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1667 leia algumas paginas

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  • Captulo VI Bens 257

    Captulo VI Bens

    Alternativa a: incorreta; a res extra patri-monium se refere ao direito humano (res humani iuris) e ao direito divino (res divini iuris); este, por sua vez, dividido em res sacrae, res religiosae e res sanctae; o primeiro so as coisas consagra-das aos deuses superiores, como as esttuas; o segundo, os lugares dedicados aos mortos, como as sepulturas; e o ltimo, aquelas coisas com caractersticas ou relacionadas religio; incorreta a alternativa porque unicamente a res sacrae estava relacionada consagrao aos deuses, como os templos utilizados para tal fim.

    Alternativa b: correta; a acepo coisa gnero do qual o termo bem espcie; este ltimo a parte positiva do patrimnio, o objeto de um direito, sua parte econmica ou til, por-quanto apta satisfao de uma necessidade, razo pela qual limitado, inexistindo, pois, em abundancia; j o significado de coisa alcana tal caracterstica, reconhecendo-se como tal aquilo que existe, mas no pode ser apropriado ou alie-nado, como o ar atmosfrico ou os objetos ilci-tos.

    Alternativa c: incorreta; segundo o CC/art. 93: so pertenas os bens que, no consti-tuindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao aformosea-mento de outro.; na lio de Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery: pertenas so as coisas auxiliares das outras, e no se confun-dem, necessariamente, com as coisas acessrias, visto que a definio de pertena no pressupe que sua existncia esteja subordinada do prin-cipal (Junior, Nelson Nery e outra Cdigo Civil Comentado RT 8 edio So Paulo 2011); dessa forma, a regra da gravitao jur-dica, segundo a qual o acessrio segue o princi-pal, no vlida quanto s pertenas, instituto includo pelo Cdigo Civil no rol dos bens aces-srios, entretanto com eles no se confunde na

    QUESTES

    Cdigo Civil: Parte Geral

    1. DISTINO ENTRE BEM E COISA

    01. (MPF Procurador da Repblica/2012) RELATIVAMENTE AOS BENS OU COISAS, COR-RETO AFIRMAR QUE:

    a) As Res Divini luris do Direito Romano eram as coisas consagradas aos deuses superiores.

    b) O termo bem, no nosso direito atual, refere--se a uma espcie de coisa, embora, usual-mente, possa designar toda e qualquer coisa.

    c) As pertenas, tanto no Cdigo Civil de 1916 como no atual, foram definidas no captulo que trata dos bens principais e acessrios.

    d) A denominao coisa fungvel e infungvel surgiu apenas na Idade Moderna.

    COMENTRIOS

    Nota do autor: segundo as lies de Carlos Roberto Gonalves, o Cdigo Civil de 1916 no dis-tinguia os termos coisa e bem, usando ora um, ora outro, ao se referir ao objeto do direito. O novo, ao contrrio, utiliza sempre, na parte geral, a expres-so bens, evitando o vocbulo coisa, que o con-ceito mais amplo do que o de bem, no entender de Jos Carlos Moreira Alves, que se apoia na lio de Trabucchi. Bens, portanto, so coisas materiais, concretas, teis aos homens e de expresso eco-nmica, suscetveis de apropriao, bem como as de existncia imaterial economicamente apreci-veis (direitos autorais, de inveno, etc.) (Direito Civil Esquematizado, 2 edio, revista e atuali-zada, Saraiva, So Paulo, 2012).

    Alternativa correta: letra b.

  • 258 Ronaldo Vieira Francisco

    essncia; as pertenas so autnomas e individu-ais em relao ao bem principal, e se destinam a melhorar ou facilitar o uso da coisa, bem como a incrementar a sua aparncia ou apresentao; p. ex., as maquinas agrcolas de uma fazenda, a decorao de uma casa ou o DVD de um veculo. Os negcios jurdicos que dizem respeito ao bem principal no abrangem as pertenas, salvo se o contrrio resultar da lei, da manifestao de von-tade, ou das circunstncias do caso (CC/art. 94). Pelo Enunciado 11 da I Jornada de Direito Civil do CJF: No persiste no novo sistema legislativo a categoria dos bens imveis por acesso intelec-tual, no obstante a expresso tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente, constante da parte final do art. 79 do Cdigo Civil. O erro da opo decorre da no previso no CC/1916 das pertenas, mas da acesso intelectual, no art. 43, III; outrossim, diz o Enunciado 535 da VI Jornada de Direito Civil do CJF: Para a existncia da per-tena, o art. 93 do Cdigo Civil no exige elemento subjetivo como requisito para o ato de destinao.

    2. CLASSIFICAO DOS BENS

    2.1. BENS CONSIDERADOS EM SI MESMOS

    2.1.1. BENS IMVEIS E MVEIS

    02. (MPE AL Promotor de Justia AL/2012) Nos termos do Cdigo Civil brasileiro, considera--se bem imvel:

    a) a energia que tenha valor econmico.

    b) o direito sucesso aberta.

    c) material de construo proveniente de demolio.

    d) direito pessoal de carter patrimonial.

    e) aeronave.

    COMENTRIOS

    Nota do autor: os bens considerados em si mesmos so: (1) imveis e mveis (CC/art. 82-84); (2) fungveis e consumveis (CC/art. 85 e 86); (3) divisveis e indivisveis (CC/art. 87 e 88) e (4) sin-gulares e coletivos (CC/art. 89-91). Para que os conceitos no sejam confundidos, porque no raro colocados lado a lado em concursos, reci-procamente considerados os bens so principais e acessrios (produtos, frutos, benfeitorias e per-tenas). Os bens imveis, tambm chamados de bens de raiz, segundo Clvis Bevilaqua, so

    os que no podem transportar, sem destruio, de um lugar para outro. O conceito vlido unicamente para os bens imveis propriamente ditos ou bens de raiz, no abrangendo os im-veis por determinao legal nem as edificaes que, separadas do solo, conservam sua unidade, podendo ser removidas para outro local (CC, art. 83, I, e 83). Segundo o art. 79 do CC: So bens imveis o solo e tudo quanto se lhe incorpo-rar natural ou artificialmente. Por sua vez, de acordo com o art. 80, I e II, do CC: Consideram-se imveis para os efeitos legais: I os direitos reais sobre imveis e as aes que os asseguram; II o direito sucesso aberta. Logo, os bens im-veis so classificados em: (A) imveis por natu-reza; (B) imveis por acesso natural; (C) imveis por acesso artificial ou industrial; (D) imveis por determinao legal. Vale lembrar a regra da finalidade ou destinao, prevista no art. 81 do CC, segundo a qual: No perdem o carter de imveis: I as edificaes que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local; II os materiais pro-visoriamente separados de um prdio, para nele se reempregarem. De sua parte, bens mveis, na dico do art. 82 do CC: So (...) os bens sus-cetveis de movimento prprio, ou de remoo por fora alheia, sem alterao da substncia ou da destinao econmico-social. Pelo art. 83 do CC: Consideram-se mveis para os efeitos legais: I as energias que tenham valor econ-mico; II os direitos reais sobre objetos mveis e as aes correspondentes; III os direitos pes-soais de carter patrimonial e respectivas aes. Sendo assim, os bens mveis so classificados em: (A) bens mveis por natureza (semoventes e propriamente ditos); (B) bens mveis para os fei-tos legais; (C) bens mveis por antecipao. Estes so os incorporados ao solo para serem oportu-namente retirados, em funo da finalidade eco-nmica (Ex. plantao de eucalipto para a inds-tria, frutos no colhidos, etc.).

    Alternativa correta: letra b.

    Alternativa a: incorreta; as energias que tenham valor econmico so consideradas bens mveis por determinao legal (CC, art. 83, I).

    Alternativa b: correta; o direito sucesso aberta considerado bem imvel por determi-nao legal, mesmo que o monte seja formado unicamente de bens mveis ou direitos pessoais (CC, art. 80, II). Assim, a cesso formaliza-se por escritura pblica.

  • Captulo VI Bens 259

    Alternativa c: incorreta; o material provi-soriamente separado de um prdio, para nele se reempregar, no perde o carter de bem imvel. Todavia, o material proveniente de demolio de algum prdio, porque no mais participar da natureza do principal, readquire a qualidade de bem mvel por natureza (CC, arts. 81, II, e 84).

    Alternativa d: incorreta; o direito pessoal de carter patrimonial e respectivas aes so bens mveis por determinao legal (CC, art. 83, III).

    Alternativa e: incorreta; so mveis os bens suscetveis de movimento prprio ou de remoo por fora alheia, sem alterao da substncia ou da destinao econmico-social. Assim, as aeronaves so bens mveis por natu-reza. De acordo com o art. 1.473, VII, as aeronaves esto sujeitas hipoteca. Isso ocorre porque so individualizveis pela marca, prefixo, subordina-dos a critrios preestabelecidos e a matricula. O contrato de hipoteca area deve constar de escri-tura pblica e ser assentado no Registro Aero-nutico Brasileiro (Lei 7.565/86, art. 141).

    03. (MPE/MG Promotor de Justia MG/2009) Assinale a alternativa INCORRETA.

    a) Bens corpreos so coisas com existncia material; bens incorpreos no so percept-veis pelos sentidos; patrimnio o conjunto de bens e direitos de um sujeito.

    b) H bens imveis por natureza, bens imveis por destinao, bens imveis por acesso intelectual, outros que a lei considera im-veis para os efeitos legais.

    c) A lei considera mveis os direitos reais sobre objetos mveis e as aes correspondentes, os direitos pessoais de carter patrimonial e respectivas aes.

    d) Os rios, as estradas, as ruas e praas, os edi-fcios destinados a servio da administra-o federal, inclusive suas autarquias, entre outros, so bens pblicos.

    e) A vaga em ponto de txi incide sobre bem pblico de uso comum do povo, esses bens esto fora do comrcio e o arrendamento de vaga nulo de pleno direito.

    COMENTRIOS

    Alternativa incorreta: letra b

    Alternativa a: correta; a classificao dos bens em corpreos e incorpreos remonta ao

    direito romano e no tem acolhida em nossa legislao; os primeiros so os de existncia fsica, material e real, e podem ser objeto de compra e venda; os segundos possuem existn-cia abstrata, e ostentam valor econmico, como os direitos autorais, os quais podem ser objeto de cesso; patrimnio em sentido amplo um conjunto de bens, com ou sem contedo eco-nmico; em sentido estrito, apenas aqueles bens com repercusso econmica.

    Alternativa b: incorreta; os bens im-veis por destinao ou acesso intelectual, con-forme previa o CC/1916, deixaram de figurar no CC/2002. Agora, o art. 93 do CC adota o conceito de pertena, que so as coisas auxiliares das outras, e no se confundem, necessariamente, com as coisas acessrias, visto que a definio de pertena no pressupe que sua existncia esteja subordinada do principal (Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery).

    Alternativa c: correta; os bens mveis por natureza podem ser de duas espcies, os semo-ventes (animais) e as coisas inanimadas. Aqueles se movimentam por si, como os animais. Estes, porm, subordinam-se fora alheia para que sejam movimentados, sem perder os atributos; so bens mveis por lei a energia, em quaisquer de suas formas (trmica, eltrica); os direitos reais sobre objetos mveis e suas aes (penhor, usu-fruto sobre tais bens); e os direitos pessoais de carter patrimonial e suas aes (crdito).

