of 45 /45
UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PSICOLOGIA JENIFER MEDEIROS GOMES AS CONFIGURAÇÕES DO FENÔMENO BULLYING NO AMBIENTE ESCOLAR E SUAS IMPLICAÇÕES PSICOLÓGICAS CRICIÚMA, NOVEMBRO DE 2007

Bullying GOMES

Embed Size (px)

Text of Bullying GOMES

0

UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE PSICOLOGIA

JENIFER MEDEIROS GOMES

AS CONFIGURAES DO FENMENO BULLYING NO AMBIENTE ESCOLAR E SUAS IMPLICAES PSICOLGICAS

CRICIMA, NOVEMBRO DE 2007

1

JENIFER MEDEIROS GOMES

AS CONFIGURAES DO FENMENO BULLYING NO AMBIENTE ESCOLAR E SUAS IMPLICAES PSICOLGICAS

Trabalho de Concluso do Curso, apresentado para obteno do Grau de Bacharel em Psicologia e Psiclogo, da Universidade do Extremo Sul Catarinense UNESC. Orientadora: Prof. Esp. Denise Nuernberg

CRICIMA, NOVEMBRO DE 2007

2

JENIFER MEDEIROS GOMES

AS CONFIGURAES DO FENMENO BULLYING NO AMBIENTE

ESCOLAR E SUAS IMPLICAES PSICOLGICAS

Trabalho de Concluso de Curso aprovado pela Banca Examinadora para obteno do Grau de Psiclogo no Curso de Psicologia da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com Linha de Pesquisa em Educao e Cidadania.

Cricima, 29 de novembro de 2007.

BANCA EXAMINADORA

Prof Denise Nuernberg

Especialista

(UNESC) - Orientadora

Prof Elenice de Freitas Sais

Especialista

(UNESC)

Prof Elisinia C. de S. F. Fragnani - Mestre

(UNESC)

3

DEDICATRIA

Dedico este trabalho minha av materna Teresinha Fernandes Medeiros; minha me Sandra Mara Medeiros minha tia Tnia Nara Medeiros, pois nelas que me espelho todos os dias, responsveis por tudo que sou atualmente e que ainda serei. Dedico tambm aos meus primos Mateus, Joo Pedro, Gabriela, Yasmine, Maria Vitria e Isabelli, que nem hoje e nem nunca sofram com o Bullying ou outra forma de agresso.

4

AGRADECIMENTOS

Agradeo primeiramente a Deus que me iluminou em toda a minha vida; Ao meu av materno (in memorian) Wilson Verglio Jos de Medeiros, o qual me possibilitou o ingresso na academia, no poupando esforos para que isso

acontecesse; A minha grande amiga Priscila Winkler, por todas as discusses a respeito do assunto, revises e escuta as minhas angstias; A minha orientadora Denise Nuernberg, que me apoiou desde o incio dessa caminhada at o fim, me deixando segura e confiante a respeito do tema escolhido.

5

Se uma criana vive sendo criticada Aprende a condenar. Se uma criana vive com hostilidade Aprende a brigar. Se uma criana vive envergonhada Aprende a sentir-se culpada. Se uma criana vive com tolerncia Aprende a confiar. Se uma criana vive valorizada Aprende a valorizar Se uma criana vive com igualdade Aprende a ser justa. Se uma criana vive em segurana Aprende a ter f. Se uma criana vive com compreenso Aprende a acreditar em si prpria. Se uma criana vive com amizade e carinho Aprende a encontrar amor no mundo.

Vida Rural

6

RESUMO

O presente estudo se refere as configuraes do fenmeno bullying e suas implicaes psicolgicas , consistindo em uma pesquisa bibliogrfica de carter exploratrio com abordagem qualitativa. E tem como objetivo analisar as manifestaes da agresso escolar configurada no fenmeno bullying, buscando compreender as nuances psicolgicas acarretadas por ele, assim como seu possvel tratamento psicopedaggico. Nesta direo, os pressupostos da pesquisa defendem que o fenmeno bullying extremamente multifacetado e altamente doloroso para as partes envolvidas, destacando que vrias so as causas que o geram, mas as conseqncias muitas vezes, culminam em tragdias sociais como assassinatos, suicdios e anulao do sujeito em relao a sua auto-estima. Destaca-se ainda que o tratamento psicopedaggico deve ser personalizado e analisado em cada caso, pois as caractersticas do bullying desencadeiam problemas diferentes em cada indivduo, por isso preciso muita acuidade no seu trato. Defende-se tambm neste, que a principal forma para combater-se o bullying a conscientizao baseada no respeito mtuo, na tica e na cidadania, ou seja, o respeito entre os indivduos. Palavras-chave: Bullying. Escola. Psicologia.

7

SUMRIO

1 INTRODUO .......................................................................................................08 2 O FENMENO BULLYING E SUA ETIOLOGIA ...................................................11 3 MANEIRAS DE PRATICAR O BULLYING E SEUS PROTAGONISTAS .............14 4 AS CAUSAS DA PRTICA DO BULLYING E SUAS CONSEQUNCIAS NA FORMAO E PERSONALIDADE DOS EDUCANDOS .........................................19 5 O FENMENO BULLYING NAS ESCOLAS E SUAS MANIFESTAES ..........24 6 PROJETOS E PRTICAS PSICOPEDAGGICAS DO SUJEITO ACOMETIDO PELO BULLYING .....................................................................................................33 7 CONCLUSO ........................................................................................................38 REFERNCIAS .........................................................................................................41 REFERNCIAS COMPLEMENTARES ....................................................................44

8

1 INTRODUO

No universo da Psicologia os problemas relacionados violncia escolar se fazem presentes, pois o modo de vida do sculo XXI trouxe tona elementos que antes no eram to percebidos ou to evidenciados como na atualidade, no que se refere ao cotidiano escolar e a sociedade em geral, tais como: agresses entre docentes e discentes, violncia dentro e fora do ambiente escolar, desigualdades sociais, presses sociais, preconceito entre estudantes, entre outros. Desta forma, percebe-se que esses fatores influenciam e contribuem na mudana da realidade escolar dos dias de hoje, em relao ao ambiente escolar visto no passado. O bullying um exemplo destas transformaes, caracterizado como um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angstia e sofrimento. Insultos, intimidaes, apelidos cruis e constrangedores, gozaes que magoam profundamente, acusaes injustas, atuao de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos, levando-os excluso, alm de danos fsicos, psquicos, morais e materiais, so algumas das manifestaes deste comportamento. O bullying um conceito especfico e muito bem definido, uma vez que no se deixa confundir com outras formas de violncia. Isso se justifica pelo fato de apresentar caractersticas prprias, dentre elas, talvez a mais grave, seja a propriedade de causar traumas ao psiquismo de suas vtimas e envolvidos. Sendo assim, torna-se importante contribuir com a temtica, haja vista que em um mundo to cheio de transformaes, a violncia cada dia aumenta e com isso srias conseqncias tm se manifestado na sociedade, dentre estas manifestaes o bullying tem se evidenciado, prova disto so as grandes tragdias que tm acontecido nas escolas com alunos que sofreram agresso no perodo escolar, e atualmente sofrem srias conseqncias psquicas e sociais, agindo de forma violenta. Com isso, faz-se necessrio atentar para os problemas gerados em conseqncia deste.

9

Diante do preocupante panorama escolar, percebe-se a necessidade em pesquisar sobre o fenmeno bullying, tendo em vista as poucas publicaes encontradas sobre esta temtica que visam aprofundar sobre o assunto. A Psicologia deve exercer papel fundamental na busca de fatores que possam explicar e auxiliar na preveno e combate a essa tamanha barbrie contra vtimas e praticantes deste ato. Diante deste contexto, configura-se como problema de pesquisa neste estudo: Quais os transtornos psicolgicos que podem ser gerados a partir do bullying e quais os possveis programas psicopedaggicos? O presente estudo parte da premissa de que so muitos os transtornos gerados a partir desse tipo de agresso, entre eles esto o transtorno de pnico, de estresse ps-traumtico e depresso. Diante desses problemas psicolgicos advindos do bullying faz-se necessrio um acompanhamento psicopedaggico com esses estudantes, tantos aos que sofrem, quanto queles que praticam tal ato. Frente a este exposto, esta pesquisa objetiva-se de maneira geral em analisar as manifestaes da agresso escolar configurada no fenmeno bullying, buscando compreender as nuances psicolgicas acarretadas por ele, assim como, seu possvel tratamento psicopedaggico. Como objetivos especficos destacam-se: Investigar o fenmeno bullying; Compreender como o bullying tem se manifestado no contexto escolar brasileiro; Identificar as possveis causas deste tipo de agresso; Elencar os problemas emocionais gerados no processo de agresso; Levantar elementos que possam contribuir com os programas

psicopedaggicos do sujeito acometido pelo bullying. Para o alcance desses objetivos, metodologicamente, esta pesquisa caracteriza-se por ser bibliogrfica de carter exploratrio e analtico. A pesquisa bibliogrfica desenvolvida a partir de material j elaborado e publicado, constitudo principalmente de livros e artigos cientficos. Neste contexto, a natureza analtica da pesquisa tambm se justifica pela construo de constructos que interligados permitem inferenciaes e constataes que conduzam a soluo do problema de pesquisa.

