123
Direito Processual Penal INTENSIVO I Aula Data Tema Professor Obs.: 01 03 08 10 Inquérito Policial I Renato Brasileiro 02 19 08 10 Inquérito Policial II Renato Brasileiro Aula Internet 03 06 09 10 Inquérito Policial III e Ação Penal I Renato Brasileiro 04 08 09 10 Ação Penal II ‘’ 05 10 09 10 Ação Penal III ‘’ 06 21 09 10 Ação Penal IV ‘’ 07 27 09 10 Ação Penal V ‘’ 08 29 09 10 Jurisdição e Competência I ‘’ 09 05 10 10 Jurisdição e Competência II ‘’ 10 13 10 10 Jurisdição e Competência III ‘’ 11 26 10 10 Jurisdição e Competência IV ‘’ 12 27 10 10 Provas I ‘’ 13 05 10 10 Provas II ‘’ 14 09 11 10 Provas III ‘’ 15 23 11 10 Provas IV ‘’ 16 04 01 11 Prisões I ‘’ 17 19 01 11 Prisões II ‘’ Aula Internet 18 24 01 11 Prisões III ‘’ Aula Internet 19 25 01 11 Prisões IV ‘’ Aula Internet 20 21

Direito Processual Penal - Intensivo I 2010

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processo penal resumo lfg anotaçao aula

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Page 1: Direito Processual Penal - Intensivo I 2010

 

Direito Processual Penal  I N T E N S I V O I

Aula  Data  Tema  Professor  Obs.: 01  03  08  10  Inquérito Policial I  Renato Brasileiro   

02  19  08  10  Inquérito Policial II  Renato Brasileiro  Aula Internet 

03  06  09  10  Inquérito Policial III e Ação Penal I  Renato Brasileiro   

04  08  09  10  Ação Penal II  ‘’   

05  10  09  10  Ação Penal III  ‘’   

06  21  09  10  Ação Penal IV  ‘’   

07  27  09  10  Ação Penal V  ‘’   

08  29  09  10  Jurisdição e Competência I  ‘’   

09  05  10  10  Jurisdição e Competência II  ‘’   

10  13  10  10  Jurisdição e Competência III  ‘’   

11  26  10  10  Jurisdição e Competência IV  ‘’   

12  27  10  10  Provas I  ‘’   

13  05  10  10  Provas II  ‘’   

14  09  11  10  Provas III  ‘’   

15  23  11  10  Provas IV  ‘’   

16  04  01  11  Prisões I  ‘’   

17  19  01  11  Prisões II  ‘’  Aula Internet 

18  24  01  11  Prisões III  ‘’  Aula Internet 

19  25  01  11  Prisões IV  ‘’  Aula Internet 

20             

21             

             

   

Page 2: Direito Processual Penal - Intensivo I 2010

 

3.3  Condições Genéricas da Ação Penal ................................................................................................................ 26 

Sumário 

SUMÁRIO ............................................................................................................................................................. 2 

1  BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................................................... 9 

2  INQUÉRITO POLICIAL ............................................................................................................................. 9 

2.1  Conceito ........................................................................................................................................................... 9 

2.2  Natureza Jurídica do Inquérito Policial .............................................................................................................. 9 

2.3  Finalidade do Inquérito Policial ......................................................................................................................... 9 

2.4  Presidência do Inquérito Policial ..................................................................................................................... 10 

2.5  Características do Inquérito Policial ................................................................................................................ 11 

2.6  Formas de Instauração do Inquérito Policial .................................................................................................... 13 

2.7  “Notitia Criminis” ........................................................................................................................................... 13 

2.8  Identificação Criminal ..................................................................................................................................... 15 

2.9  Indiciamento .................................................................................................................................................. 15 

2.10  Incomunicabilidade do Indiciado preso ........................................................................................................... 16 

2.11  Prazo para conclusão do Inquérito .................................................................................................................. 16 2.11.1  Natureza do Prazo para término do Inquérito Policial ..................................................................................... 17 

2.12  Conclusão do Inquérito ................................................................................................................................... 17 

2.13  Arquivamento do Inquérito Policial ................................................................................................................ 19 2.13.1  Fundamentos para o arquivamento do Inquérito Policial ................................................................................ 19 2.13.2  Coisa Julgada na decisão de arquivamento ...................................................................................................... 20 2.13.3  Desarquivamento do Inquérito e provas novas ................................................................................................ 20 2.13.4  Procedimento do arquivamento do inquérito (Justiça Estadual) ..................................................................... 21 2.13.5  Procedimento do arquivamento na Justiça Federal ......................................................................................... 21 2.13.6  Procedimento de arquivamento na Justiça Eleitoral ........................................................................................ 21 2.13.7  Arquivamento nos casos de atribuição do PGJ ou PGR .................................................................................... 21 2.13.8  Arquivamento Indireto ..................................................................................................................................... 22 2.13.9  Arquivamento implícito .................................................................................................................................... 22 2.13.10  Recursos cabíveis no arquivamento ................................................................................................................. 22 

2.14  Trancamento do Inquérito Policial .................................................................................................................. 22 

2.15  Investigação pelo Ministério Público ............................................................................................................... 22 

2.16  Controle externo da atividade policial pelo Ministério Público ........................................................................ 24 2.16.1  Forma do controle externo ............................................................................................................................... 24 

3  AÇÃO PENAL ........................................................................................................................................... 25 

3.1  Conceito ......................................................................................................................................................... 25 

3.2  Condições da Ação ......................................................................................................................................... 25 

Page 3: Direito Processual Penal - Intensivo I 2010

 

3.8.1  Princípio da Inércia da Jurisdição (Ne procedat iudex ex ofício) ........................................................................... 32 8.2

3. ç

 

3.18.1  Conceito ............................................................................................................................................................ 39 8.

3.

3.21.1  Exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias ....................................................................... 44 .

1.23.3.

3.22  Prazo para o oferecimento da peça acusatória ................................................................................................ 46 

3.4  Condições Específicas da Ação Penal ............................................................................................................... 28 

3.5  Condição objetiva de punibilidade .................................................................................................................. 29 

3.6  Condição de Prosseguibilidade ....................................................................................................................... 29 

3.7  Classificação das Ações Penais ........................................................................................................................ 31 

3.8  Princípios da Ação Penal ................................................................................................................................. 32 

3.   Princípio do Ne bis in idem .................................................................................................................................... 32 3.8.3  Princípio da Intranscendência ............................................................................................................................... 33 3.8.4  Princípio da Obrigatoriedade ................................................................................................................................ 33 3.8.5  Princípio da Oportunidade ou da Conveniência .................................................................................................... 34 3.8.6  Princípio da Indisponibilidade ............................................................................................................................... 34 3.8.7  Princípio da Disponibilidade .................................................................................................................................. 34 3.8.8  Princípio da Indivisibilidade ................................................................................................................................... 34 3.8.9  Princípio da Divisibilidade ..................................................................................................................................... 34 

9  A ão Penal nos Crimes contra a honra ............................................................................................................ 35 

3.10 Ação Penal no crime de embriaguez ao volante e participação em competição não autorizada ....................... 35 

3.11  Ação Penal nos crimes ambientais .................................................................................................................. 36 

3.12  Ação Penal nos crimes contra a dignidade pessoal .......................................................................................... 37 

3.13  Ação penal no crime de lesão corporal leve praticada com violência doméstica contra a mulher ..................... 38 

3.14  Ação penal popular ........................................................................................................................................ 38 

3.15  Ação penal secundária .................................................................................................................................... 38 

3.16  Ação de prevenção penal ................................................................................................................................ 38 

3.17  Ação penal adesiva ......................................................................................................................................... 38 

3.18  Representação do ofendido ............................................................................................................................ 39 

3.1 2  Natureza jurídica da representação .................................................................................................................. 39 3.18.3  Direcionamento da representação ................................................................................................................... 39 3.18.4  Prazo para o oferecimento da representação .................................................................................................. 39 3.18.5  Legitimidade para o oferecimento da representação ou queixa‐crime ........................................................... 40 3.18.6  Retratação da representação ........................................................................................................................... 40 3.18.7  Eficácia objetiva da representação ................................................................................................................... 41 

19  Requisição do Ministro da Justiça ................................................................................................................... 41 

3.20  Ação Penal Privada Subsidiária da Pública ...................................................................................................... 41 

3.21  Requisitos da peça acusatória ......................................................................................................................... 43 

3 21.1.1  Criptoimputação ........................................................................................................................................... 44 3.21.   Denúncia genérica ........................................................................................................................................ 44 21.2  Identificação do denunciado ............................................................................................................................ 45 21.3  Classificação do crime ....................................................................................................................................... 45 

3.21.4  Rol de testemunhas .......................................................................................................................................... 45 3.21.5  Peça acusatória redigida em português ............................................................................................................ 46 3.21.6  Peça acusatória deve ser subscrita pelo promotor ou pelo advogado do querelante ..................................... 46 3.21.7  Procuração na queixa crime ............................................................................................................................. 46 

Page 4: Direito Processual Penal - Intensivo I 2010

 

3.24  Rejeição da peça acusatória ............................................................................................................................ 47 4.

3.24.2  Ausência dos pressupostos processuais ou das condições da ação ................................................................. 47 .

2.2

3.

3.

3.25.2  Recurso do recebimento ................................................................................................................................... 48 

3.

3.26.2  Perdão do ofendido .......................................................................................................................................... 49 6.

4.1  Mecanismos de solução de conflitos ............................................................................................................... 51 .

4.1.2  Autocomposição ................................................................................................................................................... 51 1.3

4. r

4.2.2  Convocação de Juízes de 1º grau para substituir desembargadores .................................................................... 52 

4. o

4.3.2  Espécies de competência ...................................................................................................................................... 53 4.

22

4.4 

4.5  Guia de fixação de competência ..................................................................................................................... 56 5.1

4.5.2  Competência originária ......................................................................................................................................... 56 5.3

4. J

4.7  Justiça Militar ................................................................................................................................................. 56 

4.8  Justiça Eleitoral .............................................................................................................................................. 58 

4.9  Competência Criminal da Justiça do Trabalho ................................................................................................. 59 

4.10  Justiça Política ou Extraordinária .................................................................................................................... 59 10.

4.10.2  Crimes de responsabilidade em sentido estrito ............................................................................................... 59 

3.22.1  Perda do prazo .................................................................................................................................................. 46 

3.23  Denúncia alternativa ...................................................................................................................................... 47 

3.2 1  Inépcia da peça acusatória................................................................................................................................ 47 

3 24.2.1  Condições da ação ........................................................................................................................................ 47 3.24.   Pressupostos processuais ............................................................................................................................. 47 

3.24.3  Ausência de justa causa .................................................................................................................................... 47 24.4  Recurso cabível contra a rejeição ..................................................................................................................... 47 

25  Recebimento da peça acusatória .................................................................................................................... 48 3.25.1  Momento do recebimento da peça acusatória ................................................................................................ 48 

26  Causas extintivas da punibilidade ligadas à ação penal ................................................................................... 48 3.26.1  Renúncia ........................................................................................................................................................... 48 

3.2 3  Perempção ........................................................................................................................................................ 50 

JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA ........................................................................................................... 51 

4 1.1  Autotutela ............................................................................................................................................................. 51 

4.   Jurisdição ............................................................................................................................................................... 51 

2  P incípio do Juiz Natural ................................................................................................................................. 51 4.2.1  Lei Processual que altera a competência e sua aplicação ..................................................................................... 51 

3  C mpetência .................................................................................................................................................. 53 4.3.1  Conceito ................................................................................................................................................................ 53 

3.2.1  Ratione Materiae .......................................................................................................................................... 53 4.3. .2  Ratione Personae ......................................................................................................................................... 53 4.3. .3  Ratione Loci .................................................................................................................................................. 53 4.3.2.4  Competência Funcional ................................................................................................................................ 54 

Competência absoluta e relativa ..................................................................................................................... 54 

4.   Competência de Justiça ......................................................................................................................................... 56 

4.   Competência de foro ou territorial ....................................................................................................................... 56 4.5.4  Competência de juízo ............................................................................................................................................ 56 4.5.5  Competência interna/de juiz ................................................................................................................................. 56 4.5.6  Competência recursal ........................................................................................................................................... 56 

6  “ ustiças” com competência criminal .............................................................................................................. 56 

4. 1  Crimes de responsabilidade em sentido amplo ................................................................................................ 59 

Page 5: Direito Processual Penal - Intensivo I 2010

 

4.11.3  Análise do art. 109, V da Constituição Federal ................................................................................................. 64 .

5.1

5.3

4.4.

4.

1.11.2

4.13.1.3  Crimes à distância ......................................................................................................................................... 71 .

4.

4.14 4.

1.14.14.1.2  Força atrativa ................................................................................................................................................ 72 4.

2.1

5.1 5.1.1  Direito à prova ....................................................................................................................................................... 74 .5.1.2.1  Elementos informativos ............................................................................................................................... 74 5.

3

5.5

5. je

5. v

5.2  Princípios ....................................................................................................................................................... 79 

4.11  Competência Criminal da Justiça Federal ........................................................................................................ 60 4.11.1  Atribuições investigatórias da Polícia Federal .................................................................................................. 60 4.11.2  Análise do art. 109, IV da Constituição Federal ................................................................................................ 60 

4 11.3.1  Desclassificação do tráfico internacional para tráfico doméstico ................................................................ 65 4.11.4  Incidente de deslocamento de competência (IDC) ........................................................................................... 65 4.11.5  Análise do art. 109, VI da Constituição Federal ................................................................................................ 66 

4.11.   Crimes praticados contra a organização do trabalho ................................................................................... 66 4.11.5.2  Redução à condição análoga a de escravo ................................................................................................... 66 4.11.   Crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico‐financeira ......................................................... 66 

4.11.6  Análise do art. 109, IX da Constituição Federal ................................................................................................ 67 11.7  Análise do art. 109, X da CF .............................................................................................................................. 68 11.8  Crimes praticados contra índios, art. 109, XI da CF .......................................................................................... 68 

12  Competência por prerrogativa de função ........................................................................................................ 68 4.12.1  Regras básicas ................................................................................................................................................... 68 4.12.2  Casuística .......................................................................................................................................................... 70 

4.13  Competência Territorial .................................................................................................................................. 70 4.13.   Crimes Formais ............................................................................................................................................. 71 4.13.   Crimes Plurilocais ......................................................................................................................................... 71 

4 13.1.4  Crimes cometidos no estrangeiro................................................................................................................. 71 4.13.1.5  Crimes praticados em embarcações ou aeronaves ...................................................................................... 71 4.13.1.6  Falso testemunho cometido em Carta Precatória ........................................................................................ 71 4.13.1.7  Crime de estelionato cometido mediante cheque falsificado ...................................................................... 71 13.2  Competência territorial pelo domicílio do acusado .......................................................................................... 72 

Conexão e Continência ................................................................................................................................... 72 14.1  Efeitos da conexão e da continência ................................................................................................................ 72 4.14.   Simultâneus Processus ................................................................................................................................. 72 

4.1 2  Conexão ............................................................................................................................................................ 72 4.14.   Conexão Intesubjetiva .................................................................................................................................. 72 4.14.2.2  Conexão Objetiva, Lógica ou Material .......................................................................................................... 73 4.14.2.3  Conexão Instrumental, Probatória ou Processual ........................................................................................ 73 

4.14.3  Continência ....................................................................................................................................................... 73 4.14.3.1  Continência por cumulação subjetiva .......................................................................................................... 73 4.14.3.2  Continência por cumulação objetiva ............................................................................................................ 73 

PROVA  ..................................................................................................................................................... 74 S

Terminologia da Prova .................................................................................................................................... 74 

5 1.2  Distinção entre provas e elementos informativos ................................................................................................ 74 

1.2.2  Prova ............................................................................................................................................................. 74 5.1.3  Provas cautelares, não repetíveis e antecipadas .................................................................................................. 74 

5.1. .1  Provas Cautelares ......................................................................................................................................... 74 5.1.3.2  Prova não repetível ...................................................................................................................................... 75 5.1.3.3  Provas antecipadas ....................................................................................................................................... 75 

5.1.4  Fonte de prova, meios de prova e meios de obtenção de prova .......................................................................... 75 5.1.4.1  Fonte de prova ............................................................................................................................................. 75 5.1.4.2  Meios de Provas e meios de obtenção de provas ........................................................................................ 75 1.5  Indícios .................................................................................................................................................................. 76 5.1. .1  Prova direta ou indireta ................................................................................................................................ 76 5.1.5.2  Prova semi‐plena .......................................................................................................................................... 76 1.6  Ob to da prova .................................................................................................................................................... 76 

5.1.7  Prova emprestada ................................................................................................................................................. 77 1.8  Pro a (i)nominada, (a)típica, anômala, irritual ..................................................................................................... 77 

Page 6: Direito Processual Penal - Intensivo I 2010

 5.

1.15.2.1.2.1  Execução Provisória da pena ................................................................................................................... 80 

2.22

1.5.

2.5.

.3.

5.4.

4.5.

5.2.3 o

5.

2.3

3.3.

3.5.2.4 o

5.

5.5.

.3.

5.3  r5.3.1 o5.3.2 a5. us5.

5. is5.5.1  Sistema da íntima convicção do juiz ou da certeza moral do juiz ......................................................................... 91 5.2

5.6  Provas em espécie .......................................................................................................................................... 92 6.15.6.1.1  Conceito de corpo de delito ......................................................................................................................... 92 

2.1  Princípio da presunção de inocência ..................................................................................................................... 79 5.2. .1  Regra probatória .......................................................................................................................................... 79 

5 2.1.1.1  In dubio pro reo ...................................................................................................................................... 79 5.2. .2  Regra de tratamento .................................................................................................................................... 80 

5.   Princípio da Proporcionalidade ............................................................................................................................. 80 5.2. .1  Pressuposto formal....................................................................................................................................... 81 

5.2.2. 1  Legalidade ............................................................................................................................................... 81 2.2.2  Pressuposto material .................................................................................................................................... 81 5.2.2. 1  Justificação teleológica ........................................................................................................................... 81 2.2.3  Requisitos extrínsecos .................................................................................................................................. 81 5 2.2.3.1  Judicialidade ............................................................................................................................................ 81 5.2.2. 2  Motivação ............................................................................................................................................... 81 2.2.4  Requisitos intrínsecos ................................................................................................................................... 81 5.2.2. 1  Adequação .............................................................................................................................................. 81 5.2.2.4.2  Necessidade ............................................................................................................................................ 81 5.2.2. 3  Proporcionalidade em sentido estrito .................................................................................................... 81 2.2.5  Princípio da Proporcionalidade em provas ilícitas ........................................................................................ 82   Princípi  “nemo tenetur se detegere” ................................................................................................................... 82 

5.2.3.1  Titular do Direito de não produzir prova contra si mesmo .......................................................................... 82 2.3.2  Advertência quanto ao direito de não produzir prova contra si mesmo ..................................................... 82 5.2.3.2.1  Nota de ciência das garantias constitucionais ........................................................................................ 82 5.2.3.2.2  Consequência da não informação do direito .......................................................................................... 82 5.2.3. 3  Aviso de Miranda .................................................................................................................................... 82 

5.2. .3  Desdobramentos do direito de não produzir provas contra si mesmo ........................................................ 83 5.2.3. 1  Direito ao silêncio ou de ficar calado ...................................................................................................... 83 5.2.3. 2  Direito de não ser constrangido a confessar a prática de um ilícito criminal ......................................... 83 5.2.3.3.3  Inexigibilidade de dizer a verdade........................................................................................................... 83 5.2.3.3.4  Direito de não praticar qualquer comportamento ativo que possa incriminá‐lo ................................... 83 5.2.3.3.5  Direito de não produzir nenhuma prova incriminadora invasiva ........................................................... 84 5.2.3. 6  Bafômetro e a alteração do CTB ............................................................................................................. 84   Princípi  da Inadmissibilidade de admissão das provas obtidas por meios ilícitos .............................................. 86 2.4.1  Prova ilegal ................................................................................................................................................... 86 5.2.4.1.1  Prova ilícita .............................................................................................................................................. 86 5.2.4.1.2  Prova ilegítima ........................................................................................................................................ 86 2.4.2  Prova ilícita por derivação ............................................................................................................................ 86 2.4.3  Limitações à prova ilícita por derivação ....................................................................................................... 87 5 2.4.3.1  Teoria (limitação) da fonte independente .............................................................................................. 87 5.2.4. 2  Teoria (limitação) da descoberta inevitável ............................................................................................ 87 5.2.4.3.3  Teoria (limitação) da mancha purgada ................................................................................................... 87 5.2.4.3.4  Teoria (limitação) do encontro fortuito de provas .................................................................................. 87 

5.2.4.4  Inutilização da prova ilícita ........................................................................................................................... 88 5.2.4.5  Descontaminação do julgado ....................................................................................................................... 88 

Ônus da P ova ................................................................................................................................................ 89   Conceit  ................................................................................................................................................................ 89   Ônus d  prova perfeito e menos perfeito ............................................................................................................. 89 

3.3  Ôn  da prova objetivo e subjetivo....................................................................................................................... 89 3.4  Distribuição do ônus da prova no processo penal ................................................................................................ 89 

5.4  Iniciativa probatória do juiz – gestão das provas ............................................................................................. 89 5.4.1  Sistema inquisitorial .............................................................................................................................................. 90 5.4.2  Sistema acusatório ................................................................................................................................................ 90 

5  S temas de valoração/avaliação da prova ...................................................................................................... 91 

5.   Sistema da prova tarifada ou da certeza moral do legislador ............................................................................... 91 5.5.3  Sistema do livre convencimento motivado ou da persuasão racional do juiz ...................................................... 91 

5.   Exame de corpo de delito ...................................................................................................................................... 92 

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 1..

5.6.1.3  Peritos oficiais e não oficiais ......................................................................................................................... 93 

15.

5.5.

3.5.

.5.

6.1 

6.2 

6.3  Prisão Extrapenal ........................................................................................................................................... 98 .6.3.1.1  Do devedor de alimentos e do depositário infiel ......................................................................................... 98 6.

6.3.2  Prisão Administrativa ............................................................................................................................................ 99 6.6.3.2.2  Estatuto do estrangeiro .............................................................................................................................. 100 3.3

6.4   P

6. r6.6.

6.6.1  Poder Geral de Cautela no Processo Penal ......................................................................................................... 101 6.2

6.

6.7.2  Código Eleitoral ................................................................................................................................................... 102 

6.

6.8.2  Imunidade Diplomática ....................................................................................................................................... 104 8.3

6. r

6. a

6.12  Prisão em flagrante ...................................................................................................................................... 108 6.12.1  Conceito .......................................................................................................................................................... 108 

5.6. .2  Conceito de exame de corpo de delito ......................................................................................................... 92 5 6.1.2.1  Exame de corpo de delito direto ............................................................................................................. 93 5 6.1.2.2  Exame de corpo de delito indireto .......................................................................................................... 93 

5.6.1.3.1  Dispositivos legais específicos quanto à perícia ...................................................................................... 94 5.6. .4  Assistente Técnico ........................................................................................................................................ 94 6.2  Interrogatório do acusado .................................................................................................................................... 95 5.6.2.1  Interrogatório Judicial .................................................................................................................................. 95 6.2.2  Natureza Jurídica .......................................................................................................................................... 95 6.2.3  Momento do interrogatório ......................................................................................................................... 96 5.6.2. 1  Dispositivos específicos ........................................................................................................................... 96 6.2.4  Características do interrogatório .................................................................................................................. 96 

5.6.2.5  Interrogatório por videoconferência ............................................................................................................ 96 5 6.2.5.1  Finalidades do uso da videoconferência ................................................................................................. 97 5.6.2. 2  Direito de Defesa ..................................................................................................................................... 97 

PRISÃO ...................................................................................................................................................... 98 

Conceito de prisão .......................................................................................................................................... 98 

Espécies de Prisão .......................................................................................................................................... 98 

6 3.1  Prisão Civil ............................................................................................................................................................. 98 

3.1.2  Prisão Civil do falido ..................................................................................................................................... 98 

3.2.1  Estado de Defesa e Estado de Sítio ............................................................................................................ 100 

6.   Prisão Disciplinar ................................................................................................................................................. 100 

Prisão enal (Pena) ....................................................................................................................................... 100 

5  P isão Cautelar (Processual) ......................................................................................................................... 101 5.1  Conceito .............................................................................................................................................................. 101 5.2  Pressupostos para decretação ............................................................................................................................ 101 

6.5.3  Espécies de Prisão Cautelar ................................................................................................................................. 101 

6.6  Bipolaridade das Medidas Cautelares de Natureza Pessoal no CPP ................................................................ 101 

6.   Medidas Cautelares de Natureza Pessoal previstas na Legislação Especial ........................................................ 102 

7  Momento da Prisão ...................................................................................................................................... 102 6.7.1  Inviolabilidade do domicílio ................................................................................................................................ 102 

8  Imunidades Prisionais ................................................................................................................................... 102 6.8.1  Presidente da República ...................................................................................................................................... 103 

6.   Senadores, Deputados Federais, Estaduais e Distritais ....................................................................................... 104 6.8.4  Magistrados e membros do Ministério Público .................................................................................................. 105 6.8.5  Advogados ........................................................................................................................................................... 105 

6.9  Prisão e emprego de força ............................................................................................................................ 105 6.9.1  Uso de algemas ................................................................................................................................................... 105 

10  P isão Especial .............................................................................................................................................. 107 

11  S la de Estado Maior .................................................................................................................................... 107 

Page 8: Direito Processual Penal - Intensivo I 2010

 12.

 6.12.3.1  Autuação de usuário de drogas, crimes de trânsito e autor de contravenção .......................................... 109 2.

6.12.5  Espécies de flagrante ...................................................................................................................................... 110 2.

6.12.7  Lavratura do auto de prisão em flagrante ...................................................................................................... 112 .

7.27.37.4

6.

6.

6.6.

6.13.5.1  Fumus comissi delicti .................................................................................................................................. 115 .

7.17.2

7.5

8.16.

6.14  T6.6.6.6.

6.

6.15  Prisão decorrente de pronúncia e de sentença condenatória recorrível ......................................................... 122 

6. co

6.

6. er

6. 2  Funções da Prisão em Flagrante ..................................................................................................................... 108 6.12.3 Fases da Prisão em flagrante .......................................................................................................................... 108 

6.1 4  Natureza jurídica da Prisão em flagrante........................................................................................................ 110 

6.1 6  Prisão em flagrante nas várias espécies de crimes ......................................................................................... 112 

6 12.7.1  Autoridade Competente ............................................................................................................................. 112 6.12.   Condutor e testemunhas ............................................................................................................................ 113 6.12.   Interrogatório do preso .............................................................................................................................. 113 6.12.   Fracionamento do APF ............................................................................................................................... 113 12.8  Relaxamento da prisão em flagrante pela autoridade policial ....................................................................... 114 

13  Prisão Preventiva ......................................................................................................................................... 114 6.13.1  Conceito e Previsão Legal ............................................................................................................................... 114 6.13.2  Decretação da preventiva durante a fase investigatória ................................................................................ 114 13.3  Decretação da Prisão Preventiva durante o processo criminal ...................................................................... 115 13.4  Iniciativa para a decretação da Prisão Preventiva .......................................................................................... 115 6.13.4.1  De ofício pelo juiz ....................................................................................................................................... 115 6.13.4.2  Legitimidade para o requerimento da Prisão Preventiva ........................................................................... 115 

6.13.5  Pressupostos para a decretação da Prisão Preventiva ................................................................................... 115 

6 13.5.2  Periculum libertatis .................................................................................................................................... 116 6.13.6  Admissibilidade da prisão preventiva ............................................................................................................. 117 6.13.7  Duração da prisão preventiva ......................................................................................................................... 117 

6.13.   Natureza do prazo ...................................................................................................................................... 119 6.13.   Hipóteses que autorizam o excesso de prazo ............................................................................................ 119 6.13.7.3  Excesso de prazo provocado pela defesa ................................................................................................... 119 6.13.7.4  Excesso de prazo após a pronúncia ou o encerramento da instrução criminal ......................................... 120 6.13.   Excesso de prazo e aceleração de julgamento ........................................................................................... 120 6.13.7.6  Excesso de prazo e decretação de nova prisão .......................................................................................... 120 6.13.7.7  Relaxamento da prisão e natureza da infração penal ................................................................................ 120 

6.13.8  Fundamentação da decisão de prisão preventiva .......................................................................................... 120 6.13.   Fundamentação per relationem ................................................................................................................. 120 13.9  Revogação da Prisão Preventiva ..................................................................................................................... 120 

Prisão  emporária ........................................................................................................................................ 120 14.1  Origem ............................................................................................................................................................ 120 14.2  Conceito .......................................................................................................................................................... 121 14.3  Requisitos ........................................................................................................................................................ 121 14.4  Admissibilidade ............................................................................................................................................... 121 

6.14.5  Prazo ............................................................................................................................................................... 121 14.6  Fase investigatória .......................................................................................................................................... 121 

16  Re lhimento à prisão para apelar ............................................................................................................... 122 

17  Relaxamento e revogação da prisão.............................................................................................................. 122 

18  Lib dade provisória ..................................................................................................................................... 123 

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BIBLIOGRAFIA > Conceito 

Terça‐feira,  03  de  agosto  de  2010.  

1 BIBLIOGRAFIA 

• LEITURA DA LEI • EUGÊNIO PACCELI DE OLIVEIRA • DENILSON FEITOSA • NESTOR TÁVORA • PAULO RANGEL • GUILHERME DE SOUZA NUCCI 

2 INQUÉRITO POLICIAL 

2.1 Conceito 

A  partir  do momento  em  que  um  crime  é  praticado  o  Estado  está  obrigado  a  agir  para  tanto  é necessário colher elementos quanto a autoria e a materialidade. 

É  um  procedimento  administrativo,  inquisitório  e  preparatório  consistente  em  um  conjunto  de diligências  realizadas pela polícia  investigativa para  apuração  da  infração  penal  e de  sua  autoria,  a  fim de fornecer elementos de informação para que o titular da ação penal possa ingressar em juízo.  ‐ Todo delito está obrigatoriamente sujeito ao inquérito policial? 

TCO (Termo Circunstanciado de Ocorrência) Surgiu  com  a  lei  dos  juizados  e  por  isso  é  usado  para  as  chamadas  IMPO  –  Infração  de menor 

potencial ofensivo – todas as contravenções e os crimes previstos com penas máximas não superior a 2 anos, cumulada ou não com multa, submetidos ou não à procedimento especial. 

2.2 Natureza Jurídica do Inquérito Policial 

É  considerado  apenas  um  procedimento  administrativo,  por  isso  eventuais  vícios  constantes  do inquérito  não  afetam  o  processo  penal  a  que  der  origem,  salvo  da  hipótese  de  provas  obtidas  por meios ilícitos. 

2.3 Finalidade do Inquérito Policial 

Colheita de elementos de informação quanto à autoria e a materialidade do delito. Obs.1: o novo Código de Processo Penal, que tramita no Congresso, não será publicado antes de 2012.  ‐ Qual a diferença de elementos de informação e provas? 

Passou a constar de maneira expressa no art. 155 do CPP1. Prova é aquilo que é obtido em  contraditório  judicial e elementos  informativos obtidos durante a 

fase investigatória sem o contraditório e a ampla defesa.  

Elementos informativos  Prova 

1 São aqueles colhidos na fase investigatória 1 Em regra, produzida na fase judicial. Há produção 

antecipada  de  provas  que  podem  ocorrer  antes da fase judicial. 

2 Não  é  obrigatória  a  participação  dialética  das  2 Com a participação dialética das partes. 

                                                            1 Art. 155.  O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 

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INQUÉRITO POLICIAL > Presidência do Inquérito Policial 

partes. 3 Não é obrigatória a observância do contraditório 

e da ampla defesa. 3 Com contraditório e ampla defesa. 

4 A presença do advogado não é necessária. 

4 Deve  ser  produzida  na  presença  do  juiz  – Princípio da  Identidade  Física do  Juiz, o  juiz que preside  a  instrução  é  o  que  deve  sentenciar  o processo – art. 399, §2º do CPP2. 

 ‐ Posso usar elementos de informação em uma sentença condenatória?  

Os elementos informativos são decisivos na concessão de medidas cautelares e na hora de formar a convicção do titular da ação penal. 

Elementos de informação servem para a fundamentação de medidas cautelares e para a formação da convicção do titular da ação penal (opinio delicti). Elementos de informação, isoladamente considerados, não podem fundamentar uma condenação. Porém não devem ser completamente desprezados, podendo se somar a prova produzida em juízo para formar a convicção do juiz. 

Para  concursos da Defensoria Pública o uso de elementos  informativos não deve  ser usados para fundamentar a sentença, pois ofende o contraditório e a ampla defesa 

2.4 Presidência do Inquérito Policial 

A  presidência  do  inquérito  fica  a  cargo  da  autoridade  policial  no  exercício  de  funções  de  Polícia Judiciária. A polícia judiciária se contrapõe a noção de polícia ostensiva.  Obs.1:  Alguns  doutrinadores  acham  que  existem  algumas  diferenças  entre  polícia  judiciária  e  a  polícia investigativa. Polícia  Judiciária é a polícia auxiliando o Poder  Judiciário  (ex.:  cumprimento de mandados de prisão). Polícia  Investigativa é quando a polícia atua na apuração de  infrações penais e de  sua autoria. É a mesma polícia só que ora está investigando, ora auxiliando o Poder Judiciário, art. 144 da CF3. 

A atribuição para investigar o delito dependerá da competência para julgamento.  

Competência  Atribuição para as investigações 

Crime de competência da Justiça Militar da União Inquérito policial militar  (Presidido pelo Encarregado – oficial das Forças Armadas). 

Crime de competência da Justiça Militar dos Estados Inquérito policial militar  (Presidido pelo Encarregado – oficial da PM ou do Corpo de Bombeiros). 

Crime de competência da Justiça Federal  Polícia Federal 

Crime de competência da Justiça Eleitoral Polícia Federal  (se na  cidade não houver PF, não há problemas em ser investigado pela Polícia Civil). 

Crime de competência da Justiça Estadual  Polícia Civil e pela Polícia Federal. 

 

                                                            2 Art. 399.  Recebida a denúncia ou queixa, o  juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a  intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se  for o caso, do querelante e do assistente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). § 1o  O acusado preso será requisitado para comparecer ao interrogatório, devendo o poder público providenciar sua apresentação. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 2o  O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença (PRINCÍPIO DA IDENTIDADE FÍSICA DO JUIZ). (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 3 Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da  incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: [...] § 1º A polícia federal,  instituída por  lei como órgão permanente, organizado e mantido pela União e estruturado em carreira, destina‐se a:(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) I ‐ apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas (COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL), assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão  interestadual  ou  internacional  e  exija  repressão uniforme,  segundo  se  dispuser  em  lei  (POLÍCIA  INVESTIGATIVA);  II  ‐ prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de  outros  órgãos  públicos  nas  respectivas  áreas  de  competência;  III  ‐  exercer  as  funções  de  polícia marítima,  aeroportuária  e  de fronteiras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) IV ‐ exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União. 

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***As entidades de classe, consideradas como autarquia pelo STF, serão julgadas na Justiça Federal e portanto sob investigação da Polícia Federal.  Obs.2: as atribuições investigatórias da Polícia Federal são mais amplas que a competência criminal da Justiça Federal – art. 144, §1º da CF. Regulada pela lei 10.446/02. 

 Atribuições da Polícia Federal  II – formação de cartel (incisos I, a, II, III e VII do art. 4o da Lei 

no 8.137, de 27 de dezembro de 1990); e Lei 10.446/02 Art.  1o  Na  forma  do  inciso  I  do  §  1o  do  art.  144  da Constituição,  quando  houver  repercussão  interestadual  ou internacional  que  exija  repressão  uniforme,  poderá  o Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça, sem prejuízo da responsabilidade dos órgãos de segurança pública arrolados no art. 144 da Constituição Federal, em especial das Polícias Militares e Civis dos Estados, proceder à investigação, dentre outras, das seguintes infrações penais: 

III – relativas à violação a direitos humanos, que a República Federativa  do  Brasil  se  comprometeu  a  reprimir  em decorrência de tratados internacionais de que seja parte; e IV  –  furto,  roubo  ou  receptação  de  cargas,  inclusive  bens  e valores,  transportadas  em  operação  interestadual  ou internacional, quando houver indícios da atuação de quadrilha ou bando em mais de um Estado da Federação.  

I – seqüestro, cárcere privado e extorsão mediante seqüestro (arts. 148 e 159 do Código Penal), se o agente foi impelido por motivação política ou quando praticado em razão da  função pública exercida pela vítima; 

Parágrafo  único.  Atendidos  os  pressupostos  do  caput,  o Departamento  de  Polícia  Federal  procederá  à  apuração  de outros  casos,  desde  que  tal  providência  seja  autorizada  ou determinada pelo Ministro de Estado da Justiça. 

 

2.5 Características do Inquérito Policial 

I. Escrito: deve ser reduzido a termo – art. 9º do CPP4. É possível a utilização de meios áudio‐visuais baseado no art. 405 do CPP. 

Art.  405.  Do  ocorrido  em  audiência  será  lavrado  termo  em  livro  próprio,  assinado  pelo  juiz  e  pelas partes, contendo breve resumo dos fatos relevantes nela ocorridos. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). §  1o   Sempre  que  possível,  o  registro  dos  DEPOIMENTOS  do  investigado,  indiciado,  ofendido  e testemunhas será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia, digital ou técnica similar,  inclusive audiovisual, destinada a obter maior fidelidade das  informações. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 2o  No caso de registro por meio audiovisual, será encaminhado às partes cópia do registro original, sem necessidade de transcrição. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 

II. Dispensável: se o titular da ação penal contar com peças de informação com elementos quanto à autoria e materialidade, poderá dispensar o inquérito policial – art. 27 

Art. 27 ‐ Qualquer pessoa do povo poderá PROVOCAR a  iniciativa do Ministério Público, nos casos em que  caiba  a  ação  pública,  fornecendo‐lhe,  POR  ESCRITO,  informações  sobre  o  fato  e  a  autoria  e indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Art. 39  ‐ O DIREITO DE REPRESENTAÇÃO poderá  ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial. [...] § 5º ‐ O órgão do Ministério Público dispensará o  inquérito, se com a representação forem oferecidos elementos que o habilitem a promover a ação penal, e, neste caso, oferecerá a denúncia no prazo de quinze dias. 

III. Sigiloso: não há  falar em publicidade plena, pois o  seu  sigilo é um  instrumento  indispensável para que possa surtir efeitos. 

Art. 20 ‐ A autoridade assegurará no  inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade. Parágrafo único. Nos atestados de antecedentes que  Ihe  forem  solicitados, a autoridade policial não poderá mencionar quaisquer anotações referentes a  instauração de  inquérito contra os requerentes, salvo no caso de existir condenação anterior. (Incluído pela Lei nº 6.900, de 14.4.1981) 

A quem não se opõe esse sigilo:  Juiz 

                                                            

INQUÉRITO POLICIAL > Características do Inquérito Policial 

4 Art. 9º  ‐ Todas as peças do  inquérito policial  serão, NUM SÓ PROCESSADO,  reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste  caso, rubricadas pela autoridade. 

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INQUÉRITO POLICIAL > Características do Inquérito Policial 

Ministério Público  Advogado Apesar  de  existirem muitos  julgados do  STJ  no  sentido  de  que  não  seria  admitida  a  presença  do 

advogado, o STF pacificou o entendimento. A previsão constitucional do inciso LXIII do art. 5º e o art. 7º, XIV do Estatuto da OAB está previsto o 

acesso  aos  autos do  inquérito. O  advogado  tem  acesso  aos  autos do  inquérito,  limitado  às  informações  já introduzidas nos autos e não em relação às diligências em andamento. 

Súmula Vinculante 14  É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados  em  procedimento  investigatório  realizado  por  órgão  com  competência  de  polícia judiciária, digam  respeito ao exercício do direito de defesa. Fonte de Publicação DJe nº 26, p. 1, em 9/2/2009. DOU de 9/2/2009, p. 1. 

 É necessário procuração para acesso ao inquérito? Não há necessidade de procuração conforme exige o Estatuto da OAB5, salvo se houver quebra do 

sigilo de dados.  

 Sendo negado o acesso aos autos, qual o instrumento a ser usado? Primeiramente  com  uma  Reclamação  por  desrespeito  à  Súmula  Vinculante.  Em  nome  das 

prerrogativas do advogado é possível o Mandado de Segurança.  

‐ É possível a impetração do Habeas Corpus para ter acesso aos autos do inquérito? Sempre  que  houver  risco  ainda  que  potencial  à  sua  liberdade  de  locomoção  e  na  hipótese  de 

impossibilidade de acesso aos autos do inquérito é evidente. Para  o  STF  sempre  que  houver  risco  potencial  à  liberdade  de  locomoção  será  cabível  o  habeas 

corpus. A impetração do habeas será em nome do seu cliente.  

IV. Inquisitorial: não é obrigatória a observância do contraditório e da ampla defesa. Não significa que não possa haver  contraditório  e  ampla defesa durante  o  inquérito.  Para o  STF no  curso do  Inquérito pode haver momentos de violência e coação ilegal, quando se deve assegurar a ampla defesa e o contraditório. 

STJ ‐ HC 69.4056 e STF – HC 94.0347 

                                                            5 Art. 7º São direitos do advogado:  [...] XIII  ‐ examinar, em qualquer órgão dos Poderes Judiciário e Legislativo, ou da Administração Pública  em  geral,  autos  de  processos  findos  ou  em  andamento, mesmo  sem  procuração,  quando  não  estejam  sujeitos  a  sigilo, assegurada a obtenção de cópias, podendo tomar apontamentos; 6 Inquérito policial (natureza). Diligências (requerimento/possibilidade). Habeas corpus (cabimento). 1. Embora seja o inquérito policial procedimento preparatório da ação penal  (HCs 36.813, de 2005, e 44.305, de 2006), é ele garantia  "contra apressados e errôneos juízos" (Exposição de motivos de 1941). 2. Se bem que, tecnicamente, ainda não haja processo – daí que não haveriam de vir a pêlo princípios segundo os quais ninguém será privado de liberdade sem processo legal e a todos são assegurados o contraditório e a ampla defesa –, é lícito admitir possa haver, no curso do inquérito, momentos de violência ou de coação ilegal (HC‐44.165, de 2007). 3. A lei processual, aliás, permite o requerimento de diligências. Decerto fica a diligência a juízo da autoridade policial, mas isso, obviamente, não impede possa o indiciado bater a outras portas. 4. Se, tecnicamente, inexiste processo, tal não haverá de constituir empeço a que se garantam direitos sensíveis – do ofendido, do indiciado, etc. 5. Cabimento do habeas corpus (Constituição, art. 105, I, c). 6. Ordem concedida a fim de se determinar à autoridade policial que atenda as diligências requeridas. 7 A Turma, por maioria, deferiu habeas  corpus para anular o processo a partir da  instrução, no  tocante estritamente ao paciente, condenado, juntamente com terceiros, pela prática dos crimes de formação de quadrilha e roubo (CP, artigos 288, parágrafo único, e 157 § 2º,  I,  II e V). Tratava‐se, na espécie, de writ em que se reiterava a alegação de nulidade absoluta do processo, uma vez que a sentença  condenatória  se  baseara  em  depoimentos  de  co‐réus,  realizados  na  fase  policial,  que  imputaram  a  conduta  delitiva  ao paciente,  sem  que  houvesse  sido  dada  oportunidade  de  seu  advogado  fazer  reperguntas.  Inicialmente,  salientou‐se  que  os interrogatórios  foram efetuados no curso do  inquérito e em  juízo em data anterior à vigência da Lei 10.792/2003, não se podendo cogitar,  em  princípio,  da  necessidade  de  comparecimento  do  defensor  do  paciente  para  fazer  eventuais  perguntas  aos  co‐réus. Reputou‐se  inviável anular o processo penal em  razão dos  interrogatórios  realizados na polícia, pois,  segundo  jurisprudência desta Corte, as nulidades processuais concernem, tão‐somente, aos defeitos de ordem  jurídica que afetam os atos praticados ao  longo da ação  penal  condenatória.  Aduziu‐se,  ainda,  que  o  inquérito  constitui  peça  informativa  e  que  eventuais  vícios  nele  existentes  não contaminam a ação penal. Ademais, reputou‐se preclusa a assertiva de que o patrono do paciente também não teria participado dos interrogatórios dos co‐réus realizados em  juízo, uma vez que, estando em causa nulidade relativa, não fora argüida oportunamente. Por  outro  lado,  asseverou‐se  que  questão  diversa  seria  saber  se  a  delação  dos  co‐réus,  retratada  em  juízo,  poderia  amparar  a condenação do paciente. No ponto, ressaltou‐se que esse ato não pode ser tomado como testemunho, em sentido processual, mesmo que o defensor do co‐réu delatado tenha participado do interrogatório do delator e a ele tenha feito reperguntas. Registrou‐se que o STF admite a  invocação da delação, desde que não  seja o motivo exclusivo da  condenação, mas que, no  caso, as delações  foram 

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INQUÉRITO POLICIAL > Formas de Instauração do Inquérito Policial 

V. Indisponibilidade: delegado não pode arquivar inquérito policial – art. 17 do CPP8. 

2.6 Formas de Instauração do Inquérito Policial 

A depender da espécie da ação penal a forma é um pouco diferente.  

a. Crimes de ação penal privada ou  pública  condicionada à  representação: nesses  casos  a  instauração do inquérito policial está condicionada à manifestação da vítima ou de seu representante legal. 

b. Crimes de ação penal pública incondicionada: a. Instauração do inquérito policial de ofício: a peça que dará início ao procedimento será a Portaria. b. Requisição do juiz ou do Ministério Público: apesar de o CPP dizer que o juiz possa instaurar o IP, a 

maioria da doutrina entende que essa requisição do juiz viola a sua imparcialidade. A peça inicial será a Requisição. Para os concursos de Delegado dizer que o delegado  instaura o  inquérito por força da obrigatoriedade. Para os concursos do MP dizer que a requisição é o desdobramento do Poder. 

c. Requerimento  da  vítima/representante  legal:  o  delegado  deve  verificar  se  há  uma  certa procedência das  informações. Se por acaso esse  requerimento  for  indeferido, o Código prevê a existência de um recurso inominado para o Chefe de Polícia (Secretário de Segurança Pública ou o Delegado Geral da Polícia Civil). A peça inicial será a Portaria. 

d. Prisão em Flagrante: a peça inaugural é o Auto de Prisão em Flagrante. e. Ação Penal Pública Militar: se no auto de prisão em flagrante contiver os elementos necessários, 

não será necessária a instauração do inquérito policial. f. Noticia  oferecida  por  qualquer  do  povo  –  delatio  criminis:  verificada  a  procedência  das 

informações, determina por meio de uma Portaria a  instauração do  inquérito. A delatio criminis inqualificada é a denúncia anônima ou apócrifa**. 

 ‐ É possível a instauração de inquérito por meio de denúncia anônima? 

Para o STF a denúncia anônima por  si  só, não  serve para  fundamentar a  instauração de  inquérito policial,  mas  a  polícia  pode  a  partir  dela  realizar  diligências  preliminares  para  apurar  a  veracidade  das informações. 

STF ‐ HC 95.244 (Relator do Dias Toffoli)9. ** Essa qualificação é extremamente importante para a impetração de Mandado de Segurança e o HC. 

Se o  inquérito tiver sido  instaurado através de uma Portaria do Delegado ou tiver sido  instaurado a partir de um Auto  de  Prisão  em  flagrante  a  autoridade  coatora  é o delegado o  julgamento  será o  Juiz  de Primeira Instância. 

Se  o  inquérito  tiver  sido  instaurado  através  de  uma  requisição  do MP,  nesse  caso  a  autoridade coatora será o Ministério Público, sendo o HC julgado pelo Tribunal respectivo. 

2.7 “Notitia Criminis” 

                                                                                                                                                                                                           retratadas  em  juízo  e  decisivas  para  a  condenação,  haja  vista  que  não  houvera  indicação  de  outra  prova  conclusiva  que  pudesse implicar a responsabilidade penal do paciente. Vencido o Min. Marco Aurélio que, ao fundamento de cuidar‐se de vício no julgamento, concedia a ordem em maior extensão para assentar a absolvição do paciente, ante a deficiência probatória da  imputação contida na denúncia. HC 94034/SP, rel. Min. Cármen Lúcia, 10.6.2008. (HC‐94034) 8 Art. 17 ‐ A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito. 9 EMENTA Habeas corpus. Constitucional e processual penal. Possibilidade de denúncia anônima, desde que acompanhada de demais elementos colhidos a partir dela. Instauração de inquérito. Quebra de sigilo telefônico. Trancamento do inquérito. Denúncia recebida. Inexistência de constrangimento ilegal. 1. O precedente referido pelo impetrante na inicial (HC nº 84.827/TO, Relator o Ministro Marco Aurélio, DJ de 23/11/07), de fato, assentou o entendimento de que é vedada a persecução penal  iniciada com base, exclusivamente, em denúncia anônima. Firmou‐se a orientação de que a autoridade policial, ao  receber uma denúncia anônima, deve antes  realizar diligências preliminares para averiguar se os fatos narrados nessa "denúncia" são materialmente verdadeiros, para, só então, iniciar as investigações.  2. No  caso  concreto,  ainda  sem  instaurar  inquérito  policial,  policiais  federais  diligenciaram  no  sentido  de  apurar  as identidades dos investigados e a veracidade das respectivas ocupações funcionais, tendo eles confirmado tratar‐se de oficiais de justiça lotados naquela comarca, cujos nomes eram os mesmos fornecidos pelos "denunciantes". Portanto, os procedimentos tomados pelos policiais federais estão em perfeita consonância com o entendimento firmado no precedente supracitado, no que tange à realização de diligências  preliminares  para  apurar  a  veracidade  das  informações  obtidas  anonimamente  e,  então,  instaurar  o  procedimento investigatório propriamente dito. 3. Habeas corpus denegado. 

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INQUÉRITO POLICIAL > “Notitia Criminis” 

a) Conceito: é o conhecimento espontâneo ou provocado de um fato delituoso pela autoridade policial. b) Espécies: 

a. De cognição Imediata: ocorre quando a autoridade policial toma conhecimento do fato por meio de suas atividades rotineiras. 

b. De  cognição  mediata:  a  autoridade  policial  toma  conhecimento  do  fato  por  meio  de  um expediente escrito (ex.: requisição do MP). 

c. De cognição coercitiva: auto de prisão em flagrante.    

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Quinta‐feira,  19  de  agosto  de  2010  (aula  internet).  

2.8 Identificação Criminal 

Alterações recentes – Lei 12.037/09. Obs.: Cifras negras são crimes praticados que ninguém fica sabendo. Ex.: aborto e estupro. Ao delegado cabe análise da tipicidade formal. 

Envolve dois procedimentos: a. Fotográfica b. Dactiloscópica 

‐ É um procedimento obrigatório? Antes  da  CF/88  a  identificação  era  a  regra,  ou  seja,  obrigatória.  Significa  que  além  de mostrar  a 

identidade poderia ser submetido aos procedimentos anteriores. Súmula 568 do STF, editada antes da CF/88. 

Súmula 568 A IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL NÃO CONSTITUI CONSTRANGIMENTO ILEGAL, AINDA QUE O INDICIADO JÁ TENHA SIDO  IDENTIFICADO CIVILMENTE (VIDE OBSERVAÇÃO). Fonte de Publicação: DJ de 3/1/1977, p. 3; DJ de 4/1/1977, p. 35; DJ de 5/1/1977, p. 59. Legislação: Código de Processo Penal de 1941, art. 6º, VIII. Observação  ‐ A Súmula 568 está superada, considerando que a Constituição Federal de 1988, em seu art. 5º, LVIII, determina que o civilmente identificado não será submetido à identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei. Nesse sentido veja RHC 66881 (RTJ 127/588), da Primeira Turma. 

Depois da CF/88 a identificação criminal tornou a exceção. Hoje para que seja possível a identificação criminal é somente nas hipóteses previstas em lei – art. 5º LVIII da CF. 

Atualmente para alguém ser submetido à identificação criminal deverá atender os requisitos previsto nas Leis:  

• Art. 109 da Lei 8.069/90 (ECA)10 • Art. 5º da Lei 9.034/95 (ORGANIZAÇÕES CRIMINOSAS)11 • Lei 10.054/00 (LEI ESPECÍFICA PARA IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL) 

Para o STJ o art. 3º da Lei 10.054/00 enumerou de modo taxativo os casos em que a  identificação criminal será obrigatória, não constando entre eles o envolvimento com organizações criminosas. Portanto, o art.  5º  da  Lei  9.034/95  teria  sido  tacitamente  revogado  (RHC  12.965).  Não  é  uma  unanimidade,  pois  há doutrinas que entendem que subsiste o art. 5º da Lei de organizações criminosas. 

A lei 10.054 foi revogada e surgiu a Lei 12.037/09. • Lei 12.037/09 que trata da identificação criminal que não trata de rol taxativo de delitos. 

Art. 3º  Embora apresentado documento de identificação, poderá ocorrer identificação criminal quando: I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de falsificação; II – o documento apresentado for insuficiente para identificar cabalmente o indiciado; III – o indiciado portar documentos de identidade distintos, com informações conflitantes entre si; IV – a  identificação criminal  for essencial às  investigações policiais,  segundo despacho da autoridade judiciária  competente,  que  decidirá  de  ofício  ou mediante  representação  da  autoridade  policial,  do Ministério Público ou da defesa; V – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou diferentes qualificações; VI – o estado de  conservação ou a distância  temporal ou da  localidade da expedição do documento apresentado impossibilite a completa identificação dos caracteres essenciais. Parágrafo único.  As cópias dos documentos apresentados deverão ser juntadas aos autos do inquérito, ou outra forma de investigação, ainda que consideradas insuficientes para identificar o indiciado. 

Art.  7º   No  caso  de  não  oferecimento  da  denúncia,  ou  sua  rejeição,  ou  absolvição,  é  facultado  ao indiciado ou ao réu, após o arquivamento definitivo do inquérito, ou trânsito em julgado da sentença, requerer a retirada da identificação fotográfica do inquérito ou processo, desde que apresente provas de sua identificação civil. 

2.9 Indiciamento 

                                                            10 Art. 109. O adolescente civilmente identificado não será submetido a identificação compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para efeito de confrontação, havendo dúvida fundada. 

INQUÉRITO POLICIAL > Identificação Criminal 

11  Art.  5º  A  identificação  criminal  de  pessoas  envolvidas  com  a  ação  praticada  por  organizações  criminosas  será  realizada independentemente da identificação civil. 