    Alternativa d: correta; segundo a enume-rao constante do art. 99, I a III, do CC, so bens pblicos: (a) os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praas; (b) os de uso especial, tais como edifcios ou terrenos desti-nados a servio ou estabelecimento da adminis-trao federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; (c) os dominicais, que constituem o patrimnio das pessoas jur-dicas de direito pblico, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.

    Alternativa e: correta; a vaga de ponto de txi incide sobre bem de uso comum, e a admi-nistrao pblica poder permitir o uso para tal finalidade, ato administrativo discricionrio e precrio, como tambm o faz para as bancas de revistas em praas, por exemplo; de outra banda, os bens de uso comum esto fora do comrcio, de acordo com o CC/art. 100, enquanto qualificados como bem de uso comum, razo porque no se admite arrendar pontos de txi.

  • 260 Ronaldo Vieira Francisco

    04. (FCC Promotor de Justia PE/2008) Con-sideram-se, dentre outros, bem mveis para os efeitos legais.

    a) as energias que tenham valor econmico.

    b) o direito sucesso aberta decorrente da declara o de ausncia ou bito.

    c) as edificaes que, separadas do solo, mas conservan do a sua unidade, forem removi-das para outro local.

    d) os materiais provisoriamente separados de um pr dio, para nele se reintegrarem.

    e) os direitos reais sobre imveis e as aes que os asseguram.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra a

    Alternativa a: correta; por determinao legal, as energias com valor econmico (eltrica, trmica, etc.) so consideradas bens mveis, pre-ceitua o CC/art. 83, I.

    Alternativa b: incorreta; o direito suces-so aberta bem imvel, mesmo que o acervo seja todo ele formado de bens mveis; somente aps individualizados com a partilha que dei-xam de ter essa qualidade (CC/art. 80, II).

    Alternativa c: incorreta; so bens imveis e no perdem essa caracterstica as edificaes que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local, o que posiciona o CC/art. 81, I; trata-se de novo dis-positivo em relao ao CC/1916.

    Alternativa d: incorreta; completando o CC/art. 81, II, tambm so imveis por fico jur-dica e vinculada a vontade do agente, os mate-riais provisoriamente separados de um prdio para nele se reempregarem.

    Alternativa e: incorreta; por determina-o legal so imveis os direitos reais que sobre eles recaiam, bem como as aes que os assegu-ram; so direitos dessa natureza a superfcie, o usufruto, o uso, a habitao (CC/art. 1.225).

    05. (Vunesp Juiz Substituto SP/ 2009) Consi-derados em si mesmos, os bens podem ser

    a) pblicos e particulares.

    b) principais e acessrios.

    c) imveis pela prpria natureza, benfeitorias e pertenas.

    d) mveis e imveis.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra d.

    Alternativa a: incorreta; quanto ao titular do domnio ou sujeitos a quem pertencerem, os bens so pblicos e particulares. Pelo Enunciado 287: O critrio da classificao de bens indicado no art. 98 do Cdigo Civil no exaure a enumera-o dos bens pblicos, podendo ainda ser classifi-cado como tal o bem pertencente a pessoa jurdica de direito privado que esteja afetado prestao de servios pblicos.

    Alternativa b: incorreta; reciprocamente considerados, levando em conta a relao entre uns e outros, os bens so classificados em princi-pais e acessrios (CC, arts. 92 a 97).

    Alternativa c: incorreta; as benfeitorias e as pertenas so bens reciprocamente conside-rados (CC/art. 92 e 97).

    Alternativa d: correta; considerados em si mesmos esto os bens mveis e imveis. Toda-via, conforme anotaes, a classificao ainda alcana os bens fungveis e consumveis, os bens divisveis e os bens coletivos e singulares (CC, arts.79 a 91).

    06. (EJEF Juiz Substituto MG/ 2008) So considerados mveis para os efeitos legais:

    a) as edificaes que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem remov-veis para outro local.

    b) os materiais provisoriamente separados de um prdio, para nele se reempregarem.

    c) os direitos reais sobre objetos mveis e as aes correspondentes.

    d) o direito sucesso aberta.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra c.

    Alternativa a: incorreta; as edificaes que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local, so bens imveis (CC/art. 81, I).

    Alternativa b: incorreta; os materiais pro-visoriamente separados de um prdio para nele se reempregarem so bens imveis (CC/art. 81, II).

    Alternativa c: correta; pelo art. 83, II, do CC, so bens mveis por determinao legal os

  • Captulo VI Bens 261

    direitos reais sobre objetos mveis e as aes correspondentes.

    Alternativa d: incorreta; o direito suces-so aberta bem imvel por determinao legal (CC/art. 80, II).

    07. (TJ MG Juiz de Direito MG/2014) Consi-deram-se bens imveis para os efeitos legais

    a) os direitos pessoais de carter patrimonial e respectivas aes.

    b) as energias que tenham valor econmico.

    c) os materiais provisoriamente separados de um prdio, para nele se reempregarem.

    d) os direitos reais sobre objetos mveis e as aes correspondentes.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra c.

    Alternativa a: incorreta; so bens mveis por efeitos legais os direitos pessoais de carter patrimonial e respectivas aes (CC, art. 83, I).

    Alternativa b: incorreta; so bens mveis por efeitos legais as energias que tenham valor econmico (CC, art. 83, I).

    Alternativa c: correta; so bens imveis para efeitos legais, por disposio legal ou por determinao legal, segundo o art. 80, I e II, do CC: (a) os direitos reais sobre imveis e as aes que os asseguram; (b) o direito sucesso aberta. So considerados bem imveis, ainda, as aces-ses artificias ou industriais, ou seja, tudo o quanto o homem incorporar permanentemente ao solo, como a semente lanada terra, os edif-cios e as construes, de modo que no se possa retirar sem destruio, modificao, fratura ou dano. Nesse conceito, no se incluem, portanto, as construes provisrias, que se destinam remoo ou retirada, como os circos e parques de diverses, as barracas de feiras, pavilhes, etc (Gonalves, Carlos Roberto, Direito Civil Esquematizado, vol. 1, Saraiva, 2 ed, pg. 230). Nestes casos, segundo o art. 81, I e II, do CC, no pedem o carter de imvel: (a) as edificaes que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local; (b) os materiais provisoriamente separados de um pr-dio, para nele se reempregarem. Para esta situ-ao, considera-se a finalidade da separao, a destinao dos materiais. Logo, o que se retira de um prdio para novamente nele incorporar, no

    perde, neste lapso, e por efeito legal, a qualidade de bem imvel. De outro lado, em relao aos bens mveis, afirma o art. 84 do CC: Os materiais destinados a alguma construo, enquanto no forem empregados, conservam sua qualidade de mveis; readquirem essa qualidade os prove-nientes da demolio de algum prdio.

    Alternativa d: incorreta; so bens mveis por efeitos legais os direitos reais sobre objetos mveis e as aes correspondentes (CC, art. 83, II).

    08. (TJDFT Juiz Substituto DF/ 2008) Analise as seguintes proposies:

    I. consideram-se imveis para os efeitos legais os direitos reais sobre imvel, como tambm as aes que os asseguram;

    II. considera-se bem mvel para os efeitos legais o direito sucesso aberta;

    III. pode ser cobrada retribuio pelo uso dos bens pblicos do povo, conforme for estabe-lecido legalmente pela entidade a cuja admi-nistrao pertencerem;

    IV. os bens naturalmente divisveis podem tor-nar-se indivisveis por vontade das partes.

    Assinale a alternativa adequada:

    a) apenas uma das proposies verdadeira.

    b) apenas uma das proposies falsa.

    c) todas as proposies so verdadeiras.

    d) todas as proposies so falsas.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra b;

    Item I: verdadeiro; na forma do CC/art. 80, I, consideram-se imveis, para os efeitos legais, os direitos reais sobre imveis e as aes que os asseguram.

    Item II: falso: o direito sucesso aberta para efeitos legais bem imvel (CC/art. 80, II).

    Item III: verdadeiro; pelo art. 103 do CC, o uso comum dos bens pblicos pode ser gratuito ou retribudo, conforme for estabelecido legal-mente pela entidade a cuja administrao per-tencerem.

    Item IV: verdadeiro; o bem pode ser indivis-vel por sua natureza, determinao legal ou por vontade das partes. Segundo o art. 88 do CC, os

  • 262 Ronaldo Vieira Francisco

    bens naturalmente divisveis podem tornar-se indivisveis por determinao da lei ou por von-tade das partes. Tratando-se de condomnio, podem os condminos acordar que fique indi-visa a coisa comum por prazo no maior de cinco anos, suscetvel de prorrogao ulterior. E ainda, no poder exceder de cinco anos a indiviso estabelecida pelo doador ou pelo testador (CC, arts. 1.320, 1 e 2).

    09. (Cespe Defensor Pblico PI/ 2009) Ao realizar uma reforma de seu imvel, o proprietrio demoliu algumas paredes de sua casa e conser-vou as portas e janelas que estavam ali instaladas, pensando em revend-las, j que eram muito antigas e bastante valiosas.

    Nesse caso, as referidas portas e janelas so consideradas

    a) bens mveis, porque so decorrentes de demolio.

    b) bens imveis, porque foram apenas proviso-riamente retiradas para serem empregadas em um bem da mesma natureza.

    c) pertenas, porque, de modo ideal, sempre estaro agregadas a um bem imvel.

    d) bens imveis por fora de fico legal, em funo do seu alto valor em relao ao bem principal.

    e) bens mveis por antecipao, porque, apesar de ligadas ao imvel, passaram a ser objeto de negcio separado.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra a.

    Alternativa a: correta; no perde a carac-terstica de imvel os materiais provisoriamente separados de um prdio para nele se reemprega-rem (CC/art. 81, II); j se esses materiais advirem de prdio demolido, passam a categoria de bens mveis (CC/art. 84, parte final).

    Alternativa b: incorreta; pela leitura do enunciado, as portas e janelas sero vendidas em razo da antiguidade que ostentam; portanto, falta o elemento anmico do reemprego delas no prdio (CC/art. 81, II).

    Alternativa c: incorreta; as portas e jane-las no so pertenas; preceitua o CC/art. 93 que so pertenas os bens que, no constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao

    uso, ao servio ou ao aformoseamento de outro.. Na lio de Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, pertenas so as coisas auxiliares das outras, e no se confundem, necessariamente, com as coisas acessrias, visto que a definio de pertena no pressupe que sua existncia esteja subordinada do principal (Junior, Nelson Nery e outra Cdigo Civil Comentado RT 8 edio So Paulo 2011). A regra da gravitao jurdica, segundo a qual o acessrio segue o principal, no vlida quanto s pertenas, instituto inclu-do pelo Cdigo Civil no rol dos bens acessrios, mas que com eles no se confunde; as pertenas so autnomas e individuais em relao a coisa principal, e se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao aformoseamento de outro; como exemplo, as maquinas agrcolas de uma fazenda, a decorao de uma casa ou o DVD de um veculo; quanto s janelas e portas de uma casa, porque sem elas a casa perde sua caracte-rstica, so consideradas parte integrante.