10

Portanto,

a

pesquisa

considera

uma

atitude

diante

de

um

questionamento sistemtico crtico e criativo, mais a interveno competente na realidade em sentido terico e prtico, analisado pelo pesquisador (DEMO, 1996, p. 34) Com relao aos aspectos de abordagem exploratria de Gil (1999, p. 45) aponta que:Estas pesquisas tm como finalidade proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torn-lo mais explcito ou a construir hipteses. Pode-se dizer que estas pesquisas tm como objetivo principal o aprimoramento de idias ou a descoberta de intuies.

O planejamento , ento, bastante flexvel, de modo que possibilite a considerao dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. Na maioria dos casos essas pesquisas envolvem, entre outras situaes: O levantamento bibliogrfico; E anlise de exemplos que estimulem a compreenso (SELLTIZ et al., 1967, p.63, apud GIL, 1999). Frente a estes expostos, argumenta-se que a presente pesquisa busca pautar-se em uma metodologia que conseguisse dar conta do tema em questo, e de toda a sua abrangncia, entretanto, devido complexidade do tema, claro que este no se completa somente nesta pesquisa, sendo necessrio que pesquisas e novos conhecimentos sobre o assunto sejam elaborados e reelaborados, pois assim a cincia. Portanto, buscar o esprito na investigao da verdade, por intermdio do estudo dos mtodos, tcnicas e procedimentos unidos capacidade e habilidade para a consecuo do objetivo a que se almeja o que se pretende com os procedimentos metodolgicos adotados. Nesta pesquisa foram utilizados quinze artigos, dentre os quais seis so de natureza cientfica e nove no cientficos. Configuram-se artigos cientficos: Abrapia, Fante, Neto, Nogueira, Schater e Sisto. J os artigos no cientficos so: Alves, Ballone, Bencini, Cavalcante, Dines, Ferrari e Silva. Destaca-se que o presente trabalho est dividido em sete captulos, no qual se acredita respondido o problema de pesquisa e os objetivos alcanados.

11

2 O FENMENO BULLYING E SUA ETIOLOGIA

Sofrer com apelidos criados pelos colegas de sala de aula, ter que se defender diante de uma mentira inventada por algum colega, ou ainda se defender diante de uma agresso sofrida so situaes que se tornam cada vez mais presentes no cotidiano escolar de crianas e adolescentes. Pesquisas mostram que essas atitudes eram consideradas brincadeiras entre estudantes, e percebidas como irrelevantes pela maioria dos educadores e pais, porm, atualmente, constata-se que essas brincadeiras causam um enorme prejuzo vtima dessa situao. De forma que, atualmente este fenmeno est sendo encarado de maneira mais sria pelos especialistas em questo, que denominaram este tipo de comportamento como sendo: Bullying.Estudos indicam que as simples brincadeirinhas de mau-gosto de antigamente, hoje denominadas bullying, podem revelar-se em uma ao muito sria. Causam desde simples problemas de aprendizagem at srios transtornos de comportamento responsveis por ndices de suicdios e homicdios entre estudantes (SILVA, 2006, p. 02).

De acordo com Fante (2005), bullying uma palavra de origem inglesa, utilizada em diversos Pases para conceituar o desejo consciente e deliberado de maltratar outro indivduo e pression-lo. Segundo Cavalcante (2004), bullying um termo oriundo da palavra inglesa bully; a qual se refere aos termos de valento e brigo. J como verbo, tem o significado de ameaar, amedrontar, tiranizar, oprimir, intimidar e maltratar. Ainda conforme Fante (2005), h muitos estudos sobre a fenomenologia do bullying nos ltimos anos. No entanto, h algumas dificuldades encontradas pelos estudiosos, e entre estas dificuldades est: encontrar termos correspondentes ao bullying em diversos idiomas, nos mais variados Pases. Em alguns Pases, h outros termos que conceituam estas formas de comportamento. Mobbing um deles, utilizado na Noruega e na Dinamarca; j Mobbning o termo utilizado na Sucia e na Finlndia. Estas terminologias so usadas com significados e conotaes diferenciadas. A raiz inglesa mob; faz referncia a um grupo annimo de indivduos que geralmente pratica o assdio. No entanto, quando uma pessoa atormenta, hostiliza ou molesta outrem, o termo utilizado para caracterizar esta atitude o mobbing. Mesmo no sendo uma

12

denominao adequada no que se refere lingstica, mobbing usado para caracterizar uma situao na qual um sujeito, sozinho ou em grupo, ridiculariza um outro sujeito. Na Frana o conceito utilizado Narclement Quotidin, na Itlia utiliza-se Prepotenza ou Bullismo, no Japo denomina-se yjime, j na Alemanha conhecido como Agressionen unter Shlern, na Espanha, como Acoso y Amenaza entre Escolares; e em Portugal, Maus tratos entre Pares (FANTE, 2006).

Segundo Fante (2006, p. 46), pesquisadores de todo o mundo atentam para esse fenmeno, apontado aspectos preocupantes quanto ao seu crescimento e, principalmente, por atingir os primeiros anos de escolarizao . Nos Estados Unidos, o bullying, atualmente, assunto de grande interesse, pois, nesse pas o fenmeno aumenta a cada dia entre seus estudantes. Os ndices de incidncia so to altos que os estudiosos americanos o classificam como um conflito mundial e prevem que se essa tendncia continuar a aumentar, ser grande o percentual de jovens que se tornaro adultos delinqentes e abusadores. Conforme Fante (2006), em comparao, no Brasil, o bullying ainda no muito conhecido, sendo pouco comentado e pesquisado, razo pela qual existem poucos estudos nos quais se possa ter uma viso geral sobre o tema para que se consiga compar-lo aos demais Pases. O que se sabe que em comparao com a Europa, no que se refere s pesquisas e tratamento desse comportamento, o Brasil est com pelo menos quinze anos de atraso. De acordo com Cavalcante (2004) a primeira pessoa a relacionar a palavra ao bullying foi o professor Dan Olweus, da Universidade da Noruega. Ao estudar sobre as tendncias suicidas entre jovens, Olweus concluiu que a maior parte destes adolescentes tinha sofrido algum tipo de ameaa e, sendo assim, bullying era um mal a ser combatido. Como um assunto considerado novo, ou seja, estudado h pouco tempo, pois, as primeiras pesquisas so da dcada de 90, cada Pas deve encontrar uma palavra em seu prprio vocbulo que se refira a este conceito, tendo o mesmo significado. De acordo com Fante (2005), o Brasil adotou o termo que utilizado na maioria dos pases: Bullying.

13 O fenmeno bullying caracterizado como sendo um subconjunto de atos agressivos, repetitivos, nos quais evidenciam um desequilbrio de poder, incapacidade de defesa da vtima, seja essa por variados fatores, tais como: menor estatura ou fora fsica, por estar em minoria, por ser pouco habilidoso em se defender, pela falta de assertividade e pouca flexibilidade psicolgica perante o autor ou autores do ataque. Os critrios acima citados muitas vezes no so aceitos universalmente, mas ainda assim no deixam de ser empregados em muitas ocasies. Alguns estudiosos consideram ser necessrios no mnimo trs ataques contra a mesma pessoa ao longo do ano para que este seja caracterizado como bullying (FANTE, 2005, p. 28).

Ainda de acordo com Pereira (2002), bullying caracterizado por uma srie de comportamentos agressivos de intimidao e que apresentam vrias caractersticas comuns, entre as quais se identificam vrias estratgias de intimidao do outro e que resultam em atos violentos desempenhado por um indivduo ou por pequenos grupos de modo regular e freqente. Sendo assim, segundo a ABRAPIA (Associao Brasileira

Multiprofissional de Proteo Infncia e a Adolescncia), o bullying constitudo de todas as formas de atitudes, intencionais e repetidas, que acontecem sem um motivo claro, realizados por um ou mais estudantes contra outro(s), provocando dor, angstia, e executadas atravs de uma relao desigual de poder. A ABRAPIA ainda ressalta (s/d) que os comportamentos caracterizados como bullying so: colocar apelidos, ofender, fazer gozaes, encarnar, fazer humilhaes, causar sofrimento, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, fazer perseguies, assediar, aterrorizar, tiranizar, dominar, agredir, bater, dar chutes, dar empurres, causar ferimentos, roubar, e ainda quebrar pertences.

14

3 MANEIRAS DE PRATICAR O BULLYING E SEUS PROTAGONISTAS

Segundo Neto (2005) bullying pode ser classificado de duas maneiras: indireta e direta. O bullying direto caracteriza-se pelo ataque as vtimas diretamente, sendo utilizados neste ataque as seguintes atitudes: colocar apelidos, agresses fsicas, fazer ameaas, roubar, ofensas verbais ou expresses e gestos que provoquem mal estar s vtimas. Este tipo de bullying mais freqente entre os meninos, pois, a porcentagem quatro vezes maior entre eles. J o bullying indireto caracterizado pela ausncia da vtima em questo, dessa maneira os comportamentos utilizados so: atitudes de indiferena, isolamento, excluso, difamao e negao de desejos, sendo este mais praticado entre as meninas. Como se pode perceber h diferenas quanto ao modo de praticar bullying entre os meninos e as meninas, isso se deve ao fato de que se espera que as meninas sejam dceis, boazinhas e passivas, e para expressar seus sentimentos elas utilizam meios mais discretos, mas no menos prejudiciais.[...] Para se esquivarem da desaprovao social, as meninas se escondem sob uma fachada de doura para se magoarem mutuamente em segredo. Elas passam olhares dissimulados e bilhetes, manipulam silenciosamente o tempo todo, encurralam-se nos corredores, do as costas, cochicham e sorriem. Esses atos, cuja inteno evitar serem desmascaradas e punidas, so epidmicos em ambientes de classe mdia, em que as regras de feminilidade so mais rgidas (SIMMONS, 2004, p. 33).

