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dulo II - Deveres Deveres Site: Instituto Legislativo Brasileiro - ILB Curso: Deveres, Proibições e Responsabilidades do Servidor Público Federal Livro: Módulo II - Deveres Impresso por: maciel miranda da silva oliveira Data: quarta, 22 Jun 2016, 13:51 Sumário Módulo II - Deveres Unidade 1 - A Inserção dos Deveres em Via Hierárquica Unidade 2 - A Necessária Cautela no Exercício dos Deveres Unidade 3 - Representação Funcional e Denúncia Unidade 4 - Representação Unidade 5 - Denúncia Unidade 6 - Anonimato e Notícia Veiculada em Mídia Pág. 2 Unidade 7 - A Determinação do “In Dubio pro Societate” e Mera Divergência de Entendimento Pág. 2 Unidade 8 - Deveres elencados nos incisos do artigo 116 da Lei 8.112/90 Pág. 2 Pág. 3 Inciso I - exercer com zelo e dedicação as atribuições do cargo Inciso II - ser leal às instituições a que servir Inciso III - observar as normas legais e regulamentares Acesso Imotivado Inciso IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais Inciso V - atender com presteza Inciso VI - levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver ciência em razão do cargo Inciso VII - zelar pela economia do material e a conservação do patrimônio público Inciso VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartição Inciso IX - manter conduta compatível com a moralidade administrativa Inciso X - ser assíduo e pontual ao serviço Pág. 2 Inciso XI - tratar com urbanidade as pessoas Inciso XII - representar contra ilegalidade, omissão ou abuso de poder Exercícios de Fixação - Módulo II  

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    Mdulo II - Deveres

    Deveres

    Site: Instituto Legislativo Brasileiro - ILB

    Curso: Deveres, Proibies e Responsabilidades do Servidor Pblico Federal

    Livro: Mdulo II - Deveres

    Impresso por: maciel miranda da silva oliveira

    Data: quarta, 22 Jun 2016, 13:51

    SumrioMdulo II - Deveres

    Unidade 1 - A Insero dos Deveres em Via Hierrquica

    Unidade 2 - A Necessria Cautela no Exerccio dos Deveres

    Unidade 3 - Representao Funcional e Denncia

    Unidade 4 - Representao

    Unidade 5 - Denncia

    Unidade 6 - Anonimato e Notcia Veiculada em Mdia

    Pg. 2

    Unidade 7 - A Determinao do In Dubio pro Societate e Mera Divergncia de Entendimento

    Pg. 2

    Unidade 8 - Deveres elencados nos incisos do artigo 116 da Lei 8.112/90

    Pg. 2

    Pg. 3

    Inciso I - exercer com zelo e dedicao as atribuies do cargo

    Inciso II - ser leal s instituies a que servir

    Inciso III - observar as normas legais e regulamentares

    Acesso Imotivado

    Inciso IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais

    Inciso V - atender com presteza

    Inciso VI - levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver cincia em

    razo do cargo

    Inciso VII - zelar pela economia do material e a conservao do patrimnio pblico

    Inciso VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartio

    Inciso IX - manter conduta compatvel com a moralidade administrativa

    Inciso X - ser assduo e pontual ao servio

    Pg. 2

    Inciso XI - tratar com urbanidade as pessoas

    Inciso XII - representar contra ilegalidade, omisso ou abuso de poder

    Exerccios de Fixao - Mdulo II

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    Mdulo II - Deveres

    Ao final do Mdulo II, o aluno dever ser capaz de

    conhecer os deveres e as formas de apurao e

    representao de irregularidades ocorridos na

    administrao pblica federal.

    Unidade 1 - A Insero dos Deveres em Via Hierrquica

    Deveres de Representar e de Apurar Irregularidades na administrao pblica federal

    Previamente descrio do rito em si, destaca-se o contexto jurdico em que se insere o processo administrativo disciplinar.

    Na administrao pblica federal, dever do servidor representar contra suposta irregularidade, cometida por qualquer outro

    servidor, de que tiver cincia, exclusivamente em razo do cargo, bem como contra ato ilegal, omissivo ou abusivo por autoridade.

    A representao deve decorrer das atribuies do cargo exercido pelo representado e possuir como objeto tambm fatos

    relacionados atividade pblica. O cumprimento deste dever reflete simultaneamente ateno tambm ao dever de lealdade

    instituio.

    Lei n 8.112, de 11/12/90 - Art. 116. So deveres do servidor:

    VI - levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver cincia em razo do cargo

    XII - representar contra ilegalidade, omisso ou abuso de poder.

    Pargrafo nico. A representao de que trata o inciso XII ser encaminhada pela via hierrquica e apreciada pela autoridade supe

    contra a qual formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa.

    (Nota: Na forma como oficialmente publicado, o pargrafo nico do art. 116 da Lei n 8.112, de 11/12/90, impropriamente assegu

    defesa ao representando subentende-se que o correto seria ao representado).

    No interessa administrao a vida pessoal de seus servidores, salvo aqueles que porventura venham a ser cometidos e maculem

    de alguma forma a imagem ou os interesses do rgo no qual lotado.

    Como regra geral (a menos de estatutos especficos), os atos exclusivamente da vida privada podem ter repercusso cvel ou at

    penal ou de simples censura tica, mas no provocam responsabilizao por meio de processo administrativo disciplinar (destaque-

    se que aqui se refere restritivamente queles atos sem nenhuma correlao com a administrao pblica, com a instituio ou com

    o cargo, uma vez que pode haver repercusso disciplinar para atos, ainda que cometidos fora da instituio ou do horrio de

    exerccio do cargo, mas que com eles se relacionem ou que neles interfiram). E a regra geral de que essa representao deve serfeita por meio da via hierrquica, a partir do chefe imediato do representante, at o superior do representado.

    Interpreta-se que, enquanto o inciso VI genericamente impe que o servidor represente contra qualquer servidor, mesmo que de

    outra via hierrquica ou at de outro rgo, por toda forma de irregularidade, o inciso XII estabelece o dever de o servidor

    representar especificamente contra autoridade que lhe seja hierarquicamente superior e que cometa ato ilegal, omissivo ou abusivo.

    Independente desta diferenciao acima, aqui importa destacar que, tanto no inciso VI quanto no pargrafo nico do art. 116 da Lei

    n 8.112, de 11/12/90, a autoridade competente para apreciar a representao e, consequentemente, para instaurar o processo

    administrativo disciplinar , de forma genrica, autoridade hierarquicamente superior ao representado. Mas tal competncia, nos

    termos do art. 143 da citada Lei, no outorgada de forma ampla e generalizada a qualquer autoridade, nem mesmo dentro desta

    via hierrquica, para poder instaurar processo administrativo disciplinar, e muito menos cuida a Lei n 8.112, de 11/12/90, de

    especificar, em cada rgo pblico federal, a que autoridade da linha de hierarquia caber apreciar as notcias de supostas

    irregularidades. Faz-se necessria, ento, expressa definio legal ou infralegal de tal competncia.

    Em regra, o estatuto, o regimento interno de cada rgo pblico federal, ou a lei de criao da entidade (em caso de autarquia ou

    fundao pblica) que soluciona tal lacuna, definindo a autoridade competente para instaurar a sede disciplinar (competncia essa,

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    a princpio, passvel de delegao interna, conforme julgado abaixo).

    Superior Tribunal de Justia (STJ), Mandado de Segurana n 7.081: Ementa: (...) IV - Inocorrncia de nulidade quanto port

    instaurao do processo disciplinar, seja porque fora proferida por autoridade no exerccio de poder delegado (...).

    E, acrescente-se, caso ainda persista a lacuna na norma interna, a autoridade de menor grau hierrquico com poder de deciso no

    rgo quem ser competente para apreciar a representao e, se for o caso, decidir pela instaurao, conforme o art. 17 da Lei n

    9.784, de 29/01/99 (que regula o processo administrativo no mbito da administrao pblica federal).

    Se encontrarmos um rgo que sequer por regulamento estipulou a autoridade competente para a instaurao do processo

    disciplinar, deve-se, por analogia, aplicar o inciso III do art. 141 da Lei 8.112/90 e considerar como competente o chefe da

    repartio onde o fato ocorreu.

    Por fim, acrescente-se que por fora do Poder hierrquico que instrui o Poder disciplinar, a autoridade mxima do rgo sempre

    oder avocar para si a competncia que o regimento, eventualmente, houver estabelecido para uma autoridade de hierarquia

    inferior. (Vincius de Carvalho Madeira, Lies de Processo Disciplinar, pg. 81, Fortium Editora, 1 edio, 2008).

    E o que se tem, em geral, que as leis orgnicas, os estatutos ou regimentos internos dos rgos pblicos federais concentram a

    competncia disciplinar no titular do rgo ou a diluem entre os titulares das unidades que o compem, o que coincide, no mais das

    vezes, com o rgo ou unidade de ocorrncia do fato supostamente ilcito. Em outras palavras, o certo que, na regra geral daadministrao pblica federal, esta autoridade competente hierarquicamente ligada ao representado (variando, de rgo a rgo,

    o grau de proximidade entre a autoridade e o representado).

    Pelo exposto, a primeira leitura de que ambos os deveres, tanto o de representar quanto o de apurar as supostas irregularidades,

    se inserem na linha hierrquica.

    Participe do Frum da Comunidade, clicando no seguinte tpico Deveres doServidor Pblico e faa seus comentrios, fomentando trocas de contedos e

    vivncias entre seus colegas de curso.

    Unidade 2 - A Necessria Cautela no Exerccio dos Deveres

    No obstante, tambm de forma independente da organizao estatutria ou regimental do rgo, de se destacar que os

    servidores de maneira geral devem ter discernimento para no contaminar o dever legal de representar por saber de irregularidade

    funcional cometida no mbito da administrao com suas manifestaes de entendimento pessoal acerca de forma de conduo dasatividades administrativas que no configuram irregularidades. Da mesma forma, as autoridades locais, os titulares de unidades,

    desprovidas de competncia correcional, devem atentar para no confundir o dever de encaminhar autoridade competente notcias

    de supostas irregularidades com a sua ampla competncia regimental, que as incumbe de uma imensa gama de atos de gerncia e

    de administrao de pessoal. Estas suas atribuies de exerccio cotidiano no devem ser confundidas com a residual competncia

    disciplinar, de aplicao muito especfica.

    A propsito, neste arrazoado acerca da cautela antes de provocar a sede disciplinar, convm abrir um parntese. Embora se saiba

    que, na prtica, a grosso modo, existam trs grandes reas de atuao tcnica de um sistema correcional e que elas so

    exercitadas simultaneamente, aqui, didaticamente, convm apresent-las na seqncia com que conceitualmente deveriam ser

    exercitadas.

    Se fosse possvel estabelecer, em uma modelao extremamente idealizada, uma escala graduada no sentido da atividade mais

    afastada para a mais prxima da matria punitiva -com relao tanto a seu momento de aplicao quanto afinidade conceitual -,

    sem dvida se teria primeiramente o emprego da preveno tica, seguida da utilizao das ferramentas investigativas e de

    auditoria e, por fim, a vinculada aplicao do processo disciplinar, sendo que a auditoria estaria mais prxima do processo do que

    da preveno tica.

