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  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 819

    Captulo IX Crimes Contra a F Pblica

    que o objeto no capaz de iludir a f pblica (mostra-se, portanto, indispensvel a percia RF 139/390).

    02. (Procurador do Municpio Prefeitura Ara-caju-SE/2008 CESPE Adaptada) Com relao aos crimes contra a f pblica, julgue os itens que se seguem.

    Considere a seguinte situao hipottica.

    Ktia, proprietria de uma lanchonete, rece-beu, de boa-f, uma moeda falsa. Aps constatar a falsidade da moeda, para no ficar no prejuzo, Ktia restituiu a moeda circulao. Nessa situa-o, a conduta de Ktia atpica, pois ela recebeu a moeda falsa de boa-f.

    |COMENTRIOS|.`

    Errado. Est errada a assertiva porque o art. 289 do Cdigo Penal pune a conduta daquele que, tendo recebido de boa-f, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui circulao, depois de conhecer a falsidade. Deve ser refor-ado ser imprescindvel que o agente tenha recebido a moeda de boa-f (havendo m-f no momento do recebimento, responder o agente de acordo com o que dispe o 1 do art. 289, mais grave).

    03. (CESPE Procurador Federal/2010) Acerca dos crimes relativos a licitao, crimes contra a f pblica e crimes contra as relaes de consumo, julgue os itens a seguir.

    atpica a conduta do agente que desvia e faz circular moeda cuja circulao ainda no estava autorizada, pois constitui elementar do crime de moeda falsa a colocao em circulao de moeda com curso legal no pas ou no exterior.

    QUESTES1. MOEDA FALSA

    01. (CESPE Defensor Pblico DPU/ 2007) A respeito do direito penal, julgue os itens seguin-tes.

    A ofensividade mnima no caso do crime de falsificao de moeda, que leva aplicao da medida descriminalizadora, no est direta-mente ligada ao montante total contrafeito, mas sim baixa qualidade do produto do crime.

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Certa

    Est correta a assertiva. No incide medida descriminalizadora no crime de moeda falsa pela baixa quantidade de cdulas ou moedas metlicas contrafeitas, nem pelo baixo valor da face da moeda, pois, conforme consideram os tribunais superiores, no importa o valor e a quantidade de cdulas ou moedas metlicas, mas a preservao da f pblica em seara to sensvel quanto a emisso monetria: A juris-prudncia deste Superior Tribunal de Justia e do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sen-tido da inaplicabilidade do princpio da insigni-ficncia, haja vista que o bem jurdico tutelado a f pblica, a credibilidade da moeda e a segu-rana de sua circulao, independentemente da quantidade e do valor das cdulas falsificadas. Precedentes. (STJ: AgRg no AREsp 82637/MG, DJe 12/04/2013).

    essencial, no entanto, que a falsificao seja convincente, isto , capaz de iludir os desti-natrios da moeda (imitatio veri). Se grosseira, de modo que facilmente se possa identific-la por anlise superficial, o crime no se configura, j

  • 820 Rogrio Sanches Cunha

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Errada

    O art. 289, 4, do Cdigo Penal prev uma conduta equiparada ao anterior (recluso de trs a quinze anos), punindo quem desvia e faz circular moeda, cuja circulao no estava ainda autorizada. Neste caso, autorizou-se somente a emisso da moeda, mas no sua circulao, que depende da anlise de fatores econmicos. No se exige qualidade especial do agente, sendo possvel a prtica do crime por qualquer pes-soa (delito comum). A consumao ocorre no momento em que se d a circulao da moeda, sendo a tentativa possvel (por exemplo, se o agente desvia a moeda e no consegue faz-la circular por circunstncias alheias sua vontade).

    04. (CESPE Defensor Pblico DPU/ 2010) A respeito do direito penal e do direito processual penal, julgue os itens.

    Considere a situao hipottica em que Ricardo, brasileiro, primrio, sem anteceden-tes, 22 anos de idade, e Bernardo, brasileiro, 17 anos de idade, de comum acordo e em unidade de desgnios, tenham colocado em circulao, no comrcio local de Taguatinga/DF, seis cdu-las falsas de R$ 50,00, com as quais compraram produtos alimentcios, de higiene pessoal e dois pares de tnis, em estabelecimentos comerciais diversos. Considere, ainda, que, ao ser acionada, a polcia, rapidamente, tenha localizado os agen-tes em um ponto de nibus e, alm dos produ-tos, tenha encontrado, na posse de Ricardo, duas notas falsas de R$ 50,00 e, na de Bernardo, uma nota falsa de mesmo valor, alm de R$ 20,00 em cdulas verdadeiras. Na delegacia, os produtos foram restitudos aos legtimos proprietrios, e as cdulas, apreendidas. Nos termos da situao hipottica descrita e com base na jurisprudncia dos tribunais superiores, admite-se a priso em flagrante dos agentes, considera-se a infrao praticada em concurso de pessoas e, pelas cir-cunstncias descritas e ante a ausncia de preju-zo, deve-se aplicar o princpio da insignificncia.

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Errada

    Est errada a assertiva.

    Inicialmente, embora Ricardo pudesse ser preso em flagrante, j que surpreendido, logo depois do crime, com objetos que autorizavam

    a presuno de ter sido ele o autor da infrao (art. 302, inciso IV, do Cdigo de Processo Penal), o mesmo no ocorreria com Bernardo em virtude de ser ele menor de idade. Alis, nesse caso, nem mesmo sua apreenso seria cabvel, pois, nos ter-mos do art. 173 da Lei n 8.069/90, a lavratura de auto de apreenso se d apenas na situao de flagrante de ato infracional cometido mediante violncia ou grave ameaa a pessoa. Na hiptese descrita na questo, a lavratura do auto de apre-enso seria substituda por boletim de ocorrn-cia circunstanciada.

    Quanto ao concurso de agentes, nada impe-diria que se fizesse presente, pois a jurisprudn-cia assente no sentido de ser possvel, para a caracterizao da reunio de agentes, a concor-rncia entre imputveis e inimputveis.

    Finalmente, afasta-se a possibilidade de apli-cao do princpio da insignificncia no crime de moeda falsa, pois no se trata de delito voltado tutela do patrimnio, mas segurana do sis-tema monetrio

    05. (CESPE Juiz Federal Substituto 2 regio/ 2011) Mrcio, maior, capaz, reincidente em crime doloso, comprou, na mercearia do bairro em que mora, na cidade de So Joo de Meriti RJ, gne-ros alimentcios no montante de R$ 60,00, pagou as compras com duas cdulas de R$ 50,00, cuja inaltenticidade era de seu pleno conhecimento, e recebeu o troco em moeda nacional autntica. No dia seguinte, arrependido de sua conduta pela repercusso que poderia adquirir, procurou o proprietrio da mercearia, Paulo, maior capaz e com ensino mdio completo, confessou o ocor-rido, restituiu o troco e pagou integralmente, com dinheiro legal, as mercadorias. Paulo chamou a polcia, que encontrou, no caixa da mercearia, apenas uma das cdulas falsificadas, tendo sido ela apreendida. Mrcio foi conduzido delega-cia, ocasio em que foram encontrados em sua posse os seguintes petrechos destinados especi-ficamente falsificao de moeda: duas matrizes metlicas e faixa magntica que imita o fio de segurana de cdulas autnticas.

    A partir dessa situao hipottica, assinale a opo correta.

    a) Paulo deve ser acusado da prtica do delic-tum privilegiatum de reinserir em circulao moeda falsa, classificado como de menor potencial ofensivo, ainda que alegue des-conhecer norma legal proibitiva, caso se

  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 821

    comprove que ele, tendo recebido como ver-dadeira cdula falsa, portanto, de boa-f, a tenha restitudo circulao, aps perceber sua inautenticidade, para evitar prejuzo a seu regular comrcio.

    b) Tendo sido o crime praticado sem violncia ou grave ameaa a pessoa, com posterior reparao do prejuzo sofrido pela vtima, e em face do comportamento voluntrio do agente, anterior ao oferecimento da denn-cia, fica caracterizado o arrependimento efi-caz, o que impe a reduo da pena de um a dois teros.

    c) Caso se demonstre, na instruo do pro-cesso, que Mrcio o autor da falsificao do dinheiro e igualmente o responsvel por sua circulao, ele dever ser responsabilizado por concurso material, em face da peculiari-dade do tipo misto cumulativo que caracte-riza o crime de moeda falsa.

    d) No caso de moeda falsa, o CP estabelece a sano na modalidade culposa, de maneira excepcional, em duas circunstncias: quando o agente tem cincia da falsidade da moeda e a guarda ou a tem em depsito de forma cul-posa, ou quando, ciente da falsidade, igual-mente de forma culposa, a restitui circula-o.

    e) O delito de posse de petrechos para falsifi-cao de moeda, previsto em tipo prprio no CP como ato preparatrio, de perigo abs-trato, deve ser punido de forma indepen-dente e autnoma em relao ao crime de falsificao, posse e circulao da moeda.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra a: efetivamente, se aquele que recebe de boa-f moeda falsa, ao constatar a falsidade, a reinsere em circulao, responde de acordo com o disposto no art. 289, 2, do Cdigo Penal, que comina pena de deten-o de seis meses a dois anos. Apesar de alguns ensinarem que o privilgio se pratica com dolo subsequente, no nos parece. Esse elemento dolo deve ser simultneo conduta, sob pena de se descaracterizar o crime. O que ocorre que o dolo s integra a conduta de repassar a moeda que o agente descobriu ser falsa aps t-la rece-bido. Ainda no que tange ao tipo subjetivo, no se admite o dolo eventual, pois o texto legal menciona expressamente a necessidade de o

    agente restituir a moeda circulao depois de conhecer a falsidade.

    Alternativa b: no se aplica, no caso, o arrependimento eficaz, segunda espcie de tentativa abandonada ou qualificada (art. 15 do CP), sendo tambm denominado resipiscncia ou arrependimento ativo, que ocorre quando os atos executrios j foram todos praticados, porm, desejando retroceder na atividade delituosa per-corrida, o agente desenvolve nova conduta com o objetivo de impedir a produo do resultado (consumao). Note-se no haver tambm arre-pendimento posterior, este sim causa de dimi-nuio de pena aplicvel nos crimes cometidos sem violncia ou grave ameaa pessoa, quando reparado o dano ou restituda a coisa, por ato voluntrio do agente, at o recebimento da denncia ou da queixa. Isto porque, embora Mr-cio tenha retornado ao estabelecimento, porque arrependido, efetuando o pagamento com cdu-las verdadeiras, no houve propriamente repara-o do dano, pois o crime contra a f pblica, irreparavelmente atingida pela contrafao da moeda falsa e por sua colocao circulao.