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INQUÉRITO POLICIAL > Incomunicabilidade do Indiciado preso 

Indiciar  é  apontar  alguém  como  provável  autor  do  delito.  Ato  privativo  da  autoridade  policial, geralmente feito ao final do inquérito. 

Anti‐projeto 156/09 – Projeto do Novo CPP, consta o significado de indiciamento. O pressuposto para que alguém possa ser  indiciado é a prova da existência do crime e  indícios de 

autoria. Indiciamento direto: ocorre quando o indiciado está presente. Indiciamento indireto: ocorre quando o indiciado está ausente. 

‐ Qualquer pessoa pode ser indiciada? Em regra, qualquer pessoa pode ser indiciada. 

 # Os Senadores e Deputados Federais também podem ser indiciados?  

A dúvida  surgiu em  razão do  foro privilegiado que é do STF para  julgamento. Portanto as pessoas com prerrogativas também não podem ser indiciados. ** ATENÇÃO para membros da Magistratura e do MP: por disposição legal não podem ser indiciados. 

Art. 41, II c/c §ún Lei 8625/93 

Art. 41. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público, no exercício de sua função, além de outras previstas na Lei Orgânica: [...]  II  ‐ não ser  indiciado em  inquérito policial, observado o disposto no parágrafo único deste artigo;  [...] Parágrafo único. Quando no curso de investigação, houver indício da prática de infração penal por parte de membro do Ministério Público, a autoridade policial, civil ou militar  remeterá,  imediatamente, sob pena de responsabilidade, os respectivos autos ao Procurador‐Geral de Justiça, a quem competirá dar prosseguimento à apuração. 

Art. 33, § ún. Da Lei Complementar 35/79 

Art. 33 ‐ São prerrogativas do magistrado: I ‐ ser ouvido como testemunha em dia, hora e local previamente ajustados com a autoridade ou Juiz de instância igual ou inferior; II  ‐  não  ser  preso  senão  por  ordem  escrita  do  Tribunal  ou  do  órgão  especial  competente  para  o julgamento,  salvo  em  flagrante  de  crime  inafiançável,  caso  em  que  a  autoridade  fará  imediata comunicação e apresentação do magistrado ao Presidente do Tribunal a que esteja vinculado (vetado); III  ‐  ser  recolhido a prisão especial, ou a  sala especial de Estado‐Maior, por ordem e à disposição do Tribunal ou do órgão especial competente, quando sujeito a prisão antes do julgamento final; IV  ‐  não  estar  sujeito  a  notificação  ou  a  intimação  para  comparecimento,  salvo  se  expedida  por autoridade judicial; V ‐ portar arma de defesa pessoal. Parágrafo único  ‐ Quando, no  curso de  investigação, houver  indício da prática de crime por parte do magistrado, a autoridade policial, civil ou militar,  remeterá os  respectivos autos ao Tribunal ou órgão especial competente para o julgamento, a fim de que prossiga na investigação. 

Para o STF (INQ 2411), pessoas com foro por prerrogativa de função não poderão ser indiciadas sem prévia autorização do  relator do  inquérito. Para o Supremo  também é necessária autorização para que seja instaurado inquérito contra titular por foro de prerrogativa de função. 

2.10 Incomunicabilidade do Indiciado preso 

‐ É possível manter o indicado preso? Conforme art. 21 do CPP é possível a  incomunicabilidade por até 3 dias. O CPP entrou em vigor em 

1942 e tem modelo no Código Fascista Italiano. Para a maioria da doutrina não  foi recepcionado pela CF/88, porque se  fizer uma  interpretação da 

Constituição  se  faz essa  constatação, pois no art. 136, §3º,  IV da CF diz que  se que no estado de defesa é vedada a incomunicabilidade do preso, quanto mais em estado de normalidade. 

Para o prof. Vicente Greco Filho entende que é possível. 

2.11 Prazo para conclusão do Inquérito 

Sobre o prazo é sempre importante lembrar que se tem um prazo para o indivíduo preso e um prazo para o indivíduo solto. 

   PRESO  SOLTO 

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CPP  10 dias  30 dias CPP Militar  20 dias  40 dias Justiça Federal**  15 dias  30 dias Lei de Drogas***  30 dias  90 dias Crimes contra a economia popular  10 dias  10 dias Prisão Temporária • Decorrente de Crime Hediondo 

10 dias 60 dias 

 

**Cabe prorrogação por mais 15 para o réu preso e por mais 30 dias se solto. ***De acordo com o art. 51 da Lei de Drogas esses prazos podem ser duplicados pelo juiz. 

 Em  se  tratando de prisão  temporária o  IQ deve  ser  concluído em 10 dias para os  crimes  comuns 

listados na Lei. Em se tratando de crime hediondo poderá ser de 60 dias. De acordo com a doutrina, em se tratando de réu preso, não é possível a dilação do prazo. Se restar 

caracterizado um excesso abusivo a prisão deve ser relaxada, sem prejuízo da continuidade do processo. No caso de réu solto o prazo de 30 dias pode ser dilatado? Em se tratando de réu solto esse prazo para término do inquérito pode ser dilatado. 

O STJ determinou o trancamento de um IQ que se arrastava a 7 anos (HC 96.666/MA – STJ). 

2.11.1 Natureza do Prazo para término do Inquérito Policial Prazo de Direito Penal significa que o dia de início é computado. 

Art. 10  ‐ O dia do começo  inclui‐se no cômputo do prazo. Contam‐se os dias, os meses e os anos pelo calendário comum. 

Prazo Processual se conta somente do dia seguinte.  Em relação ao acusado solto a doutrina é unânime em dizer que o prazo  tem natureza processual 

penal. Porém em se tratando de acusado preso tem prevalecido que o prazo tem natureza penal. 

2.12 Conclusão do Inquérito 

A conclusão do inquérito policial se dá inicialmente com a elaboração de um relatório da autoridade policial. Não deve ser feito juízo de valor – deve apontar quem foi ouvido, as provas que foram feitas etc. 

Na hipótese de drogas a autoridade deve emitir sua opinião – art. 52 da Lei 11.343/06 

Art.  52.   Findos  os  prazos  a  que  se  refere  o  art.  51  desta  Lei,  a  autoridade  de  polícia  judiciária, remetendo os autos do inquérito ao juízo: I ‐ relatará sumariamente as circunstâncias do fato, justificando as razões que a levaram à classificação do delito,  indicando a quantidade e natureza da  substância ou do produto apreendido, o  local e as condições  em  que  se  desenvolveu  a  ação  criminosa,  as  circunstâncias  da  prisão,  a  conduta,  a qualificação e os antecedentes do agente; [...] 

O  relatório, assim como o  Inquérito, é dispensável. Não é obrigatória a utilização para  ter  início a ação penal. 

De acordo com o CPP esse é o tramite dos autos do Inquérito. 

 Em  alguns  Estados  há  Portarias/Resoluções  dos  Tribunais  que  os Autos  do  Inquérito  deverão  ser 

remetidos diretamente ao Ministério Público. É o que está previsto no projeto do Novo CPP. Resolução  63  do  Conselho  da  Justiça  Federal  –  diz  que  os  inquéritos  policiais  deverão  tramitar 

diretamente entre a polícia  federal e o Ministério Público Federal, salvo se houver necessidade de medidas cautelares. 

Quando for dada vista ao MP: • Ação  Penal  Privada:  permanência  dos  autos  em  cartório,  aguardando‐se  a  iniciativa  do 

ofendido/representante legal. 

INQUÉRITO POLICIAL > Conclusão do Inquérito 

Autos do Inquérito Policial

Poder Judiciário MP

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INQUÉRITO POLICIAL > Conclusão do Inquérito 

• Ação Penal Pública o Oferecimento  de  denúncia  –  tendo  nos  autos  todos  os  elementos  necessários 

quanto à autoria e à materialidade. o Promoção de arquivamento o Requisitar  diligências  indispensáveis  para  a  formação  da  sua  convicção  (opinio 

delicti) – essa requisição deve ser uma requisição do MP à Polícia Judiciária, salvo se houver necessidade de intervenção do Judiciário – art. 16 do CPP12. Se o magistrado indefere o retorno dos autos à Polícia Judiciária, caberá Correição Parcial. 

o Alegação de incompetência e remessa dos autos ao juízo competente. o Suscitar conflito de competência ou conflito de atribuições 

Alegação  de  incompetência  significa  que  ninguém  tinha  questionado  quanto  a  isso.  Suscitar  o conflito de competência é porque já houve manifestação quanto à competência de outra autoridade judiciária. 

 1 Conflito de Competência é aquele que se estabelece entre autoridades jurisdicionais (dois juízos) 

a. Positivo: os dois juízes se consideram competentes para julgar o caso concreto. b. Negativo: os dois juízes se consideram incompetentes para julgar o caso concreto. 

Ex.: Juiz Estadual de SP e o Tribunal de Justiça de SP   não há conflito, pois existe hierarquia entre eles. Juiz Estadual de SP e o Tribunal de Justiça de SC   STJ STM e um Juiz Federal de SP   STF, pois há um Tribunal Superior envolvido. Juiz Federal de SP e Juiz do Juizado Especial Federal de SP   ATENÇÃO para a Súmula do STJ de número 348. 

Súmula 348 Data da Decisão: 04/06/2008 Ementa:  Compete  ao  Superior  Tribunal  de  Justiça  decidir  os  conflitos  de  competência  entre  juizado especial federal e juízo federal, ainda que da mesma seção judiciária.(*) (*)  julgando  o  CC  107.635‐PR,  na  sessão  de  17/03/2010,  a  Corte  Especial  deliberou  pelo CANCELAMENTO da súmula n. 348. 

Atenção para o RE 590.409 disse que a Súmula estaria equivocada, porque se os dois juízos pertencem para o mesmo Tribunal Regional Federal, é o próprio TRF que deverá julgar o conflito. 

A súmula que está valendo é a 428 do STJ. 

Súmula 428 Data da Decisão: 17/03/2010 Ementa:  Compete  ao  Tribunal  Regional  Federal  decidir  os  conflitos  de  competência  entre  juizado especial federal e juízo federal (VINCULADO AO MESMO TRF) da mesma seção judiciária. 

Um mesmo  TRF pode  ter mais  de uma  seção  como por  exemplo  o  TRF DA  3º REGIÃO que  tem  a  seção judiciária de SP e a seção judiciária do MT em um mesmo TRF.  2 Conflito de Atribuições: é o conflito que se dá entre autoridades administrativas. MP/SP em conflito com MP/SP   PGJ/SP MP Estadual/SP em conflito com MP Estadual/MG   STF MPF/RJ em conflito com MP Estadual/ES   STF MPF/DF em conflito com MPDFT   PGR MPF/SP em conflito com MPF/RS   Câmara de Coordenação e Revisão do MPF. 

O professor Paccelli chama de conflito virtual de competência que seria conflito entre a hierarquia dos juízes. Segundo o STF, em interpretação da Constituição, art. 102, I, f13, seria conflito entre Estados. 

ACO 889, PET 3528, ACO 853, PET 3631  MP Estaduais MPU – tem como chefe o Procurador Geral da República. 

                                                            12 Art.  16. O Ministério Público não poderá  requerer  a devolução do  inquérito  à  autoridade policial,  senão para novas diligências, imprescindíveis ao oferecimento da denúncia. 13 Art.  102.  Compete  ao  Supremo  Tribunal  Federal,  precipuamente,  a  guarda  da  Constituição,  cabendo‐lhe:  I  ‐  processar  e  julgar, originariamente:  [...]  f)  as  causas  e os  conflitos  entre  a União e os  Estados,  a União e o Distrito  Federal, ou  entre uns  e outros, inclusive as respectivas entidades da administração indireta; 

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INQUÉRITO POLICIAL > Arquivamento do Inquérito Policial 

• MPF • MPT • MPDFT • MPM 

2.13 Arquivamento do Inquérito Policial 

O MP  formula uma promoção de arquivamento que será  levada à apreciação do  juiz. Nenhum dos dois arquiva o Inquérito sozinho, portanto é um procedimento complexo. 

2.13.1 Fundamentos para o arquivamento do Inquérito Policial a. Ausência de elementos informativos quanto autoria e materialidade do delito. b. Atipicidade formal ou material da conduta delituosa. c. Excludente da ilicitude – no momento de arquivar, se houver dúvida, in dúbio pro societat. d. Excludente da culpabilidade, salvo a inimputabilidade do art. 26 caput. e. Causa Extintiva da Punibilidade – pode dar ensejo para o arquivamento, mas não unânime. 

Cola eletrônica é uma conduta atípica – atipicidade formal. Princípio da Insignificância – atipicidade material.   

   

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INQUÉRITO POLICIAL > Arquivamento do Inquérito Policial 

Segunda‐feira,  06  de  setembro  de  2010.  

2.13.2 Coisa Julgada na decisão de arquivamento Coisa julgada é a decisão jurisdicional contra a qual não cabe mais recurso, seja porque se esgotaram 

os recursos existentes, seja por ausência de recurso. A ideia de coisa julgada é a garantia da segurança jurídica. Poderá ser de duas espécies (quanto aos efeitos): 

a. Coisa Julgada Formal: é a imutabilidade da decisão dentro do processo em que foi proferida. b. Coisa Julgada Material: a coisa julgada material pressupõe a coisa julgada formal. Significa a 

imutabilidade da decisão fora do processo em que foi proferida.  ‐ A decisão que determina o arquivamento faz coisa julgada? 

A decisão que determina o arquivamento é uma decisão judicial, porque irá repercutir em direitos e garantias relacionadas ao interessado. Não é um mero despacho. 

Geralmente,  sempre que  houver uma  efetiva  análise do mérito produzirá  coisa  julgada  formal  e material.  Por  outro  lado,  quando  a  análise  se  detém  apenas  a  critérios  processuais,  produz  coisa  julgada formal. 

A depender do  fundamento que  levou  ao  arquivamento, pode‐se  concluir  se houve  coisa  julgada formal ou coisa julgada formal e material. 

 ‐ Se o juiz reconheceu a atipicidade da conduta? A coisa julgada será formal e material (análise de mérito). ‐ Se o juiz reconheceu uma excludente de ilicitude? Coisa julgada formal e material (análise do mérito). 

  Julgamento do HC 95.211 no STF14 (sem decisão definitiva, cabe acompanhamento – informativo 

597). O Min. Lewandowski voto no sentido de negar o habeas corpus em  razão do que há  jurisprudência é farta no sentido de efeito de coisa julgada material quando presente atipicidade – no caso seria excludente de ilicitude. Os Ministros Meneses Direito e Marco Aurélio entenderam pela concessão do habeas por ofensa à segurança jurídica. 

Causa  extintivas  da  punibilidade  e  excludentes  da  culpabilidade  irão  fazer  coisa  julgada  formal  e material. Porém, no caso de certidão de óbito falsa é possível reabrir o processo contra o acusado, pois seria considerada uma decisão jurídica inexistente. 

Na ausência de elementos probatórios quanto à autoria e à materialidade o  juiz não  ingressará no mérito, portanto  irá produzir efeitos de coisa  julgada  formal apenas – cláusula  rebus sic stantibus. Significa que mantidos os pressupostos  fáticos que  serviram de  fundamento para a decisão, esta deve  ser mantida; alterados os pressupostos fáticos a decisão pode ser alterada. 

2.13.3 Desarquivamento do Inquérito e provas novas 

Súmula 524 do STF ‐ ARQUIVADO O INQUÉRITO POLICIAL, POR DESPACHO DO JUIZ, A REQUERIMENTO DO PROMOTOR DE JUSTIÇA, NÃO PODE A AÇÃO PENAL SER  INICIADA, SEM NOVAS PROVAS. Fonte de Publicação: DJ de 10/12/1969. Legislação: Código de Processo Penal de 1941, art. 18. 

                                                            14 HC ‐ 95211 ‐ A Turma, por maioria,  indeferiu habeas corpus no qual pleiteado o trancamento de ação penal  instaurada a partir do desarquivamento de  inquérito policial, em que  reconhecida excludente de  ilicitude. No  caso, o  citado  inquérito apurava homicídio imputado ao paciente, delegado de polícia, e a outros policiais, sendo arquivado a pedido do Ministério Público do Estado do Espírito Santo, que  reputara  configurado o estrito  cumprimento do dever  legal. Passados dez anos da decisão  judicial,  fora  instalado, pelo parquet,  o  Grupo  de  Trabalho  para  Repressão  ao  Crime  Organizado  ‐  GRCO  naquela  unidade  federativa  —  que  dera  origem, posteriormente, a Comissões Parlamentares de Inquérito em âmbito estadual e nacional —, cujos trabalhos indicariam que o paciente e os demais policiais não teriam agido em estrito cumprimento do dever legal, mas sim supostamente executado a vítima (“queima de arquivo”).  A  partir  disso,  novas  oitivas  das  mesmas  testemunhas  arroladas  no  inquérito  arquivado  foram  realizadas  e  o  órgão ministerial, concluindo pela caracterização de prova substancialmente nova, desarquivara aquele procedimento, o que fora deferido pelo juízo de origem e ensejara o oferecimento de denúncia. A impetração alegava que o arquivamento estaria acobertado pelo manto da  coisa  julgada  formal  e  material,  já  que  reconhecida  a  inexistência  de  crime,  incidindo  o  Enunciado  524  da  Súmula  do  STF (“Arquivado o inquérito policial, por despacho do Juiz, a requerimento do Promotor de Justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.”). O Min. Ricardo Lewandowski suscitou questão de ordem no sentido de que os autos fossem deslocados ao Plenário, porquanto transpareceria que as informações as quais determinaram a reabertura do inquérito teriam se baseado em provas colhidas pelo próprio Ministério Público. Contudo, a Turma entendeu, em votação majoritária, que, antes, deveria apreciar matéria prejudicial relativa ao  fato de  se  saber  se a ausência de  ilicitude  configuraria, ou não,  coisa  julgada material,  tendo em  conta que o ato de arquivamento ganhara contornos absolutórios, pois o paciente fora absolvido ante a constatação da excludente de antijuridicidade (estrito cumprimento do dever legal). [...] 

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INQUÉRITO POLICIAL > Arquivamento do Inquérito Policial 

Não confundir possibilidade para o desarquivamento do inquérito com a propositura da ação. Para que ocorra o desarquivamento do inquérito policial basta a notícia de provas novas (art. 18 do 

CPP15). A autoridade policial solicita o desarquivamento do inquérito policial. Surgindo provas novas será possível o oferecimento de denúncia. Prova  nova  é  aquela  substancialmente  inovadora,  ou  seja,  capaz  de  produzir  uma  alteração  do 

contexto probatório. Não significa, por exemplo, que uma nova testemunha seja prova nova necessariamente, pois se não trouxer elementos novos não será reaberto o inquérito. 

STF HC 94.869  O surgimento de uma prova nova poderá proporcionar reabertura de mais de um inquérito? 

2.13.4  Procedimento do arquivamento do inquérito (Justiça Estadual) Na JE e na JF o procedimento é um pouco diferenciado. O arquivamento tem origem na peça de Promoção de Arquivamento feita pelo Promotor de Justiça. A promoção de arquivamento será remetida para apreciação judicial – exercício da função anômala 

de fiscal baseado no Princípio da Obrigatoriedade. Alguns doutrinadores dizem que a análise deveria ser feita somente dentro do Ministério Público. 

‐ Se o juiz concorda com a promoção de arquivamento estaria homologado o arquivamento. ‐ Se o juiz não concordar com a promoção de arquivamento  irá determinar a remessa dos autos ao 

Procurador Geral de Justiça (art. 28 do CPP16).  ‐ Nome do Princípio que consagra o art. 28? É o Princípio da Devolução o qual diz que se o juiz não concorda com o arquivamento remete a decisão final ao Procurador Geral de Justiça. 

As possibilidades do Procurador Geral de Justiça são: 1. Oferecer denúncia; 2. Requisição de diligências; 3. Designar outro órgão do MP para oferecer denúncia; 4. Insistir no arquivamento, estando o juiz obrigado a arquivar o inquérito. 

Alguns doutrinadores entendem que outro promotor estaria obrigado a oferecer a denúncia porque age por delegação  (longa manus) do procurador de  justiça. Há outros, porém, que entendem que poderia invocar a Independência Funcional e assim mesmo não ajuizar a denúncia. 

2.13.5 Procedimento do arquivamento na Justiça Federal Na Justiça Federal o procedimento do arquivamento é diferente do art. 28 do CPP. O Procurador da República pede o arquivamento ao juiz federal. Não concordando com a promoção 

de  arquivamento  remete  para  Câmara  de  Coordenação  e  Revisão  do  MPF,  ainda  que  tenha  caráter meramente opinativo. Na verdade quem irá decidir tudo será o Procurador Geral da República. 

2.13.6 Procedimento de arquivamento na Justiça Eleitoral Irá  partir  do  promotor  de  justiça  atuando  como  promotor  eleitoral  destinado  ao  juiz  estadual 

atuando como  juiz eleitoral. Não concordando com a promoção arquivamento será remetido ao Procurador Regional Eleitoral (exercido por um Procurador Regional da República). 

2.13.7 Arquivamento nos casos de atribuição do PGJ ou PGR Quando se tratar de insistência de arquivamento do qual o juiz tenha discordado nos termos do art. 

28, ou nas hipóteses de atribuição originária do PGJ ou PGR não será necessário que a decisão administrativa do MP seja submetida à apreciação do Poder Judiciário (STF ‐ INQ 205417 / HC 64.564). 

                                                            15 Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. 16 Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao  invés de apresentar a denúncia, requerer o arquivamento do  inquérito policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito ou peças de  informação  ao  procurador‐geral,  e  este  oferecerá  a  denúncia,  designará  outro  órgão  do Ministério  Público  para  oferecê‐la,  ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender. 17  ARQUIVAMENTO  DE  PROCEDIMENTO  ADMINISTRATIVO  PELO  PROCURADOR‐GERAL  DA  REPÚBLICA.  DECISÃO  ADMINISTRATIVA. ABERTURA DE NOVAS INVESTIGAÇÕES E OFERECIMENTO DE DENÚNCIA POR NOVO PROCURADOR‐GERAL. IRRETRATABILIDADE DO ATO DE ARQUIVAMENTO, SEM PROVAS NOVAS. 1. Se o procedimento administrativo encaminhado à Procuradoria vem a ser arquivado, 

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INQUÉRITO POLICIAL > Trancamento do Inquérito Policial 

2.13.8  Arquivamento Indireto Se  o  juiz  não  concordar  com  o  pedido  de  declinação  de  incompetência,  deverá  entender  como 

arquivamento indireto remetendo os autos para o PGJ. Se o órgão do MP requer a declinação de competência, mas o juiz não concorda, estaria ocorrendo 

uma espécie de arquivamento indireto sendo possível a aplicação, por analogia, do art. 28 do CPP. 

2.13.9 Arquivamento implícito Ocorre quando o MP  deixa de  incluir na denúncia  algum  fato  delituoso ou  algum  corréu, não  se 

manifestando expressamente no sentido do arquivamento. Esse arquivamento não é admitido pelos tribunais, cabendo ao juiz devolver os autos ao MP sob pena de aplicação do art. 28 do CPP. 

Quando  o  promotor  denuncia  apenas  um  agente,  mas  não  menciona  nada  quanto  aos  outros agentes.  Toda manifestação  do MP  obrigatoriamente  deverá  ser  fundamentada,  portanto  caberá  ao  juiz solicitar esclarecimento sob pena do 28 do CPP (STF ‐ RHC 95.14118). 

Quando  em  momento  posterior  o  promotor  deseje  aditar  a  denúncia  para  lançar  um  outro delinqüente ou infração não contemplada, exige‐se a presença de prova nova. 

2.13.10 Recursos cabíveis no arquivamento Se  houve  o  arquivamento  não  caberá  ação  penal  privada  subsidiária  da  pública  (exige  inércia 

ministerial), pois não ocorreu inércia do MP. Em regra o arquivamento é uma decisão irrecorrível. Exceções: 1. Crimes contra a economia popular caberá Recurso de Ofício (art. 7º Lei 1.521/5119); 2. Nas  contravenções do  jogo do bicho e  corridas de  cavalos há previsão de  recurso em  sentido 

estrito (RSE); 3. Nos casos de atribuição originária do PGJ caberá pedido de revisão ao colégio de procuradores. 

2.14 Trancamento do Inquérito Policial 

A mera existência de um Inquérito Policial contra alguém já é considerado um certo gravame. O trancamento do Inquérito Policial é uma medida de natureza excepcional somente sendo possível 

nas seguintes hipóteses: 1. Manifesta atipicidade formal ou material da conduta delituosa; 2. Quando já estiver extinta a punibilidade; Em regra, o instrumento utilizado será o Habeas Corpus, desde que o delito preveja pena privativa de 

liberdade. Um crime que não tem previsão de pena privativa de liberdade é o porte de entorpecentes, nesses casos será possível o trancamento do inquérito por meio do Mandado de Segurança. 

 A competência para julgamento do instrumento de trancamento dependerá de quem partiu a ordem 

para instaurar o Inquérito Policial. Se for o delegado será o juiz de primeira instância, sendo o promotor será o tribunal competente. 

2.15 Investigação pelo Ministério Público 

ARGUMENTOS CONTRÁRIOS  ARGUMENTOS FAVORÁVEIS 

                                                                                                                                                                                                           essa decisão administrativa não pode ser substituída por nova denúncia, apresentada pelo novo Procurador‐Geral, sem a existência de provas novas. Precedente (Inq 2.028 ‐ Informativo 645, Plenário). 2. Denúncia rejeitada. 18  EMENTA:  RECURSO  ORDINÁRIO  EM  HABEAS  CORPUS.  PROCESSUAL  PENAL.  COMETIMENTO  DE  DOIS  CRIMES  DE  ROUBO SEQUENCIAIS. CONEXÃO RECONHECIDA RELATIVAMENTE AOS RESPECTIVOS  INQUÉRITOS POLICIAIS PELO MP. DENÚNCIA OFERECIDA APENAS  QUANTO  A  UM  DELES.  ALEGAÇÃO  DE  ARQUIVAMENTE  IMPLÍCITO  QUANTO  AO  OUTRO.  INOCORRÊNCIA.  PRINCÍPIO  DA INDIVISIBILIDADE. INEXISTÊNCIA. AÇÃO PENAL PÚBLICA. PRINCÍPIO DA INDISPONIBILIDADE. RECURSO DESPROVIDO. I ‐ Praticados dois roubos em sequência e oferecida a denúncia apenas quanto a um deles, nada impede que o MP ajuíze nova ação penal quanto delito remanescente. II ‐ Incidência do postulado da indisponibilidade da ação penal pública que decorre do elevado valor dos bens jurídicos que  ela  tutela.  III  ‐  Inexiste  dispositivo  legal  que  preveja  o  arquivamento  implícito  do  inquérito  policial,  devendo  ser  o  pedido formulado expressamente, a teor do disposto no art. 28 do Código Processual Penal. IV ‐ Inaplicabilidade do princípio da indivisibilidade à ação penal pública. Precedentes. V ‐ Recurso desprovido. 19 Art. 7º. Os  juízes recorrerão de ofício sempre que absolverem os acusados em processo por crime contra a economia popular ou contra a saúde pública, ou quando determinarem o arquivamento dos autos do respectivo inquérito policial. 

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INQUÉRITO POLICIAL > Investigação pelo Ministério Público 

1. Atenta contra o sistema acusatório, pois cria um desequilíbrio entre acusação e defesa. 

1. Não viola o sistema acusatório, pois nada impede que  a  defesa  também  contribua  para  as investigações.  A  investigação  por  particulares (inclusive  defesa)  é  perfeitamente  possível, mas não é dotado de poderes da autoridade. 

2. O MP é dotado do poder de requisitar diligências ou  instauração  de  inquéritos  policiais, mas  não pode presidi‐los. 

2. Teoria  dos  Poderes  Implícitos  –  tem  origem  no direito  norteamericano  (caso  Macculoch  v. Maryland  –  1819).  A  constituição  ao  conceder uma  atividade  fim  a  determinado  órgão  ou instituição  implicitamente também concede a ele todos  os  meio  necessários  para  atingir  aquele objetivo.  Portanto,  se  o MP  é  o  titular  da  ação penal deve‐se outorgar a ele os meios necessários para  formar  seu  convencimento  (STF  ‐  HC 89.83720). 

3. A  atividade  investigativa  é  exclusiva  da  polícia judiciária. 

3. Polícia  Judiciária  não  se  confunde  com  polícia investigativa,  além  disso  o  próprio  CPP  (art.  4º, §ún.21)  demonstra  que  as  investigações  não  são tarefas exclusivas da polícia. 

4. Falta de previsão  legal e de  instrumento para as investigações. 

4. Procedimento  Investigatório  Criminal  (PIC): regulamentado  na  Resolução  13  do  Conselho Nacional  do  Ministério  Público  –  CNMP.  É  o instrumento  de  natureza  administrativa  e inquisitorial  instaurado e presidido pelo membro do  MP  com  atribuições  criminais,  e  terá  como finalidade apurar a ocorrência de infrações penais de natureza pública,  fornecendo elementos para o  oferecimento  ou  não  de  denúncia.  É  como  se fosse  um  inquérito  tramitando  diretamente  no MP. O PIC poderá ter três destinações a partir dos elementos colhidos: 4.1. Oferecimento de denúncia; 4.2. Requerer  o  arquivamento,  que  poderá  ser 

tanto  diretamente  ao  Poder  Judiciário  ou outro órgão interno e superior do MP. 

4.3. Poderá declinar das atribuições em  favor de outro órgão do MP. 

 O STJ é favorável a investigação pelo Ministério Público (Súmula 23422). O fato de o MP ser parte parcial não impede que venha a solicitar a absolvição de acusado. 

                                                            20 E M E N T A: "HABEAS CORPUS"  ‐ CRIME DE TORTURA ATRIBUÍDO A POLICIAL CIVIL  ‐ POSSIBILIDADE DE O MINISTÉRIO PÚBLICO, FUNDADO  EM  INVESTIGAÇÃO  POR  ELE  PRÓPRIO  PROMOVIDA,  FORMULAR  DENÚNCIA  CONTRA  REFERIDO  AGENTE  POLICIAL  ‐ VALIDADE JURÍDICA DESSA ATIVIDADE INVESTIGATÓRIA ‐ CONDENAÇÃO PENAL IMPOSTA AO POLICIAL TORTURADOR ‐ LEGITIMIDADE JURÍDICA DO PODER  INVESTIGATÓRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO  ‐ MONOPÓLIO CONSTITUCIONAL DA TITULARIDADE DA AÇÃO PENAL PÚBLICA  PELO  "PARQUET"  ‐  TEORIA  DOS  PODERES  IMPLÍCITOS  ‐  CASO  "McCULLOCH  v.  MARYLAND"  (1819)  ‐  MAGISTÉRIO  DA DOUTRINA  (RUI BARBOSA,  JOHN MARSHALL,  JOÃO BARBALHO, MARCELLO CAETANO, CASTRO NUNES, OSWALDO TRIGUEIRO, v.g.)  ‐ OUTORGA,  AO MINISTÉRIO  PÚBLICO,  PELA  PRÓPRIA  CONSTITUIÇÃO  DA  REPÚBLICA,  DO  PODER  DE  CONTROLE  EXTERNO  SOBRE  A ATIVIDADE POLICIAL  ‐ LIMITAÇÕES DE ORDEM  JURÍDICA AO PODER  INVESTIGATÓRIO DO MINISTÉRIO PÚBLICO  ‐  "HABEAS CORPUS" INDEFERIDO. NAS HIPÓTESES DE AÇÃO PENAL PÚBLICA, O  INQUÉRITO POLICIAL, QUE CONSTITUI UM DOS DIVERSOS  INSTRUMENTOS ESTATAIS DE INVESTIGAÇÃO PENAL, TEM POR DESTINATÁRIO PRECÍPUO O MINISTÉRIO PÚBLICO. 21 Art. 4º A polícia  judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações penais e da sua autoria. (Redação dada pela Lei nº 9.043, de 9.5.1995) Parágrafo único. A competência definida neste artigo não excluirá a de autoridades administrativas, a quem por lei seja cometida a mesma função. 22 Súmula 234 do STJ  ‐ Ementa: A participação de membro do Ministério Público na  fase  investigatória criminal não acarreta o  seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia. Data da Decisão: 13/12/1999. 

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INQUÉRITO POLICIAL > Controle externo da atividade policial pelo Ministério Público 

O STF, em um primeiro momento oscilava quanto a investigação, mas atualmente a posição que tem prevalecido é admissão da investigação pelo MP (RE 464.893 / HC 89.837) 

2.16 Controle externo da atividade policial pelo Ministério Público 

Art. 129, VII da CF23. Lei Complementar 7524 (aplica‐se também no âmbito dos MP’s Estaduais) Esse controle externo decorre do Sistema de Freios e Contrapesos previsto pelo regime democrático 

e não pressupõe subordinação ou hierarquia dos organismos policiais. Tem como objetivo a efetividade dos direitos assegurados na lei fundamental. 

2.16.1 Forma do controle externo O controle externo do Ministério Público pode dar‐se de duas formas: controle difuso e concentrado.  

CONTROLE DIFUSO  CONTROLE CONCENTRADO 

1. Controle  exercido  por  PROMOTORES  com atribuição criminal. 

1. Controle  exercido  por  ÓRGÃO  DO  MP  cujas atribuições  são  específicas  para  o  controle externo.  Regulamentado  pela  Resolução  20  do CNMP. 

1.1. Controle de ocorrências policiais;  1.1. Ajuizamento  de  ações  de  improbidade administrativa; 

1.2. Controle dos prazos de IP; 1.2. Ações Civis Públicas na defesa dos interesses 

difusos  –  utilizada  nos  casos  de superpopulação carcerária; 

1.3. Controle da qualidade do IP;  1.3. Procedimento investigatório criminal; 

1.4. Controle de bens apreendidos;  1.4. Recomendações e termos de ajustamento de conduta; 

1.5. Propositura de Medidas Cautelares.  1.5. Visita às unidades prisionais;   1.6. Comunicações de prisões em flagrante.  

O desarquivamento será concedido e pelo juiz já que o inquérito está arquivado no Poder Judiciário. Do  juiz que  recusar o pedido de  arquivamento de um  inquérito, poderia  se entender que  estaria 

fazendo um  julgamento prévio da ação. Não é  isso que entende a doutrina e  jurisprudência – Princípio da Obrigatoriedade.    

                                                            23 Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: [...] VII ‐ exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no artigo anterior; 24 Art. 9º O Ministério Público da União exercerá o controle externo da atividade policial por meio de medidas judiciais e extrajudiciais podendo: I ‐ ter livre ingresso em estabelecimentos policiais ou prisionais; II ‐ ter acesso a quaisquer documentos relativos à atividade‐fim policial; III ‐ representar à autoridade competente pela adoção de providências para sanar a omissão indevida, ou para prevenir ou corrigir ilegalidade ou abuso de poder; IV ‐ requisitar à autoridade competente para instauração de inquérito policial sobre a omissão ou fato ilícito ocorrido no exercício da atividade policial; V ‐ promover a ação penal por abuso de poder. 

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AÇÃO PENAL > Conceito 

3 AÇÃO PENAL 

3.1 Conceito 

É o direito de pedir ao Estado‐juiz a tutela jurisdicional relacionada ao caso concreto. O Estado trouxe para si o exercício para dirimir as controvérsias. 

3.2 Condições da Ação 

É  um  direito  que  deve  ser  exercido  de maneira  regular,  estando  submetido  ao  cumprimento  de certas condições. Essas condições que são necessárias para o exercício regular do direito de ação são de duas espécies: condições genéricas e condições específicas. 

Condição  da  ação  é  chamada  de  condição  de  procedibilidade  por  alguns  doutrinadores  –  são expressões sinônimas. 

A ausência de uma das condições da ação é causa extintiva da ação sem análise do mérito fazendo coisa julgada formal.    

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AÇÃO PENAL > Condições Genéricas da Ação Penal 

Quarta‐feira,  8  de  setembro  de  2010.  

3.3 Condições Genéricas da Ação Penal 

Quanto às condições da ação há duas correntes:  1ª CORRENTE  (mais  tradicional) –  irá se valer mais ou menos das mesmas  ideias das condições da 

ação do processo civil.  

1. Possibilidade Jurídica do Pedido: o pedido formulado deve encontrar amparo no ordenamento jurídico (o pedido de  ser ao menos admitido pelo direito objetivo). Ex.: oferecimento de denúncia pela prática de crime contra um menor de 18 anos.  

2. Legitimidade para Agir  (Legitimatio ad  causam):  é  a pertinência  subjetiva da  ação  (quem  é que pode ingressar com a ação?/ em face de quem se pode usar essa peça acusatória?). 2.1. Polo Ativo 

2.1.1. Ação Penal Pública: Ministério Público (art. 129 da CF). 2.1.2. Ação Penal de Iniciativa Privada: ofendido ou seu representante legal. 

2.2. Polo Passivo: provável autor do fato delituoso com mais de 18 anos.  Ex.1: durante  a propaganda  eleitoral os  irmãos  Kiko  e  Leandro  (candidatos  a Deputado  Estadual  e  Federal respectivamente) começam a brigar. Um ingressa com uma queixa crime contra o outro. Como Promotor, qual seria o seu procedimento ao ser  intimado? Crimes contra a honra praticados durante a propaganda eleitoral são crimes eleitorais (há crimes contra a honra no Código Eleitoral, Código Militar etc.). Crimes eleitorais são crimes de ação penal pública incondicionada. Nessa hipótese diante da ilegitimidade do ofendido caberia ao juiz rejeitar a peça acusatória (art. 395, II CPP25). 

Se a ilegitimidade for verificada no curso do processo é possível a aplicação subsidiária do art. 267, VI do CPC26, com a consequente extinção do processo sem julgamento do mérito. 

A  ilegitimidade  passiva  acaba  sendo  analisada  no  mérito.  O  processo  terá  início  e  a  instrução probatória irá dizer sobre a (i)legitimidade passiva. 

Oferecimento de denúncia contra um homônimo é um exemplo raro de  ilegitimidade passiva onde não  será  analisado  somente  no  mérito.  Deve‐se  requerer  a  rejeição  da  peça  acusatória  ou  extinção  do processo sem o julgamento do mérito, a depender de que estágio se encontra. 

 Legitimação Ordinária e Extraordinária 

 Legitimação Ordinária é quando alguém age em nome próprio na defesa de  interesse próprio. Ex.: 

motociclista vítima de acidente causado por motorista – agirá em nome próprio requerendo direito próprio. Legitimação Extraordinária: alguém age em nome próprio na defesa de  interesse alheio. Hipóteses 

no processo penal: • Ação Penal Privada: o direito de punir pertence exclusivamente ao Estado, que outorga ao 

ofendido a legitimidade para ingressar em juízo. • Ação Civil ex‐delicto proposta pelo MP em favor de vítima pobre: o delito irá produzir dano a 

uma vítima determinada e em razão disso é possível ingressar com uma ação civil buscando a 

                                                            25  Art.  395.   A  denúncia  ou  queixa  será  rejeitada  quando:   (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.719,  de  2008).  I  ‐  for manifestamente inepta; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). II ‐ faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou  (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). III ‐ faltar justa causa para o exercício da ação penal. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 26 Art. 267. Extingue‐se o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232, de 2005) I ‐ quando o juiz indeferir a petição inicial; Il ‐ quando ficar parado durante mais de 1 (um) ano por negligência das partes; III ‐ quando, por não promover os atos e diligências  que  Ihe  competir,  o  autor  abandonar  a  causa  por mais  de  30  (trinta)  dias;  IV  ‐  quando  se  verificar  a  ausência  de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo; V ‐ quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência  ou  de  coisa  julgada; Vl  ‐ quando não  concorrer qualquer das  condições da  ação,  como  a possibilidade  jurídica,  a legitimidade das partes e o interesse processual; Vll ‐ pela convenção de arbitragem; (Redação dada pela Lei nº 9.307, de 23.9.1996) Vlll  ‐ quando o autor desistir da ação;  IX  ‐ quando a ação  for considerada  intransmissível por disposição  legal; X  ‐ quando ocorrer confusão entre autor e réu; XI ‐ nos demais casos prescritos neste Código. 

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AÇÃO PENAL > Condições Genéricas da Ação Penal 

reparação do dano (art. 68 do CPP27). Esse artigo foi recepcionado pela CF? Ao MP incumbe a tutela de  interesses difusos, coletivos e  individuais de natureza  indisponíveis. Ao oferecer a ação civil em favor de vítima pobre está correndo atrás de direito individual patrimonial. Para o STF o art. 68 do CPP é dotado de uma inconstitucionalidade progressiva, ou seja, enquanto não houver Defensoria Pública na Comarca o MP tem legitimidade para propor ação civil ex‐delicto  em  favor  de  vítima  pobre  ‐  dotado  de  uma  inconstitucionalidade  progressiva  (RE 135.328). 

O MP age em nome próprio na defesa de interesse próprio já que a CF lhe confere a titularidade da ação penal. 

 Legitimação Ativa Concorrente 

 Mais de uma parte está legalmente autorizada a agir. Quem ajuizar primeiro afasta a legitimidade do 

outro, pois não se admitiria dois processos penais tramitando em relação ao mesmo fato. 1. Ação Penal Privada Subsidiária da Pública: depois de decorrido o prazo do MP,  tanto a vítima 

pode oferecer queixa subsidiária quanto o MP pode oferecer denúncia. 2. Sucessão processual: ocorre nos casos de morte do ofendido, quando o direito de queixa passa 

para o CCADI (cônjuge, companheiro*, ascendente e irmão).  * Ao  incluir‐se o companheiro como  legitimado a suceder no caso de morte do ofendido, entendem alguns doutrinadores que se fará uma analogia em malan partem – o que não é admitido. A inclusão do companheiro no rol sucessório se dá em razão da equiparação isonômica do cônjuge e companheiro. Porém, o fato de existir mais um legitimado para suceder o ofendido no caso de sua morte causa prejuízo ao réu, pois a sua falta, em alguns casos, provocaria a decadência e por consequência a extinção da punibilidade. 

Portanto,  alguns  doutrinadores  dizem  que  o  companheiro  não  estaria  entre  os  legitimados  para prosseguir na ação penal.  

Crime contra a honra de servidor público em razão de suas funções  ‐ atenção para Súmula 714 do STF28. De acordo com a súmula há duas possibilidades: ajuizar queixa crime ou oferecer representação para que o MP oferecesse denúncia. Pela leitura da súmula os dois caminhos de maneira simultânea, mas não é o que ocorre. Se a vítima oferece representação fecha a possibilidade de ingressar com uma queixa crime (ação penal pública condicionada à representação). Por outro  lado, enquanto não oferecida a representação o MP não pode fazer nada – possível apenas ação penal privada. 

Essa súmula não é exemplo de  legitimação concorrente, mas sim de  legitimação alternativa: para o STF se o ofendido oferecer representação ao MP estará preclusa a opção pela ação penal privada. Por outro lado enquanto não oferecida a representação a única opção possível é a ação penal privada. Portanto, cuida‐se de hipótese de legitimação alternativa (INQ 193929). 

 3. Interesse de agir: subdivide‐se em um trinômio. 

3.1. Necessidade: no processo penal a necessidade é presumida, pois não há pena sem processo, salvo na hipótese dos juizados (acordo de transação penal com o MP). 

3.2. Adequação: ao contrário do processo civil que há várias espécies de ações civis, no processo penal há somente a ação penal condenatória. Não há, portanto, muita relevância da adequação no processo 

                                                            27 Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1o e 2o), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público. 28 Súmula 714 ‐ É CONCORRENTE A LEGITIMIDADE DO OFENDIDO, MEDIANTE QUEIXA, E DO MINISTÉRIO PÚBLICO, CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO DO OFENDIDO, PARA A AÇÃO PENAL POR CRIME CONTRA A HONRA DE SERVIDOR PÚBLICO EM RAZÃO DO EXERCÍCIO DE SUAS FUNÇÕES. Fonte de Publicação DJ de 9/10/2003. 29  EMENTA:  I.  Ação  penal:  crime  contra  a  honra  do  servidor  público,  propter  officium:  legitimação  concorrente  do MP, mediante representação do ofendido, ou deste, mediante queixa: se, no entanto, opta o ofendido pela representação ao MP, fica‐lhe preclusa a ação penal privada: electa una via... II. Ação penal privada subsidiária: descabimento se, oferecida a representação pelo ofendido, o MP não  se  mantém  inerte,  mas  requer  diligências  que  reputa  necessárias.  III.  Processo  penal  de  competência  originária  do  STF: irrecusabilidade  do  pedido  de  arquivamento  formulado  pelo  Procurador‐Geral  da  República,  se  fundado  na  falta  de  elementos informativos para a denúncia. 

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AÇÃO PENAL > Condições Específicas da Ação Penal 

penal, pois a adequação  se  resume em uma ação penal  condenatória  com pedido de aplicação de sanção penal. 

3.3. Utilidade: o autor deve demonstrar a eficácia e a utilidade da atividade  jurisdicional para satisfazer seu interesse. Aqui entra o assunto da chamada **Prescrição em Perspectiva ou Prescrição Virtual – é o reconhecimento antecipado de uma possível e provável prescrição. 

 10.03.05 – furto simples (1 a 4 anos) praticado com 19 anos. 22.06.08  –  vista  ao MP. A  prescrição  em  abstrato  para  os  crimes  com  pena máxima  até  4  anos  é  de  8  anos;  tendo  o  agente  praticado  o  delito  quando menor de 21, reduz‐se pela metade, ou seja, 4 anos de prescrição. 

 Se o acusado  for primário e de bons antecedentes é possível que o máximo da pena aplicada não 

extrapole 1 ano. Nesse caso, a prescrição baseada na pena em concreto será de 4 anos, reduzindo pela metade em razão da idade inferior a 21 anos, passará a 2 anos. 

Os Tribunais não admitem essa teoria porque viola o princípio da presunção de  inocência  já que o réu seria previamente julgado como tendo praticado o crime sem ter direito à análise do mérito. 

Por outro lado, será um processo sem utilidade jurídica alguma, portanto, sem interesse de agir. A  jurisprudência não admite  tal modalidade de prescrição, seja por ausência de previsão  legal seja 

por  violar  a  presunção  de  inocência  (RE  602.52730  e  Súmula  438  do  STJ  –  “é  inadmissível  a  extinção  da punibilidade pela prescrição da pretensão punitiva com fundamento em pena hipotética,  independentemente da existência ou sorte no processo penal”). Como Promotor de Justiça, ao invés de oferecer denúncia, deve‐se requerer o arquivamento com base na ausência de utilidade e, portanto, ausência de interesse de agir. Afinal de contas, por que oferecer denúncia se já sabemos antecipadamente que irá ocorrer prescrição? 

 4. Justa Causa: é um lastro probatório mínimo indispensável para a existência de um processo. 

 2ª CORRENTE – não aceita a importação dos institutos do processo civil.  

1. Condições da ação 1.1. Prática de fato aparentemente criminoso. 1.2. Punibilidade concreta  1.3. Legitimidade para agir 1.4. Justa causa 

Em  uma  prova  objetiva  deve‐se  optar  pela  doutrina  tradicional.  Provas  que  permitem  análise dissertativa deve‐se abordar sobre a corrente mais moderna. 

3.4 Condições Específicas da Ação Penal 

São condições que deverão estar implementadas apenas em relação a alguns processos. Exemplos: 

• Representação do ofendido; • Requisição do Ministro da Justiça; • Laudo pericial nos crimes contra a propriedade material – art. 525 do CPP31. • Laudo preliminar de constatação da natureza da droga (tanto para porte como para tráfico 

etc.); • Qualidade de militar no crime de deserção. 

                                                            30  EMENTA: AÇÃO  PENAL.  Extinção  da  punibilidade.  Prescrição da  pretensão  punitiva  “em perspectiva, projetada  ou  antecipada”. Ausência  de  previsão  legal.  Inadmissibilidade. Jurisprudência  reafirmada. Repercussão  geral  reconhecida. Recurso  extraordinário provido. Aplicação do art. 543‐B, § 3º, do CPC. É inadmissível a extinção da punibilidade em virtude de prescrição da pretensão punitiva com base em previsão da pena que hipoteticamente seria aplicada, independentemente da existência ou sorte do processo criminal. 31 Art. 525. No caso de haver o crime deixado vestígio, a queixa ou a denúncia não será recebida se não for  instruída com o exame pericial dos objetos que constituam o corpo de delito. 

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AÇÃO PENAL > Condição objetiva de punibilidade 

• ** Atenção – a sentença declaratória da falência nos crimes falimentares. Antes da lei atual de  falência  era  uma  condição  específica  da  ação  e  após  a  Lei  11.101/05  (art.  18032)  a sentença declaratória passou a ser uma condição objetiva de punibilidade. 

3.5 Condição objetiva de punibilidade 

CONDIÇÃO DA AÇÃO / CONDIÇÃO DE PROCEDIBILIDADE 

CONDIÇÃO OBJETIVA DE PUNIBILIDADE 

1. Está ligada ao Direito Processual Penal;  1. Está ligada ao Direito Penal; 2. Condição  necessária  para  o  exercício  regular  do 

direito de ação; 2. Condições  impostas  pelo  legislador  para  que  o 

fato se torne punível e que estão fora do  injusto penal.  Situam‐se  entre  o  preceito  primário  e secundário da norma penal  incriminadora, sendo denominadas  condições  objetivas  porque independem do dolo ou da culpa do agente. Ex.1: sentença  declaratória  da  falência.  Ex.2:  decisão final  do  procedimento  administrativo  de lançamento nos crimes materiais contra a ordem tributária (RHC 90.53233 e Súmula Vinculante 2434 ‐  rever  pois  houve  Embargos  de  Declaração  do julgado e se declarou os crimes como formais). 

3. Podem ter natureza genérica ou específicas  3. Consequência  da  ausência  de  uma  condição objetiva de punibilidade: 3.1. Inicialmente:  antes  do  implemento  dessa 

condição  o  Estado  sequer  pode  instaurar Inquérito  Policial.  Se  ainda  não  foi implementada o Estado não pode exercer a pretensão punitiva. 

3.2. Término:  inegavelmente  será  absolvido  o acusado  porque  não  será  possível  o atendimento  de  uma  condição  para  o cumprimento de uma pena, tendo formação de coisa julgada formal e material. 

4. Consequência  da  ausência  de  uma  condição  da ação  (decisão  que  reconhece  a  ausência  de condição da ação irá fazer coisa julgada formal): 4.1. Inicialmente: rejeita a peça acusatória; 4.2. Durante o processo: extinção sem análise do 

mérito (art. 267, VI do CPC) 

 **A  redação da Súmula Vinculante 24 não está correta, pois a decisão  final seria uma condição objetiva de punibilidade, mas por mera leitura da súmula entende‐se como elementar do tipo penal. 

3.6 Condição de Prosseguibilidade 

Condição de Prosseguibilidade  Condição de Procedibilidade 1. O processo  já está em andamento. A condição é  1. É  uma  condição  necessária  para  o  início  do 

                                                            32 Art. 180. A SENTENÇA que decreta a falência, concede a recuperação judicial ou concede a recuperação extrajudicial de que trata o art. 163 desta Lei é condição objetiva de punibilidade das infrações penais descritas nesta Lei. 33  EMENTA:  RECURSO ORDINÁRIO  EM HABEAS  CORPUS.  CRIME  TRIBUTÁRIO.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  EM  CURSO.  INQUÉRITO POLICIAL.  CONSTRANGIMENTO.  PRECEDENTES.  INVESTIGAÇÃO  CONJUNTA  DE  CRIME  CONTRA  A  ORGANIZAÇÃO  DO  TRABALHO. TRANCAMENTO DO  INQUÉRITO POLICIAL.  INVIABILIDADE. COMPETÊNCIA DA  JUSTIÇA FEDERAL PARA PROCESSAR E  JULGAR CRIMES CONTRA A ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO. PRECEDENTE. RECURSO  JULGADO PARCIALMENTE PROCEDENTE. 1. Recurso Ordinário em habeas corpus, no qual se pretende o  trancamento de  inquérito policial  instaurado para apuração de possível crime de sonegação fiscal, sob o  fundamento de que o procedimento administrativo ainda não  foi concluído. Constrangimento  ilegal que se verifica na espécie,  segundo  precedentes  desta  Corte.  2.  Pretensão  de  trancamento  do  inquérito  policial,  também,  quanto  à  investigação  de possível crime contra a organização do trabalho, ao argumento de que a competência para processo e julgamento de eventual crime não é da  Justiça Federal. Alegação  infundada na atual  fase, em que os  fatos ainda estão  sob apuração. Entendimento do Supremo Tribunal  Federal,  ademais,  no  sentido  de  que  os  crimes  contra  a  organização  do  trabalho  são  da  competência  da  Justiça  Federal. Precedente. 3. Recurso parcialmente provido. 34 Súmula Vinculante 24 ‐ Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. Data de Aprovação ‐ Sessão Plenária de 02/12/2009 

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AÇÃO PENAL > Condição de Prosseguibilidade 

necessária para que o processo possa prosseguir.  processo  –  o  processo  ainda  não  começou  e  a condição  é  necessária  para  que  o  processo  se inicie. 

 Na  lei dos  juizados de 1995  (art. 8835)  a  lesão  corporal  leve  e  lesão  corporal  culposa passaram  a 

depender  de  representação  que  antes  eram  de  ação  penal  pública  incondicionada.  Atualmente  a representação, na  lei dos  juizados é uma  condição de procedibilidade, mas, à época,  funcionou  como uma condição de prosseguibilidade nas ações que já tramitam como ação penal pública incondicionada. 

  Na lei dos juizados a representação teve a seguinte natureza jurídica: 1. Para os processos que ainda não  estavam em andamento, pelos  crimes de  lesão  leve e  lesão 

culposa, a representação funcionou como condição de procedibilidade. 2. Para  os  processos  que  já  estavam  em  andamento,  a  representação  funcionou  como  uma 

condição de presseguibilidade (art. 91).  

Atenção! ‐ Ex.: processos criminais em andamento pelo crime de estupro com violência real.  Antes da Lei 12.015/09: ‐ Estupro praticado com violência real (emprego de força física para romper a defesa da vítima) a ação penal era pública incondicionada (Súmula 608 do STF36) Depois da Lei 12.015/09 (07 de agosto de 2009): ‐  O  art.  22537  diz  que  a  ação  penal  será  pública  condicionada  à  representação  e  incondicionada  quando praticada  contra  vulnerável  ou menor  de  18  anos.  Com  a  nova  redação  esse  delito  passa  a  ser  uma  ação condicionada à representação.  