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    Assim que, dentre as atribuies de exerccio cotidiano das autoridades locais, destaca- se que a eles compete atuar nas

    atividades relacionadas tica e preveno ao desvio de conduta. Esta atividade proativa e preventiva antecede o emprego do

    Direito Disciplinar, lanando mo de programas e estratgias voltados conscientizao do corpo funcional para aspectos

    comportamentais e de ferramentas de gerenciamento de riscos. Diferentemente da matria punitiva, a preveno no depende

    diretamente de previso legal e, embora possa apresentar carter amplo, abrangendo toda a corporao, tambm pode se aplicar a

    um caso concreto ou a um grupo de servidores. A preveno pode se manifestar por meio de iniciativas institucionais que visam ao

    convencimento e adeso moral do corpo funcional a determinado padro de conduta e comportamento. Tem-se certo que, quanto

    mais eficiente for essa conduta preventiva dentro da instituio, menos se necessitar lanar mo da segunda linha de atuao,

    a repressiva. Portanto, em apertada anlise, pode se dizer que, precipuamente, a atividade tico-preventiva no trata da matriadisciplinar propriamente dita e a atividade de preveno tica, de aplicao anterior ao processo, no faz parte do escopo do

    presente texto.

    Retornando defesa ora proposta para que servidores e autoridades ajam com cautela, tal postura se justifica diante da iniciativa de

    formular a representao e no ao seu encaminhamento, pois, uma vez recebida uma representao formalizada, por escrito,

    falece competncia a qualquer servidor ou autoridade, desprovidos de competncia disciplinar, para analis-la, devendo

    obrigatoriamente remeter autoridade competente.

    Por fim, a autoridade competente para a matria correcional deve exercitar seu poder- dever com extremado bom senso. A matria

    correcional deve ser compreendida com reserva e com cautela, de emprego residual (o que em nenhum momento significa omisso,

    negligncia ou condescendncia), mas to-somente nas hipteses e propsitos elencados na lei. Em suma, no se deve vulgarizar os

    institutos da representao funcional e do processo administrativo disciplinar, pois eles no se coadunam com o emprego

    banalizado, seja para questes eivadas de vieses de pessoalidade, seja para pequenas questes gerenciais sem aspecto disciplinar.

    Unidade 3 - Representao Funcional e Denncia

    Auditoria e Outras Formas de se Noticiar Irregularidades

    De imediato, destaca-se que a representao funcional apenas uma das formas possveis de se fazer chegar administrao a

    notcia de cometimento de suposta irregularidade. Somam- se, como outras formas tambm possveis de se ensejar a sede

    disciplinar, o resultado de investigao disciplinar, auditoria ou de sindicncia meramente investigativa e no contraditria que

    detectam irregularidades, representaes oficiadas por outros rgos ou entidades pblicos (Poder Judicirio, Ministrio Pblico

    Federal, Departamento de Polcia Federal, Controladoria- Geral da Unio, Comisso de tica Pblica ou demais comisses de tica,etc), denncias apresentadas por particulares, inclusive annimas, e at notcias veiculadas na mdia.

    vista da mxima da independncia das instncias e, sobretudo, da constitucional separao dos Poderes, eixo fundamental do

    Estado Democrtico de Direito, preservando a competncia da autoridade administrativa, de se destacar que nem mesmo o Poder

    Judicirio ou Ministrio Pblico Federal, em que pese a todas as prerrogativas e competncias constitucionais e legais, possuem

    poder de determinar administrao a instaurao de processo administrativo disciplinar. A deciso de instaurao decorre

    unicamente da convico da autoridade administrativa, mediante juzo de admissibilidade. Nesse rumo, respectivamente, apontam

    manifestao da prpria jurisprudncia e o texto da Lei Complementar n 75, de 20/05/93 (Lei Orgnica do Ministrio Pblico da

    Unio).

    Lei Complementar n 75, de 20/05/93 - Art. 7 Incumbe ao Ministrio Pblico da Unio, sempre que necessrio ao exerccio de sinstitucionais:

    III - requisitar autoridade competente a instaurao de procedimentos administrativos, ressal vados os de natureza disciplina

    acompanh-los e produzir provas.

    TRF da 5 Regio, Mandado de Segurana n 2003.81.00.14169-8, Agravo de Instrumento: (...) ao magistrado no dado, e

    alguma, invadir as atribuies de outro Poder a ponto de determinar aos seus integrantes providncias de ordem disciplinar, de se

    mbito interno isso afronta, sem dvida, o princpio da separao dos Poderes, eixo fundamental do Estado Democrtico de Direit

    Antes de se prosseguir, convm abrir um parntese para abordar com mais detalhe a auditoria. Este procedimento encontra sua

    definio formal na Instruo Normativa n 1, de 06/04/01, da ento Secretaria Federal de Controle Interno (que aprova o Manual doSistema de Controle Interno do Poder Executivo Federal), como uma das tcnicas de controle.

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    Instruo Normativa-SFC n 1, de 06/04/01

    No obstante, para os objetivos deste texto, mais relevante que a busca da definio estanque em si de auditoria tentar defini-la

    em comparao com a matria tico-preventiva que a antecede, e com a matria disciplinar, que a sucede, situando-a em meio

    quelas duas outras atividades.

    Enquanto o emprego das ferramentas ticas se d por meio de programas e estratgias de preveno e de controle de riscos que,

    uma vez bem sucedidos, evitar o ilcito e conseqentemente o processo disciplinar, a auditoria, a exemplo do processo, atua sobre

    os fatos ocorridos e j traz em si aspectos investigativos materializados em um mnimo de natureza procedimental. Embora ambas

    atividades possam ser tidas como profilticas, a primeira o em essncia, no sentido de anteceder mesmo o ilcito por depurar a

    conduta do servidor, enquanto que a segunda tem seu carter profiltico mais associado percepo de risco por parte do servidor

    de ser descoberto, causando um efeito inibidor sobre o potencial infrator.

    Avanando, de se dizer que o procedimento prvio de auditoria deve ser entendido como uma atividade profiltica, preventiva e

    at educadora, de abrangncia ampla e inespecfica, sem rito determinado, caracterizada pela agilidade, a ser instaurada

    rotineiramente a ponto de estabelecer na administrao a cultura de que os atos de qualquer agente pblico podem ser verificados,

    sem que necessariamente se cogite de carter disciplinar. No h em auditoria a figura do acusado e, por conseguinte, no se trata

    de rito contraditrio. Dessa forma, embora guardando menor distncia que a atividade tico-preventiva, a auditoria tambm no se

    confunde com a instncia disciplinar, que pontualmente instaurada para obter efeito correcional sobre um fato especfico, a ser

    detidamente analisado, demandando, portanto, apurao contraditria.

    No obstante, as atividades de auditoria e sede disciplinar podem se interligar, visto ser comum que, de uma investigao, decorra

    o processo administrativo disciplinar. Mas h ressalvas para a participao de integrantes de equipe de auditoria no processo

    administrativo disciplinar consecutivo. Ainda assim, auditoria no faz parte do escopo deste texto.

    Por um lado, esta atividade de auditoria pode detectar meros equvocos ou interpretao imperfeita na aplicao de normas ou

    procedimentos da unidade, mas sem aspecto irregular, quando apenas se recomendar ao titular da unidade a adequao da rotina.

    Todavia, tendo a auditoria detectado indcio de irregularidade em sua investigao, consubstancia-se representao para que a

    autoridade competente avalie a procedncia ou no de se instaurar processo administrativo disciplinar.

    Exemplificando o que se afirmou acima, mais recentemente, a partir de 2005, a administrao pblica federal passou a centrar

    esforos na investigao de incompatibilidade patrimonial ostentada pelos servidores em comparao a seus rendimentos, conforme

    o Decreto n 5.483, de 30/06/06, que estabeleceu a sindicncia patrimonial.

    Unidade 4 - Representao

    Formalmente, a expresso representao funcional (ou, simplesmente, representao) refere-se pea escrita apresentada por

    servidor, como cumprimento de dever legal, ao tomar conhecimento de suposta irregularidade cometida por qualquer servidor ou de

    ato ilegal omissivo ou abusivo por parte de autoridade, associados, ainda que indiretamente, ao exerccio de cargo (a vida pessoal

    de servidor no deve ser objeto de representao).

    Lei n 8.112, de 11/12/90 - Art. 116. So deveres do servidor:

    VI - levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver cincia em razo do cargo

    XII - representar contra ilegalidade, omisso ou abuso de poder.

    Pargrafo nico. A representao de que trata o inciso XII ser encaminhada pela via hierrquica e apreciada pela autoridade supe

    contra a qual formulada, assegurando-se ao representando ampla defesa.

    Em regra, a admissibilidade da representao funcional estaria vinculada a conter a identificao do representante e do

    representado bem como a indicao precisa da suposta irregularidade (associada ao exerccio do cargo) e das provas j disponveis.

    A princpio, esses seriam os conectivos mnimos ou critrios de admissibilidade para amparar, no exame a cargo da autoridade

    competente sobre matria disciplinar, a deciso de instaurar a via administrativa disciplinar e tambm para posteriormente propiciar

    ao representado conhecimento preciso do que estaria sendo acusado, como forma de lhe assegurar ampla defesa e contraditrio.

    Ainda teoricamente, bastaria representao se reportar to-somente a fatos, abstraindo- se de precipitadamente tentar enquadrar

    o caso nas capitulaes legais de infraes e muito menos de cogitar da penalidade.

    http://saberes.senado.leg.br/pluginfile.php/468973/mod_book/chapter/67704/8%20-%20Instru%C3%A7%C3%A3o%20Normativa-SFC%20n%C2%B0%201.pdf
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    Observando-se a finalidade da norma (e no apenas seu texto), o juzo de admissibilidade pode relevar a falta de algum dos

    requisitos formais acima, quando houver, por outro lado, a indicao precisa do fato e das respectivas provas.

    Mas o que de forma alguma se releva a apresentao apenas verbal da cincia de irregularidade. O relato verbal, diante da

    autoridade competente, de cometimento de irregularidade administrativa deve sempre ser reduzido a termo, pois elemento formal

    essencial que a pea materialize-se em documento por escrito.

    Participe do Frum da Comunidade, clicando no seguinte tpico

    Representao Funcional e faa seus comentrios, fomentando

    trocas de contedos e vivncias entre seus colegas de curso.

    Unidade 5 - Denncia

    J o termo denncia refere-se pea apresentada por particular, noticiando administrao o suposto cometimento de

    irregularidade associada ao exerccio de cargo. E quanto formalidade, na regra geral da administrao pblica federal, exige-se

    apenas que as denncias sejam identificadas e apresentadas por escrito.

    Lei n 8.112, de 11/12/90

    Art. 144. As denncias sobre irregularidades sero objeto de apurao, desde que contenham a identificao e o endereo do de

    sejam formuladas por escrito, confirmada a autenticidade.