    Alternativa c: est errado porque se hou-ver comprovao de que Mrcio falsificou a moeda e a colocou em circulao, este segundo ato considerado post factum impunvel, respon-dendo o agente apenas pela falsificao, embora o juiz deva considerar toda a cadeia de fatos no momento em que aplicar a pena.

    Alternativa d: est errado porque no se tipifica conduta culposa no crime de moeda falsa.

    Alternativa e: a assertiva est errada por-que o crime de petrechos para falsificao de moedas subsidirio, aplicando-se apenas se o agente que fabrica, adquire, fornece, possui ou guarda maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado fal-sificao de moeda no o mesmo responsvel pela falsificao ou circulao da moeda falsifi-cada.

    06. (Delegado de Polcia ES/ 2011 CESPE Adaptada) Acerca das disposies constitucio-nais e legais aplicveis ao processo penal, julgue o item a seguir.

    Em crimes de moeda falsa, a jurisprudncia predominante do STF no sentido de reconhecer como bem penal tutelado no somente o valor

  • 822 Rogrio Sanches Cunha

    correspondente expresso monetria contida nas cdulas ou moedas falsas, mas a f pblica, a qual pode ser definida como bem intangvel, que corresponde, exatamente, confiana que a populao deposita em sua moeda.

    |COMENTRIOS|.`

    Nota do Autor: no s a moeda nacio-nal o objeto material do crime, mas tambm a estrangeira, sendo que ambas devem ter curso legal no Brasil ou no pas de origem. A circuns-tncia de ter curso legal quer dizer que, circu-lando, a moeda no pode ser recusada como meio de pagamento.

    Certo. O STF firmou o entendimento de que no crime de moeda falsa a objetividade jurdica tambm a f pblica aliada credibilidade no sis-tema financeiro. O tribunal chegou a esse enten-dimento aps apreciar a possibilidade de aplica-o do princpio da insignificncia em benefcio do autor do delito de moeda falsa. Considera-se materialmente tpica a conduta, independente-mente do valor da cdula, porque esta circuns-tncia no a nica a ser considerada, j que a contrafao de moedas abala a confiana da populao e, em larga medida, especialmente se difusa, pode provocar efeitos negativos no sis-tema econmico.

    07. (MPF Procurador da Repblica/2012) LEIA AS PROPOSIES ABAIXO:

    i) o crime de moeda falsa, previsto no art. 289, caput, do CP, consuma-se no lugar e no momento em que se conclui a falsificao, em qualquer de suas modalidades, indepen-dentemente de ser colocada de modo efe-tivo em circulao;

    II) a falsificao de vrias moedas, na mesma ocasio, configura crime continuado;

    III) se o autor da falsificao da moeda no estran-geiro a trouxer para o Brasil responder pelos crimes de falsificao e de circulao de moeda falsa, em concurso;

    IV) guardar moeda falsa, sem ser o proprietrio, ciente da falsidade, constitui crime indepen-dentemente de sua inteno de coloc-la em circulao.

    Dentre as proposies acima:

    a) apenas so corretas as dos itens I e IV;

    b) apenas so corretas as dos itens I e III;

    c) apenas so corretas as dos itens II e III;

    d) todas so incorretas.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra a:

    Item I: efetivamente, o crime se consuma no momento da fabricao ou da alterao da moeda, desde que seja idnea a iludir, indepen-dentemente da efetiva circulao, que, se ocor-rer, constituir exaurimento.

    Item II: est errado. Se a falsificao de moe-das variadas ocorrer no mesmo contexto ftico, o crime ser nico (no continuado), devendo a conduta mltipla do agente ser considerada no momento da aplicao da pena.

    Item III: se o mesmo agente que falsifica a moeda no exterior a traz para o Brasil, respon-der por crime nico, pois a importao, a exem-plo do raciocnio que se aplica para os casos de falsificao e circulao praticadas pelo mesmo agente, constitui simples exaurimento.

    Item IV: est correto, pois, conforme dispe o art. 289, 1, do Cdigo Penal, responde de forma equiparada ao caput aquele que guarda a moeda falsa.

    08. (CESPE Juiz Federal Substituto 2 regio/ 2013) Assinale a opo correta com relao a cri-mes contra o patrimnio, a dignidade sexual, a paz pblica e a f pblica.

    a) No crime de apropriao indbita previden-ciria, o juiz pode deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a pena de multa, se o agente for primrio e tiver bons antecedentes, desde que tenha promovido o pagamento da con-tribuio previdenciria, includos os acess-rios, antes do recebimento da denncia.

    b) Por fora do princpio constitucional da ampla defesa, no responder pelo crime de falsa identidade aquele que se identificar com nome de outrem perante a autoridade policial a fim de evitar o cumprimento de mandado judicial de priso expedido contra si.

    c) Considere a seguinte situao hipottica.

    Nos autos de interceptao telefnica judi-cialmente autorizada na forma da lei, foram identificados e processados criminalmente trs entre quatro indivduos que se comuni-

  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 823

    cavam constantemente para planejar a pr-tica de vrios crimes de falsificao de car-teira de trabalho e da previdncia social.

    Nessa situao, embora comprovada a asso-ciao estvel e permanente para a prtica de crimes, no se poder condenar por crime de quadrilha os trs indivduos identificados, devido ausncia da identificao do quarto comparsa.

    d) No crime de trfico internacional de pes-soa para fim de explorao sexual, o CP no prev causa especial de reduo de pena, salvo aquela em favor do agente que tam-bm j tiver sido vtima do mesmo delito, situao essa em que a pena ser reduzida de um sexto a um tero.

    e) Aquele que fabricar uma nota de cinco reais similar verdadeira no poder ser benefi-ciado pela incidncia do princpio da insig-nificncia, ainda que seja primrio e de bons antecedentes.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra e: est cor-reta a assertiva. Tratando-se de crime contra a f pblica com consequncias diretas sobre a ordem econmica, j que atinge o direito exclu-sivo do Estado quanto emisso de moeda, veda-se a aplicao do princpio da insignificn-cia no crime de moeda falsa (STJ: HC 216987/RO; STF 112708/MA).

    Alternativa a: est errado, pois nem o per-do judicial nem a extino da punibilidade na apropriao indbita previdenciria tm a ver com o recebimento da denncia. Nos termos do art. 168-A, 2, do Cdigo Penal, extinta a puni-bilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribui-es, importncias ou valores e presta as infor-maes devidas previdncia social, na forma definida em lei ou regulamento, antes do incio da ao fiscal. J o 3 do mesmo dispositivo determina ser facultado ao juiz deixar de aplicar a pena ou aplicar somente a de multa se o agente for primrio e de bons antecedentes, desde que: I tenha promovido, aps o incio da ao fiscal e antes de oferecida a denncia, o pagamento da contribuio social previdenciria, inclusive aces-srios; ou II o valor das contribuies devidas, inclusive acessrios, seja igual ou inferior quele estabelecido pela previdncia social, administra-

    tivamente, como sendo o mnimo para o ajuiza-mento de suas execues fiscais.

    Alternativa b: embora haja divergncia doutrinria a respeito do tema, o STF, acompa-nhado pelo STJ firmou jurisprudncia no sentido de que ampla defesa no constitui escusa para a falsa identidade (STF: RHC 107632/DF; STJ: HC 250701/SP).

    Alternativa c: a questo foi elaborada antes da Lei n 12.850/13, quando o nmero de agentes para a caracterizao da associao cri-minosa (anterior quadrilha ou bando) era de no mnimo quatro. Atualmente, caracteriza o crime a associao de trs ou mais pessoas para o fim especfico de cometer crimes. Independente-mente disso, o cerne da assertiva est no fato de que, uma vez constatada a associao do nmero mnimo de indivduos para a prtica dos crimes, no importa, para a tipificao e conse-quente punio do delito, que todos eles sejam identificados. Basta que se comprove o nmero de agentes exigido pelo tipo penal.

    Alternativa d: est errado porque o art. 231 do Cdigo Penal, que tipifica o trfico internacio-nal de pessoa para fim de explorao sexual, no estabelece causa de diminuio de pena.

    2. PETRECHOS PARA FALSIFICAO DE MOEDA

    09. (Procurador do Municpio Prefeitura Vitria-ES/2007 CESPE Adaptada) Acerca da parte geral do Cdigo Penal e das leis penais extravagantes, julgue os prximos itens.

    Considere que um indivduo imputvel tenha fabricado maquinismo especialmente destinado a falsificao de moeda e que, antes da produo do falso papel-moeda, tenha sido legalmente flagrado pela polcia em posse do maquinrio. Nessa situao, o agente responder apenas pela tentativa do crime de moeda falsa, visto que no houve a efetiva falsificao.

    |COMENTRIOS|.`

    Errado. Est errada a assertiva porque, neste caso, caracteriza-se o crime de petrechos para a falsificao de moeda. Pune-se fabricar (criar, manufaturar), adquirir (obter), fornecer (propor-cionar, entregar) a ttulo oneroso ou gratuito, possuir (ter a posse ou a propriedade), guardar (conservar, abrigar) maquinismo, aparelho, ins-

  • 824 Rogrio Sanches Cunha

    trumento ou qualquer objeto especialmente destinado falsificao de moeda. A prova de que os petrechos podem ser destinados falsi-ficao depende de percia (subsistindo o crime ainda que se conclua ser o objeto capaz de reali-zar, em parte, a contrafao).

    10. (Delegado de Polcia AP / 2010 FGV) Relativamente ao tema dos crimes contra a f pblica, analise as afirmativas a seguir.

    I. O crime de atestado mdico falso s punido com deteno se h intuito de lucro.

    II. A simples posse de qualquer objeto espe-cialmente destinado falsificao de moeda constitui crime punido com pena de reclu-so.

    III. A reproduo ou alterao de selo ou pea filatlica que tenha valor para coleo cons-titui modalidade criminosa, independente-mente dessa reproduo ou a alterao estar visivelmente anotada no verso do selo ou pea.

