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1558 leia algumas paginas

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    TribuTo

    CAP TULO I I

    Tributo

    SUMRIO 1. Definio: 1.1. Natureza jurdica; 1.2. Denomina-o; 1.3. Destinao; 1.4. Caractersticas dos tributos quanto sua finalidade; 1.5. Classificaes relevantes de tributo. 2. Ti-pologia: 2.1. Imposto; 2.2. Taxa; 2.2.1. Conceito; 2.2.2. Vedao de base de clculo idntica de impostos; 2.2.3. Tipologia das taxas; 2.2.4. Taxa decorrente da prestao de servio pbli-co; 2.2.5. Distino entre taxa e preo pblico; 2.2.6. Custas e emolumentos; 2.2.7. Taxa relativa ao exerccio regular do po-der de polcia; 2.3. Contribuio de melhoria; 2.4. Emprstimo compulsrio; 2.5. Contribuies especiais; 2.6. Pedgio.

    1. DEFINIO

    A definio de tributo dada pelo prprio CTN:

    Art. 3 Tributo toda prestao pecuniria compulsria, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que no constitua sano de ato ilcito, instituda em lei e cobrada mediante ati-vidade administrativa plenamente vinculada.

    Da qual podem ser extradas suas notas legais distintivas:

    a) Prestao pecuniria: aquela expressa em moeda, dinheiro. No pode haver tributo que exija, por exemplo, a prestao em pro-dutos, ou animais. A palavra pecnia origina-se do latim e significa dinheiro. As prestaes de servios obrigatrios ao Estado, como o servio militar e o servio eleitoral, no so tributos, por no serem expressos em moeda. Do mesmo modo, afasta a instituio de tributos in natura ou in labore.

    b) Compulsria: o contribuinte obrigado a pagar tributo, em virtude da relao de imprio que o Estado estabelece sobre a socie-dade no exerccio de sua soberania. Ocorrido o fato gerador, o sujeito tem o dever de pagar o tributo, independente de sua vontade. Por essa razo, por no depender da vontade do contribuinte, os civil-mente incapazes tambm so obrigados ao pagamento de tributos.

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    ROBERVAL ROCHA

    Qual o entendimento do STJ sobre esse ponto: O Fundo de Sade do Exrcito custeado pelos prprios militares

    que gozam, juntamente com seus dependentes, de assistncia m-dico-hospitalar, cuja contribuio cobrada compulsoriamente dos servidores. A contribuio de custeio, por inserir-se no conceito de tributo previsto no art. 3, do CTN, ostenta natureza jurdica tribut-ria, sujeitando-se ao princpio da legalidade. (REsp 1086382, Recurso repetitivo)

    c) No constitui sano de ato ilcito: Muitas vezes, somos obri-gados a pagar valores ao Estado em decorrncia de infraes que cometemos. Nesse caso, no se trata de tributo. Multas de trnsito, multas administrativas, multa pela prtica de crime no so tributos.

    Como esse assunto foi cobrado em concurso?(Cespe/MC/Direito/2013) Penalidade pecuniria imposta como sano de ato ilcito pode ser considerada tributo, pois consiste em prestao pecuniria e compulsria.

    Resposta: Errada.

    d) Institudo em lei: tributo obrigao ex lege. Para que seja exigido legitimamente, torna-se necessrio que a lei o estabelea com antecedncia.

    e) Atividade vinculada: aquela exercida pela autoridade admi-nistrativa em observncia estrita lei. autoridade administrativa no dado decidir pela convenincia e pela oportunidade da exao fiscal, pois no possui apenas o poder, mas tambm o dever de exigir o tributo. Diferencia-se, pois, da atividade discricionria, por meio da qual o agente decide pela convenincia e pela oportunidade da rea-lizao do ato.

    Como esse assunto foi cobrado em concurso?(Cespe/TJ/BA/Cartrios/Ingresso/2014) correto afirmar que tributo

    (A) considerado uma fonte de receita originria por parte do ente tri-butante.

    (B) toda prestao pecuniria compulsria cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada.

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    TribuTo

    (C) toda prestao pecuniria cobrada mediante atividade administrativa discricionria instituda em lei.

    (D) toda prestao pecuniria referente a sano pela prtica de ato ilcito e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vin-culada.

    (E) toda prestao pecuniria que o contribuinte faz ao ente tributante de forma facultativa.

    Resposta: Alternativa B.