    Tambm a denncia requer critrios similares aos acima descritos para a admissibilidade da representao. Destaque-se aindispensvel exigncia de que a denncia se materialize em documento por escrito, de forma que a denncia apresentada

    verbalmente deve ser reduzida a termo pela autoridade competente.

    Unidade 6 - Anonimato e Notcia Veiculada em Mdia

    Embora a princpio, pela prpria natureza da representao e por previso legal para a denncia (art. 144 da Lei n 8.112, de

    11/12/90), se exija a formalidade da identificao do representante ou denunciante, tem-se que o anonimato, por si s, no

    motivo para liminarmente se excluir uma denncia sobre irregularidade cometida na administrao pblica e no impede

    a realizao do juzo de admissibilidade e, se for o caso, a conseqente instaurao do rito disciplinar. Diante do poder-dever

    conferido no art. 143 da Lei n 8.112, de 11/12/90, em sede da mxima do in dubio pro societate, deve a autoridade competente

    verificar a existncia de mnimos critrios de plausibilidade.

    No cabe aqui a adoo de uma leitura restritiva do mencionado art. 144 do Estatuto, como se ele delimitasse todo o universo de

    possibilidades de se levar ao conhecimento da administrao o cometimento de irregularidades. Ao contrrio, diante dos diversos

    meios de se levar o conhecimento administrao, tem-se que aquele dispositivo deve ser visto apenas como forma especfica

    regulada em norma, mas no a nica licitamente aceitvel para provocar a sede disciplinar.

    Se a autoridade se mantivesse inerte, por conta unicamente do anonimato, afrontaria princpios e normas que tratam como dever

    apurar suposta irregularidade de que se tem conhecimento na administrao pblica federal. Uma vez que a previso constitucional

    da livre manifestao do pensamento (art. 5, IV da CF) em nada se confunde com o oferecimento de denncia ou representao em

    virtude de se ter cincia de suposta irregularidade, a estes institutos no se aplica a vedao do anonimato. Ademais, o interesse

    pblico deve prevalecer sobre o interesse particular.

    Mencione-se, ademais, que a Conveno das Naes Unidas contra a Corrupo, de 31/10/03, foi promulgada no Brasil pelo Decreto

    n 5.687, de 31/01/06 - sendo, portanto, admitida no ordenamento nacional com fora de lei - e reconhece a denncia annima.

    Conveno das Naes Unidas contra a Corrupo - Promulgada pelo Decreto n 5.687, de 31/01/06 - Art. 13.

    http://saberes.senado.leg.br/mod/forum/discuss.php?d=49777
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    2. Cada Estado-Parte adotar medidas apropriadas para garantir que o pblico tenha conhecimento dos rgos pertinentes de luta

    contra a corrupo mencionados na presente Conveno, e facilitar o acesso a tais rgos, quando proceder, para a denncia,

    inclusive annima, de quaisquer incidentes que possam ser considerados constitutivos de um delito qualificado de acordo com a

    resente Conveno. (Nota: O Supremo Tribunal Federal vaticinou, na Ao Direta de Inconstitucionalidade n 1.480, que tratados,

    acordos ou convenes internacionais, aps promulgados por decreto presidencial, situam-se, no sistema jurdico brasileiro, nos

    mesmos planos de validade, de eficcia e de autoridade em que se posicionam as leis ordinrias.)

    Mas claro que a autoridade no se precipitar a instaurar a sede disciplinar, com todos os nus a ela inerentes, vista to-

    somente de uma denncia annima. Nesses casos, deve-se proceder com maior cautela antes de se decidir pela instaurao do

    processo, para evitar precipitada e injusta ofensa honra do servidor, promovendo investigao acerca do fato constante da pea

    annima.

    STF, Mandado de Segurana n 24.369

    Pg. 2

    Se essa investigao confirmar ao menos a plausibilidade, ainda que por meio de indcios, do objeto da denncia annima,

    convalidando-a, ela passa a suprir a lacuna do anonimato. Da, pode-se dizer que o juzo de admissibilidade se ordena no pela

    formalidade de o denunciante ter se identificado ou ter se mantido annimo, pois no mais ser com base na pea annima em

    si mas sim no resultado da investigao preliminar, sob tica disciplinar, que ratificou os fatos nela descritos, promovida e relatada

    por algum servidor, dotado de f pblica, que o processo ser instaurado, com o fim de comprovar o fato e a sua autoria (ou

    concorrncia), garantindo-se ao servidor a ampla defesa e o contraditrio.

    Para arrematar a questo, a CGU por meio da Comisso de Coordenao de Correio CCC emitiu o Enunciado n 3, nos seguint

    DELAO ANNIMA. INSTAURAO. A delao annima apta a deflagrar apurao preliminar no mbito da Administrao Pblic

    ser colhidos outros elementos que a comprovem.

    Muito antes da publicao do aludido enunciado, a CGU - quando criou, por meio da Portaria n 335/06, o instrumento de averigindcios de irregularidade denominado de investigao preliminar-, j previa a possibilidade de apurao da denncia cuja autori

    possvel identificar. Isso o que se depreende da leitura do disposto no 3, do art. 6 da Portaria n 335:

    Art. 6 A investigao preliminar procedimento administrativo sigiloso, desenvolvido no mbito do rgo Central e das unidades

    com objetivo de coletar elementos para verificar o cabimento da instaurao de sindicncia ou processo administrativo disciplina

    iniciada mediante determinao do Ministro de Estado do Controle e da Transparncia, do Secretrio-Executivo da Controladoria-

    Unio, do Corregedor-Geral ou dos Corregedores-Gerais Adjuntos.

    3 A denncia cuja autoria no seja identificada, desde que fundamentada e uma vez que contenha os elementos indicados no

    ensejar a instaurao de investigao preliminar.

    A mesma cautela, e at com maiores requisitos para no se deixar influenciar por presso de opinio pblica e de imprensa, deve

    se aplicar s denncias que cheguem ao conhecimento da autoridade competente por meio da mdia. No sendo essa uma forma

    ilcita de se trazer fatos ao processo, no resta nenhuma afronta ao ordenamento e aos princpios reitores da matria tomar aquelas

    notcias jornalsticas como deflagradoras do poder-dever de a autoridade regimentalmente vinculada dar incio s investigaes. Se

    a autoridade competente tomou conhecimento de suposta irregularidade seja por um veculo de pequena circulao, seja

    de circulao nacional, tem-se que o meio lcito e ela tem amparo para proceder investigao preliminar e inquisitorial, tomando

    todas as cautelas, antes de precipitadamente se expor a honra do servidor. Portanto, no h vedao para que se deflagre processo

    administrativo disciplinar em decorrncia de notcia veiculada em mdia, independente do seu grau de repercusso, alcance ou

    divulgao.

    Deve-se destacar, no entanto, que, para fim de demarcao do termo inicial do prazo prescricional, quando o fato supostamenteirregular vem tona por meio de veculos de comunicao, somente se pode presumir conhecido pela autoridade competente no

    caso de notcia veiculada em mdia de expresso, circulao ou divulgao nacional, em que prevalece a presuno de conhecimento

    por todos (inclusive a autoridade) na data de sua divulgao. A mesma presuno, de conhecimento por parte de todos no caso de

    notcia veiculada em veculos de mdia de pequena ou restrita repercusso, poderia induzir ao risco de equivocadamente se deduzir

    http://saberes.senado.leg.br/pluginfile.php/468973/mod_book/chapter/67705/9%20-%20STF%20Mandado%20de%20Seguran%C3%A7a%20n%C2%B0%2024.369.pdf
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    que a autoridade tambm teve conhecimento e se manteve inerte.

    Da mesma forma como no anonimato, por um lado, afirma-se que, se a autoridade se mantivesse inerte, por conta unicamente do

    carter difuso da notcia, afrontaria princpios e normas que tratam como dever apurar suposta irregularidade de que se tem

    conhecimento na administrao pblica federal. E, por outro lado, repete-se que a autoridade no deve se precipitar na instaurao

    da sede disciplinar, com todos os nus a ela inerentes, vista de notcias de mdia, devendo antes determinar a realizao de

    investigao preliminar e inquisitorial, acerca dos fatos noticiados.

    Se essa investigao confirmar ao menos a plausibilidade, ainda que por meio de indcios, da notcia difusa veiculada pela mdia,

    convalidando-a, ela passa a aperfeioar sua lacuna. Da, pode-se dizer que o juzo de admissibilidade se ordena no pela

    formalidade de o conhecimento da irregularidade ter se dado pessoalmente pela autoridade ou por meio difuso, pois no mais ser

    com base na pea jornalstica em si mas sim no resultado da investigao preliminar, sob tica disciplinar, que ratificou os fatos

    nela noticiados, promovida e relatada por algum servidor, dotado de f pblica, que o processo ser instaurado, com o fim de

    comprovar o fato e a sua autoria (ou concorrncia), garantindo-se ao acusado a ampla defesa e o contraditrio.

    Desde que no tenham sido conseguidos por meios ilcitos, os conectivos processuais de instaurao podem chegar ao conhecimen

    modo meramente informativo (difuso) ou de maneira postulatria (precisa).

    A via informativa poder dar-se at mesmo por intermdio dos meios de comunicao social (jornal, rdio, televiso, etc),

    a autoridade administrativa competente verificar, de pronto, se a verso veiculada constitui, pelo menos em tese, infrao disci

    o responsvel por tal divulgao confirme por escrito tais increpaes.

    Somente depois desses cuidados, podem tais elementos configurar um princpio de prova autorizador da instaurao do proc

    da Costa, Teoria e Prtica do Processo Administrativo Disciplinar, pg. 205, Editora Braslia Jurdica, 5 edio, 2005.

    Nasce o processo disciplinar de uma denncia, que poder originar-se: (...) de notcia na imprensa. Francisco Xavier da Silva Gui

    Servidor Pblico Civil da Unio, pg. 130, Editora Forense, 2 edio, 2006

    O noticirio na imprensa, especialmente os textos escritos, podem servir de comunicao de indcios de irregularidades (...). A

    Reis, Processo Disciplinar, pg. 59, Editora Consulex, 2 edio, 1999.

    Unidade 7 - A Determinao do In Dubio pro Societate e Mera

    Divergncia de Entendimento

    Retornando enumerao dos diferentes graus de refinamento da representao ou denncia, em uma segunda hiptese, agora se

    abordam duas possibilidades mais determinsticas: ou se tem nos autos notcia de fato sem nenhum interesse disciplinar (por

    inequvoca falta de materialidade de irregularidade funcional) ou se tem nos autos ao menos indcios de tal materialidade. E ambas

    possibilidades tanto podem decorrer de originalmente assim j ter chegado a denncia ou representao ou de se ter procedido a

    investigaes preliminares apontando para um daqueles dois extremos.

    Em ambos os casos, o juzo de admissibilidade, voltado autoridade instauradora, vista do que consta dos autos (originalmente e,

    se for o caso com a instruo das diligncias prvias), deve conter uma breve descrio do fato relatado no processo deve

    apresentar uma anlise conclusiva sobre a existncia ou no de indcios da irregularidade e, por conseguinte, propor o arquivamento

    ou a instaurao de sindicncia ou PAD. As diferenas entre sindicncia e processo administrativo disciplinar e os respectivos

    critrios de instaurao sero abordados adiante.