    Assinale:

    a) se somente a afirmativa I estiver correta.

    b) se somente a afirmativa II estiver correta.

    c) se somente a afirmativa III estiver correta.

    d) se somente as afirmativas II e III estiverem corretas.

    e) se todas as afirmativas estiverem corretas.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra b:

    Item I: est errada a assertiva. O ato de dar o mdico, no exerccio da sua profisso, atestado falso punido com deteno de um ms a um ano. Se h intuito de lucro, aplica-se tambm multa.

    Item II: est correta a assertiva. A posse de qualquer objeto especialmente destinado falsi-ficao de moeda constitui o crime de petrechos para falsificao de moeda, punido com recluso de dois a seis anos e multa.

    Item III: est errada a assertiva. O art. 303 do Cdigo Penal pune a conduta de reproduzir ou alterar selo ou pea filatlica que tenha valor para coleo, salvo quando a reproduo ou a alterao est visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou pea.

    3. EMISSO DE TTULO AO PORTADOR SEM PERMISSO LEGAL

    11. (CESPE Procurador Federal/2013) Acerca da legislao penal especial e dos crimes contra a administrao pblica e contra a f pblica, julgue os itens subsequentes.

    Aquele que emitir, sem permisso legal, ttulo que contenha promessa de pagamento em dinheiro ao portador praticar crime contra a ordem econmica, as relaes de consumo e a economia popular.

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Errada

    Est errada a assertiva. Incrimina-se a conduta de emitir (lanar, fazer circular), sem permisso legal, nota, bilhete, ficha, vale ou ttulo que conte-nha promessa de pagamento em dinheiro ao por-tador ou a que falte indicao do nome da pessoa a quem deva ser pago. Como objeto material temos o ttulo ao portador, isto , aquele que pode ser emi-tido sem qualquer indicao da pessoa a quem se dirige, transfervel por simples tradio manual, independentemente de alguma condio, como o endosso (quem o detm presume-se ser o proprie-trio legtimo). Exige-se que a emisso, em qual-quer de suas modalidades, ocorra sem permisso legal (elemento normativo do tipo), configurando norma penal em branco, dependente de comple-mentao da legislao especfica.

    3. FALSIFICAO DE PAPEIS PBLICOS

    12. (MPF Procurador da Repblica/2011) Igualmente quanto a falsificao do selo adesivo destinado a comprovar o pagamento de imposto.

    a) est classificada na lei como crime contra a ordem tributria;

    b) s deve ser comunicada ao MPF aps a cons-tituio do crdito tributrio, consoante Por-taria n 2439, de 21/12/10 da SRF;

    c) crime subsidirio em relao ao crime de sonegao fiscal;

    d) est tipificada como crime autnomo, com pena de recluso de 2 a 8 anos, e multa.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra d: (responde, tambm, a alternativa c): no h nenhuma

  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 825

    relao de subsidiariedade entre a falsificao de selo destinado a comprovar o pagamento de tributo e a sonegao de tributo. No entanto, embora tipificada autonomamente, a falsifica-o pode ser absorvida pela sonegao se utili-zada como meio para esta ltima, como no caso em que o prprio agente falsificador afixa o selo fabricado na mercadoria que comercializa, supri-mindo o pagamento do tributo.

    Alternativa a: no h disposio etique-tando a falsificao de selo destinado a compro-var o pagamento de tributo como crime contra a ordem tributria.

    Alternativa b: no h nenhuma relao entre a falsificao de selo destinado a compro-var o pagamento de tributo e a necessidade de esgotamento da via administrativa para a perse-cuo penal nos crimes contra a ordem tribut-ria, estabelecida pela smula vinculante n 24.

    4. FALSIFICAO DE DOCUMENTO P-BLICO

    13. (CESPE Defensor Pblico DPU/ 2004) Em cada um dos itens a seguir, apresentada uma situao hipottica, seguida de uma assertiva a ser julgada.

    Petrnio, no tendo pago o IPVA de 2004, fal-sificou o certificado de licenciamento de seu veculo e utilizou o documento falsificado em diversas ocasies. Nessa situao, h amparo na jurisprudncia do STJ para se afirmar que Petrnio cometeu somente o crime de falsifi-cao de documento, sendo o uso da docu-mentao absorvido, de acordo com o prin-cpio da consuno.

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Certa

    Est correta a assertiva. Tanto o STJ quanto o STF consideram que se o mesmo agente falsifica o documento e, em seguida, o utiliza responder apenas pela contrafao, que absorve o uso. Nesse sentido: (...) O entendimento sufragado pela jurisprudncia do Supremo Tribunal Fede-ral de que se o mesmo sujeito falsifica e, em seguida, usa o documento falsificado, responde apenas pela falsificao (...) (HC 70703/GO, DJe 07/03/2012).

    14. (Procurador do Municpio Prefeitura Ara-caju-SE/2008 CESPE Adaptada) Com relao aos crimes contra a f pblica, julgue os itens que se seguem.

    No crime de falsificao de documento pblico, se o agente funcionrio pblico e comete o delito prevalecendo-se do cargo, sua pena ser aumentada em um sexto.

    |COMENTRIOS|.`

    Certo. Est correta a assertiva. Consubstan-cia-se o crime em falsificar (contrafazer) docu-mento pblico, ou alterar (modificar) documento pblico verdadeiro. O documento pode ser total ou parcialmente criado, hiptese esta ltima em que se adicionam novos elementos nos espa-os em branco da pea escrita. Na conduta alte-rar, por sua vez, o agente modifica documento pblico existente (e verdadeiro), substituindo ou introduzindo dizeres inerentes prpria essncia do documento. Se qualquer das condutas pra-ticada por funcionrio pblico, prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte (art. 297, 1, do Cdigo Penal).

    15. (FCC Promotor de Justia PE/2008) A conduta do agente que altera, em parte, testa-mento particular, configura crime de

    a) corrupo ativa.

    b) falsificao de documento particular.

    c) corrupo passiva.

    d) favorecimento pessoal.

    e) falsificao de documento pblico.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra e (responde, tambm, a alternativa d). Trata-se do crime de falsificao de documento pblico, e no parti-cular, porque o artigo 297, 2, do Cdigo Penal, equipara o testamento particular ao documento pblico.

    Alternativa a: no se trata de corrupo ativa porque no houve oferecimento ou pro-messa de vantagem indevida a funcionrio pblico, para determin-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofcio.

    Alternativa c: afasta-se o crime de corrup-o passiva porque no houve solicitao ou recebimento, para si ou para outrem, direta ou

  • 826 Rogrio Sanches Cunha

    indiretamente, ainda que fora da funo ou antes de assumi-la, mas em razo dela, vantagem inde-vida, ou aceitao de promessa de tal vantagem.

    Alternativa d: o crime de favorecimento pessoal no tem lugar na hiptese porque a conduta narrada no de auxiliar a subtrair-se ao de autoridade pblica autor de crime a que cominada pena de recluso.

    16. (FCC Promotor de Justia PE/2008) No crime de falsificao de documento pblico, se o agen te funcionrio pblico e comete o crime prevalecendo-se do cargo,

    a) aumenta-se a pena de um tero.

    b) aumenta-se a pena de um sexto.

    c) a pena no sofre alterao em razo da fun-o pblica do agente.

    d) a pena pode ser reduzida de 1/3 at metade se o funcionrio tiver mais de dez anos de servio.

    e) a pena pode ser reduzida de 1/6 at metade se o fun cionrio tiver mais de dez anos de servio e no tenha sofrido nenhuma puni-o administrativa nesse perodo.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra e (responde, tambm, as demais alternativas). O 1 do artigo 297 do Cdigo Penal traz uma causa de aumento de pena se o crime de falsificao de documento pblico cometido por funcionrio pblico, desde que se prevalea do cargo que ocupa. A majorao ocorre na proporo de um sexto.

    17. (CESPE Advogado da Unio/2009) Julgue os itens a seguir acerca dos crimes contra a f pblica.

    No crime de falsificao de documento pblico, a circunstncia de ser o sujeito ativo fun-cionrio pblico, independentemente de ter ele se prevalecido do cargo e, com isso, obtido van-tagem ou facilidade para a consecuo do crime, um indiferente penal.

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Errada

    Est errada a assertiva. O 1 do art. 297 do Cdigo Penal traz uma causa de aumento de

    pena se o crime de falsificao de documento pblico cometido por funcionrio pblico, desde que se prevalea do cargo que ocupa.

    18. (MPE SP Promotor de Justia SP/2012) INCORRETO afirmar:

    a) O crime de uso de documento falso (art. 304, CP) trata-se de delito unissubsistente, que no admite a forma tentada (art. 14, II, CP).

    b) O crime de falsidade ideolgica (art. 299, do CP) comporta as modalidades comissiva e omissiva.

    c) No crime de falsificao de documento pblico (art. 297, CP), a forma do documento verdadeira, mas seu contedo falso.

    d) A substituio de fotografia em documento de identidade verdadeiro (cdula de identi-dade) pertencente a outrem, com inteno de falsific-lo, configura o crime de falsifica-o de documento pblico (art. 297, CP).

    e) Quem, tendo recebido de boa-f, como ver-dadeira, moeda falsa ou alterada, a restitui circulao, depois de conhecer a falsidade, pratica o crime de moeda falsa na forma pri-vilegiada (art. 289, 2, CP).

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra c. Est errada a assertiva. O crime de falsificao de documento pblico trata da falsidade material, em que ocorre a contrafao. A falsificao pode ser total, hiptese em que o documento inteiramente criado, ou parcial, adicionando-se, nos espaos em branco da pea escrita, novos (e relevantes) elementos. A falsidade do contedo verificada no crime de falsidade ideolgica.

    Alternativa a: est correta a assertiva. Tendo em vista no haver possibilidade de fra-cionamento da conduta, a tentativa de uso do documento falso inadmissvel.

    Alternativa b: est correta a assertiva. O crime de falsidade ideolgica se caracteriza por omitir, em documento pblico ou particular, declarao que dele devia constar (modalidade omissiva), ou nele inserir ou fazer inserir decla-rao falsa ou diversa da que devia ser escrita (modalidade comissiva), com o fim de prejudicar direito, criar obrigao ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.

  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 827

    Alternativa d: est correta a assertiva. Cabe ressaltar, no entanto, que h certa discusso a respeito. Para uns (Rt. 590/334), o fato melhor se ajusta ao art. 307 do CP (falsa identidade), vez que o documento permanece autntico (no for-jado). J para outros (Rt. 603/335), como o retrato parte integrante do documento, a sua arbitrria e ilcita substituio gera o falso material (art. 297 do CP).

