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AFO PARA CONSULTOR DE ORÇAMENTOS DO SENADO PROF. GRACIANO ROCHA Prof. Graciano Rocha www.pontodosconcursos.com.br 1 AULA 05 Saudações, caro aluno! Este é o penúltimo encontro de nosso curso. Falaremos aqui da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), com um destaque, em separado, sobre a parte relativa a dívida pública. Sobre o primeiro ponto, a LRF procurou mudar a cultura dos administradores públicos no Brasil quanto às finanças públicas. Ela envolveu um processo inclusive pedagógico sobre a forma de lidar com o dinheiro público, e, acompanhada pela Lei de Crimes Fiscais (Lei 10.028/2000), buscou instituir um modelo responsável (como diz seu nome) de gestão. Então, vamos lá. Boa aula! GRACIANO ROCHA

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    AULA 05

    Saudaes, caro aluno!

    Este o penltimo encontro de nosso curso. Falaremos aqui da Lei de

    Responsabilidade Fiscal (LRF), com um destaque, em separado, sobre a parte

    relativa a dvida pblica.

    Sobre o primeiro ponto, a LRF procurou mudar a cultura dos administradores

    pblicos no Brasil quanto s finanas pblicas. Ela envolveu um processo

    inclusive pedaggico sobre a forma de lidar com o dinheiro pblico, e,

    acompanhada pela Lei de Crimes Fiscais (Lei 10.028/2000), buscou instituir

    um modelo responsvel (como diz seu nome) de gesto.

    Ento, vamos l. Boa aula!

    GRACIANO ROCHA

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    LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL (LEI COMPLEMENTAR 101/2000)

    Introduo

    Antes de comentarmos os dispositivos da lei, vamos tratar de algumas

    informaes preliminares.

    A LRF foi editada num ambiente de reformas reclamadas por vrios setores da

    sociedade brasileira, aps o final dos governos militares. Entretanto, desde a

    redemocratizao, o Brasil, como federao, enfrentava problemas econmicos

    graves, dos quais a chamada inflao galopante podia ser indicada como o

    principal.

    Num ambiente de alta inflao, o planejamento de receitas a arrecadar

    e de despesas a efetuar durante o exerccio financeiro praticamente

    intil. Isso porque o ndice de preos se altera substancialmente de um

    perodo para outro, e as previses feitas vrios meses antes no so

    fonte confivel para a gesto. Assim, a administrao financeira era

    afetada por diversos vcios e desvios provenientes do ambiente

    inflacionrio.

    Por isso, apenas depois da estabilizao da moeda e do controle da

    inflao, a partir de 1995, principalmente, criou-se o ambiente propcio para

    um novo (e srio) regramento das finanas pblicas. As ideias/necessidades

    principais que levaram edio da LRF foram:

    controle das contas pblicas, de forma a evitar dficits;

    necessidade de planejar a ao governamental, aplicando os recursos

    de forma racional e sustentvel;

    controle das despesas com pessoal e do montante da dvida pblica,

    para evitar o sufocamento dos entes governamentais num contexto de

    gastos sem desenvolvimento econmico;

    transparncia da gesto oramentria e financeira, com

    disponibilizao de demonstrativos e resultados em meios de acesso

    pblico.

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    O trecho da LRF que serve como mapa da LRF o 1 do art. 1. Os itens

    constantes desse texto so ampliados nas sees da Lei, com a fixao de suas

    regras prprias. Vejamos a lei seca:

    Art. 1, 1 A responsabilidade na gesto fiscal pressupe a ao planejada e

    transparente, em que se previnem riscos e corrigem desvios capazes de afetar o

    equilbrio das contas pblicas, mediante o cumprimento de metas de resultados

    entre receitas e despesas e a obedincia a limites e condies no que tange a

    renncia de receita, gerao de despesas com pessoal, da seguridade social e

    outras, dvidas consolidada e mobiliria, operaes de crdito, inclusive por

    antecipao de receita, concesso de garantia e inscrio em Restos a Pagar.

    Vamos desdobrar os pontos integrantes desse trecho:

    pressuposto da gesto fiscal responsvel: ao planejada e

    transparente. A administrao dos recursos pblicos no pode ser feita

    de improviso. Deve levar em conta as necessidades prioritrias da

    sociedade e a escassez de recursos financeiros, bem como a

    sustentabilidade das finanas pblicas no tempo;

    objetivos da gesto fiscal responsvel: prevenir riscos e corrigir

    desvios capazes de afetar o equilbrio das contas. Nesse sentido, a

    gesto responsvel envolve o acompanhamento permanente do

    comportamento das receitas, despesas e dvida pblica;

    instrumentos da gesto fiscal responsvel:

    cumprimento de metas de resultado entre receitas e despesas. O

    equilbrio fiscal depende da manuteno de uma diferena mnima

    entre receitas e despesas, principalmente para controle do montante

    da dvida;

    limites e condies quanto a

    renncia de receita;

    gerao de despesas com pessoal;

    gerao de despesas da seguridade social e outras;

    dvidas consolidada e mobiliria;

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    operaes de crdito, inclusive por antecipao de receita;

    concesso de garantia;

    inscrio de despesas em restos a pagar.

    As maiores dificuldades criadas pela LRF no tocante a esses pontos

    justificam-se pelo risco de desequilbrio das contas pblicas em caso de

    descontrole. Perceba que todos esses itens que sofrem limites e

    condies esto ligados diminuio de receita ou ao aumento

    (potencial ou real) de despesa.

    Como isso cai na prova?

    1. (FGV/ANALISTA/SAD-PE/2008) A responsabilidade na gesto fiscal

    pressupe a ao planejada e transparente, em que se previnem riscos e

    corrigem desvios capazes de afetar o equilbrio das contas pblicas,

    mediante o cumprimento de metas de resultados entre receitas e

    despesas e a obedincia a limites e condies no que tange a renncia de

    receita, gerao de despesas com pessoal, da seguridade social e outras,

    dvidas consolidada e mobiliria, operaes de crdito, inclusive por

    antecipao de receita, concesso de garantia e inscrio em Restos a

    Pagar.

    2. (CESPE/TCNICO SUPERIOR/IPAJM-ES/2006) O conceito de

    responsabilidade fiscal atende ao objetivo da poltica oramentria de

    evitar que os entes da Federao gastem mais do que aquilo que

    arrecadam.

    O primeiro trecho da LRF que destacamos, o 1 do art. 1, por sua

    abrangncia e importncia, serve para fundamentar diversas questes. A

    primeira apenas reproduz esse pargrafo, razo pela qual est CERTA.

    A responsabilidade fiscal a responsabilidade no trato com as finanas

    pblicas. Portanto, para manter as finanas saudveis, necessrio evitar

    desequilbrios fiscais. A questo 2 est CERTA.

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    Abrangncia da LRF

    Outra disposio inicial da LRF diz respeito a quem est submetido s suas

    regras e limitaes.

    A Lei utilizou um critrio amplo para fixar sua clientela. Todos os rgos de

    todos os Poderes, fundaes, autarquias, fundos, empresas estatais

    dependentes, de todos os entes da Federao, devem observar as normas

    estabelecidas na LRF. Ou seja, est abrangida toda a administrao direta dos

    entes federados e quase toda a administrao indireta.

    Como exceo, apenas as chamadas empresas estatais independentes

    esto fora do alcance da Lei (embora essas empresas tenham, geralmente,

    suas prprias regras de governana corporativa, para sobreviverem no

    mercado, regras estas que substituem, de certa forma, as regras de

    responsabilidade fiscal).

    Inicialmente, cabe destacar que ambas as espcies de estatais, as

    dependentes e as independentes, so consideradas empresas

    controladas. Isso significa que elas tm a maior parte de seu capital

    social com direito a voto nas mos de um ente federado (Unio, Estado,

    DF, Municpio, conforme o caso). Ou seja, o ente federado quem detm

    o poder de decidir, ao final, como a empresa controlada se comportar e

    desenvolver suas atividades no mercado ou na prestao de servios

    pblicos.

    Muito bem, o que leva dependncia ou no de uma empresa estatal a

    caracterstica da autossustentabilidade quanto a suas atividades normais de

    manuteno e de investimento. O tipo de recursos que so transferidos

    pelo ente pblico s estatais reflete justamente essa caracterstica.

    Nesse sentido, estatais dependentes recebem recursos para cobertura de suas

    despesas correntes, rotineiras, relativas ao pagamento de pessoal e de

    custeio geral, bem como para suas despesas com investimentos. Vale

    dizer, as estatais dependentes no conseguem se manter sem a

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    transferncia de recursos do ente controlador. Suas atividades no envolvem,

    como regra, a obteno de lucro. Por essas caractersticas, as empresas

    estatais dependentes normalmente esto abrangidas pelos oramentos

    fiscal e da seguridade social.

    J as estatais independentes, quando recebem recursos do ente controlador,

    os recebem tipicamente como aumento de participao acionria, ou seja,

    como forma de ampliao do controle, pelo ente pblico, sobre a

    administrao da empresa. Esse perfil leva as estatais independentes a

    serem contempladas no oramento de investimento.

    Como isso cai na prova?

    3. (FCC/AUXILIAR DE FISCALIZAO/TCE-SP/2010) Considera-se empresa

    controlada a sociedade

    (A) de capital aberto em que a Unio detenha mais de 20% e menos de

    50% das aes.

    (B) que presta servios de qualquer natureza para a Unio, os Estados e

    Municpios.

    (C) cuja maioria do capital social com direito a voto pertena, direta ou

    indiretamente, a ente da Federao.

    (D) que mantm convnio com a Unio, os Estados ou Municpios.

    (E) cujo capital social pertena Unio em sua integralidade.

    4. (FGV/ANALISTA/SAD-PE/2008) Para os efeitos da Lei de Responsabilidade

    Fiscal, entende-se como ente da Federao a Unio, cada Estado, o

    Distrito Federal e cada Municpio; como empresa controlada, a sociedade

    cuja maioria do capital social com direito a voto pertena, direta ou

    indiretamente, a ente da Federao; e como empresa estatal dependente,

    empresa controlada que receba do ente controlador recursos financeiros

    para pagamento de despesas com pessoal ou de custeio em geral ou de

    capital, excludos, no ltimo caso, aqueles provenientes de aumento de

    participao acionria.