    1.1. Natureza jurdica

    o fato gerador da obrigao que determina a natureza espec-fica do tributo que sobre ele incide (CTN, art. 4). A natureza jurdica, entenda-se, a posio que a espcie tributria ocupa no ordena-mento: se imposto, taxa, contribuio etc.

    Art. 4 A natureza jurdica especfica do tributo determinada pelo fato gerador da respectiva obrigao, sendo irrelevantes para qualific-la:

    I a denominao e demais caractersticas formais adotadas pela lei;

    II a destinao legal do produto da sua arrecadao.

    Como esse assunto foi cobrado em concurso?

    (Cespe/DPDF/Defensor/2013) A natureza jurdica do tributo determina-da pelo fato gerador da respectiva obrigao, sendo irrelevantes para qualific-la as caractersticas formais adotadas pela lei.

    Resposta: Certa.

    Esse artigo, entretanto, s aplicvel teoria tripartida das es-pcies tributrias, encartada no art. 5 do CTN. Se o fato gerador : (a) uma situao independente de qualquer atividade estatal especfica, relativa ao contribuinte, (CTN, art. 16), trata-se de imposto; (b) o exer-ccio regular do poder de polcia, ou a utilizao, efetiva ou potencial, de servio pblico especfico e divisvel, prestado ao contribuinte ou posto sua disposio (CTN, art. 77), trata-se de taxa; e (c) a valoriza-o imobiliria, decorrente de obras pblicas (CTN, art. 81, c/c CF, art. 145, III), contribuio de melhoria.

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    ROBERVAL ROCHA

    Como no ordenamento brasileiro existem outras modalidades tributrias alm daquelas descritas no CTN, a saber: contribuies es-peciais e emprstimos compulsrios, a teoria da tripartio insufi-ciente como critrio distintivo das modalidades tributrias (o prprio art. 217 do CTN admite a existncia de outras figuras tributrias que no aquelas trs previstas no seu art. 5).

    A teoria mais aceita a quinquipartida, tida como encartada na tipologia tributria constitucional brasileira:

    TEORIA QUINQUIPARTIDA

    Contribuies Emprstimos Compulsrios +

    TEORIA TRIPARTIDA

    ImpostosTaxas

    Contribuio de melhoria

    Hoje, a doutrina fala em anlise conjugada da base de clculo e do fato gerador para a correta identificao da natureza jurdica da exao (Carvalho, 1999), assim como da necessria avaliao da finalidade das contribuies especiais e da possibilidade, ou no, de devoluo do montante arrecadado, no caso dos emprstimos compulsrios.

    1.2. Denominao

    A disciplina jurdica que deriva de uma espcie tributria nunca deriva de sua denominao, mas sim, e to-somente, do seu fato gera-dor. Por isso, o estudioso no deve se preocupar com nomes que, s vezes, nada esclarecem sobre o tributo em estudo. Expresses como adicional ao frete para renovao da marinha mercante, salrio--educao, Cide-combustveis etc. no so levadas em conta para definir ou qualificar a exao, pois apenas indicam, quando muito, sua origem legislativa ou o assunto com o qual se relacionam.

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    TribuTo

    Outra importncia do preceito consiste em impedir que, princi-palmente no que toca s taxas, cuja instituio pelo Poder Pblico aberta diferentemente dos impostos, que so numerus clausus , possa o legislador instituir diversas exaes incidentes sobre o mes-mo fato gerador, apenas as criando com nomes diferentes. Exemplo: taxa de limpeza urbana, taxa de varrio de ruas e taxa de lim-peza de logradouros.

    1.3. Destinao

    Considerar irrelevante a destinao legal do produto da arreca-dao para qualificar a natureza tributria no faz mais sentido, j que alguns novos tipos tributrios definidos na Constituio, mas no no CTN, como o caso das contribuies sociais, tm como nota distin-tiva a vinculao dos recursos gerados.

    O preceito parece ter tido origem na ideia de autonomia do direi-to tributrio em face do direito financeiro, pois s importaria quele a ideia, em certos aspectos, de receita pblica, deixando a este ltimo a regulamentao jurdica dos preceitos da despesa pblica. Entre-tanto, em nada prejudica tal autonomia a preocupao, sim, com a finalidade atribuda aos recursos arrecadados. Atualmente, diante de preceitos como transparncia fiscal, cada vez mais exigida do legis-lador a indicao da finalidade das exaes. A vinculao das receitas , pois, uma tendncia moderna.