De acordo com Neto (2005), as crianas e adolescentes podem se envolver de trs maneiras com o bullying conforme o modo de agir perante a situao. Sendo assim, elas podem assumir os seguintes papis: vtimas, agressores ou testemunhas. J a ABRAPIA (s/d), prope uma classificao um pouco diferenciada em denominar os alunos envolvidos com o bullying, esta diferenciao ocorre com a inteno de no rotular os estudantes, tentando assim, impedir que eles sejam estigmatizados pela comunidade escolar. Sendo assim, a classificao feita da seguinte maneira:

15

Alvos de bullying (vtimas): constituem esse grupo os alunos que s sofrem bullying; Alvos / Autores de bullying (agressores/vtimas): constitudo de alunos que tanto sofrem como tambm praticam o bullying; Autores de bullying (agressores): constitudo de alunos que apenas praticam o bullying; Testemunhas de bullying: constitudo pelos alunos que apenas observam e convivem com a situao.

Alm dessas classificaes, Fante (2005), ainda descreve outras classificaes utilizadas por especialistas do tema, so elas: Vtima tpica: aquele aluno que serve de bode expiatrio determinado grupo; Vtima provocadora: aquele aluno que provoca e atrai reaes agressivas contra as quais no possui habilidades para lidar com eficincia; Vtima agressora: aquele aluno que reproduz os maus-tratos sofridos por ele em outro aluno; Agressor: aquele aluno que pratica o bullying com os demais, ou seja, ele agride os demais; Espectador: aquele aluno que no pratica e nem sofre com o bullying, mas o presencia em seu ambiente escolar.

para um

De acordo com a ABRAPIA (s/d) seja qual for o papel desempenhado pelo aluno, algumas caractersticas podem se ressaltar como principais em cada papel a ser exercido por eles. Estas caractersticas so: Os autores: so geralmente, os estudantes que possuem pouca empatia, freqentemente, pertencem a famlias no-estruturadas, na qual so poucos os relacionamentos afetivos entre seus familiares.

Segundo Neto (2005), estes alunos tem pouca superviso por parte de seus pais, e muitas vezes, eles ainda favorecem o desenvolvimento da

16

agressividade entre seus filhos, por meio da permissividade, da prtica de maustratos fsicos ou exploses emocionais como meio de afirmao de poder. Conforme a ABRAPIA (s/d), os estudantes que praticam o bullying possuem uma tendncia de se tornarem adultos com uma conduta anti-social e/ou violenta, podendo adotar atitudes delinqentes ou criminosas. Para Neto (2005), os fatores individuais tambm podem influenciar na adoo de atitudes agressivas, tais como: hiperatividade, impulsividade, distrbios comportamentais, dificuldade de ateno, dficit de inteligncia e baixo rendimento escolar.O autor de bullying tipicamente popular; tende a envolver-se em uma variedade de comportamentos anti-sociais; pode mostrar-se agressivo inclusive com os adultos; impulsivo; v sua agressividade como qualidade; tm opinies positivas sobre si mesmo; geralmente mais forte que seu alvo; sente prazer e satisfao em dominar, controlar e causar danos e sofrimentos a outros. Alm disso, pode existir um componente benfico em sua conduta, como ganhos sociais e materiais. So menos satisfeitos com a escola e famlia, mais propensos ao absentesmo e evaso escolar e tm uma tendncia maior para apresentarem comportamentos de risco (consumir tabaco, lcool ou outras drogas, portar armas, brigar, etc.). As possibilidades so maiores em crianas ou adolescentes que adotam atitudes anti-sociais antes da puberdade e por longo tempo (NETO, 2005, p. 67).

No h dvidas de que muitos fatores contribuem para que este tipo de comportamento seja praticado. Sendo assim, no basta apenas punir os agressores/autores, necessrio que se tenha conhecimento do ambiente familiar em que est inserido, qual o papel desempenhado nesse ambiente, quais so suas dificuldades, e de que maneira tratado por seus familiares; pois estes fatores aliados a um ambiente escolar propcio para a violncia, contribuiro cada vez mais para que este aluno se torne muito mais agressivo com seus colegas e at com seus professores. Os alvos: so estudantes ou grupo de estudantes que so prejudicados ou sofrem as conseqncias das atitudes de outrem e que no possuem recursos, status, ou ainda no conseguem reagir ou para fazer parar as atitudes danosas contra si. So habitualmente, pouco sociveis. Possuem sentimentos de insegurana que no os deixa pedir ajuda. So indivduos sem esperana no que se refere s possibilidades de se encaixarem ao grupo. Sua baixa auto-estima prejudicada ainda mais por meio de crticas ou pela indiferena dos adultos em relao ao seu sofrimento. Devido a sua

17

baixa auto-estima, estes estudantes passam a acreditar que so merecedores deste tipo de maus tratos. Eles ainda tm poucos amigos, so pessoas

passivas, quietas, no reagem de maneira efetiva aos atos agressivos que sofrem (ABRAPIA, s/d).

grande o nmero de estudantes / alvos que passam a obter um baixo rendimento escolar, que resistem ou se recusam a ir para o colgio, chegando a inventar doenas. Muitos chegam a trocar de escola com freqncia, quando no a abandonam de vez. Segundo Neto (2005, p. 67), algumas caractersticas fsicas,

comportamentais ou emocionais podem torn-lo mais vulnervel s aes dos outros e dificultar a sua aceitao pelo grupo [...] . Estas caractersticas podem ser fsicas: ser mais alto que o resto da turma, mais baixo, acima do peso, ser muito magro, usar culos; ter uma pele muito branca, etc. J as caractersticas comportamentais: ser tmido, retrado, ter um excelente desempenho escolar (tirar boas notas), ao tentar se expressar no conseguir sem gaguejar, etc. Caractersticas emocionais: chorar facilmente, ter baixa auto-estima, ser inseguro entre outros.Embora no haja estudos precisos sobre mtodos educativos familiares que incitem ao desenvolvimento de alvos de bullying, alguns deles so identificados como facilitadores: proteo excessiva, gerando dificuldades para enfrentar os desafios e para se defender; tratamento infantilizado, causando desenvolvimento psquico e emocional aqum do aceito pelo grupo; e o papel de bode expiatrio da famlia, sofrendo crticas sistemticas e sendo responsabilizado pelas frustraes dos pais (NETO, 2005, p. 67).

Alvos/Autores de bullying: conforme Neto (2005), uma parte dos alunos que sofrem de bullying tambm o praticam, sendo assim so chamados de alvos/ autores.[...] a combinao de baixa auto-estima e atitudes agressivas e provocativas indicativa de uma criana ou adolescente que tm, como razo para a prtica de bullying, provveis alteraes psicolgicas, devendo merecer ateno especial [...] (NETO, 2005 p. 68).

18

Ainda de acordo com Neto (2005), a tendncia desse aluno ser depressivo, inseguro e inoportuno, eles buscam humilhar seus colegas com a finalidade de encobrir suas limitaes. Segundo Neto (2005), so diferenciados dos alvos tpicos por no serem populares e pelo alto ndice de rejeio por parte de seus colegas, e muitas vezes pela turma inteira. Estes indivduos podem ter sintomas depressivos, pensamentos suicidas e distrbios psiquitricos.

Testemunhas: so alunos que no se envolvem diretamente com o bullying, ou seja, eles no praticam, nem sofrem suas conseqncias, pelo menos no diretamente, porm, convivem com o ambiente de insegurana e medo, onde o bullying se faz presente. Estes alunos no ajudam os alvos e nem denunciam os autores com medo de represlias, e com o medo de que este tipo de atitude possa a vir acontecer consigo. O fato de no ajudar uma vtima ou denunciar o autor, no significa dizer que eles concordam com este tipo de atitude, pois a maioria reprova, o que ocorre o medo de se tornar prxima vtima de seus colegas. Pode-se afirmar isso de acordo com a ABRAPIA (s/d), as testemunhas so compostas pela maioria dos estudantes, que convivem com a violncia e se calam em virtude do medo de virem a ser as prximas vtimas. Ressalta-se ainda esta afirmao com Neto (2005, p. 67), a maioria dos alunos no se envolve diretamente em atos de bullying, e geralmente se cala por medo de ser a prxima vtima , por no saberem como agir e por descreverem as atitudes na escola . De acordo com Neto (2005), no h possibilidades para se prever em qual papel o aluno ir se encaixar; ou seja, se ele ser agressor, vtima ou testemunha, j que este papel poder sofrer mudanas de acordo com o meio em que este estudante estar inserido.