 É necessária a representação para os processos que já estavam em andamento?  1ª  CORRENTE  –  para  Rogério  Sanches  e  LFG  ao  contrário  da  Lei  dos  Juizados  (art.  9138),  a  lei 

12.015/09  silenciou  acerca  da  necessidade  do  oferecimento  de  representação  para  os  processos  que  já estavam em andamento. Portanto a representação não é uma condição de prosseguibilidade. 

2ª CORRENTE  –  (Nucci)  a  representação passou  a  ser uma  condição de prosseguibilidade para os processos penais que estavam em andamento quando entrou em vigor a lei 12.015/09 em relação ao crime de estupro com violência real. 

 Incluindo o companheiro nos legitimados a suceder a vítima se fará uma analogia em malan partem 

porque  se não houver  a  figura do  companheiro beneficiaria o  acusado. Alguns doutrinadores dizem que o companheiro não estaria entre os legitimados para prosseguir na ação penal. 

‐ Existe  lide (conflito de  interesses qualificado por uma pretensão resistida) no processo penal? Não deve ser usado no Processo Penal porque se entende que não há um conflito de interesses por que não cabe ao MP condenar inocentes. No processo penal sempre haverá uma resistência por parte do advogado do réu. 

A exigência de 0.6 ml. de ingestão de álcool por litro de sangue é elementar do tipo do CTB, consta do preceito primário do tipo. 

O IP é uma peça inquisitória e o delegado pode determinar a condução coercitiva de testemunha.    

                                                            35 Art. 88. Além das hipóteses do Código Penal e da legislação especial, dependerá de representação a ação penal relativa aos crimes de lesões corporais leves e lesões culposas. 36 Súmula 608 ‐ NO CRIME DE ESTUPRO, PRATICADO MEDIANTE VIOLÊNCIA REAL, A AÇÃO PENAL É PÚBLICA INCONDICIONADA. Fonte de PublicaçãoDJ de 29/10/1984. 37  Art.  225.   Nos  crimes  definidos  nos  Capítulos  I  e  II  deste  Título,  procede‐se  mediante  ação  penal  pública  condicionada  à representação. (Redação dada pela  Lei nº 12.015, de 2009) Parágrafo único.  Procede‐se, entretanto, mediante ação penal pública incondicionada se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) 38  Art.  91. Nos  casos  em  que  esta  Lei  passa  a  exigir  representação  para  a  propositura  da  ação  penal  pública,  o  ofendido  ou  seu representante legal será intimado para oferecê‐la no prazo de trinta dias, sob pena de decadência. 

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AÇÃO PENAL > Classificação das Ações Penais 

Sexta‐feira,  10  de  setembro  de  2010.  

3.7 Classificação das Ações Penais 

Classificação é feita basicamente em razão da titularidade da ação penal.  1. Ação Penal Pública: tem como titular o Ministério Público (art. 129, I CF). 

1.1. Peça Acusatória: denúncia. 1.2. Espécies de Ação Penal Pública: 

1.2.1. Ação Penal Pública Incondicionada: o MP não depende do implemento de qualquer condição. É a regra em relação a todo e qualquer delito. 

1.2.2. Ação  Penal  Pública  Condicionada:  depende  do  implemento  de  condição  específica  de procedibilidade. Atualmente  a  tendência  é  essa  espécie de  ação,  considerada  como  a melhor ação  pelo  legislador,  já  que  conjuga  a  vontade  da  vítima  com  a  estrutura  que  o MP  tem. Antigamente,  o  estupro  era  de  ação  penal  privada  o  que  tornava  como  um  dos  crimes mais graves constante das cifras negras  (crimes ocorridos mas não contabilizados em  razão da pura ausência de manifestação da vítima)  já que, além de constrangedor, dificultava para a vítima a contratação de advogado e ajuizamento da ação. 

1.2.3. Ação Penal Pública Subsidiária da Pública: são exemplos da ação desse tipo de ação. • Decreto‐Lei 201/67, art. 2º, §2º39  (Crimes de  responsabilidade de Prefeitos): Prefeito, em 

regra, será julgado pelo Tribunal de Justiça, em razão disso será o Procurador de Justiça o seu acusador. No caso de omissão do Ministério Público Estadual assumirá o Procurador Regional da República. Para a doutrina esse dispositivo não foi recepcionado pela CF, pois atenta contra a autonomia dos MP’s Estaduais, pois conforme a Carta Política, ambos estão em mesma hierarquia. 

• Código Eleitoral, art. 357, §§3º e 4º40  2. Ação Penal de  Iniciativa Privada: será proposta pelo ofendido ou seu representante  legal. Tecnicamente 

toda  ação penal  implicitamente é pública, mas em  algumas possibilidades é  transferida  ao particular  a iniciativa para acusar. A explicação de dar ao particular a iniciativa da ação penal, possibilitando a escolha para o ajuizamento ou não da ação, é em razão do chamado escândalo do processo (strepitus judici). 2.1. Titular: ofendido ou representante legal. 2.2. Peça Acusatória: queixa‐crime. 2.3. Espécies de ação penal de iniciativa privada: 

2.3.1. Ação Penal de  Iniciativa Privada Personalíssima: somente o ofendido pode oferecer a queixa‐crime. Não há sucessão processual. O extinto crime de adultério era de ação penal de  iniciativa privada  personalíssima,  já  que  somente  o  cônjuge  traído  poderia  ingressar  com  a  ação. Atualmente o exemplo  remanescente é o do art. 236 caput e § ún. do CP  (Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento) e somente o contraente enganado poderá ajuizar a ação. Nesses casos, uma rara causa de extinção da punibilidade em razão da morte da vítima, pois o direito de ação não  se  transmite aos  sucessores. Contrária à  corriqueira  causa de extinção da punibilidade que é a morte do agente (art. 109, I do CP). 

2.3.2. Ação  Penal  de  Iniciativa  Exclusivamente  Privada:  é  a  regra  em  relação  da  ação  privada.  Ao contrário da ação penal de iniciativa privada personalíssima haverá sucessão processual para os legitimados – CADI. 

2.3.3. Ação  Penal  de  Iniciativa  Subsidiária  da  Pública:  será  cabível  diante  da  inércia  do Ministério Público – previsão constitucional e art. 100 do CP41. 

                                                            39 Art. 2º O processo dos crimes definidos no artigo anterior é o comum do juízo singular, estabelecido pelo Código de Processo Penal, com as  seguintes modificações:  [...] § 2º Se as previdências para a abertura do  inquérito policial ou  instauração da ação penal não forem  atendidas  pela  autoridade  policial  ou  pelo  Ministério  Público  estadual,  poderão  ser  requeridas  ao  Procurador‐Geral  da República. 40 Art. 357. Verificada a infração penal, o Ministério Público oferecerá a denúncia dentro do prazo de 10 (dez) dias. [...] § 3º Se o órgão do Ministério  Público  não  oferecer  a  denúncia  no  prazo  legal  representará  contra  ele  a  autoridade  judiciária,  sem  prejuízo  da apuração da responsabilidade penal. § 4º Ocorrendo a hipótese prevista no parágrafo anterior o juiz solicitará ao Procurador Regional a designação de outro promotor, que, no mesmo prazo, oferecerá a denúncia. 

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AÇÃO PENAL > Princípios da Ação Penal 

 Em  regra  a  ação penal  será pública  incondicionada,  caso  contrário, no  final do  tipo penal ou nas 

disposições finais do capítulo constará a espécie de ação penal cabível. 

3.8 Princípios da Ação Penal 

PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL PÚBLICA  PRINCÍPIOS DA AÇÃO PENAL PRIVADA 1. Princípio  da  Inércia  da  Jurisdição  (Ne  procedat 

iudex ex ofício) 1. Princípio  da  Inércia  da  Jurisdição  (Ne  procedat 

iudex ex ofício) 2. Princípio do Ne bis in idem  2. Princípio do Ne bis in idem 3. Princípio da Intranscendência  3. Princípio da Intranscendência 4. Princípio da Obrigatoriedade  4. Princípio da Oportunidade ou da Conveniência 5. Princípio da Indisponibilidade  5. Princípio da Disponibilidade 6. Princípio da Divisibilidade  6. Princípio da Indivisibilidade 

3.8.1 Princípio da Inércia da Jurisdição (Ne procedat iudex ex ofício) Ao juiz não é dado iniciar um processo de ofício em virtude da adoção do sistema acusatório. Deriva 

do art. 129,  I da CF, pois quando diz que o MP é o titular da ação penal pública, faz com que a acusação se diferencie do órgão jurisdicional. 

Processo Judicialiforme (ação penal ex oficio) era um processo que tinha início com uma Portaria do juiz  [art. 2642 e 53143  (redação original) do CPP]. Tanto o delegado como o  juiz poderiam dar  início à ação penal. Esses dois dispositivos não foram recepcionados pela CF, pois violam o sistema acusatório. 

O Princípio da Inércia  impede que o  juiz  inicie um processo de ofício, mas é perfeitamente possível que de ordem para concessão de habeas corpus de ofício (art. 654, §2º do CPP44). Não se confunde pois o HC não é uma ação penal e sim uma ação libertária. 

3.8.2 Princípio do Ne bis in idem No Direito Material significa que ninguém pode ser punido duas vezes pela mesma circunstância. No 

crime de aborto aplica‐se a agravante de  ter  sido praticado  contra gestante? Não, pois aborto  só pode  ser praticado contra gestante. 

No Direito  Processual  significa que ninguém poderá  ser processado pela mesma  imputação.  Esse Princípio está previsto no art. 8º, §4º da Convenção Americana de Direitos Humanos45 (Pacto de São José da Costa Rica). 

 (FILMES: Dupla Imputação e Golpe de Mestre)  A acusação é baseada no fato criminoso praticado pelo agente, portanto conforme os exemplos dos 

filmes: a pessoa que é acusada erroneamente da prática de um homicídio e, após  iniciar o cumprimento da pena,  vem  a  descobrir  que  a  suposta  vítima  está  viva  e  o  homicídio  fora  forjado  para  incriminá‐la inocentemente. Não poderá, contudo, vir a consumar o delito matando a pessoa sob a alegação de não poder ser processada novamente por um crime que supostamente já havia cometido. O caso foi de erro judicial e má formulação probatória, o que não justifica a prática de um novo crime.  Obs.: para o STF decisão absolutória ou declaratória extintiva da punibilidade, ainda que proferida por  juiz incompetente é capaz de transitar em julgado e produzir seus efeitos regulares, entre eles o de impedir novo processo pela mesma imputação (HC 86.60646). 

                                                                                                                                                                                                           41 Ação pública e de  iniciativa privada  ‐ Art. 100  ‐ A ação penal é pública,  salvo quando a  lei expressamente a declara privativa do ofendido. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) [...] 42 Art. 26. A ação penal, nas contravenções, será  iniciada com o auto de prisão em  flagrante ou por meio de portaria expedida pela autoridade judiciária ou policial. 43 (dispositivo revogado) Art. 531. O processo das contravenções terá forma sumária, iniciando‐se pelo auto de prisão em flagrante ou mediante portaria expedida pela autoridade policial ou pelo juiz, de ofício ou a requerimento do Ministério Público. 44Art. 654. O habeas corpus poderá ser impetrado por qualquer pessoa, em seu favor ou de outrem, bem como pelo Ministério Público. [...] § 2o Os  juízes e os  tribunais  têm  competência para expedir de ofício ordem de habeas  corpus, quando no  curso de processo verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal. 45 Artigo 8º ‐ Garantias judiciais: [...] 4. comunicação prévia e pormenorizada ao acusado da acusação formulada;  

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AÇÃO PENAL > Princípios da Ação Penal 

3.8.3 Princípio da Intranscendência A  ação  penal  só  pode  ser  proposta  em  face  do  provável  autor  do  delito.  O  processo  não  pode 

ultrapassar da pessoa do ofendido. 

3.8.4 Princípio da Obrigatoriedade Presentes  as  condições da  ação penal  e havendo  lastro probatório  suficiente, o MP  é obrigado  a 

oferecer denúncia. É também chamado de Princípio da Legalidade Processual. Art. 24 do CPP – o termo “será promovida” diz que está presente a obrigatoriedade. 

Art.  24. Nos  crimes  de  ação  pública,  esta  será  promovida  por  denúncia  do Ministério  Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá‐lo. 

Há exceções a esse princípio: • Transação penal – acordo feito entre o MP e o autor do delito que concordam em que o réu 

cumpra  a  pena  e  o  promotor  deixe  de  oferecer  a  denúncia.  Prevista  no  art.  89  da  Lei 9.099/95. Nesse caso a doutrina diz que não seria o da Princípio da obrigatoriedade e sim o da Obrigatoriedade Mitigada ou Discricionária Regrada. 

• Termo  de  Ajustamento  de  Conduta  nos  crimes  ambientais  –  a  lei  de  ação  civil  pública permite  esse  tipo  de  acordo.  A  celebração  desse  termo  não  impede  o  oferecimento  de denúncia caso haja a reiteração da conduta delituosa (STF – HC 92.92147). 

• Acordo de leniência – conhecido também de acordo de brandura ou doçura. É uma espécie de  delação  premiada  em  crimes  contra  a  ordem  econômica  (arts.  35‐B48  e  35‐C49  da  Lei 8.884/94). Ocorre o impedimento do oferecimento da denúncia e determina a suspensão do curso da prescrição. 

• Parcelamento do débito  tributário – art. 9º da  Lei 10.684/03  (FIES, PAES). Feito o acordo ocorre a suspensão da prescrição e o impedimento de oferecer a ação penal. 

                                                                                                                                                                                                           46  EMENTA:  HABEAS  CORPUS.  PROCESSUAL  PENAL.  PERSECUÇÃO  PENAL  NA  JUSTIÇA MILITAR  POR  FATO  JULGADO  NO  JUIZADO ESPECIAL  DE  PEQUENAS  CAUSAS,  COM  TRÂNSITO  EM  JULGADO:  IMPOSSIBILIDADE:  CONSTRANGIMENTO  ILEGAL  CARACTERIZADO. ADOÇÃO DO PRINCÍPIO DO NE BIS  IN  IDEM. HABEAS CORPUS  CONCEDIDO.  1.  Configura  constrangimento  ilegal  a  continuidade da persecução penal militar por fato já julgado pelo Juizado Especial de Pequenas Causas, com decisão penal definitiva. 2. A decisão que declarou extinta a punibilidade em favor do Paciente, ainda que prolatada com suposto vício de incompetência de juízo, é susceptível de  trânsito em  julgado e produz efeitos. A adoção do princípio do ne bis  in  idem pelo ordenamento  jurídico penal complementa os direitos e as garantias  individuais previstos pela Constituição da República, cuja  interpretação sistemática  leva à conclusão de que o direito à  liberdade, com apoio em coisa  julgada material, prevalece sobre o dever estatal de acusar. Precedentes. 3. Habeas corpus concedido. 47 EMENTA: PENAL. PROCESSUAL PENAL. CRIME AMBIENTAL. HABEAS CORPUS PARA TUTELAR PESSOA JURÍDICA ACUSADA EM AÇÃO PENAL.  ADMISSIBILIDADE.  INÉPCIA  DA  DENÚNCIA:  INOCORRÊNCIA.  DENÚNCIA  QUE  RELATOU  a  SUPOSTA  AÇÃO  CRIMINOSA  DOS AGENTES, EM VÍNCULO DIRETO COM A PESSOA JURÍDICA CO‐ACUSADA. CARACTERÍSTICA INTERESTADUAL DO RIO POLUÍDO QUE NÃO AFASTA DE TODO A COMPETÊNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA E BIS  IN  IDEM.  INOCORRÊNCIA. EXCEPCIONALIDADE  DA  ORDEM  DE  TRANCAMENTO  DA  AÇÃO  PENAL.  ORDEM  DENEGADA.  I  ‐  Responsabilidade  penal  da  pessoa jurídica,  para  ser  aplicada,  exige  alargamento  de  alguns  conceitos  tradicionalmente  empregados  na  seara  criminal,  a  exemplo  da culpabilidade, estendendo‐se a elas também as medidas assecuratórias, como o habeas corpus.  II  ‐ Writ que deve ser havido como instrumento hábil para proteger pessoa jurídica contra ilegalidades ou abuso de poder quando figurar como co‐ré em ação penal que apura a prática de delitos ambientais, para os quais é cominada pena privativa de  liberdade.  III  ‐ Em crimes societários, a denúncia deve pormenorizar a ação dos denunciados no quanto possível. Não impede a ampla defesa, entretanto, quando se evidencia o vínculo dos denunciados com a ação da empresa denunciada.  IV  ‐ Ministério Público Estadual que também é competente para desencadear ação penal por crime ambiental, mesmo no caso de curso d'água transfronteiriços. V ‐ Em crimes ambientais, o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta, com conseqüente extinção de punibilidade, não pode servir de salvo‐conduto para que o agente volte a poluir. VI ‐ O trancamento de ação penal, por via de habeas corpus, é medida excepcional, que somente pode ser concretizada quando o  fato narrado  evidentemente não  constituir  crime, estiver extinta  a punibilidade,  for manifesta  a  ilegitimidade de parte ou  faltar condição exigida pela lei para o exercício da ação penal. VII ‐ Ordem denegada. 48 Art. 35‐B. A União, por intermédio da SDE, poderá celebrar acordo de leniência, com a extinção da ação punitiva da administração pública ou a redução de um a dois terços da penalidade aplicável, nos termos deste artigo, com pessoas físicas e jurídicas que forem autoras de infração à ordem econômica, desde que colaborem efetivamente com as investigações e o processo administrativo e que dessa colaboração resulte: (Incluído pela Lei nº 10.149, de 21.12.2000) [...]  49 Art. 35‐C. Nos crimes contra a ordem econômica, tipificados na Lei no 8.137, de 27 de novembro de 1990, a celebração de acordo de leniência,  nos  termos  desta  Lei,  determina  a  suspensão  do  curso  do  prazo  prescricional  e  impede  o  oferecimento  da  denúncia. (Incluído  pela  Lei  nº  10.149,  de  21.12.2000)  Parágrafo  único.  Cumprido  o  acordo  de  leniência  pelo  agente,  extingue‐se automaticamente a punibilidade dos crimes a que se refere o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 10.149, de 21.12.2000) 

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AÇÃO PENAL > Princípios da Ação Penal 

3.8.5 Princípio da Oportunidade ou da Conveniência Mediante  critérios  próprios  de  oportunidade  ou  conveniência  o  ofendido  pode  optar  pelo 

oferecimento ou não da queixa‐crime. Está  relacionado com o  strepitus  judici. Aplicável aos crimes de ação penal de iniciativa privada. 

Se o ofendido não tem interesse em oferecer queixa poderá fazê‐lo da seguinte forma: • Decadência – deixar passar o prazo decadencial; • Renúncia ao direito de queixa; 

3.8.6 Princípio da Indisponibilidade O MP não pode desistir da ação penal pública e nem de  recurso que haja  interposto  (arts 4250 e 

57651 do CPP). É um desdobramento do Princípio da obrigatoriedade. Ainda assim é permitido que o promotor peça a absolvição do acusado. 

Exceções • Suspensão  condicional  do  processo  – matéria  prevista  na  lei  dos  juizados  (art.  89).  Se  o 

crime tiver pena mínima igual ou inferior a um ano será cabível a suspensão. É cabível para qualquer delito,  independente de estar previsto na  lei dos  juizados, desde que  atenda  ao requisito da pena mínima não superior a 1 ano. 

• Lei 8.137/90, art. 5º, II – venda casada (pena detenção, de 2 a 5 anos) – para o STF quando a pena de multa estiver cominada de maneira alternativa será cabível a suspensão condicional do processo, mesmo que a pena mínima prevista seja superior a 1 ano. 

3.8.7 Princípio da Disponibilidade É um desdobramento do princípio da oportunidade e da conveniência. Diz que o querelante pode 

dispor do processo. Poderá o querelante dispor das seguintes formas: • Perdão do ofendido, embora dependa de anuência; • Perempção – deixar o processo correr sem cumprir com as obrigações. Deixar de comparecer 

a um ato obrigatório do processo, deixar de requerer condenação; • Desistência da ação no procedimento especial dos crimes contra a honra – a maioria irá para 

os juizados, mas os que não forem, terão procedimento especial. 

3.8.8 Princípio da Indivisibilidade O processo de um obriga  ao processo de  todos, ou  seja,  a  vítima de um processo de  ação penal 

privada tem a opção de processar ou não, mas se o fizer terá que processar todos os autores do crime e não apenas um – art. 48 do CPP52. 

 ‐ Consequência da denúncia dada a um dos autores do delito? 

A renúncia concedida a um dos coautores estende‐se aos demais. Da mesma  forma, o perdão concedido a um dos coautores estende‐se aos demais, mas desde que 

haja aceitação. O MP é o fiscal desse Princípio, não poderá, entretanto, aditar a queixa‐crime para incluir coautores, 

pois não tem legitimidade para tanto. Deve requerer a intimação do querelante para que o faça sob pena de a omissão ser entendida como renúncia e, por consequência, quando concedida a um dos coautores estender‐se aos demais. 

3.8.9 Princípio da Divisibilidade O MP pode denunciar alguns correus, sem prejuízo do prosseguimento das investigações em relação 

a outros (STJ – REsp 388.47353).                                                             50 Art. 42. O Ministério Público não poderá desistir da ação penal. 51 Art. 576. O Ministério Público não poderá desistir de recurso que haja interposto. 52 Art.  48. A  queixa  contra  qualquer  dos  autores  do  crime  obrigará  ao  processo  de  todos,  e  o Ministério  Público  velará pela  sua indivisibilidade. 53 Recurso Especial. Direito Processual Penal. Ação penal pública. Princípio da  indivisibilidade.  Inobservância. Nulidade do processo. Inocorrência. A indivisibilidade da ação penal pública decorre do princípio da obrigatoriedade, segundo o qual o Ministério Público não pode  renunciar  ao  “jus  puniendi”,  cuja  titularidade  é  exclusiva.  O  princípio  da  indivisibilidade  da  ação,  quanto  à  da  validade  do processo,  é  inaplicável  à  ação  penal  pública,  no  sentido  de  que  o  oferecimento  da  denúncia  contra  um  acusado  ou  mais  não impossibilita a posterior acusação de outros. O princípio da indivisibilidade da ação penal, em sede de validade do processo, aplica‐se 

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AÇÃO PENAL > Ação Penal nos Crimes contra a honra 

 Alguns doutrinadores entendem que  também na ação penal pública o que vigora é o Princípio da 

Indivisibilidade. 

3.9 Ação Penal nos Crimes contra a honra 

Em regra crimes contra a honra são crimes da ação penal privada. Há, porém, exceções a essa regra: 

• Do  Presidente  da  República  ou  Chefe  de  Governo  Estrangeiro:  ação  penal  pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça. 

• Crime contra a honra de servidor público em razão de suas funções: chamado delito propter officium – súmula 714 do STF (chamada legitimidade alternativa – aula anterior). 

• Injúria real (art. 140, §2º): ofende a dignidade de uma pessoa praticando através de vias de fato ou lesão corporal. Ex.: tapa no rosto, atirar água no rosto, trote. Se a ação foi praticada mediante vias de  fato ação penal privada, mas se praticada mediante  lesão corporal  leve a ação penal pública condicionada à representação. 

• Injúria  Racial/Preconceituosa:  ofende  a  honra  de  determinada  pessoa  usando  elementos referentes  usando  raça,  cor,  etnia,  religião,  origem  ou  a  condição  de  pessoa  idosa  ou portador de deficiência – art. 140, §3º. Antes da Lei 12.033/09 essa injúria era crime de ação penal privada e  atualmente  a  ação penal é pública  condicionada  à  representação. Não  se confunde com o delito de  racismo é uma oposição  indistinta a  toda uma  ração, cor, etnia, religião ou procedência nacional  Lei  7.716  (STF  ‐ HC  90.187)  crime de  ação  penal pública incondicionada ao contrário da injúria preconceituosa. 

• Durante a propaganda eleitoral: será considerado um crime eleitoral contra a honra sujeitos à ação penal pública incondicionada. 

• Crimes Militares: também são crimes de ação penal pública incondicionada. • Crimes Políticos: previstos na Lei 7.170/83 de ação penal pública incondicionada. 

3.10 Ação Penal no crime de embriaguez ao volante e participação em competição não autorizada 

Art. 306 do CTB Dispositivo revogado  Dispositivo em vigor 

Art.  306.  Conduzir  veículo  automotor,  na  via  pública,  sob  a influência de álcool ou substância de efeitos análogos, expondo a dano potencial a incolumidade de outrem. 

• Seria submetida a um exame clínico por médico; • Mesmo  sem  soprar  o  bafômetro  seria  possível 

comprovar a ingestão de álcool; • Crime de perigo  concreto –  situação de perigo estava 

no tipo penal. 

Art.  306.  Conduzir  veículo  automotor,  na  via  pública,  estando com  concentração  de  álcool  por  litro  de  sangue  igual  ou superior a 6  (seis) decigramas, ou  sob a  influência de qualquer outra  substância  psicoativa  que  determine  dependência: (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008) Regulamento [...] 

• A recusa em soprar o bafômetro ou exame de sangue é legítima em razão de não se exigir que alguém produza prova  contra  si,  no  entanto  o  médico  não  terá condições de comprovar (por análise clínica) o nível de concentração de álcool no sangue. 

 Observações:  

Antes era crime de perigo concreto; com a lei 11.705/08 passou a ser crime de perigo abstrato.  Antes bastava provar que o agente estava sob a influência de álcool, o que poderia ser feito através de 

um exame indireto; com a nova lei passou a ser elementar do delito a concentração de álcool por litro de  sangue  igual ou  superior  a 6 decigramas o que  só pode  ser  comprovado  através de um  exame direto.  Com as alterações produzidas pela  lei 11.705/08 já não há mais dúvidas que a ação penal é pública 

incondicionada. A redação original do § único do art. 291 do CTB dizia que os crimes de lesão corporal seguiriam os 

ritos da lei dos juizados artigos 74, 76 e o art. 88 que incluiu a exigência da representação nas ações penais de 

                                                                                                                                                                                                           tão‐somente à ação penal privada (CPP, art. 48). Não há nulidade no oferecimento da denúncia contra determinados agentes do crime, desmembrando‐se o processo em relação a suposto co‐autor, a fim de se coligir elementos probatórios hábeis à sua denunciação. 

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lesão corporal culposa. No entanto, por má  redação da  lei, essa  representação  ficou sendo exigida  também para os crimes de embriaguez ao volante e racha para os quais não há vítima determinada. 

Em razão do flagrante equívoco a doutrina dizia que ação seria pública incondicionada. Veio então a lei  11.705/08  e  consertou  dizendo  que  a  lesão  corporal  exige  representação  exceto  nos  casos  de  racha  e embriaguez ao volante entre outros. 

 Art.  291.  Aos  crimes  cometidos  na  direção  de  veículos automotores,  previstos  neste  Código,  aplicam‐se  as  normas gerais do Código Penal e do Código de Processo Penal, se este Capítulo  não  dispuser  de modo  diverso,  bem  como  a  Lei  nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, no que couber. 

I  ‐  sob  a  influência  de  álcool  ou  qualquer  outra  substância psicoativa  que  determine  dependência; (Incluído  pela  Lei  nº 11.705, de 2008) II  ‐  participando,  em  via  pública,  de  corrida,  disputa  ou competição automobilística, de exibição ou demonstração de perícia  em  manobra  de  veículo  automotor,  não  autorizada pela  autoridade  competente; (Incluído pela  Lei nº 11.705, de 2008) 

Parágrafo  único. Aplicam‐se  aos  crimes  de  trânsito  de  lesão corporal culposa, de embriaguez ao volante, e de participação em competição não autorizada o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995.  III  ‐  transitando  em  velocidade  superior  à máxima permitida 

para  a  via  em  50  km/h  (cinqüenta  quilômetros  por hora). (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008) 

§  1o   Aplica‐se  aos  crimes  de  trânsito  de  lesão  corporal culposa o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei no 9.099, de 26 de  setembro  de  1995,  exceto  se  o  agente estiver: (Renumerado  do  parágrafo  único  pela  Lei  nº  11.705, de 2008) 

§ 2o  Nas hipóteses previstas no § 1o deste artigo, deverá ser instaurado  inquérito  policial  para  a  investigação  da  infração penal. (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008) 

 

3.11 Ação Penal nos crimes ambientais 

A ação é pública incondicionada. Teoria da Dupla Imputação é possível o oferecimento de denúncia em face de pessoa  jurídica pela 

prática de crimes ambientais, desde que haja a  imputação simultânea à pessoa física que atua em seu nome ou benefício. ‐ Pessoa jurídica pode ser beneficiada em habeas corpus? 

Na visão do STF o habeas corpus pode ser utilizado para tutelar a pessoa jurídica. A doutrina mais antiga entende que não seria possível pois não há violação da liberdade de uma empresa (STF ‐ HC 92.921). Em que pese o professor  ter dito que o habeas  corpus é  cabível para  tutelar  a pessoa  jurídica e  a ementa do acórdão citada dá a entender justamente isso, não foi o que prevalecer no julgamento. Ao final, o Min. Ricardo Lewandowski,  relator do  julgado, que conheceu do habeas para pessoa  jurídica,  foi vencido por maioria de votos. 

 STF ‐ HC 92.921/BA Relator: Min. Ricardo Lewandowski Julgado em 19/08/08. Informativo 516 do STF  A  pessoa  jurídica  não  pode  figurar  como  paciente  de  habeas corpus,  pois  jamais  estará  em  jogo  a  sua  liberdade  de  ir  e  vir, objeto  que  essa  medida  visa  proteger.  Com  base  nesse entendimento,  a  Turma,  preliminarmente,  em  votação majoritária,  deliberou  quanto  à  exclusão  da  pessoa  jurídica  do presente writ, quer considerada a qualificação como impetrante, quer como paciente. Tratava‐se, na espécie, de habeas corpus em que  os  impetrantes‐pacientes,  pessoas  físicas  e  empresa, pleiteavam,  por  falta  de  justa  causa,  o  trancamento  de  ação penal  instaurada,  em  desfavor  da  empresa  e  dos  sócios  que  a compõem,  por  suposta  infração  do  art.  54,  §  2º,  V,  da  Lei 9.605/98. Sustentavam, para  tanto, a ocorrência de bis  in  idem, ao argumento de que os pacientes teriam sido responsabilizados duplamente pelos mesmos  fatos, uma vez que  já  integralmente cumprido  termo  de  ajustamento  de  conduta  com  o Ministério Público  Estadual.  Alegavam,  ainda,  a  inexistência  de  prova  da ação  reputada  delituosa  e  a  falta  de  individualização  das condutas atribuídas aos diretores.  Enfatizou‐se  possibilidade  de  apenação  da  pessoa  jurídica relativamente  a  crimes  contra  o  meio  ambiente,  quer  sob  o 

ângulo  da  interdição  da  atividade  desenvolvida,  quer  sob  o  da multa  ou  da  perda  de  bens,  mas  não  quanto  ao  cerceio  da liberdade de locomoção, a qual enseja o envolvimento de pessoa natural.  Salientando  a  doutrina  desta  Corte  quanto  ao  habeas corpus, entendeu‐se que uma coisa seria o  interesse  jurídico da empresa  em  atacar, mediante  recurso,  decisão  ou  condenação imposta na ação penal, e outra, cogitar de sua  liberdade de  ir e vir. Vencido, no ponto, o Min. Ricardo Lewandowski, relator, que, tendo  em  conta  a  dupla  imputação  como  sistema  legalmente imposto  (Lei  9.605/98,  art.  3º,  parágrafo  único)  —  em  que pessoas  jurídicas e naturais farão, conjuntamente, parte do pólo passivo da ação penal, de modo que o habeas corpus, que discute a viabilidade do prosseguimento da ação,  refletiria diretamente na  liberdade  destas  últimas —,  conhecia  do  writ  também  em relação  à  pessoa  jurídica,  dado  o  seu  caráter  eminentemente liberatório.  

AÇÃO PENAL > Ação Penal nos crimes ambientais 

Em seguida, rejeitou‐se afirmação do Tribunal de origem de que o parquet estadual seria absolutamente incompetente para propor a  ação  penal  ou  para  convalidar  eventual  medida despenalizadora,  ante  o  caráter  transfronteiriço  do  rio  em  que supostamente  lançados  resíduos poluentes. Asseverou‐se que a preservação  do  meio  ambiente  está  inserida  no  âmbito  da competência  comum,  consoante  fora  afirmado  pelo  STJ.  No mérito, indeferiu‐se a ordem. Quanto à denúncia, aduziu‐se que, embora sucinta, não  impede o exercício da ampla defesa e está 

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em  conformidade  com  o  disposto  no  art.  41  do  CPP. Relativamente à alegada dupla persecução pelos mesmos  fatos, registrou‐se que, cuidando‐se de delitos ambientais, o termo de ajustamento de conduta não pode consubstanciar salvo‐conduto para  que  empresa  potencialmente  poluente  deixe  de  ser fiscalizada  e  responsabilizada  na  hipótese  de  reiteração  da atividade ilícita. Ademais, considerou‐se não ser possível decretar o  trancamento  da  ação  penal,  pela  via  do  habeas  corpus, porquanto  não  configurada  situação  excepcional  autorizadora. 

Por fim, no que tange à falta de individualização das condutas dos dirigentes,  aplicou‐se  jurisprudência  do  STF  no  sentido  de  que, em  crimes  societários, não há  inépcia da  inicial  acusatória pela ausência  de  indicação  individualizada  da  conduta  de  cada indiciado,  sendo  suficiente  que  os  acusados  sejam  de  algum modo responsáveis pela condução da sociedade sob a qual foram praticados  os  delitos.  HC  92921/BA,  rel.  Min.  Ricardo Lewandowski, 19.8.2008. (HC‐92921) 

 

3.12 Ação Penal nos crimes contra a dignidade pessoal 

LEI 12.015/09 ANTES  DEPOIS 

1. Ação Penal Privada (em regra). Exceções: 1.1. Vítima  pobre  –  ação  penal  pública 

condicionada  à  representação, mesmo  que houvesse Defensoria Pública nas Comarcas; 

1.2. Abuso do poder familiar – ação penal pública incondicionada. 

1.3. Emprego  de  violência  real  –  ação  penal pública incondicionada*. 

1.4. Se da violência resultar  lesão grave/morte – ação penal pública incondicionada. 

1.5. Violência presumida – ação penal privada. 

1. Ação  Penal  Pública  Condicionada  à Representação (em regra). Exceções: 1.1. Crime cometido contra menor de 18 anos – 

ação penal pública incondicionada. 1.2. Crime  cometido  contra pessoa  vulnerável** 

– ação penal pública incondicionada. 

 * Micro‐lesões na vagina são inerentes à conjunção carnal e não configuram violência real. Violência Real é o emprego  de  força  física  como  forma  de  constrangimento  –  súmula  608  do  STF54. O  fundamento  legal  da súmula é o art. 101 do CP55. 

Crime complexo é a fusão de dois crimes. Sendo de ação penal pública um dos crimes que compõe o crime complexo, opera‐se uma extensão da natureza daquela ação passando o todo a ser tratado como crime de ação penal pública. A crítica é que o estupro não é um crime complexo.  ** Vulnerável – são os mesmo que sofrem da violência presumida (menores de 16, doentes mentais etc). 

 O emprego da violência real sujeitava‐se a ação penal incondicionada, mas agora será condicionada à 

representação  e,  portanto,  não  terá mais  aplicação  da  súmula  608.  Seguirá  a  regra  que  é  condicionada  a representação, a dúvida ficou nos crimes que já tinham sido praticados antes dessa lei. 

Nos crimes que resultarem  lesão grave ou morte a ação será pública  incondicionada, pois será um crime complexo  (conjunção carnal +  lesão corporal culposa ou homicídio) então é possível aplicação do art. 101 do CP. Tramita no STF ajuizou uma ADI 4.301 para dar interpretação conforme desse artigo. 

  A redação originária do art. 531 do CPP não foi recepcionado, porque em 2008 foi alterado. Decisão  proferida  por  juiz  incompetente  é  nula  e  se  não  alegada  poderá  produzir  efeitos.  Já  a 

professora Ada entende ser a sentença inexistente. Informativo 438 do STJ – HC 100.472 – falta de comprovação pelo bafômetro inviabiliza a prisão.  

   

                                                            54 Súmula 608 ‐ NO CRIME DE ESTUPRO, PRATICADO MEDIANTE VIOLÊNCIA REAL, A AÇÃO PENAL É PÚBLICA INCONDICIONADA. 

AÇÃO PENAL > Ação Penal nos crimes contra a dignidade pessoal 

55 A ação penal no crime complexo ‐ Art. 101 ‐ Quando a lei considera como elemento ou circunstâncias do tipo legal fatos que, por si mesmos, constituem crimes, cabe ação pública em  relação àquele, desde que, em  relação a qualquer destes, se deva proceder por iniciativa do Ministério Público. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 

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AÇÃO PENAL > Ação penal no crime de lesão corporal leve praticada com violência doméstica contra a mulher 

Terça‐feira,  21  de  setembro  de  2010.  

3.13 Ação penal no crime de lesão corporal leve praticada com violência doméstica contra a mulher 

O crime de lesão corporal leve é uma ação condicionada à representação em razão do art. 88 da lei 9.099/95. Sendo o caso de lesão corporal praticada com violência doméstica e familiar contra a mulher. 

A  lei  11.340/06  (Lei Maria  da  Penha)  é  dotada  de  uma  antinomia,  ou  seja,  em  uma mesma  lei apresenta dispositivos contraditórios. 

O art. 16 permite a renúncia da representação em audiência perante o juiz e o MP. Porém o art. 41 diz  que,  independentemente  da  pena  prevista,  não  se  aplica  a  Lei  9.099/95.  Esse  artigo  diz  que  quando envolver violência contra a mulher não pode ser aplicada a  lei dos  juizados, o que faria que a  lesão corporal leve fosse pública incondicionada. 

Inicialmente prevalecia no STJ o entendimento de que a ação penal seria pública incondicionada, por força do art. 41 da Lei Maria da Penha. Posteriormente, no entanto, acabou prevalecendo que a ação penal é pública condicionada à representação, possibilitando a reconciliação do casal (REsp 1.097.042).  # Namoro está incluído na Lei Maria da Penha? Vai depender do caso concreto, pois se for efêmero não estará abrangido. 

3.14 Ação penal popular 

É aquela em que o processo poderia ter início a partir da manifestação de qualquer pessoa do povo. Alguns doutrinadores dizem que há duas espécies de ação: 

• Habeas corpus – não exige capacidade postulatória para impetrar habeas corpus. • Faculdade  de  qualquer  cidadão  oferecer  denúncia  contra  agentes  políticos  por  crime  de 

responsabilidade. Ao se falar no habeas corpus não é uma ação penal, pois muito além de uma ação penal, é uma ação 

de  índole  constitucional  que  visa  a  liberdade  de  locomoção. Além  disso,  ninguém  será  condenado  em  um habeas corpus. 

A  expressão  oferecer  denúncia  nos  crimes  de  responsabilidade  dos  agentes  políticos  não  foi empregada tecnicamente, pois o correto seria uma noticia criminis. 

Não existe no Brasil uma ação penal que seja possível de popular. 

3.15 Ação penal secundária 

Ocorre quando as circunstâncias do caso concreto fazem variar a modalidade da ação penal. Ex.: crimes contra a honra – ação penal privada, porém a depender do caso concreto é possível que 

se mude a espécie de ação penal, por exemplo quando for praticado contra funcionário público em razão do exercício da função; crimes sexuais. 

3.16 Ação de prevenção penal 

É aquela ajuizada com o objetivo de se aplicar medida de segurança ao inimputável. 

3.17 Ação penal adesiva 

Há duas correntes distintas: 1ª CORRENTE (Nestor Távora) – ocorre nas hipóteses de  litisconsórcio ativo entre o MP (nos crimes 

de ação penal pública) e o querelante (nos crimes de ação penal privada). É possível em crimes conexos56. 

                                                            56 Art. 76. A  competência  será  determinada  pela  conexão:  I ‐ se,  ocorrendo  duas  ou mais  infrações,  houverem  sido  praticadas,  ao mesmo  tempo, por várias pessoas  reunidas, ou por várias pessoas em  concurso, embora diverso o  tempo e o  lugar, ou por  várias pessoas, umas contra as outras;  II ‐ se, no mesmo caso, houverem  sido umas praticadas para  facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir  impunidade  ou  vantagem  em  relação  a  qualquer  delas;  III ‐ quando  a  prova  de  uma  infração  ou  de  qualquer  de  suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração. 

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AÇÃO PENAL > Representação do ofendido 

Ex.:  crime  contra a honra  conexo  com o  crime de  tentativa de homicídio. O MP  irá oferecer uma denúncia em relação ao crime de homicídio e o querelante uma queixa‐crime em razão dos crimes contra a honra. 

2ª  CORRENTE  (Tourinho  Filho)  –  ocorre  no  Direito  Alemão  em  crimes  de  ação  penal  privada  é possível que o MP promova a ação penal, desde que visualize um interesse público. Nesse caso o ofendido ou o seu representante pode intervir no processo como interveniente adesivo. 

3.18 Representação do ofendido 

3.18.1 Conceito É  a manifestação  da  vontade  da  vítima  ou  de  seu  representante  legal  no  sentido  de  que  tem 

interesse  na  persecução  penal  do  fato  delituoso.  Em  relação  à  representação  vigora  o  Princípio  da Oportunidade ou Conveniência, a vítima decide se ingressa ou não com a ação. 

Os  tribunais entendem que não é necessário  formalismo na hora da representação, ou seja, não é necessária uma peça de representação. Nos crimes sexuais, por exemplo, a jurisprudência tem admitindo que a realização do exame de corpo de delito serve como demonstração de interesse de persecução penal, ou seja, serve como substitutivo do ato de representação. Além disso, um boletim de ocorrência foi considerado como manifestação para representação. 

3.18.2 Natureza jurídica da representação Em regra a representação é uma condição específica de procedibilidade ou condição específica da 

ação penal. Ex.: crimes sexuais, lesão corporal leve, art. 182 do CP57 (crime patrimonial praticado contra irmão – legítimo ou ilegítimo ‐, ascendente – casado ou não). 

Em  relação  aos  processos  que  já  estão  em  andamento,  representação  tem  natureza  jurídica  de condição de prosseguibilidade. 

3.18.3 Direcionamento da representação Art. 39 do CPP 

Art. 39. O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procurador com poderes especiais, mediante  declaração,  escrita  ou  oral,  feita  ao  juiz,  ao  órgão  do Ministério  Público,  ou  à autoridade policial. [...] 

O ideal que essa representação seja feita ao delegado ou à autoridade do Ministério Público para que o juiz tenha o mínimo contato com a parte investigativa da ação. 

3.18.4 Prazo para o oferecimento da representação A representação está submetida a um prazo decadencial de 6 meses. Sendo prazo penal o dia de início é contado e despreza‐se o final e, sendo prazo processual o prazo 

inicial conta‐se do primeiro dia útil subseqüente ao ato de conhecimento e o final prorroga‐se para o primeiro dia útil subseqüente, caso caia em feriado ou final de semana. 

A contagem do prazo decadencial da representação é feita conforme o art. 10 do Código Penal, pois gera direito à extinção da punibilidade – prazo penal. 

Iniciando a contagem no dia de hoje (21/09/10), decairia em 20 de março de 2011. Em regra o prazo decadencial começa a fluir a partir do conhecimento da autoria. Atenção para o art. 236 do CP58   a decadência do direito de queixa vai ocorrer 6 meses após o 

trânsito em julgado da sentença cível que anular o casamento (art. 38 do CPP59) 

                                                            57 TÍTULO  II  ‐ DOS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO [...] Art. 182  ‐ Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido em prejuízo: I ‐ do cônjuge desquitado ou judicialmente separado; II ‐ de irmão, legítimo ou ilegítimo; III ‐ de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita. Art. 183 ‐ Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores: I ‐ se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave ameaça ou violência à pessoa; II ‐ ao estranho que participa do crime. III ‐ se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos. (Incluído pela Lei nº 10.741, de 2003) 58  Induzimento a erro essencial e ocultação de  impedimento  ‐ Art. 236  ‐ Contrair casamento,  induzindo em erro essencial o outro contraente, ou ocultando‐lhe  impedimento que não seja casamento anterior: Pena  ‐ detenção, de seis meses a dois anos. Parágrafo único  ‐ A ação penal depende de queixa do contraente enganado e não pode ser  intentada senão depois de  transitar em  julgado a sentença que, por motivo de erro ou impedimento, anule o casamento. 59 Art. 38.  Salvo disposição em contrário, o ofendido, ou seu representante legal, decairá no direito de queixa ou de representação, se não o exercer dentro do prazo de seis meses, contado do dia em que vier a saber quem é o autor do crime, ou, no caso do art. 29, do 

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AÇÃO PENAL > Representação do ofendido 

3.18.5 Legitimidade para o oferecimento da representação ou queixa‐crime A. Pessoa com 18 anos ou mais. Tendo completado os 18 anos, não exige capacidade legal. B. Vítima menor  de  18  anos. A  representação  será  oferecida  por  seu  representante  legal  –  qualquer 

pessoa  que  de  alguma  forma  seja  responsável  pelo menor. Não  necessariamente  o  pai  ou  a mãe. Havendo  colidência  de  interesses  (entre  vítima  e  responsável)  deve‐se  buscar  a  nomeação  de  um curador especial (art. 33 CPP60). 

 # O curador especial é obrigado a oferecer queixa? Prevalece o entendimento de que o curador não é obrigado ingressar com a ação. Tendo ele recebido a representação, compete a ele a discricionariedade de oferecer ou não a ação.  # A decadência do direito do representante legal atinge o direito do menor?  

1ª CORRENTE ‐ a decadência para o representante legal acarreta a extinção da punibilidade, mesmo que o menor não tenha completado 18 anos (Eugênio Pacelli de Oliveira e LFG). 

2ª CORRENTE – tratando‐se de incapaz o prazo não flui enquanto não cessar a incapacidade, pois não se  pode  falar  em  decadência  de  um  direito  que  não  pode  ser  exercido.  Posição  sustentada  por  Fernando Capez, Guilherme de Souza Nucci e Denilson Feitosa. 

 C. Vítima com menos de 18, casada. Casamento é uma causa de emancipação, mas não dá à pessoa o 

direito de oferecer queixa ou representação. Uma primeira solução seria a nomeação de um curador especial ou então que se aguarde até os 18 anos para que possa ingressar com a ação. O marido não poderá ser considerado como responsável pela menor. 

D. Morte da vítima. Ocorrerá a sucessão processual (CADI). 

Art. 24.  Nos  crimes  de  ação  pública,  esta  será  promovida  por  denúncia  do Ministério  Público, mas dependerá, quando a lei o exigir, de requisição do Ministro da Justiça, ou de representação do ofendido ou  de  quem  tiver  qualidade  para  representá‐lo.  § 1º  No  caso  de  morte  do  ofendido  ou  quando declarado  ausente  por  decisão  judicial,  o  direito  de  representação  passará  ao  cônjuge,  ascendente, descendente ou irmão.  (Parágrafo único renumerado pela Lei nº 8.699, de 27.8.1993) [...] Art. 31.  No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão  judicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge, ascendente, descendente ou irmão. 

Grande parte da doutrina acrescenta o companheiro por conta da Constituição Federal. Com isso se fará um raciocínio de analogia. Essa analogia é feita in malan partem. Quanto menos pessoas constantes nessa linha sucessória, melhor para acusado pois se não for proposta a ação ou representação ocorrerá a decadência e com isso a extinção da punibilidade. Obs.1: a ordem sucessória: cônjuge, ascendente, descendente e irmão é preferencial. Obs.2:  na  disputa  sobre  o  interesse  na  discussão  penal,  prevalece  a  vontade  de  quem  quer  dar  início  ao processo. Supondo que o cônjuge não queira e o ascendente queira, prevalecerá a vontade do último. 

Prazo decadencial: se o sucessor tomou conhecimento da autoria na mesma data que a vítima, terá direito ao prazo restante; se não tinha conhecimento da autoria seu prazo será contado a partir do momento em que adquirir esse conhecimento. 

3.18.6 Retratação da representação A  retratação da  representação é perfeitamente possível desde que ocorra  até o oferecimento da 

peça acusatória (art. 25 CPP).  # É possível retratação da retratação da representação? 

Equivale uma nova  representação.  Prevalece o  entendimento de que  é possível, dentro do prazo decadencial.  

Art. 16 da Lei Maria da Penha: 

                                                                                                                                                                                                           dia em que se esgotar o prazo para o oferecimento da denúncia. Parágrafo único. Verificar‐se‐á a decadência do direito de queixa ou representação, dentro do mesmo prazo, nos casos dos arts. 24, parágrafo único, e 31. 60 Art. 33. Se o ofendido  for menor de 18 anos, ou mentalmente enfermo, ou retardado mental, e não tiver representante  legal, ou colidirem os  interesses deste com os daquele, o direito de queixa poderá ser exercido por curador especial, nomeado, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, pelo juiz competente para o processo penal. 

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Art. 16.  Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público. 

O artigo 16 usa a expressão renúncia de maneira equivocada, pois na verdade refere‐se à retratação, na medida em que o direito de representação  já havia sido exercido. Na Lei Maria da Penha essa retratação pode ocorrer até o recebimento da denúncia. 

3.18.7  Eficácia objetiva da representação Prevalece o entendimento que a representação é válida para cada fato delituoso. Se o fato delituoso 

constou na representação qualquer pessoa pode ser denunciada. Representação feita contra um dos coautores estende‐se aos demais. Porém se a representação for 

feita em relação a um fato delituoso, não se estende a outros delitos (STF ‐ HC 98.237).  

EM E N T A: "HABEAS CORPUS" ‐ CRIMES CONTRA A HONRA ‐ PRÁTICA  ATRIBUÍDA  A  ADVOGADOS  ‐  REPRESENTAÇÃO FORMULADA  POR  MAGISTRADO  EM  DECORRÊNCIA  DE MANIFESTAÇÃO  PROCESSUAL  PRODUZIDA  PELO  PACIENTE  (E POR  SEU  COLEGA  ADVOGADO)  EM  SEDE  DE  RAZÕES  DE APELAÇÃO ‐ PROTESTO E CRÍTICA POR ELES FORMULADOS, EM TERMOS  OBJETIVOS  E  IMPESSOAIS,  CONTRA  OS FUNDAMENTOS  EM  QUE  SE  SUSTENTAVA  A  DECISÃO RECORRIDA ‐ INTANGIBILIDADE PROFISSIONAL DO ADVOGADO ‐ AUSÊNCIA DO  "ANIMUS CALUMNIANDI VEL DIFFAMANDI"  ‐ EXERCÍCIO  LEGÍTIMO,  NA  ESPÉCIE,  DO  DIREITO  DE  CRÍTICA, QUE ASSISTE AOS ADVOGADOS EM GERAL E QUE  SE REVELA OPONÍVEL  A  QUALQUER  AUTORIDADE  PÚBLICA,  INCLUSIVE AOS  PRÓPRIOS  MAGISTRADOS  ‐  "ANIMUS  NARRANDI  VEL DEFENDENDI"  ‐  CONSEQÜENTE  DESCARACTERIZAÇÃO  DOS TIPOS  PENAIS  ‐  ACUSAÇÃO  DEDUZIDA  PELO  MINISTÉRIO PÚBLICO  QUE  ATRIBUIU,  AOS  ADVOGADOS,  A  SUPOSTA PRÁTICA DOS  CRIMES DE  CALÚNIA, DIFAMAÇÃO  E  INJÚRIA  ‐ DENÚNCIA  QUE  EXTRAPOLOU  OS  LIMITES  MATERIAIS  DOS FATOS  NARRADOS  PELO  AUTOR  DA  REPRESENTAÇÃO (MAGISTRADO  FEDERAL),  QUE  PRETENDIA,  UNICAMENTE,  A RESPONSABILIZAÇÃO  PENAL  DOS  ADVOGADOS  PELO  DELITO DE  INJÚRIA  ‐  ATUAÇÃO  "ULTRA  VIRES"  DO  MINISTÉRIO PÚBLICO  ‐  INADMISSIBILIDADE  ‐  AUSÊNCIA DE  JUSTA  CAUSA PARA A AÇÃO PENAL  ‐ LIQUIDEZ DOS FATOS  ‐ POSSIBILIDADE DE CONTROLE JURISDICIONAL EM SEDE DE "HABEAS CORPUS" ‐  EXTINÇÃO  DO  PROCESSO  PENAL  DE  CONDENAÇÃO  ‐ AFASTAMENTO,  EM  CARÁTER  EXCEPCIONAL,  NO  CASO 

CONCRETO, DA  INCIDÊNCIA DA  SÚMULA  691/STF  ‐  "HABEAS CORPUS" CONCEDIDO DE OFÍCIO, COM  EXTENSÃO DOS  SEUS EFEITOS AO CO‐RÉU, TAMBÉM ADVOGADO. REPRESENTAÇÃO E DENÚNCIA:  LIMITAÇÃO MATERIAL QUE  RESULTA DO  FATO OBJETO DA DELAÇÃO  POSTULATÓRIA.  ‐ O  fato  que  constitui objeto da representação oferecida pelo ofendido (ou, quando for  o  caso,  por  seu  representante  legal)  traduz  limitação material ao poder persecutório do Ministério Público, que não poderá,  agindo  "ultra  vires",  proceder  a  uma  indevida ampliação  objetiva  da  "delatio  criminis"  postulatória,  para, desse  modo,  incluir,  na  denúncia,  outros  delitos  cuja perseguibilidade,  embora  dependente  de  representação,  não foi nesta pleiteada por aquele que a formulou.  Precedentes. ‐ A existência de divórcio ideológico resultante da inobservância,  pelo  Ministério  Público,  da  necessária correlação  entre  os  termos  da  representação  e  o  fato  dela objeto,  de  um  lado,  e  o  conteúdo  ampliado  da  denúncia oferecida pelo órgão da acusação estatal, de outro,  constitui desrespeito aos  limites previamente delineados pelo autor da delação postulatória e  representa  fator de deslegitimação da atuação  processual  do  "Parquet".  Hipótese  em  que  o Ministério Público ofereceu denúncia por  suposta prática dos crimes de calúnia, difamação e injúria, não obstante pleiteada, unicamente,  pelo  magistrado  autor  da  delação  postulatória (representação),  instauração  de  "persecutio  criminis"  pelo delito de injúria.  