    1.4. Caractersticas dos tributos quanto sua finalidade

    Pode-se caracterizar um tributo quanto finalidade que lhe di-reciona a lei tributria. A anlise dessa finalidade, contudo, no inte-gra a cincia do direito tributrio: mais afeta economia. E no a integra porque, em regra, a destinao de um tributo no critrio para delinear suficientemente seu regime jurdico. De qualquer modo, conhecimento que se exige do estudioso da matria, de indubitvel utilidade prtica.

    Caracterizam o tributo, quanto sua finalidade, a:

    a) Fiscalidade: no h finalidade especfica, apenas a de carrear disponibilidades financeiras para os cofres pblicos. a regra geral dos impostos. Diz-se, tambm, que um tributo fiscal quando o sujeito ativo da obrigao tributria o mesmo sujeito titular da competncia tributria para institu-lo. Exemplo: o IPTU, que tem como sujeito ati-vo e como titular da competncia tributria a mesma pessoa jurdica

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    ROBERVAL ROCHA

    de direito pblico, o Municpio. Um exemplo a contrario sensu o da contribuio de interesse das categorias profissionais e econmicas, cujo titular o respectivo conselho profissional, mas, em que pese tal titularidade, instituda pela Unio: exemplo de parafiscalidade.

    b) Parafiscalidade: compreende o vocabulrio parafiscalit, empregado pela primeira vez em 1947, no Inventaire Schumann, ela-borado pelo ministro da Economia da Frana, que lhe deu o nome, sendo que a sua origem foi a desorganizao que as guerras causa-ram nas coletividades, pelas perdas de vidas, de bens materiais, de habitaes e de empregos, pela disperso de pessoas e famlias e a incerteza de seu futuro, principalmente na Europa. Para enfrentar as necessidades de alojamento, alimentao, assistncia mdica, o Esta-do teve, subitamente, sem tempo, vagar ou inspirao para qualquer planejamento, que atender a milhes de pessoas de algum modo atin-gidas. Os recursos necessrios ao custeio das atividades resultantes dos danos de guerra no poderiam vir de dotaes oramentrias normais. Por isso, urgncia e presteza exigiram gerao pronta de recursos e descentralizao de mtodos para torn-los disponveis e aplicveis aos fins a que destinados (Melo, 2003).

    Ocorre quando o sujeito competente para instituir determinado tributo, que s pode ser um ente federativo, delega a outra pessoa jurdica de direito pblico, que passa a denominar-se, genericamente, de entidade paraestatal, a sujeio ativa do tributo a capacida-de tributria atribuindo-lhe, tambm, o produto da arrecadao. O exemplo mais conhecido o do Instituto Nacional de Seguridade Social INSS autarquia federal, sujeito ativo de certas contribuies sociais institudas pela Unio.

    c) Extrafiscalidade: a finalidade no meramente arrecadat-ria e contm traos regulatrios de certos comportamentos econ-micos, sociais, sanitrios etc. Os impostos sobre o comrcio exterior so exemplos clssicos de tributos extrafiscais. Sua utilizao, pelo governo federal, pode, por exemplo, fomentar ou desestimular a pro-duo nacional de certos itens. Exemplo: se ocorre demanda interna excessiva por farinha de trigo, produto estrangeiro de que o Brasil depende muito, o governo pode diminuir as respectivas alquotas do II, com inteno de baratear o produto, evitando que o preo do po aumente. Outro exemplo: se houver uma excessiva valorizao do pre-o do lcool combustvel no mercado internacional, o governo pode

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    aumentar as alquotas respectivas do IE, para evitar que os produto-res nacionais desabasteam o mercado interno.

    1.5. Classificaes relevantes de tributo

    Sobre o assunto, apresenta-se a seguinte classificao, ainda que sucinta, visando melhorar a compreenso da matria:

    a) Tributo vinculado: aquele cujo fato gerador relaciona-se (vin-cula-se) a alguma contraprestao por parte do Estado. Ex: taxas e contribuio de melhoria.

    Como esse assunto foi cobrado em concurso?

    (Esaf/MPOG/Analista/2012) Assinale a opo correta.

    (A) A contribuio de melhoria e as taxas so tributos vinculados, j que dependem de uma atuao especfica do Estado.

    (B) As taxas decorrentes do poder de polcia so tributos vinculados; j as taxas decorrentes de servios so tributos no vinculados a uma atividade estatal.

    (C) O imposto , por excelncia, um tributo vinculado a uma atividade estatal especfica.

    (D) Todos os impostos so no vinculados, com exceo do imposto sobre a renda da pessoa fsica, que utilizado para reduzir as desigualda-des regionais.