    Alternativa d: incorreta; pelo art. 84, segunda parte do CC, os materiais destinados a alguma construo, enquanto no forem empre-gados, conservam sua qualidade de mveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolio de algum prdio. Logo, as janelas e portas com a demolio do prdio passaram a ser mveis.

    Alternativa e: incorreta; bens mveis por antecipao so aqueles empregados no solo com a finalidade de retir-los no momento opor-tuno; tambm o so aqueles bens vendidos com a finalidade de demolio; a situao descrita no se coaduna com esse conceito jurdico.

    10. (Cespe Defensor Pblico ES/ 2009) De acordo com o Cdigo Civil, julgue o item seguinte: Os direitos reais sobre imveis e as aes que os asseguram, bem como o direito sucesso aberta, so considerados bens imveis para os efeitos legais, de acordo com o Cdigo Civil.

    COMENTRIOS

    Item: certo.

    Anlise da questo: os bens imveis so classificados em imveis por natureza, aces-so natural, acesso artificial ou industrial e por determinao legal. (CC/art. 79-81). So bem imveis por determinao ou para efeitos legais, segundo o art. 80, I e II: (a) os direitos reais sobre imveis e as aes que os asseguram; (b) o direito sucesso aberta.

  • Captulo VI Bens 263

    11. (FMP Procurador do Estado AC/2014) Consideram-se bens mveis:

    a) o que for artificialmente incorporado ao solo.

    b) as aes que versarem sobre bens imveis.

    c) os materiais destinados a uma construo enquanto no forem utilizados.

    d) os materiais provisoriamente separados de um prdio para nele se reempregarem.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra c.

    Alternativa a: incorreta; so bens imveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente (CC, art. 79).

    Alternativa b: incorreta; consideram-se imveis para os efeitos legais os direitos reais sobre imveis e as aes que os asseguram (CC, art. 80, I).

    Alternativa c: correta; de acordo com o art. 84 do CC: Os materiais destinados a alguma construo, enquanto no forem empregados, conservam sua qualidade de mveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolio de algum prdio. Segundo Maria Helena Diniz, os materiais empregados numa construo, como madeira, telhas, esquadrias, pedras, azulejos, tijolos, enquanto no aderirem ao prdio, cons-tituindo parte integrante do imvel, conserva-ro a natureza de bens mveis por natureza. Se alguma edificao for demolida, os materiais de construo readquiriro a qualidade de mveis, porque no mais participao da natureza do principal [...] se o material de construo separar--se temporariamente do prdio que est sendo reformado, p. ex, continuar sendo bem imvel, uma vez que a destinao continuar a fazer parte do mesmo edifcio (CC, art. 81, II) (Cdigo Civil Anotado, 16 ed, Saraiva, 2012, pg. 160).

    Alternativa d: incorreta; no perdem o carter de imveis os materiais provisoriamente separados de um prdio, para nele se reempre-garem (CC, art. 81, II).

    12. (FURMARC Procurador do Estado MG/ 2012) Assinale, dentre as alternativas abaixo, qual se refere a bem imvel:

    a) os direitos reais sobre objetos mveis e as aes correspondentes

    b) os direitos pessoais de carter patrimonial e respectivas aes

    c) as energias que tenham valor econmico

    d) o direito sucesso aberta

    e) os bens suscetveis de movimento prprio ou de remoo por fora alheia, sem alterao da substncia ou destinao econmico-so-cial

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra d

    Alternativa a: incorreta; os bens mveis, logicamente, no so imveis, at mesmo pela sede diversa de tratamento, conforme os arts. 79 a 81 e 82 a 84 do CC.

    Alternativa b: incorreta; os direitos pes-soais de carter patrimonial e respectivas aes so bens mveis por determinao legal (CC, art. 83, III).

    Alternativa c: incorreta; as energias que tenham valor econmico so bens mveis por determinao legal (CC, art. 83, I).

    Alternativa d: a opo correta; a respeito dos bens imveis dispe os arts. 79 a 81 do CC. So classificados em: 1) imveis por natureza; 2) imveis por acesso fsica artificial; 3) imveis por determinao legal, que compreende: 3.1) os direitos reais sobre imveis e as aes que os asse-guram; 3.2) o direito sucesso aberta.

    Alternativa e: incorreta; so mveis os bens suscetveis de movimento prprio ou de remoo por fora alheia, sem alterao da subs-tncia ou da destinao econmico-social; semo-ventes so os bens mveis; propriamente ditos, aqueles sujeitos remoo por fora alheia. Clas-sificam-se, ainda, em: 1) mveis por natureza; 2) mveis por antecipao; 3) mveis por determi-nao legal.

    13. (PGE/PA Procurador do Estado PA/ 2009) Analise as proposies abaixo e assinale a alternativa CORRETA:

    a) Os bens pertencentes a sociedades de eco-nomia mista so considerados como priva-dos, salvo expressa disposio legal em con-trrio.

    b) So pertenas as mquinas utilizadas em uma fbrica, pois se destinam, de modo dura-douro, ao servio, de tal sorte que os neg-

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    cios jurdicos que digam respeito ao principal as abrangem, salvo manifestao expressa em contrrio das partes.

    c) Constitui benfeitoria til a construo de um galpo, contguo casa, para ser utilizado como depsito.

    d) Consideram-se bens mveis, para os efeitos legais, as energias que tenham valor econ-mico, os direitos reais sobre objetos mveis e as aes correspondentes, bem como os direitos pessoais de carter patrimonial e as respectivas aes.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra d.

    Alternativa a: incorreta; as sociedades de economia mista segundo a CF/art. 173, 1, II, sujeitam-se ao regime jurdico prprio das empresas privadas; apesar disso, de acordo com o CC, art. 99, pargrafo nico, no dispondo a lei em contrrio, consideram-se dominicais os bens pertencentes s pessoas jurdicas de direito pblico a que se tenha dado estrutura de direito privado.

    Alternativa b: incorreta; a regra da gravi-tao jurdica, segundo a qual o acessrio segue o principal, no se aplica s pertenas; assim, os negcios jurdicos que dizem respeito ao bem principal no abrangem as pertenas, salvo se o contrrio resultar da lei, da manifestao de von-tade ou das circunstncias do caso (CC, art. 94).

    Alternativa c: incorreta; benfeitorias teis so as que aumentam ou facilitam o uso do bem; volupturias, as de mero deleite ou recreio, que no aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradvel ou sejam de elevado valor, isto , tm por escopo dar comodidade; assim, tal galpo constitui benfeitoria voluptu-ria (CC/art. 96, 1 e 2).

    Alternativa d: a opo correta; os bens mveis por determinao, definio ou efeito legal, so: 1) as energias que tenham valor eco-nmico; 2) os direitos reais sobre objetos mveis e as aes correspondentes; 3) os direitos pes-soais de carter patrimonial e respectivas aes (CC, art. 83, I a III).

    14. (Cespe Procurador do Estado PI/ 2008) Em relao aos bens jurdicos, assinale a opo correta.

    a) O direito sucesso aberta considerado como bem imvel, ainda que a herana seja formada por bens mveis ou abranja apenas direitos pessoais.

    b) So pertenas os bens acessrios que se incorporam ao bem principal para que este atinja suas finalidades. Os negcios jurdicos que dizem respeito ao bem principal abran-gem as pertenas, pois essas no podem ser negociadas autonomamente.

    c) Infungveis so os bens mveis que no se identificam pela sua individualidade, mas pela quantidade. Por isso, podem ser fracio-nados em partes distintas, sem alterao de suas qualidades essenciais e sem prejuzo ao uso a que se destinam.

    d) Bens mveis por antecipao so aqueles que eram imveis, mas que foram mobili-zados por uma interveno humana. Essa mudana de natureza, no entanto, no dis-pensa os requisitos para a transmisso da propriedade imvel.

    e) Os bens dominicais so bens pblicos dispo-nveis utilizao direta e imediata do povo ou dos usurios de servios, no se subme-tendo a qualquer tipo de discriminao ou fruio.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra a.

    Alternativa a: a opo correta; a respeito dos bens imveis dispe os arts. 79 a 81 do CC. So classificados em: 1) imveis por natureza; 2) imveis por acesso fsica artificial; 3) imveis por determinao legal, que compreende: 3.1) os direitos reais sobre imveis e as aes que os asse-guram; 3.2) o direito sucesso aberta.

    Alternativa b: incorreta; na lio de Nel-son Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery: pertenas so as coisas auxiliares das outras, e no se confundem, necessariamente, com as coi-sas acessrias, visto que a definio de pertena no pressupe que sua existncia esteja subordi-nada do principal (Junior, Nelson Nery e outra Cdigo Civil Comentado RT 8 edio So Paulo 2011). A regra da gravitao jurdica, segundo a qual o acessrio segue o principal, no vlida quanto s pertenas. As pertenas so autnomas e individuais em relao coisa principal, e se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao aformoseamento de outro.

  • Captulo VI Bens 265

    Assim, os negcios jurdicos que dizem respeito ao bem principal no abrangem as pertenas, salvo se o contrrio resultar da lei, da manifes-tao de vontade ou das circunstncias do caso (CC, art. 94).

    Alternativa c: incorreta; infungveis so os mveis ou imveis que em razo da qualidade individual no se podem substituir por outro da mesma espcie, qualidade e quantidade (CC/art. 85). O fracionamento uma caracterstica dos bens divisveis e indivisveis.

    Alternativa d: incorreta; bens mveis por antecipao so aqueles imveis mobilizados pela vontade humana, em funo de uma fina-lidade econmica, por exemplo, rvores, frutos, pedras e metais, aderentes ao imvel, so im-veis; separados, para fins humanos, tornam-se mveis (Maria Helena Diniz). Assim, sua alienao pode ocorrer por instrumento particular, sem a necessidade de se levar ao Registro Imobilirio ou de outorga uxria.

    Alternativa e: incorreta; os bens pblicos dominicais so os que constituem o patrimnio das pessoas jurdicas de direito pblico, como objeto de direito pessoal ou real de cada uma dessas entidades; tais bens no se confundem com os de uso comum do povo, como as praas e as ruas, ou com aqueles de uso especial, afetados ao servio ou estabelecimento da administrao federal, estadual, territorial ou municipal, inclu-sive os de suas autarquias (CC/art. 99, I, II e III). Quanto ao titular do domnio, os bens so classi-ficados entre pblico e privado.

    15. (FCC Procurador do Estado AM / 2010) So imveis por definio legal:

    a) o direito sucesso aberta e os direitos reais sobre bens imveis.

    b) somente os direitos reais sobre bens imveis e as aes que os asseguram.

    c) tudo quanto se incorpora natural ou artifi-cialmente ao solo.

    d) os materiais separados de um prdio para nele ou em outro prdio serem reemprega-dos.

    e) somente os bens mveis pertencentes herana, enquanto no for partilhada.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra a.

    Alternativa a: correta; a respeito dos bens imveis disciplinam os arts. 79 a 81 do CC. So eles classificados em: (1) imveis por natureza; (2) imveis por acesso fsica artificial; (3) im-veis por determinao legal, que compreendem: (3.1) os direitos reais sobre imveis e as aes que os asseguram; (3.2) o direito sucesso aberta. Portanto, os direitos negritados so im-veis por definio legal.

