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1 Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13 th Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2017, ISSN 2179-510X A DIVISÃO SEXUAL DO TRABALHO NO CAPITALISMO GLOBALIZADO: REFLEXÕES SOBRE AS RELAÇÕES DE GÊNERO NO PROGRAMA DE ENSINO INTEGRAL EM SÃO PAULO/SP Caroline Gorski Marques Araújo 1 Resumo: O mundo do trabalho se encontra em processo de transformação diante das novas formas de acumulação de capital, no capitalismo contemporâneo globalizado. Precisamos considerar neste contexto a divisão sexual do trabalho e as transformações no trabalho e emprego das mulheres, pois como um dos efeitos deste processo de transformações vivenciamos o aumento do emprego e trabalho remunerado das mulheres, que impactam de forma enfática nas mudanças do mercado e nas relações de trabalho. Com a ampliação do número de postos de trabalho, temos uma maior flexibilização e vulnerabilidade das condições de trabalho para as mulheres. Os conceitos de flexibilidade, precariedade e desigualdade permanecem no cerne do debate sobre trabalho e relações de gênero. Uma vez que, mesmo diante da maior participação das mulheres no mercado de trabalho e da sua maior escolarização nas últimas décadas, temos em contrapartida a divisão sexual do trabalho e as recorrentes assimetrias de gênero que intensificam as relações de opressão e exploração. No bojo dessas transformações proponho uma reflexão sobre o Programa de Ensino IntegralEM, na cidade de São Paulo e seus impactos na vida laboral de docentes e gestores, que me levam a indagar em que medida o programa contribui para a manutenção da divisão sexual do trabalho e das assimetrias de gênero na escola? Já que a escola tem incorporado o ideário neoliberal, contribuindo para o processo de flexibilização das relações de trabalho. Palavras-chave: Divisão sexual do trabalho. Relações de gênero. Flexibilidade. Trabalho docente. Introdução Neste artigo abordo a contextualização macrossocial das transformações econômicas, políticas e sociais (Castel, 1998; Belluzzo, 1999; Comparato, 2013) que vivenciamos com as reformas neoliberais implementadas a partir dos anos de1970 e seus desdobramentos que culminaram com a mundialização do capital 2 (Chesnais, 2001). Transformações estas que impulsionaram os processos de reestruturação produtiva 3 , de flexibilização das relações de trabalho no Brasil (Leite, 2009; Araújo, 2012; Druck, 2013) e possibilitam que as analisemos através da 1 Mestranda do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas/SP/Brasil, bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 2 “A homogeneização, da qual a mundialização do capital é portadora no plano de certos objetos de consumo e de modos de dominação ideológicos por meio das tecnologias e da mídia, permite a completa heterogeneidade e a desigualdade das economias” (Chesnais, 2001, p.13). 3 Segundo Mello e Silva (2005): “A reestruturação produtiva em geral é entendida por uma gama ampla de fenômenos que, na verdade, não se referem apenas à execução do trabalho direto, mas que está relacionada também com outros aspectos, tais como: a modalidade de relacionamento entre as firmas (cliente fornecedor); a organização logística e econômica da própria empresa (desverticalização, supressão e fusão de linhas, desaparecimento de funções produtivas), e o impacto da introdução de inovações tecnológicas no processo produtivo (o papel das inovações radicais por oposição às inovações incrementais) e suas consequências em termos de racionalização do trabalho.” (p. 141).

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    Seminrio Internacional Fazendo Gnero 11 & 13th Womens Worlds Congress (Anais Eletrnicos),

    Florianpolis, 2017, ISSN 2179-510X

    A DIVISO SEXUAL DO TRABALHO NO CAPITALISMO GLOBALIZADO:

    REFLEXES SOBRE AS RELAES DE GNERO NO PROGRAMA DE ENSINO

    INTEGRAL EM SO PAULO/SP

    Caroline Gorski Marques Arajo1

    Resumo: O mundo do trabalho se encontra em processo de transformao diante das novas formas

    de acumulao de capital, no capitalismo contemporneo globalizado. Precisamos considerar neste

    contexto a diviso sexual do trabalho e as transformaes no trabalho e emprego das mulheres, pois

    como um dos efeitos deste processo de transformaes vivenciamos o aumento do emprego e

    trabalho remunerado das mulheres, que impactam de forma enftica nas mudanas do mercado e

    nas relaes de trabalho. Com a ampliao do nmero de postos de trabalho, temos uma maior

    flexibilizao e vulnerabilidade das condies de trabalho para as mulheres. Os conceitos de

    flexibilidade, precariedade e desigualdade permanecem no cerne do debate sobre trabalho e relaes

    de gnero. Uma vez que, mesmo diante da maior participao das mulheres no mercado de trabalho

    e da sua maior escolarizao nas ltimas dcadas, temos em contrapartida a diviso sexual do

    trabalho e as recorrentes assimetrias de gnero que intensificam as relaes de opresso e

    explorao. No bojo dessas transformaes proponho uma reflexo sobre o Programa de Ensino

    IntegralEM, na cidade de So Paulo e seus impactos na vida laboral de docentes e gestores, que

    me levam a indagar em que medida o programa contribui para a manuteno da diviso sexual do

    trabalho e das assimetrias de gnero na escola? J que a escola tem incorporado o iderio

    neoliberal, contribuindo para o processo de flexibilizao das relaes de trabalho.

    Palavras-chave: Diviso sexual do trabalho. Relaes de gnero. Flexibilidade. Trabalho docente.

    Introduo

    Neste artigo abordo a contextualizao macrossocial das transformaes econmicas,

    polticas e sociais (Castel, 1998; Belluzzo, 1999; Comparato, 2013) que vivenciamos com as

    reformas neoliberais implementadas a partir dos anos de1970 e seus desdobramentos que

    culminaram com a mundializao do capital2 (Chesnais, 2001). Transformaes estas que

    impulsionaram os processos de reestruturao produtiva3, de flexibilizao das relaes de trabalho

    no Brasil (Leite, 2009; Arajo, 2012; Druck, 2013) e possibilitam que as analisemos atravs da

    1 Mestranda do Programa de Ps-Graduao da Faculdade de Educao da Universidade Estadual de Campinas/SP/Brasil, bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq). 2 A homogeneizao, da qual a mundializao do capital portadora no plano de certos objetos de consumo e de modos de dominao ideolgicos por meio das tecnologias e da mdia, permite a completa heterogeneidade e a desigualdade das economias

    (Chesnais, 2001, p.13). 3 Segundo Mello e Silva (2005): A reestruturao produtiva em geral entendida por uma gama ampla de fenmenos que, na verdade, no se referem apenas execuo do trabalho direto, mas que est relacionada tambm com outros aspectos, tais como: a

    modalidade de relacionamento entre as firmas (cliente fornecedor); a organizao logstica e econmica da prpria empresa

    (desverticalizao, supresso e fuso de linhas, desaparecimento de funes produtivas), e o impacto da introduo de inovaes

    tecnolgicas no processo produtivo (o papel das inovaes radicais por oposio s inovaes incrementais) e suas consequncias em

    termos de racionalizao do trabalho. (p. 141).

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    diviso sexual do trabalho (Hirata, 2001, 2002 e 2007; Hirata e Kergoat, 2007; Arajo, 2012)

    determinante para a compreenso da diviso social do trabalho na atualidade. Estas transformaes

    incidem diretamente no espao microssocial da escola pblica atravs dos novos projetos

    educacionais, como o Programa de Ensino Integral (PEI) para o Ensino Mdio, ressignificando o

    espao escolar e as relaes de trabalho. Para tanto, a pergunta basilar deste artigo indagar se o

    PEI tem aspectos que podem contribuir para a manuteno da diviso sexual do trabalho e das

    assimetrias de gnero nas relaes de trabalho do espao escolar.

    As novas configuraes do trabalho no capitalismo contemporneo globalizado

    Uma das possibilidades de compreender o processo de transformao no mundo do trabalho

    atravs dos ciclos de expanso do capitalismo. Nota-se que as crises de forma geral so

    fundamentais para nos defrontarmos com as novas possibilidades de (re)configurao do sistema

    capitalista, frente as tenses e exigncias dos centros dinmicos de poder. As crises envolvem a

    reorganizao da produo, do trabalho e das relaes sociais, tendo em vista que o capitalismo tem

    por princpio o interesse material em detrimento ao bem comum e aos preceitos ticos (Comparato,

    2013, p.48).