    Por ora, basta destacar que, tendo tido cincia de suposta irregularidade, associada direta ou indiretamente ao exerccio do cargo, e

    atendidos os critrios de admissibilidade, luz do art. 143 da Lei n 8.112, de 11/12/90, a autoridade competente determina

    imediata apurao, via sindicncia ou processo administrativo disciplinar. Esta a regra geral, desde que haja indcios da suposta

    irregularidade. bvio que no se espera nesse momento inequvoca configurao da irregularidade, visto que esta configurao e a

    conseqente responsabilizao somente ficaro caracterizadas aps o curso do apuratrio, bastando, neste momento inicial, para

    que se instaure, a existncia de plausibilidade da ocorrncia do fato e de sua autoria (ou concorrncia).

    De ser repetido que, em sede disciplinar, entende-se por autor (responsvel) o servidor e/ou autoridade que, por ao ou omisso,derem causa ocorrncia da irregularidade ou seja, a responsabilizao administrativa alcana no apenas quem executa o ato,

    mas tambm aquele que propicia que outro o cometa, concorrendo para a ocorrncia.

    Acrescente-se que a fundamentao da deciso de instaurar ou no a sede disciplinar, por meio do juzo de admissibilidade,

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    consubstancia uma garantia para a autoridade instauradora, uma vez que o ato de externar os motivos de assim decidir, em nome

    da administrao, atende aos preceitos dos arts. 2 e 50, I da Lei n 9.784, de 29/01/99.

    Pg. 2

    Tendo sido superada toda a cautela anteriormente abordada para evitar instauraes incuas e havendo elementos indicirios

    indicadores de suposta irregularidade disciplinar, em analogia ao processo penal (em que princpios da oficialidade, da

    indisponibilidade do interesse pblico e da legalidade impem que o Ministrio Pblico Federal promova a ao penal), neste estgio

    do processo tambm prevalece em sede administrativa a mxima do in dubio pro societate (a sociedade exige a apurao). No

    dado autoridade o poder de compor, de perdoar ou de transigir por meio de soluo alternativa. A rigor, tampouco esta autoridade

    tem a seu favor, neste momento, o princpio da oportunidade, j que, tendo chegado a seu conhecimento o suposto cometimento de

    irregularidade funcional, a ela no se confere o poder discricionrio para examinar a convenincia e a oportunidade de instaurar

    apuratrio disciplinar.

    Todavia, conforme j exposto anteriormente, faz-se necessria alguma ponderao, no cabendo a deciso da autoridade

    instauradora ater-se apenas a parmetros formais de possvel ocorrncia de irregularidade (materialidade) envolvendo como

    suposto responsvel servidor pblico (autoria) como suficientes para determinar a instaurao. Na deciso de se instaurar ou no a

    onerosa sede disciplinar, tambm devem ser considerados parmetros objetivos (tais como ocorrncia de prescrio, possibilidade

    de obteno de provas, morte do servidor, etc) e sobretudo parmetros materiais (tais como a praxe administrativa, os bens

    tutelados, as diretrizes institucionais, a atividade desenvolvida, o corpo funcional, etc). Ou seja, esses parmetros materiais

    informam o juzo de admissibilidade, pois se refletem diferentemente em cada rgo e em cada unidade de determinado rgo e at

    mesmo em cada atividade desempenhada em determinada unidade de um rgo, vista das peculiaridades e particularidades.

    Assim, a respectiva autoridade competente tem de manter-se atenta aos valores que o processo administrativo disciplinar visa a

    tutelar em cada rgo, unidade ou atividade (se assiduidade, ou se produtividade, ou se retido, etc), como reflexo da natureza da

    instituio, de sua atividade-fim, de sua histria, de sua cultura, de seu planejamento e de sua gesto de pessoal.

    Sem prejuzo de se complementar a postura criteriosa j defendida, convm alertar, com muita reserva e cautela, que, pela prpria

    natureza da matria jurdica, no raro se configura a situao de dois ou mais servidores divergirem no entendimento, na aplicao

    ou na interpretao de normas ou de conceitos. Em tese, desde que no caracterizada m-f de qualquer um dos dois lados, no se

    configura, a princpio, ilcito disciplinar com a mera discordncia, ainda que envolvendo servidores com vinculao hierrquica. No

    se cogita de insubordinao por parte do servidor hierarquicamente inferior, em relao a seu superior hierrquico, em razo do

    lcito embate de idias. Ademais, inerente da atividade administrativa, fortemente hierarquizada, o poder de rever seus prpriosatos. E, muitas das vezes, isto se d em funo to-somente de diferentes interpretaes ou entendimentos, sem que se confunda

    em afirmar que a postura a ser reformada decorreu de ato ilcito, passvel de responsabilizao via sede disciplinar.

    Embora se busquem maiores determinismo e robustez no juzo de admissibilidade, eventualmente, em casos muito especficos e

    residuais, pode essa anlise no concluir nem pelo arquivamento e nem pela instaurao do rito disciplinar. Nesses casos, nada

    impede que o juzo de admissibilidade, no vislumbrando de imediato o cometimento de irregularidade, proponha autoridade

    instauradora o retorno do processo para a unidade de ocorrncia do fato, para as providncias de sua alada na matria-fim,

    podendo ainda haver ou no a solicitao de retorno em caso de, posteriormente, surgirem indcios de infrao.

    Por fim, independentemente das concluses a que se chega no juzo de admissibilidade (seja pelo arquivamento, seja pela

    instaurao do procedimento disciplinar, tendo sido ou no antecedida por investigaes preliminares), essa anlise propositiva pode

    recomendar medidas administrativas e gerenciais, unidade de ocorrncia do fato noticiado, com o fim de prevenir e inibir o

    cometimento de novos fatos.

    Lei 9.784, arts. 2 e 50, I

    Unidade 8 - Deveres elencados nos incisos do artigo 116 da Lei

    8.112/90

    A lista de irregularidades que se pode imputar ao servidor encontra-se nos arts. 116, 117 e 132 da Lei n 8.112, de 11/12/90. O art.

    116 elenca deveres do servidor, o art. 117 elenca proibies do servidor e o art. 132 elenca as graves infraes estatutrias.

    http://saberes.senado.leg.br/pluginfile.php/468973/mod_book/chapter/67720/3-Lei%209784%2C%20arts%20%202%C2%BA%20e%2050%2C%20I.pdf
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    A leitura atenta desses trs artigos demonstra, em diversas passagens, que o legislador previu ser possvel que determinadas

    condutas, dependendo de condicionantes (tais como o animus do servidor, a intensidade, a freqncia, etc), em rpida anlise, tanto

    pode, em um extremo, nem sequer configurar infrao disciplinar (por vezes, apenas mera crtica de ndole tica ou moral) quanto

    pode ser enquadrada administrativamente como infrao disciplinar leve (punvel com advertncia ou, no mximo, suspenso, em

    regra, em atitudes culposas) como pode tambm ser enquadrada administrativamente como infrao grave (punvel com

    pena capital, em regra, em atitude dolosa) e, no outro extremo, no limite mximo, pode ser enquadrada como improbidade

    administrativa, que infrao gravssima (punvel administrativamente com pena capital e judicialmente com outras penas severas).

    A aplicao de qualquer dos incisos dos trs artigos requer a leitura atenta e restritiva do art. 148 da Lei n 8.112, de 11/12/90. Este

    dispositivo restringe a anlise s condutas associadas direta ou indiretamente ao exerccio do cargo, com o que se afastam condutas

    de vida privada do servidor enquanto cidado comum (a menos que o ato da vida privada tenha correlao com a administrao

    pblica, com a instituio ou com o cargo), totalmente dissociadas de seu cargo, criticveis to-somente luz de cdigos de tica.

    Art. 148. O processo discipl inar o instrumento destinado a apurar responsabil idade de servidor por infrao praticada no exercc

    atribuies, ou que tenha relao com as atribuies do cargo em que se encontre investido.

    A propsito, nunca ser demais relembrar a importncia que o aplicador deve prestar quele artigo, em geral mitigada talvez pelo

    fato de o legislador t-lo inserido no meio do Ttulo V, que trata da matria processual, quando, por sua imediata relevncia, deveria

    ter sido destacado como uma disposio geral, como um prembulo de toda a matria disciplinar do Estatuto, restringindo a

    abrangncia objetiva do processo administrativo disciplinar. Na matria que aqui interessa, tal mandamento, acerca da delimitadaabrangncia subjetiva do processo, se volta tanto autoridade instauradora, em seu juzo de admissibilidade antes de instaurar

    o processo quanto comisso processante, ao conduzir o apuratrio e concluir pelo cometimento ou no de irregularidade quanto,

    por fim, autoridade julgadora, ao decidir pelo arquivamento ou pela punio do servidor.

    So diversos os exemplos que se podem listar de irregularidades encadeadas como que em degraus de crescente gravidade, apesar

    de a princpio parecerem ter uma mesma conformao ftica.

    Ilustrativamente, citam-se alguns exemplos do que se afirmou acima. A comprovao ftica de m execuo de determinada tarefa

    tanto pode configurar uma atitude de nfimo poder ofensivo normalidade administrativa que nem provoque a instaurao da esfera

    disciplinar quanto pode ser considerada falta de zelo (art. 116, I) quanto pode, no limite, vir a configurar desdia (art. 117, XV).

    Ausncias ao servio tanto podem ter apenas repercusso pecuniria, quanto podem configurar falta ao dever de ser assduo e

    pontual (art. 116, X), como podem, no limite, configurar abandono de cargo ou inassiduidade habitual (art. 132, II e III). Um

    ato contrrio norma tanto pode ser inobservncia de norma (art. 116, III), como pode ser apenas rito de passagem para valer-se

    do cargo para lograr proveito irregular (art. 117, IX). Um ato de quebra de relao de confiana tanto pode ser apenas quebra do

    dever de lealdade (art. 116, II), como pode configurar cometimento de atividade incompatvel (art. 117, XVIII), quanto pode ser ato

    de improbidade (art. 132, IV). Ao destruir um bem pblico, pode-se estar diante tanto de falta de zelo (art. 116, VII) quanto de

    dilapidao do patrimnio (art. 132, X). A lista de exemplos acima no exaustiva e menciona artigos da Lei n 8.112, de 11/12/90.

    A diferenciao, em sntese, entre tais condutas extremadas reside basicamente na configurao do elemento subjetivo do infrator:

    se agiu com culpa (com negligncia, impercia ou imprudncia) ou se agiu com dolo (com inteno e conscincia do resultado ou

    assumindo o risco do resultado). A soluo desses conflitos aparentes de normas passa por critrios de alternatividade,

    especialidade, subsidiariedade e consuno. E, tambm em apertadas palavras, sintetiza-se que, a menos da desdia (inciso XV do

    art. 117 da Lei n 8.112, de 11/12/90), o regime administrativo disciplinar exige a existncia de elementos indicadores do dolo para

    a aplicao das penas expulsivas, enquanto que, em regra, as atitudes culposas ensejam penas brandas.