    Alternativa b: incorreta; ficou de fora desta assero o direito sucesso aberta (CC/art. 80, I).

    Alternativa c: incorreta; so (1 bens imveis o solo) e (2 tudo quanto se lhe incorpo-rar natural ou artificialmente); na 1 parte, so os bens imvel por sua natureza; na 2, por acesso fsica ou artificial (CC, art. 79). Assim, nem uma e nem outra classe pertence aos imveis por defi-nio legal os quais, alis, constam de preceito diverso (CC, art. 80, I e II).

    Alternativa d: incorreta; por fico, os materiais provisoriamente separados de um pr-dio para nele se reempregarem no perdem o carter de imvel; se os materiais forem empre-gados em outro prdio, haver mobilizao por perder, temporariamente, sua imobilidade.

    Alternativa e: incorreta; o direito suces-so aberta, ainda que formado por bens mveis, por definio legal, ser considerado imvel; incorreta a alternativa, porque o advrbio somente excluiu a existncia de outros bens imveis por lei.

    2.1.2. BENS DIVISVEIS E INDIVISVEIS

    16. (FCC Juiz de Direito Substituto PE/2013) Os bens naturalmente divisveis podem tornar-se indivis veis

    a) por vontade das partes, no podendo exce-der de cinco anos a indiviso estabelecida pelo doador ou pelo testador.

    b) por vontade das partes, que no podero acord-la por prazo maior de cinco anos, insuscetvel de pror rogao ulterior.

    c) apenas por disposio expressa de lei.

    d) por disposio expressa de lei ou pela von-tade das partes, desde que, neste caso, o prazo de obrigato riedade da indiviso no ultrapasse dez anos.

    e) apenas pela vontade das partes.

  • 266 Ronaldo Vieira Francisco

    COMENTRIOS

    Nota do autor: bens indivisveis so aque-les que no podem ser fracionados sem alterao de sua substncia, ou seja, se divididos, sofrero perda de identidade ou de valor econmico. Entretanto, pelo art. 88 do CC, os bens natural-mente divisveis podem tornar-se indivisveis por determinao da lei ou por vontade das partes. Sendo assim, os bens so indivisveis: (A) por natureza; (B) por determinao legal; (C) por vontade das partes. Neste caso, pelo art. 1.320 do CC, podem os condminos acordar que fique indivisa a coisa comum por prazo no maior de cinco anos, suscetvel de prorrogao ulterior. E, ainda, no poder exceder de cinco anos a indiviso estabelecida pelo doador ou pelo tes-tador (CC, art. 1.320, 1 e 2).

    Alternativa correta: letra a.

    Alternativa a: correta; pelo art. 88 do CC, os bens naturalmente divisveis podem tornar-se indivisveis por determinao da lei ou por von-tade das partes. Em tal caso, dispe o art. 1.320, 2, do CC, no poder exceder de cinco anos a indiviso estabelecida pelo doador ou pelo tes-tador.

    Alternativa b: incorreta; a indivisibili-dade do bem por vontade das partes admi-tida no art. 88 do CC. O acordo para que a coisa comum fique indivisa permitido por prazo no maior de cinco anos, suscetvel de prorrogao ulterior (CC, art. 1.320, 1).

    Alternativa c: incorreta; a indivisibilidade do bem de sua prpria natureza, decorrente da lei e da vontade das partes.

    Alternativa d: incorreta; a indivisibili-dade, conforme anotamos, deriva da natureza do bem, da lei e da vontade das partes. Quanto estabelecida por esta ltima forma, legtimo por prazo no maior de cinco anos, suscetvel de prorrogao ulterior (CC, art. 1.320, 1).

    Alternativa e: incorreta; segundo os arts. 87 e 88 do CC, os bens sero indivisveis por natu-reza, por determinao legal e por vontade das partes.

    17. (TJ/SC Juiz Substituto SC/ 2009) Assinale a alternativa INCORRETA:

    a) teis so as benfeitorias que aumentam ou facilitam o uso do bem.

    b) O bem naturalmente divisvel s pode se tor-nar indivisvel por disposio legal.

    c) Considera-se imvel qualquer material reti-rado temporariamente de uma edificao para nela ser reempregado.

    d) Ainda que no separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negcio jurdico.

    e) Considera-se posse de boa-f quando o possuidor ignora o vcio ou o obstculo que impede a aquisio da coisa.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra b.

    Alternativa a: correta; as benfeitorias so classificadas em teis, necessrias e volupturias; so teis as que aumentam ou facilitam o uso do bem (CC, art. 96, 2).

    Alternativa b: incorreta; os bens podem ser indivisveis por natureza, determinao legal ou por vontade das partes. Por conseguinte, se naturalmente divisvel, podem tornar-se indivis-veis por determinao da lei ou por vontade das partes (CC, art. 88).

    Alternativa c: correta; no perde a carac-terstica de imvel os materiais provisoriamente separados de um prdio para nele se reemprega-rem (CC/art. 81, II); j se esses materiais advirem de prdio demolido, passam categoria de bens mveis (CC/art. 84, parte final).

    Alternativa d: correta; estatui o CC/art. 95 que apesar de ainda no separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de negcio jurdico; frutos so as utilidades peri-dicas do bem, sem diminuio de sua substn-cia; classificam-se em naturais, industriais, civis, pendentes, percebidos, estantes, percipiendos e consumidos; produtos so utilidades que dimi-nuem a substncia do bem (ex. jazidas).

    Alternativa e: correta; a posse de boa-f se o possuidor ignora o vcio ou o obstculo que impede a aquisio da coisa; (CC/art. 1.201).

    18. (FCC Juiz Substituto AP/ 2009) Os bens naturalmente divisveis podem tornar-se indivis-veis

    a) exclusivamente se comprometer sua utili-dade eco nmica, como se verifica no estabe-lecimento, por lei, de parcela mnima de fra-cionamento dos imveis rurais ou urbanos.

  • Captulo VI Bens 267

    b) apenas em razo de clusula testament-ria ou de contrato de doao, no podendo exceder o prazo de dez anos.

    c) por vontade das partes, porm o acordo no pode estabelecer prazo maior do que cinco anos para a indiviso, suscetvel de prorroga-o ulterior.

    d) perpetuamente, em razo de disposio tes-tamentria.

    e) apenas em razo de disposio legal, para atender o interesse pblico.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra c.

    Alternativa a: incorreta; pelo art. 88 do CC, os bens naturalmente divisveis podem tor-nar-se indivisveis por determinao da lei ou por vontade das partes. Os bens indivisveis por sua natureza so aqueles que no podem ser parti-dos sem alterao na sua substncia ou no seu valor.

    Alternativa b: incorreta; o bem natural-mente divisvel pode tornar-se indivisvel por determinao legal ou vontade das partes. Se a indiviso for estabelecida pelo doador ou pelo testador, no poder exceder de cinco anos (CC, art. 1.320, 2).

    Alternativa c: correta; de acordo com o CC/art. 1.320, 1, a indiviso por prazo no maior de cinco anos suscetvel de prorrogao ulterior.

    Alternativa d: incorreta; pelo do CC/art. 1.320, 2, no poder exceder de cinco anos a indiviso estabelecida pelo doador ou pelo tes-tador. Sendo assim, limitada e no perpetua a indivisibilidade disposta em testamento.

    Alternativa e: incorreta; os bens indivis-veis so classificados em razo da natureza, deter-minao legal ou vontade das partes.

    19. (Cespe Procurador do Estado AL/ 2008) No que tange s disposies legais sobre os bens, assinale a opo correta.

    a) Entre os critrios utilizados pela lei para defi-nir o bem indivisvel encontra-se o do valor econmico.

    b) Embora o Cdigo Civil distinga bens mveis de imveis, tal distino no comporta importncia prtica.

    c) Os bens coletivos podem constituir-se em universalidade de fato, mas no em universa-lidade de direito.

    d) Embora as pertenas no se destinem, de modo duradouro, ao uso, ao servio, ou ao aformoseamento de um bem, constituem partes integrantes do bem.

    e) Os frutos e produtos somente podero ser objeto de negcio jurdico aps separados do bem principal, sob pena de nulidade.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra a.

    Alternativa a: correta; bens divisveis so os que se podem fracionar sem alterao na sua substncia, diminuio considervel de valor ou prejuzo do uso a que se destinam. Os bens divisveis podem perder essa caracterstica, tor-nando-se indivisveis por determinao legal ou vontade das partes. Classificam-se, assim, os bens indivisveis por sua: 1) natureza; 2) determinao legal ou 3) vontade das partes; de fato, um dos cri-trios para se aferir a indivisibilidade do bem sua perda econmica.

    Alternativa b: incorreta; a distino dos bens entre mveis e imveis possui importncia prtica, tendo em vista que se diferenciam espe-cialmente quanto aos modos de aquisio, perda e outras caractersticas individuais de cada um.

    Alternativa c: incorreta; os bens coleti-vos ou universais podem ser: 1) universalidade de fato: que significa a pluralidade de bens singu-lares que, pertinentes mesma pessoa, tenham destinao unitria, observando-se que tais bens podem ser objeto de relaes jurdicas prprias; 2) universalidade de direito: caracterizado como o complexo de relaes jurdicas de uma pessoa, dotadas de valor econmico. Recordamos o teor do Enunciado 288: A pertinncia subjetiva no constitui requisito imprescindvel para a configura-o das universalidades de fato e de direito.

    Alternativa d: incorreta; ao contrrio do que consta da assertiva, pertenas so os bens que, no constituindo partes integrantes, se des-tinam, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao aformoseamento de outro (CC, art. 93).

    Alternativa e: incorreta; apesar de ainda no separados do bem principal, os frutos e pro-dutos podem ser objeto de negcio jurdico. (CC, art. 95).

  • 268 Ronaldo Vieira Francisco

    2.1.3. BENS SINGULARES E COLETIVOS

    20. (MPF Procurador da Repblica/2006) LEIA COM ATENO AS PROPOSIES ABAIXO:

    I. Nos termos da doutrina prevalente, a herana uma universalidade de direito e no uma universalidade de fato;

    II. As obrigaes alternativas se resumem, em verdade, em obrigaes facultativas;

    III. correto afirmar no alcanarem os arts. 1.033 e seguintes do Cdigo Civil a chamada dissoluo parcial da sociedade.

    Dentre as proposies acima:

    a) apenas esto corretas a I e a II;

    b) apenas esto corretas a I e a III;

    c) apenas esto corretas a II e a III;

    d) nenhuma das proposies correta.