    Alternativa e: est correta a assertiva. O art. 289, 2, do Cdigo Penal estabelece: Quem, tendo recebido de boa-f, como verda-deira, moeda falsa ou alterada, a restitui circu-lao, depois de conhecer a falsidade, punido com deteno, de seis meses a dois anos, e multa. de se ressaltar ser imprescindvel que o agente tenha recebido a moeda de boa-f (havendo m-f no momento do recebimento, responder o agente de acordo com o que dis-pe o pargrafo anterior 1 , mais grave). Apesar de alguns ensinarem que o privilgio se pratica com dolo subsequente, no nos parece. Esse elemento dolo deve ser simultneo conduta, sob pena de se descaracterizar o crime. O que ocorre que o dolo s integra a conduta de repassar a moeda que o agente descobriu ser falsa aps t-la recebido. Ainda no que tange ao tipo subjetivo, no se admite o dolo eventual, pois o texto legal menciona expressamente a necessidade de o agente restituir a moeda cir-culao depois de conhecer a falsidade.

    19. (Procurador do Municpio Prefeitura So Jos dos Campos-SP/2012 VUNESP) Avalie as seguintes assertivas a respeito dos crimes contra a f pblica.

    I. Aquele que dolosamente introduz na circula-o, sabendo ser falsa, moeda de curso legal no pas, incorrer na mesma pena daquele que a falsificou, independentemente de t-la recebido de boa-f, como verdadeira.

    II. Para fins do crime de falsificao, o cheque nem sempre ser considerado documento particular.

    III. O crime de supresso de documento estabe-lece a pena de recluso, de dois a seis anos, e multa, para o agente que destruir, supri-mir ou ocultar, em benefcio prprio ou de outrem, ou em prejuzo alheio, documento pblico ou particular verdadeiro, de que no podia dispor.

    Est correto o que se afirma em

    a) I, apenas.

    b) II, apenas.

    c) III, apenas.

    d) II e III, apenas.

    e) I, II e III.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra b. Item II: est correta a assertiva. O 2 do artigo 297 do Cdigo Penal equipara ao documento pblico o ttulo ao portador ou transmissvel por endosso, que o cheque, a nota promissria, a letra de cmbio etc. Alerta Hungria, no entanto: bem de ver que a equiparao favorece os ttulos circul-veis por endsso somente enquanto tais. Assim, uma nota promissria aps o vencimento, ou um cheque aps o prazo de apresentao (decreto n 24.924, de 1933), quando sua transferncia j no se pode fazer por endsso, seno mediante cesso civil, deixam de ser equiparados a docu-mentos pblicos. Comentrios ao Cdigo Penal, vol. IX, p. 266).

    Item I: est errada a assertiva. Em regra, aquele que dolosamente introduz em circulao, sabendo ser falsa, moeda de curso legal no pas, punido da mesma forma que o falsificador, pois as condutas so equiparadas (art. 289, caput e 1, do Cdigo Penal pena de recluso de trs a doze anos e multa). Afasta-se a equiparao, todavia, se aquele que restitui circulao moeda falsa recebida de boa-f. Nesse caso, ser punido de acordo com a forma privilegiada do art. 289, 2, do Cdigo Penal, cuja pena de deteno de seis meses a dois anos, alm da multa).

    Item III: est errada a assertiva porque a pena no idntica para a supresso de documento pblico e para a supresso de documento parti-cular. No primeiro caso, a recluso de dois a seis anos e multa. No segundo, por sua vez, a reclu-so de um a cinco anos e multa.

    20. (FEPESE Promotor de Justia SC/2014) Analise o enunciado da questo abaixo e assinale se ele falso ou verdadeiro:

    ( ) A modificao do numerrio do chassi con-tido no documento de um veculo caracte-rizar a prtica do delito de falsificao de documento pblico e no de adulterao de sinal identificador de veculo automotor.

  • 828 Rogrio Sanches Cunha

    |COMENTRIOS|.`

    Certo. Est correta a assertiva. Se o agente modifica o nmero do chassi no documento do veculo, haver o crime de falsificao de docu-mento pblico, na modalidade de alterar (modi-ficar) documento pblico verdadeiro, isto , o agente modifica documento pblico existente (e verdadeiro), substituindo ou alterando dizeres inerentes prpria essncia do documento. Se houver tambm a modificao da identificao no veculo, haver concurso material de delitos.

    5. FALSIDADE IDEOLGICA

    21. (MPF Procurador da Repblica/2006) O CRIME DE FALSIDADE IDEOLGICA:

    a) deve ser provado por inspeo pericial ou direta;

    b) no admissvel no tocante ao documento particular;

    c) afeta a autenticidade ou inalterabilidade do documento na sua forma extrnseca e no seu contedo intrnseco;

    d) afeta apenas o teor ideativo do documento.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra d: (responde, tambm, a alternativa c): a falsidade ideol-gica no afeta a qualidade extrnseca do docu-mento, mas apenas o seu contedo, criando um juzo inverdico. Enquanto a falsificao pres-supe a contrafao de documento falso ou a modificao de documento verdadeiro, a falsi-dade ideolgica tem no documento material-mente verdadeiro um veculo para o registro de contedo inverdico.

    Alternativa a: est errado porque, como a falsidade ideolgica afeta o documento to somente em sua ideao, no se questionando a sua autenticidade ou inalterabilidade, a percia desnecessria.

    Alternativa b: a assertiva est errada por-que nada impede que a falsidade ideolgica recaia sobre documento particular, como, alis, se extrai do preceito secundrio do artigo 299 do Cdigo Penal (Pena recluso, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa, se o documento pblico, e recluso de 1 (um) a 3 (trs) anos, e multa, se o documento particular).

    22. (Procurador do Municpio Prefeitura Ara-caju-SE/2008 CESPE Adaptada) Com relao aos crimes contra a f pblica, julgue os itens que se seguem.

    No comete o crime de falsidade ideol-gica o agente que declara falsamente ser pobre, assinando declarao de pobreza para obter os benefcios da justia gratuita, pois a declarao no pode ser considerada documento para fins de consumar o crime mencionado.

    |COMENTRIOS|.`

    Certo. O STJ tem decidido reiteradamente que o ato de firmar declarao inverdica de pobreza para fins processuais no constitui fal-sidade ideolgica: A Turma reiterou o entendi-mento de que a apresentao de declarao de pobreza com informaes falsas para obteno da assistncia judiciria gratuita no caracte-riza os crimes de falsidade ideolgica ou uso de documento falso. (RMS 26.261/AP).

    23. (CESPE Procurador BACEN/2009) Quanto aos crimes contra a f pblica e contra a adminis-trao pblica, assinale a opo correta.

    a) No crime de falsificao de documento pblico, o fato de ser o agente funcionrio pblico um indiferente penal, ainda que esse agente cometa o crime prevalecendo-se do cargo, tendo em vista que tal delito con-tra a f e no contra a administrao pblica.

    b) No crime de falsidade ideolgica, o docu-mento materialmente verdadeiro, mas seu contedo no reflete a realidade, seja porque o agente omitiu declarao que dele deveria constar, seja porque nele inseriu ou fez inserir declarao falsa ou diversa da que devia ser escrita.

    c) No crime de prevaricao, a satisfao de interesse ou sentimento pessoal mero exaurimento do crime, no sendo obrigatria a sua presena para a configurao do delito.

    d) No haver o crime de condescendncia cri-minosa quando faltar ao funcionrio pblico competncia para responsabilizar o subordi-nado que cometeu a infrao no exerccio do cargo.

    e) A ocorrncia de prejuzo pblico como resul-tado do fato no influencia a pena do crime de abandono de funo.

  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 829

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra b: est correta a assertiva. Na falsidade ideolgica punido quem omitir, em documento pblico ou parti-cular (materialmente verdadeiro), declarao que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declarao falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigao ou alterar a verdade sobre fato juridi-camente relevante. Como a falsidade ideolgica afeta o documento to somente em sua ideao e no a sua autenticidade ou inalterabilidade, desnecessria percia (RTJ 178/770).

    Alternativa a: est errada a assertiva. No crime de falsificao de documento pblico, se o agente funcionrio pblico, e comete o crime prevalecendo-se do cargo (falsificao facilitada pelo cargo), aumenta-se a pena de sexta parte (art. 297, 1, do Cdigo Penal).

    Alternativa c: a assertiva foi considerada errada, mas, com base na melhor doutrina, temos que o crime de prevaricao se consuma com o retardamento, a omisso ou a prtica do ato, sendo dispensvel a satisfao do interesse visado pelo servidor.

    Alternativa d: est errada a assertiva por-que o crime de condescendncia criminosa se caracteriza por: a) deixar o funcionrio, por indulgncia, de responsabilizar subordinado que cometeu infrao no exerccio do cargo; b) no levar o fato ao conhecimento da autoridade competente quando lhe falte competncia.

    Alternativa e: est errada a assertiva. O art. 323 do Cdigo Penal pune a conduta de abando-nar cargo pblico, fora dos casos permitidos em lei. A pena de deteno de quinze dias a um ms ou multa. Se, todavia, do fato resulta preju-zo pblico, o crime qualificado, impondo-se pena de trs meses a um ano, alm da multa.

    24. (FGV OAB 2010.3) Ao concluir o curso de Engenharia, Arli, visando fazer uma brincadeira, inseriu, caneta, em seu diploma, declarao falsa sobre fato juridicamente relevante.

    A respeito desse ato, correto afirmar que Arli

    a) praticou crime de falsificao de documento pblico.

    b) praticou crime de falsidade ideolgica.

    c) praticou crime de falsa identidade.

    d) no praticou crime algum.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra d (responde, tambm, a alternativa a): a falsificao de documento pblico consiste em contrafazer documento ou modificar documento pblico verdadeiro. De acordo com o exemplo narrado no enunciado, o agente teria alterado docu-mento pblico (considera-se ser esta a natureza do diploma, ainda que emanado de universidade particular) verdadeiro, j que inseriu dizeres que no lhe correspondiam. O crime no se perfaz, todavia, porque o agente no atuou com o dolo de falsificar o documento, mas to somente com animus jocandi, o que afasta a incidncia da norma penal em virtude da inexistncia de leso f pblica. Alm disso, a falsificao do documento deve ser apta a iludir, o que no nos parece ser o caso da informao inserida a caneta em um diploma universitrio.