    Nos ltimos 40 anos tivemos uma srie de transformaes no cenrio global, tanto em

    relao s prticas econmicas, como em relao s ideologias em disputa. Nos anos de 1970

    tivemos um esgotamento dos pactos sociais e das polticas de proteo social acordadas no ps-

    guerra. A isso se somou crise do petrleo, da reserva de ouro, o avano do desenvolvimento

    tecnolgico de outras naes afetando os Estados Unidos e gerando a desvalorizao do dlar. O

    mundo estava bipolarizado e em disputa pelos ideais de novos horizontes polticos, entre outros

    fatores que favoreceram para a reorganizao mundial do capitalismo. Foi central para esta

    reorganizao, na perspectiva econmica, as polticas fiscais implementadas pelos Estados Unidos,

    que afetaram diretamente os pases latino-americanos, como o Brasil, em meados dos anos de 1980.

    Para Belluzzo (1999), a economia mundial foi profundamente afetada pela flutuao das taxas de

    cmbio do dlar levando novas formas de intermediao financeira, atingindo o que o autor

    identificou como a segunda etapa da globalizao em que o capitalismo assumiu uma nova

    forma de acumulao atravs dos mercados de capitais (Belluzzo, 1999, p.104).

    Essas novas formas predatrias de acumulao de capital, impactaram diretamente nas

    transformaes do mundo do trabalho e nas sociedades. Deste modo, os centros de poder

    econmico mundiais atuaram e atuam de maneira a impor suas exigncias a governos nacionais ou

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    Estados-Nao considerados, pela perspectiva econmica, como dependentes e/ou subdesenvolvidos

    e, segundo Pochmann (2013), entende-se por subdesenvolvimento:

    O processo pelo qual a economia convive com enorme diversidade nos nveis de produtividade

    do trabalho. Isso ocasiona a manuteno de grandes segmentos ocupacionais alocados em

    atividades arcaicas de mera subsistncia humana, enquanto outra parte menor exerce atividades

    laborais com elevada produtividade em segmentos econmicos modernos [...] caracteriza-se

    pela estrutura produtiva muito heterognea que resulta da interpenetrao difuso tardia e

    desigual da inovao tecnolgica na economia e sociedade. (POCHMANN, 2013, p.13-15).

    Algumas consequncias desse novo quadro estrutural para os pases dependentes e/ou

    subdesenvolvidos foram: o cerceamento e perda de direitos sociais; as privatizaes dos servios de

    massa como a educao, a sade, o transporte, as telecomunicaes; a falta de incentivos s

    empresas nacionais de modo a lev-las a falncia e/ou serem compradas a baixo custo pelas

    corporaes transnacionais e o enfraquecimento das organizaes de trabalhadores.

    Cabe salientar que em cada pas a aplicao deste novo quadro estrutural ocorreu de

    maneiras distintas. No caso do Brasil, estas novas formas de trabalho e a ideologia neoliberal

    imposta pelos acordos econmicos internacionais conviveram duramente com um cenrio de

    reconstituio da democracia e dos preceitos de cidadania expressos no processo da criao e

    implementao da Constituio Federal de 1988. Assim, o que destaco, que os processos

    histricos e sociais dos Estados-Nao so importantes tambm para compreender as

    transformaes no mundo do trabalho, visto que no Brasil, ocorreram diversos focos de resistncia a

    essas imposies internacionais, como o caso do surgimento dos novos movimentos sociais4, que

    foram fundamentais para a contestao e as reflexes sobre estas novas formas exploratrias do

    trabalho e da vida social cotidiana. Junto aos movimentos sociais insurgentes, podemos destacar

    ainda os movimentos feministas que contriburam para pensarmos a estrutura social e suas

    desigualdades, a insero distinta de mulheres e homens no mercado de trabalho e a contestao

    sobre as formas diferenciadas de explorao e opresso dos sexos sociais.

    Assim, as novas configuraes do capitalismo contemporneo e suas imposies para o

    mundo do trabalho brasileiro, segundo Leite (2009), podem ser melhor compreendidas atravs do

    conceito de precariedade, em que identificamos um mercado instvel, com falta e/ou insegurana

    da proteo social do trabalhador e com alta vulnerabilidade econmica e social. Logo, um trabalho

    precrio implica em contratos flexibilizados, baixos salrios e baixa proteo social. E somados aos

    movimentos de resistncia s transformaes, faz-se necessrio considerar esses processos sob o

    4 Sobre este debate, ver mais em: SADER, Eder. Quando Novos personagens entram em cena: experincias, falas e lutas dos trabalhadores da Grande So Paulo (1970-80). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.