19

4 AS CAUSAS DA PRTICA DO BULLYING E SUAS CONSEQUNCIAS NA FORMAO E PERSONALIDADE DOS EDUCANDOS

De acordo com o Estatuto da Criana e do Adolescente (ECA), Cap. II, art. 15, a criana e o adolescente tm direito liberdade, ao respeito e a dignidade como pessoas humanas e sociais, garantido na Constituio e nas leis. O Estatuto foi criado em 1990 para garantir os direitos e deveres de crianas e adolescentes. Porm, nem todos os direitos esto sendo assegurados, e crianas e adolescentes padecem sendo vtimas de todos os tipos de agresses, e, uma delas foi denominada como bullying. So muitos os motivos que levam uma criana ou adolescente a praticar este ato violento contra seu semelhante. Pode-se dizer, ento, que os agressores tambm so vtimas de um sistema maior que no os possibilita viver com dignidade. Algumas pesquisas apontam que os autores de bullying vm de famlias pouco estruturadas, com pobre relacionamento afetivo entre seus membros, so pouco supervisionados pelos seus pais e vivem em ambientes onde o modo de resolver problemas baseado no uso de comportamentos agressivos ou explosivos (BALLONE, 2005). Os autores de bullying pertencem a famlias desestruturadas, onde existe pouco relacionamento afetivo entre seus integrantes. Seus pais exercem pouca superviso sobre eles, tolerando e oferecendo como meio para resolver os conflitos, o comportamento agressivo ou explosivo (ABRAPIA, s/d).Algumas condies familiares adversas parecem favorecer o desenvolvimento da agressividade nas crianas. Pode-se identificar a desestruturao familiar, o relacionamento afetivo pobre, o excesso de tolerncia ou permissividade e a prtica de maus-tratos fsicos ou exploses emocionais como forma de afirmao dos pais (NETO, 2005, p. 67).

Conforme especialistas as causas desta prtica so muitas e variadas, dentre elas, esto a carncia afetiva, a ausncia de limites e a maneira de afirmao de poder e de autoridade dos pais sobre os filhos, atravs de prticas educativas que incluem maus-tratos fsicos e exploses emocionais violentas (FANTE s/d).

20

De acordo com Neto (2005), caractersticas individuais tambm influenciam na prtica de comportamentos agressivos, tais como, hiperatividade, impulsividade, distrbios comportamentais, dificuldades de ateno, baixos ndices inteligncia e desempenho escolar deficiente. Experienciar o bullying como vtima ou como agressor tm conseqncias negativas imediatas com reflexo no decorrer da vida. As implicaes a curto, mdio e em longo prazo da agresso / vitimizao no permitem que se continue a enfrentar o problema das crianas agressivas ou das vtimas como um treino para a vida (PEREIRA, 2002). Ainda segundo Pereira (2002), as vtimas experienciam com maior freqncia a pouca aceitao, rejeio ativa e so menos escolhidas como melhores amigos, e apresentam fracas habilidades sociais, tais como, cooperao, partilha e capacidade de ajudar aos outros. De acordo com Neto (2005), vtimas, agressores e testemunhas enfrentam conseqncias fsicas e emocionais de curto e longo prazo, as quais podem gerar dificuldades acadmicas, sociais, emocionais e legais. Logicamente, as crianas e adolescentes no so atacadas de forma uniforme, mas h uma relao direta entre freqncia, durao e severidade dos atos de bullying.

[...] O carter persistente do bullying tem aspectos marcadamente negativos para as vtimas que so diretamente atormentadas no seu dia-adia e afetadas no seu rendimento escolar, mas igualmente pelos efeitos a longo prazo que lhe esto associados, tais como a depresso na vida adulta [...] (PEREIRA, 2002, p. 20).

Segundo Fante (2005), as conseqncias desse tipo de agresso afeta todos os envolvidos e em todos os nveis, porm a vtima particularmente afetada, de modo que esta pode continuar a sofrer seus resultados negativos, muito alm do perodo escolar. Podendo inclusive trazer prejuzos em suas relaes de trabalho, em sua futura constituio familiar e criao de seus filhos, alm disso, pode ainda prejudicar sua sade fsica e/ou mental. Conforme Neto (2005), pessoas que sofrem bullying quando crianas tm maior tendncia a sofrerem depresso e baixa auto-estima quando adultos. Do mesmo modo, quanto mais jovem for a criana freqentemente agressiva, maior ser o risco de apresentar problemas relacionados a comportamentos anti-sociais

21

em adultos e perda de oportunidades, como a instabilidade no trabalho e relacionamentos afetivos pouco duradouros. De acordo com Fante (s/d), as implicaes para as vtimas desse ato so graves e abrangentes, produzindo no mbito escolar o desinteresse pela escola, o dficit de concentrao e aprendizagem, o baixo rendimento escolar, as faltas s aulas, e a evaso escolar. No que se refere sade fsica e emocional, a baixa resistncia imunolgica e na auto-estima, o estresse, os sintomas psicossomticos, transtornos psicolgicos, a depresso e o suicdio. Muitas crianas que sofreram com o bullying desenvolveram medo, pnico, depresso, distrbios psicossomticos e geralmente evitam voltar escola. A fobia escolar usualmente tem como causa alguma forma dessa violncia. Outras crianas que sofrem bullying dependendo das caractersticas de sua personalidade e de seu relacionamento com o meio onde vivem, particularmente entre suas famlias, podero no superar completamente os traumas sofridos no ambiente escolar. Elas tendem a crescer com sentimentos negativos e com baixa auto-estima, apresentando graves problemas de relacionamento no futuro. Podero tambm assumir um comportamento agressivo, vindo a praticar o bullying no ambiente scioocupacional adulto e em casos extremos, podero tentar ou cometer suicdio (BALLONE, 2005). No que se refere aos praticantes de bullying (agressores), estes tambm sofrem com conseqncias advindas desse tipo de agresso. De acordo com a ABRAPIA (s/d), os praticantes de bullying podero ter na vida adulta o mesmo comportamento anti-social, adotando atitudes agressivas no ambiente familiar (violncia domstica) ou no ambiente de trabalho. Pesquisas realizadas em vrios pases j apontaram para a probabilidade de que os autores de bullying na poca da escola venham a se envolver, mais tarde, em condutas de delinqncia ou criminosas. De acordo com Pereira (2002), os agressores podem ter suas vidas destrudas, acreditar que a fora a soluo para resolver seus problemas, dificuldades em respeitar a lei, e os problemas que da advm entendendo as dificuldades na insero social, incapacidade e/ou dificuldade de autocontrole e atitudes anti-sociais. Os agressores podero sofrer com o distanciamento e a falta de adaptao aos objetivos escolares, a supervalorizao da violncia com um meio

22

para obter poder, o desenvolvimento de capacidades para futuros atos delituosos, caminho que pode lev-lo ao mundo do crime, alm da projeo desses comportamentos violentos na vida adulta, tornando-se um indivduo de difcil convivncia nas mais variadas reas da vida: pessoal, profissional e social (FANTE, 2005). De acordo com Ballone (2005), h fortes indcios de que as crianas ou adolescentes que praticam o bullying tenham grande tendncia de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais, psicopticos, e/ou violentos, tornando-se inclusive delinqentes ou criminosos.O agressor (de ambos os sexos) envolvido no fenmeno bullying estar propenso a adotar comportamentos delinqentes, tais como: agresso a grupos delinqentes, agresso sem motivo aparente, uso de drogas, porte ilegal de armas, furtos, indiferena realidade de que o cerca, crena de que deve levar vantagem em tudo, crena de que impondo-se com violncia que conseguir obter tudo o que quer na vida... afinal foi assim nos anos escolares (FANTE, 2005, p. 81).

Neto (2005) pontua que as crianas e adolescentes que sofrem e/ou praticam bullying podem vir a precisar de mltiplos servios, tais como, sade mental, justia da infncia e da adolescncia, educao especial e programas sociais. No que se refere s testemunhas, elas tambm so afetadas, pois convivem num ambiente de tenso, tornando-se inseguras e temerosas de que possam ser a prxima vtima (ABRAPIA, s/d). Segundo Neto (2005, p. 68), o simples testemunho de atos de bullying j suficiente para causar descontentamento com a escola e comprometimento do desenvolvimento acadmico e social . Est garantido no ECA o direito a educao: Art. 58 - No processo educacional respeitar-se-o os valores culturais, artsticos e histricos prprios do contexto social da criana e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade de criao e o acesso s fontes de cultura. Conforme o Estatuto da Criana e do Adolescente (1991), Cap. II, Art. 17 o direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade fsica, psquica e moral da criana e do adolescente, abrangendo a preservao da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idias, crenas, dos espaos e objetos pessoais.

23

De acordo com Fante (2005), os demais estudantes, na sua grande maioria, mesmo no estando envolvidos diretamente com o bullying, acabam sofrendo suas conseqncias, uma vez que o direito que tinham a uma escola segura, solidria e saudvel, foi se esvaindo a medida em que estes atos de violncia foram destruindo as suas relaes interpessoais, gerando prejuzos ao seu desenvolvimento socioeducacional. No Art. 18 do Cap. III, do Estatuto da Criana e do Adolescente est assegurado o seguinte direito: dever de todos velar pela dignidade da criana e do adolescente, pondo-a a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatrio ou constrangedor.

A reduo dos fatores de risco pode prevenir o comportamento agressivo entre crianas e adolescentes. Os esforos devem ser direcionados para a diminuio da exposio violncia no ambiente escolar, domstico e comunitrio, alm daquela divulgada na mdia (NETO, 2005, p. 66).

Numa escola em que a premissa bsica o respeito, cooperao, amor, harmonia, responsabilidade e no-violncia entre alunos, professores e demais funcionrios, no ser palco para o desenvolvimento de prticas violentas como o Bullying.