    COMENTRIOS

    Nota do autor: bens singulares, pelo art. 89 do CC, so aqueles que, embora reuni-dos, so considerados de per si, independente dos demais. Podem ser: (i) simples (formam um todo homogneo) e (II) compostos (formado de partes heterogneas). Os bens coletivos ou universais so os constitudos por vrias coisas singulares, consideradas em conjunto, formando um todo nico, que passa a ter individualidade prpria, distinta da de seus objetos componen-tes, que conservam sua autonomia funcional. Pelo Enunciado 288: A pertinncia subjetiva no constitui requisito imprescindvel para a configura-o das universalidades de fato e de direito. A uni-versalidade de fato a pluralidade de bens sin-gulares, corpreos e homogneos, ligadas entre si pela vontade humana para a consecuo de um fim. Segundo o art. 90 do CC, constitui univer-salidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes mesma pessoa, tenham des-tinao unitria. Se no pertencerem mesma pessoa, fsica ou jurdica, no se ter universali-dade de fato, em funo da reunio ocasional. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relaes jurdicas prprias (CC, art. 90, pargrafo nico). A universalidade de direito constituda por bens singulares corpreos hete-rogneos ou incorpreos, a que a norma jurdica, com o intuito produzir certos efeitos, confere unidade, por serem dotados de valor econ-mico (Maria Helena Diniz, Cdigo Civil Anotado,

    Saraiva, So Paulo, 2012, pag. 164). Estabelece o art. 91 do CC que constitui universalidade de direito o complexo de relaes jurdicas de uma pessoa, dotadas de valor econmico.

    Alternativa correta: letra b

    Item I: correto; a classificao dos bens im-veis baseia-se no que dispe o CC/art. 79 e 80; os bens so imveis por natureza (solo, p. ex.); acesso natural (rvores, mesmo que plantadas pelo homem no solo; se essas rvores forem des-tinadas ao corte, como eucalipto, so chamadas de mveis por antecipao); acesso artificial ou industrial (tudo que o homem incorpora definiti-vamente, como as construes) e por determina-o legal (em razo da maior segurana buscada pelo legislador, so imveis os direitos reais sobre tais bens e as aes que os asseguram e o direito sucesso aberta, conforme o CC/art. 80, I e II). J com relao classificao dos bens entre singula-res e coletivos ou universais, h previso legal da universalidade de fato e de direito; singulares so os bens considerados de per si e independente dos demais, embora reunidos; universalidade de fato o bem que se constitui de vrios singula-res, formando um conjunto que se considera um todo nico; universalidade de direito o com-plexo de relaes jurdicas de uma pessoa, dota-das de valor econmico; a herana se constitui de um conjunto de direitos e obrigaes, razo pela qual uma universalidade de direito, e bem im-vel, conforme classificao anterior (CC/art. 89 a 91); segundo o Enunciado 288 da IV Jornada de Direito Civil do CJF: A pertinncia subjetiva no constitui requisito imprescindvel para a configura-o das universalidades de fato e de direito.

    Item II: incorreto; os elementos das obriga-es so em nmero de trs: (1) o sujeito ativo e o passivo; (2) o vnculo jurdico e (3) objeto. Se todos estes elementos forem nicos, a obrigao simples; se houver multiplicidade de quaisquer deles, a obrigao complexa ou composta; as obrigaes de vrios objetos so disjuntivas ou alternativas (com multiplicidade de objetos ou prestaes possveis, das quais uma ser a esco-lhida para pagamento ao sujeito ativo). A concen-trao ou escolha da prestao cabe ao devedor, salvo se estipulado diversamente, diz o art. 252 do CC, e cumulativas ou conjuntivas (nestas todas as mltiplas prestaes devero ser cumpridas). Nas obrigaes facultativas no h pluralidade, mas faculdade ao devedor de substituir o objeto principal por outro diverso e previsto ou prede-

  • Captulo VI Bens 269

    terminado; destacamos que ao credor no se abre a faculdade, mas unicamente ao devedor, que poder cumprir a obrigao principal ou a subsidiria e facultativa; assim, a obrigao alter-nativa no facultativa, pois esta no com-posta ou complexa como aquela, mas simples.

    Item III: correto; as disposies do CC/art. 1.033 e seguintes referem-se dissoluo total da sociedade, seja de pleno direito ou por causas judiciais ou contratuais.

    21. (TJDFT Juiz de Direito Substituto TJDFT/ 2012) Em ateno ao que o Cdigo Civil estabe-lece sobre as pessoas e os bens, analise as propo-sies abaixo e assinale a alternativa correta.

    I. O Cdigo Civil veda a desapropriao de bem imvel do ausente.

    II. Os bens que formam a universalidade de fato podem ser objeto de relaes jurdicas pr-prias.

    III. Nas associaes h direitos e obrigaes rec-procos entre os associados.

    IV. Tornando-se ilcita a finalidade a que visa a fundao, apenas o Ministrio Pblico pode promover a sua extino.

    a) Apenas as proposies II e IV esto corretas.

    b) Apenas a proposio II est correta.

    c) Apenas as proposies III e IV esto corretas.

    d) Apenas as proposies I, II e IV esto corretas.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra b.

    Item I: incorreto; pelo art. 31 do CC, os imveis do ausente s se podero alienar, no sendo por desapropriao, ou hipotecar quando o ordene o juiz para lhes evitar a runa. Dessa maneira, os imveis do ausente, no s os arreca-dados, mas tambm os convertidos por venda de mveis (CC, art. 29), no podero ser alienados, exceto em caso de desapropriao, ou hipoteca-dos, por ordem judicial, para lhes evitar a runa, preservando o patrimnio do ausente, ante a eventualidade de seu retorno.

    Item II: correto; pelo art. 90, pargrafo nico, do CC, os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relaes jurdicas prprias.

    Item III: incorreto; pelo art. 53, pargrafo nico, do CC, no h, entre os associados, direi-tos e obrigaes recprocos.

    Item IV: incorreto; pelo art. 69 do CC, tor-nando-se ilcita, impossvel ou intil a finalidade a que visa a fundao, ou vencido o prazo de sua existncia, o rgo do Ministrio Pblico ou qualquer interessado lhe promover a extin-o, incorporando-se o seu patrimnio, salvo disposio em contrrio no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundao, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante.

    2.2. BENS RECIPROCAMENTE CONSIDERA-DOS

    2.2.1. BENS PRINCIPAIS E ACESSRIOS

    22. (EJEF Juiz Substituto MG/ 2009) Prin-cipal o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessrio, aquele cuja existncia supe a do principal (art. 92 do Cdigo Civil). A lei estabelece um vnculo entre o bem principal e o acessrio. Relativamente a este ltimo, o bem acessrio, CORRETO afirmar que:

    a) A relao de acessoriedade s existe entre coisas.

    b) A relao de acessoriedade existe entre coi-sas e direitos.

    c) Apenas os bens mveis podem ser acess-rios.

    d) As relaes obrigacionais no podem ser acessrias.

    COMENTRIOS

    Nota do autor: os bens reciprocamente con-siderados so os seguintes: (1) bens principais; (2) bens acessrios e suas classes; (2.1) frutos; (2.2) produtos; (2.3) pertenas; (2.4) benfeitorias. A esse respeito, os arts. 92 a 97 do CC. Prescreve o art. 92 do CC que principal o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessrio, aquele cuja existncia supe a do principal. Em funo do princpio da gravitao jurdica, como regra, o acessrio segue o destino do principal, salvo disposio em contrrio. Como decorrncia do princpio, ainda, a natureza do acessrio a mesma do principal e o proprietrio do princi-pal tambm o ser do acessrio. Por outro lado, na classe dos bens acessrios, destacam-se os produtos e os frutos. Pelo art. 95 do CC, apesar de ainda no separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto de neg-cio jurdico. Produtos so as utilidades da coisa

  • 270 Ronaldo Vieira Francisco

    que lhe diminui a quantidade, porque no se reproduzem periodicamente, como as pedras e os metais, que se extraem de pedreiras e minas. Frutos so as utilidades peridicas da coisa, que no lhe alteram a substncia, sendo desta sepa-rveis. Podem ser naturais, industriais ou civis. Quanto ao estado, so pendentes, percebidos ou colhidos, estantes, percipiendos e consumidos.

    Alternativa correta: letra b.

    Alternativa a: incorreta; a relao entre principal e acessrio objeto de diversos dis-positivos legais, possuindo aplicao difusa no CC/2002, conforme apontamentos constantes da nota do autor. Assim sendo, a acessoriedade pode existir entre coisas e entre direitos, pesso-ais ou reais.

    Alternativa b: correta; a relao entre principal e acessrio no se esgota em matria de bens, alcanando direitos.

    Alternativa c: incorreta; a natureza do acessrio segue a do principal, de forma que, se um bem principal for imvel, seu acessrio ter a mesma essncia, comunicando-lhe seu regime jurdico.

    Alternativa d: incorreta; importante exemplo o CC/art. 184, pelo qual a invalidade da obrigao principal implica a das obrigaes acessrias, mas a destas no induz a da obriga-o principal.

    2.2.2. PERTENAS

    23. (FMP MP AC/2008) Com relao aos bens reciprocamente considerados, podemos afirmar que

    a) o bem acessrio no alcanado pela sorte do principal.

    b) parte integrante e acessrio so expresses sinnimas.

    c) os frutos e produtos s podem ser objeto de negcio, uma vez separados do bem princi-pal.

    d) o tratamento da pertena, no CC/02, repre-senta uma inverso da regra de que o acess-rio segue o principal.

    COMENTRIOS

    Nota do autor: ainda no rol dos bens aces-srios, as pertenas so os bens mveis que, no

    constituindo parte integrante, como so os fru-tos, produtos e benfeitorias, esto afetados, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao afor-moseamento de outro, como um trator de uma propriedade rural (CC, art. 93). Pelo art. 94 do CC, os negcios jurdicos que dizem respeito ao bem principal no abrangem as pertenas, salvo se o contrrio resultar da lei, da manifestao de von-tade ou das circunstncias do caso; logo, a regra de que o acessrio segue o principal no se aplica s pertenas. As pertenas so bens acessrios que se acrescem coisa principal, da serem con-sideradas como res anexa (coisa anexada). Assim, so bens acessrios sui generis destinados, de modo duradouro, a conservar ou facilitar o uso ou prestar servio ou, ainda, a servir de adorno do bem principal sem ser parte integrante. Dessa forma, no integram fisicamente o bem, apenas melhoram seu aproveitamento, utilidade ou apa-rncia. Mesmo que acessrio, as pertenas con-servam sua individualidade e autonomia. As par-tes integrantes so acessrios que, unidos ao principal, formam com ele um todo, sendo des-providos de existncia material prpria, embora mantenham sua identidade, como por exemplo, as rodas de um veculo.

    Alternativa correta: letra d

    Alternativa a: incorreta; como regra, o destino do acessrio segue o principal (acess-ssorium sequitur suum principale princpio da gravitao jurdica). H excees, convencionais e legais; a esse respeito, o CC, art. 1.284, segundo o qual os frutos pertencem ao dono do solo onde carem, e no ao dono da rvore.

    Alternativa b: incorreta; necessrio dis-tinguir parte integrante, acessrios e pertenas; o primeiro constitui parte de um todo, como as rodas de um veculo; o segundo, aqueles sem existncia prpria, como a rvore em relao ao solo; por fim o ltimo, os que se destinam ao uso, ao servio ou aformoseamento, como o DVD de um automvel; portanto, acessrio e parte inte-grante so distintos, porque este serve para com-por o bem principal, integrando-o; no CC, ver art. 93.