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    prisma da diviso sexual do trabalho, para melhor aclarar os distintos impactos destas mudanas

    nas relaes de gnero.

    Diviso Sexual do Trabalho e as assimetrias de gnero

    Helena Hirata (2001), em Globalizao e diviso sexual do trabalho, ressalta que devemos

    considerar como consequncia do capitalismo globalizado, a diviso sexual do trabalho e as

    transformaes no trabalho e emprego das mulheres. Pois, com os efeitos da globalizao e a

    mundializao do capital vivenciamos o aumento do emprego e do trabalho remunerado das

    mulheres, que impactaram de forma enftica nas transformaes do mercado e das relaes de

    trabalho. Acompanhado da ampliao do nmero de postos de trabalho, temos paralelamente uma

    maior flexibilizao e vulnerabilidade das condies de trabalho para as mulheres (Hirata, 2001,

    p.144), traduzindo-se, portanto, numa transformao paradoxal do trabalho (Hirata, 2001, p.145)

    ou ainda no paradoxo das relaes sociais de sexo, visto que a diviso sexual permanece, mesmo

    com as mudanas na participao das mulheres no mercado de trabalho, ou seja, tudo muda, mas

    tudo permanece igual (Kergoat, 2010, p.94).

    A diviso sexual do trabalho enquanto conceito sociolgico permite compreender a

    passagem do primado econmico e das relaes de explorao para a afirmativa de uma ligao

    indissocivel entre opresso sexual (e de classe) e explorao econmica (e de sexo) (Hirata, 2002,

    p.277), que resulta na reconceitualizao do trabalho, que passa a ter novas dimenses de anlise.

    Logo, a diviso sexual do trabalho passa a ser entendida como uma forma de diviso social do

    trabalho decorrente das relaes sociais de sexo em que estas so: relaes desiguais,

    hierarquizadas, assimtricas ou antagnicas de explorao e opresso entre duas categorias de sexo

    construdas socialmente (Hirata, 2002, p.276).

    Em A classe operria tem dois sexos, Hirata e Kergoat (1994), ressaltam a importncia da

    compreenso das relaes sociais de sexo e sobre o conceito de gnero como fundamentais para

    refletirmos sobre a heterogeneidade da constituio das classes sociais e os impactos distintos das

    condies do trabalho realizado por mulheres e homens. Em que fundamental enxergarmos os

    distintos lugares das mulheres na produo capitalista, pois para as autoras as relaes de classe e

    relaes de sexo so de fato coextensivas (isto , elas se superpem em parte) tanto para as

    mulheres como para os homens s podem ser analisadas conjuntamente. [...] so, portanto, relaes

    estruturantes (Hirata e Kergoat, 1994, p. 93-94), e isso nos possibilita visualizar as assimetrias nas

    condies de trabalho entre mulheres e homens. Cabe ressaltar ainda que as autoras, ao se referirem

    sobre o processo histrico de elaborao dos conceitos de gnero e da categoria sexo, destacam a

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    importncia de questionar as ideias vigentes inclusive no interior do marxismo dos anos de 1970,

    pois o que distinguia e ainda permanece distinguindo a insero de mulheres e homens em

    determinadas ocupaes no a sua essncia biolgica, mas sim a construo histrica, social e

    cultural que impe exploraes e opresses distintas aos sexos sociais.

    Hirata e Kergoat (2007), em Flexibilidade, trabalho e gnero, reforam que para

    compreendermos melhor esta diviso devemos atentar para dois princpios: o princpio da

    separao e o princpio hierrquico, em que o primeiro aponta a existncia de trabalhos de/para

    homens e trabalhos de/para mulheres, e o segundo refora que o trabalho de/para homens tem

    maior valor em detrimento do trabalho de/para mulheres, contudo reforam a plasticidade do

    conceito frente aos avanos/retrocessos de cada sociedade (Hirata e Kergoat, 2007, p.599-560) e

    permitindo olharmos mais atentamente para os meandros das relaes de trabalho pelo vis das

    relaes de sexo.

