Usucapião extrajudicial e a necessária intervenção do ...· A usucapião é de interesse público

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  • Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro

    Usucapio extrajudicial e a necessria

    interveno do Ministrio Pblico

    CLAUDIA RODRIGUES ALMEIDA DE AZEVEDO

    Rio de Janeiro

    2016

  • CLAUDIA RODRIGUES ALMEIDA DE AZEVEDO

    Usucapio extrajudicial e a necessria

    interveno do Ministrio Pblico

    Artigo Cientifico apresentado como exigncia

    de conclusao de Curso de Pos-Graduacao Lato

    Sensu da Escola de Magistratura do Estado do

    Rio de Janeiro.

    Professores Orientadores:

    Mnica Areal

    Neli Luiza C. Fetzner

    Nelson C. Tavares Junior

    Rio de Janeiro

    2016

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    USUCAPIO EXTRAJUDICIAL E A NECESSRIA

    INTERVENO DO MINISTRIO PBLICO

    Claudia Rodrigues Almeida de Azevedo

    Graduada pela Universidade Santa rsula e

    Ps-Graduada pela Fundao Getlio

    Vargas - Direito Rio. Advogada.

    Resumo: Este artigo enfoca a anlise do novo instituto da Usucapio Extrajudicial trazida

    pelo novo Cdigo de Processo Civil que com base no artigo 1.071, acrescenta Lei de

    Registros Pblicos, Lei n. 6.015/73 o artigo 216-A, que regula o procedimento da usucapio a

    ser requerida perante o oficial de registro de imveis. O objetivo do trabalho trazer uma

    abordagem crtica sobre a possibilidade de converso da legitimao de posse em propriedade

    por usucapio extrajudicial sem a necessidade de intervenincia do Ministrio Pblico como

    fiscal da lei tal qual se exigia no diploma anterior.

    Palavras-chave: Processo Civil. Usucapio Extrajudicial. Funo social da propriedade e da

    segurana jurdica. Ministrio Pblico.

    Sumario: Introducao. 1. O novo instituto da usucapio extrajudicial e suas caractersticas. 2.

    Princpio constitucional da funo social e da segurana jurdica como balizador da

    efetividade da usucapio. 3. Crticas ao novo instituto da usucapio extrajudicial quanto a

    dispensa do Ministrio Pblico como fiscal da lei. Conclusao. Referncias.

    INTRODUCAO

    O trabalho apresentado aborda o novo procedimento extrajudicial para a usucapio

    de bens imveis regulado pelo novo Cdigo de Processo Civil, Lei n. 13.105/15 em seu

    art. 1.071, que altera a Lei de Registros Pblicos.

    A relevncia do assunto advm do surgimento de um novo modelo de procedimento

    para tramitao da usucapio que o extrajudicial e visa celeridade e desembarao do

    instituto.

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    O estudo analisar os aspectos mais importantes que tangenciam a questo,

    mormente a excluso do Ministrio Pblico como custos legis, que era obrigatrio nas aes

    de usucapio at ento.

    No primeiro captulo ser analisado o que ocorrer com a implementao do novo

    procedimento que a desjudicializao do direito com o deslocamento de competncias do

    Poder Judicirio para rgos extrajudiciais - serventias notariais, atribuindo a estes solues

    de questes em que h consenso e disponibilidade de direitos envolvidos com o objetivo de

    agilizar a atividade jurisdicional.

    Outro ponto que ser analisado que ser imprescindvel a presena de um advogado

    acompanhando o requerente na lavratura da ata notarial e toda a questo prtica que envolver

    o novo procedimento.

    No segundo captulo sero apresentados os princpios da funo social da

    propriedade e o da segurana jurdica que entendida por Clvis Couto e Silva como sendo

    um princpio que se ramifica em duas partes, uma de natureza objetiva que aquela que

    envolve a questo dos limites retroatividade dos atos do Estado e diz respeito ao direito

    adquirido, ao ato jurdico perfeito e a coisa julgada estabilidade das relaes jurdicas - e

    outro de natureza subjetiva que a proteo confiana, como balizadores da usucapio.

    Atualmente o princpio da segurana jurdica qualificado como princpio

    constitucional na posio de subprincpio do Estado de Direito, valor constitucional.

    O cerne desse trabalho analisar a dispensa da interveno do Ministrio Pblico

    como custos legis o que era obrigatrio nas aes declaratrias de usucapio. A interveno

    do Ministrio Pblico, na ao de usucapio at ento proposta, obrigatria, nos termos do

    art. 944 do Cdigo de Processo Civil de 1973, sendo imprescindvel, sob pena de nulidade,

    nos termos do art. 246 do mesmo diploma legal, sua intimao de todos os atos do processo, o

    que ser analisado no terceiro captulo.

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    A usucapio de interesse pblico e em um pas com tamanha desigualdade e

    carente poltica fundiria, alm da irregular diviso e ocupao do solo, tanto na rea urbana

    quanto rural, a necessria interveno do parquet, na condio de custos legis visa garantir a

    segurana jurdica do procedimento.