    (E) As taxas de servios so tributos vinculados; j as taxas decorrentes do poder de polcia so tributos no vinculados a uma atividade esta-tal especfica.

    Resposta: Alternativa "A".

    b) Tributo no vinculado: aquele cujo fato gerador no se vin-cula a nenhuma contraprestao especfica por parte do Estado. o caso especfico dos impostos, tal e qual definido juridicamente pelo prprio CTN:

    Art. 16. Imposto o tributo cuja obrigao tem por fato gera-dor uma situao independente de qualquer atividade estatal especfica, relativa ao contribuinte.

    c) Tributo de arrecadao vinculada: aquele cuja arrecadao deve, necessariamente, ser utilizada no fim que justificou sua criao. Ex: emprstimos compulsrios e contribuies especiais, que so tri-butos finalisticamente afetados, consagrados no texto constitucional.

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    ROBERVAL ROCHA

    A afetao da arrecadao a certas despesas ou servios, re-quisito necessrio para o exerccio da competncia da Unio Federal no que tange s contribuies e aos emprstimos compulsrios. Sem afetar essas espcies tributrias que somente a Unio tem compe-tncia para criar, com exceo da contribuio para o custeio da se-guridade social dos servidores pblicos, que de competncia do respectivo ente federativo a que eles se vinculam , falece legitimi-dade para sua instituio legislativa. As leis criadoras destes tributos devem, obrigatoriamente, destinar sua arrecadao ao custeio das despesas expressamente permitidas no texto constitucional.

    Observa-se que a destinao assume relevncia no s tributria, mas constitucional e legitimadora do exerccio dessas competncias. Se o produto da arrecadao dessas espcies tributrias no estiver vinculado aos fins constitucionais admitidos se inexistente o gasto ou se desviado o recurso arrecadado para outros fins , tido por ilegti-mo, e enseja repetio daquilo que foi pago (Baleeiro, 2006).

    d) Tributo de arrecadao no vinculada: aquele cujas receitas podem ser livremente utilizadas para as despesas gerais da Adminis-trao Pblica, atendidos os preceitos oramentrios. Ex: impostos, taxas e contribuio de melhoria.

    De acordo com a Constituio Federal:

    Art. 167. So vedados: [...] IV a vinculao de receita de impostos a rgo, fundo ou despesa, ressalvadas a repartio do produto da arrecadao dos impostos a que se referem os arts. 158 e 159, a destinao de recursos para as aes e servios pblicos de sade, para manuteno e desenvolvimento do ensino e para realizao de atividades da administrao tributria, como de-terminado, respectivamente, pelos arts. 198, 2, 212 e 37, XXII, e a prestao de garantias s operaes de crdito por antecipa-o de receita, previstas no art. 165, 8, bem como o disposto no 4 deste artigo;

    [...]

    4 permitida a vinculao de receitas prprias geradas pelos impostos a que se referem os arts. 155 e 156, e dos recursos de que tratam os arts. 157, 158 e 159, I, a e b, e II, para a prestao de garantia ou contragarantia Unio e para pagamento de d-bitos para com esta.

    o que se denomina de princpio da no afetao, restrito aos impostos, mas, conforme se depreende do texto constitucional,

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    TribuTo

    bastante mitigado, pois prev vrias excees permissivas da afeta-o desta espcie tributria.

    Apesar de no ser impositivo para taxas e contribuies de me-lhoria, j que possibilita a vinculao destes a situaes especficas como, por exemplo, aquelas que direcionam a arrecadao das ta-xas a determinados fundos ou rgos da Administrao Pblica , a regra geral no preverem as leis instituidoras destes tributos, sua vinculao, pois, assim procedendo, mantm a discricionariedade do Poder Executivo quanto determinao de como e quando utilizar o montante arrecadado.

    Algumas constituies estaduais pretenderam criar novas vincu-laes de receita, fora do modelo constitucional republicano, no que foram repelidas pelos tribunais, em homenagem ao princpio da se-parao de poderes, eis que a prvia vinculao constitucional exclui-ria a competncia do Poder Executivo para a proposta oramentria (Torres, 2000).