 

3.19 Requisição do Ministro da Justiça 

Tem  natureza  jurídica muito  semelhante  à  representação,  ou  seja,  funciona  como  uma  condição específica de procedibilidade. É o que ocorre para os crimes cometidos contra o Presidente da República ou Chefe de Governo estrangeiro. 

O MP  continua  sendo  o  titular  da  ação  penal,  portanto  a  palavra  requisição  não  é  sinônima  de ordem. 

A  requisição  não  está  sujeita  a  prazo  decadencial.  Como  todo  e  qualquer  delito,  a  prescrição  do delito irá existir. # Pode o Ministro se retratar? 

Para LFG entende que é possível a retratação, assim como para o Nucci e Feitosa. Paulo Rangel e Fernando Capez entendem que não é cabível a retratação da requisição. 

AÇÃO PENAL >  

3.20 Ação Penal Privada Subsidiária da Pública 

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Essa ação tem previsão constitucional. Ao mesmo tempo em que a CF diz que o MP tem titularidade da  ação  penal,  há  um mecanismo  de  contrapeso,  que  é  justamente  a  possibilidade  da  ação  penal privada subsidiária da pública (art. 5º, LIX da CF). 

A ação penal privada subsidiária da pública só é cabível diante da inércia do MP. Se o MP pediu provas, pediu arquivamento não é considerada inércia do MP. Em  regra  só  é  possível  o  ajuizamento  de  queixa  subsidiária  quando  o  delito  possuir  uma  vítima 

determinada.  Ex.:  em  tráfico  de  drogas,  crime  de  quadrilha,  embriaguez  ao  volante  não  se  sabe  quem  irá ajuizar a ação subsidiária. 

O CDC prevê a possibilidade do PROCON e da associação de defesa dos consumidores de oferecer a ação  subsidiária.  Nos  crimes  contra  a  relação  de  consumo  seria  difícil  encontrar  interessados  na  ação subsidiária. 

 Código de Defesa do Consumidor 

Art. 80. No processo penal atinente aos crimes previstos neste código,  bem  como  a  outros  crimes  e  contravenções  que envolvam  relações  de  consumo,  poderão  intervir,  como assistentes do Ministério Público, os  legitimados  indicados no art.  82,  inciso  III  e  IV,  aos quais  também  é  facultado propor ação  penal  subsidiária,  se  a  denúncia  não  for  oferecida  no prazo legal. 

AÇÃO PENAL > Ação Penal Privada Subsidiária da Pública 

[...] Art.  82.  Para  os  fins  do  art.  81,  parágrafo  único,  são legitimados  concorrentemente:  (Redação  dada  pela  Lei  nº 9.008, de 21.3.1995). I ‐ o Ministério Público, II ‐ a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal; 

III ‐ as entidades e órgãos da Administração Pública, direta ou indireta,  ainda  que  sem  personalidade  jurídica, especificamente destinados à defesa dos  interesses e direitos protegidos por este código; IV ‐ as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que  incluam entre seus  fins  institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por este código, dispensada a autorização assemblear.  § 1° O requisito da pré‐constituição pode ser dispensado pelo juiz, nas ações previstas nos arts. 91 e seguintes, quando haja manifesto  interesse  social  evidenciado  pela  dimensão  ou característica  do  dano,  ou  pela  relevância  do bem  jurídico  a ser protegido. 

 Art. 184 da Lei 11.101/05 (Falências): 

Art. 184. Os crimes previstos nesta Lei são de ação penal pública incondicionada. Parágrafo  único.  Decorrido  o  prazo  a  que  se  refere  o  art.  187,  §  1o,  sem  que  o  representante  do Ministério  Público  ofereça  denúncia,  qualquer  credor  habilitado  ou  o  administrador  judicial  poderá oferecer ação penal privada subsidiária da pública, observado o prazo decadencial de 6 (seis) meses. 

Poderes do Ministério Público na APPSP: • O MP pode repudiar a queixa, hipótese em que é obrigado a oferecer denúncia substitutiva. • O MP pode aditar a queixa, seja para incluir circunstâncias de tempo ou de lugar (o que ele 

pode  fazer  em  qualquer  ação  penal  privada),  seja  para  incluir  coautores  ou  outros  fatos delituosos. 

• Se o querelante for negligente o MP reassume a ação como parte principal. É o que se chama de ação penal indireta. 

Art. 29 CPP 

Art. 29. Será admitida ação privada nos crimes de ação pública, se esta não for intentada no prazo legal, cabendo ao Ministério Público aditar a queixa, repudiá‐la e oferecer denúncia substitutiva,  intervir em todos os termos do processo, fornecer elementos de prova, interpor recurso e, a todo tempo, no caso de negligência do querelante, retomar a ação como parte principal. 

Prazo para o oferecimento da queixa subsidiária:  É o prazo decadencial de 6 meses, contados a partir da inércia do MP. Essa decadência do direito de oferecer queixa subsidiária não gera a extinção da punibilidade, pois o 

crime é de ação penal pública. Ex.: 

• 21/09/10 (terça‐feira) – nessa data os autos foram com vistas ao MP (acusado solto). • O MP em se tratando de acusado solto tem prazo de 15 dias (prazo processual). A partir do 

dia 22 de setembro até o dia 6 de outubro (quarta‐feira) ‐ último dia do prazo do MP. • No dia 07/10/10 surge o direito de ação penal privada subsidiária da pública. • Levando‐se em consideração o dia de  início, o prazo  irá se esgotar no dia de 06 de abril de 

2011. 

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AÇÃO PENAL > Requisitos da peça acusatória 

3.21 Requisitos da peça acusatória 

Constam no art. 41 do CPP. 

Art. 41. A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificá‐lo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas. 

A competência para impetrar o HC buscando trancar a ação penal é do Tribunal, já que é contra o ato do juiz que recebeu a denúncia.    

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AÇÃO PENAL > Requisitos da peça acusatória 

Segunda‐feira,  27  de  setembro  de  2010.  

3.21.1 Exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias Expor significa narrar o fato delituoso descrevendo: o que ocorreu, onde ocorreu, como foi praticado 

por quem e contra quem foi praticado e por que foi praticado. Em uma denúncia é apenas a narrativa do fato delituoso, não é necessário doutrina e jurisprudência. Em crimes culposos deve o MP descrever em que consistiu a imprudência, negligência ou imperícia. Se o fato não é narrado com todas as suas circunstâncias inviabiliza o exercício do direito de defesa, 

causando a inépcia da peça acusatória. Para  a  jurisprudência  a  inépcia  só  pode  ser  argüida  até  o momento  da  sentença,  sob  pena  de 

preclusão. 

3.21.1.1 Criptoimputação Criptoimputação (Antônio Scarance Fernandes) é uma imputação contaminada por grave deficiência 

na narrativa do fato delituoso, causando prejuízo à defesa. Sobre os elementos que deverão constar na denúncia, um  fato  importante é o  local onde o crime 

fora cometido. Sabendo onde foi cometido, deverá constar na denúncia o local onde foi praticado. Ocorre que em alguns casos não se sabe onde foi o delito cometido. 

A doutrina faz uma distinção entre elementos essenciais e elementos acidentais.  

  ELEMENTOS ESSENCIAIS  ELEMENTOS ACIDENTAIS É  aquele  que  deve  constar  de  toda  e qualquer  peça  acusatória,  pois  é necessário para  identificar a  conduta do agente como fato típico. 

São  aqueles  ligados  a  circunstâncias  de tempo  ou  de  espaço  cuja  ausência  nem sempre  afeta  o  exercício  do  direito  de defesa. 

Ausência provoca  • Nulidade absoluta  • Nulidade relativa 

3.21.1.2 Denúncia genérica É aquela que não indica de maneira individualizada a conduta de cada um dos acusados, e sendo que 

o caso concreto permita dizer o que cada um  fez, mas se, por exemplo, os agentes estiverem encapuzados, dificilmente será possível individualizar a conduta de cada um. 

Na medida em que não se  individualiza a conduta de cada um dos acusados,  inviabiliza o direito de defesa [STF ‐ HC 8532761]. 

Nos  crimes  societários  ou  crimes  de  gabinete  –  praticados  sob  o mato  protetor  de  uma  pessoa jurídica, muito  comum  em  crimes  contra  a ordem  tributária.  Em  se  tratando de  crimes  societários não há inépcia da peça acusatória pela ausência de  indicação  individualizada da conduta de cada um dos acusados, sendo suficiente que os acusados sejam de alguma forma responsáveis pela condução da sociedade (STF – HC 85579, HC 92497). 

Com relação a isso, o professo Eugênio Paccelli de Oliveira faz uma distinção entre acusação geral e acusação genérica. 

Acusação  geral  ocorre  quando  a  acusação  imputa  o  mesmo  fato  delituoso  a  vários  acusados, independentemente das funções por eles exercidas na empresa. Atribui‐se um fato a várias pessoas, o que não inviabiliza o direito de defesa na medida em que apenas um fato é meio de imputação. 

Acusação genérica ocorre quando a acusação  imputa vários fatos típicos a todos os  integrantes da sociedade, o que inviabiliza o direito de defesa e é causa da inépcia da peça acusatória. 

                                                            61 EMENTA: 1. Habeas corpus. Crimes contra a Ordem Tributária  (Lei no 8.137, de 1990). Crime societário. 2. Alegação de denúncia genérica e que estaria  respaldada exclusivamente em processo administrativo. Ausência de  justa causa para ação penal. Pedido de trancamento. 3. Dispensabilidade do  inquérito policial para  instauração de ação penal (art. 46, § 1o, CPP). 4. Mudança de orientação jurisprudencial,  que,  no  caso  de  crimes  societários,  entendia  ser  apta  a  denúncia  que  não  individualizasse  as  condutas  de  cada indiciado, bastando a indicação de que os acusados fossem de algum modo responsáveis pela condução da sociedade comercial sob a qual foram supostamente praticados os delitos. 

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AÇÃO PENAL > Requisitos da peça acusatória 

3.21.2 Identificação do denunciado CPP  ‐  Art.  41.  A  denúncia  ou  queixa  conterá  a  exposição  do  fato  criminoso,  com  todas  as  suas circunstâncias,  a  qualificação  do  acusado  ou  esclarecimentos  pelos  quais  se  possa  identificá‐lo,  a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas. 

Tendo a qualificação do acusado e seu endereço, em regra, essa pessoa será citada pessoalmente. Sendo  a denúncia baseada em esclarecimentos pelos quais  se possa  identificar o  acusado,  alguns 

doutrinadores dizem que em 2010 já não é possível denúncia contra essa pessoa, ainda mais em razão da lei de identificação criminal. 

De  acordo  com  o  CPP  essa  pessoa  incerta  era  citada  por  edital,  o  que  atualmente  foi  revogado: redação original do art. 363 do CPP. 

Art. 363. A citação ainda será feita por edital:  I ‐ quando  inacessível, em virtude de epidemia, de guerra ou por outro motivo de força maior, o  lugar em que estiver o réu; II ‐ quando incerta a pessoa que tiver de ser citada. 

# Se não existe mais a citação por edital para pessoa  incerta é porque não se admite mais denúncia contra pessoa incerta! 

3.21.3 Classificação do crime Não se trata de requisito obrigatório: no processo penal o acusado defende‐se dos fatos que lhe são 

imputados, pouco importando a classificação formulada. Emendatio  libelli – prevista no art. 383 do CPP. Ocorre quando o  juiz sem modificar a descrição do 

fato contida na peça acusatória dá a ele classificação diversa, mesmo que tenha que aplicar pena mais grave. Ex.: fato caracterizado como furto, mas classificada como estelionato. Poderá ter reclassificada pelo juiz como furto, mesmo tendo pena mais grave. 

Em regra, a emendatio deve ser  feita no momento da sentença. Porém quando houver excesso da acusação,  privando  o  acusado  de  liberdades  fundamentais  é  possível  uma  desclassificação  incidental  e provisória. 

Mutatio  libelli – prevista no art. 384 do CPP. Ocorre quando durante a  instrução processual  surge prova  de  circunstância  ou  elementar  não  contida  na  peça  acusatória.  Nesse  caso,  a  fim  de  se  preservar contraditório e ampla defesa, o MP deve aditar a peça acusatória ouvindo a defesa em seguida. Ex.: denúncia por furto, mas no decorrer do processo se percebe que houve violência. Nesse caso o MP adita e proporciona contraditório e ampla defesa para a defesa. 

 EMENDATIO LIBELLI  MUTATIO LIBELLI 

Art. 383.  O JUIZ, sem modificar a descrição do fato contida na denúncia ou  queixa,  poderá  atribuir‐lhe  definição  jurídica  diversa,  ainda  que,  em conseqüência,  tenha de aplicar pena mais grave. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). 

Art.  384. Encerrada  a  instrução  probatória,  se  entender  cabível  nova definição  jurídica do fato, em conseqüência de prova existente nos autos de elemento ou circunstância da infração penal não contida na acusação, o MINISTÉRIO PÚBLICO deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias,  se em  virtude desta houver  sido  instaurado o processo em crime de ação pública, reduzindo‐se a termo o aditamento, quando feito oralmente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). 

§  1o   Se,  em  conseqüência  de  definição  jurídica  diversa,  houver possibilidade  de  proposta  de  suspensão  condicional  do  processo,  o  juiz procederá de acordo com o disposto na  lei. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 

§  1o   Não  procedendo  o  órgão  do  Ministério  Público  ao  aditamento, aplica‐se o art. 28 deste Código. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 

§ 2o  Tratando‐se de infração da competência de outro juízo, a este serão encaminhados os autos. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 

§ 2o Ouvido o defensor do acusado no prazo de 5 (cinco) dias e admitido o aditamento, o  juiz, a requerimento de qualquer das partes, designará dia e  hora  para  continuação  da  audiência,  com  inquirição  de  testemunhas, novo  interrogatório  do  acusado,  realização  de  debates  e julgamento. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). §  4o Havendo  aditamento,  cada  parte  poderá  arrolar  até  3  (três) testemunhas,  no  prazo  de  5  (cinco)  dias,  ficando  o  juiz,  na  sentença, adstrito aos termos do aditamento. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 5o Não  recebido o aditamento, o processo prosseguirá.  (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 

3.21.4 Rol de testemunhas O  rol  de  testemunhas  só  deve  ser  apresentado  quando  for  necessário.  Deverá  constar  da  peça 

acusatória, quando necessário, sob pena de preclusão. 

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AÇÃO PENAL > Prazo para o oferecimento da peça acusatória 

Com  base  no  Princípio  da  Busca  da  Verdade  é  possível  que  o  juiz  ouça  as  testemunhas  como testemunhas do juízo. O número de testemunhas varia de acordo com o procedimento: 

• Procedimento Comum Ordinário: 8 testemunhas, por fato delituoso praticado. • Procedimento Comum Sumário: 5 testemunhas, por fato delituoso praticado. • Procedimento Comum Sumaríssimo (JEC): 3 testemunhas, por fato delituoso praticado. 

 Atenção porque as  testemunhas estão  relacionadas por  fato criminoso e não por crime. O correto 

seria dizer que seria 8, 5 ou 3 testemunhas para cada ação ou omissão. Ex.: alguém entra em ônibus e assalta duas pessoas, será um crime só. 

3.21.5  Peça acusatória redigida em português O processo tem natureza pública e deve ser redigida de maneira concisa e precisa. 

3.21.6 Peça acusatória deve ser subscrita pelo promotor ou pelo advogado do querelante Os requisitos até agora tratados são tanto da denúncia como da queixa. 

3.21.7 Procuração na queixa crime Essa procuração deve ser uma procuração com poderes especiais, a fim de se evitar que o advogado 

responda por denunciação caluniosa. 

Art.  44.  A  queixa  poderá  ser  dada  por  procurador  com  poderes  especiais,  devendo  constar  do instrumento do mandato o nome do querelante querelado e a menção do fato criminoso, salvo quando tais  esclarecimentos  dependerem  de  diligências  que  devem  ser  previamente  requeridas  no  juízo criminal. 

O correto seria que da procuração deve constar o nome do querelado e não do querelante como no texto legal, já que o querelado por óbvio constaria por ser um instrumento de procuração. 

Menção  do  crime,  basta  citar  a  classificação  do  delito  –  dispositivo. Não  é  necessário  fazer  toda narrativa fática que será feita na queixa. 

Havendo algum defeito da procuração, prevalece na jurisprudência o entendimento de que eventual vício da procuração pode ser sanado a qualquer momento, mediante a ratificação dos atos processuais (STF – HC 8439762). 

3.22 Prazo para o oferecimento da peça acusatória 

  PRESO  SOLTO • CPP  5  15 • TRÁFICO  10  10 • CÓDIGO ELEITORAL  1  0 10 • E ABUSO DE AUTORIDAD 48 horas  48  as hor• CPP Militar  5  15 • ULAR ECONOMIA POP

(Lei 1.521/51)  2  2 dias 

3.22.1  Perda do prazo • Passa a ser cabível a ação penal privada subsidiária da pública; • Perda do subsídio – art. 801 do CPP63. Esse artigo não foi recepcionado pela CF, porque aos membros do 

MP foi consagrada constitucionalmente a irredutibilidade dos subsídios; 

                                                            62 EMENTA:  I. Ação penal privada: crime de exercício arbitrário das próprias razões (C. Penal, art. 345, parágrafo único): decadência: C.Pr.Penal, art. 44. 1. O defeito da procuração outorgada pelas querelantes ao  seu advogado, para  requerer abertura de  inquérito policial, sem menção do fato criminoso, constitui hipótese de ilegitimidade do representante da parte, que, a teor do art. 568 C.Pr.Pen., "poderá ser a todo o tempo sanada, mediante ratificação dos atos processuais" (RHC 65.879, Célio Borja); 2. Na espécie, a presença das querelantes em audiências realizadas depois de findo o prazo decadencial basta a suprir o defeito da procuração. [...]  63 Art. 801. Findos os respectivos prazos, os juízes e os órgãos do Ministério Público, responsáveis pelo retardamento, perderão tantos dias de vencimentos quantos  forem os excedidos. Na contagem do  tempo de serviço, para o efeito de promoção e aposentadoria, a perda será do dobro dos dias excedidos. 

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AÇÃO PENAL > Denúncia alternativa 

• Em se tratando de acusado preso, caso o excesso seja abusivo a prisão deve ser objeto de relaxamento, sem prejuízo da continuidade do processo. 

3.23 Denúncia alternativa 

Ocorre quando vários  fatos delituosos são  imputados de maneira alternativa ao agente. De acordo com a maioria da doutrina não é admitida, pois a alternatividade prejudica o direito de defesa. Obviamente que  é  possível  a  imputação  de  mais  de  um  crime  na  denúncia,  porém,  o  que  não  é  admitido  é  a alternatividade. Ex.: praticou o furto ou receptação. 

3.24 Rejeição da peça acusatória 

É sinônimo de não recebimento. Causas de rejeição da peça acusatória: 

3.24.1 Inépcia da peça acusatória É  a  não  observância  dos  requisitos  obrigatórios  do  art.  41  do  CPP.  O  rol  de  testemunhas,  por 

exemplo, não é obrigatório o que não provocará a inépcia. 

3.24.2 Ausência dos pressupostos processuais ou das condições da ação 

3.24.2.1 Condições da ação As condições da ação foram tratadas no início de ação penal. São elas: 

I. Possibilidade Jurídica do Pedido II. Legitimidade para Agir (Legitimatio ad causam) III. Interesse de agir 

a. Necessidade b. Adequação c. Utilidade 

IV. Justa Causa 

3.24.2.2 Pressupostos processuais Os pressupostos processuais podem ser de existência e de validade da relação processual. Os pressupostos processuais de existência são: 

1. Demanda veiculada pela peça acusatória. 2. Jurisdição caracterizada pela imparcialidade e competência do juízo. 3. Presença de partes que possam estar em juízo. 

Já, os pressupostos processuais de validade, estão relacionados à originalidade da demanda. Deve‐se verificar a inexistência de litispendência ou coisa julgada. 

3.24.3  Ausência de justa causa É o lastro probatório mínimo, para que o processo possa ter início – art. 395 do CPP64. A  decisão  de  rejeição  da  peça  acusatória  faz  coisa  julgada  formal,  o  que  na  prática  significa  que 

removido o vício, nova peça acusatória pode ser oferecida. 

3.24.4 Recurso cabível contra a rejeição No CPP  caberá RSE  (art. 581,  I do CPP). Na  lei dos  juizados da  rejeição da peça acusatória  caberá 

apelação (art. 82 da Lei 9.099/95).  # O acusado deverá apresentar contra‐razões? 

Interposto o RSE pela acusação, o acusado deve ser intimado para apresentar contra‐razões. Diante de sua inércia aí sim o juiz poderá nomear dativo. 

                                                            64  Art.  395.   A  denúncia  ou  queixa  será  rejeitada  quando:   (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.719,  de  2008).  I  ‐  for manifestamente inepta; (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). II ‐ faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou  (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). III ‐ faltar justa causa para o exercício da ação penal. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 

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AÇÃO PENAL > Recebimento da peça acusatória 

Súmula 707 do STF ‐ CONSTITUI NULIDADE A FALTA DE INTIMAÇÃO DO DENUNCIADO PARA OFERECER CONTRA‐RAZÕES  AO  RECURSO  INTERPOSTO  DA  REJEIÇÃO  DA  DENÚNCIA,  NÃO  A  SUPRINDO  A NOMEAÇÃO DE DEFENSOR DATIVO. Fonte de Publicação DJ de 9/10/2003. 

3.25 Recebimento da peça acusatória 

De  acordo  com  a  jurisprudência,  o  recebimento  não  precisa  ser  fundamentado,  salvo  quando  o procedimento prever defesa preliminar. O indicado para o despacho de recebimento da ação seria descrever a contrario sensu as causas de rejeição. 

A defesa preliminar existe apenas em alguns procedimentos e é apresentada entre o oferecimento e o  recebimento  da  peça  acusatória.  Oportunidade  de  ser  ouvido  pelo  juiz  antes  de  ser  recebida  a  peça acusatória. Esta defesa preliminar está prevista nos seguintes casos: 

1. Crimes funcionais afiançáveis; 2. Drogas; 3. Juizados especiais criminais; 4. Competência originária dos tribunais; 5. Improbidade administrativa. 

3.25.1  Momento do recebimento da peça acusatória Momento  do  recebimento  da  peça  acusatória.  A  lei  passou  a  prever  o  recebimento  em  dois 

momentos distintos. Um primeiro momento seria do art. 396. O segundo recebimento seria no art. 399.  

Art.  396.   Nos  procedimentos  ordinário  e  sumário,  oferecida  a denúncia  ou  queixa,  o  juiz,  se  não  a  rejeitar  liminarmente, recebê‐la‐á  e  ordenará  a  citação  do  acusado  para  responder  à acusação, por escrito, no prazo de 10  (dez) dias. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). Parágrafo único.  No  caso de  citação por edital, o prazo para  a defesa começará a  fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor  constituído.  (Redação dada pela  Lei nº 11.719, de 2008). 

Art. 399.  Recebida a denúncia ou queixa, o  juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do assistente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). §  1º   O  acusado  preso  será  requisitado  para  comparecer  ao interrogatório,  devendo  o  poder  público  providenciar  sua apresentação. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). § 2º  O  juiz que presidiu a  instrução deverá proferir a sentença. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008). 

 Prevalece, no entanto, que a peça acusatória deve ser recebida  logo após o seu oferecimento  (art. 

396), desde que não seja caso de rejeição (STJ – HC 138089). 

3.25.2 Recurso do recebimento Da decisão de recebimento, em regra, não caberá recurso. Há, porém, duas exceções: 

1. Competência originária dos Tribunais caberá Agravo Regimental; 2. Impetração  de  Habeas  Corpus  para  trancar  o  processo  (chamado  erroneamente  de 

trancamento da ação). O juiz de primeira instância, de regra, será a autoridade coatora. Esse habeas corpus é uma medida de natureza excepcional somente sendo possível nos casos de: 

a. Manifesta atipicidade; b. Presença de causa extintiva da punibilidade; c. Ausência de justa causa. 

3.26 Causas extintivas da punibilidade ligadas à ação penal 

3.26.1  Renúncia Só  se  aplicam  como  causas  extintivas  da  punibilidade  na  ação  exclusivamente  privada  e  na  ação 

penal privada personalíssima. Nas ações penais privadas subsidiárias não irão gerar extinção da punibilidade. Renúncia é o ato unilateral do ofendido ou de  seu  representante  legal abrindo mão do direito de 

ação penal privada. A renúncia está ligada ao princípio da oportunidade ou conveniência. A  renúncia  não  depende  de  aceitação,  independentemente  da  aceitação  do  acusado,  irá  gerar  a 

extinção da punibilidade. A renúncia se dá antes do início do processo. 

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Por conta do Princípio da  Indivisibilidade,  renúncia concedida a um dos coautores, estende‐se aos demais. 

A renúncia expressa é feita através de uma declaração  inequívoca do ofendido, o que, na prática, é muito difícil. 

A renúncia tácita estará presente com a prática de um ato incompatível com a vontade de processar. Ex.: convite para ser padrinho de casamento.  # Recebimento de dinheiro é prova de renúncia? 

Recebimento de indenização não significa renúncia tácita, salvo na hipótese de composição civil dos danos nos juizados. 

Art. 104 do Código Penal65 e art. 74 da Lei 9.099/9566  # Renúncia admite retratação? 

A renúncia não admite retratação.  

# A renúncia feita por uma das vítimas afeta o direito da outra? A renúncia feita por uma das vítimas não prejudica o direito das demais. Cada vítima é dona do seu 

direito autônomo da ação penal privada. 

3.26.2  Perdão do ofendido É o ato pelo qual o querelante desiste de prosseguir com o processo, perdoando o autor do delito, 

com a consequente extinção da punibilidade caso o perdão seja aceito (ato bilateral). Está relacionado ao Princípio da Disponibilidade da ação penal privada. O perdão é dado durante o processo e poderá ser concedido até  trânsito em  julgado da sentença 

penal condentória. Por conta do Princípio da Indivisibilidade é estendido aos demais, mas desde que haja aceitação. O perdão poderá ser concedido de maneira expressa ou tácita. A aceitação do perdão também poderá ser uma aceitação expressa como também tácita. O silencia significa aceitação tácita, ou seja, está aceitando o perdão. O perdão de modo algum se confunde com o chamado perdão judicial. Ambos são causas extintivas 

da punibilidade, mas o perdão judicial é concedido pelo juiz (art. 121, §5º do CP). 

 CÓDIGO PENAL  CÓDIGO DE PROCESSO PENAL 

 Art. 105 ‐ O perdão do ofendido, nos crimes em que somente se procede  mediante  queixa,  obsta  ao  prosseguimento  da ação. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Art. 106 ‐ O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I  ‐  se  concedido  a qualquer dos querelados,  a  todos  aproveita; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) II  ‐  se concedido por um dos ofendidos, não prejudica o direito dos outros; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) III  ‐  se o querelado o  recusa, não produz efeito. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) § 1º ‐ Perdão tácito é o que resulta da prática de ato incompatível com a vontade de prosseguir na ação.  (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) § 2º ‐ Não é admissível o perdão depois que passa em  julgado a sentença  condenatória.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  7.209,  de 11.7.1984) 

Art. 58. Concedido o perdão, mediante declaração expressa nos autos, o querelado será intimado a dizer, dentro de três dias, se o aceita, devendo, ao mesmo tempo, ser cientificado de que o seu silêncio importará aceitação. Parágrafo  único.  Aceito  o  perdão,  o  juiz  julgará  extinta  a punibilidade. Art.  59.  A  aceitação  do  perdão  fora  do  processo  constará  de declaração assinada pelo querelado, por seu representante  legal ou procurador com poderes especiais.  Art. 60.  Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar‐se‐á perempta a ação penal: I ‐ quando,  iniciada  esta,  o  querelante  deixar  de  promover  o andamento do processo durante 30 dias seguidos; II ‐ quando,  falecendo  o  querelante,  ou  sobrevindo  sua incapacidade,  não  comparecer  em  juízo,  para  prosseguir  no processo,  dentro  do  prazo  de  60  (sessenta)  dias,  qualquer  das pessoas a quem couber fazê‐lo, ressalvado o disposto no art. 36; III ‐ quando  o  querelante  deixar  de  comparecer,  sem  motivo 

                                                            65 Renúncia expressa ou tácita do direito de queixa ‐ art. 104 ‐ O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou  tacitamente.     (Redação dada pela  Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Parágrafo único  ‐  Importa  renúncia  tácita ao direito de queixa a prática de ato  incompatível com a vontade de exercê‐lo; não a  implica, todavia, o fato de receber o ofendido a  indenização do dano causado pelo crime. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) 

AÇÃO PENAL > Causas extintivas da punibilidade ligadas à ação penal 

66 Art. 74. A composição dos danos civis será reduzida a escrito e, homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá eficácia de título a ser executado no  juízo civil competente. Parágrafo único. Tratando‐se de ação penal de  iniciativa privada ou de ação penal pública condicionada à representação, o acordo homologado acarreta a renúncia ao direito de queixa ou representação. 

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justificado,  a  qualquer  ato  do  processo  a  que  deva  estar presente,  ou  deixar  de  formular  o  pedido  de  condenação  nas alegações finais; IV ‐ quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar sucessor. 

 

3.26.3  Perempção Perempção é a perda do direito de prosseguir no exercício da ação penal exclusivamente privada ou 

personalíssima em virtude da desídia do querelante. Nada mais é do que uma punição ao querelante relapso. A  perempção  não  se  confunde  com  a  decadência,  porque  a  perempção  é  a  perda  do  direito  de 

prosseguir,  ou  seja,  o  processo  está  em  andamento.  A  decadência  é  a  perda  do  direito  de  dar  início  ao processo em crimes de ação penal privada em virtude do não exercício do direito no prazo legal. 

A  perempção  não  gera  a  extinção  da  punibilidade  na  ação  penal  privada  subsidiária  da  pública, porque nesse caso o MP irá reassumir a ação como parte principal – chamada de ação penal indireta. 

Hipóteses de perempção (art. 60 do CPP): I. Querelante deixa de promover o processo durante 30 dias seguidos – prevalece que o querelante deve 

ser intimado antes da decretação da perempção. II. Falecimento do querelante e os sucessores não se manifestam em 60 dias – nesse caso a perempção 

será reconhecida automaticamente pelo  juiz, pois se for fazer um  levantamento dos sucessores para intimar irá se instalar no processo criminal um processo de sucessão. 

III. Faltar a qualquer ato do processo a que deva estar presente sem  justificar – nos procedimentos dos crimes  contra a honra há um audiência de  conciliação, e a ausência do querelante não é  causa de perempção, mas sim apenas que não deseja conciliar. 

IV. Deixar de formular o pedido de condenação nas alegações finais – os doutrinadores entendem que os pedidos podem estar implícitos nas alegações finais. Ausência do advogado do querelante à audiência una  de  instrução  e  julgamento  e  à  seção  de  julgamento  no  júri.  Ex.:  é  possível  que  se  tenha  um homicídio doloso praticado em conexão com um crime de ação penal privada. A ausência do advogado do querelante à audiência e à seção de julgamento é causa de perempção. 

V. Extinção da pessoa jurídica querelante, sem deixar sucessor – difamação e calúnia (desde que a falsa imputação seja sobre crimes ambientais). 

AÇÃO PENAL > Causas extintivas da punibilidade ligadas à ação penal 

   

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Mecanismos de solução de conflitos 

Quarta‐feira,  29  de  setembro  de  2010.  

4 JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA 

4.1 Mecanismos de solução de conflitos 

4.1.1 Autotutela Caracteriza‐se pelo emprego da  força bruta para a  satisfação de  interesses. Em  regra a autotutela 

não é permitida, pois o emprego de força bruta para satisfação de interesses é considerado crime. Configura‐se no delito do art. 345 do CP – exercício arbitrário das próprias razões. 

Em  algumas  situações  excepcionais,  o  ordenamento  jurídico  permite  que  se  use  dos  meios necessários para reação contra agressão injusta. Um exemplo processual é a prisão em flagrante. Confirmado pela própria CF que estabelece que o Estado não tem condições de estar presente em todos os atos da vida civil, permitindo que o particular também realize esse tipo de prisão. 

4.1.2 Autocomposição Caracteriza‐se pela busca do consenso entre as partes. Doutrinadores da década de 70, 80 diziam 

que acordo em Processo Penal seria impossível, pois a liberdade de locomoção é indisponível. A CF em seu art. 98, I trouxe a previsão dos juizados especiais criminais, permitindo a possibilidade da transação em relação às infrações de menor potencial ofensivo [IMPO ‐ contravenções e crimes com pena máxima ≤ 2 anos]. 

A  lei  dos  juizados  prevê  a  possibilidade  de  transação,  mas  diz  respeito  somente  a  penas  não privativas de liberdade, ou seja, somente penas restritivas de direitos ou multa (art. 76 da Lei 9.099/95). 

4.1.3 Jurisdição É  uma  das  funções  do  Estado  exercida  precipuamente  pelo  Poder  Judiciário, mediante  a  qual  o 

Estado‐juiz se substitui aos titulares aos interesses em conflito para aplicar o direito objetivo ao caso concreto. 

4.2 Princípio do Juiz Natural 

É o direito que cada cidadão tem de saber previamente a autoridade que irá processar e julgá‐lo caso venha a praticar um delito. Está  ligada a  segurança  jurídica  como  também a própria  imparcialidade, pois a medida que se tem um juiz previamente determinado, é uma ocasião para determinar a segurança jurídica. 

A  CF  não  prevê  expressamente  esse  Princípio, mas  está  previsto  indiretamente  nos  dispositivos XXXVII e LIII art. 5º67. 

A criação de Tribunal de Exceção ofende o Princípio do  Juiz Natural, pois é um órgão  jurisdicional criado após a prática do delito especificamente para julgá‐lo – é exatamente o oposto do juiz natural. 

No plano  internacional aconteceu no Camboja, Ruanda,  Iraque, Tchecoslováquia. O Tribunal Penal Internacional  é um órgão  jurisdicional permanente para  julgar  esses  crimes de  guerra,  justamente para  se evite ofensa a esse Princípio. 

As  Justiças Especializadas  (Milita e Eleitoral) não são  tribunais de exceção, pois suas competências estão previstas na própria Constituição Federal. 

Do Princípio do Juiz Natural derivam três regras de proteção:  1ª – Só podem exercer jurisdição os órgãos instituídos pela Constituição. 2ª – Ninguém pode ser julgado por órgão jurisdicional criado após o fato delituoso. 3ª  –  Entre  os  juízes  pré‐constituídos  vigora  uma  ordem  taxativa  de  competências  que  impede 

qualquer discricionariedade na escolha do juiz. 

4.2.1 Lei Processual que altera a competência e sua aplicação # PROVA UNB – A lei que altera a competência tem aplicação imediata? 

                                                            67 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo‐se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] XXXVII ‐ não haverá juízo ou tribunal de exceção; [...] LIII ‐ ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; 

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Princípio do Juiz Natural 

Ex.1: em 1995, praticado crime doloso contra a vida praticado por militar contra civil, mesmo que em serviço. À época, esse crime era da competência da justiça militar. Digamos que nessa época, em 1ª instância tramitavam  48 processos  exatamente  sobre  isso. Em 2ª  instância,  tramitavam 38  apelações  relacionadas  a esse mesmo tipo de crime. 

Em 1996 entra em vigor a  lei 9.299/96 que altera a competência – ficou conhecida com  lei Rambo (ex‐policial militar de São Paulo que assassinou várias pessoas). Passou a ser da competência do Tribunal do Júri da Justiça Comum. 

Pergunta‐se: os 48 processos que estavam em 1ª instância e os 38 processos que havia apelação por conta de sentença foram remetidos à Justiça Comum? 

Os tribunais acabaram entendendo que os processos que estavam em 1ª instância seriam remetidos para Justiça Comum. No entanto, quanto aos processos que já estavam sentenciados ou em 2º grau deveriam ficar na Justiça Militar. 

Para a doutrina  lei que altera a  competência  só pode  ser aplica aos  crimes  cometidos após a  sua vigência. Porém, para a jurisprudência lei que altera a competência tem aplicação imediata aos processos em andamento, salvo se  já houvesse sentença relativa ao mérito, hipótese em que o processo deveria seguir na jurisdição em que a decisão foi prolatada. 

Se  os  processos  já  julgados  pela  Justiça  Castrense  fossem  remetidos  para  o  um  juízo  comum, ocorreria de um órgão jurisdicional superior analisar a decisão de um magistrado sem que exista qualquer tipo de subordinação jurisdicional (STF – HC 7651068) 

No município de Mundo Novo/MS há vara da Justiça Estadual mas não da Justiça Federal. Essa cidade está na subseção da justiça federal do município de Naviraí/MS. No ano 2005 uma pessoa foi presa em Mundo Novo praticando tráfico internacional de drogas. Nessa época ainda vigorava a antiga lei de drogas (6.368/76 – art. 27) e como em Mundo Novo não havia da JF, seria julgado na Vara da Justiça Estadual, com recurso para o TRF. 

(REVOGADO) Lei 6.368/76 ‐ Art. 27. O processo e o julgamento do crime de tráfico com exterior caberão à  justiça  estadual  com  interveniência  do Mistério  Público  respectivo,  se  o  lugar  em  que  tiver  sido praticado,  for município  que  não  seja  sede  de  vara  da  Justiça  Federal,  com  recurso  para  o  Tribunal Federal de Recursos. 

Tudo  era  assim  até  o  dia  08  de  outubro  de  2006,  já  que  entra  em  vigor  a  nova  lei  de  drogas (11.343/06) que sobre esse tema provoca uma alteração drástica. Nos crimes de tráfico internacional, mesmo que a cidade não seja sede da JF, serão julgados na jurisdição da Justiça Federal da circunscrição. 

Art. 70.  O processo e o  julgamento dos crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, se caracterizado ilícito transnacional, são da competência da Justiça Federal. Parágrafo  único.   Os  crimes  praticados  nos Municípios  que  não  sejam  sede  de  vara  federal  serão processados e julgados na vara federal da circunscrição respectiva. 

Aplicando‐se  o  decisum  acima  nos  casos  da  nova  lei  de  drogas,  significa  que  os  processos  que tramitavam em uma vara da  Justiça Comum, antes da promulgação da nova  lei de  tráfico,  serão  remetidos para Subseção da Justiça Federal a que a Comarca estiver circunscrita. 

4.2.2 Convocação de Juízes de 1º grau para substituir desembargadores # Essa convocação de juízes viola o Princípio do Juiz Natural? 

Os  casos  de  competência  dos  juízes  devem  estar  previstos  taxativamente.  Essa  previsão  para convocação dos juízes está previsto no art. 118 da LC 35/79 (Lei Orgânica da Magistratura) e no art. 4º da Lei 9.788/99 (Lei da Justiça Federal).  # Como será feita a convocação?                                                             68 EMENTA: PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. CRIMES DOLOSOS CONTRA A VIDA PRATICADOS POR MILITAR OU POLICIAL MILITAR, CONTRA CIVIL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM. LEI 9.299, DE 7/8/96. EXAME DE PROVA: IMPOSSIBILIDADE. PRETENSÃO DE JULGAMENTO PELO TRIBUNAL DO JÚRI: IMPOSSIBILIDADE. PRISÃO DOS RÉUS: LEGALIDADE. I. ‐ Com a promulgação da Lei 9.299/96, os crimes dolosos contra a vida praticados por militar ou policial militar, contra civil, passaram a ser da competência da Justiça comum. II. ‐ A alegação de que os réus agiram em legítima defesa implicaria o revolvimento de toda a prova, o que não se admite nos estreitos limites do habeas corpus. III. ‐ Hipótese em que já tendo sido proferida sentença de primeiro grau e estando pendente de julgamento a apelação dos réus, não há falar em novo julgamento, pelo Tribunal do Júri, em razão da promulgação da Lei 9.299/96. A controvérsia ficou restrita, no caso, à competência para o julgamento do recurso. IV. ‐ HC indeferido.  

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência 

No  TJ/ES  aprovaram  uma  norma  em  que  o  juiz  de  primeiro  de  1º  grau  era  indicado  pelo desembargador substituído – ofende o Princípio do Juiz Natural, pois nesse caso há uma discricionariedade na definição  da  competência.  Essa  convocação  não  pode  ser  feita  através  de  um  sistema  de  voluntariado, tampouco por meio de indicação do desembargador substituído (ADI 148169). Portanto, essa convocação deve ser feita por meio de critérios objetivos pré‐determinados sob pena de violação ao Princípio do Juiz Natural. 

 # É válido o julgamento de Turma composta por maioria de juízes convocados? 

Para  o  STJ,  inicialmente  seria  impossível  e  os  processos  deveriam  ser  anulados.  Com  a  imensa quantidade  de  processos  que  deveriam  ser  anulados,  mudaram  o  posicionamento  e  atualmente  é perfeitamente válido o julgamento feito por turma formada por maioria de juízes convocados, desde que essa convocação tenha sido feita na forma da lei (STJ – HC 126390 e STF – HC 9682170). 

 # O julgamento de ação originária de promotores no Tribunal composto por juízes convocados? 

Dos 30 membros, 23 votaram, sendo apenas 16 Desembargadores e 7 de juízes de convocados. Nos casos de competência originária dos tribunais deve‐se prestar atenção ao regimento interno do 

tribunal,  pois  em  alguns  casos  é  exigida  a  presença  de  pelo menos  2/3  de Desembargadores  na  seção  de julgamento sob pena de nulidade da decisão (STJ ‐ HC 88739/BA). 

4.3 Competência 

4.3.1 Conceito É  a medida  e o  limite da  jurisdição dentro dos quais o órgão  jurisdicional pode dizer o direito. A 

jurisdição é uma só, portanto não é correto dizer que existe jurisdição eleitoral, jurisdição federal etc. 

4.3.2 Espécies de competência 

4.3.2.1 Ratione Materiae Competência  fixada  em  virtude  da  natureza  da  infração  penal.  Ex.:  crimes  militares  e  crimes 

eleitorais. 

4.3.2.2 Ratione Personae É  a  chamada  competência  estabelecida  em  razão  da  pessoa.  Na  verdade  a  competência  não  é 

estabelecida em razão da pessoa, mas sim em razão da função. O STF mesmo declara como chamada ratione funcionae, é o chamado foro por prerrogativa de função. 

4.3.2.3 Ratione Loci É uma competência territorial. Em regra essa competência é fixa pelo local da consumação do delito. 

                                                            69 Tendo em vista o entendimento do STF no sentido de que, enquanto não editado o estatuto previsto no art. 93, da CF, os regimentos internos dos tribunais hão de observar o sistema de substituição dos magistrados previsto no art. 118, da Lei Orgânica da Magistratura Nacional ‐ LOMAN, na redação conferida pela LC 54/86, o qual dispõe que tal substituição ocorra por escolha da maioria absoluta do Tribunal  respectivo  ou  de  seu  Órgão  Especial,  o  Tribunal  julgou  parcialmente  procedente  pedido  de  ação  direta  de inconstitucionalidade ajuizada pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil  contra o art. 27 do Regimento  Interno do TJ/ES, para excluir da redação da norma  impugnada a expressão "indicados pelo substituído" ("Art. 27  ‐ Em caso de afastamento do Desembargador  por  prazo  superior  a  trinta  (30)  dias,  poderão  ser  convocados  juízes  do  1º Grau,  em  substituição,  indicados  pelo substituído, dentre os da Entrância Especial e aprovados por decisão da maioria absoluta do Tribunal, exceto o feito de que haja pedido de vista, já relatado ou que tenha recebido seu visto como revisor"). Precedentes citados: HC 68210/DF (DJU de 21.8.92); ADI 1503/RJ (DJU de 18.5.2001). ADI 1481/ES, rel. Min. Carlos Velloso, 12.5.2004.(ADI‐1481)  70 EMENTA: HABEAS CORPUS. PROCESSUAL PENAL. JULGAMENTO DE APELAÇÃO NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE SÃO PAULO JULGAMENTO. CÂMARA COMPOSTA MAJORITARIAMENTE POR JUÍZES CONVOCADOS. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. OFENSA AO PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL. INOCORRÊNCIA. ORDEM DENEGADA. I ‐ Esta Corte já firmou entendimento no sentido da constitucionalidade da Lei Complementar  646/1990,  do  Estado  de  São  Paulo,  que  disciplinou  a  convocação  de  juízes  de  primeiro  grau  para  substituição  de desembargadores do TJ/SP.  II  ‐ Da mesma  forma, não viola o postulado constitucional do  juiz natural o  julgamento de apelação por órgão composto majoritariamente por juízes convocados na forma de edital publicado na imprensa oficial. III ‐ Colegiados constituídos por magistrados togados, que os integram mediante inscrição voluntária e a quem a distribuição de processos é feita aleatoriamente. IV ‐ Julgamentos realizados com estrita observância do princípio da publicidade, bem como do direito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório. V ‐ Ordem denegada.  

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência absoluta e relativa 

4.3.2.4 Competência Funcional Nessa competência  funcional a competência é  fixada conforme a  função que cada um dos órgãos 

exerce no processo. Competência funcional vertical. a. Competência  funcional  por  fase  do  processo:  e,  de  acordo  com  a  fase  em  que  o  processo 

estiver,  um  órgão  jurisdicional  diferente  exercerá  a  competência.  Ex.:  tribunal  do  júri  – composto de duas  fases, bifásico ou escalonado. Na primeira  fase o  juiz poderá pronunciar, impronunciar,  desclassificar  ou  absolver  sumariamente. Após  pronuncia  cabe  o  julgamento pelo Conselho. Outro exemplo é o juízo das execuções. 

b. Competência  funcional  por  objeto  do  juízo:  a  competência  será  exercida  a  depender  das questões  a  serem  decididas.  Ex.:  Tribunal  do  júri  –  os  jurados  decidem  quanto  à  autoria, qualificadoras, materialidade etc, e ao juiz quanto às questões de direito e aplicação de pena. 

c. Competência funcional por grau de jurisdição: é aquela que divide a competência entre órgãos jurisdicionais superiores e inferiores. 

i. Competência funcional horizontal: não há hierarquia entre os órgãos jurisdicionais.  ii. Competência funcional vertical: há hierarquia entre os órgãos jurisdicionais. 

 As duas primeiras competências seriam horizontais e a última vertical (VER) 

4.4 Competência absoluta e relativa 

  COMPETÊNCIA ABSOLUTA  COMPETÊNCIA RELATIVA 

1. Tipo de Interesse  • Interesse de ordem pública  •  Interesse  preponderante  das  partes,  oque não exclui o interesse do Estado. 

2. Modificação • Não  pode  ser  modificada,  nem  pela 

vontade  das  partes,  nem  pela  vontade do juiz (IMPRORROGÁVEL). 

• Pode ser modificada (PRORROGÁVEL). 

3. Reconhecimento de ofício*71 

• o  juiz to m ia ta o Poderão  ser  reconhecidas  de  ofício  pel   tan   a  co petênc   absolu   com a relativa (art. 109 do CPP72). 

4. Momento de reconhecimento 

• Pode  ser  reconhecida  enquanto  o  juiz exercer jurisdição. 

• Até  bem  pouco  tempo  atrás  a incompetência  relativa  também  podia ser  reconhecida  de  ofício  até  o momento da  sentença. Porém diante a inserção do Princ. da Identidade Física do  Juiz  (art.  399,  §2º  do  CPP73),  essa incompetência doravante só poderá ser reconhecida  de  ofício  até  o  início  da instruç  proão cessual. 

5. Consequência da violação 

• Nulida tide ab oluta. Caracte ís cass r : o Prejuízo é presumido. o uaPode  ser  argüida  a  q lquer 

momento. o Pode  ser  reconhecida  mesmo 

após  o  trânsito  em  julgado, mas desde  que  se  trate  de  sentença condenatória  ou  absolutória imprópria  (mediante  Revisão Criminal ou HC). 

• Nulida cter sde relativa. Cara ística : o O  prejuízo  deve  ser 

comprovado. o Deve  ser  argüida  no  momento 

oportuno sob pena de preclusão (art. 571 do CPP). 

                                                            71 *Tanto a competência absoluta como a relativa poderão ser declaradas de ofício pelo juiz – no processo penal o juiz é senhor da sua competência. Não confundir com o Processo Civil que é permitido o reconhecimento somente da competência absoluta (Súmula 33 do STJ “A INCOMPETENCIA RELATIVA NÃO PODE SER DECLARADA DE OFICIO.” – refere‐se ao Processo Civil).  72 Art. 109. Se em qualquer fase do processo o juiz reconhecer motivo que o torne incompetente, declará‐lo‐á nos autos, haja ou não alegação da parte, prosseguindo‐se na forma do artigo anterior.  73 Art. 399.  Recebida a denúncia ou queixa, o  juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a  intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do assistente. (Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). [...] § 2o  O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).  

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência absoluta e relativa 

6. Reconhecimento por Tribunal 

• Reconhecimento  da  incompetência  absoluta  e  relativa  pelo  juízo  ad  quem.  Os recursos têm o efeito devolutivo e os tribunais podem julgar somente o que  lhe foi devolvido.  Caso  haja  recurso  de  ofício  ou  recurso  da  acusação  devolvendo  ao Tribunal o conhecimento da matéria, a incompetência poderá ser reconhecida. Se a incompetência for reconhecida pelo Tribunal em recurso exclusiva da defesa, o juízo para o qual o processo for remetido não poderá aplicar pena mais grave, sob pena de violação a Princípio da Non Reform tioo  a  In Pe ta  Sjus Indire . (STF‐ RHC 72175; TJ – HC 105384). 

7. Consequências do reconhecimento 

• Prevalece  o  entendimento  de  que  os atos  decisórios  e  também  os  atos probatórios serão nulos. 

o Para  a  doutrina  os  atos probatórios  e  os  decisórios  são nulos. 

o A  jurisprudência  sempre entendia  que  apenas  os  atos decisórios são nulos. 

• Doutrina  e  jurisprudência  sempre entenderam  que  apenas  os  atos decisórios  são  nulos.  Sofrerá  uma alteração  em  razão  da  previsão  do Princ. da Identidade Física do juiz, pois seria  incompatível  sustentar  os  atos probatórios  realizados  por  juízes incompetentes. 

8. Recebimento da denúncia por juiz incompentente 

• Para  o  STF  o  recebimento  de  denúncia  por  juiz  incompetente  não  interrompe  a prescrição, o que somente irá ocorrer quan o recebimento for  atificado  elo juiz do  r pcompetente. 

9. Denúncia oferecida por membro do MP sem atribuições 

• Não  é  necessário  o  oferecimento  de  nova  peça  acusatória  pelo  órgão  do  MP  com atribuições para o caso, bastando que seja ratificada a peça acusatória. Porém, em se tratando de promotores pertencentes ao mesmo MP e de mesmo grau funcional, nem seque se á  necessária    ratificaç   da r  r a ão peça  m v t cacusatória  e   ir ude do  Prin ípio da Unidade e da Indivisibilidade (STF   HC 7– 054174). 

10. Conexão e Continência 

• Como  a  competência  absoluta  não admite  modificações  a  conexão  e  a continência,  que  são  causas modificativas  da  competência  não podem  alterar  regras  de  competência absoluta. 

• A  conexão  e  a  continência  podem alterar regras de competência relativa. 

11. Espécies 

• Funcione Materiae. • Ratione Funcionae. • Competência Funcional. 

• Funcione Loci. • (súmula Competência  por  prevenção 

706 do STF75). • pCompetência  or distribuição • Competência  alterada  por  conexão  e 

continência.     

                                                            74  EMENTA:  ‐ Direito  Constitucional  e  Processual  Penal.  Jurisdição  penal.  Competência.  Justiça  federal.  Justiça  estadual. Ministério Público  federal.  Denuncia.  Ratificação.  Citação.  Defesa.  Defensor  dativo.  Defensor  "ad  hoc".  Sentença.  Nulidades  processuais.  1. Havendo  sido  praticado  o  crime  de  roubo,  em  detrimento  da  Caixa  Econômica  Federal,  compete  a  Justiça  federal  o  processo  e julgamento da ação penal (art. 109,  inciso  IV, da C.F.). 2. Se a denuncia,  inicialmente apresentada pelo Ministério Público do Estado, perante Juiz estadual, foi, posteriormente, ratificada pelo Ministério Público federal, perante Juiz federal, que, com jurisdição penal, no caso, procedeu a citação e a  instrução e proferiu a sentença condenatória, não e de ser esta anulada, sob alegação de  invalidade da ratificação da denuncia. 3. Nessa ratificação, não há necessidade de o Ministério Público competente reproduzir os termos da denuncia apresentada pelo Ministério Público incompetente, bastando que a eles se reporte. 4. E valida a citação edital, feita com observancia das normas legais respectivas, se a citação pessoal não se torna possivel, por não se encontrar o réu no endereco residencial indicado nos autos, nem na prisão da qual ja liberado. 5. O Defensor dativo, não esta obrigado a se deslocar do foro em que se processa a causa, para outro em que  se  colhem provas, por precatoria, bastando que  seja  intimado de  sua expedição e que  funcione, na  inquirição, defensor "ad‐hoc", que pode, mas também não esta obrigado, a formular reperguntas, quando não se mostrem necessarias. 6. Se o Defensor dativo, dentro das possibilidades que lhe oferece um processo, com réu revel, cumpre satisfatoriamente sua missão, não se pode  falar em deficiência de defesa. 7. E de se repelir a alegação de nulidade de sentença, por  falta de  fundamentação, se esta, na verdade, foi satisfatoriamente fundamentada. H.C. indeferido.  75 SÚMULA Nº 706 ‐ É RELATIVA A NULIDADE DECORRENTE DA INOBSERVÂNCIA DA COMPETÊNCIA PENAL POR PREVENÇÃO. 

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Guia de fixação de competência 

Terça‐feira,  05  de  outubro  de  2010.  

4.5 Guia de fixação de competência 

4.5.1 Competência de Justiça Pergunta que se faz: Qual é a justiça competente? 

4.5.2 Competência originária Pergunta que se faz: O acusado tem foro por prerrogativa de função? 

4.5.3 Competência de foro ou territorial Pergunta que se faz: Qual é a Comarca competente? 

4.5.4 Competência de juízo Pergunta que se faz: Qual é a vara competente? É especialmente para Comarcas onde existem Varas especializadas em: Vara de crimes de  tráficos, 

crimes de trânsito, crimes de lavagem etc. 

4.5.5 Competência interna/de juiz Pergunta que se faz: Qual é o juiz competente? 

4.5.6 Competência recursal Pergunta que se faz: Para onde vai o recurso? 

4.6  “Justiças” com competência criminal 

1 Justiças Especiais a. Justiça militar b. Justiça eleitoral c. Justiça do trabalho d. Justiça política ou extraordinária** 

2 Justiça Comum a. Justiça Federal b. Justiça Estadual 

 A competência da justiça estadual é residual e portanto não tem como ser estudada, pois julga o que 

as demais não julgam. 