    Alternativa c: incorreta; os frutos e pro-dutos podem ser objeto de negcio jurdico, mesmo que no separados do principal; produtos so os aproveitamentos da coisa, diminuindo-lhe a quantidade, porque no se renovam periodi-camente, como os minrios que se retiram das jazidas; frutos, os que se reproduzem periodica-

  • Captulo VI Bens 271

    mente; os frutos se classificam quanto origem em naturais, industriais e civis; Clovis Bevilqua ainda classifica os frutos, quanto ao seu estado, em pendentes, percebidos ou colhidos, estantes, percipiendos e consumidos; expresso o art. 95 do CC a respeito da possibilidade de negcio jurdico quanto aos produtos e frutos pendentes, ou seja, ainda fisicamente ligados ao bem prin-cipal.

    Alternativa d: correta; pelo art. 93 do CC, so pertenas os bens que, no constituindo partes integrantes, se destinam, de modo dura-douro, ao uso, ao servio ou ao aformoseamento de outro. De acordo com a doutrina de Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery: per-tenas so as coisas auxiliares das outras, e no se confundem, necessariamente, com as coisas aces-srias, visto que a definio de pertena no pres-supe que sua existncia esteja subordinada do principal (Junior, Nelson Nery e outra Cdigo Civil Comentado Rt. 8 edio So Paulo 2011). A regra da gravitao jurdica, segundo a qual o acessrio segue o principal, no vlida quanto s pertenas, instituto includo pelo Cdigo Civil no rol dos bens acessrios, mas que com eles no se confunde; assim, um trator que componha o acervo de mquinas de uma pro-priedade rural no seguir a sorte da compra e venda da propriedade, porque no acessrio desta, salvo se houver manifestao de vontade nesse sentido, como uma venda de porteira fechada.

    Alternativa d: incorreta; de acordo com o CC/art. 85, so fungveis os mveis que podem substituir-se por outros da mesma espcie, qualidade e quantidade; podem os mveis, por conveno das partes, ter a qualidade alterada de fungveis para infungveis; infungveis so os bens dotados de caractersticas especiais em funo das quais no podem ser substitudos por outros de igual contedo. Com relao aos im-veis, em regra so infungveis, embora excepcio-nalmente se admita a fungibilidade. De acordo com o Clovis Bevilaqua (Teoria Geral do Direito Civil, Livraria Francisco Alves, 2 edio, 1929, pg. 231), infungveis so os bens que, por consistirem em corpo certo, no se prestam a substituio. As obrigaes de fazer podem ser fungveis ou infungveis; ser desta ltima quando a presta-o for executvel somente por quem detenha especial qualidade, e que no possa ser substi-tudo por terceiro (intuito personae ou personals-

    sima); ainda de acordo com Clovis Bevilaqua (op. cit. pg. 233): o direito romano conhecia o fen-meno da fungibilidade dos bens, mas no teve um vocabulrio tcnico prprio com que o designar. Porm, a classificao dos bens em fungveis e infungveis somente surgiu na Idade Mdia.

    24. (CESPE Juiz Federal Substituto 1 regio/2013) A respeito da classificao dos bens, assinale a opo correta.

    a) Uma universalidade de fato um bem cole-tivo cuja natureza no pode ser alterada pela vontade de seu titular.

    b) As pertenas so bens acessrios, embora no acompanhem, como regra, o principal.

    c) A fungibilidade de um bem determinada por sua natureza, portanto um bem fungvel no pode se tornar infungvel por ato de von-tade.

    d) Um bem consumvel quando o seu uso importa imediata perda de sua substncia, podendo-se afirmar que o conceito no guarda relao com a possibilidade de alie-nao.

    e) A indivisibilidade decorrente da natureza ou da lei, sendo impossvel a indivisibilidade por fora da vontade.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra b.

    Alternativa a: incorreta; universalidade de fato a pluralidade de bens singulares, corpreos e homogneos, ligados entre si pela vontade humana para a consecuo de um fim. Segundo o art. 90 do CC, constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes mesma pessoa, tenham destinao unitria. Se no pertencer mesma pessoa, fsica ou jurdica, no se ter universalidade de fato, em funo da reunio ocasional. Os bens que formam essa uni-versalidade podem ser objeto de relaes jurdi-cas prprias (CC, art. 90, pargrafo nico)

    Alternativa b: correta; expressamente dis-pe o art. 94 do CC: Os negcios jurdicos que dizem respeito ao bem principal no abrangem as pertenas, salvo se o contrrio resultar da lei, da manifestao de vontade, ou das circunstn-cias do caso. Portanto, em relao s perten-as, no se aplica a regra da gravitao jurdica, segundo a qual o acessrio segue o destino do

  • 272 Ronaldo Vieira Francisco

    principal. Tal regra aplica-se, unicamente, s par-tes integrantes.

    Alternativa c: incorreta; bens fungveis so os mveis que podem substituir-se por outros da mesma espcie, qualidade e quantidade (CC/art. 85). Contudo, esses bens podem tornar-se infun-gveis, por vontade das partes.

    Alternativa d: incorreta; bens consumveis so os bens mveis cujo uso importa destruio imediata da prpria substncia, sendo tambm considerados tais os destinados alienao (CC/art. 86). Assim, os bens podem ser: (a) consum-veis de fato; (b) consumveis de direito (destinados alienao, consuntibilidade jurdica). Os bens consumveis terminam no primeiro uso. Por outro lado, bens inconsumveis so os que podem ser usados continuamente, possibilitando que se reti-rem todas as suas utilidades sem atingir sua inte-gridade. Coisas inconsumveis podem tornar-se consumveis, a partir do momento que passam a ser destinadas alienao, por exemplo (consun-tibilidade jurdica). A consuntibilidade ou a incon-suntibilidade decorrem da destinao econmi-co-jurdica do bem, e no da natureza da coisa.

    Alternativa e: incorreta; os bens podem ser, ainda, divisveis e indivisveis. Segundo o art. 87 do CC: Bens divisveis so os que se podem fracionar sem alterao na sua substncia, dimi-nuio considervel de valor, ou prejuzo do uso a que se destinam. Por sua vez, afirma o art. 88 do CC: Os bens naturalmente divisveis podem tornar-se indivisveis por determinao da lei ou por vontade das partes. Por conseguinte, os bens indivisveis podem ser: (a) indivisveis por natureza; (b) indivisveis por determinao legal; (c) indivisveis por vontade das partes.

    25. (Cespe Juiz de Direito Substituto-CE/ 2012) Caso uma pessoa adquira um trator para melhor explorar sua propriedade rural, esse bem, de acordo com o Cdigo Civil brasileiro, caracteri-za-se como:

    a) bem infungvel.

    b) bem imvel por determinao legal.

    c) bem imvel por acesso industrial.

    d) benfeitoria.

    e) pertena.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra e.

    Alternativa a: incorreta; bens infungveis so os que, por sua qualidade individual, no podem ser substitudos sem que isso altere seu contedo. Por outro lado, so fungveis os mveis que podem substituir-se por outros da mesma espcie, qualidade e quantidade (CC, 85). Sendo assim, um trator no bem infungvel.

    Alternativa b: incorreta; os bens mveis por determinao legal so aqueles previstos no art. 80, I e II, do CC, que so: a) os direitos reais sobre imveis e as aes que os asseguram; b) o direito sucesso aberta.

    Alternativa c: incorreta; os bens imveis por acesso artificial ou industrial so aqueles que o homem incorporou permanentemente ao solo, como a semente lanada na terra, os edif-cios, as construes, de modo que no se possa retirar sem destruio, modificao, fratura ou dano. As acesses so justaposies ou adern-cias de uma coisa outra, ou seja, pode o homem incorporar bens mveis, como os materiais de construo e sementes ao solo. No entanto, um trator no se justape em uma propriedade rural.

    Alternativa d: incorreta; benfeitorias so obras e despesas que se fazem em bem mvel ou imvel para conserv-lo, melhor-lo ou embele-z-lo, mediante a interveno do proprietrio, possuidor ou detentor.

    Alternativa e: correta; pelo art. 93 do CC, so pertenas os bens que, no constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao aformoseamento de outro. Por conseguinte, um trator ou qualquer mquina agrcola de uma propriedade rural considerada pertena, pois utilizada na explorao da terra.

    26. (FCC Juiz Substituto MS/ 2010) A prop-sito das diferentes classes de bens, correto afir-mar que

    a) os considerados em si mesmos podem ser principais ou acessrios.

    b) os reciprocamente considerados podem ser mveis ou imveis.

    c) os bens naturalmente divisveis no podem ser considerados indivisveis por declarao de vontade das partes, nem por testamento.

    d) os bens fungveis so aqueles cujo uso importa destruio imediata da prpria subs-tncia.

    e) as pertenas so bens acessrios que se des-tinam, de modo duradouro, ao uso, ao ser-vio ou ao aformoseamento de outro.

  • Captulo VI Bens 273

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra e.

    Alternativa a: incorreta; considerados em si mesmos no se confunde com reciprocamente considerados, pois nessa classificao que so diferenciados os bens entre principais e acess-rios (CC/art. 92-97); considerados em si mesmos so os bens classificados em imveis e mveis, fungveis, consumveis, singulares e coletivos.

    Alternativa b: incorreta; a classificao dos bens reciprocamente considerados (CC/art. 92 97) os distingue entre principal e acessrio; principal o bem que tem existncia prpria e concreta, por si s; acessrio aquele cuja exis-tncia supe a do principal.

    Alternativa c: incorreta; de acordo com o CC/art. 88, os bens naturalmente divisveis podem tornar-se indivisveis por determinao da lei ou por vontade das partes.

    Alternativa d: incorreta; os bens fung-veis so os mveis que podem substituir-se por outros da mesma espcie, qualidade e quanti-dade (CC/art. 85); o conceito conferido para tais bens na assertiva o de bens consumveis, assim entendidos os bens mveis cujo uso importa destruio imediata da prpria substncia, sendo tambm considerados tais os destinados aliena-o (CC/art. 86).

    Alternativa e: correta; preceitua o CC/art. 93 que so pertenas os bens que, no cons-tituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao aformosea-mento de outro. Segundo Nelson Nery Junior e Rosa Maria de Andrade Nery, pertenas so as coisas auxiliares das outras, e no se confun-dem, necessariamente, com as coisas acessrias, visto que a definio de pertena no pressupe que sua existncia esteja subordinada do princi-pal (Junior, Nelson Nery e outra Cdigo Civil Comentado RT 8 edio So Paulo 2011). A regra da gravitao jurdica, segundo a qual o acessrio segue o principal, no vlida quanto s pertenas, instituto includo pelo Cdigo Civil no rol dos bens acessrios. As pertenas so autnomas e individuais em relao coisa principal, e se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao aformoseamento de outro; como exemplo, as maquinas agrcolas de uma fazenda, a decorao de uma casa ou o DVD de um veculo. Quanto aos pneus de um carro, por-

    que sem eles o veculo perde sua caracterstica, so considerados parte integrante.

    27. (Cespe Defensor Pblico ES/ 2009) De acordo com o Cdigo Civil, julgue o item seguinte: As pertenas no seguem necessariamente a lei geral de gravitao jurdica, por meio da qual o acessrio sempre seguir a sorte do principal. Por isso, se uma propriedade rural for vendida, desde que no haja clusula que aponte em sentido con-trrio, o vendedor no estar obrigado a entregar mquinas, tratores e equipamentos agrcolas nela utilizados.