    Deixar o Ministrio Pblico de atuar como fiscal da lei na usucapio extrajudicial

    deixar o zelo pelo interesse pblico e a proteo da confiana nas mos de interessados diretos

    na demanda.

    Intervindo, porm, tem como fundamento o interesse pblico, manifestando-se por

    sua supremacia, sem ater-se a qualquer dos interesses privados em litgio.

    Assim sendo, conveniente a interveno do Ministrio Publico nos processos de

    usucapio, seja ele judicial ou extrajudicial, a vista da relevncia social elementar e da

    necessidade de articulao com o poder publico para a completa e eficiente realizao da

    poltica publica de regularizao fundiria, bem como pela natureza de seu objeto a

    propriedade, um dos valores supremos qualificados como direito fundamental.

    Dentro deste panorama, a pesquisa utilizar a metodologia do tipo bibliogrfica,

    parcialmente exploratria e qualitativa.

    1. O NOVO INSTITUTO DA USUCAPIO EXTRAJUDICIAL E SUAS

    CARACTERSTICAS

    O arcabouo legislativo que trata a questo envolve o artigo 1.071 do Cdigo de

    Processo Civil, Lei n. 13.105/151 que acrescentou Lei de Registros Pblicos, Lei n. 6.015/73

    o artigo 216-A2, regulando assim o procedimento da usucapio extrajudicial.

    1 BRASIL. Lei 13.105, de 16 de maro de 2015. Disponvel em: . Acesso: 28 Mar.2016.

    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/%20_Ato2015-2018/2015/%20Lei/L13105.htm%3e.%20Acessohttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/%20_Ato2015-2018/2015/%20Lei/L13105.htm%3e.%20Acesso

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    No se trata de usucapio administrativo, que j tem regulao prpria na Lei n.

    11.979/093 Lei do Programa Minha Casa, Minha Vida que prev uma figura similar

    para detentores de ttulo de legitimao de posse.

    O procedimento da usucapio extrajudicial ser conduzido sob a orientao do

    Oficial Registrador de Imveis, dispensada interveno do Ministrio Pblico ou

    homologao judicial, permanecendo a exigncia da cincia dos confrontantes, titulares de

    domnio, terceiros interessados, bem como da Administrao Pblica, quais sejam: Unio,

    Estados, Distrito Federal e Municpios.

    Para exercer o direito a Usucapio Extrajudicial o interessado dever apresentar o

    pedido fundamentado ao Oficial de Cartrio acompanhado da: a) Ata Notarial lavrada pelo

    tabelio com tempo de posse e seus antecessores; b) Planta e Memorial descritivo assinada

    por profissional habilitado; c) Certides Negativas dos distribuidores do local do imvel e

    domiclio do interessado; d) Justo ttulo que demonstrem a origem, a continuidade, a natureza

    e o tempo da posse, tais como pagamento de impostos e das taxas que incidirem sobre o

    imvel.

    O procedimento da usucapio extrajudicial ser aplicado a todas as espcies de

    usucapio: usucapio extraordinria, art. 1.238, caput, CC4

    ; usucapio extraordinria

    reduzida, art. 1.238, pargrafo nico, CC; usucapio especial rural, art. 1.239, CC; usucapio

    especial urbana, art. 1.240, CC; usucapio especial urbana por abandono familiar, art. 1.240-

    A, CC; usucapio ordinria, art. 1.242, caput, CC; usucapio ordinria reduzida, art. 1.242,

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    BRASIL. Lei 6.015, de 31 de dezembro de 1973; Disponvel e: . Acesso: 28 Mar.2016. 3 BRASIL. Lei 11.979, de 8 de julho de 2009. Disponvel em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-

    2010/2009/Lei/L11979.htm. Acesso: 28 Mar.2016. 4

    BRASIL. Lei 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponvel em: . Acesso: 28 Mar.2016.

    http://www.planalto.gov.br/ccivil_03%20/leis/L6015%20compilada.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03%20/leis/L6015%20compilada.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11979.htmhttp://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11979.htm

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    pargrafo nico, CC; e, usucapio coletiva, art. 1.228, 4, CC e art. 10, Lei n. 10.257/015,

    no tendo a lei restringido qualquer espcie contanto que tenha carter de consensualidade.

    Ademais, parte as peculiaridades de cada modalidade, principalmente no que diz

    respeito ao tempo de ocupao do imvel, comum a todas o fato de a oficializao do

    domnio s ocorrer aps a sentena, o que implica dizer que s pela via judicial se podia fazer

    valer tal direito.6

    A redao dada ao 2 do art. 216-A da Lei de Registros Pblicos que trata da

    consensualidade do requerimento ser analisada em momento oportuno, j que afigura-se

    inadequada ao procedimento tendo em vista que a usucapio um instituto ao qual no

    exigido consenso ou concordncia entre o requerente e o requerido, posto que preenchidas as

    condies legais pelo usucapiente, este estar em plenas condies de adquirir a propriedade

    imobiliria.

    O advogado d