Filosofia - EJA

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UNI UNIO NACIONAL DE INSTRUOEnsino de Jovens e Adultos

FILOSOFIA

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UNI UNIO NACIONAL DE INSTRUOEnsino de Jovens e Adultos SUMRIO

PG. I INTRODUO 1.1. Qual a utilidade da filosofia? 1.2. As origens do pensamento filosfico 1.3. A Cosmologia dos Pr-socrticos II OS SOFISTAS 2.1. Scrates 2.2. Plato 2.3. Aristteles III - OS FILOSFOS MODERNOS E A TEORIA DO CONHECIMENTO 3.1. O racionalismo 3.2. O empirismo 3.3. O criticismo de Kant IV - PENSAMENTO E LINGUAGEM 4.1. O que e Linguagem V A FILOSOFIA CONTEMPORNEA 5.1. Sculo XIX 5.2. O sculo XX VI - AS DISCIPLINAS FILOSFICAS 6.1. A Metafsica 6.2. Epistemologia 6.3. tica VII - FILOSOFIA SOCIAL E POLTICA VIII - ESTTICA IX - DIMENSO PEDAGGICA DA FILOSOFIA 9.1. Abordagem Filosfica, Metafsica e Epistemolgica da Formao da Pessoa X - REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS 01 01 02 02 04 05 05 06 07 08 09 11 11 11 12 12 15 17 17 19 21 23 24 25 26 28

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UNI UNIO NACIONAL DE INSTRUOEnsino de Jovens e Adultos Parabns! Voc optou por fazer um curso na modalidade a distncia, um processo diferente da modalidade presencial. Se este seu primeiro contato com a filosofia, voc certamente estar se fazendo a pergunta - O que a filosofia? Se no seu primeiro contato, voc provavelmente j se deu conta de que esta no uma das perguntas mais fceis de serem respondidas. No processo educativo, se pensssemos a filosofia como um instrumento de desenvolvimento de nossa capacidade argumentativa isto j Pitgoras (sc. VI .a.C.) - tambm conhecido como matemtico usou pela primeira vez a palavra filosofia (philos-sophia), que significa amor sabedoria. bom observar que a prpria etimologia mostra que a filosofia no puro logos, pura razo: ela a procura amorosa da verdade. A filosofia propriamente dita tem condies de surgir no momento em que esse pensar posto em causa, tornando-se objeto de uma reflexo. Examinando a palavra reflexo temos

diversos significados: refletir retomar o prprio pensamento, pensar o j pensado, voltar para si mesmo e colocar em questo o que j se conhece.

justificaria sua importncia e relevncia. Se pensarmos a reflexo filosfica apenas como treinamento lgico do pensar, estaremos desvirtuando a filosofia e toda sua histria de interao e interesse pelo processo educacional.

1.1. Qual a utilidade da filosofia?

Para responder a essa questo, gostaria de saber o que voc entende por utilidade?

I - INTRODUO A utilidade da filosofia est no fato de que H uma pergunta que muitos se fazem quando ouve falar de filosofia: que utilidade tem a filosofia? ela, por meio da reflexo permite que o homem tenha mais que uma dimenso. A filosofia a possibilidade de transcendncia humana, a

capacidade que s o homem tem de superar a sua A filosofia, por mais que ignoremos tem exercido uma admirvel influncia at mesmo sobre a vida de gente que nunca ouviu falar nela. Indiretamente, tem sido destilada atravs de sermes, da literatura, dos jornais e da tradio oral, afetando assim toda a perspectiva geral do mundo. imanncia (situao dada e no escolhida). Pela transcendncia o homem surge como um ser de projeto, capaz de construir o seu destino, capaz de liberdade. A filosofia recupera o processo perdido no imobilismo das coisas feitas (mortas porque j ultrapassadas). A filosofia impede a estagnao. Por Voc sabe qual a etimologia da filosofia? isso o filosofar sempre se confronta com o poder,

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UNI UNIO NACIONAL DE INSTRUOEnsino de Jovens e Adultos no devendo sua investigao estar alheia tica e poltica. A filosofia a crtica da ideologia. Atentando para a etimologia grega correspondente verdade, observamos que a verdade pr a nu aquilo que estava escondido, e a reside a vocao do filsofo: o desvelamento do que est encoberto pelo costume, pelo convencional, pelo poder. Finalmente, a filosofia exige coragem. Filosofar no um exerccio puramente intelectual. Descobrir a verdade ter a coragem de enfrentar as formas estagnadas do poder que tentam manter o status quo, aceitar o desafio da mudana. Saber para transformar. Em conversa com seus amigos, voc disse que est estudando Filosofia. Mal acabou de falar e logo perguntaram: O que filosofia? E agora, o que voc ir responder? 1.3. A Cosmologia dos Pr-socrticos. Os filsofos Pr-socrticos aparecem entre 1.2. As origens do pensamento filosfico. A filosofia ocidental nasceu na Grcia, entre os sculos VII e VI a.C., com uma preocupao em responder questo da ordem do universo (cosmos). Este momento da histria do pensamento usualmente chamado de passagem do mito ao logos. Esta expresso pode gerar alguns mal-entendidos em funo de seus termos principais: mito e logos. Veja, ento, o que significa cada um: os sculos VII e VI a.C. em todas as colnias gregas que se espalham pela a costa do Mediterrneo, principalmente na sia Menor. A preocupao destes primeiros pensadores era descobrir o princpio que explicasse sua existncia e ordem. Por isso foram chamados filsofos da natureza. Do pouco que sobrou dos escritos do pensamento filosfico destes, nota-se que est permeado de mito (religio), pois seus argumentos so apresentados como verdade revelada pelos deuses. Suas A escrita, que surgiu neste perodo, teve um papel importante nesta passagem, pois o que antes era apenas contado pela tradio oral, passou a ser escrito. Modificando, assim, o pensamento e o homem. Mito So explicaes que se caracterizam por fazer referncias a entidades sobrenaturais como sendo as responsveis pelos fenmenos da natureza. Logos - O termo logos, em grego, significa razo, linguagem, cincia. Dentre os malentendidos comuns, pode-se destacar a suposio de que a passagem do mito ao logos se deu de maneira definitiva, com o abandono total de referncias sobrenaturais, assim como achar que a explicao filosfica dotada de razo, ao passo que o mito seria destitudo dela (REALE e ANTISERI,1990).