    Ao abordar o conceito de flexibilidade, Hirata, refora que a diviso sexual do trabalho a

    precondio para realizao da flexibilidade do trabalho (Hirata, 2007, p.93), todavia, como

    podemos perceber ao observar o volume e o tempo de trabalho exercido pelas mulheres, quando

    olhamos para as duas dimenses do trabalho produtivo e reprodutivo que aloca as mulheres,

    muitas vezes, no mercado de trabalho de tempo parcial, uma vez que estas j exercem o trabalho

    reprodutivo no remunerado. De tal modo, pode-se dizer que a flexibilidade sexuada, em que a

    flexibilidade interna a polivalncia e rotatividade funcional, integrao e trabalho em equipe

    caberia socialmente mo-de-obra masculina, e a flexibilidade externa empregos precrios,

    trabalho de tempo parcial, horrios flexveis e a anualizao do tempo de trabalho estaria

    socialmente reservada mo-de-obra feminina (Hirata, 2007, p.104-105). Que corrobora com o que

    mencionou Castel (1998), cuja a flexibilidade externa seria determinante em relao a flexibilidade

    interna, pois cria um contingente/reserva de trabalhadores/as desempregados/as a espera de um

    trabalho, o que d condies ao mercado de impor contratos mais flexveis e temporrios,

    intensificando a reorganizao da empresa capitalista, que passa a terceirizar ainda mais os

    processos de trabalho. Esta flexibilidade externa fica ainda mais evidente quando se tratam de

    mulheres negras super exploradas, visto que o emprego domstico, a prestao de servios pessoais,

    o care5, o comrcio informal e o trabalho no remunerado configuram a continuidade das

    relaes sociais de raa ainda mais precrias.

    5 O care pode ser definido como trabalho domstico e a formao de uma nova classe servil encontra-se no cruzamento das relaes de classe, sexo e raa. (Kergoat, 2010, p.102).

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    Os conceitos definidos por Kergoat e Hirata permanecem no cerne do debate sobre trabalho

    e relaes de gnero, classe e raa, uma vez que mesmo diante de maior participao das mulheres

    no mercado de trabalho e da sua maior escolarizao nas ltimas dcadas, a diviso sexual do

    trabalho e as recorrentes assimetrias de gnero, engendram as relaes sociais, e nesta abordagem,

    a anlise indissocivel das relaes de classe e de sexo que operam de forma transversal no

    conjunto da sociedade (Hirata e Kergoat, 1994, p.96). A exemplo das desigualdades de gnero, que

    ainda permanecem, podemos olhar para os tipos de ocupao socialmente tidas como femininas:

    magistrio, atividades sociais e de cuidado, enfermagem, assistncia social, secretariado, etc., e

    ainda as ocupaes de menor prestgio e com baixa ou nenhuma proteo social, tais como:

    emprego domstico, prestao de servios pessoais, comrcio informal e o trabalho no remunerado

    (Arajo, 2012, p.137). Somadas ainda a um movimento crescente da migrao forosa de mulheres

    de empresas formais para atividades informais, como forma de atender ao processo de

    descentralizao da produo, decorrente da intensificao da terceirizao alargando ainda mais as

    assimetrias de gnero no mundo do trabalho (Arajo, 2012, p.139).

    A premissa de que a classe operria tem dois sexos, nos possibilita olhar para o trabalho

    docente e compreender como esta categoria est composta. Souza (2007), ao analisar o mercado de

    trabalho no campo do ensino, sinaliza uma srie de medidas que restringiram o emprego no setor

    pblico como: a Lei de Diretrizes e Base da Educao de 1996; o Programa Nacional de

    Desestatizao do governo Collor entre 1991 e 1999; a Emenda Constitucional n 19/1999 que

    dispe sobre a administrao pblica; a reformulao da Classificao Brasileira de Ocupaes

    (CBO) em 2002 e os Planos de Demisso Voluntria (PDV), que reorganizaram a rede pblica de

    educao bsica, reconfigurando o mercado de trabalho para os professores da rede pblica. Tendo

    em vista que mesmo se tratando majoritariamente de emprego formal, o que se observa segundo a

    autora, o processo de flexibilizao das formas de contratao (Souza, 2007, p.52). A dimenso de

    gnero aparece como uma perspectiva importante para anlise do trabalho e emprego de

    professores, visto que as mulheres tm tido grande participao neste mercado e mesmo assim

    identificam-se relaes distintas no mercado de trabalho entre mulheres e homens, conforme

    sinalizado por Hirata e Kergoat com o paradoxo das relaes sociais de sexo e tambm apontado

    por Souza (2007).

