1516 leia algumas paginas

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    C A P T U L O 0 3

    PRINCPIOS AMBIENTAIS3.1. Princpio da preveno. 3.2. Princpio da precauo. 3.3. Princpio do desenvolvimento sustentvel. 3.4. Princpio do poluidor-pagador. 3.5. Princpio do usurio-pagador. 3.6. Princpio do protetor-recebedor. 3.7. Princpio da cooperao entre os povos. 3.8. Princpio da participao co-munitria ou cidad. 3.9. Princpio da natureza pblica (ou obrigatoridade) da proteo ambiental. 3.10. Princpio do limite ou controle. 3.11. Princpio da informao. 3.12. Princpio do pacto intergeracional ou equidade. 3.13. Princpio da funo socioambiental da propriedade. 3.14. Princpio da proi-bio do retrocesso ambiental.

    AdefiniodoroldeprincpiosinformadoresdoDireitoAmbien-talnotarefafcil,diantedagrandecontrovrsiadoutrinriasobreotema.Adoutrinaambientaldivergebastante,inclusivequantoaocon-tedojurdicodemuitosdele.Considerandoqueoobjetivodestaobraapreparaoparaconcursospblicos,serapresentadaumalargalistagem dos princpios ambientais, de acordo com o entendimentomajoritrio.

    3.1. PRINCPIO DA PREVENO

    O Princpio da Preveno informa expressamente o Direito Am-bientalnoBrasil,tendoemvistaasuaprevisoeminmerosdiplomaslegais,aexemplodasLeis11.428/2006(MataAtlntica)e12.187/2009(PolticaNacionaldeMudanadoClima).

    certoque,tecnicamente,emregra,odanoambientalirreparvelin natura.Porexemplo,umaflorestanativadesmatadanopodersercolada.Nestecaso,mesmoquehajaumreflorestamento(compensaoambiental),nasceroutroecossistemasimilar,masnuncaserrestabe-lecidooestadoanteriordobemambientallesionado.

    Cuida-sedeprincpiodacerteza cientfica.Trabalhacomorisco certo,conhecidoouconcreto,poisorgoambientallicenciadorjco-nheceaexistncia,naturezaeextensodosimpactosambientaiscau-sadospordeterminadaatividade,jvastamenteestudadapelacinciaambiental.

    Logo, se o Poder Pblico exige um potente filtro na chamin deumatradicional fbricaprodutoradebiscoitoscomocondioparaa

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    Frederico Amado

    concessoda licenaambiental, trata-sedeaplicaodoPrincpiodaPreveno,vezquejhcertezacientficasobreosimpactosambien-taispositivosenegativosdessaatividadehumanajsecularmentede-senvolvida.

    3.2. PRINCPIO DA PRECAUO

    previsto expressamente no ordenamento jurdico ptrio emdezenasdeatosnormativos,pioneiramentenaConvenodoClimaenaConvenodaDiversidadeBiolgica,ratificadaspeloBrasilnoanode1994porocasiodaECO92,promovidapelaONUnoRiodeJaneiro.

    o princpio dadvida cientfica. Trabalha com risco incerto, desconhecidoouabstrato.Normalmenteinvocadoemgrandespol-micas,ondesocriadasnovasatividadeseconmicasfrutododesen-volvimento tecnolgico, quandono se sabeao certoquaisosdanosambientaisaseremcausadospeloprojetoesuaintensidade.

    \ ATENOSe no Direito Penal existe o in dubio pro reo, no Direito Ambiental h o in dubio pro natura ou salute, em aplicao ao Princpio da Precauo. Conforme pontificado no princpio 15 da Declarao do Rio em 1992, de modo a proteger o meio ambiente, o princpio da pre-cauo deve ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando houver ameaa de danos srios ou irreversveis, a ausncia de absoluta certeza cientfica no deve ser utilizada como razo para postergar medidas eficazes e economica-mente viveis para precaver a degradao ambiental.