    Alternativa b: no se poderia cogitar do crime de falsidade ideolgica, que consiste em omitir, em documento pblico ou particular, declarao que dele devia constar, ou nele inse-rir ou fazer inserir declarao falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudi-car direito, criar obrigao ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, pois este crime pressupe que a insero de declarao falsa no configure o falso material.

    Alternativa c: o crime de falsa identidade consiste em atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito prprio ou alheio, ou para causar dano a outrem, o que tambm no o caso.

    6. CERTIDO OU ATESTADO IDEOLO-GICAMENTE FALSO

    25. (PUC PR Juiz de Direito PR/2014) Ana-lise a opo CORRETA.

    a) Constitui crime de falsidade ideolgica (art. 299 CP), omitir, em documento pblico ou particular, declarao que dele devia cons-tar, ou nele inserir ou fazer inserir declarao falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigao ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante, sendo que a causa de aumento prevista no pargrafo nico, somente se

  • 830 Rogrio Sanches Cunha

    aplica se o agente funcionrio pblico, e comete o crime prevalecendo-se do cargo.

    b) Constitui o crime de fraude processual (art. 347 CP), inovar artificiosamente, na pen-dncia de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito, sendo que se a inovao se destina a produzir efeito em processo penal, desde que j iniciado, as penas aplicam-se em dobro.

    c) Constitui o crime de concusso (art. 316 CP), solicitar, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da funo ou antes de assumi-la, mas em razo dela, van-tagem indevida.

    d) Constitui crime de certido ou atestado ide-ologicamente falso (art. 301 CP), atestar ou certificar falsamente, em razo de funo pblica, fato ou circunstncia que habilite algum a obter cargo pblico, iseno de nus ou de servio de carter pblico, ou qualquer outra vantagem, sendo que se o crime praticado com o fim de lucro, aplica--se, alm da pena privativa de liberdade, a de multa.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra d: est correta a assertiva. No art. 301, caput, do Cdigo Penal pune-se o funcionrio pblico que, no desem-penho da funo, atesta (afirma oficialmente) ou certifica (afirma a certeza) falsamente, fato ou circunstncia que habilite algum a obter cargo pblico, iseno de nus ou de servio de carter pblico, ou qualquer outra vantagem. A expresso qualquer outra vantagem deve ser interpretada de forma restritiva, analogicamente s outras trs expressamente elencadas, pois, do contrrio, fatos de muito maior gravidade seriam retirados da gide do art. 299, submetendo-se j destacada punio mais branda do dispositivo em apreo. O tipo subjetivo do delito o dolo, consistente na vontade consciente de praticar uma das condutas tpicas descritas. Havendo intuito de lucro, a pena ser cumulada com multa ( 2).

    Alternativa a: est errada a assertiva, pois a causa de aumento relativa ao crime de falsidade ideolgica tambm se aplica se a falsificao ou a alterao de assentamento de registro civil.

    Alternativa b: est errada a assertiva por-que a majorante que dobra a pena do crime de

    fraude processual, relativa ao fato de a inovao se destinar a fazer prova em processo penal, incide ainda que este no se tenha iniciado.

    Alternativa c: est errada a assertiva por-que a ao nuclear tpica do crime de concusso no a de solicitar, mas, sim, a de exigir.

    7. FALSIDADE MATERIAL DE ATESTA-DO OU CERTIDO

    26. (Procurador do Municpio Prefeitura Ara-caju-SE/2008 CESPE Adaptada) Com relao aos crimes contra a f pblica, julgue os itens que se seguem.

    O crime de falsidade material de atestado ou certido prev pena de deteno ao agente que o pratica. No entanto, se o crime for praticado com o fim de lucro, aplica-se, alm da pena pri-vativa de liberdade, a pena de multa.

    |COMENTRIOS|.`

    Certo. Est correta a assertiva. O art. 301, 1, do Cdigo Penal pune a conduta de falsificar, no todo ou em parte, atestado ou certido, ou alte-rar o teor de certido ou de atestado verdadeiro, para prova de fato ou circunstncia que habilite algum a obter cargo pblico, iseno de nus ou de servio de carter pblico, ou qualquer outra vantagem. A pena de deteno de trs meses a dois anos, acrescida de multa se o crime praticado com o fim de lucro ( 2).

    8. FALSIDADE DE ATESTADO MDICO

    27. (ESAF Procurador Fazenda Nacio-nal/2007) Assinale a opo correta quanto aos crimes contra a f pblica nos termos da legisla-o penal, doutrina e da jurisprudncia dos tribu-nais superiores.

    a) O crime de Moeda Falsa (art. 289 do CP), crime formal de perigo, admite a tentativa.

    b) No Direito Brasileiro, no h distino entre a falsidade material e a falsidade ideolgica.

    c) Beltrano substituiu a foto de Fulano na car-teira de identidade com o objetivo de entrar em clube esportivo restrito para os scios. No caso, Beltrano incidiu na hiptese de falsi-dade ideolgica.

    d) O crime de Falsidade de Atestado Mdico (art. 302), crime prprio, admite a tentativa.

  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 831

    e) Carlos possui mquina que fabrica dlar para produzir moeda falsa. Assim, a sua con-duta enseja concurso material pelo crime de Petrechos para Falsificao de Moeda e pelo crime de Moeda Falsa.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra d: est correta a assertiva. Consiste o crime de falsidade de ates-tado mdico em dar o mdico, no exerccio regu-lar da profisso, atestado falso, isto , escrever o mdico informaes (total ou parcialmente) inverdicas, entregando, em seguida, o docu-mento ideologicamente falso ao interessado. Como estabelece o tipo, o delito prprio, pois somente o mdico pode pratic-lo. A consuma-o ocorre no momento em que o mdico for-nece o atestado falso, independentemente de ulteriores consequncias. A tentativa perfeita-mente possvel, j que se trata de crime pluris-subsistente.

    Alternativa a: est errada a assertiva. De acordo com a maioria, o crime de moeda falsa, embora forma, de dano, no de perigo. A ten-tativa perfeitamente possvel. Explica Hungria: Tratando-se de crime que no se perfaz nico actu, admissvel a tentativa (que no deve ser confundida com o ato preparatrio especial-mente incriminado no art. 291). (Comentrios ao Cdigo Penal, v. 9, p. 215).

    Alternativa b: est errada a assertiva. A falsidade material, de documento pblico ou particular, pode ser total, hiptese em que o documento inteiramente criado, ou parcial, adicionando-se, nos espaos em branco da pea escrita, novos (e relevantes) elementos. H, tam-bm, a conduta de alterar, em que o agente modi-fica documento pblico existente (e verdadeiro), substituindo ou alterando dizeres inerentes prpria essncia do documento. A falsidade ide-olgica, por outro lado, consiste em omitir, em documento pblico ou particular (materialmente verdadeiro), declarao que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declarao falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigao ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.

    Alternativa c: a substituio de fotografia em documento pblico objeto de certa con-trovrsia. Para uns (RT 590/334), o fato melhor se ajusta ao art. 307 do CP (falsa identidade), vez que o documento permanece autntico (no for-

    jado). J para outros (RT 603/335), como o retrato parte integrante do documento, a sua arbitrria e ilcita substituio gera o falso material (art. 297 do CP).

    Alternativa e: est errada a assertiva. No exemplo citado, que se limita a mencionar a posse de mquina destinada a falsificao de moeda, o agente responder apenas pelo crime de petrechos para a falsificao, consistente em fabricar (criar, manufaturar), adquirir (obter), forne-cer (proporcionar, entregar) a ttulo oneroso ou gratuito, possuir (ter a posse ou a propriedade), guardar (conservar, abrigar) maquinismo, apare-lho, instrumento ou qualquer objeto especial-mente destinado falsificao de moeda. Caso o agente venha a fabricar a moeda, sua conduta se subsumir ao art. 289 do Cdigo Penal, que absorver o delito anterior.

    9. USO DE DOCUMENTO FALSO

    28. (Procurador do Municpio Prefeitura Ara-caju-SE/2008 CESPE Adaptada) Com relao aos crimes contra a f pblica, julgue os itens que se seguem.

    Pratica o crime de uso de documento falso o agente que tem o mencionado documento apre-endido por autoridade incompetente.

    |COMENTRIOS|.`

    Errado. Prevalece o entendimento de que a apreenso de documento falso por autori-dade incompetente no caracteriza o crime de uso. Nucci, por exemplo, defensor dessa tese, embora, no geral, considere irrelevante o fato de o documento ter sado da esfera de disponibili-dade do agente por sua iniciativa ou por ao da autoridade.

    29. (Procurador do Municpio Prefeitura Natal-RN/2008 CESPE) Acerca dos crimes con-tra a f pblica, cada uma das opes abaixo apre-senta uma situao hipottica, seguida de uma assertiva a ser julgada. Assinale a opo que apre-senta a assertiva correta.

    a) Joo, em uma festividade junina, solicitou ao vendedor de canjica duas unidades. Para efe-tuar o pagamento, apresentou uma nota que sabia ser falsa, no valor de R$ 50,00. Imediata-mente, a falsidade foi percebida pelo comer-ciante, que, antes de entregar a mercadoria, acionou as autoridades policiais, que prende-

  • 832 Rogrio Sanches Cunha

    ram Joo em flagrante. Os peritos criminais produziram laudo com a concluso de que a falsificao era grosseira. O delegado de polcia lavrou o auto de priso, classificando a conduta como uso de moeda falsa. Nessa situao, a classificao atribuda conduta de Joo pela autoridade policial est tecnica-mente correta.

    b) Jos falsificou determinado documento pblico, usando-o em seguida. Nessa situa-o, Jos deve responder, em tese, pelos deli-tos de falsificao de documento pblico e uso de documento falso, em concurso mate-rial.

    c) Paulo, por ter sido reprovado nos testes do DETRAN, encomendou carteira nacional de habilitao (CNH) a um falsrio. Parado em uma blitz, por exigncia da autoridade poli-cial, apresentou a CNH falsificada. Nessa situ-ao, segundo a jurisprudncia majoritria do STJ e do STF, Paulo cometeu, em tese, o delito de uso de documento falso.

    d) Clio, ao ser abordado por autoridades poli-ciais, se identificou verbalmente com outro nome, a fim de evitar a busca de seus ante-cedentes. Nessa situao, Clio cometeu, em tese, o delito de falsa identidade.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra c. Est correta a assertiva. Prevalece nos tribunais superiores a posio de que o crime se configura na hiptese em que a exibio do documento no parte do agente, mas de solicitao, revista pessoal ou exigncia da autoridade (REsp 193.210/DF).