    Qual o entendimento do STF sobre esse ponto: A determinao de aplicao de parte dos recursos destinados edu-

    cao na manuteno e conservao das escolas pblicas estaduais vinculou a receita de impostos a uma despesa especfica: afronta ao disposto no art. 167, IV, da CF. (ADI 820. DJ 29.2.2008)

    Quanto vinculao do fato gerador a prestaes estatais

    Vinculado No vinculado

    Taxas;

    Contribuies de melhoria;

    Contribuies previdencirias;

    Impostos

    Quanto ao destino dos recursos arrecadados

    De arrecadao vinculada De arrecadao no vinculada

    Emprstimos compulsrios;

    Contribuies especiais;

    Custas e emolumentos judi-ciais;

    Impostos;

    Taxas;

    Contribuies de melhoria;

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    ROBERVAL ROCHA

    e) Tributo fiscal: aquele cuja finalidade principal arrecadar recursos para cobrir as despesas pblicas. Ex: IR, IPTU, ICMS, IPVA, ITBI, ITCMD, ISS, contribuio de melhoria e emprstimos compulsrios.

    f) Tributo extrafiscal: aquele cuja finalidade principal no ar-recadatria. Sua finalidade pode ser econmica proteo da inds-tria nacional, controle da balana comercial, controle da inflao, taxa de juros, cmbio, ou social desestmulo manuteno de proprieda-des improdutivas. Ex: II, IE, IOF, IPI (cigarros), ITR.

    Vale ressaltar que a fiscalidade e a extrafiscalidade no so mu-tuamente excludentes, ou seja, todos os impostos possuem algo de fiscal e de extrafiscal; ora mais de um, ora mais de outro. O IPTU, por exemplo, considerado um imposto fiscal, porque sua principal fina-lidade carrear recursos para os cofres dos Municpios, mas pode tambm ser utilizado para desestimular a manuteno de reas no aproveitadas dentro dos permetros urbanos, apresentando, nesse caso, tambm caracterstica extrafiscal.

    g) Tributo parafiscal: aquele cuja arrecadao no destinada aos entes polticos da Federao Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios. Destinam-se manuteno de rgos autnomos fiscaliza-dores de algumas profisses ou do interesse de categorias econmi-cas especficas. Ex: OAB, CRM, Sesi, Sesc etc.

    Na teoria do tributo, a parafiscalidade um conceito negativo. So parafiscais os tributos no fiscais.

    Os tributos parafiscais so, portanto, aqueles que no seguem o caminho tpico, ordinrio, normal, dos tributos do Estado. So tributos que, tendo sido estabelecidos pelo Estado e derivados de seu poder financeiro, apresentam certos desvios em relao a suas receitas tri-butrias normais, ou so exigidos por rgos ou organismos alheios Administrao financeira do Estado, ou, ainda, no ingressam, total ou parcialmente, no Tesouro, ou no se integram aos Oramentos Gerais do Estado; ou, integrando-se neles, no se destinam indistintamente a cobrir a despesa pblica, mas dizem respeito a um gasto pblico particular, ou seja, no se integram, no se misturam com as demais receitas oramentrias (Lapatza, 2007).

    h) Tributo in natura: o que no faz referncia a pagamento em pecnia, mas sim em bens. No previsto nos ordenamentos moder-nos. Era o caso de antigas cobranas que recaiam sobre a agricultura, pecuria ou comrcio, obrigando a dao de parte da colheita, da criao ou das mercadorias ao Estado.

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    TribuTo

    i) Tributo in labore: tambm no faz referncia a pagamento em pecnia, mas em servios. No previsto no ordenamento brasileiro. Trata-se de conceito intimamente ligado histria da tributao, pois, em diferentes pocas da humanidade, surgiu o tributo em pecnia como substituto da obrigao de prestar servio militar.

    j) Tributo direto: aquele em que o contribuinte de direito tambm o contribuinte de fato, ou seja, a pessoa fsica ou jurdica que a norma legal define como sujeito passivo da obrigao a mesma que arca com o nus de recolher o valor devido ao fisco. o caso dos impostos sobre patrimnio e renda.

    k) Tributo indireto: aquele em que o contribuinte de direito recolhe o valor aos cofres pblicos, mas transfere o nus econmico para outra pessoa, chamado contribuinte de fato. Regra geral, o caso dos impostos incidentes sobre a produo e o consumo, como o ICMS e o IPI.

    Apesar de ser uma distino de cunho econmico, identificar se um imposto direto ou indireto tem reflexos jurdicos muito importan-tes, como nos casos de pedido de repetio de indbito, visto adiante, em captulo prprio. Esse tipo de aferio chama-se anlise da reper-cusso econmica do tributo, muito versada nos tribunais:

    Qual o entendimento do STJ sobre esse ponto: O tributo examinado (ISS), no caso concreto, de natureza indireta.