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    Sobre a questo 3, a empresa controlada, seja dependente, seja

    independente, caracteriza-se pela maior parte do capital social com direito a

    voto pertencente ao ente pblico controlador. Gabarito: C.

    A questo 4 est CERTA, reproduzindo definies trazidas pela LRF em seus

    artigos iniciais.

    Receita corrente lquida

    Outra importante noo trazida nas primeiras linhas da LRF a receita

    corrente lquida (RCL), utilizada como base para vrios limites de

    gastos, estabelecidos posteriormente no texto da Lei (lembra-se dessa

    palavra chave, limites, juntamente com condies?).

    J devemos ter uma boa noo sobre receitas correntes, mas bom

    relembrar: so as receitas arrecadadas normalmente pelos entes

    pblicos, geralmente de efeito aumentativo sobre o patrimnio pblico,

    e que se destinam, tipicamente, ao custeio das atividades e servios a

    cargo da Administrao Pblica.

    O termo lquida, em receita corrente lquida, significa que, para sua

    definio, haver algum tipo de deduo ou desconto sobre o total bruto

    de receitas correntes.

    Cada ente federado ter suas prprias dedues, mas, nos prendendo ao caso

    da Unio, a RCL calculada da seguinte forma:

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    (=) TOTAL DAS RECEITAS CORRENTES

    () transferncias constitucionais ou legais aos Estados/DF e Municpios

    () contribuies sociais do empregador sobre a folha salarial e do trabalhador

    () contribuio social para o Programa de Integrao Social (PIS)

    () contribuio previdenciria dos servidores pblicos

    () receitas previdencirias de compensao entre os regimes geral e dos

    servidores pblicos

    () compensao financeira aos Estados exportadores (Lei Kandir)

    () complementao financeira ao FUNDEB (Emenda Constitucional 53)

    Da anlise do quadro acima, vemos que, do total de receitas correntes

    arrecadadas, a Unio desconta os recursos obrigatoriamente transferidos

    aos outros entes federados (ou fundos) e aqueles vinculados a aes da

    seguridade social, principalmente. Portanto, essas dedues tratam de

    parcelas da receita corrente com os quais a Unio no pode contar, em

    virtude de sua aplicao predefinida.

    Portanto, para resumir, podemos dizer que a RCL representa o montante de

    recursos prprios em que o ente governamental pode confiar para realizar

    seus programas; na esfera pessoal, seria equivalente ao salrio lquido

    recebido pelo trabalhador, com os descontos devidos j efetuados (previdncia

    social, vale-transporte etc.).

    A LRF tambm determina que a RCL seja apurada somando-se as receitas

    arrecadadas no ms de contabilizao e nos onze anteriores, excludas as

    duplicidades. Assim, o clculo da RCL mensal.

    Como isso cai na prova?

    5. (FCC/INSPETOR/TCM-CE/2010) O somatrio das receitas municipais

    tributrias, de contribuies, patrimoniais, industriais, agropecurias, de

    servios, transferncias correntes e as prprias de autarquias, fundaes e

    empresas dependentes, deduzidas das contribuies dos servidores para

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    custeio de seu sistema de previdncia e assistncia social, receita de

    compensao financeira entre regimes previdencirios e Fundef, constitui,

    segundo a LRF, a

    (A) receita corrente lquida.

    (B) renncia de receita.

    (C) receita de capital.

    (D) receita efetiva.

    (E) receita no efetiva.

    6. (CESPE/ANALISTA/TCE-TO/2008) A receita corrente lquida ser apurada

    pelo somatrio, de janeiro a dezembro, das receitas correntes, deduzidas

    as transferncias estabelecidas na lei.

    Na questo 5, o enunciado reproduz todos os procedimentos para obteno do

    valor da receita corrente lquida. Gabarito: A.

    A questo 6 traz uma incorreo quanto ao prazo. A RCL calculada

    mensalmente, com um olhar retrospectivo para os onze meses anteriores.

    No se faz o clculo fixo entre janeiro e dezembro. Questo ERRADA.

    LRF e Lei de Diretrizes Oramentrias

    Na parte dedicada ao planejamento da ao governamental, a LRF traz

    diversas disposies sobre as funes e o contedo da Lei de Diretrizes

    Oramentrias e da Lei Oramentria Anual.

    No que se refere LDO, determinou-se que essa lei tratasse dos seguintes

    assuntos:

    equilbrio entre receitas e despesas;

    critrios e forma de limitao de empenho;

    normas relativas ao controle de custos e avaliao dos resultados

    dos programas financiados com recursos dos oramentos;

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    demais condies e exigncias para transferncias de recursos a

    entidades pblicas e privadas.

    Portanto, a LDO recebeu da LRF tarefas ligadas ao planejamento

    operacional, a respeito de quais procedimentos seguir diante de

    desequilbrios fiscais; tarefas de avaliao, trazendo normas sobre a

    checagem de custos e resultados dos programas; e tarefas contratuais, no

    sentido de estabelecer condies para a transferncia de recursos.

    Outra determinao da LRF sobre a LDO foi relativa criao de anexos a

    esta ltima lei. Vamos estud-los agora.

    a) Anexo de Metas Fiscais (AMF). No incio da aula, vimos que um dos

    instrumentos da gesto fiscal responsvel o cumprimento de metas de

    resultado entre receitas e despesas. Assim, o estabelecimento dessas

    metas se d justamente no AMF, o que o torna um documento importantssimo

    na vida financeira dos entes pblicos.

    Para comprovar esse papel de destaque do Anexo, caso o Chefe do Executivo

    deixe de apresent-lo, isso ser tomado como um crime fiscal, punvel com

    multa equivalente a 30% dos vencimentos anuais respectivos.

    O AMF estabelece metas para o perodo de 3 exerccios (o de referncia da

    LDO e os dois posteriores), a partir da anlise empreendida sobre as

    ocorrncias dos 3 exerccios anteriores.

    As metas que compem o AMF so:

    metas de receita: valores a arrecadar nos prximos exerccios;

    metas de despesa: valores a serem despendidos no mesmo prazo;

    metas de resultados nominal e primrio: diferena a ser mantida

    entre a arrecadao e os gastos, ora levando em conta receitas e

    despesas financeiras (resultado nominal, que reflete os efeitos do

    endividamento pblico), ora desconsiderando esses componentes

    financeiros (resultado primrio);

    metas de dvida: valor referente ao montante da dvida pblica a ser

    mantido nos prximos exerccios.

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    Outros contedos do AMF so:

    avaliao do cumprimento das metas relativas ao ano anterior.

    Portanto, o AMF mais que um documento de projeo de metas;

    tambm um documento de avaliao dos resultados das metas traadas

    no exerccio passado;

    demonstrativo das metas anuais, instrudo com memria e

    metodologia de clculo que justifiquem os resultados pretendidos,

    comparando-as com as fixadas nos trs exerccios anteriores, e

    evidenciando a consistncia delas com as premissas e os objetivos da

    poltica econmica nacional. As metas fiscais fixadas pelo Executivo, alm

    de serem estabelecidas no AMF, tambm devem ser explicadas e

    sustentadas com argumentos tcnicos, para convencimento do Poder

    Legislativo e dos outros setores sociais;

    evoluo do patrimnio lquido, tambm nos ltimos trs exerccios,

    destacando a origem e a aplicao dos recursos obtidos com a alienao

    de ativos. A ideia aqui manter controle sobre o que o governo realiza

    com os recursos provenientes da alienao, ou seja, da venda, de bens

    pblicos, como imveis e estoques de produtos agropecurios.

    avaliao da situao financeira e atuarial:

    o dos regimes geral de previdncia social e prprio dos servidores

    pblicos e do Fundo de Amparo ao Trabalhador;

    o dos demais fundos pblicos e programas estatais de natureza

    atuarial;

    demonstrativo da estimativa e compensao da renncia de receita e

    da margem de expanso das despesas obrigatrias de carter continuado.

    b) Anexo de Riscos Fiscais (ARF). Esse Anexo que trata das ocorrncias

    possivelmente causadoras de desequilbrios nos resultados fiscais.

    Os riscos fiscais so classificados como riscos oramentrios (riscos de

    receita e de despesa, relativos no concretizao dos parmetros planejados)

    e riscos de dvida (riscos de administrao da dvida mobiliria e passivos

    contingentes).

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    Os passivos contingentes, que so um tipo de risco de dvida, representam

    situaes que podem ocasionar novas obrigaes para o ente pblico.

    Normalmente, trata-se de causas judiciais em que o ente pode vir a ser

    condenado a pagar certas quantias questionadas.

    Diante da concretizao dos riscos fiscais, pode ser necessrio empregar

    recursos para cobrir eventuais gastos. A dotao oramentria designada para

    essas emergncias a nossa j conhecida reserva de contingncia, que

    estudamos ao tratar de crditos adicionais.

    A reserva de contingncia recebe tratamentos diferentes das leis de matria

    oramentria:

    a LDO deve definir a forma de utilizao da reserva, bem como seu

    montante, que calculado com base na receita corrente lquida (olha

    a RCL a de novo como vimos, ela serve de parmetro para diversos

    limites e clculos trazidos na LRF);

    por sua vez, a LOA prev a reserva de contingncia como uma dotao

    oramentria, no montante institudo pela LDO, deixando-a

    contabilizada, com recursos atribudos, e pronta para eventual execuo.

    c) Anexo especial federal: para a Unio, est previsto um terceiro anexo.

    A mensagem presidencial que encaminhar o PLDO ao Congresso dever conter

    um anexo que trate dos seguintes pontos, referentes ao exerccio

    subsequente:

    objetivos das polticas monetria, creditcia e cambial;

    parmetros e projees para os principais agregados e variveis

    dessas polticas;

    metas de inflao.

    Assim, quando saem na mdia notcias sobre as metas de inflao para o ano

    que vem, repare que o PLDO deve ter entrado em discusso no Congresso.

    Como isso cai na prova?