    Pg. 2

    Quanto necessria configurao de elementos indicadores do dolo para determinados enquadramentos gravosos, aduz-se ser

    desnecessrio se identificar o dolo especfico, ou seja, o motivo que levou o servidor a realizar tal conduta conscientemente

    infracional.

    Uma vez que a configurao do elemento subjetivo importa relevantemente na configurao do ilcito e, mediante a vinculao

    prevista na Lei n 8.112, de 11/12/90, na penalidade cabvel, tem-se que a comisso deve ter sob ateno a grande responsabilidade

    do ato de enquadrar na Lei o fato irregular comprovado com a instruo probatria. E, para isso, deve dedicar especial ateno

    configurao do nimo subjetivo com que o servidor cometeu a conduta comprovada. Da, para citar os enquadramentos gravososmais comuns, no cabe comisso enquadrar no art. 117, IX (valimento de cargo) e/ou no art. 132, IV (improbidade

    administrativa), ambos da Lei n 8.112, de 11/12/90, e conseqentemente, propor aplicao de pena expulsiva, se no coletou nos

    autos elementos minimamente indicadores da conduta dolosa do servidor (exceto quando o ato de improbidade praticado, venha a

    causar grave dano administrao, podendo a pena expulsiva ser aplicada).

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    necessrio atentar que o Estatuto tem (sobretudo para as infraes que importem em penas de advertncia e de suspenso)

    enquadramentos atpicos de forma que, na situao hipottica prevista pelo legislador em um determinado inciso dos seus arts. 116,

    117 ou 132, cabem inmeras condutas prticas da vida concreta. Da, enquadrar o fato apurado em algum desses incisos

    abrangentes (o que, em viso precipitada, parece ser fcil) revela-se tarefa difcil e de grande responsabilidade, devido s

    diferentes repercusses.

    A comisso precisa levar em conta todas as condicionantes daquela conduta e do agente, luz da razoabilidade, da

    proporcionalidade, do bom senso, da eqidade, do equilbrio, do senso de justia e da impessoalidade, para enquadrar no inciso mais

    adequado e justo. At verdade que, diante de uma concluso dissociada das provas dos autos, pode a autoridade julgadora corrigir

    o enquadramento proposto pela comisso. Mas h situaes em que a proposta da comisso pode no ser a mais adequada mas no

    chega a ser flagrantemente contrria prova dos autos, de forma que fica mais difcil a motivao para a autoridade julgadora

    alterar e aplicar o enquadramento timo.

    A Advocacia-Geral da Unio tambm j abordou essa questo do escalonamento da gravidade da infrao:

    Parecer-AGU n GM-17, no vinculante: 13. A avaliao da gravidade de transgresses percebe-se e difere at no mbito da legisl

    que h preceituaes na Lei n 8.429, de 1992, que, em sua literalidade, consideram como improbidade administrativa a falta de

    instituies, podendo decorrer a penalidade expulsiva com as conseqncias drsticas supra referenciadas, ao passo que a Lei n

    1990, impe esse dever de o servidor ser leal, todavia prev o castigo de advertncia, desde que o ilcito no justifique i

    penalidade mais grave (arts. 116, II, e 129).

    14. Na mesma forma de graduar a penalidade em razo da gravidade do ilcito, exemplificativamente, a Lei n 8.112 veda que

    oponha resistncia injustificada ao andamento de documento e processo ou execuo de servio (art. 117, IV) e viabiliza a ap

    advertncia (arts. 117, IV, e 130), conduta que importa omisso em praticar ato de ofcio que a Lei n 8.429 considera ato de i

    administrativa, no sentido literal de sua concepo.

    Pg. 3

    O art. 116 da Lei n 8.112, de 11/12/90, elenca os deveres funcionais, cuja inobservncia acarreta pena de advertncia ou de

    suspenso (a parte final do art. 129 da Lei n 8.112, de 11/12/90, possibilita a aplicao de suspenso mesmo no havendo

    reincidncia.

    A leitura conjunta do art. 129 da Lei n 8.112, de 11/12/90, na passagem em que menciona dever funcional previsto em lei,

    regulamentao ou norma interna com o artigo em tela d a clara notcia de que a lista de deveres funcionais no se encerra no

    art. 116 da citada Lei, pois, alm de outras leis que porventura existam impondo deveres a servidor, pode haver, em cada rgo da

    administrao, deveres funcionais internamente regulados na normatizao infralegal.

    Em princpio, o descumprimento da maioria dos deveres elencados no art. 116 da Lei n 8.112, de 11/12/90, quando se encerra em

    si mesmo e no mero instrumento de infrao mais grave, tem natureza apenas culposa (cometido por negligncia, imprudncia

    ou impercia) mas tambm h deveres naquela lista que podem ser dolosamente descumpridos. Destaque-se que, ainda assim,

    nenhum deles, por si s, mesmo em reincidncia, implica em proposta de pena capital (demisso, destituio de cargo em comisso

    ou cassao de aposentadoria ou de disponibilidade).

    Acrescente-se que muitos dos deveres funcionais estatudos no art. 116 da Lei n 8.112, de 11/12/90, tangenciam aspectos

    comportamentais de conduta (zelo, lealdade, obedincia, urbanidade). Cabe dizer que, em regra, os enquadramentos na maioria dos

    incisos deste artigo podem se justificar mediante conduta nica ou delimitada em curto perodo de tempo, no sendo necessrio se

    reportar ao pretrito da vida funcional do servidor.

    de se ressaltar que, luz do atual ordenamento constitucional (leia-se art. 5, LV da CF), no se admite nenhuma hiptese de

    configurao de qualquer desses ilcitos e a conseqente apenao sem a instaurao do devido processo legal, com ampla defesa

    e contraditrio, por mais imediato, notrio ou faticamente simplrio que possa parecer algum enquadramento. Nesse sentido, para

    qualquer inciso deste artigo, defende-se o rito legal para hiptese do art. 130, 1 da Lei n 8.112, de 11/12/90.

    Seguem os enquadramentos do art. 116 da Lei n 8.112, de 11/12/90, com algumas observaes cabveis mais relevantes.

    Lei 8.112, de 11/12/90, art. 116

    http://saberes.senado.leg.br/pluginfile.php/468973/mod_book/chapter/67726/4-Lei%20n%C2%BA%208112%2C%20de%2011%2012%2090.pdf
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    Inciso I - exercer com zelo e dedicao as atribuies do cargo

    A princpio, no se vislumbra diferena entre zelo e dedicao, pois equivalem a realizar as tarefas com cuidado e qualidade e

    em tempo razovel, ou seja, com bom rendimento, sem desleixo ou descompromisso com a qualidade, estando aqui superpostos

    talvez por uma questo de nfase redacional. vista da noo de que a administrao e o Estatuto no requerem do servidor

    desempenho extraordinrio de excelncia ou atos de bravura e herosmo, mas to- somente conduta normal e mediana, no se cr

    que o termo dedicao seja um plus em relao ao termo zelo, em que o primeiro teria o significado mais qualificado deexclusividade, abnegao, devoo e entrega total.

    Este enquadramento, de subjetiva avaliao, no se reporta a toda a vida funcional do servidor, mas sim a um ato especfico (ou a

    alguns atos ou a um perodo especfico). Ou seja, no h impedimento de se enquadrar um servidor neste inciso, por um

    determinado ato em que agiu de forma negligente, embora esteja provado nos autos que o acusado sempre foi um bom servidor e

    constarem de seus assentamentos elogios, menes honrosas, etc. Tais antecedentes poderiam valer, a princpio, para impedir que

    a autoridade agravasse a pena para suspenso, conforme lhe autorizariam os arts. 128 e 129 da Lei n 8.112, de 11/12/90.

    Se fosse o caso de se poder criticar como negligente toda a vida funcional pretrita do servidor, e no por um caso isolado (ou

    alguns), talvez se cogitasse, em tese, de enquadramento bem mais gravoso, de desdia, no art. 117, XV do Estatuto.

    Inciso II - ser leal s instituies a que servirEste mais um enquadramento de avaliao fortemente subjetiva, para o qual tambm se aplica a observao feita no inciso acima,

    acerca da desnecessidade de configurao continuada, podendo se ter sua caracterizao em um ato nico.

    Como primeira tentativa de balizar esse enquadramento bastante genrico, pode-se afirmar que, em sntese, a lealdade que se

    exige do servidor em relao instituio e ao servio pblico como um todo e, de forma intrnseca a esse foco orgnico, tambm

    aos princpios reitores, smbolos e valores da administrao, no sendo objeto de exigncia legal a lealdade do servidor em relao

    s pessoas dos administradores e superiores hierrquicos.

    Este dever, refletindo inicialmente respeito a princpios e valores, se manifesta primeiramente por meio do respeito s normas

    (desde as mais internas e especficas at as mais gerais do ordenamento jurdico como um todo), que, em qualquer grau, regem e

    disciplinam a instituio em que o servidor exerce seu cargo, impondo-lhe no s cumpri-las, mas tambm lhes ser fiel, compostura colaboradora. Aqui se enquadra o dever de comunicar falhas na normatizao -podendo se estender esta obrigao diante de

    falhas nos sistemas informatizados oficiais (em ambos os casos, a conduta mais grave de explorar as falhas no se confunde com

    o inciso, merecendo enquadramento mais gravoso).

    Ainda nessa linha principiolgica, alm de se exigir do servidor respeito ao regramento interno do rgo e ao ordenamento jurdico

    vigente como um todo, exige-se tambm respeito aos princpios da hierarquia e da subordinao (destaque-se o apego ao princpio,

    de forma dissociada da figura personalizada do administrador), como forma de ato de lealdade.

    E, de forma mais concreta, esse enquadramento probe o uso indevido e dissociado do interesse do trabalho da imagem e dos

    smbolos institucionais. Nessa linha, aplicao concreta provavelmente mais plausvel desse enquadramento visa a vedar a

    manifestao pblica do agente, na condio especfica de servidor (obviamente, a Lei estatutria no mitigaria a constitucional

    garantia de liberdade de expresso do cidado comum), em detrimento e em ofensa imagem e credibilidade externas da

    instituio.

    Inciso III - observar as normas legais e regulamentares

    Diante do princpio da legalidade, que norteia toda a conduta do agente pblico, tem-se que o dever de observar as normas

    vigentes, no sentido amplo da expresso (o ilcito se configura com a inobservncia no s de uma lei ou de um regulamento, mas

    sim de qualquer norma, tais como decretos, regimentos, portarias, instrues, resolues, ordens de servio, bem como decises e

    interpretaes vinculantes de rgos ou unidades legal ou regimentalmente competentes e tambm dos princpios positivados na CF

    e em leis) basilar e figura como implcito da atividade pblica.