4.7 Justiça Militar 

  JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO  JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL 1 Competência 

na Constituição Federal 

Art.  124.  À  Justiça  Militar  compete  processar  e julgar os crimes militares definidos em lei. Parágrafo  único.  A  lei  disporá  sobre  a organização, o funcionamento e a competência da Justiça Militar.  

Art.  125.  Os  Estados  organizarão  sua  Justiça, observados  os  princí   estabelecidos  nesta piosConstituição. 

[...] § 4º Compete à Justiça Militar estadual processar e  julgar  os  militares  dos  Estados,  nos  crimes militares  definidos  em  lei  e  as  ações  judiciais contra  atos  disciplinares  militares,  ressalvada  a competência  do  júri  quando  a  vítima  for  civil, cabendo  ao  tribunal  competente  decidir  sobre  a perda  do  posto  e  da  patente  dos  oficiais  e  da graduação  das  praças.  (Redação  dada  pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) § 5º Compete aos juízes de direito do juízo militar processar  e  julgar,  singularmente,  os  crimes militares  cometidos  contra  civis  e  as  ações judiciais  contra  atos  disciplinares  militares, cabendo ao Conselho de Justiça, sob a presidência de  juiz  de  direito,  processar  e  julgar  os  demais crimes  militares.  (Incluído  pela  Emenda 

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Justiça Militar 

Constitucional nº 45, de 2004) 2 Competência 

de julgamento • Crimes  militares  ‐  previstos  no  Código 

Penal Militar. • Crimes  militares  +  crimes  conexos  de 

natureza  comum.  Haverá  separação obrigatória  dos  processos.  O  crime comum  será  julgado  pela  J.  Comum;  o Militar será julgado pela J. Militar (art. 79 CPP76 e Súmula 90 do STJ77). 

3 Tipo  de Crimes 

• Crimes propriamente militares  ‐  só pode  ser praticado por militar,  pois  consiste na violação de deveres que lhes são próprios. Ex.: deserção, quando militar se ausenta por mais de 8 dias. 

• Crimes  impropriamente militares  –  apesar  de  ser  comum  em  sua  natureza,  cuja prática  é  possível  a  qualquer  cidadão,  passa  a r  ser  crime militar  porque  p aticado  em uma das condições do art. 9º do Código Penal Militar78. 

4 Competência Cível 

• Não tem competência cível.  • Admite  em  ações  judiciais  contra  atos disciplinares  militares  –  nesses  casos  a competência é do juiz singular. 

5 Ação  de Improbidade contra militar 

• A ação de improbidade é da competência da Justiça Comum. 

6 Julgamento  de civil 

• Acusado  pode  ser  tanto  um  civil  como um militar, pois no artigo que se refere à Justiça  Militar  da  União  diz  que  essa Justiça  processará  e  julgará  crimes militares,  enquanto no  texto  referente à Justiça  Estadual  refere‐se  ao  processo  e julgamento de militares. 

• Só  pode  julgar  os militares  dos  Estados (bombeiros,  policiais  militares  e  o policial  rodoviário  estadual)  redação expressa na CF. Essa condição de militar deve ser aferida à época do delito. 

• Crimes em coautoria de militar com civil haverá  cisão brigatória  dos rocessos   o   p(Súmula 53 do STJ79) 

7 Crime praticado  em outro Estado 

  • Perseguição  policial  que  atravessa estado  e  nos  casos  da  força  nacional  de segurança.  O  crime  militar  é  julgado sempre pela Justiça Militar do respectivo Estado, ainda que o delito seja praticado em  outro  Estado  da  Federação  (Súmula 78 do STJ80) 

8 Juízo Ad quem  • Superior Tribunal Militar  • Depend ão: e do Estado da Federaço TJM (SP, MG, RS); o TJ dos demais Estados; 

 

                                                            76 Art. 79. A conexão e a continência importarão unidade de processo e julgamento, salvo: I ‐ no concurso entre a jurisdição comum e a militar;  77 Súmula 90 do STJ  ‐ COMPETE A  JUSTIÇA ESTADUAL MILITAR PROCESSAR E  JULGAR O POLICIAL MILITAR PELA PRATICA DO CRIME MILITAR, E A COMUM PELA PRATICA DO CRIME COMUM SIMULTANEO AQUELE.  78 Art. 9º Consideram‐se crimes militares, em tempo de paz: [...] III ‐ os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil,  contra  as  instituições militares,  considerando‐se  como  tais  não  só  os  compreendidos  no  inciso  I,  como  os  do  inciso  II,  nos seguintes casos: a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem administrativa militar; b) em  lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justiça Militar, no exercício de função  inerente ao seu cargo; c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância, observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras; d) ainda que  fora do  lugar  sujeito à administração militar, contra militar em  função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária, quando legalmente requisitado para aquêle fim, ou em obediência a determinação legal superior. Parágrafo único. Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil, serão da competência da justiça comum. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.299, de 8.8.1996)  79  Súmula  53  ‐  COMPETE  A  JUSTIÇA  COMUM  ESTADUAL  PROCESSAR  E  JULGAR  CIVIL  ACUSADO  DE  PRATICA  DE  CRIME  CONTRA INSTITUIÇÕES MILITARES ESTADUAIS.  80 Súmula 78 ‐ COMPETE A JUSTIÇA MILITAR PROCESSAR E JULGAR POLICIAL DE CORPORAÇÃO ESTADUAL, AINDA QUE O DELITO TENHA SIDO PRATICADO EM OUTRA UNIDADE FEDERATIVA.  

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Justiça Eleitoral 

Ex.1: Militar que é pego com fotos de pedofilia no seu computador (do quartel). O Código Penal Militar prevê quase todas as infrações previstas no Código Penal Comum. Porém, todos esses delitos que foram criados mais recentemente não  foram  inseridos no Código Penal Militar. O crime de armazenamento de  fotos de criança previsto no ECA, não foi  incluído no Código Penal Militar. Portanto, como não está previsto no Código Penal Militar, mesmo que o crime tenha sido cometido nos interiores do quartel, será julgado pela justiça comum.  Ex.2:  Abuso  de  autoridade  praticado  por  policial militar  em  serviço?  Lei  4.868/65  –  o  crime  de  abuso  de autoridade não é crime militar, será julgado portanto na justiça comum (Súmula 172 do STJ81).  Ex.3:  soldado  que  sai  do  quartel  e  assalta  padaria  próximo  ao  quartel.  Há  dois  crimes:  crime  de  roubo  e abandono de posto. O crime de roubo é de natureza comum, mas o abandono de posto é crime militar. Haverá a  cisão processual, pois o  crime  comum não poderá  ser  julgado na  Justiça Militar.  Por outro  lado o  crime militar não pode ser julgado na justiça comum.  Ex.4: militares do exército que pegaram moradores de uma favela e levaram para outra rival. Além dos crimes dolosos que foram  imputados (homicídio doloso), teria o crime o militar de  insubordinação e desobediência. Nesse caso prático houve a cisão dos processos, parte julgado no Tribunal do Júri Federal e outra parte julgado na Justiça Militar da União.  Súmula  75  do  STJ82  ‐  Se  o  estabelecimento  penal  for  de  natureza  comum,  a  competência  será  da  Justiça Comum (art. 351 do CP); se o estabelecimento penal for de natureza militar o delito será considerado crime militar, sendo a competência então da justiça militar (art. 178 do CPM83).  O art. 64, II do CP – diz que para efeitos de reincidência não leva em conta os crimes propriamente militares. Para os crimes propriamente militares é possível a prisão imediata, independentemente de flagrante delito ou de prévia autorização judicial – art. 5º, LXI da CF. 

LXI ‐ ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei; 

Crime doloso contra a vida praticado por militar contra civil, ainda que o militar esteja em serviço, é julgado no Tribunal do Júri (Estadual ou Federal). 

4.8 Justiça Eleitoral 

Compete o  julgamento dos  crimes eleitorais.  São aqueles previstos no Código Eleitoral e  também aqueles definidos como crimes eleitorais pela legislação especial. 

 1 Crime  eleitoral  conexo  a  crime  doloso  contra  a  vida:  as  duas  competências  estão  previstas  na 

Constituição  federal. Portanto nesses  casos ocorrerá  a  separação dos processos. O  crime  eleitoral  será julgado pela Justiça Eleitoral enquanto que o crime comum será julgado pelo tribunal do júri. 

 2 Crime  eleitoral  conexo  a  um  crime  comum:  se  o  crime  conexo  for  de  competência  da  justiça  comum 

estadual prevalece a competência da justiça eleitoral (art. 78, IV do CPP). Porém se o crime conexo for de competência  da  Justiça  Comum  Federal,  deverá  haver  a  separação  dos  processos,  pois  tanto  a 

                                                            81 Súmula 172 STJ ‐ COMPETE A JUSTIÇA COMUM PROCESSAR E JULGAR MILITAR POR CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE, AINDA QUE PRATICADO EM SERVIÇO.  82 Súmula 75 do STJ ‐ COMPETE A JUSTIÇA COMUM ESTADUAL PROCESSAR E JULGAR O POLICIAL MILITAR POR CRIME DE PROMOVER OU FACILITAR A FUGA DE PRESO DE ESTABELECIMENTO PENAL.  83 Fuga de preso ou internado ‐ Art. 178. Promover ou facilitar a fuga de pessoa legalmente presa ou submetida a medida de segurança detentiva: Pena ‐ detenção, de seis meses a dois anos.   

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência Criminal da Justiça do Trabalho 

competência da Justiça Eleitoral quanto a competência da Justiça Federal estão previstas na Constituição Federal (STJ – CC 1947884). 

4.9 Competência Criminal da Justiça do Trabalho 

Emenda Constitucional 45 de 2004 trouxe uma alteração prevista no art. 114, IV da CF85. O Habeas Corpus só será julgado pela Justiça do Trabalho se envolver matéria sujeita à sua jurisdição. 

O melhor exemplo era nos casos de depositário infiel que atualmente não é mais permitido.  # A justiça do trabalho julga crimes? 

Atenção para a ADI 3684. O STF deferiu uma medida cautelar nessa ADI para determinar que Justiça do Trabalho não é dotada de competência criminal genérica. 

4.10 Justiça Política ou Extraordinária 

Essa política está relacionada aos chamados crimes de responsabilidade. Crime de responsabilidade pode ser trabalhado com dois significados: 

4.10.1 Crimes de responsabilidade em sentido amplo São aqueles em que a qualidade de funcionário público é uma elementar do delito. São os chamados 

crimes  funcionais  (a  partir  do  art.  312  do  CP).  Crimes  em  que  a  qualidade  de  funcionário  público  estão implícitos nos tipos penais. 

Esses  crimes  de  responsabilidade  em  sentido  amplo  são  chamados  de  crimes  comuns  pela Constituição Federal. 

4.10.2 Crimes de responsabilidade em sentido estrito São  aqueles que  só podem  ser praticados por determinados  agentes políticos. Não  tem natureza 

jurídica de  infração penal porque  a  pena prevista  pra  eles não  é pena de  detenção,  reclusão, mas  sim de infração político administrativa. Ex.: pena de impeachment. 

Essa competência está  ligada apenas aos crimes de responsabilidade em sentido estrito, é o que a Constituição Federal chama de crimes de  responsabilidade que não são  infrações penais, mas sim  infrações político administrativas. 

Exemplo art. 52, I – atribuição do Senado para julgar o Presidente da República. 

Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal:  I ‐ processar e julgar o Presidente e o Vice‐Presidente da República nos crimes de responsabilidade, bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica nos crimes da mesma natureza conexos com aqueles; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 23, de 02/09/99) [...] 

# Quando o Senado julga o Presidente é uma competência crime? Não, pois o  crime  de  responsabilidade  a que  se  refere  a  constituição, não  é uma  infração penal. 

Trata‐se então de uma  competência política, pois o Presidente não está  sendo  julgado pela prática de um crime. 

                                                            84 ACÓRDÃO ‐ Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, conhecer do conflito e declarar competente a Justiça Federal para o crime da sua competência e a Justiça Eleitoral para o crime eleitoral. Trecho do voto do Ministro Relator Fontes de Alencar [...] A matéria, como ressaltei, é importante porque entender‐se diferentemente seria subordinar o art. 109 da Constituição, no seu  inciso  IV, ao art. 78 do Código de Processo Penal. A solução aventada pelo  Juiz Federal  ‐ e que eu acolho  ‐ não é estranha ao sistema brasileiro, o próprio Código de Processo Penal diz que a conexão ou a continência não  importa unidade de processo e  julgamento entre a  justiça comum e a  justiça militar, entre a  justiça comum e o  juiz de menores. Entenda‐se agora, bem depois daquele Código de 1941, também não importa unidade de processo e julgamento a conexão ou a continência entre um crime eleitoral e um crime da competência da Justiça Federal.  85 Art. 114. Compete à  Justiça do Trabalho processar e  julgar:  (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)  [...]  IV os mandados de segurança, habeas corpus e habeas data, quando o ato questionado envolver matéria sujeita à sua jurisdição; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)  

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência Criminal da Justiça Federal 

4.11 Competência Criminal da Justiça Federal 

4.11.1 Atribuições investigatórias da Polícia Federal As  atribuições  investigatórias  da  polícia  federal  são mais  amplas  que  a  competência  criminal  da 

Justiça Federal. Não significa que pelo fato de o delito ter sido investigado pela Polícia Federal que será julgado pela Justiça Federal. 

4.11.2 Análise do art. 109, IV da Constituição Federal Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: [...] IV ‐ os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; 

A. Crimes Políticos: a CF rompe com um período ditatorial deixando claro que os crimes políticos não serão mais julgados pela Justiça Militar. Portanto o art. 30 da Lei 7.170/83 não foi recepcionado pela CF. 

a. Conceito: crimes políticos são aqueles listados na lei 7.170/83 (art. 2º86), mas desde que o agente tenha motivação política. 

b. Competência  Recursal:  no  caso  de  crimes  políticos  é  cabível  o  ROC  (Recurso  Ordinário Constitucional),  para  STF  –  Supremo  Tribunal  Federal.  Sai  de  um  juiz  de  1ª  instância  e  sobe diretamente para o STF (art. 102, II, “b”87) 

 B. Contra a União, Autarquias Federais e Empresas Públicas Federais:  

a. Autarquias  Federais:  (INSS,  IBAMA, BANCO CENTRAL DO BRASIL, DNIT).  É  indispensável que da conduta  delituosa  resulte  prejuízo  direto  a  bens,  serviços  ou  interesses  da  União,  Autarquias Federais ou Empresas Públicas Federais. Entende‐se que a Fundação Pública Federal (FUNASA) é uma espécie do gênero autarquia. 

 Ex.1: pagamento das guias  (GRPS) do  INSS, o gerente  se aproxima do  cliente e diz que  recebe os 

valores e quita as guias. Na verdade frauda a o tiquet de quitação e fica com o dinheiro. Nesses casos o Banco se responsabiliza e como não houve prejuízo ao INSS a competência então é da Justiça Estadual (súmula 107 do STJ). 

Súmula  107  do  STJ  ‐  COMPETE  A  JUSTIÇA  COMUM  ESTADUAL  PROCESSAR  E  JULGAR  CRIME  DE ESTELIONATO  PRATICADO  MEDIANTE  FALSIFICAÇÃO  DAS  GUIAS  DE  RECOLHIMENTO  DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS, QUANDO NÃO OCORRENTE LESÃO A AUTARQUIA FEDERAL. 

b. Empresas Públicas Federais: (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, BNDES, CORREIOS).  

Ex.2: assalto a uma agência dos CORREIOS. CORREIOS: se o crime  for praticado contra a EBCT, competência da  Justiça Federal. Se o crime  for 

praticado contra uma franquia dos correios, competência da Justiça Estadual. CASA  LOTÉRICA:  é  uma  pessoa  jurídica  de  direito  privado  permissionária  de  serviço  público. 

Competência da Justiça Estadual. Ex.3:  crime  praticado  contra  a  CAIXA  ECONÔMICA  FEDERAL  por meio  da  internet. Nesse  caso  o 

delito  é  furto  qualificado  pela  fraude. Quanto  à  competência  criminal  prevalece  que  o  sujeito  passivo  é  a instituição financeira, pois a fraude é usada para burlar o seu sistema de vigilância. A competência territorial será determinada em virtude do local onde mantida a conta‐corrente da qual foram subtraídos os valores. 

Entregando o dinheiro para o agente é estelionato. Se o agente usa de meio  fraudulento,  subtrai, portanto é furto.  

                                                            86 Art. 2º ‐ Quando o fato estiver também previsto como crime no Código Penal, no Código Penal Militar ou em leis especiais, levar‐se‐ão em  conta, para a aplicação desta  Lei:  I  ‐ a motivação e os objetivos do agente;  II  ‐ a  lesão  real ou potencial aos bens  jurídicos mencionados no artigo anterior.  87 Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo‐lhe: [...] II ‐ julgar, em recurso ordinário: [...] b) o crime político;  

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência Criminal da Justiça Federal 

 C. Entidades  de  fiscalização  profissional:  competência  da  Justiça  Federal,  desde  que  haja  lesão  direta  à 

entidade. a. OAB: (ADI 3026) é uma entidade que ocupa uma posição ímpar. São julgados pela Justiça Federal. 

Ex.: falsificação de carteira da Ordem.  D. Sociedades de Economia Mista, Concessionárias e Permissionárias de serviço Público Federal: 

a. Sociedades de Economia Mista: (BANCO DO BRASIL, PETROBRAS) competência para julgamento da Justiça Estadual (Súmula 42 do STJ88). 

b. Concessionárias e Permissionárias: são julgadas também pela Justiça Estadual. Ex.: crime de dano praticado contra um orelhão, crime de concussão praticado por médico em hospital credenciado pelo SUS. 

 E. Bens, serviços e interesses da União, autarquias federais e empresas públicas federais: 

a. Bens: compreende‐se o patrimônio de cada uma dessas entidades. Quanto aos bens da União (art. 20 da CF). 

i. Crime praticado contra bem do Presidente da República, competência da Justiça Estadual. ii. Crime praticado contra Consulado estrangeiro da competência da Justiça Estadual. iii. Bens tombados se o bem foi tombado pela União, competência federal; se tombado por 

um Estado ou por um Município competência da Justiça Estadual. iv. Desvio de verbas públicas: se a verba estiver sujeita a prestação de contas perante órgão 

federal  (TCU)  competência  da  Justiça  Federal;  se  a  verba  já  estiver  incorporada  ao patrimônio Municipal competência da Justiça Estadual (Súmulas 20889 e 20990 do STJ). 

b. Serviços: está relacionada à finalidade da União, Autarquias Federais e Empresas Públicas Federais. Ex.: crime praticado contra um funcionário público federal no exercício das suas funções.  

c. Interesses: para que a competência seja da Justiça Federal o interesse deve ser direto, imediato e específico.  Se  o  interesse  for  genérico  ou  remoto,  competência  da  Justiça  Estadual.  Ex.: contrabando ou descaminho (art. 334) – competência da Justiça Federal. Supondo que o produto objeto de descaminho  tenha sido apreendido no Estado de São Paulo, mas  tenha  ingressado no Brasil por Foz do Iguaçu. Prevalece que a competência territorial do juízo federal é o da apreensão dos  bens  (Súmula  151  do  STJ91).  Crimes  contra  o  serviço  postal.  Crimes  contra  os  serviços  de telecomunicações – desenvolvimento clandestino de telecomunicações ou rádio pirata (art. 21, XI da CF e art. 183 da Lei 9.472/97). Nos casos de sinal de TV a cabo é de competência da  Justiça Estadual. Crimes praticados em programas de televisão a competência é da Justiça Estadual. 

  ERRO NA EXECUÇÃO – a competência é baseada em critérios objetivos, portanto no caso de militar querendo matar outro militar e por erro na execução atinge e acaba matando civil. A Competência será do Tribunal do Júri, pois o critério é baseado em circunstâncias objetivas, ou seja, militar matando civil –  independente da intenção.  Conselho de Justiça Especial julga Oficiais.  

                                                            88 Súmula 42  ‐ COMPETE A  JUSTIÇA COMUM ESTADUAL PROCESSAR E  JULGAR AS CAUSAS CIVEIS EM QUE E PARTE SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA E OS CRIMES PRATICADOS EM SEU DETRIMENTO.  89 Súmula 208 do STJ  ‐ COMPETE A JUSTIÇA FEDERAL PROCESSAR E JULGAR PREFEITO MUNICIPAL POR DESVIO DE VERBA SUJEITA A PRESTAÇÃO DE CONTAS PERANTE ORGÃO FEDERAL.  90  Súmula  209  do  STJ  ‐  COMPETE  A  JUSTIÇA  ESTADUAL  PROCESSAR  E  JULGAR  PREFEITO  POR  DESVIO  DE  VERBA  TRANSFERIDA  E INCORPORADA AO PATRIMONIO MUNICIPAL.  91 Súmula 151 do STJ ‐ A COMPETENCIA PARA O PROCESSO E JULGAMENTO POR CRIME DE CONTRABANDO OU DESCAMINHO DEFINE‐SE PELA PREVENÇÃO DO JUIZO FEDERAL DO LUGAR DA APREENSÃO DOS BENS.  

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Quarta‐feira,  13  de  outubro  de  2010.   F. Crimes previstos no Estatuto do Desarmamento: o SINARM funciona dentro da Polícia Federal, dentro do 

Ministério da Justiça, portanto pertencente à União (Lei 10.826/03). O bem jurídico tutelado nos crimes de porte de arma é a  incolumidade pública e, portanto, os crimes previstos no Estatuto do Desarmamento continuam sendo julgados pela Justiça Estadual. Apenas o delito de tráfico internacional de armas (art. 18) é julgado pela Justiça Federal. Arma de fogo de uso restrito não significa que ela seja do Exército Brasileiro ou das Forças Armadas, portanto, mesmo que a arma de  fogo seja de uso privativo das  forças armadas será da competência da Justiça Estadual. 

G. Crimes praticados contra a Justiça do Trabalho, Justiça Militar da União e Justiça Eleitoral: todas as três são consideradas  justiças da União. Praticado então crime que atenta contra a União, a competência será da Justiça  Federal.  Ex.:  falso  testemunho  cometido  no  processo  trabalhista  (Súmula  165  do  STJ92).  Crime cometido contra juiz estadual no exercício de funções eleitorais. 

H. Crime praticado contra  funcionário público  federal: quando o delito guardar  relação com o exercício da função  o  delito  (propter  officium)  será  da  Justiça  Federal  (Súmula  98  do  TFR93  e  147  do  STJ).  Crime cometido  contra  dirigente  sindical  é  da  competência  da  Justiça  Estadual.  Crime  praticado  contra funcionário  do  TJ/DFT,  o  STJ  entende  que  é  da  competência  da  Justiça  Comum  do Distrito  Federal  ou Territórios. Crime praticado contra  funcionário público  federal aposentado, estando aposentado não há nexo funcional, portanto julgado na Justiça Estadual. 

I. Crime  praticado  por  funcionário  público  federal:  guardando  relação  com  o  exercício  das  funções  a competência será da Justiça Federal (Súmula 254 do TFR). 

J. Crimes contra o meio ambiente: (Súmula 91 do STJ94) a fauna era considerada um bem da União, portanto a  competência  dos  crimes  julgados  contra  a  fauna  seria  da  Justiça  Federal.  Compete  a  todos  os  entes proteger  o meio  ambiente  e  a  fauna  não  é  bem  da União,  em  regra  crimes  praticados  contra  o meio ambiente são de competência da  Justiça Estadual. Ex.: pesca do camarão no período do defeso no mar territorial  (art.  20,  VI  CF),  competência  da  Justiça  Federal,  pois  é  praticado  contra  bem  da  União. Manutenção de animais da fauna exótica sem autorização – concedida pelo IBAMA, portanto competência da  Justiça Federal  (STJ – CC 96853). Extração  ilegal de  recursos minerais  (art. 20,  IX CF). Pesca proibida praticada no  rio  real  (faz divisa entre o Estado da Bahia e de Sergipe), bem da União,  competência da Justiça  Federal.  Crimes  ambientais  relacionados  com  organismos  geneticamente  modificados (transgênicos)  a  autorização  é  concedida por órgão  federal  e o prejuízo  se  estenderia por mais de um Estado, portanto da Justiça Federal (Lei 11.105/05, arts. 24 a 29). Serra do mar, pantanal matogrossense, mata atlântica, zona costeira e a floresta amazônica são BENS NACIONAIS (art. 225, §4º CF) competência da JUSTIÇA ESTADUAL (RE 349189). 

K. Crimes praticados contra a fé pública: a. Em se tratando de crimes de falsificação a competência será determinada pelo órgão responsável 

pela confecção do documento. Ex.: carteira nacional de habilitação emitida pelo DETRAN  (órgão Estadual) competência da Justiça Estadual. Falsificação do CPF que é emitido pela Receita Federal, portanto competência da Justiça Federal. Crime de moeda falsa (súmula 73 do STJ95) emitida pela Casa da Moeda, competência da Justiça Federal. 

i. Exceção  ‐ Falsificação de carteira de habilitação de Arrais‐amador emitido pela Marinha através da Capitania dos Portos, seguindo a regra deveria ser  julgada pela Justiça Militar da União, mas o STF entende que a competência é da Justiça Federal. 

                                                            92 Súmula 165 do STJ ‐ COMPETE A JUSTIÇA FEDERAL PROCESSAR E JULGAR CRIME DE FALSO TESTEMUNHO COMETIDO NO PROCESSO TRABALHISTA.  93 Súmula 98 do TFR  ‐ Competência  ‐ Processo e Julgamento  ‐ Crimes Contra Servidor Público Federal  ‐ Exercício de Suas Funções e Relacionados. Compete à Justiça Federal processar e  julgar os crimes praticados contra servidor público federal, no exercício de suas funções e com estas relacionados.  94 Súmula 91 do STJ ‐ COMPETE A JUSTIÇA FEDERAL PROCESSAR E JULGAR OS CRIMES PRATICADOS CONTRA A FAUNA. (*) Na sessão de 08/11/2000, a Terceira Seção deliberou pelo CANCELAMENTO da Súmula n. 91.  95  Súmula  73  do  STJ  ‐  A  UTILIZAÇÃO  DE  PAPEL  MOEDA  GROSSEIRAMENTE  FALSIFICADO  CONFIGURA,  EM  TESE,  O  CRIME  DE ESTELIONATO, DA COMPETENCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL.  

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b. Em se tratando de crime de uso de documento falso por terceiro que não tenha sido o responsável pela falsificação do documento, a competência será determinada em virtude da pessoa física ou jurídica prejudicada com o seu uso. Aqui é diferente do critério anterior, pois não é o agente que pratica a falsificação, apenas faz o uso, então a competência será relacionada à pessoa lesada. 

c. Em  se  tratando  de  falsificação  ou  de  uso  de  documentos  falsos  cometidos  como meio  para  a prática do estelionato, a competência  será determinada em virtude do  sujeito passivo do crime patrimonial (Súmula 17 do STJ96). 

d. Súmulas relacionadas ao tema: i. Súmula  31  do  TRF  ‐  o  diploma  de  faculdade  há  uma  certificação  do  Ministério  da 

Educação, por isso a competência seria da Justiça Federal. 

Súmula 31 do TRF ‐ Competência ‐ Processo e Julgamento ‐ Crime de Falsificação ou Uso de Certificado de Conclusão de Curso de 1º e 2º Graus ‐ Compete à Justiça Estadual o processo e julgamento de crime de falsificação ou de uso de certificado de conclusão de curso de 1º e 2º Graus, desde que não se refira a estabelecimento federal de ensino ou a falsidade não seja de assinatura de funcionário federal. 

ii. Súmula 62 do STJ – se a falsa anotação na carteira de trabalho atentar contra interesse do INSS, competência será da Justiça Federal para julgar o delito do art. 297, §§3º e 4º do CP (STJ – CC 58443). 

Súmula  62  do  STJ  ‐  COMPETE  A  JUSTIÇA  ESTADUAL  PROCESSAR  E  JULGAR  O  CRIME  DE  FALSA ANOTAÇÃO  NA  CARTEIRA  DE  TRABALHO  E  PREVIDENCIA  SOCIAL,  ATRIBUIDO  A  EMPRESA  PRIVADA (ENTENDIMENTO SUPERADO). 

iii. Súmula 104 do STJ 

Súmula  104 do  STJ  ‐  COMPETE A  JUSTIÇA  ESTADUAL O  PROCESSO  E  JULGAMENTO DOS  CRIMES DE FALSIFICAÇÃO E USO DE DOCUMENTO FALSO RELATIVO A ESTABELECIMENTO PARTICULAR DE ENSINO. 

L. Execução Penal:  (Súmula 192 do  STJ97)  a  competência do  juízo da execução é determinada  a partir da natureza  do  estabelecimento  penitenciário.  Há  tanto  tanto  juízes  estaduais  enviando  o  preso  para penitenciárias  federais  como  juízes  federais  enviando  para  penitenciárias  estaduais  (art.  2º  da  Lei 11.671/98). 

M. Contravenções Penais e atos  infracionais: mesmo praticados  contra a União  serão  julgados pela  Justiça Estadual (Súmula 38 do STJ98). O juiz federal e o juiz do trabalho praticando contravenções serão julgados no respectivo Tribunal Regional Federal, caso de competência em razão da função e não material. 

4.11.3 Análise do art. 109, V da Constituição Federal Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: [...] V ‐ os crimes previstos em tratado ou convenção  internacional, quando,  iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; 

Cuidado! Nas  provas  se  pedirem  se  o  crime  previsto  em  tratado  ou  convenção  internacional  será julgado pela justiça Federal? Deve atender aos demais requisitos. 

Requisitos: • Crime previsto em tratado ou convenção internacional. • Internacionalidade territorial do resultado relativamente à conduta delituosa. 

 

                                                            96 Súmula 17 do STJ ‐ QUANDO O FALSO SE EXAURE NO ESTELIONATO, SEM MAIS POTENCIALIDADE LESIVA, E POR ESTE ABSORVIDO.  97 Súmula 192 do STJ ‐ COMPETE AO JUIZO DAS EXECUÇÕES PENAIS DO ESTADO A EXECUÇÃO DAS PENAS IMPOSTAS A SENTENCIADOS PELA  JUSTIÇA  FEDERAL,  MILITAR  OU  ELEITORAL,  QUANDO  RECOLHIDOS  A  ESTABELECIMENTOS  SUJEITOS  A  ADMINISTRAÇÃO ESTADUAL.  98  Súmula  38  do  STJ  ‐  COMPETE  A  JUSTIÇA  ESTADUAL  COMUM,  NA  VIGENCIA  DA  CONSTITUIÇÃO  DE  1988,  O  PROCESSO  POR CONTRAVENÇÃO  PENAL,  AINDA  QUE  PRATICADA  EM  DETRIMENTO  DE  BENS,  SERVIÇOS  OU  INTERESSE  DA  UNIÃO  OU  DE  SUAS ENTIDADES.  

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Obs.1:  tráfico  internacional  de  drogas  (art.  70  da  Lei  11.343/0699).  Esse  delito  pressupõe  o  intuito  de transferência da droga envolvendo mais de um país não sendo necessária a efetiva ocorrência do resultado. Obs.2: o simples fato de a cocaína ter sido provavelmente adquirida em outro país não atrai a competência da Justiça Federal, salvo se demonstrada a internacionalidade da conduta e do resultado. Obs.3:  para  que  se  possa  falar  em  tráfico  internacional  a  droga  precisa  ser  considerada  droga  em  ambos países, mas por exemplo o lança‐perfume não é substância proibida na Argentina. É indispensável que a droga seja considerada substância entorpecente tanto no país de origem quanto no país de destino, sob pena de ser considerado tráfico doméstico de competência da Justiça Estadual. **Obs.4: tráfico internacional praticado por militares da FAB em avião da FAB. Atenção para o art. 109, IV e IX, mas ao contrário dos incisos anteriores o inciso V não ressalva a Justiça Militar, portanto o STF entendeu que esse tráfico seria julgado pela Justiça Federal.  

Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: 

IV  ‐  os  crimes  políticos  e  as  infrações  penais  praticadas  em detrimento de bens,  serviços ou  interesse da União ou de  suas entidades  autárquicas  ou  empresas  públicas,  excluídas  as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; 

V  ‐ os  crimes previstos em  tratado ou  convenção  internacional, quando,  iniciada  a  execução  no  País,  o  resultado  tenha  ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; 

IX  ‐  os  crimes  cometidos  a  bordo  de  navios  ou  aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar; 

4.11.3.1 Desclassificação do tráfico internacional para tráfico doméstico Se  o  juiz  federal  concluir  no  momento  da  sentença  que  não  se  trata  de  tráfico  internacional, 

prevalece nos tribunais superiores o entendimento de que havendo desclassificação para tráfico doméstico o juiz federal deve remeter os autos à Justiça Estadual. 

Rol exemplificativo que seguirá esse entendimento: • Tráfico internacional de drogas. • Tráfico internacional de armas de fogo (art. 18 da Lei 10826/03). • Tráfico internacional de pessoas (art. 231 do CP e 239 do ECA). • Pornografia infantil e pedofilia pela internet (art. 241‐A do ECA). Simples armazenamento de 

imagens configura o crime. • Crimes praticados por meio da  internet, em regra, são de competência da Justiça Estadual. 

Atualmente é comum nos casos de bulling. • Pedofilia praticada por meio da internet: 

o Para  que  a  competência  seja  da  Justiça  Federal  é  indispensável  que  seja demonstrado que o acesso a internet se deu além das fronteiras nacionais. 

o A consumação desse delito ocorre no  local de onde emanaram as  imagens, pouco importando a localização do provedor de acesso à internet. 

4.11.4 Incidente de deslocamento de competência (IDC) Está previsto no art. 109, V‐A CF e no §5º do mesmo artigo. Esse  incidente  foi acrescentado pela 

Emenda Constitucional 45/04. É o deslocamento da competência criminal da  Justiça Estadual para a  Justiça Federal. 

A justificativa desse deslocamento é que a União teria interesse nas causas, pois seria a responsável pela  indenização da parte que sofreu a violação,  já que trata de objeto de Tratado  Internacional de Direitos Humanos. 

A competência para julgá‐lo é do STJ, requisitado pelo Procurador Geral da República. Devem estar presentes dois requisitos: 

1. Crime praticado com grave violação aos Direitos Humanos. 

                                                            99 Art. 70. O processo e o  julgamento dos crimes previstos nos arts. 33 a 37 desta Lei, se caracterizado  ilícito  transnacional, são da competência  da  Justiça  Federal.  Parágrafo  único. Os  crimes  praticados  nos Municípios  que  não  sejam  sede  de  vara  federal  serão processados e julgados na vara federal da circunscrição respectiva.  

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2. Risco de descumprimento de obrigações de tratados  internacionais firmados pelo Brasil em virtude da inércia do Estado membro em proceder a persecução penal. 

STJ ‐ IDC 01 

4.11.5 Análise do art. 109, VI da Constituição Federal Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: [...] VI  ‐ os  crimes  contra  a organização do  trabalho e, nos  casos determinados por  lei,  contra o  sistema financeiro e a ordem econômico‐financeira; 

4.11.5.1 Crimes praticados contra a organização do trabalho Crimes contra a organização do trabalho somente serão julgados pela justiça federal quando violados 

direitos dos trabalhadores considerados coletivamente (ex.: art. 203 do CP100). Súmula 115 do TFR. 

4.11.5.2 Redução à condição análoga a de escravo Esses crimes estão localizados nos crimes que tutelam a liberdade individual101. A competência é da 

Justiça  Federal  (RE  398041  e  o  RE  459510).  Segundo  esse  último  julgado,  ainda  não  concluso,  poderá  ser alterada a competência para a Justiça Estadual. 

4.11.5.3 Crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico­financeira Os crimes contra o sistema  financeiro e a ordem econômico‐financeira só são  julgados pela  Justiça 

Federal nos casos determinados pela lei. 1 Lei 7.492/86, art. 26 (Lei dos crimes contra o Sistema Financeiro Nacional) – COMPETÊNCIA 

DA JUSTIÇA FEDERAL. 2 Lei 4.595/64 (Lei que dispõe sobre o sistema Financeiro) – nada dispõe sobre competência, 

portanto caberá o julgamento pela JUSTIÇA ESTADUAL. 3 Lei  1.521/51  (Lei dos  crimes  contra  a  economia popular)  – na dispõe  sobre  competência, 

competência da JUSTIÇA ESTADUAL (Súmula 498 do STF102). 4 Lei 8.137/90 (Lei que traz os crimes contra ordem tributária e outros) – depende da natureza 

do tributo, se o tributo for federal a competência será da JUSTIÇA FEDERAL, mas se o tributo for Estadual ou Municipal competência da JUSTIÇA ESTADUAL.  

a. Formação de cartéis: em regra competência da JUSTIÇA ESTADUAL. Se em virtude da magnitude  da  atuação  do  grupo  econômico  ou  do  tipo  de  atividade  desenvolvida 

                                                            100  TÍTULO  IV  ‐ DOS  CRIMES  CONTRA‐ A ORGANIZAÇÃO DO  TRABALHO  ‐ Art.  203  ‐  Frustrar, mediante  fraude  ou  violência,  direito assegurado pela  legislação do trabalho: Pena  ‐ detenção de um ano a dois anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) § 1º Na mesma pena  incorre quem:  (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)  I  ‐ obriga ou coage alguém a usar mercadorias de determinado estabelecimento, para impossibilitar o desligamento do serviço em virtude de dívida;  (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)  II  ‐  impede alguém de se desligar de serviços de qualquer natureza, mediante coação ou por meio da retenção de seus documentos pessoais ou contratuais. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998) § 2º A pena é aumentada de um sexto a um terço se a vítima é menor de dezoito anos, idosa, gestante, indígena ou portadora de deficiência física ou mental. (Incluído pela Lei nº 9.777, de 29.12.1998)  101 CAPÍTULO VI ‐ DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL ‐ SEÇÃO I ‐ DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL ‐ Redução a condição análoga à de escravo ‐  Art. 149. Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo‐o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando‐o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) Pena  ‐ reclusão, de dois a oito anos, e multa, além da pena correspondente à violência. (Redação dada pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) § 1o Nas mesmas penas  incorre  quem:  (Incluído  pela  Lei  nº  10.803,  de  11.12.2003)  I  ‐  cerceia  o  uso  de  qualquer meio  de  transporte  por  parte  do trabalhador, com o fim de retê‐lo no local de trabalho; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) II ‐ mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê‐lo no local de trabalho. (Incluído pela  Lei nº 10.803, de 11.12.2003) § 2o A pena é  aumentada de metade,  se o  crime é  cometido:  (Incluído pela  Lei nº 10.803, de 11.12.2003) I ‐ contra criança ou adolescente; (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003) II ‐ por motivo de preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. (Incluído pela Lei nº 10.803, de 11.12.2003)  102 Súmula 498 do STF ‐ COMPETE À JUSTIÇA DOS ESTADOS, EM AMBAS AS INSTÂNCIAS, O PROCESSO E O JULGAMENTO DOS CRIMES CONTRA A ECONOMIA POPULAR. Fonte de Publicação DJ de 10/12/1969.  

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência Criminal da Justiça Federal 

houver  a  possibilidade  de  que  o  delito  atinja  vários  Estados  da  Federação competência da JUSTIÇA FEDERAL. 

5 Lei 9.613/98, art. 2º,  III  (Lei que  trata dos  crimes de  lavagem de  capitais) – em  regra  são julgados  pela  Justiça  Estadual.  Serão  julgados,  porém,  pela  justiça  federal  nas  seguintes hipóteses:  (1)  quando  o  crime  antecedente  for  de  competência  da  Justiça  Federal;  (2) quando  houver  lesão  a  bens,  serviços  ou  interesses  da  União,  Autarquias  Federais  ou Empresas Públicas Federais. 

4.11.6 Análise do art. 109, IX da Constituição Federal IX ‐ os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar; 

Navio é uma embarcação apta para a navegação em alto‐mar. O delito deve ter sido praticado no interior da embarcação. Aeronave é  todo aparelho manobrável em vôo que possa  sustentar‐se e circular no espaço aéreo 

mediante reações aerodinâmicas, apto a transportar pessoas ou coisas. Ex.: jato da Legance (STJ – CC 72283). O avião pode estar em terra ou no ar, em ambas situações a competência é da Justiça Federal.    

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência por prerrogativa de função 

Terça‐feira,  26  de  outubro  de  2010.  

4.11.7 Análise do art. 109, X da CF Para os  tribunais  todo e qualquer  crime previsto na  legislação  comum ou  especial  cometido pelo 

estrangeiro com o intuito de regularizar e permanência no Brasil será de competência da Justiça Federal. 

4.11.8 Crimes praticados contra índios, art. 109, XI da CF Crime praticado por ou contra índio é da competência da Justiça Estadual, salvo se o delito envolver 

direitos indígenas (art. 231 da CF). 

Súmula 140 do STJ ‐ COMPETE A JUSTIÇA COMUM ESTADUAL PROCESSAR E JULGAR CRIME EM QUE O INDIGENA FIGURE COMO AUTOR OU VITIMA. 

# Competência do crime de genocídio contra índios? Esse  crime  de  genocídio  contra  índios  é  de  competência  da  Justiça  Federal,  porque  sem  dúvida 

alguma, atinge direitos indígenas. O bem jurídico tutelado é a existência de um grupo racial, étnico ou religioso e não será a vida, portanto não irá para júri. 

O art. 1º determina as várias formas de atingir o bem jurídico do genocídio (L. 2.889/86). 

Art.  1  ‐ Quem,  com  a  intenção  de  destruir,  no  todo  ou  em  parte,  grupo  nacional,  étnico,  racial  ou religioso, como tal: a) matar membros do grupo; b) causar lesão grave à integridade física ou mental de membros do grupo; c) submeter intencionalmente o grupo a condições de existência capazes de ocasionar‐lhe a destruição física ou parcial; d) adotar medidas destinadas a impedir os nascimentos no seio do grupo; e) efetuar a transferência forçada de crianças do grupo para outro grupo.  Será punido: com as penas do artigo 121, parágrafo segundo, do Código Penal, no caso da letra "a" com as penas do artigo 129, parágrafo segundo, no caso da letra "b" com as penas do artigo 271, no caso da letra "c" com as penas do artigo 125, no caso da letra "d" com as penas do artigo 148, no caso da letra "e". 

Não  se  aplica nenhum  daqueles  conflitos  aparentes de normas quando há  a morte de  índios.  Irá responder por homicídio e também pelo crime de genocídio. 

Em  regra,  genocídio  contra  índios é da  competência de  juiz  singular  federal, pois não  se  trata de crime  doloso  contra  a  vida.  Porém,  se  praticado mediante morte  de membros  do  grupo  o  agente  deve responder pelos crimes de homicídio e pelo delito de genocídio, não sendo possível a aplicação do Princípio da Consunção. Nesse  caso  os  homicídios  serão  julgados  por  um  Tribunal  do  Júri  Federal,  que  exercerá  força atrativa em relação ao crime conexo de genocídio (RE 351487). 

4.12 Competência por prerrogativa de função 

Comumente  chamado  de  foro  privilegiado.  Essa  competência  é  estabelecida  não  por  conta  de pessoa, mas sim em relação à relevância da função. 

4.12.1 Regras básicas 1ª Duplo Grau de  jurisdição: promotor de  justiça  será  julgado no TJ  (art. 96,  III CF103),  ressalvados os 

crimes  eleitorais.  Acusados  com  foro  por  prerrogativa  de  função  não  tem  direito  ao  grupo  de jurisdição, aí entendido como a possibilidade de reexame  integral da decisão por órgão  jurisdicional diverso e de hierarquia superior. Isso, no entanto, não afasta a possibilidade de ajuizamento de RE ou Resp  contra  decisão  proferida  por  TJ’s  contra  promotores.  O  Deputado  Federal  que  é  julgado diretamente pelo STF não poderão interpor RE ou REsp. 

2ª Infração  Penal  praticada  antes  do  exercício  funcional:  a  competência  será  automaticamente modificada  a  partir  do  momento  em  que  o  acusado  ingresse  no  exercício  da  função  (ou  seja 

                                                            103 Art. 96. Compete privativamente: [...] III ‐  aos Tribunais de Justiça julgar os juízes estaduais e do Distrito Federal e Territórios, bem como os membros do Ministério Público, nos crimes comuns e de responsabilidade, ressalvada a competência da Justiça Eleitoral.  

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diplomado),  o  que  não  significa  dizer  que  os  atos  processuais  anteriormente  praticados  sejam inválidos (“tempus regit actum”). Ex.: “A” que foi condenado em primeira instância e apela para o TJ. Antes do julgamento da apelação o réu é diplomado como Deputado Federal. Será julgado pelo STF ou pelo  TJ?  Caso  o  indivíduo  tenha  sido  diplomado  Deputado  Federal  após  ter  sido  condenado  em primeira  instância,  condenação  da  qual  haja  apelado,  caberá  ao  STF  o  julgamento  da  respectiva apelação (AP 428). 

a. Renúncia ao mandato: cessado o exercício funcional e caso o julgamento ainda não tenha sido iniciado pelo Tribunal, cessa o direito ao foro por prerrogativa de função, mesmo que  isso se dê por ato voluntário do agente. 

 3ª Crime praticado durante o exercício funcional: deve ser um crime “propter officium”. 

a. Súmula 394 do STF: o STF entendeu que a competência por prerrogativa de  função é criada para o exercício da função, portanto se não exerce mais a função não há mais por que manter o foro por prerrogativa de função. 

Súmula  394  ‐ COMETIDO O CRIME DURANTE O  EXERCÍCIO  FUNCIONAL, PREVALECE A COMPETÊNCIA ESPECIAL  POR  PRERROGATIVA  DE  FUNÇÃO,  AINDA  QUE  O  INQUÉRITO  OU  A  AÇÃO  PENAL  SEJAM INICIADOS APÓS A CESSAÇÃO DAQUELE EXERCÍCIO (CANCELADA). Fonte de Publicação DJ de 8/5/1964. 

b. Lei 10.628/02: adiciona dois parágrafos ao art. 84 do CPP. O §1º repristina a súmula 394 ao passo que o §2º estende as ações de improbidade administrativa as regras por prerrogativa de função.  Contra  esses  dois  parágrafos  foi  ajuizada  a  ADI  2797,  sendo  declara  a inconstitucionalidade dos parágrafos §§ 1º e 2º do art. 84: não é dado ao legislador ordinário fazer  interpretação autêntica da Constituição, atentando contra a taxatividade constitucional das  competências  do  STF.  Tramita  no  Congresso  Nacional  um  Projeto  de  Emenda Constitucional que fossem novamente adicionados esses dois parágrafos. 

Art.  84  ‐  A  competência  pela  prerrogativa  de  função  é  do  Supremo  Tribunal  Federal,  do  Superior Tribunal de  Justiça, dos  Tribunais Regionais  Federais e  Tribunais de  Justiça dos  Estados e do Distrito Federal,  relativamente  às  pessoas  que  devam  responder  perante  eles  por  crimes  comuns  e  de responsabilidade. (Alterado pela L ‐ 10.628‐2002) §  1º  A  competência  especial  por  prerrogativa  de  função,  relativa  a  atos  administrativos  do  agente, prevalece  ainda  que  o  inquérito  ou  a  ação  judicial  sejam  iniciados  após  a  cessação  do  exercício  da função pública. (Acrescentado pela L ‐ 10.628‐2002) § 2º A ação de improbidade, de que trata a Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992, será proposta perante o tribunal competente para processar e julgar criminalmente o funcionário ou autoridade na hipótese de prerrogativa  de  foro  em  razão  do  exercício  de  função  pública,  observado  o  disposto  no  §  1º. (Acrescentado pela L‐010.628‐2002) 

4ª Infração Penal praticada após o exercício funcional: Súmula 451 do STF. 

Súmula 451 ‐ A COMPETÊNCIA ESPECIAL POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO NÃO SE ESTENDE AO CRIME COMETIDO  APÓS  A  CESSAÇÃO  DEFINITIVA  DO  EXERCÍCIO  FUNCIONAL.  Fonte  de  Publicação  DJ  de 8/10/1964. 

5ª Crime doloso contra a vida: a competência do Tribunal do Júri está prevista na Constituição Federal e logicamente está acima da Constituição Estadual. Portanto o vereador que tenha foro por prerrogativa de função no TJ, prevalece a competência do Tribunal do Júri já que tem previsão constitucional. Se o foro  por  prerrogativa  de  função  estiver  previsto  na  Constituição  Federal,  prevalece  sobre  a competência do júri (Princípio da Especialidade). Se a competência por prerrogativa de função estiver prevista exclusivamente em Constituições Estaduais, prevalece a competência do Tribunal do Júri. Ex.: delegado geral da polícia civil do TJ de SP tem foro por prerrogativa de função – Súmula 721 do STF. 

Súmula 721 A  COMPETÊNCIA  CONSTITUCIONAL  DO  TRIBUNAL  DO  JÚRI  PREVALECE  SOBRE  O  FORO  POR PRERROGATIVA DE  FUNÇÃO  ESTABELECIDO  EXCLUSIVAMENTE PELA CONSTITUIÇÃO  ESTADUAL.  Fonte de Publicação DJ de 9/10/2003. 

6ª Hipóteses  de  coautoria:  desembargador  do  TJ/MG  pratica  um  crime  com  um  cidadão  qualquer  o crime de peculato (art. 312 CP). Ambos serão julgados pelo STJ? Ou irá a separação dos processos? Se fosse um crime de homicídio? Se o desembargador e o cidadão praticarem o crime de peculato, ambos serão  julgados no STJ. Se, no entanto, o crime praticado é doloso contra a vida o processo terá uma 

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separação obrigatória, atendendo as competências da Constituição. CONCLUSÃO: praticado um crime em  coautoria  ambos  acusados  deverão  ser  julgados  pelo  Tribunal  de maior  graduação,  salvo  se  o delito praticado for crime doloso contra a vida, hipótese em que deve ser respeitada a competência do júri em relação àquele que não tem  foro previsto na Constituição Federal. Os dois obrigatoriamente deverão ser julgados no STJ? Não necessariamente, pois essa reunião dos processos pode ocorrer, mas não é obrigatória. Ex.: desembargador do TJ/MG pratica, em coautoria com promotor de  justiça de MG.  O  promotor  será  julgado  no  STJ? Mesmo  que  os  acusados  tenham  foro  por  prerrogativa  de função  em  tribunais  distintos,  prevalece  a  competência  do  tribunal  de maior  graduação  (STF  – HC 91437). 

Súmula 704 do STF  ‐ NÃO VIOLA AS GARANTIAS DO  JUIZ NATURAL, DA AMPLA DEFESA E DO DEVIDO PROCESSO  LEGAL A ATRAÇÃO POR CONTINÊNCIA OU CONEXÃO DO PROCESSO DO CO‐RÉU AO  FORO POR PRERROGATIVA DE FUNÇÃO DE UM DOS DENUNCIADOS. Fonte de Publicação DJ de 9/10/2003. 

7ª Constituições  Estaduais  e  Princípio  da  Simetria:  considerando  que  os  Estados  não  podem  legislar sobre matéria penal ou mesmo processual penal,  as Constituições Estaduais  só podem atribuir  aos seus  agentes políticos  as mesmas prerrogativas que  a Constituição  Federal  concede  às  autoridades que lhe sejam correspondentes. 

 Atenção  para  ADI  2587    Em  Goiás  criaram  foro  privilegiado  para  Defensores  Públicos,  Delegados, Procuradores  do  Estado.  Segundo  o  STF  entendeu  válida  a  concessão  de  foro  para Defensores  Públicos  e Procuradores  exercem  funções  essenciais  ao  Estado  de  Direito,  razão  pela  qual  podem  ter  foro  por prerrogativa de  função. Quanto aos delegados o STF  reconheceu a  inconstitucionalidade da Constituição do Estado de Goiás.  

8ª Exceção  da  verdade:  (art.  85  do  CPP  –  de  difícil  intelecção)  –  quando  o  querelante  tiver  foro  por prerrogativa de  função  ao  respectivo  tribunal  caberá o  julgamento oposta  em  relação  ao  crime de calúnia, cabendo ao juiz de primeira instância admitir e instruí‐la. Esse procedimento se aplica apenas quando a exceção da verdade envolve o crime de calúnia. 

4.12.2 Casuística 

# Quem julga o membro do CNJ e CNMP por crime de responsabilidade? (art. 52, II CF) Senado Federal. 

# Quem julga o membro do CNJ e CNMP por crime comum? (Art. 103‐B CF) como a CF não fala nada sobre os membros do Conselho do MP ou da  Justiça, deve‐se prestar atenção para ver qual a  função que o membro exerce se: se juiz estadual, juiz de TRF, advogado, membro do STF, membro do STJ ou cidadão. O advogado e o cidadão não têm foro por prerrogativa de função previsto na Constituição, portanto serão julgados pelo juízo comum. 

# Quem  julga crime cometido por prefeito? (art. 29, X CF) competência do TJ. Se o crime for doloso contra a vida? Em razão da previsão constitucional do crime funcional, será  julgado pelo TJ da mesma forma. Súmula 702 do STF. 

Súmula 702 do STF ‐ A COMPETÊNCIA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA PARA JULGAR PREFEITOS RESTRINGE‐SE AOS CRIMES DE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA COMUM ESTADUAL; NOS DEMAIS CASOS, A COMPETÊNCIA ORIGINÁRIA  CABERÁ  AO  RESPECTIVO  TRIBUNAL  DE  SEGUNDO  GRAU.  Fonte  de  Publicação  DJ  de 9/10/2003. 

• Crime comum   TJ • Crime federal   TRF • Crime eleitoral   TRE • Crime militar Estadual   Tribunal de Justiça (TJM não julga civil) • Crime militar Federal   STM 

 (VIDE tabela de competência no material de apoio) 

4.13 Competência Territorial 

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Competência Territorial 

Em regra: competência territorial é determinada pelo local da consumação. Nos crimes tentados será considerado onde foi praticado o último ato de execução. 

Art. 70 ‐ A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução. § 1º  ‐ Se,  iniciada a execução no  território nacional, a  infração se consumar  fora dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil, o último ato de execução. § 2º ‐ Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional, será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido ou devia produzir seu resultado. § 3º ‐ Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando incerta a jurisdição por  ter sido a  infração consumada ou  tentada nas divisas de duas ou mais  jurisdições, a competência firmar‐se‐á pela prevenção. 