    Apresenta-se com essa caracterstica porque o contribuinte real o consumidor da mercadoria objeto da operao (contribuinte de fato) e a empresa (contribuinte de direito) repassa, no preo da merca-doria, o imposto devido, recolhendo, aps, aos cofres pblicos o im-posto j pago pelo consumidor de seus produtos. No assume, pois, a carga tributria resultante dessa incidncia. O fenmeno da subs-tituio legal no cumprimento da obrigao, do contribuinte de fato pelo contribuinte de direito, em consequncia, ocorre na exigncia do pagamento do ISS. A repetio do indbito e a compensao do tributo questionado no podem ser deferidas sem a exigncia do repasse. O ISS espcie tributria que pode funcionar como tributo direto ou indireto. Hiptese dos autos que encerra espcie de tributo indire-to, porque recolhido sobre as receitas oriundas de cada encomenda, sendo suportado pelo tomador do servio. Como imposto indireto, tem aplicaes, em princpio, o teor do art. 166 do CTN e o verbete 71 do STF, atualmente 546. (REsp 426179). (STJ. REsp 657707. DJ 16.11.2004)

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    ROBERVAL ROCHA

    l) Tributo real: aquele graduado unicamente em funo do aspec-to econmico da operao. Real, neste caso, deriva do latim res, que significa coisa. Ex: o IPVA o mesmo para todos os proprietrios de determinado tipo de veculo, independentemente das condies pes-soais de cada contribuinte.

    m) Tributo pessoal: aquele graduado em funo das condies de cada contribuinte. Ex: o imposto de renda admite vrias dedues, permitindo a quem tenha mais gastos com sade e educao pagar menos.

    n) Tributo proporcional: aquele em que o nus da carga tri-butria repartido de maneira paritria entre as vrias classes de renda da sociedade. A proporcionalidade tida como um subprin-cpio da capacidade contributiva, e, apesar de no estar explcito no texto constitucional, indica que o imposto deve incidir sempre mesma alquota, independentemente do valor da base de clculo. Pode ser aplicado a todos os tributos no sujeitos aos princpios da progressividade e da pessoalidade, como o caso, por exemplo, do ITCMD (Torres, 2007).

    o) Tributo progressivo: pode referir-se a um contexto econmico como um todo exemplo de pases que utilizam a poltica tributria como instrumento de redistribuio de renda, cobrando mais de quem ganha ou possui mais bens o que faz com que a carga tributria seja maior para as classes de renda mais alta; ou, referir-se ao tributo em si mesmo quando sua alquota aumenta medida que aumenta sua base de clculo. a regra adotada pelo imposto de renda, obrigato-riamente, e pelo IPTU, opcionalmente, no Brasil.

    p) Tributo regressivo: aquele em que a carga tributria maior para as classes de renda mais baixa. a regra geral dos impostos sobre o consumo no Brasil. Pegue-se o exemplo do ICMS que incide sobre os alimentos da cesta bsica: a alquota com que o consumidor se depara a mesma tanto para o rico quanto para o pobre. Entre-tanto, como os mais pobres consomem quase toda a sua renda em alimentos, enquanto os mais ricos poupam o excedente no consumi-do, pode-se dizer que a carga tributria a aferida pesa muito mais sobre o pobre que sobre o rico, e, portanto, no contexto econmico, regressiva, como demonstram a tabela-exemplo abaixo:

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    TribuTo

    Comparativo Cidado A Cidado BRenda mensal R$ 10.000,00 R$ 500,00

    Gastos com alimentao R$ 2.000,00 R$ 300,00ICMS sobre alimentao (17%) R$ 340,00 R$ 51,00

    Imposto pago proporcional renda 3,4% 10,2%Concluso: nesse exemplo, o nus tributrio incidente sobre a renda dos contribuintes mais pobres quase trs vezes maior que sobre os mais ricos.

    E os extratos da seguinte reportagem:

    Pobres pagam 44% mais impostos do que ricos.