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    7. (FGV/CONSULTOR/SENADO/2008) A Lei de Diretrizes Oramentrias

    dispor sobre o equilbrio entre receitas e despesas, critrios e forma de

    limitao de empenho, normas relativas ao controle de custos e

    avaliao dos resultados dos programas financiados com recursos dos

    oramentos.

    8. (FCC/ANALISTA/TRT-02/2008) A lei das diretrizes oramentrias conter

    Anexo de Riscos Fiscais, onde sero avaliados os passivos contingentes e

    outros riscos capazes de afetar as contas pblicas.

    9. (CESPE/ANALISTA/DPU/2010) Metas fiscais so valores projetados para o

    exerccio financeiro e que, depois de aprovados pelo Poder Legislativo,

    servem de parmetro para a elaborao e a execuo do oramento. Para

    obrigar os gestores a ampliar os horizontes do planejamento, as metas

    devem ser projetadas para os prximos trs anos, isto , o exerccio a que

    se referem e os dois seguintes.

    10. (FCC/AUDITOR/TCE-CE/2006) A lei oramentria anual apresentar, em

    anexo especfico, os objetivos das polticas monetria, creditcia e cambial,

    e ainda as metas de inflao, para o exerccio subseqente.

    A questo 7 est CERTA: trata-se das atribuies dadas LDO pela LRF,

    conforme o art. 4 desta lei.

    A questo 8 est CERTA. O ARF um dos anexos previstos para a LDO, e deve

    conter a avaliao de passivos contingentes e outros riscos.

    A questo 9 reflete bem a inteno da elaborao do AMF, reforando a

    questo da ao planejada que j destacamos. Questo CERTA.

    A questo 10 est ERRADA: o anexo especfico referido pelo enunciado

    acompanha a LDO, e no a LOA.

    LRF e Lei Oramentria Anual

    Novamente, vamos destacar alguns dispositivos legais aplicveis:

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    Art. 5 O projeto de lei oramentria anual, elaborado de forma compatvel

    com o plano plurianual, com a lei de diretrizes oramentrias e com as normas

    desta Lei Complementar:

    I - conter, em anexo, demonstrativo da compatibilidade da programao dos

    oramentos com os objetivos e metas constantes do documento de que trata o

    1 do art. 4;

    II - ser acompanhado do documento a que se refere o 6 do art. 165 da

    Constituio, bem como das medidas de compensao a renncias de receita e

    ao aumento de despesas obrigatrias de carter continuado;

    III - conter reserva de contingncia, cuja forma de utilizao e montante,

    definido com base na receita corrente lquida, sero estabelecidos na lei de

    diretrizes oramentrias, destinada ao:

    a) (VETADO)

    b) atendimento de passivos contingentes e outros riscos e eventos fiscais

    imprevistos.

    (...)

    2 O refinanciamento da dvida pblica constar separadamente na lei

    oramentria e nas de crdito adicional.

    (...)

    4 vedado consignar na lei oramentria crdito com finalidade imprecisa

    ou com dotao ilimitada.

    A compatibilidade da LOA com a LDO e o PPA no novidade; j estudamos

    esse assunto na aula sobre os instrumentos oramentrios.

    Entretanto, h uma compatibilidade adicional qual a LOA deve

    obedecer: trata-se da compatibilidade com o Anexo de Metas Fiscais da

    LDO. Dessa forma, a previso da receita e a fixao da despesa devem manter

    os resultados fiscais do AMF, e isso deve vir garantido j no prprio texto do

    projeto de LOA.

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    Relativamente ao inciso II, o documento ao qual se refere o 6 do art. 165

    da CF/88 o demonstrativo das renncias de receita, tambm j

    estudado, e que integra o PLOA. Por se tratar de dinheiro recusado pelo

    governo, e em nome do princpio da universalidade, o oramento deve

    espelhar essa arrecadao a menor, para que sejam prestadas as

    informaes corretas ao Legislativo.

    O que a LRF acrescenta a essa ordem da Constituio a necessidade de

    compensao das renncias de receita. E as informaes sobre as

    medidas compensatrias tambm constaro da Lei Oramentria.

    Alm do que se refere s renncias de receita, a LOA tambm ser

    acompanhada das medidas de compensao s despesas obrigatrias de

    carter continuado. Mas isso tambm assunto para daqui a pouco.

    Uma preocupao especial com a rolagem da dvida pblica consta desse art.

    5 da LRF. O refinanciamento da dvida, que j apareceria de qualquer modo

    no oramento, deve constar de forma separada, em nome da clareza e

    publicidade da informao. que esse dado representa a continuidade do

    endividamento do ente pblico, o que limita, entre outras coisas, o

    montante de recursos que no podero ser aplicados em despesas que

    beneficiem diretamente a sociedade.

    A respeito do 4 do art. 5 (vedao a crdito com finalidade imprecisa ou

    com dotao ilimitada), essa ordem legal tem por objetivo tornar a LOA um

    instrumento oramentrio to exato e transparente quanto possvel. A

    previso de despesas sem finalidade precisa ou sem limitao de numerrio vai

    contra a necessidade de controle que deve existir sobre a aplicao do

    dinheiro pblico.

    Como isso cai na prova?

    11. (CESPE/ANALISTA/FINEP/2009) Um demonstrativo da compatibilidade da

    programao dos oramentos com as metas fiscais estabelecidas na Lei de

    Diretrizes Oramentrias (LDO) deve integrar a LOA, na forma de anexo.

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    12. (FCC/TCNICO/TJ-PI/2009) A Lei Oramentria da Unio compreender

    crditos com finalidade imprecisa ou dotao ilimitada, desde que

    includos na Lei de Diretrizes Oramentrias.

    13. (FCC/ANALISTA/MP-SE/2009) O projeto de LOA conter reserva de

    contingncia, cuja forma de utilizao e montante, definido com base na

    receita corrente lquida, sero estabelecidos na LDO.

    14. (FCC/ANALISTA/MP-RS/2008) O projeto de lei oramentria anual ser

    acompanhado de demonstrativo regionalizado do efeito, sobre as receitas

    e despesas, decorrente de isenes, anistias, remisses, subsdios e

    benefcios de natureza financeira, tributria e creditcia, bem como das

    medidas de compensao a renncias de receita e ao aumento de

    despesas de investimentos.

    A questo 11 se refere ao demonstrativo requerido pelo art. 5, inc. I, da LRF.

    Questo CERTA.

    Crditos com finalidade imprecisa ou dotao ilimitada so vedados, sem

    exceo. A questo 12 est ERRADA.

    A questo 13 baseada na literalidade da LRF. A reserva de contingncia

    corresponde a uma das dotaes da LOA. Questo CERTA.

    A questo 14 trouxe um problema apenas no finalzinho: a LOA deve ser

    acompanhada de medidas de compensao a despesas obrigatrias de carter

    continuado, e no a despesas com investimentos. Questo ERRADA.

    Execuo oramentria

    Os principais trechos da LRF a respeito desse tpico so o art. 8 e o art. 13:

    Art. 8 At trinta dias aps a publicao dos oramentos, nos termos em que

    dispuser a lei de diretrizes oramentrias (...), o Poder Executivo estabelecer a

    programao financeira e o cronograma de execuo mensal de desembolso.

    Art. 13. No prazo previsto no art. 8, as receitas previstas sero desdobradas,

    pelo Poder Executivo, em metas bimestrais de arrecadao, com a

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    especificao, em separado, quando cabvel, das medidas de combate evaso

    e sonegao, da quantidade e valores de aes ajuizadas para cobrana da

    dvida ativa, bem como da evoluo do montante dos crditos tributrios

    passveis de cobrana administrativa.

    Assim, logo aps a publicao da LOA, num prazo de at 30 dias, faz-se

    uma distribuio das despesas que os rgos podero executar

    mensalmente, ao lado da distribuio bimestral da arrecadao prevista.

    Com isso, a cada perodo, checa-se se o andamento da arrecadao poder

    suportar o calendrio da despesa.

    A LRF refere-se apenas ao Executivo, mas, conforme as LDOs, todos os

    Poderes e o MP devem estabelecer sua prpria programao financeira e seu

    cronograma de desembolso:

    Lei 12.017/2009 (LDO 2010), Art. 69. Os Poderes e o Ministrio Pblico da

    Unio devero elaborar e publicar por ato prprio, at 30 (trinta) dias aps a

    publicao da Lei Oramentria de 2010, cronograma anual de desembolso

    mensal, por rgo, nos termos do art. 8 da Lei Complementar n 101, de 2000,

    com vistas ao cumprimento da meta de resultado primrio estabelecida nesta

    Lei.

    Por outro lado, o desdobramento bimestral da arrecadao da receita, bem

    como seu acompanhamento, ficam a cargo do Executivo mesmo, que o

    grande arrecadador entre os Poderes.

    J estudamos anteriormente o pargrafo nico do art. 8, mas vamos

    relembr-lo:

    Art. 8, Pargrafo nico. Os recursos legalmente vinculados a finalidade

    especfica sero utilizados exclusivamente para atender ao objeto de sua

    vinculao, ainda que em exerccio diverso daquele em que ocorrer o ingresso.

    Como vimos, esse dispositivo garante que os recursos vinculados a certas

    despesas, por fora de lei ou instrumento contratual, somente nelas sejam

    aplicados, mesmo que a execuo s ocorra em exerccio posterior. Assim,

    premissa para a execuo do oramento a garantia de vinculao entre os

    recursos arrecadados e suas aplicaes predefinidas.

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    Portanto, no existe um zeramento relativamente aos recursos vinculados,

    pelo fato de no terem sido aplicados no mbito do oramento em que

    porventura tenham sido arrecadados.

    Como isso cai na prova?

    15. (FGV/ASSESSOR/DETRAN-RN/2010) Os recursos legalmente vinculados

    finalidade especfica sero utilizados exclusivamente para atender ao

    objeto de sua vinculao, exceto em exerccio diverso daquele em que

    ocorrer o ingresso.

    16. (CESPE/ANALISTA/TCE-AC/2009) Aps o incio do exerccio financeiro, os

    poderes dispem de 30 dias para o estabelecimento da programao

    financeira e cronograma de execuo mensal de desembolso.

    A questo 15 altera a reescritura do pargrafo nico do art. 8 da LRF: os

    recursos legalmente vinculados a certas despesas permanecem vinculados em

    exerccios futuros. Questo ERRADA.