4.13.1.1 Crimes Formais Ex.:  ligações  feitas de um presídio em Fortaleza para pessoa que estava em Santos que ameaçada 

atende à solicitação na cidade de São Paulo. A competência territorial não determinada pelo local da execução (Fortaleza) e nem pelo local do exaurimento (São Paulo), mas sim pelo local da consumação que é a cidade de Santos. 

4.13.1.2 Crimes Plurilocais São aqueles em que a ação e o resultado em Comarcas distintas, dentro do território nacional. Ex.: 

homicídio praticado em uma cidade onde não há pronto‐socorro. A vítima é  levada na cidade próxima para socorrer‐se,  onde  acaba morrendo.  Nesses  casos  de  crimes  plurilocais  de  homicídio  prevalece  o  local  da conduta, posição adotada pela jurisprudência ignorando frontalmente a regra do art. 70. Isso se deve em razão de política criminal, porque o julgamento deve‐se dar na Comarca onde ocorreu a conduta, além disso, para a melhor colheita de provas 

4.13.1.3 Crimes à distância São aqueles em que a ação e omissão ocorrem no território nacional, e o resultado no estrangeiro, 

ou vice‐versa. Nessa  hipótese  a  competência  será  determinada  pelo  local  onde  foi  praticado  o  último  ato  de 

execução no Brasil ou resultado (art. 70, §1º). 

4.13.1.4 Crimes cometidos no estrangeiro Atenção para as hipóteses de extraterritorialidade. Crimes praticados  fora do  território nacional  são  julgados pela  Justiça Estadual,  salvo  se presente 

uma das hipóteses do art. 109 da CF. Se a pessoa que praticou o crime  já morou no Brasil, será  julgada na capital do último Estado onde residiu. Se nunca morou no Brasil, será julgada em Brasília (art. 88 CPP). 

Art. 88  ‐ No processo por  crimes praticados  fora do  território brasileiro,  será  competente o  juízo da Capital do Estado onde houver por último residido o acusado. Se este nunca tiver residido no Brasil, será competente o juízo da Capital da República. 

4.13.1.5 Crimes praticados em embarcações ou aeronaves (arts. 89 e 90 do CPP) 

Art. 89 ‐ Os crimes cometidos em qualquer embarcação nas águas territoriais da República, ou nos rios e lagos  fronteiriços,  bem  como  a  bordo  de  embarcações  nacionais,  em  alto‐mar,  serão  processados  e julgados pela justiça do primeiro porto brasileiro em que tocar a embarcação, após o crime, ou, quando se afastar do País, pela do último em que houver tocado. Art. 90 ‐ Os crimes praticados a bordo de aeronave nacional, dentro do espaço aéreo correspondente ao território  brasileiro,  ou  ao  alto‐mar,  ou  a  bordo  de  aeronave  estrangeira,  dentro  do  espaço  aéreo correspondente ao  território nacional,  serão processados e  julgados pela  justiça da  comarca em  cujo território se verificar o pouso após o crime, ou pela da comarca de onde houver partido a aeronave. 

4.13.1.6 Falso testemunho cometido em Carta Precatória Competência territorial é do  juízo deprecado. A avaliação  inicial quanto à prática do delito cabe ao 

juízo deprecante, pois é ele que tem conhecimento do quadro probatório.  

4.13.1.7 Crime de estelionato cometido mediante cheque falsificado A competência territorial será o do local da obtenção da vantagem ilícita. 

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Conexão e Continência 

Súmula 48 do STJ ‐ COMPETE AO JUIZO DO LOCAL DA OBTENÇÃO DA VANTAGEM ILICITA PROCESSAR E JULGAR CRIME DE ESTELIONATO COMETIDO MEDIANTE FALSIFICAÇÃO DE CHEQUE. 

O avaliador tenta confundir com o delito chamado de fraude no pagamento por meio de cheque (art. 171, §2º, VI do CP). No cheque sem fundo, a consumação se dá no  local da recusa do pagamento – agência bancária onde não quis pagar o cheque sem fundo. 

Súmula  244  do  STJ  ‐  Compete  ao  foro  do  local  da  recusa  processar  e  julgar  o  crime  de  estelionato mediante cheque sem provisão de fundos. Súmula  521  do  STF  ‐  O  FORO  COMPETENTE  PARA  O  PROCESSO  E  JULGAMENTO  DOS  CRIMES  DE ESTELIONATO, SOB A MODALIDADE DA EMISSÃO DOLOSA DE CHEQUE SEM PROVISÃO DE FUNDOS, É O DO  LOCAL  ONDE  SE  DEU  A  RECUSA  DO  PAGAMENTO  PELO  SACADO.  Fonte  de  Publicação  DJ  de 10/12/1969. 

4.13.2 Competência territorial pelo domicílio do acusado Quando for  incerto o  local da  infração (art. 72 CPP). Ex.: crime praticado em ônibus em movimento 

durante a noite. Nos  casos  de  exclusiva  ação  penal  privada  o  querelante  pode  optar  pelo  domicílio  do  acusado, 

mesmo sabendo o local da infração. ESSA É A POSSIBILIDADE DE FORO DE ELEIÇÃO NO PROCESSO PENAL. 

4.14 Conexão e Continência 

Conexão  e  continência  funcionam  em  regra  como  causas  modificativas  da  competência, possibilitando a realização de julgamento único. 

Ex.: carro roubado em Santos e receptado em Jundiaí. Os processos podem tramitar em separação, mas a prova do crime de roubo está ligada a do crime de receptação. 

 Só  poderão  incidir  sobre  hipóteses  de  competências  relativas,  na medida  em  que  a  competência 

absoluta não pode ser modificada. A inobservância da conexão e da continência gera tão somente nulidade relativa. 

4.14.1 Efeitos da conexão e da continência 

4.14.1.1 Simultâneus Processus Processo  e  julgamento  único,  que  é  a  grande  ideia  em  torno  da  conexão  e  continência.  Um  só 

julgamento para os dois processos, está ligada à economia processual e à celeridade. 

4.14.1.2 Força atrativa Um juízo exercerá força atrativa em relação a outro, art. 78 do CPP104. O juízo com força atrativa deve avocar o processo enquanto não houver sentença definitiva (decisão 

de primeira instância). 

Súmula 235 do STJ ‐ A conexão não determina a reunião dos processos, se um deles já foi julgado. 

4.14.2 Conexão 

4.14.2.1 Conexão Intesubjetiva Envolve várias pessoas e vários crimes obrigatoriamente. Há três espécies:  

1 Conexão intersubjetiva por simultaneidade: dois ou mais delitos praticados ao mesmo tempo por diversas pessoas ocasionalmente reunidas. Ex.: tombamento de caminhão na beira de estrada e furto da carga. 

2 Conexão  intersubjetiva por concurso: duas ou mais  infrações cometidas por várias pessoas em concurso, ainda que em tempo e local diversos. Ex.: quadrilhas especializadas em roubo de cargas. 

                                                            104 Art. 78 ‐ Na determinação da competência por conexão ou continência, serão observadas as seguintes regras: I ‐ no concurso entre a competência do  júri e a de outro órgão da  jurisdição comum, prevalecerá a competência do  júri;  II  ‐ no concurso de  jurisdições da mesma categoria: a) preponderará a do  lugar da  infração, à qual for cominada a pena mais grave; b) prevalecerá a do  lugar em que houver ocorrido o maior número de  infrações,  se as  respectivas penas  forem de  igual gravidade; c)  firmar‐se‐á a competência pela prevenção,  nos  outros  casos;  III  ‐  no  concurso  de  jurisdições  de  diversas  categorias,  predominará  a  de maior  graduação;  IV  ‐  no concurso entre a jurisdição comum e a especial, prevalecerá esta.  

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JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA > Conexão e Continência 

3 Conexão  intersubjetiva  por  reciprocidade:  duas  ou mais  infrações  cometidas  por  várias  pessoas,  umas contra as outras. Ex.: lesões corporais entre torcidas rivais (rixa é crime único por isso não é exemplo). 

4.14.2.2 Conexão Objetiva, Lógica ou Material Ocorre quando uma  infração é praticada para facilitar, ocultar, conseguir  impunidade ou vantagem 

em relação a outra. Ex.: homicídio para conseguir extorsão mediante seqüestro. 

4.14.2.3 Conexão Instrumental, Probatória ou Processual Ocorre  quando  a  prova  de  uma  infração  influencia  na  prova  de  outra.  Ex.:  receptação  e  o  crime 

antecedente. 

4.14.3 Continência 

4.14.3.1 Continência por cumulação subjetiva Ocorre quando duas ou mais pessoas são acusadas pela prática da mesma infração penal. 

4.14.3.2 Continência por cumulação objetiva Ocorrerá em três situações, arts. 70, 73 e 74 do CP: 

a. Concurso formal; b. Erro na execução; c. Resultado diverso do pretendido.   Tribunal penal  internacional tem competência suplementar. Atua somente se a  jurisdição brasileira 

não atuar. O  abuso  de  autoridade  não  é  crime  eleitoral,  portanto  promotor  que  o  comete  será  julgado 

normalmente no TJ. A autorização para processar o governador deverá ser dado pela Assembléia, autorização que não se 

estende ao coreu com o governador.   

   

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PROVAS > Terminologia da Prova 

Quarta‐feira,  27  de  outubro  de  2010.  

5 PROVAS 

5.1 Terminologia da Prova 

5.1.1 Direito à prova Direito  à  prova  é  um  desdobramento  natural  do  direito  de  ação,  caracterizando‐se  não  só  pelo 

direito de propor e de ver produzidos os meios de prova como  também pela possibilidade de  influenciar o convencimento do juiz. 

Quando  o  juiz  injustificadamente  indefere  a  produção  de  provas:  cerceamento  de  acusação  e cerceamento de defesa. Os  instrumentos para coibir essa arbitrariedade é o Mandado de Segurança  (para o promotor) ou Habeas Corpus (para o réu ou advogado de defesa). 

5.1.2 Distinção entre provas e elementos informativos 

5.1.2.1 Elementos informativos  Elementos  Informativos  são  aqueles  produzidos  na  fase  investigatória.  Não  é  obrigatória  a 

observância do contraditório e da ampla defesa. Quanto  à  participação  do  juiz:  nessa  fase  investigatória  o  juiz  não  poderá  agir  de  ofício  e  atuará 

apenas como garante das regras do jogo. Finalidade: auxiliam na  formação da “opinio delicti”  (convicção do  titular da ação penal) e  servem 

também de subsídio para as medidas cautelares.  # O juiz poderá utilizar os elementos do inquérito para sentença condenatória ou absolutória? 

“(...) exclusivamente (...)” do (art. 155): elementos  informativos  isoladamente considerados não são idôneos para fundamentar uma sentença condenatória. Porém, não devem ser completamente desprezados, podendo se somar à prova produzida em juízo para formar a convicção do juiz. 

Art.  155.  O  juiz  formará  sua  convicção  pela  livre  apreciação  da  prova  produzida  em  contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 

 (Ag. Reg. RE 425734 e RE 287658) 

5.1.2.2 Prova Em regra é aquilo que é produzido na fase judicial. É obrigatória a observância do contraditório e da 

ampla defesa. Quanto  à  participação  do  juiz:  a  prova  deve  ser  produzida  na  presença  do  juiz.  Adicionado 

recentemente no Processo Penal o Princípio da Identidade Física do Juiz (art. 399, §2º CPP105). Finalidade da prova: é auxiliar na  formação da convicção do  juiz  seja no sentido de uma sentença 

condenatória seja no sentido de uma sentença absolutória. A própria CF no seu art. 5º, LV trata do contraditório e da ampla defesa. 

5.1.3 Provas cautelares, não repetíveis e antecipadas Há manuais dizendo que essas terminologias são sinônimas, o que não ocorre. 

5.1.3.1 Provas Cautelares Provas cautelares são aquelas em que há um risco de desaparecimento do objeto da prova em razão 

do decurso do tempo.                                                             105 Art. 399. Recebida a denúncia ou queixa, o  juiz designará dia e hora para a audiência, ordenando a  intimação do acusado, de seu defensor, do Ministério Público e, se for o caso, do querelante e do assistente.(Redação dada pela Lei nº 11.719, de 2008). [...] § 2º O juiz que presidiu a instrução deverá proferir a sentença. (Incluído pela Lei nº 11.719, de 2008).  

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PROVAS > Terminologia da Prova 

Em relação às provas cautelares o contraditório será diferido, postergado ou adiado. São provas produzidas “inaudita altera parte”. 

5.1.3.2 Prova não repetível Prova não  repetível é  aquela que não pode  ser novamente  coletada ou produzida  em  virtude do 

desaparecimento  da  fonte  probatória. Aplicado  em  exame  pericial  relacionado  às  infrações  cujos  vestígios podem desaparecer. Ex.: exame de corpo de delito com lesão corporal. 

Não  dependem  de  autorização  judicial  e  devem  ser  realizadas  imediatamente  após  a  prática  do delito. 

Art. 6º ‐ Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá:  [...] VII ‐ determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias; 

O contraditório também será diferido. O assistente técnico somente irá atuar após a elaboração dos exames (art. 159, §4º). 

Art. 159.  O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito oficial, portador de diploma de curso superior. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) [...] § 4o O assistente  técnico atuará a partir de sua admissão pelo  juiz e após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos oficiais, sendo as partes intimadas desta decisão. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 5o  Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à perícia: (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) [...] II – indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser  inquiridos em audiência. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 

5.1.3.3 Provas antecipadas Provas  antecipadas  são  aquelas  produzidas  com  a  observância  do  contraditório  real  perante  a 

autoridade  judicial, em momento processual distinto daquele  legalmente previsto, ou até mesmo antes do início do processo, em virtude de situação de urgência e relevância. 

Ex.:  testemunha  que  irá  se  ausentar  (exterior),  por  enfermidade  ou  velhice...  (art.  225  CPP).  É  o chamado depoimento “ad perpetuam rei memorium”. 

A prova antecipada é produzida perante o  juiz antecipadamente para que tenha o mesmo valor de uma prova produzida em juízo, pois se uma pessoa está morrendo o delegado poderia fazer isso normalmente, mas  que  caracterizaria  um mero  elemento  informativo.  Um  advogado  de  defesa  deve  estar  presente  na produção da prova antecipada. Se ainda não houver um suspeito deve o juiz nomear um advogado dativo. 

Art. 366 ‐ Prova antecipada: a simples referência ao fato de que testemunhas costumam se esquecer rapidamente dos fatos não autoriza por si só a produção antecipada de provas. Ex.: tendo o acusado ser citado por edital poderá ser determinada a produção antecipada de provas (art. 366). 

Súmula 455 do STJ ‐ A decisão que determina a produção antecipada de provas com base no artigo 366 do  CPP  deve  ser  concretamente  fundamentada,  não  a  justificando  unicamente  o mero  decurso  do tempo. (editada em 2010). 

5.1.4 Fonte de prova, meios de prova e meios de obtenção de prova 

5.1.4.1 Fonte de prova Fonte de prova são as pessoas ou coisas das quais se consegue a prova. Derivam do fato delituoso, 

independentemente da existência do processo, sendo que sua introdução no processo se dá através dos meios de prova. 

A  fonte  tem existência anterior ao processo. O grande desafio do delegado é buscar as  fontes de provas para que posteriormente possam ingressar no processo. 

5.1.4.2 Meios de Provas e meios de obtenção de provas  

MEIOS DE PROVAS  MEIOS DE OBTENÇÃO DE PROVAS São  os  instrumentos  através  dos  quais  as  fontes  de prova são introduzidas no processo. 

Também  chamados  de  meios  investigatórios. Referem‐se a certos procedimentos com o objetivo de 

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PROVAS > Terminologia da Prova 

se conseguir provas materiais Referem‐se a uma atividade endoprocessual, ou seja, dentro do processo que se desenvolve perante o  juiz com a participação das partes. 

Referem‐se  a  certos  procedimentos,  em  regra, produzidos  fora  do  processo,  ou  seja, extraprocessualmente,  com  o  objetivo  de  se conseguir provas materiais. 

  Produzido por outras pessoas que não o juiz Contraditório real  Não há necessidade de observância do contraditório e 

da ampla defesa no momento de sua produção.   Tem como característica essencial é a surpresa. 

5.1.5 Indícios Pode ser compreendida em dois significados: 

5.1.5.1 Prova direta ou indireta Sinônimo  de  prova  indireta:  (art.  239)  para  se  provar  determinado  fato  prova‐se  na  verdade  a 

existência de outro fato que com ele tenha relação de existência (raciocínio de indução). Sinônimo de prova direta: é aquela prova que recai diretamente sobre o objeto da prova.  Indícios  isolados não autorizam uma condenação. Porém se os  indícios  forem plurais,  relacionados 

entre si e coesos é possível um decreto condenatório. STF HC 70344 

5.1.5.2 Prova semi­plena Poderá  ser  utilizado  no  sentido  de  prova  semi‐plena.  É  uma  prova  com menor  valor  persuasivo, 

forma um  juízo de probabilidade, mas não de  certeza. Com base em uma prova  semi‐plena não é possível condenar alguém, porque para isso é necessário certeza e a prova semi‐plena conduz a uma probabilidade. 

A prova semi‐plena é suficiente para decretar a prisão preventiva, pois exige a PROVA da existência do crime e INDÍCIO suficiente de autoria – prova semi‐plena (art. 312 CPP). 

 A palavra  indício não se confunde com uma mera suspeita.  Indícios são sempre um dado objetivo, 

algo concreto. A suspeita ou desconfiança não passa de um dado subjetivo que pode até servir para dar início às investigações, mas que não autoriza a decretação de medidas cautelares. 

Art. 240, §2º do CPP106.  STF  ‐ HC 81305 – para o Supremo a  fundada  suspeita exige elementos  concretos que  indiquem a 

necessidade da revista em face do constrangimento que a mesma causa. 

5.1.6 Objeto da prova É a verdade ou a falsidade de uma afirmação sobre um fato que interessa à solução do processo. 

 

DEVE SER PROVADO NO PROCESSO  NÃO PRECISA SER PROVADO 

1. Imputação constante da peça acusatória 1. Fatos notórios – de conhecimento público geral. 

Ex.: presidente. 

2. Costumes  –  direito  consuetudinário.  Ex.:  furto praticado durante o repouso noturno. 

2. Fatos  axiomáticos  (fatos  evidentes  –  fogo queima,  cocaína  provoca  dependência)  ou intuitivos. 

3. Regulamentos e Portarias. Obs.: se a Portaria for  3. Fatos  inúteis ou  irrelevantes – não  interessam à 

                                                            106 Art. 240. A busca será domiciliar ou pessoal. §1o Proceder‐se‐á à busca domiciliar, quando fundadas razões a autorizarem, para: a) prender criminosos; b) apreender coisas achadas ou obtidas por meios criminosos; c) apreender instrumentos de falsificação ou de contrafação e objetos falsificados ou contrafeitos; d) apreender armas e munições,  instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim delituoso; e) descobrir objetos necessários à prova de infração ou à defesa do réu; f) apreender cartas, abertas ou não,  destinadas  ao  acusado  ou  em  seu  poder,  quando  haja  suspeita  de  que  o  conhecimento  do  seu  conteúdo  possa  ser  útil  à elucidação do  fato; g) apreender pessoas vítimas de crimes; h) colher qualquer elemento de convicção. § 2o Proceder‐se‐á à busca pessoal quando houver fundada suspeita de que alguém oculte consigo arma proibida ou objetos mencionados nas letras b a f e letra h do parágrafo anterior.  

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PROVAS > Terminologia da Prova 

complemento  de  uma  norma  penal  em  branco, presume‐se  que  o  juiz  a  conheça.  Ex.:  Portaria 344 da ANVISA. 

solução do processo. 

4. Direito estrangeiro, estadual e municipal. Quanto ao  Direito  Estadual  e  Municipal  só  precisa  ser objeto  de  prova  quando  referente  a  localidade diversa  da  do  exercício  da  jurisdição  (art.  337 CPC). 

4. Presunções  legais  –  é  a  afirmação  feita  pela própria  lei  de  que  um  fato  é  existente  ou verdadeiro, independentemente de prova. 4.1. Absoluta  (“iures  et  de  iure”)  –  não  admite 

prova  em  sentido  contrário.  Ex.: inimputabilidade do menor de 18 anos. 

4.2. Relativa  (“iuris  tantum”)  –  é  aquela  que admite prova em  sentido  contrário.  Inverte o  ônus  da  prova.  Ocorria  a  presunção  de violência no antigo crime de violência sexual, com menor  de  14  anos.  Para  a  doutrina  a presunção  de  violência  nos  crimes  sexuais era  uma  presunção  relativa,  demonstrando que  a  pessoa  apesar  de  ser  menor  de  14 anos sabia o que estava fazendo, não estaria presente  a  violência  presumida.  Na jurisprudência prevalecia o entendimento de que havia uma presunção absoluta (STF – HC 81268  e  HC  93263).  Passou  a  ser  o  atual estupro  de  vulnerável,  tornando‐se  crime autônomo. 

5. Fatos não contestados ou incontroversos. 5.1. No  processo  penal mesmo  que  o  acusado 

confesse a prática do delito subsiste o ônus da acusação de comprovar o crime. 

5.2. No  processo penal  existe  revelia  (art.  367), que,  no  entanto,  não  tem  como  efeito  a presunção de veracidade dos  fatos da peça acusatória. 

 É perfeitamente possível a existência de erro de tipo quanto ao crime do art. 217‐A CP. Ainda será 

possível a discussão do caráter relativo ou absoluto da presunção de inocência ou vulnerabilidade. 

5.1.7 Prova emprestada Consiste  na  utilização  em  um  processo  de  prova  que  foi  produzida  em  outro,  sendo  que  esse 

transporte  da  prova  é  feito  por  meio  de  uma  certidão  ou  cópia.  Só  é  possível  considerar  como  prova emprestada se o usada contra aquele que participou do primeiro processo, ou seja, o contraditório deve ter sido exercido pelo mesmo acusado no processo anterior. 

Apesar de o  transporte dessa prova ser  feito pela  forma documentada,  tem ela o mesmo valor da prova originalmente produzida. 

 # Posso utilizar elementos obtidos numa interceptação telefônica em processo administrativo? 

Teoricamente não seria possível em razão da Constituição, mas a doutrina diz que como emprestada não  tem problema, desde que a  interceptação  tenha  sido autorizada pelo  juízo criminal para apurar crimes punidos com reclusão, admite‐se que os elementos aí produzidos sejam transportados ao processo disciplinar relativo a mesma pessoa a título de prova emprestada (STJ ‐ RMS 16429). 

5.1.8 Prova (i)nominada, (a)típica, anômala, irritual Prova nominada: é aquela em que a previsão do “nomen  iures” desse meio de prova, seja no CPP, 

seja  na  legislação  extravagante.  Ex.:  testemunhal,  exames  periciais,  prova  documental,  reconhecimento  de pessoas e coisas. 

Prova  inominada: é aquela prova cujo “nomen  iures” não está prevista em  lei. No Processo Penal vigora o Princípio da Liberdade Probatória, mesmo não estando eles  listados no Processo, desde que  lícitos. Ex.: reconhecimento por email. 

Prova típica: é aquela cujo procedimento probatório está previsto em lei. Ex.: art. 226 CPP.  Reconstituição do fato delituoso (art. 7º) é uma prova nominada porém atípica, porque o CPP não 

nos dá o procedimento probatório.  

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PROVAS > Terminologia da Prova 

Prova  anômala:  é  aquela  utilizada  para  fins  diversos  daqueles  que  lhe  são  próprios,  com características de outra prova  típica. Ou  seja, existe meio de prova  legalmente previsto para  a  colheita da prova. Porém, deixa‐se de lado esse meio de prova típico para se valer de outro meio. 

 Prova  irritual:  é  aquela  colhida  sem  a  observância  do  procedimento  previsto  em  lei.  Trata‐se  de 

prova ilegítima devendo ser declarada sua nulidade.    

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PROVAS > Princípios 

Sexta‐feira,  05  de  novembro  de  2010.  

5.2 Princípios 

5.2.1 Princípio da presunção de inocência Chama‐se princípio da presunção de inocência ou Princípio da não culpabilidade?  

Segundo a Constituição Federal   Segundo  Convenção  Americana  de  Direitos Humanos 

• Art.  5º,  LVII  –  “ninguém  será  considerado culpado  até  o  trânsito  em  julgado  de  sentença penal condenatória;”. 

  • O  Pacto  São  José  da  Costa  Rica  (Convenção Americana  de  Direitos  Humanos),  internalizado pelo Decreto 678/92  (art. 8º, 2.), diz que  “toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma  a  sua  inocência”  (usando  o  termo inocente),  “enquanto  não  for  legalmente comprovada a sua culpa”. 

• O  constituinte  diz  que  ninguém  será considerado  culpado, mas não que  se presuma sua  inocência. Ainda, segundo o texto, ninguém será  considerado  culpado  até  o  trânsito  em julgado de sentença penal condenatória. 

  • A  CADH  utiliza  inocência,  então  é  aconselhável que se use o Princípio da Presunção de Inocência ao se referir a este tratado. 

• Sem  dúvida  a  Constituição  Federal  é  mais benéfica  ao  acusado,  pois  prevê  que  a presunção de culpa será apenas com o  trânsito em julgado, portanto, deve‐se utilizar o Princípio da Não culpabilidade. 

  • O  que  significa  “enquanto  não  for  legalmente comprovada a sua culpa”? Significa que  isso vai até  o  julgamento  de  uma  apelação  por  um Tribunal. 

• A mesma  convenção  assegura  o  duplo  grau  de jurisdição (art. 8º, 2., “h”107). 

      Princípio pro omine diz que quando há dispositivos previstos na Constituição e na Convenção de DH, 

prevalece aquele que for mais benéfico. Art. 29, “b” da CADH. Do Princípio da Presunção de Inocência derivam duas regras fundamentais: (1) regra probatória e (2) 

regra de tratamento. 

5.2.1.1 Regra probatória A parte acusadora tem o ônus de demonstrar a culpabilidade do acusado e não este de demonstrar a 

sua inocência. Dessa regra p a  do In dubio pro reo. robatóri deriva o Princípio 

5.2.1.1.1 In dubio pro reo É uma regra de  julgamento a ser usada pelo  juiz no momento da valoração das provas sempre que 

houver dúvida fundada sobre fato relevante (art. 386, VI do CPP). 

Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: [...] VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1º  do  art.  28,  todos  do  Código  Penal),  ou  mesmo  se  houver  fundada  dúvida  sobre  sua existência; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) [...] 

                                                            107 Artigo 8. ‐ Garantias judiciais – 1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e dentro de um prazo razoável, por um  juiz ou  tribunal  competente,  independente e  imparcial, estabelecido anteriormente por  lei, na apuração de qualquer acusação penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus direitos ou obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza. 2. Toda pessoa acusada de delito tem direito a que se presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua  culpa.  Durante o processo,  toda pessoa  tem direito,  em plena  igualdade,  às  seguintes  garantias mínimas:  [...] h. direito de recorrer da sentença para juiz ou tribunal superior.  

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A dúvida sobre a excludente de ilicitude é facilmente perceptível no caso de briga de bar quando um acusa o outro de ter sido culpado, absolve sobre a excludente de tipicidade. 

5.2.1.2 Regra de tratamento A regra é que o acusado responda ao processo em liberdade; sua prisão antes do trânsito em julgado 

é uma medida de natureza cautelar que só pode ser decretada quando comprovada sua necessidade.  

# Na revisão criminal aplica‐se o in dubio pro reo? É  uma  ação  autônoma  de  impugnação  que  só  é  cabível  após  o  trânsito  em  julgado  de  sentença 

condenatória ou sentença absolutória imprópria. Se a presunção de inocência vai até o trânsito em julgado. O ônus da prova quanto às hipóteses que autorizam a revisão criminal recai exclusivamente sobre o 

postulante. No  caso de dúvida deve o  tribunal  julgar  improcedente o pedido  revisional. No  julgamento da revisão aplica‐se o Princípio in dubio contra o reo. 

5.2.1.2.1 Execução Provisória da pena Prisão decorrente de acórdão condenatório na pendência de julgamento de RE ou REsp. Art.  27,  §2º  da  lei  8.038/90  (regula  o  procedimento  originário  dos  tribunais).  Os  recursos 

extraordinário  e  especial  serão  recebidos  no  efeito  devolutivo,  portanto  não  são  dotados  de  efeitos suspensivos. 

Quando o  TJ proferia um  acórdão  condenatório mesmo na pendência de RE ou REsp poderia  ser executada a medida de prisão. 

Confirmado pelo art. 637 do CPP. 

Art.637. O  recurso extraordinário não  tem efeito suspensivo, e uma vez arrazoados pelo  recorrido os autos do traslado, os originais baixarão à primeira instância, para a execução da sentença. 

Era  a  chamada  execução  provisória  da  pena,  porque  a  sentença  condenatória  ainda  não  havia transitado em julgado, mas se começava a cumprir pena justamente porque o RE e o REsp não serem dotados de efeitos suspensivos. 

Porém, com o acórdão proferido no HC 84078 o STF entendeu que enquanto não houver o trânsito em  julgado de sentença condenatória o acusado deve permanecer em  liberdade, salvo se presente uma das hipóteses que autorizam a prisão preventiva. 

 EMENTA:  HABEAS  CORPUS.  INCONSTITUCIONALIDADE  DA CHAMADA "EXECUÇÃO ANTECIPADA DA PENA". ART. 5º, LVII, DA CONSTITUIÇÃO  DO  BRASIL.  DIGNIDADE  DA  PESSOA  HUMANA. ART. 1º,  III, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O art. 637 do CPP estabelece  que  "[o]  recurso  extraordinário  não  tem  efeito suspensivo,  e  uma  vez  arrazoados  pelo  recorrido  os  autos  do traslado,  os  originais  baixarão  à  primeira  instância  para  a execução  da  sentença".  A  Lei  de  Execução  Penal  condicionou  a execução da pena privativa de  liberdade ao  trânsito em  julgado da  sentença  condenatória.  A  Constituição  do  Brasil  de  1988 definiu, em seu art. 5º, inciso LVII, que "ninguém será considerado culpado  até  o  trânsito  em  julgado  de  sentença  penal 

condenatória".  2.  Daí  que  os  preceitos  veiculados  pela  Lei  n. 7.210/84,  além  de  adequados  à  ordem  constitucional  vigente, sobrepõem‐se, temporal e materialmente, ao disposto no art. 637 do CPP. 3. A prisão antes do trânsito em  julgado da condenação somente pode ser decretada a título cautelar. 4. A ampla defesa, não se a pode visualizar de modo restrito. Engloba todas as fases processuais, inclusive as recursais de natureza extraordinária. Por isso  a  execução  da  sentença  após  o  julgamento  do  recurso  de apelação  significa,  também,  restrição  do  direito  de  defesa, caracterizando desequilíbrio entre a pretensão estatal de aplicar a  pena  e  o  direito,  do  acusado,  de  elidir  essa  pretensão.  [....]

 Com  esse  julgado  já  não  se  pode  admitir  ou  falar  em  execução  provisória  da  pena.  Porém,  será 

perfeitamente possível a concessão antecipada de benefícios prisionais ao preso cautelar. 

Súmula  716  do  STF  ‐  ADMITE‐SE  A  PROGRESSÃO  DE  REGIME  DE  CUMPRIMENTO  DA  PENA  OU  A APLICAÇÃO  IMEDIATA  DE  REGIME MENOS  SEVERO  NELA  DETERMINADA,  ANTES  DO  TRÂNSITO  EM JULGADO DA SENTENÇA CONDENATÓRIA. Fonte de Publicação DJ de 9/10/2003,  Súmula 717 do STF  ‐ NÃO  IMPEDE A PROGRESSÃO DE REGIME DE  EXECUÇÃO DA PENA,  FIXADA  EM SENTENÇA NÃO TRANSITADA EM  JULGADO, O FATO DE O RÉU SE ENCONTRAR EM PRISÃO ESPECIAL. Fonte de Publicação DJ de 9/10/2003 

5.2.2 Princípio da Proporcionalidade 

PROVAS > Princípios 

Esse Princípio deriva da cláusula do Devido Processo Legal. 

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PROVAS > Princípios 

A doutrina foi construindo que esse Princípio da Proporcionalidade pode ser trabalhado com alguns PRESSUPOSTOS e REQUISITOS: 

5.2 mal .2.1 Pressuposto for

5.2.2.1.1 Legalidade É necessária a regulamentação por  lei dos direitos exercitáveis durante o processo como também a 

autorização de qualquer  intromissão em direitos e  liberdades dos  cidadãos. Em  latim utiliza‐se a expressão nulla coatio sine lege. 

5.2 es.2.2 Pr suposto material 

5.2.2.2.1 Justificação teleológica Busca‐se a legitimação do uso de medidas restritivas a partir da demonstração das razões pelas quais 

a medida se tornou necessária.  A doutrina aponta alguns REQUISITOS que deverão ser cumpridos. Requisitos esses que são de duas 

natureza: 

5.2.2.3 Requisitos extrínsecos Os requisitos co ade e motivação.  extrínse s são judicialid

5.2.2.3.1 Judicialidade As limitações aos direitos fundamentais somente podem ocorrer por decisão do juiz natural. A  Cláusula  de  Reserva  de  Jurisdição  significa  dizer  que  determinados  direitos  e  garantias 

determinados direitos e garantias  só podem  ser objeto de  restrição em virtude de autorização  judicial. São casos de reserva de jurisdição: 

• Interceptação telefônica; • Busca domiciliar; • Prisões cautelares, salvo o flagrante delito que independe de autorização judicial; • Segredo de  justiça  ( ). Decidida pelo STF  recentemente na CPI dos grampos  telefônicos, 

pois  m  todos os processos que tiveram a interceptação determinada. desejava  ter acesso a

5.2.2.3.2 Motivação Havendo  restrição a direitos  fundamentais é através da  fundamentação da decisão que  se poderá 

aferir os motivos de fato e de direito levados em consideração para a formação do convencimento do juiz. A motivação é considerada a garantia das garantias por Luigi Ferrajoli. 

5.2.2.4 Requisitos intrínsecos Alguns autor ípios e outros requisitos: es consideram subprinc

5.2.2.4.1 Adequação A medida ad ve tingir o fim proposto. otada de  ser idônea a a

5.2.2.4.2 Necessidade Entre as medidas idôneas a atingir o fim proposto deve ser adotada a menos gravosa. Exemplo expresso do Princípio da proporcionalidade está na lei de interceptações telefônicas art. 2º, 

II da Lei 9.296/96108. As interceptações telefônicas são uma medida extremamente gravosa e interpreta‐se da lei que só é 

possível a interceptação se a prova não puder ser feita de outra forma. 

5.2.2.4.3 Proporcionalidade em sentido estrito Entre os valores em conflito deve preponderar o de maior relevância 

                                                            108 Art. 2° Não será admitida a interceptação de comunicações telefônicas quando ocorrer qualquer das seguintes hipóteses: [...] II ‐ a prova puder ser feita por outros meios disponíveis;  

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PROVAS > Princípios 

5.2.2.5 Princípio da Proporcionalidade em provas ilícitas Esse Princípio poderá ser utilizado em provas ilícitas “pro reo” e “pro societate”?  Quanto à prova  ilícita “pro reo”, doutrina e  jurisprudência são favoráveis. Ex.: gravação clandestina 

feita por um acusado inocente. Alguns doutrinadores dizem inclusive que agindo a pessoa em legítima defesa sequer seria prova ilícita. 

Alguns  doutrinadores  têm  admitido  a  possibilidade  de  admitir‐se  provas  ilícitas  para  condenar (Barbosa Moreira  e Antonio  Scarance  Fernandes). No  entanto  o  STF, no HC  80949, diz que não  é possível invocar‐se o Princípio da Proporcionalidade para condenar alguém com base em provas  ilícitas em  favor da sociedade. 

A prova ilícita poderá ser utilizada para defesa de algum acusado, mas não pela acusação. 

5.2.3 Princípio “nemo tenetur se detegere” Ninguém é obrigado a produzir prova contra si mesmo. Está previsto na Constituição Federal (art. 5º, LXIII – “o preso será  informado de seus direitos, entre 

os quais o de permanecer calado, sendo‐lhe assegurada a assistência da família e de advogado;”) e também no Pacto de São José da Costa Rica. 

5.2.3.1 Titular do Direito de não produzir prova contra si mesmo A  constituição  fala  no  preso,  mas  uma  pessoa  em  liberdade  também  teria  esse  direito?  A 

interpretação que é feita pela doutrina e pela jurisprudência vai muito além disso. Poderá invocar esse direito alguém que é suspeito,  investigado, acusado ou condenado. Independentemente de a pessoa estar presa ou solta.  # A testemunha é titular desse direito ou não? 

A  testemunha,  enquanto  testemunha  é  obrigada  a  dizer  a  verdade,  sob  pena  de  crime  de  falso testemunho.  Porém,  se  de  uma  resposta  puder  resultar  uma  auto‐incriminação,  até mesmo  a  testemunha poderá invocar o direito de não produzir prova contra si mesmo.  

As CPI’s começavam a  intimar as pessoas como testemunhas para que pudessem dar voz de prisão em flagrante em por falso testemunho, porém as pessoas seria meramente investigadas. 

5.2.3.2 Advertência quanto ao direito de não produzir prova contra si mesmo # É necessário informar o preso sobre o direito de não produzir prova contra si mesmo? 

Diz  a  constituição  que  o  preso  será  informado  de  seus  direitos,  entre  os  quais  o  de  permanecer calado. Portanto, não  se pode deduzir que a pessoa  tem conhecimento do princípio de não produzir prova contra si mesmo. 

5.2.3.2.1 Nota de ciência das garantias constitucionais Quando alguém é preso, essa nota tem sido entregue ao preso, com  isso se dará ao preso todas as 

informações sobre os seus direitos, presta no art. 2º, §6º da lei 7.960/89 (Prisão Temporária). Previsão na lei ão dos os tipos de prisão.  de pris  temporária, mas que tem sido utilizada em to

5.2.3.2.2 Consequência da não informação do direito # Qual é a consequência da não advertência quanto ao direito de não produzir prova contra si mesmo? 

Para o STF não se pode considerar lícita gravação clandestina de conversa informal de policiais com o preso caso este não tenha sido advertido quanto ao seu direito ao silêncio. 

(HC 80949) 

5.2.3.2.3 Aviso de Miranda Origina  do  direito  norteamericano  em  um  caso  de  1966  (Miranda  x  Arizona).  Diz  que  nenhuma 

validade pode ser conferida às declarações feitas pela pessoa à polícia sem que antes tenha sido informada de: I. Direito de não responder II. Tudo o que disser pode ser usado contra ela III. Tem o direito à assistência de defensor escolhido ou nomeado. 

 

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No Brasil não é o mesmo que esse aviso de Miranda, mas muito semelhante. O julgado do HC traduz exatamente essa questão. 

5.2 uzir provas contra si mesmo .3.3 Desdobramentos do direito de não prod

5.2.3.3.1 Direito ao silêncio ou de ficar calado Do exercício desse direito não poderá provocar nenhum prejuízo. Cuidado com a  leitura do CPP no art. 198109, pois a primeira parte diz que o silencio não  importará 

confissão, mas a parte final desse artigo, não foi recepcionada pela Constituição Federal.  # Como é que se exercerá o direito ao silêncio no Tribunal do Júri? 

O juiz não poderá fundamentar a decisão no sentido que foi utilizado. Com a  lei 11.689/08 passa a ser possível a realização de julgamento no júri mesmo sem a presença 

do acusado, seja o crime afiançável – se quiser ficar calado perante o júri, é melhor não comparecer (pois ao invocar esse direito, o acusado fica muito visto pelo jurado, que já vai considerá‐lo culpado). 

Durante  os  debates  o  exercício  do  direito  ao  silêncio  não  pode  ser  usado  como  argumento  de autoridade (promotor  conven j por exemplo) para cer os  urados (art. 478 CPP110). 

5.2.3.3.2 Direito  de  não  ser  constrangido  a  confessar  a  prática  de  um  ilícito criminal 

O  constrangimento  vedado  é  tanto  físico  quanto  o  psíquico.  Em  alguns  países,  até  mesmo  o interrogatório  deve  ser  limitado  a  um  número  determinado  de  horas  sob  pena  de  configurar  o constrangimento. 

5.2.3.3.3 Inexigibilidade de dizer a verdade No Brasil como não existe o crime de perjúrio conclui‐se que não há sanção contra a mentira. Não há 

como exigir do acusado que se fale a verdade. A mentira não é um direito, assim como a fuga não é um direito do preso, embora não exista o crime. 

São ilícitos porém não punidos como crime. Ex.: falso álibi  De acordo com a doutrina poderá ser subdivida em uma mentira defensiva ou mentira agressiva. Mentira defensiva: é o caso de um falso álibi. Mentira agressiva: é quando o acusado imputa a terceiro inocente a prática do delito. Pelo Princípio da convivência das liberdades (Ada P. Grinover), a mentira agressiva configura o crime 

de denunciação caluniosa (art. 339 e 138). Mentir  quanto  à  identidade:  para  o  STF  o  direito  ao  silêncio  não  abrange  o  direito  de  falsear  a 

verdade quanto à iden estidade p soal (HC 72377 e RE 561704). 

5.2.3.3.4 Direito  de  não  praticar  qualquer  comportamento  ativo  que  possa incriminá‐lo 

A doutrina diz que deve‐se diferenciar as hipóteses que houver comportamento ativo de um passivo. Quando se disser que exige um facere do acusado: o comportamento está protegido pelo direito de 

não fazer prova contra si mesmo. No entanto, quando estivermos diante de um comportamento negativo, ou seja, um non facere, não 

estão abrangidos pelo direito de não produzir provas contra si mesmo.  

MEIO PROBATÓRIO  OBRIGATORIEDADE 

                                                            109 Art. 198. O silêncio do acusado não  importará confissão, mas poderá constituir elemento para a  formação do convencimento do juiz.  110 Art. 478.  Durante os debates as partes não poderão, sob pena de nulidade, fazer referências: (Redação dada pela Lei nº 11.689, de 2008)  I – à decisão de pronúncia, às decisões posteriores que  julgaram admissível a acusação ou à determinação do uso de algemas como argumento de autoridade que beneficiem ou prejudiquem o acusado; (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)  II – ao silêncio do acusado ou à ausência de interrogatório por falta de requerimento, em seu prejuízo. (Incluído pela Lei nº 11.689, de 2008)  

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Reconstituição do fato delituoso  Comportamento ativo  Não obrigatório Fornecimento de material para exame grafotécnico  Comportamento ativo  Não obrigatório Reconhecimento do acusado  Comportamento passivo  Obrigatório  

Em exame grafo técnico caso o acusado não queira produzir prova, o delegado poderá determinar a apreensão de caderno is, s pessoa provas de faculdade etc. 

5.2.3.3.5 Direito de não produzir nenhuma prova incriminadora invasiva Provas  invasivas  são as  intervenções  corporais que pressupõe penetração no organismo humano, 

implicando na utilização ou extração de alguma parte dele. Ex.: exame de sangue, exame ginecológico, etc. Provas não invasivas consistem numa inspeção ou verificação corporal. Não há penetração no corpo 

humano nem extração de parte dele. Ex.: lixo de alguma pessoa. A prova  invasiva está protegida pelo nemo  tenetur  se detegere. O acusado poderá doar sangue se 

quiser. Já as provas não invasivas não estão abrangidas pelo mencionado Princípio. Atenção! Pedaços do corpo humano descartados podem ser objeto de apreensão e perícia, mesmo 

sem a concordância do acusado. Um caso que se aplicou foi uma mulher que acusada de ter sido estuprada na carceragem da polícia 

federal. O STF decidiu que a placenta poderia ser utilizada como prova descartada (STF ‐ Rec./QO 2040). O direito de não produzir prova contra si mesmo pode se invocado tanto no processo cível quanto no 

processo criminal. No processo civil não vigor o princípio da presunção de inocência, por isso é que no processo civil a 

recusa poderá ser usada contra quem se recusar. 

Súmula 301 do STJ (Data da Decisão18/10/2004) Ementa:  Em  ação  investigatória,  a  recusa  do  suposto  pai  a  submeter‐se  ao  exame  de  DNA  induz presunção juris tantum de paternidade. 

No processo criminal vigora o princípio da presunção da inocência, por isso o juiz não poderá inverter o ônus da prova deter  qu  inocência. minando e caberá ao réu comprovar a sua

5.2.3.3.6 Bafômetro e a alteração do CTB  

DIREÇÃO AO VOLANTE 

REDAÇÃO ANTIGA  REDAÇÃO ATUAL 

Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, sob  a  influência  de  álcool  ou  substância  de  efeitos análogos, expondo a dano potencial a  incolumidade de outrem:  

Art. 306.  Conduzir veículo automotor, na via pública, estando  com  concentração  de   álcool  por  litro  de sangue igual ou superior a 6 (seis) decigramas, ou sob a  influência de qualquer outra  substância psicoativa que determine dependência:  (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008) Regulamento  Penas  ‐  detenção,  de  seis  meses  a  três  anos,  multa  e  suspensão  ou proibição  de  se  obter  a  permissão  ou  a  habilitação  para  dirigir  veículo automotor. Parágrafo  único.   O  Poder  Executivo  federal  estipulará  a  equivalência entre  distintos  testes  de  alcoolemia,  para  efeito  de  caracterização  do crime tipificado neste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008)

 O antigo 306 era um crime de perigo concreto, ou seja, o perigo do crime, pois a situação de perigo 

está dentro do próprio  tipo penal. A prova poderia ser  feita através de um exame de sangue ou através do bafômetro.  Porém  tanto  um  como  outro  estão  abrangidos  pelo  Princípio  do  nemo  tenetur  se  detegere. Recusando‐se a fazer qualquer um desses exames havia a possibilidade de fazer um exame clínico. 

Com a nova redação dada pela  lei 11.705/08 o  legislador exige que se esteja com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 decigramas. Nessa nova redação observa‐se um crime de perigo abstrato, pois a situação de perigo foi tirada do tipo penal. É possível, ainda, que se faça o exame de sangue e 

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o bafômetro, porém não está obrigado a realizá‐lo. Poderá até se entender que se trata de uma novatio legis in mellius. 

STF HC 166377 – o Min. Og Fernades diz que sem o bafômetro e sem exame de sangue tranca‐se o processo. 

No plano administrativo não há problema algum nas penalidades administrativas. No art. 165 diz que dirigir sob influência de álcool é infração gravíssima. Além disso, o art. 277 exige 

que o condutor será conduzido a exame de alcoolemia. 

Art. 165. Dirigir  sob a  influência de álcool ou de qualquer outra  substância psicoativa que determine dependência: (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008) Infração ‐ gravíssima; (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008) Penalidade ‐ multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008) Medida Administrativa ‐ retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação. (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008) Parágrafo único. A embriaguez também poderá ser apurada na forma do art. 277. 

 Art. 277. Todo condutor de veículo automotor, envolvido em acidente de  trânsito ou que  for alvo de fiscalização de  trânsito,  sob  suspeita de dirigir  sob a  influência de álcool  será  submetido a  testes de alcoolemia,  exames  clínicos,  perícia  ou  outro  exame  que,  por  meios  técnicos  ou  científicos,  em aparelhos  homologados  pelo  CONTRAN,  permitam  certificar  seu  estado.  (Redação  dada  pela  Lei  nº 11.275, de 2006) § 1º Medida correspondente aplica‐se no caso de suspeita de uso de substância entorpecente, tóxica ou de efeitos análogos.(Renumerado do parágrafo único pela Lei nº 11.275, de 2006) §  2º  A  infração  prevista  no  art.  165  deste  Código  poderá  ser  caracterizada  pelo  agente  de  trânsito mediante a obtenção de outras provas em direito admitidas, acerca dos notórios sinais de embriaguez, excitação ou torpor apresentados pelo condutor. (Redação dada pela Lei nº 11.705, de 2008) § 3º Serão aplicadas as penalidades e medidas administrativas estabelecidas no art. 165 deste Código ao condutor que se recusar a se submeter a qualquer dos procedimentos previstos no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008) 

Re e o Resp continuam não tendo efeito suspensivo.   Renúncia de deputado foi alterado o posicionamento no STF.  STF AP 396 Renunciou um dia antes do término do mandato e o STF determinou que prorrogaria a competência 

no STF pois foi manobra nitidamente com fins de impedir processamento.  

PROVAS > Princípios 

   

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PROVAS > Princípios 

Terça‐feira,  09  de  novembro  de  2010.  

5.2.4 Princípio da Inadmissibilidade de admissão das provas obtidas por meios ilícitos Por que a CF não admite provas ilícitas no processo? O direito à prova não tem natureza absoluta. Vedando a produção de provas  ilícitas serve como  importante mecanismo de  tutela dos direitos e 

garantias fundamentais também como fator de inibição e dissuasão à adoção de práticas probatórias ilegais. 

5.2.4.1 Prova ilegal Prova  ilegal  é  aquela  obtida  por meio  de  violação  de  normas  legais  ou  de  princípios  gerais  do 

ordenamento, de natu er ual. Prova ilegal é o gênero. reza mat ial ou process

5.2.4.1.1 Prova ilícita É aquela obtida mediante violação a regras de direito material. Em regra a prova ilícita é obtida fora 

do processo. Em relação à prova ilícita é o direito de exclusão, originária do direito norteamericano “exclusionary 

rules”  e  irá  se materializar  através  do  desentranhamento.  Provas  ilícitas  não  devem  ser  introduzidas  no processo sob pena de exclusão. 

Ex.: preso acusado de seqüestro que por não confessar, o delegado chama a família para a delegacia para tentar persuadi‐lo. 

5.2.4.1.2 Prova ilegítima É a prova obtida mediante violação a  regras de direito processual. Geralmente a prova  ilegítima é 

produzida no curso do processo (intraprocessual). Em relação à prova ilegítima é resolvida pela Teoria das Nulidades (absoluta ou relativa). Ela ficará no 

processo e não haverá o seu desentranhamento. Ex.:  (art.  479  CPP)  –  durante  o  julgamento  do  júri  não  será  permitido  a  leitura  ou  a  amostra  de 

objetos no Tribunal do Júri sem que a juntada tenha se dado em até 3 dias úteis.  

Atenção! Nova redação do art. 157, “caput” do CPP (Lei 11.690/08). 

Art. 157.   São  inadmissíveis,  devendo  ser  desentranhadas  do  processo,  as  provas  ilícitas,  assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) § 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade  entre  umas  e  outras,  ou  quando  as  derivadas  puderem  ser  obtidas  por  uma  fonte independente das primeiras. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 2º Considera‐se  fonte  independente aquela que por  si  só,  seguindo os  trâmites  típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente.  (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 4º (VETADO) (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 

1ª  Corrente:  diante  dessa  nova  redação  qualquer  violação  ao  devido  processo  legal  acarretará  a ilicitude da prova. Pois a expressão “normas legais” pode se referir tanto a normas materiais ou processuais. Corrente adotada por LFG. 

2ª Corrente: as provas  ilícitas continuam sendo aquelas violando normas  legais de direito material; provas ilegítimas são as que violam normas legais de direito processual. Seguem essa posição a professora Ada P. Grinover e Denilson Feitosa. 

5.2.4.2 Prova ilícita por derivação São  os  meios  probatórios  que  não  obstante  produzidos  validamente  em  momento  posterior 

encontram‐se afetados pelo vício da ilicitude originária que a eles se transmite contaminando‐os por efeito de repercussão causal. 

Tem origem no direito americano nos casos Silverthorne Lumber co VS U.S (1920) e Nardone VS US (1939). Chamada Teoria dos frutos da árvore envenenada. 

Essa teoria já é aplicada pelo STF (HC 73351) desde 1996 e agora com previsão no §1º do art. 157 do CPP. 

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PROVAS > Princípios 

5.2 i.4.3 Lim tações à prova ilícita por derivação 

5.2.4.3.1 Teoria (limitação) da fonte independente Se  o  órgão  da  persecução  penal  demonstrar  que  obteve  legitimamente  novos  elementos  de 

informação a partir de uma fonte autônoma de prova que não guarde qualquer relação de dependência com a prova originariamente ilícita, tais dados probatórios são plenamente admissíveis no processo. 

Essa  teoria  surge  também  no  direito  norteamericano  chamada  “independent  source  doctrine”  no caos Bynum VS. US (1960). 

Essa teoria já é utilizada pelo STF, adotada no HC 83921 de 2004 e no art. 157, §1º do CPP. No  art.  157,  §2º  foi  conceituada  a  Teoria  da  Descoberta  inevitável  e  não  a  teoria  da  fonte 

independente. A dout en va independente. rina tem  tendido que o conceito do §2º não é o de pro

5.2.4.3.2 Teoria (limitação) da descoberta inevitável Se o órgão da persecução penal demonstrar que a prova derivada da  ilícita teria sido produzida de 

qualquer maneira, independentemente da prova ilícita originária, tal prova deve ser considerada válida. Essa  teoria  trabalha  no  plano  hipotético.  Sua  aplicação  não  pode  ser  feita  com  base  em mera 

especulação. É indispensável a existência de dados concretos que confirmem que a descoberta seria inevitável. Como  todas  as  outras,  essa  teoria  é  originária  do  direito  norteamericano,  no  precedente Nix VS. 

Williams.Williams II (1984), chamado “inevitable Discovery limitation”. No  caso  concreto  em que  fora  aplicada  essa  teoria, um homem  era  acusado de  ter matado uma 

pessoa e  ter escondido o corpo. Posteriormente o homem acabou confessando mediante  tortura que havia enterrado o corpo na beira de uma estrada. A Suprema Corte Americana determinou a descoberta do corpo seria  inevitável, pois havia 200 moradores fazendo a varredura nas  imediações e a prova seria produzida de qualquer  maneira.  Então  não  foi  aplicado  o  princípio  da  contaminação  das  provas,  dizendo‐se  que inevitavelmente o corpo seria encontrado. 

Não  há  precedentes  do  STF  adotando  essa  teoria,  embora  prevista  no  art.  157,  §2º  do  CPP.  A doutrina entende que seria esse §2º a adoção da descoberta inevitável. 

Para o professor Antonio Magalhães Gomes Filho a aplicação dessa teoria seria inconstitucional por violar o art. 5º, LVI da  s por meios ilícitos;”. CF “são inadmissíveis, no processo, as provas obtida

5.2.4.3.3 Teoria (limitação) da mancha purgada Chamada também de teoria dos vícios sanados, da tinta diluída ou do nexo causal atenuado. Não  se  aplica  a  teoria da prova  ilícita por derivação  se o nexo  causal  entre  a prova primária  e  a 

secundária  for  atenuado  em  virtude  do  decurso  do  tempo,  de  circunstâncias  supervenientes  na  cadeia probatória ou da vontade de um dos envolvidos em colaborar com a persecução penal. 