    Segundo o censo de 2016, em um universo de 2,1 milhes de professores ativos na funo

    da Educao Bsica no Brasil, as mulheres correspondem a 80,08% e os homens a 19,92% (Fonte:

    MEC/INEP/DEED). Dado este que salienta a importncia de compreendermos o conjunto de

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    contradies que se expressam para as trabalhadoras da educao. Uma vez que os dados de 2016

    reforam o que Souza (2007) j observava com os dados de 2004, em que as mulheres j

    representavam 78,2% do total de professores ativos, indicando um processo de feminizao6 da

    profisso e a consequente desvalorizao, tanto do prestgio profissional, quanto da remunerao,

    que nos permite tambm pensar a problemtica da diviso sexual do trabalho.

    Essas reflexes auxiliam na tentativa de compreender se os recentes programas

    educacionais, em especfico o Programa de Ensino Integral (PEI) tm elementos que contribuem

    para a manuteno da diviso sexual do trabalho e das assimetrias de gnero no espao escolar.

    O programa de Ensino Integral7: a educao em disputa

    A compreenso do que se entende por educao e o seu papel na sociedade brasileira ao

    longo da metade do sculo XX at os dias atuais, tem se desdobrado na tentativa de acompanhar as

    constantes mudanas econmicas, polticas e sociais em curso no pas e no mundo. Os projetos

    educacionais esto em permanente disputa de interesses entre o estado, o mercado e a sociedade

    civil. Para Saviani (1994) a educao, a partir dos anos de 1960, passa a ser entendida como

    fundamental para o desenvolvimento econmico, j que a educao, atravs da instituio escolar,

    tem sua funo voltada ao mercado na preparao de jovens para o trabalho (Saviani, 1994, p.151).

    Frente a este paradigma entre mercado e educao, o que vemos hoje uma escola multifuncional,

    com contedos especializados que dialogam com as necessidades de um Estado gestor dos negcios

    da burguesia, que busca trabalhadores modernos e flexveis para novos contratos de trabalho a curto

    prazo (Druck, 2013, p.374-375).

    No bojo destas transformaes temos o insurgir do Programa de Ensino Integral (PEI), que

    teve incio em 2012, como parte do Programa Educao Compromisso de So Paulo. O PEI foi

    criado com base no modelo de Escolas de Ensino Mdio em Tempo Integral de Pernambuco,

    concebido pelo Instituto de Corresponsabilidade pela Educao8, e implantado nas escolas estaduais

    da rede pernambucana desde 2004, sendo posteriormente expandido para outros estados.

    6 Entende-se por feminizao, a exacerbao dos atributos tidos como femininos e construdos socialmente. Neste caso, o trabalho

    das mulheres como professoras estaria associado ao cuidado e a maternidade, logo a funes reprodutivas e produtivas, contribuindo

    para a desvalorizao destas profissionais. 7 Esse Programa foi iniciado em 2012, no Estado de So Paulo, em 16 Escolas de Ensino Mdio, e a partir de 2013 expandido para

    29 escolas de Ensino Mdio e 2 escolas de Ensino Fundamental e Mdio. Em 2015 o programa foi ampliado para os Anos Iniciais do

    Ensino Fundamental. Atualmente est em 544 escolas da rede bsica de ensino paulista. 8 O Instituto de Corresponsabilidade pela Educao (ICE) uma entidade privada, que trabalha pela promoo da melhoria da qualidade da educao pblica brasileira. Ver mais em: http://www.icebrasil.org.br/wordpress/