    Destarte,nadvidaemfavordoambienteedasade.Obenefciodadvidadevermilitaremfavordaspessoas,enodopodereconmico.Contudo,precisoquerealmentehajaumacontrovrsiacientficaso-bre os danos ambientais advindos da atividade estudada, no podendo seralgoremoto,poisutopiasepensarqueexisteriscozero.

    Seorgoambientallicenciadorestiveranalisandoumpedidodelicenaparaumanovaatividade,aexemplodaliberaonoorganismodenovovegetaltransgnico,existindosriacontrovrsianacomunida-decientficasobreosmalesaseremcausadospelaatividade,nadvida,mesmosemsaberseelesocorrero,devecondicionaraconcessodalicenaambientaladoodemedidasdemitigaodosimpactosam-bientalduvidosos.

    que um pedido de desculpas posterior ou todo o dinheiro domundo no tem o poder de reverter diversos impactos ambientais

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  • Princpios ambientais

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    negativos, impondo-seumamedidadeprecauo. Se forumcasodeumaatividaderealmenteperigosa,possvelquealicenaambientalsejadenegadacomfundamentonoPrincpiodaPrecauo.

    comfulcronoPrincpiodaPrecauoqueoSTJveminvertendoonusdaprovaemaescivispblicasdereparaodosdanosam-bientais.

    \ POSIO DO STJ PROCESSUAL CIVIL COMPETNCIA PARA JULGAMENTO DE EXECUO FISCAL DE MUL-TA POR DANO AMBIENTAL INEXISTNCIA DE INTERESSE DA UNIO - COMPETNCIA DA JUSTIA ESTADUAL - PRESTAO JURISDICIONAL - OMISSO - NO-OCORRNCIA - PERCIA - DANO AMBIENTAL - DIREITO DO SUPOSTO POLUIDOR - PRINCPIO DA PRECAUO - INVER-SO DO NUS DA PROVA. 1. A competncia para o julgamento de execuo fiscal por dano ambiental movida por entidade autrquica estadual de competncia da Justia Estadual. 2. No ocorre ofensa ao art. 535, II, do CPC, se o Tribunal de origem decide, fundamentada-mente, as questes essenciais ao julgamento da lide. 3. O princpio da precauo pressu-pe a inverso do nus probatrio, competindo a quem supostamente promoveu o dano ambiental comprovar que no o causou ou que a substncia lanada ao meio ambiente no lhe potencialmente lesiva. 4. Nesse sentido e coerente com esse posicionamento, direito subjetivo do suposto infrator a realizao de percia para comprovar a ineficcia po-luente de sua conduta, no sendo suficiente para torn-la prescindvel informaes obtidas de stio da internet. 5. A prova pericial necessria sempre que a prova do fato depender de conhecimento tcnico, o que se revela aplicvel na seara ambiental ante a complexidade do bioma e da eficcia poluente dos produtos decorrentes do engenho humano. 6. Recurso especial provido para determinar a devoluo dos autos origem com a anulao de todos os atos decisrios a partir do indeferimento da prova pericial (REsp 1.060.753, 2 Turma, Rel Min. Eliana Calmon, de 01.12.2009).

    3.3. PRINCPIO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTVEL

    OPrincpiodoDesenvolvimentoSustentveltambmfoipositivadoexpressamentenoBrasil,sendoprevistonasLeis12.187/09(PolticaNacionaldeMudanadoClima)enaLei12.305/2010(PolticaNacio-naldeResduosSlidos).

    Deveefeito,esteprincpiopartedapremissadequeodesenvolvi-mentoeconmiconopoderocorreratodocusto,tendoemvistaqueoplanetaTerranotemumacapacidadeilimitadadesuportarapolui-o.Logo,precisoqueoPoderPblico,comacolaboraodetodaasociedade,mantenhaosndicesdepoluiodentrodospadresimpos-tospelasnormasambientais.