24

5

O

FENMENO

BULLYING

NAS

ESCOLAS

BRASILEIRAS

E

SUAS

MANIFESTAES

De acordo com Marclio (2005), a educao no Brasil iniciou com os jesutas. O ensino era considerado razovel, mas para poucos. Quando houve a expulso da misso religiosa em 1749, foi criado o ensino das primeiras letras, em que as crianas aprendiam a ler, a escrever e a contar, alm de aprender um pouco sobre a doutrina crist. O professor dava aula na sua prpria casa, em um corredor ou em um quarto. Segundo Bencini (2005, p. 45), nossa primeira escola foi fundada pelos jesutas em 1542, na Bahia. O objetivo era propagar a f e salvar a alma daqueles que no temiam a Deus, como os ndios. [...] , porm estes objetivos se modificaram ao longo do tempo. O conceito de escola que se conhece hoje seria: instituio de ensino ou uma corrente de pensamento com caractersticas cristalizadas e relativamente padronizadas que formam certas reas do conhecimento e da produo humana, como por exemplo, a escola parnasiana e romntica na literatura. A finalidade da educao no promover a aquisio de notas e diplomas, a conquista de timos empregos e o ganho de dinheiro, mas sim formar indivduos de carter, ticos e felizes (MESQUITA, 2003). A educao compreendida como uma forma de prover o pleno desenvolvimento da pessoa e seu preparo para o exerccio da cidadania (NETO, 2005). De acordo com Silva (2006, p. 12) [...] a instituio escolar, assim como os outros setores da sociedade, tambm esto passando por profundas alteraes, tanto no ensino/aprendizagem quanto na esfera relacional dos seus diferentes agentes. [...] . Conforme Polato (2007), atualmente vivemos num perodo de crise da educao, onde o papel da escola no est mais claro. Sua finalidade j no somente ensinar contedos educacionais tradicionais. O espao escolar vai, alm disso, tornando-se um espao de interao entre seus participantes, um lugar onde as crianas e adolescentes aprendem a se relacionar, adquirem valores e crenas, desenvolvem senso crtico, auto-estima e segurana.

25

Esta crise na educao reflexo de muitos fatores, dentre eles: a desestruturao familiar, o desemprego, problemas sociais, o trfico de drogas, roubos, tiroteios, ms-condies de moradia, etc. Segundo Ruotti (2007 apud POLATO, 2007), a violncia tem muitas causas e existe tanto na escola pblica quanto na privada. Na pblica existe precarizao de recursos fsicos e humanos e na privada a educao tem se transformado at se mercantilizado, ou seja, no mais a autoridade pelo conhecimento, mas sim pelo que eu adquiro e vendo. Ruotti (2007 apud POLATO, 2007), ainda alerta que o desrespeito entre os alunos ou entre alunos e professores um fator muito grave. Sendo que, muitas vezes, esses casos so considerados normais ou nem so reconhecidos. Na sociedade em que se vive a violncia nas escolas constitui um problema social grave e complexo, sendo provavelmente a maneira mais freqente e perceptvel da violncia juvenil (NETO, 2005). Pesquisas realizadas por Codo (1999 apud SISTO, 2005, p. 118), as situaes mais freqentes relatadas por professores foram depredaes, furtos ou roubos em relao escola, agresses fsicas entre alunos e agresses de alunos contra professores . Segundo Abramovay (2006 apud FERRARI, 2006, p. 31):No por acaso que depredaes, arrombamentos e furtos atendem pela maior parte das atitudes de violncia na escola. Os alunos no vem sentido na instituio escolar e, ao contrrio de perceber este local como sendo de todos, o consideram como de ningum [...].

Conforme Neto (2005), a escola de suma importncia para crianas e adolescentes, os que no gostam dela tm maior chance de apresentar um fraco desempenho, alm de comprometimentos fsicos e emocionais sua sade ou sentimentos de insatisfao em relao a sua vida. Os relacionamentos interpessoais positivos e o estabelecimento acadmico determinam uma relao direta, na qual os estudantes que percebem este apoio tero maiores possibilidades de alcanar um excelente aprendizado. Sendo assim, a aceitao entre colegas primordial para o desenvolvimento da sade entre crianas e adolescentes, aperfeioando suas habilidades sociais e fortalecendo a capacidade de reao perante situaes de tenso.

26

Segundo Nogueira (2005), a violncia no ambiente escolar no Brasil e no mundo deriva tanto da situao de violncia social que atinge os estabelecimentos (violncia na escola), como pode apresentar modalidades de ao que se originam no ambiente pedaggico, neste caso a violncia da escola. Portanto, a violncia da escola e a violncia na escola abarcam uma srie heterognea e complexa de fenmenos, dentre eles o bullying escolar. Ainda sobre esta evidncia Neto (2005, p.66), aponta:Fatores econmicos, sociais e culturais, aspectos inatos de temperamento e influncias familiares, de amigos, nas escolas e da comunidade, constituem riscos para a manifestao do bullying e causam impacto na sade e desenvolvimento de crianas e adolescentes.

De acordo com a ABRAPIA (s/d), o bullying um problema que atinge o mundo todo, sendo encontrado em toda e qualquer escola, e no se restringindo a nenhum tipo de instituio, seja ela primria, secundria, pblica ou particular, rural ou urbana. Pode-se dizer que as escolas que no admitem a ocorrncia de bullying entre seus estudantes ou no tm conhecimento sobre o assunto, ou se negam a enfrent-lo, levando crianas e adolescentes a muitas vezes no falarem sobre o que est ocorrendo consigo e a achar que eles so culpados por sofrerem tais agresses. Ainda segundo Nogueira (2005), este um problema que atinge escolas, comunidades e a sociedade em geral. H violncia moral, intimidao ou bullying nas escolas do mundo todo. Conforme Neto (2005, p. 66), o bullying mais prevalente entre alunos com idades entre 11 e 13 anos, sendo menos freqente na educao infantil e no Ensino Mdio . Ao contrrio da constatao de Neto, Schafer (2005), argumenta que os agressores podem ser reconhecidos cedo, j na educao primria. Mesmo tendo pouca idade, as crianas so capazes de organizar um cerco contra determinadas crianas. Elas parecem estar sempre em busca de uma nova vtima. Segundo Cavalcante (2004), uma pesquisa realizada em onze escolas da cidade do Rio de Janeiro pela ABRAPIA mostrou que 60,2% dos casos acontecem em sala de aula.

27

De acordo com Fante (2005, p. 47): comum entre os alunos de uma classe a existncia de diversos tipos de conflitos e tenses. H ainda inmeras outras interaes agressivas, s vezes como diverso ou como forma de auto-afirmao e para se comprovarem as relaes de fora que os alunos estabelecem entre si. Caso exista na classe um agressor em potencial ou vrios deles, seu comportamento agressivo influenciar nas atividades dos alunos, promovendo interaes speras, veementes e violentas.

Como o bullying no somente qualificado como agresso fsica, sendo tambm muitas vezes caracterizado pelas agresses verbais, essa prtica se destaca em sala de aula, atravs de xingamentos e apelidos, e como culturalmente essa forma de agresso no vista como prejudicial ao indivduo, esses atos ocorrem a toda hora, em qualquer sala de aula de qualquer escola como se fosse algo natural e sem importncia, ento, no necessita ser combatido. De acordo com Neto (2005, p. 66), A aparente aceitao dos adultos e a conseqente sensao de impunidade favorecem a perpetuao do comportamento agressivo . Cavalcante (2004) aponta que existem diferenas entre meninos e meninas no que diz respeito prtica do bullying, isso devido aos papis sociais e culturais no qual estes esto inseridos. Entre os meninos mais perceptvel prtica por meio de seus atos agressivos que podem ser: chutar, gritar, empurrar, bater. J entre as meninas a prtica se caracteriza atravs de fofoquinhas , boatos, olhares, sussurros e excluso.Entre os agressores, observa-se um predomnio do sexo masculino, enquanto que, no papel de vtima, no h diferenas entre os gneros. O fato de os meninos envolverem-se em atos de bullying mais comumente no indica necessariamente que sejam mais agressivos, mas sim que tm maior probabilidade de adotar esse tipo de comportamento. J a dificuldade em identificar-se o bullying entre as meninas pode estar relacionado ao uso de formas mais sutis (NETO, 2005, p. 66).

Ainda de acordo com a pesquisa realizada pela ABRAPIA, no que se refere classe social dos estudantes, das onze escolas pesquisadas, nove eram pblicas e apenas duas particulares. O estudo mostrou que no houve diferenas a respeito da incidncia de bullying. O que se observou foi o modo com que ele praticado, e que varia de uma escola para outra.