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    De acordo com as diretrizes do PEI9, que hoje se encontra na segunda fase de expanso, a

    meta alcanar 1000 escolas at 2018 de ensino fundamental e ensino mdio no estado. Pautado no

    iderio de uma educao universal e de qualidade, o PEI defende mudanas tanto na abordagem

    pedaggica e na organizao dos contedos, quanto na ampliao do tempo de permanncia dos

    alunos na escola e na dedicao integral de docentes no processo de ensino-aprendizagem. Mas, o

    que presenciei em uma das escolas de ensino integral que estive, foi a sobrecarga de tarefas de

    alunos e docentes, a falta de recursos materiais para as atividades pedaggicas; a ausncia de

    formao para os docentes cumprirem as novas atribuies; alimentao de baixa qualidade para os

    jovens que ali permanecem 9 horas, alm de um espao que aparentava refletir uma tenso

    constante entre os docentes e a gesto escolar, possivelmente gerada pelas cobranas frente as metas

    a serem alcanadas no PEI. Com as metas, a inteno melhorar os ndices e os sistemas de

    avaliaes como o SARESP (Sistema de Avaliao de Rendimento Escolar do Estado de So

    Paulo)10, que utilizado para o clculo do IDESP (ndice de Desenvolvimento da Educao do

    Estado de So Paulo)11, sendo este um dos principais indicadores da qualidade do ensino paulista.

    De acordo com as diretrizes do PEI para os docentes12 e gestores do programa, se

    estabeleceu um Regime de Dedicao Plena e Integral, que se caracteriza pela atuao numa nica

    escola com prestao de 40 (quarenta) horas semanais de trabalho, em perodo integral, com carga

    horria multidisciplinar (do docente) ou de gesto especializada (do diretor, do vice-diretor de

    escola e do professor coordenador). Alm das horas de atividades em sala de aula, todas as horas do

    trabalho pedaggico (coletivo e livre) de todos devem ser exercidas na unidade escolar.

    Encontramos ainda, no modelo de gesto do PEI a criao de uma nova funo que

    incorpora o docente a gesto escolar como professor coordenador por rea de conhecimento.

    Todas as disciplinas curriculares previstas na LDB esto dispostas em trs grandes reas de

    conhecimento, que compreendem: Linguagens e Cdigos, Cincias Humanas e Matemtica e

    Cincias da Natureza. Para estes professores, o regime de dedicao exclusiva cumprido de forma

    diferenciada, com dedicao docncia de 20 horas semanais e as 20 horas restantes so destinadas

    orientao, realizar reunies semanais e garantir o cumprimento das atribuies dos demais

    professores da respectiva rea que coordena. Cabe destacar que o incentivo do Estado para adeso 9 Disponvel em: http://www.educacao.sp.gov.br/a2sitebox/arquivos/documentos/342.pdf 10 Sobre ver: . 11 O IDESP foi criado em 2007 e estabelece metas que as escolas devem alcanar ano a ano. Ver mais em: . 12 A esse profissional vedado o desempenho de qualquer outra atividade remunerada durante o horrio de funcionamento a escola

    (artigo 1 da LC n 1.164/2012). Desta forma, permite-se o acmulo legal, desde que seja no perodo noturno e com carga horria

    limitada a 25 horas respeitando o limite legal de 65 horas semanais prevista no Plano de Carreira do Magistrio (LC n 1.207,

    05/07/2013).

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    dos profissionais ao PEI a Gratificao de Dedicao Plena e Integral (GDPI), que corresponde a

    75% do respectivo salrio-base. Esta gratificao dever ser computada nos clculos do dcimo

    terceiro salrio, do acrscimo de um tero de frias, incidindo os descontos previdencirios e de

    assistncia mdica. Porm, o salrio lquido diferente para cada professor, j que a composio

    salarial vai depender do seu tipo de vnculo ingresso por concurso pblico ou contratao

    temporria, alm de outras variveis como tempo de servio e o acmulo de outras

    complementaes de carreira, o que gera certo confronto entre os que acabaram de chegar e os que

    ali esto a mais tempo, pois ambos devem cumprir a mesma funo, mas com ganhos salariais

    distintos.

    Diante desta breve apresentao do PEI e das reflexes anteriores, podemos observar que as

    diretrizes do programa apontam para uma possvel intensificao do trabalho docente, diretamente

    relacionadas s mximas neoliberais do capitalismo contemporneo, que nos permite aproxim-lo

    com o modelo de sociedade da gesto ou de ideologia gerencialista identificado por Gaulejac. Para

    o autor, esta ideologia surge na esfera privada da empresa, mas se espraia e contamina os setores

    pblicos e a sociedade como um todo (Gaulejac, 2007, p.28). Esta organizao do poder, para o

    autor, est sob uma aparncia objetiva, operatria e pragmtica. A gesto gerencialista uma

    ideologia que traduz s atividades humanas em indicadores de desempenhos, esses desempenhos

    em custos ou em benefcios (Gaulejac, 2007, p.36). O humano se torna um capital um recurso a

    servio da empresa. Esta racionalizao fortalece a lgica financeira da adequao s exigncias do

    mercado, com uma maior flexibilidade, adaptabilidade; simultaneidade e rentabilidade das relaes

    de produo (Gaulejac, 2007, p.41).