    Sem prejuzo do equilbrio harmnico principiolgico, o princpio da legalidade, ao lado do princpio da moralidade administrativa,

    considerado um princpio informador dos demais princpios constitucionais reitores da administrao pblica. E isto lhe atribui

    aplicao quase totalitria na atividade pblica, de forma que a vinculao ao ordenamento esteja, em determinado grau, diluda e

    subentendida em todos os mandamentos estatutrios. De fato, a leitura atenta dos arts. 116, 117 e 132 da Lei n 8.112, de

    11/12/90, leva a perceber que a legalidade paira, manifesta-se e, por fim, repercute na grande maioria das infraes

    disciplinares neles elencadas (enquanto que as mximas da impessoalidade, da publicidade e da eficincia tm suas repercusses

    http://saberes.senado.leg.br/pluginfile.php/468973/mod_book/chapter/67726/10%20-%20Lei%20n%C2%BA%208.112%2C%20Art.%20116.pdf
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    mais pontuais e restritas). Em outras palavras, sendo esse um dos dois principais princpios norteadores da atividade pblica, a

    grande maioria dos enquadramentos disciplinares tem em sua base o descumprimento do dever de observar normas legais

    e regulamentares, de forma que o dispositivo especificamente insculpido no art. 116, III valha quase que como regra geral e difusa

    dos deveres estatutrios.

    Sendo a atividade pblica vinculada de forma que o agente pblico somente pode fazer aquilo que o ordenamento expressamente lhe

    permite e uma vez que nenhuma norma autoriza o cometimento de irregularidade, todo ato ilcito, em regra, passa, em sua base,

    por uma inobservncia de norma. Todavia, esta infrao disciplinar pode ser absorvida por irregularidades mais graves. Da, o

    enquadramento neste inciso somente se justifica se o ato no configura irregularidade mais grave.

    Alm da questo da gravidade, a diferenciao entre o enquadramento de uma conduta no inciso III do art. 116 ou nos demais

    incisos deste artigo ou nos arts. 117 e 132, todos da Lei n 8.112, de 11/12/90, tambm pode advir da anlise se o ato infracional

    comporta ou no enquadramento mais especfico, a prevalecer sobre aquele mais geral e difuso, de forma que pode-se cogitar de

    lhe atribuir valor quase residual. E, nesse aspecto, alm da busca do esclarecimento do nimo subjetivo com que o ato foi cometido

    (se com culpa ou se com dolo), tambm pode ainda se fazer necessrio identificar a ocorrncia ou no dos parmetros elencados no

    art. 128 da Lei n 8.112, de 11/12/90, para diferenciar se o ato, por exemplo, justifica ser enquadrado em afronta do dever de

    observar normas legais ou regulamentares (art. 116, III da citada Lei) ou se merece enquadramento na proibio de valer-se do

    cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem (art. 117, IX da mesma Lei).

    Neste enquadramento, deve a comisso especificar na indiciao qual norma (tipo da norma, se lei, decreto, instruo normativa,

    portaria, etc, nmero, artigo, inciso) foi descumprida pelo acusado, sob pena de possibilitar alegao de cerceamento de defesa.

    Destaque-se que a mera divergncia de entendimentos ou de interpretao de normas envolvendo dois ou mais servidores, desde

    que no caracterizada m-f de qualquer um dos dois lados, no configura, a princpio, ilcito disciplinar. inerente da atividade

    administrativa, fortemente hierarquizada, o poder de rever seus prprios atos, em decorrncia do princpio da autotutela, inclusive

    com a atuao hierrquica. E, muitas vezes, isto se d em funo to- somente de diferentes interpretaes ou entendimentos sem

    que isto se confunda em afirmar que a postura a ser reformada decorreu de ato ilcito, passvel de responsabilizao.

    A leitura atenta do art. 116, III da Lei n 8.112, de 11/12/90, indica que o Estatuto no conferiu ao servidor nenhum poder

    discricionrio para apreciar a legalidade de norma ou para avaliar, por seus critrios pessoais, a convenincia de cumpri-la ou no.

    Opera-se a presuno de que as normas so legais. A norma, desde que devidamente editada por quem competente e publicada, a

    partir de sua data de entrada em vigor, deve ser plenamente cumprida pelo servidor, ainda que este, em sua prpria convico, a

    considere ilegal. A convico por parte do servidor de que a norma apresenta defeitos de forma ou de mrito deve faz-lo provocar

    a unidade ou a autoridade competente para declarar a ilegalidade da norma e para exclu-la do ordenamento ou alter-la alm

    disso, se ele tem elementos de convico de irregularidade na feitura da norma, ele deve at representar contra quem a editou. Mas

    jamais o servidor deve deixar de cumprir a criticada norma, uma vez que, enquanto no revogada na forma legal, o servidor tem o

    dever funcional de cumpri-la, por fora do dispositivo inquestionvel do art. 116, III da Lei n 8.112, de 11/12/90 e tambm por

    fora do princpio da legalidade, sob pena de ver configurado o ilcito em tela.

    Eventuais atos irregulares decorrentes do descumprimento de uma norma ilegal no acarretaro repercusso disciplinar para quem

    os cometeu cumprindo estritamente a norma, pois assim ter agido com ateno no s legalidade mas tambm hierarquia. A

    princpio, o agente administrativo subordina-se de forma mais irrecusvel aos mandamentos internos emanados por autoridades que

    lhes so proximamente superiores, como, por exemplo, ordens de servio, instrues normativas e portaria. Tais atos irregulares

    em obedincia a uma norma superior, no mximo, se for o caso, podero acarretar repercusso disciplinar para quem a editou. Com

    mais nfase ainda se reforam esses argumentos inibidores para o servidor descumprir lei por entender que ela inconstitucional

    (visto, em essncia, essa ser uma competncia do Supremo Tribunal Federal).

    No dado ao servidor o direito de alegar o desconhecimento da norma a fim de justificar sua inobservncia. Todos os atos legais

    (em sentido extensivo do termo) so publicados (seja em DOU, seja apenas internamente). Tampouco costuma prosperar a alegao

    de falta de treinamento ou capacitao. dever do servidor, inerente sua funo, manter comprometimento e qualidade nos

    trabalhos, de forma que a ele prprio incumbe manter-se atualizado com as mudanas e inovaes legais e diligenciar para se

    familiarizar com o ordenamento que rege sua matria de trabalho.

    Formulao-Dasp n 73. Erro de direito

    Aplica-se ao Direito Administrativo o princpio de que ningum se escusa de cumprir a lei alegando que no a conhece

    Parecer-Dasp. Abandono de cargo - Ignorncia da lei

    A ignorncia da lei no clusula excludente da punibilidade.

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    Acesso Imotivado

    Uma conduta em especial, que, pelo menos a princpio (se no configurada outra conduta mais grave), pode ser enquadrada como

    inobservncia de norma, o chamado acesso imotivado. Este ilcito se configura quando o servidor utiliza-se dos sistemas

    informatizados para fins que no so de interesse do servio, ou seja, que no tm motivao legal. Para a caracterizao dos

    ilcitos devem ser analisados os normativos disciplinadores da utilizao dos sistemas informatizados pblicos.

    Esse ilcito administrativo, a princpio, enquadrvel no presente art. 116, III do Estatuto j a revelao, para outro servidor do

    rgo, dos dados acessados, pode configurar inobservncia de norma e quebra do dever de guardar sigilo sobre assunto interno (art.

    116, VIII do Estatuto, linhas a seguir) j a revelao, para particulares, dos dados acessados, pode configurar a

    grave irregularidade de revelao de segredo obtido em razo do cargo (art. 132, IX, do Estatuto).

    Ainda neste rumo, a comprovada falta do devido cuidado na guarda, proteo e utilizao de senha ou seu emprstimo a outro

    servidor, ainda que habilitado, para acesso a sistemas informatizados, pode configurar a infrao de no observar o dever funcional

    de exercer com zelo as atribuies do cargo, j descrita linhas acima.

    No que se refere ao sigilo de informaes sobre operaes financeiras, o art. 10 do Decreto 4.489/2002 expressamente determinou

    a caracterizao da infrao aqui comentada quando servidor pblico utilizar ou viabilizar a utilizao indevida dessas informaes.

    No art. 11 do mesmo diploma legal, determina-se a responsabilizao administrativa pela indevida atribuio, fornecimento ou

    emprstimo de senha, bem como pelo uso indevido de senha restrita.

    Decreto 4.489/2002, art. 10 e 11

    Inciso IV - cumprir as ordens superiores, exceto quando manifestamente ilegais

    Como reflexo da forte atuao do princpio da hierarquia em sede disciplinar -o prprio poder disciplinar deriva do poder hierrquico-, o servidor tem o dever de acatar ordens superiores, na presuno de que so emanadas de acordo com a lei e voltadas ao

    interesse do servio. As ordens emanadas em decorrncia de um ato legal que confere competncia autoridade gozam de

    presuno de legalidade e, como tal, a priori, devem ser cumpridas. A princpio, a simples suspeita pessoal de ilegalidade no tem o

    condo de afastar a regra geral do dever de obedincia.

    Os agentes pblicos tm o dever de acatar as ordens de seus superiores, desde que sejam legais, isto , quando pautadas nos

    ditames da lei e emitidas de forma legtima (emanada de autoridade competente, respeito s formalidades exigidas e com objeto

    lcito).

    Todavia, em razo de sua conduta estar vinculada legalidade, no deve o servidor obedecer a ordem manifestamente ilegal. Se a

    ordem flagrantemente ilegal, ou seja, de ilegalidade facilmente perceptvel, alm da responsabilizao de quem a ordenou, o

    seu acatamento por parte do subordinado tambm configura irregularidade. Um exemplo disso a hiptese de um servidor pblico

    federal receber ordem de seu superior hierrquico de nomear pessoa para ocupar determinado cargo pblico em que se exige

    legalmente provimento por concurso pblico (cargo pblico efetivo), sem que esta tenha prestado qualquer processo seletivo. Na

    situao colocada, por ser manifestamente contrria ao que prev a lei, o servidor no poder cumprir a ordem, sob pena de

    tambm ser a ele imputada responsabilidade. Ao contrrio, dever representar contra a ilegalidade, na forma do dever previsto no

    art. 116, XII, desta lei (representar contra ilegalidade, omisso ou abuso de poder).

    A propsito da discusso, vale relembrar que o descumprimento de ordem judicial por servidor no incorre em transgresso ao

    presente dispositivo, pois sua capitulao requer a desobedincia a ordens de superiores com vinculao hierrquica. De outro lado,

    a independncia entre as instncias assegura que o servidor possa ser responsabilizado em qualquer outra seara do direito, mesmo

    que no haja configurao de ilcito administrativo pelo descumprimento da ordem judicial.

    Por outro lado, se a ordem ilegal, mas somente o mandante o sabe, no havendo condies de o subordinado saber da ilicitude,

    apenas aquele comete a irregularidade. Da mesma forma, se o cumprimento da ordem se d por coao irresistvel, somente o

    mandante incorre em responsabilizao.

    http://saberes.senado.leg.br/pluginfile.php/468973/mod_book/chapter/67728/b-Decreto%204489%20de%202002%2C%20art%2010%20e%2011.pdf
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    CP - Coao irresistvel e obedincia hierrquica

    Art. 22. Se o fato cometido sob coao irresistvel ou em estrita obedincia ordem, no manifestamente ilegal, de superior hier

    punvel o autor da coao ou da ordem.

    Formulao-Dasp n 68. Co-autoria

    So co-autores da infrao disciplinar o funcionrio que a pratica em obedincia ordem manifestamente ilegal de superior hier

    autor dessa ordem.