    COMENTRIOS

    Item: certo.

    Anlise da questo: segundo o art. 93 do CC, pertenas so bens que se acrescem, como aces-srios, coisa principal, de modo duradouro, a conservar ou facilitar o uso ou prestar servio ou, ainda, a servir de adorno do bem principal, sem ser parte integrante. Assim, no integram fisica-mente o bem, apenas melhoram seu aproveita-mento, utilidade ou aparncia. A outro giro, ape-sar de acessrios, conservam sua individualidade e autonomia. Dessa categoria, por exemplo, o ar condicionado de uma residncia, bem mvel que o proprietrio intencionalmente emprega na coisa, para sua melhor comodidade. Os negcios jurdicos que dizem respeito ao bem principal no abrangem as pertenas, salvo se o contrrio resultar da lei, da manifestao de vontade ou das circunstncias do caso (CC, art. 94). Logo, a regra da gravitao jurdica inaplicvel s pertenas. Pelo Enunciado 11: No persiste no novo sistema legislativo a categoria dos bens imveis por acesso intelectual, no obstante a expresso tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente, cons-tante da parte final do art. 79 do Cdigo Civil. Pelo Enunciado 535: Para a existncia da pertena, o art. 93 do Cdigo Civil no exige elemento subjetivo como requisito para o ato de destinao.

    28. (Cespe Procurador Federal/2007) No Cdigo Civil de 2002, no captulo da parte geral dedicado aos bens reciprocamente considerados, introduziu-se a figura das pertenas, verdadeira novidade legislativa no mbito do direito privado brasileiro. A respeito dos bens reciprocamente considerados, julgue o item a seguir: So perten-as os bens que, constituindo partes integrantes, destinam-se, de modo duradouro, ao uso, ao ser-vio ou ao aformoseamento de outro.

  • 274 Ronaldo Vieira Francisco

    COMENTRIOS

    Item: errado.

    Anlise da questo: pelo art. 93 do CC; So pertenas os bens que, no constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao aformoseamento de outro (grifo nosso). Desse modo, as pertenas no se confundem com as partes integrantes, pois no integram fsica ou substancialmente outro bem; apenas melhoram seu aproveitamento, uti-lidade ou aparncia. Conservam sua individuali-dade e autonomia. J as partes integrantes so os acessrios que, unidos ao principal, formam com ele um todo, sendo desprovidos de existncia material prpria, embora mantenham sua iden-tidade. No podem ser separadas sem destruir ou deteriorar a inteireza da coisa. Parte de uma viso econmica e jurdica do fenmeno da pres-tao, ou seja, tudo quanto se agregue coisa formando uma unidade, um todo, com funcio-nalidade e utilidade prpria e permanente. Fala--se de uma unidade econmica em virtude de conexo material entre as coisas (Junior, Nel-son Nery e Nery, Rosa Maria de Andrade, Cdigo Civil Comentado, RT, 2011, 8ed)

    29. (Cespe Procurador Federal/2007) No Cdigo Civil de 2002, no captulo da parte geral dedicado aos bens reciprocamente considerados, introduziu-se a figura das pertenas, verdadeira novidade legislativa no mbito do direito privado brasileiro. A respeito dos bens reciprocamente considerados, julgue o item a seguir: Em regra, os negcios jurdicos que dizem respeito ao bem principal no abrangem as pertenas.

    COMENTRIOS

    Item: certo.

    Anlise da questo: estabelece o art. 94 do CC que: Os negcios jurdicos que dizem res-peito ao bem principal no abrangem as per-tenas, salvo se o contrrio resultar da lei, da manifestao de vontade, ou das circunstncias do caso. As pertenas no so partes integran-tes do bem principal; logo, os negcios jurdicos no as alcanam, exceto se o contrrio advier de: (i) disposio normativa; (II) vontade das partes ou; (III) das circunstncias do caso. Sendo assim, a regra da gravitao jurdica, segundo a qual o acessrio segue o principal, no vlida quanto s pertenas, instituto includo pelo Cdigo Civil

    no rol dos bens acessrios, mas que com eles no se confunde; so autnomas e individuais em relao coisa principal, e se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao aformose-amento de outro; como exemplo, as mquinas agrcolas de uma fazenda, a decorao de uma casa ou o DVD de um veculo. Os pneus de um carro, porque sem eles o veculo perde sua carac-terstica, so considerados partes integrantes.

    2.2.3. PARTE INTEGRANTE

    30. (ESAF Procurador Fazenda Nacio-nal/2007) Se desaparecerem os dutos e as estaes de compresso de um gasoduto, este perder seu interesse econmico. Isto se d por serem os dutos e as estaes de compresso:

    a) pertenas

    b) acesses

    c) bens principais

    d) coisas anexadas empregadas intencional-mente na explorao de atividade econ-mica.

    e) partes integrantes

    COMENTRIOS

    Nota do autor: os bens reciprocamente considerados so os seguintes: (1) principal ( o bem que possui existncia prpria); (2) aces-srios e suas classes (so os bens cuja existn-cia depende do principal); (2.1) frutos (de nas-cimento peridico, sem destruio ou prejuzo do principal; classificao quanto origem: frutos naturais, industriais, civis; classificao quanto ao estado: pendente, percebidos, percipiendos, estantes e consumidos); (2.2) produtos (utilida-des que se retiram de uma coisa com diminuio do bem principal, ex. extrao de uma mina); (2.3) benfeitorias (so obras ou despesas que se fazem em bem mvel ou imvel para conserv--lo, melhor-lo ou embelez-lo; classificao: (i) teis, so as que aumentam ou facilitam o uso do bem; (II) necessrias, aquelas que tm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore; (III) volupturias, so de mero deleite ou recreio, que no aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradvel ou sejam de elevado valor); (2.4) pertenas (so acessrios destinados de modo duradouro a conservar ou facilitar o uso ou prestar servio, ou ainda, a ser-vir de adorno; logo, no integram fsica ou subs-

  • Captulo VI Bens 275

    tancialmente outro bem; apenas melhoram seu aproveitamento, utilidade ou aparncia; apesar de acessrios, conservam sua individualidade e autonomia, tendo apenas com o principal uma subordinao econmico-jurdica, pois, sem haver qualquer incorporao, vinculam-se ao principal para que este atinja suas finalidades); (2.5) parte integrante (so acessrios que, unidos ao principal, formam com ele um todo, sendo desprovidos de existncia material pr-pria, embora mantenham sua identidade. Por outras palavras, so acessrios que, ao se incor-porarem a uma coisa composta, a completam, formando um todo e possibilitando a sua utiliza-o. Tem carter permanente relativamente ao bem principal e se dele forem retirados, compro-meter-se- o todo, como so os frutos, os produ-tos e as benfeitorias.

    Alternativa correta: letra e.

    Alternativa a: incorreta; as pertenas no integram fsica ou substancialmente outro bem, pois se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao servio ou ao aformoseamento de outro (CC, art. 93). Os dutos e as estaes de compresso for-mam o todo, que o gasoduto.

    Alternativa b: incorreta; acesso um modo de aquisio da propriedade. Tal modo consiste em o dono da coisa principal adquirir a propriedade de outra, que lhe acessria ou pertena (Junior, Nelson Nery e Nery, Rosa Maria de Andrade, Cdigo Civil Comentado, RT, 2011, 8ed). Assim, acesso o direito em razo do qual o proprietrio de um bem passa a adqui-rir o domnio de tudo aquilo que a ele se adere. Para Orlando Gomes, acesso uma alterao quantitativa ou qualitativa da coisa, ou melhor, o aumento do volume ou do valor do objeto da propriedade devido a foras externas (Diniz, Maria Helena, Cdigo Civil Anotado, Saraiva, 2012, 16ed). Portanto, os dutos e estaes de compres-so compem o gasoduto, e de maneira alguma podem ser considerados modos de aquisio de propriedade.

    Alternativa c: incorreta; os dutos e as estaes de compresso no so bens princi-pais, pois bem principal o que possui existncia prpria, autnoma, que existe por si; por conse-guinte, so eles considerados parte integrante.

    Alternativa d: incorreta; os dutos e as estaes de compresso so parte integrante do gasoduto, pois se agregam coisa formando

    uma unidade, um todo, com funcionalidade e utilidade prpria e permanente.

    Alternativa e: correta; um gasoduto uma rede de tubos que leva gs de uma regio produtora para uma regio consumidora. O gs transportado pelos tubos com a ajuda da dife-rena de presso: em um ponto, chamado esta-o de compresso, a presso no duto elevada e empurra o fluido para o ponto de menor presso. Considera-se parte integrante da coisa aquilo que no pode ser separado sem destruir ou deteriorar a inteireza dela. Parte de uma viso econmica e jurdica do fenmeno da presta-o, ou seja, tudo quanto se agregue coisa formando uma unidade, um todo, com funcio-nalidade e utilidade prpria e permanente. Fala--se de uma unidade econmica em virtude de conexo material entre as coisas (Junior, Nelson Nery e Nery, Rosa Maria de Andrade, Cdigo Civil Comentado, RT, 2011, 8ed). Sendo assim, o gaso-duto sem os dutos e as estaes de compresso perdem sua funcionalidade, interesse econ-mico ou simplesmente deixam de existir; logo, esses itens formam sua inteireza, razo pela qual so elementos do todo ou parte integrante.

    2.2.4. BENFEITORIAS

    31. (MPE/PR Promotor de Justia-PR/2008) correto afirmar:

    a) Os bens pblicos dominicais so inalienveis.

    b) Os bens pblicos de uso comum do povo e os de uso especial so alienveis, na forma que a lei determinar.

    c) As benfeitorias podem ser volupturias so as de mero deleite ou recreio, que no aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradvel ou sejam de ele-vado valor.

    d) So benfeitorias os melhoramentos ou acrs-cimos sobrevindos ao bem sem a interven-o do proprietrio, possuidor ou detentor

    e) Nenhuma das alternativas anteriores est correta.

    COMENTRIOS

    Nota do autor: so bens acessrios as benfeitorias, qualquer que seja o valor. Classifi-cam-se em teis, necessrias e volupturias. So volupturias as de mero deleite ou recreio,

  • 276 Ronaldo Vieira Francisco

    que no aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradvel ou sejam de ele-vado valor. So teis as que aumentam ou faci-litam o uso do bem. So necessrias as que tm por fim conservar o bem ou evitar que se dete-riore. A classificao no absoluta, pois a natu-reza da benfeitoria deve ser analisada dentro de um contexto em se encontra. Outrossim, as benfeitorias no se confundem com as acesses, previstas nos arts. 1.253 a 1.259 do CC. Diferem--se, sobretudo, porque as benfeitorias so fei-tas em bem j existente. As acesses industriais, por exemplo, criam coisas novas, sendo um dos modos de aquisio da propriedade imvel. Em relao s acesses naturais, no se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acrscimos sobrevindos ao bem sem a interveno do pro-prietrio, possuidor ou detentor (CC, art. 97).