    Alternativa a: est errada a assertiva por-que, para a configurao do crime relativo moeda falsa, essencial que a falsificao seja convincente, isto , capaz de iludir os destina-trios da moeda (imitatio veri). Se grosseira, de modo que facilmente se possa identific-la por anlise superficial, o crime no se configura, j que o objeto no capaz de iludir a f pblica.

    Alternativa b: est errado porque, se Jos falsificou o documento e em seguida o utilizou, responder apenas pela contrafao, conside-rando-se o uso post factum impunvel.

    Alternativa d: embora a assertiva tenha sido considerada incorreta, h controvrsia a este respeito. Os tribunais superiores, atual-mente, parecem se inclinar no sentido de que a

    conduta criminosa (STF: RE 640.139/DF; STJ: HC 151.866/RJ).

    30. (FCC Promotor de Justia CE/2009) O crime de uso de documento falso:

    a) admite a suspenso condicional do processo se a falsificao for de documento particular.

    b) admite tentativa, pois no se trata de crime instantneo.

    c) ocorre mesmo quando o agente forado pela autoridade a exibir o documento, segundo pacfico entendimento jurispruden-cial.

    d) permite a transao na modalidade culposa.

    e) de ao penal pblica condicionada.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra a. De acordo com o que estabelece o artigo 304 do Cdigo Penal, o uso de documento falso punido com a mesma reprimenda cominada falsificao. Quanto falsificao de documento particular, o artigo 298 estabelece a pena de um a cinco anos de recluso. Por isso, considerada a pena mnima, permite-se a suspenso condicional do processo (artigo 89 da Lei n 9.099/95).

    Alternativa b: o conceito de instantanei-dade no se relaciona com a possibilidade de tentativa. O crime instantneo aquele que se consuma em momento determinado (consu-mao imediata), sem qualquer prolongao. No significa que ocorre rapidamente, mas que, uma vez reunidos seus elementos, a consuma-o ocorre peremptoriamente. O que determina a punio pelo crime tentado a possibilidade de que a conduta seja fracionada em vrios atos. Quanto a esta condio, os crimes so classifica-dos em unissubsistentes e plurissubsistentes. O uso de documento falso unissubsistente e, por isso, no admite a tentativa.

    Alternativa c: h discusso acerca da con-figurao do uso de documento falso quando o agente impelido pela autoridade a apresent--lo. H quem sustente que esta circunstncia irrelevante, pois, se o agente falsificou o docu-mento ou o portava, evidente que a inteno era a atingir a f pblica. H tambm aqueles que defendem a configurao do crime apenas se o documento saiu da esfera de disponibilidade do agente por sua prpria vontade.

  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 833

    Alternativa d: no existe a modalidade cul-posa para o crime de uso de documento falso.

    Alternativa e: a ao penal nos crimes de falso pblica incondicionada.

    31. (CESPE Defensor Pblico ES/ 2009 Adaptada) No que se refere a crimes contra a f pblica, julgue o item que se segue.

    A apresentao de documento falso auto-ridade incompetente, aps exigncia desta, no configura o crime de uso de documento falso.

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Certa

    H o entendimento de que a apreenso do documento efetuada por autoridade incompe-tente afasta a caracterizao do crime de uso de documento falso, isso em razo de no ser atribuio do agente solicitar a apresentao. O Tribunal de Justia do Estado de So Paulo, por exemplo, j decidiu neste sentido no caso de apreenso de documento feita por guardas municipais em operao bloqueio, procedi-mento que no de competncia destes servi-dores (Ap. 230.377-3).

    32. (CESPE Advogado da Unio/2009) Jul-gue os itens a seguir acerca dos crimes contra a f pblica.

    De acordo com o STJ, a falsificao nitida-mente grosseira de documento afasta o delito de uso de documento falso, haja vista a inaptido para ofender a f pblica.

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Certa

    Como em todos os casos envolvendo crimes de falso, o documento, referindo-se a fato juridi-camente relevante, deve ser apto a iludir (o falso grosseiro meio ineficaz para ludibriar a f pblica, configurando delito impossvel, art. 17 do CP).

    33. (CESPE Defensor Pblico BA/ 2011 Adaptada) No item seguinte, apresentada uma situao hipottica seguida de uma assertiva a ser julgada com lastro no direito penal.

    Instaurado processo administrativo disci-plinar contra o servidor pblico estadual Jonas, este, no dia em que seria ouvido pela comis-so processante, encaminhou ao presidente da

    comisso, via fax simile, cpia no autenticada de atestado mdico que, noticiando ser ele por-tador de grave problema cardaco concedia-lhe afastamento por quinze dias. Apurou-se que o atestado era falso. Nessa situao, em face da impropriedade material do objeto, no h crime de uso de documento falso.

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Certa

    H entendimento, adotado majoritariamente pelo STJ, de que o uso de documento falso mediante fotocpia, sem autenticao, no capaz de configurar o crime, pois no h poten-cial, no caso, para lesar a f pblica (HC 58298/SP).

    Deve ser destacado, todavia, que o prprio STJ relativiza este entendimento nas situaes em que ocorre a apresentao de cpia colo-rida, reproduzindo fielmente o documento fal-sificado, que ostenta, portanto, potencialidade lesiva (HC 143076/RJ).

    34. (CESPE Advogado da Unio/2012) Julgue os itens a seguir, que versam sobre crimes relacio-nados s licitaes e delitos contra a f pblica e as relaes de consumo.

    O agente que falsificar e, em seguida, usar o documento falsificado responder apenas pelo crime de falsificao.

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Certa

    Est correta a assertiva.

    Se o usurio foi quem falsificou o docu-mento, teremos apenas o crime de falsum (arts. 297 a 302), ficando o art. 304 absorvido (post fac-tum impunvel).

    10. SUPRESSO DE DOCUMENTO

    35. (MPF Procurador da Repblica/2011) Sobre o crime de supresso de documento assi-nale a alternativa correta:

    a) absorve o crime de dano;

    b) se consuma independentemente de eventual prejuzo ou benefcio decorrente;

    c) pode incidir em documento pblico ou parti-cular falso se este constituir meio de prova;

    d) abrange o extravio.

  • 834 Rogrio Sanches Cunha

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra b: efetivamente, a consumao se d no momento da destruio, da supresso ou da ocultao, ainda que a finali-dade visada no seja alcanada (delito formal ou de consumao antecipada).

    Alternativa a: no se trata de consun-o, mas de analisar o propsito do agente. Se a supresso ocorre em benefcio prprio ou de outrem, ou em prejuzo alheio, para ludibriar a f pblica, o crime ser o do art. 305 do Cdigo Penal. Se, no entanto, o nico intuito do agente for o de prejudicar a vtima patrimonialmente, haver apenas dano.

    Alternativa c: est errado porque o tipo exige expressamente que o documento supri-mido seja verdadeiro.

    Alternativa d: est errada a assertiva por-que as aes nucleares tpicas se limitam des-truio, supresso ou ocultao do documento.

    11. FALSA IDENTIDADE

    36. (Procurador do Municpio Prefeitura Ara-caju-SE/2008 CESPE Adaptada) Com relao aos crimes contra a f pblica, julgue os itens que se seguem.

    No pratica crime de falsa identidade o agente que se atribui falsa identidade para esca-par da ao policial, evitando assim sua priso.

    |COMENTRIOS|.`

    Certo. O tema controvertido na doutrina, e, na jurisprudncia, parece ter havido a adoo de orientao contrria considerada correta nesta questo. Na lio de Mirabete, no h crime, aplicando-se, no caso, o princpio nemo tenetur se detegere. Celso Delmanto tambm pugna pela atipicidade da conduta, aduzindo que a ao constitui exerccio constitucional do direito da autodefesa. Contrariando essas lies, Nlson Hungria entende que o comportamento em an-lise criminoso, pois a vantagem mencionada no dispositivo pode representar qualquer utilidade ao agente. No bastasse, a autodefesa somente abrange os questionamentos sobre os fatos em apurao e jamais a identificao do suspeito. Essa posio, embora no unanimemente, aplicada pelos Tribunais Superiores: a) STF: a apresentao de identidade falsa perante auto-ridade policial com o objetivo de ocultar maus

    antecedentes crime previsto no CP (art. 307) e a conduta no est protegida pelo princpio cons-titucional da autodefesa. (RE 640.139); b) STJ: o uso de identidade falsa no encontra amparo na garantia de permanecer calado, tendo em vista que esta abrange somente o direito de mentir ou omitir sobre os fatos que so imputados pessoa e no quanto sua identificao. (HC 151.866/RJ).

    37. (CESPE Defensor Pblico ES/ 2009 Adaptada) Em relao aos institutos de direito penal, julgue o item a seguir.

    Se, ao ser abordado por policiais militares, em procedimento rotineiro no centro da cidade onde mora, um indivduo se identificar com outro nome, a fim de esconder antecedentes penais, esse indivduo praticar o delito de falsa identidade, segundo o STJ.

    |COMENTRIOS|.`

    Assertiva: Errada

    O STJ havia consolidado o entendimento de que a conduta de atribuir-se falsa identidade, perante autoridade policial, com a finalidade de ocultar antecedentes penais, constitua exerccio do direito de defesa.

    Esta orientao, todavia, foi afastada. Em 2011, o STF julgou, em sede de repercusso geral, recurso extraordinrio no qual se estabe-leceu que esta conduta constitui o crime de falsa identidade (RE 640.139/RG MG), sendo acompa-nhando pelo STJ (HC151.866 e 223.502/SP).

    12. FRAUDES EM CERTAMES DE INTE-RESSE PBLICO

    38. (CESPE Promotor de Justia RR/2012) Com relao aos crimes contra a f pblica, assi-nale a opo correta com base no que dispe o CP, no entendimento doutrinrio e no posiciona-mento dos tribunais superiores.

    a) A conduta consistente em usar fita adesiva ou isolante para modificar letras ou nmeros da placa de veculo automotor no carac-teriza, segundo o STJ, crime de adulterao de sinal identificador de veculo automotor, subsistindo, entretanto, a responsabilidade penal por crime de falsificao de docu-mento pblico.