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    Frederico Amado

    \ ATENODe acordo com o Relatrio Nosso Futuro Comum, tambm conhecido como Brundtland, elaborado pela ONU em 1987, assim se considera o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das geraes futuras de suprir suas prprias necessidades.

    Tambm possvel definir o desenvolvimento sustentvel comoaquelequerespeitaacapacidadedesuportedepoluiodosecossiste-mas,afimdemanteraperenidadedosrecursosnatutais.

    Tomemosumexemploconcreto.certoqueumadasfunesdasguasdiluirosefluentes(esgoto)produzidospelohomem.Entretan-to, o Poder Pblico somente autorizar o seu lanamento nas guasapsodevidotratamentoemesmoassimatacapacidadedesuportedesseecossistema,afimdemanterumbompadrodevida.

    Olanamentodeefluentessemtratamentoe/oualmdomximosuportvelpelocursodguaviolaoPrincpiodoDesenvolvimentoSus-tentvel,poisirprejuidicaravidaanimalevegetal,almdetornarosrecursoshdricosimprpriosutilizaohumana.

    possvel afirmar que implicitamente a Constituio Federal de1988recepcionouesteprincpionoseuartigo225eprincipalmentenoartigo170.queaOrdemEconmica,quesefundanavalorizaodotrabalhohumanoenalivreiniciativa,temcomoprincpioaDefesadoMeioAmbiente,inclusivemediantetratamentodiferenciadoconformeo impactoambientaldosprodutose serviosedeseusprocessosdeelaboraoeprestao,nosendoexagerointitul-ladeOrdem Eco-nmica Ambiental.

    Valesalientar,porfim,queodesenvolvimentosustentvelousim-plesmentesustentabilidade,tocitadoempropagandaspolticasedegrandesempresas,tambmpossuiumavertentesocial,poispressupeareduodasdesigualdadessociaisedapobreza.

    3.4. PRINCPIO DO POLUIDOR-PAGADOR

    Adegradaoambientalaalteraoadversadascaractersticasdomeioambiente(artigo3,incisoII,daLei6.938/81).Japoluioumaespciededegradaoambiental causadapelohomem, resul-tantedeatividadesquediretaouindiretamenteprejudiquemasade,aseguranaeobem-estardapopulao;criemcondiesadversass

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    atividades sociais e econmicas; afetem desfavoravelmente a biota;afetemascondiesestticasousanitriasdomeioambiente;lancemmatriasouenergiaemdesacordocomospadresambientaisestabe-lecidos.

    Poderaserpoluiolcitaouilcita.Ailcitaacausadasemlicen-aouautorizaoambientalouemdesacordocomaobtida.Japolui-olcitaaamparadaemregularlicenciamentoambiental,ondesocumpridastodasasexignciasdoPoderPblico.

    Ohomemprecisapoluirpara viver, pois inexistepoluio zero.Mesmooshomensdascavernasnecessitavamcortarasrvoresepro-duziamresduosslidoselquidosqueafetavamnegativamenteoam-biente.Contudo,apoluioprecisaserlimitadacapacidadedesupor-tedosecossistemas,devendosersustentvel.

    \ ATENOO Princpio do Poluidor-pagador parte da premissa de que no justo que o empreendedor internalize os lucros e socialize os prejuzos ambientais. Logo, dever o poluidor arcar com os custos sociais da degradao causada, internalizando as externalidades negativas.

    previsto expressamente na Lei 12.305/2010, bem como emdiversasnormasambientaisbrasileiras.Tambmconstadoprincpio16,daDeclaraodoRio:

    Tendoemvistaqueopoluidordeve, emprincpio, arcar comocustodecorrentedapoluio,asautoridadesnacionaisdevempro-curarpromoverainternalizaodoscustosambientaiseousodeinstrumentoseconmicos,levandonadevidacontaointeressep-blico,semdistorcerocomrcioeosinvestimentosinternacionais.

    Outrossim, objetivo da PolticaNacional doMeioAmbiente, naform