    Os impostos no Brasil pesam mais sobre os que tm menor renda. Os 10% mais pobres pagam 44,5% mais do que os 10% mais ricos, de acordo com pesquisa elaborada pelo Ipea (Ins-tituto de Pesquisa Econmica Aplicada). Segundo o estudo, a carga tributria representa 22,7% da renda dos 10% mais ricos. Para os 10% mais pobres, no entanto, o peso equivale a 32,8% de sua renda. [...]. A explicao para a diferena entre o peso dos impostos est na forma de cobrana. A base da arreca-dao no Brasil mais forte na chamada tributao indireta, ou seja, embutida em alimentos ou bens de consumo. Como o brasileiro mais pobre gasta a maior parte de sua renda em consumo, paga mais impostos. Considerando apenas a tributa-o indireta, a carga dos mais pobres de 29,1%, contra 10,7% dos mais ricos. Na comparao apenas da tributao direta, como o Imposto de Renda, os mais pobres pagam o equivalen-te a 3,7% de sua renda, enquanto que os mais ricos pagam 12%. O mais pobre compromete mais a sua renda com produtos de sobrevivncia, por isso paga mais imposto. A tributao indireta, que tem estrutura fortemente regressiva. (Folha de So Paulo, 15.8.2008)

    Quanto ao tributo em si mesmo considerado, diz-se que regres-sivo quando sua alquota diminui medida que aumenta sua base de clculo.

    2. TIPOLOGIA

    O ordenamento brasileiro anterior Constituio Federal de 1988 assentava-se na teoria tripartida das espcies tributrias, que dis-tinguia trs espcies de tributos: impostos, taxas e contribuies de melhoria, tal qual disposto no art. 5 do CTN.

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    ROBERVAL ROCHA

    A nova Constituio (art. 145 e incs.), aparentemente, manteve o mesmo panorama, pois o seu texto ressalta competir aos entes fede-rados instituir os seguintes tributos: impostos; taxas e contribuio de melhoria.

    Entretanto, a doutrina majoritria tende a aceitar vrias espcies tributrias, estendendo o conceito, tambm, para os emprstimos compulsrios e para as contribuies lato sensu, tipos no previstos no CTN, mas arrolados na Constituio Federal. H tambm quem en-xergue no pedgio caracteres de figura tributria distintos das demais espcies.

    Discusses parte, o fato que, na Constituio Federal, podem ser identificadas previses para vrias espcies de tributos:

    Figuras tributrias na Constituio Federal

    Tributo Norma

    Imposto Arts. 153, 154, 155 e 156

    Taxa Art. 145, II

    Contribuio de melhoria Art. 145, III

    Pedgio Art. 150, V

    Emprstimo compulsrio Art. 148

    Contribuio social Arts. 149, 195, I, e 239

    Art. 74, ADCT

    Contribuio de interveno no domnio econmico

    Art. 149

    Contribuio para custeio de previdncia e assistncia social de servidores pblicos

    Art. 149, pargrafo nico

    Contribuio para o custeio do servio de iluminao pblica

    Art. 149-A

    2.1. Imposto

    Segundo o art. 16 do CTN, imposto o tributo cuja obrigao tem por fato gerador uma situao independente de qualquer atividade estatal especfica, relativa ao contribuinte.

    Diferenciando-se das taxas e das contribuies de melhoria, os impostos no se vinculam a qualquer contraprestao por parte da

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    TribuTo

    Administrao Pblica. O fato gerador de tais tributos so fatos eco-nmicos relativos exclusivamente aos contribuintes, abstraindo-se de qualquer atividade por parte do Estado.

    Como esse assunto foi cobrado em concurso?(Ieses/TJ/RS/Cartrios/Ingresso/2013) Assinale a alternativa correta.

    (A) Interpreta-se favoravelmente ao sujeito passivo a lei tributria que disponha sobre a outorga de iseno.

    (B) A interpretao da legislao tributria ser definida em ato normati-vo infralegal do sujeito ativo.

    (C) A taxa o tributo que decorre de uma atuao estatal e de um fato a ser realizado pelo sujeito passivo.

    (D) O imposto o tributo que decorre de um fato a ser realizado pelo sujeito passivo, independentemente de qualquer atuao estatal.

    Resposta: Alternativa "D".

    A situao em que se baseia o imposto deve expressar contedo econmico valor, pois o direito tributrio como um todo assenta-se em bases econmicas, ou seja, no h possibilidade de tributar-se algo inaprecivel economicamente, ou que no tenha traduo econmica.

    Os impostos so tributos de competncia privativa, designados e atribudos discriminadamente a cada uma das pessoas polticas. Em princpio, so numerus clausus, ressalvando-se, unicamente, a possi-bilidade de utilizao, pela Unio, da competncia residual prevista no art. 154, I, da Constituio Federal e da competncia extraordinria, prevista no inciso II deste mesmo artigo:

    Art. 154. A Unio poder instituir:

    I mediante lei complementar, impostos no previstos no ar-tigo anterior, desde que sejam no cumulativos e no tenham fato gerador ou base de clculo prprios dos discriminados nesta Constituio;

    II na iminncia ou no caso de guerra externa, impostos extra-ordinrios, compreendidos ou no em sua competncia tribu-tria, os quais sero suprimidos, gradativamente, cessadas as causas de sua criao.

