativista</p> <p> A vida uma aventura</p> <p>Em 1857, centenas de operrias das fbricas txteis e de vesturio de Nova York iniciaram um forte protesto contra os baixos salrios, jornada de mais de 12 horas e pssimas condies de trabalho. Em 1908, mais de 14 mil delas voltaram s ruas nova-iorquinas. Sob o slogan Po e Rosas tendo o po como smbolo da estabilidade econmica e as rosas representando uma melhor qualidade de vida pleiteavam idnticos direitos aos reivindicados pelas trabalhadoras da dcada de 50 do sculo XIX. Aproximadamente 130 delas acabaram falecendo durante misterioso incndio. Mas no cou s nisso a tamanha luta. Trs anos depois, tambm naquela cidade, ocorreu outro trgico acontecimento provocado pelas infernais condies de segurana na Triangle Shirtwaist Company. Em 25 de maro de 1911, mais de 140 tecels e teceles, de maioria italiana e judia, morreram calcinados (21 eram homens). A violncia dos fatos foi fotografada e lmada em sua dramaticidade, com criaturas em desespero jogando-se das janelas do prdio em chamas. As manifestaes femininas sucedidas na cosmopolita metrpole foram dos principais degraus para a emancipao da Mulher, bem como os esforos de tantas outras, a exemplo da socialista alem Clara Zetkin*3 (1857-1933), uma das mais famosas ativistas pelos direitos femininos, que, em 1910, durante o II Congresso Internacional de Mulheres 6Maro de 2005</p> <p>social se refere audcia que impulsiona os vanguardeiros a rever costumes e conceitos ultrapassados, que retardam a evoluo das criaturas e dos povos (sobretudo no campo imprescindvel do conhecimento espiritual). Ela prpria um modelo constante dessa premissa. Cega, surda e muda, em decorrncia de uma doena manifestada aos 18 meses, rompeu tremendas barreiras, tornando-se uma das mulheres mais respeitadas da Histria.</p> <p>pessoa de conana com quem deix-las; as das que so irremediavelmente enfermas. Tal como se l no Poema do Grande Milnio, de Alziro Zarur (19141979): (...) Os lhos so lhos/de todas as mes,/e as mes so as mes/de todos os lhos. Mes so ainda as que se devotam Arte, Literatura, Cincia, Filosoa, Religio, Poltica, Economia, anal a todos os setores do pensamento e/ou ao criadores, a gerar lhos de sua dedicada competncia pelo desenvolvimento da Humanidade. Por isso, o Congresso das Mes Legionrias igualmente o das Mulheres Legionrias e, por extenso, de todas as do mundo, que dele queiram participar. A LBV no ergue bastilhas, pelo contrrio, as derriba com muita Boa Vontade. (...) Muito oportuna tambm outra composio potica do velho Zarur: Poema das Mes. Uma ode face maternal, necessidade da marca afetuosa e forte deste ser no governo dos povos.</p> <p>Todas as Mulheres so mesNum artigo que escrevi para a Folha de S.Paulo, em 22 de maio de 1988, explico por que na LBV consideramos todas as Mulheres mes: A viso que temos da maternidade ampla. Deus, Me e Pai dos Seres Humanos, universal abrangncia. Assim sendo, para os Legionrios da Boa Vontade, Mes no so apenas as que geram lhos carnais. Tambm so aquelas que se consagram Alziro Zarur sobrevivncia dos lhos dos outros: as crianas rfs, at mesmo de pais vivos; as das Mes que precisam trabalhar e no tmArquivo BV</p> <p>Poema das MesDesde que o mundo mundo, at onde vai/ O arqueolgico olhar da pr-Histria,/ Na famlia dos nobres ou da escria/ A me no manda, pois quem manda o pai./ Sem pretenso alguma a Nostradamus,/ Eu creio que a razo desse destino/ Da mulher-me, que todos subjugamos,/ o Deus antropomorfo-masculino./ Se homem o Criador (raciocinaram/ Os argutos lsofos de antanho),/ Faamos das mulheres um rebanho.../ E assim zeram quando assim pensaram./ Desde ento, temos visto a velha farsa/ Representada, com solenidade,/ Nos pases de toda a Humanidade/ Onde a moral pr-histrica anda esparsa/ As mulheres no podem entender-nos,/ Diziam os despticos senhores./ E fomos vendo, em sculos de horrores,/ A falncia dos homens nos governos/ Ao meditar, em raras horas mansas,/ Cheguei a concluses desprimorosas:/ Os homens</p> <p>so crianas rancorosas,/ Sem a graa espontnea das crianas/ S ento compreendi o caos da guerra,/ Em seus apavorantes misereres:/ Coisa impossvel de se ver na terra,/ Quando os governos forem de mulheres/ Assim que no pode continuar!/ Porque os chefes piores do que os ces/ Hidrfobos tm este singular/ Defeito imenso de no serem mes.</p> <p>Nenhum movimento social, poltico, religioso pode, decisivamente, progredir sem o auxlio, pblico ou reservado, delas. A Histria est repleta de comprovaes. ____________________</p> <p>A Alma da Humanidade(...) O papel da Mulher essencial para a sobrevivncia dos povos. Irm, esposa, me, amiga, trabalhadora, chefe de famlia, presena indispensvel e carinhosa conselheira. Pelos lhos o seu porvir, porquanto prepara homem e mulher futuros. Por isso, as sociedades que a deprimem o fazem a si mesmas. A Mulher de entendimento esclarecido torna o elo familiar forte e a comunidade grande, moral, respeitada e unida. Estas nossas armativas encontram ressonncia nas de Charles McIver (1860 -1906)*6 que dizia: O caminho mais econmico, fcil e certo para a educao universal educar as mulheres, aquelas que se tornaro as mes e professoras de geraes fuCharles McIver turas. Verdade seja dita, nenhum homem realiza nada de realmente valioso, se no tiver, de uma forma ou de outra, o apoio da Mulher. Realmente, pois se voc educar um homem, educa um indivduo; mas se educar uma mulher, educa uma famlia.Reproduo BV</p> <p>Apropriada a assertiva do velho Goethe (1749-1832) *7: O homem digno ir longe guiado pelas boas palavras de uma mulher sbia. s mulheres do Brasil e do mundo, a nossa saudao pela data Goethe especial: 8 de maro. Embora, na Legio da Boa Vontade, na Religio de Deus e na Fundao Jos de Paiva Netto, todo dia dia da Mulher de real Boa Vontade*8, cujo exemplo de coragem encontramos no Evangelho do Cristo, segundo Joo, 19:25, que relata o apoio das Mulheres, por Ele recebido, que estavam acompanhadas unicamente pelo Discpulo Amado*9, na derradeira hora, no momento da Sua crucicao: E diante da cruz estavam a me de Jesus, a irm dela e tambm Maria Madalena, e Maria, mulher de Clopas. Estas verdadeiras heronas, no instante supremo da dor, no O abandonaram, permanecendo rmes ao lado Dele, numa demonstrao de inaudita bravura.</p> <p>foram expostas e questionadas quando da criao de um dia especco para homenagear as mulheres. Em 1914, a Secretaria Internacional da Mulher Socialista, dirigida por Clara Zetkin, indica uma data nica para a comemorao do Dia da Mulher: 8 de maro. Em dezembro de 1977, a Assemblia Geral da ONU proclamou a data como o *1 sse ou esse? No Dicionrio Aurlio, gura a priDia Internacional da Mulher, sendo celebrado at os dias meira graa da 18a letra do nosso alfabeto. J...</p>