28

Nas escolas privadas, so valorizados os bens-materiais do indivduo como: carro, tnis importado entre outros. Nessas escolas, no ter algum tipo desses bens pode causar perseguies e excluses. J nas escolas pblicas, o principal motivo a violncia vivenciada todos os dias pela comunidade. Sejam meninos ou meninas, crianas ou jovens, de escolas particulares ou pblicas, necessrio evitar o sofrimento dos alunos. A pesquisa ainda revela que 41,6% das vtimas em nenhum momento buscaram ajuda ou comentou sobre o problema, nem mesmo com outros alunos. Muitas vezes, quando o aluno resolve conversar, no recebe a devida ateno, pois a instituio educacional no considera o problema grave, deixando o aluno sem apoio, e a queixa passa sem ajuda alguma. Alm disso, muitas vezes os profissionais da educao desconhecem o tema, ou ainda fazem que no percebem a situao, pois ignoram as formas de ajudar os alunos envolvidos. Para Silva (2006), os educadores no conseguem detectar os problemas, e, muitas vezes, tambm demonstram desgaste emocional originado do seu dia-adia sobrecarregados de trabalhos e conflitos em seu ambiente de trabalho. Em razo disso, muitas vezes, alguns educadores contribuem com o agravamento do problema, atravs da rotulao com apelidos pejorativos ou reagindo de forma agressiva ao comportamento indisciplinado de alguns colegas. Ainda de acordo com Neto (2005, p. 68), a negao ou indiferena da direo e professores, pode gerar desestmulo e a sensao de que no h preocupao pela segurana dos alunos . De acordo com Neto (apud CAVALCANTE, 2005), a escola no deve ser somente um lugar de ensino formal, mas tambm deve exercer um papel na formao cidad, de direitos e deveres, amizade, cooperao e solidariedade. Agir contra o bullying uma maneira barata e eficaz de diminuir a violncia entre alunos e na sociedade em geral. Porm, a realidade demonstra outro panorama, agresses so freqentes no ambiente escolar, atualmente no raro se deparar, atravs dos meios de comunicao com notcias de agresso entre estudantes e at entre a equipe de profissionais que trabalham em escolas. Segundo Fante (2005), em Janeiro do ano de 2003, na cidade de Taiva localizada no interior do Estado de So Paulo, um adolescente de 18 anos de idade

29

entrou na escola que havia estudado, e feriu oito pessoas, entre elas, seis alunos, um funcionrio e a vice-diretora, logo aps o ocorrido, ele suicidou-se. E. F. de 18 anos de idade era um jovem normal, Ensino Mdio completo, bom aluno, calmo, reservado e educado. No fumava, bebia ou consumia drogas. Nasceu e cresceu em Taiva. O pai, lavrador, tudo fazia pelo filho nico, obeso, que odiava o apelido ''gordo'', seguiu um regime e emagreceu 30 quilos. Segundo a diretora da escola, ''ficou muito bonito'' (DINES, 2003). Numa tarde de segunda-feira, E. F. invadiu a escola e, armado com um revlver 38, fez 15 disparos: feriu seis alunos - dois em estado grave -, uma professora e o caseiro. Depois se matou com um tiro na cabea. No bolso, outras 89 balas. Em casa, outro revolver, este calibre 22. Um ano aps o ocorrido na cidade de Taiva, em Fevereiro de 2004, na cidade de Remanso que fica localizada no Estado da Bahia, um adolescente de 17 anos matou a tiros um colega de escola que tinha 13 anos, a secretria do curso de informtica e feriu mais trs pessoas. Este garoto no conseguiu se suicidar, pois foi desarmado, mas a inteno do garoto era se suicidar (FANTE, 2005). De acordo com Alves (2005), na cidade de Remanso, na Bahia, D., um adolescente de 17 anos, tmido e introvertido, foi excludo do crculo de colegas da escola. Revoltado com os anos de humilhaes a que fora submetido, resolveu acabar com essa situao. Instigado por sentimentos de vingana foi escola, que estava fechada. Dirigiu-se ento casa do seu agressor principal. L chegando chamou-o pelo nome e o matou na porta da casa com um tiro na cabea. Dirigiu-se ento escola de informtica onde estava matriculado, a procura daqueles que lhe haviam tirado a alegria de viver. Atirou em funcionrios e alunos, atingindo fatalmente na cabea uma secretria. Quando tentava recarregar a arma foi imobilizado e detido. Alm desses casos ocorridos no Brasil, h tambm o caso mais recente ocorrido no dia 16 de Abril de 2007, em uma Universidade dos Estados Unidos Virginia Tech - onde o estudante coreano C. S.H. de 23 anos, atirou contra colegas e matou 32 deles. Aps o ataque o estudante se suicidou. Assim como os estudantes brasileiros C., era vtima de bullying, pois era excessivamente tmido, e tinha um jeito de falar estranho , sendo assim, era ridicularizado pelos seus colegas, motivo pelo qual o levou a praticar o massacre, contra eles.

30

Nos trs casos citados acima, os estudantes sofreram humilhaes, excluses, difamaes, etc., por parte de seus colegas, o que gerou um sentimento de revolta por parte deles, motivando - lhes a tais comportamentos. Diante destas tragdias, alguns educadores, psiclogos e outros profissionais, atentaram para o caso, e atualmente desempenham um projeto que tem como finalidade combater e prevenir a respeito de tal fenmeno bullying.

Especialistas e educadores de todo mundo, com o apoio de instituies pblicas e privadas, tm proposto s autoridades educacionais a criao de programas especiais de combate e preveno ao bullying nas escolas. Diversas pesquisas e programas de interveno antibullying vm se desenvolvendo na Europa e na Amrica do Norte, visando principalmente conscientizar toda a comunidade escolar sobre o fenmeno e sensibiliz-la sobre a importncia do apoio s vtimas, buscando encaminh-las para tratamentos clnicos, encoraj-los denncia, alm de fazer com que se sintam protegidas (FANTE, 2005, p. 82).

Ainda segundo Fante (2005), j no Brasil, o tema violncia tem sido destaque em todas as escolas, razo pela qual so muitos os projetos e programas que esto sendo desenvolvidos, com o objetivo de diminuir violncia escolar, sendo o foco especfico violncia explcita. No entanto, so insuficientes as informaes que se tem a respeito do desenvolvimento de programas educacionais que incluam o combate e a preveno do bullying em nossas escolas. So conhecidos apenas dois programas de combate ao bullying no Brasil, so eles: Programa de Reduo do Comportamento Agressivo entre Estudantes desenvolvido por

desenvolvido pela ABRAPIA, e o Programa Educar para a Paz

Cleo Fante, que uma educadora que pesquisa a questo da violncia nas escolas brasileiras, dedicando-se especificamente ao fenmeno bullying. O projeto desenvolvido pela ABRAPIA abrange 11 (onze) escolas que se localizam no Municpio do Rio de Janeiro e tem como finalidade sensibilizar educadores, famlias e sociedade para a existncia do fenmeno e suas conseqncias, procurando despert-los para o reconhecimento de que toda a criana e adolescente devem freqentar uma escola segura e solidria, formando cidados conscientes do respeito ao ser humano e as suas diferenas (ABRAPIA, s/d).

31

De acordo com a ABRAPIA (s/d apud FANTE 2005), a implantao de um programa de preveno e reduo do bullying deveria ter como base trs premissas para que se consiga alcanar seu objetivo, so elas: No h solues simples para a soluo do bullying, este fenmeno complexo e varivel; Cada escola desenvolveria suas prprias metas e estabeleceria suas prioridades no combate ao bullying; O nico meio de obteno do sucesso na diminuio da prtica do bullying a cooperao de todos os envolvidos: alunos, professores, gestores e pais.

Conforme Fante (2005), o programa Educar para a Paz , foi o pioneiro no Brasil, resultando na diminuio significativa do comportamento Bullying entre os estudantes, de uma escola pblica de So Jos do Rio Preto.

[...] Este programa composto de estratgias psicopedaggicas e socioeducacionais que visam interveno e preveno da violncia nas escolas, com enfoque especfico na reduo do fenmeno bullying entre os escolares [...] (FANTE, 2005, p.90).

De acordo com o site Diga no ao Bullying (2007), alm desses programas, a Assemblia Legislativa do Estado de So Paulo aprovou no dia 29 de Agosto, um projeto de Lei que obriga tanto as escolas pblicas quanto s privadas, a adotarem medidas de preveno ao combate do bullying. A lei contempla tambm, os educadores que muitas vezes, tambm so vtimas dessa forma de violncia. A lei prev que cada escola crie uma equipe multidisciplinar com a participao de professores, alunos, pais e voluntrios. A equipe promover atividades didticas, informativas e preventivas, alm de campanhas conscientizao. O programa prev ainda o encaminhamento das vtimas e dos agressores aos servios de assistncia mdica, social, psicolgica e jurdica proporcionados mediante a parcerias e convnios. As normas adotadas pela escola para o controle do bullying, se bem aplicadas e envolvendo toda a comunidade escolar, colaboraro positivamente para a construo de uma cultura de no violncia na sociedade (ABRAPIA s/d). de

32

De acordo com Fante (2005), para que se possam desenvolver programas de interveno e combate ao bullying em uma escola preciso que a comunidade escolar esteja consciente da existncia desse fenmeno e, sobretudo das conseqncias geradas a partir desse tipo de comportamento.

33

6 PROJETOS E PRTICAS PSICOPEDAGGICAS DO SUJEITO ACOMETIDO PELO BULLYING

Nos ltimos anos, o bullying vem sendo assunto de preocupao e interesse no meio educacional e social no mundo todo, razo pela qual, vrias pesquisas e publicaes encontram-se a disposio, alm de pginas na web, salas de bate-papos e linhas telefnicas para esclarecer dvidas e receber denncias (FANTE, 2005). Conforme Pereira (2002) so muitas as estratgias que podem ser utilizadas na reduo de problemas de agresso e vitimizao na escola e existem evidncias considerveis de que a interveno pode ser eficaz.Todos os programas antibullying devem ver as escolas como sistemas dinmicos e complexos, no podendo trat-las de maneira uniforme. Em cada uma delas, as estratgias a serem desenvolvidas devem considerar sempre as caractersticas sociais, econmicas e culturais de sua populao (NETO, 2005, p. 69).

Os projetos antibullying vem as escolas como sistemas dinmicos e complexos, possuidoras de suas prprias caractersticas, devendo-se respeitar as peculiaridades culturais e sociais de seus membros. Sendo assim, cada escola possui sua realidade e a partir dela que se devem construir estratgias e aes cotidianas e contnuas de combate ao bullying (FANTE, 2005). De acordo com Neto (2005), nas escolas em que os alunos tiveram participao ativa nas decises e organizao, percebeu-se a diminuio dos nveis de vandalismo e de problemas disciplinares e maior satisfao de estudantes e docentes com a escola.Os melhores resultados so obtidos por meio de intervenes precoces que envolviam pais, alunos e educadores. O dilogo, a criao de pactos de convivncia, o apoio, e o estabelecimento de elos de confiana e informao so instrumentos eficazes, no devendo ser admitidas, em hiptese alguma, aes violentas (NETO, 2005, p. 70).