    A questo 16 est ERRADA: o prazo de 30 dias para o estabelecimento da

    programao financeira e do cronograma de desembolso contado a partir da

    publicao da LOA, e no do incio do exerccio.

    Cumprimento de metas de resultado

    Sobre o cumprimento de metas, o Manual Tcnico de Oramento traz os

    seguintes comentrios a respeito:

    Em 1964, a edio da Lei n 4.320 j evidenciava a preocupao do

    legislador quanto ao fiel cumprimento do equilbrio entre receitas e

    despesas no oramento, permitindo que o Poder Executivo se

    organizasse de forma a prevenir as oscilaes que aconteceriam no

    decorrer do exerccio financeiro, invocando a necessidade de estipular

    cotas trimestrais para a execuo da despesa. Em 2000, a Lei de

    Responsabilidade Fiscal LRF trouxe a necessidade de incorporar metas

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    de resultado fiscal, alm de ressaltar o descompasso provvel entre

    receitas e despesas, de modo a equilibrar o oramento em tempo hbil

    para no prejudicar o desempenho do governo nas trs esferas: federal,

    estadual e municipal. J a Lei de Diretrizes Oramentrias LDO

    completa os dispositivos legais da determinao do controle fiscal e dos

    recursos disponibilizados, informando, entre outros parmetros, qual

    ser a base contingencivel, as despesas que no so passveis de

    contingenciamento, assim como o estabelecimento de demonstrativos

    das metas de resultado primrio e sua periodicidade.

    Tratando da lei seca, a LRF aborda o cumprimento de metas de resultado no

    art. 9 e seus pargrafos, como segue:

    Art. 9 Se verificado, ao final de um bimestre, que a realizao da receita

    poder no comportar o cumprimento das metas de resultado primrio ou

    nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais, os Poderes e o Ministrio

    Pblico promovero, por ato prprio e nos montantes necessrios, nos trinta

    dias subsequentes, limitao de empenho e movimentao financeira, segundo

    os critrios fixados pela lei de diretrizes oramentrias.

    1 No caso de restabelecimento da receita prevista, ainda que parcial, a

    recomposio das dotaes cujos empenhos foram limitados dar-se- de forma

    proporcional s redues efetivadas.

    2 No sero objeto de limitao as despesas que constituam obrigaes

    constitucionais e legais do ente, inclusive aquelas destinadas ao pagamento do

    servio da dvida, e as ressalvadas pela lei de diretrizes oramentrias.

    3 No caso de os Poderes Legislativo e Judicirio e o Ministrio Pblico no

    promoverem a limitao no prazo estabelecido no caput, o Poder Executivo

    autorizado a limitar os valores financeiros segundo os critrios fixados pela lei

    de diretrizes oramentrias.

    Vamos comentar essas regras.

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    Como j estudamos, o Anexo de Metas Fiscais estabelece, entre outras, metas

    de resultado primrio e nominal para o exerccio de referncia e para os dois

    seguintes.

    Deixando bem repisado, durante o exerccio financeiro, faz-se um

    acompanhamento constante da arrecadao da receita, que servir como

    condio para a execuo da despesa programada. O Poder Executivo, aps a

    publicao da LOA, deve desdobrar a arrecadao prevista em metas

    bimestrais.

    Pelo lado da despesa, cada Poder, mais o Ministrio Pblico, deve estabelecer a

    programao financeira e o cronograma de execuo mensal de

    desembolso, sempre conforme o ritmo de arrecadao, para garantir a

    sustentabilidade das liberaes de gastos.

    Ocorrendo alguma baixa na arrecadao, a ponto de ameaar as metas de

    resultado primrio ou nominal, todos os Poderes e o MP devem frear o ritmo

    de execuo da despesa. Assim, tanto a emisso de empenhos quanto a

    transferncia de recursos devem ser reduzidas, para que o nvel da

    execuo da despesa fique adequado ao cenrio de receita diminuda. Isso que

    o que se chama, comumente, de contingenciamento de despesas.

    Perceba que no o caso de aguardar a despesa superar a receita. O

    parmetro so as metas de resultado. Como as metas de resultado,

    normalmente, so positivas, isso significa que, para contingenciar

    despesas, no se espera faltar dinheiro, mas, simplesmente, sobrar

    menos dinheiro.

    Havendo retomada da arrecadao, tambm se procede liberao das

    despesas contingenciadas, proporcionalmente s redues antes

    efetivadas.

    importante observar tambm que nem toda despesa pode ser

    contingenciada. As despesas obrigatrias segundo a CF/88 (pessoal, dvida

    pblica e transferncias constitucionais ou legais) no podem ser afetadas por

    esse artifcio de controle.

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    Da mesma forma, as despesas ressalvadas pela LDO no podem ser

    contingenciadas. Como j est bem estudado, a LDO indica quais despesas so

    prioritrias para a Administrao no exerccio em foco. Um dos efeitos de uma

    despesa ser considerada prioritria na LDO justamente ficar a salvo desses

    cortes.

    Ultimamente, um bom exemplo de despesas ressalvadas so as relativas

    a projetos do Programa de Acelerao do Crescimento, o PAC. Como o

    governo aposta todas as fichas no PAC, natural que os projetos

    respectivos no sejam prejudicados pelo contingenciamento.

    Muito bem, depois de afastadas as obrigaes constitucionais e as ressalvas da

    LDO, sobra o grupo das despesas discricionrias, sobre as quais incidir o

    contingenciamento.

    Como j se destacou, todos os Poderes e o MP devem dar sua parcela de

    contribuio para a manuteno do equilbrio fiscal. Portanto, por ato

    prprio, todos devero limitar suas despesas diante de um quadro de queda

    de arrecadao.

    Entretanto, originalmente, a LRF dispunha que, caso algum Poder ou o MP

    no procedesse ao respectivo contingenciamento, o Executivo poderia

    descontar a parcela correspondente ao contingenciamento sobre o valor

    repassado ao Poder no solidrio. a previso do 3 do art. 9,

    reproduzido acima.

    O desconto se daria sobre o repasse mensal que o Executivo faz aos outros

    Poderes, em obedincia ao art. 168 da CF/88:

    Art. 168. Os recursos correspondentes s dotaes oramentrias,

    compreendidos os crditos suplementares e especiais, destinados aos rgos

    dos Poderes Legislativo e Judicirio, do Ministrio Pblico e da Defensoria

    Pblica, ser-lhes-o entregues at o dia 20 de cada ms, em duodcimos, na

    forma da lei complementar a que se refere o art. 165, 9.

    Entretanto, essa possibilidade de desconto em folha por parte do Executivo

    foi declarada inconstitucional pelo STF (ADIN 2.238), devido afronta ao

    princpio da separao dos Poderes. Assim, o Executivo no pode

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    contingenciar despesas que no sejam as suas prprias, devendo aguardar

    pela colaborao dos outros.

    Como isso cai na prova?

    17. (FCC/ANALISTA/TRE-RN/2011) Se for constatado que, ao final de um

    bimestre, a realizao da receita no permitir o cumprimento das metas

    de resultado primrio ou nominal estabelecidas no Anexo de Metas Fiscais,

    os Poderes e o Ministrio Pblico promovero, por ato prprio e nos

    montantes necessrios, nos trinta dias subsequentes, limitao de

    empenho e movimentao financeira, segundo os critrios fixados pela lei

    de diretrizes oramentrias.

    18. (CESPE/ANALISTA/FINEP/2009) O Poder Executivo responsvel por

    promover, de imediato, a limitao de empenho em todas as dotaes da

    lei oramentria anual quando houver indcios de que a realizao da

    receita no comportar o cumprimento das metas de resultado primrio.

    19. (FGV/ASSESSOR/DETRAN-RN/2010) No caso de restabelecimento da

    receita prevista, ainda que parcial, a recomposio das dotaes, cujos

    empenhos foram limitados, dar-se- de forma proporcional s redues

    efetivadas.

    20. (CESPE/ANALISTA/MMA/2008) De acordo com a LRF, as despesas

    destinadas ao pagamento do servio da dvida no sero objeto de

    limitao, ainda que se verifique, ao final de um bimestre, que a

    realizao da receita possa no comportar o cumprimento das metas de

    resultado primrio ou nominal estabelecidas no anexo de metas fiscais.

    A questo 17 reproduz o teor do caput do art. 9 da LRF. Questo CERTA.

    Quanto questo 18, j vimos que o Executivo s pode contingenciar

    despesas de seus rgos e entidades, sem invadir a esfera dos outros Poderes.

    Questo ERRADA.

    A questo 19 est CERTA. O retorno gradual da receita aos patamares

    esperados permite a recomposio das despesas de forma proporcional s

    redues anteriores.

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    A questo 20 traz uma reescritura meio estranha, mas correta, do caput e do

    3 do art. 9 da LRF. Questo CERTA.

    Previso e arrecadao de receitas

    Trataremos agora da postura dos entes federados quanto arrecadao das

    receitas tributrias. Vejamos o art. 11 da LRF:

    Art. 11. Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gesto fiscal a

    instituio, previso e efetiva arrecadao de todos os tributos da competncia

    constitucional do ente da Federao.

    Pargrafo nico. vedada a realizao de transferncias voluntrias para o

    ente que no observe o disposto no caput, no que se refere aos impostos.

    Como visto, a LRF dispe que, para ser considerado responsvel em termos

    fiscais, cada ente federado dever empreender esforos para efetivamente

    arrecadar as receitas tributrias de sua competncia.

    Historicamente, os entes federados menores, principalmente os Municpios,

    deixaram de instituir seus tributos prprios, vivendo apenas dos repasses

    da Unio e dos Estados. A LRF tentou modificar esse costume, criando

    exigncias para que todos os entes obtenham sua arrecadao prpria.

    Essa necessidade de arrecadao prpria ainda mais significativa no que

    diz respeito aos impostos, que so as fontes preferenciais de obteno de

    recursos tributrios. Tanto que a LRF prev uma punio a quem no

    instituir, prever e/ou arrecadar os respectivos impostos: o ente federado

    faltoso no poder receber recursos de transferncias voluntrias

    (geralmente, convnios) de outros entes.