    Alternativa correta: letra c

    Alternativa a: incorreta; o sistema bra-sileiro segue o critrio da tripartio dos bens pblicos, segundo o qual estes so classificados em bens de uso comum, especial e dominicais; esta classe de bens est prevista no CC/art. 99, III, pargrafo nico, e art. 101; os bens dominicais compem o patrimnio disponvel do Estado, com estrutura de direito privado, salvo dispo-sio legal em sentido contrrio; dessa forma, podem ser alienados, desde que sejam observa-das as exigncias da lei (Lei 8.666/93).

    Alternativa b: incorreta; diferentemente dos bens dominiais ou dominicais, os de uso comum e especial, porque afetados coletividade ou ao servio pblico, so inalienveis e indispo-nveis, porque sob o domnio pblico, enquanto conservarem essa qualificao, na forma da lei.

    Alternativa c: correta; as benfeitorias, segundo o CC/art. 96, 1 a 3, so as reformas, obras ou desembolsos voltados a conservar ou evitar que os bens se deteriorem (necessrias), as que aumentam ou facilitam o uso dos bens, melho-rando sua utilidade (teis) e aquelas de adorno, de mero deleite ou recreio, sem aumentar o uso habitual dos bens, ainda que os tornem mais agra-dveis, e sejam de elevado valor (volupturias); dentro da classificao legal das benfeitorias, a alternativa correta.

    Alternativa d: incorreta; as benfeitorias pressupem ao humana de conservar (neces-srias), melhorar (teis) ou aformosar (volup-turias); de acordo com o CC/art. 97, no sero consideradas benfeitorias os melhoramentos ou

    acrscimos sobrevindos ao bem sem a interven-o do proprietrio, possuidor ou detentor; por-tanto, benfeitoria exige ao humana; outros ins-titutos podem ser invocados sem ao humana, como a avulso, forma de aquisio da pro-priedade imvel por acesso (CC/art. 1.248, III e 1.251), entretanto, um e outro no se confundem.

    Alternativa e: incorreta; a alternativa letra c est correta, razo pela qual a presente est errada.

    2.3. BENS QUANTO AO TITULAR DO DOM-NIO

    2.3.1. BENS PBLICOS

    32. (MPE/PR Promotor de Justia-PR/2009) A legislao civil brasileira reputa bens pblicos os bens de domnio nacional pertencentes s pes-soas jurdicas de direito pblico interno, EXCETO:

    a) Os rios, mares, estradas, ruas e espaos pbli-cos, quando objeto de contrato de concesso ou de permisso de servio pblico cele-brado com empresa privada.

    b) Os bens pertencentes a organizaes religio-sas.

    c) Os edifcios ou imveis destinados a servio pblico, quando explorados por empresa pri-vada, por fora de contrato de concesso ou permisso de servio pblico.

    d) Os bens que integrem o patrimnio, ou que sejam explorados por autarquias.

    e) n.d.a.

    COMENTRIOS

    Nota do autor: so pblicos os bens do domnio nacional pertencentes s pessoas jur-dicas de direito pblico interno; so particula-res todos os outros, seja qual for a pessoa a que pertencerem (CC, art. 98). Para essa distino, as coisas so consideradas em relao aos respec-tivos proprietrios. Sob esse aspecto, elas so consideradas pblicas e particulares. Os bens pblicos so classificados, segundo o art. 99, I a III, do CC: (A) os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praas; (B) os de uso especial, tais como edifcios ou terrenos destinados a servio ou estabelecimento da administrao federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; (C)

  • Captulo VI Bens 277

    os dominicais, que constituem o patrimnio das pessoas jurdicas de direito pblico, como objeto de direito pessoal ou real de cada uma dessas entidades. Os bens de uso comum do povo (res communis omnium) pertencem ao ente de direito pblico (Unio, Estado ou Municpio) que tem a respectiva guarda, administrao e fiscaliza-o. A comunidade tem apenas o uso e gozo, condicionados naturalmente observncia dos regulamentos administrativos (Washington de Barros Monteiro). A enumerao desses bens exemplificativa. O uso comum dos bens pbli-cos pode ser gratuito ou retribudo, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administrao pertencerem (CC, art. 103). Os bens de uso especial tambm figuram em rol enunciativo (CC, art. 99, II). Os bens pblicos de uso comum do povo e os de uso especial so ina-lienveis, enquanto conservarem a sua qualifica-o, na forma que a lei determinar para a respec-tiva desafetao (CC, art. 100), enquanto os bens pblicos dominicais podem ser alienados, obser-vadas as exigncias da lei (CC, art. 101). Os bens pblicos no esto sujeitos usucapio (CC, art. 102). Pelo Enunciado 287: O critrio da classifica-o de bens indicado no art. 98 do Cdigo Civil no exaure a enumerao dos bens pblicos, podendo ainda ser classificado como tal o bem pertencente a pessoa jurdica de direito privado que esteja afe-tado prestao de servios pblicos.

    Alternativa correta: letra b:

    Alternativa a: correta; segundo o CC/art. 99, I, so bens pblicos de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praas; quando o enunciado legal emprega a palavra tais, fica evidente que os bens nele menciona-dos no so exaustivos (numerus clausus), pois, na CF/art. 176, por exemplo, h outros bens, como os potenciais de energia hidrulica; mesmo que tais bens sejam objeto de concesso ou permis-so de uso, no perdem a caracterstica pblica (Lei 8.987/95, art. 35, 1).

    Alternativa b: incorreta; as organizaes religiosas so pessoas jurdicas de direito pri-vado, de acordo com o CC/art. 44, IV, e os seus bens seguem a mesma natureza.

    Alternativa c: correta; so de uso especial, preceitua o CC/art. 100, II, os bens tais como edifcios ou terrenos destinados a servio ou estabelecimento da administrao federal, esta-dual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; mesmo que concedidos ou permi-

    tidos empresa privada, a servio pblico, no perdem essa caracterstica (Lei 8.987/95, art. 35, 1).

    Alternativa d: correta; as autarquias so pessoas jurdicas direito pblico interno, ao lado das associaes pblicas (CC/art. 41, IV); por tal razo, os bens pertencentes a tais entes osten-tam a caracterstica de bem pblico; a respeito disso, o CC/art. 99, III, diz que so dominicais os bens que constituem o patrimnio das pessoas jurdicas de direito pblico, como objeto de direito pessoal ou real de cada uma dessas enti-dades.

    Alternativa e: correta; a opo letra b a alternativa incorreta.

    33. (TRF 4 Juiz Federal Substituto 4 regio/ 2010) Assinale a alternativa correta.

    Quanto aos bens pblicos, pode-se afirmar que:

    a) Jamais podem ser alienados.

    b) Jamais podem ser cedidos (emprestados) gratuitamente.

    c) S excepcionalmente podem ser submetidos usucapio.

    d) S podem ser alienados por deciso judicial.

    e) Todas as alternativas anteriores esto incor-retas.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra e.

    Alternativa a: incorreta; de acordo com o CC/art. 100: Os bens pblicos de uso comum do povo e os de uso especial so inalienveis, enquanto conservarem a sua qualificao, na forma que a lei determinar. Os bens pblicos de uso comum do povo e de uso especial so indisponveis e ina-lienveis, inadmitindo-se que sirvam de objeto de quaisquer negcios jurdicos, como doao, venda, etc., enquanto conservarem essa qualifi-cao. Uma vez afastada essa natureza, por meio de lei especfica, e reconhecida a desafetao, podero ser alienados, desde que se observem as disposies legais. Por outro lado, diz o CC/art. 100: Os bens pblicos dominicais podem ser alie-nados, observadas as exigncias da lei. Para essa classe de bens pblicos, a alienao admitida, porque compem o patrimnio disponvel dos entes pblicos, no afetados a uma finalidade

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    pblica especial. Todavia, h exigncias legais para que se efetive a alienao desses bens, pois devem ser licitados, avaliados, etc.

    Alternativa b: incorreta; preceitua o CC/art. 103: O uso comum dos bens pblicos pode ser gratuito ou retribudo, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administrao pertencerem. O uso dos bens pblicos pode ser gratuito ou oneroso, conforme estabelecido pela entidade que pertencerem; alis, a regra a gra-tuidade.

    Alternativa c: incorreta; no se admite a usucapio de bens pblicos, em todas as clas-ses vistas acima, mesmo os dominicais (CC/art. 102). Pela Smula STF/340: Desde a vigncia do Cdigo Civil, os bens dominicais, como os demais bens pblicos, no podem ser adquiridos por usu-capio (CC/1916).

    Alternativa d: incorreta; de acordo com o art. 100 do CC: Os bens pblicos de uso comum do povo e os de uso especial so inalienveis, enquanto conservarem a sua qualificao, na forma que a lei determinar. De sua parte, afirma o art. 101 do CC: Os bens pblicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigncias da lei. Desse modo, devem ser observados os precei-tos legais para a alienao vlida de bens pbli-cos, no se exigindo prvia autorizao judicial.

    Alternativa e: correta; a afirmativa de que todas as opes anteriormente vistas so incor-retas faz com que esta assertiva seja a acertada.

    34. (TJ-RS Juiz Substituto RS/2009) Assinale a assertiva correta sobre bens.

    a) Os bens pblicos esto sujeitos usucapio.

    b) Os bens de uso comum do povo so, por exem plo, rios, mares, praas, ruas e estradas, exceto quando houver retribuio por sua utilizao.

    c) Os bens pblicos dominicais constituem o pa trimnio das pessoas jurdicas de direito pbli co, como objeto de direito pessoal ou real.

    d) Os bens pblicos dominicais no podem ser alienados.

    e) O uso comum dos bens pblicos deve ser gra tuito, no podendo haver retribuio.

    COMENTRIOS

    Alternativa correta: letra c.

    Alternativa a: incorreta; de acordo com o art. 102 do CC e Smula STF/340, os bens pbli-cos no se sujeitam usucapio; alis, a CF/art. 183 e 191 tambm estabelece a proibio de usu-capio sobre bens pblicos.

    Alternativa b: incorreta; pelo art. 103 do CC, o uso comum dos bens pblicos pode ser gratuito ou retribudo, conforme for estabele-cido legalmente pela entidade a cuja administra-o pertencerem.

    Alternativa c: correta; diz o art. 99, III, do CC, que os dominicais, que constituem o patri-mnio das pessoas jurdicas de direito pblico, como objeto de direito pessoal ou real de cada uma dessas entidades.

    Alternativa d: incorreta; afirma expres-samente o art. 101 do CC que os bens pblicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigncias da lei.

    Alternativa e: incorreta; segundo o art. 103 do CC, o uso comum dos bens pblicos pode ser gratuito ou retribudo, conforme for esta-belecido legalmente pela entidade a cuja admi-nistrao pertencerem.

    35. (Cespe Defensor Pblico DPU/ 2004) No que se refere aos bens e aos negcios jurdicos, jul-gue o item a seguir: Os bens dominicais pblicos so passveis de alienao, desde que observadas as exigncias legais, e podem ser utilizados por particulares. Assim, esses bens podem ser objeto de usucapio e de desapropriao, porquanto so dotados de disponibilidade pelo poder pblico.

    COMENTRIOS

    Item: errado.

    Anlise da questo: os bens pblicos domi-nicais so de domnio privado do Poder Pblico, e podem ser alienados, mediante compra e venda, legitimao de posse, arrend