34

Segundo Mesquita (2003), a conscincia da no-violncia relacionada ao ltimo estado da evoluo do ser humano, pois se expressa atravs do relacionamento compreensivo e harmonioso com tudo e com todos, dos amigos e parentes a todos os seres planetrios. Para se prevenir e/ou combater o fenmeno bullying necessrio conscientizar professores, pais, alunos e demais funcionrios a respeito deste tipo de agresso, o que , principais caractersticas, pessoas envolvidas, problemas gerados a partir desta agresso. Uma maneira de se fazer isso por meio de filmes, documentrios, teatro, cartazes, seminrios entre outras formas. Todas essas maneiras podem ser realizadas com a participao ativa de todos os membros da escola. A participao de professores, funcionrios, pais e alunos essencial para a implementao de projetos de reduo do bullying. O envolvimento de todos tem como objetivo estabelecer regras, diretrizes e aes coerentes. As atuaes devem priorizar a conscientizao de todos, o apoio s vtimas de bullying, fazendo com que se sintam protegidas, a conscientizao dos agressores a respeito de suas atitudes e a garantia de um ambiente escolar sadio e seguro para todos (Neto, 2005). Segundo Fante (2005), muitas iniciativas antibullying vm sendo desenvolvidas em muitas partes do mundo, e tem como objetivo a melhoria da competncia dos profissionais e da habilidade de interao social nas relaes interpessoais, alm da estimulao de comportamentos positivos, cooperativos e solidrios. Os valores humanos necessitam fazer parte do cotidiano da escola como aes atitudinais e no somente conceituais. No adiantar falar a respeito de noviolncia, se os prprios profissionais de educao utilizam atitudes agressivas, verbais ou no, contra seus alunos. Ou seja, procurar evitar o velho ditado faa o que eu digo, no faa o que eu fao (SILVA, 2006).

Os professores podem pelo menos dar exemplo atravs de seu prprio comportamento. Devem evitar comentrios pejorativos e nunca devolver o trabalho de casa em ordem de nota decrescente. Estudantes mais fracos no devem ser criticados em sala de aula. Se um professor deixa claro que todos so tratados da mesma forma, os alunos vem nisso um sinal para no excluir outros do grupo (SCHAFER, 2007, p. 4).

35

Algumas atitudes preventivas como: aumentar a superviso na hora do recreio e intervalo, evitar em sala de aula menosprezo, apelidos ou rejeio de estudantes por qualquer tipo de razo. Alm disso, pode-se promover discusses a respeito das vrias maneiras de violncia, respeito mtuo e a afetividade tendo como foco as relaes humanas (SILVA, 2006). De acordo com Martinelli (1996), existem alguns valores relacionados premissa de no-violncia, so eles: cooperao, fraternidade, altrusmo, respeito cidadania, concrdia, fora interior, unidade, patriotismo, responsabilidade cvica, solidariedade, respeito a todas as formas de vida e natureza, respeito a todas as formas de culto e religies, uso adequado do tempo, uso adequado da energia do dinheiro. Cooperao: caracterizado como uma forma de fazer algo junto, trabalhar em comum (MARTINELLI, 1996); Fraternidade: caracterizado como o reconhecimento de que todos tm a mesma origem divina e os anseios so basicamente os mesmos (MESQUITA, 2003); Altrusmo: caracteriza-se como a vitria sobre o egosmo. Satisfao de fazer algo sem a preocupao de satisfazer o ego (MESQUITA, 2003); Respeito cidadania: a conscincia de que nosso prprio bem-estar e prosperidade esto relacionados ao bem-estar de todos; Concrdia: busca do senso comum, da paz e da harmonia entre idias contrrias com a finalidade de aprimorar objetivos (MARTINELLI, 1996); Fora interior: a cultura dos valores humanos, que fortalece o carter do ser. Sendo tambm a manifestao consciente do Deus interno (MESQUITA, 2003); Unidade: apesar da multiciplidade de aspectos e variedades de funes e formas, nada nem ningum pode ser considerado isolado. Tudo o que existe no universo interage e se comunica energeticamente (MARTINELLI, 1996); Patriotismo: o amor pela terra em que vivemos e o oferecimento dos nossos dons para o crescimento e desenvolvimento dela (MESQUITA, 2003); Responsabilidade cvica: a colaborao ativa com a evoluo de uma nao, seja como indivduo, como empresa ou como uma organizao governamental (MESQUITA, 2003);

36

Solidariedade: a comunicao mais profunda com outra pessoa, pois, sendo solidrios, enfocamos nossas semelhanas e destruirmos empecilhos em forma de personalidade, credo, cultura, raa ou posio scio-econmica (MARTINELLI, 1996); Respeito natureza: ter conscincia da importncia de todas as formas de vida e da interdependncia delas (MESQUITA, 2003); Respeito a todas as formas de cultos e religies: estar livre de preconceitos para aprender com as diferenas, respeitando-as e percebendo sem distores preconcebidas a expresso de variadas culturas e religies (MARTINELLI, 1996); Uso adequado do tempo: aproveitar todo o momento como se fosse o ltimo, realizando-se as atividades conforme o tempo proposto pela natureza (MESQUITA, 2003); Uso adequado da energia do dinheiro: a conscincia de que o dinheiro deve circular, caso contrrio gera desconforto, dor, injustia, violncia e todo o tipo de desequilbrio individual e social. A energia do dinheiro deve ser utilizada para suprir as necessidades bsicas, promover enriquecimento cultural e ser usada para benefcios comunitrios por meio de projetos e atividades edificantes e no para separar as pessoas e emburrec-las (MARTINELLI, 1996). Todos esses valores devem ser trabalhados com toda a comunidade escolar no combate e preveno de algum tipo de agresso como no caso do bullying. Despertar nos alunos valores humanos essencial para que eles aprendam a ter respeito pelo prximo, tornando o ambiente escolar mais harmonioso entre todos que fazem parte dele.Deve-se encorajar os alunos a participarem ativamente da superviso e interveno dos atos de bullying, pois o enfrentamento da situao pelas testemunhas demonstra aos autores que eles no tero o apoio de grupo. Treinamentos atravs de tcnicas de dramatizao podem ser teis para que adquiram habilidades para lidar de diferentes formas. Uma outra estratgia a formao de grupos de apoio, que protegem os alvos e auxiliam na soluo das situaes de bullying (NETO, 2005, p. 69).

De acordo com Fante (s/d), o programa Educar para Paz, elaborado por Cleo Fante, pode ser caracterizado como um conjunto de estratgias

37

psicopedaggicas que se embasa em princpios de solidariedade, tolerncia e respeito s diversidades. Este programa abrange toda a comunidade escolar, inclusive pais e a comunidade na qual a escola se localiza. Entre as estratgias do programa esto: o trabalho individualizado com os indivduos envolvidos em bullying objetivando a incluso e o fortalecimento da auto-estima das vtimas e a canalizao da agressividade dos agressores em atividades pr-ativas - bem como o envolvimento de todos os membros da escola, pais e a comunidade em geral. Nesse programa, h a nomeao de alunos que formam um grupo denominado alunos solidrios que atuam como anjos da guarda daqueles alunos que mostram dificuldades de relacionamento, tanto dentro como fora do ambiente escolar. H tambm a formao de grupos de pais Pais Solidrios - que ajudam

nas brincadeiras do recreio dirigindo conjuntamente com os alunos solidrios. A interiorizao de valores humanistas, bem como a discusso de problema situaes

de cada grupo-classe, so estratgias que objetivam a educao

emocional, sendo realizadas semanalmente, no decorrer da reunio entre tutores e suas turmas.Aqueles alunos cujos comportamentos extrapolam as habilidades psicopedaggicas da equipe responsvel pelo desenvolvimento do programa devero ser encaminhados a profissionais especializados a fim de que sejam devidamente diagnosticados e tratados. O ideal que a equipe trabalhe tendo em mente a necessidade de estabelecer parcerias com profissionais das diversas reas da sade, encaminhando-lhes alunos todas as vezes que isso se fizer necessrio e procurando manter-se informada sobre o andamento de cada caso (FANTE, 2005, p. 152).

De acordo com Neto (2005), o bullying pode ser compreendido como um banalizador para o nvel de tolerncia da sociedade a respeito da violncia. Portanto, enquanto a sociedade no estiver pronta para lidar com este fenmeno, sero mnimas as chances de diminuio de outros tipos de comportamentos agressivos e destrutivos.