    Entretanto, essa punio aliviada posteriormente:

    Art. 25, 3 Para fins da aplicao das sanes de suspenso de transferncias

    voluntrias constantes desta Lei Complementar, excetuam-se aquelas relativas

    a aes de educao, sade e assistncia social.

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    O raciocnio por trs dessa aliviada no castigo aos entes federados que a

    populao no poderia pagar um preo muito alto por causa da ao

    irresponsvel dos governantes locais. Assim, recursos relativos s reas de

    sade, educao e assistncia social continuaro sendo transferidos,

    mesmo para entes que no tenham se esforado para obter arrecadao

    prpria.

    Sobre a previso de receita, a LRF traz o seguinte:

    Art. 12. As previses de receita observaro as normas tcnicas e legais,

    consideraro os efeitos das alteraes na legislao, da variao do ndice de

    preos, do crescimento econmico ou de qualquer outro fator relevante e sero

    acompanhadas de demonstrativo de sua evoluo nos ltimos trs anos, da

    projeo para os dois seguintes quele a que se referirem, e da metodologia de

    clculo e premissas utilizadas.

    1 Reestimativa de receita por parte do Poder Legislativo s ser admitida se

    comprovado erro ou omisso de ordem tcnica ou legal.

    2 O montante previsto para as receitas de operaes de crdito no poder

    ser superior ao das despesas de capital constantes do projeto de lei

    oramentria.

    3 O Poder Executivo de cada ente colocar disposio dos demais Poderes

    e do Ministrio Pblico, no mnimo trinta dias antes do prazo final para

    encaminhamento de suas propostas oramentrias, os estudos e as estimativas

    das receitas para o exerccio subsequente, inclusive da corrente lquida, e as

    respectivas memrias de clculo.

    O caput e o 1 do art. 12 refletem o carter tcnico que deve cercar a

    previso de receita. Os parlamentares no podem inflar a receita prevista

    pelo Executivo, abrindo margem para novas despesas, com base em critrios

    subjetivos e, por deduo, o Executivo tambm deve pautar-se em

    estudos e clculos plausveis para realizar a estimativa. Apenas erro ou

    omisso de natureza tcnica ou legal podem justificar uma emenda de receita.

    Portanto, so fatores a se considerar no momento de prever as receitas:

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    normas tcnicas e legais. Nesse ponto, trata-se principalmente da

    legislao que rege as receitas e permite sua arrecadao, considerando

    os fatos geradores, o conjunto de contribuintes alcanados pela cobrana

    etc.

    efeitos das alteraes na legislao. No caso de estar sendo discutida e/ou

    votada alterao na legislao tributria no mbito do Legislativo,

    possvel transferir ao oramento os efeitos potenciais da arrecadao

    afetada por tais mudanas. Inclusive, registra-se que a Unio tem fixado

    despesas condicionadas na LOA, executveis medida que as receitas

    potenciais, advindas de alteraes legislativas, sejam aprovadas.

    efeitos do crescimento econmico. A previso de uma crise econmica,

    ou, pelo contrrio, de uma acelerao nas atividades econmicas,

    pode trazer efeitos importantes sobre os nveis de arrecadao. Esses

    fatores devem ser cotejados ao se projetar o montante de receita para o

    oramento.

    efeitos de qualquer outro fator relevante. Aqui, podemos pensar, a ttulo

    de ilustrao, na informatizao da logstica de arrecadao de certa

    receita, potencializando a ao do Fisco e diminuindo a evaso, ou num

    evento excepcional, que aumente o consumo de bens e servios como

    a Copa do Mundo no Brasil.

    O 2 do art. 12 da LRF foi declarado inconstitucional, em liminar, no

    mbito da j mencionada ADIN 2.238. que, apesar de reproduzir a regra de

    ouro, que j estudamos, esse dispositivo no trouxe a exceo constante da

    CF/88 (art. 167, inc. III), que permite a desobedincia regra de ouro

    mediante a aprovao, por maioria absoluta dos parlamentares, de crditos

    suplementares ou especiais.

    Por fim, o 3 exige que o Executivo, depois de ter projetado a arrecadao

    da receita, com base em tudo isso que vimos acima, disponibilize aos

    outros Poderes e ao MP as informaes necessrias, para que estes

    elaborem suas propostas oramentrias. Esse repasse de informaes deve

    ocorrer no mnimo 30 dias antes do prazo final para encaminhamento das

    propostas setoriais SOF.

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    Como isso cai na prova?

    21. (FGV/ANALISTA/SAD-PE/2008) Constituem requisitos essenciais da

    responsabilidade na gesto fiscal a instituio, previso e efetiva

    arrecadao de todos os tributos da competncia constitucional do ente da

    Federao.

    22. (CESPE/TCNICO SUPERIOR/IPEA/2008) Afronta o conceito de

    responsabilidade fiscal da receita o fato de, at a presente oportunidade, a

    Unio no ter institudo o imposto sobre grandes fortunas.

    23. (CESPE/ANALISTA/MMA/2008) A Lei de Diretrizes Oramentrias (LDO)

    determina que as autorizaes de despesas, constantes do projeto de lei

    oramentria, devem considerar os efeitos das alteraes na legislao,

    da variao dos ndices de preos, do crescimento econmico e de

    qualquer outro fator relevante.

    A questo 21 est CERTA: trata-se de uma reproduo do caput do art. 11 da

    LRF.

    A questo 22 mais exigente, e traz um exemplo de falha da Unio quanto

    responsabilidade fiscal. Apesar de autorizada pela CF/88 (art. 153, inc. VII), a

    Unio ainda no instituiu esse imposto. Questo CERTA.

    H dois problemas na questo 23. Primeiramente, quem traz essas

    determinaes a LRF, e no a LDO. Em segundo lugar, tais exigncias

    referem-se s previses de receita, no s autorizaes de despesas. Questo

    ERRADA.

    Renncia de receita

    De cara, vamos lei seca:

    Art. 14. A concesso ou ampliao de incentivo ou benefcio de natureza

    tributria da qual decorra renncia de receita dever estar acompanhada de

    estimativa do impacto oramentrio-financeiro no exerccio em que deva

    iniciar sua vigncia e nos dois seguintes, atender ao disposto na lei de

    diretrizes oramentrias e a pelo menos uma das seguintes condies:

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    I - demonstrao pelo proponente de que a renncia foi considerada na

    estimativa de receita da lei oramentria, na forma do art. 12, e de que no

    afetar as metas de resultados fiscais previstas no anexo prprio da lei de

    diretrizes oramentrias;

    II - estar acompanhada de medidas de compensao, no perodo mencionado

    no caput, por meio do aumento de receita, proveniente da elevao de

    alquotas, ampliao da base de clculo, majorao ou criao de tributo ou

    contribuio.

    1 A renncia compreende anistia, remisso, subsdio, crdito presumido,

    concesso de iseno em carter no geral, alterao de alquota ou

    modificao de base de clculo que implique reduo discriminada de tributos

    ou contribuies, e outros benefcios que correspondam a tratamento

    diferenciado.

    2 Se o ato de concesso ou ampliao do incentivo ou benefcio de que trata

    o caput deste artigo decorrer da condio contida no inciso II, o benefcio s

    entrar em vigor quando implementadas as medidas referidas no mencionado

    inciso.

    Antes de prosseguir, pode-se perguntar: por que um ente pblico deixaria de

    arrecadar receita?

    Vrias razes podem justificar essa deciso. Por exemplo, um municpio pode

    conceder descontos sobre o IPTU relativamente s empresas que se

    instalarem em seu territrio a partir de certa data. Renuncia-se a parte

    da arrecadao para, ao mesmo tempo, aumentar a atividade econmica local

    (o que vai resultar, futuramente, em maior arrecadao tributria).

    Ainda como exemplo, um Estado poderia favorecer o desenvolvimento de

    determinado setor produtivo, diminuindo a incidncia do ICMS sobre os

    gneros comercializados desse ramo.

    Portanto, tendo em vista que a obteno de receita primordial para a

    manuteno do equilbrio fiscal, renunciar arrecadao de certas receitas

    deve ser algo bastante justificvel.

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    Alm dos instrumentos j definidos legalmente (anistia, remisso, subsdio,

    crdito presumido e iseno), o 1 aponta o principal critrio para se

    classificar certa medida como renncia de receita: os efeitos devem ser

    no gerais, ou seja, no podem alcanar todos os contribuintes obrigados

    ao pagamento. Portanto, renncia de receita, para a LRF, consiste num

    tratamento diferenciado quanto ao conjunto de contribuintes.

    Para se conceder ou ampliar incentivos/benefcios tributrios, as metas de

    resultado (aquelas do Anexo de Metas Fiscais) no podem ser afetadas, ou

    todo o trabalho de equilbrio das contas seria posto a perder.

    Assim, necessrio fazer um trabalho de planejamento a respeito da renncia

    de receita pretendida. Deve-se projetar o impacto dessa operao, em

    termos oramentrios e financeiros, para o exerccio de incio da vigncia e

    para os dois subsequentes.

    Outro ponto importante sobre a renncia de receita a necessidade, ou no,

    de compensao dos recursos que deixam de ser arrecadados.

    Por exemplo, se as condies fiscais do ente federado permitem que ele

    simplesmente renuncie a parte da arrecadao, sem maiores problemas

    quanto s metas fiscais, pode-se editar uma LOA com receita j abatida da

    renncia, no sendo necessrio instituir quaisquer compensaes.

    Por outro lado, para renunciar a receita sem ter havido a previso, na LOA, da

    receita j diminuda, a alternativa a obteno, a partir de outra fonte,

    dos recursos correspondentes para a compensao. Dispensa-se a

    arrecadao de um lado para se obter o equivalente a partir de outro setor ou

    atividade econmica. Perceba que, nesse caso, no se pode simplesmente

    desprezar a previso da receita feita pela LOA, diminuindo a arrecadao.

    Nesse sentido, so opes de compensao renncia de receita: a criao

    ou majorao de novo tributo; a elevao de alquotas; a ampliao da

    base de clculo de tributo j existente.

    A LRF indica, adicionalmente, que, sendo necessrio instituir medidas de

    compensao, a renncia de receita s poder se efetivar depois de tais

    medidas entrarem em vigor. Como diz o ditado, o seguro morreu de

    velho!