  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 835

    b) O delito de fraude em certame de interesse pblico, com o fim de beneficiar o prprio agente ou a outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, incide apenas nos concursos pblicos.

    c) circunstncia qualificadora do crime de fraude em certame de interesse pblico o fato de a fraude ser praticada por funcion-rio pblico e resultar em danos para a admi-nistrao pblica, com o fim especial de, por qualquer forma, o funcionrio obter vanta-gem econmica.

    d) O crime de fraude em certame de interesse pblico consumado com a efetiva utilizao ou divulgao da informao sigilosa, ainda que o destinatrio j tenha conhecimento do objeto sob sigilo e no consiga xito no cer-tame.

    e) A agravante prevista nos crimes de falsifi-cao de papis pblicos somente ter inci-dncia sobre o funcionrio pblico cujas atividades estejam diretamente relacionadas com os documentos contrafeitos e desde que tenha ele se prevalecido do cargo para a prtica da infrao, no bastando a simples condio de funcionrio.

    |COMENTRIOS|.`

    Alternativa correta: letra d. Est correta a assertiva. O crime se consuma com a simples prtica dos ncleos (divulgar, utilizar, permitir ou facilitar o acesso ao contedo sigiloso) dis-pensando a obteno da vantagem particular buscada pelo agente ou mesmo eventual dano credibilidade do certame (crime formal ou de consumao antecipada).

    Alternativa a: est errada a assertiva por-que a jurisprudncia dominante do STF no sen-tido de que a colocao de fita adesiva ou iso-lante para modificar letras ou nmeros da placa de veculo automotor configura o crime de adul-terao de sinal identificador: 1. firme a juris-prudncia deste Superior Tribunal de Justia no sentido da tipicidade da conduta consistente em alterar a placa de veculo automotor por meio da colocao de fita adesiva, sendo irrelevante, para tanto, que o proprietrio o tenha feito pessoal-mente ou por intermdio de terceira pessoa no credenciada junto ao Departamento de Trnsito (AgRg no REsp 1186950/RJ).

    Alternativa b: est errada a assertiva. O crime do art. 311-A do Cdigo Penal pode se voltar sobre o contedo sigiloso de: I concurso pblico; II avaliao ou exame pblicos; III processo seletivo para ingresso no ensino supe-rior; IV exame ou processo seletivo previstos em lei.

    Alternativa c: est errada a assertiva, pois o fato de o crime ser cometido por funcionrio pblico constitui causa de aumento de pena e incide independentemente de qualquer finali-dade especial.

    Alternativa e: est errada a assertiva. Ini-cialmente, no se trata de agravante, mas de causa de aumento de pena. Ademais, a majo-rante se aplica pelo fato de ser o agente funcio-nrio pblico e cometer o crime prevalecendo-se do cargo, sem qualquer exigncia de atividade especfica relacionada aos documentos contra-feitos.

    DICAS (RESUMO) De acordo com a doutrina de Fragoso,

    somente se configura o crime de moeda falsa se a alterao for no sentido de atribuir maior valor cdula ou moeda metlica. Assim, se o agente altera somente nmeros ou sm-bolos que nada tm a ver com o aumento do valor da moeda, no pratica o crime em apreo. Bem assim, no ocorre o delito na hiptese em que a alterao faz com que o valor nominal seja diminudo em relao ao verdadeiro (Lies de direito penal: parte especial. So Paulo: Jos Bushatsky, v. 3, p. 775).

    No crime de moeda falsa, apesar de alguns ensinarem que o privilgio (art. 289, 2) se pratica com dolo subsequente, no nos parece. Esse elemento dolo deve ser simultneo conduta, sob pena de se desca-racterizar o crime. O que ocorre que o dolo s integra a conduta de repassar a moeda que o agente descobriu ser falsa aps t-la recebido. Ainda no que tange ao tipo sub-jetivo, no se admite o dolo eventual, pois o texto legal menciona expressamente a necessidade de o agente restituir a moeda circulao depois de conhecer a falsidade.

    A competncia para o julgamento do crime de moeda falsa da Justia Federal.

  • 836 Rogrio Sanches Cunha

    Sobre o objeto material no crime de petre-chos para falsificao de moeda, leciona Fragoso: Diante de nossa lei, todavia, no se exige que a destinao exclusiva dos obje-tos (de resto, rarssima), seja a fabricao de moeda falsa: basta que por sua natureza sejam especialmente (geralmente ou em regra) destinados quele fim. No se pode excluir integralmente uma indagao sobre a destinao subjetiva (fim a que o agente destinava os objetos) no reconhecimento da existncia da ao delituosa. A frmula do nosso cdigo perigosa e exige do julga-dor meticuloso exame de todos os indcios (Direito penal. So Paulo: Saraiva, v. 3 (1971), p. 789).

    A prova de que os petrechos podem ser des-tinados falsificao depende de percia (subsistindo o crime ainda que se conclua ser o objeto capaz de realizar, em parte, a contra-fao).

    Note-se que, a exemplo do que ocorre nos demais delitos contra a f pblica, na falsifi-cao de papeis pblicos (art. 293 do Cdigo Penal) o documento falsificado deve ser apto a iludir, pois se grosseira a falsificao, no se configura o crime em estudo. Mostra-se, por-tanto, imprescindvel a realizao do exame pericial nas peas fabricadas ou adulteradas.

    Guilherme de Souza Nucci, no sem razo, observa que a figura delituosa do art. 293, 1, inc. III, acrescentada pela Lei 11.035/2004, desnecessria, pois qualquer pessoa que utilize produto contendo selo falsificado, em ltima anlise, est usando o prprio selo, pois se beneficia justamente do no paga-mento do tributo devido. Logo, fazer uso de selo falsificado mais do que suficiente (como constava na antiga redao do 1 do art. 293), no havendo necessidade alguma de inserir outras figuras, como vender mer-cadoria contendo selo falsificado, pois, nesta situao, est-se usando o selo do mesmo modo. (Cdigo Penal comentado, p. 1122).

    No art. 296 do Cdigo Penal, sinal pblico de tabelio o escrito que integra sua assina-tura, destinado a demonstrar a veracidade de seu ato ao atestar determinado documento. No tipifica o delito do art. 296, II, do CP, quando o acusado falsifica o carimbo para reconhecimento de firma em tabelionato. Esse carimbo no sinal pblico (RT 571/394).

    Quanto ao art. 297 do Cdigo Penal, Biten-court, apesar de reconhecer doutrina em sentido contrrio, entende que, para fins penais, no so documentos as cpias repro-grficas, sejam ou no autenticadas. Ensina que as cpias no possuem a natureza jur-dica de documentos, sendo meras reprodu-es. Ousamos discordar. Quando autentica-das por oficial pblico ou conferidas em car-trio, com os respectivos originais, assumem a condio de documento, podendo provar determinada situao jurdica (nesse sentido: art. 365, III, CPC).

    Os documentos escritos a lpis, ainda que emanados do funcionrio no exerccio de suas funes, no sero considerados pbli-cos, tendo em vista a insegurana em relao manuteno de sua integridade.

    A jurisprudncia tem elencado vrias hipte-ses em que, muito embora haja ocorrido fal-sificao de documento emitido por autori-dade federal, no sendo atingidos seus bens, servios ou interesses, a competncia da justia estadual: a) falsa anotao na Carteira de Trabalho e Previdncia Social, atribudo empresa privada (Smula 62 do STJ); b) falso relativo a estabelecimento particular de ensino (Smula 104 do STJ); c) crime de estelionato praticado mediante falsificao de guias de recolhimento das contribuies previdencirias, quando no ocorrente leso autarquia federal (Smula 107 do STJ); d) falsificao de ttulo de eleitor sem fins elei-torais no caracteriza crime eleitoral. Desse modo, tratando-se de infrao comum (e no especial), competente a Justia comum, mas federal (RJTJSP, 20/358). No mesmo sen-tido: RT 458/438; e) a falsificao de docu-mento militar sem atentar contra a ordem administrativa militar, da competncia da Justia Comum.

    O conceito de documento particular se extrai por excluso, isto , todo aquele no com-preendido como pblico ou equiparado a pblico. a pea escrita confeccionada sem a interveno de funcionrio pblico, mas que, em razo de sua natureza e relevncia, deve ser objeto da tutela penal.

    A Lei n 12.737/12, para fins do disposto no art. 298 do Cdigo Penal, equiparou a docu-mento particular o carto de crdito ou dbito.

  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 837

    Na falsidade ideolgica, como caracteri-zar a conduta daquele que abusa do papel em branco assinado? Hungria responde: Somente haver falsidade ideolgica quando o papel tiver sido confiado ao agente, para ulterior preenchimento, ex vi legis ou ex contractu; se o agente se tivesse apossado ( revelia do signatrio) do papel que preen-cheu, o crime a reconhecer seria o de falsi-dade material (art. 297 ou 298, conforme se trate de documento pblico ou particular). esta, alis, a soluo sugerida pelo Cdigo Italiano. E outra no pode ser a deciso no caso em que o papel tenha sido voluntaria-mente entregue pelo signatrio, mas para fim outro que no o de preench-lo, como, por exemplo, para orientar quanto ao seu nome e endereo, a pessoa que o recebe (Comentrios ao Cdigo Penal, v. 9, p. 279).

    No falso reconhecimento de firma ou letra, Bento de Faria entende que o agente reco-nhecedor responsvel no somente a ttulo de dolo, mas tambm de culpa, nas hip-teses em que reconhece como verdadeira firma ou letra que no o seja sem tomar as cautelas necessrias (Cdigo Penal brasileiro comentado: parte especial, p. 457). Ousamos discordar, j que, nas hipteses em que o legislador deseja a punio da negligncia, o faz expressamente no tipo penal respectivo (art. 18, pargrafo nico, do CP), o que no ocorreu no dispositivo em apreo.

    O art. 303 o Cdigo Penal foi substitudo pelo art. 39 da Lei 6.538/78, preservando a reda-o do preceito primrio (Reproduzir ou alte-rar selo ou pea filatlica de valor para coleo, salvo quando a reproduo ou a alterao esti-ver visivelmente anotada na face ou no verso do selo ou pea), reduzindo-se a pena mxima para 2 (dois) anos, tornando a infrao de menor potencial ofensivo.