Surge  no  direito  norteamericano,  chamada  de  purged  tint,  no  caso wong  Sun  VS. U.S.  (1963). O cidadão “A” preso por tráfico de drogas de maneira ilegal e entrega “B”. Este por sua vez entrega “C”. A prova ilícita por derivação contaminaria não só a prisão de “A”, mas também de “B” e “C”. 

Porém  se  o  “C”  resolver  confessar  autonomamente,  na  presença  de  um  advogado,  não  estaria abrangida pela ilegalidade. 

Não é aplicada pelo STF. Para alguns doutrinadores essa teoria teria passado a constar do art. 157, §1º do CPP. 

Essa circunst erância sup veniente apagaria o nexo causal. 

5.2.4.3.4 Teoria (limitação) do encontro fortuito de provas Deve ser utilizada nos casos em que no cumprimento de diligência relativa a um delito a autoridade 

policial casualmente encontra provas relacionadas a outro delito, que não estava na linha de desdobramento normal da investigação. 

Se houve desvio de  finalidade no  cumprimento da diligência  a prova é  considerada  ilícita;  se não houve desvio de finalidade a prova é válida. 

Uma vez realizada a interceptação telefônica (em crime punido com reclusão) as informações obtidas podem  ser  usadas  para  subsidiar  denúncia  de  crimes  punidos  com  detenção,  desde  que  conexos  àqueles delitos.  Caso  não  haja  conexão  entre  os  delitos  as  informações  obtidas  através  da  interceptação  podem funcionar como notícia criminis para o início de novas investigações (HC 83515 – STF). 

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Busca e apreensão em escritório de advocacia: o escritório de advocacia é considerado casa (art. 5º, XI da CF) para os fins da Constituição. Mesmo que se exerça advocacia dentro de casa. 

O mandado deve ser específico e pormenorizado, a ser cumprido na presença de representante da OAB, sendo vedada a utilização de documentos pertencentes a clientes do advogado investigado, salvo se tais clientes também estiverem sendo investigados como coautores pela prática do mesmo crime. 

A OAB pode não indicar o representante e, assim sendo, o mandado não será obstado. 

5.2.4.4 Inutilização da prova ilícita Art. 157, §3º CPP. 

Art. 157.   São  inadmissíveis,  devendo  ser  desentranhadas  do  processo,  as  provas  ilícitas,  assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008)  [...] §3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão judicial, facultado às partes acompanhar o incidente.  (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 

Em duas situações a prova não deve ser inutilizada: quando a prova se constituir em um bem lícito de alguma pessoa ou então constitua o corpo de delito de um outro crime. 

O §3º nos diz que deve haver uma decisão reconhecendo a  ilicitude e por consequência determine seu desentranhamento.  

O  recurso  cabível  para  essa  decisão  dependerá  do  momento  em  que  foi  proferida:  durante  o processo, na  fase  inicial, por meio de decisão  interlocutória o  recurso cabível  seria o RSE  (art. 581, XIII CPP “Caberá  recurso,  no  sentido  estrito,  da  decisão,  despacho  ou  sentença:  [...]  XIII ‐ que  anular  o  processo  da instrução criminal, no todo ou em parte;”). Ainda, pode‐se valer do Mandado de Segurança e o Habeas Corpus (quando no processo estiver prevista a pena restritiva de liberdade). 

Se o juiz reconhece a ilicitude da prova somente em um capítulo da sentença, caberá Apelação. Após  ocorrerá  a  preclusão  da  decisão  de  desentranhamento.  Antes,  quando  havia  o 

desentranhamento a prova  ilícita era guardada na secretaria do  juízo. Atualmente ocorrerá a  inutilização da prova ilícita, ou seja, a destruição física da prova, podendo as partes acompanhar o incidente. 

Apesar de o §3º não dizer de maneira expressa a doutrina aponta duas situações em que a prova não deve ser destruída: 

1ª quando a prova ilícita pertencer licitamente a alguém. Ex.: carta interceptada. 2ª quando a prova ilícita constituir o corpo de delito em relação ao crime praticado para obtê‐la. 

5.2.4.5 Descontaminação do julgado Art. 157, §4º do CPP. O  juiz que  tiver  contato  com  a prova  ilícita não pode proferir  sentença.  Esse  §4º  foi  vetado pelo 

Presidente da República. 

 

Senhor Presidente do Senado Federal,   “O  objetivo  primordial  da  reforma  processual  penal consubstanciada, dentre outros, no presente projeto de  lei, é imprimir celeridade e simplicidade ao desfecho do processo e assegurar  a prestação  jurisdicional em  condições  adequadas. O  referido dispositivo vai de encontro a  tal movimento, uma vez  que  pode  causar  transtornos  razoáveis  ao  andamento processual,  ao  obrigar  que  o  juiz  que  fez  toda  a  instrução processual deva ser, eventualmente substituído por um outro que nem sequer conhece o caso.  

 Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1o do art. 66  da  Constituição,  decidi  vetar  parcialmente,  por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no 4.205, de  2001  (no  37/07  no  Senado  Federal),  que  “Altera dispositivos do Decreto‐Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941 –  Código  de  Processo  Penal,  relativos  à  prova,  e  dá  outras providências”.  

Ademais,  quando  o  processo  não  mais  se  encontra  em primeira  instância,  a  sua  redistribuição  não  atende necessariamente ao que propõe o dispositivo, eis que mesmo que  o  magistrado  conhecedor  da  prova  inadmissível  seja afastado da  relatoria da matéria, poderá  ter que proferir seu voto em razão da obrigatoriedade da decisão coligada.”  

Ouvidos, o Ministério da Justiça e a Advocacia‐Geral da União manifestaram‐se pelo veto ao seguinte dispositivo:  § 4o do art. 157 do Decreto‐Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941, alterado pelo art. 1o do projeto de lei:   “Art. 157. .............................................................................  § 4o   O  juiz  que  conhecer  do  conteúdo  da  prova  declarada inadmissível não poderá proferir a sentença ou acórdão.” (NR)   Razões do veto  

PROVAS > Princípios 

Essas, Senhor Presidente, as razões que me levaram a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto  à  elevada  apreciação  dos  Senhores  Membros  do Congresso Nacional. 

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5.3 Ônus da Prova 

5.3.1 Conceito É o encargo que as partes têm de provar a veracidade das afirmações por elas formuladas ao longo 

do processo, resultando de sua inatividade uma situação de desvantagem perante o direito. 

5.3.2 Ônus da prova perfeito e menos perfeito Ônus da prova perfeito ocorre quando o prejuízo, que é o resultado de seu descumprimento, ocorre 

necessária e  inevitavelmente. É aquele em que não há dúvidas que se não cumprido o ônus  inevitavelmente sofrerá o prejuízo. 

Ônus da prova menos perfeito ocorre quando os prejuízos que derivam de seu descumprimento são produzidos de acordo com uma avaliação judicial. 

De acordo  com essa  classificação entende‐se que não é possível  falar‐se então em ônus da prova imperfeito porque nesse não haveria qualquer prejuízo. Se não há qualquer prejuízo não pode ser considerado uma espécie de ônus. 

5.3.3 Ônus da prova objetivo e subjetivo Ônus da prova objetivo  é uma  regra de  julgamento  a  ser usada pelo  juiz no  caso de dúvida.  É o 

chamado in dubio pro reo. Ônus da prova subjetivo é o encargo que recai sobre as partes de buscar as fontes de prova capazes 

de comprovar suas afirmações. 

5.3.4 Distribuição do ônus da prova no processo penal Há duas correntes:  1ª Corrente (prevalece amplamente): trabalha basicamente com a prova do processo civil.  

ACUSAÇÃO  DEFESA Fato típico   Autoria / participação  Excludente de ilicitude Relação de causalidade  Excludente da culpabilidade Dolo e Culpa  Extinção da punibilidade **Cegueira Deliberada   Formar um juízo de certeza  Formar dúvida razoável 

 A culpa é fácil de ser provada, mas o dolo é subjetivo. O dolo também precisa ser provado, pois se se 

presumir  o  dolo  ofende  o  Princípio  da  Presunção  de  Inocência.  O  dolo  é  comprovado  a  partir  das circunstâncias objetivas do caso concreto. 

Teoria  da  Cegueira  Deliberada  se  o  agente  deliberadamente  evita  a  consciência  quanto  a  uma elementar do delito (presença de droga, origem ilícita de valores na lavagem de capitais etc.), assume o risco de produzir o resultado, respondendo a título de dolo eventual. 

A defesa basta que produza a dúvida quanto a uma excludente (art. 386, VI do CPP111) para gerar o direito de absolvição do acusado. 

2ª Corrente: por conta do princípio da presunção de não culpabilidade no processo penal o ônus da prova é exclusivo da acusação. É essa, entre outros, a posição de Gustavo Badaró. 

5.4 Iniciativa probatória do juiz – gestão das provas 

# O juiz pode produzir as provas de ofício? 

                                                            111 Art. 386.  O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que reconheça: [...] VI – existirem circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena (arts. 20, 21, 22, 23, 26 e § 1o do art. 28, todos do Código Penal), ou mesmo se houver fundada dúvida sobre sua existência; (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) 

PROVAS > Ônus da Prova 

 

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PROVAS > Iniciativa probatória do juiz – gestão das provas 

5.4.1 Sistema inquisitorial Características: 

1. Concentração de poderes nas mãos do juiz: ocorrerá o acúmulo das funções de acusar, defender e julgar. 2. Não há contraditório e ampla defesa: todas essas funções eram acumuladas nas mãos do juiz. 3. Acusado: era tratado como objeto de investigação. 4. Gestão da prova: nesse sistema o juiz possui ampla iniciativa probatória, podendo determinar a produção 

de provas de ofício mesmo antes do  início do processo. Eugênio Pacceli de Oliveira chama de  iniciativa acusatória. 

5.4.2 Sistema acusatório Adotado pela Constituição Federal no seu art. 129, I112. Características: 

1. Separação  das  funções  de  acusar,  defender  e  julgar:  o  que  o  juiz  possui  de  mais  sagrado  é  a imparcialidade. 

2. Contraditório  e  ampla  defesa:  exatamente  por  estarem  em  situações  opostas  é  proporcionado  o contraditório e ampla defesa. 

3. Acusado: sujeito de direitos. 4. Gestão  da  prova:  prevalece  o  entendimento  que  durante  o  curso  do  processo,  permite‐se  a  atuação 

subsidiária do juiz.  Art. 3º da Lei 9.034/95 – permitia que durante as investigações, ou seja, antes do início do processo, 

que o  juiz atuasse de ofício. Era chamado pela doutrina de  juiz  inquisitor  (ADI 1570 – em relação aos sigilos bancário e financeiro o art. 3º teria sido revogado pela Lei Complementar 105/01. Quanto aos sigilos eleitoral e fiscal o art. 3º foi declarado  inconstitucional por violar o Princípio da  Imparcialidade e do Devido Processo Legal). 

Atenção! Nova redação do art. 156 do CPP. 

Art.  156.  A  prova  da  alegação  incumbirá  a  quem  a  fizer,  sendo,  porém,  facultado  ao  juiz  de  ofício:  (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) I  –  ordenar, mesmo  antes  de  iniciada  a  ação  penal,  a  produção  antecipada  de  provas  consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) II – determinar, no curso da  instrução, ou antes de proferir sentença, a  realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 

O inciso II sempre existiu, a novidade é o inciso I. Nos mesmos moldes que o art. 3º da Lei 9.034/95, o  inciso  I  do  art.  156  tem  sido  considerado  inconstitucional  pela  doutrina. O  inciso  II  do mesmo  artigo  é considerado de acordo com o sistema acusatório.    

                                                            112 Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: [...] I ‐ promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;  

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PROVAS > Sistemas de valoração/avaliação da prova 

Terça‐feira,  23  de  novembro  de  2010.  

5.5 Sistemas de valoração/avaliação da prova 

São três os mais importantes meios que o juiz faz a avaliação da prova. 

5.5.1 Sistema da íntima convicção do juiz ou da certeza moral do juiz De acordo com esse sistema o juiz é livre para valorar as provas, inclusive aquelas que não estão nos 

autos, não estando obrigado a fundamentar seu convencimento. A vantagem desse sistema é a liberdade que o juiz tem de valor as provas, porém a liberdade pode 

ser tanta que poderá mensurar provas que não estão no processo. A partir do momento que o juiz não precisa fundamentar o seu convencimento ofende a ampla defesa. 

No inciso IX do art. 93 da Constituição113 é exigida a fundamentação das decisões. Em regra esse sistema da íntima convicção não foi adotado pela Constituição Federal. No Tribunal do 

Júri, no entanto, em  relação aos  jurados é esse o  sistema que vigora, porque, de outro  lado, o  juiz deverá fundamentar suas decisões. 

5.5.2 Sistema da prova tarifada ou da certeza moral do legislador Determinados meios de prova têm valor probatório previamente fixado pelo legislador, cabendo ao 

juiz  tão  somente  apreciar  o  conjunto  probatório  e  lhe  atribuir  o  valor  conforme  estabelecido  por  lei.  O legislador irá estabelecer o valor de cada prova, exemplo: testemunha presencial 10 pontos, testemunha não presencial 5 pontos. 

A vantagem é que nesse sistema há certa segurança, porém acaba privando o  juiz da  liberdade de apreciação  das  provas.  Ex.:  há  três  testemunhas  que  falam  a  mesma  coisa,  porém  uma  que  com  seu depoimento empresta mais confiança – todas terão o mesmo peso. 

Em regra esse sistema não foi adotado pelo CPP. Há, entretanto, alguns dispositivos do Código que apontam a prova tarifada. Ex.: art. 158114 quando uma infração deixar vestígios é necessário o exame de corpo de  delito  não  há  liberdade  quanto  ao meio  de  prova  para  provar  a materialidade;  art.  62115  extinção  da punibilidade por morte do  acusado  somente por  certidão de óbito;  art. 155,  §ún116. o  estado das pessoas somente poderá ser comprovada por meio de prova estabelecida na civil, como a certidão de nascimento ou carteira  de  identidade,  porque  não  se  admite  que  alguém  comprove  sua  idade  por meio  de  depoimento. (Súmula 74 do STJ117) 

5.5.3 Sistema do livre convencimento motivado ou da persuasão racional do juiz O  juiz  tem  ampla  liberdade  na  valoração  das  provas  constantes  dos  autos  as  quais  possuem 

abstratamente o mesmo valor, mas é obrigado a fundamentar seu convencimento. Esse sistema acaba reunindo os aspectos que os outros sistemas possuem de benéfico. 

                                                            113 Art. 93.  Lei  complementar, de  iniciativa do  Supremo Tribunal Federal, disporá  sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: [...]  IX todos os  julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes,  em  casos  nos  quais  a  preservação  do  direito  à  intimidade  do  interessado  no  sigilo  não  prejudique  o  interesse  público  à informação; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)  114 Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri‐lo a confissão do acusado.  115 Art. 62. No caso de morte do acusado, o juiz somente à vista da certidão de óbito, e depois de ouvido o Ministério Público, declarará extinta a punibilidade.  116  Art.  155.  O  juiz  formará  sua  convicção  pela  livre  apreciação  da  prova  produzida  em  contraditório  judicial,  NÃO  podendo fundamentar sua decisão EXCLUSIVAMENTE nos elementos  informativos colhidos na  investigação,  ressalvadas as provas cautelares, não  repetíveis e antecipadas. (Redação dada pela  Lei nº 11.690, de 2008) Parágrafo único. Somente quanto ao estado das pessoas serão observadas as restrições estabelecidas na lei civil. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)  117  Súmula 74 do  STJ  ‐ PARA  EFEITOS PENAIS, O RECONHECIMENTO DA MENORIDADE DO REU REQUER PROVA POR DOCUMENTO HABIL.  

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PROVAS > Provas em espécie 

Nesse sistema o  juiz é obrigado a  fundamentar o seu convencimento, adotado pela Constituição e pelo CPP (art. 155 “caput”). 

Desse sistema do livre convencimento motivado derivam três efeitos importantes: I. Não há prova com valor absoluto 

Não existe prova com valor absoluto. Antigamente a confissão era vista como a “rainha das provas”, atualmente não é mais assim (art. 197 do CPP). 

Art. 197. O valor da confissão se aferirá pelos critérios adotados para os outros elementos de prova, e para a sua apreciação o juiz deverá confrontá‐la com as demais provas do processo, verificando se entre ela e estas existe compatibilidade ou concordância. 

II. O juiz é obrigado a valorar todas as provas produzidas no processo, mesmo que para afastá‐las. Ex.: falso álibi criado pelo acusado. 

III. Somente  serão  consideradas  válidas  as provas  constantes do processo. O  juiz não poderá valer‐se  de  seus  conhecimentos  pessoais,  para  a  condenação  a  prova  deverá  constar  dos autos. 

5.6 Provas em espécie 

5.6.1 Exame de corpo de delito 

5.6.1.1 Conceito de corpo de delito Corpo de delito é o conjunto de vestígios deixados pela infração penal. Não significa necessariamente 

que seja o cadáver, mas sim todos os vestígios encontrados.  # Toda infração penal deixa vestígios? 

Não, o que se pode perceber por exemplo em uma injúria verbal.  A doutrina dois tipos de infrações penais quanto à possibilidade de deixarem vestígios. 

a) Infrações penais transeuntes: são aquelas que não deixam vestígios. Ex.: injúria verbal. b) Infrações penais não transeuntes: são aquelas que deixam vestígios, delitos de fato permanentes. 

5.6.1.2 Conceito de exame de corpo de delito Exame de corpo de delito é aquele  feito por perito oficial ou por dois peritos não oficiais  sobre o 

corpo de delito para comprovação da materialidade e da autoria do delito. Tem natureza jurídica de meio de prova. 

Perícia que poderá ser feita por um perito oficial ou dois peritos não oficiais. Após o exame de corpo de delito os peritos irão elaborar um laudo pericial. A  determinação  do  exame  de  corpo  de  delito  poderá,  em  regra,  ser  determinado  tanto  pela 

autoridade  policial  e  também  pelo  juiz.  Hoje,  tem‐se  admitido  a  possibilidade  de  o  Ministério  Público investigar, que também poderá determinar a realização de exame pericial. 

O exame que somente o  juiz poderá determinar é o de  insanidade mental, conforme artigo 149 do CPP. 

Art. 149. Quando houver dúvida sobre a integridade mental do acusado, o juiz ordenará, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, do defensor, do curador, do ascendente, descendente,  irmão ou cônjuge do acusado, seja este submetido a exame médico‐legal. 1o O exame poderá  ser ordenado ainda na  fase do  inquérito, mediante  representação da autoridade policial ao juiz competente. § 2o O juiz nomeará curador ao acusado, quando determinar o exame, ficando suspenso o processo, se já iniciada a ação penal, salvo quanto às diligências que possam ser prejudicadas pelo adiamento. 

Do exame de  corpo de delito  irá  resultar um  laudo pericial que é a peça  técnica elaborada pelos peritos quando da realização do exame pericial (art. 160118) 

                                                            118 Art. 160. Os peritos elaborarão o laudo pericial, onde descreverão minuciosamente o que examinarem, e responderão aos quesitos formulados. (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994) Parágrafo único. O laudo pericial será elaborado no prazo máximo de 10 dias, podendo este prazo  ser prorrogado, em  casos excepcionais, a  requerimento dos peritos.  (Redação dada pela  Lei nº 8.862, de 28.3.1994)  

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 # Qual o momento da  junta aos autos do  laudo pericial? O  laudo pericial é necessário para dar  início à ação penal? 

Em  regra  o  laudo  pericial  pode  ser  juntado  durante  o  processo,  não  é  uma  condição  de procedibilidade. Excepcionalmente, nos casos de laudo de constatação da natureza da droga (laudo provisório –  art.  50,  §1º  da  Lei  11.343/06119)  até  mesmo  para  uma  prisão  em  flagrante,  sendo  posteriormente confirmado por perícia (art. 525 do CPP120).  e nos crimes contra a propriedade imaterial 

5.6.1.2.1 Exame de corpo de delito direto É  aquele  exame  feito  por  um  perito  oficial  ou  dois  peritos  não  oficiais  sobre  o  próprio  corpo  de 

delito. 

5.6.1.2.2 Exame de corpo de delito indireto 1ª Corrente – é um exame feito pelos peritos a partir da análise de documentos ou do depoimento 

de  testemunhas  do  qual  resultará  a  elaboração  de  um  laudo  pericial.  Adotada  por  Vicente  Greco  Filho  e Eugênio Paccelli. 

Ex.: mulher que foi agredida pelo marido e em seguida dirige‐se à polícia e o exame será direto. Se  nesse mesmo  caso  a mulher  tenha  ido  à  delegacia  fazendo  o  relato. O  delegado  irá  atrás  do 

exame direto que poderá ter sido feito no momento do ato alguma consulta médica em pronto socorro e com base nesse prontuário o perito fará o exame de corpo de delito indireto, ou seja, com base do pronturário. 

Exame de corpo de delito é um exame pericial. 2ª Corrente ‐ quando não for possível a realização do exame direto em virtude do desaparecimento 

dos vestígios, a prova testemunhal ou documental poderá suprir sua ausência. Essa é a corrente que prevalece art. 167 do CPP. 

Diz que o exame indireto seria uma prova testemunhal ou documental suprindo a ausência do exame direto.  

 [STF HC 69591] E M E N T A: "HABEAS CORPUS" ‐ CRIME SEXUAL COMETIDO CONTRA VÍTIMA MENOR (CRIANÇA DE 7 ANOS) ‐ EXAME DE  CORPO  DE  DELITO  INDIRETO  ‐  VALIDADE  ‐  PRESUNÇÃO  LEGAL  DE  VIOLÊNCIA  ‐  ALEGAÇÃO  DE  FRAGILIDADE  DAS  PROVAS TESTEMUNHAIS  ‐  INDAGAÇÃO PROBATÓRIA EM TORNO DOS ELEMENTOS  INSTRUTÓRIOS  ‐  INVIABILIDADE NA VIA SUMARÍSSIMA DO "HABEAS CORPUS" ‐ PEDIDO INDEFERIDO. ‐ Nos crimes contra a liberdade sexual cometidos mediante grave ameaça ou com violência presumida, não se impõe, necessariamente, o exame de corpo de delito direto, porque tais infrações penais, quando praticadas nessas circunstâncias  (com violência moral ou  com violência  ficta), nem  sempre deixam vestígios materiais.  ‐ O exame de  corpo de delito indireto, fundado em prova testemunhal  idônea e/ou em outros meios de prova consistentes (CPP, art. 167), revela‐se  legítimo (RTJ 63/836  ‐  RTJ  81/110  ‐  RT  528/311),  desde  que,  por  não mais  subsistirem  vestígios  sensíveis  do  fato  delituoso,  não  se  viabilize  a realização do exame direto. Precedentes. ‐ Não cabem, na via sumaríssima do processo de "habeas corpus", o exame aprofundado e a revisão crítica dos elementos probatórios produzidos no processo penal de conhecimento. Precedentes.  ‐ A questão da prova e do depoimento infantil nos delitos contra a liberdade sexual: o exame desse tema pela jurisprudência dos Tribunais. 

 

5.6.1.3 Peritos oficiais e não oficiais Perito é um auxiliar do juízo dotado de conhecimentos técnicos ou científicos, que tem a função de 

examinar  o  corpo  de  delito  fornecendo  dados  instrutórios  de  natureza  técnica  para  a  decisão  do  caso concreto. 

Tanto o perito oficial quanto o não oficial devem ser portadores de diploma de curso superior. O  perito  oficial  é  o  funcionário  público  de  carreira  cuja  função  consiste  em  realizar  perícias.  Em 

virtude  da  lei  11.690/08  basta  um  perito  oficial.  Em  relação  ao  perito  oficial  a  Súmula  361  do  STF  está ultrapassada. 

                                                            119 Art. 50.  Ocorrendo prisão em flagrante, a autoridade de polícia  judiciária fará,  imediatamente, comunicação ao  juiz competente, remetendo‐lhe cópia do auto lavrado, do qual será dada vista ao órgão do Ministério Público, em 24 (vinte e quatro) horas. § 1o Para efeito da lavratura do auto de prisão em flagrante e estabelecimento da materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa idônea. § 2o  O perito que subscrever o laudo a que se refere o § 1o deste artigo não ficará impedido de participar da elaboração do laudo definitivo.  120 Art. 525. No caso de haver o crime deixado vestígio, a queixa ou a denúncia não será recebida se não for  instruída com o exame pericial dos objetos que constituam o corpo de delito. 

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Súmula  361  do  STF  ‐  NO  PROCESSO  PENAL,  É  NULO  O  EXAME  REALIZADO  POR  UM  SÓ  PERITO, CONSIDERANDO‐SE  IMPEDIDO  O  QUE  TIVER  FUNCIONADO,  ANTERIORMENTE,  NA  DILIGÊNCIA  DE APREENSÃO. 

No caso de perícia complexa poderá haver a nomeação de mais de um perito oficial. Ex.: acidente do metrô de São Paulo,  foram necessários diversos peritos especializados em diversas áreas do  conhecimento humano. 

Perícia complexa é aquela que abrange mais de uma área do conhecimento especializado. Perito não oficial é a pessoa nomeada pelo juiz ou pela autoridade policial para realizar determinado 

exame pericial. Esse perito não oficial deve prestar o compromisso de bem e fielmente exercer sua função. A ausência desse compromisso é mera  irregularidade. Em  relação ao número de peritos não oficiais o Código continua impondo o número de 2. 

 Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados  por  perito  oficial,  portador  de  diploma  de  curso superior. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) 

I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para  responderem  a  quesitos,  desde  que  o  mandado  de intimação  e  os  quesitos  ou  questões  a  serem  esclarecidas sejam encaminhados  com  antecedência  mínima de 10  (dez) dias,  podendo  apresentar  as  respostas  em  laudo complementar; (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 

§ 1º Na  falta de perito oficial, o exame  será  realizado por 2 (duas)  pessoas  idôneas,  portadoras  de  diploma  de  curso superior preferencialmente na área específica, dentre as que tiverem  habilitação  técnica  relacionada  com  a  natureza  do exame. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) 

II  –  indicar  assistentes  técnicos  que  poderão  apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 2º Os peritos não oficiais prestarão o compromisso de bem e 

fielmente desempenhar o encargo. (Redação dada pela Lei nº 11.690, de 2008) 

§ 6º Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado  no  ambiente do  órgão  oficial,  que  manterá  sempre  sua  guarda,  e  na presença de perito oficial, para exame pelos assistentes, salvo se  for  impossível  a  sua  conservação. (Incluído  pela  Lei  nº 11.690, de 2008) 

§ 3º  Serão  facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação,  ao  ofendido,  ao  querelante  e  ao  acusado  a formulação  de  quesitos  e  indicação  de  assistente técnico. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) § 4º O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz  e  após  a  conclusão  dos  exames  e  elaboração  do  laudo pelos  peritos  oficiais,  sendo  as  partes  intimadas  desta decisão. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 

§  7º  Tratando‐se  de  perícia  complexa  que  abranja mais  de uma área de conhecimento especializado, poder‐se‐á designar a atuação de mais de um perito oficial, e a parte  indicar mais de  um  assistente  técnico.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.690,  de 2008) §  5º  Durante  o  curso  do  processo  judicial,  é  permitido  às 

partes, quanto à perícia: (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008) 

 A  jurisprudência  entende  que  a  perícia  realizada  por  apenas  um  perito  não  oficial  será  nulidade 

meramente relativa de r  ente. vendo se comprovado o prejuízo sendo argüida oportunam

5.6.1.3.1 Dispositivos legais específicos quanto à perícia 1 Código de Processo Penal Militar: o exame pericial pode ser feito por apenas 1 perito oficial ou não oficial, 

embora preferencialmente por 2. 2 Juizado Especial Criminal:  (art. 77, §1º da Lei 9.099/95121) a materialidade poderá  ser provada com um 

boletim médico ou algo equivalente. 3 Lei de Falências: (art.186 da Lei 11.101/05122) 

5.6.1.4 Assistente Técnico Sempre esteve no Código de Processo Civil e por conta da Lei 11.690/08 a  figura do assistente  foi 

introduzida no Código de Processo Penal. 

                                                            121 Art. 77. Na ação penal de  iniciativa pública, quando não houver aplicação de pena, pela ausência do autor do  fato, ou pela não ocorrência da hipótese prevista no art. 76 desta Lei, o Ministério Público oferecerá ao Juiz, de imediato, denúncia oral, se não houver necessidade  de  diligências  imprescindíveis.  §  1º  Para  o  oferecimento  da  denúncia,  que  será  elaborada  com  base  no  termo  de ocorrência  referido no art. 69 desta  Lei,  com dispensa do  inquérito policial, prescindir‐se‐á do exame do  corpo de delito quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente. [...]  122 Art. 186. No relatório previsto na alínea e do inciso III do caput do art. 22 desta Lei, o administrador judicial apresentará ao juiz da falência exposição  circunstanciada,  considerando as  causas da  falência, o procedimento do devedor, antes e depois da  sentença, e outras informações detalhadas a respeito da conduta do devedor e de outros responsáveis, se houver, por atos que possam constituir crime  relacionado  com  a  recuperação  judicial  ou  com  a  falência,  ou  outro  delito  conexo  a  estes.  Parágrafo  único.  A  exposição circunstanciada será instruída com laudo do contador encarregado do exame da escrituração do devedor. 

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Assistente  é  um  auxiliar  das  partes  dotado  de  conhecimentos  técnicos  responsável  por  trazer  ao processo  informações quanto ao objeto da perícia. É um auxiliar das partes então sua atuação não será tão imparcial quanto a dos peritos. 

 

PERITO  ASSISTENTE TÉCNICO 

1. É um auxiliar do juízo.  1. É um auxiliar das partes. 2. É uma atuação imparcial.  2. É uma atuação parcial. 

3. Sujeitos às causas de impedimento ou suspeição. 3. Não  está  sujeito  às  causas  de  impedimento  ou 

suspeição. 4. Para efeitos penais tanto o perito oficial como o 

não  oficial  serão  considerados  funcionário público (art. 327 do CP). 

4. Não é considerado funcionário público. 

5. Poderá  atuar  tanto  na  fase  investigatória  como na judicial. 

5. Art. 159, §§4º e 5º do CPP. Não precisa estar do lado do perito na realização do exame. Somente atua depois da elaboração do laudo pelos peritos.

6. Falsa perícia  (art. 342 do CP) – o autor do delito deve ser perito. 

6. Não  responderá  por  falsa  perícia, mas  sim  por falsidade ideológica (art. 299 do CP). 

Falso  testemunho  ou  falsa  perícia  ‐  Art.  342.  Fazer  afirmação falsa,  ou  negar  ou  calar  a  verdade  como  testemunha,  perito, contador,  tradutor  ou  intérprete  em  processo  judicial,  ou administrativo,  inquérito policial, ou em  juízo arbitral:  (Redação dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001) Pena  ‐ reclusão, de um a três anos, e multa. § 1º As penas aumentam‐se de um sexto a um terço, se o crime é praticado mediante suborno ou se cometido com  o  fim  de  obter  prova  destinada  a  produzir  efeito  em processo penal, ou em processo civil em que  for parte entidade da  administração pública direta ou  indireta.(Redação dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001) § 2º O fato deixa de ser punível se, antes da sentença no processo em que ocorreu o ilícito, o agente se retrata ou declara a verdade.(Redação dada pela Lei nº 10.268, de 28.8.2001) 

Falsidade  ideológica  ‐ Art. 299  ‐ Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele  inserir ou  fazer  inserir  declaração  falsa  ou  diversa  da  que  devia  ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: Pena ‐ reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de  um  a  três  anos,  e  multa,  se  o  documento  é  particular. Parágrafo único  ‐ Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo‐se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumenta‐se a pena de sexta parte. 

 A atuação dos assistentes poderá até ser na fase investigatória, mas desde que seja realizado depois 

dos peritos oficiais. 

5.6.2 Interrogatório do acusado 

5.6.2.1 Interrogatório Judicial É o ato processual por meio do qual o juiz ouve o acusado sobre sua pessoa e sobre a imputação que 

lhe é feita (art. 187). 

5.6.2.2 Natureza Jurídica Há várias correntes na doutrina. 1ª Corrente – o  interrogatório é apenas um meio de prova. Obs.: no sistema  inquisitorial em que o 

acusado é objeto de prova o interrogatório é considerado meio de prova. 2ª  Corrente  –  o  interrogatório  tem  natureza  jurídica mista,  pois  funcionará  tanto  como meio  de 

prova como um meio de defesa. 3ª  Corrente  –  o  interrogatório  seria  considerado  um  meio  de  defesa.  É  a  posição  que  tem 

prevalecido na doutrina, porque:  1. O acusado tem o direito ao silêncio (se fosse meio de prova o acusado não poderia ficar em 

silêncio); 2. Com a lei 11.719/08 o interrogatório passou a ser o último ato da instrução processual o que 

acaba reforçando a natureza jurídica de meio de defesa.  A CF garante o direito à ampla defesa (art. 5º, LV). Poderá ser abordada em dois aspectos: 

• Defesa  Técnica:  é  aquela  exercida  por  profissional  da  advocacia.  Pertence  ao  acusado  o  direito  de constituir  seu advogado. Somente diante de  sua  inércia é que o  juiz pode nomear advogado dativo ou 

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defensor público. A defesa  técnica é  irrenunciável. Se as  teses dos acusados  forem colidentes, a defesa técnica  deve  ser  exercida  por  advogados  distintos.  Não  é  preciso  defesa  técnica  para  processo administrativo  disciplinar,  conforme  Súmula  Vinculante  5,  o  que  não  impede  a  ampla  defesa  nesse processo. 

• Autodefesa:  é  aquela  defesa  exercida  pelo  próprio  acusado.  Essa  defesa  é  renunciável,  se  não  quiser comparecer perante o juiz para dar seu depoimento. A autodefesa desdobra‐se em três: 

o Direito  de  Presença:  é  o  direito  que  o  acusado  tem  de  acompanhar  os  atos  da  instrução processual. Hoje deve ser visualizado da seguinte forma: há um direito de presença direta, ou seja, o acusado deve estar fisicamente presente à sala de audiência; há também o direito de presença remota que é a presença por videoconferência. 

o Direito de audiência: o acusado tem o direito de ser ouvido pelo juiz, de modo a tentar formar a convicção  do  magistrado.  O  interrogatório  está  ligado  ao  direito  de  audiência.  É  através  do interrogatório que o acusado irá fazer valer o seu direito de defesa. 

o Capacidade postulatória autônoma do acusado: o acusado no processo penal pode praticar atos processuais  sem  a  necessidade  de  advogado.  Ex.:  habeas  corpus  e  a  interposição  de  recursos devendo  o  juiz  nomear  um  advogado  para  apresentar  as  razões,  incidentes  da  execução (progressão etc.). 

5.6.2.3 Momento do interrogatório Antes da reforma processual de 2008 o interrogatório era o primeiro ato da instrução probatória. A 

partir da Lei 11.719/08 (em vigor no dia 22 de agosto de 2008) o interrogatório passou a ser o último ato da instrução. 

[CESPE/UNB]  ‐ No  dia  10  de  junho  de  2008  (antes  da  reforma)  o  acusado  foi  interrogado,  como primeiro ato da instrução processual. Nesse caso o juiz era obrigado outras audiências para ouvir testemunhas, no dia de 25 de novembro de 2008 (já em vigor a reforma). Depois de ouvir as testemunhas, preciso fazer novo interrogatório do acusado? 

Para  a  doutrina  (Antonio  Magalhães  Gomes  Filho)  seria  obrigatória  a  realização  de  novo interrogatório.  Para  o  Supremo  se  o  interrogatório  foi  feito  antes  da  reforma  processual  de  2008  não  é necessário repeti‐lo. 

5.6.2.3.1 Dispositivos específicos Algumas leis especiais prevêem o interrogatório em momentos diferentes. 

• Lei de Drogas: o interrogatório ainda é o primeiro ato da instrução. • CPPM: o interrogatório é o primeiro ato da instrução processual. • Competência originária dos tribunais: é o primeiro ato da instrução processual. 

5.6.2.4 Características do interrogatório 1. É um ato personalíssimo, ou seja, pessoal que não pode ser delegado a terceiro. No caso da pessoa jurídica 

o interrogado será o seu representante legal. 2. É um ato contraditório: antes da lei 10.792/03 o interrogatório era um ato privativo do juiz. Somente o juiz 

perguntava ao acusado. Alterado em 2003, e a partir dessa lei o interrogatório passou a ser obrigatória a presença de  defensor,  com direito  à  entrevista prévia  com o  acusado  e  reperguntas  (arts.  186  e  188). Havendo  dois  acusados  o  advogado  de  um  pode  questionar  o  outro  acusado?  Para  o  STF  deve‐se possibilitar a qualquer dos advogados formular reperguntas aos demais acusados, sobretudo nas hipóteses de delação premiada (HC 94016). 

3. Obrigatória a presença de defensor: a ausência de advogado ao interrogatório irá configurar uma nulidade absoluta, por violação ao Princípio da Ampla Defesa. 

5.6.2.5 Interrogatório por videoconferência Essa discussão começa com a Lei Paulista 11.819/05. No Estado de São Paulo editou uma lei tratando 

da videoconferência que acabou  sendo declarada  inconstitucional  (STF HC 90900) por vício de  forma da  lei paulista, pois o Estado de São Paulo não poderia legislar sobre matéria processual. O STF ainda não entrou na discussão sobre a constitucionalidade material. 

O Congresso Nacional tomando conhecimento dessa decisão, elabora a lei 11.900/09. Essa lei altera o CPP e passa a dispor sobre a videoconferência no art. 185, §§ 2º, 3º e 4º. 

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Art.  185.  O  acusado  que  comparecer  perante  a  autoridade judiciária,  no  curso  do  processo  penal,  será  qualificado  e interrogado  na  presença  de  seu  defensor,  constituído  ou nomeado. (Redação dada pela Lei nº 10.792, de 1º.12.2003) 

PROVAS > Provas em espécie 

[...] §  2o   Excepcionalmente,  o  juiz,  por  decisão  fundamentada,  de ofício  ou  a  requerimento  das  partes,  poderá  realizar  o interrogatório do  réu preso por sistema de videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e  imagens em tempo  real, desde que a medida seja necessária para atender a uma das seguintes finalidades: (Redação dada pela Lei nº 11.900, de 2009) I  ‐  prevenir  risco  à  segurança  pública,  quando  exista  fundada suspeita de que o preso integre organização criminosa ou de que, por  outra  razão,  possa  fugir  durante  o  deslocamento;  (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) II  ‐  viabilizar  a  participação  do  réu  no  referido  ato  processual, quando haja relevante dificuldade para seu comparecimento em 

juízo, por enfermidade ou outra  circunstância pessoal;  (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) III  ‐  impedir a  influência do  réu no ânimo de  testemunha ou da vítima, desde que não seja possível colher o depoimento destas por  videoconferência,  nos  termos  do  art.  217  deste  Código; (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) IV  ‐  responder à gravíssima questão de ordem pública.  (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) § 3º Da decisão que determinar a realização de interrogatório por videoconferência, as partes serão intimadas com 10 (dez) dias de antecedência. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) §  4º  Antes  do  interrogatório  por  videoconferência,  o  preso poderá  acompanhar,  pelo  mesmo  sistema  tecnológico,  a realização  de  todos  os  atos  da  audiência  única  de  instrução  e julgamento de que tratam os arts. 400, 411 e 531 deste Código. (Incluído pela Lei nº 11.900, de 2009) 

5.6.2.5.1 Finalidades do uso da videoconferência 

 

1. Prevenir risco à segurança pública. 2. Viabilizar a participação do acusado quando houver dificuldade para  seu  comparecimento em  juízo por 

enfermidade ou outra circunstância pessoal. 3. Impedir a influência do réu no ânimo de testemunhas ou da vítima. Hoje a audiência é uma, portanto, em 

algumas vezes fica difícil em casos como de estupro. 4. Para responder pa dem pública. ra a gravíssima situação de or

5.6.2.5.2 Direito de Defesa 1. Da decisão que determina a videoconferência deverá haver intimação com 10 dias de antecedência. 2. Deverão estar presentes dois advogados: um no presídio e outro na sala de audiência. 3. Deve  haver  um  canal  de  comunicação  entre  os  dois  advogados  e  deve  ser  respeitado  o  direito  de 

entrevista prévia com o acusado. Segundo o professor é totalmente constitucional. 

   

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Terça‐feira,  04  de  janeiro  de  2011.  

6 PRISÃO 

6.1 Conceito de prisão 

Prisão é a privação da  liberdade de  locomoção em virtude do  recolhimento da pessoa humana ao cárcere, seja por força de flagrante delito, ordem escrita e fundamentada de  juiz competente, seja por força de transgressão militar ou crimes propriamente militares. 

O conceito pode ser extraído da Constituição no art. 5º, LXI (ninguém será preso senão em flagrante delito  ou  por  ordem  escrita  e  fundamentada  de  autoridade  judiciária  competente,  salvo  nos  casos  de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei;). 

O  estado  natural  do  ser  humano  é  em  liberdade  consagrado  pela  redação  negativa  do  inciso constitucional acima referido. 

6.2 Espécies de Prisão 

Quanto  às  espécies  de  prisão  dentre  os  autores  há  várias  classificações  diferentes.  Em  princípio dividem‐se em três: extrapenal, penal e cautelar. 

6.3 Prisão Extrapenal 

Há três espécies. A. Prisão Civil B. Prisão Administrativa C. Prisão Disciplinar 

6.3.1 Prisão Civil 

6.3.1.1 Do devedor de alimentos e do depositário infiel Deve‐se comparar o que diz a Constituição Federal e a Convenção Americana de Direitos Humanos. A primeira, no art. 5º, LXVII diz que a prisão civil será admitida para o devedor de alimentos e do 

depositário  infiel  (LXVII  ‐  não  haverá  prisão  civil  por  dívida,  salvo  a  do  responsável  pelo  inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e a do depositário infiel;). 

Nesse  caso  a  Constituição  não  é  auto‐aplicável,  necessitando  de  legislação  esparsa  regulando  a matéria e para isso temos o Código Civil e Decretos. 

Entretanto, o  item 7 do  art. 7º da Convenção Americana de Direitos Humanos  autoriza  apenas  a prisão civil do devedor de alimentos. 

 CF ‐ LXVII  CADH – art. 7º, 7   

• Devedor de alimentos  • Devedor de alimentos   • Depositário infiel  *RE 466.343 O  STF  entendeu  nesse  julgado  que  os 

Tratados  Internacionais  de  Direitos  Humanos possuem  um  status  normativo  supralegal, tornando  inaplicável  a  legislação infraconstitucional que lhe seja contrária. 

   

 Súmula Vinculante 25 e Súmula 419 do STJ. 

Súmula Vinculante 25  ‐ É  ilícita a prisão civil de depositário  infiel, qualquer que seja a modalidade do depósito. Fonte de Publicação DJe nº 238, p. 1, em 23/12/2009. 

 Súmula 419 do STJ ‐ Descabe a prisão civil do depositário judicial infiel. 

6.3.1.2 Prisão Civil do falido 

PRISÃO > Conceito de prisão 

Decreto‐Lei 7.661/45, já revogado. 

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Art. 35. Faltando ao cumprimento de qualquer dos deveres que a presente lei lhe impõe, poderá o falido ser prêso por ordem do  juiz, de ofício ou a  requerimento do  representante do Ministério Público, do síndico ou de qualquer credor.  Parágrafo único. A prisão não pode exceder de sessenta dias, e do despacho que a decretar cabe agravo de instrumento, que não suspende a execução da ordem.  

Essa  prisão  era  tomada  pela  doutrina  como  prisão  civil.  Então,  tendo  a  Constituição  admitido somente a prisão civil do depositário  infiel e do devedor de alimentos flagrantemente não recepcionou esse tipo de prisão civil; pacífico tanto na doutrina quanto na jurisprudência. 

Sobre esse assunto há a súmula 280 do STJ. 

Súmula 280 do STJ ‐ O art. 35 do Decreto‐Lei n° 7.661, de 1945, que estabelece a prisão administrativa, foi revogado pelos incisos LXI e LXVII do art. 5° da Constituição Federal de 1988. 

A Lei 11.101/05 revoga a antiga lei de falências e continua tratando de prisão no seu art. 99. 

Art. 99. A sentença que decretar a falência do devedor [juízo de falência], dentre outras determinações: [...] VII  –  determinará  as  diligências  necessárias  para  salvaguardar  os  interesses  das  partes  envolvidas, podendo  ordenar  a  prisão  preventiva  do  falido  ou  de  seus  administradores  quando  requerida  com fundamento em provas da prática de crime definido nesta Lei; 

Trata da prisão preventiva decretada não por  juiz criminal, mas sim por  juiz falimentar. Pela  leitura do  artigo quem decreta  a  falência  seria o  juízo  falimentar.  Sobre  esse  assunto há doutrinadores  (Denílson Feitosa) que entendem ser possível a decretação da prisão civil do falido pelo juízo falimentar. A outra parte de doutrina diz que a prisão preventiva pode ser decretada desde que pelo juízo competente, ou seja, o juízo criminal. 

Se a prisão preventiva é um  instrumento para assegurar a eficácia do processo penal não se pode admitir que outro juízo decrete essa prisão. Nesse sentido é a posição de Paulo Rangel. 

6.3.2 Prisão Administrativa Prisão administrativa seria a prisão decretada por autoridade administrativa e visa compelir alguém a 

cumprir um dever de direito público. Essa prisão está prevista no art. 319 do CPP.  

CAPÍTULO V DA PRISÃO ADMINISTRATIVA 

Art. 319. A prisão administrativa terá cabimento: I ‐ contra remissos ou omissos em entrar para os cofres públicos com os dinheiros a seu cargo, a fim de compeli‐los a que o façam; II ‐ contra estrangeiro desertor de navio de guerra ou mercante, surto em porto nacional; III ‐ nos demais casos previstos em lei. § 1o A prisão administrativa será requisitada à autoridade policial nos casos dos ns. I e III, pela autoridade que a tiver decretado e, no caso do no II, pelo cônsul do país a que pertença o navio. § 2o A prisão dos desertores não poderá durar mais de três meses e será comunicada aos cônsules. § 3o Os que forem presos à requisição de autoridade administrativa ficarão à sua disposição. Art.  320.  A  prisão  decretada  na  jurisdição  cível  será  executada  pela  autoridade  policial  a  quem  forem  remetidos  os  respectivos mandados. 

 A maioria  da  doutrina  diz  que  essa  prisão  administrativa  não  foi  recepcionada  pela  Constituição 

Federal em  tempos de normalidade  (STF  ‐ RHC 66905123). Alguns doutrinadores entendem que essa prisão administrativa continua sendo válida desde que decretada por uma autoridade jurisdicional. 

                                                            123  'HABEAS CORPUS'. PRISÃO ADMINISTRATIVA. RECURSO ORDINÁRIO.  ‐ TENDO EM VISTA QUE, POSTERIORMENTE A PROLAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO, ENTROU EM VIGOR A NOVA CONSTITUIÇÃO, EM VIRTUDE DA QUAL ‐ POR FORÇA DO DISPOSTO NO INCISO LXI DO ARTIGO 5 ('NINGUEM SERÁ PRESO SENAO EM FLAGRANTE DELITO OU POR ORDEM ESCRITA E FUNDAMENTADA DE AUTORIDADE JUDICIÁRIA COMPETENTE, SALVO NOS CASOS DE TRANSGRESSAO MILITAR OU CRIME PROPRIAMENTE MILITAR, DEFINIDOS EM LEI') ‐ DEIXOU DE SER PERMITIDA, E QUE, SEGUNDO AS  INFORMAÇÕES SUPLEMENTARES COLHIDAS, EXISTE CONTRA O ORA RECORRENTE MANDADO  PARA  QUE  SE  EFETIVE  A  PRISÃO  ADMINISTRATIVA  DECRETADA  ANTES  DA  VIGENCIA  DO  MENCIONADO  TEXTO CONSTITUCIONAL,  CONCEDE‐SE  'HABEAS  CORPUS'  DE  OFICIO  AO  ORA  RECORRENTE,  PARA  QUE  SE  TORNE  SEM  EFEITO  ESSE MANDADO. RECURSO ORDINÁRIO QUE SE JULGA PREJUDICADO PELA CONCESSÃO, DE OFICIO, DO 'HABEAS CORPUS'. 

PRISÃO > Prisão Extrapenal 

 

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6.3.2.1 Estado de Defesa e Estado de Sítio Nas hipóteses de Estado de Defesa e de Sítio a CF autoriza que autoridades não judiciárias decretem 

a prisão independentemente de prévia decisão judicial. 

6.3.2.2 Estatuto do estrangeiro A lei 6815/80 tTrata de prisão do estrangeiro em algumas hipóteses, no art. 81. 

Art. 69. O Ministro da Justiça, a qualquer tempo, poderá determinar a prisão, por 90 (noventa) dias, do estrangeiro submetido a processo de expulsão e, para concluir o inquérito ou assegurar a execução da medida, prorrogá‐la por igual prazo. (Renumerado pela Lei nº 6.964, de 09/12/81) Parágrafo  único.  Em  caso  de  medida  interposta  junto  ao  Poder  Judiciário  que  suspenda, provisoriamente, a efetivação do ato expulsório, o prazo de prisão de que trata a parte final do caput deste artigo ficará interrompido, até a decisão definitiva do Tribunal a que estiver submetido o feito. 

 Art. 81. O Ministério das Relações Exteriores remeterá o pedido ao Ministério da Justiça, que ordenará a prisão do extraditando colocando‐o à disposição do Supremo Tribunal Federal. (Renumerado pela Lei nº 6.964, de 09/12/81) 

Essas prisões do  estrangeiro previstas no  Estatuto,  seja para  fins de  extradição,  seja para  fins de deportação ou de expulsão continuam válidas, desde que decretadas por uma autoridade jurisdicional. 

6.3.3 Prisão Disciplinar A  prisão  disciplinar  está  ligada  ao militar  e  visa  preservar  os  dois  princípios  básicos  de  qualquer 

organização militar que são a hierarquia e a disciplina. O militar poderá ser preso por transgressão disciplinar e crimes propriamente militares que independem de prévia autorização judicial.  # É cabível habeas corpus para impugnar essa prisão disciplinar? 

Art. 42, §1º e o art. 142, §2º da CF. 

Art. 42 Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares, instituições organizadas com base na hierarquia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 18, de 1998) § 1º Aplicam‐se aos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, além do que vier a ser fixado em  lei, as disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e 3º, cabendo a  lei estadual específica dispor sobre as matérias do art. 142, § 3º,  inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas  pelos  respectivos  governadores.  (Redação  dada  pela  Emenda  Constitucional  nº  20,  de 15/12/98) [...] 

 Art.  142.  As  Forças  Armadas,  constituídas  pela  Marinha,  pelo  Exército  e  pela  Aeronáutica,  são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade  suprema do Presidente da República, e destinam‐se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem. [...] § 2º ‐ Não caberá "habeas‐corpus" em relação a punições disciplinares militares. 

Não  cabe habeas  corpus em  relação ao mérito  (discricionariedade) da punição disciplinar. Porém, quando o HC referir a aspectos ligados à legalidade da punição, admite‐se o Habeas Corpus (RE 338840124). 

O prazo máximo dessa prisão disciplinar é de 30 dias. 

6.4 Prisão Penal (Pena) 

É aquela que resulta de sentença condenatória com trânsito em julgado. Esse tipo de prisão deveria ser a  regra em um ordenamento que  consagra a presunção de  inocência, porém, certamente, não é o que ocorre. O que se justifica muito em razão da grande quantidade de recursos que atravancam o andamento do processo fazendo com o processo se torne demorado fazendo com que as autoridades judiciárias se utilizem de prisões cautelares para suprir a manifesta sensação de impunidade. 

                                                            124 RECURSO EXTRAORDINÁRIO. MATÉRIA CRIMINAL. PUNIÇÃO DISCIPLINAR MILITAR. Não há que se falar em violação ao art. 142, § 2º, da CF, se a concessão de habeas corpus,  impetrado contra punição disciplinar militar, volta‐se tão‐somente para os pressupostos de sua  legalidade,  exluindo  a  apreciação  de  questões  referentes  ao mérito.  Concessão  de  ordem  que  se  pautou  pela  apreciação  dos aspectos fáticos da medida punitiva militar, invadindo seu mérito. A punição disciplicar militar atendeu aos pressupostos de legalidade, quais sejam, a hierarquia, o poder disciplinar, o ato  ligado à função e a pena susceptível de ser aplicada disciplinarmente, tornando, portanto, incabível a apreciação do habeas corpus. Recurso conhecido e provido. 

PRISÃO > Prisão Penal (Pena) 

 

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6.5 Prisão Cautelar (Processual) 

Evitar a expressão prisão provisória por sugerir uma posterior prisão definitiva. O STF usa a expressão “carcer ad custodiam”. 

6.5.1 Conceito Prisão cautelar é aquela decretada antes do  trânsito em  julgado de sentença penal condenatória 

com o objetivo de assegurar a eficácia das investigações ou do processo criminal. É uma medida de natureza excepcional, que não pode ser utilizada como cumprimento antecipado de pena tampouco para dar satisfação à opinião pública ou à mídia. 

6.5.2 Pressupostos para decretação Os pressupostos são o “fumus comissi delicti” e o “periculun libertatis”. Fumus comissi delicti é a fumaça da prática do delito, caracterizada pela prova da existência do crime 

e de  indícios de autoria ou participação. Ao usar a expressão prova da existência do crime é que, quanto à existência do crime, é necessária prova (juízo de certeza). No entanto o  indício entende‐se como uma prova semiplena, ou seja, com menor valor persuasivo. 

Periculun  libertatis  é  o  perigo  que  a  permanência  do  acusado  em  liberdade  representa  para  as investigações, para o processo penal, para a efetividade do Direito Penal e para a própria segurança social. 

6.5.3 Espécies de Prisão Cautelar 1 Prisão em flagrante; 2 Prisão preventiva; 3 Prisão temporária; 4 Prisão decorrente de pronúncia; 5 Prisão decorrente de sentença condenatória recorrível. 

Há Manuais  que  ainda  se  referem  à  prisão  decorrente  de  pronúncia  e  a  prisão  decorrente  de sentença condenatória recorrível. Até 2007 entendia‐se que alguém poderia ser preso por conta da pronúncia ou  ainda  quando  contra  essa  pessoa  fosse  proferida  uma  sentença  condenatória  recorrível,  porém  com  a reforma processual de 2008 essas duas possibilidades de prisão foram extintas. 