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    Como isso cai na prova?

    24. (FGV/AUDITOR/TCM-PA/2008) Qualquer subsdio ou iseno, reduo de

    base de clculo, concesso de crdito presumido, anistia ou remisso,

    relativos a impostos, taxas e contribuies poder ser concedido mediante

    lei especfica ou por decreto do Chefe do Poder Executivo, caso a

    estimativa de impacto oramentrio-financeiro exija urgncia na reposio

    de receita.

    25. (CESPE/PROCURADOR/TCE-ES/2009) Segundo a LRF, o benefcio

    concernente ampliao de incentivo de natureza tributria da qual

    decorra renncia de receita, dependente de medidas de compensao, por

    meio do aumento de receita, s entrar em vigor no primeiro dia do

    exerccio seguinte.

    26. (FGV/AUDITOR/TCM-PA/2008) A concesso de benefcio de natureza

    tributria da qual decorra renncia de receita dever estar acompanhada

    de estimativa do impacto oramentrio-financeiro no exerccio em que

    deva iniciar sua vigncia, bem como no exerccio seguinte, alm de

    atender ao disposto na lei de diretrizes oramentrias.

    A questo 24 est ERRADA. Para que seja concedida a renncia de receita,

    devem ser observadas as condies da LRF. Alm disso, a questo

    incoerente, pois, havendo urgncia na reposio de receita, no o caso de

    efetivar novas renncias.

    A questo 25 tambm est ERRADA. O requisito para entrada em vigor da

    renncia de receita a implementao das medidas de compensao.

    A estimativa de impacto oramentrio-financeiro da renncia de receita

    obrigatria, devendo abranger o exerccio de incio e os dois seguintes (no

    apenas um seguinte). A questo 26 est ERRADA.

    Gerao de despesa

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    Vamos comear nosso estudo sobre regras e condies para gerao de

    despesa pelo art. 16 da LRF:

    Art. 16. A criao, expanso ou aperfeioamento de ao governamental que

    acarrete aumento da despesa ser acompanhado de:

    I - estimativa do impacto oramentrio-financeiro no exerccio em que deva

    entrar em vigor e nos dois subsequentes;

    II - declarao do ordenador da despesa de que o aumento tem adequao

    oramentria e financeira com a lei oramentria anual e compatibilidade com

    o plano plurianual e com a lei de diretrizes oramentrias.

    1 Para os fins desta Lei Complementar, considera-se:

    I - adequada com a lei oramentria anual, a despesa objeto de dotao

    especfica e suficiente, ou que esteja abrangida por crdito genrico, de forma

    que somadas todas as despesas da mesma espcie, realizadas e a realizar,

    previstas no programa de trabalho, no sejam ultrapassados os limites

    estabelecidos para o exerccio;

    II - compatvel com o plano plurianual e a lei de diretrizes oramentrias, a

    despesa que se conforme com as diretrizes, objetivos, prioridades e metas

    previstos nesses instrumentos e no infrinja qualquer de suas disposies.

    2 A estimativa de que trata o inciso I do caput ser acompanhada das

    premissas e metodologia de clculo utilizadas.

    3 Ressalva-se do disposto neste artigo a despesa considerada irrelevante, nos

    termos em que dispuser a lei de diretrizes oramentrias.

    4 As normas do caput constituem condio prvia para:

    I - empenho e licitao de servios, fornecimento de bens ou execuo de

    obras;

    II - desapropriao de imveis urbanos a que se refere o 3 do art. 182 da

    Constituio.

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    Com a exceo de despesas irrelevantes (a serem conceituadas pela LDO),

    os incisos do art. 16 tratam das condies para que se crie ou amplie uma

    despesa referente a criao, expanso ou aperfeioamento de ao

    governamental (normalmente, trata-se de aes oramentrias do tipo

    projeto).

    Voc j deve ter percebido que esse prazo de 3 exerccios aparece

    algumas vezes na LRF. Aquela histria da ao planejada que vimos

    logo no incio da aula se reflete, entre outras coisas, na observncia dos

    efeitos de certos fenmenos ou atos durante esse perodo.

    Assim, a gerao da despesa deve ser acompanhada da estimativa de

    impacto oramentrio-financeiro no exerccio de incio e nos dois

    seguintes.

    Perceba tambm que a despesa criada ou ampliada deve ser compatvel com

    o PPA e a LDO, e ter adequao oramentria e financeira com a LOA.

    Sem o cumprimento dessas condies, no se pode iniciar a execuo da

    despesa nova: nada de empenhar, realizar licitao, contratar bens ou

    servios ou, at mesmo, desapropriar imveis urbanos (o que, conforme a

    CF/88, deve ser indenizado previamente e em dinheiro).

    Como isso cai na prova?

    27. (CESPE/ADVOGADO/AGU/2008) A criao de ao governamental que

    acarrete despesa pblica ser acompanhada de estimativa do impacto

    oramentrio-financeiro no exerccio em que deva entrar em vigor e nos

    dois subsequentes.

    28. (FCC/ESPECIALISTA/PREF. SO PAULO/2010) A despesa considerada

    irrelevante aspecto do planejamento que deve estar previsto

    (A) na LOA Lei Oramentria Anual.

    (B) na LDO Lei de Diretrizes Oramentrias.

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    (C) na LDO Lei Oramentria Anual e no PPA Plano Plurianual.

    (D) no PPA Plano Plurianual.

    (E) no PPA Plano Plurianual e na LOA Lei Oramentria Anual.

    29. (FCC/APOFP/SEFAZ-SP/2010) Sobre despesa pblica, correto afirmar

    que dispensa compatibilidade com o plano plurianual, desde que adequada

    lei oramentria anual e lei de diretrizes oramentrias, bem assim

    que esteja inserida em dotao especfica e suficiente ou abrangida por

    crdito genrico.

    A questo 27 teve sua redao baseada no art. 16, caput e inc. I, da LRF.

    Questo CERTA.

    Na questo 28, os critrios para se considerar uma despesa como irrelevante

    devem ser fixados pela LDO, conforme o art. 16, 3, da LRF. Gabarito: B.

    Como j vimos, todos os instrumentos e procedimentos de natureza

    oramentria devem ser compatveis com o PPA. A questo 29 est ERRADA.

    Despesas obrigatrias de carter continuado

    As despesas obrigatrias de carter continuado (DOCC) tm suas

    caractersticas discriminadas no art. 17 da LRF:

    Art. 17. Considera-se obrigatria de carter continuado a despesa corrente

    derivada de lei, medida provisria ou ato administrativo normativo que fixem

    para o ente a obrigao legal de sua execuo por um perodo superior a dois

    exerccios.

    1 Os atos que criarem ou aumentarem despesa de que trata o caput devero

    ser instrudos com a estimativa prevista no inciso I do art. 16 e demonstrar a

    origem dos recursos para seu custeio.

    2 Para efeito do atendimento do 1, o ato ser acompanhado de

    comprovao de que a despesa criada ou aumentada no afetar as metas de

    resultados fiscais previstas no anexo referido no 1 do art. 4, devendo seus

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    efeitos financeiros, nos perodos seguintes, ser compensados pelo aumento

    permanente de receita ou pela reduo permanente de despesa.

    3 Para efeito do 2, considera-se aumento permanente de receita o

    proveniente da elevao de alquotas, ampliao da base de clculo, majorao

    ou criao de tributo ou contribuio.

    4 A comprovao referida no 2, apresentada pelo proponente, conter as

    premissas e metodologia de clculo utilizadas, sem prejuzo do exame de

    compatibilidade da despesa com as demais normas do plano plurianual e da lei

    de diretrizes oramentrias.

    5 A despesa de que trata este artigo no ser executada antes da

    implementao das medidas referidas no 2, as quais integraro o

    instrumento que a criar ou aumentar.

    6 O disposto no 1 no se aplica s despesas destinadas ao servio da

    dvida nem ao reajustamento de remunerao de pessoal de que trata o inciso

    X do art. 37 da Constituio.

    7 Considera-se aumento de despesa a prorrogao daquela criada por prazo

    determinado.

    Diferentemente das despesas que comentamos h pouco, relativas a criao,

    expanso ou aperfeioamento da ao governamental, e que caracterizam

    tipicamente investimentos, as DOCC so despesas correntes, ou seja, de

    manuteno da mquina administrativa e de servios pblicos.

    Por serem despesas correntes, as DOCC no importam enriquecimento do

    Estado (o que caracterstica das despesas de capital). Portanto, DOCC so

    executadas em favor de atividades e servios que beneficiam direta ou

    indiretamente a sociedade, mas que no envolvem aumento patrimonial.

    Vale anotar as outras caractersticas dessas despesas: elas so obrigatrias,

    em virtude de serem institudas por atos normativos, e so de longo prazo

    (mais que dois exerccios).

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    Todas essas caractersticas das DOCC trazem alto risco para o equilbrio

    fiscal: trata-se de despesas que diminuem o patrimnio, que duram bastante

    tempo e cuja execuo no pode ser interrompida.

    por isso que a LRF traz tantas condies para a criao de DOCC. Vamos

    esquematiz-las:

    estimativa do impacto oramentrio-financeiro no exerccio em que a

    despesa deva entrar em vigor e nos dois subsequentes;

    demonstrao da origem dos recursos para custeio;

    comprovao de no afetao das metas de resultado fiscais do AMF;

    compensao por meio de aumento permanente de receita ou reduo

    permanente de despesa;

    incio da execuo da DOCC apenas depois das medidas de compensao.

    Veja que, diferentemente da renncia de receita, que pode ser absorvida

    pela LOA, a LRF no d alternativa quanto s DOCC: elas devem ser

    acompanhadas de medidas de compensao, e ponto final.

    Essas medidas de compensao so aquelas que servem tambm para as

    renncias de receita, j comentadas (envolvendo aumento de receita). Mas,

    aqui, tambm se pode compensar por meio da reduo de despesa. De

    qualquer forma, as medidas de compensao, em nome da segurana fiscal,

    devem ser institudas no mesmo instrumento que criar a DOCC.

    O 6 estabelece duas excees classificao de despesas como DOCC.