    De acordo com Noronha (Cdigo Penal bra-sileiro comentado. 1972., v. 4, p. 174), para a caracterizao do crime de uso de docu-mento falso, basta que o escrito saia da esfera de disponibilidade do agente, ainda que empregado em finalidade diversa daquela a que se destinava. Contudo, no sem razo, discorda a maioria, sustentando haver crime somente quando utilizado o documento material ou ideologicamente falso em sua especfica destinao probatria. Como nos

    demais casos envolvendo crimes de falso, o documento, referindo-se a fato juridica-mente relevante, deve ser apto a iludir (o falso grosseiro meio ineficaz para ludibriar a f pblica, configurando delito impossvel, art. 17 do CP). A prova da falsidade (e da sua capacidade de iludir), em regra, depende de percia.

    No preceito secundrio do art. 307 do Cdigo Penal, observa-se que a lei promove uma res-salva, determinando a punio somente se a falsa identidade no constitui elemento para crime mais grave. Trata-se, pois, de delito subsidirio, ficando absorvido se a inteno do agente praticar estelionato, violao sexual mediante fraude, simulao de casa-mento etc. (nesses casos, a identificao mentirosa constitui o meio para a prtica de crime mais grave).

    Quanto ao art. 311 do Cdigo Penal, a sim-ples substituio de placas de um veculo pelas de outro (sem adulterar ou remarcar nmero) configura o crime? A jurisprudncia do STJ firmou o entendimento de que sim: 1. pacfica a jurisprudncia desta Corte no sentido de que a substituio das placas ori-ginais do veculo constitui ntida adulterao de sinal identificador de veculo automotor, tipificando o ilcito do art. 311 do Cdigo Penal (AgRg no AREsp 126860/MG, Quinta Turma, rel. Min. Marco Aurlio Belizze, DJe 12/09/2012).

    No art. 311-A do Cdigo Penal, se o modo de execuo envolve terceiro que, tendo acesso privilegiado ao gabarito da prova, revela ao candidato de um concurso pblico as respostas aos quesitos, pratica, junto com o candidato beneficirio, o crime do art. 311-A (aquele, por divulgar, e este, por utilizar o contedo secreto em benefcio prprio). J nos casos em que o candidato, com ponto eletrnico no ouvido, se vale de terceiro expert para lhe revelar as alternati-vas corretas, permanece fato atpico (apesar de seu grau de reprovao social), pois os sujeitos envolvidos (candidato e terceiro) no trabalharam com contedo sigiloso (o gabarito continuou secreto para ambos). Em resumo:

  • 838 Rogrio Sanches Cunha

    Cola eletrnica valendo-se

    de contedo SIGILOSO

    Cola eletrnica NO se valendo

    de contedo SIGILOSO

    Crime, art. 311-A CP Fato atpico

    SMULAS APLICVEIS1. MOEDA FALSA

    STJ Smula n 73 A utilizao de papel moeda

    grosseiramente falsificado configura, em tese, o crime de estelionato, da competncia da justia estadual.

    2. FALSIFICAO DE DOCUMENTO P-BLICO

    STJ Smula n 107 Compete justia comum

    estadual processar e julgar crime de este-lionato praticado mediante falsificao das guias de recolhimento das contribuies pre-videncirias, quando no ocorrente leso autarquia federal.

    Smula n 104 Compete Justia Estadual o processo e julgamento dos crimes de falsi-ficao e uso de documento falso relativo a estabelecimento particular de ensino.

    Smula n 62 Compete Justia Estadual processar e julgar o crime de falsa anotao na Carteira de Trabalho e Previdncia Social, atribudo empresa privada.

    Smula n 17 Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, por este absorvido.

    3. USO DE DOCUMENTO FALSO

    STF Smula vinculante n 36 Compete Justia

    Federal comum processar e julgar civil denun-ciado pelos crimes de falsificao e de uso de documento falso quando se tratar de falsifica-o da Caderneta de Inscrio e Registro (CIR) ou de Carteira de Habilitao de Amador (CHA), ainda que expedidas pela Marinha do Brasil.

    STJ Smula n 200 O juzo federal competente

    para processar e julgar acusado de crime de uso de passaporte falso do lugar onde o delito se consumou.

    INFORMATIVOS APLICVEIS1. MOEDA FALSA

    STF ` Princpio da insignificncia e moeda falsa

    O valor nominal derivado da falsificao de moeda no seria critrio de anlise de relevncia da conduta, por-que o objeto de proteo da norma seria supra indivi-dual, a englobar a credibilidade do sistema monetrio e a expresso da prpria soberania nacional. HC 97220, Rel. Min. Ayres Britto, 5.4.2011. 2 T. (Info 622)

    STJ `Moeda falsa. Princpio. Insignificncia.

    No se aplica o princpio da insignificncia ao crime de moeda falsa, pois se trata de delito contra a f pblica, logo no h que falar em desinteresse estatal sua represso. No caso, o paciente utilizou duas notas fal-sas de R$ 50 para efetuar compras em uma farmcia. HC 132.614, Rel. Min. Laurita Vaz, j. 1.6.10. 5 T. (Info 437)

    2. FALSIFICAO DE DOCUMENTO P-BLICO

    STJ ` Princpio. Insignificncia. Registro. CTPS.

    No caso, gerente responsvel por sociedade empresa-rial foi denunciado como incurso no art. 297, 4, do CP, porque deixou de anotar a Carteira de Trabalho e Previdncia Social (CTPS) de empregado durante a vigncia do contrato de trabalho. No habeas corpus, substitutivo de recurso ordinrio, pede a aplicao do princpio da insignificncia (negada no TJ). Pondera que o prejuzo foi irrisrio devido ao curto perodo do contrato de trabalho, alm de que foi reparado ao cumprir a sentena condenatria trabalhista. Para o Min. Relator, possvel aplicar o princpio da insig-nificncia pelo curto perodo do contrato (segundo o Juzo Trabalhista, pouco mais de 1 ms), pela mnima lesividade causada ao empregado, devido condena-o do paciente pelo juzo trabalhista, obrigando-o a registrar o empregado. Esses fatos, segundo o Min. Relator, tambm levam convico de que a denncia narra fato atpico, porque o caso no se subsume ao

  • Captulo IX Crimes Contra a F Pblica 839

    4 do art. 297 do CP, alm de serem os fatos acima narrados vetores do princpio da insignificncia, larga-mente admitido na jurisprudncia. Observou, ainda, a jurisprudncia e lies da doutrina de Damsio de Jesus quanto ao fato de deixar de registrar empregado no ser crime. De acordo com o exposto, a Turma con-cedeu a ordem. Precedentes citados: REsp 966.077-GO, DJe 15/12/2008, e REsp 495.237-CE, DJ 24/11/2003. HC 107.572-SP, Rel. Min. Celso Limongi (Desembargador convocado do TJ-SP), julgado em 14/4/2009. (Info 390)

    3. FALSIDADE IDEOLGICA

    STF ` Princpio da Consuno: Crime contra a Ordem Tri-

    butria e Falsidade Ideolgica 1

    Ao aplicar a Smula Vinculante 24 (No se tipifica crime material contra a ordem tributria, previsto no art. 1, incisos I a IV, da Lei n 8.137/90, antes do lanamento definitivo do tributo), a Turma deferiu habeas corpus para determinar, por ausncia de tipicidade penal, a extino do procedimento investigatrio instaurado para apurar suposta prtica de crimes de falsidade ideolgica e contra a ordem tributria. Na espcie, o paciente, domiciliado no Estado de So Paulo, teria obtido o licenciamento de seu veculo no Estado do Paran de modo supostamente fraudulento indica-o de endereo falso , com o fim de pagar menos tributo, haja vista que a alquota do IPVA seria menor. Inicialmente, salientou-se que o STJ reconhecera o prejuzo do habeas l impetrado, em face da conces-so, nestes autos, de provimento cautelar. Em seguida, observou-se que a operao desencadeada pelas autoridades estaduais paulistas motivara a suscitao de diversos conflitos de competncia entre rgos judicirios dos Estados-membros referidos, tendo o STJ declarado competente o Poder Judicirio paulista. Aquela Corte reconhecera configurada, em contexto idntico ao dos autos do writ em exame, a ocorrncia de delito contra a ordem tributria (Lei 8.137/90), em virtude da supresso ou reduo de tributo, afastada a caracterizao do crime de falsidade ideolgica (CP, art. 299). Reputou-se claro que o delito alegada-mente praticado seria aquele definido no art. 1

    da Lei 8.137/90, tendo em conta que o crimen falsi teria constitudo meio para o cometimento do deli-to-fim, resolvendo-se o conflito aparente de nor-mas pela aplicao do postulado da consuno, de tal modo que a vinculao entre a falsidade ideol-gica e a sonegao fiscal permitiria reconhecer, em referido contexto, a preponderncia do delito con-tra a ordem tributria. HC 101900/SP, rel. Min. Celso de Mello, 21.9.2010. (HC-101900) (Info 601)

    4. USO DE DOCUMENTO FALSO

    STF ` HC e uso de documento falso

    A 2 Turma denegou habeas corpus em que pleiteada a atipicidade da conduta descrita como uso de docu-mento falso (CP, art. 304). Na espcie, a defesa alegava que o paciente apresentara Registro Geral falsificado a policial a fim de ocultar sua condio de foragido, o que descaracterizaria o referido crime. Inicialmente, reconheceu-se que o princpio da autodefesa tem sido aplicado em casos de delito de falsa identidade (CP, art. 307). Ressaltou-se, entretanto, que no se confun-diria o crime de uso de documento falso com o de falsa identidade, porquanto neste ltimo no haveria apre-sentao de qualquer documento, mas to-somente a alegao falsa quanto identidade. HC 103314/MS, rel. Min. Ellen Gracie, 24.5.2011. (Info 628)

    STJ ` Uso. Documento falso. Autodefesa. Impossibili-

    dade.

    A Turma, aps recente modificao de seu entendi-mento, reiterou que a apresentao de documento de identidade falso no momento da priso em flagrante caracteriza a conduta descrita no art. 304 do CP (uso de documento falso) e no constitui um mero exer-ccio do direito de autodefesa. Precedentes citados STF: HC 103.314-MS, DJe 8/6/2011; HC 92.763-MS, DJe 25/4/2008; do STJ: HC 205.666-SP, DJe 8/9/2011. REsp 1.091.510-RS, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 8/11/2011. (Info 487)