    Identificamos esta ideologia gerencialista no PEI quando vemos que diversos componentes

    do programa visam atingir metas de desempenho, com a intensificao da jornada de trabalho e as

    presses para que os docentes tenham polivalncia funcional, ou seja, podemos identificar no

    espao escolar onde o PEI est vigente a incorporao de novas formas de controle e vigilncia,

    tanto da dinmica escolar como do trabalho docente. Somadas a isso, observa-se uma deteriorao

    real das condies de trabalho, em que o docente ao incorporar a lgica deste modelo, se torna um

    vigilante de si mesmo e de seus colegas, atravs de um sistema de avaliaes peridicas

    denominada de Avaliao 360 em que os docentes avaliam seus colegas e so avaliados pelos

    alunos e pela gesto da escola, que pode alterar as notas da avaliao de um professor atravs da

    calibragem, afim de atender as necessidades da gesto, o que contribui para o aprofundamento da

    intensificao e auto intensificao do trabalho (Hirata, 2001, p. 146).

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    Esta intensificao e auto intensificao do trabalho refora a importncia da resistncia e

    da luta13 dos docentes da rede bsica para que seus direitos sejam garantidos, frente a um programa,

    que enquanto uma poltica educacional, em implementao, pode ser entendida como um modelo

    top-down de cima para baixo (Passone, E., 2013, p.599-600), ou seja, trata-se de uma poltica que

    no considera os efeitos na sua efetivao, dada sua verticalidade da ao unilateral das autoridades

    polticas no estado de So Paulo. Produzindo um tipo de poltica simblica cuja a implementao

    no pode ser plenamente garantida frente a ausncia de recursos e investimentos, o que temos a

    publicizao de uma poltica que no possui a clareza entre a formulao e a implementao

    (Passone, 2013, p.602-603) e acaba por deixar deriva os trabalhadores que a aderem.

    Assim, diante do atual quadro social brasileiro de incertezas e reformas, o PEI encontra-se

    no cerne das mudanas educacionais e tambm das novas exigncias para o trabalho docente. Nesse

    sentido, podemos observar que o PEI pode aprofundar a precariedade do trabalho docente e tambm

    dar continuidade s assimetrias de gnero, pois os professores, enquanto classe e sujeitos de ao,

    esto cada vez mais de mos atadas e em luta para resistir essas transformaes voltadas para o

    mercado e no para a formao humana de seus alunos.

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    13 Sobre resistncia e luta de classes ver: THOMPSON, E. P. Tradicin, Revuelta y Consciencia de Clase. 2 Ed. Espaa: Editorial

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    Vozes, 1994, p.147-164.

    The sexual division of labor in globalized capitalism: reflections on gender relations in the

    Integral Education Program in So Paulo/SP

    Abstract: The world of labor is in the process of transformation given the new forms of capital

    accumulation in globalized capitalism. We need to consider in this context the sexual division of

    labor and the transformations in women's work and employment, because as an effect of globalized

    capitalism we experience the increase in the employment and paid work of women, which influence

    emphatically on market transformations and labor relations. With the increase in the number of

    jobs, we have a greater flexibility and vulnerability of working conditions for women. The concepts

    of flexibility, precariousness and inequality remain at the heart of the debate on labor and gender

    relations. Since even, in view of the greater participation of women in the labor market and their

    greater schooling in recent decades, we have in contrast the sexual division of labor and the

    recurrent gender asymmetries that intensify the relations of oppression and exploitation. In the

    context of these transformations, I propose a reflection on the Integral Education Program (High

    School), in the city of So Paulo and its impacts on the working life of teachers and managers,

    which lead me to ask how the program contributes to the maintenance of the sexual division of

    labor and gender asymmetries in school? Since the school has incorporated the capitalist ideology,

    contributing to the process of flexibility of labor relations.

    Keywords: Sexual division of labor. Gender relations. Flexibility. Teacher's work.

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