    Apesar de apresentarem todas as caractersticas aqui estudadas, elas no

    precisaro se submeter a esse rgido regime de aprovao e execuo. Trata-

    se das despesas relativas ao pagamento da dvida pblica e ao reajuste

    geral do funcionalismo.

    O 7 do art. 17 evita que uma despesa seja criada para um perodo curto,

    fugindo classificao como DOCC, e, posteriormente, seja prorrogada.

    Assim, estaramos diante de uma DOCC camuflada, desobrigada de seguir

    todas essas regras.

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    Para evitar essa situao, a prorrogao de uma despesa normal ser

    considerada aumento de despesa, e, dessa forma, ser enquadrada nas

    regras das DOCC.

    Relembrando o que vimos anteriormente, o Anexo de Metas Fiscais da LDO

    dever conter um demonstrativo da estimativa e compensao da

    renncia de receita e da margem de expanso das despesas obrigatrias de

    carter continuado, e a LOA, por seu turno, trar as prprias medidas de

    compensao a renncias de receita e ao aumento de despesas obrigatrias

    de carter continuado.

    Para finalizar, segundo o art. 15 da LRF, a gerao de despesa ou a assuno

    de obrigao que no atendam s regras para criao de despesa com

    investimentos (art. 16) e de DOCC (art. 17) sero consideradas no

    autorizadas, irregulares e lesivas ao patrimnio pblico.

    Como isso cai na prova?

    30. (FGV/ESPECIALISTA/FNDE/2007) A despesa obrigatria de carter

    continuado aquela despesa corrente derivada de lei, medida provisria

    ou ato administrativo normativo que fixem para o ente a obrigao legal

    de sua execuo por um perodo superior a dois anos.

    31. (CESPE/ADVOGADO/AGU/2008) A reviso geral anual da remunerao de

    servidores pblicos uma exceo necessidade de que, para o aumento

    da despesa, seja demonstrada a origem dos recursos para seu custeio.

    32. (FGV/ANALISTA/SAD-PE/2008) No considerada aumento de despesa a

    prorrogao da despesa criada de acordo com as regras da LC 101/2000,

    ainda que por prazo determinado.

    33. (FCC/ANALISTA/TRT-23/2007) Os atos que aumentarem ou criarem

    despesa obrigatria de carter continuado para um ente da federao

    devero demonstrar a origem de recursos para seu custeio.

    A questo 30 apenas reproduz o conceito legal de DOCC. Questo CERTA.

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    A questo 31 indica corretamente uma das excees s exigncias das DOCC.

    Apesar de se caracterizar como tal, a reviso geral anual do funcionalismo no

    precisa obedecer s limitaes da LRF quanto ao tema. Questo CERTA.

    A questo 32 est ERRADA: o problema foi a negao de uma previso legal

    (art. 17, 7, da LRF).

    O enunciado da questo 33 reproduz uma das condies para a criao de

    DOCC. Questo CERTA.

    Despesa com pessoal

    A despesa com pessoal constitui um dos grandes pontos de interesse da Lei de

    Responsabilidade Fiscal, pelo volume que assume nos gastos pblicos e

    pelas caractersticas de risco para o equilbrio fiscal.

    Para garantir a sustentabilidade das contas pblicas, as despesas com pessoal

    devem ser mantidas sobre controle, em virtude de suas caractersticas de

    DOCC.

    Despesas com pessoal so eternas, no sentido de no poderem, em

    princpio, ser reduzidas ou cortadas. E ainda h os casos de prorrogao, ao

    se transformar a remunerao de pessoal ativo em penses ou

    aposentadorias.

    Em virtude dessas observaes, faz parte da responsabilidade na gesto fiscal

    manter sob controle as despesas com pessoal.

    Para a LRF (art. 18), a despesa total com pessoal de um ente federado

    abrange os seguintes itens:

    (...) gastos com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos

    eletivos, cargos, funes ou empregos, civis, militares e de membros de Poder,

    com quaisquer espcies remuneratrias, tais como vencimentos e vantagens,

    fixas e variveis, subsdios, proventos da aposentadoria, reformas e penses,

    inclusive adicionais, gratificaes, horas extras e vantagens pessoais de

    qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuies recolhidas pelo

    ente s entidades de previdncia.

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    Alm dessas, so contabilizadas como outras despesas de pessoal aquelas

    referentes terceirizao de mo de obra que venha a substituir

    servidores e empregados pblicos. A terceirizao de mo de obra que

    no sirva a tal fim continuar sendo classificada como outras despesas

    correntes.

    Para a contabilizao da despesa com pessoal, so apuradas as despesas

    executadas no ms de referncia e nos onze anteriores, obedecendo ao

    regime de competncia (ou seja, leva-se em considerao o fato gerador

    da despesa, e no a sada dos recursos do caixa). Esse perodo de

    apurao (ms de referncia + 11 anteriores) o mesmo da receita

    corrente lquida, que, como j dito, a base de comparao para

    diversos clculos e limites da LRF.

    A LRF instituiu os limites mximos da despesa total com pessoal, calculados

    tambm sobre a RCL. Tais limites so de 50% da RCL para a Unio e de

    60% da RCL para Estados, DF e Municpios.

    Para realizar o clculo da despesa com pessoal, definindo seu percentual em

    relao RCL, so feitas algumas dedues, das quais podemos destacar

    as seguintes:

    indenizao por demisso de servidores ou empregados;

    incentivos demisso voluntria;

    decorrentes de deciso judicial e da competncia de perodo anterior

    ao da apurao da despesa total com pessoal (11 meses anteriores);

    despesas com inativos no suportadas diretamente pelo oramento do

    ente pblico.

    Os limites de 50% ou 60% so, por fim, rateados entre os Poderes e rgos

    dos entes federados, cabendo a maior parcela ao Executivo (maior

    empregador, como regra). Vejamos um quadro demonstrativo desse rateio:

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    % sobre receita corrente lquida

    UNIO (mximo de 50% da RCL)

    Executivo Legis lativo (incluindo o TCU) Judicirio MPU

    40,9% 2,5% 6% 0,6%

    ESTADOS/DF (mximo de 60% da RCL)

    Executivo Legislativo (incluindo o TCE) Judicirio MPE

    49%

    (48,6% se houver TCM)

    3%

    (3,4% se houver TCM) 6% 2%

    MUNICPIOS (mximo de 60% da RCL)

    Executivo Legislativo (incluindo TC do M, quando

    houver)

    54% 6%

    Entrando um pouco na seara do Direito Constitucional, vamos diferenciar

    Tribunal de Contas dos Municpios (TCM) de Tribunal de Contas do

    Municpio (TC do M).

    A CF/88 permite (art. 31, 1) que os estados instituam um tribunal de

    contas especializado para exercer atividades de controle externo sobre

    os municpios do estado. Esse o Tribunal de Contas dos Municpios, um

    rgo estadual.

    Atualmente, quatro estados tm TCM em sua estrutura orgnica: Par,

    Cear, Bahia e Gois.

    No havendo esse rgo especializado, o controle dos municpios ser

    exercido pelo prprio Tribunal de Contas do Estado, em auxlio s

    Cmaras de Vereadores.

    Quando aos Tribunais de Contas do Municpio (rgos municipais), s

    existem dois: o do municpio de So Paulo e o do Rio de Janeiro. E no

    podem existir outros: a CF/88 proibiu a criao de novos tribunais desse

    tipo (art. 31, 4).

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    Como isso cai na prova?

    34. (CESPE/ACE/TCU/2008) Para efeitos da LRF, a despesa total com pessoal

    engloba o somatrio dos gastos do ente da Federao com os ativos, os

    inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funes

    ou empregos, civis, militares e de membros de poder, com quaisquer

    espcies remuneratrias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e

    variveis, subsdios, proventos da aposentadoria, reformas e penses,

    inclusive adicionais, gratificaes, horas extras e vantagens pessoais de

    qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuies recolhidas

    pelo ente s entidades de previdncia.

    35. (FCC/AUDITOR/TCE-AM/2007) Na despesa total de pessoal, para fins de

    verificao dos limites definidos na Lei da Responsabilidade Fiscal NO

    ser computada a despesa com

    (A) vantagens variveis.

    (B) indenizao por demisso de servidores ou empregados.

    (C) gratificaes.

    (D) horas extras.

    (E) encargos sociais e contribuies recolhidas pelo ente s entidades de

    previdncia.

    36. (FCC/CONTADOR/DNOCS/2010) A despesa total com pessoal da Unio

    no poder exceder a 60% de sua receita lquida corrente e, a dos

    Estados e Municpios, a 50% de suas receitas lquidas.

    O comprido texto da questo 34 limitou-se a copiar o teor do art. 18 da LRF.

    Questo CERTA.

    Das alternativas da questo 35, a que no se inclui no clculo da despesa total

    com pessoal a indenizao por demisso. Gabarito: B.

    Na questo 36, inverteram-se os nmeros: o limite da despesa com pessoal da

    Unio de 50% da RCL, e dos Estados e Municpios, 50%. Questo ERRADA.

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    Controle da despesa total com pessoal

    A LRF determina que seja considerado nulo de pleno direito o ato que

    provoque aumento da despesa com pessoal e no atenda s seguintes

    exigncias:

    condies dos arts. 16 e 17 (gerao de despesa e de DOCC);

    disposio do art. 37, inc. XIII, da CF/88 (proibio de vinculao ou

    equiparao de espcies remuneratrias para efeito de remunerao

    de pessoal);

    disposio do art. 169, 1, da CF/88 (autorizao da LDO e previso

    na LOA para aumento da despesa com pessoal);

    obedincia ao limite legal das despesas com pessoal inativo;

    proibio de aumento da despesa com pessoal nos ltimos 180 dias do

    mandato do chefe de Poder.

    Alm disso, os Poderes e rgos dos entes federados no devem esperar que a

    despesa com pessoal ultrapasse o limite mximo para fazerem alguma coisa. A

    LRF tambm instituiu procedimentos de cautela, no tocante a esse assunto.