    Inciso V - atender com presteza

    Lei n 8.112, de 11/12/90, Inciso V - atender com presteza:

    a) ao pblico em geral, prestando as informaes requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo

    b) expedio de certides requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de situaes de interesse pessoal

    c) s requisies para a defesa da Fazenda Pblica.

    O inciso acima inclui trs mandamentos que guardam em comum o aspecto comportamental da presteza. Com isso, se requer do

    servidor o pronto atendimento, se no imediato mas ao menos que se d o quanto antes, assim que possvel. O dispositivo visa a

    evitar o mau atendimento a solicitaes dos administrados (seja em carter geral, sem perder a ateno a proibio de

    fornecimento em funo de clusula de sigilo seja em carter especfico, condicionado comprovao do efetivo interesse pessoal

    por parte do requerente) e, ainda com maior ateno, s requisies de indisponvel interesse pblico, punindo a conduta

    desleixada, indiferente, abusiva, constrangedora, desinteressada, procrastinatria ou negligente do servidor no cumprimento de suas

    atribuies.

    Como a finalidade da administrao pblica bem gerir os interesses coletivos, a presteza no atendimento de solicitaes por parte

    de seus agentes assume relevncia. Assim, de modo especial, o injustificado atendimento, sem a devida presteza pelo servidor, das

    solicitaes em geral configura o ilcito previsto neste inciso, sem desconsiderar a possibilidade de enquadramento em incisos maisgraves em funo de outros condicionantes da conduta e/ou das conseqncias.

    Constituio Federal de 1988, art. 5, XXXIV

    Inciso VI - levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades deque tiver cincia em razo do cargo

    Conforme j abordado anteriormente, o servidor que tem conhecimento de qualquer tipo de suposta irregularidade no servio

    pblico, cometida por qualquer outro servidor, mesmo que de outra via hierrquica ou at de outro rgo, obrigado a representar,

    sendo passvel de responsabilizao administrativa em caso de omisso. O cumprimento deste dever reflete simultaneamente

    ateno tambm ao dever de lealdade instituio. O inciso em tela se aplica quando a omisso decorre de atitude culposa diante

    de atitude omissiva dolosa, em situaes extremadas, alm de enquadramento administrativo mais grave, pode-se cogitar at de

    repercusso penal.

    A se destacar que o dever de representar restringe-se aos fatos conhecidos em razo do desempenho do cargo do representante (ou

    seja, fatos de que o servidor tem conhecimento no exerccio do seu prprio cargo, seja repartio ou fora dela, se a servio).

    Igualmente, deve-se restringir o teor da representao a fatos relacionados ao interesse da administrao (ou seja, a fatos

    cometidos pelo representado no mbito do servio pblico, tambm no pleno exerccio do seu cargo -seja na repartio ou fora dela,

    se a servio -, ou indiretamente relacionados ao cargo). No se inserem aqui como objeto do interesse de representao os atos davida privada do representado (destaque-se que aqui se refere restritivamente queles atos sem nenhuma correlao com a

    administrao pblica, com a instituio ou com o cargo, uma vez que pode haver repercusso disciplinar para atos, ainda que

    cometidos fora da instituio ou do horrio de exerccio do cargo, mas que com eles se relacionem ou que neles interfiram).

    http://saberes.senado.leg.br/pluginfile.php/468973/mod_book/chapter/67729/c-Constitui%C3%A7%C3%A3o%20Federal%20de%201988%20art%205%C2%BA%20XXXIV.pdf
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    Em que pese representao figurar como um dever legal, o servidor deve exercer com prudncia e cautela, sem se deixar levar

    por vieses de pessoalidade, sendo inaceitvel a tentativa de se servir da sede disciplinar de forma injusta e imotivada.

    Presume-se a boa-f no exerccio desse dever legal. No se vislumbra, no regime disciplinar estatudo pela Lei n 8.112, de

    11/12/90, algum enquadramento que se possa aplicar ao representante quando este formula representao infundada e que no

    admitida. Tanto a reparao do ofendido quanto a punio para o caluniador devem ser buscada apenas em via judicial. Muito

    excepcionalmente, somente se poderia se cogitar de alguma repercusso disciplinar (associada, por exemplo, a um ato tido como de

    desleal com a instituio) contra o representante que agisse de inequvoca e comprovada m-f ao tentar fazer mover a

    estrutura correcional com nimo ou motivao pessoal de prejudicar terceiro.

    De outro lado vale lembrar que o Estatuto dos Servidores Pblicos, em seu art. 126- A, trouxe especial proteo ao servidor que

    revele atos ilcitos praticados no mbito da esfera pblica no estrito cumprimento da sua funo pblica de representao.

    Lei n 8.112, de 11/12/90, Art. 126-A

    Inciso VII - zelar pela economia do material e a conservao do patrimnio

    pblicoNesse enquadramento, o descumprimento de dever associado a zelo, a princpio, remete a conduta culposa. Em sua parte inicial,

    pode-se entender como material a ser economizado os bens de consumo cotidiano (materiais de escritrio, por exemplo), na qual

    se impe, ento, o dever de no gast-los perdulariamente. Em sua parte final, como patrimnio a ser conservado, entendem-se

    tanto os bens de consumo acima quanto o ativo permanente (mquinas, equipamentos, imveis, por exemplo). Com isso, tem-se no

    enquadramento em tela o dever de proteger e cuidar da vida til no s de bens de consumo, mas tambm de bens

    durveis. Independentemente da natureza do bem, a norma visa a punir o desperdcio e o desrespeito do servidor com o bem

    pblico, em atitudes de descuido, descaso ou negligncia.

    bvio que, luz dos princpios da eficincia, da razoabilidade e da proporcionalidade, no se cogita de se provocar a sede

    disciplinar, com todos os nus a ela inerentes, em virtude do desperdcio pontual e isolado de um insignificante item de material de

    consumo ou mesmo de ativo permanente. Ademais, lembre-se de que, de acordo com a Instruo Normativa-CGU n 4, de17/02/09, o dano ou desaparecimento de bem decorrente de conduta culposa por parte do servidor e causador de prejuzo inferior a

    R$ 8.000,00 pode ter sua apurao encerrada em TCA, sem rito disciplinar, se o agente pblico aquiescer em ressarcir ao errio,

    poupando-se a instaurao de PAD ou sindicncia punitiva que, em seu final, poderia redundar no enquadramento em tela.

    Sendo de natureza culposa, este inciso no se aplica destruio, ao desperdcio, ao prejuzo ou ao dano, causados com dolo ao

    bem pblico (que poderiam, a princpio, ser enquadrados no art. 117, XVI, utilizar pessoal ou recursos da repartio em servios

    ou atividades particulares ou no art. 132, X, leso aos cofres pblicos e dilapidao do patrimnio nacional, ambos da Lei n

    8.112, de 11/12/90, que sujeitam o agente pena de demisso).

    Inciso VIII - guardar sigilo sobre assunto da repartio

    Este inciso se refere quebra culposa, cometida por negligncia ou impercia, do dever de resguardar os assuntos internos darepartio.

    Uma vez que o presente enquadramento no especifica, tem-se que aqui cabem tanto a conduta de revelar quanto a de divulgar os

    assuntos da repartio. Doutrinariamente, tem-se que a ao de revelar concretiza-se com o vazamento de informao para

    apenas uma nica pessoa, enquanto que a ao de divulgar concretiza-se com o vazamento da informao para mais de uma

    pessoa (pela mdia, por exemplo, e, obviamente, engloba tambm a primeira irregularidade).

    A diferenciao entre este enquadramento e o art. 132, IX do Estatuto (revelao de segredo do qual se apropriou em razo do

    cargo) radica, majoritariamente, no elemento subjetivo da revelao, visto que aquele trata de conduta intencional e

    consciente, eivada de m-f. Assim, aqui podem se enquadrar revelaes culposas de informaes que at possam comprometer

    estratgias, aes ou diretrizes oficiais que possam beneficiar contratante ou licitante junto administrao ou que possam ser

    confundidas como posicionamento institucional, comprometendo a imagem do rgo enquanto que l podem ser

    enquadradas revelaes similares eivadas de dolo.

    Mas, alm do nimo subjetivo motivador do ato ilcito (se intencional ou se apenas culposo), tambm o objeto da revelao atua na

    diferenciao dos dois enquadramentos, ainda que em menor grau de relevncia.

    http://saberes.senado.leg.br/pluginfile.php/468973/mod_book/chapter/67710/d-Lei%20n%C2%BA%208112%2C%20de%2011%2012%2090%20Art%20126-A.pdf
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    O art. 132, IX da Lei n 8.112, de 11/12/90, abarca a revelao de dados obtidos to- somente em funo do cargo, com destaque

    para documentos sabidamente protegidos por clusula de sigilo (fiscal, bancrio, telefnico, etc) ou seja, extrai-se o maior poder

    ofensivo daquela conduta do teor mais relevante e reservado do que foi revelado. J neste inciso VIII do art. 116 do Estatuto, pode-

    se inferir que esto includas as revelaes de atos internos e rotineiros ou de diretrizes da repartio, os quais, embora no devam

    ser revelados, no provocam e no dependem de m-f a justificar sua revelao, visto no serem dados de garantias

    individuais fundamentais e de forte valor estratgico. Alm da questo da rotina de trabalho, a norma tambm visa a preservar os

    assuntos que, verbal ou documentalmente, se abordam na repartio, mimpedindo que imotivadamente o servidor os revele a

    estranhos, independentemente de tais assuntos estarem ou no formalizados em documentos gravados com clusula de sigilo

    (esta hiptese mais grave prevista do art. 132, IX do Estatuto).

    Muito genrica e sinteticamente, pode-se esboar o seguinte encadeamento: o mero acesso sem motivao aceitvel a banco de

    dados informatizados, pode configurar inobservncia de norma (art. 116, III do Estatuto, linhas acima) j a revelao imotivada,

    para outro servidor pblico, dos dados sigilosos acessados, pode, de acordo com as peculiaridades do caso concreto, mconfigurar

    inobservncia de norma e quebra do dever de guardar sigilo sobre assunto interno (no presente art. 116, VIII do Estatuto) j a

    revelao, para estranhos ao servio pblico, dos dados acessados, pode configurar a grave irregularidade de revelao de segredo

    obtido em razo do cargo (art. 132, IX do Estatuto).

    No que se refere aos dados protegidos por sigilo bancrio, fiscal e telefnico, a eventual violao ao dever poder configurar o

    crime contra a Administrao Pblica, previsto no art. 325 do Cdigo Penal (Violao de sigilo funcional). Assim, o servidor incorrer

    nas condutas previstas no art. 132, I, da Lei n 8.112/90 (crime contra a administrao pblica) ou no art. 132, IX, do mesmo

    diploma, quando implicar em revelao de segredo de que se tenha apropriado em razo do cargo.

    Ultrapassado o critrio subjetivo, vale destaca a edio da Lei n 12.527/2011 (Lei de Acesso Informao), que regulamenta o

    tratamento a ser dado ao direito de petio constitucionalmente protegido diante das informaes qualificadas como pblicas.