explicaes no fazem referncia aos deuses como

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UNI UNIO NACIONAL DE INSTRUOEnsino de Jovens e Adultos sendo a causa nica dos acontecimentos deste mundo. Os filsofos Pr-socrticos comeam a indicar inmeros princpios e causas fsicas ou abstratas, que em alguns casos explicam no somente o mundo, mas tambm os deuses como parte dessa mesma estrutura. neste perodo que surge o interesse pelo mundo e pelo significado da prpria existncia, como demonstra os pensadores destacados a seguir: Tales de Mileto (scs. VII-VI a.C.) - Ele achava que a origem de todas as coisas seria a gua. No sabemos o que exatamente ele queria dizer com isso, mas devia estar convencido de que toda forma de vida teria se originado da gua - para onde retorna quando se dissolve. Tales viajou por vrias regies, inclusive o Egito, onde, segundo consta, calculou a altura de uma pirmide a partir da proporo entre sua prpria altura e o comprimento de sua sombra: essa proporo a mesma que existe entre a altura da pirmide e o comprimento da sombra desta. Esse clculo exprime o que, na geometria, at hoje se conhece como teorema de Tales. Anaximandro de Mileto (scs. VII-VI a.C.) - Ele achava que nosso mundo seria apenas um entre uma infinidade de mundos que evoluiriam e se dissolveriam em algo que ele chamou de ilimitado ou infinito. No fcil explicar o que ele queria dizer com isso, mas parece claro que Anaximandro no estava pensando em uma substncia conhecida, tal como Tales concebeu. Talvez tenha querido dizer que a substncia que gera todas as coisas deveria ser algo diferente das coisas criadas. Urna vez que todas as coisas criadas so limitadas, aquilo que vem antes ou depois delas teria de ser ilimitado. evidente que esse elemento bsico no poderia ser algo to comum como a gua. Anaxmenes de Mileto (sc. VI a.C.) - Ele pensava que a origem de todas as coisas teria de ser o ar ou o vapor. Anaxmenes conhecia, claro, a teoria da gua de Tales. Mas de onde vem a gua? Anaxmenes acreditava que a gua seria ar condensado. Acreditava tambm que o fogo seria ar rarefeito. De acordo com Anaxmenes, o ar constituiria a origem da terra, da gua e do fogo. Pitgoras de Samos (cerca de 530 a.C. at incio do sc. V a.C.), grande matemtico da Antigidade, o primeiro a usar o termo filsofo, pois, uma vez indicado como sbio (sophos), teria respondido que apenas era um "amante da sabedoria" (philo, "aquele que ama", sophia, "sabedoria"); desenvolveu uma teoria filosfica baseada na idia de que tudo composto de nmeros entendidos por ele como pequenas partculas materiais e a ordem do universo derivada de harmonias geomtricas. Xenfanes de Clofon (c. 570 a.C.) foi grande crtico da concepo popular e tradicional dos deuses. Tinha como fonte as obras de Homero, crtica esta que reaparecer mais tarde na Repblica de Plato.

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UNI UNIO NACIONAL DE INSTRUOEnsino de Jovens e Adultos Herclito de feso (scs. VI-V a.C.) defendeu a idia de que tudo um fluxo contnuo gerado por uma guerra eterna entre os contrrios; nada permanece o mesmo e tudo e no ao mesmo tempo. Parmnides de Elia (scs. VI-V a.C.) criticou a viso de Herclito e seus seguidores afirmando que somente a razo poderia fornecer o conhecimento do que a natureza; para ele, os sentidos percebem o fluxo contnuo do mundo, mas somente a razo pode mostrar que por trs de tudo que muda est o imutvel, o perfeito e eterno, isto , o ser. Zeno de Elia (scs. VI-V a.C.) foi discpulo de Parmnides e desenvolveu uma srie de paradoxos (argumentos que levam a sua prpria contradio) sobre a existncia do movimento. Empdocles de Agrigento (484/481A palavra SOFISTA, originalmente, II OS SOFISTAS A teoria atmica atual muito semelhante a de Demcrito, a natureza composta de diferentes tomos que se juntam para criar, se separam e voltam a se reunir para criar novas coisas. A cincia descobriu que os tomos podem ser divididos em partculas menores chamadas de PRTONS, Demcrito NUTRONS no teve acesso e ELTRONS. aos aparelhos

eletrnicos de nossa poca. Sua nica ferramenta foi a razo, esta lhe dizia que nada surge do nada e nada desaparece, ento a n