    Essa cautela se refletiu no estabelecimento de sublimites a serem

    observados, da seguinte forma:

    limite de alerta: 90% do limite mximo. Ultrapassado esse ponto, os

    Tribunais de Contas devem alertar ao rgo ou Poder respectivo a

    respeito do fato;

    limite prudencial: 95% do limite mximo da despesa total com

    pessoal. Ultrapassado esse limite, o rgo ou Poder deve iniciar

    procedimentos de controle da despesa com pessoal: fica proibido

    conceder vantagem, aumento, reajuste (salvo por determinao legal,

    judicial ou contratual), criar cargos, empregos ou funes, admitir

    pessoal, contratar hora extra etc.

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    limite mximo da despesa total com pessoal: 50% ou 60% da RCL,

    conforme o caso. Ultrapassado o limite mximo, o percentual excedente

    dever ser eliminado nos dois quadrimestres seguintes, sendo, pelo

    menos, um tero no primeiro quadrimestre. E, para essa eliminao do

    excesso, podem-se adotar as medidas sequenciais indicadas no art. 169,

    3 e 4, da CF/88, a saber: reduo das despesas com cargos em

    comisso e funes de confiana; exonerao de servidores no

    estveis; e, por fim, se necessrio, exonerao de servidores

    estveis.

    Se a eliminao do excesso da despesa com pessoal no for alcanada no

    prazo legal, o ente federado fica proibido de receber transferncias

    voluntrias, contratar operaes de crdito (exceto para

    refinanciamento da dvida mobiliria e para reduo das despesas com

    pessoal) e de receber garantia de outro ente.

    Como isso cai na prova?

    37. (FCC/PROCURADOR/TCE-AP/2010) Se a despesa total com pessoal

    exceder a 95% do limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal,

    NO ser vedado ao Poder ou rgo referido nesta Lei que houver

    incorrido no excesso

    (A) conceder vantagem, aumento, reajuste ou adequao de remunerao

    a qualquer ttulo, salvo excees.

    (B) alterar estrutura de carreira que implique aumento de despesa.

    (C) extinguir cargo ou funo.

    (D) criar cargo, emprego ou funo.

    (E) realizar provimento de cargo pblico, admisso ou contratao de

    pessoal a qualquer ttulo, com ressalvas legais.

    38. (FCC/TCNICO/TCM-PA/2010) Os Tribunais de Contas alertaro os

    Poderes ou rgos citados no art. 20 da Lei de Responsabilidade Fiscal

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    quando constatarem que o montante da despesa total com pessoal

    ultrapassou

    (A) 75% do limite.

    (B) 80% do limite.

    (C) 90% do limite.

    (D) 95% do limite.

    (E) 190% do limite.

    39. (CESPE/AUDITOR/AUGE-MG/2009) No caso de ultrapassagem do limite da

    despesa com pessoal e no alcanada a reduo no prazo estabelecido

    pela legislao, o ente no poder receber transferncia voluntria.

    40. (CESPE/CONTROLADOR/PREF. VITRIA/2008) De acordo com a LRF,

    qualquer ato de prefeito municipal que resulte em aumento de despesa

    com pessoal, expedido nos cento e oitenta dias anteriores ao final de seu

    mandato, nulo de pleno direito.

    Na questo 37, com a ultrapassagem do limite de 95% da despesa total com

    pessoal, o Poder ou rgo afetado no poder executar qualquer das aes

    referidas na questo 25, exceto a extino de cargos e funes (que no

    representam obviamente, aumento de despesa). Gabarito: C.

    Na questo 38, o sublimite a ser observado para emisso de alerta pelos

    Tribunais de Contas, no tocante despesa total com pessoal, de 90% do

    limite mximo. Gabarito: C.

    A questo 39 est CERTA: a proibio de receber transferncias voluntrias

    uma das principais punies que os entes federados podem sofrer pelo

    descumprimento de regras da LRF, inclusive essa, referente ao controle da

    despesa com pessoal.

    A questo 40 est ERRADA: como visto, h despesas com pessoal que so

    excepcionadas pela LRF, no compondo o limite, como as despesas com

    demisso voluntria, despesas com pessoal inativo no custeadas pelo

    oramento, etc.

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    Transparncia da gesto fiscal

    Como destacamos logo de incio, a LRF pressupe a ao planejada e

    transparente no tocante s finanas pblicas.

    A transparncia da gesto fiscal garantida por alguns instrumentos, aos

    quais se deve dar ampla divulgao, inclusive em meios eletrnicos de

    acesso pblico. Os instrumentos e meios de garantir a transparncia fiscal

    foram indicados pela Lei, em seus arts. 48 e 49.

    Resumindo, so instrumentos de transparncia da gesto fiscal:

    os planos, oramentos e leis de diretrizes oramentrias;

    as prestaes de contas e o respectivo parecer prvio;

    o Relatrio Resumido da Execuo Oramentria (relatrio bimestral,

    abrangendo todos os Poderes, que reflete a execuo da receita e da

    despesa)

    o Relatrio de Gesto Fiscal (relatrio que reflete a obedincia, pelo

    Poder ou rgo emissor, quanto aos limites e critrios da

    responsabilidade fiscal montante da dvida, despesa com pessoal,

    operaes de crdito etc.);

    as verses simplificadas desses documentos.

    Alm disso, tambm esto previstos como formas de garantir a transparncia

    da gesto fiscal:

    incentivo participao popular e realizao de audincias pblicas,

    durante os processos de elaborao e discusso dos planos, lei de

    diretrizes oramentrias e oramentos (aqui, poderia ser citado como

    exemplo a adoo do oramento participativo);

    liberao ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em

    tempo real, de informaes pormenorizadas sobre a execuo

    oramentria e financeira, em meios eletrnicos de acesso pblico;

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    adoo, pelos entes federados, de sistema integrado de

    administrao financeira e controle, com padro mnimo de

    qualidade estabelecido pela Unio (ou seja, uma verso do SIAFI para

    adoo pelos entes federados).

    As informaes pormenorizadas em tempo real sobre a execuo

    oramentria e financeira dos entes federados, a serem publicadas na

    Internet, devem abranger o seguinte:

    quanto despesa: no mnimo, dados referentes ao nmero do

    processo, ao bem fornecido ou ao servio prestado, pessoa fsica ou

    jurdica beneficiria do pagamento e, quando for o caso, ao

    procedimento licitatrio realizado;

    quanto receita: o lanamento e o recebimento de toda a receita das

    unidades gestoras, inclusive referente a recursos extraordinrios.

    No caso da Unio, os dados sobre a execuo oramentria e financeira, entre

    outros, esto disponveis no Portal da Transparncia

    (www.transparencia.gov.br).

    Alm dessa disponibilizao de informaes na Internet, a LRF prev

    tambm meios fsicos de exercer a transparncia fiscal. Nesse sentido,

    o art. 49 prev que as contas apresentadas pelo Chefe do Poder

    Executivo ficaro disponveis, durante todo o exerccio, no respectivo

    Poder Legislativo e no rgo tcnico responsvel pela sua elaborao,

    para consulta e apreciao pelos cidados e instituies da sociedade.

    Como isso cai na prova?

    41. (FGV/ANALISTA/SEFAZ-RJ/2011) A seguir, so elencados instrumentos da

    transparncia da gesto fiscal, EXCEO DE UM. Assinale-o.

    (A) Verso simplificada do relatrio de gesto fiscal.

    (B) Verso simplificada do relatrio resumido oramentrio.

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    (C) O relatrio resumido de execuo oramentria.

    (D) O parecer prvio.

    (E) Verso simplificada da realizao de audincias pblicas.

    42. (CESPE/ACE/TCU/2008) Entre os mecanismos de transparncia da gesto

    fiscal mencionados pela Lei de Responsabilidade Fiscal, destacam-se a

    participao popular e a realizao de audincias pblicas durante os

    processos de apreciao das contas dos dirigentes e responsveis pelos

    rgos e entidades da administrao e, tambm, antes do julgamento

    dessas contas.

    43. (FCC/TCNICO/TCE-MG/2007) As contas apresentadas pelo Chefe do

    Executivo ficaro disponveis durante o prazo de seis meses, no respectivo

    Tribunal de Contas.

    Das alternativas da questo 41, a nica que no representa um dos

    instrumentos de transparncia da gesto fiscal, eleitos pela LRF, trata da

    verso simplificada da realizao de audincias pblicas. Gabarito: E.

    A questo 42 est ERRADA. A participao popular e a realizao de audincias

    pblicas referem-se aos processos de elaborao e discusso dos projetos de

    matria oramentria.

    As contas do Chefe do Executivo devem ficar disponveis para ampla consulta

    durante todo o exerccio, no respectivo Poder Legislativo e no rgo tcnico

    responsvel pela elaborao. A questo 43 est ERRADA.

    Relatrio Resumido da Execuo Oramentria

    O Relatrio Resumido da Execuo Oramentria (RREO), como diz seu nome,

    um documento demonstrativo da execuo das receitas e das despesas

    constantes da LOA e dos crditos adicionais.

    um documento bimestral, editado pelo Poder Executivo, mas abrangendo

    todos os Poderes e o MP, e que serve para demonstrar o quanto a execuo

    oramentria corresponde ao planejamento realizado durante o processo de

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    elaborao do oramento, atualizando as informaes conforme o andamento

    do exerccio.

    No RREO, so demonstradas as receitas realizadas e a realizar, bem como as

    despesas executadas e a executar, conforme diversas classificaes

    oramentrias.

    As disposies relativas ao RREO esto nos arts. 52 e 53 da LRF.

    Reproduzimos abaixo esse trecho, em partes:

    Art. 52. O relatrio a que se refere o 3 do art. 165 da Constituio abranger

    todos os Poderes e o Ministrio Pblico, ser publicado at trinta dias aps o

    encerramento de cada bimestre e composto de:

    I - balano oramentrio, que especificar, por categoria econmica, as:

    a) receitas por fonte, informando as realizadas e a realizar, bem como a

    previso atualizada;

    b) despesas por grupo de natureza, discriminando a dotao para o exerccio, a

    despesa liquidada e o saldo;

    II - demonstrativos da execuo das:

    a) receitas, por categoria econmica e fonte, especificando a previso inicial, a

    previso atualizada para o exerccio, a receita realizada no bimestre, a

    realizada no exerccio e a previso a realizar;

    b) de