    Ao estabelecer as especficas hipteses autorizadoras de quebra de sigilo documental, na mesma linha, a Lei n 12.527/2011 (Lei de

    Acesso Informao) prev a configurao de conduta ilcita e consequente responsabilizao do agente pblico que incorrer nos

    casos previstos em seu art. 32, sendo a ele aplicvel, no mnimo, a penalidade de suspenso.

    luz da especificidade dada pelo normativo em destaque, no qual trata especificamente de condutas ilcitas e as equipara s

    infraes administrativas encartadas na Lei n 8.112/90, pode-se inferir, por meio de uma interpretao teleolgica, que o legislador

    no teve a inteno de alterar o contedo do Estatuto dos Servidores Pblicos, mas to-somente qualificar atos infracionais

    relacionados informao pblica.

    Ora, a Lei n 12.527/2011 trata do tratamento a ser dispensado s informaes qualificadas como pblicas pela autoridade

    competente. Ainda, define o modo por meio do qual o cidado poder exercer seu direito de petio e, por fim, obter acesso

    informao de seu interesse.

    Logo, para a caracterizao das infraes capituladas na legislao em apreo, pressuposto formal que tenha sido realizado pedido

    formal de acesso informao por cidado, recaindo o dever de proteo da informao tida como restrita em todos os nveis de

    apreciao da petio. Portanto, ao fazer referncia s infraes descritas na Lei n 8.112/90, entende-se que a comisso dever,

    nos casos em que houve revelao de informao indevidamente, apreciar se esta ocorreu em decorrncia de um pedido de acesso

    informao. Nessa esteira, havendo a revelao imprpria de informao no curso da anlise do pedido de acesso, a comisso

    dever aplicar, no mnimo, a penalidade de suspenso mesmo que se enquadre no art. 116, VIII, da Lei n 8.112/90.

    Lei 12.527/2011, Art. 32

    Inciso IX - manter conduta compatvel com a moralidade administrativa

    O presente inciso impe a repercusso disciplinar em decorrncia de afronta ao princpio da moralidade administrativa. A aplicao

    deste inciso requer a leitura conjunta daquele primado com a legalidade expressa na prpria Lei n 8.112, de 11/12/90 -mais

    especificamente, em seu art. 148, que restringe a aplicao do regime disciplinar s condutas associadas direta ou indiretamente ao

    exerccio do cargo. Com isso, se afastam da incidncia as condutas de vida privada do servidor enquanto cidado comum (a menos

    que o ato da vida privada tenha correlao com a administrao pblica, com a instituio ou com o cargo), totalmente dissociadas

    de seu cargo, criticveis to-somente luz de cdigos de tica. Da porque a imoralidade de que se cuida a administrativa. Em

    http://saberes.senado.leg.br/pluginfile.php/468973/mod_book/chapter/67712/e-Lei%2012527%202011%2C%20Art%2032.pdf
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    razo de o presente inciso tratar de condutas associadas a conceitos morais, aqui mais comum a equivocada tentativa de se

    emprestar aspecto disciplinar a atos de vida privada.

    (...) sabe-se que a moralidade protegida pelo Direito insere-se no campo da tica pblica, diferenciando-se da tica privada (...

    motivo, as normas jurdicas no devem adentrar o campo privado dos comportamentos imorais (...). Se o administrador ou agen

    somente pode agir fundado em lei, a mera inobservncia de um preceito moral no poderia acarretar-lhe sanes. Fbio Medin

    Direito Administrativo Sancionador, pgs. 292 e 295, Editora Revista dos Tribunais, 2 edio, 2005.

    Ademais, alm desse enfoque restrito, no estudo da citada responsabilizao funcional atuam ainda, com relevncia, os princpios darazoabilidade e da proporcionalidade, bem como no se deve perder de vista a considerao do chamado erro escusvel.

    Destaque-se que condutas como alcoolismo ou qualquer outro tipo de dependncia qumica requer, a princpio, cuidado mdico ou de

    assistncia social. Mesmo quando o problema repercute no desempenho das atribuies, primeiramente deve-se investigar a

    existncia ou no de carter patolgico na conduta, o qual, se presente, afasta a responsabilizao administrativa. A repercusso

    disciplinar somente se justifica se comprovado que, mesmo no havendo patologia, o comportamento do servidor interfere no

    desempenho do cargo.

    Os atos atentatrios moral aqui enquadrados so aqueles de relativa repercusso, decorrentes de aspectos meramente

    comportamentais associados cortesia, discrio, apresentao, ao respeito hierarquia. Como o controle da moralidade

    administrativa recai mais sobre a finalidade do ato do que sobre o nimo do agente, cogita-se de afrontas tanto culposas quanto

    dolosas (embora seja certo que, a princpio, condutas dolosas, dependendo de sua gravidade, podem ensejar enquadramentos mais

    gravosos). necessrio cautela com este enquadramento, de forte subjetividade, j que o conceito de moral mutante no tempo e

    no espao.

    O presente enquadramento tambm pode ser compreendido sob enfoque a contrario sensu, alcanando os atos atentatrios aos

    princpios jurdicos, mas de gravidade reduzida tal que no justifica o enquadramento em improbidade administrativa (art. 132, IV da

    Lei n 8.112, de 11/12/90. Assim, sob o aspecto do tema em tela, as condutas do agente pblico podem sofrer trs graus de crtica,

    em sentido crescente.

    Primeiramente, aquelas condutas que afrontam a moral comum da vida externa ou mesmo condutas praticadas no exerccio do

    cargo mas com nfimo poder ofensivo ao Estatuto podem encontrar crtica no Cdigo de tica Profissional do Servidor Pblico Civil do

    Poder Executivo Federal, aprovado pelo Decreto n 1.171, de 22/06/94, que no se confunde com a Lei n 8.112, de 11/12/90, e queno objeto de instaurao de processo administrativo disciplinar.

    No grau intermedirio, as condutas cometidas pelo servidor, direta ou indiretamente associadas ao cargo, com culpa (negligncia,

    impercia ou imprudncia) ou ainda que com dolo, mas de mediano poder ofensivo ( luz dos parmetros do art. 128 da Lei n

    8.112, de 11/12/90) ao princpio da moralidade administrativa (ou seja, em afronta moral jurdica), podem ser enquadrveis no

    art. 116, IX da citada Lei, devendo, por conseguinte, ser objeto de apurao contraditria no devido rito do processo administrativo

    disciplinar, possibilitando aplicao de penas de advertncia ou, no mximo, suspenso.

    Por fim, no ltimo grau, as condutas do servidor, tambm associadas ao cargo, cuja afronta ao princpio da moralidade

    administrativa redundam em dano ao errio, enriquecimento ilcito ou afronta grave a princpios reitores da administrao, atingindo

    o ncleo do conceito de moral (ou seja, ferindo o dever de probidade), em conduta indubitavelmente dolosa, podem

    ser enquadrveis no art. 132, IV da Lei n 8.112, de 11/12/90, podendo tomar as definies encontrveis nos arts. 9, 10 e/ou 11 da

    Lei n 8.429, de 02/06/92, tambm sob apurao contraditria no rito do processo administrativo disciplinar, possibilitando aplicao

    de penas expulsivas e demais repercusses civis e penais, previstas no art. 37, 4 da CF.

    Sem prejuzo do equilbrio harmnico principiolgico, o princpio da moralidade administrativa, ao lado do princpio da legalidade,

    considerado um princpio informador dos demais princpios constitucionais reitores da administrao pblica. Ademais, em funo de

    sua prpria natureza, prescindvel legislar sobre a moralidade administrativa (at para que no se a faa dependente da

    legalidade). Tais fatos no s dificultam a conceituao legal de moralidade administrativa mas tambm atribui-lhe aplicao quase

    totalitria na atividade pblica, de forma que esteja, em determinado grau, diluda e subentendida em todos os mandamentos

    estatutrios. De fato, a leitura atenta dos arts. 116, 117 e 132 da Lei n 8.112, de 11/12/90, leva a perceber que a moralidade

    administrativa paira, manifesta-se e, por fim, repercute na grande maioria das infraes disciplinares neles elencadas (enquanto que

    as mximas da impessoalidade, da publicidade e da eficincia tm suas repercusses mais pontuais e restritas). Em outras

    palavras (afastadas da anlise as condutas merecedoras apenas de crtica tica, no atingidas portanto pela vinculao estatutria),

    sendo esse um dos dois principais princpios norteadores da atividade pblica, a grande maioria dos enquadramentos disciplinares

    tem em sua base o descumprimento do dever de manter conduta compatvel com a moralidade administrativa, de forma que

    o dispositivo especificamente insculpido no art. 116, IX valha quase que como regra geral e difusa dos deveres estatutrios.

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    A diferenciao entre o enquadramento de uma conduta no inciso IX do art. 116 ou nos demais incisos deste artigo ou nos arts. 117

    e 132, todos da Lei n 8.112, de 11/12/90, advm da anlise se o ato infracional comporta ou no enquadramento mais especfico, a

    prevalecer sobre aquele mais geral e difuso, de forma que pode-se cogitar de lhe atribuir valor quase residual. E, mnesse aspecto,

    alm da busca do esclarecimento do nimo subjetivo com que o ato foi cometido (se com culpa ou se com dolo), tambm pode ainda

    se fazer necessrio identificar a ocorrncia mou no dos parmetros elencados no art. 128 da Lei n 8.112, de 11/12/90, para

    diferenciar se o ato, por exemplo, justifica ser enquadrado em afronta do dever legal de manter conduta compatvel com a

    moralidade administrativa (art. 116, IX da citada Lei, aplicvel tato para conduta culposa quanto dolosa) ou se merece

    menquadramento em improbidade administrativa (art. 132, IV da mesma Lei, apenas na hiptese de conduta dolosa).

    Inciso X - ser assduo e pontual ao servio

    Este inciso impe dois deveres independentes: o dever de assiduidade exige que o servidor comparea regularmente todo dia til ao

    servio e o dever de pontualidade refina a exigncia, impondo que no s ele comparea diariamente ao servio, mas que chegue

    na hora certa de entrada e somente saia na hora certa de sada.

    necessrio interpretar, alm da literalidade, que o servidor pode incorrer neste ilcito tanto com a quebra de apenas um dos

    deveres quanto dos dois cumulativamente. Do contrrio, caso se impusesse interpretao cumulativa para a conjuno e, far-se-ia

    necessrio conceber que a Lei autorizaria o desrespeito pontualidade, desde que o servidor comparecesse diariamente ao servio,

    e o desrespeito assiduidade, desde que, nos dias em que comparecesse, o fizesse de forma pontual. bvio que esta tese no se

    sustenta, de forma a se interpretar, logicamente, aquela conjuno aditiva como alternativa -ou seja, o servidor tem o dever de

    ser assduo e tambm tem o dever de ser pontual. O art. 19 da Lei n 8.112, de 11/12/90, estabelece, como regra geral para os

    servidores efetivos, o limite mximo de quarenta horas semanais e de seis a oito horas dirias para a jornada de trabalho na

    administrao federal. Aos servidores ocupantes de cargo em comisso, o 1 do mesmo artigo