6.6 Bipolaridade das Medidas Cautelares de Natureza Pessoal no CPP 

Em  se  tratando de medidas  cautelares de natureza pessoal, ou  seja, aquelas que  recaem  sobre o acusado, o CPP oferece ao  juiz apenas duas opções: prisão  cautelar ou  liberdade provisória àquele que  foi anteriormente preso em flagrante. A denominação bipolaridade é em razão de não existir meio termo entre as duas opções. 

Vale destacar o Projeto de Lei do Senado 156/09 que trata do novo CPP e dentre várias novidades uma delas é tentar resolver essa bipolaridade com um rol de medidas cautelares alternativas à prisão cautelar. 

6.6.1 Poder Geral de Cautela no Processo Penal Está previsto no art. 798 do Código de Processo Civil. 

Art. 798. Além dos procedimentos cautelares específicos, que este Código  regula no Capítulo  II deste Livro, poderá o  juiz determinar as medidas provisórias que  julgar adequadas, quando houver  fundado receio de que uma parte, antes do julgamento da lide, cause ao direito da outra lesão grave e de difícil reparação. 

Alguns  doutrinadores  (Antonio  Magalhães  Gomes  Filho)  entendem  que  não  é  permitida  a determinação da retenção do passaporte, pois não há previsão em lei, não sendo, portanto, admitido o Poder Geral de Cautela. 

O  STF  tem  utilizado  o  Princípio  da  Proporcionalidade  baseado  no  subprincípio  da  necessidade (intervenção mínima e última ratio) que entre as medidas o juiz deverá buscar sempre a menos gravosa. Se a lei  contempla  a medida mais  gravosa  de  todas  que  é  a  prisão  cautelar,  seria  possível  então  que  o  juiz decretasse medida cautelar menos gravosa com base no poder geral de cautela, embora não exista previsão legal da retenção do passaporte (STF – HC 94147, STJ – HC 114734). 

PRISÃO > Prisão Cautelar (Processual) 

 

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STF/HC  94147  ‐  PROCESSUAL  PENAL.  IMPOSIÇÃO  DE CONDIÇÕES JUDICIAIS (ALTERNATIVAS À PRISÃO PROCESSUAL). POSSIBILIDADE. PODER GERAL DE CAUTELA. PONDERAÇÃO DE INTERESSES. ART. 798, CPC; ART. 3°, CPC. 1. A questão  jurídica debatida  neste  habeas  corpus  consiste  na  possibilidade  (ou não) da  imposição de condições ao paciente com a  revogação da  decisão  que  decretou  sua  prisão  preventiva  2.  Houve  a observância dos princípios e regras constitucionais aplicáveis à matéria  na  decisão  que  condicionou  a  revogação  do  decreto prisional ao cumprimento de certas condições  judicias. 3. Não há  direito  absoluto  à  liberdade  de  ir  e  vir  (CF,  art.  5°,  XV)  e, portanto,  existem  situações  em  que  se  faz  necessária  a ponderação dos  interesses em  conflito na apreciação do  caso concreto. 4. A medida adotada na decisão impugnada tem clara natureza acautelatória,  inserindo‐se no poder geral de cautela (CPC,  art.  798;  CPP,  art.  3°).  5.  As  condições  impostas  não maculam o princípio constitucional da não‐culpabilidade, como também não o fazem as prisões cautelares (ou processuais). 6. Cuida‐se  de  medida  adotada  com  base  no  poder  geral  de cautela,  perfeitamente  inserido  no  Direito  brasileiro,  não havendo  violação  ao  princípio  da  independência  dos  poderes 

(CF,  art. 2°),  tampouco malferimento  à  regra de  competência privativa da União para legislar sobre direito processual (CF, art. 22, I). 7. Ordem denegada. 

 STJ/HC  114734  ‐  HABEAS  CORPUS.  PRISÃO  EM  FLAGRANTE. CONCESSÃO  DE  LIBERDADE  PROVISÓRIA.  IMPOSIÇÃO  DE MEDIDAS  CAUTELARES.  PODER  GERAL  DE  CAUTELA  DO MAGISTRADO.  CRITÉRIOS  DE  RAZOABILIDADE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL EVIDENCIADO. 1. Embora possível a  aplicação  de  medidas  cautelares  como  condicionantes  à revogação de custódia antecipada, com  fundamento no poder geral de cautela do magistrado, arts. 798 do CPC c.c. art. 3º do CPP,  estas  devem  observar  critérios  de  razoabilidade  e proporcionalidade.  2.  Impostas  as medidas  de  suspensão  de habilitação  para  dirigir  veículo  automotor  e  restritiva  de direitos consistente em deixar de residir e/ou transitar no local dos  fatos,  revela‐se  evidenciado  o  constrangimento  se  estas perduram por quase dois anos, além do que  já  se encerrou a instrução processual. 3. Habeas corpus concedido. 

 [PROVAS DA UNB – é perfeitamente possível a adoção do Poder Geral de Cautela com base no CPC 

(art. 798) com fundamento no art. 3º do CPP (aplicação subsidiária do CPC)]. 

6.6.2 Medidas Cautelares de Natureza Pessoal previstas na Legislação Especial − Lei Maria da Penha Lei 11.340/06 – diversas medidas cautelares de afastamento. − CTB  9503/97  (art.  294)  –  suspensão  da  habilitação  ou  permissão  para  dirigir  veículo  automotor  ou proibir sua aquisição. 

− Decreto‐Lei 201/67 ‐ afastamento do prefeito do cargo nos crimes de responsabilidade. − Lei 11.343/06  (art. 56, §1º) – afastamento cautelar do  funcionário público de suas atividades quando presente nexo funcional. 

6.7 Momento da Prisão 

Art. 283 do CPP  ‐ A prisão poderá ser efetuada em qualquer dia e a qualquer hora, respeitadas as restrições relativas à inviolabilidade do domicílio. 

6.7.1 Inviolabilidade do domicílio Está  ligada diretamente a proteção da privacidade. Quanto ao momento e  local da prisão deve‐se 

lembrar  que  nas  hipóteses  de  flagrante  delito  a  prisão  poderá  ocorrer  durante  o  dia  e  durante  a  noite, independentemente de prévia autorização judicial. 

Ingresso no domicílio com autorização judicial só poderá ser cumprida durante o dia.  

6.7.2 Código Eleitoral Art. 236. Nenhuma autoridade poderá, desde 5 (cinco) dias antes e até 48 (quarenta e oito) horas depois do encerramento da eleição, prender ou deter qualquer eleitor, salvo em flagrante delito ou em virtude de sentença criminal condenatória por crime inafiançável, ou, ainda, por desrespeito a salvo‐conduto. § 1º Os membros das mesas receptoras e os fiscais de partido, durante o exercício de suas funções, não poderão  ser  detidos  ou  presos,  salvo  o  caso  de  flagrante  delito;  da  mesma  garantia  gozarão  os candidatos desde 15 (quinze) dias antes da eleição. § 2º Ocorrendo qualquer prisão o preso será imediatamente conduzido à presença do juiz competente que, se verificar a ilegalidade da detenção, a relaxará e promoverá a responsabilidade do coator. 

Durante  esse  período  não  poderão  ser  presos  em  razão  decretação  de  prisão  preventiva  ou temporária. 

PRISÃO > Momento da Prisão 

6.8 Imunidades Prisionais 

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6.8.1 Presidente da República Não está sujeito a nenhuma hipótese de prisão cautelar – art. 86, §3º da CFF

125. Essa  imunidade  não  poderá  ser  estendida  a  governadores  de  Estado.  Algumas  constituições 

estaduais outorgam as mesmas garantias do Presidente da República aos governadores do Estado. Porém, o STF na ADI 1026 declarou inconstitucional essa proteção aos governadores (STJ ‐ INQ 650 – ex‐governador do DF). 

O  STJ  entendeu  que  seria  cabível  a  prisão  do  governador  e  também  que  seria  desnecessária  a autorização  da Assembléia  Legislativa,  ou  Câmara Distrital  no  caso  do Distrito  Federal,  confirmada  no HC 102732 pelo STF com relatoria do Min. Marco Aurélio. 

Posteriormente  a  prisão  foi  revogada  por  se  entender  que  os  motivos  que  a  justificavam  não estavam mais presentes. 

 

                                                            125 Art. 86. Admitida a acusação contra o Presidente da República, por dois terços da Câmara dos Deputados, será ele submetido a julgamento  perante  o  Supremo  Tribunal  Federal,  nas  infrações  penais  comuns,  ou  perante  o  Senado  Federal,  nos  crimes  de responsabilidade.  [...] § 3º  ‐ Enquanto não  sobrevier  sentença  condenatória, nas  infrações  comuns, o Presidente da República não estará sujeito a prisão. 

PRISÃO > Imunidades Prisionais 

 

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ADI  978  ‐  E  M  E  N  T  A:  AÇÃO  DIRETA  DE INCONSTITUCIONALIDADE  ‐  CONSTITUIÇÃO  DO  ESTADO  DA PARAIBA  ‐  OUTORGA  DE  PRERROGATIVAS  DE  CARÁTER PROCESSUAL PENAL AO GOVERNADOR DO ESTADO ‐ IMUNIDADE A  PRISÃO  CAUTELAR  E  A  QUALQUER  PROCESSO  PENAL  POR DELITOS  ESTRANHOS  A  FUNÇÃO  GOVERNAMENTAL  ‐ INADMISSIBILIDADE  ‐  OFENSA  AO  PRINCÍPIO  REPUBLICANO  ‐ USURPAÇÃO  DE  COMPETÊNCIA  LEGISLATIVA  DA  UNIÃO  ‐ PRERROGATIVAS  INERENTES  AO  PRESIDENTE  DA  REPUBLICA ENQUANTO  CHEFE DE  ESTADO  (CF/88,  ART.  86,  PAR.  3.  E  4.)  ‐ AÇÃO  DIRETA  PROCEDENTE.  PRINCÍPIO  REPUBLICANO  E RESPONSABILIDADE  DOS  GOVERNANTES.  ‐  A  responsabilidade dos  governantes  tipifica‐se  como  uma  das  pedras  angulares essenciais  a  configuração  mesma  da  ideia  republicana.  A consagração do princípio da responsabilidade do Chefe do Poder Executivo,  além  de  refletir  uma  conquista  basica  do  regime democratico,  constitui  consequencia  necessaria  da  forma republicana  de  governo  adotada  pela  Constituição  Federal.  O princípio republicano exprime, a partir da  ideia central que lhe e subjacente,  o  dogma  de  que  todos  os  agentes  publicos  ‐  os Governadores de Estado e do Distrito Federal, em particular ‐ são igualmente  responsaveis  perante  a  lei.  RESPONSABILIDADE PENAL  DO  GOVERNADOR  DO  ESTADO.  ‐  Os  Governadores  de Estado  ‐  que  dispoem  de  prerrogativa  de  foro  ratione muneris perante o Superior Tribunal de  Justiça  (CF, art. 105,  I, a)  ‐ estao permanentemente sujeitos, uma vez obtida a necessaria  licenca da  respectiva  Assembléia  Legislativa  (RE  153.968‐BA,  Rel. Min. ILMAR  GALVAO;  RE  159.230‐PB,  Rel.  Min.  SEPÚLVEDA PERTENCE),  a  processo  penal  condenatório,  ainda  que  as infrações penais  a  eles  imputadas  sejam estranhas  ao exercício das funções governamentais. ‐ A imunidade do Chefe de Estado a 

persecução  penal  deriva  de  cláusula  constitucional  exorbitante do direito  comum e, por  traduzir  consequencia derrogatória do postulado  republicano,  só  pode  ser  outorgada  pela  propria Constituição  Federal.  Precedentes:  RTJ  144/136,  Rel.  Min. SEPÚLVEDA PERTENCE; RTJ 146/467, Rel. Min. CELSO DE MELLO. Analise  do  direito  comparado  e  da  Carta  Politica  brasileira  de 1937.  IMUNIDADE  A  PRISÃO  CAUTELAR  ‐  PRERROGATIVA  DO PRESIDENTE  DA  REPUBLICA  ‐  IMPOSSIBILIDADE  DE  SUA EXTENSAO, MEDIANTE NORMA DA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, AO GOVERNADOR DO  ESTADO.  ‐ O  Estado‐membro,  ainda  que  em norma  constante  de  sua  propria  Constituição,  não  dispõe  de competência  para  outorgar  ao  Governador  a  prerrogativa extraordinária  da  imunidade  a  prisão  em  flagrante,  a  prisão preventiva  e  a  prisão  temporaria,  pois  a  disciplinação  dessas modalidades de prisão  cautelar  submete‐se,  com  exclusividade, ao  poder  normativo  da  União  Federal,  por  efeito  de  expressa reserva  constitucional  de  competência  definida  pela  Carta  da Republica.  ‐ A  norma  constante  da  Constituição  estadual  ‐  que impede  a  prisão  do  Governador  de  Estado  antes  de  sua condenação penal definitiva ‐ não se reveste de validade jurídica e,  consequentemente,  não  pode  subsistir  em  face  de  sua evidente  incompatibilidade com o texto da Constituição Federal. PRERROGATIVAS  INERENTES  AO  PRESIDENTE  DA  REPUBLICA ENQUANTO  CHEFE  DE  ESTADO.  ‐  Os  Estados‐membros  não podem  reproduzir  em  suas  proprias  Constituições  o  conteudo normativo dos preceitos inscritos no art. 86, PAR.3. e 4., da Carta Federal, pois as prerrogativas contempladas nesses preceitos da Lei  Fundamental  ‐  por  serem  unicamente  compativeis  com  a condição  institucional  de  Chefe  de  Estado  ‐  são  apenas extensiveis ao Presidente da Republica. 

 

6.8.2 Imunidade Diplomática Chefe  de  Estado  estrangeiro,  embaixadores  e  suas  famílias,  integrantes  de  organizações 

internacionais não podem  ser presos  seja qual  for o  crime praticado. Não é possível prender em  flagrante, preventivamente,  temporariamente ou de qualquer outra  forma, pois ele só será processado pelo Estado o qual representa, o que não impede, entretanto, que na prática de algum ato lesivo seja impedido. 

Quanto aos cônsules a imunidade somente é cabível nos crimes que envolvam suas funções. 

6.8.3 Senadores, Deputados Federais, Estaduais e Distritais Art. 53. Os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) [...] § 2º Desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em  flagrante de  crime  inafiançável. Nesse  caso, os autos  serão  remetidos dentro de vinte e quatro horas  à Casa  respectiva, para que, pelo  voto da maioria de  seus membros,  resolva  sobre  a prisão. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 35, de 2001) 

No caso de Senadores, Deputados Federais, Estaduais e Distritais o STF refere‐se da seguinte forma: “freedom from arrest”. 

Atenção, o  promotor poderá  ter  sua  prisão  temporária  e preventiva decretada, mas  a prisão  em flagrante  somente quanto aos crimes  inafiançáveis. Entretanto, no caso dos parlamentares a única prisão a que estão sujeitos é a em flagrante de crime inafiançável, ou seja, não estão sujeitos à prisão preventiva ou à temporária (INQ 510). 

PRISÃO > Imunidades Prisionais 

STF/INQ  510  ‐  INQUERITO  ‐  CRIME  CONTRA  A  HONRA  ‐  SENADOR  DA  REPUBLICA  ‐  IMUNIDADE PARLAMENTAR MATERIAL  ‐ CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988  ‐ EVOLUÇÃO DO CONSTITUCIONALISMO BRASILEIRO  ‐  ASPECTOS  DO  INSTITUTO  DA  IMUNIDADE  PARLAMENTAR  ‐  INVIOLABILIDADE  E IMPROCESSABILIDADE  ‐  "FREEDOM  FROM  ARREST"  ‐  DISCURSO  PARLAMENTAR  ‐  IRRELEVÂNCIA  DO LOCAL EM QUE PROFERIDO  ‐  INCIDENCIA DA TUTELA CONSTITUCIONAL  ‐ PEDIDO DE ARQUIVAMENTO DO  CHEFE DO MINISTÉRIO  PÚBLICO  ‐  IRRECUSABILIDADE  ‐ MONOPOLIO  CONSTITUCIONAL DA AÇÃO PENAL PÚBLICA  ‐  INQUERITO ARQUIVADO.  ‐ O  instituto da  imunidade parlamentar atua, no  contexto normativo  delineado  por  nossa  Constituição,  como  condição  e  garantia  de  independência  do  Poder Legislativo,  seu  real destinatario, em  face dos outros poderes do Estado. Estende‐se ao  congressista, 

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PRISÃO > Prisão e emprego de força 

embora não constitua uma prerrogativa de ordem subjetiva deste. Trata‐se de prerrogativa de caráter institucional,  inerente ao Poder Legislativo, que só e conferida ao parlamentar "ratione muneris", em função do cargo e do mandato que exerce. E por essa razão que não se reconhece ao congressista, em tema  de  imunidade  parlamentar,  a  faculdade  de  a  ela  renunciar.  Trata‐se  de  garantia  institucional deferida  ao  Congresso  Nacional.  O  congressista,  isoladamente  considerado,  não  tem,  sobre  ela, qualquer poder de disposição. 

O STF decretou a prisão temporária dos deputados estaduais do Estado de Rondônia, já que dos 24 deputados, 23 que estavam envolvidos. Então, para evitar que apenas um deles decretasse a prisão, entendeu que a garantia não é absoluta, justamente em razão dessa operação da Polícia Federal (HC 89417). 

A  imunidade prisional não se aplica aos vereadores que possuem apenas a  imunidade material na circunscrição do Município. 

6.8.4 Magistrados e membros do Ministério Público Estão  sujeitos  à  prisão  preventiva  e  à  prisão  temporária,  porém  quanto  à  prisão  em  flagrante  é 

restrita aos crimes inafiançáveis. Lei 8625/93 – LOMP 

Art. 40. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público, além de outras previstas na Lei Orgânica: [...] III ‐ ser preso somente por ordem judicial escrita, salvo em flagrante de crime inafiançável, caso em que a  autoridade  fará,  no  prazo máximo  de  vinte  e  quatro  horas,  a  comunicação  e  a  apresentação  do membro do Ministério Público ao Procurador‐Geral de Justiça; Art. 41. Constituem prerrogativas dos membros do Ministério Público, no exercício de sua função, além de outras previstas na Lei Orgânica: [...] Parágrafo único. Quando no curso de investigação, houver indício da prática de infração penal por parte de membro do Ministério Público, a autoridade policial, civil ou militar  remeterá,  imediatamente, sob pena de responsabilidade, os respectivos autos ao Procurador‐Geral de Justiça, a quem competirá dar prosseguimento à apuração. 

No caso de prisão em flagrante de promotor de justiça o APF deve ser lavrador pelo Procurador Geral de Justiça, ou seja, o delegado não poderá investigar diretamente o promotor. 

6.8.5 Advogados No  exercício  da  função  só  poderão  ser  presos  em  flagrante  de  crime  inafiançável,  assegurada  a 

presença de  representante da OAB para  lavratura do APF. As demais  espécies de prisões  serão  admitidas, mesmo no exercício da função. 

No caso de falso advogado não se aplica. 

6.9 Prisão e emprego de força 

Art. 284 do CPP ‐ Não será permitido o emprego de força, salvo a indispensável no caso de resistência ou de tentativa de fuga do preso. 

Pena de morte só existe em caso de guerra declarada, mas é admissível que um policial mate no caso de legítima defesa. 

6.9.1 Uso de algemas Medida de natureza excepcional que só pode ser adotada nas seguintes hipóteses: 

1 Prevenir ou impedir a fuga do preso; e 2 Quando houver risco de agressão do preso conta os policiais, terceiros ou contra si mesmo. 

Há presos que no momento da prisão dão indicativos de perigo e atentados contra si próprios, então, nesses casos deverão ser algemados, por ser de responsabilidade do delegado a integralidade do preso. 

Súmula Vinculante 11 ‐ Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo  à  integridade  física própria ou  alheia, por parte do preso ou de  terceiros,  justificada  a excepcionalidade por escrito,  sob pena de  responsabilidade disciplinar,  civil e penal do agente ou da autoridade  e  de  nulidade  da  prisão  ou  do  ato  processual  a  que  se  refere,  sem  prejuízo  da responsabilidade civil do Estado. Fonte de Publicação DJe nº 157, p. 1, em 22/8/2008. 

Essa súmula criou a justificativa por escrito da excepcionalidade de usar algemas. Essa súmula surgiu em  um  caso  de  um  júri  quando  o  acusado  permaneceu  algemado  durante  todo  o  julgamento  e,  segundo entendimento dos Ministros do STF, influenciou na decisão dos jurados. 

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PRISÃO > Prisão e emprego de força 

 Inafiançáveis são os crimes com pena mínima superior a 2 anos. A prisão do Defensor público segue as mesmas regras do advogado. 

   

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PRISÃO > Prisão Especial 

Quarta‐feira,  19  de  janeiro  de  2011.  

6.10 Prisão Especial 

Prisão especial é uma modalidade de cumprimento de prisão cautelar. O cidadão  só  tem direito a prisão  especial  durante  a  prisão  cautelar,  ou  seja,  antes  do  trânsito  em  julgado  de  sentença  penal condenatória. 

Prisões cautelares são aquelas já citadas, a prisão especial é uma modalidade de prisão cautelar. O  preso  especial  tem  direito  a  permanecer  separado  dos  demais  presos.  À  luz  do  princípio  da 

isonomia o critério de separação não seria constitucional. A prisão especial surge com a Lei 5.256/67, criando a prisão especial e prevê que se na localidade não 

houvesse estabelecimento adequado à prisão especial o juiz poderia autorizar a prisão domiciliar. Essa  lei foi alterada em 2001, bastando apenas local distinto do preso comum. 

Previsão no art. 295 do CPP. A  lei de execução penal  traz uma previsão para as pessoas que  já  trabalharam na execução penal 

(art. 84, §2º126). O preso especial terá direito à progressão de regimes. Alguém que em primeira instância tenha sido 

condenado a 15 anos e a partir de então somente a defesa esteja recorrendo. Nesses casos poderá requerer a progressão de regime baseado na pena, pois não é permitida a “reformatio in pejus”. 

Súmula 717 do STF  ‐ NÃO  IMPEDE A PROGRESSÃO DE REGIME DE  EXECUÇÃO DA PENA,  FIXADA  EM SENTENÇA NÃO TRANSITADA EM  JULGADO, O FATO DE O RÉU SE ENCONTRAR EM PRISÃO ESPECIAL. Fonte de Publicação DJ de 9/10/2003. 

6.11 Sala de Estado Maior 

Sala de Estado Maior  instalada no Comando das Forças Armadas ou de outras  instituições militares destituídas de grades ou de portas chaveadas pelo lado de fora. Assemelha‐se à prisão especial, porque ambas se tratam de formas de cumprimento da prisão cautelar e ambas vão até o trânsito em  julgado de sentença penal condenatória. 

Terá direito à sala de Estado Maior são juízes, membros do MP, da Defensoria Pública e Advogados. Jornalistas  tinham  direito  também  em  razão  da  lei  de  imprensa,  mas  como  o  STF  declarou  sua inconstitucionalidade, perderam esse benefício. 

Para  advogados,  e  somente para  advogados, não  abrangendo  juízes  e promotores, o  estatuto do advogado prevê que não havendo na  localidade  sala de Estado Maior o advogado poderá  ser autorizado a permanecer em prisão domiciliar. 

Art. 5º, V do Estatuto da OAB. 

Art. 7º São direitos do advogado: [...] V ‐ não ser recolhido preso, antes de sentença transitada em  julgado, senão em sala de Estado Maior, com  instalações  e  comodidades  condignas,  assim  reconhecidas  pela OAB,  e,  na  sua  falta,  em  prisão domiciliar; (Vide ADIN 1.127‐8) 

A exigência de reconhecimento pela OAB foi declarado inconstitucional. Não se trata, entretanto, de uma  garantia  absoluta,  pois,  a  depender  do  caso  concreto,  o  advogado  pode  sim  ser  recolhido  a penitenciárias, desde que haja cela individual (STF – HC 93391127). 

                                                            126 Art. 84. O preso provisório ficará separado do condenado por sentença transitada em julgado. [...] § 2° O preso que, ao tempo do fato, era funcionário da Administração da Justiça Criminal ficará em dependência separada.  127 EMENTAS: 1. PRISÃO PREVENTIVA. Cumprimento. Definição do local. Transferência determinada para estabelecimento mais curial. Competência do juízo da causa. Aplicação de Regime Disciplinar Diferenciado ‐ RDD. Audiência prévia do Ministério Público e da defesa. Desnecessidade. Ilegalidade não caracterizada. Inteligência da Res. nº 557 do Conselho da Justiça Federal e do art. 86, § 3º, da LEP. É da competência do  juízo da  causa penal definir o  estabelecimento penitenciário mais  curial  ao  cumprimento de prisão preventiva.  2. PRISÃO ESPECIAL. Advogado. Prisão preventiva. Cumprimento. Estabelecimento  com  cela  individual, higiene  regular e  condições de impedir contato com presos comuns. Suficiência. Falta, ademais, de contestação do paciente.  Interpretação do art. 7º, V, da Lei nº 8.906/94  ‐  Estatuto  da  Advocacia,  à  luz  do  princípio  da  igualdade.  Constrangimento  ilegal  não  caracterizado.  HC  denegado. Precedentes. Atende à prerrogativa profissional do advogado ser recolhido preso, antes de sentença transitada em  julgado, em cela 

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PRISÃO > Prisão em flagrante 

6.12 Prisão em flagrante 

6.12.1 Conceito Prisão  em  flagrante  é  uma medida  de  autodefesa  da  sociedade  caracterizada  pela  privação  da 

liberdade de locomoção daquele que é surpreendido na situação de flagrância, independentemente de prévia autorização judicial. 

O Estado não está presente em  todos os  locais, por  isso que a Constituição permite que particular prenda em flagrante. 

Flagrante deriva do  latim “flagrare” que significa queimar, arder. Crime em flagrante caracteriza‐se pelo crime que está queimando, ardendo. 

6.12.2 Funções da Prisão em Flagrante 

1. A prisão em flagrante evita a fuga do infrator; 

2. Auxiliar na colheita de elementos probatórios; 

3. Impedir a consumação ou o exaurimento do delito. A depender do momento em que prisão em flagrante for efetuada antes da consumação ou exaurimento do delito. 

6.12.3 Fases da Prisão em flagrante 

1. Captura do agente 

2. Condução coercitiva; 

3. Lavratura do auto de prisão em flagrante, pois o delegado de polícia pode entender que não há elementos que fundam crime. 

4. Recolhimento à prisão, a depender do  caso  concreto, pois a pessoa pode  ser beneficiária de  fiança ou liberdade provisória. 

Até o presente a Prisão em flagrante é apenas um ato administrativo, não sendo visível a intervenção do Poder Judiciário. 

Após esse momento deverá haver comunicação ao juiz (art. 5º, LXII ‐ a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele indicada;). 

É uma prisão sem decisão  judicial, onde as  formalidades são ainda mais  importantes, devendo ser atendido o prazo, previsto no art. 306 do CPP, para comunicação do juiz (24 hs). 

5. Comunicação ao juiz com remessa do APF em até 24 horas, contadas a partir do momento em que houve a captura. Alguns entendem que a comunicação do juiz será com o APF, porém, segundo o professor, deve haver uma  comunicação  inicial  ao  juiz  sobre  a prisão  em  flagrante  e  após 24 horas  irá  receber o APF, caracterizando momentos distintos. 

6. No recebimento do APF o juiz deverá: 

6.1. Posição doutrinária : 

6.1.1. Verificar  a  legalidade  da  prisão,  relaxando‐a  na  hipótese  de  ilegalidade.  Para  isso  deverá  se verificar se houve realmente estado de flagrância, se o APF foi assinado por duas testemunhas e um condutor etc. 

6.1.2. Se a prisão for legal deve o juiz verificar a possibilidade de concessão de liberdade provisória com ou  sem  fiança. O  juiz  não  precisa  ficar  aguardando  uma manifestação  do  acusado,  podendo conceder a liberdade provisória com ou sem fiança. 

6.2. Posição  jurisprudencial:  os  Tribunais  entendem  que  o  juiz  não  é  obrigado  a  analisar  a  liberdade provisória, analisando apenas a legalidade da prisão. 

                                                                                                                                                                                                           individual, dotada de condições regulares de higiene, com instalações sanitárias satisfatórias, sem possibilidade de contato com presos comuns.  

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PRISÃO > Prisão em flagrante 

7. Caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia do APF deve ser encaminhada à Defensoria Pública (acrescentado no CPP em 2007). Medida que deriva do art. 5º LXIII da Constituição Federal (LXIII ‐ o preso  será  informado de  seus direitos,  entre os quais o de permanecer  calado,  sendo‐lhe assegurada  a assistência da família e de advogado;) e art. 306, §1º do CPP. 

Art. 306. A prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao juiz competente e à família do preso ou a pessoa por ele indicada. (Redação dada pela Lei nº 11.449, de 2007). § 1º Dentro em 24h  (vinte e quatro horas) depois da prisão, será encaminhado ao  juiz competente o auto de prisão em flagrante acompanhado de todas as oitivas colhidas e, caso o autuado não informe o nome de seu advogado, cópia  integral para a Defensoria Pública.(Redação dada pela Lei nº 11.449, de 2007). 

Não havendo Defensor Público na Comarca o juiz tão logo comunicado da prisão em flagrante deve providenciar  a  nomeação  de  advogado  dativo.  Entretanto,  a  nomeação  de  advogado  dativo  se  dá normalmente na ocorrência do processo judicial, sendo admitido nesses casos que o juiz designe algum para o procedimento policial, previsão do art. 263 do CPP 

Art. 263. Se o acusado não o tiver, ser‐lhe‐á nomeado defensor pelo juiz, ressalvado o seu direito de, a todo tempo, nomear outro de sua confiança, ou a si mesmo defender‐se, caso tenha habilitação. Parágrafo único. O acusado, que não for pobre, será obrigado a pagar os honorários do defensor dativo, arbitrados pelo juiz. 

# Qual a consequência da ausência de comunicação à Defensoria Pública? O  fato  de  a  prisão  não  ser  comunicada  à  Defensoria  é  um  vício  gravíssimo  e  não  de  mera 

irregularidade.  No  quadro  de  violação  de  garantias  constitucionais,  como  a  comunicação  da  prisão  à defensoria, não há espaço para meras irregularidades, acarretando, portanto na ilegalidade da prisão. 

O  relaxamento da prisão em  flagrante não  impede  a decretação da prisão preventiva, desde que presentes seus pressupostos legais. 

Nos quatro primeiros momentos a prisão em flagrante é apenas um ato administrativo. A prisão irá se judicializar quando há a comunicação ao juiz. Para fins de eventual habeas corpus, enquanto ocorre apenas a  intervenção  da  autoridade  policial  a  autoridade  coatora  será  o  delegado  de  polícia,  porém,  se  o  juiz  foi comunicado  da  prisão  e  não  concedeu  liberdade  provisória  ou  não  relaxou  a  prisão  o  habeas  deverá  ser impetrado no TJ ou TRF. 

6.12.3.1 Autuação  de  usuário  de  drogas,  crimes  de  trânsito  e  autor  de contravenção 

Quando a  lei diz que não  se  imporá prisão em  flagrante para o usuário de drogas,  será possível a captura  do  agente,  condução  coercitiva, mas  ao  invés  de  ser  lavrado  um  auto  de  prisão  em  flagrante  irá ocorrer a lavratura de termo circunstanciado ‐ art. 48, §2º da Lei 11.343/06. 

Art. 48. O procedimento relativo aos processos por crimes definidos neste Título rege‐se pelo disposto neste Capítulo, aplicando‐se, subsidiariamente, as disposições do Código de Processo Penal e da Lei de Execução Penal. [...] § 2º Tratando‐se da conduta prevista no art. 28 desta Lei, não se imporá prisão em flagrante, devendo o autor  do  fato  ser  imediatamente  encaminhado  ao  juízo  competente  ou,  na  falta  deste,  assumir  o compromisso  de  a  ele  comparecer,  lavrando‐se  termo  circunstanciado  e  providenciando‐se  as requisições dos exames e perícias necessários. 

Art. 69, §único da Lei 9.099/95. 

Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e o encaminhará  imediatamente  ao  Juizado,  com  o  autor  do  fato  e  a  vítima,  providenciando‐se  as requisições dos exames periciais necessários. Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for  imediatamente encaminhado ao juizado ou assumir o  compromisso de a ele  comparecer, não  se  imporá prisão em  flagrante, nem  se exigirá fiança. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de cautela, seu afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima. (Redação dada pela Lei nº 10.455, de 13.5.2002)) 

Nos crimes de trânsito a lei prevê que se prestado socorro à vítima não se impõe prisão em flagrante (art. 301 do CTB). 

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PRISÃO > Prisão em flagrante 

Art.  301.  Ao  condutor  de  veículo,  nos  casos  de  acidentes  de  trânsito  de  que  resulte  vítima,  não  se imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá fiança, se prestar pronto e integral socorro àquela. 

6.12.4 Natureza jurídica da Prisão em flagrante A natureza jurídica da prisão em flagrante apresenta divergências doutrinárias. 1ª Corrente – a prisão em flagrante teria natureza administrativa, posição do prof. Valter Nunes da 

Silva Jr, pois a prisão independe de prévia autorização judicial. 2ª Corrente – a prisão em  flagrante é uma medida de natureza pré‐cautelar, porque da prisão em 

flagrante irá resultar ou a decretação de prisão preventiva ou a concessão de liberdade provisória (Aury Lopes Jr.). 

3ª Corrente – (maioria) a prisão em flagrante tem natureza de prisão cautelar, pois apesar de existir uma  fase administrativa, o procedimento da prisão em  flagrante é mista,  com atuação do Poder  Judiciário (Mirabete, Tourinho Filho). 

6.12.5 Espécies de flagrante 1. Flagrante obrigatório – é aquele que  se aplica às autoridades policiais e  seus agentes, não há qualquer 

juízo  de  discricionariedade  quanto  a  efetuar  a  prisão  em  flagrante.  Cuidado,  pois  a  depender  do  caso concreto  pode  haver  responsabilização  caracterizando  condescendência  criminosa,  prevaricação  e  até mesmo, a depender do caso, pode ser que a omissão colabore para o crime e na posição de garantir  iria responder pelo crime praticado. Quando uma pessoa prende outra, está agindo sob o estrito cumprimento do dever legal. 

2. Flagrante  facultativo – é aquele efetuado por qualquer pessoa do povo, mas não  será obrigatório.  Isso caracteriza  o  exercício  regular  de  direito. A  autoridade  policial  teria  obrigação  de  efetuar  a  prisão  em flagrante 24 horas por dia. 

Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e  seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito. 

3. Flagrante próprio, perfeito, real, verdadeiro – estaria prevista no art. 302,  I e  II do CPP. Atenção, prisão dentro  de  supermercado  não  caracterizou  o  furto,  mas  passando  pelo  caixa  do  supermercado  irá configurar o crime. 

Art. 302. Considera‐se em flagrante delito quem: I ‐ está cometendo a infração penal; II ‐ acaba de cometê‐la; [...] 

4. Flagrante  impróprio,  imperfeito,  irreal  ou  quase‐flagrante  –  previsão  no  art.  302,  III  do  CPP.  Nesse flagrante  deve  haver  uma  perseguição  que  poderá  durar  o  tempo  que  for  necessário  (não  apenas  24 horas). O que não pode haver é uma  interrupção da perseguição. Logo após significa que a perseguição deve  ter  início  imediatamente após a prática do delito, entendendo‐se  como o  lapso  temporal entre o acionamento da polícia, seu comparecimento ao local, colheita de informações e início da perseguição. 

Art. 302. Considera‐se em flagrante delito quem: [...] III  ‐ é perseguido,  logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração; 

No  estupro  de  vulnerável  dentro  de  casa,  onde  apenas  estão  presentes  a  vítima  e  o  agressor, segundo  entendimento  do  STF,  não  há  que  se  exigir  do  vulnerável  que  dê  início  à  perseguição  do  delito. Nesses casos os Tribunais vêm entendendo que o logo após pode se caracterizar a partir que o representante legal toma conhecimento do delito (STJ – HC 3496). 

5. Flagrante presumido, ficto ou assimilado – (art. 302, IV do CPP). Não há uma perseguição, mas a pessoa é encontrada com algo que faça presumir ser autor do delito. 

Art. 302. Considera‐se em flagrante delito quem: [...] IV ‐ é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração. 

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PRISÃO > Prisão em flagrante 

6. Flagrante preparado, provocado, delito putativo por obra do agente provocador ou crime de ensaio – são dois os requisitos do flagrante preparado: 

6.1. Indução à prática do delito – é onde surge a figura do agente provocador, pessoa que irá induzi‐lo à prática do delito que poderá ser tanto uma autoridade policial ou também um particular. 

6.2. Precauções para o delito não se consume – ao adotar essas precauções e se realmente o crime não se consumar haveria hipótese de crime impossível pela ineficácia absoluta do meio. Com isso não seria possível realizar a prisão em flagrante de um crime impossível. Na visão da jurisprudência o flagrante provocado é um exemplo de prisão ilegal e deve ser objeto de relaxamento. 

Súmula 145 do STF  ‐ NÃO HÁ CRIME, QUANDO A PREPARAÇÃO DO FLAGRANTE PELA POLÍCIA TORNA IMPOSSÍVEL  A  SUA  CONSUMAÇÃO.  Fonte  de  Publicação  Súmula  da  Jurisprudência  Predominante  do Supremo Tribunal Federal ‐ Anexo ao Regimento Interno. Edição: Imprensa Nacional, 1964, p. 82. 

7. Flagrante esperado  –a autoridade policial limite a aguardar o momento da prática do delito, sem qualquer induzimento. No  flagrante esperado não há agente provocador. Ao  contrário do  flagrante preparado, o flagrante esperado é legal. 

**Venda Simulada de Drogas – traficante sentado em praça pública e agente disfarçado aproxima‐se para ver se possuía drogas. Ao constatar a presença o policial dá voz de prisão em flagrante. Embora não tenha havido a transação, com transmissão da droga e o valor em dinheiro, o traficante será preso nas modalidades ter consigo, ter em depósito, guardar que também caracterizam o tráfico, assim como o vender (porque seria crime impossível). Em relação ao verbo vender haverá flagrante preparado. Porém, como se trata de crime de ação múltipla ou conteúdo variado é possível que o agente  responda pelo  tráfico nas demais modalidades, desde que a posse da droga seja pré‐existe à atuação policial (Lei 9.034/95). 

8. Flagrante prorrogado, diferido, retardado ou ação controlada – consiste no retardamento da intervenção policial para que se dê no momento mais oportuno sob o ponto de vista da colheita de provas. Funciona como uma exceção ao flagrante obrigatório, porque se pode deixar de prender em flagrante. Ex.: alguém que  passa  com  drogas  no  raio‐x  no  aeroporto  e  o  flagrante  é  postergado  para  pegar  uma  maior quantidade. 

Na lei de drogas a ação controlada depende de autorização judicial. 

Art. 53. Em qualquer fase da persecução criminal relativa aos crimes previstos nesta Lei, são permitidos, além dos previstos  em  lei, mediante  autorização  judicial  e ouvido o Ministério Público, os  seguintes procedimentos investigatórios: I  ‐  a  infiltração  por  agentes  de  polícia,  em  tarefas  de  investigação,  constituída  pelos  órgãos especializados pertinentes; II ‐ a não‐atuação policial sobre os portadores de drogas, seus precursores químicos ou outros produtos utilizados em sua produção, que se encontrem no território brasileiro, com a finalidade de identificar e responsabilizar maior número de  integrantes de operações de  tráfico e distribuição,  sem prejuízo da ação penal cabível. Parágrafo único. Na hipótese do  inciso  II deste artigo, a autorização  será concedida desde que sejam conhecidos o itinerário provável e a identificação dos agentes do delito ou de colaboradores. 

Na lei de organizações criminosas (9.034/95) não há necessidade de autorização judicial. 

Art. 2 ‐ Em qualquer fase de persecução criminal são permitidos, sem prejuízo dos já previstos em lei, os seguintes procedimentos de  investigação e  formação de provas: (Redação dada pela Lei nº 10.217, de 11.4.2001) I ‐ (Vetado). II ‐ a ação controlada, que consiste em retardar a interdição policial do que se supõe ação praticada por organizações  criminosas ou  a  ela  vinculado, desde que mantida  sob observação  e  acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz do ponto de vista da formação de provas e fornecimento de informações; [...] 

Na  lei de  lavagem de capitais também há ação controlada (art. 4º, §4º da Lei 9.613/98), pois o  juiz pode deixar de decretar ou postergar um mandado de prisão preventiva ou temporária para não interromper a consumação. Nesse caso não seria caso de  flagrante postergado, pois seria o  retardo de um mandado de prisão. 

Art. 4º O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público, ou representação da autoridade policial, ouvido o Ministério Público em vinte e quatro horas, havendo indícios suficientes, poderá decretar, no 

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PRISÃO > Prisão em flagrante 

curso  do  inquérito  ou  da  ação  penal,  a  apreensão  ou  o  seqüestro  de  bens,  direitos  ou  valores  do acusado, ou existentes em seu nome, objeto dos crimes previstos nesta Lei, procedendo‐se na  forma dos arts. 125 a 144 do Decreto‐Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941 ‐ Código de Processo Penal. [...] § 4º A ordem de prisão de pessoas ou da apreensão ou seqüestro de bens, direitos ou valores, poderá ser  suspensa  pelo  juiz,  ouvido  o  Ministério  Público,  quando  a  sua  execução  imediata  possa comprometer as investigações. 

9. Flagrante  forjado, maquinado, urdido – é um  flagrante plantado pela autoridade policial com manifesto abuso de autoridade. É um flagrante obviamente ilegal e a autoridade irá responder pelo crime e abuso de autoridade. 

6.12.6 Prisão em flagrante nas várias espécies de crimes A. Crimes  permanentes  –  poderá  acontecer  enquanto  não  cessar  a  permanência  (art.  303  do  CPP  ‐  Nas 

infrações permanentes, entende‐se o agente em flagrante delito enquanto não cessar a permanência.) nos casos de extorsão mediante seqüestro, algumas modalidades do tráfico. 

B. Crimes habituais –  crime que exige  a prática  reiterada de determinadas  condutas, é necessário que  se pratique mais  de  uma  vez  (art.  282  do  CP).  Corrente minoritária  entende  que  é  possível  a  prisão  em flagrante  desde  que  comprovada  a  habitualidade  da  conduta  no  momento  da  prisão.  Prevalece, entretanto,  que  crimes  habituais  não  admitem  prisão  em  flagrante,  pois  no momento  da  prisão  em flagrante não é possível comprovar a habitualidade da prisão em flagrante. 

C. Crimes de ação penal privada e de ação penal pública condicionada – perfeitamente cabível a prisão em flagrante, desde que haja manifestação do ofendido – a vítima necessita se manifestar para a realização da prisão. Até 2009 o estupro de ação penal privada. 

D. Crimes culposos – perfeitamente possível a prisão em flagrante em crimes culposos. Geralmente o crime culposo tem pena prevista com detenção, sendo assim o delegado pode conceder liberdade provisória em flagrante. A prisão preventiva que não é cabível em crimes culposos. 

E. Crimes  formais  –  é  cabível  prisão  em  flagrante  em  crimes  formais  desde  que  a  prisão  não  ocorra  no momento  do  exaurimento  do  delito.  Por  exemplo,  se  o  funcionário  público  exigir  vantagem  indevida valendo‐se do cargo, o flagrante poderá ser efetuado no momento da exigência e consequentemente não se caracterizando no momento da entrega da vantagem (exaurimento) no crime de concussão. 

F. Crime continuado – chamado também de  flagrante fracionado, perfeitamente cabível em relação a cada uma das ações independentes. 

G. Apresentação  espontânea  do  agente  –  a  apresentação  espontânea  do  agente  impede  a  prisão  em flagrante, mas não a decretação da prisão preventiva, desde que presentes seus pressupostos legais. 

6.12.7 Lavratura do auto de prisão em flagrante Os  procedimentos  relacionados  à  lavratura  são  muito  importantes,  porque  independem  de 

autorização judicial. APF (auto de prisão em flagrante) é o instrumento em que estão documentados os fatos que revelam 

a legalidade e a regularidade da prisão em flagrante, funcionando como espécie de notícia criminis e, portanto, como peça inicial do Inquérito Policial. 

Código de Processo Penal Militar ‐ Suficiência do auto de flagrante delito Art. 27. Se, por si só,  fôr suficiente para a elucidação do  fato e sua autoria, o auto de flagrante delito constituirá o  inquérito, dispensando outras diligências, salvo o exame de corpo de delito no crime que deixe vestígios, a  identificação da  coisa e a  sua avaliação, quando o  seu valor  influir na aplicação da pena. A remessa dos autos, com breve relatório da autoridade policial militar, far‐se‐á sem demora ao juiz competente, nos têrmos do art. 20. 

6.12.7.1 Autoridade Competente A autoridade competente em regra é a autoridade policial do local onde se deu a captura do agente. Atribuição para lavrar o APF é diferente da competência para julgamento. A competência territorial é 

da consumação. Além das  autoridades policiais outras  autoridades  administrativas  também poderão  fazê‐lo,  como 

por exemplo, agentes florestais e deputados e senadores. 

Súmula 397 do STF  ‐ O PODER DE POLÍCIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS E DO SENADO FEDERAL, EM CASO DE CRIME COMETIDO NAS SUAS DEPENDÊNCIAS, COMPREENDE, CONSOANTE O REGIMENTO, A 

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PRISÃO > Prisão em flagrante 

PRISÃO  EM  FLAGRANTE  DO  ACUSADO  E  A  REALIZAÇÃO  DO  INQUÉRITO.  Fonte  de  Publicação  DJ  de 8/5/1964. 

Juiz poderá fazer a lavratura do APF? Segundo o  art. 307 do CPP, quando o  fato  for praticado  em presença da  autoridade  [autoridade 

policial ou autoridade  judicial], ou contra esta, no exercício de suas  funções, constarão do auto a narração deste fato, a voz de prisão, as declarações que fizer o preso e os depoimentos das testemunhas, sendo tudo assinado pela autoridade, pelo preso e pelas testemunhas e remetido imediatamente ao juiz a quem couber tomar conhecimento do fato delituoso, se não o for a autoridade que houver presidido o auto. 

Admitido então que juiz lavre o APF quando o crime tenha sido cometido contra ele ou então na sua presença. Neste caso, obviamente, ficando impedido de exercer jurisdição. 

Apresentado o preso à autoridade competente deverão ser observados os incisos LXII, LXIII e LXIV do art. 5º da CF (LXII ‐ a prisão de qualquer pessoa e o local onde se encontre serão comunicados imediatamente ao  juiz competente e à família do preso ou à pessoa por ele  indicada; LXIII  ‐ o preso será  informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo‐lhe assegurada a assistência da família e de advogado; LXIV  ‐ o preso tem direito à  identificação dos responsáveis por sua prisão ou por seu  interrogatório policial;), sob pena de tornar a prisão ilegal e relaxamento da prisão. 

6.12.7.2 Condutor e testemunhas Condutor é a pessoa que entrega o preso à autoridade competente para a  lavratura do APF. Nem 

sempre o condutor é a pessoa que prendeu o agente. Condutor é a primeira pessoa a ser ouvida. É  o  que  acontece,  por  exemplo,  quando  um  particular  prende  em  flagrante  alguém  que  pratica 

assalto a ônibus, negando‐se a conduzir o agente até a delegacia. Nesses casos, após chamado um policial para fazer  a  remoção  e  condução  até  a  delegacia,  o  agente  policial  que  entregar  à  autoridade  policial  será considerado o condutor, mesmo que não tenha efetuado a prisão. 

Além do condutor são necessárias duas testemunhas. A jurisprudência entende que se o condutor presenciou o delito, ele poderá funcionar como uma das 

testemunhas. Não  tendo  testemunhas  que  presenciaram  a  prática  do  delito,  basta  que  se  consiga  duas 

testemunhas  de  apresentação  (art.  304,  §2º).  É  perfeitamente  possível  que  autoridades  policiais  possam funcionar como testemunhas. 

6.12.7.3 Interrogatório do preso O preso terá direito ao silêncio e do exercício desse direito não poderá resultar prejuízo algum. Não há necessidade advogado. Nomeação de curador – hoje doutrina entende que já não há mais necessidade para o menor de 21 

anos, pois o próprio interrogatório judicial que previa isso foi revogada. Há necessidade de nomeação de curador para os silvícolas não adaptados e de deficientes mentais. 

6.12.7.4 Fracionamento do APF Até 2004 o APF era uma peça única e interissa, tendo o condutor que permanecer até o final do APF. 

Em  2005  houve  a  previsão  do  fracionamento  do  APF,  ficando  divido  em  partes.  O  condutor  presta  o depoimento, pega‐se o recibo da emprega do preso e estará liberado. Previsão do art. 304 do CPP. 

Art. 304.  Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e as testemunhas que o acompanharam e interrogará o acusado sobre a imputação que Ihe é feita, lavrando‐se auto, que será por todos assinado.  Art. 304. Apresentado o preso à autoridade competente, ouvirá esta o condutor e colherá, desde logo, sua assinatura, entregando a este cópia do termo e recibo de entrega do preso. Em seguida, procederá à oitiva das testemunhas que o acompanharem e ao interrogatório do acusado sobre a imputação que lhe é  feita,  colhendo,  após  cada  oitiva  suas  respectivas  assinaturas,  lavrando,  a  autoridade,  afinal,  o auto. (Redação dada pela Lei nº 11.113, de 2005) § 1º Resultando das respostas fundada a suspeita contra o conduzido, a autoridade mandará recolhê‐lo à prisão, exceto no caso de  livrar‐se solto ou de prestar fiança, e prosseguirá nos atos do  inquérito ou processo, se para isso for competente; se não o for, enviará os autos à autoridade que o seja. § 2º A falta de testemunhas da  infração não  impedirá o auto de prisão em flagrante; mas, nesse caso, com o condutor, deverão assiná‐lo pelo menos duas pessoas que hajam testemunhado a apresentação do preso à autoridade. 

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PRISÃO > Prisão Preventiva 

§ 3º Quando o acusado  se  recusar  a  assinar, não  souber ou não puder  fazê‐lo, o  auto de prisão em flagrante  será  assinado  por  duas  testemunhas,  que  tenham  ouvido  sua  leitura  na  presença deste. (Redação dada pela Lei nº 11.113, de 2005) 

6.12.8 Relaxamento da prisão em flagrante pela autoridade policial Parte minoritária da doutrina entende que se não houver fundada suspeita contra o conduzido ou se 

os  fatos  narrados  não  constituírem  crime,  é  possível  que  autoridade  policial  relaxe  a  prisão  em  flagrante [entendimento admissível em concurso para delegado de delegado]. É o que se depreende da interpretação a contrário sensu o §1º do art. 304. 

Na verdade, não seria caso de relaxamento de prisão, mas sim deixando de ratificar a voz de prisão em flagrante realizada pelo condutor. 

A norma que prevê a liberdade provisória refere‐se ao status libertatis da pessoa, caracterizando‐se como uma norma híbrida: material e processual. 

 

6.13 Prisão Preventiva 

6.13.1 Conceito e Previsão Legal Prisão preventiva é uma espécie de prisão cautelar decretada pela autoridade judiciária competente 

em qualquer fase das investigações ou do processo criminal quando presentes os pressupostos dos artigos 312 e 313 do CPP. 

Art.  312.  A  prisão  preventiva  poderá  ser  decretada  como  garantia  da  ordem  pública,  da  ordem econômica, por conveniência da instrução criminal, ou para assegurar a aplicação da lei penal, quando houver prova da existência do crime e indício suficiente de autoria. (Redação dada pela Lei nº 8.884, de 11.6.1994) Art. 313. Em qualquer das  circunstâncias, previstas no artigo anterior,  será admitida a decretação da prisão preventiva nos crimes dolosos:(Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) I ‐ punidos com reclusão; (Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) II ‐ punidos com detenção, quando se apurar que o  indiciado é vadio ou, havendo dúvida sobre a sua identidade, não fornecer ou não  indicar elementos para esclarecê‐la; (Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) III ‐ se  o  réu  tiver  sido  condenado  por  outro  crime  doloso,  em  sentença  transitada  em  julgado, ressalvado o disposto no parágrafo único do art. 46 do Código Penal. (Redação dada pela Lei nº 6.416, de 24.5.1977) IV ‐ se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos da lei específica, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. (Incluído pela Lei nº 11.340, de 2006) 

6.13.2 Decretação da preventiva durante a fase investigatória A  prisão  preventiva  será  possível  na  investigação  penal.  O  art.  311  utiliza  a  expressão  inquérito 

policial, mas não é o único  instrumento  investigatório que o Estado poderá se utilizar como, por exemplo, o COAF,  MP,  Receita  Federa.  Então,  o  inquérito  policial  não  é  pressuposto  para  a  decretação  da  prisão preventiva. 

Art. 311. Em qualquer  fase do  inquérito policial ou da  instrução  criminal,  caberá a prisão preventiva decretada pelo  juiz, de ofício, a  requerimento do Ministério Público, ou do querelante, ou mediante representação da autoridade policial. (Redação dada pela Lei nº 5.349, de 3.11.1967) 

Será que a prisão preventiva, na fase investigatória, é cabível em relação a todo e qualquer delito? Há doutrinadores que fazem uma distinção. A prisão preventiva vem desde o início do CPP que pode ser utilizada em qualquer  fase da persecução  criminal. Em 1989,  surge a prisão  temporária especificamente para a  fase investigatória e exclusivamente para alguns delitos (não cabe para todos os crimes dolosos, por exemplo).  

Então,  segundo  Nucci,  se  a  Prisão  Temporária  foi  criada  somente  para  a  fase  investigatória  e especificamente para determinados delitos, é porque quanto a estes, a Prisão Temporária seria a única prisão a ser decretada na  fase  investigatória. Não sendo, portanto, admitida a Prisão Preventiva quando possível a decretação da Prisão Temporária. 

O  que  não  impediria,  por  exemplo,  que  se  alguém  viesse  a  ter  decretada  a  Prisão  Temporária, durante a fase investigatória, tivesse, após o ajuizamento da denúncia, a decretação da Prisão Preventiva. 

Parte da doutrina entende que na fase investigatória se o delito admite Prisão Temporária, somente esta poderia ser decretada, o que no entanto não  impede posterior decretação da prisão preventiva na fase