    A distribuio constitucional de competncias para instituir im-postos tem a seguinte configurao:

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    ROBERVAL ROCHA

    Unio

    Imposto de Importao de Produtos Estrangeiros (II);

    Imposto de Exportao, para o Exterior, de Produtos Nacio-nais ou Nacionalizados (IE);

    Imposto de Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IR);

    Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);

    Imposto sobre Operaes de Crdito, Cmbio e Seguro, ou relativas a Ttulos ou Valores Mobilirios (IOF);

    Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR);

    Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), nos termos de lei complementar;

    Impostos residuais;

    Impostos extraordinrios de guerra.

    Estados e Distrito Federal

    Imposto sobre a Transmisso Causa Mortis e Doao, de Quaisquer Bens ou Direitos (ITCMD);

    Imposto sobre Operaes relativas Circulao de Merca-dorias sobre Prestaes de Servios de Transporte Interes-tadual e Intermunicipal e de Comunicao (ICMS);

    Imposto sobre a Propriedade de Veculos Automotores (IPVA).

    Municpios e Distrito Federal

    Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU);

    Imposto sobre a Transmisso Inter Vivos, a Qualquer T-tulo, por Ato Oneroso, de Bens Imveis, por Natureza ou Acesso Fsica, e de Direitos Reais sobre Imveis, exceto os de Garantia, bem como Cesso de Direitos a sua Aquisio (ITBI);

    Imposto sobre Servios de Qualquer Natureza (ISSQN).

    2.2. Taxa

    2.2.1. Conceito

    Os entes polticos podero instituir taxas, em razo do exerccio do poder de polcia ou pela utilizao, efetiva ou potencial, de ser-vios pblicos especficos e divisveis, prestados ao contribuinte ou postos sua disposio, com a ressalva de no poderem ter base de clculo prpria de impostos (CF, art. 145, II e 2).

    O CTN, indo mais alm, circunscreve o mbito da exao s res-pectivas atribuies do ente tributante (CTN, art. 77, caput). Assim, no pode um Municpio cobrar taxa pela preservao de vias federais ou

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    TribuTo

    estaduais, ou a Unio cobrar taxa pela coleta de lixo urbano, pois, evidentemente, nesses exemplos, os servios prestados esto fora da competncia dos pretensos sujeitos ativos. Para efeito de instituio e cobrana de taxas, consideram-se compreendidas no mbito das atribuies dos entes polticos aquelas que, segundo a Constituio Federal, as constituies estaduais e as leis orgnicas do Distrito Fe-deral e dos Municpios e a legislao com elas compatvel, competirem a cada uma das pessoas polticas (CTN, art. 80).

    Qual o entendimento do STF sobre esse ponto:

    Cobrana de taxa de uso e ocupao de solo e espao areo. 1. s empresas prestadoras de servio pblico incumbe o dever-poder de prestar o servio pblico. Para tanto a elas atribudo, pelo poder con-cedente, o tambm dever-poder de usar o domnio pblico necess-rio execuo do servio, bem como de promover desapropriaes e constituir servides de reas por ele, poder concedente, declaradas de utilidade pblica. 2. As faixas de domnio pblico de vias pblicas constituem bem pblico, inserido na categoria dos bens de uso comum do povo. 3. Os bens de uso comum do povo so entendidos como pro-priedade pblica. Tamanha a intensidade da participao do bem de uso comum do povo na atividade administrativa que ele constitui, em si, o prprio servio pblico [objeto de atividade administrativa] pres-tado pela Administrao. 4. Ainda que os bens do domnio pblico e do patrimnio administrativo no tolerem o gravame das servides, sujeitam-se, na situao a que respeitam os autos, aos efeitos da res-trio decorrente da instalao, no solo, de equipamentos necessrios prestao de servio pblico. A imposio dessa restrio no condu-zindo extino de direitos, dela no decorre dever de indenizar. 5. A CF define a competncia exclusiva da Unio para explorar os servios e instalaes de energia eltrica (art. 21, XII, b) e privativa para legislar sobre a matria (art. 22, IV). (RE 581947, Repercusso geral)