38

7 CONCLUSO

O presente estudo permitiu a partir das pesquisas elaboradas e do referencial terico selecionado, analisar as manifestaes da agresso escolar configurada no fenmeno bullying, buscando compreender as nuances psicolgicas acarretadas por ele, assim como, possveis programas psicopedaggicos. Neste contexto, constatou-se que a prtica do bullying algo corriqueiro nas escolas, entretanto, por ser um assunto novo e de muitas configuraes, ainda no se encontra nas pesquisas solues imediatas para este problema que gera muitos transtornos emocionais. Os caminhos apontados at o momento so os programas de esclarecimento e de alguns pioneiros como a ABRAPIA e FANTE que j desenvolvem programas visando combater a prtica do bullying. Estes caminhos por enquanto esto centrados na consolidao e conscientizao social de alguns valores imprescindveis da vida em sociedade, no qual o respeito mtuo, a tica e a cidadania se mostram como ferramentas de conscientizao. Constatou-se que esse um problema gravssimo em nvel mundial e, no Brasil tambm tem se manifestado de maneira intensa, inclusive com traumas que trazem problemas sociais e emocionais muito grandes, como assassinatos, suicdios e uma auto-estima abalada para os envolvidos no bullying. Desse modo, percebeu-se que so caractersticas do bullying, o ato de agredir fsica e/ou psicologicamente um indivduo, utilizando xingamentos, humilhaes, apelidos imprprios (gorducho, nariz de papagaio, cabeo, baixinho, entre outros), nomes pejorativos, difamaes, boatos etc. Este fenmeno se manifesta em toda e qualquer escola, tendo muitas pessoas envolvidas, tanto direta como indiretamente, sendo como vtimas, agressoras e/ou testemunhas. Historicamente, o fenmeno sempre existiu, porm, s atualmente despertou interesse de profissionais da educao e sade, visto os diversos incidentes ocorridos que so atribudos a ele noticiados pela mdia, e os problemas gerados a partir deste. No decorrer do trabalho compreendeu-se que a falta de estrutura familiar, um pobre relacionamento afetivo com seus pais, a falta de superviso destes, a

39

prtica de atos agressivos para educar, so alguns dos elementos apontados pelos especialistas como desencadeadores das prticas do fenmeno bullying. Alm disso, a falta de conhecimento do problerma, a ausncia de superviso por parte de professores e demais funcionrios da escola, e ainda a pouca ou nenhuma atitude para combater este ato, o torna sociavelmente ignorado e at aceitvel. No que concerne as influncias no psicolgico humano, o bullying pode trazer muitos traumas como transtorno do pnico, transtorno depressivo, baixa autoestima, estresse, ansiedade, entre outros. Alm desses problemas psicolgicos, estes indivduos podem sofrer de irritabilidade excessiva, apresentar dificuldades de aprendizagem, gerando um baixo rendimento escolar, dificuldades de socializao, isolamento, podendo at chegar a evaso escolar. Mais tarde poder ter problemas no trabalho, em virtude da agresso sofrida na escola. E em ltimo caso, a vtima pode at tentar suicdio, e mesmo conseguir. recomendvel, portanto, quando se observa o fenmeno nas escolas, que se criem programas de ajuda e combate a este modo de agresso, para que assim, se consiga auxiliar o indivduo que padece com o bullying. Dessa forma, considera-se respondido o problema de pesquisa que buscou caracterizar quais os transtornos psicolgicos que podem ser gerados a partir do bullying, e quais os possveis programas psicopedaggicos, destacando que os principais problemas so a baixa auto-estima, isolamento, estresse, transtorno do pnico e ansiedade e o tratamento psicoterpico deve ser analisado caso a caso, pois muitas so as nuances do bullying e seus efeitos em cada indivduo de forma que o profissional em psicologia deve fazer um atendimento personalizado para cada indivduo ou participar de programas psicopedaggicos interdisciplinares. O presente estudo objetivou analisar as manifestaes da agresso escolar configurada no fenmeno bullying, buscando compreender as nuances psicolgicas acarretadas por ele, assim como, seu possvel tratamento atravs de programas psicopedaggicos. Dessa forma, consideram-se alcanados todos os objetivos propostos, entretanto ressalva-se ser este um assunto novo e que exige ainda muitos estudos a respeito. Logo, este apenas um passo inicial no entendimento da questo, sugerindo-se que cada vez mais, se pesquise nas academias sobre o problema que

40

grave e precisa ser combatido, haja vista que devido as suas amplas configuraes um tema multifacetado e exige muita pesquisa a respeito. Finalizando, destaca-se a importncia dos profissionais de educao e sade estarem atentos a este tipo de agresso, realizando programas de preveno e combate ao bullying, incentivando seus colegas, alunos e pais a participarem. Estes programas podem ter a premissa de que se tratando na escola, no ir repetir o ato em seu trabalho quando for adulto, formando indivduos ticos, responsveis, cooperativos, solidrios, que respeitam direitos e deveres, e acima de tudo, respeitam a seu semelhante.

41

REFERNCIAS

ABRAPIA Associao Brasileira Multiprofissional de Proteo Infncia e a Adolescncia. Programa de Reduo do Comportamento Agressivos entre Estudantes. Rio de Janeiro, s/d. Disponvel em: http://www.bullying.com.br/BConceituacao21.htm#Mas. Acesso em: 26 abr. de 2007 ALVES, Rubem. Bullying. Disponvel em: http://www.rubemalves.com.br/bullyng.htm Acesso em: 07 de Set 2007.

BALLONE GJ - Maldade da Infncia e Adolescncia: Bullying - in. PsiqWeb, Internet, disponvel em www.psiqweb.med.br, revisto em 2005. Acesso em: 16 de Set. 2007. BENCINI, Roberta. Memria Viva da Educao. Revista Nova Escola. Braslia, n. 186, out, 2005, p. 45-53. BRASIL, Ministrio da Sade. Estatuto da Criana e do Adolescente. Braslia: Ministrio da Sade, 1991. 190p.

CAVALCANTE, Meire. Bullying: Como acabar com brincadeiras que machucam a alma. Revista Escola. Braslia, v.19, n. 178, p. 58-61, dez. 2004. DINES, Alberto. Hitler em Taiva. Disponvel em http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/alberto/2003/01/31/jorcolalb2003013100 1.html. Acesso em: 07 Set 2007.

DEMO, Pedro. Pesquisa: Princpio Cientfico e Educativo. So Paulo: Cortez, 1996. 120p.

FANTE, Cleo. Fenmeno Bullying: como prevenir a violncia nas escolas e educar para a paz. So Paulo: Versus, 2005. 224p.

FANTE, Cleodelice Aparecida Zonato. O fenmeno Bullying e suas Conseqncias Psicolgicas. Disponvel em: http://www.psicologia.org.br/internacional/pscl84.htm Acesso em: 20 Ago 2007.

42

FERRARI, Mrcio. Violncia assunto de escola sim!. Revista Nova Escola. Braslia. N.197, Nov. 2006, p. 24 31. GIL, Antonio Carlos. Mtodos e Tcnicas de Pesquisa Social. So Paulo: Atlas, 1999. 207p. NETO, Lopes Aramis A. Bullying: comportamento agressivo entre estudantes. J. Pediatr. (Rio de J.). Porto Alegre, v.81, n. 5, 2005. Disponvel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S002175572005000700006&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt . Acesso em: 20 Jul 2007. p. 64 72. LUCIANO, Fbia L. Metodologia Cientfica. Cricima: UNESC, 2001. 93p.

MARCLIO, Maria Luiza. A educao Brasileira deu um grande salto nos anos 1990. Revista Nova Escola. Braslia. n. 186, out. 2005. 20-22p.

MARTINELLI, Marilu. Aulas de Transformao: o programa de educao em Valores Humanos. So Paulo: Petrpolis, 1996. 143p.

MESQUITA, Maria Fernanda Nogueira. Valores Humanos na Educao: uma nova prtica na sala de aula. So Paulo: Gente, 2003. 140p.

NOGUEIRA, Rosana M C. Del Picchia de Arajo. Bullying na Escola e na Vida. Revista eletrnica Pedago Brasil. Nov 2005. Disponvel em: http://www.pedagobrasil.com.br/pedagogia/bullyingnaescola.htm . Acesso em 23 Abr. 2007.

PEREIRA, Beatriz Oliveira. Para uma Escola sem Violncia: estudo e preveno das prticas agressivas entre crianas. Lisboa: Fundao Calouste Gulbenkian, 2002. 364p. POLATO. Amanda. Violncia produzida na escola sim. Revista Nova Escola. Disponvel em: http://revistaescola.abril.com.br/online/redatores/amanda/20070620_posts.shtml. Acesso em: 06 Ago. 2007. SCHATER, Mechthild. Abaixo aos Valentes. Revista Viver Mente e crebro. Set. 2005. Disponvel em: http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/makepdf.php?storyid=1823. Acesso em: 12 Ago 2007, p. 1-5.

43

SILVA, Geane de Jesus. Bullying: quando a escola no um paraso. Revista Mundo Jovem. Porto Alegre, n. 365, p. 2-3, 2006. Disponvel em: http://www.mundojovem.pucrs.br/bullying.php. Acesso em: Abr 2007.

SIMMONS, Rachel. Garota fora do jogo: a cultura oculta da agresso nas meninas. Rio de Janeiro: Rocco, 2004. 333p.

SISTO, Fermino Fernandes. Aceitao-Rejeio para Estudar e Agressividade na Escola. Psicol. Est., Maring, v.10, n.1, p. 117-125, 2005. Disponvel em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S141373722005000100014&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: Out. 2007.

DIGA NO AO BULLYING. Disponvel em: http://www.diganaoaobullying.com.br/ Acesso em: 15 de Set. 2007.

44

REFERNCIAS COMPLEMENTARES

FERREIRA, Aurlio B. De Holanda. Mini Aurlio o minidicionrio da lngua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. 578p.

LEOPARDI, Maria Tereza. Metodologia da pesquisa na sade. Santa Maria, RS: Pallotti, 2002. 294p.

MINAYO, Maria Ceclia de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em sade. 2 Ed. So Paulo: Hucitec, 1993. 269p.